Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Cidade 
Ano 
 
 
Jacareí 
2021 
GUSTAVO HENRIQUE RAMOS PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE: 
O ESTUDO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE E SUA 
VISUALIZAÇÃO NOS ACÓRDÃOS PROFERIDOS PELO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 
 
 
Jacareí 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE: 
O ESTUDO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE E SUA 
VISUALIZAÇÃO NOS ACÓRDÃOS PROFERIDOS PELO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
à Faculdade Anhanguera de Jacareí, como 
requisito parcial para a obtenção do título de 
graduado em Direito. 
Orientador: Mariana Prado Bravo 
 
 
 
GUSTAVO HENRIQUE RAMOS PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GUSTAVO HENRIQUE RAMOS PEREIRA 
 
 
PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE: 
O ESTUDO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE E SUA 
VISUALIZAÇÃO NOS ACÓRDÃOS PROFERIDOS PELO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
à Faculdade Anhanguera de Jacareí, como 
requisito parcial para a obtenção do título de 
graduado em Direito. 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) 
 
 
Jacareí, (dia de mês e ano). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho aos meus pais que 
estiveram comigo em todos os momentos 
da minha graduação, prestando e 
demonstrando todo o apoio necessário 
para que finalmente eu lograsse êxito com 
a conclusão do curso e consequente 
apresentação do presente trabalho. 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço, primeiramente, ao Deus que se encontra presente nas pequenas 
coisas que me auxiliaram na trajetória percorrida durante toda a graduação. Bem 
como, aos meus pais, irmãos e toda a minha família. 
Não posso deixar fazer menção aos meus caros amigos que em sua maneira 
particular me apoiaram, compreendendo as eventuais ausências, ocorridas em 
virtude da dedicação que se fez necessária para o desprendimento em relação ao 
presente trabalho e, sobretudo, a graduação. 
Finalmente, cumpre ainda agradecer a Faculdade Anhanguera de Jacareí, na 
pessoa dos professores que fizeram parte deste caminho, a equipe de coordenação 
e demais colaboradores. 
Concluo agradecendo aos meus caros colegas que também se formam nesta 
ocasião, os quais tiveram o privilégio de compartilhar momentos de aprendizado e 
reflexão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Eu queria que você visse o que é realmente 
coragem, em vez de pensar que coragem é um 
homem com uma arma na mão. Coragem é quando 
você sabe que está derrotado antes mesmo de 
começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, 
apesar de tudo. Raramente a gente vence, mas isso 
pode até acontecer.” 
(Harper Lee) 
 
PEREIRA, Gustavo Henrique Ramos. Princípio da Coculpabilidade: O Estudo do 
Princípio da Coculpabilidade e sua Visualização nos Acórdãos Proferidos pelo 
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 2021. 30. Trabalho de Conclusão de 
Direito – Faculdade Anhanguera de Jacareí, Jacareí, 2021. 
 
RESUMO 
 
Trata-se de artigo que busca demonstrar de forma clara e sucinta aquilo que é o 
princípio da coculpabilidade, demonstrando o seu contexto historio, baseando-se 
nos fundamentos constitutivos do tema proposto. Num primeiro momento, há de se 
mencionar que o mentor deste princípio é o jurista Eugenio Raúl Zaffaroni, contudo, 
verifica-se que tanto no Brasil, quanto nos demais países da América do Sul, o 
princípio da coculpabilidade tem sido adaptado com o ordenamento jurídico de cada 
país. Em nosso ordenamento jurídico, a doutrina o define como a eventual 
imputação ao Estado parcela da responsabilidade social pelos atos criminosos 
cometidos pelos agentes em razão das desigualdades sociais vivenciadas, ou seja, 
as condições socioeconômicas, em virtude da não prestação de serviços estatais. 
Desta forma, remetendo-se a etimologia coculpabilidade, a princípio, o prefixo “co” 
advêm da palavra companhia, por sua vez, “culpabilidade” diz respeito à 
subjetividade do crime, traduzindo-se a possível imputação ao Estado. Finalmente, 
com intuito de visualizar a sua aplicação em casos práticos, serão constatados 
Acórdãos proferidos pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, cujos 
resultados são unânimes no que concerne a não aplicação do princípio da 
coculpabilidade. 
 
Palavras-chave: Coculpabilidade. Culpabilidade. Aplicação. Teoria. Jurisprudência. 
 
 
PEREIRA, Gustavo Henrique Ramos. Principle Of Co-culpability: The Study of the 
Principle Of Co-culpability and the it’s visulization on the judgments of the Tribunal 
de Justiça do Estado de São Paulo. 2021. 30. Trabalho de Conclusão de Direito – 
Faculdade Anhanguera de Jacareí, Jacareí, 2021. 
ABSTRACT 
It is an article that seeks to demonstrate clearly and succinctly what the principle of 
co-culpability is, demonstrating its historical context, based on the constitutive 
foundations of the proposed theme. At first, it must be mentioned that the mentor of 
this principle is the jurist Eugenio Raúl Zaffaroni, however, it appears that both in 
Brazil and in other South American countries, the principle of co-culpability has been 
adapted with the legal system each country. In our legal system, the doctrine defines 
it as the possible imputation to the State part of the social responsibility for the 
criminal acts committed by the agents due to the social inequalities experienced, that 
is, the socioeconomic conditions, due to the non-provision of state services. Thus, 
referring to the ethos of co-culpability, in principle, the prefix “co” comes from the 
word company, in turn, “culpability” refers to the subjectivity of crime, translating into 
possible imputation to the State. Finally, in order to visualize its application in 
practical cases, Judgments handed down by the São Paulo State Court of Justice will 
be noted, the results of which are unanimous in what concerns the non-application of 
the principle of co-responsibility. 
 
 
Keywords: Co-culpability. Culpability. Application. Theory. Judgments. 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
CP Código Penal 
CF Constituição Federal 
STJ SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
TJSP Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 
2 DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE ......................................................... 16 
2.1 DOS PRINCÍPIOS ............................................................................................... 16 
2.2 DA CULPABILIDADE .......................................................................................... 17 
2.3 DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE ............................................................ 17 
2.3.1 Da Etimologia “Coculpabilidade” ............................................................... 17 
2.3.2 Da Origem Do Princípio Da Coculpabilidade ............................................ 18 
2.3.3 Do Princípio Da Coculpabilidade Como Princípio Constitucional Implícito 19 
3 DA VISUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE NO DIREITO 
ESTRANGEIRO – DIREITO COMPARADO ............................................................. 20 
3.1 DO CÓDIGO PENAL DA ARGENTINA ........................................................... 20 
3.2 DO CÓDIGO PENAL DO EQUADOR ............................................................. 21 
3.3 DO CÓDIGO PENAL BOLIVIANO .................................................................. 22 
3.4 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO ................................................................ 22 
3.4.1 Das Circunstâncias Atenuantes Genéricas .............................................22 
3.4.2 Da Aplicação do Princípio da Coculpabilidade Como Atenuante Genérica
 23 
4 DA VISUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE NOS 
ACÓRDÃOS PROFERIDOS PELO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO 
ESTADO DE SÃO PAULO ....................................................................................... 26 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 30 
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 32 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Cuida-se de monografia objetivando a demonstração sucinta do princípio da 
coculpabilidade, portanto, foi realizada análise objetiva do tema na doutrina 
brasileira, a qual, em sua maioria, discorre deste princípio, considerando-o como 
constitucional implícito. 
Além disso, tendo sido efetuadas pesquisas junto a doutrina extravagante, 
notório que tanto a doutrina brasileira, assim como aquela, delimitam o princípio da 
coculpabilidade da mesma forma, ou seja, a busca por possível responsabilização 
estatal. 
É cediço que os princípios são conceitos basilares que norteiam o Direito de 
forma geral. Contudo, a respeito do princípio da coculpabilidade é necessário 
demonstrar que sua etimologia parte de dois conceitos importantes, qual seja o 
prefixo “co”, se referindo, nesta oportunidade, à coparticipação e o sufixo 
“culpabilidade”, que diz respeito à subjetividade do crime. 
Desta forma, evidente que o princípio da coculpabilidade visa imputar ao 
Estado parcela da responsabilidade pelos atos criminosos cometidos pelos agentes 
em razão das desigualdades sociais vivenciadas, ou seja, as condições 
socioeconômicas. 
Vale ressaltar, inclusive, que através do princípio da coculpabilidade não se 
busca a impunidade dos agentes que eventualmente pratiquem ato delituoso e 
certamente vem de origens desiguais em razão da falta de atuação estatal, 
entretanto, o princípio da coculpabilidade visa apenar o Estado em virtude da sua 
inércia perante determinados grupos. 
Diante das questões supradestacadas e remetendo-se a visualização do 
princípio da coculpabilidade na doutrina brasileira, e principalmente, a sua 
verificação no Direito estrangeiro, que, diga-se de passagem, é o percussor do 
conceito aqui tratado, evidencia-se que o entendimento do tema é assentado, ou 
seja, há convergência das ideias concernentes ao princípio da coculpabilidade. 
Desta forma, quando de sua aplicação, é pacífico o entendimento que o 
princípio da coculpabilidade é espécie de atenuante genérica, prevista no artigo 66 
do Código Penal (CP), o qual determina que a pena possa ser atenuada em virtude 
de circunstâncias relevantes anteriores ao crime. 
 
 
Contudo, ainda que haja pacificação do entendimento do princípio da 
coculpabilidade, analisando alguns Acórdãos proferidos pelo Egrégio Tribunal de 
Justiça, verifica-se que o posicionamento majoritário é contrário a aplicação deste 
princípio nos casos concretos, havendo, precedentes do Colendo Superior Tribunal 
de Justiça neste sentido. 
 
 
 
 
2 DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE 
2.1 DOS PRINCÍPIOS 
 
É notório que os princípios são conceitos basilares de qualquer sistema, 
portanto, no Direito não poderia ser diferente. Os princípios não são encontrados em 
nenhuma norma específica, ainda que a maioria das normas baseiam-se em ideais 
principiológicos. 
Miguel Reale, assim define os princípios: 
 
"Princípios são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam 
e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, a aplicação e 
integração ou mesmo para a elaboração de novas normas. São verdades 
fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem 
evidentes ou por terem sido comprovadas, mas também por motivos de 
ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos 
pelas necessidades da pesquisa e da práxis.” (REALE, Miguel. 2002 p. 96.). 
 
Posto isso, incontroversa a necessidade de princípio em sistemas jurídicos 
complexos, tal qual é o brasileiro. 
Portanto, muito embora não tratarem-se de normas positivadas, os princípios 
têm aplicação, seja de forma a direcionar determinado raciocínio, ou garantir direito 
supralegal, ou seja, aqueles garantidos a todos, entretanto, não estão previstas em 
legislação específica. 
Assim, tratando-se especificamente da aplicação dos princípios, veja-se o que 
leciona Maria Helena Diniz: 
 
“(…) eles suprem a deficiência da ordem jurídica, possibilitando a adoção de 
princípios gerais de direito, que, às vezes, são cânones que não foram 
ditados, explicitamente, pelo elaborador da norma, mas que estão contidos 
de forma imanente no ordenamento jurídico.” (DINIZ, Maria Helena. 2003 p. 
456). 
 
Posto isso, restou claro a aplicação dos princípios norteadores do Direito, 
passa-se, portanto, a verificação das demais terminologias do princípio da 
coculpabilidade. 
 
 
 
2.2 DA CULPABILIDADE 
 
A culpabilidade é um dos princípios basilares do Direito Penal, que versa, 
especialmente sobre a existência de um delito. Ou seja, o princípio da 
coculpabilidade é aspecto fundamental da responsabilidade da pessoa humana que 
eventualmente pratica um fato típico e ilícito. 
A respeito da teoria tripartida do crime, leciona Francisco de Assis Toledo: 
 
“Substancialmente, o crime é um fato humano que lesa ou expõe a perigo 
bens jurídicos (jurídico-penais) protegidos. Essa definição é, porém, 
insuficiente para a dogmática penal, que necessita de outra mais analítica, 
apta a pôr à mostra os aspectos essenciais ou os elementos estruturais do 
conceito de crime. E dentre as várias definições analíticas que têm sido 
propostas por importantes penalistas, parece-nos mais aceitável a que 
considera as três notas fundamentais do fato-crime, a saber: ação típica 
(tipicidade), ilícita ou antijurídica (ilicitude) e culpável (culpabilidade). O 
crime, nessa concepção que adotamos, é, pois, ação típica, ilícita e 
culpável.” (TOLEDO, Francisco de Assis. 2012 p. 80). 
 
Dessa forma, podemos concluir que o princípio da culpabilidade está 
relacionado diretamente ao requisito subjetivo do crime, isto é, e o agente causador 
do delito, é necessariamente culpável. 
 
2.3 DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE 
2.3.1 Da Etimologia “Coculpabilidade” 
 
Ultrapassado o conceito dos princípios e a sua importância para o Direito 
Penal e ainda, tendo sido analisado brevemente o conceito do princípio da 
culpabilidade, antes de se adentrar no mérito do princípio da coculpabilidade, 
cumpre tecer algumas considerações acerca de sua etimologia. 
 Veja-se que a etimologia “coculpabilidade” é formada pelo prefixo “co” 
e o sufixo “culpabilidade”. 
O prefixo “co” está diretamente relacionado ao elemento da companhia na 
culpabilidade, ou seja, a companhia em eventual responsabilidade no cometimento 
do fato típico. 
 
 
2.3.2 Da Origem Do Princípio Da Coculpabilidade 
 
O princípio da coculpabilidade tem sua origem no liberalismo, de forma 
simplória, considere o surgimento do Estado Liberal e o consequente pacto social, 
pelo qual o Estado assuma a responsabilidade de prover o mínimo para a 
população, e esta, em contrapartida, siga as normas ditadas por aquele Estado. 
Portanto, a partir do momento em que o Estado não cumpra o seu papel 
neste considerado pacto social, o mesmo assume as consequências da ausência de 
amparo àqueles cidadãos que mais necessitam e eventualmente, sucumbem à 
criminalidade. 
Em consequência disso, surge a coculpabilidade. Eis que ao cometer 
determinado delito, o individuo teria rompido o pacto social, contudo, a 
corresponsabilidade do Estado advém da ausência de sua própria atuação. Neste 
sentido esclarece Grégore Moura (2006, p. 44), “em contrapartida, o Estado também 
quebra o contrato social quando deixa de propiciar aos seus cidadãos o mínimo de 
condições de sobrevivência, segurança e desenvolvimentoda pessoa humana”. 
Ainda que se tenha esclarecido a ideia abstrata do conceito da 
coculpabilidade, insta manifestar que o percussor do seu conceito formal foi 
apresentado pelo jurista Eugenio Raúl Zaffaroni, atual Magistrado da Corte 
Interamericana de Direitos Humanos, localizada em San José, capital da Costa Rica. 
Contudo, há diversos autores que tratam do princípio da coculpabilidade na 
doutrina brasileira, tais como: 
Grégore Moura leciona que: 
 
“O princípio da co-culpabilidade é um princípio constitucional implícito que 
reconhece a co-responsabilidade do Estado no cometimento de 
determinados delitos, praticados por cidadãos que possuem menor âmbito 
de autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, 
principalmente no que se refere às condições sociais e econômicas do 
agente, o que enseja menor reprovação social, gerando conseqüências 
práticas não só na aplicação e execução da pena, mas também, no 
processo penal.” (MOURA, Grégore. 2006 p. 36-37). 
 
Por sua vez, Juarez Cirino dos Santos dita que: 
 
 
 
“Hoje, como valoração compensatória da responsabilidade dos indivíduos 
inferiorizados por condições sociais adversas, é admissível a tese da 
coculpabilidade da sociedade organizada, responsável pela injustiça das 
condições sociais desfavoráveis da população marginalizada, determinantes 
de anormal motivação da vontade nas decisões da vida.” (SANTOS, Juarez 
Cirino dos. 2004 p. 265-266). 
 
2.3.3 Do Princípio Da Coculpabilidade Como Princípio Constitucional Implícito 
 
Como se viu anteriormente, especialmente na doutrina de Grégore Moura, é 
possível identificar o princípio da coculpabilidade como um princípio constitucional 
implícito. 
O princípio da coculpabilidade é, portanto, é o resultado da interpretação 
constitucional, haja vista os fundamentos basilares da República Federativa do 
Brasil, explícitos nos artigos 1º e 3º da Constituição Federal (CF), a saber: 
 
“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel 
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
(...) 
III - a dignidade da pessoa humana; 
(...) 
 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: 
(...) 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades 
sociais e regionais; 
(...)” (Brasil, 1988). 
 
Portanto, tendo em vista as eventuais omissões do Estado e oportunamente 
coniventes com o descumprimento de suas obrigações constitucionais perante os 
cidadãos, logo, o Estado deve ser responsabilizado em virtude da sua ausência de 
atuação. 
Desta forma, verifica-se que o princípio da coculpabilidade está previsto, 
ainda que de forma explícita, na Constituição da República de 1988. 
 
 
 
3 DA VISUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE NO DIREITO 
ESTRANGEIRO – DIREITO COMPARADO 
 
Tendo em vista o que foi exposto anteriormente, restou incontroverso que o 
princípio da coculpabilidade está presente em grande parte da doutrina brasileira, 
ainda que se trate de princípio constitucional tido como implícito. 
Contudo, em virtude da uniformização principiológica do Direito Penal 
Constitucional, ou seja, no que diz respeito aos aspectos que buscam amplitude do 
alcance da dignidade da pessoa humana no ordenamento jurídico criminal mundial, 
verifica-se que diversos conceitos são pacificados tanto na doutrina, quanto na 
legislação de diversos países. 
Portanto, o direito comparado se traduz na importância de análise de 
ordenamentos jurídicos, levando-se em consideração, legislação, doutrina e 
sobretudo, a jurisprudência, eis que demonstram o contexto social que originaram 
aquela composição jurídica. 
Nesse sentido aduz Naojiro Sujiyama: 
 
“No hay ningún Derecho comparado que no exija una comprobación positiva 
comparativa y sistemática, que consiste, en suma, en investigar la 
substancia del derecho viviente, para observar los efectos que derivan de 
ella y las circunstancias sociales que se encuentran detrás del derecho 
viviente”. (SUJIYAMA, Naojiro. 1941, p. 56-57). 
 
Diante disso, manifesta é a importância da verificação do princípio da 
coculpabilidade no Direito Estrangeiro, especialmente nos países em que o princípio 
da coculpabilidade está positivado. 
 
3.1 DO CÓDIGO PENAL DA ARGENTINA 
 
No Código Penal da Argentina, o princípio da coculpabilidade está previsto 
entre os artigos 40 e 41, in verbis: 
 
Art. 40.- En las penas divisibles por razón de tiempo o de cantidad, los 
tribunales fijarán La condenación de acuerdo con las circunstancias 
atenuantes o agravantes particulares a cada caso y de conformidad a las 
reglas del artículo siguiente. 
 
 
Art. 41.- A los efectos del artículo anterior, se tendrá en cuenta: 
1º. la naturaleza de la acción y de los medios empleados para ejecutarla y la 
extensión del daño y del peligro causados; 
2º. la edad, la educación, las costumbres y la conducta precedente del 
sujeto, la calidad de los motivos que lo determinaron a delinquir, 
especialmente la miseria o la dificultad de ganarse El sustento propio 
necesario y el de los suyos, la participación que haya tomado en el hecho, 
lãs reincidencias en que hubiera incurrido y los demás antecedentes y 
condiciones personales, así como los vínculos personales, la calidad de las 
personas y las circunstancias de tiempo, lugar, modo y ocasión que 
demuestren su mayor o menor peligrosidad. El juez deberá tomar 
conocimiento directo y de viso del sujeto, de la víctima y de las 
circunstancias del hecho en la medida requerida para cada caso. 
(ARGENTINA, 1984). 
 
Em suma, verifica-se que na Argentina a o princípio da coculpabilidade tem 
sua aplicação não só em virtude da ausência de atuação estatal, em relação ao 
agente, isto é, quando verificado que a pessoa possui condições de vida superiores, 
impõe-se a agravação da pena. 
Por outro lado, verificado que aquele que se encontra a margem da 
sociedade, em razão da falta de oportunidades oferecidas pelo Estado, há o 
abrandamento da pena. 
3.2 DO CÓDIGO PENAL DA COSTA RICA 
Diferentemente da Argentina, o Código Penal da Costa Rica determina que o 
princípio da coculpabilidade seja o medidor da culpabilidade do agente, vejamos: 
 
Artículo 73: Principio de culpabilidad La pena no podrá exceder los límites 
de la culpabilidad. Tanto para cuantificar como para seleccionar la pena de 
los delitos y las contravenciones, el juez tendrá especialmente en cuenta: La 
extensión del daño y del peligro provocados; la calidad de los motivos que lo 
impulsaron a la conducta; la mayor o menor comprensión del carácter ilícito 
de la conducta; las circunstancias de modo, tiempo y lugar de la conducta; 
las condiciones económicas, sociales, culturales y personales del autor; el 
comportamiento posterior a la conducta, en cuanto revele la disposición 
para reparar el daño, resolver el conflicto o mitigar sus efectos; y las 
condiciones generales de la persona ofendida en la medida en que hayan 
influido en la comisión del delito o contravención. Las mismas reglas se 
aplicarán cuando se trate de las sustituciones tanto de la pena principal por 
una alternativa como de una alternativa por otra u otra. (COSTA RICA, 
1970). 
 
 
 
3.3 DO CÓDIGO PENAL BOLIVIANO 
Por sua vez, o Código Penal Boliviano dispõe do princípio da coculpabilidade 
como uma circunstância subjetiva do agente, ou seja, busca-se aferir características 
de sua personalidade. 
Frisa-se que a aplicação do princípio da coculpabilidade Brasil segue esta 
mesma linha de raciocínio, contudo este tema será tratado em momento oportuno. 
Assim sendo, tanto na Bolívia como no Brasil, sendo verificada a condição de 
miserabilidade, é possível a aplicação do princípio da coculpabilidade como 
atenuante genérica. Porquanto, cumpre ser transcrito os artigos 38 e 40 do Código 
Penal Boliviano: 
 
Art. 38 – CIRCUNSTANCIAS 
1. Para apreciar la personalidad del autor,se tomará principalmente en 
cuenta: 
a) La edade, la educación, las costumbres y la conducta precedente y 
posterior del sujeito, los móviles que lo impulsaron a delinquir y su situación 
econômica e social. 
Art. 40 – ATENUANTES GENERALES. 
 Poderá también atenuarse La pena: 
1. Cuando El autor há obrado por motivo honorable, o impulsado por La 
miséria. (BOLÍVIA, 1972). 
 
3.4 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO 
Todos os elementos contidos no presente artigo demonstram que o princípio 
da coculpabilidade não está previsto expressamente no Código Penal Brasileiro, no 
entanto, diante de seu conceito, a doutrina explana a forma de sua utilização como 
circunstância atenuante genérica. 
3.4.1 Das Circunstâncias Atenuantes Genéricas 
Existe um jargão originário do Latim com o seguinte escopo “ad 
argumentandum tantum”, que significa, de forma simples “apenas para argumentar”. 
Pois bem, a respeito da aplicação do princípio da coculpabilidade, é necessário que 
seja pincelado o que são as circunstâncias atenuantes genéricas. 
Nos mandamentos de Nelson Hungria: 
 
 
 
 “as circunstâncias são as modalidades da ação criminosa, particularmente 
no que respeita à sua natureza, à espécie dos meios empregados, ao 
objeto, ao tempo, ao lugar, à atitude ou ao estado de ânimo do réu antes, 
durante ou após o crime.” (HUNGRIA. 1985. P. 476). 
 
Assim sendo, exprime-se que a circunstância atenuante é elemento presente 
no crime, no entanto, não é considerado pressuposto de sua existência e em razão 
disso auxilia a verificação da culpabilidade da conduta do agente, ou seja, o aspecto 
subjetivo. 
Nesse sentido assevera Paulo José da Costa: 
 
“O crime poderá apresentar-se despido de circunstâncias, nu em seu 
modelo legal, circunscrito a seus elementos essenciais. Poderá também 
surgir circundado por uma constelação de elementos acessórios que, sem 
alterar o seu aspecto qualitativo, intensifica ou abranda sua quantidade. 
Circunstâncias legais atenuantes são aquelas que atuam diminuindo a 
reprovabilidade da ação e conseqüentemente a culpabilidade pelo crime 
praticado.” (COSTA. 2000. P. 151). 
 
No CPB as circunstâncias atenuantes genéricas estão previstas no artigo 66, 
in verbis: 
 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância 
relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista 
expressamente em lei. (BRASIL. 1940). 
 
Passa-se, agora, à análise da aplicação do princípio da coculpabilidade como 
uma atenuante genérica. 
 
3.4.2 Da Aplicação do Princípio da Coculpabilidade Como Atenuante Genérica 
 
A princípio, se faz necessário a retomada das características fundamentais do 
princípio da coculpabilidade, ou seja, trata-se de instituto do Direito Penal que 
objetiva a parcial imputação ao Estado da responsabilidade por atos criminosos 
praticados por aqueles que não tiveram condições básicas de subsistência em 
virtude da ausência de atuação estatal. 
 
 
Contudo, não é possível incluir, em eventual demanda judicial, o Estado X no 
polo passivo do processo, entretanto, a fim de legitimar a utilização do mencionado 
princípio, verificou-se que a sua aplicação está relacionado ao aspecto subjetivo do 
crime – aspectos relativos ao agente. 
Nesse sentido, Moura sustenta: 
 
[...] a precisão expressa da co-culpabilidade como atenuante genérica 
reforçaria a necessidade de sua aplicação, bem como limitaria o poder de 
liberdade e interpretação do magistrado, tão amplo quando da análise do 
art. 59. (MOURA, 2006, p. 94). 
 
Posto isso, imperioso que se destaque o que leciona o artigo 59 do CPB, 
especialmente o contido no caput: 
 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta 
social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e 
conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, 
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime: 
 I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
 II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
 III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
 IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra 
espécie de pena, se cabível. (BRASIL, 1940). 
 
Portanto, ainda que não exista previsão expressa do princípio da 
coculpabilidade no ordenamento jurídico brasileiro, a sua aplicação é plenamente 
possível, a partir da junção dos artigos 59 e 66 do CPB. 
Quanto da aplicação do artigo 66 do CPB, assim comenta Guilherme de 
Souza Nucci: 
 
“Trata-se de circunstância legal extremamente aberta, sem qualquer apego 
à forma, permitindo ao juiz imenso arbítrio para analisá-la e aplicá-la. Diz a 
lei constituir-se atenuante qualquer circunstância relevante, ocorrida antes 
ou depois do crime, mesmo que não esteja expressamente prevista em lei. 
Alguns a chamam de atenuante de clemência, pois o magistrado pode, 
especialmente o juiz leigo no Tribunal do Júri, levar em consideração a 
indulgência para acolhê-la. Um réu que tenha sido violentado na infância e 
pratique, quando adulto, um crime sexual (circunstância relevante anterior 
ao crime) ou um delinquente que se converta à prática constante da 
caridade (circunstância relevante depois de ter praticado o delito) podem 
servir de exemplos.” (NUCCI, 2007, p. 257-258). 
 
 
 
Destarte, tendo em mente o escopo do princípio da coculpabilidade, bem 
como o caput do artigo 59 do CPB, tem-se que a sua aplicação ocorrerá por força do 
art. 66. 
Importante frisar que o princípio da coculpabilidade não busca, de forma 
alguma, beneficiar o agente, ou seja, não objetiva afastar a responsabilidade do 
cidadão que eventualmente cometeu determinado delito. 
Muito pelo contrário, o intuito deste princípio é exigir do Estado que assegure 
os direitos básicos previstos constitucionalmente e, sobretudo, puni-lo, por não 
efetivar a prestação de serviço a todos os cidadãos. 
Finalmente, com intuito de concluir o entendimento disposto neste tópico, 
resta a menção do que leciona Moura: 
“Entretanto a co-culpabilidade como forma de agravação da reprovação 
social e penal irá de encontro às finalidades para as quais foi desenvolvida, 
resultando em uma extensão e revisão de seu conceito, bem como de seus 
aspectos doutrinários ou, quiçá, no seu total desenvolvimento.” (2006, p. 
47). 
 
 
 
 
 
4 DA VISUALIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA COCULPABILIDADE NOS ACÓRDÃOS 
PROFERIDOS PELO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE 
SÃO PAULO 
 
Diante tudo o que foi exposto, restou claro do que trata o princípio da 
coculpabilidade, a sua forma de aplicação no ordenamento jurídico brasileiro, bem 
como a sua comparação com o direito internacional. 
Finalmente, a fim de que esta teoria reste incontroversa, se faz necessária a 
sua visualização em casos práticos, razão pela qual será disposto a seguir 03 (três) 
acórdãos proferidos pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 
1507142-78.2020.8.26.0228. Apelante: Fagner da Costa Tavares. Apelado: 
Ministério Público do Estado de São Paulo. Relator Tetsuzo Namba. 
APELAÇÃO CRIMINAL. Ementa: 
1-) Apelação criminal. Roubo majorado. Parcial provimento do recurso 
defensivo para afastar a agravante prevista no art. 61, inc. II, alínea “j”, do 
Código Penal (calamidade pública decretada em face da pandemia da 
COVID-19) e parcial provimento do reclamo da Acusação para reconhecer a 
incidência da causa de aumento do emprego de arma de fogo e fixar o 
regime inicial fechado. 
2-) Materialidade delitiva e autoria, além de incontroversas, estão 
comprovadas pela prova oral e documentos existentes nos autos. 
3-) Causa de aumento de emprego de arma de fogo deve ser reconhecida, 
pois demonstrada pelo dito pela vítima. Desnecessidade de sua apreensão 
ou perícia. 
4-) Pena modificada. Na primeira fase, a pena-base foi elevada de 1/16, 
diante das circunstâncias e consequências docrime, tendo-se quatro (4) 
anos e três (3) meses de reclusão e pagamento de dez (10) dias-multa. Na 
segunda fase, embora não se discuta que o crime ocorreu durante o 
período de calamidade pública decretada em face da pandemia de COVID-
19, tal circunstância em nada contribuiu para a sua realização, razão pela 
qual a agravante prevista no artigo 61, II, “j” do Código Penal deve ser 
afastada. No mais, incabível o reconhecimento da atenuante inominada, 
aplicando-se a teoria da coculpabilidade, como aventado pela Defesa, 
pois não há prova nos autos que permitam afirmar que a conduta 
criminosa decorreu, ao menos em parte, de negligência estatal. De 
outro lado, a atenuante da confissão espontânea deve permanecer, pois a 
admissão judicial de culpa foi considerada como elemento de convicção 
(Súmula 545 do Superior Tribunal de Justiça). Assim, a pena retorna ao 
patamar mínimo, diante da presença das atenuantes da menoridade penal e 
confissão espontânea, tendo-se quatro (4) anos de reclusão e pagamento 
de dez (10) dias-multa. Na terceira fase, aumenta-se a pena de 2/3, pela 
existência de causas de aumento de emprego de arma de fogo e concurso 
de agentes, com aplicação do art. 68, parágrafo único, do Código Penal. 
Total: seis (6) anos e oito (8) meses de reclusão e pagamento de dezesseis 
(16) dias-multa. 
5-) O regime inicial da pena privativa da liberdade será o fechado. Fagner 
praticou crime grave, não só abstratamente, todavia, concretamente, roubo 
em concurso com dois agentes e com emprego de arma de fogo. A vítima 
foi subjugada durante o trabalho e teve suas ferramentas para o respectivo 
exercício e ganho de renda subtraídas. Após ser localizado pelos policiais, 
 
 
Fagner ainda tentou fugir e colidiu contra o portão de um residência, 
colocando em risco a vida de transeuntes e provocando prejuízos ainda 
maiores a terceiros. Tudo isso mostra sua periculosidade, ousadia, 
personalidade desvirtuada e desejo de uma conduta social inconveniente. 
Ora, é de pronta intelecção sua perpetração denota personalidade 
inteiramente avessa aos preceitos ético-jurídicos que presidem à 
convivência social. Tendo isso presente, deve o juiz sujeitar o agente ao 
mais severo regime prisional. Dessa forma, retribui-se pelas condutas 
delituosas feitas, previne-se que não mais as cometa e outras infrações 
penais e reintegre-se à sociedade, de maneira harmônica. 
6-) Com a nova redação do art. 387, parágrafo 2º, do Código de Processo 
Penal, na detração, pode ser feita escolha do regime. No caso, o tempo de 
prisão, suas condições objetivas e subjetivas, já comentadas, são 
sopesadas, deixando-se no regime eleito; acrescente-se que se houvesse 
execução, provisória ou definitiva, esse juízo seria feito, necessariamente, 
sob pena de ter-se apenas uma operação aritmética, que não convém. 
7-) Fagner está preso e assim deve permanecer, pois persistem os motivos 
que ensejaram sua custódia cautelar. (Grifo Nosso). 
 
Da ementa do acórdão transcrito acima, se pode exprimir que neste caso 
houve o afastamento da aplicação do princípio da coculpabilidade tendo em vista 
não ter havido prova nos autos que demonstrassem a responsabilização estatal. 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 
1516084-02.2020.8.26.0228. Apelante: Danilo Matias Da Silva. Apelado: 
Ministério Público do Estado de São Paulo. Relator Damião Cogan. 
APELAÇÃO CRIMINAL. Ementa: 
 Apelação criminal. Roubo (art. 157, caput, por duas vezes, na forma do art. 
70, c.c. o artigo 61, inciso II, alínea “j”, todos do Código Penal). Apelo 
defensório buscando absolvição por insuficiência probatória. 
Subsidiariamente, pretende o afastamento da agravante prevista no art. 61, 
II, “j”, do CP e reconhecimento da atenuante da coculpabilidade, bem como 
a compensação entre a reincidência e a confissão espontânea. Por fim, 
pugna pela fixação do regime semiaberto com aplicação da detração penal. 
Conjunto probatório robusto a sustentar a condenação. Teses defensivas 
afastadas. Penas e Regime mantidos. Recurso improvido. 
 
Muito embora não constar na ementa a razão pela qual o recurso foi 
improvido, especialmente no que diz respeito ao princípio da coculpabilidade, veja-
se o que consta no escopo deste Acórdão: 
 
“Do mesmo modo não merece acolhida a tese defensiva de incidência da 
atenuante inominada, posto que eventuais dificuldades suportadas pelo 
apelante e supostamente agravadas pela pandemia não o autorizam 
delinquir. 
O Superior Tribunal de Justiça rechaça a aplicação da teoria da 
coculpabilidade como justificativa para a prática de crimes: 
HABEAS CORPUS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO 
PERMITIDO E USO DE DOCUMENTO FALSO. DOSIMETRIA DA PENA. 
MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. CONDENAÇÕES COM 
TRÂNSITO EM JULGADO. EXASPERAÇÃO NA PRIMEIRA E NA 
 
 
SEGUNDA FASE. POSSIBILIDADE. TEORIA DA CO-CULPABILIDADE. 
COMPENSAÇÃO DA REINCIDÊNCIA COM A ALUDIDA CIRCUNSTÂNCIA 
ATENUANTE GENÉRICA. INVIABILIDADE. AGRAVANTE DA 
REINCIDÊNCIA. AUMENTO DA PENA EM 1/3 (UM TERÇO). 
NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO. HABEAS CORPUS 
PARCIALMENTE CONCEDIDO. 
1. "Não configura bis in idem a utilização de condenações anteriores com 
trânsito em julgado, para caracterizar os maus antecedentes e a 
reincidência do paciente, desde que uma delas seja utilizada para exasperar 
a pena-base e a outra na segunda fase da dosimetria" (HC 167.459/RJ, 5.ª 
Turma, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe de 12/02/2012). 
2. A teoria da co-culpabilidade não pode ser erigida à condição de 
verdadeiro prêmio para agentes que não assumem a sua 
responsabilidade social e fazem da criminalidade um meio de vida. 
3. Ademais, ad argumentandum tantum, inviável a compensação da 
circunstância preponderante da reincidência com a aludida circunstância 
atenuante genérica, a teor do disposto no art. 67 do Código Penal. 
4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a aplicação de fração superior 
a 1/6 pela reincidência exige motivação idônea. 
5. A sentença condenatória, convalidada pela Corte a quo, reconheceu que 
o Paciente era reincidente e aumentou a sanção, na segunda fase, no 
patamar de 1/3, sem a correspondente fundamentação. Assim, impõe-se a 
readequação do acréscimo para o percentual mínimo de 1/6. 
6. Habeas corpus parcialmente concedido para, reformando a sentença 
condenatória e o acórdão combatido, fixar a pena do Paciente em 05 anos, 
05 meses e 10 dias, mais o pagamento de 24 dias-multa, mantendo-se, no 
mais, os parâmetros adotados pelas instâncias ordinárias. (HC 179.717/SP, 
Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 
21/05/2012).” (Grifei). 
 
Ao contrário do que consta no primeiro Acórdão, veja-se que nesta ocasião, o 
a teoria foi afastada em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça 
acerca do tema, conforme jurisprudência daquela Corte Superior disposta no escopo 
do Acórdão. 
Finalmente, com intuito de consignar o posicionamento do E. TJSP, passa-se 
a análise de mais um Acórdão que menciona a impossibilidade da aplicação do 
princípio da coculpabilidade: 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 
1515766-19.2020.8.26.0228. Apelante: Bruno Borges Dos Santos. Apelado: 
Ministério Público do Estado de São Paulo. Relator Andrade Sampaio. 
APELAÇÃO CRIMINAL. Ementa: 
APELAÇÃO CRIMINAL. Tráfico de drogas. Defesa requer a fixação das 
basilares no mínimo, a compensação entre a reincidência e a confissão, o 
afastamento da agravante prevista no art. 61, II, j, do Código Penal, a 
consideração da atenuante genérica prevista no artigo 66 do Código Penal 
e a atenuação do regime prisional, com aplicação da detração. Parcial 
provimento. Materialidade e autoria induvidosas. Conjunto probatório 
robusto. Finalidade de mercancia caracterizada. Condenação pelo delito de 
tráfico era mesmo de rigor. Dosimetria comporta reparos. Na primeira fase, 
as basilares devem ser fixadas no mínimo, pois a justificativa utilizada em 
primeiro grau não se sustenta.Na segunda fase, mantém-se o 
 
 
reconhecimento da confissão e da reincidência. Cabível a compensação 
entre ambas. Ainda nesta etapa, faz-se necessário afastar a incidência da 
agravante prevista no art. 61, inciso II, alínea j, do Código Penal. Ao final, 
ausentes os requisitos necessários para aplicação do redutor. Regime 
fechado proporcional e necessário à hipótese em comento. Detração é 
matéria afeta ao Juízo das Execuções. Impossibilidade de substituição por 
restritiva de direitos. Sentença parcialmente reformada. Recurso 
parcialmente provido. 
 
Veja-se neste caso, que houve o afastamento da aplicação do princípio da 
coculpabilidade, entretanto, nesta oportunidade, os precedentes do C. STJ foram 
diferentes, cumpre transcrever trecho do Acórdão: 
 
“Assim, não é o caso de atender ao pleito defensivo, requerendo a 
aplicação da atenuante genérica prevista no artigo 66 do Código 
Penal”. 
Anoto, inclusive, que a teoria da coculpabilidade, não é aceita, em geral, 
pela jurisprudência. Nesse sentido: 
A teoria da coculpabilidade não pode ser erigida à condição de verdadeiro 
prêmio para agentes que não assumem a sua responsabilidade social e 
fazem da criminalidade um meio de vida. Ora, a mencionada teoria, "no 
lugar de explicitar a responsabilidade moral, a reprovação da conduta ilícita 
e o louvor à honestidade, fornece uma justificativa àqueles que apresentam 
inclinação para a vida delituosa, estimulando-os a afastar da consciência, 
mesmo que em parte, a culpa por seus atos" (STJ, HC 213482/SP, Rel. Min. 
Laurita Vaz, 5ª T., j. 17/09/2013).” (Grifei). 
 
Diante de todos os fatos expostos, oportuno concluir que a teoria da 
coculpabilidade está presente no ordenamento jurídico brasileiro, ainda que a 
jurisprudência tenha contrariado a sua aplicação. 
Contudo, mister salientar que na hipótese de aplicação da teoria aos casos 
concretos, em virtude do instituto não ser previsto em lei, restou evidente que sua 
aplicação ocorreria por força dos artigos 59 e 66 do CPB. 
 
 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O estudo do princípio da coculpabilidade se trata, sobretudo, da análise da 
doutrina brasileira. De forma geral, verifica-se que os doutrinadores buscam 
apresentar o tema de forma didática, ou seja, analisando seu conceito histórico e a 
forma de enquadrá-lo com o ordenamento jurídico brasileiro. 
Como se viu, o princípio da coculpabilidade não está previsto expressamente 
em nossa legislação, contudo, partindo-se do ponto que se trata de mecanismo 
jurídico que busca a análise subjetiva e social do agente que eventualmente 
cometeu algum delito, evidente o cabimento dos artigos 59 e 66, ambos do Código 
Penal Brasileiro. 
Com efeito, a análise da legislação extravagante contida no presente trabalho 
foi de extrema importância para validação do princípio da coculpabilidade em nosso 
ordenamento jurídico. 
Ainda assim, finalmente sendo verificada a possibilidade de aplicação da 
teoria demasiadamente analisada neste trabalho, verificou-se que o mencionado 
princípio da coculpabilidade não tem sido aceito na jurisprudência. 
Com base nos acórdãos transcritos no presente trabalho, quais sejam os 
proferidos pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, restou evidente 
que aqueles Desembargadores, utilizando os preceitos do Colento Superior Tribunal 
de Justiça tem se posicionado contrariamente a aplicação do princípio da 
coculpabilidade. 
Dentre as justificativas mencionadas nos mencionados acórdãos, verificamos 
que foi utilizada a tese de ausência de provas (I); suposta utilização do princípio da 
coculpabilidade como “prêmio” aos agentes criminosos (II), bem como que as 
condições financeiras e sociais pretéritas não autorizavam que os agentes 
delinquissem. 
Ocorre, entretanto, ainda que o princípio da coculpabilidade não tenha sua 
aplicação efetiva, o seu estudo é de suma importância, haja vista a necessidade de 
investigação dos aspectos criminais e sociais. 
Ora, pela teoria da coculpabilidade, se busca impor ao Estado, parcela da 
responsabilização dos atos criminosos praticados por agentes que nunca usufruíram 
 
 
da atividade estatal efetiva, isto é, aqueles direitos básicos previstos na Constituição 
Federal de 1988. 
Neste estudo, não se buscou esgotar o assunto, portanto, é cediço que 
existem diversos aspectos que não foram devidamente tratados, contudo, a sua 
ausência não implica a desvalorização do presente trabalho. 
Não obstante, a principal conceituação do tema foi disposta no presente 
trabalho, bem como sua possibilidade de aplicação e comparação com o direito 
estrangeiro. 
Em fim, sendo analisada a jurisprudência e finalmente esgotando-se os 
objetivos do presente trabalho, se pode concluir que o tema ainda se encontra em 
seu estado inicial, requerendo maior análise, e ampla discussão a fim de que se 
consolidar a possibilidade de aplicação. 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. São Paulo: Saraiva 2002. 
 
DINIZ, Maria Helena. A Ciência Jurídica. 6ª ed., São Paulo: Saraiva, 2003. 
 
TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios básicos de direito penal. 5ª ed. São 
Paulo: Saraiva, 2012. 
 
MOURA, Grégore. Do princípio da co-culpabilidade. Niterói: Impetus, 2006. 
 
SANTOS, Juarez Cirino dos. A moderna teoria do fato punível. Curitiba: Forum, 
2004. 
 
SUJIYAMA, Naojiro. Ensayo de una concepción sintetica del derecho 
comparado. In: Concepto y metodos del derecho comparado. México: Compañia 
General, 1941. 
 
COSTA JÚNIOR. Paulo José da. Direito Penal: Curso Completo. 7 ed. São Paulo: 
Saraiva, 2000. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Individualização da Pena. 2. ed. rev., amp. e atual. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 1507142-
78.2020.8.26.0228. Apelante: Fagner da Costa Tavares. Apelado: Ministério Público 
do Estado de São Paulo. Relator Tetsuzo Namba. Disponível em: 
https://esaj.tjsp.jus.br/cposg/show.do?processo.codigo=RI0069ZOB0000&processo.f
oro=990&processo.numero=15071427820208260228&gateway=true. Acesso em: 
19. Abr. 2021. 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 1516084-
02.2020.8.26.0228. Apelante: Danilo Matias Da Silva. Apelado: Ministério Público do 
Estado de São Paulo. Relator Damião Cogan. Disponível em: 
https://esaj.tjsp.jus.br/cposg/show.do?processo.codigo=RI0063MQE0000&processo.f
oro=990&processo.numero=15160840220208260228. Acesso em: 19. Abr. 2021. 
 
SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação nº 1515766-
19.2020.8.26.0228. Apelante: Bruno Borges Dos Santos. Apelado: Ministério Público 
do Estado de São Paulo. Relator Andrade Sampaio. Disponível em: 
https://esaj.tjsp.jus.br/cpopg/show.do?processo.codigo=6C00014T60000&processo.f
oro=50&processo.numero=1515766-
19.2020.8.26.0228&uuidCaptcha=sajcaptcha_f465b7df987c434b8475e74c4bfe9f94. 
Acesso em: 19. Abr. 2021. 
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: 
Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm. Acesso em: 13 
mar. 2021. 
 
 
 
BRASIL. Código Penal (1940). Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em 17 
abr. 2021. 
 
ARGENTINA. Ley nº 11.179, 1984. Código Penal de la Nación Argentina. 
Información Legislativa, Buenos Aires. Disponível em: 
http://servicios.infoleg.gob.ar/infolegInternet/anexos/15000-19999/16546/texact.htm . 
Acesso em: 19. abr. 2021. 
 
BOLÍVIA. Ley nº 10.426, de 26/08/1972. CODIGO PENAL. Disponível em: 
https://bolivia.infoleyes.com/articulo/83367. Acesso em: 19. abr.2021. 
 
COSTA RICA. Ley nº 4573, 15/11/1970. Código Penal da Costa Rica. Portal Ibero-
americano de Justiça Electrónica. Disponível em: 
http://www.oas.org/dil/esp/Codigo_Penal_Costa_Rica.pdf. Acesso em 19. abr. 2021,

Mais conteúdos dessa disciplina