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Acidentes com Material 
Perfurocortante na 
Enfermagem
Riscos, Protocolos e Cuidados
Professora: Nathália Cabral
E s tatís ticas e Impacto dos Acidentes Perfurocortantes
No Brasil, cerca de 66% dos acidentes ocupacionais com 
exposição a material biológico na área da saúde ocorrem 
com profissionais de enfermagem.
• Aproximadamente 80% envolvem agulhas
• Técnicos e auxiliares de enfermagem são os mais afetados (60%)
• Impacto emocional significativo: ansiedade, depressão e medo
O custo médio de acompanhamento pós-exposição 
pode ultrapassar R$ 5.000 por acidente, sem contar o 
absenteísmo e possíveis tratamentos prolongados.
Materiais Perfurocortantes e Situações 
de Risco
Materiais de Alto Risco
• Agulhas (hipodérmicas, de sutura)
• Escalpes e cateteres intravenosos
• Bisturis e lâminas
• Ampolas de vidro
• Lancetas e material de vidro quebrado
Momentos Críticos
• Reencape de agulhas (25% dos acidentes)
• Descarte inadequado (22%)
• Administração de medicamentos (18%)
• Punção venosa (15%)
• Procedimentos cirúrgicos (12%)
• Manipulação de caixas de descarte (8%)
Os acidentes ocorrem principalmente durante ou após procedimentos, 
quando há pressa, fadiga ou interrupções frequentes. A experiência 
profissional menor que 5 anos também é um fator de risco significativo.
Patógenos Transmissíveis em 
Acidentes Perfurocortantes
Hepatite B (HBV)
• Risco de transmissão: 6-30%
• Altamente infeccioso
• Vacina disponível (eficácia >95%)
• Pode causar doença crônica e 
câncer hepático
Hepatite C (HCV)
• Risco de transmissão: 1,8-3%
• Sem vacina disponível
• Tratamento eficaz disponível
HIV
• Risco de transmissão: 0,3-0,5%
• Fatores agravantes: lesão profunda, sangue visível
• Profilaxia eficaz se iniciada em até 72h
• Tratamento vitalício caso infectado
Protocolo de Atendimento Imediato Pós-Acidente
1. Cuidados com a Área Exposta
Em caso de perfuração cutânea: lave exaustivamente com água e sabão. Não aumente 
a lesão e evite uso de soluções irritantes (hipoclorito, éter, glutaraldeído).
Em caso de exposição de mucosas: lave abundantemente com água ou solução fisiológica.
2. Comunicação Imediata
Informe seu supervisor e procure o serviço de saúde ocupacional ou pronto-
atendimento da instituição imediatamente.
Identifique o paciente-fonte para coleta de exames (quando possível).
3. Avaliação do Risco
O médico avaliará: tipo de exposição, material biológico envolvido, região atingida, 
gravidade e tamanho da lesão, estado sorológico do paciente-fonte quando 
conhecido.
O atendimento deve ocorrer idealmente nas 
primeiras 2 horas após o acidente, sendo crucial 
para início da profilaxia quando indicada!
O tempo entre o acidente e o início da profilaxia medicamentosa
é fator determinante na eficácia da prevenção, especialmente para HIV.
Notificação Obrigatória: Documentação Neces s ária
Todo acidente com material biológico é de notificação compulsória no Brasil, conforme
Portaria nº 204/2016 do Ministério da Saúde.
Documentos Obrigatórios
• Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) - prazo de 24h
• Ficha do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de 
Notificação)
• Prontuário de atendimento ocupacional
• Termo de consentimento para realização de exames
• Formulário de acompanhamento pós-exposição
Informações E ssenciais
• Data, hora e local do acidente
• Tipo de material biológico envolvido
• Descrição detalhada do acidente
• Uso de EPI no momento
• Situação vacinal do profissional
• Identificação do paciente-fonte (quando possível)
A notificação adequada garante direitos trabalhistas e é fundamental para o 
desenvolvimento de estratégias preventivas institucionais. A subnotificação compromete a 
segurança do trabalhador e impede o dimensionamento real do problema.
Exames Laboratoriais para Profissional e 
Paciente-Fonte
1
Exames do Paciente-Fonte
• Anti-HIV (teste rápido + sorologia convencional)
• HBsAg (antígeno de superfície da hepatite B)
• Anti-HCV (anticorpos contra hepatite C)
2
Exames do Profissional (Momento Zero)
• Anti-HIV
• Anti-HBs (anticorpos contra hepatite B)
• Anti-HCV
• Hemograma completo
• Creatinina e TGO/TGP (para linha de base)
• Beta-HCG para mulheres em idade fértil
Os exames iniciais do profissional servem como parâmetro 
basal e não determinam se já havia infecção prévia. Por isso, é 
fundamental realizar o seguimento completo.
Profilaxia Pós -Expos ição (PEP)
PE P para HIV
• Iniciar preferencialmente nas primeiras 2 horas
• (máximo 72h)
• Esquema básico: Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir
• Duração: 28 dias
• Eficácia estimada: 80-90% na prevenção
• Acompanhamento de efeitos colaterais: náuseas, 
diarreia, cefaleia
Profilaxia para Hepatite B
• Profissional não vacinado: Imunoglobulina (HBIG) + 
início do esquema vacinal
• Profissional não respondedor à vacina: HBIG (dose única)
• Prazo ideal para HBIG: até 72h (máximo 7 dias)
Para Hepatite C não existe profilaxia pós-exposição. O acompanhamento sorológico e clínico é a principal 
conduta, com início precoce de tratamento caso ocorra soroconversão.
A interrupção da PEP para HIV antes dos 28 dias aumenta significativamente o risco de falha. O 
suporte para manejo de efeitos colaterais é essencial para garantir a adesão!
Acompanhamento Sorológico: Cronograma após 
Exposição
Exame Momento zero 6 semanas 3 meses 6 meses
Anti-HIV X X X X*
Anti-HCV X X** X X
Anti-HBs X - X X
Função hepática X X** X** X**
Hemograma X X*** - -
* Apenas se fonte positiva para HIV ou desconhecida
** Apenas se fonte positiva para HCV
*** Para profissionais em uso de PEP para HIV
Res ultado Pos itivo para Hepatites : 
Condutas e Tratamentos
Hepatite B
• Confirmação
• Avaliação de transaminases e 
provas de função hepática
• Encaminhamento para especialista 
(hepatologista/infectologista)
• Opções terapêuticas: Entecavir, 
Tenofovir, Lamivudina
• Monitoramento regular da carga 
viral e função hepática
• Afastamento temporário de 
procedimentos invasivos (análise 
individual)
Hepatite C
• Confirmação
• Antivirais de ação direta (DAAs): 
taxa de cura >95%
• Duração do tratamento: 8-12 
semanas (maioria dos casos)
• Acompanhamento pós-tratamento 
para confirmar resposta virológica 
sustentada
• Avaliação de comorbidades hepáticas
Ambas as hepatites são consideradas doenças ocupacionais quando adquiridas em 
serviço, garantindo direitos trabalhistas específicos. O tratamento é disponibilizado 
pelo SUS para profissionais de saúde infectados em acidentes de trabalho.
Resultado Positivo para HIV: Protocolos e Suporte
01
Confirmação Diagnóstica
02
Início da Terapia Antirretroviral
03
Acompanhamento Multidisciplinar
04
Suporte Psicossocial
Os avanços no tratamento permitem que profissionais soropositivos continuem exercendo suas funções 
com mínimas restrições, desde que sigam precauções-padrão e mantenham carga viral indetectável. A 
confidencialidade é direito assegurado por lei.
Direitos Trabalhis tas e Suporte Ins titucional
Direitos As s egurados
• Atendimento médico imediato e gratuito
• Emissão de CAT (estabilidade de 12 meses após retorno)
• Afastamento quando necessário (códigos específicos)
• Acompanhamento completo sem custos
• Fornecimento de medicamentos profiláticos
• Confidencialidade de resultados e diagnósticos
Responsabilidades Institucionais
• Protocolo claro e acessível 24h
• Serviço de referência para atendimento
• Fluxograma visível em todas as unidades
• Disponibilidade de kits de PEP de emergência
• Suporte psicológico especializado
• Comissão de biossegurança atuante
A Norma Regulamentadora 32 (NR-32) estabelece que as instituições devem assegurar capacitação continuada, 
disponibilizar materiais de segurança e implementar programa de prevenção de riscos ambientais específico para serviços 
de saúde.
Em caso de negligência institucional comprovada, o profissional pode recorrer aos órgãos de classe (COREN/COFEN) e ao 
Ministério Público do Trabalho.

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