A “crise de representação” apontada pela ciência política no material base não deve ser resumida a uma mera desconfiança da população, mas vista como uma ruptura de accountability e responsividade. De acordo com os autores estudados, por que as crises de representação se acentuam fortemente no contexto da fragmentação do presidencialismo de coalizão brasileiro? a. Porque a representação passa a ser exercida de forma isolada e autocrática pelo presidente, que veta sumariamente todo envolvimento ou debate originado da sociedade civil e dos tribunais judiciais. b. Porque o sistema estimula a criação de políticas universalizantes instantâneas, e o Legislativo, atuando de maneira estritamente técnica e unitária, impede o surgimento de alianças e acordos necessários para a governabilidade. c. Porque as instituições partidárias contam com ampla solidez organizacional desde os pequenos municípios, monopolizando a comunicação política sem permitir a entrada de protestos digitais. d. Porque a garantia contramajoritária promovida pelas Cortes aboliu de maneira definitiva qualquer intervenção dos partidos nos temas estruturais da nação (como os das áreas de saúde e segurança pública). e. Porque, sendo a formulação de políticas públicas resultante da negociação e troca de arranjos de uma coalizão com múltiplos atores (Executivo, inúmeros partidos, comissões legislativas), o eleitor tem grave dificuldade em identificar os reais responsáveis pelos resultados, diluindo-se a accountability.