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Gran Cursos Online 
 
 
 
 
 
 
Daian de Campos Callai 
 
 
 
 
Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia 
Brasileira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imbé 
2025/01 
 
 
Gran Cursos Online 
 
 
 
 
Daian de Campos Callai 
 
 
 
 
 
Matrícula: 5672351 
 
 
 
Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia 
Brasileira 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à Gran Cursos Online como 
requisito para aprovação no curso de Pós 
Graduação em Direito Constitucional. 
 
 
 
 
 
 
Imbé 
2025/02 
 
 
Daian de Campos Callai 
 
 
 
 
 
Matrícula: 5672351 
 
 
Coalizão Presidencial e seus Efeitos na Democracia Brasileira 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão, apresentado à Gran 
Cursos Online como requisito para aprovação 
no curso de Pós-Graduação em Direito 
Constitucional. 
 
 
 
 
Nota: Data: / / 
 
 
 
Prof. 
 
 
Prof. 
 
 
Prof. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus pais, à minha esposa e ao meu 
filho, por compartilhar dedicação, amor e 
confiança. 
 
 
RESUMO 
 
 
O estudo em apreço busca estabelecer um diálogo para fornecer uma compreensão 
fundamental da relevância que a temática da Coalizão Presidencial desempenha no 
contexto da crescente instabilidade política advinda do surgimento de movimentos que 
reivindicam justiça social, tendo como objetivo abordar o assunto de maneira 
abrangente, incluindo ramificações nos Projetos de Emendas Constitucionais 
recentemente aprovados e em discussão no Plenário Nacional, inferindo os principais 
pontos de referência que orientam suas intenções. Desta forma, a pesquisa seguirá a 
orientação do levantamento bibliográfico relacionado, com o objetivo de ampliar o 
conhecimento existente e usá-lo como ferramenta para a formulação e sustentação 
das hipóteses, incluindo comparações com sistemas sociais e políticos enrijecidos 
pelo seu próprio progresso, especialmente aqueles obtidos pelo clamor do povo e 
conquistados pelo avanço temporal. O Sistema Político do Brasil apenas espelha as 
características históricas da mudança da sociedade brasileira. Nesse contexto, o 
sistema de Coalização Presidencial é parte de um cenário mais abrangente, que 
envolve alterações no Sistema Político em si, na Cultura Política do Brasil, tanto na 
sociedade quanto no Estado, o que implica na necessidade de abordar questões que 
estão no cerne do nosso país, como o patriarcado, o nepotismo e a corrupção. Tudo 
isso com o objetivo de combater as desigualdades e a exclusão, incentivando a 
diversidade e a participação coletiva. 
 
Termos-chave: Democracia, Regime Presidencialista, Regime Parlamentarista, 
Corrupção, Coalizão Presidencial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
 
The study in question seeks to establish a dialogue to provide a fundamental 
understanding of the relevance that the theme of the Presidential Coalition plays in the 
context of the growing political instability arising from the emergence of movements 
demanding social justice, with the aim of addressing the subject in a comprehensive 
manner, including ramifications in the Constitutional Amendment Projects recently 
approved and under discussion in the National Plenary, inferring the main reference 
points that guide their intentions. In this way, the research will follow the guidance of 
the related bibliographic survey, with the aim of expanding the existing knowledge and 
using it as a tool for the formulation and support of hypotheses, including comparisons 
with social and political systems that have been strengthened by their own progress, 
especially those obtained by the clamor of the people and conquered by temporal 
advancement. The Brazilian Political System merely reflects the historical 
characteristics of the change in Brazilian society. In this context, the Presidential 
Coalition system is part of a broader scenario, which involves changes in the Political 
System itself, in Brazil's Political Culture, both in society and in the State, which implies 
the need to address issues that are at the heart of our country, such as patriarchy, 
nepotism and corruption. All of this with the aim of combating inequalities and 
exclusion, encouraging diversity and collective participation. 
 
Keywords: Democracy, Presidential Regime, Parliamentary Regime, Corruption, 
Presidential Coalition. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
2 COALIZÃO PRESIDENCIAL ............................................................................... 9 
2.1 As Repercussões na Autonomia dos Poderes ............................................... 12 
3 DEMOCRACIA COMO ENFOQUE NO COMBATE À CORRUPÇÃO ............... 18 
3.1 Corrupção e a Constituição do Estado de Direito ......................................... 19 
CONCLUSÃO .......................................................................................................... 22 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O debate sobre a coalizão presidencial tem sido fortemente influenciado pelos 
variados pontos de vista sobre a evolução histórico-social do Brasil, com um foco 
particular na interação entre o Executivo, Legislativo e um personagem novo no 
enredo, o Judiciário. 
A pesquisa em questão busca condensar os temas abordados para estabelecer 
a posição desses temas em relação à atual situação do país, analisando-os a partir 
de sua formação histórica e os inserindo no cenário de deterioração política atual do 
país. 
Assim, são realizadas análises mais aprofundadas sobre as particularidades do 
Presidencialismo, a prática da Coalizão Presidencial, os Projetos de Lei e Emendas 
Constitucionais em debate e já aprovados no Congresso Nacional. 
O propósito modesto desta pesquisa é oferecer ao leitor a oportunidade de 
participar de um debate analítico sobre as escolhas fundamentais que nos conduziram 
à formação de uma democracia presidencialista. 
Ressalta-se o intercâmbio entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário 
dentro do contexto da coligação presidencial. 
A relativa autonomia entre os três poderes requer uma análise aprofundada do 
papel do fenômeno da coalizão presidencial, que é o foco deste estudo, em especial 
no que toca aos recentes movimentos de protagonismo assumido pelo Judiciário em 
decisões de suma importância para a sociedade, cada vez mais inseridos como atos 
que se revestem de papéis legislativos e de gestão, trazendo à baila a discussão 
acerca de intromissão nos papéis constitucionalmente definidos. 
O estudo examinará as disposições constitucionais que asseguram a 
supremacia do Poder Executivo, que englobam as ferramentas que o Presidente da 
República detém para negociar com parlamentares para aprovar suas propostas, de 
outro modo, a análise também abordará aspectos que enfraquecem essa supremacia. 
A estrutura do trabalho é composta por dois capítulos. O capítulo inicial trata da 
Coalizão Presidencial, a conexão do Presidencialismo com Governos de Coalizão, os 
impactos na autonomia legislativa, judicial e executiva e os motivos que originam esse 
 
9 
 
tipo de presidencialismo, já o segundo capítulo aborda a análise da democracia com 
foco no estudo dos mecanismos de combate à corrupção. 
 
2 COALIZÃO PRESIDENCIAL 
 
Tendo em visto que o Presidente do Brasil é eleito com um número muito 
superior de votos do que o seu partido obtém nas eleições para o Congresso, é 
necessário que forme alianças políticas que envolvem como moeda de troca os 
recursos públicos destinados ao orçamento federal ou a distribuição de postos entre 
os ministérios. 
Nesta seara, a crise política atual reacende o debatesobre o sucesso do 
presidencialismo de coalizão, particularmente no que diz respeito ao processo de 
formação de coalizões. 
A conversão da coalizão eleitoral bem-sucedida em uma coalizão 
governamental majoritária que garanta um mínimo de governabilidade ao governo 
eleito requer a mobilização de outros recursos que envolvem a persuasão e a criação 
de consenso, oriundos do processo deliberativo, considerados elementos essenciais 
da política democrática. 
A questão do presidencialismo de coalizão está relacionada ao fato de o Brasil 
ser um dos países latino-americanos que mais tarde consolidaram seu sistema 
político. Em uma análise comparativa, o sistema político pós-autoritário na Argentina, 
Chile e Uruguai resultou na retomada do sistema de partidos que existia no período 
democrático anterior. No México, não ocorreu um rompimento entre o sistema 
partidário que já funcionava durante o período autoritário e o sistema subsequente à 
democratização. 
No caso do Brasil, as identidades partidárias passadas não foram restauradas, 
surgindo um novo sistema partidário no cenário da redemocratização da política e a 
capacidade de agenda do Executivo, seja em regimes presidencialistas ou 
parlamentaristas, resulta em controle sobre o processo decisório, que define as 
principais práticas governamentais que nortearão sua administração. 
Este controle possibilita a organização e salvaguarda da base legislativa de 
apoio ao governo, que se manifesta no apoio dos parlamentares nas votações de 
assuntos de interesse do Executivo, que nada mais são do que os Projetos de Lei 
indispensáveis para a governabilidade selecionada. 
 
10 
 
No Brasil o governante não tem o poder de legislar sem o respaldo da maioria 
e há numerosos exemplos disto: as Medidas Provisórias, por exemplo, só se 
convertem em leis após serem aprovadas pelo Plenário. Isso também ocorre em 
campos de iniciativa exclusiva, como impostos e leis relacionadas ao orçamento. Sem 
o respaldo da maioria, os líderes simplesmente não conseguem governar. 
Isso implica em afirmar que a sua governabilidade é determinada pelo êxito ou 
fracasso na formação de sua coalizão. 
Desde 1889, o Brasil adotou o sistema presidencialista. Um plebiscito realizado 
em 1993 decidiu pela sua manutenção. 
Em termos gerais, o sistema de governo é visto como a forma como o poder 
político é distribuído e posto em prática em uma nação. 
Este sistema pode diferir conforme o nível de separação dos seus poderes, 
começando com uma separação estrita entre os poderes legislativo e executivo, até a 
total dependência do governo em relação ao legislativo. 
No parlamentarismo, o poder legislativo não se restringe apenas à elaboração 
de leis, mas também assume o controle do governo, adotando posições políticas 
essenciais, enquanto no Presidencialismo essa função é atribuída de forma primordial 
e precípua. 
Ademais, no parlamentarismo, o parlamento tem o poder de destituir o 
Gabinete exclusivamente por motivos políticos, ao passo que no presidencialismo, 
isso só poderia acontecer com o Presidente da República e em caso de crimes 
específicos. 
Em uma avaliação cuidadosa do presidencialismo, a notável Lucíola Maria de 
Aquino Cabral declara: 
 
O presidencialismo é um sistema fundamentado na separação de poderes, o 
que significa que tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam estar de 
acordo para que mudanças no status quo legal possam ocorrer. Não se pode 
garantir que a maioria dos legisladores esteja alinhada à vontade do 
Executivo. Além disso, o próprio sistema não oferece incentivos para a 
cooperação entre os poderes. (CABRAL; LUCÍOLA MARIA DE AQUINO, 
2006, p. 166). 
 
Em relação ao Poder Judiciário, este não se opõe ao Parlamento, uma vez que, 
num sistema parlamentar puro, a Constituição adotada não é robusta: se uma lei for 
considerada inconstitucional, o Parlamento tem a capacidade de modificá-la, uma 
 
11 
 
característica que eliminaria os grandes impasses atualmente vivenciados diante das 
crises de legitimidade enfrentadas pela Suprema Corte Federal. 
No Brasil, o parlamentarismo sempre foi completamente impuro. Durante a 
Monarquia, existia um sistema parlamentarista, porém o imperador possuía o 
chamado "Poder Moderador", que lhe permitia até mesmo nomear primeiros-ministros 
que não possuíssem o apoio da maioria no parlamento. 
Arantes, Rogério B., citado por Paulo Bonavides, discute algumas das 
premissas que fundamentam o parlamentarismo: 
 
A presença ativa do governo, enquanto a maioria do Parlamento não decidir 
o contrário, mantendo seu apoio; a divisão entre o governo e o parlamento da 
responsabilidade de tomar as decisões políticas essenciais; e, por fim, a 
posse recíproca de instrumentos de controle pelo governo e pelo Parlamento, 
permitindo que o primeiro, como responsável perante o segundo, possa ser 
removido de suas funções através de um voto de desconfiança da maioria 
parlamentar. (ARANTES; ROGÉRIO B, 2010, p. 176). 
 
No presidencialismo ocorre a criação de um gabinete personificado no 
presidente, com um mandato estabelecido. Neste sistema, existem três poderes: 
Executivo, Legislativo e Judiciário, que são exercidos, respectivamente, pelo 
presidente da República, pelo Parlamento (no Brasil, o Congresso Nacional) e pelo 
Supremo Tribunal Federal ou Corte Suprema. 
Todo o conceito do presidencialismo se fundamenta na harmonia desses três 
poderes, onde nenhum pode se sobrepor ao outro ou tentar superar os outros. Para 
manter essa harmonia, existe um sistema de freios e contrapesos onde um poder 
controla o outro e cada um se apoia nos outros dois, o que, diga-se de passagem, 
atualmente vem sendo colocado à prova diante da posição de protagonismo adotada 
pelo STF. 
Apesar de não dispor da ameaça de dissolução do gabinete tal como no 
parlamentarismo, os presidentes podem promover mudanças ministeriais para 
recompor suas bases de apoio. A necessidade de adequar a formação ministerial à 
heterogeneidade de interesse conduz os governos a modificarem, com certa 
frequência, a estrutura organizacional dos órgãos ministeriais – aumentando o seu 
número, desmembrando ministérios, fato que visa muito mais à pressão da 
diversidade de interesses do que propriamente à critérios técnicos. 
 
12 
 
Observa-se a separação dos poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário, cada 
um com suas responsabilidades e relações mais estritas. Embora sejam 
independentes, precisam operar em conjunto e cada um deve auxiliar no 
funcionamento do outro. 
Os dois sistemas governamentais têm particularidades que os diferenciam na 
aplicação apropriada para cada Estado. 
Portanto, a investigação deve identificar qual dos sistemas examinados tem as 
características mais adequadas para gerir o Brasil com seus desafios, incluindo a 
dificuldade latente de colocar em prática as políticas governamentais escolhidas pela 
população em grande escala diante do conflito de interesses gerado pelas 
negociações conduzidas pelo Congresso Nacional, particularmente na obtenção de 
apoios que aprovem as ações de governabilidade propostas pelo Executivo. 
 
2.1 As Repercussões na Autonomia dos Poderes: 
 
O cenário atual de instabilidade, agravado com os episódios ocorridos após as 
eleições presidenciais de 2022, demonstra a relevância do contexto em que o conflito 
partidário ocorre. 
A maior parte dos desafios enfrentados pelo governo é resultado do 
gerenciamento de uma coalizão com parceiros bastante distintos em termos de 
inserção social, trajetória política e perspectiva global. 
Logo após a posse, a intervenção na governabilidade do presidente eleito já 
está em andamento na construção de sua base governamental. O alinhamento da 
agenda política entre o Poder Legislativo e o Executivo é crucial para criar as 
condições adequadas para a construção de processos decisórios durante a gestão 
eleita, conforme destacado por Pedro Lenza:Quando esta feliz coincidência não ocorrer, o chefe do Executivo estará 
condenado ao fracasso legislativo, e o país, à paralisia decisória. Em países 
que adotam a representação proporcional, como é o nosso caso, pode-se 
excluir a possibilidade de presidentes cujos partidos sejam a maioria no 
parlamento. (LENZA; Pedro, 2012, p.356). 
 
A diversidade do sistema governamental brasileiro, especialmente a presença 
do multipartidarismo (sistema político composto por diversos partidos políticos 
representando seus eleitores), torna inevitável a avaliação de que o presidente, eleito 
 
13 
 
através do sufrágio universal ainda precisará negociar sua agenda governamental 
com os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, de forma 
obrigatória. 
As considerações tecidas anteriormente acerca da definição dos sistemas 
presidencialista e parlamentarista sugere uma comparação necessária sobre a 
influência do Poder Legislativo nas ações do Poder Executivo, considerando a real 
interferência dos Poderes e sua relativa independência. 
 Nesta seara exsurge o papel que o Judiciário assumiu diante das mais recentes 
celeumas do Estado Democrático de Direito, ao passo que adotou relevância de 
especial tonalidade sua participação em temas caros, como a cada vez mais 
crescente influência das redes sociais nas eleições e a regulamentação das emendas 
parlamentares, invocando o desafio de conciliar uma agenda pacificadora diante das 
diversas vertentes partidárias. 
Desde o início de sua administração, o Poder Executivo está intrinsecamente 
ligado às decisões do Poder Legislativo, tornando a prática de venda e troca de cargos 
um vínculo claro entre os dois poderes, algo que infelizmente pode ser verificado em 
todos os níveis de Poder. 
No regime presidencialista, o Chefe de Estado, mesmo sendo escolhido pelo 
voto popular, ainda precisará negociar seu apoio junto ao Poder Legislativo. Esse 
método único de funcionamento do sistema político é invocado tanto em períodos de 
tranquilidade quanto de agitação política. 
Se a situação é serena e o governo obtém êxito em suas ações, o 
presidencialismo de coalizão é acionado para lidar com a situação. Durante períodos 
de crise, ele é utilizado para elucidar os eventos negativos relatados nos jornais e/ou 
os desafios que o governo enfrenta para aprovar alguma ação. 
A conexão entre o presidencialismo e a política de coalizão é vista como um 
elemento crucial para garantir ao Executivo condições de governabilidade adequadas 
para a implementação de suas metas governamentais. 
Se, por um lado, o Presidente da República busca formar uma coalizão para 
validar suas intenções de governo no parlamento, por outro lado, os parlamentares 
entendem que só receberão recursos com finalidade eleitoral do Executivo se 
concordarem com a agenda política sugerida pelo Presidente. 
Portanto, um maior poder de agenda representa a habilidade do Executivo de 
influenciar diretamente nas atividades legislativas, minimizando assim os impactos da 
 
14 
 
divisão de poderes, ao mesmo tempo que pode estimular a colaboração entre os 
parlamentares. 
A condição fundamental ressaltada por LIMONGI (2020, p. 98) é a “conexão 
entre o poder de governabilidade e a dependência, mesmo com a separação de 
poderes, entre o Legislativo e o Executivo na formação da administração”. 
O intuito de batizar essa expressão era de definir o tipo de presidencialismo 
existente no Brasil, como também a estrutura e o mecanismo de funcionamento do 
regime político institucional brasileiro. 
Novamente, destacamos as palavras significativas de Arantes: 
 
(...) é um sistema marcado pela instabilidade e alto risco, cuja sustentação é 
quase inteiramente baseada no desempenho atual do governo e na sua 
determinação em respeitar estritamente os pontos ideológicos ou 
programáticos considerados inegociáveis, que nem sempre são claramente 
e de forma coerente estabelecidos durante a fase de formação da coalizão. 
A criação de coalizões consiste em três etapas típicas. Primeiro, a 
constituição da aliança eleitoral, que requer negociação em torno de diretivas 
programáticas mínimas, usualmente amplas e pouco específicas, e de 
princípios a serem obedecidos na formação do governo, após a vitória 
eleitoral. Em segundo lugar, a formação do governo, onde a disputa por 
posições e compromissos relacionados a um programa mínimo de governo, 
ainda é bastante ampla. Finalmente, a transformação da aliança em coalizão 
efetivamente governante, quando emerge, com toda força, o problema da 
agenda real de políticas, positiva e substantiva, e das condições de sua 
implementação. (ARANTES; Rogério B, 2011, p.132). 
 
A expressão coalizão sugere acordos entre partidos políticos (normalmente 
para ocupar posições governamentais) e alianças entre grupos políticos para atingir 
objetivos específicos. 
Segundo o autor recentemente citado, o presidencialismo em vigor no Brasil 
seria uma espécie de costura de coalizões em dois eixos: o partidário e o regional 
estadual, o que justificaria a frequência de grandes coalizões: 
 
A dinâmica do presidencialismo de coalizão no Brasil precisa ser melhor 
entendida. A Nova República é semelhante à de 1946, que provavelmente 
manteve traços da República Velha, especialmente no que se refere à 
influência dos estados no governo federal, através da chamada "política de 
governadores". A estruturação das alianças possui claramente dois pilares: o 
partidário e o regional (estadual), tanto no presente quanto no passado. Isso 
explica a frequência de grandes coalizões, já que a avaliação da base política 
do governo não se limita ao âmbito partidário-parlamentar, mas também ao 
regional. (ARANTES; Rogério B, 2011, p.111). 
 
 
15 
 
BASTOS (1986, p.32) se refere à “função do Congresso Nacional no assunto 
em discussão, argumentando que, desde a década de 1940, as consequências mais 
abrangentes do presidencialismo e sua peculiaridade, baseada em coalizões”. 
Portanto, o presidencialismo opera de maneira singular, não se tratando de um 
presidencialismo convencional, mas sim de um sistema de governo que opera de 
maneira especial, assumindo características bastante específicas. 
No âmbito federal, as interações entre o presidente e o Congresso devem ser 
baseadas na coalizão, uma vez que adotamos um sistema talvez único globalmente: 
o presidencialismo com representação proporcional, que gerou diversos partidos 
proeminentes. (Pilla e Mello, 1958, p.86). 
A coalizão abarca acordos entre partidos políticos (capitaneado pelos líderes 
do partidos) e pelo Executivo. 
Ao tomar posse, o presidente estabelece seu governo como um “primeiro-
ministro”, atribuindo pastas aos partidos que o apoiam, garantindo assim a 
constituição de uma maioria no parlamento. 
Assim que o governo é estabelecido, diversos benefícios políticos, incluindo 
influência política, posições, nomeações de parentes, sinecuras e prestígio, são 
distribuídos aos integrantes da coalizão partidária que integra o governo. 
Em contrapartida, o Executivo aguarda os votos necessários no Parlamento, 
ameaçando e, se preciso, penalizando aqueles que não aderirem à coalizão. 
As negociações com os partidos formam a fundação do governo, com os líderes 
intermediando esses acordos entre os integrantes dos partidos e o Presidente. 
O presidencialismo de coalizão é uma realidade no Brasil. Contudo, existem 
duas visões fundamentais sobre esse tema, pois os deputados são indisciplinados e 
estão interessados nas questões pessoais, ocasião em que há disciplina partidária e 
os trabalhos legislativos são ancorados na ação dos partidos, o que caracteriza o 
modelo partidário e a escolha dos parlamentares em integrar coalizões de apoio ao 
presidente não se baseia apenas na concordância com seu programa de governo, 
mas também no acesso a postos públicos oferecidos por essa colaboração. Em 
virtude do multipartidarismo, seria inviável acreditarque uma coalizão poderia se 
manter apenas com base na afinidade programática. 
 
A coalizão motivada pelo desejo de controlar posições persistiria até que o 
valor dos cargos conquistados através da participação na coalizão presidencial fosse 
 
16 
 
igual ou superior ao valor esperado de cargos provenientes de possíveis outras 
coalizões. 
Sob a Constituição de 1988, o Poder Executivo se tornou o principal legislador, 
tanto em termos legais quanto práticos, essa preponderância legislativa do Executivo 
é decorrente de previsão garantida na própria Constituição de controlar a agenda dos 
trabalhos legislativos. 
Em que pese o Presidencialismo exija constante diálogo entre as esferas 
governamentais, há dispositivos constitucionais que ampliam os poderes legislativos 
do presidente – ou seja, a extensão da exclusividade de iniciativa, o poder de editar 
medidas provisórias com força de lei e a faculdade de solicitar urgência para os seus 
projetos, estabelecidos pelas reformas constitucionais militares e ratificados pela 
Carta de 1988, não só permite ao Executivo definir a agenda legislativa como também 
o coloca em posição estratégica para a aprovação de projetos de sua iniciativa. 
A capacidade do Executivo de editar medidas provisórias, em situações de 
relevância e urgência, é o instrumento legislativo mais poderoso que possui. Portanto, 
o Executivo assegura sua supremacia legislativa e impede o avanço institucional do 
Legislativo. 
Para assegurar essa autoridade, ele possui mecanismos constitucionalmente 
estabelecidos que lhe possibilitam impor disciplina nas votações aos membros da 
coalizão que o apoiam. 
A capacidade de agenda assegura a aceitação das propostas do Poder 
Executivo. Ele gerencia a produção legislativa, impedindo a principal função dos 
legisladores. 
No que diz respeito ao poder de agenda, o sistema político do Brasil se destaca 
pela supremacia do Poder Executivo sobre o Legislativo. O processo legislativo é 
dominado pelo Executivo devido ao seu poder de agenda. 
Frequentemente, o Legislativo brasileiro é classificado como fraco por não ter 
um papel ativo na criação das leis, sendo percebido apenas como um mero validador 
das ações do Executivo, isso se deve aos parlamentares que integram coalizões de 
apoio ao Presidente seguirem as diretrizes do líder do seu partido, que, por sua vez, 
torna as ações isoladas de parlamentares que não seguem tais diretrizes e viabiliza 
poucas oportunidades de avançar no parlamento quando não adere às diretrizes do 
seu partido. 
 
17 
 
Logo, se o parlamentar segue a orientação do líder partidário, este parlamentar 
tem mais probabilidade de conseguir recursos para os próximos pleitos. 
Neste cenário, na Câmara dos Deputados, a Presidência da Mesa é o posto 
politicamente mais relevante, pois o Presidente é praticamente o único responsável 
pela coordenação das atividades legislativas, acumulando responsabilidades na 
coordenação dos trabalhos legislativos e na condução das sessões plenárias de forma 
vasta e extensa, assegurando-lhe um impacto significativo nos desfechos do processo 
legislativo, uma vez que podem impactar o funcionamento das comissões e o 
progresso das sessões plenárias. 
Ainda, o Presidente da Mesa é responsável pela nomeação dos integrantes das 
comissões e pela definição da agenda legislativa, o que torna o poder dos líderes 
latente durante todo o processo de andamento das matérias. 
Assim, os líderes partidários, incluindo o Presidente da Mesa, possuem 
instrumentos potentes para estabelecer a agenda dos trabalhos e sua captação pelo 
Presidente da República é essencial no sistema do Presidencialismo. 
Desta feita, o Executivo obtém êxito em suas ações legislativas graças ao 
respaldo da maioria, já que a base de apoio do governo é composta pelos partidos 
que ocupam cargos ministeriais. 
Ao assumir um cargo ministerial, um partido se envolve na formulação da 
política governamental e, como integrante do governo, deve respaldar essas políticas 
quando submetidas à votação no Parlamento, pois é através da atuação ministerial 
que o sistema governamental propiciará amarras com resultados eleitorais. 
Outro ponto de relevância ímpar trata da alocação de recursos orçamentários 
pelo Poder Executivo, para a implementação das emendas orçamentárias propostas 
pelos legisladores, que desempenha um papel crucial na aprovação de projetos do 
Executivo, diga-se de passagem o principal instrumento utilizado pelo Governo para 
acalmar sua base legislativa governamental, amplamente utilizado pelos governos, 
independentemente da sigla mandatária. 
Desta forma, compreender o funcionamento do Presidencialismo de Coalizão 
implica identificar quais táticas ou recursos o Executivo utiliza para angariar respaldo 
para suas propostas, pois não importa quão bem votado o presidente eleito tenha 
sido, ele precisa converter seu capital eleitoral (voto popular) em capital político (apoio 
legislativo). 
 
18 
 
As medidas com força de lei editada pelo Chefe do Executivo e os projetos de 
lei por ele enviados ao Congresso Nacional continuam a ter preferência sobres as 
proposições de iniciativa parlamentar, chegando, inclusive, a sobrestar as demais 
deliberações legislativas, se não forem apreciadas em determinado prazo. 
As leis orçamentárias continuam sendo de iniciativa única do Presidente da 
República, continuam existindo limitações às propostas de emenda pelos 
parlamentares e o orçamento manteve sua natureza indicativa. 
O Presidente da República ainda detém a autoridade para designar os 
integrantes do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores, o Procurador-
Geral da República e um terço dos integrantes do Tribunal de Contas da União. 
 
 
3 DEMOCRACIA COMO ENFOQUE NO COMBATE À CORRUPÇÃO 
 
Ao examinar detalhadamente os legados históricos da luta popular e da 
participação cidadã no desenvolvimento da política nacional, é crucial levar em conta 
a estratégia que levou ao surgimento de uma população apta a indagar de forma mais 
racional os programas de governo oferecidos pelas mais diversas opções eleitorais. 
Nesta seara, a inclusão dos direitos sociais na Constituição é um ponto crucial 
na construção democrática desses direitos, vez que incentiva a continuidade do 
debate com base nos critérios definidos como resultado de um processo constituinte 
legítimo. 
Em relação aos direitos sociais, geralmente é necessária a elaboração de 
políticas públicas para sua efetivação. Para que essa realização seja verdadeiramente 
democrática, é imprescindível o envolvimento constante dos destinatários nos 
processos de tomada de decisões. 
Sem a intervenção da sociedade nesses processos, a relação dos destinatários 
das políticas públicas com o Estado torna-se uma relação entre um ente prestador de 
bens/serviços e seus clientes. 
A ênfase conferida pela Constituição de 1988 na garantia dos direitos 
fundamentais é uma conquista da sociedade. A sua concretização, contudo, vai além 
da previsão no texto constitucional. 
 
19 
 
Apenas através do exercício de uma cidadania entendida como um processo, 
uma participação ativa, podemos construir direitos de forma democrática, conforme 
evidenciado pela acurada observação de Roberto Aguiar: 
 
Mesmo sendo realistas, acreditamos todos os dias que a alteração das leis 
levará à transformação do mundo. Trata-se de um esforço contínuo para 
encontrar novas leis que protejam as liberdades e abram novas direções para 
a sociedade. O que não percebemos é que esse processo nada mais é do 
que uma movimentação global para formalizar práticas sociais, 
procedimentos políticos ou reconhecimentos legais que já existem de 
maneira fenomenal, mas que necessitam de formalização para se 
propagarem ainda mais. Portanto, é a vivência do mundo, as brincadeiras 
sociais e o exercício da cidadania que precedem a formalização jurídica pelo 
direito estabelecido. Portanto,devemos deixar de lado a ideia simplista de 
que a lei altera o mundo e adotar a ideia de que o mundo altera a lei. 
(AGUIAR; Roberto, 2015, p 387). 
 
 
3.1 Corrupção e a Constituição do Estado de Direito 
 
A corrupção vai além da apropriação privada do dinheiro público, seja material 
ou imaterial, trata-se do desvio de qualquer patrimônio público. 
O tema corrupção merece destaque na pauta política nacional, pois 
notadamente é motivo de acalorados debates que envolvem a necessidade de 
evolução em uma Democracia mais justa, igualitária e equânime. 
Tendo em consideração que a corrupção engloba todas as formas de 
usurpação do Estado por interesses privados, mesmo quando se vale de mecanismos 
legalmente estabelecidos, sua relação com as estruturas de coalizão presidencial é 
vista como um instrumento essencial na busca por soluções aptas a ensejar o 
combate à praticas moralmente aprováveis. 
A corrupção trata-se de um elemento estrutural no Brasil, estando atrelada ao 
acesso dos recursos disponíveis pelo Estado, motivo pelo qual se percebe hoje a 
corrupção como algo muito mais estrutural do que o mero desvio de conduta 
individual. 
Assim, a desigualdade de condições para exercer pressão sobre o sistema 
político e as raízes da corrupção estão não somente em desvios pessoais e 
partidários, mas também na estrutura jurídica-institucional do sistema político; na 
constituição histórico-cultural do Brasil (clientelismo, obstáculos internos e externos à 
soberania popular); e, principalmente, é visto como um fenômeno sistêmico. 
 
20 
 
Bem difundida nos três poderes e também muito ativa com pressões que são 
exercidas por parte dos corruptores, ou seja por agentes externos ao Governo, isso 
justifica sua existência em gestões variadas, pouco importando qual o partido que 
exerce o poder. Isso ocorre tanto com alguns agentes políticos quanto com agentes 
fora do Estado, nas corporações ou mesmo envolvendo as empresas que acessam 
políticos desde as campanhas eleitorais, com financiamento, que antes ocorria de 
forma pública e agora só é possível através de caixa 2. 
Neste sentido, a prática da Coalizão Presidencial é um dos principais 
mecanismos para a disseminação de um sistema de corrupção que está enraizado na 
cultura nacional. 
Embora alguns autores vejam a corrupção como um fenômeno natural, 
resultante da cultura social do Brasil, existe uma rota mais favorável para sua 
propagação com mais facilidade, conforme Leonardo Avritzer afirma: 
 
É importante dar mais atenção aos instrumentos de controle, como os 
Tribunais de Contas e as Controladorias. No Brasil, observou-se um aumento 
significativo na atuação desses órgãos de controle, particularmente a partir 
de 1993, com a nova Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União, e a partir 
de 2003, com alterações significativas na Controladoria-Geral da União 
durante a gestão do presidente Lula. (AVRITZER; Leonardo, 2013, p. 234). 
 
O Executivo detém o poder de governar, contudo, a prática da coalizão 
presidencial para alcançar essa governabilidade é obtida através de métodos que 
prejudicam a habilidade administrativa e a reputação ainda desfavorável do 
Congresso Nacional, isso tudo devido à prática de atos de incentivam a corrupção, 
como, por exemplo, a distribuição de emendas parlamentares sem critérios técnicos, 
mas, em especial, diante da inexistência de um regramento que estipule controle 
sobre o erário disponibilizado. 
Além do argumento acima apontado, o apelo ao discurso moral contra a 
corrupção sozinho, ao invés de acompanhado pela prática, é indicado por Avritzer e 
Filgueiras (2011, p. 39) como “prejudicial à democracia, à medida que a frustração 
causada pela percepção de um Estado corrupto desencadeia a redução da 
participação cidadã na vida pública do país”, facilitando, assim, a existência da 
corrupção. Para os autores acima referidos, “o moralismo na política proporciona um 
discurso balizado na antipolítica, fazendo que o descontentamento com as instituições 
passe à indiferença, neutralizando a ação da cidadania democrática” (2011, p. 8), 
 
21 
 
além de o mesmo deslocar a responsabilidade de controle para o jurídico, apelando 
para a punição, deslegitimando a democracia e enfraquecendo a participação do 
cidadão na vida pública. 
Além da redução da participação cidadã na esfera pública colocada por Avritzer 
e Filgueiras como sendo resultado de uma frustração, RIBEIRO (2000, p.56) aponta 
que “essa participação se tornou custosa na modernidade por natureza, ou seja, a 
época em que vivemos possui características próprias que incorrem na redução de tal 
participação e na maior tolerância à corrupção”. Na modernidade, os indivíduos estão 
mais voltados para a realização de seus interesses privados, o que encarece e dificulta 
sua participação na vida pública. Por ser um país marcado pela desigualdade social, 
o Brasil é ainda mais afetado pela redução da participação na vida pública pelo 
interesse da população na vida privada e, mais do que isso, pela necessidade de se 
dedicar à vida privada, que relega os cidadãos à inaptidão para reivindicar direitos 
efetivados pela Constituição Federal. 
Desse modo, grande parcela da população se preocupa com os interesses 
individuais em detrimento do interesse público, que sequer é reconhecido como parte 
dos seus interesses. Para (GOMES, 2014, p. 9), isso permite inferir que a sociedade 
é conivente com a corrupção e a sociedade brasileira tem um baixo grau de cultura 
cívica e de associativismo. Para o autor, o Brasil possui um padrão cultural autoritário 
que tem grande resistência a inovações institucionais democráticas e reproduz certa 
indisposição para o engajamento em atividades comunitárias, que leva à indisposição 
para a mobilização em nome de bens públicos, como o combate à corrupção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
4 CONCLUSÃO 
 
No presidencialismo de coalizão o presidente do Brasil se elege com uma 
quantidade elevada de votos que seu partido recebe nas eleições para o Congresso, 
criando a necessidade de alianças políticas para viabilizar sua gestão, a medida que 
as negociações para a conquista da maioria no Congresso têm como moeda de troca 
recursos públicos alocados no orçamento ou a distribuição de cargos entre os 
Ministérios. 
Como alhures observado, em que pese o Parlamentarismo se afigure como 
sistema de governo que poderia melhor se adequar aos anseios atuais, antes de 
considerar qualquer alteração no sistema governamental, são necessárias 
adaptações fundamentais que permitam a implementação do sistema desejado, pois 
a atual estrutura de escândalos de corrupção, favores, benefícios e outras práticas 
banalizadas pelo sistema político brasileiro não desaparecerá simplesmente com a 
implementação do parlamentarismo. 
O modo como é usado o bem público para garantir o funcionamento desse 
sistema tem levado à queda de confiança e de legitimidade do Poderes, com o 
agravamento da crise entre instituições independentes, em especial devido ao 
crescimento do protagonismo assumido pelo Poder Judiciário diante de diversas 
celeumas atuais. 
Com isso, a decepção popular pela política tem gerado um distanciamento 
voluntário dos próprios cidadãos, que por sua vez, consequentemente, favorece a 
corrupção. 
Apesar do controle do Poder Executivo ser principalmente exercido através do 
controle da agenda e das prioridades do Poder Legislativo, o custo para assegurar a 
governabilidade é bastante elevado, a ponto, inclusive, de gerar movimentos sociais 
com manifestações nos grandes centros urbanos. Isso ocorre porque a reeleição de 
figuras políticas e siglas partidárias é cada vez mais garantida, tornando este 
pensamento ainda mais evidente quando se considera a presença de dezenas de 
partidos políticos com estruturas voltadas para a desintegração e focados na 
implementação de medidas protecionistas para as classes minoritáriasem um país 
com a população do Brasil. 
Embora o sistema presidencialista assegure a ascensão de representantes 
diretamente eleitos pelo povo, incorporando um conceito de regime teoricamente mais 
 
23 
 
democrático, com as alterações fundamentais, o sistema parlamentarista é visto como 
uma forma de governo que proporciona um enfoque mais técnico e menos voltado 
para apelos, permitindo que o público em geral se envolva com os candidatos que 
mais apresentem características populares. 
É de extrema relevância distinguir a habilidade de atrair o público inerente a 
personalidades já conhecidas pela mídia, da habilidade de governar inerente a 
pessoas minimamente habilitadas para criar projetos que sejam simultaneamente 
representativos e indispensáveis para o progresso nacional, incluindo, assim, uma 
avaliação focada nos reais desafios enfrentados. 
Ainda, é crucial enfatizar que cabe ao Congresso Nacional a responsabilidade 
de estabelecer um sistema eleitoral mais adequado para o fortalecimento da 
democracia, independentemente do sistema governamental que a administre, pois 
uma reforma político-eleitoral eficiente, mesmo diante dos desafios gerados pelo 
Presidencialismo de Coalizão, pode ser um instrumento de relevância para evitar a 
perpetuação de reeleições em cargos do Legislativo, viabilizando o surgimento de 
novas lideranças políticas aptas a enfrentar temas de suma importância para a nação 
brasileira. 
Importante realçar que a ocorrência de escândalos políticos em meio ao 
aumento da corrupção parece mascarar o prelúdio de reformas com cunho populista, 
focadas apenas e tão somente na continuidade de formas de poder já estabelecidas 
e contaminadas pela corrupção, tanto que a postergação constante do debate sobre 
uma Reforma Política abrangente tem progressivamente tornado o Congresso 
Nacional e as relações institucionais com os poderes Legislativo, Executivo e até 
mesmo Judiciário cada vez mais voláteis, devido à representação partidária abranger 
uma vasta variedade de interesses. 
Nesta seara, é válido apontar que gera preocupação os recentes episódios de 
protagonismo adotado pelo Poder Judiciário, sendo oportuno ao atual sistema 
federativo evitar a politização exagerada dos Tribunais Superiores, diante da 
apresentação de Projeto de Emenda que propicie a escolha dos membros de forma 
equânime e técnica, evitando-se, ao máximo, indicações de membros por critérios 
políticos que tornem as decisões dos Ministros eivadas de suspeição em um sistema 
democrático. 
Ainda, os métodos tradicionais de governança são claramente exaustos pela 
indignação da população, e o Poder Legislativo está mudando para o presidencialismo 
 
24 
 
de coalizão, juntamente com o Poder Judiciário, que tem desempenhado um papel de 
protagonista em decisões de grande magnitude que não são tomadas pelos poderes 
inerentes. 
As respostas dogmáticas ou individuais não refletem as transformações 
necessárias para a evolução do sistema. É crucial destacar que a procura por 
soluções mais rápidas para resolver a crise progressiva do Brasil se enquadra em um 
contexto de planejamento coletivo, sem a adoção de bandeiras individualistas, como 
infelizmente ocorre na Casa Legislativa, que adota postura cada vez mais 
corporativista, distante da sociedade. 
Além disso, é crucial que tópicos de reformas estruturantes sejam analisados 
sob a perspectiva do fortalecimento dos partidos políticos em vez do personalismo 
dos candidatos, pois, na democracia atual, ainda não existe alternativa para o 
exercício adequado da atividade de representação política que não seja através dos 
Partidos Políticos. 
Já em relação à corrupção sistêmica, que sem sombra de dúvidas catapulta um 
sentimento de impotência e revolta na nação, seja através do sistema de governo que 
for, é necessário que as garras das atuações políticas não alcancem a independência 
das instituições constitucionalmente competentes a combater e fiscalizar a corrupção, 
permitindo-se o aprimoramento de medidas de controle cada vez mais eficazes. 
Portanto, é imprescindível aprimorar o sistema de controle e fiscalização dos 
Órgãos competentes, implementando ações práticas que combatam eficazmente a 
corrupção, incluindo a aceitação da possibilidade de considerar a responsabilidade 
civil e criminal dos partidos políticos, a intensificação da transparência das contas 
partidárias, a revogação dos elementos que permitiram o afrouxamento da 
responsabilização de gestores públicos em casos que não envolvam dolo (Lei de 
Improbidade Administrativa) e demais ferramentas aptas a angariar medidas de 
embate ao sistema de corrupção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
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