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<p>1</p><p>2</p><p>1 SUMÁRIO</p><p>2 INTRODUÇÃO ................................................................................... 3</p><p>3 Psicologia Positiva ............................................................................. 4</p><p>4 Perdão ............................................................................................... 8</p><p>5 Empatia ............................................................................................ 16</p><p>5.1 Empatia e Perdão ...................................................................... 18</p><p>6 Resiliência ........................................................................................ 19</p><p>6.1 Resiliência e Perdão.................................................................. 20</p><p>7 Mágoa .............................................................................................. 22</p><p>7.1 Mágoa e Perdão ........................................................................ 23</p><p>8 Psicoterapia do Perdão .................................................................... 24</p><p>9 Perdão Autêntico ............................................................................. 30</p><p>9.1 O que não é Perdão .................................................................. 32</p><p>10 Poder Terapêutico do Perdão ....................................................... 34</p><p>3</p><p>2 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é</p><p>semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase</p><p>improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao</p><p>professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o</p><p>tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos</p><p>ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não</p><p>hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de</p><p>atendimento que serão respondidas em tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da</p><p>nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à</p><p>execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da</p><p>semana e a hora que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>3 PSICOLOGIA POSITIVA</p><p>O movimento pela Psicologia Positiva teve início em 1998, quando o</p><p>psicólogo Martin Seligman assumiu a presidência da American Psychological</p><p>Association (APA). Nessa condição, ele escreveu artigos mensais que</p><p>focalizavam a necessidade de mudança no foco das contribuições da Psicologia</p><p>Tradicional, ainda muito centrada na compreensão e tratamento de transtornos</p><p>mentais. O modelo disseminado até então era aquele pautado na doença e nos</p><p>aspectos disfuncionais do ser humano, como se fosse uma proposta ideal para</p><p>promover saúde.</p><p>É como se a ciência psicológica tivesse esquecido ou negligenciado a</p><p>sua mais importante missão: a de construir uma visão de ser humano</p><p>com ênfase em aspectos virtuosos. (Seligman, 2004)</p><p>Segundo ele, a ciência psicológica vinha negligenciando o estudo dos</p><p>aspectos virtuosos da natureza humana. A Psicologia Positiva está, pois, em</p><p>pleno processo de expansão dentro da ciência psicológica, a qual possibilita uma</p><p>reavaliação das potencialidades e virtudes humanas por meio do estudo das</p><p>condições e processos que contribuem para a prosperidade.</p><p>Nessa perspectiva positiva, a investigação assenta-se também sobre</p><p>estudos a respeito de características individuais relacionadas a forças e virtudes</p><p>– como sabedoria, espiritualidade, afeto, e perdão – que poderiam promover</p><p>condições para o desenvolvimento pleno, saudável e positivo dos aspectos</p><p>biológicos e sociais dos seres humanos. O campo da Psicologia Positiva tem</p><p>oferecido espaço para a investigação empírica dos aspectos virtuosos a partir de</p><p>métodos científicos rigorosos.</p><p>Essa nova abordagem busca transformar velhas questões em novas</p><p>possibilidades de compreensão de fenômenos psicológicos como</p><p>resiliência, felicidade, e otimismo, tão importantes para a pesquisa</p><p>quanto depressão, ansiedade, angústia e agressividade. Apesar de</p><p>enfrentar resistências no campo científico para estudar estas questões,</p><p>o autor persiste em desenvolver pesquisas utilizando um método</p><p>científico quantitativo, a fim de promover mudança de foco na</p><p>5</p><p>psicologia tradicional, que considera como verdadeiras e válidas</p><p>apenas as emoções negativas. (Seligman, 2004).</p><p>Seligman (2003) identifica três importantes pilares para a investigação</p><p>nessa perspectiva: 1) as características individuais; 2) a experiência subjetiva;</p><p>3) as instituições e comunidades.</p><p>As características individuais têm como objeto de estudo as virtudes e as</p><p>forças pessoais, a capacidade para o afeto, o perdão, a espiritualidade, o talento,</p><p>a sabedoria as habilidades interpessoais. A experiência subjetiva engloba o</p><p>estudo do bem-estar subjetivo dos estados de fluxo, do otimismo, das emoções</p><p>positivas referente ao passado, florescimento e felicidade em relação ao futuro.</p><p>As comunidades e instituições têm se dedicado ao estudo das virtudes cívicas e</p><p>instituições que movem os indivíduos rumo à cidadania. O objetivo aqui é trazer</p><p>mudanças para os indivíduos, tendo como foco o seu direcionamento para</p><p>responsabilidade, tolerância, altruísmo e trabalho ético.</p><p>Pesquisas e o atendimento clínico concentraram-se no “reparo” dos danos</p><p>e prejuízos provocados pelas patologias, de acordo com um modelo de doença</p><p>do funcionamento humano. A Psicologia deveria possibilitar muito mais do que</p><p>apenas reparar o que está errado, devendo identificar e fortalecer o que está</p><p>bom. A partir desse desequilíbrio, Seligman juntamente com Csikszentmihalyi</p><p>iniciam o movimento da Psicologia Positiva.</p><p>O objetivo da Psicologia Positiva é começar a catalisar uma mudança</p><p>no foco da psicologia da preocupação somente com o reparo das</p><p>piores coisas da vida para a construção, também, de qualidades</p><p>positivas. (Seligman e Csikszentmihalyi 2000, p. 5)</p><p>Assinala-se que a Psicologia Positiva pretende contribuir para o</p><p>florescimento e o funcionamento saudável das pessoas, grupos e instituições,</p><p>preocupando-se em fortalecer competências ao invés de corrigir deficiências. Ao</p><p>se dedicar ao estudo dos aspectos saudáveis de seres humanos e comunidades,</p><p>o movimento da Psicologia Positiva tem contribuído para uma visão mais</p><p>equilibrada e completa da vivência humana, e para a compreensão de como e</p><p>https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572017000300505&lng=pt&tlng=pt#B43</p><p>6</p><p>em que condições as emoções, características e instituições positivas promovem</p><p>o florescimento.</p><p>O florescimento significa um estado no qual os indivíduos sentem uma</p><p>emoção positiva pela vida, apresentam um ótimo funcionamento</p><p>emocional e social e não possuem problemas relacionados à saúde</p><p>mental, o que não quer dizer ser um “super-homem ou super-mulher”,</p><p>mas indivíduos considerados em pleno florescimento são aqueles que</p><p>vivem intensamente mais do que meramente existem (Keyes & Haidt,</p><p>2003)</p><p>As emoções positivas enriquecem nossos repertórios físicos, sociais e</p><p>intelectuais diante de uma oportunidade ou ameaça ambiental. Além disso,</p><p>afirma que as emoções positivas favorecem a aproximação e convivência com o</p><p>outro, criam um ambiente favorável e contribuem para o desenvolvimento da</p><p>resiliência psicológica.</p><p>O estudo dos traços positivos, das emoções positivas e das</p><p>instituições positivas. A psicologia positiva busca, então, compreender</p><p>como, porque e sob quais condições as positivas emoções, positivas</p><p>instituições e positivos traços</p><p>de Psicologia e Ciências da</p><p>Educação da Universidade de Coimbra Portugal. 2007.</p><p>PALUDO, Simone dos Santos Sílvia Helena Koller. Psicologia Positiva: uma</p><p>nova abordagem para antigas questões. Paidéia, 2007, 17(36), 9-20.</p><p>PINHO, Vanessa Dordron de; FALCONE, Eliane Mary de Oliveira. Relações</p><p>entre empatia, resiliência e perdão interpessoal. Rev. bras.ter.</p><p>cogn. vol.13 no.2 Rio de Janeiro jul./dez. 2017.</p><p>https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572017000300505&lng=pt&tlng=pt#aff1</p><p>40</p><p>PINHO, Vanessa Dordron de; FALCONE, Eliane Mary de Oliveira; SARDINHA,</p><p>Aline. O papel preditivo da habilidade empática sobre o perdão interpessoal.</p><p>Temas psicol. vol.24 no.4 Ribeirão Preto dez. 2016.</p><p>PINHO, Vanessa Dordron de; FALCONE, Eliane Mary de Oliveira. Estudo</p><p>qualitativo sobre fatores facilitadores e dificultadores do perdão interpessoal.</p><p>2017.</p><p>RIQUE, Júlio; CAMINO, Cleonice; FORMIGA, Nilton; MEDEIROS, Felipe; LUNA,</p><p>Verônica. Consideração Empática e Tomada de Perspectiva para o Perdão</p><p>Interpessoal. Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of</p><p>Psychology - 2010, Vol. 44, Num. 3, pp. 515-522.</p><p>SANTANA, Rodrigo Gomes; LOPES, Renata Ferrarez Fernandes. Aspectos</p><p>conceituais do perdão no campo da Psicologia. Psicol. cienc.</p><p>prof. vol.32 no.3 Brasília 2012.</p><p>SANTANA, Rodrigo Gomes. Estudo das relações entre a atitude de perdoar</p><p>ofensas interpessoais e os esquemas iniciais desadaptativos. Universidade</p><p>Federal de Uberlândia. 2011.</p><p>aparecerem (SELIGMAN, STEEN, PARK</p><p>e PETERSON, 2003).</p><p>A Psicologia Positiva não pretende travar batalhas a fim de descobrir ou</p><p>demonstrar a superioridade de um ou outro modelo explicativo do</p><p>comportamento humano, mas levar a que se reconheça uma nova abordagem</p><p>constituída de rigorosos métodos da ciência para a investigação dos fatores que</p><p>dão significado ao que há de sadio no ser humano.</p><p>A terapia positiva é outra importante contribuição do movimento. Essa</p><p>modalidade de tratamento visa fortalecer os aspectos saudáveis e positivos dos</p><p>indivíduos, (re)construir as virtudes e forças pessoais, e ajudar os clientes a</p><p>encontrarem recursos inexplorados para mudança positiva.</p><p>Contribuição da Psicologia Positiva envolve a possibilidade de abordar as</p><p>questões envolvidas no desenvolvimento das pessoas, reconhecendo que elas</p><p>e as experiências estão inseridas em contextos sociais e culturais. Certamente,</p><p>esse movimento não é o único que distingue a importância do ambiente social</p><p>https://psicologado.com.br/psicologia-geral/introducao/as-emocoes</p><p>7</p><p>para o comportamento humano, no entanto, produz uma mudança na teoria</p><p>psicológica ao conceitualizá-lo como um organismo integrado.</p><p>A Psicologia Positiva pode ser definida como o estudo das emoções,</p><p>instituições e comportamentos que promovem a felicidade humana.</p><p>https://www.hipercultura.com/psicologia-positiva/</p><p>Entre as principais contribuições destacam-se a construção de</p><p>instrumentos de avaliação, modelos de intervenção e aplicação no</p><p>curso desenvolvimental (Seligman, 2002).</p><p>Trata-se de uma proposta teórica que pretende criar métodos preventivos</p><p>através do conhecimento dos fatores protetivos, aprimorar técnicas de avaliação</p><p>psicológica para identificação das virtudes e dos aspectos positivos e ampliar o</p><p>escopo de estudo das Ciências Sociais e Humanas.</p><p>Nesse sentido, o desenvolvimento de estudos no campo da Psicologia</p><p>Positiva continua avançando na direção de seu aprimoramento teórico,</p><p>metodológico e prático, proporcionando, assim, diversas possibilidades de</p><p>intervenções que, em diferentes contextos, ajudam na prevenção do</p><p>adoecimento e na potencialização de aspectos positivos dos indivíduos e dos</p><p>grupos.</p><p>A Psicologia Positiva está, pois, em pleno processo de expansão dentro da</p><p>ciência psicológica, a qual possibilita uma reavaliação das potencialidades e</p><p>https://www.hipercultura.com/psicologia-positiva/</p><p>8</p><p>virtudes humanas por meio do estudo das condições e processos que</p><p>contribuem para a prosperidade.</p><p>Nossa mensagem é lembrar que o campo da psicologia não é somente</p><p>o estudo da patologia, fraqueza e danos; é também o estudo da força</p><p>e virtude. Tratamento não é somente consertar o que está quebrado; é</p><p>alimentar o que é melhor. Psicologia não é somente uma filial da</p><p>medicina preocupada com saúde e doença; é muito mais. É sobre</p><p>trabalho, educação, amor, crescimento; e viver (SELIGAMN e</p><p>CSIKSZENTMIHALYI, 2000, p.7).</p><p>4 PERDÃO</p><p>As pessoas devem perdoar seus ofensores porque foram perdoados por</p><p>Deus. Este é um dogma comum na maioria das religiões, especialmente nas</p><p>tradições monoteístas discutidos a milênios (cristianismo, Islã e judaísmo), que</p><p>espalharam o conceito de perdão por milhares de anos.</p><p>Dessa forma, ao longo dos séculos, o perdão foi uma temática de</p><p>interesse para os teólogos, assim como para os filósofos, escritores e</p><p>poetas, sendo ignorado por teóricos e cientistas sociais durante muito</p><p>tempo (McCullough & Witvliet, 2002).</p><p>Apenas nas últimas duas décadas os pesquisadores se interessaram pelo</p><p>perdão na psicologia tendo um aumento significativo a partir de 1980. Desde</p><p>então, as pessoas tornaram-se cada vez mais interessadas em pesquisas sobre</p><p>esse assunto, o que levou a melhorias na definição de perdão e nos métodos de</p><p>avaliá-lo. Além disso, intervenções foram designadas para promover seu</p><p>desenvolvimento, e houve progresso na atribuição do valor do perdão ao bem-</p><p>estar pessoal e social.</p><p>Especificamente, a psicologia define o perdão como a capacidade de</p><p>superar o ressentimento, vingança e mágoa por meio da compaixão ou da</p><p>bondade.</p><p>9</p><p>O perdão é um recurso psicológico e social que regula as relações</p><p>humanas considerando-se importante abordar o que se encontra subjacente à</p><p>motivação para perdoar e as implicações que esse comportamento pode</p><p>acarretar para os significados de vida.</p><p>A influência da modernidade no campo da psicologia teve como</p><p>resultado uma exclusão de certos constructos no domínio da pesquisa.</p><p>São exemplos dessa indiferença o perdão interpessoal e o bem-estar</p><p>psicológico, conceitos ignorados e negligenciados por diversas razões.</p><p>Antes dos anos oitenta, do século vinte, o tema do perdão foi</p><p>praticamente esquecido senão mesmo ignorado pelas disciplinas de</p><p>cariz terapêutico (Enright, Eastin, Golden, Sarinopoulos e Freedman,</p><p>1992)</p><p>Sendo o perdão considerado tópico central na vida diária, converteu-se</p><p>em objeto de análise sobretudo no domínio da psicologia do desenvolvimento,</p><p>reconhecendo-o como um constructo de potencial valor psicológico na terapia.</p><p>Se assim é considera-se pertinente pesquisar o que está subjacente à (s)</p><p>motivação (ões) para perdoar.</p><p>Perdoar significaria entregar um dom completamente sem exigir nada</p><p>em troca, distanciando-se figurativamente desse donativo. O termo</p><p>perdoar significa dar em plenitude, um super dom (Crosti,2007).</p><p>Nós, humanos, somos seres relacionais. Desde o início da existência</p><p>buscamos contato com o outro para suprir necessidades básicas e vitais. É por</p><p>meio dos relacionamentos que nos desenvolvemos, conhecemos nossos limites</p><p>e nos constituímos enquanto sujeitos.</p><p>Tais relações proporcionam momentos significativos de afeto, amor e</p><p>felicidade, mas também de grandes dores, mágoas e decepções; saber transitar</p><p>por essas duas polaridades é um exercício a ser desenvolvido durante toda a</p><p>vida.</p><p>No convívio com o outro, deparamos constantemente com opiniões,</p><p>atitudes e desejos diferentes dos nossos. Acolher a diversidade e lidar com</p><p>as frustrações são dilemas presentes desde os primórdios e, embora não se</p><p>configurem tarefas das mais fáceis, são constantes em todas as relações.</p><p>10</p><p>Dentro desse contexto, o perdão torna-se essencial para a convivência e o</p><p>desenvolvimento humano.</p><p>Envolve algum ressentimento presente na vítima, embora esta tenha</p><p>cognitivamente assumido o compromisso de trabalhar para perdoar.</p><p>Ocorrendo também o perdão emocional que inclui mudanças na emoção para</p><p>com o ofensor, além da decisão cognitiva e mudança comportamental. Esta</p><p>experiência envolve a superação de afetos negativos como o ressentimento,</p><p>a raiva, o rancor e a mágoa</p><p>No terreno da psicologia, um campo de estudos sobre o perdão tem</p><p>sido o das relações interpessoais. Nesse campo, o perdão é operacionalizado</p><p>como uma atitude motivada pela compaixão e observado em suas</p><p>implicações para o desenvolvimento moral e social.</p><p>Uma atitude moral na qual uma pessoa considera abdicar do direito ao</p><p>ressentimento, julgamentos negativos, e comportamentos negativos</p><p>para com a outra pessoa que a ofendeu injustamente, e, ao mesmo</p><p>tempo, nutrir sentimentos imerecidos de compaixão, misericórdia e,</p><p>possivelmente, amor para com o ofensor (Enright et al.1998, pp.46-47)</p><p>De acordo com essa definição, perdoar é uma decisão voluntária,</p><p>justificada por razões morais relacionadas a raciocínios de justiça. Entretanto,</p><p>perdoar não é um dever ou uma obrigação moral, assim como é a justiça.</p><p>O perdão também é visto como um valor que, se for internalizado, vai</p><p>interferir nos sentimentos morais naturais de raiva ou ressentimento</p><p>(Murphy & Hampton, 1988/1998).</p><p>11</p><p>https://tudo.com.vc/post/o-poder-do-perdao</p><p>Quanto ao perdão, é dar novo sentido às memórias de eventos</p><p>desagradáveis e com isso reduzir seus efeitos. O ato de perdoar não significa</p><p>concordar com a atitude de quem</p><p>ofendeu, esquecer o que passou ou subjugar-</p><p>se pelo outro, como pode representar para alguns. Ao contrário, os efeitos</p><p>positivos do perdão é, antes de tudo, para quem sofreu e não para o ofensor.</p><p>“Pesquisas comprovam que a saúde física de quem perdoa, em geral,</p><p>é melhor, porque o perdão leva a neutralidade, quebrando a</p><p>retroalimentação da emoção negativa.” (Oliveira, 2013, p.4).</p><p>A nova postura da pessoa ofendida inclui mudanças em três dimensões:</p><p>afeto (superação do ressentimento por meio da compaixão), cognição</p><p>(superação da condenação por meio do respeito e/ou generosidade) e</p><p>comportamento (superação da indiferença ou tendência à vingança por meio de</p><p>um senso de boa vontade em relação ao ofensor, ou mesmo de condutas de</p><p>reaproximação).</p><p>Perdão ocorre somente entre pessoas (é, portanto, um processo</p><p>interpessoal), e não entre pessoas e forças da natureza. O modo como</p><p>compreendemos o perdão tem implicações importantes na maneira como o</p><p>estudamos.</p><p>https://tudo.com.vc/post/o-poder-do-perdao</p><p>12</p><p>Quanto ao processo psicológico do perdão, tomando-se a perspectiva</p><p>da vítima com relação ao ofensor, o perdão corresponde a uma</p><p>diminuição dos julgamentos negativos (ex., ela é uma pessoa má), dos</p><p>sentimentos negativos (ex., raiva) e dos comportamentos negativos</p><p>(ex., indiferença, agressões verbais) com relação ao outro que</p><p>ofendeu. Ao mesmo tempo, corresponde a um aumento dos</p><p>sentimentos positivos (ex., carinho, boa vontade), dos julgamentos</p><p>positivos (ex., ela é uma boa pessoa) e dos comportamentos positivos</p><p>(ex., ajudar quando ela estiver com problemas). Esses processos são</p><p>complementares e indissociáveis. A redução dos elementos negativos</p><p>sem o aumento dos elementos positivos não significa o perdão</p><p>genuíno, mas, provavelmente, uma etapa do processo (Enright & The</p><p>Human Development Study Group, 1991).</p><p>Apesar de lidar com a raiva ser uma das tarefas envolvidas no processo</p><p>de perdoar, ter como principal objetivo a eliminação da raiva e do ressentimento</p><p>pode distorcer o processo de perdão, já que é possível fazer cessar a raiva ou o</p><p>ressentimento também por meio da vingança, por exemplo.</p><p>As definições proporcionam uma estrutura para explicar porque e como</p><p>um fenômeno acontece, e, no caso do perdão interpessoal, guiam</p><p>intervenções e embasam o desenvolvimento de protocolos para ajudar</p><p>pessoas a perdoar, bem como auxiliam os terapeutas no</p><p>desenvolvimento de métodos direcionados para a mudança de</p><p>atitudes. Entretanto, uma das grandes questões que caracterizam esse</p><p>novo campo de estudos do perdão está relacionada justamente à</p><p>questão da definição precisa desse construto (Worthington, 2005).</p><p>Dada sua característica interpessoal, o perdão tem como objetivo final a</p><p>disposição em ver o ofensor com certa compaixão e, a partir daí, conseguir</p><p>oferecer a ele o perdão. Consiste, essencialmente, em que aquele que perdoa</p><p>tenha sentimentos e pensamentos positivos em relação ao ofensor. Nesse</p><p>sentido, as pessoas podem iniciar o processo de perdão por quererem sentir-se</p><p>melhor, mas, quando decidem ofertar o perdão ao ofensor, a pessoa que perdoa</p><p>deixa de estar concentrada em si mesma e passa a concentrar-se no outro,</p><p>dando início ao processo de cura da mágoa.</p><p>A essência do perdão residiria em mudanças pró-sociais na motivação</p><p>(evitação e/ou conciliação) de alguém em relação ao transgressor,</p><p>mudanças essas que podem resultar em outras modificações</p><p>cognitivas e comportamentais que Enright e colegas conceitualiza</p><p>como parte do perdão interpessoal (McCullough et al., 2001, p. 8).</p><p>13</p><p>O perdão interpessoal é multidimensional. Envolve pelo menos dois dos</p><p>três aspectos a seguir: expressar perdão ou concessão; buscar o perdão e</p><p>aceitar o perdão. O perdão permite que os relacionamentos interpessoais fluam.</p><p>Todos possuem a capacidade de perdoar, mas o grau de perdão depende</p><p>de variáveis situacionais, como, por exemplo, a intensidade da mágoa, o tempo</p><p>desde que a mágoa ocorreu e a qualidade da relação entre a vítima e o ofensor.</p><p>Assim, o perdão decisional relaciona-se com processos reconciliatórios</p><p>e melhorias nas relações, e relaciona-se inversamente com a saúde.</p><p>As pessoas podem decidir perdoar e não experienciar o perdão</p><p>emocional. Contudo, por vezes, o perdão decisional pode elicitar o</p><p>perdão emocional (Worthington, 2005, 2006; Worthington, Witvliet &</p><p>Miller, 2007; Worthington, Ripley, Davis & Wood, 2009).</p><p>Alguns autores concebem a dimensão intrapessoal do perdão como um</p><p>processo decisional ou emocional, fazendo distinção entre ambos. O perdão</p><p>emocional representa a substituição de emoções negativas, inerentes à</p><p>ausência de perdão, por emoções positivas associadas à empatia, harmonia,</p><p>compaixão e amor romântico ou altruístico. Trata-se de uma experiência</p><p>emocional que ocorre gradualmente, sendo as emoções progressivamente</p><p>substituídas e influenciadas pelo fluir e refluir de eventuais interações com o</p><p>ofensor. Envolve mudanças psicofisiológicas, tem consequências mais</p><p>diretamente relacionadas com a saúde e o bem-estar devido à sua forte ligação</p><p>com a superação de afetos negativos e reações de stress, através da promoção</p><p>de afetos positivos.</p><p>Embora ainda não exista na literatura psicológica um consenso entre</p><p>os teóricos sobre a definição do perdão (Brown, 2003), a maioria</p><p>concorda que este envolve a superação de respostas afetivas,</p><p>cognitivas, comportamentais e motivacionais negativas e o</p><p>desenvolvimento de outras mais positivas (Worthington, 2005).</p><p>Em psicologia, podem ser dadas muitas definições do perdão, onde</p><p>consta sempre alguns elementos essenciais: o reconhecimento de que a ofensa</p><p>foi injusta, direito de estar ferido, desistência de algo a que se tinha direito</p><p>(cólera, ressentimento), em favor do perdão.</p><p>14</p><p>De uma perspectiva intrapessoal, o perdão se concentra na saúde física</p><p>e no aspecto psicológico do ofendido. Posteriormente, no aspecto psicológico do</p><p>agressor. Apropriado de dentro para fora, representando a transição para uma</p><p>dimensão de perdão interpessoal.</p><p>A dimensão intrapessoal do perdão está relacionada com o modo como</p><p>as pessoas perdoam. É um processo que se reporta a respostas</p><p>internas a uma ofensa, integrando abordagens e explicações sobre</p><p>causas e consequências do acto de perdoar e onde são patentes</p><p>aspectos emocionais e cognitivos através dos quais o processo de</p><p>perdão se desenrola (Rusbult, Hannon, Stocker e Finkel, 2005 cit. in</p><p>Ferreira,2009 ).</p><p>Nos estudos podem ser identificados ao menos três pontos de</p><p>discordância: se é um fenômeno intrapessoal ou interpessoal.</p><p>Em relação ao primeiro ponto, há teóricos e pesquisadores que têm</p><p>definido o perdão como um processo intrapessoal, como algo que</p><p>ocorre internamente no indivíduo, e que traria mudanças nas</p><p>cognições, nos comportamentos, nas emoções e/ou nas motivações</p><p>da pessoa ofendida, que podem desdobrar-se mesmo se ela não está</p><p>mais engajada em um relacionamento com o ofensor, mesmo quando</p><p>o ofensor não está mais vivo. Pesquisas a partir dessa perspectiva têm</p><p>se centrado mais na pessoa ofendida, focando os preditores do perdão,</p><p>os processos através dos quais as pessoas afrontadas perdoam e as</p><p>consequências do perdão para as mesmas (McCullough et al., 2001).</p><p>Para outros autores, ter em mente como as pessoas se comportam em</p><p>relação às outras depois de incidentes e transgressões e quais as fontes e</p><p>consequências de suas escolhas, é crítico para o entendimento do perdão no</p><p>contexto de relacionamentos em curso. É o relacionamento, em vez da própria</p><p>pessoa ofendida, a unidade apropriada de análise dos estudos de perdão.</p><p>Se está mais relacionado a abrir mão de sentimentos, comportamentos e</p><p>pensamentos negativos ou se inclui também o acréscimo de elementos positivos</p><p>ou a substituição daqueles por estes.</p><p>Em relação ao segundo ponto de divergências entre os estudiosos,</p><p>como se verá adiante, alguns definem perdão como um processo</p><p>que</p><p>basicamente produz uma diminuição na frequência de pensamentos e</p><p>15</p><p>ações negativas em relação ao ofensor (Gordon, Baucom, & Snyder,</p><p>2001; Temoshok & Chandra, 2001; Thorensen, Harris, & Luskin, 2001).</p><p>https://equilybra.com.br/equilybra/magoa-e-perdao/</p><p>Para além destes três pontos de controvérsias, perdão pode ser</p><p>definido, ainda de acordo com as suas propriedades, como sendo: (1)</p><p>uma resposta a transgressões, (2) disposição da personalidade e (3)</p><p>características de unidades sociais. Tendo em vista a primeira</p><p>perspectiva, o perdão é entendido como uma mudança pró-social no</p><p>pensamento da vítima, emoções e/ou comportamentos para com o</p><p>transgressor. Quanto às transgressões, consideram-se eventos</p><p>percebidos como uma violação às expectativas e suposições que as</p><p>pessoas demonstram de como elas, os outros, e o mundo têm a</p><p>obrigação moral de serem (Barbosa, 2015).</p><p>Ao perdão bastaria a liberação de ações, sentimentos e comportamentos</p><p>negativos ou orientados para a vingança. Para eles perdoar não requer</p><p>necessariamente substituir elementos negativos por outros positivos. Em outras</p><p>palavras, ao perdão bastaria a liberação de ações, sentimentos, e</p><p>comportamentos negativos, ou orientados para vingança e retaliação.</p><p>E em que extensão o perdão é um evento extraordinário – um processo</p><p>que envolve transformações fundamentais na vida – ou se se trata de algo</p><p>bastante comum na experiência cotidiana das pessoas. As ofensas variam em</p><p>magnitude, de modo que os desapontamentos e transgressões, que têm lugar</p><p>https://equilybra.com.br/equilybra/magoa-e-perdao/</p><p>16</p><p>entre pessoas conhecidas e próximas durante a convivência cotidiana são</p><p>certamente mais frequentes e podem eliciar formas de perdão mais corriqueiras</p><p>e menos profundas.</p><p>Em se tratando de definições conceituais propostas pelos estudiosos</p><p>do tema, é importante mencionar que não existe ainda uma definição</p><p>consensual sobre o que é perdão (Worthington, 1998, 2004; Enright &</p><p>North, 1998; McCullough et al., 2001)</p><p>Flexibilizar as regras que estabelecemos para nós e para os outros, alivia</p><p>o estresse e a tensão, ao mesmo tempo em que renova as esperanças e</p><p>aumenta a resiliência. Perdoar a si mesmo não significa esquecer o erro nem</p><p>persistir nele, mas começar de novo, dar-se uma nova chance subtraindo</p><p>aprendizado da experiência sem rancores.</p><p>Sendo benéfico ao ser humano, é importante conhecer fatores que</p><p>aumentem suas chances de ocorrência; assim, recursos mais efetivos poderão</p><p>ser oferecidos àqueles que desejam alívio para mágoas interpessoais. Nesse</p><p>sentido, se encontra duas variáveis identificada como facilitadoras do perdão: a</p><p>empatia e a resiliência.</p><p>No entanto, é possível alcançar o consenso sobre o que é o perdão se</p><p>se aceitar que o mesmo não tem uma, mas várias definições. Tal não</p><p>se deve ao fato de os autores não chegarem a acordo, mas sim porque</p><p>existem diferentes tipos de perdão (Worthington, 2005).</p><p>5 EMPATIA</p><p>A empatia é um fenômeno multidimensional, essencial para a vida em</p><p>sociedade, e diz respeito à compreensão e preocupação com o bem-estar dos</p><p>outros. Os psicólogos sustentavam que a empatia era uma capacidade através</p><p>da qual as pessoas compreendiam umas às outras, sentiam e percebiam o que</p><p>acontece com os outros, como se elas mesmas estivessem vivenciando as</p><p>experiências alheias.</p><p>A definem como "a capacidade de compreender, de forma acurada,</p><p>bem como de compartilhar ou considerar sentimentos, necessidades e</p><p>17</p><p>perspectivas de alguém, expressando este entendimento de tal</p><p>maneira que a outra pessoa se sinta compreendida e validada"</p><p>(Falcone et al. (2008) p. 323).</p><p>Tendo em vista as características multidimensionais da empatia, resta</p><p>saber se, no contexto interpessoal de conflito marcado por ofensa e mágoa, a</p><p>empatia facilita uma maior disposição para o perdão. A correlação entre os</p><p>sentimentos gerados durante o início da empatia e o nível de desenvolvimento</p><p>cognitivo social mudará a forma como um indivíduo perceberá a empatia</p><p>subjetivamente.</p><p>Significa ter perspicácia intelectual e tato, que pode ser visto através dos</p><p>olhos de alguém. É mais do que apenas entender o significado da vida e</p><p>emoções dos outros. O componente emocional da empatia pode ser</p><p>denominado sensibilidade emocional, que envolve a capacidade de ser sensível</p><p>à dor dos outros e genuinamente interessado em seu bem-estar.</p><p>Refere-se à habilidade de perceber com precisão as opiniões e</p><p>sentimentos dos outros. Esses dois componentes devem existir ao mesmo</p><p>tempo para representar a empatia, caso contrário, o que se observa tomada de</p><p>perspectiva fria ou angústia diante do sofrimento do outro.</p><p>https://www.aprimoresuamente.com/o-que-e-empatia/</p><p>https://www.aprimoresuamente.com/o-que-e-empatia/</p><p>18</p><p>5.1 Empatia e Perdão</p><p>Os resultados de muitos estudos empíricos mostram que a empatia é o</p><p>centro do processo de perdão e é a variável intermediária entre acontecimentos</p><p>antecedentes e o perdão interpessoal.</p><p>Nesse processo a vítima começa a refletir sobre seu próprio</p><p>comportamento antes e durante a situação de injustiça, sobre a relação com o</p><p>ofensor antes e no presente e sobre características comuns ou de identidade</p><p>entre os dois, ou seja, vítima e ofensor. A empatia oferece à vítima compreender</p><p>o estado interno afetivo e cognitivo do ofensor, tornando os seus</p><p>comportamentos no contexto da ofensa mais inteligíveis, e de ressignificar a</p><p>experiência. A capacidade de compreender o estado interno do outro, é</p><p>conhecida como Tomada de Perspectiva (TP).</p><p>Ao propor que a empatia pode ocorrer de forma automática (com o</p><p>afeto sendo ativado primariamente) ou de forma mais controlada, com</p><p>o afeto empático decorrendo do esforço para compreender o outro. O</p><p>processo controlado dessa experiência parece ser o que possibilita o</p><p>perdão em situações de conflito, quando a mágoa e a raiva estão mais</p><p>intensas, dificultando a compaixão. Através da tomada de perspectiva</p><p>é possível que a vítima desenvolva afetos mais positivos pelo ofensor</p><p>(Pinho & Falcone, 2012; Rique & Camino, 2010).</p><p>Como a empatia é moralmente neutra, as vítimas tendem a exagerar na</p><p>valorização ou na depreciação do ofensor. A energia afetiva investida pela vítima</p><p>torna-se uma consideração empática quando começa a se deslocar para si</p><p>própria e, em seguida, em direção ao outro.</p><p>Quando a raiva e outras emoções negativas prevalecem, a TP é a</p><p>principal dimensão da empatia para eliminar o dano. Por meio da TP, as vítimas</p><p>podem fazer esforços cognitivos para entender o agressor, o que pode despertar</p><p>empatia e facilitar o perdão cognitivo e emocional. A consideração empática</p><p>motiva o processo do perdão por meio de uma diminuição da raiva ou do</p><p>ressentimento causado pela mágoa.</p><p>A empatia pelo ofensor leva a um aumento crescente de afecto pelo</p><p>mesmo, que vai para além da transgressão cometida. Assim, a empatia</p><p>19</p><p>promove a motivação para se agir de forma construtiva na relação com</p><p>o ofensor, em vez de se agir de forma destrutiva (McCullough, Rachal</p><p>& Worthington, 1997, McCullough et al., 1998)</p><p>A empatia parece ser um dos recursos que facilita a superação dessas</p><p>respostas negativas, por meio da ampliação do entendimento sobre o ofensor</p><p>(sua história, suas limitações, seu ponto de vista, o contexto a partir do qual agiu,</p><p>suas motivações, entre outros) e do desenvolvimento de uma possível</p><p>compaixão pelo mesmo.</p><p>Durante o processo empático, mesmo reconhecendo que o outro agiu de</p><p>forma injusta, a vítima vai procurar entender a si própria (e a outras vítimas de</p><p>injustiças semelhantes), o que pode resultar em uma redução da raiva. Em</p><p>seguida, para que ocorra o perdão, é necessário que a vítima tome a perspectiva</p><p>do ofensor e conheça as motivações que o levaram a cometer a injustiça dentro</p><p>do seu contexto de vida. Partindo do pressuposto de que depois da ofensa, a</p><p>percepção</p><p>da vítima sobre o ofensor é principalmente negativa, por isso é</p><p>necessário despender muito esforço cognitivo para compreendê-lo e reconstruir</p><p>a experiência. Portanto, adoção da perspectiva do ofensor seria anterior à</p><p>vivência da compaixão em experiências de perdão.</p><p>6 RESILIÊNCIA</p><p>Chama-se atenção para o estudo do conceito de resiliência enquanto</p><p>capacidade profunda para a superação de crises em situações adversas,</p><p>estando presente em indivíduos, comunidades e instituições.</p><p>A pesquisa em resiliência indaga porque algumas pessoas, criadas em</p><p>circunstancias adversas, parecem viver de forma saudável e produtiva,</p><p>enquanto outras parecem nunca superar as situações estressantes</p><p>experimentadas ao longo da vida. São pessoas que lidam no seu</p><p>cotidiano com adversidades, mas que contam com os recursos de seu</p><p>ambiente e suas próprias potencialidades para seguir suas trajetórias</p><p>de vida. (Polleto e Koller, 2006)</p><p>20</p><p>O construto pode ser entendido como o envolvimento proativo e</p><p>responsável do indivíduo para a superação dos problemas, em vez de uma</p><p>espera passiva pela resolução.</p><p>Na concepção das ciências humanas e sociais, onde se inclui a</p><p>psicologia, a resiliência refere-se à capacidade dos indivíduos de lidar</p><p>com as adversidades de forma positiva, sem sucumbir-se a elas.</p><p>(Machado, 2010)</p><p>A pessoa resiliente, demonstra possuir uma estrutura de personalidade</p><p>precoce e adequadamente diferenciada, aberta a novas experiências, novos</p><p>valores e fatores de transformações dessa mesma estrutura, que apesar de ser</p><p>bem estabelecida, é dotada de flexibilidade e não apresenta resistência a</p><p>mudanças. Neste conceito ela destaca a flexibilidade e abertura como aspectos</p><p>estruturais do sujeito resiliente. Percebe-se que a resiliência não é apenas um</p><p>atributo fixo ou um traço de personalidade, mas sim algo que se constrói como</p><p>entre o indivíduo e a sociedade. Não é somente individual, nem somente social,</p><p>mas a articulação de recursos internos (intrapsíquicos) e externos (ambiente</p><p>social e afetivo).</p><p>Da mesma forma que ocorre com um trauma físico, a pessoa resiliente</p><p>conserva lembranças e sentimentos das possíveis marcas deixadas</p><p>pela situação, mas de uma forma diferenciada, encontra recursos para</p><p>enfrentar a adversidade e sair fortalecido dela, ou seja, busca uma</p><p>força renovadora que a permite prosseguir de uma forma positiva.</p><p>(Machado, 2010).</p><p>É possível estar mais ou menos resiliente, portanto, as características</p><p>desejáveis do sujeito resiliente não representam um estado natural ou definitivo,</p><p>mas um construto de vida que é relativo às circunstâncias do momento e às</p><p>variáveis do indivíduo.</p><p>6.1 Resiliência e Perdão</p><p>Um dos principais aportes teóricos que oferece espaço para o estudo</p><p>dessas habilidades refere-se à resiliência. A análise da resiliência favorece a</p><p>21</p><p>compreensão das forças humanas, ou seja, quando ela se expressa, as virtudes</p><p>e as forças pessoais tornam-se conhecidas e, essa possibilidade produz efeitos</p><p>importantes na vida dos indivíduos, uma vez que favorece suas potencialidades,</p><p>tornando-os mais fortes e produtivos. A ideia de que a experiência cognitiva da</p><p>empatia pode anteceder a experiência afetiva em casos de mágoas e conflitos</p><p>interpessoais.</p><p>Esta capacidade de “superação” deve ser relativizada de acordo com</p><p>o indivíduo e o contexto em que ele está inserido, e estaria atrelada a</p><p>possibilidade de construção de novos caminhos de vida e de um</p><p>processo de subjetivação a partir do enfrentamento de situações</p><p>estressantes, o que representa não uma eliminação, mas uma</p><p>ressignificação do problema. Neste conceito destaca-se o aspecto</p><p>relativo da resiliência, de acordo com o sujeito e a situação do</p><p>momento. (Junqueira e Deslandes, 2003)</p><p>A análise da resiliência favorece a compreensão das forças humanas, ou</p><p>seja, quando ela se expressa, as virtudes e as forças pessoais tornam-se</p><p>conhecidas e, essa possibilidade produz efeitos importantes na vida dos</p><p>indivíduos, uma vez que favorece suas potencialidades, tornando-os mais fortes</p><p>e produtivos.</p><p>O indivíduo que consegue acionar seus recursos resilientes é mais</p><p>provável de perdoar, ou de encontrar no perdão uma estratégia de</p><p>enfrentamento das adversidades interpessoais. Desse modo, esperou-se que a</p><p>resiliência tivesse valor preditivo positivo sobre o perdão.</p><p>Se o sujeito desperdiça seu tempo presente ocupando-se com</p><p>adversidades passadas, dificilmente terá boas perspectivas para o futuro</p><p>próximo. Assim, a resiliência emerge como um recurso de prevenção para</p><p>possíveis transtornos mentais como ansiedade e depressão, já que prepara o</p><p>indivíduo para lidar com as adversidades sem sucumbir-se a elas.</p><p>Para perdoar, a vítima precisa ser resiliente, ter boa capacidade de</p><p>tomada de perspectiva, ser capaz de compaixão e encontrar mecanismos de</p><p>redução da mágoa.</p><p>22</p><p>A própria capacidade resiliente de se envolver ativamente na resolução</p><p>do problema interpessoal poderia mobilizar a vítima a fazer o esforço cognitivo</p><p>para compreender o ofensor, suspendendo seus próprios julgamentos e</p><p>perspectiva, o que por sua vez, ativaria a compaixão e reduziria a mágoa.</p><p>https://claudia.abril.com.br/sua-vida/perdoar-melhorar-vida/</p><p>7 MÁGOA</p><p>Dada uma situação de injustiça e mágoa, parece razoável esperar que a</p><p>resposta daquele que sofre uma afronta seja a vingança ou revide. No entanto,</p><p>é possível observar exemplos nos quais mesmo em condições muito</p><p>perturbadoras, alguns respondem perdoando.</p><p>A mágoa é uma das emoções negativas decorrentes de uma ofensa</p><p>interpessoal (Enright & Rique, 2007).</p><p>Pondera-se que a saída para elaborar mágoas e ressentimentos</p><p>guardados em relação a outras pessoas estejam na conscientização de si</p><p>mesmo, no enfrentamento da própria sombra, pois, livre das projeções, toma-</p><p>https://claudia.abril.com.br/sua-vida/perdoar-melhorar-vida/</p><p>23</p><p>se a própria parcela de responsabilidade dentro das situações e não mais se</p><p>atribui ao outro toda a carga de responsabilidade por nos magoar.</p><p>Muito do que as pessoas experimentam como injustiça e mágoa é parte</p><p>da rotina dos relacionamentos em família, na escola e no trabalho,</p><p>ocasionado, muitas vezes, por aqueles que são mais próximos (Rique,</p><p>n.d; Rique, Camino, Enright & Queiroz, 2007).</p><p>7.1 Mágoa e Perdão</p><p>Esta variável teria um valor negativo significativo sobre as dimensões do</p><p>perdão. Enright e Rique (2007) incluem esse item sobre a intensidade da mágoa</p><p>em seu instrumento de avaliação do perdão por entenderem que a percepção da</p><p>gravidade da ofensa pode afetar o grau de mágoa mais do que a gravidade em</p><p>si. Assim, mesmo ofensas leves poderiam ser percebidas como graves por</p><p>alguns indivíduos e a experiência da mágoa ser mais intensa.</p><p>Além disso, também considera a correlação negativa com a intensidade</p><p>da ofensa. Considerando que no modelo de desenvolvimento normal, é mais</p><p>difícil perdoar completa e espontaneamente após uma lesão maior. Isso é</p><p>diretamente proporcional à qualidade da relação mantida, e em maior grau com</p><p>amigos.</p><p>Para perdoar é preciso, primeiramente, que uma pessoa reconheça que</p><p>foi magoada por outra pessoa. A mágoa é uma função da percepção do evento</p><p>que gerou o sentimento de injustiça. Assim, essa mágoa vai variar de intensidade</p><p>mesmo entre pessoas que vivenciaram injustiças semelhantes. Quanto maior a</p><p>percepção de uma mágoa, mais a pessoa é levada a focalizar sua atenção na</p><p>raiva, no ressentimento e na indignação. Portanto, é esperado que a percepção</p><p>da mágoa seja negativamente correlacionada com o grau do perdão.</p><p>Isso indica que o perdão ao nível emocional é o mais difícil de ser</p><p>alcançado e que, por isso, é o que exige mais recursos para ocorrer.</p><p>Ainda, uma vez que a mágoa também é uma emoção e sua presença</p><p>indica falta de perdão (Enright & Rique, 2007)</p><p>24</p><p>O grau do perdão é influenciado pela intensidade da mágoa sofrida e</p><p>pela</p><p>proximidade entre as vítimas e os ofensores. É possível também que a</p><p>disposição empática e a resiliência atuem como redutores da mágoa com o</p><p>passar do tempo, sendo então importante avaliar o grau de mágoa antes, durante</p><p>e após o processo de perdoar.</p><p>As possibilidades de compreensão do perdão não são as únicas, mesmo</p><p>poque as situações de mágoa englobam muitas variáveis que diferem tanto em</p><p>relação aos tipos aversivos, quanto em relação à história de aprendizagem as</p><p>pessoas envolvidas na situação de ofensa.</p><p>8 PSICOTERAPIA DO PERDÃO</p><p>Muitas vezes as pessoas procuram tratamentos para aliviar a dor, e sintomas</p><p>causados por ofensas e transgressões. Uma grande porcentagem de clientes</p><p>que procuram psicoterapia, expressa os ferimentos e ofensas que sofreram, e</p><p>anda não perdoaram e tem como base seus problemas mentais. A intervenção</p><p>para promover o perdão é uma das possibilidades de resolver esses problemas.</p><p>Processar estes acontecimentos num ambiente validante, apoiante e</p><p>seguro é um aspecto importante do processo de cura (Day, Howells,</p><p>Mohr, Schall & Gerace, 2008; Wade, Bailey & Shaffer, 2005).</p><p>O conceito de atitudes na psicologia é eficaz porque prova o vínculo interno</p><p>entre as emoções, cognição e comportamento relacionado a objetos sociais.</p><p>Além disso, essas atitudes são valorizadas pela ideologia geral, e aceita pela</p><p>multidão tendo ainda como característica básica valores dinâmicos</p><p>estabelecidos ou modificados ao longo da história.</p><p>Na Psicologia do perdão, é trabalhada a ideia de não haver obrigação de</p><p>compreender os pensamentos de quem nos machucou. O ato de perdoar não</p><p>significa necessariamente ser clemente ou achar justificativas ao que</p><p>passamos.</p><p>25</p><p>Muitos psicólogos clínicos começaram a utilizar tratamentos com o</p><p>perdão no setting terapêutico, pesquisadores começaram a explorar os</p><p>princípios psicossociais que subjazem o perdão, investigações sobre o</p><p>tema começaram a crescer em revistas científicas e, por volta do ano</p><p>2000, aproximadamente trinta laboratórios de pesquisa estavam</p><p>recebendo financiamento para conduzir pesquisas sobre o fenômeno</p><p>(McCullough, Pargament& Thoresen, 2000).</p><p>Os benefícios não são resultados de uma forma ou modelo particular de</p><p>psicoterapia ou da eliminação de sintomas, mas, argumentou que uma boa</p><p>terapia aumenta as forças pessoais já existentes nos clientes, ou seja, modificar</p><p>somente o que está ruim ou errado é apenas uma parte do trabalho da</p><p>psicoterapia, sendo preciso também reconstruir e fortalecer o que está bom.</p><p>Em suma, durante o processo de perdão ocorrem alterações e</p><p>transformações qualitativas em várias áreas intra e interpessoais: (1) o</p><p>perdoador altera as suas respostas prévias para com o ofensor, (2) o</p><p>estado emocional do perdoador pode alterar-se para melhor, e (3) as</p><p>relações podem melhorar. Logo, o perdão é uma variável relativa ao</p><p>crescimento, que altera perspectivas, sentimentos, atitudes e</p><p>interações, implicando um movimento para uma nova direção a todos</p><p>estes níveis (Enright & Fitzgibbons, 2000).</p><p>É provável que o psicólogo esteja mais bem instrumentalizado para</p><p>auxiliar seus pacientes, apontando a eles outros caminhos para lidar com seus</p><p>problemas. Buscam maximizar as possibilidades de mudança do indivíduo que</p><p>está lidando com uma situação de mágoa, por meio da abertura de meios ou</p><p>canais diversificados. Em outras palavras, embora as definições sejam plurais,</p><p>o objetivo último das investigações que envolvem o perdão é descobrir maneiras</p><p>de promover atitudes positivas que possam sustentar a decisão de perdoar.</p><p>Transformação cognitivo-afetiva a partir de uma transgressão na qual</p><p>a vítima faz uma avaliação realista do prejuízo causado e reconhece a</p><p>responsabilidade do autor, mas escolhe livremente “cancelar a dívida”,</p><p>abrindo mão da necessidade de vingança ou punições merecidas e de</p><p>qualquer busca de compensação. Esse “cancelamento da dívida”</p><p>também envolve um “cancelamento das emoções negativas”</p><p>diretamente relacionadas à transgressão. Especificamente, ao</p><p>perdoar, a vítima supera seus sentimentos de ressentimento e raiva</p><p>em função da atitude. Resumindo, por meio do perdão, o indivíduo</p><p>prejudicado essencialmente se retira do papel de vítima. Tal modelo</p><p>sugere, então, que abrir mão das emoções negativas é o núcleo do</p><p>processo de perdão (Snyder & Lopez, 2007, p. 254)</p><p>26</p><p>Nesse sentido, as investigações oferecem técnicas e treinam os</p><p>profissionais e os clientes para construírem e solidificarem as forças e as virtudes</p><p>pessoais sistematicamente, numa proposta que pretende modificar o papel de</p><p>passividade do terapeuta e do cliente, existente no modelo tradicional da doença,</p><p>e torná-los ativos no processo terapêutico.</p><p>Estes benefícios relacionam-se com um aumento da capacidade de</p><p>perdoar, e generalizam-se a reduções na depressão, ansiedade,</p><p>problemas interpessoais, aumento da saúde mental e emocional, da</p><p>esperança, do funcionamento social e da auto-estima (Wade, Johnson</p><p>& Meyer, 2008; Baskin & Enright, 2004).</p><p>A importância de conduzir o processo terapêutico para que o ofensor</p><p>possa ser compreendido de forma a possibilitar uma exata proporção de justiça</p><p>e compaixão. Sem reflexões críticas intrapsíquicas que levem a vítima a</p><p>entender o ofensor e seu ato em uma medida mais equilibrada, fica difícil</p><p>defender a compaixão sem prejuízo do pensamento moral de justiça.</p><p>Um elemento chave na terapia do perdão é a compreensão,</p><p>confrontação, redução ou eliminação da raiva e do ressentimento. O</p><p>objetivo do processo de perdão é ajudar o indivíduo a gerir ou libertar-</p><p>se da raiva, quando esta permanece por muito tempo após a</p><p>transgressão, generalizando-se e destruindo outros relacionamentos e</p><p>originando problemas de saúde física e mental (Enright, 2008; Enright</p><p>& Fitzgibbons, 2000)</p><p>Conjecturou-se que a tomada de perspectiva (TP) seria o principal</p><p>componente empático a ter valor preditivo sobre o perdão interpessoal, de que</p><p>existem duas vias da empatia, uma automática e outra controlada, e que destaca</p><p>o papel da TP em ambas as vias. Na via automática, o elemento afetivo seria</p><p>desencadeado primeiramente e a TP cumpriria o papel de modulação da</p><p>experiência empática emocional. Na via controlada, através de um esforço</p><p>consciente para adotar a perspectiva do outro, a TP levaria à experiência afetiva</p><p>de compaixão em relação ao interlocutor. A ocorrência do perdão seria</p><p>contemplada na segunda via. Através do esforço da mente para compreender o</p><p>ofensor, a compaixão e o perdão seriam respostas subsequentes. Com relação</p><p>27</p><p>aos outros fatores da medida de empatia empregada, não foram conjecturadas</p><p>hipóteses prévias acerca do valor preditivo sobre o perdão interpessoal.</p><p>A terapia do perdão é um processo no qual os clientes escolhem tentar</p><p>perdoar livremente a uma ou mais pessoas face a um tratamento</p><p>injusto (Enright, 2011).</p><p>Através do perdão, as pessoas podem desenvolver recursos para o bem-</p><p>estar psicológico, que de outra forma permaneceriam latentes.</p><p>A um nível individual, relaciona-se com características pessoais positivas,</p><p>forças pessoais e virtudes humanas, como por exemplo, a capacidade de</p><p>perdoar. Estes fatores funcionam como defesa e proteção contra as</p><p>perturbações mentais, ajudando os clientes a aprender formas mais construtivas</p><p>de pensar. Logo, a intervenção não consiste apenas em corrigir o que está</p><p>errado, mas em promover e desenvolver igualmente o que está certo.</p><p>Implementar estas forças, e ensinar os indivíduos como e quando as usar, em</p><p>vez de reparar apenas os danos, permite ampliar os recursos das pessoas em</p><p>vez de se limitar a reparar as suas fragilidades, tornando acessível e efetivo o</p><p>potencial humano. A promoção de forças pessoais em terapia, como o perdão,</p><p>justifica-se para atingir objetivos terapêuticos associados ao tratamento da</p><p>depressão, ansiedade, abuso de substâncias, e dificuldades relacionais.</p><p>Nesta</p><p>perspectiva, a Psicologia Positiva pode ser considerada um</p><p>complemento e uma alternativa às abordagens tradicionais, centradas na</p><p>psicopatologia, incapacidades e disfuncionalidade, na medida em que se centra</p><p>nos aspectos funcionais, na saúde e nos recursos pessoais. Portanto, sua</p><p>finalidade não é encerrar ou substituir o estudo da patologia e neurose humanas,</p><p>mas complementar e fornecer uma visão humana mais completa, abrangendo</p><p>desde a virtude à franqueza. O objetivo é secundarizar o negativo relativamente</p><p>ao positivo, tornando-o menos proeminente.</p><p>Ao aumentar as características positivas e fomentar o seu crescimento</p><p>e manutenção, como a capacidade de perdoar, os terapeutas podem</p><p>reduzir mais eficazmente os estados negativos, que constituem os</p><p>objetivos explícitos da terapia. Em contexto clínico, o aumento das</p><p>forças pessoais, através de intervenções para o perdão, pode ser a</p><p>28</p><p>forma mais eficaz de reduzir pensamentos e emoções negativas,</p><p>através do aumento de pensamentos e emoções positivas. Assim,</p><p>promove-se uma focalização na promoção de estados positivos, em</p><p>substituição do reducionismo ao negativo. O crescimento e</p><p>manutenção de forças pessoais, características e comportamentos</p><p>positivos, podem assegurar a ausência do lado negativo dos mesmos</p><p>(Harris & Thoresen, 2006; Harris, Thoresen & Lopez, 2007).</p><p>Em suma, o perdão pode ser concebido como uma forma de promover</p><p>forças pessoais, não sendo contemplado como um objetivo da terapia por si só,</p><p>mas que irá permitir atingir os objetivos explícitos da terapia: reduzir depressão,</p><p>ansiedade e outras patologias, e aumentar o equilíbrio e o bem-estar subjetivo.</p><p>Isto significa que, quer constitua um objetivo explícito da terapia para corrigir o</p><p>que está errado com o indivíduo nas abordagens mais tradicionais, quer seja</p><p>considerado um auxiliar, ou um meio para se atingir um fim, através da promoção</p><p>das forças pessoais e no sentido da prevenção, o perdão pode ser sempre</p><p>considerado como útil e eficaz para promover o bem-estar e a saúde física e</p><p>mental, independentemente da forma como é concebido e considerado pelos</p><p>terapeutas.</p><p>O fato de, em terapia, se falar e discutir sobre a ofensa, pensamentos e</p><p>sentimentos associados, pode ter um efeito curativo, independentemente de o</p><p>cliente querer ou não trabalhar no sentido do perdão.</p><p>Quando a capacidade de perdão aflorar é provavelmente para o</p><p>analista um dos indicadores mais seguros da aproximação do fim da</p><p>análise (Amaral Dias,1988).</p><p>Tem como objetivo recuperar a saúde emocional do ofendido e obter a</p><p>reconciliação com outra ou outras pessoas se o cliente estiver disposto a isso e</p><p>se não existir perigo nessa reconciliação. Trata-se de um processo distinto das</p><p>formas tradicionais de terapia em que o foco incidia mais sobre algo exterior à</p><p>pessoa (causas externas) do que sobre o trabalho de mudança interior do cliente.</p><p>Este, através dum processo gradual de insight reconhece que tanto o ofendido</p><p>como o ofensor são pessoas; identifica as circunstâncias da ofensa; analisa o</p><p>que é e não é o perdão e como vai desenvolver a ação de perdoar.</p><p>29</p><p>O perdão envolve um processo de quatro etapas: Identificação da cólera:</p><p>não fechar os olhos a ofensa, que como o nome sugere, nos machuca ou nos</p><p>ofende; decidir perdoar: mesmo que nos sintamos magoados, deliberadamente</p><p>preferimos deixar a compaixão e o amor prevalecerem sobre o ressentimento,</p><p>requer reflexão e treinamento; elaborar o perdão significa tomar ações</p><p>concretas, entendê-lo de alguma forma pode até torná-lo um presente de poder</p><p>destrutivo que exerce sobre o ofendido. Aprofundar o perdão, que significa</p><p>crescer psicológica a partir do sofrimento que nos infligiram, compreender melhor</p><p>a miséria, mas também a grandeza de todo o ser humano, encontrar mais</p><p>sentido à vida e liberdade interior.</p><p>https://www.psicologoeterapia.com.br/terapia-de-casal/</p><p>Portanto, clinicamente a intervenção de perdão pode ser útil para muitos</p><p>clientes porque eles se beneficiam dela pelo fato de falarem sobre as ofensas.</p><p>Na terapia, os clientes falam e discutem ofensas, pensamentos e sentimentos</p><p>relacionados, podendo ter um efeito de cura, independentemente de o cliente</p><p>quer lutar pelo perdão. As intervenções para o perdão são eficazes em promover</p><p>o mesmo, logo, os terapeutas podem e devem introduzir o tema do perdão de</p><p>forma explícita. Para os clientes que sofreram transgressões, abordar</p><p>https://www.psicologoeterapia.com.br/terapia-de-casal/</p><p>30</p><p>explicitamente o perdão pode trazer melhores resultados para os mesmos, como</p><p>melhorias nas problemáticas atuais.</p><p>A promoção de forças pessoais em terapia, como o perdão, justifica-se</p><p>para atingir objetivos terapêuticos associados ao tratamento da</p><p>depressão, ansiedade, abuso de substâncias, e dificuldades</p><p>relacionais. Assim, a Psicologia Positiva tem um contributo importante</p><p>nesta área, na medida em que se dirige à razão pela qual as pessoas</p><p>procuram psicoterapia: diminuir o sofrimento, por exemplo através de</p><p>intervenções para o perdão (Seligman, 2002; Harris & Thoresen, 2006;</p><p>Harris, Thoresen & Lopez, 2007).</p><p>9 PERDÃO AUTÊNTICO</p><p>Perdoar não é uma fórmula mágica capaz de resolver conflitos sem ter</p><p>em conta os sentimentos. O processo é lento e depende: da ferida provocada,</p><p>das reações do ofensor, dos recursos do ofendido. Para que o perdão seja</p><p>autêntico devem ser mobilizadas todas as faculdades: sensibilidade, coração,</p><p>inteligência e vontade. O perdão não é uma obrigação. O perdão é gratuito ou</p><p>não é perdão. Este tópico não tem obrigação moral porque carece das</p><p>características de gratuidade e liberdade.</p><p>O perdão é um processo, no qual a jornada começa ao reconhecer como</p><p>a raiva nos consome. No processo, aceitamos que o perdão não trará mudanças</p><p>nos outros, mas isso é associado à transformação pessoal. Não é um sinônimo</p><p>para permitir o abuso, mas olhando para o cenário: aceitação, o perdão pode ser</p><p>um ponto de ruptura em uma relação, que pode ou não ser curada. No percurso,</p><p>ainda se visita a necessidade de viver para além do ressentimento, e aquém da</p><p>posição de vítima. Até que chegamos ao destino: a estação final da escolha pelo</p><p>perdão.</p><p>As pessoas precisam passar pelo processo para entender como se</p><p>sentem. Eles também precisam tomar medidas concretas. Às vezes, o perdão</p><p>significa não só ter que enfrentar um incidente, mas também uma série de</p><p>ofensas.</p><p>31</p><p>Embora as pessoas que estão a considerar o perdão tenham inquietações</p><p>pessoais, os profissionais tentam analisar o perdão de forma objetiva,</p><p>procurando explicar em que consiste. A nossa atitude em relação ao perdão tem</p><p>repercussões no modo como nos comportamos na família, no modo como</p><p>concebemos o funcionamento das instituições e no modo como consideramos</p><p>certos acontecimentos internacionais relevantes. Perdão sinônimo de paz,</p><p>alegria, libertação. Ao contrário, não perdoar leva consigo orgulho ferido,</p><p>amargura, ressentimento, cólera, acusação, desejo de vingança, ódio, espiral de</p><p>violência perda de liberdade. Não se confunde perdão com justiça, misericórdia,</p><p>reconciliação, tolerância, embora se trate de construtos afins.</p><p>O perdão ocupa todos os espaços do viver, embora não deixando de</p><p>se identificar com nenhum deles porque pressupõe uma visão da vida,</p><p>do ser na insígnia do dom e do gratuito (Cucci, 2009)</p><p>Difere de conceitos, tais como desculpa, esquecimento ou reconciliação</p><p>já que não são virtudes morais. O perdão não é rejeição ou resistência para evitar</p><p>dor e emoção. Recusar a agressão e a dor podem se tornar doenças patológicas</p><p>e causar consequências imprevisíveis a nível de stress ou frieza gélida.</p><p>Alguém pode perdoar mas não necessariamente reconciliar-se como</p><p>seja o caso de uma esposa maltratada continuamente pelo</p><p>companheiro (Enrigt, 1996).</p><p>A ideia que emerge do que foi exposto até aqui é a de que o perdão é um</p><p>processo único para cada pessoa, tanto para a pessoa ofendida ou vítima,</p><p>quanto para o ofensor, ou qualquer outro observador que possa estar envolvido,</p><p>e, portanto, cada pessoa é afetada de forma diferente e experimenta eventos</p><p>intrapsíquicos e interpessoais singulares (Worthington, 2005).</p><p>A disposição empática afete a própria maneira de perceber uma ofensa.</p><p>A tendência para sentir compaixão e tomar a perspectiva do outro poderia</p><p>funcionar como amortecedora diante de uma ofensa, reduzindo a intensidade da</p><p>mágoa experienciada após a injúria.</p><p>32</p><p>Perdão tem a ver com deixar de punir continuamente o outro, ou a si</p><p>mesmo, por uma ofensa, restaurando o relacionamento e curando as</p><p>mágoas. Não significa que a pessoa esquece o que aconteceu, mas</p><p>sim, que aprende com isso e decide seguir em frente (Abrahamson, et.</p><p>al., 2012).</p><p>A reconciliação sem o perdão, muitas vezes, não é mais do que uma</p><p>trégua armada em que cada um dos lados patrulha a zona desmilitarizada à</p><p>procura das incursões do outro à espera de retomar as hostilidades. Suspender</p><p>as hostilidades não tem nada a ver com o perdão.</p><p>9.1 O que não é Perdão</p><p>Como há diferentes definições de perdão, os autores chegaram a um</p><p>consenso do que não é perdão.</p><p>Em relação a isto, a seguir abordam-se as distinções feitas de alguns</p><p>construtos que frequentemente são, erroneamente, associados por</p><p>muitas pessoas como o ato de perdoar (Enright & Coyle, 1998).</p><p>Absolvição, conceito relacionado à justiça, significa perdoar legalmente</p><p>alguém pela punição por uma ofensa cometida. Portanto, o perdão será inútil e</p><p>não há razão, porque a vítima não terá consciência da culpa do ofensor. Esse</p><p>conceito envolve a defesa e isenção do ofensor de qualquer responsabilidade.</p><p>A desculpa exige que o ofensor reconheça a razão de agir de determinada</p><p>maneira. Quando se desculpou, fingiu não ter se ofendido e aceitou a intenção</p><p>de ofender. Mesmo que haja razões razoáveis para explicar a ofensa, e essas</p><p>razões tenham sido consideradas, o perdão é mais do que apenas compreender</p><p>a falta de intenção. Perdoar não é retirar ao outro a sua responsabilidade moral.</p><p>Isso pode ser uma forma camuflada de minorar a própria dor. Dói menos não</p><p>considerar o outro responsável do que saber que o outro nos magoou</p><p>conscientemente. Compreender as razões do outro não significa desculpá-lo</p><p>O esquecimento indica que a ideia de memória ofensiva foi suprimida da</p><p>consciência. No entanto, o processo de perdão não fará você esquecer eventos</p><p>dolorosos, apenas os tornará difíceis de lembrar.</p><p>33</p><p>A negação refere-se a uma incapacidade de perceber a ocorrência de</p><p>uma ofensa. No entanto, fingir que nada aconteceu ou que não se sentiu</p><p>magoado é diferente de perdoar. Embora antes de o perdão ser posto em prática,</p><p>as pessoas podem inicialmente usar esse recurso para evitar manter contato</p><p>com os sentimentos dolorosos do ofensor. Se esse mecanismo persistir, a</p><p>reação pode mesmo tornar-se patológica: provoca um nível de stress mais</p><p>intenso ou uma frieza gélida que não permite saber o que se passa. Com</p><p>frequência não se experimenta o desejo de curar a ferida e, menos ainda, de</p><p>perdoar. Para poder curar-se é preciso reconhecer a ferida e sentir a sua dor</p><p>para depois curar-se.</p><p>Fazer vista grossa significa aprovar o que a maioria das pessoas pensam</p><p>que está errado, o que justificará o crime e isentará o ofensor de qualquer</p><p>responsabilidade. Ao contrário dessa ideia, o perdão não é o mesmo que um</p><p>chamado para desistir da tolerância pela justiça ou injustiça.</p><p>Reconciliação significa que a relação foi restaurada. Pode-se perdoar sem</p><p>reconciliação, mas sem alguma forma de perdão não se pode reconciliar-se</p><p>verdadeiramente. O perdão não significa se sentir como se fosse antes da</p><p>ofensa. Este é um mal-entendido muito comum, acreditar que o perdão é</p><p>restaurar o relacionamento original. Em relação a isso, há uma expressão de</p><p>perdão doutrinal de qualquer maneira, incluindo a expressão de reconciliação</p><p>em sua conceituação. A diferença filosófica básica entre perdão e reconciliação</p><p>é que o perdão envolve a resposta de uma pessoa a uma ofensa, enquanto a</p><p>reconciliação envolve um bom relacionamento entre duas pessoas novamente.</p><p>Na verdade, não se pode voltar ao passado, no entanto, o conflito pode servir</p><p>para fazer uma avaliação de qualidade de relação que pode vir a ser criada sobre</p><p>novas bases, mais sólidas.</p><p>O perdão é igualmente distinto da reconciliação, da procura de justiça</p><p>civil, criminal e restaurativa, e da entrega do assunto a Deus na</p><p>expectativa de retribuição divina, devido ao fato do indivíduo não</p><p>acreditar ser-se capaz de julgar. Todas estas estratégias podem</p><p>reduzir os aspectos negativos associados à ausência de perdão, mas</p><p>nenhuma delas constitui perdão (Enright, 2008; Enright & Fitzgibbons,</p><p>2000; Worthington & Witvliet, 2002; Barros, 2004; American</p><p>34</p><p>Psychological Association, 2006; Worthington, Witvliet & Miller, 2007,</p><p>Kaminer, 2000).</p><p>Além disso, uma distinção deve ser feita entre o verdadeiro perdão e o</p><p>pseudoperdão. O conceito apresentado por Enright et al. (1998), descrevendo</p><p>um método de exercício do poder moral ou superioridade contra o agressor,</p><p>fazendo-o sentir-se em dívida para com o agressor. Perdoar não é uma</p><p>demonstração de superioridade. Alguns tipos de perdão humilham mais do que</p><p>libertam. O perdão pode ser um gesto subtil de superioridade moral, de</p><p>arrogância. Perdoo para impressionar. O verdadeiro perdão do coração tem</p><p>lugar na humildade e abre caminho à reconciliação. O falso perdão permite</p><p>manter uma relação de dominador-dominado, é um gesto de poder sobre o outro</p><p>e não um gesto de força interior.</p><p>Logo, faz-se necessário esclarecer que a redução dos elementos</p><p>negativos, sem o aumento, concomitante, dos elementos positivos, não</p><p>significa o perdão genuíno, mas, provavelmente, uma etapa do</p><p>processo (Enright & The Human Development Study Group, 1991).</p><p>10 PODER TERAPÊUTICO DO PERDÃO</p><p>Perdoa para acalmar o seu sentimento de raiva; o perdão transforma</p><p>pensamentos destrutivos em pensamentos mais calmos e saudáveis; enquanto</p><p>perdoa, vai querendo agir com maior delicadeza em relação à pessoa que o</p><p>magoou; perdoar uma pessoa ajuda-o a interagir melhor com outras pessoas.</p><p>Talvez a raiva que sente pelo seu chefe tenha transbordado para a relação com</p><p>os seus filhos. Perdoar o seu chefe seria uma dádiva para seus filhos; o perdão</p><p>pode melhorar o seu relacionamento com a pessoa que o magoou; o seu perdão</p><p>pode efetivamente ajudar a pessoa que o magoou a ver a injustiça cometida e a</p><p>35</p><p>dispor-se a pôr lhe fim. O seu perdão pode elevar o carácter da pessoa que o</p><p>magoou.</p><p>Com o perdão a ferida perde o seu poder destrutivo. O acontecimento</p><p>doloroso vai perdendo a sua força negativa e vai-se tornando menos obsessivo.</p><p>A ferida vai cicatrizando até que a recordação da ofensa deixa de ser dolorosa.</p><p>Então a memória está curada.</p><p>O perdão tem na sua essência um grande poder transformador, libertador</p><p>e curativo. Na psicologia, o estudo do perdão pode ocorrer no nível das relações</p><p>entre grupos, por exemplo, os grupos culturais ou a nível das relações</p><p>interpessoais entre os membros da família, amigos e colegas, mesmo no</p><p>processo psicológico de fazer com que outros se adaptem internamente ou evite</p><p>o perdão. Investigação de perdão são atitudes sugeridas para promover o</p><p>progresso da condição humana. O perdão representa uma série de mudanças</p><p>uma influência benéfica dentro de um indivíduo que foi ofendido ou ferido.</p><p>Quando as pessoas perdoam, seus motivos básicos ou tendências</p><p>comportamentais em relação ao transgressor tornam-se mais positivas.</p><p>A importância do perdão não se verifica apenas no ponto de vista</p><p>teológico ou religioso como também do ponto de vista humano e social.</p><p>As diversas Ciências do Homem, a começar pela Psicologia, se</p><p>tenham ultimamente</p><p>debruçado sobre o assunto, sendo publicados,</p><p>em finais do século passado e nos primeiros anos deste, centenas de</p><p>artigos e dissertações sobre o perdão, mesmo em livros que se tratam</p><p>da psicologia positiva, como o capítulo sobre” psicologia do perdão”</p><p>(MacCullough e Witvliet, 2002 no Manual editado por Snyder e Lopez</p><p>(2002, cit. in Oliveira, 2004).</p><p>Com o perdão lucramos a nível da saúde física (os sentimentos de cólera</p><p>provocam um aumento de pressão sanguínea e prejudicam o coração) e</p><p>psíquica (libertamos o espírito de pensamento negativos, povoando-o de</p><p>pensamentos positivos e magnânimos), ao nível das boas relações sociais (o</p><p>ressentimento, ódio e vingança azedam as relações comunitárias, enquanto o</p><p>espírito de tolerância e de perdão constroem a paz e a fraternidade).</p><p>A falta de perdão a si mesmo e aos outros, relacionando-o com a</p><p>personalidade, desejabilidade social e a saúde. Quem não perdoa a si mesmo</p><p>36</p><p>apresenta tendências para o neuroticismo, a depressão e a ansiedade. A falta</p><p>de perdoar aos outros reflete uma introversão social e outras disfunções sociais.</p><p>A (im)perdoabilidade relaciona-se com a psicopatologias individual e social.</p><p>Pode ser “um caminho” para restabelecer o Self e o bem-estar pessoais.</p><p>Só recentemente a ciência começou a revelar esses benefícios ainda que muitas</p><p>organizações religiosas o tenham afirmado ao longo da história da humanidade.</p><p>Os benefícios validados pelo mundo científico incluem a redução da</p><p>dor crônica, dos transtornos cardiovasculares e da conduta violenta, o</p><p>aumento da esperança e o alívio dos níveis de depressão e de</p><p>ansiedade. Estudos levados a cabo por vários investigadores</p><p>mostraram que a disposição para perdoar tem um impacto significativo</p><p>na redução da raiva, amargura, ressentimento, ansiedade e</p><p>depressão. Perdoar foi também associado a um maior sentido de</p><p>esperança e otimismo no futuro, como referido anteriormente. A</p><p>disposição para perdoar alivia a auto estima negativa (Freedman e</p><p>Enright, 1996, cit. em Maboea, 2003).</p><p>O perdão sempre significa perda óbvia de curto prazo, mas garante a</p><p>longo prazo, o lucro real. À primeira vista, o perdão parece ser uma fraqueza.</p><p>Mas não: é preciso uma espécie de força espiritual para ser premiado e aceito,</p><p>A coragem moral é testada. O perdão não é sobre envergonhar-se, é causar-lhe</p><p>espírito humanístico substancial e rico.</p><p>O perdão segue as leis do desenvolvimento humano e adapta-se às fases</p><p>de maturação de cada pessoa. Longe de ser fruto de um ato repentino de boa</p><p>vontade, resulta de um processo que envolve todas as faculdades humanas e</p><p>desenrola-se ao longo de um percurso de várias etapas.</p><p>Estudos realizados por vários investigadores mostraram que a boa</p><p>vontade para perdoar leva a uma redução significativa de raiva,</p><p>amargura, ressentimento, ansiedade e depressão. O perdoar estava</p><p>associado a grande sentido de 10 esperança e optimismo no futuro,</p><p>bem como o desejo de perdoar alivia os sintomas negativos da auto-</p><p>estima (Freedman e Enright,1996)</p><p>Similarmente, quando as pessoas trazem à mente uma transgressão</p><p>passada relativamente à qual estão a considerar perdoar, são elicitadas</p><p>consequências danosas e desmoralizantes a nível cognitivo, afetivo e</p><p>comportamental.</p><p>37</p><p>O perdão está fortemente associado ao bem-estar psicológico nas</p><p>relações onde existe uma maior proximidade e compromisso antes da ocorrência</p><p>da transgressão, relacionando-se igualmente com o pedido de desculpas por</p><p>parte dos companheiros e que tentaram retificar a ofensa. Do mesmo modo, o</p><p>aumento no perdão relaciona-se com o bem-estar psicológico de quem perdoa</p><p>(ou seja, maior satisfação com a vida, mais humor positivo, menos humor</p><p>negativo e menos sintomas físicos).</p><p>As mudanças interindividuais associadas ao perdão, relacionam-se</p><p>diretamente com alterações no ajustamento psicológico. Esse</p><p>ajustamento irá facilitar posteriormente o processo de perdão (Orth,</p><p>Berking, Walker, Meier & Znoj, 2008).</p><p>Em aproximadamente 25 anos de aplicação em psicoterapia de</p><p>intervenções para o perdão, conclui-se que estas têm potencial significativo para</p><p>ajudar em casos de depressão, ansiedade, perturbações de personalidade,</p><p>perturbações alimentares, perturbações do controlo dos impulsos e de</p><p>comportamentos compulsivos, e que promovem a diminuição de pensamentos</p><p>obsessivos, síndrome de Tourette e abuso de substâncias. A raiva e a</p><p>agressividade provenientes de transgressões passadas estão frequentemente</p><p>na base dos problemas do foro mental, e dos conflitos relacionais. Logo, as</p><p>intervenções para o perdão têm demonstrado ser uma abordagem</p><p>psicoterapêutica bastante eficaz junto dos clientes, através da redução da raiva</p><p>e ressentimento associados às ofensas.</p><p>A maioria das pessoas responde inicialmente às transgressões com</p><p>outras formas de comportamento negativo, tais como o evitamento e a</p><p>vingança. Estas respostas são normais e comuns, mas podem ter</p><p>consequências negativas para os indivíduos, para as suas relações e</p><p>talvez para a sociedade como um todo (McCullough, 2001).</p><p>O perdão pode despertar a falibilidade enquanto humanos e a capacidade</p><p>da compaixão, emoções que relembram que somos parte integrante de uma</p><p>totalidade maior, vivências que, se forem elaboradas e integradas, podem</p><p>propiciar e acelerar o desenvolvimento do processo de individuação e de</p><p>humanização.</p><p>38</p><p>O perdão e o ressentimento podem afetar do mesmo modo a saúde</p><p>mental e o bem-estar, uma vez que as pessoas que alimentam o ressentimento</p><p>experimentam mais raiva e depressão.</p><p>Perdoar por causa de si próprio é consistente com o processo</p><p>interindividual. Muitas pesquisas demonstram os benefícios do perdão</p><p>para as vítimas aparecendo a “auto-cura” como uma das primeiras</p><p>razões para perdoar (Lawer – Row, Scott, Ramis, Ellis, Matityahon e</p><p>Moore 2007, Younger Piferi e Jobe e Lawer 2004).</p><p>O perdão pode estar relacionado a uma melhor saúde espiritual, pois</p><p>mesmo as pessoas não religiosas, a dedicação, a experiência e a expressão do</p><p>perdão podem produzir visões mais pacíficas e harmoniosas.</p><p>É esperado para aqueles que perdoam que os sentimentos negativos</p><p>(indiferença, agredir o outro verbalmente), e os julgamentos negativos (ela é uma</p><p>pessoa injusta, má) diminuam. Gradualmente, os sentimentos positivos (ajudar</p><p>a essa pessoa quando necessário, mostrar cuidado), e julgamentos positivos</p><p>(ele é uma boa pessoa) para com quem ofendeu comecem a surgir ou a ressurgir</p><p>restaurando o bem-estar psicológico das vítimas. Consequentemente, as</p><p>relações sociais também se beneficiam quando duas pessoas abrandam a</p><p>rivalidade, resolvem o sentimento de injustiça, e superam o elo moral do</p><p>ressentimento por sentimentos mais positivos.</p><p>39</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BARBOSA, Larisse Helena Gomes Macêdo. JOÃO PESSOA FEVEREIRO DE</p><p>2015. Universidade Federal da Paraíba.</p><p>BELTRÃO, António Gomes. Internalização das motivações para o perdão e seus</p><p>efeitos sobre os significados de vida. Universidade de Lisboa. 2012.</p><p>BRINHOSA, Rebecca Domitilla Santos Silva. Perdão: uma atitude positiva de</p><p>resiliência.</p><p>CINTRA, Clarisse Lourenço; GUERRA, Valeschka Martins . Educação Positiva:</p><p>A aplicação da Psicologia Positiva a instituições educacionais. Psicol. Esc.</p><p>Educ. vol.21 no.3 Maringá set./dez. 2017.</p><p>COUTO, Ricardo Neves. Perdão e crescimento Pós-Traumático no âmbito do</p><p>divórcio: Uma explicação pautada nos valores humanos. João Pessoal-PB 2017.</p><p>FERREIRA, Célia Margarida da Conceição. O Processo De Perdão Num</p><p>Paradigma De Escrita Expressiva. 2008/2009.</p><p>GARCIA, Ariane Tescaro. Perdão: uma busca interior. São Paulo, 2010.</p><p>Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica), Pontifícia Universidade Católica</p><p>de São Paulo, 2010.</p><p>MELO; Roberto da Silva. A Psicologia Positiva: uma mudança de</p><p>perspectiva. Abril/2015</p><p>NUNES, Patrícia. Psicologia Positiva. Faculdade</p>