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Psicologia Judiciária

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PSICOLOGIA JUDICIÁRIA
PSICOLOGIA
Não há A psicologia, mas sim diversas correntes que se cruzam e se relacionam com outros campos do conhecimento.
A psicologia é um estudo das razões do psiquismo humano – Estudo das relações entre corpo e psiquismo e como essas relações podem ser tratadas. Surgiu no século XIX com Freud, que reuniu esforços teóricos e práticos de pesquisa voltados a entender a mente humana.
PRINCIPAIS CORRENTES
· COMPORTAMENTAL (Behaviorismo) – Tem como intenção tratar e conhecer a atividade psíquica por meio dos comportamentos. É uma análise da personalidade de fora para dentro (é o oposto da psicologia freudiana que se baseava na análise do inconsciente). A base do comportamento humano é formada por condicionamento feito ao longo da existência. Aprendizado se dá por meio do comportamento condicionado. Considera o sujeito e busca modificar o meio ambiente. Dois tipos de condicionamento:
· Respondente – Criado a partir de experimento com cães. É a associação entre estímulo e resposta. Respostas inatas que podem ser condicionadas. Há passividade do organismo. Há associação involuntária em repetir o comportamento, que depende somente do estímulo antecedente.
· Operante – O organismo é estimulado em razão das consequências de seu comportamento. Essa consequência é o que incentiva ou desestimula (reforço) o comportamento. Há uma associação voluntária em repetir o comportamento. Nossa existência é feita entre estimulo e resposta. Nem sempre todos eles são perceptíveis. Se houver recompensa a probabilidade de repetir aquele comportamento é maior.
Controlando o estímulo, controlo o comportamento. Ignora o que acontece no organismo.
OBS: Punição – É um reforço negativo – Tem função de controle. Permite ao sujeito saber o que não fazer, mas é ineficaz para o aprendizado. O reforço negativo não tem efeito tão efetivo quanto a recompensa, pois há apenas a eliminação do comportamento pela presença do agente punitivo. Caso deixe de existir o reforço negativo é bem provável que o comportamento volte.
OBS2: Classicamente as correntes são obtidas dentro de um campo de experimentação, observação, registro e repetição. O comportamento do animal serve de padrão de análise do comportamento humano.
· COGNITIVO COMPORTAMENTAL – O essencial seria compreender a forma/estrutura do aprendizado humano. Entendendo a forma como o homem internaliza conteúdos seria possível entender como suas emoções interferem no comportamento e na personalidade. A diferença dessa linha é justamente o aspecto cognitivo. Não basta apenas lidar com os comportamentos observáveis. Mas também com as cognições (como o sujeito interpreta o mundo). 
O terapeuta busca mudar as crenças e pensamentos do paciente para promover uma reestruturação emocional e comportamental. Leva em consideração as crenças e valores na interpretação. Foi criado com ênfase no sentido terapêutico (sujeito que tem inibição que prejudica a vida útil deverá ser abordado com esse viés. EX: Depressões, síndrome do pânico etc.).
OBS: A principal diferença para a terapia comportamental pura é considerar os aspectos subjetivos, o que o sujeito traz em sua bagagem e não apenas o meio.
· PSICOLOGIA DA FORMA/PERCEPÇÃO/GESTALT – Inventada também dentro de laboratório. Não foca tanto no comportamento, mas sim nas leis que regulam a percepção e a inteligência. A percepção de um objeto é um todo (Gestalt).
Os fundamentos são que as leis que regem a percepção são também as leis que regem a inteligência e o aprendizado (capacidade de resolver problemas). É o caso da percepção visual.
A resolução dos problemas está relacionada com a reestruturação do campo perceptual – Muitas vezes a resolução de um problema está à nossa vista, mas não é enxergada, mas a nossa capacidade de resolver problemas necessita de certa flexibilidade. Se a pessoa está muito enrijecida (hábitos e condicionamentos) terá mais dificuldade.
Gestalt traz a ideia que se a pessoa repetidamente tem a mesma experiência, quando for desafiado por novo problema encontrará dificuldades. A inteligência se tornará embrutecidada (além do preconceito, formação pessoal etc.).
Vem da Gestalt um conceito muito popularizado que é o insight – É uma reestruturação súbita do campo perceptivo, da inteligência. Não é algo voluntário, resolvido por dedução, através de consciência plena.
· EXISTENCIAL – A terapia não deve aumentar a passividade, mas sim aumentar o campo de liberdade e da decisão. Dá importância ao futuro e ao desenvolvimento do potencial de cada ser humano (É de menor importância que as demais).
O homem constrói sua própria existência, é livre e responsável por essa construção. Não existe uma natureza humana que seja positiva ou negativa, ela somente existe.
· INTERPESSOAL – Embora o homem tenha uma atividade e uma vida interna muito rica de significados e emoções, também é necessariamente um ser social. Assim, para essa vertente, a personalidade surge da interação social, sendo mais importante, portanto, estudar a interação social do que propriamente o inconsciente.
· EVOLUCIONÁRIA – É uma junção das demais, tendo ênfase na ideia de adaptação humana. Enfatiza os estágios de adaptação da espécie humana, destacando as influências recíprocas entre a evolução biológica, psíquica e social.
NOÇÕES
· MEMÓRIA – Centro dos registros sensoriais e dos efeitos deles resultantes.
Alterações da memória
· Quantitativas: hiperminésia e amnésia.
· Qualitativas ou paramnésias: Ilusões, alucinações, criptominésia (não reconhece um acontecimento como presente), ecmnésia (recapitulação condensada de fatos passados).
· PENSAMENTO – Produção de símbolos a partir do conjunto da memória.
Alterações do pensamento – Desintegração, condensação, juízo deficiente, alteração de juízos de realidade, delírio (juízo patologicamente falseado) e pensamento mágico (juízo fantasioso).
· VONTADE – Movimento do psiquismo voltado à satisfação de necessidades ou realização de atos ou comportamentos.
Alterações da vontade: Hipobulia (típica de estados depressivos) e compulsões (típica de estados maníacos).
· AFETIVIDADE – Conjunto de estados psíquicos gerados pelas sensações, pensamentos, vivências e memórias.
Alterações de afetividade: distimia (inibição ou exaltação).
· PERSONALIDADE – Padrões individuais característicos de pensamento, emoção, e comportamento associados a mecanismos psicológicos, velados ou não. 
Os planos da atividade psíquica: The Big Five Theory
· Adjustment – Capacidade de adaptação – nível de stress;
· Ascendance – Independência, organização;
· Agreeableness – Cooperação, capacidade de interação;
· Prudence – Capacidade de julgamento, consciência;
· Intelect opness – Abertura intelectual, capacidade de assimilação;
Estados alterados da personalidade – Classificação baseada nos Traços de Personalidade (Floyd/Gordon Alport) e também na classificação baseada nos motivos (Murray)
· Paranóica – Sensibilidade excessiva nas adversidades, tendência a distorcer fatos.
· Esquizóide – Retraimento e incapacidade para expressar sentimentos.
· Dissocial – Falta de empatia e desprezo por obrigações sociais.
· Histriônica – Afetividade superficial, teatralidade, egocentrismo.
· Obsessivo-compulsiva – Dúvida, perfeccionismo, impulso repetitivos e intrusivos.
· Borderline – Fronteira entre neurose e psicose, instabilidade emocional severa.
· Ansiosa – Baixa auto-estima, sentimento permanente de tensão, insegurança.
· Dependente – Excessiva dependência e confiança nos outros. Necessidade de apoio contínuo.
· Mistos – Possuem características dos estados acima. São os mais difíceis de diagnosticar.
PSICANÁLISE
Criada por Freud, que não foi psicólogo, tampouco psiquiatra. Portanto, não pertence a nenhum dos dois ramos.
A psicanálise nos informa que, em grande parte de nossas ações e discursos, nós não temos todo o controle de nossas verdadeiras intenções – Principalmente nas relações de família, casos que envolvam crianças e adolescentes, nos crimes passionais, os conflitos envolvem intensa carga emocional, que foram agravadas por sentimentos mal resolvidos.Por trás dos conflitos, existem questões não-ditas que, se são captadas pelo magistrado habilidoso, a possibilidade de que ele venha a encontrar uma solução sábia para o conflito é grande. Portanto, é importante que o magistrado tenha essa abertura para se torar um excelente ouvinte e intérprete de tudo o que ouve. É importante, também, que o juiz tenha o apoio de uma equipe interdisciplinar, composta por psicólogos e assistentes sociais.
Traz como conceito central a ideia de inconsciente – No momento que Freud traz a ideia de inconsciente (com o livro interpretação dos sonhos). A ideia básica é que o sonho trazia mensagem de um desejo inconsciente. Quando adormece a resistência consciente diminui e o inconsciente se manifesta, mesmo que inicialmente não haja sentido nos sonhos.
Em uma análise é possível interpretar os sonhos e perceber sentido. Ele chegou nessa ideia a partir de uma experiência CLÍNICA (e não de laboratório) de pacientes que sofriam de neuroses graves. Era comum uma patologia que fazia parte da psiquiatria a histeria.
Freud forneceu elementos para demolir qualquer argumentos de que o sujeito era completo senhor de sua vontade. O inconsciente domine a preside as ações do sujeito. Muitas vezes as escolhas não possuem lógica.
Além dos sonhos teriam os atos falhos, os sintomas, chistes, lapsos etc. Se manifesta de forma disfarçada.
Trouxe a ideia de que o “O eu não é detentor de sua razão e sua vontade”.
Ele dizia ainda que o desejo inconsciente é de caráter sexual – Reformulou, assim, a ideia de que sexualidade estava ligado a um instinto sexual, aflorado na puberdade. Trouxe a ideia da sexualidade infantil e como as suas primeiras escolhas repercutem na vida adulta.
Freud em “O mal estar na cultura (civilização)” fala que o direito tem sem dúvida função de regular as relações humanas – Mal estar da civilização porque, para ele, existem três fontes de sofrimento
· Forças da Natureza – São as catástrofes naturais
· Decadência do Corpo Humano
· Relações Humanas – A principal fonte de sofrimento humano. Porque o homem tem grande capacidade destrutiva.
Homem tem a pulsão de morte (tendência de aniquilar outro) de usar o outro como instrumento de satisfação e crueldade – Todos nós possuímos uma boa dose de agressividade, isto é, vemos no outro um motivo de tentação para satisfazer com ele nossa agressividade, para aproveitar-nos sexualmente sem seu consentimento, para apoderar-nos de seus bens, etc.
O direito seria o recurso para regular as relações humanas e evitar que se tome o outro como instrumento de satisfação destrutiva.
Coerente com sua concepção de um ser humano possuidor de uma natureza destrutiva, Freud concebeu a personalidade composta por três instâncias: 
· Id – Instintos, irracionalidade, inconsciente.
· Ego – Eu propriamente dito, censor do Id para atender o superego. É a consciência do indivíduo. 
· Superego – Formado pelos valores morais impostos pela sociedade, pela cultura, com muita influência religiosa. Subsiste de modo pré-consciente. 
Sem superego, portanto, os seres humanos ficam livres da censura interna e dos sentimentos de culpa – Daí surge a psicopatia ou sociopatia, que possui as seguintes características: 
· Incapacidade de adequação às normas sociais; 
· Impulsividade;
· Irresponsabilidade com o trabalho e não pagamento de dívidas; 
· Manipulação do próximo e ausência de sentimento de culpa.
· MECANISMOS DE DEFESA – Procedimentos inconscientes com a finalidade de repelir ou reduzir a ansiedade. São adaptativos dentro de um certo limite. Caso usados em excesso, pode gerar um problema/distúrbio de não querer lidar com a realidade.
· Racionalização – Explicações baseadas na razão para comportamentos que, na realidade, são determinados por motivos desconhecidos. Busca-se uma explicação racional para comportamento inexplicável.
· Negação – Por ser desagradável e penosa a realidade externa é considerada como não existente.
· Projeção – Atribuir aos outros características ou sentimentos não admitidos em si mesmo.
· Repressão – Mecanismo de expulsar da consciência desejos, sentimentos, ideias ou fantasias inconvenientes.
· Identificação – Mecanismo que interioriza as características de uma pessoa para desenvolver a própria personalidade.
PSIQUIATRIA
Trouxe a loucura para o campo da ciência médica – É uma especialidade da medicina em prevenção, atendimento, diagnóstico e reabilitação de transtornos e sofrimentos mentais.
Após a segunda guerra mundial, com a política dos direitos humanos, começou a mudar-se o entendimento sobre a política até então adotada pela psiquiatria – Furor em curar o sujeito a qualquer custo muitas vezes é ineficiente. Começou a pregar-se o tratamento por meio social e criticar-se o poder vertical do médico e também a figura do manicômio por excluir a diferença e retirar do louco o direito à cidadania.
A internação passou a ser vista como última opção, sendo priorizados tratamentos extra-hospitalares.
Pode-se dizer que ao longo da história a psiquiatria teve duas correntes principais:
· Corrente Organicista – Ênfase no corpo biológico. Ideia de que qualquer transtorno seja causado por deficiência do neurotransmissor. Grande uso dos remédios para medicalização como fonte de cura. Internação como recurso principal. Visão da loucura como doença.
· Corrente Social/Comunitária – Lida com o sofrimento humano e mental inserindo o sujeito na comunidade. Cidadania é fundamental como forma de tratamento. Hospital apenas como último recurso. Promoção da saúde mental.
PSICOLOGIA JURÍDICA
Não pertence a nenhuma escola, mas surgiu como psicologia do testemunho. Era ligada a área forense criminal no sentido de averiguar a veracidade de um testemunho em face de um crime.
Foi assim até a virada constitucional e o ECA, o que reforçou a psicologia no campo jurídico nos tribunais e juntos às defensorias.
Outras formas de intervenção que não somente a avaliativa – Orientar, mediar e encaminhar. EX: Juiz requer que o psicólogo faça um laudo que aponte o melhor guardião para o menor. É difícil ter instrumentos para definir o melhor pai ou mãe e a decisão em torno do melhor guardião tem consequências, muitas vezes, desastrosas. Exige um outro tratamento. É muito mais benéfico tentar recompor as relações do que afastá-las. EX2: Adoção – Muitas vezes as pessoas se habilitam e querem adotar uma criança. Ao invés de analisar se virtualmente se a pessoa está ou não apta é muito mais interessante inverter e promover/preparar para que todos possam ser.
Como a psicologia Judiciária pode auxiliar o direito
· Auxilia o magistrado a fundamentar sentença – Quando solicita laudo de um perito. Já em 1954 no famoso caso Brown vs. Board Of Education, psicólogos opinaram sobre os efeitos da segregação, no que gerou o leading case da Suprema Corte dos EUA sobre igualdade.
· Perícias sobre inimputabilidade ou sobre o nível de comprometimento de funções psíquicas;
· Estudo da personalidade do réu na dosimetria da pena ou na sua execução (progressão/livramento).
· Ações de guarda ou relativas à abuso de vulneráveis (crianças, adolescentes e idosos).
· Diminuir conflitos pessoais
· Otimizar aplicação da justiça – É o caso, por exemplo, de auxiliar na gestão de pessoas.
ECA – Passou a prever a proteção integral à criança e adolescente. É a materialização/instrumentalização do art. 227 da CRFB (Dever da família, sociedade e do Estado, com absoluta prioridade, assegurar às crianças e adolescentes o direito à vida, saúde, alimentação, dignidade, segurança e proteção de toda forma).
O ECA inaugurou uma nova forma de perceber a criança e o adolescente que vem sendo assimilada ao longo do tempo. Isso, porque não se altera num único momento a tradição e cultura do povo.
PSICOLOGIA E COMUNICAÇÃO
A função da comunicação para o direito e demais ramos do conhecimento humano de maneira múltiplas, é permitir que conhecimentos se complementem (interdisciplinaridade) – Nesse contato entre as disciplinas do conhecimento que ocorre uma compreensão da complexidade do mundo. Pensar a complexidade épensar as inter-relações dos fatos, dos conceitos, das circunstâncias. Então, por exemplo, em um divórcio, há que se ver a perspectiva do humano, há que se ver pela perspectiva econômica, há que se ver na perspectiva da saúde psicológica, biológica, questões de gênero, lugar, os micropoderes e as microrrelações existentes nessa situação.
· A inter-relação é fundamental para solução de casos complexos – Isso, porque a mera visão de cunho normativo, não é suficiente para compreender os aspectos do justo e dar solução que efetivamente traga paz social.
Aspecto Importantes do relacionamento interpessoal
· Acolhimento
· Escuta – Ativa. Deverá escutar interessadamente. Não está buscando a verdade ou mentira. Uma escuta que procura entender a situação e não apenas identificar um aspecto da situação. Difere-se da escuta surda, que foca em somente um aspecto. 
· Avaliação das Dificuldades.
· Realização de Mudanças – Encaminhamento, resolução. Aquilo que a situação necessitar.
HABILIDADES DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Inteligência Emocional – É a capacidade de lidar com os outros (é uma qualidade do magistrado). Motivar-se e persistir diante de frustrações. Controlar impulsos. Canalizar emoções para situações apropriada. Motivas as pessoas.
O juiz, no exercício de suas atividades funcionais, embora exerça relevante parcela do poder do Estado, é um ser humano – É um ser que, como qualquer outro, traz em seu comportamento elementos de sua história (classe social, ideologia, experiências familiares, frustrações, desilusões, preconceitos, etc.). Embora não seja possível isolar o comportamento humano das suas experiências históricas, é possível estimular a constante reflexão e autocrítica, de modo a permitir uma autuação mais responsável e aberta à noção de alteridade.
· Relações interpessoais do magistrado – É recomendável aos magistrados o exercício de algumas virtudes e comportamentos fundamentais como a humildade, o controle emocional, o controle da ansiedade, a empatia, o otimismo, a superação dos preconceitos, a competência interpessoal, a serenidade, elevado nível de tolerância à frustração; clareza em suas manifestações, desprendimento material e conduta pública e privada irrepreensível. É importante que o juiz saiba liderar sua equipe, para tanto, é importante que saiba ouvi-la, qualificá-la e influencia-la pelo exemplo.
Conflitos Interpessoais – Devem ser vistos como oportunidades de mudança. Levam ao estresse. Alta carga de estresse gera perda de produtividade, aumento de erros e baixo-rendimento.
· Síndrome de Burnout – Grave estado de esgotamento mental, físico e mental decorrente de uma rotina de trabalho exigente e estressante.
· Exaustão emocional: falta ou carência de energia e um sentimento de esgotamento emocional.
· Despersonalização: falta de sensibilidade, dureza com as pessoas.
· Baixa realização profissional: diminuição dos sentimentos de competência em relação aos ganhos pessoais obtidos no trabalho com pessoas.
Gera reações diversas por causa dessa acumulação de estresse, diferente do simples estresse, que provoca somente reações pontuais. EX: Uma pessoa pode sofrer de estresse por estar acumulando diversas tarefas simultaneamente, mas voltar a um estado mais tranquilo, descansado, quando acabar esse período. Mas se essa acumulação se arrasta por meses ou mesmo anos, ela pode apresentar sintomas crônicos, que não desaparecem com o repouso normal.
TEORIAS DO CONFLITO
Quanto à extensão do conflito, pode-se classifica-lo como:
Fases do conflito: 
· Conflito latente: as partes não assumem a existência do conflito ou, muitas vezes, não tem consciência de que ele exista. 
· Conflito percebido: há clara percepção do conflito pelas partes, porém nenhuma delas se manifesta a respeito.
· Conflito sentido: as partes estão envolvidas emocionalmente e sofrem sentimentos negativos em razão da desavença, que se transformam e ressentimento diante da falta de diálogo. 
· Conflito manifesto: conflito aberto, declarado pelas partes e conhecidos por terceiros, interferindo no ambiente que cerca os contendores
 
PROBLEMAS ATUAIS DA PSICOLOGIA COM REFLEXOS NO DIREITO
CONCEITOS
· IGUALDADE – Todos somos humanos. Somos parecidos em muitas coisas. Nossos sentidos e emoções nos fazem perceber o mundo, mesmo que de formas diferentes.
· DIFERENÇA – Tirando a condição humana, há diversas diferenças entre as pessoas. Como, por exemplo, raça, cor, sexo, valores, crenças, cultura, educação.
Seres humanos fazem interpretações diferentes da realidade. Possuem percepções distintas.
Nossa visão da realidade é influenciada por diversos aspectos, como educação, poder aquisitivo, história de vida, família etc.
· PRECONCEITO – Julgamento prévio e negativo feito sobre as outras pessoas e grupos, tornando-os estigmatizados por rótulos. Quando rotula-se deixa-se de conectar, ver e compreender o outro na sua integralidade como sujeito e passamos nos relacionar apenas com o rótulo nele colocado.
Preconceitos são construídos a partir de representações influenciadas pela cultura e diversos outros fatores. Apesar das diferenças, historicamente, somos educados para buscarmos os iguais.
A maioria é guiada pela identificação com os outros, com grupos significativos para nós, pelos quis desejamos ser acolhidos.
Esse movimento ansioso facilita um aspecto muito completo do comportamento, que é a formação do juízo de valor prévio, sem experienciar diretamente. Instala-se então o preconceito. Se participa de um determinado grupo, vê as características do outro grupo como inferiores.
A violência não está apenas nas guerras, assaltos etc. Está também na nossa comunicação. Se nos comunicamos a partir de julgamentos estamos também sendo violentos.
· DISCRIMINAÇÃO – Conduta que viola direitos das pessoas com base em critérios injustificados e injustos, tais como raça, gênero, idade, opção religiosa e outros.
É a próxima etapa do preconceito. É a ação desse sentimento, contra o outro, objeto dele.
É a colocação em prática de sentimentos que muitas vezes são nossos: aspectos que percebemos no outro, mas que muitas vezes não suportamos em nós mesmos (recurso defensivo – Projeção).
Quando rotula esquece-se que a pessoa é além daquilo. Não se relaciona com a pessoa como um todo. 
Quando está na esfera da inconsciência não é possível ter controle. Quando passa para a esfera do consciente é possível ser controlado. 
ASSÉDIO MORAL 
· CONCEITO – Conduta qualquer conduta abusiva (comportamentos, palavras, gestos, escritos etc.), ocorrido no ambiente de trabalho, preconceituosa e discriminatória, potencialmente danoso ou atentatório (não se exige o dano efetivo), de maneira REITERADA com diferentes graus de intensidade, que possa trazer danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física e psíquica de uma pessoa. 
Pode ser horizontal (entre colegas), vertical (empregador) ou ascendente (feito pelo subordinado).
Outros Nomes – Mobbing, abuso psicológico ou Bullying.
Fatores importantes
· Conduta Abusiva – Comportamentos de desqualificação do outro.
· Condutas Reiteradas – Ocorre de forma sistemática e prolongada.
· Instaura ou reforça desigualdade já existente (hierárquico ou de subordinação) para aumentar o controle – A pessoa que é vítima naturaliza a forma de ser tratada e não percebe a real violência. 
É possível um assédio Moral por terceiros? É uma nova modalidade de assédio que ganhando espaço jurisprudência trabalhista. O leading case a ser julgado dessa maneira envolveu a empresa Casa Bahia e as funcionárias. Com o objetivo de divulgar uma promoção, a autora da ação e outras funcionárias foram obrigadas pela empresa a usarem um broche escrito "Quer pagar quanto?". O uso do broche foi pretexto para colegas de trabalho e clientes realizassem diversos comentários vexatórios e humilhantes. A empresa não realizou o assédio de fato, porém, foi responsável por criar uma situação que "permitiu" que ele acontecesse.
OBS: Podeser ou não intenção – O que importa é que seja uma conduta NÃO desejada para a vítima.
OBS2: Muitas vezes os superiores hierárquicos usam o assédio objetivando a produtividade – Todavia, os danos em pessoas que sofrem esse tipo de pressão, acabam por ser muito mais frequentes do que os resultados esperados.
ASSÉDIO SEXUAL
· CONCEITO – Constranger (insinuações, contatos físicos forçados, convites ou pedidos impertinentes) alguém gerando um ambiente hostil ou constranger com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição superior hierárquica ou ascendência inerentes ao exercício do emprego, cargo ou função.
Características Necessárias
· Conduta reiterada 
· Natureza sexual – Diferentemente do assedio moral (em que não se exige que o constrangimento tenha objetivo específico), no assédio sexual há o intuito de obter vantagem sexual.
· Assimetria nas relações – NÃO ocorre apenas nas relações de trabalho, mas em todas as relações em que existe hierarquia (relação assimétrica). EX: Pode ocorrer também no ambiente familiar, quando a vítima é hipossuficiente e/ou vulnerável; no ambiente hospitalar, entre médicos/enfermeiros e pacientes em hospitais, hospícios, casas de recuperação de viciados, etc; num ambiente religioso, quando o assédio é realizado pelo sacerdote ou líder aos fiéis, independente da religião; e no ambiente acadêmico, quando a relação de assédio se dá entre professores ou funcionários responsáveis pela supervisão e alunos.
· Prejudicar o rendimento profissional, humilhar, insultar ou intimidar a vítima.
Principal Alvo – As mulheres. A busca por espaços no mercado de trabalho, saindo do trabalho doméstico, não foi bem aceito por muitos homens que confundem essa conquista das mulheres com a oportunidade do assédio.
Todavia, também acontece o assédio a homens, entre pessoas no mesmo nível hierárquico, e até de subordinados em relação aos seus superiores.
· DIFERENÇA PARA O ASSÉDIO MORAL – O assédio sexual tem por finalidade dominar a vítima sexualmente, o moral visa à eliminação da vítima do mundo de trabalho pelo psicoterror. O sexual somente ocorre em relações de ascendência/hierarquia, já o moral pode ser entre pares ou até mesmo de “baixo para cima”. E, por fim, diferem-se quanto aos objetivos, pois no assédio moral (em que não se exige que o constrangimento tenha objetivo específico), no assédio sexual há o intuito de obter vantagem sexual.
O assédio sexual em relações de emprego pode configurar crime (Art. 216-A do CP) – Necessariamente deve haver uma relação de trabalho ou uma relação assemelhada a ela com vínculo de subordinação (EX: Estagiário sob comando de membro do MP). 
· A relação entre professor-aluno, líderes religiosos-fieis, pais-filhos não se encaixam na hipótese, pois envolvem mero temor reverencial.
OBS: Um assédio sexual frustrado pode se transformar em assédio moral.
· FASES DO ASSÉDIO
· 1ª Fase – Sedução Perversa – Desestabiliza a vítima fazendo perder progressivamente a confiança em si. Visa atrair o outro que o admira. Corrompe e suborna para captar seu desejo. Quanto mais frágil a vítima for, mais fácil será dominada.
A vítima perde sua capacidade de fazer frente ou denunciar, porque gradualmente ela vai perdendo essa potencialidade. Torna-se insegura e põe em dúvida a sua própria percepção.
· 2ª Fase – Violência Manifesta – Diante da manipulação, o agressor impõe uma relação de dominação, por influência intelectual ou moral.
· SINTOMAS – Entre outros:
· Ansiedade na presença do assediador 
· Sentimento de culpa 
· Autoestima reduzida 
· Comprometimento do juízo crítico
· Sensação de desorganização interna
Extensão dos Danos – Depende do Tempo de exposição ao sofrimento, Forma de interrupção do assédio, Efetivação das providências.
TRANSTORNOS DE ESTRESSE PÓSTRAUMÁTICO
· CONCEITO – É uma revivência do evento traumático. Sua manifestação costuma ocorrer após 1 mês do evento traumático e alguns autores falam de manifestações após 5 anos.
· SINTOMAS
· Sintomas de revivência: lembranças intrusivas, pesadelos, flashbacks dissociativos, sofrimento psicológico, reatividade fisiológica. 
· Sintomas de entorpecimento: evita pensamentos ligados ao trauma; tentativa de manter distância de atividades, locais ou pessoas associadas ao trauma; incapacidade de recordação da violência; sensação de distanciamento; restrição da capacidade de sentir afeto; sentimento de que pode morrer a qualquer momento.
· Sintomas de hiperestimulação: insônia persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, hipervigilância e sobressalto
Resiliência – Trata-se da capacidade de adaptação de algumas pessoas a situações difíceis, adversas, inóspitas, que poderiam ser até traumáticas para outras. É vista como uma característica positiva, que pode estar ligada a uma motivação e determinação para alcançar objetivos mais importantes.
RELACIONAMENTO COM A MÍDIA
As decisões judiciais não podem satisfazer a todos – E isso se agrava quando os descontentes procuram contaminar a opinião pública. Nesse contexto, quando o magistrado fizer uso desses meios de comunicação, deve fazer uso de linguagem clara e objetiva, evitando metalinguagens, ambiguidades ou demais formas de pronunciamentos sujeitos a interpretações distorcidas, pois quanto mais subjacente for a comunicação, maior a possibilidade de conflitos. Em adição, deve sempre ter o viés de ser um instrumento a favor do esclarecimento da população e de sua conscientização e da pacificação social. NUNCA para manipulação da consciência.
· Juiz deve manter uma relação prudente e equitativa com os meios de comunicação, com atitudes que busquem evitar prejuízos a uma das partes – Não há necessidade de esconder-se ou negar-se a receber qualquer agente de comunicação. O tratamento deve ser de cortesia e disponibilidade para dar os esclarecimentos pedidos, tendo o cuidado de não adentrar no mérito da causa.
· Juiz deve lembrar-se de tratar a imprensa com o respeito devido a um órgão encarregado de informar o cidadão sobre os fatos – Isso, pois na democracia não deve haver censura nem obstáculos ao debate sobre os acontecimentos sociais e políticos.
· Juiz deve evitar a autopromoção – Apesar de atuar de maneira colaborativa com outros órgãos, inclusive com os órgãos fiscalizadores da sua atuação, não deve ser autopromover.
O juiz precisa ter consciência de que sua decisão repercutirá no meio social e ele necessita ter noção precisa dessas consequências.
Deve o Juiz guardar para si opiniões de cunho político, fora do ambiente universitário.
O COMPORTAMENTO DAS PARTES E TESTEMUNHAS
Vigarello – Critica os métodos empregados no final do século XIX para a obtenção da verdade, nos crimes sexuais. Havia mais uma preocupação com os efeitos nos costumes do que com os danos pessoais, isso refletia-se inclusive na forma de interrogatório das crianças.
Defende que o assunto deve ser tratado não apenas do ponto de vista do crime e da violência física em si, mas também com enfoque nos aspectos psicológicos da vítima (violência pela dominação e coação).
Essa transição ocorreu por três principais motivos:
· Influenciadas pelo movimento feminista, as mulheres começaram a não aceitar mais o estupro.
· A influência da psicologia, passando a ser considerada nas questões judiciais, por conta dos traumas nas vítimas, do sofrimento interior.
· A visão jurídica dando uma ótica personalizada do atentado. “Ela se refere à definição dos fatos, do limiar da violência e do não consentimento. Esse limiar é claramente mais baixo do que o dos processos antigos”.
A testemunha, atualmente, não terá importância apenas em benefício de uma visão teórica e edificante da verdade. A testemunha, ainda mais quando foi a própria vítima, não pode ser vitimizada novamente pela maneira como é inquirida.
PROCESSO PSICOLÓGICO
Um mesmo acontecimento presenciado por duas pessoas ao mesmo tempo não será por elas relatado da mesma forma – Cada pessoa tem uma personalidade distinta que influencia diretamente na percepção do evento. Esse tema é de grande importânciapara o direito na medida em que o conteúdo produza efeitos abarcados pela ordem jurídica. É o que ocorre com testemunhas ao presenciar um crime, por exemplo
Estágios da memória:
· Aquisição – Refere-se à percepção. Pode sofrer influência do contexto (evento traumático, violência, ameaça) no registro de dados.
· Armazenamento – É a retenção dos fatos percebidos. 
· Evocação – É a reprodução das memorias. Fatores de atenção:
· Comportamento – Nesse momento é importante atenção ao comportamento daquele que expõe suas memorias, uma vez que fatores emocionais e físicos (sono, raiva, tristeza, stress etc.) podem influenciar na expressão da memória que se evoca.
· Perguntas – O formato das perguntas deve ser simples, claro e objetivo. Condensar muitas informações na mesma pergunta pode prejudicar o relato.
· Confiança – A confiança daquele que expõe sua memória, embora inspire sensação de veracidade, não necessariamente significa que o seja.
· Preconceitos – É importante conhecer aquele que expõe sua memória uma vez que sua exposição pode ser contaminada por seus preconceitos.
· Detalhes – Se há uma riqueza de detalhes sobre determinados aspectos pode significar que outros aspectos passaram despercebidos. 
Fatores que influenciam a PERCEPÇÃO – Emoção, condições físicas e atenção. 
· Emoção: as emoções presentes no momento do testemunho devam ser consideradas. Principalmente se havia medo, raiva ou amor. 
· Condições físicas: Fatores como idade, problemas de locomoção, deficiências físicas ou visuais alteram a maneira qualitativa da percepção do acontecimento. Uma pessoa míope, por exemplo, poderia descrever características da cena, como a distância ou altura, de maneira distorcida. Da mesma maneira, estudos indicam que deficientes visuais podem desenvolver audição acurada. Por isso, o depoimento de uma pessoa cega nunca deve ser descartado, já que o evento pode ter sido percebido por outros sentidos, como audição ou tato.
· Atenção: o grau de atenção varia em função dos mais diversos aspectos como fadiga, consumo de álcool ou de drogas.
Fatores que influenciam a MEMÓRIA – Sem dúvida, o fator que mais influencia a memória é o tempo decorrido entre o acontecimento e o depoimento. Quanto maior o tempo passado entre o acontecimento e o testemunho, maior a tendência de ocorrer o fenômeno psíquico denominado preenchimento, ou confabulação, que ocorre quando o indivíduo, ao lembrar um fato e não conseguir obter todos os detalhes, preenche o acontecimento de forma inconsciente. Note que confabulação é diferente de mentir, pois acontece sem que a pessoa perceba.
Fatores que influenciam a EXPRESSÃO – A forma de comunicação é relevante para averiguar se o conteúdo evocado pelo indivíduo é realmente condizente com aquilo que quer verbalizar. A comunicação pode variar conforme alguns fatores: 
· Domínio da linguagem: permite maior exatidão do conteúdo que a pessoa lembra. 
· Regionalismos: particularidades linguísticas de determinada região são importantes para definir o alcance mais próximo da comunicação pretendida. 
· Comunicação pretendida e comunicação proferida: nem sempre o que a testemunha disse corresponde àquilo que queria dizer, porque disse menos, mais ou de forma diferente do que sabia, o que ocorre em situações em que a testemunha tem medo de uma das partes, ou quer beneficiá-la ou prejudicá-la.
TESTEMUNHO INFANTIL
A lembrança de acontecimentos específicos e de rostos de pessoas vistos anteriormente melhora com a idade, mas pré-escolares já os descrevem com considerável exatidão. Elaboram relatos menos detalhados do que os adultos, mas raramente relatam algo que de fato não aconteceu.
Todavia, deve-se tomar cuidado ao conduzir o interrogatório, pois as crianças são mais influenciáveis. A sugestionabilidade deriva da vontade da criança de agradar o adulto.
OBS: Crítica ao termo “Menor” – O termo menor é aplicado não para designar os menores de idade de quaisquer classes sociais, mas apenas para diferenciar um determinado segmento: o pobre.
OBS2: Crítica aos bonecos sexualizados – Deve-se evitar, pois possuem pouca segurança científica e alto grau de sugestionabilidade.

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