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SANGRAMENTO DE SEGUNDA METADE P R O F . N A T A L I A C A R V A L H O Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Prof. Natália Carvalho | Sangramento de Segunda Metade 2OBSTETRÍCIA PROF. NATÁLIA CARVALHO APRESENTAÇÃO: Olá, Estrategista! Neste resumo, vamos aprender tudo o que cai sobre sangramento da segunda metade nas provas de Residência Médica! O sangramento da segunda metade engloba todas as intercorrências obstétricas que levam ao sangramento vaginal após 20 semanas de gestação e é uma das principais causas de morbimortalidade materno-fetal, internação hospitalar e intervenções cirúrgicas em obstetrícia. As principais intercorrências obstétricas que causam sangramento da segunda metade são o descolamento prematuro de placenta e a placenta prévia, responsáveis por mais de 90% dos sangramentos que ocorrem nessa fase da gestação. Além disso, também são causas de sangramento da segunda metade o acretismo placentário, a rotura uterina, a rotura de vasa prévia e a rotura de seio marginal. Todas essas patologias serão resumidas aqui, focando sempre no que é cobrado nas provas. Vamos começar? @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed @profnataliacarvalho Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. 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Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 4 CAPÍTULO 1.0 DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA Estrategista, descolamento prematuro de placenta é o tópico mais cobrado sobre sangramento da segunda metade! Então, preste muita atenção! Descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação, parcial ou total, da placenta inserida, normalmente, antes do nascimento do feto. Esse diagnóstico é feito para gestações de 20 semanas ou mais, isto é, a partir da segunda metade da gestação. A figura a seguir ilustra um descolamento prematuro de placenta. Figura 1. Descolamento prematuro de placenta. Ocorre sangramento dos vasos maternos da decídua basal, que ocasiona a separação entre a decídua e a inserção placentária, levando ao descolamento da placenta. O sangramento que ocorre no DPP, na maioria das vezes, é de origem materna e raramente origina-se dos vasos feto-placentários. 1.1 CLASSIFICAÇÃO O descolamento prematuro de placenta pode ser agudo ou crônico. O DPP agudo é a forma clássica e mais comum de descolamento. O sangramento é agudo, grave e extenso. Os sintomas estão relacionados à intensidade do sangramento e do descolamento da placenta, ocorrendo com frequência alteração das vitalidades fetal e materna; por isso, trata-se de uma emergência obstétrica e o diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas da paciente. O DPP crônico ocorre em 20% dos casos e caracteriza-se por sangramento crônico e intermitente, que se inicia geralmente no segundo trimestre. Os sintomas são frustros e, geralmente, o diagnóstico é ultrassonográfico. Pode ocorrer oligoâmnio, restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia e rotura prematura pré-termo de membranas. Na ultrassonografia obstétrica é possível identificar um hematoma retroplacentário. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 5 1.2 FATORES DE RISCO Os principais fatores de risco relacionados ao DPP estão listados na tabela a seguir e é importante que você memorize esta tabela, pois estes fatores de risco são bastante cobrados nas questões. Fatores de risco para DPP DPP prévia Eclâmpsia/pré-eclâmpsia Uso de drogas Trauma abdominal Polidrâmnio Hipertensão arterial crônica Rotura prematura de membranas Corioamnionite Restrição de crescimento fetal Tabagismo Anomalias uterinas Multiparidade e idade maternal avançada Gestação múltipla Cesárea anterior Trombofilias hereditárias Sangramento agudo e grave Descolamento extenso Diagnóstico clínico Alteração das vitalidades materna e fetal Sangramento intermitente leve Descolamento marginal Diagnóstico ultrassonográfico Oligoâmnio RCF DPP agudo DPP crônico Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 6 OBSTETRÍCIA Não esqueça: os distúrbios hipertensivos são as patologias mais associadas com DPP! 1.3 DIAGNÓSTICO O diagnóstico de DPP é eminentemente clínico, por meio da apresentação dos seguintes sinais e sintomas: • Início abrupto do sangramento vaginal, que pode ser de intensidade leve a grave. • Dor abdominal súbita. • Dor à palpação do útero (hipersensibilidade uterina). • Contrações uterinas, taquissistolia. • Hipertonia uterina (útero lenhoso). • Hipotensão, taquicardia. • Alteração da frequência cardíaca fetal. • Trabalho de parto prematuro. • Bolsa corioamniótica tensa ao toque. O sangramento vaginal ocorre em torno de 80% dos casos, mas a perda sanguínea é, na maioria das vezes, subestimada, porque a maior parte do sangramento fica retida no útero. Por isso, a quantidade de sangramento vaginal não se correlaciona com o grau de descolamento e não serve como um marcador de risco materno ou fetal. As imagens a seguir mostram um DPP em que não há exteriorização de sangramento e outro em que há exteriorização do sangramento. Figura 2. A: DPP com sangramento retido. B: DPP com sangramento exteriorizado. Por outro lado, a presença de dor abdominal intensa, hipotensão e alteração da frequência cardíaca fetal indica gravidade e sugere descolamento extenso. Quando o descolamento da placenta excede 50%, a ocorrência de coagulação intravascular disseminada e morte fetal são mais comuns. A coagulação intravascular disseminada ocorre em 10 a 20% dos quadros de DPP graves com óbito fetal. Sabemos que o DPP é a causa mais comum de coagulopatia de consumo na gravidez. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 7 Tríade clássica: sangramento súbito + dor abdominal + hipertonia uterina A cardiotocografia e a ultrassonografia podem auxiliar no diagnóstico de DPP, principalmente nos casos leves, em que a clínica não é tão evidente, mas não devem ser motivo do atraso da conduta, diante de uma paciente ou um feto com alteração da vitalidade. As principais alterações da vitalidade fetal observadas na cardiotocografia são: a bradicardia, a taquicardia fetal persistente, o padrão sinusoidale as desacelerações tardias. Também pode ser observada alteração dos parâmetros agudos do perfil biofísico fetal, decorrente de hipotensão materna e hipóxia fetal. A ultrassonografia deve ser realizada apenas nos casos duvidosos, para ajudar no diagnóstico diferencial com outras patologias. Pode-se observar a presença de hematoma retroplacentário, porém sua ausência não exclui a ocorrência de descolamento grave, pois o sangue pode não ter se acumulado atrás da placenta. Além disso, o atraso da tomada de conduta para realização de ultrassonografia pode piorar os prognósticos materno e fetal. A ultrassonografia a seguir mostra um hematoma retrocoriônico decorrente de DPP. Figura 3. Ultrassonografia evidenciando DPP. A ausência de achados anatomopatológicos placentários que indiquem DPP não exclui o diagnóstico de descolamento, pois somente 30% dos casos podem ser identificados pela análise da placenta. A figura a seguir mostra a macroscopia de uma placenta com DPP. Figura 4. Macroscopia de placenta com DPP. No DPP “crônico” ou “parcial”, o sangramento vaginal ocorre em pequena quantidade, sem contrações ou hipertonia uterina. Esses casos não evoluem com coagulopatia nem há alteração aguda da vitalidade fetal. O que se observa são maiores taxas de prematuridade, oligoâmnio e restrição de crescimento fetal, em decorrência da diminuição crônica do fluxo placentário, como já dito anteriormente. Muitas vezes esse quadro clínico brando confunde-se com um início do trabalho de parto, o que torna difícil o diagnóstico. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 8 OBSTETRÍCIA Atenção, Estrategista! Saber diferenciar um quadro clínico de DPP dos seus diagnósticos diferenciais é um dos tópicos mais cobrados nas provas sobre esse tema! Então fique ligado nas nossas dicas! Os principais diagnósticos diferenciais são: trabalho de parto, placenta prévia, rotura uterina, rotura de vasa prévia, rotura de seio marginal e hematoma subcoriônico. Na maioria das vezes, é possível diferenciar a DPP desses outros diagnósticos apenas pela história clínica da gestante. O trabalho de parto caracteriza-se por sinais e sintomas mais graduais do que no DPP, as contrações uterinas são regulares e acompanhadas de dilatação cervical e não há hipertonia uterina contínua. Na placenta prévia, o sangramento é indolor e intermitente, o que permite diferenciá-la do DPP. Já a rotura uterina geralmente ocorre durante o trabalho de parto e leva à parada abrupta das contrações uterinas e subida da apresentação fetal. O diagnóstico de rotura de vasa prévia caracteriza-se por sangramento indolor, geralmente relacionado à amniorrexe, e comprometimento precoce da vitalidade fetal sem repercussão hemodinâmica materna, uma vez que a origem do sangramento é fetal. Na rotura de seio marginal ocorre sangramento indolor associado ao tônus uterino normal, sem comprometimento da vitalidade fetal e, em geral, é diagnosticado apenas após o parto. O hematoma subcoriônico advém quando há separação entre a membrana fetal e a parede uterina. Esses hematomas geralmente são assintomáticos ou levam a um sangramento vaginal leve sem dor abdominal e ocorrem, geralmente, antes de 20 semanas de gestação. A figura a seguir ilustra a diferença entre um hematoma subcoriônico e um hematoma retrocoriônico (DPP). Figura 5. A: Hematoma subcoriônico. B: Hematoma retrocoriônico periférico. C: Hematoma retrocoriônico central. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 9 Complicações maternas Complicações fetais Transfusão sanguínea Hipóxia fetal Choque hipovolêmico Prematuridade Insuficiência renal aguda (necrose tubular ou cortical aguda) Baixo peso ao nascer Falência de múltiplos órgãos Restrição de crescimento fetal Hemorragia pós-parto Morte perinatal Histerectomia puerperal Coagulação intravascular disseminada Morte materna Quando o descolamento é extenso, o sangue pode infiltrar o miométrio, que fica com aspecto arroxeado, sendo denominado útero de Couvelaire. Nesses casos, o útero não consegue se contrair, levando à atonia uterina e hemorragia pós-parto, que respondem muito pouco ao tratamento com uterotônicos, evoluindo, na maioria dos casos, para histerectomia puerperal. A figura a seguir ilustra um útero de Couvelaire. Figura 6. Útero de Couvelaire. Além disso, ocorrem complicações maternas a longo prazo, como a síndrome de Sheehan, caracterizada por hipopituitarismo em decorrência da necrose hipofisária causada pelo choque hipovolêmico. Os sintomas são compatíveis com diferentes graus de hipofunção hipofisária, diagnosticados dias ou anos após o parto. Pode ocorrer quadro de insuficiência adrenal, agalactia (não produção de leite), amenorreia e hipotireoidismo. O DPP é a principal causa de CIVD e de necrose cortical aguda renal em obstetrícia! As complicações maternas e fetais dependem da severidade do descolamento da placenta e da idade gestacional em que o parto ocorre. Essas complicações estão listadas na tabela a seguir: Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 10 OBSTETRÍCIA 1.4 CONDUTA 1.4.1 DPP AGUDO Toda gestante com suspeita de DPP precisa ser internada e monitorizada hemodinamicamente. Deve-se garantir acesso venoso calibroso, realizar a administração de cristaloides, colher exames (hemograma, coagulograma, creatinina e tipagem sanguínea) e solicitar reserva de sangue. É importante quantificar o débito urinário, por isso a sondagem vesical de demora muitas vezes faz-se necessária. Se a paciente apresentar instabilidade hemodinâmica, deve ser transferida rapidamente para unidade de terapia intensiva. Em pacientes com choque hipovolêmico, a volemia deve ser estabelecida por transfusão sanguínea. Na hipótese de a paciente apresentar coagulopatia, administra-se plasma fresco congelado e plaquetas, de preferência ainda antes da resolução da gestação. A conduta obstétrica vai depender do estado hemodinâmico materno, da vitalidade e viabilidade fetal, como veremos a seguir. Diante de instabilidade hemodinâmica, isto é, quando a gestante apresentar hipotensão, taquicardia, regular estado geral ou sangramento vaginal intenso, a conduta deve ser a resolução imediata da gestação, por cesariana de emergência, independentemente da situação do feto. Nos casos em que há cervicodilatação, recomenda-se a amniotomia imediata para reduzir a pressão intra-amniótica e, assim, diminuir a entrada na circulação materna de tromboplastina e fatores de coagulação que são ativados pela presença do coágulo retroplacentário. Se a gestante não apresentar instabilidade hemodinâmica, isto é, se tiver pressão arterial e pulso normais, se houver sangramento vaginal pequeno e bom estado geral, a conduta vai depender da vitalidade e viabilidade fetal. A conduta obstétrica mais aceita diante de feto vivo e viável é a resolução da gestação por cesárea de urgência, a não ser que o parto vaginal seja iminente. Em casos muito selecionados, se a gestante estiver em uma fase avançada do trabalho de parto e apresentar estabilidade hemodinâmica e feto com boa vitalidade fetal (cardiotocografia e perfil biofísico fetal normais), pode-se aguardar o parto vaginal, com monitorização fetal contínua, por no máximo 20 min. Quando a gestante apresenta-se estável e há óbito fetal ou o feto é inviável, o parto vaginal é a via desejável, por apresentar menos morbidade materna do que a cesariana. Nessescasos, também se deve realizar amniotomia imediata para diminuir a pressão intra-amniótica. Se o trabalho de parto não estiver evoluindo, utiliza-se ocitocina para acelerá-lo. O ideal é que o parto ocorra dentro das primeiras 6 horas. Se houver instabilidade materna, deve-se interromper a gestação pela via mais rápida. O organograma a seguir ajudará você a identificar rapidamente a via de parto mais adequada, então preste muita atenção! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 11 1.4.2 DPP CRÔNICO Nos casos de DPP crônico, em que a gestante apresenta estabilidade hemodinâmica com mínima perda sanguínea e o feto tem boa vitalidade, a conduta dependerá da idade gestacional, conforme o organograma a seguir. estendendo-se sobre o orifício interno do colo uterino. Contudo, aproximadamente 90% das placentas prévias identificadas no segundo trimestre não se mantêm prévias no terceiro trimestre, principalmente nos casos de placenta anterior. Dessa forma, diante da suspeita de placenta prévia ou inserção baixa de placenta no segundo trimestre, deve-se fazer uma ultrassonografia transvaginal no terceiro trimestre para confirmar o diagnóstico. A ultrassonografia transabdominal apresenta maior taxa de falso-positivo e falso-negativo. Sendo assim, a ultrassonografia transvaginal é atualmente o exame padrão-ouro para o diagnóstico de placenta prévia. As figuras a seguir mostram uma imagem ultrassonográfica transvaginal de placenta prévia (figura 8) e placenta de inserção baixa (figura 9). Figura 8. Ultrassonografia transvaginal evidenciando placenta prévia (recobrindo o orifício interno do colo uterino). Figura 9. Ultrassonografia transvaginal evidenciando placenta de inserção baixa (distando 13 mm do orifício interno do colo uterino). A presença de sangramento vaginal indolor no segundo e terceiro trimestres é também uma indicação de ultrassonografia transvaginal para identificar a posição da placenta. O toque vaginal deve ser realizado somente após se excluir o diagnóstico de placenta prévia, já que esse exame pode causar hemorragia severa na presença dessa patologia. Figura 10. Ilustração de ultrassonografia transvaginal para avaliar placenta prévia. Diferentemente do DPP, na placenta prévia o diagnóstico é clínico e ultrassonográfico, sendo o ultrassom transvaginal o exame padrão-ouro! Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 17 OBSTETRÍCIA Quando a ultrassonografia transvaginal não consegue confirmar o diagnóstico de placenta prévia, pode-se lançar mão da ressonância magnética, principalmente nos casos de placenta posterior, em que o diagnóstico ultrassonográfico é mais difícil. Diagnóstico de placenta prévia Sangramento vaginal na segunda metade Achado de exame no ultrassom do segundo trimestre Ultrassom transvaginal para confirmar o diagnóstico Ultrassom transvaginal no terceirto trimestre para confirmar o diagnóstico Os diagnósticos diferenciais de placenta prévia englobam todas as causas de sangramento da segunda metade: descolamento prematuro de placenta, rotura uterina, rotura de vasa prévia e rotura de seio marginal. Saber diferenciar essas patologias é fundamental para conseguir resolver as questões sobre esse tema. Então veja a tabela a seguir, que resume as principais características desses diagnósticos diferenciais. Patologia Fatores de risco Diagnóstico Sinais e sintomas Conduta Placenta prévia Cesárea anterior Clínico e ultrassonográfico Sangramento intermitente e indolor de origem materna Cesárea eletiva Cesárea de urgência se sangramento intenso Descolamento prematuro de placenta Hipertensão gestacional Clínico Sangramento súbito, associado à dor abdominal, hipertonia uterina e alteração da vitalidade fetal Cesárea de urgência se feto vivo Rotura de vasa prévia Rotura das membranas Clínico e ultrassonográfico Sangramento indolor após a rotura das membranas fetais, sem repercussão materna, alteração da vitalidade fetal Cesárea de urgência Rotura uterina Cesárea anterior Clínico Sangramento e dor abdominal súbitos, parada das contrações, subida da apresentação fetal, bradicardia fetal ou BCF ausente, choque hemorrágico e sinais de sangramento intra-abdominal Cesárea de urgência e reparo da rotura uterina Rotura de seio marginal Não há Anatomopatológico Sangramento vaginal vermelho vivo, indolor, contínuo e de pequena quantidade e não desencadeia repercussões maternas ou fetais Monitorização materno-fetal Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 18 2.3 CONDUTA A via de parto na placenta prévia é sempre a cesariana, o feto estando vivo ou morto. Como o risco de sangramento intraparto e no pós-parto é maior, deve ser solicitada reserva de sangue, independentemente da cesárea ser eletiva ou de emergência. A equipe precisa estar preparada para as medidas de controle de hemorragia pós-parto, inclusive para a realização de histerectomia puerperal. A conduta diante de uma gestante com placenta prévia varia conforme a sintomatologia apresentada, como veremos a seguir. Em pacientes assintomáticas a conduta deve ter como objetivos: • Avaliar se a placenta continuará prévia com a evolução da gestação. • Avaliar o risco de acretismo placentário. • Reduzir o risco de sangramento. • Determinar o momento ideal da cesárea eletiva. Nas pacientes assintomáticas, suspeita-se de placenta prévia pela ultrassonografia do segundo trimestre. Quando a placenta dista menos do que 20 mm do OIC no segundo trimestre, deve- se fazer uma ultrassonografia transvaginal por volta de 28 e 34 semanas para identificar se há placenta prévia, placenta de inserção baixa ou se a placenta já se encontra na posição habitual. Se a borda da placenta distar mais do que 20 mm do OIC na ultrassonografia transvaginal no terceiro trimestre, exclui-se a suspeita diagnóstica de placenta prévia ou inserção baixa de placenta e a gestante segue normalmente o pré-natal. Caso a borda da placenta esteja a menos de 20 mm do OIC, deve-se repetir a ultrassonografia transvaginal mais próximo do termo, por volta de 36 semanas. Se próximo do termo a placenta alcançar o OIC, é confirmado o diagnóstico de placenta prévia e deve-se programar a cesárea eletiva. Em pacientes assintomáticas e sem complicações associadas, deve ser realizada cesárea eletiva entre 36 e 37 6/7 semanas, sendo que a maioria dos protocolos não orientam a ultrapassar 37 semanas. Atualmente, muitos serviços orientam a administração de um ciclo de corticoide 48h antes do parto, assim que este for programado para menos de 37 semanas. Caso a borda da placenta esteja a menos de 20 mm, mas não atinja o OIC, consideramos que a placenta é de inserção baixa e discutiremos sua conduta mais adiante. Para reduzir o risco de sangramento nessas pacientes, não é necessário fazer toques vaginais e a paciente precisa evitar ter relações sexuais. Também é importante que a paciente evite exercícios moderados a extenuantes. Essas gestantes precisam ser orientadas a procurar o serviço de emergência se houver contrações ou sangramento. Além disso, em pacientes com placenta prévia, é importante excluir o diagnóstico de acretismo placentário. Isso pode ser feito com a ajuda da ultrassonografia com Doppler e da ressonância magnética. Paciente assintomática Confirmar diagnóstico Excluir acretismo placentário Reduzir risco de sangramento Cesárea eletiva Ultrassom transvaginal no terceiro trimestre Ultrassom com Doppler e ressonância magnética Evitar toques vaginais, relações sexuais e exercícios intensos Entre 36 e 37 6/7 semanas Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 19 OBSTETRÍCIA Em pacientes sintomáticas, a conduta deve ter como objetivos: • Estabilizar hemodinamicamente a paciente. • Avaliar a necessidade de cesárea de emergência. Diante de uma paciente com sangramento vaginal ativo, deve-se monitorizar continuamente os sinais hemodinâmicos maternos e fetais e quantificar a perda sanguínea, por meio da pesagem de compressas ou da coleta de sangue em um recipiente graduado. Lembre-se de que a avaliação visual geralmente subestima o sangramentovaginal. Ademais, deve-se obter acesso venoso calibroso e administrar cristaloides. A transfusão sanguínea é realizada se a paciente se apresentar taquicardíaca e hipotensa, com hematócritos 34 semanas Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 21 OBSTETRÍCIA Quando a paciente tem placenta de inserção baixa, isto é, na ocasião em que a placenta dista menos de 20 mm do OIC, mas não atinge o colo uterino, não há evidências fortes da melhor via de parto. Estudos recentes mostram que é possível uma tentativa de parto normal se a placenta tem uma distância entre 10 e 20 mm do OIC, mas que a cesárea eletiva é preferível quando essa distância é menor do que 10 mm, pois o risco de sangramento é maior. 2.4 COMPLICAÇÕES O diagnóstico de placenta prévia está relacionado à maior morbimortalidade materna, em decorrência da hemorragia pré ou pós-parto. Aliás, mulheres com placenta prévia são mais propensas a receber transfusão sanguínea e precisar de histerectomia puerperal. A morbimortalidade materna também está associada a maior risco de acretismo placentário e embolia amniótica nessas gestantes. O risco de acretismo placentário é maior em pacientes com placenta prévia, principalmente quando a placenta é anterior e se encontra na região da histerotomia. O risco de vasa prévia e inserção velamentosa do cordão também é maior nas pacientes com placenta prévia. A morbimortalidade perinatal, por sua vez, está associada à necessidade frequente de parto prematuro. Além de que, pacientes com placenta prévia são mais propensas a ter fetos em apresentações anômalas, como a pélvica e a transversa, e maior chance de restrição de crescimento e anomalias congênitas. 2.5 MAPA MENTAL e n a en a a placenta que recobre o orifício interno do colo uterino parcial ou totalmente a partir de 20 semanas. nse a a e a en a placenta que dista menos de 20 mm de OIC, mas não o atinge. n a - Cesárea eletiva por volta de 36-37 semanas - Cesárea de emergência se trabalho de parto, alteração da vitalidade fetal, instabilidade hemodinâmica, sangramento após 34 semanas - Excluir o diagnóstico de acretismo placentário. a es e s - Placenta prévia anterior - Cesárea anterior - Gestação múltipla - Procedimentos uterinos - Multiparidade, idade materna avançada - Tratamento de reprodução assistida - Tabagismo, uso de drogas a n s n ass m ans a na - Sangramento vaginal vermelho-vivo - Indolor - Intermitente - Altolimitado - Diagnóstico definitivo a partir de 28 semanas PLACENTA PRÉVIA Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 22 CAPÍTULO 3.0 ACRETISMO PLACENTÁRIO Estrategista, esse tema é cobrado com menos frequência nas provas, por isso resumi aqui somente o que você realmente precisa saber! Acretismo placentário é um termo geral utilizado para descrever uma placenta que realizou invasão trofoblástica anormal atingindo o miométrio e, às vezes, ultrapassando a serosa uterina. Nesses casos, a placenta não consegue se separar espontaneamente do útero, o que pode levar a hemorragias graves e necessitar de histerectomia. No acretismo placentário, a placenta pode estar inserida profundamente na decídua, ultrapassar a decídua e invadir o miométrio ou chegar à serosa uterina e invadir órgãos adjacentes. Quando a placenta está inserida profundamente na decídua, mas não atinge o miométrio, chamamos de placenta acreta. Se a placenta penetra o miométrio, ela é chamada de placenta increta. Caso haja invasão da serosa ou dos tecidos adjacentes, isso configura uma placenta percreta. A figura a seguir ilustra a classificação no acretismo placentário: Figura 11. Classificação do acretismo placentário. A patogênese do acretismo placentário não está totalmente definida. Normalmente a placenta penetra apenas na porção compacta e superficial da decídua; isso permite que a clivagem da placenta ocorra após o nascimento do concepto. Acredita-se que as cicatrizes uterinas, principalmente em decorrência de cesáreas anteriores, provoquem danos na interface endométrio-miométrio e levem à decidualização defeituosa nessas regiões. Com isso, acontece uma implantação anormal da placenta que consegue invadir mais profundamente os tecidos lesados, ocasionando o acretismo placentário. Os principais fatores de risco para acretismo placentário são o histórico de parto cesáreo e a ocorrência de placenta prévia. Quanto maior o número de cesáreas anteriores, maior a chance de acretismo placentário. Gestantes com duas cesáreas e placenta prévia têm 40% de chance de desenvolver acretismo placentário e esse número sobe para 60 % na ocorrência de 3 cesáreas anteriores. Os fatores de risco para acretismo placentário estão listados na tabela a seguir: Fatores de risco para acretismo placentário Placenta prévia Parto cesáreo anterior Procedimentosuterinos prévios Multiparidade, idade maternal > 35 anos História de remoção manual da placenta História de endometrite pós-parto Tratamento de infertilidade Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 23 OBSTETRÍCIA O diagnóstico de acretismo placentário geralmente é realizado por meio da ultrassonografia em pacientes assintomáticas. A investigação de acretismo deve ser feita em todas as gestantes com placenta prévia ou com placenta anterior e cicatriz de cesárea. Contudo, algumas vezes o diagnóstico é um achado de exame em ultrassonografia de rotina de gestantes sem risco e outras vezes o diagnóstico é feito somente durante o parto. A Dopplervelocimetria e a ressonância magnética ajudam na confirmação diagnóstica e na avaliação da extensão do acretismo. A ultrassonografia transvaginal também pode ajudar no diagnóstico, embora sua efetividade seja inferior à da Dopplervelocimetria e à da ressonância magnética. Durante a gestação, a paciente geralmente não apresenta manifestações clínicas, mas às vezes pode ocorrer sangramento por conta da placenta prévia. A manifestação clínica mais comum é a hemorragia profusa, que ocorre após o parto na tentativa de separar manualmente a placenta retida. Gestantes com diagnóstico de acretismo placentário na gestação devem ser encaminhadas para acompanhamento em pré- natal de alto risco e o parto deve ocorrer em um hospital terciário. Como a placenta não pode ser removida, deve-se programar uma cesárea eletiva, seguida de histerectomia puerperal, mantendo a placenta na cavidade uterina (placenta in situ). O parto deve ser realizado por equipe multidisciplinar que inclua obstetra experiente, anestesista, radiologista intervencionista e urologista. A cesárea é programada entre 34 e 36 semanas quando a paciente não apresenta sangramento. No tratamento conservador, isto é, sem a realização de histerectomia, mantendo a placenta aderida ao útero, os riscos de hemorragia pós-parto aumentam muito, por isso ele deve ser utilizado somente em protocolos clínicos de estudo. Já o tratamento conservador com retirada da placenta é aceito nos casos de acretismo focal e placenta acreta fúndica e posterior. Quando o diagnóstico de acretismo é feito intraparto, é preciso que se realize uma histerotomia fúndica longe do acretismo para extração fetal e histerectomia pós-parto. CAPÍTULO 4.0 ROTURA UTERINA Atenção, Estrategista! Rotura uterina é um tema cobrado tanto nas questões de sangramento da segunda metade quanto nas de hemorragia pós-parto (HPP). Então, vamos conversar sobre esse tema também no livro de HPP. Chamamos de rotura uterina a rotura completa de todas as camadas do útero: endométrio, miométrio e serosa, o que leva a alterações maternas e fetais. No momento em que a rotura é incompleta, isto é, não envolve todas as camadas uterinas, chamamos de deiscência uterina. A deiscência uterina geralmente é um achado de exame ou do intraoperatório e não causa repercussões maternas ou fetais. O principal fator de risco para rotura uterina é a presença de cicatriz uterina anterior. Apesar do risco de rotura uterina ser muito baixo na presença de uma ou duas cicatrizes transversais de cesárea, mulheres que não têm cicatriz uterina possuem um risco praticamente inexistente dessa complicação. As situações que aumentam consideravelmente o risco de rotura uterina são a presença de cicatriz uterina vertical ou fúndica e o histórico de rotura uterina anterior. Nesses casos, a tentativa de parto normal está contraindicada e a melhor via de parto é a cesárea. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 24 A tabela a seguir lista os principais fatores de risco para rotura uterina: Fatores de risco para rotura uterina Trabalho de parto após 1 cesárea anterior ( 0,4 - 0,7%) Trabalho de parto após 2 cesáreas anteriores ( 1 - 1,6%) Histórico de rotura uterina ( 5%) Histerotomia fúndica ou vertical (1 - 12%) Uso de misoprostol para indução do parto (10%) Desproporção cefalopélvica Período expulsivo prolongado Macrossomia fetal Idade materna > 40 anos IMC > 30 Idade gestacional > 40 semanas Sabe-se que a ocorrência de parto vaginal anterior, mesmo que a mulher tenha histórico de cesárea, diminui consideravelmente o risco de rotura uterina nessas pacientes. Grande parte das roturas uterinas ocorre na primeira fase do trabalho de parto, entre 5 a 6 cm de dilatação, mas também pode ocorrer no período expulsivo ou ser identificada apenas no pós-parto. O diagnóstico de rotura uterina é eminentemente clínico, por meio dos sinais e sintomas apresentados pela paciente durante e após a rotura uterina. O primeiro sinal suspeito de rotura uterina é a alteração súbita da vitalidade fetal com presença de bradicardia fetal. Esse sinal está presente em mais de 70% dos casos. Outro sinal sugestivo de rotura uterina é a distensão do segmento uterino e palpação do ligamento redondo retesado (sinal de Bandl-Frommel). O estiramento dos ligamentos redondos é conhecido como sinal de Frommel, e a presença de anel de constrição que separa o corpo do útero do segmento inferior é chamado de sinal de Bandl. Esses sinais também podem indicar iminência de rotura uterina, embora alguns casos ocorram abruptamente, sem identificação dos sinais e sintomas que precedem essa complicação. Figura 12. Sinal de Bandl-Frommel. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 25 OBSTETRÍCIA Além disso, a gestante apresenta dor abdominal súbita que melhora temporariamente após a ocorrência da rotura. Observa-se também parada súbita das contrações e subida da apresentação fetal após a rotura uterina (sinal de Reasens) . Depois da rotura uterina, a gestante apresenta sinais de choque hemorrágico com sintomas de mal-estar súbito, aumento da frequência cardíaca e queda da pressão arterial sistólica. A gestante pode apresentar ou não sangramento vaginal, pois muitas vezes o sangramento é apenas intra-abdominal. Os sinais sugestivos de sangramento intra-abdominal são: sinal de Laffont - dor escapular por irritação do nervo frênico pelo sangramento; sinal de Cullen - hematoma periumbilical por sangramento que atinge o retroperitônio; sinal de Clark - enfisema subcutâneo na localização do útero, devido à passagem do ar pela vagina até o peritônio. É importante ficarmos atentos a todos os sinais e sintomas, pois a tríade clássica que consiste em dor abdominal súbita, sangramento vaginal e alteração da FCF está presente em apenas 10% dos casos. Os principais sinais e sintomas estão listados na tabela a seguir: Sinais e sintomas de rotura uterina Alteração súbita da vitalidade fetal - bradicardia Dor abdominal súbita Sangramento vaginal Sinal de Bandl-Frommel Parada das contrações Subida da apresentação fetal Sangramento intra-abdominal: sinais de Cullen e Laffont Frente a uma suspeita de rotura uterina, a conduta é estabilização hemodinâmica da paciente e cesárea de emergência para nascimento do concepto e correção da lesão. Caso não seja possível a correção da lesão ou a hemorragia não seja controlada, a histerectomia está indicada. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 26 4.1 MAPA MENTAL ROTURA UTERINA Iminência Sinal de Bandl-Frommel CondutaEstabilização hemodinâmica Cesárea Nascimento do concepto e correção da lesão Diagnóstico Brandicardia fetal ou ausculta cardíaca fetal ausente. Contrações param abruptamente com melhora temporária da dor. Choque hemorrágico: mal-estar súbito, aumento da FC e queda da PAS. Desaparecimento da apresentação fetal ao toque vagina. Dor escapular (sinal de Laffont) e hematoma periumbilical (sinal de Cullen). Sangramento pode ser intra-abdominal, não visível. CAPÍTULO 5.0 ROTURA DE VASA PRÉVIA Estrategista, a rotura de vasa prévia é um tema cobrado nas provas de Residência Médica como diagnóstico diferencial dos sangramento da segunda metade! Então vamos aprender sobre esse assunto? Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 27 OBSTETRÍCIA A vasa prévia caracteriza-se pela presença de inserção velamentosa de cordão (vasos sanguíneos do cordão umbilical que se localizam na membrana fetal) na região que recobre o orifício interno do colo uterino. Figura 13. Inserção velamentosa de cordão. Figura 14. Vasa prévia. A ocorrência de vasa prévia é maior em gestações originadas de técnica de reprodução assistida e em casos de placenta prévia, inserção velamentosa de cordão, lobo acessório, placenta sucenturiada ou gestação múltipla. O diagnóstico antenatal é feito por meio da ultrassonografia, principalmente a ultrassonografia transvaginal com a observação Figura 15. Ultrassonografia evidenciando vasa prévia. de vasos fetais recobrindo o OIC ou passando dentro de um raio de 20 mm do OIC. Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito após a rotura das membranas, que leva à rotura da vasa prévia causando sangramento vaginal intenso e de origem fetal, o que causa rapidamente alteração de vitalidade fetal e morte fetal em minutos. Os principais padrões de alteração fetal diante de uma rotura de vasa prévia são a bradicardia fetal e o padrão sinusoidal. VASA PRÉVIA Rotura de membranas fetais Rotura de vasa prévia Sangramento vaginal intenso fetal Bradicardia fetal Padrão sinusoidal Óbito fetal Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 28 Quando o diagnóstico é feito no pré-natal, o parto deve ser agendado entre 34 e 37 semanas para evitar o risco de rotura de membranas. A cesárea deve ser adiantada nos casos de trabalho de parto, rotura prematura de membranas fetais ou alteração da Conduta na vasa prévia Diagnóstico no pré-natal Sangramento vaginal após rotura das membranas Cesárea agendada entre 34 e 37 semanas Cesárea de emergência vitalidade fetal por compressão dos vasos umbilicais. Quando o diagnóstico é feito após a rotura das membranas e sangramento fetal, precisa-se realizar cesárea de emergência para salvar o feto. 5.1 MAPA MENTAL Conduta: cesárea Fatores de risco: - Placenta prévia - Inserção velamentosa de cordão - Lobo acessório - Placenta sucentuariada - Gestação múltipla Diagnóstico: - Sangramento vaginal intenso após a rotura das membranas - Sangramento de origem fetal - Alteração da vitalidade fetal ROTURA DE VASA PRÉVIA Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 29 OBSTETRÍCIA CAPÍTULO 6.0 ROTURA DE SEIO MARGINAL Estrategista! Esse tema é cobrado nas provas apenas como diagnóstico diferencial! Então, resumi aqui tudo o que você precisa saber sobre essa patologia! O seio marginal corresponde à área de encontro entre a face materna e fetal da placenta, onde acontece troca de sangue materno e fetal. A rotura desse vaso é uma das principais causas de sangramento da segunda metade da gestação, sobretudo em gestações mais avançadas. Diante da rotura do seio marginal, decorre sangramento vaginal vermelho vivo, indolor, contínuo e de pequena quantidade e que não desencadeia repercussões maternas ou fetais. O diagnóstico geralmente é histopatológico, feito após o parto. Como conduta, deve haver somente monitorização materno- fetal. Não há indicação de resolução da gestação. Estrategista, chegamos ao fim das patologias que cursam com sangramento da segunda metade da gestação! A seguir vamos aprender sobre embolia de líquido amniótico, um tema muito pouco cobrado nas provas de Residência Médica! Então, faremos um resumo de tudo o que você precisa saber, caso se depare com alguma questão desse tema! CAPÍTULO 7.0 EMBOLIA DE LÍQUIDO AMNIÓTICO A embolia do líquido amniótico é uma emergência obstétrica rara que se verifica quando o líquido amniótico entra na circulação materna. Essa patologia é uma importante causa de morte materna, sendo responsável por 10% das causas de óbito materno nos países desenvolvidos. A patogênese da embolia amniótica não está bem definida. Acredita-se que a entrada de líquido amniótico na circulação sistêmica materna aconteça por meio da violação da interface materno/fetal, ativando os processos humorais e imunológicos e a liberação de substâncias vasoativas e procoagulantes, causando uma resposta inflamatória sistêmica. Como resultado, ocorre falência cardíaca e hipertensão pulmonar. Verifica-se, ainda, a ativação da cascata de coagulação levando à coagulação intravascular disseminada. Devemos suspeitar de embolia amniótica na gestação ou no puerpério imediato quando a paciente apresenta colapso cardiovascular súbito, dificuldade respiratória grave, hipóxia ou convulsões, especialmente quando seguidas de coagulopatia intravascular disseminada. Em alguns casos, o diagnóstico é feito apenas após morte materna e autópsia. Algumas situações parecem estar mais relacionadas com embolia amniótica, como o parto cesáreo, o parto vaginal operatório, a placenta prévia ou acreta e a pré-eclâmpsia. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 30 Tríade clássica: hipotensão + hipóxia + coagulopatia Algumas pacientes podem apresentar calafrios, náuseas, vômitos, agitação ou mudança do estado mental imediatamente antes do comprometimento cardiovascular. A tabela a seguir resume os principais sinais e sintomas da embolia amniótica: Cardiovascular Hipotensão, arritmia, insuficiência cardíaca direita e esquerda, choque cardiogênico, parada cardíaca Respiratório Hipoxemia, edema pulmonar, síndrome do desconforto respiratório agudo, parada respiratória Hematológico Coagulopatia hemorrágica, coagulação intravascular disseminada Neurológico Convulsão, estado mental alterado A embolia amniótica é uma emergência obstétrica, por isso a paciente deve ser atendida prontamente por uma equipe multidisciplinar. Deve-se fazer a ressuscitação cardiopulmonar, controlar a hemorragia com a administração de uterotônicos e ácido tranexâmico e reverter o quadro de CIVD com transfusão maciça. Se o parto ainda não tiver ocorrido, é necessário resolver a gestação imediatamente para melhorar a resposta materna ao tratamento. Como a embolia amniótica é um diagnóstico de exclusão, é importante excluir outros diagnósticos diferenciais. Os principais diagnósticos diferenciais são: DPP, tromboembolia pulmonar, choque séptico, choque anafilático, acidente anestésico e infarto agudo do miocárdio. A maioria dos casos ocorre durante o trabalho de parto ou em até 30 minutos depois do parto. As pacientes apresentam comprometimento cardiovascular com hipóxia e hipotensão súbitas, associado a edema pulmonar não cardiogênicoe hemorragia por coagulação intravascular disseminada, evoluindo para parada cardiorrespiratória. Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 31 Estratégia MED OBSTETRÍCIA Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/qxF9 Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://estr.at/qxF9 Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 32 CAPÍTULO 9.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Zugaib obstetrícia 4 ed. Manole 2020. 2. Cunningham, F. Gary. Obstetrícia de Williams. 24 ed. AMGH editora 2016. 3. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco. Secretaria de políticas. Brasília, 2000. 4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Descolamento prematuro de placenta. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO Obstetrícia, n. 37/ Comissão Nacional Especializada em Urgências Obstétricas). 5. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Gestação de Alto Risco. Brasília, DF, 2012. 6. FIGO. Consensus guidelines on placenta accreta spectrum disorders. 2018 7. ACOG and Society for Maternal-Fetal Medicine ( SMFM). Obstetric care consensus on placenta accreta spectrum. 2018 CAPÍTULO 10.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim de mais um tema importante da obstetrícia! Parabéns, Estrategista! Se quiser se aprofundar sobre esse tema, veja nosso livro completo sobre Sangramento da segunda metade. Lá, você encontrará mais detalhes e explicações sobre esse assunto! Além disso, recomendo que siga o perfil do Estratégia MED nas redes sociais! Lá, você ficará atualizado sobre todas as notícias relativas às provas de Residência Médica do país. Você também pode seguir meu perfil no Instagram, local em que compartilho com alunos e pacientes temas sobre obstetrícia e medicina fetal. Conte comigo nessa jornada! Natália Carvalho @profnataliacarvalho Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina Estratégia MED OBSTETRÍCIA Sangramento de Segunda Metade Prof. Natália Carvalho | Resumo Estratégico | 2024 33 Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicinaMedicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina https://med.estrategiaeducacional.com.br/ https://med.estrategia.com