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Noções de Comércio Exterior Protecionismo e barreiras naturais Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • apontar e interpretar algumas barreiras necessárias e entraves ao Comércio Exterior; • reconhecer e analisar os novos entraves e as barreiras desleais. Caro(a) aluno(a), que tal conhecermos o “protecionismo” e as barreiras nacionais? Pois bem, nesta aula, você será convidado a construir conhecimentos justamente sobre este tema. Vamos conhecer as barreiras necessárias, os entraves ao comércio exterior, os novos entraves e as barreiras desleais. É esperado, desse modo, que você já esteja familiarizado com os conteúdos tratados nas aulas 01, 02 e 03. Assim, caso considere necessário, releia os conteúdos anteriormente estudados e revise-os! Vale ressaltar que esta aula tratará de um assunto que representa um dos temas mais debatidos no mundo. Portanto, ela será mais extensa e irá exigir mais de sua atenção e dedicação! Contudo, seus esforços serão recompensados, pois vamos construir conhecimentos sobre o protecionismo, entender quais as diferenças entre uma proteção sadia ao mercado e uma proteção irregular, com prejuízos reais para o mercado interno, conhecimentos que serão fundamentais para sua formação e atuação profissional. Aceite o desafio! Leia o material, pesquise, acesse o ambiente virtual e continue fazendo parte dessa comunidade colaborativa de construção de conhecimentos! Bons estudos! 4º Aula 25 1 - Conhecendo e Entendendo o Protecionismo e as Barreiras Naturais 2 - Protecionismo I: Barreiras Necessárias X Entraves Ao Comércio Exterior 3 - Protecionismo II: Novos Entraves e as Barreiras Desleais Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre ela antes de continuar seus estudos! Ela tem muito a nos dizer sobre o protecionismo! Pense nisso e bons estudos! FIGURA 4.1 - PROTECIONISMO Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre ela antes de continuar seus estudos! Ela tem muito a nos dizer sobre o protecionismo! Pense nisso e bons estudos! Figura 4.1 - Protecionismo Fonte: BLOGSPOT. Homepage. Disponível em: . Acesso em: 1 jul. 2010, às 17 horas. Fonte: BLOGSPOT. Homepage. Disponível em: http://3.bp.blogspot.com/_ fOJD67rCP10/SNW1eANLN7I/AAAAAAAAL3Q/visKZg-. Acesso em: 03 mar. 2017. 1 - Conhecendo e entendendo o Protecionismo e as Barreiras Naturais 1.1- Introdução ao Assunto Segundo alguns especialistas em comércio internacional, todos os países do globo que têm algo a ofertar, estarão inclusos nos acordos bilaterais e multilaterais; é um caminho sem volta! Se analisarmos com calma a atual situação, ou seja, o que está sendo debatido nos encontros internacionais, surge logo um questionamento, o qual é apresentado, a seguir, para a sua reflexão e análise crítica: PARA REFLETIR Será que todos os países do mundo, que têm algo a ofertar, terão seu espaço garantido? Após a conclusão de sua reflexão, vamos conhecer as barreiras ao comércio internacional, as quais foram segmentadas por Maia (2007): a) barreiras naturais; b) barreiras necessárias; c) entraves ao comércio exterior (comex); Seções de estudo d) novos entraves ao comex; e) barreirais desleais à concorrência. 1.2 - Protecionismo e Barreiras Naturais Não se preocupe! No decorrer desta e das demais seções, você terá a oportunidade de entender melhor e construir conhecimentos importantes sobre o protecionismo e as barreiras naturais. Desse modo, para facilitar sua compreensão, vamos separar as informações em três momentos: agora, o assunto será o protecionismo e as barreiras naturais, na seção 2 trataremos sobre barreiras necessárias x entraves ao comércio exterior. Finalmente, na seção 3, estudaremos os novos entraves e as barreiras desleais. Assim organizado, será mais fácil distinguir e conceituar as informações! Contudo, sua dedicação e esforço ainda continuam sendo o diferencial entre ler conteúdos ou construir conhecimentos imprescindíveis para sua formação acadêmica e atuação profissional. Pense nisso... Dentre as barreiras consideradas naturais, podemos incluir: a) idioma; b) alfabeto; c) moeda; d) pesos; e) medidas; f) legislação. Note que, sempre que dois ou mais países começam a ter um tipo de relação comercial, é necessária a comunicação. Isso significa que é impossível chegar a um denominador comum sem estabelecer um diálogo, e isso deve ser feito por intermédio de um idioma em que ambos tenham domínio. Atualmente, o idioma mais comum no comércio internacional é o inglês; em seguida o espanhol, e assim por diante. Atente-se para o fato de que aqui estamos nos referindo ao(s) idioma(s) oficial(is) para o comércio. Sabemos que o idioma que tem o maior número de falantes é o mandarim, um dos dialetos da China, devido à população que ultrapassa 1 bilhão de habitantes, entre outros países próximos. Depois vem o hindu (Índia) etc. Contudo, nosso foco são as transações comerciais, uma vez que, quando empresas gigantes ou até o Estado começam a negociar com outros países, essas conversas são realizadas entre altos executivos e praticamente todos são bilíngues, triglotas ou poliglotas. Por essa razão, o índice populacional não será levado em consideração neste momento. É válido salientar que os idiomas locais são levados em consideração quando uma empresa de grande porte começa a instalar uma unidade fabril ou comercial em determinada região. 26Noções de Comércio Exterior FIGURA 4.2 - ATRAÇÃO DO IDIOMA COMERCIAL Fonte: acervo pessoal. Ao falarmos em idioma, temos que considerar também o alfabeto, pois é necessário que exista um documento, um contrato ou, até mesmo, a troca de e-mails, quando normalmente também é convencionado o inglês. No caso das moedas, atualmente entram o dólar e o euro nas transações internacionais, sendo necessário, portanto, que exista um fator de conversão entre as moedas locais e essas moedas. A conversão sempre é definida pela política cambial de cada país, devido às suas políticas macroeconômicas, sempre relacionadas com as necessidades, e tudo acordado entre comprador e vendedor. FIGURA 4.3 - MOEDAS E TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS Fonte: acervo pessoal. Os pesos e medidas também têm graduações diferentes entre os países, seja por sua cultura, idioma ou alfabeto, o que exige dos países os chamados sistemas de conversão, para que nenhum tenha dúvidas do que está sendo comprado ou vendido. Nesta Aula, não iremos nos aprofundar nos temas moedas, conversão e transações internacionais, tendo em vista que as referidas questões dependem das políticas macroeconômicas, as quais já foram estudadas em outra disciplina do curso. Para as conversões, existe o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM). A Convenção foi assinada em Paris, em 1875, por dezessete Estados, sendo uma organização intergovernamental sob a autoridade da Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) e a supervisão do Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM), com autoridade para agir no mundo da metrologia. Atualmente, o BIPM já conta com cinquenta e três signatários, incluindo os principais países industrializados. SABER MAIS Amplie seus conhecimentos! Acesse o site da organização BIPM e conheça um pouco mais sobre as atividades por ela realizadas: BIPM. Homepage. Disponível em: http://www.bipm.org/fr/home/. Acesso em: 5 set. 2016. A legislação é outro tema um tanto complexo, porque cada país tem o seu regime de governo. Alguns países têm o sistema presidencialista, outros são monárquicos, parlamentares ou republicanos. CURIOSIDADE Você tem a curiosidade de conhecer a legislação brasileira de forma ampla e profunda? Acesse o site citado a seguir e conheça a Legislação em diferentes assuntos, consultas públicas, legislações históricas, tratados internacionais etc.: BRASIL, Casa Civil. Legislação. Disponívelem: http://www4.planalto.gov.br/legislacao. Acesso em: 30 out. 2011. Para que um país faça parte de uma convenção, de um tratado, além de participar das reuniões, em alguns casos, como no Brasil, por exemplo, tem que passar pelo crivo dos “representantes do povo”. Além do mais, os países são soberanos, ou seja, a legislação de um país não tem validade em outro. Por exemplo: Brasil e Rússia, ao negociarem, qual legislação terá validade? O comércio internacional não tem fronteiras tende a ser regulado por fontes não nacionais, denominadas de LEX MERCATÓRIA, que consagram o primado dos usos no comércio internacional e se materializam também por meio de contratos e cláusulas, tipo, jurisprudência arbitral, regulamentações profissionais elaboradas por suas associações representativas e princípios gerais às legislações de países (BORTOTO et al., 2007, p. 382). Quais seriam os dois principais motivos de o Estado se utilizar das barreiras? Já tratamos sobre esta questão na Aula 3, você se lembra? Como esta resposta é fundamental para a construção dos conhecimentos nesta Seção, caso você se lembre dela, vamos ratificar seus conhecimentos e, caso tenha se esquecido, vamos recapitular! Podemos avaliar as intervenções do Estado de duas formas: • com o intuito de amparar a economia contra a agressão externa do monopólio, estruturas oligopolistas e dumpings; • o que usualmente vem ocorrendo, uma forma irracional de protecionismo, que pode prejudicar a sociedade. 27 E esses tipos de impedimentos, na maioria dos casos, começa a ter caráter de entrave ao comércio internacional, com a aplicação de barreiras disfarçadas de proteção. Antes de apresentarmos quais são as barreiras comerciais utilizadas pelos países para proteger o seu mercado, temos que entender a diferença conceitual entre as barreiras que são necessárias das barreiras consideradas entraves ao comércio exterior, já que as ferramentas são as mesmas. Quando afirmamos que algo é necessário, com certeza deve existir um motivo ou uma razão, para tal necessidade, concorda? Pois bem, agora, retome os conhecimentos estudados na aula 03, que versa sobre o Liberalismo Econômico e o Liberalismo Moderno, e procure atentar-se aos conceitos de cada um, pois aquela aula é fundamental para a sua compreensão sobre a diferença entre barreiras necessárias e barreiras consideradas entraves ao comex. Ainda na aula 03, procure rever o conceito das cinco estruturas de agressão ao mercado, monopólio, dumpings e as estruturas oligopolistas, pois essas definições irão ajudá- lo(a) a entender melhor e saber diferenciar quando uma barreira é necessária e quando essa barreira representa um entrave ao comércio exterior. Vamos ajustar pequenos pontos para um melhor entendimento: a) o liberalismo econômico prega que o Estado não deve intervir na economia; • antes disso, foram elaboradas as teorias (Adam Smith e David Ricardo) para a melhor condução do processo do livre comércio; • ao mesmo tempo em que são apresentadas as teorias do livre mercado, que entram em choque com os pontos negativos e suas consequências devido a esse liberalismo puro, que resultam nas estruturas de agressão, que são os monopólios, dumping e as estruturas oligopolistas; b) em segundo plano aparece o liberalismo moderno, que já admite uma intervenção do Estado na economia, mas de forma racional e principalmente planejada, com o intuito de proteger o mercado das estruturas que denominamos como sendo prejudicial à economia; c) os países, sem nenhuma exceção, aproveitam essa “brecha” e impõem essas mesmas barreiras de proteção ao seu mercado, mas de maneira desordenada e sem racionalidade, causando essas brigas desproporcionais junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), que hoje são denominadas como protecionismo. Agora, após termos feito essa recapitulação e, com certeza, você deve ter feito uma nova leitura na aula 03, creio que podemos continuar, pois você já sabe diferenciar, de forma conceitual, uma barreira que é necessária, de um entrave ao comércio exterior, certo? Com o entendimento conceitual, vamos conhecer as ferramentas utilizadas pelo Estado para fazer a proteção do mercado! Ah, caso você tenha ficado com dúvidas sobre os temas estudados, acesse as ferramentas “fórum”, “quadro de avisos” ou “chat” e interaja com seus colegas de curso e com seu professor. Lembre-se de que é importante eliminar eventuais “pedras do caminho” para que sua aprendizagem siga seu curso da melhor forma possível! 2 - Protecionismo I: Barreiras Necessárias X Entraves Ao Comércio Exterior Maia (2007, p. 174) chama essa proteção ao mercado de barreiras. Você sabe quais são as principais formas de proteção utilizadas pelos países? Note que essas mesmas formas de proteger um mercado, quando não são aplicadas de forma coerente, com racionalidade e planejamento, da noite para o dia podem se transformar em entraves ao comércio exterior, trazendo prejuízos até maiores para a sociedade. Essas barreiras podem ser através das: • Barreiras alfandegárias: O governo aumenta os impostos alfandegários. Não há proibição da importação; elas tornam o produto estrangeiro proibitivo devido à elevação dos preços. • Quotas de importação: São implantadas quando a indústria nacional produz em quantidade insuficiente para atender o consumo interno. Diante disso, o governo permite importar somente o necessário para compensar a falta do produto, sem prejudicar a produção nacional. • Taxa de câmbio: quando o governo mantém controle do câmbio (monopólio cambial), eleva a taxa cambial para encarecer a mercadoria importada, tornando-a proibitiva. Tem muita semelhança com a barreira alfandegária. Além disso, existem os subsídios que, no caso de importações, o Estado assume parte do custo de determinado produto ou faz a doação de terrenos, infraestrutura ou a renúncia fiscal, dentre outras formas legais. Informação adicional: Os exemplos de renúncia fiscal podem acontecer quando o governo diminui ou zera a tributação, em casos de falta de produtos de primeira necessidade, que compõe a cesta básica do brasileiro, em casos de incentivo à cultura, geração de empregos, dentre outras situações que o Estado julgue necessário. Essa ação feita pelo executivo tem como intenção não deixar faltar o alimento, controlar o aumento dos preços desses produtos, considerados como de primeira necessidade ,e frear a inflação. Outro exemplo é a queda do IPI, no caso das montadoras de automóveis e eletrodomésticos da linha branca. 28Noções de Comércio Exterior Abrindo um parêntese, quando uma empresa se utiliza de subsídio para a exportação, pode ser caracterizado como dumping internacional e pode ser punida de acordo com a regulamentação da Organização Mundial do Comércio (OMC). Também existem as licenças de importação e exportação, cujo controle o Estado detém. Tal ação, porém, engessa a economia, burocratiza o processo e facilita a corrupção (MAIA, 2007). Vejamos abaixo as principais ferramentas utilizadas pelos gestores públicos para proteção do mercado, as quais assumem cinco formas: a) As barreiras ou tarifas alfandegárias; b) As quotas de importação; c) A taxa de câmbio; d) Os subsídios; e) As licenças de importação e exportação. Para que essas medidas de defesa utilizadas pelos gestores públicos não se transformem em entraves ao comércio internacional precisam ser bem estruturadas, ter prazos determinados para iniciar e terminar e, durante a vigência, o executivo deve fiscalizar, de forma coerente, se realmente as empresas do setor repassaram essa diferença ao consumidor e estão procurando se adequar. VOCÊ SABIA Que “o arcabouço institucional no Brasil para investigação e acompanhamento de mecanismos de defesa comercial é estruturado através do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), órgão da Administração competente para implementar os mecanismosde defesa comercial. Ligados ao MDIC estão a Secretaria de Comércio Exterior (‘Secex’) e o Departamento de Defesa Comercial (Decom). O Decom é responsável pelas atividades relacionadas à proteção comercial, entre elas: propor a abertura e conduzir a investigação para imposição de medidas antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas, auxiliar a defesa da indústria doméstica nos procedimentos propostos por outros países, bem como acompanhar e participar das negociações da OMC sobre defesa comercial. Após o encerramento da investigação e a elaboração do parecer final que delibera acerca de imposição ou não dos mecanismos de proteção comercial, o Decom terá sua decisão apreciada pelo Grupo Técnico de Defesa Comercial no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (‘Camex’), bem como pelo Conselho de Ministros, órgão de deliberação superior da Camex” (CONJUR, 2011). Além disso, de forma paralela, é preciso elaborar um plano de recuperação para as empresas mais abaladas. Não adianta adotar apenas essas ações de forma remediativa, sempre que uma nova empresa tenta entrar. Essas ferramentas deveriam funcionar com frequência, como uma vacina. Em situações semelhantes, as empresas já estariam protegidas, sem a necessidade de o governo interferir. No entanto, o que vemos são apenas medidas paliativas. Com isso, as empresas ficam acomodadas, não investem no seu segmento e quem sempre sai prejudicada é a sociedade. Essas barreiras, cada vez que são impostas sem nenhum planejamento, têm uma única intenção, que é a de frear o progresso e deixar as empresas acomodadas, pois com isso se inibe a livre concorrência e, com certeza, a sociedade será a única a ser penalizada. Vejamos um exemplo: Produtores de aço norte-americanos se sentiram prejudicados com a importação da matéria-prima, pressionado o governo a elevar a tarifa alfandegária, como consequência a chapa de aço da indústria automobilística ficou 40% mais cara, a partir daí o carro americano começou a perder espaço para o carro japonês (MAIA, 1996). Observe que a ação focada em frear a importação foi algo sem planejamento, adotada por pressão e com o tempo se reverteu contra o próprio mercado. Observe que, tanto as barreiras necessárias quanto os entraves ao comércio exterior se utilizam das mesmas ferramentas, sendo que a principal diferença está: a) No planejamento; b) Na fiscalização; c) Na racionalidade do executivo na aplicação dessas medidas. Na indústria automobilística americana, por exemplo, o governo usou, de forma irracional, uma das cinco ferramentas (tarifa alfandegária) para inibir a importação de determinada matéria-prima. O objetivo foi alcançado, mas devido à irracionalidade e à falta de um planejamento, tal ação que, no início foi usada como uma barreira que eles classificaram como “necessária”, acabou se tornando um entrave ao comércio exterior. Assim, o resultado é esse que acompanhamos até hoje, em que as japonesas Toyota e Honda nadam de braçada diante das gigantes Ford e GM. É muito importante que se dedique em aprender e acompanhar todos os conteúdos estudados nesta seção, uma vez que eles serão fundamentais para sua formação acadêmica e atuação profissional, além de serem objetos de referência para a realização de atividades e avaliações. Agora, vamos continuar nossa caminhada rumo ao saber! Antes de continuar, é imprescindível que leia a reportagem O futuro fragmentado do comércio mundial, no campo “Material de aula arquivos”, como um complemento desse assunto. Após a leitura, veja se concorda com essa análise: todos querem que o outro país reduza seu protecionismo, mas ninguém quer abrir mão dele. Como você pode estar pensando, assim fica difícil chegar a um objetivo comum, mas vamos lá, que uma hora vai dar certo! Está percebendo como os gestores públicos discutem essa questão? Todos querem que seja minimizado o protecionismo, mas somente do outro país! Ufa! E aí, está pronto para a última seção?! Fique tranquilo(a), já estamos terminando! 29 3 - Protecionismo II: Novos Entraves e as Barreiras Desleais Maia (2007, p. 219-21) menciona os novos entraves ao comércio internacional, apresentando exemplos hilariantes, porém não reais. Entretanto, como a vida imita a arte, certamente países em desenvolvimento terão inúmeros problemas como esses, até conseguirem encontrar o seu espaço. FIGURA 4.4 - FESTA DA GLOBALIZAÇÃO Fonte: acervo pessoal. Nas seções anteriores, apresentamos cinco ferramentas que são utilizadas como barreiras necessárias e, de acordo com a intenção e planejamento do país, tal medida pode se transformar em um entrave ao comércio exterior. Já nesta seção, vamos conhecer as ferramentas que denominamos como entrave ao comex, pois a utilização dela é com a única intenção de prejudicar o comércio dos produtos, sem nenhuma intenção de proteção do mercado contra as estruturas tidas como prejudiciais. Os novos entraves ao comex são: a) Barreiras técnicas; b) Barreiras ecológicas; c) Barreiras burocráticas; d) Barreiras sanitárias; e) Barreiras contra as drogas. É importante que fique atento(a) à interpretação da ferramenta: “barreiras contra as drogas”, a qual refletiremos mais adiante, ainda nesta Seção! Vejamos alguns exemplos que podem nos ajudar a entender melhor esses novos entraves ao comex. 3.1- Barreiras Técnicas São barreiras comerciais derivadas da utilização de normas ou regulamentos técnicos não transparentes ou não embasados em normas internacionalmente aceitas ou, ainda, decorrentes da adoção de procedimentos de avaliação da conformidade não-transparentes e/ou demasiadamente dispendiosos, bem como de inspeções excessivamente rigorosas (INMETRO, 2017). Por exemplo: A tarifa estabelecida pelos Estados Unidos para a importação de abacaxi não constitui elemento impeditivo à entrada do produto naquele país. Entretanto, só quem produz abacaxi com o grau de acidez igual do Havaí (grande fornecedor dessa fruta para o mercado dos Estados Unidos) pode exportar para os Estados Unidos (SEIXAS, 1993 apud MAIA, 2007, p. 219). A UE, em 1994, criou uma barreira hilariante. As bananas importadas deveriam ter, pelo menos 14 cm de comprimento e 2,7 cm de largura. O periódico The Sun, ironizando a medida, publicou um molde de papel do tamanho da banana e colocou uma linha telefônica exclusiva para quem achar um exemplar fora das especificações (O ESTADO DE SÃO PAULO, 22 set. 1994 apud MAIA, p. 219). No Japão, os carros importados são obrigados a passar por uma vistoria anual que obriga a troca de peças. Em média, essa troca atinge 35% das peças, mesmo que não tenham sofrido desgaste algum. Os carros japoneses são dispensados dessas vistorias (REVISTA VEJA, 17 maio 1995 apud MAIA, p. 219). 3.2 - Barreiras Ecológicas São exigências que visam diminuir a agressão à natureza. Muitas das vezes essas barreiras são impostas sem as próprias empresas nacionais atenderem esses requisitos, o que configura barreiras protecionistas ou até mesmo políticas, como foi o caso da gasolina brasileira exportada aos Estados Unidos em 1996. Veja o exemplo detalhadamente a seguir. Para a defesa do meio ambiente, os Estados Unidos estabeleceram padrões muito rígidos para a importação de gasolina. Ocorre que a gasolina produzida pelas refinarias americanas estava aquém desses padrões. Por esse motivo, o Brasil e a Venezuela, no início de 1996, apresentaram na Organização Mundial do Comércio (OMC), queixa quanto ao procedimento americano. A OMC deu parecer favorável ao Brasil e à Venezuela (MAIA, 2007, p. 220). 3.3 - Barreiras Burocráticas São imposições comprovatórias de exigências como a de capacidade para produzir, ou de alegação do déficit da indústria nacional. Observe o exemplo: Em 1971, a Suécia proibiu a importação de calçados. Alegavam motivos de segurança, porque a importação destruía a indústria nacional. Assim, se eventualmente a Suécia entrasse em guerra, seu exércitopoderia não ter suprimentos de botina (REVISTA VEJA, 24 mar. 1999 apud MAIA, p. 221). 30Noções de Comércio Exterior 3.4 - Barreiras Sanitárias Configura-se como a ausência de padrões sanitários internacionais que propiciaria a adoção de medidas protecionistas, impedindo ou dificultando o acesso a produtos importados, porém, é mais uma forma do Estado impedir a entrada desses produtos. Um exemplo: O grupo Pão de Açúcar pressionou os burocratas do Ministério da Saúde um ano inteiro até conseguir autorização para importar sabão em pó. Você pode se perguntar: mas, qual era o problema? Pois bem, a questão é que Brasília queria que o Pão de Açúcar provasse que tinha instalações adequadas para vender sabão em pó (REVISTA VEJA, 2 nov. 1994 apud MAIA, p. 220). 3.5 - Barreiras Contra as Drogas O café brasileiro na UE é taxado em 10%, enquanto o café colombiano é beneficiado com alíquota zero. O motivo dessa diferença é ajudar a Colômbia na luta contra as drogas. Ocorre que o Brasil necessita combater o narcotráfico, não se justificando, portanto, essa discriminação (O ESTADO DE SÃO PAULO, 23 fev. 1999 apud MAIA, p. 221). Oba! Ainda não acabou! Temos mais alguns entraves, um pouco mais difíceis de compreender que vêm com roupagem de proteção, disfarçada na questão social. Vamos conhecê-los? Esses são chamados de dumping social e etiqueta social. Vamos conhecer essas novas modalidades! Em relação ao dumping social, países como China e Índia estão sendo bastante pressionados. Como dispõem de uma grande população economicamente ativa e uma política trabalhista defasada, conseguem baixo custo na mão de obra, o que reduz muito os custos das empresas. Isso está levando muitas empresas a migrarem com suas bases fabris para esses países. Por outro lado, os países desenvolvidos os acusam de vender produtos mais baratos à custa dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho. Mas tal alegação é contraditória, pois o exemplo de Joelmir Beting, publicado no Estado de S. Paulo, em 1992, lembra que: [...] o presidente da Rhodia que, em meados do século XVIII, um quilo de fio (têxtil) exigia 100 homens/hora de produção. Hoje, apenas 0,2 homem/hora. Um salto de produtividade de 500 vezes. Com isso, mão de obra deixou de decidir o jogo do mercado (MAIA, 2007, p. 221). Cabe-nos lembrar que as indústrias do primeiro mundo usam intensivamente na produção, o robô e outras formas de alta tecnologia, o que reduz substancialmente os custos. Deveria, sim, impor barreiras aos produtos dos países que detêm tecnologia, pois, com isso, aumenta o desemprego, enquanto que China e Índia geram empregos. No caso da Etiqueta Social, o defensor da ideia foi Peter Hansenne, na 85ª Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Caracteriza-se pela utilização de um selo a ser fixado nos produtos originários dos países que respeitam um conjunto de normas trabalhistas como: liberdade de organização sindical, direito de o trabalhador negociar coletivamente o seu contrato de trabalho, proibição do trabalho forçado, proibição do trabalho infantil e inexistência de discriminação relativa a sexo, religião, cor e convicção política. Apesar de a ideia ser louvável, o Brasil se posicionou contra porque ela poderia ser um dumping social disfarçado. Uma opção para resolver esse impasse, esse selo, ao invés de se atribuir aos países, poderia ser dada às mercadorias, cuja produção seguisse as normas pactuadas (MAIA, 2007, p. 222). Mas, cadê a soberania de cada país? PARA REFLETIR Robert B. Reish (Secretário do Trabalho dos EUA), em um artigo publicado no Jornal O Estado de São Paulo (20/07/1994), pergunta: “Até que ponto os padrões trabalhistas de um determinado país devem ser submetidos ao julgamento e fiscalização de outros países?” (MAIA, 2007, p. 222). Está vendo o quanto é complexo uma empresa buscar um novo mercado? Será que você imaginava todos esses percalços pelo caminho? É importante saber que os grandes empresários que fazem o nome de nosso país são um exemplo, pois a luta pela sobrevivência é grande e exige a reinvenção dos bens e serviços. Nesse contexto, reinventar é estar sempre em busca de ofertar algo necessário, mas sempre apresentando de forma diferente! Um exemplo claro é o celular. Quando os brasileiros começaram a utilizar, você lembra do modelo antigo, e atualmente, temos os chamados smartphones que funcionam como minicomputadores. Isso é reinventar! E agora, será que terminou? Finalizamos esse tema sobre protecionismo? Acho que não! Mas não fique em pânico, estamos na reta final! Agora, vamos descobrir as chamadas barreiras desleais contra a concorrência, que são o contrabando e a pirataria, assuntos muito importantes para o alcance de nossos objetivos nesta disciplina! Vamos começar? 3.6 - Contrabando e Pirataria Vamos iniciar estudando o contrabando! Segundo Marcelo Rehder, em artigo publicado em O Estado de S. Paulo (1995), citado por Maia (2007, p. 223): [...] o país perdeu 5 mil postos de trabalho e deixou de arrecadar mais de R$ 750 milhões em tributos sonegados apenas com operações fraudulentas de subfaturamento da importação de brinquedos, em 2004. A estimativa é da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedo). Continuando, 31 Como consequência dessa fraude, os fabricantes brasileiros não conseguiram competir, em preço, com os brinquedos importados. A maior fabricante brasileira de brinquedos, a Estrela, chegou a ter falência requerida, quem se lembra dessa marca? De acordo com a Abrinq, a cada US$ 35 mil importados fecha-se uma vaga na indústria brasileira. O que você acha desses dados? Grandes carregamentos de Pneus e de cigarro interceptados pelo Estado, que poderiam inundar a sociedade, além de não gerar divisas ao país, contribuiria para arrasar as empresas locais. Como consequência, um familiar ou até mesmo, você poderá estar desempregado. A situação é séria, temos todos que agir de forma racional para que esse problema não se vire contra nós. Já a Pirataria, não sendo aquela praticada em alto mar, como estamos vendo na mídia e os assaltos aos navios na costa da Somália, mesmo sendo um fator muito importante que deve ser avaliado pelos países, principalmente com a questão dos seguros, não é o foco. FIGURA 4.5 - PIRATARIA Fonte: IMPARCIAL. Piratas. Disponível em: http://201.24.26.129/oimparcial/ imagens/piratas0.jpg. Acesso em: 17 mar. 2017. Como você poderá observar, a pirataria que iremos analisar está relacionada aos produtos sem nenhuma garantia de qualidade. Essa é a pirataria que prejudica as empresas, lesa o erário, o consumidor e a sociedade. SABER MAIS “Entende-se por pirataria a reprodução, venda e distribuição de produtos sem a devida autorização e o pagamento dos direitos autorais. É uma prática muito utilizada na atualidade que provoca grandes prejuízos à economia do país. Os produtos pirateados, além de serem diversificados, são financiados por máfias estrangeiras implantadas no país. Esses produzem sapatos, roupas, óculos, brinquedos, perfumes, relógios, livros, peças automobilísticas, instrumentos cirúrgicos e principalmente cigarros, bebidas, cds e dvds. Apesar de serem de procedência duvidosa, tais mercadorias podem ser produzidas de maneira a apresentar riscos à saúde. Existem mercadorias nas quais foram encontradas substâncias cancerígenas em sua composição, produtos ainda que não oferecem resistência, como as peças de carro por exemplo, e ainda objetos que já estão estragados antes mesmo de serem comprados. Existem pessoas que justificam a comercialização de produtos pirateados com o desemprego, o que ocorre erroneamente, pois como já dito anteriormente a pirataria é financiada por facções criminosas e o consumo de tais produtos é a contribuição indireta para a marginalidade que permeia o país. Há pessoas que discordam dessa colocação, mas se não fosse verdade, que motivos teriam as pessoasque comercializam pirateados de não terem um local fixo para manter tal comércio? E, por que precisam fugir da polícia quando esses se aproximam? A pirataria é crime e prevê pena de reclusão de até quatro anos. Normalmente os produtos pirateados são consumidos por causa do seu baixo custo, cerca de 93% mais barato, porém tal consumo ilegal traz um prejuízo aproximado de 30 bilhões de reais por ano. Além do prejuízo na arrecadação de impostos, a pirataria ainda gera desemprego, problemas de saúde, rouba invenções e ideias de terceiros, pratica concorrência desleal e alimenta o crime organizado” (MUNDO EDUCAÇÃO, 2011). Mas você sabe por quê? FIGURA 4.6 - PIRATARIA Fonte: E TRISTE VIVER DE HUMOR. Pirataria. Disponível em: http:// etristeviverdehumor.blogspot.com. Acesso em: 30 mar. 2017. A empresa séria deve seguir todos os regulamentos determinados pelo fisco, se preocupar com o seu trabalhador, com a saúde do consumidor e de quem mora ao lado dela (fábrica, montadora ou revenda), seguir padrões de qualidade, ser autossustentável, recolher seus tributos, ou seja, fazer a sua parte. Enquanto isso, a pirataria lesa a economia de um país, desmerece o consumidor que está comprando algo que tem uma grande possibilidade de prejudicá-lo no bolso e, principalmente, na saúde. A sociedade perde em investimento, já que com o recolhimento dos tributos o Estado investiria em educação, segurança, saúde, ou pelo menos deveria fazê-lo, mas sem arrecadação não é possível ter esses gastos. Portanto, consciência ao comprar óculos, CD, DVDs entre outros objetos piratas no camelô. Você acha que está ganhando na diferença de preço, mas pode estar se prejudicando, e muito, de forma direta ou indireta. Rolli (2010) cita Folha de São Paulo (11/10/2010): “No Brasil, o prejuízo com a pirataria é estimado em R$ 40 bilhões por ano. Dois milhões de empregos deixam de ser criados por ano, segundo calcula o governo”. 32Noções de Comércio Exterior E aí, você se lembra da pergunta reflexiva feita no início desta Aula, na introdução ao protecionismo? Aposto que agora você acha bem mais fácil respondê-la de forma crítica e autônoma, não é mesmo! Parabéns! Você se esforçou, este mérito é seu! Agora, vamos lá, estamos na reta final da disciplina, agora faltam apenas quatro aulas. Desejo que continue tendo êxito em seus estudos! 1 - Conhecendo e entendendo o Protecionismo e as Barreiras naturais Na primeira seção da aula 04, tivemos a oportunidade de introduzir e realizar as primeiras reflexões sobre o tema protecionismo, bem como questões como o idioma, o alfabeto, a moeda, os pesos, as medidas e a legislação, consideradas barreiras naturais para a internacionalização ou como CAUTELAS que o investidor precisa ter antes de iniciar esse processo. Vimos, portanto, que é preciso que tenhamos um idioma oficial (primeiro o inglês e, depois, o espanhol) para o comércio, independente do fato de ser ou não o idioma mais falado no mundo, já que o objetivo aqui é bem específico e direcionado ao comércio. Entendemos, ainda, que essas questões precisam ser continuamente estudadas e compreendidas, uma vez que elas influem diretamente as relações comerciais entre os diferentes países. 2 - Protecionismo I: barreiras necessárias x entraves ao comércio exterior Na seção 2, reconhecemos que precisam existir algumas formas de proteger um mercado, tais como as barreiras alfandegárias, as quotas de importação e as taxas de câmbio, as quais são denominadas barreiras necessárias. Contudo, percebemos também que é preciso assumi-las com muito cuidado, uma vez que, quando não são aplicadas de forma coerente, com racionalidade e planejamento, da noite para o dia podem se transformar em entraves ao comércio exterior, trazendo prejuízos até maiores para a sociedade. 3 - Protecionismo II: Novos entraves e as barreiras desleais Já a seção 3 nos ajudou a construir conhecimentos sobre os entraves ao comex (barreiras técnicas, ecológicas, burocráticas, sanitárias e contra as drogas) e determinados entraves como dumping social e etiqueta social que vêm com roupagem de proteção, disfarçada, na questão social. Finalmente, compreendemos a importância de se evitar o contrabando e a pirataria como forma de garantir um comércio sustentável, no sentido amplo, bem como a utilização de produtos com padrões de qualidades adequados ao consumo. Parece que estamos indo bem. Então, para encerrar essa aula, vamos recordar: Retomando a aula BORTOTO, Artur César et al. Comércio e exterior: teoria e gestão. São Paulo: Atlas, 2007. MAIA, Jayme M. Economia internacional e comércio exterior. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2007. SEGRE, German (Org.) et al. Manual prático de comércio exterior. São Paulo: Atlas, 2009. SEMLER, Ricardo. Virando a própria mesa - uma história de sucesso empresarial: made in Brazil. Rio de Janeiro: Rocco, 2002. SILVA, Givan F. da et al.; SILVA, José Ultemar da (Orgs.). Gestão das relações econômicas internacionais e comércio exterior. São Paulo: Cengage Learning, 2008. VASCONCELOS, M. A. S. de; HENRIQUES GARCIA, M. Fundamentos de economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. Vale a pena ler Vale a pena BIPM. Homepage. Disponível em: http://www.bipm. org/fr/home/. Acesso em: 30 mar. 2017. BRASIL, Casa Civil. Legislação. Disponível em: http://www4.planalto.gov.br/legislacao. Acesso em: 30 mar. 2017. CONJUR. Existem 38 medidas de defesa comercial em vigor no Brasil. Disponível em: http://www.conjur.com. br/2004dez09/existem_38_medidas_defesa_comercial_ vigor_brasil. Acesso em: 30 mar. 2017. IMPARCIAL. Piratas. Disponível em: http: // 201. 2 4.26. 129 /oimparcial/imagens/piratas0.jpg . Acesso em: 30 mar. 2017. MUNDO EDUCAÇÃO. Pirataria. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com.br/sociologia/a- pirataria-crime.htm. Acesso em: 30 mar. 2017. ROLLI, Claudia. Contrabando & pirataria - fronteiras brasileiras têm 596 fiscais. Disponível em: http://www.g21. com.br/materias/materia.asp?cod=31227&tipo=noticia. Acesso em: 30 mar. 2017. Vale a pena acessar Via Legal - Pirataria 01. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=R8yz0fC17pU&NR=1. Acesso em: 30 mar. 2017. Polícia apreende 50 milhões de produtos piratas no Centro de SP: Disponível em:https://www.youtube.com/ watch?v=3-rNoyUkBzA. Acesso em: 30 mar. 2017. Entenda como funciona o esquema de Contrabando. Disponivel em: https://www.youtube.com/ watch?v=1kawrenIle0. Acesso em: 30 mar. 2017. Vale a pena assistir