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Atenção Primária à Saúde
A ideia de promover saúde antecede o uso explícito do termo. No entanto, a
incorporação dessa ideia e da prática no campo da saúde pública foi influenciado
especialmente pela reforma de saúde iniciada no Canadá, em 1974, a qual refletiu os
anseios de muitos outros preocupados com a influência do meio físico e social na saúde.
Essa reforma serviu de base para o lançamento de várias conferências desencadeadas
pela Organização Mundial da Saúde, começando pela de Alma Ata em 1978. Em setembro
de 1978 foi realizada a primeira Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de
Saúde, organizada pela OMS e UNICEF em Alma-Ata, capital do Cazaquistão, e seguida
pela Conferência de Ottawa, da qual resultou o primeiro documento internacional em
promoção de saúde: a Carta de Ottawa.
Em Alma-Ata:
Ação urgente de todos os governos, de todos os que trabalham nos campos da saúde e do
desenvolvimento e da comunidade mundial para promover a saúde de todos os povos do
mundo, formulou a seguinte declaração:
I) A Conferência enfatiza que a saúde - estado de completo bem- estar físico, mental e
social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade - é um direito humano
fundamental, e que a consecução do mais alto nível possível de saúde é a mais
importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de muitos outros setores
sociais e econômicos, além do setor saúde.
II) A chocante desigualdade existente no estado de saúde dos povos, particularmente
entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, assim como dentro dos países, é
política, social e economicamente inaceitável e constitui, por isso, objeto da preocupação
comum de todos os países
III) O desenvolvimento econômico e social baseado numa ordem econômica internacional é
de importância fundamental para a mais plena realização da meta de Saúde para Todos
no Ano 2000 e para a redução da lacuna existente entre o estado de saúde dos países
em desenvolvimento e o dos desenvolvidos. A promoção e proteção da saúde dos
povos é essencial para o contínuo desenvolvimento econômico e social e contribui
para a melhor qualidade de vida e para a paz mundial.
IV) É direito e dever dos povos participar individual e coletivamente no planejamento e
na execução de seus cuidados de saúde.
V) Os governos têm pela saúde de seus povos uma responsabilidade que só pode ser
realizada mediante adequadas medidas sanitárias e sociais. Os cuidados primários de
saúde constituem a chave para que essa meta seja atingida, como parte do
desenvolvimento, no espírito da justiça social.
Os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados
em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente
aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade,
mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter
em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e automedicação.
Fazem parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constituem a função
central e o foco principal, quanto do desenvolvimento social e econômico global da
comunidade.
Representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade
com o sistema nacional de saúde, pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais
proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e constituem o
primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde.
Atenção Primária e Atenção Básica
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) possui uma observação de que atenção
primária à saúde e atenção básica à saúde (ABS) têm o mesmo significado. Essa
diferenciação, porém, divide opiniões entre instituições e entre a academia. A seguir, a visão
de estudiosos sobre esse tema.
Internacionalmente, tem-se apresentado “atenção primária à saúde” como uma
estratégia de organização da atenção à saúde voltada para responder de forma
regionalizada, contínua e sistematizada à maior parte das necessidades de saúde de uma
população, integrando ações preventivas e curativas, bem como a atenção a indivíduos e
comunidades. Esse enunciado procura sintetizar as diversas concepções e denominações
das propostas e experiências que se convencionaram chamar internacionalmente de APS.
No Brasil, a APS incorpora os princípios da Reforma Sanitária, levando o SUS a adotar
a designação “atenção básica à saúde” para enfatizar a reorientação do modelo
assistencial, tornando-se o contato prioritário da população com o sistema de saúde
A ABS ou APS em vigor no país está prevista pelo Ministério da Saúde (2005) como
um conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de
atenção dos Sistemas de Saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de
agravos, o tratamento e a reabilitação.
Os cuidados primários de saúde:
Refletem, e a partir delas evoluem, as condições econômicas e as características
socioculturais e políticas do país e de suas comunidades.
Têm em vista os principais problemas de saúde da comunidade, proporcionando serviços
de proteção, cura e reabilitação, conforme as necessidades.
Incluem pelo menos: educação, no tocante a problemas prevalecentes de saúde e
aos métodos para sua prevenção e controle, promoção da distribuição de alimentos e
da nutrição apropriada, previsão adequada de água de boa qualidade e saneamento
básico, cuidados de saúde materno-infantil, inclusive planejamento familiar, imunização
contra as principais doenças infecciosas, prevenção e controle de doenças
localmente endêmicas, tratamento apropriado de doenças e lesões comuns e
fornecimento de medicamentos essenciais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um sistema de saúde
baseado na atenção primária supõe um enfoque amplo de organização e operação dos
sistemas de saúde, que faz do direito a alcançar o maior nível de saúde possível seu
principal objetivo, ao mesmo tempo em que maximiza a equidade e a solidariedade do
sistema. Um sistema baseado na atenção primária será conformado por um conjunto de
elementos estruturais e funcionais que garantam cobertura e acesso universal aos serviços,
os quais são aceitáveis para a população, e promovem a equidade. Proporciona atenção
integral, integrada e apropriada ao longo do tempo, com ênfase na prevenção e na
promoção e garantia do primeiro contato do usuário com o sistema, elegendo as
famílias e comunidades como base para a planificação e ação.
Para a Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) (BRASIL, 2011), a
integralidade é também a integração entre demanda espontânea e demanda programada
no fazer dos serviços de saúde, como também é a mescla gerada pelas atividades clínicas
e de campo na APS.
Atuação dos farmacêuticos na APS
Em diversos países da Europa e da América do Norte, os farmacêuticos atualmente
participam na APS, integrados a equipes que realizam atividades de promoção da saúde
(gerenciais, clínicas e de educação). Tais atividades são regulamentadas e custeadas pelos
governos ou instituições (PARRA, 2006; GANDÍA MOYA, 2006; MCDERMOTTA, 2005;
ROYAL, 2006; ZASSHI, 2007; WONG, et al, 2004; ARAÚJO, 2001).
Quanto ao setor farmacêutico nacional, a Legislação que o regula contém a essência
dos direitos e deveres que visam promover ações capazes de eliminar, diminuir, ou prevenir
riscos e danos à saúde do indivíduo e da coletividade, expressa no sistema jurídico definido
pela Constituição Federal (OPAS, 2005).
Diante da reorientação do papel do farmacêutico no Brasil, temos como característica
mais marcante sua (re)aproximação da farmácia e a atuação na atenção direta aos usuários
(OMS, 2004).
Poder-se-ia, então, caracterizar a atuação do farmacêutico no SUS a partir de
atividades capazes de serem desenvolvidas com base nas atribuições profissionais de
natureza gerencial (assistência) e clínica (atenção) (SILVA Jr., 2006).
O setor farmacêutico brasileiro não é fundamentado numa lei unificada e sim num
conjunto de Leis, Decretos, Portarias e Resoluções que envolvemos diversos assuntos
relacionados ao medicamento (OPAS, 2005), logo, a organização, de modo temporal, das
diretrizes legais dos serviços farmacêuticos no tocante à Atenção Primária.
Nesse contexto Margonato (2006) afirma que o farmacêutico deve agir dando ênfase à
promoção do uso racional de medicamentos através da elaboração de campanhas
educativas, estímulo ao registro e uso dos medicamentos genéricos, elaboração de um
formulário terapêutico nacional que oriente a utilização dos 25 medicamentos, adequação
dos recursos humanos, estudos de farmacologia e ações de farmacovigilância.
O farmacêutico na atenção primária deve prestar diversos serviços, desde supervisão
de atividades técnicas importantes, como controle de estoque, até dispensação, atividades
de farmacovigilância e assistência domiciliar, atendendo às Boas Práticas de Dispensação,
conhecimento da legislação farmacêutica e noções de Farmácia Clínica.
Os serviços farmacêuticos de atenção primária contribuem para a diminuição da
internação ou do tempo de permanência no hospital, à assistência aos portadores de
doenças crônicas, à prática de educação em saúde e para uma intervenção terapêutica
mais custo-efetiva. Dentro desta lógica, o serviço de farmácia deve assumir papel
complementar ao serviço médico na atenção à saúde (VIEIRA, 2007).
Níveis de Prevenção em Saúde
É importante entender que os níveis de prevenção são definidos como conjunto de
ações para manter a qualidade de vida de indivíduos, famílias e comunidades, de modo a
evitar o surgimento e o desenvolvimento de doenças.
A prevenção pode ser feita nos períodos pré-patogênese e patogênese. Ou seja: antes
do indivíduo adoecer ou após o adoecimento. O conhecimento da história natural da doença
favorece o domínio das ações preventivas necessárias.
Por meio da prevenção podemos evitar agravos à saúde da população e promover
qualidade de vida.
Inicialmente, foram previstos apenas três níveis iniciais de prevenção à saúde: primário,
secundário e terciário.
Prevenção primária
A prevenção primária é marcada por ações focadas em impedir a ocorrência das
doenças antes que elas se desenvolvam no organismo dos pacientes.
Ela subdivide-se em dois níveis: a promoção da saúde e a proteção específica. E, como
podemos imaginar, contempla o período pré-patogênico (antes do adoecimento) e ações
sobre agentes patógenos e seus vetores.
Prevenção Secundária
A prevenção secundária é essencial, uma vez que o diagnóstico precoce é fundamental
para o êxito de tratamentos de várias doenças, muitas delas, fatais.
A prevenção secundária tem como foco detectar um problema de saúde em estágio inicial,
reduzindo ou prevenindo sua disseminação e efeitos a longo prazo.
https://www.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/processo-saude-doenca-entenda-os-principais-pontos
Prevenção Terciária
Nessa fase, por exemplo, o quadro patológico do paciente já evoluiu e a proposta é
reduzir complicações ou agravos no quadro do indivíduo.
As ações que integram este nível de prevenção se fazem necessárias ações para reduzir
os prejuízos funcionais consequentes de um problema agudo ou crônico.
Referências:
- MENDES, Isabel Amélia Costa (2004). Desenvolvimento e Saúde: A Declaração de Alma-Ata e
Movimentos Posteriores (PDF). Revista Latino-Americana de Enfermagem.
- Brasil, Ministério da Saúde (Novembro 1986). «Carta de Ottawa» (PDF).
- SOUZA, Elza Maria de; GRUNDY, Emily (2004) . Promoção da saúde, epidemiologia social e capital
social: inter-relações e perspectivas para a saúde pública.
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de
Regulação Assistencial e Controle. Curso I : Regulação de Sistemas de Saúde do SUS : módulo 4 :
Redes de Atenção à Saúde [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção
Especializada à Saúde, Departamento de Regulação Assistencial e Controle. – 1. ed. rev. – Brasília :
Ministério da Saúde, 2022.
-https://blog.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/5-niveis-de-prevencao-em-saude-conhe
ca-todos
-Cuidado, integralidade e atenção primária: articulação essencial para refletir sobre o setor saúde no
Brasil
-Oliveira, A. F.; Coelho, H. L. L.; Gondim, A. P. S.. Promoção de Saúde: Farmacêutico Atuando na
Atenção Primária de Saúde.

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