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Gran Cursos Online Daian de Campos Callai Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia Brasileira Imbé 2025/01 Gran Cursos Online Daian de Campos Callai Matrícula: 5672351 Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia Brasileira Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Gran Cursos Online como requisito para aprovação no curso de Pós Graduação em Direito Constitucional. Imbé 2025/02 Daian de Campos Callai Matrícula: 5672351 Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia Brasileira Trabalho de Conclusão, apresentado à Gran Cursos Online como requisito para aprovação no curso de Pós-Graduação em Direito Constitucional. Nota: Data: / / Prof. Prof. Prof. Aos meus pais, à minha esposa e ao meu filho, por compartilhar dedicação, amor e confiança. RESUMO O estudo em apreço busca estabelecer um diálogo para fornecer uma compreensão fundamental da relevância que a temática da Coalizão Presidencial desempenha no contexto da crescente instabilidade política advinda do surgimento de movimentos que reivindicam justiça social, tendo como objetivo abordar o assunto de maneira abrangente, incluindo ramificações nos Projetos de Emendas Constitucionais recentemente aprovados e em discussão no Plenário Nacional, inferindo os principais pontos de referência que orientam suas intenções. Desta forma, a pesquisa seguirá a orientação do levantamento bibliográfico relacionado, com o objetivo de ampliar o conhecimento existente e usá-lo como ferramenta para a formulação e sustentação das hipóteses, incluindo comparações com sistemas sociais e políticos enrijecidos pelo seu próprio progresso, especialmente aqueles obtidos pelo clamor do povo e conquistados pelo avanço temporal. O Sistema Político do Brasil apenas espelha as características históricas da mudança da sociedade brasileira. Nesse contexto, o sistema de Coalização Presidencial é parte de um cenário mais abrangente, que envolve alterações no Sistema Político em si, na Cultura Política do Brasil, tanto na sociedade quanto no Estado, o que implica na necessidade de abordar questões que estão no cerne do nosso país, como o patriarcado, o nepotismo e a corrupção. Tudo isso com o objetivo de combater as desigualdades e a exclusão, incentivando a diversidade e a participação coletiva. Termos-chave: Democracia, Regime Presidencialista, Regime Parlamentarista, Corrupção, Coalizão Presidencial. ABSTRACT The study in question seeks to establish a dialogue to provide a fundamental understanding of the relevance that the theme of the Presidential Coalition plays in the context of the growing political instability arising from the emergence of movements demanding social justice, with the aim of addressing the subject in a comprehensive manner, including ramifications in the Constitutional Amendment Projects recently approved and under discussion in the National Plenary, inferring the main reference points that guide their intentions. In this way, the research will follow the guidance of the related bibliographic survey, with the aim of expanding the existing knowledge and using it as a tool for the formulation and support of hypotheses, including comparisons with social and political systems that have been strengthened by their own progress, especially those obtained by the clamor of the people and conquered by temporal advancement. The Brazilian Political System merely reflects the historical characteristics of the change in Brazilian society. In this context, the Presidential Coalition system is part of a broader scenario, which involves changes in the Political System itself, in Brazil's Political Culture, both in society and in the State, which implies the need to address issues that are at the heart of our country, such as patriarchy, nepotism and corruption. All of this with the aim of combating inequalities and exclusion, encouraging diversity and collective participation. Keywords: Democracy, Presidential Regime, Parliamentary Regime, Corruption, Presidential Coalition. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 COALIZÃO PRESIDENCIAL ............................................................................... 9 2.1 As Repercussões na Autonomia dos Poderes ............................................... 12 3 DEMOCRACIA COMO ENFOQUE NO COMBATE À CORRUPÇÃO ............... 18 3.1 Corrupção e a Constituição do Estado de Direito ......................................... 19 CONCLUSÃO .......................................................................................................... 22 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 25 8 1 INTRODUÇÃO O debate sobre a coalizão presidencial tem sido fortemente influenciado pelos variados pontos de vista sobre a evolução histórico-social do Brasil, com um foco particular na interação entre o Executivo, Legislativo e um personagem novo no enredo, o Judiciário. A pesquisa em questão busca condensar os temas abordados para estabelecer a posição desses temas em relação à atual situação do país, analisando-os a partir de sua formação histórica e os inserindo no cenário de deterioração política atual do país. Assim, são realizadas análises mais aprofundadas sobre as particularidades do Presidencialismo, a prática da Coalizão Presidencial, os Projetos de Lei e Emendas Constitucionais em debate e já aprovados no Congresso Nacional. O propósito modesto desta pesquisa é oferecer ao leitor a oportunidade de participar de um debate analítico sobre as escolhas fundamentais que nos conduziram à formação de uma democracia presidencialista. Ressalta-se o intercâmbio entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dentro do contexto da coligação presidencial. A relativa autonomia entre os três poderes requer uma análise aprofundada do papel do fenômeno da coalizão presidencial, que é o foco deste estudo, em especial no que toca aos recentes movimentos de protagonismo assumido pelo Judiciário em decisões de suma importância para a sociedade, cada vez mais inseridos como atos que se revestem de papéis legislativos e de gestão, trazendo à baila a discussão acerca de intromissão nos papéis constitucionalmente definidos. O estudo examinará as disposições constitucionais que asseguram a supremacia do Poder Executivo, que englobam as ferramentas que o Presidente da República detém para negociar com parlamentares para aprovar suas propostas, de outro modo, a análise também abordará aspectos que enfraquecem essa supremacia. A estrutura do trabalho é composta por dois capítulos. O capítulo inicial trata da Coalizão Presidencial, a conexão do Presidencialismo com Governos de Coalizão, os impactos na autonomia legislativa, judicial e executiva e os motivos que originam esse 9 tipo de presidencialismo, já o segundo capítulo aborda a análise da democracia com foco no estudo dos mecanismos de combate à corrupção. 2 COALIZÃO PRESIDENCIAL Tendo em visto que o Presidente do Brasil é eleito com um número muito superior de votos do que o seu partido obtém nas eleições para o Congresso, é necessário que forme alianças políticas que envolvem como moeda de troca os recursos públicos destinados ao orçamento federal ou a distribuição de postos entre os ministérios. Nesta seara, a crise política atual reacende o debatesobre o sucesso do presidencialismo de coalizão, particularmente no que diz respeito ao processo de formação de coalizões. A conversão da coalizão eleitoral bem-sucedida em uma coalizão governamental majoritária que garanta um mínimo de governabilidade ao governo eleito requer a mobilização de outros recursos que envolvem a persuasão e a criação de consenso, oriundos do processo deliberativo, considerados elementos essenciais da política democrática. A questão do presidencialismo de coalizão está relacionada ao fato de o Brasil ser um dos países latino-americanos que mais tarde consolidaram seu sistema político. Em uma análise comparativa, o sistema político pós-autoritário na Argentina, Chile e Uruguai resultou na retomada do sistema de partidos que existia no período democrático anterior. No México, não ocorreu um rompimento entre o sistema partidário que já funcionava durante o período autoritário e o sistema subsequente à democratização. No caso do Brasil, as identidades partidárias passadas não foram restauradas, surgindo um novo sistema partidário no cenário da redemocratização da política e a capacidade de agenda do Executivo, seja em regimes presidencialistas ou parlamentaristas, resulta em controle sobre o processo decisório, que define as principais práticas governamentais que nortearão sua administração. Este controle possibilita a organização e salvaguarda da base legislativa de apoio ao governo, que se manifesta no apoio dos parlamentares nas votações de assuntos de interesse do Executivo, que nada mais são do que os Projetos de Lei indispensáveis para a governabilidade selecionada. 10 No Brasil o governante não tem o poder de legislar sem o respaldo da maioria e há numerosos exemplos disto: as Medidas Provisórias, por exemplo, só se convertem em leis após serem aprovadas pelo Plenário. Isso também ocorre em campos de iniciativa exclusiva, como impostos e leis relacionadas ao orçamento. Sem o respaldo da maioria, os líderes simplesmente não conseguem governar. Isso implica em afirmar que a sua governabilidade é determinada pelo êxito ou fracasso na formação de sua coalizão. Desde 1889, o Brasil adotou o sistema presidencialista. Um plebiscito realizado em 1993 decidiu pela sua manutenção. Em termos gerais, o sistema de governo é visto como a forma como o poder político é distribuído e posto em prática em uma nação. Este sistema pode diferir conforme o nível de separação dos seus poderes, começando com uma separação estrita entre os poderes legislativo e executivo, até a total dependência do governo em relação ao legislativo. No parlamentarismo, o poder legislativo não se restringe apenas à elaboração de leis, mas também assume o controle do governo, adotando posições políticas essenciais, enquanto no Presidencialismo essa função é atribuída de forma primordial e precípua. Ademais, no parlamentarismo, o parlamento tem o poder de destituir o Gabinete exclusivamente por motivos políticos, ao passo que no presidencialismo, isso só poderia acontecer com o Presidente da República e em caso de crimes específicos. Em uma avaliação cuidadosa do presidencialismo, a notável Lucíola Maria de Aquino Cabral declara: O presidencialismo é um sistema fundamentado na separação de poderes, o que significa que tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam estar de acordo para que mudanças no status quo legal possam ocorrer. Não se pode garantir que a maioria dos legisladores esteja alinhada à vontade do Executivo. Além disso, o próprio sistema não oferece incentivos para a cooperação entre os poderes. (CABRAL; LUCÍOLA MARIA DE AQUINO, 2006, p. 166). Em relação ao Poder Judiciário, este não se opõe ao Parlamento, uma vez que, num sistema parlamentar puro, a Constituição adotada não é robusta: se uma lei for considerada inconstitucional, o Parlamento tem a capacidade de modificá-la, uma 11 característica que eliminaria os grandes impasses atualmente vivenciados diante das crises de legitimidade enfrentadas pela Suprema Corte Federal. No Brasil, o parlamentarismo sempre foi completamente impuro. Durante a Monarquia, existia um sistema parlamentarista, porém o imperador possuía o chamado "Poder Moderador", que lhe permitia até mesmo nomear primeiros-ministros que não possuíssem o apoio da maioria no parlamento. Arantes, Rogério B., citado por Paulo Bonavides, discute algumas das premissas que fundamentam o parlamentarismo: A presença ativa do governo, enquanto a maioria do Parlamento não decidir o contrário, mantendo seu apoio; a divisão entre o governo e o parlamento da responsabilidade de tomar as decisões políticas essenciais; e, por fim, a posse recíproca de instrumentos de controle pelo governo e pelo Parlamento, permitindo que o primeiro, como responsável perante o segundo, possa ser removido de suas funções através de um voto de desconfiança da maioria parlamentar. (ARANTES; ROGÉRIO B, 2010, p. 176). No presidencialismo ocorre a criação de um gabinete personificado no presidente, com um mandato estabelecido. Neste sistema, existem três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, que são exercidos, respectivamente, pelo presidente da República, pelo Parlamento (no Brasil, o Congresso Nacional) e pelo Supremo Tribunal Federal ou Corte Suprema. Todo o conceito do presidencialismo se fundamenta na harmonia desses três poderes, onde nenhum pode se sobrepor ao outro ou tentar superar os outros. Para manter essa harmonia, existe um sistema de freios e contrapesos onde um poder controla o outro e cada um se apoia nos outros dois, o que, diga-se de passagem, atualmente vem sendo colocado à prova diante da posição de protagonismo adotada pelo STF. Apesar de não dispor da ameaça de dissolução do gabinete tal como no parlamentarismo, os presidentes podem promover mudanças ministeriais para recompor suas bases de apoio. A necessidade de adequar a formação ministerial à heterogeneidade de interesse conduz os governos a modificarem, com certa frequência, a estrutura organizacional dos órgãos ministeriais – aumentando o seu número, desmembrando ministérios, fato que visa muito mais à pressão da diversidade de interesses do que propriamente à critérios técnicos. 12 Observa-se a separação dos poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário, cada um com suas responsabilidades e relações mais estritas. Embora sejam independentes, precisam operar em conjunto e cada um deve auxiliar no funcionamento do outro. Os dois sistemas governamentais têm particularidades que os diferenciam na aplicação apropriada para cada Estado. Portanto, a investigação deve identificar qual dos sistemas examinados tem as características mais adequadas para gerir o Brasil com seus desafios, incluindo a dificuldade latente de colocar em prática as políticas governamentais escolhidas pela população em grande escala diante do conflito de interesses gerado pelas negociações conduzidas pelo Congresso Nacional, particularmente na obtenção de apoios que aprovem as ações de governabilidade propostas pelo Executivo. 2.1 As Repercussões na Autonomia dos Poderes: O cenário atual de instabilidade, agravado com os episódios ocorridos após as eleições presidenciais de 2022, demonstra a relevância do contexto em que o conflito partidário ocorre. A maior parte dos desafios enfrentados pelo governo é resultado do gerenciamento de uma coalizão com parceiros bastante distintos em termos de inserção social, trajetória política e perspectiva global. Logo após a posse, a intervenção na governabilidade do presidente eleito já está em andamento na construção de sua base governamental. O alinhamento da agenda política entre o Poder Legislativo e o Executivo é crucial para criar as condições adequadas para a construção de processos decisórios durante a gestão eleita, conforme destacado por Pedro Lenza:Quando esta feliz coincidência não ocorrer, o chefe do Executivo estará condenado ao fracasso legislativo, e o país, à paralisia decisória. Em países que adotam a representação proporcional, como é o nosso caso, pode-se excluir a possibilidade de presidentes cujos partidos sejam a maioria no parlamento. (LENZA; Pedro, 2012, p.356). A diversidade do sistema governamental brasileiro, especialmente a presença do multipartidarismo (sistema político composto por diversos partidos políticos representando seus eleitores), torna inevitável a avaliação de que o presidente, eleito 13 através do sufrágio universal ainda precisará negociar sua agenda governamental com os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, de forma obrigatória. As considerações tecidas anteriormente acerca da definição dos sistemas presidencialista e parlamentarista sugere uma comparação necessária sobre a influência do Poder Legislativo nas ações do Poder Executivo, considerando a real interferência dos Poderes e sua relativa independência. Nesta seara exsurge o papel que o Judiciário assumiu diante das mais recentes celeumas do Estado Democrático de Direito, ao passo que adotou relevância de especial tonalidade sua participação em temas caros, como a cada vez mais crescente influência das redes sociais nas eleições e a regulamentação das emendas parlamentares, invocando o desafio de conciliar uma agenda pacificadora diante das diversas vertentes partidárias. Desde o início de sua administração, o Poder Executivo está intrinsecamente ligado às decisões do Poder Legislativo, tornando a prática de venda e troca de cargos um vínculo claro entre os dois poderes, algo que infelizmente pode ser verificado em todos os níveis de Poder. No regime presidencialista, o Chefe de Estado, mesmo sendo escolhido pelo voto popular, ainda precisará negociar seu apoio junto ao Poder Legislativo. Esse método único de funcionamento do sistema político é invocado tanto em períodos de tranquilidade quanto de agitação política. Se a situação é serena e o governo obtém êxito em suas ações, o presidencialismo de coalizão é acionado para lidar com a situação. Durante períodos de crise, ele é utilizado para elucidar os eventos negativos relatados nos jornais e/ou os desafios que o governo enfrenta para aprovar alguma ação. A conexão entre o presidencialismo e a política de coalizão é vista como um elemento crucial para garantir ao Executivo condições de governabilidade adequadas para a implementação de suas metas governamentais. Se, por um lado, o Presidente da República busca formar uma coalizão para validar suas intenções de governo no parlamento, por outro lado, os parlamentares entendem que só receberão recursos com finalidade eleitoral do Executivo se concordarem com a agenda política sugerida pelo Presidente. Portanto, um maior poder de agenda representa a habilidade do Executivo de influenciar diretamente nas atividades legislativas, minimizando assim os impactos da 14 divisão de poderes, ao mesmo tempo que pode estimular a colaboração entre os parlamentares. A condição fundamental ressaltada por LIMONGI (2020, p. 98) é a “conexão entre o poder de governabilidade e a dependência, mesmo com a separação de poderes, entre o Legislativo e o Executivo na formação da administração”. O intuito de batizar essa expressão era de definir o tipo de presidencialismo existente no Brasil, como também a estrutura e o mecanismo de funcionamento do regime político institucional brasileiro. Novamente, destacamos as palavras significativas de Arantes: (...) é um sistema marcado pela instabilidade e alto risco, cuja sustentação é quase inteiramente baseada no desempenho atual do governo e na sua determinação em respeitar estritamente os pontos ideológicos ou programáticos considerados inegociáveis, que nem sempre são claramente e de forma coerente estabelecidos durante a fase de formação da coalizão. A criação de coalizões consiste em três etapas típicas. Primeiro, a constituição da aliança eleitoral, que requer negociação em torno de diretivas programáticas mínimas, usualmente amplas e pouco específicas, e de princípios a serem obedecidos na formação do governo, após a vitória eleitoral. Em segundo lugar, a formação do governo, onde a disputa por posições e compromissos relacionados a um programa mínimo de governo, ainda é bastante ampla. Finalmente, a transformação da aliança em coalizão efetivamente governante, quando emerge, com toda força, o problema da agenda real de políticas, positiva e substantiva, e das condições de sua implementação. (ARANTES; Rogério B, 2011, p.132). A expressão coalizão sugere acordos entre partidos políticos (normalmente para ocupar posições governamentais) e alianças entre grupos políticos para atingir objetivos específicos. Segundo o autor recentemente citado, o presidencialismo em vigor no Brasil seria uma espécie de costura de coalizões em dois eixos: o partidário e o regional estadual, o que justificaria a frequência de grandes coalizões: A dinâmica do presidencialismo de coalizão no Brasil precisa ser melhor entendida. A Nova República é semelhante à de 1946, que provavelmente manteve traços da República Velha, especialmente no que se refere à influência dos estados no governo federal, através da chamada "política de governadores". A estruturação das alianças possui claramente dois pilares: o partidário e o regional (estadual), tanto no presente quanto no passado. Isso explica a frequência de grandes coalizões, já que a avaliação da base política do governo não se limita ao âmbito partidário-parlamentar, mas também ao regional. (ARANTES; Rogério B, 2011, p.111). 15 BASTOS (1986, p.32) se refere à “função do Congresso Nacional no assunto em discussão, argumentando que, desde a década de 1940, as consequências mais abrangentes do presidencialismo e sua peculiaridade, baseada em coalizões”. Portanto, o presidencialismo opera de maneira singular, não se tratando de um presidencialismo convencional, mas sim de um sistema de governo que opera de maneira especial, assumindo características bastante específicas. No âmbito federal, as interações entre o presidente e o Congresso devem ser baseadas na coalizão, uma vez que adotamos um sistema talvez único globalmente: o presidencialismo com representação proporcional, que gerou diversos partidos proeminentes. (Pilla e Mello, 1958, p.86). A coalizão abarca acordos entre partidos políticos (capitaneado pelos líderes do partidos) e pelo Executivo. Ao tomar posse, o presidente estabelece seu governo como um “primeiro- ministro”, atribuindo pastas aos partidos que o apoiam, garantindo assim a constituição de uma maioria no parlamento. Assim que o governo é estabelecido, diversos benefícios políticos, incluindo influência política, posições, nomeações de parentes, sinecuras e prestígio, são distribuídos aos integrantes da coalizão partidária que integra o governo. Em contrapartida, o Executivo aguarda os votos necessários no Parlamento, ameaçando e, se preciso, penalizando aqueles que não aderirem à coalizão. As negociações com os partidos formam a fundação do governo, com os líderes intermediando esses acordos entre os integrantes dos partidos e o Presidente. O presidencialismo de coalizão é uma realidade no Brasil. Contudo, existem duas visões fundamentais sobre esse tema, pois os deputados são indisciplinados e estão interessados nas questões pessoais, ocasião em que há disciplina partidária e os trabalhos legislativos são ancorados na ação dos partidos, o que caracteriza o modelo partidário e a escolha dos parlamentares em integrar coalizões de apoio ao presidente não se baseia apenas na concordância com seu programa de governo, mas também no acesso a postos públicos oferecidos por essa colaboração. Em virtude do multipartidarismo, seria inviável acreditarque uma coalizão poderia se manter apenas com base na afinidade programática. A coalizão motivada pelo desejo de controlar posições persistiria até que o valor dos cargos conquistados através da participação na coalizão presidencial fosse 16 igual ou superior ao valor esperado de cargos provenientes de possíveis outras coalizões. Sob a Constituição de 1988, o Poder Executivo se tornou o principal legislador, tanto em termos legais quanto práticos, essa preponderância legislativa do Executivo é decorrente de previsão garantida na própria Constituição de controlar a agenda dos trabalhos legislativos. Em que pese o Presidencialismo exija constante diálogo entre as esferas governamentais, há dispositivos constitucionais que ampliam os poderes legislativos do presidente – ou seja, a extensão da exclusividade de iniciativa, o poder de editar medidas provisórias com força de lei e a faculdade de solicitar urgência para os seus projetos, estabelecidos pelas reformas constitucionais militares e ratificados pela Carta de 1988, não só permite ao Executivo definir a agenda legislativa como também o coloca em posição estratégica para a aprovação de projetos de sua iniciativa. A capacidade do Executivo de editar medidas provisórias, em situações de relevância e urgência, é o instrumento legislativo mais poderoso que possui. Portanto, o Executivo assegura sua supremacia legislativa e impede o avanço institucional do Legislativo. Para assegurar essa autoridade, ele possui mecanismos constitucionalmente estabelecidos que lhe possibilitam impor disciplina nas votações aos membros da coalizão que o apoiam. A capacidade de agenda assegura a aceitação das propostas do Poder Executivo. Ele gerencia a produção legislativa, impedindo a principal função dos legisladores. No que diz respeito ao poder de agenda, o sistema político do Brasil se destaca pela supremacia do Poder Executivo sobre o Legislativo. O processo legislativo é dominado pelo Executivo devido ao seu poder de agenda. Frequentemente, o Legislativo brasileiro é classificado como fraco por não ter um papel ativo na criação das leis, sendo percebido apenas como um mero validador das ações do Executivo, isso se deve aos parlamentares que integram coalizões de apoio ao Presidente seguirem as diretrizes do líder do seu partido, que, por sua vez, torna as ações isoladas de parlamentares que não seguem tais diretrizes e viabiliza poucas oportunidades de avançar no parlamento quando não adere às diretrizes do seu partido. 17 Logo, se o parlamentar segue a orientação do líder partidário, este parlamentar tem mais probabilidade de conseguir recursos para os próximos pleitos. Neste cenário, na Câmara dos Deputados, a Presidência da Mesa é o posto politicamente mais relevante, pois o Presidente é praticamente o único responsável pela coordenação das atividades legislativas, acumulando responsabilidades na coordenação dos trabalhos legislativos e na condução das sessões plenárias de forma vasta e extensa, assegurando-lhe um impacto significativo nos desfechos do processo legislativo, uma vez que podem impactar o funcionamento das comissões e o progresso das sessões plenárias. Ainda, o Presidente da Mesa é responsável pela nomeação dos integrantes das comissões e pela definição da agenda legislativa, o que torna o poder dos líderes latente durante todo o processo de andamento das matérias. Assim, os líderes partidários, incluindo o Presidente da Mesa, possuem instrumentos potentes para estabelecer a agenda dos trabalhos e sua captação pelo Presidente da República é essencial no sistema do Presidencialismo. Desta feita, o Executivo obtém êxito em suas ações legislativas graças ao respaldo da maioria, já que a base de apoio do governo é composta pelos partidos que ocupam cargos ministeriais. Ao assumir um cargo ministerial, um partido se envolve na formulação da política governamental e, como integrante do governo, deve respaldar essas políticas quando submetidas à votação no Parlamento, pois é através da atuação ministerial que o sistema governamental propiciará amarras com resultados eleitorais. Outro ponto de relevância ímpar trata da alocação de recursos orçamentários pelo Poder Executivo, para a implementação das emendas orçamentárias propostas pelos legisladores, que desempenha um papel crucial na aprovação de projetos do Executivo, diga-se de passagem o principal instrumento utilizado pelo Governo para acalmar sua base legislativa governamental, amplamente utilizado pelos governos, independentemente da sigla mandatária. Desta forma, compreender o funcionamento do Presidencialismo de Coalizão implica identificar quais táticas ou recursos o Executivo utiliza para angariar respaldo para suas propostas, pois não importa quão bem votado o presidente eleito tenha sido, ele precisa converter seu capital eleitoral (voto popular) em capital político (apoio legislativo). 18 As medidas com força de lei editada pelo Chefe do Executivo e os projetos de lei por ele enviados ao Congresso Nacional continuam a ter preferência sobres as proposições de iniciativa parlamentar, chegando, inclusive, a sobrestar as demais deliberações legislativas, se não forem apreciadas em determinado prazo. As leis orçamentárias continuam sendo de iniciativa única do Presidente da República, continuam existindo limitações às propostas de emenda pelos parlamentares e o orçamento manteve sua natureza indicativa. O Presidente da República ainda detém a autoridade para designar os integrantes do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores, o Procurador- Geral da República e um terço dos integrantes do Tribunal de Contas da União. 3 DEMOCRACIA COMO ENFOQUE NO COMBATE À CORRUPÇÃO Ao examinar detalhadamente os legados históricos da luta popular e da participação cidadã no desenvolvimento da política nacional, é crucial levar em conta a estratégia que levou ao surgimento de uma população apta a indagar de forma mais racional os programas de governo oferecidos pelas mais diversas opções eleitorais. Nesta seara, a inclusão dos direitos sociais na Constituição é um ponto crucial na construção democrática desses direitos, vez que incentiva a continuidade do debate com base nos critérios definidos como resultado de um processo constituinte legítimo. Em relação aos direitos sociais, geralmente é necessária a elaboração de políticas públicas para sua efetivação. Para que essa realização seja verdadeiramente democrática, é imprescindível o envolvimento constante dos destinatários nos processos de tomada de decisões. Sem a intervenção da sociedade nesses processos, a relação dos destinatários das políticas públicas com o Estado torna-se uma relação entre um ente prestador de bens/serviços e seus clientes. A ênfase conferida pela Constituição de 1988 na garantia dos direitos fundamentais é uma conquista da sociedade. A sua concretização, contudo, vai além da previsão no texto constitucional. 19 Apenas através do exercício de uma cidadania entendida como um processo, uma participação ativa, podemos construir direitos de forma democrática, conforme evidenciado pela acurada observação de Roberto Aguiar: Mesmo sendo realistas, acreditamos todos os dias que a alteração das leis levará à transformação do mundo. Trata-se de um esforço contínuo para encontrar novas leis que protejam as liberdades e abram novas direções para a sociedade. O que não percebemos é que esse processo nada mais é do que uma movimentação global para formalizar práticas sociais, procedimentos políticos ou reconhecimentos legais que já existem de maneira fenomenal, mas que necessitam de formalização para se propagarem ainda mais. Portanto, é a vivência do mundo, as brincadeiras sociais e o exercício da cidadania que precedem a formalização jurídica pelo direito estabelecido. Portanto,devemos deixar de lado a ideia simplista de que a lei altera o mundo e adotar a ideia de que o mundo altera a lei. (AGUIAR; Roberto, 2015, p 387). 3.1 Corrupção e a Constituição do Estado de Direito A corrupção vai além da apropriação privada do dinheiro público, seja material ou imaterial, trata-se do desvio de qualquer patrimônio público. O tema corrupção merece destaque na pauta política nacional, pois notadamente é motivo de acalorados debates que envolvem a necessidade de evolução em uma Democracia mais justa, igualitária e equânime. Tendo em consideração que a corrupção engloba todas as formas de usurpação do Estado por interesses privados, mesmo quando se vale de mecanismos legalmente estabelecidos, sua relação com as estruturas de coalizão presidencial é vista como um instrumento essencial na busca por soluções aptas a ensejar o combate à praticas moralmente aprováveis. A corrupção trata-se de um elemento estrutural no Brasil, estando atrelada ao acesso dos recursos disponíveis pelo Estado, motivo pelo qual se percebe hoje a corrupção como algo muito mais estrutural do que o mero desvio de conduta individual. Assim, a desigualdade de condições para exercer pressão sobre o sistema político e as raízes da corrupção estão não somente em desvios pessoais e partidários, mas também na estrutura jurídica-institucional do sistema político; na constituição histórico-cultural do Brasil (clientelismo, obstáculos internos e externos à soberania popular); e, principalmente, é visto como um fenômeno sistêmico. 20 Bem difundida nos três poderes e também muito ativa com pressões que são exercidas por parte dos corruptores, ou seja por agentes externos ao Governo, isso justifica sua existência em gestões variadas, pouco importando qual o partido que exerce o poder. Isso ocorre tanto com alguns agentes políticos quanto com agentes fora do Estado, nas corporações ou mesmo envolvendo as empresas que acessam políticos desde as campanhas eleitorais, com financiamento, que antes ocorria de forma pública e agora só é possível através de caixa 2. Neste sentido, a prática da Coalizão Presidencial é um dos principais mecanismos para a disseminação de um sistema de corrupção que está enraizado na cultura nacional. Embora alguns autores vejam a corrupção como um fenômeno natural, resultante da cultura social do Brasil, existe uma rota mais favorável para sua propagação com mais facilidade, conforme Leonardo Avritzer afirma: É importante dar mais atenção aos instrumentos de controle, como os Tribunais de Contas e as Controladorias. No Brasil, observou-se um aumento significativo na atuação desses órgãos de controle, particularmente a partir de 1993, com a nova Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União, e a partir de 2003, com alterações significativas na Controladoria-Geral da União durante a gestão do presidente Lula. (AVRITZER; Leonardo, 2013, p. 234). O Executivo detém o poder de governar, contudo, a prática da coalizão presidencial para alcançar essa governabilidade é obtida através de métodos que prejudicam a habilidade administrativa e a reputação ainda desfavorável do Congresso Nacional, isso tudo devido à prática de atos de incentivam a corrupção, como, por exemplo, a distribuição de emendas parlamentares sem critérios técnicos, mas, em especial, diante da inexistência de um regramento que estipule controle sobre o erário disponibilizado. Além do argumento acima apontado, o apelo ao discurso moral contra a corrupção sozinho, ao invés de acompanhado pela prática, é indicado por Avritzer e Filgueiras (2011, p. 39) como “prejudicial à democracia, à medida que a frustração causada pela percepção de um Estado corrupto desencadeia a redução da participação cidadã na vida pública do país”, facilitando, assim, a existência da corrupção. Para os autores acima referidos, “o moralismo na política proporciona um discurso balizado na antipolítica, fazendo que o descontentamento com as instituições passe à indiferença, neutralizando a ação da cidadania democrática” (2011, p. 8), 21 além de o mesmo deslocar a responsabilidade de controle para o jurídico, apelando para a punição, deslegitimando a democracia e enfraquecendo a participação do cidadão na vida pública. Além da redução da participação cidadã na esfera pública colocada por Avritzer e Filgueiras como sendo resultado de uma frustração, RIBEIRO (2000, p.56) aponta que “essa participação se tornou custosa na modernidade por natureza, ou seja, a época em que vivemos possui características próprias que incorrem na redução de tal participação e na maior tolerância à corrupção”. Na modernidade, os indivíduos estão mais voltados para a realização de seus interesses privados, o que encarece e dificulta sua participação na vida pública. Por ser um país marcado pela desigualdade social, o Brasil é ainda mais afetado pela redução da participação na vida pública pelo interesse da população na vida privada e, mais do que isso, pela necessidade de se dedicar à vida privada, que relega os cidadãos à inaptidão para reivindicar direitos efetivados pela Constituição Federal. Desse modo, grande parcela da população se preocupa com os interesses individuais em detrimento do interesse público, que sequer é reconhecido como parte dos seus interesses. Para (GOMES, 2014, p. 9), isso permite inferir que a sociedade é conivente com a corrupção e a sociedade brasileira tem um baixo grau de cultura cívica e de associativismo. Para o autor, o Brasil possui um padrão cultural autoritário que tem grande resistência a inovações institucionais democráticas e reproduz certa indisposição para o engajamento em atividades comunitárias, que leva à indisposição para a mobilização em nome de bens públicos, como o combate à corrupção. 22 4 CONCLUSÃO No presidencialismo de coalizão o presidente do Brasil se elege com uma quantidade elevada de votos que seu partido recebe nas eleições para o Congresso, criando a necessidade de alianças políticas para viabilizar sua gestão, a medida que as negociações para a conquista da maioria no Congresso têm como moeda de troca recursos públicos alocados no orçamento ou a distribuição de cargos entre os Ministérios. Como alhures observado, em que pese o Parlamentarismo se afigure como sistema de governo que poderia melhor se adequar aos anseios atuais, antes de considerar qualquer alteração no sistema governamental, são necessárias adaptações fundamentais que permitam a implementação do sistema desejado, pois a atual estrutura de escândalos de corrupção, favores, benefícios e outras práticas banalizadas pelo sistema político brasileiro não desaparecerá simplesmente com a implementação do parlamentarismo. O modo como é usado o bem público para garantir o funcionamento desse sistema tem levado à queda de confiança e de legitimidade do Poderes, com o agravamento da crise entre instituições independentes, em especial devido ao crescimento do protagonismo assumido pelo Poder Judiciário diante de diversas celeumas atuais. Com isso, a decepção popular pela política tem gerado um distanciamento voluntário dos próprios cidadãos, que por sua vez, consequentemente, favorece a corrupção. Apesar do controle do Poder Executivo ser principalmente exercido através do controle da agenda e das prioridades do Poder Legislativo, o custo para assegurar a governabilidade é bastante elevado, a ponto, inclusive, de gerar movimentos sociais com manifestações nos grandes centros urbanos. Isso ocorre porque a reeleição de figuras políticas e siglas partidárias é cada vez mais garantida, tornando este pensamento ainda mais evidente quando se considera a presença de dezenas de partidos políticos com estruturas voltadas para a desintegração e focados na implementação de medidas protecionistas para as classes minoritáriasem um país com a população do Brasil. Embora o sistema presidencialista assegure a ascensão de representantes diretamente eleitos pelo povo, incorporando um conceito de regime teoricamente mais 23 democrático, com as alterações fundamentais, o sistema parlamentarista é visto como uma forma de governo que proporciona um enfoque mais técnico e menos voltado para apelos, permitindo que o público em geral se envolva com os candidatos que mais apresentem características populares. É de extrema relevância distinguir a habilidade de atrair o público inerente a personalidades já conhecidas pela mídia, da habilidade de governar inerente a pessoas minimamente habilitadas para criar projetos que sejam simultaneamente representativos e indispensáveis para o progresso nacional, incluindo, assim, uma avaliação focada nos reais desafios enfrentados. Ainda, é crucial enfatizar que cabe ao Congresso Nacional a responsabilidade de estabelecer um sistema eleitoral mais adequado para o fortalecimento da democracia, independentemente do sistema governamental que a administre, pois uma reforma político-eleitoral eficiente, mesmo diante dos desafios gerados pelo Presidencialismo de Coalizão, pode ser um instrumento de relevância para evitar a perpetuação de reeleições em cargos do Legislativo, viabilizando o surgimento de novas lideranças políticas aptas a enfrentar temas de suma importância para a nação brasileira. Importante realçar que a ocorrência de escândalos políticos em meio ao aumento da corrupção parece mascarar o prelúdio de reformas com cunho populista, focadas apenas e tão somente na continuidade de formas de poder já estabelecidas e contaminadas pela corrupção, tanto que a postergação constante do debate sobre uma Reforma Política abrangente tem progressivamente tornado o Congresso Nacional e as relações institucionais com os poderes Legislativo, Executivo e até mesmo Judiciário cada vez mais voláteis, devido à representação partidária abranger uma vasta variedade de interesses. Nesta seara, é válido apontar que gera preocupação os recentes episódios de protagonismo adotado pelo Poder Judiciário, sendo oportuno ao atual sistema federativo evitar a politização exagerada dos Tribunais Superiores, diante da apresentação de Projeto de Emenda que propicie a escolha dos membros de forma equânime e técnica, evitando-se, ao máximo, indicações de membros por critérios políticos que tornem as decisões dos Ministros eivadas de suspeição em um sistema democrático. Ainda, os métodos tradicionais de governança são claramente exaustos pela indignação da população, e o Poder Legislativo está mudando para o presidencialismo 24 de coalizão, juntamente com o Poder Judiciário, que tem desempenhado um papel de protagonista em decisões de grande magnitude que não são tomadas pelos poderes inerentes. As respostas dogmáticas ou individuais não refletem as transformações necessárias para a evolução do sistema. É crucial destacar que a procura por soluções mais rápidas para resolver a crise progressiva do Brasil se enquadra em um contexto de planejamento coletivo, sem a adoção de bandeiras individualistas, como infelizmente ocorre na Casa Legislativa, que adota postura cada vez mais corporativista, distante da sociedade. Além disso, é crucial que tópicos de reformas estruturantes sejam analisados sob a perspectiva do fortalecimento dos partidos políticos em vez do personalismo dos candidatos, pois, na democracia atual, ainda não existe alternativa para o exercício adequado da atividade de representação política que não seja através dos Partidos Políticos. Já em relação à corrupção sistêmica, que sem sombra de dúvidas catapulta um sentimento de impotência e revolta na nação, seja através do sistema de governo que for, é necessário que as garras das atuações políticas não alcancem a independência das instituições constitucionalmente competentes a combater e fiscalizar a corrupção, permitindo-se o aprimoramento de medidas de controle cada vez mais eficazes. Portanto, é imprescindível aprimorar o sistema de controle e fiscalização dos Órgãos competentes, implementando ações práticas que combatam eficazmente a corrupção, incluindo a aceitação da possibilidade de considerar a responsabilidade civil e criminal dos partidos políticos, a intensificação da transparência das contas partidárias, a revogação dos elementos que permitiram o afrouxamento da responsabilização de gestores públicos em casos que não envolvam dolo (Lei de Improbidade Administrativa) e demais ferramentas aptas a angariar medidas de embate ao sistema de corrupção. 25 REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:. Acesso em: 03 de maio de 2025. COIMBRA, Marcos. A reforma política. In: Carta capital, v. 21, n. 846. 2009. ARAGÃO, Murillo de. Reforma política: o debate inadiável. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. ARANTES, Aldo. Do Golpe à reforma política democrática. In: Princípios, n. 129, 2014. 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