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A IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS AMBIENTALMENTE PROTEGIDAS NAS CIDADES

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responsáveis ou com projetos nas áreas, por membros representantes da comunidade que vivam na APA, por 
representantes de organizações da sociedade civil com objeto estatutário e experiência na gestão ou pesquisas ambientais. As 
Unidades de Conservação que tiverem sobrepostas, a gestão deverá ser feita com os Conselhos Gestores das unidades que os 
tenham, com o órgão competente pela administração da unidade (caso não possuam Conselho Gestor) e pelas instituições de 
pesquisa que atuem nas áreas. Respeitados os objetivos de cada unidade e seus Planos de Manejo, pode-se elaborar um plano 
conjunto para todo o mosaico de unidades. 
12 Bacia Hidrográfica entendida como unidade natural geográfica e hidrológica de um rio. “É definida pela área de captação 
da água de precipitação, demarcada por divisores topográficos onde toda água captada converge para um único ponto de 
saída, a foz.” (ANA, 2004). 
 
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sociedade e os centros de pesquisa, pois a lei em muitos pontos ainda é obscura no que se 
refere principalmente a sua compatibilização com o zoneamento urbano, pois em um plano 
diretor a ênfase ainda é dada ao tipo de uso do espaço e suas malhas viárias e não na 
capacidade de suporte do regime hídrico de cada região. Além disso, as ações de saneamento 
ambiental têm sido realizadas de forma desintegrada, atuando sempre sobre problemas 
pontuais e nunca desenvolvendo um planejamento preventivo ou sugestões de mudanças. 
Numa tentativa de compatibilizar as ações integradas de desenvolvimento urbano, o 
Ministério das Cidades - Programa de Modernização do Saneamento Ambiental - propõe uma 
Política Nacional de Drenagem Urbana que tem como objetivo geral promover a 
sustentabilidade ambiental e a melhoria da saúde e da qualidade de vida das populações 
urbanas brasileiras. Essas ações13 seriam integradas por meio da elaboração de um Plano 
Diretor de Drenagem Urbana, como componente de uma Estratégia de Desenvolvimento 
Urbano. 
A Política Nacional de Drenagem Urbana teria como principais princípios: promover a 
visão integrada das ações de esgotamento sanitário, drenagem urbana e gestão de resíduos 
sólidos no ambiente urbano; maior participação no pagamento dos custos das soluções de 
drenagem por parte dos responsáveis pelos impactos; a participação da sociedade no controle 
da gestão da drenagem urbana; e adoção de critérios ambientais na definição das soluções de 
drenagem. 
 Conforme foi analisado, os vários tipos de zoneamentos e seus planos respectivos são 
importantes para os quais se destinam, entretanto teriam que estar interligados e cada um tem 
seu conselho ou comitê gestor responsável. Torna-se importante estabelecer princípios que 
possam ser aplicados simultaneamente entre o planejamento e o desenho urbano que sejam 
capazes de integrar os diferentes tipos de zoneamento de forma sistêmica valorizando o bom 
funcionamento destes na política ambiental urbana. Neste caso, torna-se fundamental entrar 
em vigor a Política Nacional de Drenagem Urbana que visa uma gestão integrada dos 
recursos hídricos. 
2.1.2 Estudos de Impactos Ambientais 
Os Estudos de Impactos Ambientais - EIAs-RIMAs funcionam como um instrumento 
 
13 Abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, gestão do resíduo sólido, drenagem urbana, controle de 
inundação ribeirinha, transporte e conservação ambiental com a ocupação e aproveitamento do solo urbano. 
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da gestão ambiental urbana que integra em seus estudos os diagnósticos ambientais, dos 
recursos hídricos e de uso e ocupação do solo (zoneamentos e planos existentes). Funcionam 
como um elo entre o componente político social de execução das políticas ambientais e o 
componente técnico, científico e legal desses instrumentos. 
Segundo Luiz Beltrão do Ministério Público do DF, o EIA-RIMA tem como finalidade 
ter uma abordagem prévia e preventiva dos impactos ambientais, apresentar e analisar 
alternativas, ter fidelidade ao Termo de Referência14 (termo adquirido pelo empreendedor no 
órgão ambiental com os itens necessários a serem diagnosticados no EIA) e aos conteúdos da 
Resolução CONAMA 001/8615 e, por fim, obter a participação social. 
Entretanto, de acordo com Absy (1995), o processo de elaboração dos EIA-RIMAs não 
tem atendido a Resolução CONAMA 001/86. Os métodos utilizados não têm possibilitado a 
elaboração de estudos com objetividade e coerência entre suas diversas fases – do 
dimensionamento do problema a ser estudado à proposição de medidas de controle e 
mitigação de impactos. 
Em primeiro lugar, tem uma inserção tardia da variável ambiental no processo decisório 
e quando tem como prevenir danos há uma carência de propostas alternativas passando por 
justificador do empreendimento proposto por meio de um rol de medidas compensatórias ao 
invés de medidas que evitem ou minimizem os impactos. Isso evidencia um comprometimento 
da equipe multidisciplinar com a proposta do contratante. 
Em segundo lugar são trabalhadas escalas que são incapazes de diagnosticar com 
precisão o meio e há uma carência de dados primários. As equipes multidisciplinares 
encontram dificuldades em delimitar áreas de influência direta e indiretamente com base nos 
efeitos ambientais potenciais do projeto e de suas alternativas. 
Por fim, há uma falta de profissionais com competência analítica do órgão licenciador e 
a sua dependência política. Há um despreparo das equipes técnicas, restringindo-se na maioria 
 
14 O Termo de Referência tem como roteiro básico para EIA/RIMA e outros documentos técnicos exigidos para o 
licenciamento ambiental os seguintes itens: identificação do empreendedor, caracterização do empreendimento; métodos e 
técnicas utilizados para a realização dos estudos ambientais (EIA-RIMA no caso), delimitação da área de influência14; 
espacialização da análise e da apresentação dos resultados; diagnóstico ambiental da área de influência; prognóstico dos 
impactos ambientais do projeto; plano ou programa proposto e de suas alternativas; e por fim, controle ambiental do 
empreendimento (alternativas econômicas e tecnológicas para a mitigação dos danos potenciais sobre o ambiente). (Absy et 
al, 1995) 
15 A Resolução CONAMA 001/86 fornece orientação básica para a elaboração do EIA-RIMA, estabelecendo definições, 
responsabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como 
um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. (Absy et al, 1995) 
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das vezes a verificar se os estudos apresentados atendem às especificações do Termo de 
Referência e da legislação pertinente. As equipes têm dificuldades para analisar os resultados 
obtidos nos métodos e técnicas utilizadas na elaboração de EIA-RIMA, em especial quanto 
aos seus aspectos ecológicos, não levando em conta as inter-relações dos processos ambientais 
e o sinergismo dos efeitos das atividades humanas sobre o ambiente. 
Mesmo quando o projeto urbanístico tem a chance de ser desenvolvido em regiões que 
já foram estudadas por meio de EIA-RIMA, não se leva em consideração as informações 
obtidas para a formulação do desenho dos assentamentos, justamente por haver uma lacuna na 
análise desses dados e a incorporação de soluções alternativas. 
Era de se esperar que da interface de informações do meio físico, biótico e antrópicos 
obtidas na etapa do diagnóstico ambiental do EIA-RIMA surgissem estratégias sustentáveis de 
uso e ocupação do solo urbano, ou melhor, surgissem soluções alternativas para o espaço 
urbano em áreas protegidas. No entanto, o que se pode observar são proposições de 
tecnologias imediatistas tradicionais e restrições de uso. Conseqüentemente,