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Defeitos do Desenvolvimento da Região Maxilofacial . Prof.ª Me. Eliene Oliveira 1 As anomalias craniofaciais congênitas são um grupo de defeitos causados pelo crescimento e/ou desenvolvimento anormal dos tecidos moles das estruturas craniofaciais e/ou ossos. Fendas Orofaciais São malformações congênitas que envolvem aberturas no lábio e/ou palato, resultantes de desenvolvimento incompleto durante a gestação. Elas podem ocorrer isoladamente no lábio (fenda labial), no palato (fenda palatina) ou em ambos (fenda labiopalatina). Base Embriológica Período crítico: 4ª a 8ª semana de gestação - migração e fusão dos processos faciais Arcos faríngeos: estruturas embrionárias que formam o crânio, face, orelhas e pescoço 1º Arco (Mandibular): origina maxila, mandíbula, músculos da mastigação 2º Arco (Hioide): processo estiloide, parte do osso hioide e músculos da expressão facial Mecanismos de malformação: falhas na migração, fusão ou diferenciação das células da crista neural Fenda labial é uma anomalia congênita comum causada por defeito na fusão dos processos nasal medial e maxilar durante o desenvolvimento embrionário. Aproximadamente 80% dos casos são unilaterais e 20% são bilaterais. Fenda labial Fenda Palatina A fenda palatina resulta da falha da fusão das cristas palatinas, frequentemente ocorre junto com a fenda labial, ainda que possa se desenvolver como defeito isolado. Fenda Palatina Úvula bífida Fatores que aumentam o risco de desenvolvimento de fendas orofacial: Tabagismo Consumo de álcool Uso de fenitoína durante a gravidez. Prevalência de FL ± FP varia consideravelmente entre diferentes grupos étnicos/raciais. Brancos - 1 em cada 700 a 1.000 nascimentos Negros- Taaxa de 0,4 casos por 1.000 nascimentos. Na população asiática- 1,5 vezes maior que a dos brancos. A maior taxa ocorre em americanos nativos- 3,6 por 1.000 nascimentos. FL ± FP é mais comum em homens. FP isolada é mais comum em mulheres. A fenda orofacial pode resultar em vários distúrbios: Aparência Alimentação Fala Audição Habilidades de socialização O manejo envolve uma equipe craniofacial específica, que deve incluir especialistas em genética, cirurgia oral e maxilofacial, ortodontia, otorrinolaringologia, odontopediatria, pediatria, cirurgia plástica, prótese dentária, psicologia e fonoaudiologia. Tratamento Pode exigir múltiplas cirurgias, com o reparo da FL, em geral, ocorrendo cerca de 2 a 3 meses após o nascimento. Já a correção cirúrgica da FP é realizada entre 6 e 12 meses de vida. Classificação das Anomalias Classificação Geral Tipo Características Prevalência Deformidades Alteração na forma por pressão/posicionamento 2% dos nascimentos Malformações Erro no desenvolvimento normal de órgão/tecido 3-5% dos nascimentos Classificação das Fendas Orais Fendas Sindrômicas (30%): Associadas a síndromes genéticas ou múltiplas anomalias Fendas Não-Sindrômicas (70%): Isoladas, sem anomalias associadas Por Severidade: De úvula bífida (leve) até fendas completas (severas) Por Localização: Labiais, palatinas ou labiopalatinas 14 Anomalias dos Maxilares Toro Palatino: Exostose benigna na linha média do palato duro. Prevalência variável entre populações, geralmente assintomático. Toro Mandibular: Exostose benigna na superfície lingual da mandíbula, tipicamente na região dos pré-molares. Geralmente bilateral. Exostoses Vestibulares: Crescimentos ósseos na superfície vestibular dos maxilares, mais comuns na região de pré-molares e molares. Alterações no Crescimento: Micrognatia: Desenvolvimento insuficiente dos maxilares Macrognatia: Desenvolvimento excessivo dos maxilares Agnatia: Ausência completa ou quase completa de um ou ambos os maxilares Toro Palatino Toro Mandibular 15 Exostoses Vestibulares Micrognatia Macrognatia Outras Anomalias Anquiloglossia (Língua Presa) Frêio lingual curto, espesso ou inserido anteriormente. Afeta 0,02% a 10,7% dos recém-nascidos. Anquiloglossia 20 Grânulos de Fordyce São glândulas sebáceas ectópicas na mucosa oral. Presentes em 70-80% dos adultos. Outras Anomalias Outras Anomalias superior Varicosidades linguais São dilatações venosas na superfície da língua. 22 Outras Anomalias superior Fossetas labiais São pequenas depressões no lábio inferior. 23 Outras Anomalias superior Lábio duplo Prega mucosa adicional no lábio. 24 Diagnóstico e Avaliação Anamnese detalhada: história gestacional, exposição a teratógenos, histórico familiar. Exame físico: avaliação extraoral (simetria, proporções faciais) e intraoral (todas estruturas da cavidade oral).) Avaliação genética: essencial mesmo em anomalias aparentemente isoladas. Exames complementares: • Radiografias convencionais • Tomografia computadorizada • Ressonância magnética • Análise cromossômica por microarranjo Diagnóstico pré-natal: ultrassonografia morfológica a partir da 18ª semana 25 Tratamento Princípios do Tratamento Abordagem multidisciplinar: cirurgiões, ortodontistas, fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e geneticistas. Fendas orofaciais: tratamento precoce (mamadeiras especiais, moldes) e cirúrgico (3-6 meses para lábio, 15-18 meses para palato). Toros e exostoses: remoção cirúrgica apenas quando interferem na função ou próteses. Anomalias dos maxilares: tratamento ortodôntico e/ou cirurgia ortognática. Cirurgia ortognática 26 Prognóstico Favorável quando tratadas adequadamente por equipe experiente. Acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar crescimento facial e desenvolvimento da fala. Os defeitos do desenvolvimento maxilofacial representam um grupo heterogêneo e complex de anomalias congênitas com grande relevância na prática clínica odontológica. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são fundamentais para prevenir complicações funcionais, estéticas e psicossociais. Conclusão Referências [1] Pellegrino, J., & Pekarsky, A. R. (2024). Visão geral das anormalidades craniofaciais congênitas. Manual MSD - Versão para Profissionais de Saúde . Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/anomalia-craniofacial- cong%C3%AAnita/vis%C3%A3o-geral-das-anormalidades-craniofaciais-cong%C3%AAnitas [2] Pellegrino, J., & Pekarsky, A. R. (2024). Lábio leporino e fenda palatina. Manual MSD - Versão para Profissionais de Saúde . Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/anomalia-craniofacial- cong%C3%AAnita/l%C3%A1bio-leporino-e-fenda-palatina [3] Estomatologia Online. (2011). Anomalias de Desenvolvimento da Região Maxilofacial e Oral. Disponível em: https://estomatologiaonline.net/wp-content/uploads/2011/08/anomalias-de-desenvolvimento.pdf [4] Redação Sanar. (2019). Fissurados: fissuras labiais, palatinas e mais! Sanarmed . Disponível em: https://sanarmed.com/fissurados/ [5] Agência Brasil. (2023). Genética e inflamação na gravidez explicam fissura labiopalatina. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2023-06/genetica-e-inflamacao-na-gravidez-explicam-fissura-labiopalatina [6] Mai CT, Isenburg JL, Canfield MA, et al. (2019). National population-based estimates for major birth defects, 2010-2014. Birth Defects Res . 111(18):1420-1435. [7] Neville, B. W., Damm, D. D., Allen, C. M., & Chi, A. C. (2015). Patologia Oral e Maxilofacial . 4ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier. Disciplina: Patologia Bucal Data: Agosto/2025 29 Outras Anomalias O leucoedema é o aspecto branco, opalescente e bilateral da mucosa jugal que representa uma variação anatômica normal. O aspecto branco é criado pelo aumento da espessura do epitélio da superfície, que inclui numerosas células com edema intracelular proeminente. Predileção Negros: 70 a 90% dos adultos e 50% das crianças. Brancos: manifesta-se com frequência, de modo mais leve e mal é notada. Leucoedema Caracteristicas clínica: Alteração difusa, leitosa e cinza-esbranquiçada na mucosa jugal,que deve ser bilateral e simétrica. Superfície da mucosa aparece um pouco dobrada Presença de listras brancas ou pregas. O diagnóstico pode ser confirmado facilmente pela distensão e eversão da mucosa jugal, que resultará no desaparecimento da alteração branca opalescente. Nenhum tratamento ou biopsia é necessário. Leucoedema Leucoedema Aspecto branco leitoso afetando quase toda a mucosa bucal. Língua Geográfica É uma condição inflamatória crônica e benigna da mucosa da língua, caracterizada por áreas de perda das papilas filiformes (as pequenas elevações na língua), o que cria regiões vermelhas e lisas que mudam de forma e localização com o tempo. Língua Geográfica Sintomas Manchas lisas, vermelhas e irregulares na língua, geralmente com bordas esbranquiçadas. Lesões que mudam de lugar (migração) ao longo dos dias. Desconforto leve ou queimação ao consumir alimentos picantes, ácidos ou muito quentes (em alguns casos). A maioria das pessoas não sente dor e permanece assintomática. Prevalência Acomete cerca de 1% a 3% da população. É mais comum em mulheres do que em homens. Pode estar associada a outras condições como: Psoríase Alergias Estresse emocional Deficiências nutricionais (como vitamina B12, zinco ou ferro, embora a relação não seja clara) Língua Geográfica Língua Geográfica Língua Geográfica Tratamento Geralmente, não é necessário tratamento específico, já que a condição é benigna e muitas vezes assintomática. No entanto, se houver sintomas incômodos, pode-se usar: Anestésicos tópicos (como lidocaína em gel) para alívio temporário. Corticosteroides tópicos em casos mais sintomáticos. Evitar alimentos irritantes (picantes, ácidos, salgados). Boa higiene oral. Língua fissurada A língua fissurada é uma condição benigna caracterizada por múltiplos sulcos ou fissuras no dorso da língua. A causa é desconhecida, embora fatores genéticos possam estar envolvidos. Tem forte associação com eritema migratório (língua geográfica), e muitos pacientes apresentam as duas condições simultaneamente. Língua fissurada Prevalência: Varia de 2 a 5% da população geral. Outros estudos indicam uma prevalência na faixa de 10 a 20%. É incomum em crianças, Sua frequência aumenta com a idade, chegando a atingir 30% ou mais em adultos mais velhos. Língua fissurada A língua exibe várias fissuras e sulcos na superfície dorsal. Língua pilosa A língua pilosa é uma condição benigna comum do dorso de língua caracterizada pelo alongamento e hiperqueratose das papilas filiformes, mimetizando a aparência de pequenos pelos. É assintomática. Prevalência: Varia de 0,5 a 11,3%. Língua pilosa Fatores de risco: Tabagismo Debilitação geral Má higiene oral Xerostomia História de irradiação da cabeça e do pescoço. Língua pilosa Língua pilosa Tratamento: Eliminação de fatores causais (se possível). Melhora da higiene oral Hiperplasia condilar A hiperplasia condilar é uma malformação óssea incomum caracterizada pelo crescimento excessivo de um ou ambos os côndilos mandibulares. Prevalência 60% dos casos de hiperplasia ocorrem em mulheres. Adolescentes e adultos jovens. Hiperplasia condilar Hiperplasia condilar Tratamento Condilectomia, que pode ser combinada com terapia ortodôntica e osteotomias da mandíbula e da maxila. Côndilo bífido O côndilo bífido é uma anomalia óssea incomum na qual a cabeça do côndilo mandibular é dividida em dois lobos por um sulco central. Prevalência: Varia de 0,02 a 4,5. Geralmente são unilateral. Em alguns casos, o paciente relata estalido ou ruído na articulação temporomandibular. Côndilo bífido Côndilo bífido Tratamento: Nenhum tratamento é necessário. Se o paciente tiver queixas articulares, terapia temporomandibular apropriada pode ser considerada. Síndrome de Eagle A síndrome de Eagle é uma condição incomum de dor na qual o alongamento do processo estiloide do osso temporal ou calcificação do ligamento estilo-hióideo provoca várias manifestações clínicas. Síndrome de Eagle Síndrome de Eagle Sintomas: Dor unilateral na região lateral anterior do pescoço, que pode ser precipitada pela deglutição, Dor ao virar a cabeça ou pelo bocejo. Dor pode irradiar para a orelha ou articulação temporomandibular (ATM). Disfagia e sensação de corpo estranho na garganta. Compressão das artérias carótidas adjacentes podem resultar em síncope, ataques isquêmicos transitórios (AITs) e até dissecção da artéria carótida. Reconstrução Tridimensional mostra completa ossificação do ligamento estilo-hióideo, que se insere no osso hioide. (Cortesia da Dr. Vicki Tatum.) Síndrome de Eagle Sintomas: Dor unilateral na região lateral anterior do pescoço, que pode ser precipitada pela deglutição, Dor ao virar a cabeça ou pelo bocejo. Dor pode irradiar para a orelha ou articulação temporomandibular (ATM). Disfagia e sensação de corpo estranho na garganta. Compressão das artérias carótidas adjacentes podem resultar em síncope, ataques isquêmicos transitórios (AITs) e até dissecção da artéria carótida. Síndrome de Eagle Tratamento Depende da gravidade dos sintomas. Exemplos leves da síndrome de Eagle podem ser tratados conservadoramente usando anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e injeção local de corticosteroides e anestésicos. Casos mais graves exigem a remoção cirúrgica parcial do processo estiloide alongado, que pode ser realizado por um acesso tonsilar transoral ou por um acesso cervical extraoral. O prognóstico após a cirurgia é bom. Síndrome de Eagle image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.jpeg image8.png image9.png image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.png image15.jpeg image16.jpeg image17.png image18.png image19.png image20.jpeg image21.jpeg image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.jpeg image29.png image30.png image31.jpeg image32.jpeg image33.png image34.png image35.png image36.png image37.jpeg image38.png image39.png image40.png