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ESTRATÉGIAS COMUNICATIVAS NO ENSINO DE LÍNGUAS AULA 6 Prof.ª Ana Maria Irribarem Soares da Trindade 2 CONVERSA INICIAL A seguir, discutiremos sobre o processo de avaliação. Além de destacar a importância da avaliação, abordaremos os diferentes tipos: formativa, somativa e diagnóstica, além da autoavaliação e da coavaliação. Veremos também como criar instrumentos de avaliação para as habilidades comunicativas e como adaptar as estratégias comunicativas de acordo com os resultados da avaliação. TEMA 1 – A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM Avaliar os alunos é uma prática corriqueira no contexto educacional, especialmente no ensino de línguas estrangeiras. As avaliações desempenham um papel importante em diversos aspectos do processo de aprendizagem, oferecendo benefícios tanto para os educadores quanto para os alunos. São vários os motivos que temos para avaliar, e esses motivos demonstram a importância que a avaliação assume no processo de ensino-aprendizagem. 1.1 Avaliar para diagnosticar A avaliação permite que educadores identifiquem as lacunas no aprendizado dos alunos, proporcionando um diagnóstico claro sobre suas necessidades educacionais. Isso é fundamental para que os professores possam ajustar suas metodologias e intervenções, garantindo que todos os alunos tenham a oportunidade de progredir em seu aprendizado. Heaton (1990, p. 11) compara: “Assim como é necessário para os médicos diagnosticar uma doença para curar seus pacientes, também os professores devem diagnosticar problemas, de modo a ensinar efetivamente”. Uma avaliação diagnóstica pode ser feita antes do início do programa do ano ou semestre letivo. Nesse caso, ela servirá para diagnosticar os pontos fracos e fortes dos alunos. Longe de ser capaz de modificar todo um currículo já determinado, a avaliação diagnóstica pode nos ajudar no planejamento de ensino. Podemos ter uma ideia de quais tópicos devem ter mais atenção com base no diagnóstico feito de antemão. Um bom teste diagnóstico também serve para avaliarmos o progresso dos alunos em relação aos problemas encontrados por eles durante a instrução. Para 3 que alcancemos esse objetivo, devemos ser sistemáticos, de modo a testar especificamente o que achamos que pode estar gerando confusão ou dúvidas nos alunos. Exemplo de avaliação diagnóstica No início do ano letivo, o professor aplica um teste simples contendo pontos gramaticais já ensinados no ano anterior. Os resultados da avaliação servirão para que o professor planeje suas aulas e ofereça revisão de conteúdo, caso seja necessário. Por exemplo, se a maior parte dos alunos não conseguiu resolver questões sobre o passado simples, é sinal de que esse tempo verbal deve ser revisado antes de novas estruturas gramaticais serem apresentadas. 1.2 Avaliar para monitorar o progresso As avaliações são ferramentas valiosas para monitorar o progresso dos alunos ao longo do tempo. Elas ajudam a verificar se os objetivos de aprendizagem estão sendo alcançados e se os estudantes estão absorvendo o conteúdo de maneira eficaz. Esse acompanhamento contínuo é vital para o planejamento de aulas futuras e para a adaptação das estratégias de ensino. Ao contrário do que se pensa regularmente sobre avaliação, o resultado de avaliações desse tipo deve produzir uma grande quantidade de notas altas após a correção (Heaton, 1990). Isso porque os testes que medem o progresso devem avaliar o que foi ensinado muito recentemente. Maus resultados são um sinal de alerta de que algo deu errado durante o processo. 1.3 Avaliar para fornecer um feedback construtivo Por meio da avaliação, os alunos recebem feedback sobre seu desempenho, o que é crucial para seu desenvolvimento acadêmico. Esse retorno não apenas informa os estudantes sobre seus pontos fortes e fracos, mas também os motiva a refletir sobre seu aprendizado e a buscar melhorias. Quando bem implementadas, as avaliações podem ajudar os alunos a desenvolverem uma maior autonomia em seu processo de aprendizagem. Ao entenderem melhor seus próprios padrões de desempenho e as áreas que precisam de atenção, eles se tornam mais capazes de gerenciar seu aprendizado e buscar recursos adicionais quando necessário. 4 1.4 Avaliar para melhorar as práticas pedagógicas As avaliações também servem como um meio para que os educadores analisem a eficácia de suas abordagens pedagógicas. Ao avaliar o desempenho dos alunos, os professores podem identificar quais métodos são mais eficazes e quais precisam ser ajustados ou substituídos. Isso promove uma cultura de melhoria contínua dentro da sala de aula. Com base nos dados coletados nas avaliações, os educadores podem refletir sobre suas práticas de ensino e fazer os ajustes necessários. Essa análise crítica permite que os professores experimentem novas metodologias e abordagens pedagógicas, garantindo que o ensino se mantenha relevante e eficaz para todos os alunos. A avaliação, portanto, não é apenas uma ferramenta de medição, mas um guia para a inovação no ensino. Por fim, as avaliações são fundamentais para garantir a qualidade do ensino oferecido. Elas permitem que as instituições educacionais monitorem o desempenho geral dos alunos e façam as adaptações necessárias em seus currículos e abordagens pedagógicas. Com isso, assegura-se que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade que atenda às suas necessidades. TEMA 2 – DIFERENTES TIPOS DE AVALIAÇÃO: FORMATIVA, SOMATIVA E DIAGNÓSTICA Já vimos que a avaliação é uma parte essencial do processo educacional, e dentro desse contexto, duas abordagens principais se destacam: a avaliação formativa e a avaliação somativa. Cada uma delas possui características, objetivos e funções distintas que contribuem de maneiras diferentes para o aprendizado dos alunos. Há também os testes de nivelamento, muito comuns no ensino de línguas, e fundamentais quando se deseja saber o nível de conhecimento dos alunos antes de se iniciar um curso. 2.1 Avaliação formativa A avaliação formativa é um processo contínuo que ocorre ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Seu principal objetivo é monitorar o 5 progresso dos alunos e fornecer feedback regular, permitindo ajustes nas estratégias de ensino. A principal característica da avaliação formativa é que ela é contínua e diagnóstica, ou seja, acontece durante todo o processo de aprendizagem, ajudando a identificar lacunas no conhecimento e a adaptar o ensino às necessidades dos alunos. O foco da avaliação desse tipo é o processo. Ela se concentra no desenvolvimento das habilidades dos alunos, promovendo um ambiente onde o erro é visto como uma oportunidade de aprendizado, e não uma oportunidade de culpar o aluno por ele. O feedback nesse tipo de avaliação deve ser imediato, ou não muito distante do momento em que se deu a avaliação. Devemos oferecer feedback constante, permitindo que os alunos compreendam suas áreas de melhoria e façam os ajustes necessários em tempo real. Pode-se manter um perfil dos alunos ao longo dessas avaliações. A ideia do perfil não é exatamente emitir uma nota sobre seu desempenho. Ele se assemelha mais a uma referência das habilidades pessoais (Baxter, 1997). Essa descrição deve ser dada ao aluno de modo que ele perceba seus pontos fortes e fracos, e como se desenvolve seu aprendizado. Exemplo de avaliação formativa Alunos estão aprendendo a escrever descrições de pessoas em inglês. O professor pede que cada um escreva uma pequena descrição de um membro da família (na língua-alvo). O professor anda pela sala, examinando textos, oferecendo ajuda e feedback para que os alunos melhorem suas habilidades de escrita. 2.2 Avaliação somativa Por outro lado, a avaliação somativa ocorre ao final de um ciclo de ensinoe tem como objetivo avaliar o desempenho global dos alunos em relação aos objetivos educacionais estabelecidos. A avaliação somativa é pontual e conclusiva. Ela é realizada em momentos específicos, geralmente ao final de um período letivo, e busca resumir o que foi aprendido. 6 O foco principal desse tipo de avaliação concentra-se nos resultados. Ela avalia o nível de domínio alcançado pelos alunos e resulta em notas ou classificações que determinam a progressão para o próximo nível de ensino. Em comparação com a avaliação formativa, a avaliação somativa tende a ser mais quantitativa, oferecendo uma visão geral do desempenho dos alunos sem necessariamente fornecer feedback detalhado sobre o processo de aprendizagem. Exemplo de avaliação somativa Ao final de um bimestre, os alunos são testados quanto ao que aprenderam. Há uma prova oral, na qual os alunos são testados em duplas sobre algum tema aprendido durante as aulas. Na prova escrita, o professor avalia as habilidades de compreensão auditiva, produção escrita e leitura. Os resultados demonstram se os alunos estão aptos a prosseguir nas aulas com ou sem aulas de recuperação ou reforço. 2.3 Avaliação diagnóstica: testes de nivelamento Já estudamos sobre a avaliação diagnóstica, que permite que os professores identifiquem as falhas no aprendizado dos alunos, proporcionando um diagnóstico claro sobre suas necessidades educacionais durante o processo de ensino-aprendizagem. Veremos, agora, uma avaliação diagnóstica realizada no início do período letivo e muito utilizada no ensino de línguas: o teste de nivelamento. O teste de nivelamento é aplicado para distribuir alunos em grupos mais ou menos homogêneos, de acordo com suas habilidades linguísticas no início do período letivo. Esse teste deve ter conteúdo geral e deve testar um amplo espectro do conhecimento linguístico do aluno (Heaton, 1990). O teste de nivelamento idealmente testa as quatro habilidades comunicativas: produção e compreensão da escuta, fala, leitura e escrita. A quantidade de questões em cada parte do teste pode variar, mas o resultado deve refletir o nível de conhecimento do aluno. O teste de nivelamento deve ter escores variados. Desse modo, é possível que se dividam os alunos em diversos grupos de acordo com diferentes níveis de conhecimento (Heaton, 1991). 7 Os três tipos de avaliação apresentados são complementares no ensino de línguas. Trazemos, a seguir, um quadro comparativo dos tipos de avaliação abordados. Quadro 1 – Quadro comparativo: tipos de avaliação Critério Avaliação diagnóstica Avaliação formativa Avaliação somativa Momento da aplicação Antes do início de um curso ou semestre letivo Aplicação contínua Final de um ciclo de ensino Objetivo Identificar dificuldades/necessidades/ nível de proficiência Monitorar o progresso dos alunos Avaliar o desempenho global dos alunos em relação aos objetivos educacionais estabelecidos Métodos utilizados Testes, entrevistas, questionários Exercícios, feedback contínuo, projetos, elaboração de perfil do aluno Provas/trabalhos/testes de avaliação quantitativa Foco Conhecimento prévio dos alunos Processo de aprendizagem Resultados Uso dos resultados Distribuição dos alunos em grupos homogêneos; adaptar o ensino às necessidades dos alunos Identificar lacunas no conhecimento e a adaptar o ensino às necessidades dos alunos Promoção, classificação ou certificação do aluno Exemplos no ensino de língua estrangeira Aplicação de teste de nivelamento para distribuir os alunos em diferentes níveis de conhecimento da língua Feedback constante, permitindo que os alunos compreendam suas áreas de melhoria e façam os ajustes necessários em tempo real Exame de certificação, tais como IELTS (International English Language Testing System) Fonte: Ana Maria Irribarem Soares da Trindade. TEMA 3 – CRIAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO PARA AS HABILIDADES COMUNICATIVAS Avaliamos nossos alunos a todo momento. Seja ao corrigir uma sentença oral ou ao avaliar a produção escrita, estamos avaliando como está se dando o desenvolvimento do aluno em relação ao que se espera dele. É importante utilizar uma variedade de técnicas de avaliação para capturar diferentes aspectos do aprendizado. Isso pode incluir avaliações formativas, somativas, autoavaliações e avaliações colaborativas, garantindo uma visão abrangente das habilidades e competências dos alunos. Dentro desse espectro da avaliação, incluem-se os testes, cuja definição abarca apenas um 8 pedaço do que definimos como avaliação. Os testes são instrumentos necessários, mas não os únicos instrumentos de avaliação disponíveis. O teste é um instrumento construído para avaliar a performance dos alunos com o propósito de medir seu desempenho baseado em critérios específicos (Brown, 2015). É consenso entre diversos autores que os bons testes têm características fundamentais: praticidade, confiabilidade e validade. Bons testes são práticos. Eles são adequados à quantidade de critérios que queremos avaliar, ao número de alunos a serem testados, aos recursos disponíveis para a testagem (tempo, tecnologia etc.), ao tempo que o professor pode dispor para correção e feedback, entre outros fatores de praticidade. Podemos escolher aplicar um teste em uma plataforma virtual, por exemplo. Porém, se a escola não dispõe de computadores suficientes para a tarefa, ou se o teste for aplicado para uma comunidade que não faz uso de tecnologia de forma corriqueira, o instrumento não será prático. Os testes precisam ser instrumentos confiáveis, ou seja, se uma mesma turma for testada duas vezes, levando em conta os mesmos critérios, os resultados devem ser consistentemente parecidos, se nada de novo for ensinado entre uma testagem e outra. Além da confiabilidade do teste, esse tipo de instrumento precisa ter consistência nos critérios de avaliação por parte dos avaliadores. Um mesmo teste realizado por um aluno deve ter a mesma nota se corrigido por dois ou mais avaliadores diferentes. Os critérios de correção devem ser claros, de modo a não deixar espaço para subjetividades durante a correção e atribuição de nota. O teste deve ser válido, isto é, um teste tem que medir o que ele deve medir e nada mais. Se, em um teste, pede-se para o aluno escrever um texto sobre os meios de transporte do século XX para testar a habilidade dos alunos em utilizar as formas passadas dos verbos, ele não é válido, posto que ele também testará o conhecimento dos alunos sobre o tema escolhido. Em um teste de produção oral, a avaliação deve ser feita acerca das habilidades linguísticas que estão sendo avaliadas, e não deve ser influenciada pela personalidade dos alunos (Heaton, 1990). A criação de instrumentos de avaliação, como vimos, deve obedecer a critérios bem pensados e combinados. Além da praticidade, confiabilidade e validade, existem aspectos específicos para serem levados em consideração quando avaliamos as habilidades comunicativas de nossos alunos. Veremos, a 9 seguir, alguns critérios para a criação de instrumentos que avaliem a compreensão e produção oral, bem como leitura e escrita em língua estrangeira. 3.1 Avaliação da compreensão oral Mesmo em estágios iniciais do ensino de línguas, a avaliação da compreensão oral (escuta) deve ser contextualizada. Ainda que tenhamos a intenção de avaliar como os alunos distinguem certos sons, a utilização das palavras em contexto é mais natural e comunicativa. A criação de instrumentos de avaliação da compreensão oral deve ser um processo cuidadoso que leva em conta as características de uma boa testagem e os objetivos educacionais. Apresentaremos alguns modos diferentes de avaliar a compreensão oral em sala de aula. Apesar deo uso da tecnologia em sala de aula já estar bastante avançado, o professor pode optar por avaliar a escuta de seus alunos por meio de um ditado ou uma leitura de um trecho específico. No caso do ditado, quando os alunos devem escrever o que ouvem, a ocorrência de erros de grafia na produção dos alunos é normal e deve ser desconsiderada (desde que a palavra ou trecho seja compreensível, apesar de erros de grafia), pois o que se está testando é a capacidade de compreensão da língua falada, e não a acuidade na grafia. Textos lidos pelo professor devem lembrar mais a fala do que a escrita. Os exercícios podem variar, mas o foco deve ser a compreensão. O uso de material gravado, apesar de muito utilizado, pode oferecer a desvantagem da falta de contexto visual e situacional. Por esse motivo, alguns cuidados devem ser tomados ao avaliar a compreensão oral por meio do uso de gravações. Primeiramente, pode-se fazer uso de figuras para tentar contextualizar o que vai ser ouvido. Atividades de pré-escuta são bem-vindas antes de se realizar a avaliação. Por fim, a contextualização da situação pode estar contida no enunciado do exercício proposto. Os exercícios propostos para essas atividades também devem ser pensados de acordo com o material escolhido para a audição. O importante é que eles contenham instruções claras para que o aluno compreenda exatamente o que deve ser feito. Harmer (2012) classifica os itens de testes em itens diretos e itens indiretos. Itens diretos, no caso da compreensão oral, envolvem a transferência de informação que eles ouvem para algum tipo de organizador gráfico (mapa, 10 gráficos, figuras). Os alunos também podem ser chamados a colocar uma história com figuras em ordem, de acordo com a ordem do que foi ouvido. Os itens indiretos incluem o preenchimento de lacunas, itens de múltipla escolha, assertivas com opção de verdadeiro ou falso, reordenação de frases ou itens de correspondência (Harmer, 2012). Os itens indiretos são mais apropriados para pedaços mais longos de escuta, já que estamos testando compreensão e não memória. 3.2 Avaliação da produção oral Assim como a avaliação da compreensão oral, a avaliação da produção oral (fala) deve ser preparada com cuidado, de modo a testar o que ela pretende testar. Se a intenção for avaliar a pronúncia, a leitura de textos em voz alta pode ser uma opção. Os critérios de avaliação devem estar claros tanto para o avaliador quanto para o aluno. A avaliação da fala se beneficia muito do uso de figuras como apoio visual. Heaton (1990) enfatiza que o trabalho oral baseado em figura condiz mais com a avaliação de uma lição, e não como parte de um teste formal, pois a avaliação da oralidade dentro do contexto de um teste geral consome muito tempo e fere o princípio da praticidade. O uso de figuras para avaliar a oralidade é variado. Figura 1 – Uso de figuras Fonte: Ana Maria Irribarem Soares da Trindade. Figuras Figuras para descrever Sequência de uma história Figuras para comparar Figuras com falas Mapas 11 Além do uso de figuras, podemos utilizar entrevistas entre professor e aluno ou conversas guiadas entre alunos. Nesse caso, os alunos são avaliados em pares, o que pode amenizar em muito a tensão causada em qualquer situação avaliativa. Uma dificuldade encontrada por professores na avaliação oral é o método utilizado para atribuir notas. Por esse motivo, o uso de escalas de avaliação é comum em entidades certificadoras de proficiência em línguas estrangeiras. Geralmente, as escalas medem o nível de performance oral em termos de fluência e coerência, vocabulário, desempenho gramatical, acurácia e pronúncia. Cada nível de nota na escala é acompanhado da descrição de como o aluno utiliza a língua em cada um dos itens avaliados. Saiba mais Confira a tabela IELTS com os critérios de avaliação da produção oral em língua inglesa. Disponível em: . Acesso em: 12 maio 2025. O próprio professor pode confeccionar sua tabela em conjunto com os colegas. Desse modo, ao estabelecer critérios de forma conjunta, o critério de confiabilidade da avaliação é reforçado. Alternativamente à utilização de escalas, a criação de “bandas de avaliação” parece uma solução mais simples e mais aplicável ao sistema de avaliação escolar. Um sistema de bandas pode ter de 5 a 10 níveis. A nota atribuída ao desempenho do aluno corresponde ao nível de habilidade descrito na banda. Por exemplo, uma banda nota 1 contém mais ou menos a seguinte descrição: 12 Figura 2 – Sistema de bandas Novamente, é importante que os critérios descritos nas bandas sejam discutidos em conjunto entre os professores, de modo a conferir credibilidade à avaliação. 3.3 Avaliação da escrita Em certa medida, a avaliação da produção escrita se assemelha à da produção oral. A dificuldade de encontrar confiabilidade no sistema de correção pode ser compensada pelo uso de bandas ou tabelas com parâmetros de correção. Isso acontece quando avaliamos pedaços mais longos de escrita não controlada. Alguns cuidados devem ser tomados pelo avaliador ao solicitar uma tarefa de escrita livre. Heaton (1990) oferece algumas sugestões nesse quesito: 1. Escolha dos temas: evitar temas vagos; escolher temas que sejam do escopo da vivência do aluno. 2. Tarefas realísticas: tentar aproximar a tarefa de escrita ao uso que os alunos fazem da escrita no seu dia a dia. 3. Definir um propósito para a escrita. 4. Definir uma audiência para a escrita. 5. Instruções específicas: instruções claras e contextualizadas acerca do que se espera que seja produzido. Porém, nem toda avaliação de escrita envolve a produção de redações ou tarefas mais complexas. Geralmente, avaliamos gramática e estruturas por meio de uma avaliação escrita. Para esse tipo de avaliação, podemos utilizar um número variado de tipos de questões, tais como itens de múltipla escolha, itens na banda. Por exemplo, uma banda nota 1 contém mais ou menos a seguinte descrição: Banda 1 Não consegue falar claramente na língua alvo. Uma banda 10 poderia ser descrita da seguinte maneira: Banda 10 Nível de falante nativo. Responde apropriadamente e mantém uma conversa sem dificuldades. Novamente, é importante que os critérios descritos nas bandas sejam discutidos em conjunto entre professores, de modo a conferir credibilidade à avaliação. NOTA 10 NOTA 1 13 de reconhecimento de erros, itens de arranjamento ou de substituição de palavras e preenchimento de colunas. Há também a avaliação feita por meio de escrita controlada. Os alunos podem ser chamados a transformar sentenças, utilizando palavras diferentes para produzir sentenças com o mesmo significado. Pode-se pedir que frases sejam produzidas a partir de uma série de palavras dadas, como, por exemplo: Obrigado / convite / formatura / Letras (o aluno deve ser capaz de produzir uma frase a partir da série de palavras fornecida). Outras formas de escrita controlada incluem o preenchimento de formulários, completamento de frases ou parágrafos e produção de sentenças a partir de notas. É importante lembrar que a contextualização das questões é fundamental para dar ao aluno um propósito para escrever. Também, os enunciados devem ser claros o suficiente para direcionar o aluno na realização da tarefa. 3.4 Avaliação da leitura Muitas das técnicas utilizadas na avaliação da leitura também podem ser empregadas na avaliação da compreensão oral (escuta). Afinal, estamos falando de avaliar a recepção de textos. Portanto, algumas das técnicas aqui apresentadas também podem ser utilizadas no tópico 3.1. Apesar de podermos avaliar vocabulário por meio de testes de leitura, a maior parte da avaliação leitora é entendida como verificaçãode compreensão de textos. Para avaliar a compreensão textual, itens indiretos, como os de múltipla escolha ou verdadeiro ou falso, são suficientes. Porém, alguns cuidados devem ser tomados ao escrever questões de compreensão de textos. O primeiro deles refere-se à montagem das questões. Trataremos aqui de questões de múltipla escolha, onde há uma opção correta e três ou mais distratores. Os distratores devem ser plausíveis de escolha, ou seja, eles precisam parecer corretos ao aluno que não tem certeza da resposta correta. Portanto, deve-se evitar distratores absurdos. Também é preciso ter em mente que tanto os distratores quanto a resposta correta devem estar dentro do escopo médio de vocabulário e estrutura conhecidos pelo aluno. Também é recomendável que se escrevam opções de tamanho parecido na hora da elaboração das questões. Isso evita que o aluno seja tentado a 14 marcar uma opção mais longa como a correta, devido ao seu tamanho visual na página. Opções gramaticalmente corretas são um imperativo na montagem de itens de múltipla escolha. O aluno mais esperto pode desconsiderar uma opção por considerá-la gramaticalmente incorreta e não por ter compreendido o texto, por exemplo. Nas questões de compreensão, deve-se evitar que palavras ou frases idênticas ao texto estejam presentes nas opções ou distratores. Isso evita que os alunos marquem determinada opção porque a viram escrita exatamente da mesma maneira no texto. Essa última recomendação também se aplica a itens de verdadeiro ou falso, outro tipo de questão muito utilizado na avaliação de leitura. Nesse tipo de item, as sentenças para que o aluno avalie (se são verdadeiras ou falsas) devem ser curtas e claras, de modo que a avaliação se refira ao texto apresentado e não aos itens da questão. A compreensão leitora também pode ser avaliada por meio de outros tipos de itens, como os de preencher lacunas. Esses itens testam a compreensão e a habilidade de procurar por informações. Para alunos de níveis de proficiência mais avançados, a leitura pode ser avaliada por meio de instrumentos que a testem com outras habilidades. A leitura pode ser avaliada com a escrita, quando um texto serve de estímulo para a escrita de outro texto, por exemplo. Podemos pedir que se façam anotações de leitura também. Projetos que envolvam a leitura e a tomada de decisão são alternativas para avaliar a compreensão leitora. O importante é que se construam instrumentos de avaliação com tarefas realísticas e relevantes. Desse modo, a compreensão remete a tarefas da vida real e torna a avaliação mais coerente e comunicativa. TEMA 4 – A AUTOAVALIAÇÃO E A COAVALIAÇÃO A autoavaliação e a coavaliação são práticas importantes no contexto educacional. Cada uma tem suas características e propósitos específicos e são alternativas complementares aos instrumentos de avaliação tradicional. 15 4.1 Autoavaliação A autoavaliação é um processo em que os alunos refletem sobre seu próprio desempenho e aprendizado. Essa prática permite que os estudantes analisem suas conquistas, identifiquem pontos fortes e áreas que precisam de melhoria. A autoavaliação promove a autonomia dos alunos, incentivando-os a se tornarem agentes ativos em seu processo de aprendizagem. Por meio desse exercício, os alunos desenvolvem habilidades de autorregulação e autocrítica, o que contribui para um aprendizado mais efetivo e consciente. Além disso, a autoavaliação pode ser aplicada em diferentes níveis, abrangendo tanto os alunos quanto os professores, permitindo uma reflexão sobre as práticas pedagógicas e o impacto delas no processo educativo. 4.2 Coavaliação A coavaliação, por outro lado, envolve a avaliação mútua entre pares. Nesse processo, os alunos avaliam o desempenho uns dos outros, oferecendo feedback construtivo sobre o trabalho realizado. A coavaliação promove a colaboração e o diálogo entre os estudantes, permitindo que eles aprendam uns com os outros e desenvolvam uma compreensão mais profunda dos conteúdos abordados. Essa prática também ajuda a construir um senso de responsabilidade compartilhada pelo aprendizado coletivo e estimula habilidades sociais importantes, como a empatia e a comunicação. Assim como a autoavaliação, a coavaliação contribui para o desenvolvimento de uma cultura de feedback dentro da sala de aula. Brown (2015) questiona: qual aprendiz de sucesso não desenvolve a habilidade de monitorar seu desempenho e utilizar dados sobre si para ajustar os rumos do aprendizado? Ele afirma que os alunos motivados para aprender aprendem a monitorar seu próprio desempenho dentro e fora de sala de aula. Por isso, a autoavaliação e a coavaliação devem ser instrumentos alternativos que devem ser utilizados no contexto de uma avaliação contínua e que possam produzir resultados no desenvolvimento dos alunos. 16 TEMA 5 – ADAPTAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS COMUNICATIVAS DE ACORDO COM OS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO Baxter (1997) utiliza uma imagem para pensar na atividade de ensino e avaliação. Ele escreve que, na avaliação tradicional, o aluno é tratado como uma planta. No primeiro estágio, medimos a planta (avaliação diagnóstica). No segundo, adicionamos fertilizante (ensino). No terceiro estágio, medimos a planta novamente (avaliação) e comparamos o resultado atual com o do primeiro estágio. Se tudo estiver dentro dos parâmetros esperados, a planta crescerá e produzirá seus frutos. Mas, e se algumas folhas começarem a secar? E se o vaso for pequeno demais para a planta? Deixaremos a planta morrer ou podemos adaptar algumas condições para que ela continue seu crescimento? Assim se dá com a avaliação. Se os resultados forem os esperados, sabemos que as estratégias comunicativas estão sendo empregadas corretamente no ensino de línguas. Se os resultados forem majoritariamente ruins, devemos repensar o uso das estratégias. Lembremos Oxford (1990), que ensina que as estratégias comunicativas na aprendizagem de línguas podem ser classificadas em três grandes categorias principais: cognitivas, metacognitivas e afetivas. Adaptar as estratégias comunicativas com base nos resultados da avaliação é um processo dinâmico que requer análise cuidadosa, flexibilidade e colaboração. Adaptar as estratégias cognitivas pode envolver a diversificação de técnicas que ajudam os alunos a processar e compreender a nova língua. Por exemplo, estamos dando tempo para que os alunos infiram significados ou analisem textos? O input de material de compreensão auditiva está sendo bem compreendido? As habilidades de comunicação estão sendo favorecidas dentro da sala de aula? Quanto às estratégias metacognitivas, estamos permitindo que os alunos reflitam sobre suas estratégias e ajustem sua abordagem conforme necessário? Estamos instrumentalizando os alunos para que eles saibam analisar o próprio aprendizado? As estratégias afetivas podem ser geradoras de problemas para os alunos. Eles estão motivados? Podemos ajudar na autoconfiança dos alunos ao usar a língua estrangeira? 17 O feedback contínuo é muito importante para o ajuste das estratégias comunicativas. O retorno regular sobre o desempenho dos alunos permite que eles entendam suas dificuldades e seus pontos fortes, promovendo um ambiente onde eles possam fazer ajustes em seu próprio aprendizado e nós possamos corrigir rumos, de modo a promover um aprendizado constante. NA PRÁTICA Agora você pode visitar diferentes sites que oferecem exemplos de avaliação. Para conferir um exemplo de teste de nivelamento, acesse . Ao final do teste, o site indicará seu nível de inglês. Exemplos de avaliações somativas das quatro habilidades do ensino comunicativo de língua inglesa podem ser encontrados em questions/general-training-test>. FINALIZANDO Discutimos o processo de avaliação. Além de destacar a importância da avaliação, vimos as peculiaridades de diferentes tipos de avaliação: formativa, somativa e diagnóstica, além da autoavaliação e coavaliação. Vimos como criar instrumentos de avaliação para as quatro habilidades comunicativas. Por fim, refletimos sobre a adaptação das estratégias comunicativas de acordo com os resultados da avaliação. 18 REFERÊNCIAS BAXTER, A. Evaluating your students. London: Richmond Publishing, 1997. BROWN, D. H. Teaching by principles: an interactive approach to language pedagogy. 4. ed. White Plains, NY: Pearson Education, 2015. CAMBRIDGE. English Language Assessment. Test your English. 2025. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2025. HARMER, J. Teacher Knowledge: Core concepts in English language teaching. Essex: Pearson Education Limited, 2012. HEATON, J. B. Classroom testing. Essex: Longman Group UK Limited, 1990. IELTS – International English Language Testing System. Get ready for your IELTS test. 2025. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2025. IELTS WORDLY. Official IELTS Speaking Assessment Criteria Public Version. 2024. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2025. OXFORD, R. L. Language learning strategies: what every teacher should know. Boston: Heinle & Heinle Publishers, 1990.