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Revisão Ca, Mg e K (2)

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ” 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DOS SOLOS - LSO 
PACES - PROJETANDO AGRICULTURA COMPROMISSADA EM 
SUSTENTABILIDADE 
 
 
 
Felipe Mondelli 
Matheus Azevedo 
Pietro Alexandre 
Rafael Loschi 
 
 
 
 
 
 
 
Cálcio, Magnésio e Potássio 
 
 
 
 
 
 
 
 
PIRACICABA 
2025 
 
FELIPE MONDELLI 
MATHEUS DE AZEVEDO 
PIETRO ALEXANDRE 
RAFAEL LOSCHI 
 
 
 
 
Cálcio, Magnésio e Potássio 
 
 
 
Revisão Bibliográfica apresentada ao 
Grupo PACES – Projetando Agricultura 
Compromissada em Sustentabilidade da 
Escola Superior de Agricultura “Luiz de 
Queiroz”. 
 
 Professores Orientadores: 
 Professor Dr. Fernando Dini Andreote 
 Professor Dr. Moacir Tuzzin de Moraes 
 
 
 Coordenadores: 
 
 Ricardo Fuchs de Pinho 
 Sophia Bez Ribeiro 
 
 
PIRACICABA 
2025 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 4 
2 CÁLCIO .................................................................................................................... 6 
2.1 CÁLCIO NO SOLO .......................................................................................... 6 
2.2 CÁLCIO NA PLANTA ....................................................................................... 8 
2.3 MARCHA DE ABSORÇÃO ............................................................................ 10 
2.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO ...................................................................... 13 
2.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE ...................................................................... 14 
2.6 ADUBAÇÃO E CORREÇÃO .......................................................................... 16 
2.7 INTERAÇÃO ENTRE NUTRIENTES ............................................................. 21 
3. MAGNÉSIO ........................................................................................................... 26 
3.1. MAGNÉSIO NO SOLO ................................................................................. 26 
3.1.1. Origem .................................................................................................. 26 
3.1.2. Teores de Mg no solo ........................................................................... 28 
3.1.3. Formas de Mg no solo .......................................................................... 29 
3.1.4. Adsorção e mobilidade no solo ............................................................. 32 
3.2 MAGNÉSIO NA PLANTA ............................................................................... 34 
3.2.1 Funções metabólicas ............................................................................. 34 
3.2.2 Absorção, assimilação e translocação ................................................... 38 
3.3 MARCHA DE ABSORÇÃO ............................................................................ 44 
3.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO ...................................................................... 46 
3.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE ...................................................................... 48 
3.6 ADUBAÇÃO E CORREÇÃO .......................................................................... 52 
3.7 INTERAÇÃO ENTRE NUTRIENTES ............................................................. 55 
4. POTÁSSIO ............................................................................................................ 58 
4.1 POTÁSSIO NO SOLO ................................................................................... 58 
4.2 POTÁSSIO NA PLANTA ................................................................................ 62 
4.2.1 Absorção ............................................................................................... 62 
4.2.2 Transporte: ............................................................................................ 66 
4.2.3 Redistribuição ........................................................................................ 67 
4.2.4 Funções ................................................................................................. 67 
4.3 MARCHA DE ABSORÇÃO ............................................................................ 70 
4.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO ...................................................................... 73 
4.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE ...................................................................... 75 
4.6 ADUBAÇÃO E CORREÇÃO .......................................................................... 81 
4.7 INTERAÇÃO ENTRE NUTRIENTES ............................................................. 91 
 4.7.1 Interação entre N e K...........................................................................91 
 4.7.2 Interação entre K, Ca e Mg..................................................................93 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 94 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 95
4 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O solo é considerado um ecossistema dinâmico, que estabelece diversas 
interações e transformações entre os seus componentes químicos, físicos e 
biológicos. Essa dinâmica também está presente na relação que acontece entre os 
nutrientes e elementos presentes no solo, que por sua vez, afeta diretamente na 
eficiência da absorção pelas plantas em sua nutrição mineral. Nutrientes como cálcio 
(Ca), magnésio (Mg) e potássio (K) são considerados macronutrientes para plantas e, 
em suas formas catiônicas, representam as bases trocáveis que ocupam a maior parte 
do complexo de troca dos solos agrícolas. 
Entender sobre os diferentes aspectos relacionados à mobilidade desses 
nutrientes, tanto no solo quanto na planta, bem como mecanismos de absorção pelas 
raízes, ajudam nas tomadas de decisões sobre melhores estratégias para manter uma 
nutrição vegetal ideal e minimizar perdas, resultando em maior eficiência de utilização 
dos nutrientes. Esses nutrientes se dispõem no complexo de trocа (solução do solo e 
superfície dos colóides) na forma de íons catiônicos, sendo os dois últimos divalentes 
(Ca2+ e Mg2+) e o primeiro, monovalente (K+) (Benites et al., 2010). 
Sobre o Ca2+, é um nutriente de extrema importância para a nutrição da planta. 
Esse elemento é encontrado nos tecidos vegetais em concentração que pode variar 
entre 0,5 a 3 dag/kg da matéria seca (Reitz et al., 2021). Na planta, o Ca apresenta 
mais de uma função que pode-se citar a preservação e integridade estrutural, e 
também atua nas membranas celulares vegetais como agente cimentante na forma 
de pectatos de cálcio na lamela média, contribuindo para regular o transporte e a 
troca iônica (Hadi e Karimi, 2012). O íon cálcio é um mensageiro secundário 
essencial em eventos de sinalização celular (Paiva, 2019). 
O magnésio é um macronutriente secundário, responsável por executar 
inúmeras funções metabólicas. Além de compor o átomo central da molécula de 
clorofila, também participa de ativações enzimáticas, principalmente no ciclo de 
Calvin. Além disso, está envolvido no acúmulo de açúcares em frutos e tecidos de 
reserva, assim como na elongação do sistema radicular (Epstein et al., 2006). 
O magnésio é um cátion divalente, apresenta pequeno raio iônico (0,428 nm), 
porém uma elevada energia para sua hidratação. A disponibilidade para as plantas 
está ligada à influência da concentração de outros cátions (Prado, 2020; Fagan, 2022). 
https://blog.verde.ag/pt/encontro-com-gigantes/conheca-os-agrominerais-silicaticos-e-a-sua-importancia-na-formacao-de-solos-agricolas/
https://blog.verde.ag/pt/nutricao-de-plantas/os-microrganismos-do-solo-sao-viloes-ou-aliados-do-agricultor/
5 
 Em relação ao potássio, o Brasil é um dos maiores produtores mundiaise liberação com o Ks. A forma como é retido e potássio 
depende da forma como ele se associa ao colóide, nessa ótica, há 3 posições de 
encontro: A posição “p”, na qual os íons K+ são aderidos a parede plana do colóide e 
podem ser facilmente trocados por outros cátions polivalentes na solução devido a 
sua menor prioridade na série liotrópica (Nachtigall, 2005). 
Além disso, pode ser devolvido a solução rapidamente, visto que o aumento da 
concentração de quaisquer íons catiônicos irá diminuir sua prioridade de retenção na 
CTC do solo (Nachtigall, 2005). 
A outra posição que pode ser encontrado o íon K+ adsorvido é na posição “e”, 
ou seja, nas bordas dos folhelhos do solo, por fim, há a posição “i”, nesse caso a de 
maior retenção do potássio no solo, visto que sua ligação ocorre no interior da 
60 
partícula, não permitindo a troca por outros íons com a mesma facilidade. Vale 
ressaltar que o potássio, ainda que na posição “i”, pode ser desalocado em detrimento 
de altas concentrações de outros íons, como o Cálcio e o Magnésio, todo esse 
processo pode ser observado na figura 4.1.1 (Mendes 1985; Nachtigall, 2005). 
 
 
Figura 4.1.1 - Dinâmica de adsorção do K nos colóides. 
 
Fonte: Nachtigall (2005). 
 
 
Por fim, há a fração do potássio retida no solo de forma que apenas a ação do 
intemperismo a longo prazo é capaz de disponibilizá-lo. Esse processo é denominado 
fixação e esse potássio compõe o Potássio fixado (Kf). 
A fixação do potássio não é algo recorrente para a realidade brasileira, visto 
que a composição dos solos nacionais é de alta intemperização, sendo composto, 
primordialmente, por argilas 1:1. A fixação ocorre quando, em argilas 2:1, há a fração 
do Kt que se aloja entre os folhelhos silicatos e alumínios nas posições “i”. Dessa 
forma, o íon potássio aproxima as camadas e as argilas, assim sendo retido 
(Nachtigall, 2005). 
61 
A dinâmica do potássio no solo é relativa a sua característica catiônica, nesse 
caso, sempre monovalente, pois é disponibilizado em solução como forma do íon K+. 
A forma como o potássio se comporta no solo também é extremamente relacionada 
às cargas do solo, sejam elas fixas ou variáveis. A mudança entre a fração Kt e Ks do 
solo muda constantemente, a depender da CTC, em solos com baixos valores de CTC 
a fração Kt não supera 1%, mas em solos ricos em matéria orgânica ou altos teores 
de argilas, principalmente as do tipo 2:1, há quase todo o K na fração Kt (Mendes 
1985; Nachtigall, 2005) 
A forma como isso se expressa na dinâmica do solo é dependente do manejo 
realizado anteriormente à necessidade da planta, em solos pobres, ácidos, com teores 
álicos e alumínicos sem correção a tendência do potássio no solo é de ser lixiviado e 
percolado para camadas inacessíveis para as plantas (Dos Santos, 2006). 
De forma a relacionar com as cargas do solo, com pH menor, há alta 
concentração de íons H +, assim, protonando as ligações “O-” dos colóides do solo, 
as tornando positivas na forma de “OH2 +”. Esse fenômeno não permite os íons de 
potássio a se ligarem com os colóides. A ligação fraca que o potássio é capaz de 
exercer com a CTC com seu caráter monovalente não o permite estar na fração Kt, 
logo, é levado para camadas inferiores com a drenagem da água pelo perfil do solo 
(Dos Santos, 2006). 
Em contrapartida, em solos com alta capacidade de retenção, sejam por altos 
valores de cargas fixas do solo, como a presença de argilas 2:1, ou solos com altos 
teores de quaisquer argilas; ou solos com altas quantidades de cargas variáveis, como 
matéria orgânica, há um grande retenção do Ks na fração sólida do solo, devido a alta 
CTC, formando a grande porção do K no solo em Kt. Outra forma de evitar a lixiviação 
do potássio é por meio da correção do pH, pois, com a alta quantidade de hidroxilas, 
não há a protonação das ligações “O-”, que ficam prontamente disponíveis para reter 
cátions (Dos Santos, 2006). 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
Figura 4.1.2 - Dinâmica das bases em função do pH do solo. 
 
Fonte: Adaptado de Malavolta (1979). 
 
Figura 4.1.3 - Dinâmica das frações do potássio no solo. 
 
Fonte: Adaptado de Nachtigall (2005). 
 
4.2 POTÁSSIO NA PLANTA 
 
4.2.1 Absorção 
 
 Quando o K+ alcança as raízes por fluxo de massa e, principalmente, por 
difusão, ocorre a absorção por meio da solução do solo para as células radiculares, a 
favor ou contra o gradiente de concentração do nutriente, necessitando neste caso, 
de gasto de energia na forma de trifosfato de adenosina (ATP) e auxiliada pela 
extrusão de íons H+ (Marschner, 2012). 
63 
 Além disso, vale ressaltar que, do mesmo modo que acontece com a absorção 
radicular, a contribuição do fluxo de massa para o contato e, posteriormente, para a 
absorção, é relativamente pequena. No entanto, pode ser relevante sob duas 
condições: quando a corrente transpiratória, proporcional à água movimentada no solo 
é absorvida pela raiz, é suficientemente grande; quanto a concentração de K na 
solução do solo é alta (Malavolta, 2005). 
 Dessa forma, vale ressaltar como ocorre as duas formas de absorção do 
potássio pelas plantas: absorção ativa e passiva. O processo ativo consiste na 
passagem contra um gradiente de concentração sendo um processo popularmente 
chamado de “morro acima”, tendo o nutriente passando pela membrana celular e para 
o citoplasma da célula. Vale ressaltar que uma das características dessa absorção 
ativa é a introdução de energia no sistema (ATPase) sendo realizado principalmente 
por bombas iônicas e carreadores (Pauletti, 2020). Logo, a energia ATP é utilizada 
para bombear H +, ou seja, uma carga positiva líquida para fora da célula. Com isso, 
é produzido um gradiente de ph elétrico entre o citoplasma e o espaço da parede 
celular. O H+ está com a energia livre maior na parede que o citoplasma (Malavolta, 
2005). 
 
Figura 4.2.1 - Modelo de absorção passiva e ativa das raízes. 
 
Fonte: Malavolta (2006). 
64 
 
 Por outro lado, a absorção passiva se baseia em canais, ou seja, proteínas que 
formam poros preenchidos por águas; são específicos para íons e água e permitem a 
passagem de até 100 milhões de íons por segundo (Pauletti, 2020). A Figura X mostra 
de maneira ilustrativa como funcionam esses canais de absorção de potássio. 
 
Figura 4.2.1.1 - Absorção passiva de potássio. 
 
Fonte: Pauletti (2020). 
 
 Vale ressaltar a percepção que, no processo de absorção, há uma troca entre 
H+ e K+. No entanto, não há estequiometria nela e, de acordo com Kochian e Lucas 
(1988), o influxo de K, em geral, excede significativamente o efluxo de H+ (Malavolta, 
2005). 
 Ademais, os papéis das ATPases e o dos canais foram revistos por Kafkaki et 
al. (2001) e obteve duas afirmações sobre esses componentes sendo, a primeira 
delas, que além de determinar o fornecimento de energia, a ATPase desempenharia 
também a função de transportadora de K e a outra premissa é que há três categorias 
de proteínas transmembranas que movem os solutos com velocidades diferentes: 10 
- 10 íons s por canal proteico, contra 10.000 na operação das bombas protônicas e 
500 no das carregadores. 
65 
 Com base na compreensão das formas de absorção, deve-se atentar aos 
componentes que influenciam na absorção desse nutriente nas plantas. Em relação 
aos fatores externos, tem-se: 
a) Concentração de K+ na solução; 
b) Cálcio: Dentro de limites, o Ca mostra efeito sinérgico na absorção de K, o 
efeito “Viets”. No entanto, se o nível de Ca for aumentado ainda mais na 
solução do solo, diminui a absorção, por inibição competitiva. 
c) Sódio: O Na+ diminui a absorção de K somente quando este é fornecido em 
alta concentração, ou seja, nas condições do mecanismo duplo, não o fazendo 
quando opera o carreador de alta afinidade; 
d) Tensão de O2: a relação do oxigênio no processo está relacionado com a 
respiração visando produção de ATP; 
e) Temperatura: a elevação datemperatura estimula a atividade respiratória e 
aumenta a velocidade de difusão, logo, aumentando a absorção; 
f) Umidade: Níveis baixos de umidade do solo diminuem a absorção que, no 
entanto, pode ser compensado aumentando a concentração de K no meio. 
 
 Compreender os componentes internos também são essenciais para entender 
o mecanismo desse nutriente como um todo. Dessa forma, ressalta-se os seguintes 
fatores: 
a) Concentração na raiz: como as plantas possuem capacidade limitada para 
absorção, as mesmas deixarão de fazer caso os valores forem suficientes; 
b) Carboidratos da raiz: os carboidratos da raiz são a fonte de energia por meio 
da fosforilação oxidativa que se dá no transporte eletrônico terminal da 
respiração. 
c) Raiz, comprimento, crescimento, morfologia, velocidade de absorção de água: 
esses fatores foram propostos por Baligar e Barber (1979) e fazem relação com 
a capacidade do sistema radicular absorver o potássio; 
d) Variedade, cultivar, híbrido: Cada material pode diferenciar no valor absorvido 
do nutriente. 
 
 Logo, entender como funciona e o que influencia são fatores fundamentais para 
a análise completa desse nutriente. Diante disso, faz-se necessário o estudo da 
movimentação do mesmo na planta para uma compreensão completa. 
66 
4.2.2 Transporte 
 
A priori, tem-se a ênfase no transporte radial na raiz, isto é, o K+ é absorvido 
pela raiz pode chegar aos vasos do xilema somente por um caminho. A via apoplástica 
se resume à parede celular além dos espaços intercelulares e é interrompida na 
endoderme, por conta do bloqueio efetuado pelas estrias de Cáspari, as quais 
possuem como característica deixar passar muito pouca água e íons. Em razão disso, 
o cilindro central somente é alcançado por meio do caminho simplástico sendo este 
formado pelas comunicações citoplasmáticas, os plasmodesmos, que formam um 
continuum desde as células superficiais das raízes, atravessam a endoderme e 
chegam ao xilema (Lauchli e Pfluger, 1978). 
 Ademais, tem-se o transporte dentro e além da folha, o qual consiste no 
movimento de K dentro da folha pode se dar via apoplasto ou via simplasto. Porém, 
além da folha, o floema é responsável pelo transporte (Scott-Russel e Clarkson, 1971). 
 Entendia-se que a entrada de K no xilema se desse passivamente. No entanto, 
haja vista o gradiente eletroquímico entre os vasos do xilema e as células do 
parênquima ao seu redor, em adição ao fato de que tais células contêm ATPases 
estimulada pelo K, indicam transporte ativo deste nutriente para o cilindro central 
(Lauchli e Pfluger, 1978). Nesse sentido, com o intuito da movimentação de entrada 
no xilema, um sistema K+ e H+ antiporte pode operar, a energia sendo fornecida pelo 
ATP. Conduzido na corrente transpiratória, o potássio chega na parte aérea da planta. 
Canais seletivos podem agir utilizando a diferença do potencial elétrico como força 
promotora ou graças a um simporte K+ e H+ que usa a força motriz protônica se a 
concentração do K+ no xilema for muito baixa (Boer, 1989). 
 Por fim, vale salientar que o K é o cátion mais abundante no floema (Viro e 
Haeder, 1971). A passagem lateral de K do xilema para o floema é facilitada em razão 
de um processo de carregamento que tem lugar no plasmalema dos vasos de seiva. 
A entrada de K no floema está relacionada com o efluxo de próton e com a energia 
gerada pela ATPase, havendo uma estequiometria 1:1 entre K+ e H+ (Malavolta, 
2005). 
 
 
 
67 
4.2.3 Redistribuição 
 
A redistribuição do K se dá em por conta da relação fonte-dreno da planta, ou 
seja, ocorre a movimentação no floema das folhas para outros órgãos - regiões de 
crescimento de armazenamento - geralmente acompanhado de um ânion (ácidos 
orgânicos R-COO). Nesse sentido, vê-se que o potássio se move dos tecidos mais 
velhos para os mais novos (Pauletti, 2020). 
 Vale salientar que o movimento de K não se dá somente para o fruto que pode 
não estar presente. Nesse sentido, o movimento em geral ocorre para tecidos 
meristemáticos das folhas mais novas, do caule e até para as raízes (Malavolta, 2005). 
 Outra relação que o potássio está inserido é como contra-íon para translocação 
de nitrato e malato, assim como sugere Malavolta (2005), quanto NO3- é reduzido na 
folha, tem-se a formação de malato em razão do aumento de Ph interno do tecido. 
Parte do malato é transferida ao floema, sendo acompanhado pelo K transportado 
para a raiz, local o qual sofre descarboxilação, ou seja, o HCO3 produzido é liberado 
no meio em troca do NO3- absorvido e, assim, controlado a absorção do último 
(Malavolta, 2005). 
 Portanto, com a compreensão da absorção, transporte e redistribuição desse 
nutriente na planta, faz-se necessário entender as funções que o mesmo desempenha 
no organismo vegetal visando o estudo da importância desse macronutriente primário. 
 
4.2.4 Funções 
 
 O potássio oferece diversos benefícios para a sobrevivência e desenvolvimento 
da planta. De acordo com Oliveira et al (2024), o K+ é o principal cátion presente no 
citoplasma e está envolvido em diversos processos essenciais integrados no 
metabolismo celular. 
 Em primeiro lugar, salienta-se que, segundo Malavolta (2006), pouco mais de 
meia centena de enzimas são ativadas pelo potássio. A ação está relacionada com a 
mudança na conformação da molécula, a qual aumenta a exposição dos sítios ativos 
para a ligação com o substrato. Dessa forma, pode-se relacionar a alta demanda da 
planta pelo K com a necessidade de altas concentrações no citoplasma para garantir 
atividade enzimática ótima (Malavolta, 2006). 
68 
Além disso, o potássio é responsável direto na qualidade do produto e formação 
de colheita podendo agir de diversas formas diferentes para potencializar a produção 
agrícola, assim como a Tabela 4.2.1 retrata: 
 
Tabela 4.2.4.1 - Participação do potássio na formação de colheita. 
Papel Explicação 
Vegetação e perfilhamento de gramíneas e outras 
espécies. 
Formação e transporte de 
carboidratos; 
Síntese de proteínas; 
Associado ao N. 
Aumento no teor de carboidratos, gorduras e 
proteínas 
Veja acima. 
Maior acidez e tamanho dos frutos Acidez: produção de ácidos para 
neutralizar cargas +; 
Tamanho: entrada de água e 
assimilados. 
Armazenamento de açúcar e amido Síntese e transporte 
Maior utilização de água Propriedades osmóticas 
Fixação simbiótica de N2 Efeito no crescimento das raízes. 
fotossíntese e geração de ATP, 
transporte de carboidratos para a 
raiz, incorporação de N em 
proteínas. 
Integração com outros elementos Relações sinérgicas na absorção 
e metabolismo 
Atraso na senescência e maior enchimento de grãos 
dos cereais 
Diluição do teor do ácido 
abscísico um dos responsáveis 
pela senescência precoce. 
Fonte: Malavolta (2006). 
 
Ademais, Oliveira et al (2024) destaca como outros indicativos da importância 
do K na fisiologia celular são os tipos de RNA e DNA sintetizados, bem como, a 
rotatividade de aminoácidos no citoplasma. Segundo o mesmo autor, análises 
multivariadas indicam que 19 rotas metabólicas e 51 compostos são regulados pela 
disponibilidade de K. 
Outra relação extremamente importante do potássio é com a abertura 
estomática. Nesse sentido, segundo Pacheco et al (2021), nas células-guardas ocorre 
a entrada de íons de potássio e cloreto e a síntese de malato. Estes íons são 
69 
fundamentais solutos osmoticamente ativos. O conteúdo de potássio é elevado nas 
células-guardas quando os estômatos estão abertos e diminui quando estão fechados; 
a magnitude da variação varia de acordo com a espécie. Durante a abertura, maiores 
quantidades de potássio movem-se das células subsidiárias e epidérmicas para 
dentro das células-guardas (Pacheco et al, 2021). 
 
Figura 4.2.4.2 - Papel do potássio, representado pelos pontos vermelhos, no controle 
osmótico que propicia a abertura e o fechamento dos estômato 
 
Fonte: Veloso (2024). 
 
 Logo,vê-se que movimentação de abertura e fechamentos dos estômatos são 
propiciados pelo controle osmótico das células que, por sua vez, é induzido por uma 
substância chamada Ácido Indol Acético (AIA) e pelo acúmulo de um soluto composto 
de potássio e açúcares redutores no vacúolo celular. Dessa forma, a ação dessas 
duas substâncias acaba criando um potencial osmótico celular interno na célula 
(Veloso, 2024). 
 Outra função do potássio é sua relação com pragas e doenças na lavoura. Com 
base nisso, Malavolta (2006) retrata 4 formas do K manifestar seu efeito sobre o 
patógeno (doenças). Em primeiro lugar, tem-se o número, desenvolvimento, 
sobrevivência, vigor e duração do ciclo do agente causal da doença (1). Além disso, 
vê-se a relação com o suprimento de nutrientes do hospedeiro para o patógeno 
quando há deficiência do elemento, com ou sem mudança no hábito de crescimento 
do primeiro (2); dificuldade na infecção através da formação de barreiras 
representadas pela estrutura da parede celular, da espessura da cutícula (3) e 
recuperação do tecido lesado após a infecção (4) (Malavolta, 2006). 
 Sob esse viés, tem-se a afirmação que em planta de soja bem nutridas, teores 
elevados de K nos grãos são indicativos de alta síntese proteica e qualidade do 
produto. Por outro lado, em plantas mal nutridas e em condições de deficiência de K, 
70 
as alterações no metabolismo celular promovem a redução na síntese e na atividade 
enzimática da redutase do nitrato, com acúmulo de compostos nitrogenados e de 
carboidratos solúveis (Oliveira, 2020). 
 
Figura 4;2;4.3 -Principais relações entre a síntese proteica e os teores de K nos grãos. 
 
Fonte: Oliveira (2020). 
 
 Dessa forma, vê-se que a resistência da planta à seca e o potássio estão 
intimamente ligados, haja vista a homeostase osmótica, que ocorre pela manutenção 
do turgor celular e pressão osmótica. Outros processos também são essenciais na 
economia de água promovida pelo K como: o controle da condutância de água e 
transpiração; regulação dos potenciais de membrana; melhoria da condutividade 
hidráulica em raízes e homeostase iônica (Oliveira, 2020). 
 Portanto, vê-se a fundamentalidade desse nutriente para a sobrevivência e 
desenvolvimento das plantas visando tolerância a fatores bióticos e abióticos além de 
potencializar sua produtividade no geral com transporte e síntese de fotoassimilados. 
 
4.3 MARCHA DE ABSORÇÃO 
 
 A absorção do K ocorre pelo contato da raiz com a solução do solo, em via 
obrigatória, ou seja, no encontro natural do sistema radicular com o elemento, 
chamado interceptação radicular, por fluxo de massa, o qual o K movimenta-se junto 
71 
com a solução do solo a favor do gradiente de umidade e por fim, por gradiente de 
concentração, passando de um ambiente mais concentrado para um de menor 
concentração (Malavolta, 2005). 
 Em relação a marcha de absorção, temos que conforme a demanda da planta 
aumenta, com base na relação fonte-dreno, tem-se maior índice de absorção do 
potássio. Dessa forma, a Figura 4.3.1 mostra a mancha de absorção típica na cultura 
da soja, tendo como exemplos três materiais diferentes que apresentam praticamente 
a mesma concentração de K ao longo do ciclo. 
 
Figura 4.3.1 - Mancha de absorção da soja em três cultivares diferentes. 
 
Fonte: Oliveira (2020) 
 
 Em relação ao milho, outra cultura de destaque no agronegócio brasileiro, vê-
se a mancha de absorção aumentando, assim como a soja, de maneira exponencial 
com o passar do tempo. Isso se dá por conta do maior volume de drenos e pelo milho 
estar desde o vegetativo definindo seu potencial produtivo (Karlen, 1987). 
 
 
 
 
 
 
 
72 
Figura 4.3.2 - Acúmulo de matéria seca, nitrogênio, fósforo e potássio na parte aérea de plantas de 
milho. 
 
Fonte: Karlen (1987). 
 
 Já na cultura do feijão, tem-se momentos de “saltos” da absorção do K pela 
cultura. O primeiro pico ocorre entre 25 a 35 dias após a emergência, o qual 
geralmente ocorre a diferenciação dos botões florais e o segundo acontece no 
florescimento e formação das vagens (Veloso, 2020). 
 
Figura 4.3.3 - Progressão de absorção de nutrientes pelo feijoeiro: o potássio tem dois saltos na 
cultura. 
 
Fonte: Haag et al (1967). 
Figura 4.3.4 - Mancha de absorção de N e K pelo cafeeiro. 
73 
 
 Fonte: Corrêa et al. (1986) 
 
4.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO 
 
 A extração de nutrientes refere-se à quantidade de nutrientes retirados do solo 
pelas plantas durante todo seu ciclo. A exportação consiste quando os produtos 
desses cultivos (grãos) são colhidos e removidos da área de cultivo, ou seja, com a 
colheita, os nutrientes que estão presentes nos produtos finais da planta são retirados 
do sistema de produção agrícola (Oliveira, 2020). Nesse sentido, faz-se necessário 
compreender os valores de extração e exportação do potássio nas principais culturas 
agrícolas, segundo Zancanaro (2015). 
 
Figura 4.4.1 - Extração e exportação de K20 nas culturas do feijão, milho e soja. 
 
Fonte: Zancanaro (2013). 
 
 Além disso, na cultura do cafeeiro, vê-se os valores em relação à exportação a 
uma saca (60 Kg) de café conilon ou de café arábica. Bragança et al. (2000) descreve 
que em uma saca de café conilon, tem-se 3.024 g/saca, enquanto o arábica cerca de 
2.042 g/saca. 
74 
 
Figura 4.4.2 - Macronutrientes exportados numa saca (60 Kg) de café conilon ou café arábica. 
 
 Fonte: Bragança et al (2000). 
 
 
Figura 4.4.3 - Extração de K no cafeeiro.
 
 
Fonte: Garcia (2023). 
 
 Diante disso, entender a extração e exportação dessas culturas em relação ao 
potássio faz total diferença na tomada de decisão do manejo desse nutriente com o 
objetivo de potencializar a produção. 
 
75 
4.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE 
 
 Níveis baixos de potássio nas plantas podem ocorrer devido à baixa 
concentração do nutriente na solução do solo, podendo não estar nas formas 
absorvíveis pelas plantas ou por razão antagônica com outros nutrientes (Otto, 2021). 
 A deficiência, segundo Otto (2021) inicia com processos microscópicos antes 
de manifestar sintomas visíveis. Ainda de acordo com o autor, a priori, ocorre redução 
da velocidade do metabolismo, seguido de desordem dos processos biológicos (nível 
celular), alteração das organelas, membranas e paredes, alteração ou deformação 
das células e, por fim, alteração nos tecidos marcado pela apresentação de sintomas 
(Otto, 2021). 
 Com base nisso, Boschiero (2022) escreve, com base nas funções do potássio, 
7 respostas fisiológicas e morfológicas que a deficiência de potássio causam. Em 
primeiro lugar, tem-se a resposta no sistema radicular, isto é, durante a deficiência de 
K, o crescimento das raízes secundárias é reduzido. Isso ocorre devido a dependência 
da sacarose presente no floema que, por sua vez, tem o transporte reduzido sob 
eficiência de K para o crescimento da raiz (Boschiero, 2022). 
 
Figura 4.5.1 - Relação deficiência de K e sistema radicular. 
 
Fonte: Boschiero (2022). 
 
 Ademais, em relação a abertura de estômatos, tem-se a afirmação que o influxo 
de K é necessário para que as células-guarda fiquem totalmente túrgidas e 
76 
mantenham o estômato aberto para ocorrer a condutância do CO2, matéria prima da 
fotossíntese. Dessa forma, devido a deficiência do potássio, as plantas possuem 
dificuldade em realizar a abertura dos estômatos, dificultando a difusão de CO2 para 
dentro da célula (Boschiero, 2022). 
 
Figura 4.5.2 - Relação deficiência de K e abertura estomática
 
Fonte: Boschiero (2022). 
 
 Além disso, a deficiência de K possui efeito direto na fotossíntese, haja vista 
que o potássio sustenta o processo fotossintético à medida que mantém a integridade 
das células do mesofilo e do cloroplasto. O K+ também possui papel fundamental na 
fixação fotossintética de CO2 por meio do funcionamento estomático adequado e 
manutenção das condições do cloroplastoem relação ao turgor, Ph e atividades 
enzimáticas (Boschiero, 2022). 
 
Figura 4.5.3 - Relação deficiência de K e fotossíntese. 
 
 Fonte: Boschiero (2022). 
 
77 
 A deficiência de K também prejudica o transporte de sacarose no floema, haja 
vista que, com os valores baixos de potássio, tem-se o acúmulo de sacarose nas 
folhas (Figura 4.5.4). Além disso, a qualidade de grãos é prejudicada devido a redução 
do suprimento sacarose para os drenos mais importantes da planta (grãos). O 6º fator 
fisiológico que a deficiência de K causa é formação de Espécies Reativas de Oxigênio 
(EROS), em razão que o K suprime o número de elétrons disponíveis para reações 
laterais com O2 que, de outra forma, criaria as EROs. Por fim, com a deficiência de 
potássio, a condutância de água é reduzida no xilema, devido a interação pobre entre 
o K e a matriz de pectina das placas clivosas (Boschiero, 2022). 
 
Figura 4.5.4 - Relação deficiência de K e sacarose. 
 
Fonte: Boschiero (2022). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
Figura 4.5.5 - Relação deficiência de K e qualidade de grãos e frutos. 
 
 Fonte: Boschiero (2022). 
 
Figura 4.5.6 - Relação deficiência de K e Espécies Reativas de Oxigênio. 
 
Fonte: Boschiero (2022). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
Figura 4.5.7 - Relação deficiência de K e transporte de água no xilema. 
 
Fonte: Boschiero (2022). 
 
 Dessa forma, a planta é o reflexo de como anda seu estado nutricional. Como 
o K é muito móvel nos tecidos vegetais, os sintomas de deficiências são normalmente 
vistos em folhas mais velhas, devido à redistribuição deste nutriente para as partes 
novas. O sinal de deficiência nas folhas velhas é clorose seguida de necrose nas 
pontas e margens das folhas. Nesse sentido, conforme o sintoma for aumentando, 
pode ocorrer queda de folhas, frutos além de menor desenvolvimento geral da planta 
(Barbosa, 2019). 
Com base nisso, os sintomas nas culturas na teoria são semelhantes, mas ao 
observar na prática, pode parecer diferente em razão dos diferentes formatos de folha. 
Por isso, a seguir, tem-se as imagens das deficiências de K nas culturas da soja, 
milho, feijão de café, visando uma melhor compreensão visual desse assunto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
Figura 4.5.8 - Sintoma de deficiência de K em soja. 
 
 Fonte: Barbosa (2019). 
 
Figura 4.5.9 - Deficiência de K em milho. 
 
Fonte: Duarte (2019). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.5.10 - Sintomas de deficiência de K na cultura do feijoeiro. 
81 
 
Fonte: Rosolem (2020). 
 
Figura 4.5.11 - Sintomas de deficiência de K na cultura do cafeeiro 
 
 Fonte: Veiga (2022). 
 
 
4.6 ADUBAÇÃO E CORREÇÃO 
 
 Assim como no caso dos demais elementos, a adubação procura cobrir a 
diferença entre a quantidade de K que a cultura necessita e a que o solo é capaz de 
fornecer, essa diferença é multiplicada por um fator maior que 1,0 destinado a cobrir 
as perdas em razão da lixiviação, fixação e erosão (Malavolta, 2006). 
 Dessa forma, salienta-se o conceito de nível limite que consiste no teor abaixo 
do qual se manifesta a carência aguda de potássio (Malavolta, 2006). Nesse sentido, 
82 
Raji e Mascarenhas (1976) realizaram um estudo com dados de diversas instituições 
do Rio Grande do Sul e chegaram à conclusão de um curva de calibração de K 
extraível do solo com a cultura da soja. 
 
Figura 4.6.1 - Curva de calibração de K extraível do solo com a cultura da soja. 
 
Fonte: Raji e Mascarenhas (1976). 
 
 Outro modelo interessante a ser ressaltado é o de Tiecher (2020) onde mostra 
a resposta da cultura em produtividade, o teor de K nas plantas e a necessidade de 
adubação de potássio relatando os níveis para adubação corretiva, de manutenção e 
reposição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
Figura 4.6.2 - Experimentos de calibração de teores de K. 
 
 Fonte: Tiecher (2020). 
 
 Além disso, o Boletim 100 faz algumas recomendações gerais de adubação de 
acordo com o teor de K no solo em mmolc dm-3 e levando em consideração a 
produção relativa. Nesse sentido, compreender essas orientações podem fazer total 
diferença na tomada de decisão dos manejos acerca do potássio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
Tabela 4.6.1 - Orientações para o manejo da adubação com potássio de acordo com as classes de 
teores do nutriente no solo 
Classes de 
teores 
Produção 
relativa (%) 
Teores de K no 
solo mmolc dm-
3 
Orientações para a adubação 
com potássio 
Baixo 100 3,1-6,0 A adubação deve ser a máxima 
econômica para culturas 
exigentes em potássio, quando o 
K· trocável no solo estiver 
próximo do limite inferior da 
classe e reduzida em cerca de 
40% da dose estimada pela 
exportação com as colheitas, para 
culturas menos exigentes no 
nutriente 
Muito alto >100 >6,0 Não aplicar potássio até que a 
exportação com as colheitas 
reduza os teores de K' trocável no 
solo. 
Fonte: Boletim 100. 
 
 Na cultura da soja, a adubação de potássio é fundamental para atingir boas 
produtividades na cultura. Nesse sentido, a primeira maneira de adubação desse 
nutriente é a corretiva e Oliveira (2020) retrata que, nos Cerrados, a recomendação 
de adubação leva em consideração a capacidade de retenção de K em dois grupos 
de solos: solos com CTCph 7,0 menor que 4,0 cmolc/dm3 e solos com CTC ph 7,0 maior 
ou igual a 4 cmolc/dm3 (Figura X). Com base nisso, solos de baixa CTC, há maior 
propensão à movimentação de K no perfil, haja vista o reduzido número de cargas 
negativas em relação a solos de maior CTC, aumentando o potencial de K por 
lixiviação. 
85 
Figura 4.6.3 - Interpretação da análise do solo e recomendação de adubação corretiva de K para 
culturas anuais conforme a disponibilidade do nutriente em solos dos Cerrados. 
 
Fonte: Oliveira (2020). 
 
Além disso, ter a atenção necessária com a reposição desse nutriente auxilia 
potencializando a produção como um todo. Para exemplificar isso, Zancarano (2013) 
realizou um experimento com adubação de K de maneira anual e sem aplicação 
visando analisar a produtividade do sistema de sucessão soja-milho e as 
produtividades do manejo 1, em ambas as culturas, tiveram maior produtividade. 
 
 
 
 
 
 
 
86 
 
Figura 4.6.4 - Análise de esgotamento de um solo em relação ao potássio 
 
Fonte: Zancorano (2013). 
 
Logo, com esse esgotamento, a tendência é ocorrer a deficiência de K e, com 
isso, ocorrer perda de produtividade assim como mostrado no experimento. Em 
relação a recomendação de doses de K visando a manutenção da nutrição da cultura, 
tem-se, de acordo com o Boletim 100, a adubação mineral de semeadura da soja com 
os seguintes valores: 
 
Figura 4.6.5: Adubação mineral de semeadura da soja 
 
Fonte: Boletim 100. 
 
87 
A recomendação de adubação na semeadura é de até 50 Kg/ha de K20, 
evitando o contato com as sementes para prevenir a redução do estande devido ao 
efeito salino sendo o restante da dose de potássio podendo ser completado até os 20 
a 25 dias após a germinação (Quaggio et al, 2022). Nesse sentido, Vitti (2009), 
realizou um experimento visando analisar o efeito salino do KCl na semeadura e o 
impacto no sistema radicular. Dessa forma, o resultado está retratado na Figura 4.6.6, 
o qual mostra a raiz que não houve parcelamento mais prejudicada que a outra forma 
de manejo. 
 
Figura 4.6.6 - Sistema radicular com a aplicação de KCl tudo na semeadura com 
parcelamento evidenciando o índice salino do cloreto de potássio. 
 
Fonte: Vitti (2009).Para deixar o manejo do K20 de maneira mais clara, tem-se o exemplo do 
campeão do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo 
CESB (Comitê Estratégico de Soja Brasil), categoria sequeiro e na região de 
Nepomuceno (MG) com 134,46 sc/ha. No manejo, o produtor João Lincoln Reis 
utilizou 94,5 Kg/ha de K20 antes do milho 2ª safra (adubação de sistema) e em pré 
semeadura aplicou mais 60 Kg/ha de K20, não precisando aplicar esse nutriente na 
semeadura e correr o risco de prejudicar seu stand inicial de plantas. Com isso, o 
produtor conseguiu ter ótimos níveis de K até camada 20-40 cm de solo, 
potencializando sua produção e conseguindo padrões de altas produtividades (Araújo, 
2023). 
88 
 
Figura 4.6.7 - Adubação do campeão do CESB safra 22/23 com foco no manejo do potássio. 
 
Fonte: Araújo (2023). 
 
Figura 4.6.8 - Análise de solo do campeão do CESB safra 22/23 com foco no manejo do 
potássio. 
 
Fonte: Araújo (2023). 
 
 A adubação foliar tem sido utilizada como uma ferramenta essencial visando 
complementar ou suplementar as necessidades nutricionais das plantas, favorecendo 
o aproveitamento de nutrientes (Fernandes, 2023). Haja vista a capacidade de 
regulação osmótica do potássio e sua maior demanda conforme o ciclo se aproxima 
do reprodutivo, a adubação foliar com a dose correta e na época certa podem 
89 
ocasionar um ganho de produtividade. Nesse sentido, Fernandes (2023) realizou um 
estudo focando em saber o momento e uma dose de K via foliar que os resultados 
estão mostrados na Figura 4.6.9. 
 
Figura 4.6.9 - Valores médios do número de nós totais por planta (NTP), número de vagens na haste 
principal (NVH1), número de vagens nas hastes laterais (NVH2), número total de vagens por planta 
(NTVP), número de grãos por vagem (NGV), massa de mil grãos (M1000) e produtividade (PROD) de 
soja com aplicação de potássio via foliar. 
 
Fonte: Fernandes (2023). 
 
 Além disso, no manejo campeão do CESB já citado, o produtor utiliza aplicação 
de potássio foliar em R4, R5.1 e R5.3 (vale salientar que esse manejo é pensando em 
altas produtividades) com o objetivo de aumentar a translocação de fotoassimilados 
para o enchimento de grãos (Araújo, 2023). 
 
 
 
 
 
 
 
90 
Figura 4.6.10 - Adubação foliar do campeão do CESB safra 22/23 com foco no manejo do 
potássio. 
 
Fonte: Araújo (2023). 
 
 Portanto, vê-se que a adubação com potássio via foliar no final do ciclo da soja 
pode causar grande ganho de produtividade, potencializando o enchimento de grãos 
e podendo diminuir estresse hídrico das plantas. 
 No caso do milho, a adubação de K de acordo com o Boletim 100 é bem 
parecida com a da soja em relação a aplicação de sulco de semeadura e cuidados 
com a salinidade. Para o milho safrinha, em solos argilosos e de alta fertilidade com 
teores de K acima de 3,0 mmolc dm-3 é preferível praticar a “adubação de sistemas 
produtivos”, aumentando a adubação potássica na cultura da soja e retirando parte ou 
todo o potássio do milho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
Figura 4.6.11 - Recomendações de adubação de milho para grãos e silagem, em função da análise 
de solo e da produtividade esperada 
 
Fonte: Boletim 100. 
 
Portanto, compreender as recomendações de adubação são fundamentais 
para potencializar a produtividade e aumentar os teores desse nutriente no solo. 
 
4.7 INTERAÇÃO ENTRE NUTRIENTES 
 
 As interações entre os nutrientes são essenciais para compreender as 
melhores formas de promover uma adubação equilibrada e eficiência e, com base 
nisso, o potássio possui relação direta com outros íons que podem alterar a 
conformação da parte química do solo (Manrcher, 2012). Diante disso, faz-se 
necessário entender sobre cada relação. 
 
4.7.1 Interações N e K 
 
 A resposta de uma cultura ao K depende, em grande parte, do nível em que o 
nitrogênio se encontra na nutrição do solo. Normalmente, o valor de N é exponencial 
ao valor de K e ao valor da produtividade (Malavolta, 2006). Com base nisso, Dibb e 
Welch (1976) apontam conclusivamente para o fato de que a maior absorção de 
potássio permite rápida assimilação do NH4+ absorvido, mantendo seu teor com 
níveis baixos na planta, evitando possível toxicidade (Malavolta, 2006). Dessa forma, 
a relação N e K pode ser observada em dois experimentos de Bull e Cantarella (1993). 
O primeiro retrata o efeito do potássio nas respostas à adubação nitrogenada na 
92 
cultura do milho e o segundo a produção de grãos de milho em função da adubação 
potássica e de três níveis de nitrogênio (N-Kg/ha). 
 
Figura 4.7.1: O primeiro gráfico mostra efeito do potássio nas respostas à adubação nitrogenada na 
cultura do milho e o segundo a produção de grãos de milho em função da adubação potássica e de 
três níveis de nitrogênio (N-Kg/ha). 
 
Fonte: Bull e Cantarella (1993). 
 
 Outro exemplo interessante acerca desse tópico, é um experimento de Farinelli 
et al. (2003) que consiste na resposta do arroz de terras altas a aplicações de N e K 
em cobertura - em semeadura foram aplicados mais 10 Kg ha de N e 37,5 Kg ha de 
K. Vê-se que, com a aplicação de K, houve incremento de produção em relação a não 
adubação desse nutriente em cobertura conjunta com o nitrogênio (Farinelli, 2003). 
 
Figura 4.7.2: Resposta de arroz de terras altas a nitrogênio e o potássio aplicados em cobertura. 
 
Fonte: Farinelli et al. (2003). 
 
 
93 
4.7.2. Interações K, Ca e Mg 
 
 Essas interações são as que mais têm recebido atenção dos pesquisadores, 
uma vez que são os três cátions dominantes na planta (Malavolta, 2006). Marschner 
(2012) retrata as relações antagônicas como uma interação negativa haja vista que 
ocorre competição entre íons os quais possuem propriedades físico-químicas 
semelhantes, como valência ou diâmetro. Dessa forma, pode-se classificar a relação 
Ca, Mg e K como antagônica, haja vista que, quando a concentração de K+ é elevada, 
tende-se a ter uma diminuição na taxa de absorção de Ca e Mg. 
 Isso ocorre em razão dos canais de absorção de cátions, já que o canal que 
será responsável por absorver o cálcio e magnésio, também é responsável por 
absorver o potássio, ocasionando um impedimento da absorção desses íons 
(Malavolta, 2006) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
94 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Portanto, cálcio, magnésio e potássio são os metais alcalinos considerados 
macronutrientes para as plantas e, em suas formas catiônicas, representam as bases 
trocáveis que ocupam a maior parte do complexo de solos agrícolas. Nesse sentido, 
diferentes aspectos relacionados à mobilidade desses nutrientes no solo e na planta, 
além dos mecanismos de absorção auxiliam a decidir sobre as melhores estratégias 
para manter adequada a nutrição vegetal e minimizar perdas, resultando em maior 
eficiência de uso dos nutrientes (Melo, 2010). 
 Diante disso, entender as particularidades de cada um desses nutrientes, 
conjuntamente com aplicações práticas, pode-se compreender os fatores que fazem 
com que esses componentes sejam tão essenciais para as culturas agrícolas e, com 
essa base, consegue-se colocar em prática por meio da adubação de nutrir a planta 
para que a mesma tenha cada vez mais incrementos de produtividade. 
 
 
95 
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102de 
potássio, com reservas estimadas em 10 bilhões de toneladas (Pizol, 2023). Além 
disso, o potássio é um nutriente mineral essencial para o crescimento das plantas e 
influência como regulador de estômatos e fotossíntese (Pizol, 2023). Diante disso, 
faz-se necessário compreender mais detalhes desses nutrientes visando melhor 
tomada de decisão pro manejo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
2. CÁLCIO 
 
O cálcio (Ca) é um macronutriente secundário que apresenta mais de uma 
função dentro do ciclo da planta. Pode-se citar a preservação e integridade estrutural, 
e também atua nas membranas celulares vegetais como agente cimentante na forma 
de pectatos de cálcio na lamela média, contribuindo para regular o transporte e a 
troca iônica (Hadi e Karimi, 2012). O íon cálcio é um mensageiro secundário 
essencial em eventos de sinalização celular (Paiva, 2019). Embora haja uma 
quantidade muito alta de Ca presente no solo, a parte realmente solúvel é muito menor 
do que o total. Alguns fatores que podem afetar a solubilidade desse elemento no solo: 
pH, CTC (capacidade de troca catiônica) e presença de outros cátions no solo. 
 
2.1 CÁLCIO NO SOLO 
 
Pode-se considerar o cálcio (Ca) como um elemento de ampla ocorrência na 
natureza, entretanto existem muitos solos pobres em Ca total e disponível, sendo 
geralmente solos ácidos. De acordo com Malavolta (2006), o Ca é o cátion 
predominante no complexo de trocas, exceto em solos extremamente ácidos, onde 
cede seu lugar para o alumínio (Al). O conteúdo de Ca no solo pode ser variável, mas 
com uma visão geral pode-se dizer que em regiões úmidas, com textura de solo 
grosseira, formados de rochas pobres de minerais contendo Ca, são pobres desse 
cátion. Contudo, considerando as mesmas condições, em solos de textura fina e 
formados por rochas ricas de minerais cálcicos, apresentam muito mais desse 
nutriente (Mello et al., 1989). A quantidade de Ca encontrado no solo varia de acordo 
com seu tipo e origem. Em solos temperados não cálcicos geralmente varia entre 0,7 
a 1,5%, sendo ainda uma quantidade acima dos solos tropicais altamente 
intemperizados que tem esse valor em torno de 0,1 a 0,3%. Já em solos calcários, 
podem conter até 25%. 
Embora haja uma quantidade muito alta de Ca presente no solo, a parte 
realmente solúvel é muito menor do que o total. Alguns fatores que podem afetar a 
solubilidade desse elemento no solo: pH, CTC (capacidade de troca catiônica) e 
presença de outros cátions no solo. Segundo Camberato e Pan (1999), a saturação 
por base “ideal” de Ca seria de 65%. Em solos altamente intemperizados onde 
predominam caulinitas e óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al), a saturação entre 25 - 
7 
30% já bastaria. Dentro desse contexto, Malavolta (2006) define uma regra simples: 
Ca alto está associado com Al baixo, e Ca baixo coexiste com Al alto. 
Segundo Coelho e Verlengia (1973), os íons de Ca2+ na solução do solo podem: 
 
a) ser perdidos na percolação da água; 
b) ser absorvidos pelas plantas e microrganismos; 
c) ser adsorvido ao redor das partículas que fazem parte do complexo coloidal do solo, 
ou tornando-se insolúveis. 
Se tratando da camada superficial dos solos brasileiros, tem uma grande 
frequência de ácidos, com isso ocorre uma excessiva perda com a lixiviação pelas 
águas da chuva. Nessa camada contém gás carbônico, que posteriormente forma 
ácido carbônico, deslocando junto com ele o cálcio através da percolação nas águas. 
 
Figura 1 - Reação que ocorre nas camadas superficiais carregando o cálcio para camadas mais 
profundas. 
 
Fonte: Coelho e Verlengia (1973). 
 
De acordo com os últimos autores citados, o Ca trocável presente no solo é 
influenciado por seguintes fatores: 
a) Textura do solo - solos com textura fina geralmente são mais ricos em argila, 
retendo mais Ca comparado com os de textura mais grosseira; 
b) Matéria orgânica - responsável pela retenção de todos os nutrientes no solo, 
incluindo o Ca; 
c) Lixiviação - empobrecimento de Ca devido a precipitações pluviométricas e 
percolação com a água; 
d) Exportação pelas culturas - extração de Ca do solo para sua nutrição. 
 
8 
Malavolta et al. (1979) realizaram um trabalho que demonstrou-se muito 
evidente a relação entre o Ca2+ trocável e a produção na cultura do milho. O gráfico 
com essa relação pode ser visualizado abaixo. 
 
Figura 2 - Relação Ca trocável x produção de milho. 
 
Fonte: Malavolta et al. (1979). 
 
A maioria dos solos têm um teor de Ca disponível que satisfaz as necessidades 
de plantas não leguminosas, embora muitas vezes insuficiente para leguminosas, que 
por sua vez exige mais desse elemento. Uma cultura de leguminosas exige em média 
quatro vezes mais Ca para seu desenvolvimento que uma não leguminosa (Collings, 
1955). 
 
2.2 CÁLCIO NA PLANTA 
 
O cálcio é um macronutriente secundário requerido em quantidades 
relativamente grandes pelas plantas, sendo o nutriente mais abundante nas plantas 
depois do potássio. Grande parte dele está localizada na área foliar, sendo folhas mais 
velhas com maiores quantidades (Coelho e Verlengia, 1973). A absorção de Ca pelas 
plantas ocorre principalmente por meio do xilema e do apoplasto, destacando-se a 
importância da transpiração e do fluxo de água para essa absorção (Gilliham et al., 
2011). 
A concentração desse elemento na planta pode variar bastante, ficando entre 
0,2% em capins, 1% a 1,25% em folhas de plantas frutíferas e até 2% em folhas de 
9 
algodão (Plank e Kissel, 2013). Na planta, o Ca tem função estrutural de extrema 
importância, sendo ele fundamental para formação da estrutura da parede celular e 
responsável pela integridade da membrana. Na membrana celular, o Ca atua na 
regulação da permeabilidade das membranas celulares das plantas. Este nutriente 
ajuda a regular a permeabilidade celular ativando transportadores de íons, como a 
ATPase de cálcio, que ajudam a bombear o cálcio para dentro e para fora das células 
(Sarto et al, 2019). Além de proporcionar estabilidade à planta, as paredes celulares 
fortalecidas auxiliam na prevenção contra diversos fungos e bactérias. Outra 
função importante desse elemento dentro da planta é a elongação celular, participa 
de processos enzimáticos e hormonais e pode estar relacionado com a absorção de 
outros nutrientes pela planta, ressaltando também sua importante função no 
desenvolvimento e funcionamento das raízes. 
Os três tipos de funções do Ca dentro da planta: 
a) estrutural; 
b) regulador enzimático; 
c) mensageiro secundário. 
 
Nesse contexto, ele é essencial para manter a integridade estrutural e funcional 
das membranas e da parede celular. Malavolta (2006) afirma que a deficiência nas 
membranas ocasiona o vazamento do conteúdo citoplasmático; a compartimentação 
é comprometida e a ligação do cálcio com a pectina da parede celular fica afetada. O 
pectato de Ca da lamela média cimenta uma célula na outra, sendo depositado 
durante a citocinese (Rains, 1976). 
Como mecanismo de fortalecimento da parede celular, o Ca2+ liga-se à 
Calmodulina, e ajuda a formar pontes cruzadas entre as cadeias de polissacarídeos 
na parede celular. Essas pontes cruzadas aumentam a rigidez e a resistência da 
parede celular, tornando a célula mais resistente ao estresse osmótico e mecânico, 
além de regular a deposição de compostos da parede celular, como lignina e suberina, 
proporcionando assim melhor resistência à água na parede celular (Campos, 2019). 
A Calmodulina citada se refere a uma proteína que exerce função como ativador 
enzimático e função estrutural é encontrada na forma ativa e possui uma alta afinidade 
pelo Ca2+, que sendo ativada pela ligação do íon faz com que ela possa atuar como 
um sensor intracelular de cálcio, atuando diretamente como regulador de íons, de 
metabolismo e resposta a estressesbióticos e abióticos (Taiz et al, 2017). Além disso, 
10 
na atuação como mensageiro secundário é responsável por diversas vias de 
sinalização em resposta a estímulos estressantes, ativando enzimas conhecidas 
como quinases responsáveis por ativar canais iônicos na membrana celular 
permitindo que íons ou moléculas específicas entrem ou saiam da célula e sinalizando 
as plantas para responderem a estresses bióticos e abióticos (Campos, 2019). 
Dentro da planta o Ca é um elemento não móvel, não sendo transportado no 
floema. No trabalho de Clark (1984) evidenciou-se que o transporte tanto do Ca quanto 
do Mg no xilema acontece por troca iônica e o Ca2+ e Mg2+ são adsorvidos a sítios com 
cargas negativas no interior ou nas paredes. Em plantas lenhosas o movimento 
ascendente do Ca pelo xilema é relativamente lento, havendo muita acumulação na 
casca e pouca no lenho. Já em plantas herbáceas acontece uma rápida mobilização 
do Ca. No exemplo de plantas lenhosas o fluxo desse elemento é das raízes para 
parte aérea em várias fases de crescimento, sendo o maior destino desse elemento, 
junto com os ramos inferiores, para o crescimento novo (Hanger, 1979). 
A característica de redistribuição do Ca dentro da planta é baixa, e uma parte 
disso está relacionado ao fato de que em muitas espécies predomina a forma desse 
elemento insolúvel em água, como por exemplo o pectato da lamela média celular. 
Em outra vertente, o Ca2+ pode ser translocado lateralmente para fora do xilema 
formando cristais insolúveis de oxalato (Malavolta, 2006). Segundo Clark (1984), a 
planta necessita de um suprimento constante especialmente para alimentar o fruto 
devido a deposição de Ca2+ como oxalato ou fosfato nos tubos de seiva, implicando 
em uma menor redistribuição. 
Como já citado, o Ca é um considerado um macronutriente, que para conseguir 
realizar seu ciclo e atender suas demandas fisiológicas, a planta necessita desse 
elemento. Desse modo, a quantidade de nutrientes exigida é referida de acordo com 
a função dos seus teores no material vegetal e no total de matéria seca. Essa variação 
e concentração muda de acordo com cada espécie e relação entre nutrientes variam 
de acordo com a cultura (Faquin, 2005). 
 
2.3 MARCHA DE ABSORÇÃO 
 
A marcha de absorção de nutrientes nas plantas corresponde ao 
comportamento da curva de absorção em diferentes períodos dentro dos estádios 
fenológicos da cultura. Esse índice irá variar de acordo com a espécie, época e o 
11 
nutriente em específico. Isso ocorre porque a marcha de absorção está diretamente 
relacionada com a necessidade fisiológica da planta por cada nutriente em um 
momento distinto. Segundo Carrijo et al. (2004), a marcha de absorção de nutrientes 
da cultura é uma ferramenta muito útil para se proceder ao parcelamento de nutrientes 
ao longo do ciclo da cultura. Além disso, com o uso e conhecimento da marcha de 
absorção evita-se uma possível deficiência ou consumo de luxo de algum nutriente 
pela planta (Furlani e Purquerio, 2010). 
Em um trabalho feito por Sarruge et al., (1963) analisaram a marcha de 
absorção de vários nutrientes na cultura do algodoeiro, entre elas o Ca, como mostra 
na figura a seguir. 
 
Figura 3 - Marcha de absorção do cálcio, magnésio e enxofre. 
 
Fonte: Sarruge et al., (1963). 
 
Em um outro trabalho mais recente e interessante, Silva et al. (2017) também 
estudou a absorção de cálcio na cultura do amendoim e observaram que a absorção 
do Ca2+ aumentou do 30° dia até o 100° dia após a emergência (DAE). O pico de 
absorção foi no 110º DAE, seguido por uma queda brusca até os 120º DAE, e 
manteve-se abaixo de 0,20 g/dia até a última avaliação feita. 
 
 
 
12 
Figura 4 - Absorção de cálcio em plantas de amendoim em diferentes épocas de avaliação. 
 
 
Fonte: Silva et al., (2017). 
 
Alguns outros trabalhos (Aguiar Neto et al. (2014); Moraes et al. (2016) e Kurtz 
et al. (2016), apresentaram resultados bastante interessantes para a absorção do Ca 
na cultura da cebola, sendo as maiores quantidades do nutriente requerido pela 
cultura entre 93° ao 134° DAS (dias após a semeadura), em que coincide o período 
de bulbificação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Figura 5 - Recomendação de cálcio para a cultura da cebola cultivada em campo aberto conforme a 
necessidade da planta.
 
Fonte: Aguiar Neto et al. (2014); Moraes et al. (2016) e Kurtz et al. (2016). 
 
2.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO 
 
A demanda nutricional pode ser estimada avaliando os estudos de extração e 
exportação de nutrientes pelas culturas, onde a extração é a quantidade total de 
nutrientes que a planta retira do sistema, para completar seu ciclo, e exportação é o 
percentual destes nutrientes que são removidos do sistema através da colheita. 
Em um trabalho conduzido com a cultura do feijão por Teles Neto (2001), teve como 
um dos objetivos analisar a extração e exportação dos macronutrientes em diferentes 
estruturas na planta de feijão. Dentre esses macronutrientes foi possível observar o 
comportamento do Ca nessas diferentes estruturas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
Figura 6 - Extração e exportação de macronutrientes em diferentes partes da planta de feijão (haste, 
folha, botão floral, vagem e grão). 
 
Fonte: Adaptado de Telles Neto (2001). 
 
2.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE 
 
A deficiência de Ca2+ nos tecidos em crescimento causa amolecimento e 
morte, levando à podridão final da flor, queimadura da ponta e podridão (Figura 7). 
Além disso, a deficiência de Ca2+ também pode ser resultado de uma baixa taxa de 
transpiração (White e Broadley, 2003). 
 
Figura 7 - Deficiência de Ca: podridão no fruto do tomateiro (esquerda superior); queimadura nas 
folhas (direita superior) e podridão na maçã (abaixo). 
 
Fonte: Tezotto (2025). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 8 - Deficiência de Ca em citros. 
 
Fonte: Tezotto (2025). 
 
Durante a fase vegetativa, a deficiência de Ca sempre afeta as raízes antes do 
broto. As raízes ficam com coloração marrom e o tecido se desintegra. Os frutos 
também são um dos principais alvos da deficiência de Ca. 
 
Figura 9 - Deficiência de Ca - (a) Raízes marrons e em desintegração na cevada. (b) Placas 
necróticas de podridão apical em tomateiro. 
 
Fonte: Bang et al. (2021). 
 
Não se tem estudos que afirmem sobre a possível toxicidade na planta por 
Ca, entretanto, sabe-se que o excesso ocasiona desequilíbrios com outros 
nutrientes, seguindo de deficiências desses mesmos, especialmente o magnésio e o 
potássio. 
16 
 
2.6 Adubação e correção 
 
 O Cálcio é um macronutriente secundário, requerido em altas quantidades 
pelas culturas, deve ser adicionado ao sistema para garantir altas produtividades. A 
exigência varia conforme as culturas, conforme a tabela (2.6.1). Segundo Raij (1991), 
para o suprimento de Ca são necessárias doses de 10 a 200 kg/ha. 
 
Tabela 2.6.1 - Extração de Cálcio em função da produtividade de várias culturas. 
Cultura Para produtividade de (kg) Absorção de Ca (kg) 
Algodão 680 6,3 
Amendoim 1.814 9,0 
Arroz 3.175 9,0 
Laranja 24.000 36,0 
Milho 4.000 22,0 
Soja 1.630 11,7 
Sorgo em grão 3.300 27,0 
Trigo 1.630 7,2 
Fonte: Adaptado de IPNI (2006). 
 
 A proporção de Ca na CTC efetiva do solo está diretamente relacionada ao 
crescimento de raízes de plântulas de trigo, em condições de saturação por Al igual 
a zero. Deste modo, a partir de dados experimentais, observou-se uma relação entre 
a saturação por Ca na CTC efetiva menor que 50% e restrição ao sistema radicular 
de trigo (Sousa et al., 1992). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
Figura 2.6.1 - Comprimento de raízes de trigo como variável da saturação por cálcio na CTC efetiva. 
 
Fonte: Sousa et al. (1992). 
 
As fontes mais comuns de Ca são através de corretivos ou condicionadores 
agrícolas. O calcário é o principal corretivo, obtido da moagemde rochas carbonáticas, 
compostas por cálcio ou carbonato de cálcio e magnésio. Possui constituintes que 
garantem o poder corretivo, através do carbonato de cálcio (CaCO3) e o carbonato de 
magnésio (MgCO3), que em meio aquoso, dissociam-se, liberando hidroxilas (OH-), 
Ca2+ e Mg2+ (Machado, 2021; Pavinatto, 2025). 
 
Figura 2.6.2 - Reação química da calagem. 
 
Fonte: Machado (2021). 
 
 A legislação brasileira exige um mínimo de 38% para calcários, a partir da soma 
de %CaO + %MgO. Atualmente classifica-se os calcários em função dos teores de 
CaO e MgO, antes classificados em calcítico ( 12% de MgO). 
18 
 O PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) expressa o quanto daquele 
calcário vai reagir no solo, relacionando-se com a granulometria e % de CaO e MgO. 
Calcula-se através do percentual de ação do PN em até três meses, em função da 
granulometria do corretivo, conforme a seguinte equação (2.6.1) (Pavinatto, 2025; 
Novais et al., 2007). 
 
Equação 2.6.1 - Fórmula de Poder Relativo de Neutralização Total. 
 
Fonte: Pavinatto (2025). 
 
 O efeito residual consiste na quantidade de PN (Poder Neutralizante) que não 
reage em função da granulometria do material, podendo reagir depois. Ou seja, o 
tempo de duração da correção da acidez. Quanto maior a reatividade, menor é o efeito 
residual. Calcula-se o efeito residual através da fórmula (2.6.2). Em calcários “filler”, 
calcinados, cal virgem e cal hidratada, que possuem reatividade superior a 100%, não 
apresentam efeito residual (Machado, 2021; Pavinatto, 2025). 
 
ER = PN - PRNT (2.6.2) 
 
Tabela 2.6.2 - Comportamento dos diferentes calcários sob o mesmo PRNT. 
Calcário PN RE PRNT Ação do PN Ação do PN 
 (%) (%) (%) 3 meses ER 
1 100 70 70 70 30 
2 80 87 70 70 10 
3 70 100 70 70 0 
Fonte: Machado (2021). 
 
 Outros corretivos agrícolas são a cal virgem hidratada, obtida pela calcinação 
ou queima completa do calcário, contém óxido de cálcio (CaO) e óxido de magnésio 
(MgO), se apresenta como um pó fino. A cal hidratada agrícola, obtida através da 
19 
hidratação da cal virgem, composta por hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) e hidróxido de 
magnésio (Mg(OH)2). O calcário calcinado, obtido industrialmente pela calcinação 
parcial do calcário, contém CaCO3, MgCO3 não decompostos do calcário, CaO e 
MgO, além de Ca(OH)2 e Mg(OH)2 resultantes da hidratação dos óxidos pela umidade 
do ar. O carbonato de cálcio é obtido pela moagem de corais, sambaquis (calcários 
marinhos) e margas (depósitos terrestres de carbonato de cálcio), a ação neutralizante 
é similar à do carbonato de cálcio dos calcários. As escórias industriais são 
subprodutos da indústria de ferro e aço, apresenta como constituintes o silicato de 
cálcio (CaSiO3) e o silicato de magnésio (MgSiO3). Por fim, o calcário “filler”, trata-se 
do calcário finamente moído, apresenta partículas inferiores a 0,30 mm, possui uma 
alta reatividade (Machado, 2021; Pavinatto, 2025). 
 
Tabela 2.6.3 - Características mínimas de poder de neutralização e soma dos óxidos dos principais 
corretivos de acidez. 
Material PN CaO + MgO 
 (%) (%) 
Calcários 67 38 
Cal Virgem Agrícola 125 68 
Cal Hidratada Agrícola 94 50 
Escórias 60 30 
Calcário Calcinado Agrícola 80 43 
Outros 67 38 
Fonte: Brasil (1998). 
 
 O gesso agrícola que é utilizado como um condicionador de subsuperfície, 
também uma importante fonte de enxofre (15%) e cálcio (20%), podendo ser extraído 
da gipsita ou obtido como um subproduto da indústria de fertilizantes fosfatados. 
Quando dissociado inicialmente, Ca2+ e SO42-, agem como fertilizantes, o restante, 
cerca de 70% é lixiviado na subsuperfície. Além disso, outras fontes como fertilizantes 
fosfatados e nitrogenados também fornecem cálcio para as plantas, apesar de não 
ser o principal foco (Pavinatto, 2025; Vitti, 2016). 
 
 
20 
Tabela 2.6.4 - Fontes comuns de fertilizantes contendo Cálcio. 
Fonte Teor de Ca (%) 
Calcário Calcítico (CaCO3) 22 a 35 
Cloreto de Cálcio (CaCl2) 36 
Gesso (CaSo4 . 2H20) 22 
Nitrato de Cálcio [(Ca(NO3)2] 19 
Silicato de Cálcio 2 - 5 
Superfosfato Simples 18 - 20 
Superfosfato Triplo [Ca(H2PO4)2 . 2H2O)] 7 - 12 
Termofosfato Magnesiano 20 
Fonte: IPNI (2006). 
 
 O uso de Cálcio através de fertilizantes foliares pode ser realizado, visando 
uma adubação suplementar, uma prática que vem sendo utilizada no estádio de 
florescimento da soja. Objetivando aumentar o número de vagens por planta, através 
de uma maior retenção de flores e fixação de vagens, a partir de cálcio (Ca) e boro 
(B). O seguinte experimento avaliou a produtividade da cultura da soja, a partir da 
aplicação de 400 g de Ca e 40 g de B ha-1 (Cloreto de Cálcio – 10% Ca; Ácido Bórico 
– 1% B) no estádio fenológico R1 da soja (Galeriani, 2021). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
Figura 2.6.3 - Avaliação de componentes da produção da cultura da soja após aplicação de 
Ca e B foliar, na safra 2018/2019 e 2019/2020. 
 
Fonte: Galeriani (2021). 
 
2.7 Interação entre nutrientes 
 
 O Cálcio pode se apresentar de diferentes formas, como formas trocáveis e 
solúveis, sendo a forma mais trocável a mais comum (Ca2+). Em colóides do 
complexo de troca do solo, o cálcio pode constituir cerca de 65% das cargas 
negativas, seguido por Mg 2+ (20%) e K (5%). A ocorrência do cálcio em solos ácidos 
de áreas tropicais é afetada, onde o íon Al3+ é predominante, esse passa a ocupar os 
sítios de troca catiônica dos colóides do solo em detrimento do cálcio, resultando em 
uma menor quantidade disponível na solução (VAN RAIJ, 2011). 
 
 
 
22 
Figura 2.7.1 - Gráfico de Malavolta, disponibilidade dos nutrientes em função do pH. 
 
Fonte: Boschiero (2023). 
 
 Os micronutrientes metálicos têm uma relação com cálcio e magnésio, através 
da calagem, competem pelos mesmos sítios de ligação. O Zinco, em específico, é um 
micronutriente que tem uma relação estabelecida como antagônica. Nos solos, o Ca 
presente como carbonato de cálcio (CaCO3) pode reagir com o Zn da solução, 
formando o zincato de cálcio, um composto pouco solúvel que diminui a 
disponibilidade de Zn para as plantas. Já em plantas, o aumento da concentração de 
Ca na solução do solo pode competir com o Zn, tanto por sítios de adsorção nas 
partículas do solo, quanto na superfície radicular. Saddana e Takkar (1983) 
encontraram uma relação entre a concentração crescente de Ca na solução do solo, 
reduziu a absorção de Zn e diminuiu drasticamente a translocação do micronutriente 
nas mudas de arroz. Deste modo, áreas com alto teor de Ca, apresentam maior risco 
de deficiência de Zn às culturas, exigindo manejos específicos, como aplicação 
localizada durante a semeadura de fontes de micronutrientes (Prasad, Shivay, Kumar, 
2016). 
 
 
 
 
 
23 
Tabela 2.7.1 - Efeito do Cálcio na absorção e translocação de zinco em mudas de arroz. 
Concentração 
de Nutriente 
Absorção de Zinco (ug 
Zn/g de raíz seca) 
Fluxo de Zinco (ug 
de Zn) 
Porcentagem 
de Zinco 
translocado 
pelas raízes 
Razão de 
Zinco nas 
Raízes/Zn 
em 
brotações 
Zinco Cálcio 30 60 90 Raízes Brotações 
(uM) (mM) (minutos) 
0,5 0 13.3 22.9 28.9 71.1 3.1 4.2 22.9 
 10 7.4 11.3 13.8 30.3 1.1 3.5 27.5 
 20 5.8 9.2 11.6 26.1 0.7 2.8 35.3 
1,0 0 24.5 44.3 56.7 121.2 5.9 4.6 20.5 
 10 13.8 21.7 27.1 54.3 2.2 4.1 24.7 
 20 10.8 17.7 22.6 46.1 1.7 3.6 27.1 
2,0 0 47.5 79.9 106.2 206.1 11.6 5.3 17.8 
 10 24.5 38.2 49.3 101.2 4.9 4.6 20.7 
 20 19.9 31.5 41.4 86.7 3.8 4.2 22.8 
Fonte: Saddana e Takkar (1983). 
 
 A disponibilidade de cátions divalentes, Ca e Mg, estão diretamente 
relacionadas com a disponibilidade de K no solo e sua absorção pelas plantas. 
Segundo Marschner (2012), o potássio compete com diferentes cátions pelos sítios 
de absorção na membrana plasmática, entre eles NH4+, Ca2+ e Mg2+. A calagem 
promove o aumento de concentraçõesde Ca e Mg do solo, relativamente à do K, 
podendo reduzir a absorção pelas raízes e causar deficiência (Goedert el al., 1975). 
 Entretanto, o aumento do pH do solo pela calagem pode elevar a capacidade 
de adsorção por potássio, reduzindo perdas por lixiviação. Já doses excessivas de 
calcário, podem provocar desequilíbrios com a adubação potássica, segundo 
Bittencourt e Sakai (1975), a adição de calcário pode provocar mobilização de 
potássio, mesmo de formas não trocáveis, possibilitando que seja lixiviado com maior 
24 
facilidade. Em experimentos realizados por Cordeiro et al. (1988), a calagem reduziu 
em 19% a disponibilidade de K para a cana em latossolo roxo e 10% em latossolo 
vermelho-amarelo (Rossetto et al., 2004). 
 Desta forma, a resposta das culturas à fertilização potássica tem mostrado 
relação direta com a proporção (Ca + Mg)/K trocável nos solos (Fros, 2023; Oliveira 
et al., 2001; Rossetto et al., 2004). 
 
Tabela 2.7.2 - Teores foliares e no solo de relacionados aos tratamentos que apresentaram 
deficiência de K nas folhas, em função da aplicação de calcário e potássio. 
Dose de 
Calcário 
Dose de 
Potássio 
Folha Solo 
 K Ca + 
Mg)/K 
K- trocável (Ca + 
Mg)/K 
pK - ½ p 
(Ca+Mg) 
mg/dm3 g/kg mmolc/dm3 
500 0 4,4 3,6 0,7 40 1,97 
1000 15 4,0 4,3 1,2 36 1,92 
1500 30 4,2 3,8 1,1 40 1,74 
2000 30 4,2 4,0 1,4 44 1,81 
Fonte: Oliveira (2001). 
 
Figura 2.7.2 - Relação entre os teores foliares de K, Ca e Mg, no período de florescimento, em função 
das doses de calcário. 
 
Fonte: Oliveira (2001). 
25 
Figura 2.7.3 - Relação entre os teores foliares de K, Ca e Mg, no período de florescimento, em função 
das doses de potássio. 
 
Fonte: Oliveira (2001). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
3. MAGNÉSIO 
 
 O magnésio é um macronutriente secundário e teve sua essencialidade 
confirmada em 1860, sendo um dos elementos químicos que foi denominado há mais 
tempo que os demais. Responsável por inúmeras funções metabólicas, além de 
constituir a clorofila, atua também na ativação enzimática, formação da lamela média, 
entre outras funções (Faquin, 2005). 
 
3.1. MAGNÉSIO NO SOLO 
 
3.1.1. Origem 
 
 O magnésio é o sétimo elemento mais abundante da crosta terrestre, o teor 
médio do nutriente é de 19,3 g/kg, podendo variar conforme a origem geológica do 
solo. As principais fontes de magnésio em condições naturais são as rochas ígneas, 
sedimentares e metamórficas (Lide, 2005; Malavolta, 2006; Mengel e Kirby, 2008). 
 
Tabela 3.1.1 - Composição da crosta terrestre e ranking de abundância de elementos. 
Elemento Ranking % do elemento na crosta 
Oxigênio 1 46,1 
Silício 2 28,2 
Alumínio 3 8,23 
Ferro 4 5,63 
Cálcio 5 4,15 
Sódio 6 2,36 
Magnésio 7 2,33 
Fonte: Lide (2005). 
 
 O nutriente está presente na estrutura de mica e minerais de argila 2:1, 
encontrado em solos menos intemperizados. Componente de minerais primários, 
como piroxênios, anfibólios, olivina, turmalina, muscovita e biotita. Em carbonatos e 
sulfatos como a dolomita (CaCO3MgCO3), magnesita (MgCO3), calcários dolomíticos 
e magnesianos. Também em minerais secundários, componentes de algumas argilas, 
como a montmorilonita, ilita, clorita, mediante a substituição do alumínio octaédrico. 
27 
Além da vermiculita, produto da intemperização hidrotermal de micas. Quanto maior 
o intemperismo, maior a ocorrência desses minerais (Fernandes, Sousa e Santos, 
2018; Raij, 2017). 
 
 
Figura 3.1.1 - Ilustração de lâminas tetraédricas e octaédricas em processo de substituição isomórfica 
entre Al+3 e Mg+2 e formação de cargas ao redor da argila. 
 
Fonte: Adaptado de Brady e Weil (2013). 
 
 A principal fonte de magnésio é através do intemperismo de rochas, 
especialmente da dolomita. Por sua vez, a biotita, importante fonte de Mg estrutural 
para os solos, possui 180 g/kg de MgO; montmorilonita apresenta 20,9 a 73 g/kg de 
MgO; saponita apresenta 112,1 a 332,8 g/kg de MgO; vermiculitas possuem teores de 
209,2 a 296,6 g/kg de MgO; ilita contém teores de 0,5 a 22,5 g/kg de MgO (Castro et 
al., 2020; Melo e Alleoni, 2019). 
 Os solos arenosos, ácidos, de regiões úmidas são mais pobres em teores de 
nutrientes, enquanto teores mais altos de Mg são encontrados em solos argilosos, 
devido a presença do elemento em minerais ferromagnesianos, facilmente 
intemperizados, como a biotita, serpentina, hornblenda e olivina. Já solos de regiões 
áridas ou semiáridas, podem conter grandes quantidades de Mg na forma de epsomita 
(MgSO4 7H2O). Devido a rochas ferromagnesianas, os solos com maiores teores do 
elemento são Nitossolos e Latossolos vermelhos férricos (Benites et al., 2010; 
Fernandes, Sousa e Santos, 2018; Neptune, 1986). 
 
 
28 
Figura 3.1.2 - Mapa de disponibilidade de Magnésio pela intersecção Bioma x Solo. 
 
Fonte: Ferreira et al. (2008). 
 
3.1.2. Teores de Mg no solo 
 
 Interpretação dos teores de Mg no solo em mmolc/dm3, além da relação com 
Ca e K na ocupação da CTC. 
 
Tabela 3.1.2 - Interpretação dos teore de Ca, Mg e K, e sua ocupação na CTC em 0-20 cm. 
Nível K Ca Mg K Ca Mg 
 mmolc/dm3 % na CTC 
Muito Baixo 0 - 0,7 3,0 > 40 > 16 > 7,0 > 50 > 20 
Fonte: Adaptado de Otto e Nascimento (2022). 
 
 
 
 
29 
3.1.3. Formas de Mg no solo 
 
 A distribuição do Mg nos solos pode ser dividida nas seguintes formas: i) não 
trocável, que inclui todo o Mg nos minerais primários e a maior parte do Mg nos 
minerais secundários; ii) trocável, na qual o Mg encontra-se adsorvido aos colóides do 
solo; iii) íon livre na solução do solo (Castro et al., 2020; Fernandes, Sousa e Santos, 
2018). 
 A maior fração do Mg no solo está na forma não trocável, equivalem 90 a 98% 
do nutriente encontrado no solo. O Mg trocável é da ordem de aproximadamente 5% 
do Mg total, juntamente com o Mg solúvel que corresponde a cerca de 1% do Mg no 
solo, são responsáveis pelo fornecimento desse nutriente às plantas. Oposto ao 
cálcio, o magnésio é capaz de ser convertido da forma não trocável para a trocável, a 
partir da liberação de minerais. O Mg trocável pode constituir de 4 a 20% da CTC, 
consideravelmente menor que aquela do cálcio (Fernandes, Sousa e Santos, 2018; 
Castro et al., 2020; Mikkelsen, 2010; Raij, 2017). 
 A dinâmica do Mg pode ser explicada com base nas suas origens e perdas, 
sabendo-se que aquele magnésio disponível encontra-se na forma catiônica de Mg2+, 
distribuído na CTC e na solução do solo (Castro et al., 2020). 
A principal origem é através do intemperismo de minerais primários que contém 
Mg, a partir de ações climáticas, biológicas, relevo, esse processo ocorre de maneira 
lenta. O nutriente pode ser adicionado a partir de fertilizantes e corretivos agrícolas, 
usualmente a calagem é o método mais utilizado. Além disso, também pode ser 
adicionado através de restos culturais. Entretanto, de acordo com Malavolta (2006), a 
ciclagem de Mg em restos vegetais não corresponde à adição do nutriente ao solo, 
apenas a manutenção dos níveis (Castro et al., 2020; Mello et al., 1989). 
A remoção de magnésio no solo envolve principalmente os processos de 
lixiviação, erosão e remoção das colheitas. As perdas por lixiviação envolvem 
diferentes fatores, como a textura, mineralogia, permeabilidade no solo, capacidade 
de troca catiônica (CTC), teores de magnésio trocável e solúvel, pH ( a medida que o 
pH aumenta, as perdas são maiores) e adubações que deslocam o nutriente. Já as 
perdas por relevo estão relacionadas à declividade e condições climáticas (Mello et 
al., 1989). 
 
 
30 
Figura 3.1.3 - Dinâmica do Mg no solo. 
 
Fonte: Adaptado de Malavolta (1976) e Prado (2020). 
 
Figura 3.1.4 - Magnésio e dinâmica nosolo. 
 
Fonte: Castro et al. (2020). 
 
 A lixiviação por sua vez, as perdas ocorrem principalmente em razão da 
introdução de fontes de acidez no solo ou doadores de prótons, sendo a principal fonte 
o amônio, o qual é nitrificado e libera íons H+ (Raij, 2017). 
31 
 Quanto maior for a quantidade de íons H+ no solo, então maior são as perdas 
de magnésio pela lixiviação. A adição de H+ bloqueia as cargas negativas da 
superfície do solo e libera as bases em quantidades equivalentes. Além disso, o nitrato 
(NO3-) não fica adsorvido ao solo, permanece na solução e consegue aumentar os 
teores de sais presentes. Os sais atuam na percolação da água e consequente 
lixiviação do Mg (Raij, 2017). 
 A perda por lixiviação é mais comum em áreas com altos níveis de adubação 
nitrogenada, devido a liberação de H+ na dissociação do nitrogênio do amônio (NH4+) 
que ocorre na reação de nitrificação. Outro manejo ligado a lixiviação do Mg está na 
calagem recente, uma vez que, encontram-se mais ânions no solo, facilitando a 
movimentação de sais pelo perfil (Raij, 2017). 
 O próprio íon Mg2+, possui um raio iônico hidratado grande, esse fator faz com 
que a ligação do nutriente tanto com a superfície do solo quanto com as raízes das 
plantas seja mais fraca do que a ligação realizada por outros nutrientes catiônicos de 
menor raio, favorecendo a lixiviação do nutriente (Gransee et al., 2013 apud Assis et 
al., 2024). 
 
Figura 3.1.5 - Representação esquemática da lixiviação de nutrientes no perfil do solo. 
 
Fonte: Sharma (2024). 
 
 
 
32 
3.1.4. Adsorção e mobilidade no solo 
 
 A adsorção no solo está relacionada à capacidade do nutriente ficar retido pelos 
colóides do solo e não disponível às plantas. Diferentes fatores estão ligados à essa 
condição, entre eles, o pH do solo, a quantidade de Mg trocável, a concentração 
relativa de Mg em relação ao grau de saturação do complexo de troca e a 
concentração relativa em relação aos demais cátions (Castro et al., 2020). 
Existe a série liotrópica catiônica, que dita a ordem preferencial de atração de 
cátions trocáveis no solo, sendo H+ > Al3+ > Ca2+ > Mg2+ > K+ > Na+. Além disso, 
considera-se a concentração, a valência e o raio iônico hidratado. O magnésio por sua 
vez, devido ao tamanho do raio hidratado e sua alta energia de hidratação, não possui 
preferência nas ligações nos sítios (Prado, 2020). 
 
Figura 3.1.6 - Série Liotrópica Catiônica. 
 
Fonte: Alleoni (2017). 
 
Figura 3.1.7 - Adsorção e lixiviação em função da série liotrópica. 
 
Fonte: Fernandes, Sousa e Santos (2018). 
 
Quanto ao pH do solo, em condições de pH ácido, os colóides responsáveis 
pela CTC ficam com mais Al3+ e H+ adsorvidos, devido a preferência que esses 
cátions possuem em relação ao Mg, favorecendo a lixiviação de bases. Por esse 
caráter, os valores de pH próximos a 6,5 possibilitam uma maior disponibilidade de 
33 
Mg2+ no solo, sendo valores em torno ou abaixo de 4,5, mais prejudiciais à 
disponibilidade do nutriente (Castro et al., 2020; Malavolta, 2006; Prado et al., 2020). 
 
Figura 3.1.8 - Gráfico de Malavolta e disponibilidade de nutrientes em função do pH do solo. 
 
Fonte: Pizol (2022). 
 
 O desequilíbrio de Mg pode ocorrer em relação a Ca x Mg x K, essa relação é 
capaz de reduzir a disponibilidade de magnésio no solo, por conta do efeito de inibição 
causado pelos cátions Ca2+ e K+. A ocorrência desse fenômeno é mais comum em 
áreas nas quais a calagem e/ou adubação foi realizada de forma inadequada (Castro 
et al., 2020; Prado, 2020). 
 Quanto à interação entre os nutrientes, o Mg trocável satura de 5 a 20% da 
CTC efetiva, já o Ca pode saturar de 60 a 90%. As relações Ca x Mg que enquadram-
se na faixa de 1:1 a 15:1 são capazes de satisfazer a necessidade da maioria das 
culturas (Brady e Weil, 2013). 
 O magnésio é classificado como um nutriente de mobilidade intermediária no 
solo. Por ser um cátion alcalino-terroso, desse modo possui menor mobilidade no solo 
em comparação aos alcalinos, K e Na, já ao comparar com o Ca, possui maior 
mobilidade (Troeh et al., 2007). 
 
 
34 
3.2 MAGNÉSIO NA PLANTA 
 
3.2.1 Funções Metabólicas 
 
 O magnésio encontra-se nos tecidos vegetais das plantas, em uma alta 
proporção, cerca de 70% encontra-se na forma difusível e associado a ânions 
inorgânicos e orgânicos, como o malato e citrato. Desempenha importantes funções 
no metabolismo vegetal como atividade fotossintética e incorporação de C, ativação 
enzimática, formação da lamela média, além de mecanismos de defesa contra 
estresse abiótico (Faquin, 2005; Marschner, 2012; Senbayram et al., 2015). 
 
Figura 3.2.1 - Funções metabólicas ligadas ao Mg. 
 
Fonte: Adaptado de Taiz et al. (2017) e Chen et al. (2018). 
 
 As clorofilas são porfirinas magnesianas, importantes pigmentos presentes na 
membrana dos tilacóides, envolvidas na fotossíntese. O magnésio corresponde a 
2,7% do peso molecular da clorofila, responsável por 15 a 30% do Mg presente na 
planta. Já os outros 70 a 85% estão relacionados a atuação como cofatores de 
enzimas, também como reguladores de canais de membrana e estabilizantes de 
proteínas (Fagan et al., 2022; Hermans et al., 2005; Marschner, 2012; Mengel et al., 
2001; Prado, 2020). 
 
 
 
35 
Figura 3.2.2 - Estrutura molecular da clorofila. 
 
Fonte: Adaptado de Taiz e Zeiger (1998). 
 
 O magnésio é um importante ativador enzimático, responsável pela ativação da 
ribulose bifosfato carboxilase (Rubisco), aceptor de dióxido de carbono (CO2) no início 
do ciclo de Calvin, nos cloroplastos. A entrada de Mg2+ ao estroma do cloroplasto 
ocorre durante a fase luminosa, a partir da ação da luz. Em troca, a saída de H+, 
movimento gerado pelo gradiente eletroquímico estabelecido pela membrana do 
tilacóide. A movimentação de íons, aumenta o pH e a concentração de Mg no 
compartimento tilacoidal, condições ideais para a ativação da Rubisco. A ligação do 
Mg2+ ao Rubisco, além de aumentar a afinidade (Km) pelo CO2, também aumenta a 
velocidade máxima (Vmáx) da reação (Mengel et al., 2001, Prado, 2020). 
 
Figura 3.2.3 - Ativação da Rubisco mediada por Mg2+. 
 
Fonte: Tezotto (2025). 
36 
 A ativação enzimática também envolve o papel como cofator de quase todas 
as enzimas fosforilativas, formando uma ponte entre o pirofosfato do ATP ou ADP e a 
molécula da enzima. A fosforilação é um mecanismo básico de transferência de 
energia e habilitação de processos enzimáticos. O substrato para as ATPases é a 
ligação Mg-ATP, essa molécula é utilizada pelo sítio ativo de ligação das ATPases, 
para a síntese de ATP. A transferência de energia desses compostos é fundamental 
nos processos de fotossíntese, respiração (glicólise e ciclo dos ácidos tricarboxílicos), 
reações de síntese de compostos orgânicos (carboidratos, lipídeos e proteínas), 
absorção iônica e trabalho mecânico executado pela planta (Fernandes, Sousa e 
Santos, 2018; Malavolta, 2006; Marschner, 2012; Mengel et al., 2001). 
 
Figura 3.2.4 - Transferência de energia e fosforilação. 
 
Fonte: Tezotto (2025). 
 
 O magnésio está envolvido na estabilização da pectina, juntamente com o Ca, 
conectam os componentes da molécula, conferindo maior estabilidade, essencial para 
a estabilidade da membrana. Na ausência desses elementos, a pectina é solúvel 
(Wiendl, 2006). 
 
Figura 3.2.5 - Dinâmica do Mg na estabilidade da pectina. 
 
Fonte: Wiendl (2006). 
37 
Outra função atribuída ao magnésio está no caráter de “carregador de fósforo”, 
principalmente na forma H2PO4-. Esse íon teria a sua absorção máxima na presença 
de magnésio, isto ocorre pelo papel do Mg na fosforilação, através da ativação da 
ATPase e na própria formação de ATP na fotossíntese e respiração (Fernandes, 
Sousa e Santos, 2018; Malavolta, 2006). 
O incremento de magnésio também proporciona aumento na concentração de 
glutationa (pela enzima glutationa sintetase) e ácidoascórbico, agindo na 
desintoxicação por espécies reativas de oxigênio (Fagan et al., 2022). 
 
Figura 3.2.6 - Efeito da adubação com magnésio em espécies reativas de oxigênio e enzimas 
antioxidantes e metabólitos, em comparação com a deficiência de Mg. 
 
Fonte: Hauer-Jakli e Trankner (2019). 
 
O magnésio também está envolvido no transporte de sacarose no floema, a 
partir do transportador próton-sacarose, o Mg 2+ age acoplando o ATP e a H+ATPase. 
Esse papel na translocação de açúcares, também potencializa o crescimento radicular 
e de nodulação, visto que, a energia fornecida para esses drenos é dependente da 
translocação de açúcares (Fagan et al., 2022). 
 
 
 
 
 
 
38 
Figura 3.2.7 - Translocação de açúcares. 
 
Fonte: Adaptado de Fagan et al., 2022. 
 
3.2.2 Absorção, Assimilação e Translocação 
 
 O processo de absorção inicia-se com o mecanismo de contato íon-raiz, 
considerado a etapa preliminar de absorção do nutriente no solo, podendo ocorrer de 
três formas, sendo elas: fluxo de massa, interceptação radicular e difusão (Fernandes, 
Sousa e Santos, 2018). 
 
Figura 3.2.8 - Mecanismos de contato íon-raiz. 
 
Fonte: Pauletti (2013). 
 
 O Mg por sua vez, é absorvido na sua forma bivalente (Mg 2+), a sua pré - 
absorção é determinada por dois mecanismos principalmente. O fluxo de massa, 
representa 85% do total, corresponde ao movimento passivo dos íons na solução do 
solo, depende do potencial hídrico do solo e da transpiração de plantas. Já a 
interceptação radicular também é um processo significativo na pré-absorção do 
nutriente, responsável por 15% do total, ocorre em situações em que a raiz se 
39 
desenvolve e encontra o nutriente no solo (Fagan et al., 2022; Fernandes, Sousa e 
Santos, 2018). 
 
Figura 3.2.9 - Quantidades relativas de absorção de nutrientes pelos processos de interceptação 
radicular, fluxo de massa e difusão. 
 
Fonte: Adaptado de Malavolta (1980). 
 
 A concentração de outros cátions no solo como Ca2+, Mn2+, Al3+, NH4+ e K+ 
podem afetar a absorção de Mg2+. Além disso, em condições de baixo pH, alta 
concentração de H+ e alta acidez ativa, também diminui a disponibilidade de Mg no 
solo. Quanto à relação K/Mg, o desequilíbrio intensifica a inibição competitiva, 
reduzindo a disponibilidade de Mg para a planta (Castro et al., 2020; Fernandes, 
Souza, Santos, 2018; Fagan et al., 2022). 
 O controle da concentração de magnésio nos diferentes compartimentos 
celulares é essencial para o funcionamento do metabolismo vegetal. Para esse 
equilíbrio, os transportadores de Mg2+ são fundamentais, envolvidos na absorção, 
translocação e armazenamento desses nutrientes (Hermans et al., 2013). 
 O íon trocável Mg2+ da solução pode ser absorvido de forma passiva, quando 
os íons se movem a favor do gradiente eletroquímico, mediados por transportadores 
na membrana plasmática, seguindo o fluxo transpiratório da planta. Outra forma é a 
ativa, contra o gradiente eletroquímico, por transportadores que levam os íons contra 
o gradiente (Costa, 2014; Faquin, 2005; Tezotto, 2025). 
 O magnésio é acumulado majoritariamente no vacúolo (5 - 80 mM), cloroplastos 
(0,5 - 2 mM), nas mitocôndrias (2 - 4 mM), em seguida o citosol (0,2 - 0,4 mM), com a 
finalidade de realizar diferentes processos metabólicos. O vacúolo, por sua vez, atua 
40 
como um reservatório de Mg para que haja o equilíbrio citosólico (Chaudhry et al., 
2021). 
 Os transportadores agem diretamente na forma ativa de absorção, contra o 
gradiente eletroquímico, nesse caso os MRS/MGT captam o Mg2+ de fora e trazem 
para a célula, também responsáveis pela transferência para vacúolos, mitocôndrias e 
cloroplasto. Outra forma de transporte ativo é regido pelos transportadores MHX 
(Mg2+/H+ antiporte), que atuam em conjunto transportando íons junto com H+, 
movimento em direção contrária, o Mg2+ para o vacúolo e H+ para o citosol (Faquin, 
2005; Costa, 2014; Tezotto, 2025). 
 
Figura 3.2.10 - Mecanismos de homeostase do magnésio nas células. 
 
Fonte: Hermans et al. (2013). 
 
 A expressão do transportador MRS/MGT6, localizado na membrana plasmática 
, é induzida pela deficiência de Mg. A diminuição da expressão do MGT6 por meio de 
RNA interferente (RNAi) reduziu o conteúdo de Mg nas plantas, que tiveram o 
crescimento retardado sob condição de deficiência de Mg2+. Deste modo, o MGT6 
está envolvido na absorção de Mg pelas raízes, sendo requerido para ambientes com 
deficiência de Mg2+ (Mao et al., 2014). 
 O transportador MRS/MGT1 é um transportador de Mg2+ de alta afinidade, 
presente na membrana plasmática das células da raiz e envolvido na absorção de 
Mg2+. Tanto o MRS/MGT1, quanto o transportador MRS/MGT10 são sensíveis ao 
Al3+, isso porque o Al3+ inibe a atividade de transporte de Mg2+ deles, assim o Al3+ 
pode competir por sítios de ligação do Mg2+ nesses transportadores. Deste modo, os 
41 
elevados teores de Mg2+ no solo ou a alta capacidade de absorção de Mg2+ pelas 
plantas minimizam a toxidez por Al3+, isto ocorre através da competição entre Mg2+ 
e Al3+ pelos sítios de absorção (transportadores de Mg2+) (Fernandes, Sousa e 
Santos, 2018). 
 Em condições de altas concentrações de Mg, o nutriente é armazenado em 
vacúolos, podendo ser remobilizado quando necessário. As plantas são capazes de 
remobilizar o nutriente dos tecidos mais velhos para os tecidos mais novos, 
caracterizando um nutriente móvel na planta. O processo de liberação de Mg nos 
vacúolos, envolve o transportador MHX (antiporte Mg2+/H+), responsável por regular 
a quantidade de Mg no citosol para ser carregado no xilema, deste modo, envolvido 
com a homeostase de Mg2+ (Fernandes, Sousa e Santos, 2018). 
 Outras formas de entrada de Mg2+ são por meio de canais de cálcio RCA 
localizados na membrana plasmática das células da raiz, permeável a uma ampla 
variedade de cátions monovalentes e divalentes. Além dos canais da família CNGC, 
por sua vez o CNGC10 é capaz de transportar K+, Ca2+, Mg2+, especialmente no 
meristema radicular e na zona de alongamento (Guo et al., 2010; Shaul, 2002). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
Figura 3.2.11 - Visão geral do transporte de Magnésio pela planta. 
 
Fonte: Hermans et al. (2012). 
 
 Após a absorção do Mg2+ na solução do solo pelas raízes, então é 
transportado (ativa ou passivamente) ao xilema, onde será translocado para a parte 
aérea através da corrente respiratória, de forma passiva (Prado, 2020). 
A entrada do Mg2+ na planta, segue a trajetória de qualquer soluto, para 
alcançar a endoderme, onde existem as estrias de caspary, é necessário passar pelas 
células. Podendo ser realizada via apoplasto, em que os íons na solução passam pela 
43 
parede celular das células. De outra forma, via simplástica, os íons atravessam o 
citoplasma das células via plasmodesmos (Hermans et al., 2012; Paulilo et al., 2015) 
 
Figura 3.2.12 - Rotas de absorção pelas raízes. 
 
Fonte: Taiz et al. (2017). 
 
O magnésio é um nutriente móvel pelo floema e prontamente translocado para 
frutos, sementes e estruturas vegetativas. Por ser facilmente transportado pelos 
tecidos condutores de floema, apresenta um fluxo de seiva elaborada da área de 
síntese e de acumulação de compostos orgânicos, até áreas de demanda metabólica. 
Esse caráter está diretamente relacionado aos teores de Mg2+ solúvel na planta e 
Mg-ATP, isso porque a H+-ATPase exige do último para realizar o transporte de 
fotoassimilados pela membrana plasmática. Deste modo, quando a concentração de 
Mg reduz, impacta na atividade da ATPase, na exportação de sacarose para raízes e 
folhas jovens, assim as folhas maduras têm maiores teores de amido e sacarose, 
porém menor concentração de Mg (Hermans et al., 2012; Oliveira et al., 2024; Taiz et 
al., 2017). 
44 
 
Tabela 3.2.1 - Mobilidade de nutrientes no floema. 
Mobilidade de nutrientes no floema 
Alta Mediana Baixa 
K - Mg- P - S - N - Cl Fe - Zn - Cu - B - Mo Ca - Mn 
Fonte: Tezotto (2025). 
 
Figura 3.2.13 - Partição de fotoassimilados na planta com e sem deficiência de Mg.
 
Fonte: Adaptado de Koch et al. (2020). 
 
3.3 MARCHA DE ABSORÇÃO 
 
 O fornecimento de magnésio comumente é através de calcário ou óxidos de 
magnésio, onde é feita três meses antes da semeadura e deve atender à necessidade 
nutricional em Mg pela cultura ao longo do ciclo de produção. Deste modo, a marcha 
de absorção não é um critério usual para definir a época de aplicação de magnésio. 
Entretanto, deve-se compreender a época de maior exigência de um nutriente por 
dada cultura (Prado, 2020). 
No caso do milho, cultura anual, onde até aos 59 dias (12a folha), a absorção 
é considerada lenta, atingindo apenas 16% do total, a partir desse período a absorção 
45 
foi acelerada com picos entre a 12a folha e o pendoamento, além da fase de grão 
leitoso e formação de “dente” (Prado, 2020). 
 Na cultura da soja, por sua vez, a absorção é relativamente lenta, pois até R5, 
a planta absorve 49% da demanda. O Mg é um nutriente de baixa remobilização nos 
tecidos de reserva e alta remobilização nas folhas, por isso o caráter de redução do 
Mg nas folhas conforme o ciclo da cultura. 
 
Tabela 3.3.1 - Marcha de absorção (cumulativa) na cultura do milho. 
Dias Estádio de desenvolvimento Mg absorvido (% do total) 
32 4a folha 2 
44 8a folha 5 
59 12a folha 16 
72 Pendoamento 43 
84 Embonecamento 50 
102 Grão Leitoso 66 
133 Formação de “dente” 98 
146 Maturação Fisiológica 100 
Fonte: Flanery (1987). 
 
 
Figura 3.3.1 - Marcha de absorção do magnésio na cultura da soja. 
 
Fonte: Carvalho (2022). 
 
Em culturas perenes, como o cafeeiro, o acúmulo de Mg pelas flores de 
cultivares Catuaí Amarelo e Mundo Novo representam cerca de 52% em relação ao 
46 
total extraído pelas partes da planta (flores, folhas e ramos), indicando que a aplicação 
do nutriente deve ser realizada antes do florescimento (Malavolta et al., 2002). 
 O seguinte estudo relaciona o efeito da aplicação foliar de Mg no desempenho 
produtivo da soja (Glycine max). Os tratamentos envolveram a aplicação foliar de Mg, 
sulfato de magnésio heptahidratado (MgSO4.7H20) nos estádios fenológicos V4, R1 
e R5.1, avaliando a produtividade de grãos e a massa de 100 grãos. O aumento da 
massa de 100 grãos foi observado, relacionando diretamente com o aumento da 
fotossíntese pelo magnésio, resultando em maior crescimento das vagens e aumento 
da produtividade. Outro efeito conhecido do magnésio está na translocação de 
fotoassimilados pelas plantas, também relacionado a produtividade e massa de 100 
grãos (Altarugio et al., 2017). 
 
Tabela 3.3.2 - Produtividade de grãos e massa de 100 grãos em soja, a partir de diferentes doses de 
Mg foliar em diferentes estádios fenológicos. 
Fonte: Altarugio et al. (2017). 
 
3.4 EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO 
 
O magnésio é, conjuntamente aos macronutrientes, um dos elementos com 
maior absorção pelas plantas, sendo na faixa dos gramas por quilograma de matéria 
seca. Os teores de magnésio extraídos variam muito de acordo com a cultura em 
questão, tendo valores de 3 á 12 g/kg de matéria seca de plantas (Vian, 2023). 
 
 
 
 
 
 
47 
 
Tabela 3.4.1 - Rendimento médio de culturas e extração e exportação respectiva. 
 
Fonte: Vian (2023). 
 
Outra maneira de mensurar a quantidade de magnésio extraído pelas plantas 
do solo é por meio do nível ou teor crítico, que representa a faixa de disponibilidade 
do nutriente em que a produção está entre 90 e 100% da produtividade potencial 
(Vian, 2023). 
Vale ressaltar que, em estudo avaliado por Vian (2023), a extração e 
exportação de magnésio variou em detrimento de dois fatores. O primeiro deles é a 
expectativa de produção e potencial produtivo, que, por proporcionalidade entre 
quantidade produzida e necessidade do nutriente, aumenta a necessidade de 
magnésio. 
Outro fator relevante é o metabolismo fotossintético da cultura. A relação do 
magnésio com a estrutura da clorofila demonstra, de acordo com Vian (2023) e Hauer-
Jakli (2019), que a quantidade de magnésio exigida com a planta está diretamente 
relacionada com a quantidade de clorofila presente nas suas estruturas. Desse modo, 
é possível explicar o menor teor crítico de Mg em gramíneas mostradas na figura 3.4.2 
devido ao metabolismo C4 apresentar menor teor de clorofila em geral, em detrimento 
de uma maior eficiência fotossintética. 
 
 
 
 
 
48 
Tabela 3.4.2 - Nível crítico de magnésio em diferentes culturas. 
 
Fonte: Vian (2023). 
 
3.5 DEFICIÊNCIA E TOXICIDADE 
 
A forma como o magnésio se comporta no solo, assim como a quase totalidade 
dos nutrientes, é na forma de faixa ideal de concentração para o desenvolvimento 
pleno das culturas, sendo que, abaixo dessa faixa ocorre a deficiência do elemento e, 
em valores acima, há a faixa de tolerância e, posteriormente, de toxicidade (Cakmak, 
2013; Cakmak, 1994). 
Os valores ditos óptimos para o magnésio estão entre 1,5 e 12 g/kg de matéria 
seca na planta, sendo que, abaixo de 1,5 g/kg há a presença de deficiência do 
nutriente. A toxidez do magnésio é indefinida, visto que a sua presença em altas 
concentrações está sempre associada a má absorção de outros nutrientes catiônicos, 
não sendo apresentados valores concretos para plantas (Tezotto, 2024). 
Devido a sua grande relação com a formação da clorofila e ativação enzimática 
na fotossíntese, a deficiência de magnésio pode ser observada em todos os órgãos 
da planta. No entanto, a deficiência primária vem nos drenos, com a redução 
significativa de tamanho e atividade de raízes, brotos e, frutos ou grãos (Cakmak, 
2013; Cakmak, 1994). 
 
 
 
 
 
 
 
49 
Figura 3.5.1 - Crescimento radicular de plantas com diferentes suplementos de magnésio. 
 
Fonte: Adaptado de Cakmak (2013). 
 
Outra forma de avaliação da deficiência de magnésio em plantas também está 
associada a sua função na clorofila, no caso, como agente compositor da sua 
estrutura. A deficiência do nutriente deixa a produção de novas moléculas defasadas, 
causando a perda da cor verde-escura característica, assim, causando o 
aparecimento de manchas ou faixas cloróticas que respeitam as nervuras, o sintoma 
característico é denominado clorose internerval. Devido ao seu caráter de alta 
mobilidade na planta, o magnésio, em condições de deficiência, consegue se 
remobilizar das folhas mais velhas para as folhas mais novas, assim, a deficiência de 
Mg é corriqueiramente vista em folhas velhas (Guo, 2016). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
Figura 3.5.2 - Clorose internerval por deficiência de magnésio em folhas de feijão. 
 
Fonte: Guo (2016). 
 
Por fim, há ainda mais formas de se avaliar a deficiência de magnésio na planta, 
mas, nesse âmbito, por meio do seu caráter ativador de enzimas. Segundo Silva 
(2013) em estudo conduzido na Universidade federal de Lavras, a condição de 
suprimento ideal de magnésio atua na formação e funcionamento das enzimas 
associadas à redução dos estresses abióticos oxidativos, principalmente advindos da 
geração de EROS por excesso de luminosidade. 
No estudo, foi avaliada a atividade enzimática das Superóxido dismutases 
(SODs), das Catalases (CATs) e das Peroxidases de ascorbato (APXs) em função da 
deficiência, ou não, de magnésio. O resultado mostra que a presença do magnésio 
estimula a atividade das CATs e das APXs (Figuras 3.5.3; 3.5.4 e 3.5.6), assim, sendo 
fortemente associado à redução do estresse oxidativo em áreas com luminosidade 
intensa por grandes períodos de tempo (Silva, 2013) 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
Figura 3.5.3; 3.5.4 e 3.5.6 - Atividade das enzimas Superóxido dismutase (SOD), Catalase (CAT) e 
Peroxidases do ascorbato (APX) em situação de diferentes suplementos de magnésio em duas 
variedades de café.
 
 
52 
 
Fonte: Adaptado de Silva (2013). 
 
Figura3.5.7 - Desenvolvimento de clorose em folhas de feijão sob deficiência induzida de magnésio e 
luminosidade intensa. 
 
Fonte: Adaptado de Cakmak (2013). 
 
3.6 ADUBAÇÃO E CORREÇÃO 
 
A escolha da adubação para as bases do solo não se deve somente a forma 
da correção da acidez ativa do solo, mas também a plena disponibilidade dos 
nutrientes disponíveis nos corretores e condicionadores, como nessa abordagem, o 
magnésio. 
A adubação de magnésio é muito importante para a cultura, apesar de ser 
normalmente sonegada em detrimento do seu suprimento pela aplicação do calcário 
53 
no preparo inicial do solo. Outro fator que reforça essa prática é a grande associação 
da deficiência das bases a solos ácidos em geral, de tal modo que a calagem para 
reduzir a acidez ativa seria um processo que disponibilizaria magnésio para o solo 
(Cantarella, 2022). 
Embora a legislação brasileira tenha extinguido a denominação de calcários em 
calcítico, dolomítico e magnesiano na norma padrão de comercialização, há sim uma 
diferenciação dos teores de magnésio presentes nos corretivos, desde calcários que 
tem sua integridade de carbonato de cálcio, até insumos com altos teores de magnésio 
(Sousa et al., 2007) 
Dessa maneira, a melhor forma para se iniciar o planejamento de uma 
adubação de magnésio é por meio da avaliação dos seus teores absolutos 
demonstrados em uma análise de solo. Os valores ideais de magnésio no solo são 
ditos entre 10 até 20% da CTC do solo, mas, em valores absolutos a concentração de 
mg trocável no solo deve ser por volta de 12 à 20 mmolc/dm³ na análise de solo 
(Castro, 2020). 
As suplementações de magnésio fornecidas pela calagem, quase sempre são 
suficientes para o pleno desenvolvimento das plantas. No entanto, em situações 
adversas, a utilização de fontes mais solúveis do nutriente se tornam relevantes para 
suprir as necessidades do magnésio no solo. Uma forma de aplicar tais fertilizantes é 
pela via foliar, ainda mais em casos de necessidades mais imediatas do nutriente. As 
formas mais comuns de encontrar magnésio em formas solúveis são os sulfatos 
simples (langbeinita) e duplos (polihalita) de magnésio, também conhecidos como K-
Mag (Cantarella, 2022; Castro, 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
Tabela 3.6.1 - Diferentes fontes de magnésio e seus teores de nutrientes. 
 
Fonte: Adaptado de Brasil (2018). 
 
Figura 3.6.1 - Calcário “dolomítico”. 
 
Fonte: Calastro [s.d.]. 
 
55 
Figura 3.6.2 e 3.6.3 - K-Mag solúvel e granular. 
 
Fonte: The soil makers [s.d.]. 
 
 Portanto, a forma como se aplica o magnésio no solo, em geral, não é 
independente, sendo fortemente vinculada a adubação de Cálcio, Potássio e Enxofre. 
Logo, a forma de disponibilizar os valores ideais de Mg no solo e ainda sim ter sua 
máxima eficiência é por meio da avaliação das interações do Mg com os outros 
nutrientes do solo (Castro, 2020) . 
 
3.7 INTERAÇÃO ENTRE NUTRIENTES 
 
 A forma como a disponibilidade do magnésio do solo ocorre é influenciada pela 
disponibilidade de diversos outros nutrientes catiônicos presentes no solo. A principal 
relação do magnésio no solo é com os íons de cálcio, visto que tem a mesma valência 
e raios hidratados muito próximos. 
 A forma como o Cálcio e o Magnésio se relacionam no solo foi explicitada por 
Lange (2021), pela calagem com calcário calcítico e dolomítico (na nomenclatura 
antiga). O pesquisador aplicou diferentes proporções dos calcários a fim de gerar as 
relações de 1:1, 2:1, 3:1, 4:1, 5:1 e 6:1 das concentrações de Cálcio e Magnésio no 
solo em cmolc/dm³ e com uma soma entre os dois de 8 toneladas por hectare. 
 
 
 
 
 
56 
Tabela 3.7.1 - Relação de aplicação de calcário calcítico e dolomítico e a consequente relação entre 
cálcio e magnésio no solo. 
 
Fonte: Lange (2021). 
 
Tabela 3.7.2 - Aspectos produtivos e produção final de soja sob as diferentes condições de relação 
entre cálcio e magnésio. 
 
Fonte: Lange (2021). 
 
 A relação que mais trouxe produtividade varia em relação à parte que é 
avaliada. As relações que trouxeram maior produtividade de massa seca do sistema 
radicular foram as que tiveram a concentração de cálcio maior que 4:1 em relação ao 
magnésio. Por outro lado, a produção de grãos foi estimulada pela relação também 
4:1. Por fim, contraditoriamente, o PMG que foi registrado mais alto é relacionado 
pelas relações menores, especialmente 1:1 (Lange, 2021). 
Em contrapartida, se tratando do ânion fosfato, segundo Vicchiato (2009), o 
magnésio é o “carregador” do fósforo. Há diversas formas de avaliar a relação 
benéfica de absorção de fósforo em concentrações mais altas de magnésio em um 
limite razoável. A principal é explicada pela forma que o magnésio atua nas rotas de 
distribuição de insumos pela planta, desse modo, tornando o fósforo mais acessível e 
altamente disponível na parte aérea da planta. 
57 
Dessa forma, Vicchiato (2009) propôs o experimento com doses variáveis de 
fósforo (20, 150, 300, 450 e 600 mg/dm³) se relacionando com doses variáveis de 
magnésio (0,15, 30 e 45 mg/dm³) como observado na tabela 3.7.3. 
 
Tabela 3.7.3 - Concentração de fósforo na parte aérea de sob concentrações de fósforo e magnésio. 
 
Fonte: Vichiato (2009). 
 
A relação entre o fósforo e magnésio que mais aumentou a absorção do fósforo 
e sua translocação para a parte aérea da planta foi a maior dose de fósforo 
conjuntamente a uma disponibilidade de magnésio de 30 mg/dm³ 
 
 
 
 
58 
4. POTÁSSIO 
 
O potássio é, na agricultura, determinado como um nutriente nobre, 
conjuntamente ao nitrogênio e ao fósforo. Pode ser encontrado livremente no solo, 
majoritariamente em sua forma iônica (K+). O nutriente também é o segundo mais 
absorvido pela planta em quantidade, já que atua diretamente na atividade metabólica 
das plantas como ativador enzimático (Alves, 2023). 
 
4.1 POTÁSSIO NO SOLO 
 
Outra forma da integração do elemento no solo é pela mineralização da matéria 
orgânica do solo. Apesar do uso do potássio nas plantas não ser destinado para 
compor estruturas orgânicas, o nutriente é presente em enzimas que compõem a 
dinâmica metabólica da planta, sendo assim, de pronta liberação na decomposição 
(Mello, 1985). 
O potássio no solo ocorre de diversas formas. Sendo elas: 
A. Minerais primários do solo; 
B. Potássio na solução do solo; 
C. Potássio trocável; 
D. Potássio fixado; 
E. Potássio na matéria orgânica; 
 
A formação e adição do potássio naturalmente ao solo vem da decomposição 
de rochas ígneas, como os granitos, gnaisses e principalmente os feldspatos e as 
micas. Após a decomposição dessas rochas, os fragmentos ricos em potássio 
permanecem insolúveis, mas, com o intemperismo e a degradação ainda mais 
acentuada, se torna gradativamente solúvel e absorvível pelas plantas. Dessa forma, 
solos mais intemperizados, geralmente mais argilosos, têm maior teor natural de 
potássio (Mello, 1985). 
 
 
 
 
 
 
59 
Tabela 4.1.1 - Teores de K₂O em minerais primários ricos em potássio. 
 
Fonte: Adaptado de Ribeiro (2010). 
 
 A fração do potássio que passou pelo longo processo de fragmentação, 
hidrólise e posterior mineralização das rochas agora é denominado fração solúvel 
(Ks). Isto é, o potássio em forma, majoritariamente iônica disperso na solução do solo. 
Se diz majoritariamente, pois, em solos com alto teor de salinidade, o potássio pode 
ter o comportamento de sal no solo, como nas formas de cloreto (KCl) e sulfato de 
potasio (K2SO4) (Mello, 1985). 
 Devido às formas de pré-absorção que serão tratadas posteriormente, a fração 
Ks do solo é a mais relevante para a nutrição mineral, visto que é a parte do nutriente 
plenamente absorvível pelas raízes. 
 Outra forma de ocorrência do potássio, é na sua forma trocável (Kt). Desse 
modo, os íons K+ aparecem adsorvidos no colóides de diversas formas e exercem 
uma forte dinâmica de retenção

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