Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

Língua Portuguesa - 
Morfologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Bem vindo(a)! 
 
Seja muito bem-vindo(a)! 
 
Prezado(a) aluno(a), se você é alguém que gosta de estudar a língua portuguesa em 
todos os seus aspectos, isso já é o início de uma grande caminhada que vamos fazer 
juntos a partir de agora. Proponho, junto com você construir nosso conhecimento 
sobre a morfologia, mas sem deixar de lado os demais elementos de análise 
gramatical. 
 
Na unidade I começaremos a nossa jornada pelo conceito da formação de palavras, 
das unidades morfológicas e estrutura da palavra, bem como as construções 
históricas que ocorreram até o conceito de morfologia que conhecemos hoje. 
 
Já na unidade II vamos ampliar nossos conhecimentos sobre os elementos mórficos 
conhecendo a Nomenclatura Gramatical Brasileira – NGB – que divide as classes 
gramaticais em dez partes. Apontaremos, ainda, alguns problemas de classificação 
das palavras que apareceram após a definição da NGB. Ainda na unidade II vamos 
conhecer as classes gramaticais dos substantivos, adjetivos e verbos. 
 
Já nas unidades III e IV vamos dar continuidade nas classes gramaticais. Na unidade 
III vamos conhecer os artigos, pronomes e numerais, bem como o uso das palavras 
fóricas, em anáforas e catáforas. Na unidade IV finalizaremos as classes gramaticais 
aprendendo sobre advérbios, conjunções, preposições e interjeições. 
 
Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada 
de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados 
em nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e 
profissional. 
 
Muito obrigada e bom estudo! 
 
 
 
Unidade 1 
Contribuições históricas 
para os estudos de 
morfologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Introdução 
Prezado(a) aluno(a), a partir de agora vamos embarcar em uma viagem pelo 
conhecimento. Nesta unidade estudaremos a morfologia de uma forma didática e 
de fácil entendimento, mas sem deixar de conhecer as características do estudo 
morfológico, bem como todas as suas peculiaridades. 
 
Cada um dos tópicos nos mostrará como é necessário compreender o estudo da 
morfologia para que as demais análises da Língua sejam feitas com propriedade. 
Vamos conhecer as unidades morfológicas para que seja possível entender a palavra 
no seu grau primitivo e as possibilidades que a Língua nos dá de modificá-la. 
 
Os processos de composição e derivação das palavras também estarão presentes 
nesta unidade, mostrando como é possível brincar com as palavras e criar sempre 
algo novo e contextualizado. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
Contribuições históricas 
para os estudos de 
morfologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
O historicismo foi uma concepção 
da filosofia, baseada em Wilhelm 
Dilthey, que traz o conceito de que 
os fatos humanos são históricos ou 
seja, os aspectos políticos, sociais, 
religiosos, 
artísticos 
econômicos, psíquicos, 
e técnicos são os 
responsáveis pela formação integral 
do homem. 
@wikipedia 
Falar em morfologia é, antes de tudo, pensar em origem, em começo, 
etimologicamente, a palavra vem do grego, morfhê que significa ‘forma’ e logos, 
‘estudo’, ‘tratado’, em outras palavras morfologia é o estudo da forma. 
 
Mas, antes de mergulharmos nas características da morfologia é preciso entender as 
contribuições históricas que houve até que se chegasse, de fato, no termo 
morfologia que surgiu no século XIX. 
 
Antes, porém, o que se tinham eram estudos e pesquisas sobre a língua baseadas 
em escritos e, para isso, surge a filologia, ciência responsável pelas análises de 
documentos escritos a fim de conceituar uma língua, ou seja, ela busca normatizar, 
organizar a língua estudada. 
 
 
O Historicismo (Gramática Comparada ou Filologia Comparada ou 
ainda Linguística Histórica e Comparada), como uma nova perspectiva 
de abordagem dos fenômenos de linguagem, emerge no século XVIII, 
com a descoberta de que o Latim e o Grego tinham raízes comuns no 
Sânscrito. Surgem estudos da linguagem que se voltam para a busca 
de uma língua-mãe, para o enigma da origem da linguagem. 
(BOTELHO, 2007, p. 12). 
 
 
 
 
 
 
 
Em termos gerais, a língua e a forma de se expressar e comunicar também está 
inserida nesse contexto e é base da formação humana. E é nesse cenário que entra a 
filologia com o objetivo de pesquisar como os escritos comprovam essa formação 
integral humana, afinal, língua é parte do homem. 
 
 
Raiz 
Radical 
Vogal temática 
Tema 
Afixos: prefixos e sufixos 
Desinências 
A criação do termo morfologia é atribuída ao escritor e cientista alemão Johann 
Wolfgang Von Goethe (1749-1832) 
 
 
É nesse contexto que o termo morfologia aparece. As palavras 
continuam no centro da investigação, mas o que se enfatiza são os 
estudos históricos comparativos; “a busca das formas básicas, 
originárias das palavras, pertencentes ao protoindo-europeu”. Nessa 
busca pelo processo de evolução das línguas, emerge o interesse pela 
estrutura interna da palavra e surge uma nomenclatura designativa de 
tal estrutura (raiz, radical, tema). (BOTELHO, 2007, p. 13) 
 
 
Portanto, podemos definir morfologia como o estudo da forma das palavras, é a 
parte da gramática que estuda isoladamente cada uma delas segundo os morfemas 
(menores unidades de significação que formam as palavras e são classificados em 
desinência, raiz, radical, afixo, tema e vogal temática). 
 
A partir de agora vamos conhecer, de fato, as unidades morfológicas e saber como 
elas podem flexionar e se modificar. 
 
 
As unidades morfológicas e a 
estrutura interna da palavra 
As unidades morfológicas ou elementos mórficos compreendem a divisão que se 
faz de uma palavra, são elas: 
 
 
 
 
Veremos agora como cada um desses itens se estabelecem na análise morfológica e 
como se completam. 
 
 
Exemplo: “Nos desentendemos por algo sem sentido” 
 
Na palavra DESENTENDEMOS é possível identificar o radical - 
DESENTEND, pois é a partir dele que se dará as demais conjugações: 
desentendi, desentenderam, etc.; é possível também perceber que há o 
prefixo – DES antes da forma – END. Portanto, - ENTEND é a raiz da 
palavra desentendemos, é a origem e a unidade mínima indivisível. Em 
termos gerais, o radical é a parte fixa de um VERBO para fins de 
conjugação, já a raiz é a origem da palavra (que pode ser verbo ou não). 
Antes, porém, é importante salientar que a análise da morfologia é realizada na 
palavra isoladamente, ou seja, os elementos analisados estão fora de contexto e são 
apenas classificados por uma questão de organização do estudo da língua. Já 
quando se pretende analisar os elementos de um texto, por menor que seja, quanto 
ao seu significado e/ou a relação que há entre elas, dentro de um argumento 
significativo, temos, então, a análise sintática estabelecida para tal. 
 
Vamos aos elementos mórficos e suas características: 
 
Raiz 
É o elemento mínimo e primitivo da palavra. Essa palavra pode ser tanto verbo 
quanto termos nominais (substantivo, adjetivo, etc.), a raiz NÃO aceita prefixos. 
 
Radical 
O radical é a parte fixa de uma palavra, ou seja, é o elemento básico e significativo 
das palavras. Mesmo que raiz e radical se confundam, não são iguais. Vejamos um 
exemplo para que seja possível observar essa diferença: 
 
 
 
 
 
Vogal temática e Tema 
O tema se dá quando se liga uma vogal (chamada de vogal temática = VT) ao radical. 
Portanto: 
 
 
 
Exemplo de vogal temática nominal: são -a, -e e -o: mesa, livro, artista, 
amparo, combate, etc., é importante ressaltar que as vogais temáticas 
não são responsáveis em classificaras que pertencem a outras classes gramaticais, mas 
que acidentalmente se tornam preposições na construção do período. 
Exemplo: conforme, segundo, durante, mediante, visto, etc. 
 
 
 
Conjunções 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Assim como as preposições, a classe gramatical das conjunções é formada também 
por palavras invariáveis e que conectam, ligam. Mas, a diferença básica entre as 
preposições e as conjunções é que aqui elas vão ligar orações, ou palavras da 
mesma oração. 
 
Se nas preposições tínhamos alguns tipos que deveria ser analisado de acordo com 
o contexto em que estavam inseridas, aqui nas conjunções não será diferente, o que 
ocorre aqui é que as conjunções são bem delimitadas e dividas em cinco tipos 
específicos nas conjunções coordenativas e dez tipos nas subordinativas. Vamos 
conhecê-las: 
 
 
 
Conjunções coordenativas 
São as conjunções que unem orações de sentido inteiro. 
 
Conjunções Aditivas 
Nas conjunções aditivas temos um elemento simples e fácil de identificar, que é o 
elemento de soma. Se o próprio nome diz ser “aditiva” é porque em sua 
característica há a ideia de adição de pensamentos. São elas: e, nem, não só, mas 
também, não só, como também. 
 
Exemplo: Aquela criança não bebe refrigerante nem come doce. 
 
Conjunções Adversativas 
Assim como na anterior, seu nome também é bem claro, as adversativas trazem a 
ideia de oposição, contraste, compensação de pensamentos. São elas: mas, porém, 
contudo, entretanto, no entanto, todavia. 
 
Exemplo: Eu gostaria de ir à festa, mas não será possível. 
 
Conjunções Alternativas 
As alternativas também são fáceis de se identificar, elas dão a ideia de escolha de 
pensamentos. São elas: ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, seja...seja. 
 
Exemplo: Ou você vem amanhã ou nem precisa vir mais. 
 
Conjunções Conclusivas 
As conclusivas transmitem a ideia de final, conclusão de pensamento. São elas: logo, 
por isso, pois (quando vem depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim. 
Exemplo: Gosto muito de dormir, por isso, estou indo deitar neste momento. 
 
Conjunções Explicativas 
As conjunções explicativas são aquelas que trazem a ideia de razão, motivo. São elas: 
que, porque, assim, pois (quando vem antes do verbo), porquanto, por conseguinte. 
 
Exemplo: Você foi reprovado no teste, pois não estudou o suficiente. 
 
 
Conjunções subordinativas 
São as conjunções que unem orações de sentido dependente uma das outras. 
 
Causal 
Traz a ideia de causa e suas principais conjunções são: porque, pois, como, 
porquanto, etc. Exemplo: João começou a chorar porque sua irmã o ofendeu. 
 
Comparativa 
Essa conjunção tem como função iniciar uma oração que estabelece uma 
comparação com uma segunda oração. As principais conjunções são: como, qual, 
que, do que, bem como, assim como, etc. 
 
Exemplo: Você é tão linda como sua mãe também era. 
 
Condicional 
Traz a ideia de suposição. As principais conjunções são: se, caso, contanto que, desde 
que, salvo se, a menos que, dado que, a não ser que, sem que, etc. 
 
Exemplo: Se chover no final de semana não conseguiremos viajar. 
 
Conformativa 
A conjunção conformativa traz a ideia de acordo, uma conformidade. As principais 
conjunções são: conforme, como (=conforme), consoante, segundo, etc. 
 
Exemplo: Conforme você cresceu se tornou ainda mais forte. 
 
Concessiva 
Indica uma ideia de contradição, mas há a possibilidade de o fato acontecer. As 
principais conjunções são: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, se 
bem que, por mais que, por menos que, apesar de que, etc. 
 
Exemplo: Por mais que eu não queira terei de guardar dinheiro. 
 
 
Consecutiva 
Traz a ideia de consequência. As principais conjunções são: que, de modo que, de 
forma que, de sorte que. 
 
Exemplo: Ele estava tão aflito que não conseguia parar de chorar. 
 
Final 
Traz a ideia de um fim, um propósito, uma finalidade. As principais conjunções são: 
porque, que, para que, a fim de que, etc. 
 
Exemplo: Pediu autorização para que pudesse sair. 
 
Proporcional 
Traz a ideia de algo que aconteceu ao mesmo tempo que o outro, ou que ainda vai 
ocorrer. As principais conjunções são: à medida que, à proporção que, ao passo que, 
quanto mais ou quanto menos, etc. 
 
Exemplo: Quanto mais eu viajo mais amigos eu faço. 
 
Temporal 
Traz a ideia de condição de tempo. As principais conjunções são: quando, apenas, 
logo que, assim que, antes que, sempre que, etc. 
 
Exemplo: Assim que eu saí da sala meus alunos começaram a conversar. 
 
Integrante 
Traz a ideia de um complemento ao sentido da outra oração. São elas: que (com 
ideia de certeza), se (quando há dúvida, incerteza). 
 
Exemplo: Elas questionaram se eu estava preparada para me casar. 
 
 
 
Advérbio e as Outras 
Classes e Categorias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
A classe gramatical dos advérbios é uma das que mais encontramos expressões e 
possibilidades de interpretação. Além dela ser dividida em vários aspectos, ela nos 
dá a ideia de circunstância, modificando o sentido do verbo, do adjetivo e até 
mesmo do próprio advérbio. 
 
A priori, vamos conhecer os tipos de advérbios que podemos encontrar nas orações 
e períodos: 
Quadro 1: Tipos de Advérbios 
 
Lugar: 
aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, 
acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, 
nenhures, adentro, afora, alhures, embaixo, externamente, a distância, etc. 
Tempo: 
hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, 
dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, 
ora, jamais, agora, sempre, já, afinal, amiúde, breve, constantemente, etc. 
Modo: 
bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, depressa, acinte, debalde, devagar, às 
pressas, às claras, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, 
desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, etc. 
Afirmação: 
sim, certamente, realmente, decerto, efetivamente, certo, decididamente, 
deveras, indubitavelmente. 
Negação: 
não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de forma nenhuma, tampouco, 
de jeito nenhum. 
Dúvida: 
acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez, 
casualmente, por certo, quem sabe. 
Intensidade: 
muito, demais, pouco, tão, em excesso, bastante, mais, menos, demasiado, 
quanto, quão, tanto, assaz, que, tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito, 
por completo, extremamente, intensamente, grandemente, etc. 
Exclusão: 
apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente, simplesmente, só, 
unicamente. 
Inclusão: 
ainda, até, mesmo, inclusivamente, também. 
 
Fonte: a autora. 
 
 
 
Advérbios Interrogativos 
São aquelas palavras usadas para fazer uma pergunta, seja ela direta ou indireta. 
Podem ser: onde? aonde? donde? quando? como? por que? 
Todas fazem referência circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. 
Veja alguns exemplos: 
 
Interrogação Direta Interrogação Indireta 
Como disse? Perguntei como leu sem óculos. 
Onde quer ir? Indaguei onde trabalhava. 
Por que choras? Quis saber como se sustenta. 
 
 
Até agora conhecemos, ao longo de todas as unidades da nossa apostila, nove 
classes gramaticais. Mas, logo no começo do material eu disse que ao todo temos 
dez classes gramaticais nas gramáticas tradicionais estipuladas pela NGB, certo? 
 
Certíssimo, a última classe gramatical que falta conhecermos é a classe das 
Interjeições. Vamos a ela! 
Outras classes e categorias: 
Interjeições 
Essa classe gramatical é uma das mais polêmicas no que diz respeito à classificação. 
Ela traz as expressões e sentimentos retratados em palavras, mas sabemos que 
muitas vezes não é possível escrever com precisão o queestamos sentindo ou até 
mesmo algum balbuciar, seja de alegria, tristeza, espanto, opinião e afins. 
 
 
Figura 1: interjeições 
 
 
Fonte: vectorhight. 
Cuidado!, Calma!, Atenção!, Olha! Fora!, Passa!, Xô! Vamos!, Força!, 
Coragem!, Eita!, Credo!, Irra!, Ih!, Fora!, Francamente!, Xi!, Chega!, Ora!, 
Salve!, Viva!, Adeus!, Olá!, Oh!, Uai!, Puxa!, Céus!, Devagar!, Quê?!, 
Caramba!, Opa!,Vixe!, Nossa!, Hein?, Cruz!, Putz! 
 
 
 
 
Quadro 2: Interjeições 
 
 
Fonte: a autora. 
Elas podem expressar a ideia de: 
Admiração 
Advertência 
Afugentamento 
Alegria ou Satisfação 
Alívio 
Animação 
Aplauso 
Dor 
Dúvida 
Espanto 
Medo 
Silêncio 
 
 
 
Marcadores de Coerência / 
Coesão Discursiva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 
 
Emissor: aquele que emite a mensagem 
Receptor: a quem se destina a mensagem 
Código: a maneira pela qual a mensagem se organiza, pode ser: 
linguagem verbal e não verbal, gestos, sons, etc. desde que seja de 
conhecimento de ambos. 
Canal: meio para a circulação da mensagem que garantirá o 
contato entre emissor e receptor. 
Mensagem: é o objeto da comunicação 
Referente: o contexto 
A coesão e a coerência, dentro do contexto comunicativo, são extremamente 
importantes para que haja compreensão da mensagem que se deseja transmitir. 
 
Os elementos essenciais do processo de comunicação foram estabelecidos por 
Roman Jakobson em meados do Século XX. 
 
Roman Jakobson foi um proeminente linguista russo que elaborou essa teoria 
procurando explicar de forma prática a comunicação, visto que os sistemas 
computacionais que começavam a aparecer na época precisavam aprender a 
reconhecer, por exemplo, mensagens enviadas entre países inimigos. (PEREIRA, 
2018, p.5) 
 
Tais elementos se integram para produzir o efeito comunicacional. São eles: 
emissor, mensagem, receptor, canal, código e referente. 
 
 
 
 
Partindo do princípio de que é preciso que todos os elementos se completem para 
que haja processo comunicativo, seja na oralidade ou na linguagem escrita, há 
também de se levar em consideração que para haver troca de informações é 
necessário compreensão, e para isso os elementos que se estabelecem são os 
marcadores de coesão e coerência. 
 
A coesão acontece quando os elementos do texto se completam de modo que haja 
entendimento, é a ligação harmoniosa entre os parágrafos. As palavras se conectam 
de modo a formar frases, as frases se organizam em períodos, parágrafos e no texto 
como um todo. 
 
Essa relação entre as palavras escolhidas (de todas as classes gramaticais) é que nos 
traz a coesão dos elementos, mas para que isso aconteça é preciso escolher 
corretamente os conectivos (sejam as conjunções, os pronomes ou os advérbios). 
Já a coerência é marcada em relação ao texto como um todo. A relação que se 
estabelece entre os parágrafos e o que está explicitado no contexto, seja ele com as 
informações internas ou externas do texto em si. 
 
 
Tipos de coesão textual 
Existem alguns tipos de coesão no texto que auxiliam na compreensão de um todo, 
vejamos: 
 
Coesão Referencial 
Como já visto anteriormente, aqui se encaixam a anáfora e a catáfora. Esses termos é 
que trazem a conexão entre os itens textuais retomando ou introduzindo ideias. Os 
principais mecanismos da coesão referencial acontecem quando temos a elipse e a 
reiteração. 
 
Exemplo: coesão referencial por elipse: 
 
Vamos à igreja domingo. Você nos acompanha? 
 
OBS: aqui um elemento do texto é retirado para evitar a repetição. 
 
Exemplo: coesão por reiteração: 
 
Aprendizado é dedicação. Aprendizado é plantar o conhecimento todos os dias. 
 
OBS: aqui um elemento foi repetido para enfatizar o que se queria dizer. 
 
 
Coesão Sequencial 
É a maneira como o tempo do texto foi organizado de forma a não gerar dúvidas ou 
duplo sentido. 
 
Exemplo: coesão sequencial 
 
Bernardo é, com certeza, a melhor opção para o cargo. Além disso, conhece os 
clientes da empresa. 
 
Tipos de coerência textual 
Assim como existem alguns tipos de coesão, a coerência textual também se 
subdivide. Vejamos: 
Coerência sintática: eis o princípio básico da sintaxe: escrever frases, orações e 
períodos na ordem direta. Ou seja, a coerência sintática é utilizada para evitar 
duplo sentido e evita a ambiguidade. 
Coerência semântica: a Semântica é a área da Linguística que analisa o 
significado das palavras, em termos gerais, é ela a responsável pelas relações 
entre os termos (signos) e os seus complementos (referentes). Logo, a 
coerência semântica é estabelecida quando os elementos do texto estão 
dispostos corretamente no que diz respeito ao sentido. 
Coerência temática: o princípio da coerência temática é o famoso “não fugir 
do tema”. Comece e termine o texto com a mesma ideia, sem viajar pelas 
infinitas possibilidades. 
Coerência pragmática: pragmática é a parte da Linguística que estuda a 
relação entre o emissor e o receptor, ou ainda o interlocutor e a influência do 
contexto comunicacional. Por exemplo, quando você faz uma pergunta é 
natural que haja uma resposta, se essa expectativa não ocorrer temos aqui a 
falta de coerência pragmática. 
Coerência estilística: o estilo de um texto é aquilo que você escolhe para 
construir sus produção, ou seja, é o uso da variedade linguística seja a padrão 
ou não. Seria incoerente começar o texto utilizando a linguagem coloquial e 
terminar usando a norma culta. 
Coerência genérica: é a escolha adequada do gênero textual. Se você 
começou escrevendo um poema, não pode terminar escrevendo uma narrativa 
de ficção, etc. 
 
 
 
Marcadores da 
Expressividade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Já a denotação é a linguagem real e 
literal, costuma-se dizer que é a 
linguagem dos dicionários, é a 
palavra no seu real significado, 
enquanto a conotação é o “querer 
dizer” algo de maneira diferente. 
As figuras de linguagem se 
subdividem em três tipos: figuras 
de palavras, figuras de sintaxe (ou de 
construção) 
pensamento. 
e figuras 
@freepik 
Após conhecermos todas as classes gramaticais e ainda os recursos de coesão e 
coerência, é importante falarmos sobre os mecanismos de expressividade ou os 
recursos de expressividade. 
 
Como o próprio nome diz, trata-se de elementos que nos ajudam a construir um 
texto mais próximo da realidade com o objetivo de demonstrar a expressão que, na 
oralidade, conseguimos alcançar com entonação vocal e até mesmo expressões 
faciais, gestuais e corporais. 
 
No texto escrito temos alguns elementos que nos ajudam nessa construção, são as 
Figuras de Linguagem. Elas são responsáveis pela linguagem conotativa, ou seja, 
aquela que não é representada no seu sentido real, mas sim no seu sentido figurado 
e contextualizado. 
 
 
 
 
Figuras de palavras 
 Metáfora: transferência de significados: A Amazônia é o pulmão do mundo; 
 Comparação: bem parecido com a metáfora, mas a diferença é que sempre vai 
existir um comparativo expresso pelo “como, tal qual”: Você é alto como o seu 
pai era. 
 Metonímia: uso de uma palavra pela outra: Eu amo ler Machado de Assis. 
 Sinestesia: mistura dos sentidos: Sua voz é doce e aveludada. 
 
Figuras de Sintaxe (ou de construção) 
 Zeugma: uma palavra que foi omitida para evitar a repetição. Eu adoro calor, e 
você frio. 
 Polissíndeto: repetição intencional de um conectivo: Eu amo ler, e escrever, e 
cantar, e correr. 
 Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou termo no início da frase: 
Todos os dias ela vai ao mercado, todos os dias ela sai com seu cachorro, todos 
os dias ela tenta viver um novo dia. 
 Pleonasmo: emprego redundante das palavras: Cheguei em casa e havia uma 
surpresa inesperada. 
 
 
Figuras de Pensamento 
 Antítese:palavras opostas na mesma construção: Ela estava entre a vida e a 
morte. 
 Paradoxo: ideias opostas na mesma construção: Estou sonhando 
acordado com o dia da minha formatura. 
 Eufemismo: amenizar uma notícia triste: Ele partiu para junto de Deus. 
 Ironia: quando se diz algo querendo dizer o oposto: eu achei linda roupa, 
amiga. 
 Hipérbole: exagero exacerbado: Eu morri de tanto comer naquele rodízio. 
 Personificação: dar vida a seres inanimados: O mar está calmo hoje. 
 Gradação: sentido de sequência de acontecimentos: O sentimento 
foi mudando, diminuindo, desaparecendo. 
 
Outros recursos expressivos 
Existem ainda alguns recursos que podemos utilizar para dar ênfase ao texto ou em 
passagens que poderiam passar despercebidas. 
 
Exemplos: Enumeração; Adjetivação Expressiva; Intertextualidade; Ambiguidade; 
Interrogação Retórica; Alegoria; Recursos sonoros variados: assonâncias, 
aliterações, rimas, onomatopeias. 
 
 
REFLITA 
“Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as 
sentenças de almanaque, os rifões e provérbios, tudo pode aparecer 
como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente 
as palavras que estejam antes e depois”. 
 
José Saramago. 
 
 
 
 
 
SAIBA MAIS 
Vimos até aqui as classes gramaticais e como as palavras podem ser 
modificadas através das derivações, composições e flexões. Mas, é 
válido ressaltar que há grande diferença entre a língua falada e a língua 
escrita, a morfologia é a base para nos direcionar segundo as normas 
gramaticais da linguagem escrita, comumente utilizada para a 
elaboração de documentos e textos que exigem o padrão culto da 
Língua Portuguesa. Já na linguagem oral, a linguagem falada, há 
entendimento da mensagem mesmo que as palavras fujam das regras 
da normatização gramatical, o que não anula em nada sua importância. 
 
Fonte: a autora 
 
 
Nesta unidade conhecemos as outras classes gramaticais totalizando as dez que 
temos estabelecidas pela NGB e que encontramos nas gramáticas tradicionais dos 
mais variados autores. 
 
Além das classes, foi possível, ainda, conhecer recursos de expressividade que usamos 
em vários tipos de textos para evidenciar o que queremos passar para o leitor, seja em 
sentimentos, emoções ou mesmo com o objetivo de demonstrar algo que se quer 
dizer. 
 
Os mecanismos de coesão e coerência são recursos que auxiliam na construção do 
texto, eles nos direcionam para uma formatação adequada, eficaz e sem gerar 
dúvidas, pois a ambiguidade impede a boa interpretação do texto. 
 
Os conectivos, sejam eles preposições ou conjunções, são importantes elementos de 
conexão que ajudam na implantação da coesão e da coerência. 
 
Espero ter contribuído para a sua formação e que as dúvidas tenham sidos sanadas a 
respeito das classes gramaticais, principalmente sob a ótica da morfologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado(a) aluno(a), 
 
Neste material, busquei trazer para você as definições das classes de palavras sob o 
estudo da morfologia, baseada na NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira). Para 
isso, apontei as dificuldades encontradas em relação às incoerências que é possível 
encontrar nas gramáticas (lembrando que há vários tipos de gramáticas), mas 
evidenciando como esse processo é natural e pode, até mesmo, ser enriquecedor 
quando olharmos para a perspectiva de que a língua nos traz inúmeras 
possibilidades de aplicação. 
 
Espero que as dúvidas tenham sido sanadas e que todas as informações tenham 
chegado até você de maneira didática e possível de compreensão. 
 
Além das classes gramaticais estabelecidas pela Nomenclatura Gramatical Brasileira 
– NGB, vimos também a gramática de Valência que, mesmo trazendo 
denominações diferentes das tradicionais se mostra eficaz e uma possibilidade a 
mais na hora do estudo da língua. 
 
Além dos aspectos teóricos que contribuíram profundamente para o entendimento 
dos assuntos aqui abordados, trouxemos vários exemplos para que fosse possível a 
melhor compreensão sobre como as classes gramaticais se relacionam e quais suas 
funções nos contextos situacionais. 
 
Levantamos também aspectos históricos desde a filologia para que o entendimento 
fosse ainda mais concreto e para que chegássemos ao entendimento do que temos, 
hoje, como objeto de estudo em mãos. Esse olhar para o passado, para entender o 
presente, e visualizar o futuro é algo importante para a compreensão de um todo e 
também para responder algumas lacunas de dúvidas que porventura possam surgir 
no decorrer dos estudos da língua portuguesa. 
 
 
 
 Finais 
A partir de agora acreditamos que você já está preparado para seguir em frente e 
aplicar a gramática de forma eficiente e real, que é o que podemos chamar de 
semantização da gramática na prática. 
 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!uma palavra quanto ao seu gênero 
(masculino ou feminino). 
 
Exemplo de vogal temática verbal: são -a, -e e -i, gerando os grupos de 
verbos chamados de conjugações, que podem ser de 1ª, 2ª ou 3ª: cantar, 
bater, partir. 
 
 
Exemplo: infelizmente (in = prefixo / feliz = radical / mente = sufixo) 
Tanto os verbos quanto os nomes apresentam vogais temáticas, no caso dos verbos 
o tema surge quando se acrescenta o -R do infinitivo, dando origem ao que se 
classifica como verbos de 1ª, 2ª ou 3ª conjugação. 
 
 
 
 
 
A xos 
São elementos que se unem ao radical de uma palavra trazendo novos significados. 
Podem ser antepostos ao radical, que são os prefixos, ou pospostos ao radical, 
chamados de sufixos. 
 
 
 
 
 
Desinências 
São os elementos finais das palavras que indicam as flexões. As desinências podem 
ser verbais ou nominais, quando verbais indicam flexões de número (singular e 
plural), pessoa (1ª, 2ª ou 3ª), tempo (passado, presente e futuro) e modo (indicativo, 
subjuntivo e imperativo); quando nominais indicam as flexões de gênero (masculino 
ou feminino) e número (singular e plural). 
 
 
 
Os elementos mórficos são os responsáveis pela classificação das palavras, por isso, 
devem sempre ser analisados com cuidado para que a estrutura interna seja feita de 
forma correta e adequada. 
 
 
Exemplo de desinência nominal: 
 
Menin – o = gênero masculino/número singular 
Menin – as = gênero feminino/número plural 
 
 
Exemplo de desinência verbal: 
 
Estudávamos: 
 
 
 
 
 
-va: modo-temporal (pretérito imperfeito do indicativo) 
 
-mos: número-pessoal (1ª pessoa do plural = Nós) 
 
 
 
Formação das palavras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 
 
 
 
A derivação tem como objetivo formar novas palavras a partir de uma já 
existente, e pode ocorrer: 
 
Exemplo: desligar, incapaz, pré-história, etc.; 
 
Derivação sufixal: quando se coloca um sufixo após o radical. Exemplo: 
dentista, sapataria, boiada, etc.; 
 
esfarelar, alistar, etc.; 
 
 
 
Mudar > Muda 
Ajudar > Ajuda 
Pescar > Pesca 
Falar > Fala 
Quanto à formação de palavras elas podem ser divididas entre primitivas ou 
derivadas. As primitivas, como o próprio nome diz, são aquelas que não derivam de 
outras, ou seja, elas existem por elas mesmas dentro da língua portuguesa. Exemplos: 
pedra, terra, dente, etc. 
 
Já as palavras derivadas possuem sua origem em outras, por exemplo: pedreiro, 
terreiro, dentista, etc. 
 
Há, ainda, na língua portuguesa, dois processos gerais para a formação das palavras, 
que é o que veremos a seguir: 
 
 
 
 
Há, ainda, dentro do processo de formação de palavras e especificamente nas 
derivações a Derivação imprópria que ocorre quando uma palavra sofre alteração não 
somente de estrutura, mas também de classes gramaticais. 
 
Os adjetivos podem se tornar substantivos: os bons, os maus, o verde, 
etc.; 
 
Os verbos no infinitivo podem se tornar substantivos: o andar, o 
caminhar, o pensar, o o sorrir, etc.; 
 
Os substantivos podem se tornar adjetivos: menino prodígio, traje 
esporte, etc.; 
 
Os adjetivos podem se tornar advérbios: cantar alto, respirar forte, 
falar baixo, etc.; 
Na derivação regressiva vimos que apenas os verbos sofreram essas alterações, já na 
derivação imprópria há modificações em outras classes gramaticais também. 
 
Veja: 
 
 
 
 
 
 
Composição: justaposição e aglutinação 
Já no processo de composição das palavras ocorre algo um pouco diferente das 
derivações, aqui duas ou mais palavras se unem a dois ou mais radicais para dar 
origem a uma nova palavra. 
 
Temos, então, a composição por justaposição e a composição por aglutinação, que 
será explanado nos próximos tópicos deste material. 
 
Redução 
Outra maneira de encontrar o processo de formação de palavras é através da 
redução, que é quando há supressão de parte da palavra plena. 
 
 
Televisão (tele [grego] + visão [latim]) 
Monocultura (mono [grego] + cultura [latim]) 
 
 
 
Hibridismo 
Ocorre o hibridismo quando há mistura de palavras de línguas diferentes dando 
origem a uma nova palavra. Veja: 
 
 
 
 
O processo de formação de palavras acontece quando há modificações nas 
estruturas das palavras, seja com um radical ou mais, adicionando ou suprimindo 
unidades dos termos de acordo com o que se pretende dizer. É válido lembrar que a 
língua é uma unidade social e viva e, que ao longo dos anos, sofre alterações dos usos 
e costumes das palavras. 
 
Há ainda palavras que se tornam comum na oralidade e passam a ser escritas da 
mesma maneira da oralidade, mas tudo isso leva tempo e trata-se também de 
costumes e da cultura de um determinado povo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Composição e seus 
processos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Como visto anteriormente, a composição ocorre de duas maneiras, por justaposição 
e por aglutinação. Neste processo de formação de palavras duas ou mais se unem a 
dois ou mais radicais para dar origem a uma nova palavra. Veja: 
 
Justaposição: a composição por justaposição acontece quando duas ou mais 
palavras (que podem ser radicais ou não) se unem sem sofrer alteração de estrutura. 
Exemplo: passatempo, girassol, televisão, rodovia, etc. 
 
Aglutinação: já a composição por aglutinação acontece quando duas ou mais 
palavras (que podem ser radicais ou não) se unem sofrendo alteração de estrutura 
de um ou mais de seus elementos. Exemplo: planalto (plano alto), boquiaberto (boca 
aberta), embora (em boa hora), etc. 
 
 
SAIBA MAIS 
No Brasil há, segundo o linguista Sírio Possenti (2009), existem três tipos 
de gramáticas: a normativa, a descritiva e a internalizada. Veremos no 
quadro a seguir as definições e diferenças que Possenti aponta sobre 
elas: 
Quadro 1 - Tipos de gramática 
 
 
Gramática 
normativa = 
conjunto de 
regras que 
devem ser 
seguidas 
 
Gramática 
descritiva = 
conjunto de 
regras que 
são seguidas 
 
Gramática 
internalizada = 
conjunto de regras 
que o falante 
domina 
 
 
 
 
 
Regra 
 
 
obrigação: 
assemelha- 
se à lei 
jurídica: “é 
o que deve 
ser” 
 
 
busca pelas 
regularidades 
da língua: 
assemelha-se 
à lei da 
natureza: “é o 
que é” 
é a língua em 
situações de uso 
pelo falante: são 
conhecimentos/usos 
linguísticos dos 
falantes, com regras 
implícitas (sem que 
se tenha 
consciência delas, 
muitas vezes) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Língua 
-expressão 
das pessoas 
cultas - 
regras 
baseadas - 
apenas na regularidades 
modalidade -não existem 
escrita - línguas 
critério uniformes -o 
literário - critério não é 
norma apenas 
culta ou literário 
variante 
padrão ou 
dialeto 
padrão 
 
 
 
 
 
 
Erro 
 
 
-o que foge 
da boa 
linguagem, 
segundo a 
norma 
culta 
-há variáveis 
entre 
padrões de 
uso -só é erro 
o que não faz 
parte 
sistemática 
de nenhuma 
variante da 
língua 
 
 
 
REFLITA 
“A palavra é o meu domínio sobre o mundo” 
Clarice Lispector 
 
Fonte: Gramáticas normativa, descritiva e internalizada. Educação UOL, 
2018, online. 
 
 
Gramática descritiva – Como antes afirmado, a língua está submetida a constantes 
transformações, prova maior disso é a linguagem dos internautas, quase sempre 
truncada, fragmentada, abreviada, tudo em nome do fator tempo. Outro exemplo 
de tais transformações são as gírias, muito comuns nos grupos sociais específicos, 
bem como os modismos. Ou seja, essa gramática se torna responsável pelo estudo 
da língua em se tratando de um dado contexto de comunicação. 
 
Gramática normativa – Também anteriormente mencionada, sobretudo no que 
tange às regras gramaticais, trata-se do estudo dos fatos linguísticos aplicáveis nas 
situações específicasde interlocução. Representa, pois, o registro de um sistema 
que postula as regras convencionais da língua que falamos, passíveis, portanto, de 
serem obedecidas e postas em prática, sempre que assim a situação requisitar. 
 
Gramática internalizada – Como bem nos aponta o próprio nome, trata-se daquela 
habilidade de que dispõe o falante desde o momento em que ele começa a se 
mostrar apto a exercer os primeiros contatos com a linguagem propriamente dita, 
ou seja, desde o momento da aquisição da fala que, estando certo ou errado 
segundo os padrões formais, ele possui condições de ordenar suas ideias e expressar 
seu pensamento, conferindo assim um sentido lógico ao discurso que profere. 
 
 
 
 
Nesta unidade foi possível identificar a relação existente entre a filologia, que é a 
ciência que estuda os textos escritos com o surgimento da morfologia, parte da 
gramática que estuda isoladamente as palavras. 
 
Aprendemos ainda como se dá o processo de formação das palavras, suas 
composições, derivações e a parte estrutural das mesmas. 
 
Por fim, foi possível perceber como essa classificação minuciosa é importante para 
entendermos o processo de formação das palavras isoladamente para que, quando 
necessário, analisadas juntas se entenda o conceito sintático que elas devem 
estabelecer de significação. 
 
Espero que nas demais unidades possamos continuar focados e prontos para as 
anotações, pois vamos conhecer, de fato, as classes gramaticais e como elas 
aparecem nos textos e em todo o processo comunicacional. 
 
 
 
Leitura Complementar 
"Pilhei a senhora num erro!", gritou Narizinho. "A senhora disse: 'Deixe estar que já te 
curo!' Começou com o Você e acabou com o Tu, coisa que os gramáticos não 
admitem. O 'te' é do 'Tu', não é do 'Você'"... "E como queria que eu dissesse, minha 
filha?" "Para estar bem com a gramática, a senhora devia dizer: 'Deixa estar que já te 
curo'." "Muito bem. Gramaticalmente é assim, mas na prática não é. Quando falamos 
naturalmente, o que nos sai da boca é ora o você, ora o tu; e as frases ficam muito 
mais jeitosinhas quando há essa combinação do você e do tu. Não acha?" "Acho, sim, 
vovó, e é como falo. Mas a gramática..." "A gramática, minha filha, é uma criada da 
língua e não uma dona. O dono da língua somos nós, o povo; e a gramática - o que 
tem a fazer é, humildemente, ir registrando o nosso modo de falar. Quem manda é o 
uso geral e não a gramática. Se todos nós começarmos a usar o tu e o você 
 
 
 
Conclusão - Unidade 1 
misturados, a gramática só tem uma coisa a fazer..." "Eu sei o que é que ela tem a 
fazer, vovó!", gritou Pedrinho. "É pôr o rabo entre as pernas e murchar as orelhas..." 
Dona Benta aprovou. 
 
Fonte: Monteiro Lobato. Obra Completa. "Fábulas", São Paulo, Editora Brasiliense. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade 2 
Classes e categorias em 
gramáticas de língua 
portuguesa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Introdução 
Prezado(a) aluno(a), seja muito bem-vindo novamente! 
 
Nesta unidade II vamos conhecer três classes gramaticais que nos levarão ao 
entendimento do processo de construção de palavras e, posteriormente, frases. 
 
Analisaremos morfologicamente cada uma delas através do seu conceito e depois 
aplicando em um exemplo didático e de fácil compreensão. 
 
Antes, porém, serão tecidas considerações relevantes a respeito da NGB 
(Nomenclatura Gramatical Brasileira) e conheceremos um pouco sobre a gramática 
de valência e como todos esses elementos estão, de certo modo, interligados. 
 
Não há mais como negar que a morfologia está diretamente ligada aos contextos 
comunicativos, é preciso conhecer, sim, as classes gramaticais e suas respectivas 
classificações, mas é relevante também o entendimento de que os elementos 
frasais se relacionam através de contextos situacionais, ou seja, “tudo depende do 
contexto”, e até mesmo a classificação de uma palavra dependerá do momento e 
lugar de fala. 
 
Vamos juntos nessa missão de descobrir a Língua Portuguesa de uma forma 
simples e prática?! 
 
Bons estudos! 
 
 
 
Classes e categorias em 
gramáticas de língua 
portuguesa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
@freepik 
 
 
A gramática foi organizada há 
muitos anos para que fosse possível 
conhecer e classificar as partes do 
discurso e, como todo elemento vivo 
e social, ela sofreu e possivelmente 
sofrerá modificações ao longo da 
história. Por isso, é importante 
sempre observar se a gramática que 
você se propõe a estudar é 
atualizada e está em concordância 
com as novas regras e normas 
vigentes. 
Vimos na unidade I que a filologia é a ciência que estuda os documentos escritos de 
uma determinada língua com o objetivo de organizá-la e estabelecer suas normas e 
regras. 
 
E, bem antes de termos uma gramática como a que conhecemos atualmente, os 
estudos a respeito da língua e de todo processo comunicativo já existia desde a 
Grécia Antiga quando a busca pelo saber se fazia presente nas conversas do dia a 
dia e o conhecimento era vivido no seu mais profundo significado. 
 
É parte natural do homem querer saber suas origens e como as coisas se 
transformaram ao longo dos tempos, por isso, com o estudo das palavras não foi 
diferente, a busca pela “identidade” da língua sempre foi um universo a ser 
descoberto. 
 
 
 
 
 
 
A primeira gramática do Ocidente foi de autoria de Dionísio de Trácia, 
que identificava oito partes de discurso: nome, verbo, particípio, artigo, 
preposição, advérbio e conjunção. Atualmente, são reconhecidas dez 
classes gramaticais pela maioria dos gramáticos: substantivo, adjetivo, 
advérbio, verbo, conjunção, interjeição, preposição, artigo, numeral e 
pronome. Como podemos observar, houve alterações ao longo do 
tempo quanto às classes de palavras. Isso acontece porque a nossa 
língua é viva, e, portanto, vem sendo alterada pelos seus falantes o 
tempo todo, ou seja, nós somos os responsáveis por estas mudanças 
que já ocorreram e pelas que ainda vão ocorrer. Classificar uma palavra 
não é fácil, mas atualmente todas as palavras da língua portuguesa 
estão incluídas dentro de uma das dez classes gramaticais 
dependendo das suas características. (MATANDAUDJE, 2018, p. 10). 
 
Temos, portanto, hoje, uma organização normativa de dez classes gramaticais na 
língua portuguesa, classes essas que podem ser encontradas nas gramáticas atuais, 
e aqui nessa unidade vamos conhecer três delas: o substantivo, o adjetivo e o verbo. 
 
Posteriormente, nas demais unidades desta apostila, vamos conhecer as demais 
classes gramaticais e como elas podem ser usadas em determinados contextos e 
situações específicas. 
 
Antes, porém, de darmos continuidade ao assunto proposto, vamos ver no tópico 
seguinte as características da NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira) e como ela 
influencia diretamente na forma de analisar morfologicamente as palavras. 
 
 
 
A NGB e os critérios de 
classi cação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
A língua portuguesa é determinada por normas e regras como já vimos até aqui, no 
entanto, sabe-se que além do Brasil e de Portugal, também Angola, Cabo Verde, 
Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe falam o português. 
 
Para que todos esses países entre em um consenso sobre as normas da língua 
alguns tratados sempre foram estabelecidos, por vezes acordados, outras nem 
sempre. 
 
No início do século XX Portugal tentou pela primeira vez formular um acordo geral 
ortográfico para Brasil e Portugal, mas sem sucesso, as negociações se estenderam 
por anos e até hoje é possível identificaras diferenças que existem em ambos 
países. Só anos depois é que as propostas começaram a surtir efeito: 
 
 
As tentativas iniciais materializaram-se num primeiro acordo, assinado 
em 1931, que, no entanto, viria a ser interpretado de forma diferente nos 
vocabulários ortográficos nacionais, entretanto produzidos em 
Portugal, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1940; no 
Brasil, o Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de 
1943, acompanhado de um Formulário Ortográfico. A fim de eliminar 
estas divergências, foi assinado por ambos os países um novo acordo 
ortográfico, em 1945, mas este apenas foi aplicado por Portugal, 
continuando o Brasil a seguir o disposto no Formulário Ortográfico de 
1943. (Acordo ortográfico, 2019, online). 
 
 
Após tais negociações da década de 1940, tanto o brasil quanto Portugal sofreram 
alterações e revisões na sua forma de escrita e as negociações continuaram a andar 
em passos lentos: 
 
 
Nas décadas seguintes, houve várias tentativas de chegar a um novo 
consenso, mas, embora no início da década de 1970 tenha havido 
revisões que aproximaram as duas variedades escritas, não foi aprovada 
oficialmente uma reforma que instituísse um documento normativo 
comum. Fruto de um longo trabalho da Academia Brasileira de Letras e 
da Academia das Ciências de Lisboa, os representantes oficiais dos 
então sete países de língua oficial portuguesa (além do Brasil e de 
Portugal, também Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e 
São Tomé e Príncipe) assinaram em 1990 o Acordo Ortográfico da 
Língua Portuguesa, ratificado também, depois da sua independência 
em 2004, por Timor-Leste. (Acordo ortográfico, 2019, online). 
 
 
De fato, no Brasil, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que teve sua origem 
em 1990 só entrou em vigor em 2009, no começo do ano; Portugal se estendeu por 
mais alguns meses e em maio do mesmo ano também passou a vigorar as novas 
normas e regras. 
 
 
 
Atualmente, o Acordo Ortográfico está em vigor e faz parte do dia a dia dos países 
de Língua Portuguesa. 
 
E, voltando um pouco na linha do tempo da LP, a NGB (Nomenclatura Gramatical 
Brasileira) foi estipulada em 1959 pelo então Exmo. Sr. Ministro de Estado da 
Educação e Cultura Clóvis Salgado, e elaborado pela Comissão designada na 
Portaria Ministerial número 152/57, constituída pelos Professores: 
 
Antenor Nascentes 
Clóvis do Rêgo Monteiro 
Cândido Jucá (filho) 
Carlos Henrique da Rocha Lima 
Celso Ferreira da Cunha 
@freepik 
 
 
Tanto para os brasileiros quanto para 
os portugueses, o Novo Acordo foi 
impactante, uma vez que se 
estabeleceram regras que poderiam 
confundir ainda mais alguns 
aspectos morfológicos, ortográficos 
e até mesmo sintáticos da língua, 
por isso, o acordo apontava um 
período de adaptação de três anos 
para que a população se acostumar 
com as novas regras. 
 
 
A NGB teve, então, papel primordial na definição e constituição 
gramatical brasileira. Ela foi dividida em três partes, sendo: 
Primeira parte: fonética; 
Segunda parte: morfologia; 
Terceira parte: sintaxe. 
Para conhecer a Nomenclatura Gramatical Brasileira na íntegra, acesse 
o link disponível a seguir: 
ACES S AR 
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=ngbras
 
 
 
Problemas de classi cação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Ao pesquisar uma palavra na gramática ou tirar algumas dúvidas sobre determinado 
item temos a certeza de que a resposta que encontramos ali será 100% correta e não 
haverá possibilidade de equívocos, correto? Depende. 
 
O que ocorre é que após a classificação da NGB ser instituída e as novas gramáticas 
adotarem as 10 classes de palavras como de fato classes de palavras (parece 
redundância, mas já explico) alguns problemas de classificação foram aparecendo, e 
não apenas classificação, mas também de incoerência. 
 
A nível de organização da NGB, a gramática é dividia em variáveis e invariáveis, sendo: 
 
 Variáveis: Substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome e verbo; 
 Invariáveis: Advérbio, preposição, conjunção e interjeição 
 
Agora, vamos ver quais são os principais problemas que surgiram na NGB, vejamos: 
 
Classi cação 
Começando pelo quesito “classificação”, a NGB foi incoerente ao classificar a divisão 
em 10 partes como “classes de palavras”, afinal o que houve, de fato, foi uma 
“classificação de vocábulos”. E o que isso muda? Muita coisa. 
 
Vejamos: quando se classifica um artigo, uma preposição e interjeição (os dois 
últimos chamados também de conectivos); e um morfema, como o artigo, mas deixa 
de classificar outros vocábulos, há aqui um separatismo que pode ser entendido 
como incoerente. Antes, vamos relembrar o conceito de: 
 
 Vocábulo: palavra considerada apenas no seu aspecto vocal, da pronúncia; 
 Palavra: item analisado segundo critérios fônico (som), mórfico (forma) e frásico 
(significado); 
 Morfema: menor unidade significativa que se pode identificar. 
 
Ou seja, os problemas de classificação podem -e vão – refletir quando a análise passar 
da parte morfológica para a sintática. 
 
Critérios homogêneos 
Outro fator determinante e incoerente da NGB, é que ela classificou adjetivos e 
substantivos como classes diferentes, além de que os pronomes passaram a ser 
independentes e até mesmo opostos às duas classes citadas. Mas, não se esqueça de 
que os substantivos e os adjetivos podem também assumir função de pronomes. E os 
numerais, que não são distintos de pronomes e substantivos, passaram a ser 
considerados classe gramatical independente. E agora? 
 
 
Um nome, se a representação for estática, sem variações temporais. 
Um verbo, se sofrer variações temporais, ou seja, se expressar uma 
representação dinâmica ou indicar um processo da realidade, ou 
 
 
Agora, é preciso entender qual é a diferença de classe e função, pois a grande 
confusão e problemática da divisão estabelecida pela NGB se dá nessa mistura 
quando na verdade não deveria ocorrer. 
 
Diferença entre classe e função 
A maior questão, portanto, está no entendimento de classes e funções que foram 
estabelecidas pela NGB. Vejamos a diferença: 
 
 
Se o vocábulo apresenta forma, função e sentido, é lógico que os 
critérios mórficos, sintáticos e semânticos se conflitam nessa tentativa 
de classificação. Contudo, não se pode confundir classe com função, 
como é o caso da NGB. O nome, o pronome e o verbo são classes. O 
substantivo, adjetivo e advérbio são funções. As classes são estudadas na 
morfologia. As funções são estudadas na sintaxe. A diferença entre 
classe e função, linguisticamente falando, é que a “classe” é identificada 
por critérios mórficos e semânticos; a “função” possui natureza 
estritamente sintática e varia de acordo com o contexto. (SANTOS, 2018, 
online) 
 
 
Logo, o que chamamos de nome não se trata apenas do substantivo, mas também 
das funções básicas como o adjetivo ou o advérbio, e além dessa divisão, toda palavra 
será: 
 
 
 
 
Em resumo, podemos identificar que os principais problemas de classificação que 
aparecem na NGB são: 
 
gramaticais 
Há, de fato, apenas duas classes gramaticais, que são nomes e 
verbos, as demais são funções. 
 
 
A principal diferença entre eles é que os nomes representam, 
classificam, enquanto os pronomes apenas indicam. 
 
Numerais 
São nomes e não classes gramaticais. 
 
 
 
 
 
Morfologia 
A divisão de 10 classes se torna incoerente, pois foi baseada apenas 
na significação, o que traz duplicidade de sentido pela própria 
definição do que é uma classe. 
 
 
 
Classes valenciais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
A Gramática de valência é um outro 
conceito 
gramática 
linguístico diferente 
tradicionalconhecemos, ela questiona 
da 
que 
os 
critérios usados pela tradicional no 
que diz respeito à classificação de 
sujeitos, objetos 
adverbiais. 
e adjuntos 
@artista em freepik 
Em seu livro Gramática de valências (1986), Winfried Busse & Mário Vilela trazem um 
conceito diferente do que se tinha, até então, dos verbos. Vejamos o conceito: 
 
A gramática de dependências toma o verbo como elemento central da estrutura da 
frase – elemento do qual dependem todos os demais. A gramática de valências é, 
pois, um desdobramento da gramática de dependências. A gramática de valências 
considera, portanto, o verbo como o elemento central da frase e trata a relação entre 
esse centro e os demais elementos dependentes sob dois pontos de vista: um 
sintático e outro semântico. (BUSSE; VILELA, 1986, p.42). 
 
 
 
 
Na Valenciana o verbo é visto como um núcleo que se une a casas ou 
complementos para que haja sentido completo entre eles. Os verbos são divididos 
em: 
 
Avalentes 
Possuem sentido completo e não precisam de nada (nenhuma casa) para 
complementá-los, como os fenômenos da natureza: amanheceu, trovejou, choveu, 
etc. 
 
Monovalentes 
Necessitam de complemento para que haja sentido completo, normalmente é um 
sujeito que traz essa significância. 
 
 
Exemplo: 
 
A árvore produziu frutos. 
 
Árvore: sujeito 
Produziu: verbo 
Frutos: objeto 
 
 
 
Fazendo um comparativo com a gramática tradicional, os verbos Avalentes e 
monovalentes podem ser entendidos como os verbos intransitivos, aqueles que 
possuem sentido completo. 
 
Voltando à classificação da gramática de valência, temos ainda: 
 
Bivalentes 
Aqui eles precisam de duas casas, ou seja, dois complementos para que seja feito o 
entendimento correto. 
 
 
 
 
São os verbos ligados diretamente ao objeto sem o auxílio da preposição, o que na 
gramática tradicional conhecemos como VTD (verbos transitivos direto e seu OD – 
objeto direto) 
 
Trivalentes 
Já os verbos trivalentes necessitam de três complementos para que haja sentido, ou 
três casas como também são chamadas. 
 
 
Exemplo: 
 
A árvore caiu – temos aqui um verbo (cair) e um sujeito (árvore) 
complementando o sentido. 
 
 
 
Exemplo: 
 
A prefeitura enviou ajuda aos desabrigados. 
 
Prefeitura: sujeito 
Enviou: verbo 
Ajuda: Objeto direto 
Aos desabrigados: destinatário 
 
 
 
Substantivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Os substantivos, segundo a gramática da língua portuguesa e a definição da NGB 
(Nomenclatura Gramatical Brasileira) são os responsáveis pela designação dos seres, 
ou seja, são eles que dão nome às coisas. 
 
Os substantivos se dividem em: 
 
Comuns 
São aqueles que recebem a denominação de seres da mesma espécie. 
 
Exemplo: meninos, cachorros, árvores (há muitos meninos, muitos cachorros e 
muitas árvores); 
 
Próprios 
São aqueles que denominam seres em particular, podem ser nomes de cidades, 
estados, países, pessoas, etc. 
 
Exemplo: João, Curitiba, Canadá, Machado de Assis, Deus, etc; 
 
Concretos 
Que dão nome a seres reais ou que há sentido igual para todos, aquilo que a 
imagina apresenta como real. 
 
Exemplo: mulher, pedra, fada, avô, etc; 
 
Abstratos 
Os substantivos abstratos são aqueles que nomeiam sentimentos, ações, qualidades 
ou estados dos seres. 
 
Exemplo: beleza, coragem (qualidade), saudade, alegria (sentimento), esforço, 
viagem (ações) e morte, doença (estado); 
 
Simples 
São aqueles formados por um só radical. 
 
Exemplo: pão, lobo, chuva; 
 
Compostos 
São aqueles que se formam com mais de um radical. 
 
Exemplo: passatempo, pré-história, etc; 
Primitivos 
Aqueles que não derivam de outra palavra, eles são a origem. 
 
Exemplo: terra, pedra, dente, etc; 
 
Derivados 
Os substantivos derivados são aqueles que vieram das palavras primitivas, ou seja, 
derivam de outros substantivos. 
 
Exemplo: terreiro, pedraria, dentista, etc; 
 
Coletivos 
Os coletivos são aqueles que denominam grupos ou conjunto de seres da mesma 
espécie. 
 
Exemplo: rebanho (ovelhas), ramalhete (flores), cardume (peixes), matilha (cães), etc. 
 
 
Flexão dos substantivos 
Os substantivos flexionam para indicar: 
 
Gênero: masculino ou feminino; 
Número: singular ou plural; 
Grau: aumentativo e diminutivo 
 
 
 
Exemplo: jacaré (macho ou fêmea) – cobra (macho ou fêmea) – onça ( macho ou 
fêmea) 
 
E para diferenciar o gênero no contexto comunicativo, usa-se as palavras “macho ou 
fêmea”. 
 
Exemplo: O jacaré fêmea estava rodeada de filhotes. 
 
Já os substantivos sobrecomuns designam pessoas e têm só um gênero, tanto se 
referindo a homem ou a mulher. 
 
Exemplo: a criança (menino ou menina) – pessoa (homem ou mulher) – guia 
(homem ou mulher), etc. 
 
Os comuns de dois gêneros possuem uma só forma de designar os indivíduos 
independente do sexo, a diferença é que será possível identificar apenas dentro de 
um contexto e quando fizer o uso de artigo (o, a, os, as) antes das palavras. 
 
Exemplo: 
 
 Colega: o colega... a colega 
 Estudante: o estudante... a estudante 
 Cliente: o cliente... a cliente 
 Fã: o fã... a fã 
 
Número dos substantivos 
@freepik 
 
 
 
Os substantivos podem ser, ainda, 
 epicenos, sobrecomuns, comuns 
de dois gêneros e de gênero 
incerto , ou seja, não se trata de 
masculino ou feminino. 
 
No epiceno encontramos palavras 
que designam alguns animais e tem 
só um gênero, seja macho ou fêmea. 
 
 
Exemplo diminutivo: 
 
Aquela mulherzinha mora na rua de casa (literal) 
Aquela mulherzinha não sabe com quem está falando (conotativo) 
 
 
 
Aquela menina é muito alta, uma criançona linda (literal) 
Algumas pessoas demoram para amadurecer, sempre serão 
criançonas na vida (conotativo). 
Quando se fala em número dos substantivos estamos nos referindo à forma que eles 
aparecem, se é no singular (retratando apenas um item ou situação) ou plural 
(quando retrata mais de um item ou situação). 
 
O plural nos substantivos, normalmente, se dá com o acréscimo do -S nas palavras, 
mas há situações em que é preciso acrescentar – es (colher – colheres), - is (pastel – 
pastéis), -ns (nuvem – nuvens), -ões (botão – botões). 
 
Grau dos substantivos 
O grau nos substantivos reflete as variações de tamanhos e seres, e podem ser: 
 
Aumentativo: aumento do objeto ou ser em relação ao seu tamanho real. 
Exemplo: Aquela bolsona cabem todos os meus itens de maquiagem. 
Diminutivo: diminuição do objeto ou ser em relação ao seu tamanho real. 
Exemplo: Aqueles olhinhos sempre brilham quando sorri. 
Vale lembrar que o grau nos substantivos pode ser usado na sua forma literal ou 
podem ainda representar o sentido conotativo das coisas, ou seja, nem sempre será 
com a intenção real, mas sim um modo de dizer algo. 
 
 
 
 
 
Adjetivo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 
 
“Aquele estojo bonito é da minha colega de sala” 
 
Bonito, aqui, é um adjetivo qualificador, uma vez que traz uma 
qualidade para o substantivo estojo, mas o que é bonito para uma 
pessoa, nem sempre é bonito para a outra pessoa, por isso, dizemos que 
são palavras que denotam qualidade e a qualidade é passível de 
variação de acordo com o princípio do gosto de cada indivíduo. 
 
 
Exemplo: 
 
“Fomos ao cinema ver o filme de terror que está em cartaz” 
 
Aqui no exemplo citado a palavra terror traz uma classificação para o 
filme, ou seja, é ela que nos dá a ideia do gênero especifico do filme 
que está em exibição. 
Os adjetivos são aquelas palavras que trazem uma qualidade, característica ou 
qualificam os seres em geral. 
 
Algumas gramáticas trazem os adjetivos divididos em dois tipos: os qualificadores e 
os classificadores. 
 
Adjetivos quali cadores 
Como o próprio nome diz,os adjetivos qualificadores são aqueles que expressam 
uma qualidade aos seres, normalmente qualificam um substantivo. Por se tratar de 
uma qualidade essas palavras podem ser tanto positivas, quanto negativas, além 
disso elas são subjetivas e podem mudar de pessoa para pessoa. Vamos observar o 
exemplo: 
 
 
 
 
 
Adjetivos classi cadores 
Diferentemente dos qualificadores, os adjetivos classificadores denotam a ideia de 
classificação. Isso quer dizer que tipificam uma classe, um grupo ou mesmo trazem 
características específicas a um agrupamento de coisas. 
 
 
 
 
Quem nasce no Brasil é? Brasileiro. 
Quem nasce no Japão é? Japonês. 
Quem nasce no estado do Rio de Janeiro é? Fluminense. 
Quem nasce na cidade do Rio de Janeiro é? Carioca. 
 
Alguns adjetivos pátrios são bem simples de se identificar, mas há 
outros que são completamente diferentes, como por exemplo quem 
nasce no Estado do Espírito Santo é? Capixaba. 
E, diferente do adjetivo qualificador, o adjetivo classificador é objetivo, ou seja, ele 
não muda de pessoa para pessoa, se o filme é de terror, não há como dizer que é de 
comédia porque eu acho que é comédia. Ele simplesmente se qualifica como tal. 
 
Os adjetivos são responsáveis pela caracterização das palavras, mas não podemos 
confundir uma qualidade com uma classificação, por isso há essa diferença entre os 
dois tipos de adjetivos. 
 
Adjetivos pátrios 
Os adjetivos pátrios são aqueles que denotam a nacionalidade, ou seja, o lugar de 
origem de uma pessoa ou de um determinado objeto. Por exemplo: 
 
 
 
Formação do adjetivo 
Os adjetivos podem ser formados por: 
 
 Primitivo: são aqueles adjetivos que não derivam de nenhuma outra palavra, 
como por exemplo: bom, forte, feliz, etc.; 
 Derivado: são aqueles adjetivos que derivam de outras palavras, normalmente 
substantivos ou verbos, como por exemplo: famoso, amado, carnavalesco, etc.; 
 Simples: são aqueles adjetivos formados apenas por um elemento, como por 
exemplo: brasileiro, escuro, etc.; 
 Composto: são aqueles adjetivos que são constituídos por mais de um 
elemento, como por exemplo: luso-brasileiro, castanho-escuro, etc.; 
 
 
Flexão dos adjetivos 
Os adjetivos podem se flexionar em gênero, número e grau. 
 
Quanto aos gêneros dos adjetivos, eles podem ser uniformes ou biformes. Os 
uniformes são aqueles que possuem a mesma forma tanto no feminino quanto para 
o masculino, por exemplo: 
 
 Leal 
 Superior 
 Inferior 
 Simples 
 Lilás 
 Veloz 
 Otimista 
 Jovem 
 
Já os biformes são aqueles adjetivos duas formas, ou seja, uma para o masculino e 
outra para o feminino. Por exemplo: 
 
 Mau/ má 
 Europeu/ europeia 
 Alemão/ alemã 
 Cristão/ cristã 
 São/ sã 
 Judeu/ judia 
 Bom/ boa 
 Chorão/ chorona 
 
Já em relação ao número dos adjetivos, eles podem flexionar em singular e plural, 
da mesma forma que os substantivos. 
 
Já o grau dos adjetivos se divide em: 
 
Grau comparativo 
Nessa definição os adjetivos são comparados em qualidade nos quesitos: igualdade, 
superioridade e inferioridade. 
 
Igualdade: Sou tão alto quanto você; 
Superioridade: pode ser expressa na forma analítica: sou mais alto do que 
você; ou pode ser expressa na forma sintática: você é maior que eu; 
Inferioridade: sou menos alto do que você. 
Grau superlativo 
O grau superlativo se divide em: 
 
 Absoluto: O grau superlativo absoluto se subdivide ainda em analítico (ela é 
muito alta) e sintético (ela é altíssima). 
 Relativo: O grau superlativo relativo se subdivide ainda em relativo de 
superioridade (esta montanha é maior que a outra) e de inferioridade (ele é o 
menos alto de todos os irmãos) 
 
É possível perceber que os adjetivos recebem classificações quanto ao seu modo de 
caracterizar (qualificador ou classificador) e quanto às suas formas de flexão (gênero, 
número e grau) e suas respectivas subdivisões. 
 
Vale lembrar, ainda, que algumas palavras podem desempenhar função de adjetivo 
quando inseridas em um contexto de caracterização. Por exemplo: 
 
Sempre fazemos festas surpresa na empresa 
 
Originalmente, a palavra “surpresa” é um substantivo, mas no contexto em que está 
inserida acima exerce a função de classificar a festa, não é qualquer festa, é uma 
festa surpresa. Traz, portanto, uma característica ao substantivo “festa”. 
 
 
 
Verbo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 nisso, separei 
esquema para que seja possível uma 
boa compreensão do que são os 
 verbos e de como podemos estudá- 
lo de forma organizada e sem 
confundir. Vamos lá?! 
@freepik 
A classe gramatical dos verbos talvez seja a que mais nos traz detalhes e uma 
verdadeira abundância de informações, possibilidades e maneiras de aplicação. Fato 
é que no dia a dia muitas vezes usamos os verbos com os tempos, modos ou formas 
nominais misturados e até mesmo não sabemos ao certo se estamos fazendo o uso 
correto ou não daquela colocação. 
 
 
 
 
 
Tempos verbais 
Para o início da nossa organização da estrutura do verbo é preciso entender que eles 
podem ser encontrados em três tempos. Sendo: 
 
 Presente: quando a ação acontece no momento da enunciação; 
 Passado ou pretérito: quando a ação ocorreu antes do momento da 
enunciação; 
 Futuro: algo que ainda acontecerá. 
 
Parece óbvio e simples delimitar esses três tempos, mas se faz necessário uma vez 
que posteriormente nos depararemos com outros tempos verbais, digamos, mais 
elaborados e ricos em detalhes. 
 
Modos verbais 
Assim como nos tempos verbais, os modos também são três: 
 Indicativo: algo que nos dá a ideia de certeza; 
 Imperativo: uma ordem, conselho ou pedido; 
 Subjuntivo: algo que traz a ideia de possibilidade, do talvez, da hipótese. 
 
Agora que já conhecemos os tempos e os modos fica ainda mais fácil prosseguir no 
estudo dos verbos, afinal, contextualizar toda teoria é a melhor saída para o 
entendimento. 
 
Confira na tabela abaixo os outros modos e tempos verbais: 
 
 
Quadro 1: Tempos e modos verbais 
 
Modos Verbais 
 
 
 
 
 
 
 
Indicativo 
Tempos Verbais Exemplos 
Presente Ele consegue. 
Pretérito Perfeito Ele conseguiu. 
Pretérito Imperfeito Ele conseguia. 
Pretérito mais que perfeito Ele conseguira. 
Futuro Presente Eu conseguirá. 
Futuro Pretérito Ele conseguiria. 
 
 
 
Subjuntivo 
Presente Que ele consiga. 
Pretérito Imperfeito Se ele conseguisse. 
Futuro Quando ele conseguir. 
Imperativo Afirmativo 
Afirmativo Negativo 
Consiga ele. 
Não consiga ele. 
 
Fonte: acesse o link 
 
 
Formas nominais do verbo 
Disponível aqui 
https://www.todamateria.com.br/modos-verbais/
Outra característica verbal é a forma nominal que se divide em três também: 
 
 Infinitivo: são os verbos terminados em – R; 
 Gerúndio: são os verbos terminados em – NDO; 
 Particípio: são os verbos terminados em – DO; 
 
Vale lembrar que existe uma situação corriqueira, mas equivocada, do uso do 
gerúndio. Quando isso acontece dizemos que há gerundismo, ou seja, uma situação 
em que não se deveria ter aplicado o gerúndio e foi. 
 
O gerúndio é uma ação que foi iniciada no presente e ainda não foi concluída. 
Exemplo: Estou estudando português. 
 
Aqui, o aluno começou a ação de estudar português, mas ainda não concluiu. Em 
termos gerais, é uma ação inacabada e, portanto, cabe o uso do gerúndio. Já 
quando se diz: 
 
“Vou estar enviando sua fatura até amanhã” 
 
Há, portanto, uma ação futura e que não deveria ter usado o gerúndio. O correto 
seria “Enviarei sua fatura até amanhã” já que a ação ainda não aconteceu. Para essa 
situação do uso incorreto do gerúndio temos o gerundismo. 
 
 
 
Vozes verbais 
As vozes verbais acontecem para mostrar se uma ação está sendo sofrida ou 
praticada pelo sujeito. As vozes verbais podem se dividir em: 
 
Ativas: quando o sujeito pratica a ação expressa peloverbo. 
Exemplos: Os pais educam os filhos; 
Passiva: diz-se que aqui o sujeito é paciente, ou seja, ele recebe a ação expressa pelo 
verbo. 
 
Exemplo: Os filhos são educados pelos pais; 
 
Reflexiva: na voz reflexiva há uma ação mútua em que o sujeito é ativo e passivo. 
Exemplo: O homem feriu-se no acidente de carro. 
Aqui, o sujeito homem pratica e recebe a ação de “ferir” ao mesmo tempo. 
 
Conjugações 
 
 
SAIBA MAIS 
Dentre as classes de palavras, o verbo é a mais rica em flexões. Com 
efeito, o verbo reveste diferentes formas para indicar a pessoa do 
discurso, o número, o tempo, o modo e a voz. Ao conjunto ordenado das 
flexões ou formas de um verbo dá-se o nome de conjugação. O verbo é 
a palavra indispensável na organização do período. 
 
Fonte: Domingos Paschoal Cegalla - Novíssima Gramática da Língua 
Portuguesa - São Paulo. Companhia Editora Nacional, 2020. p.182. 
 
 
REFLITA 
“A leitura traz ao homem plenitude, o discurso segurança e a escrita 
precisão”. 
 
Francis Bacon. 
Os verbos dividem-se também nas conjugações, que são: 
 
Primeira conjugação: terminados em -ar: cantar, nadar, falar; 
Segunda conjugação: terminados em -er: beber, comer, escrever; 
Terceira conjugação: terminados em -ir: partir, abrir, rir, etc. 
 
 
 
 
 
 
Chegamos ao fim de mais uma unidade e com ela foi possível aprender como as 
classes gramaticais se dividem de acordo com a NGB e as gramáticas tradicionais, 
bem como nossa língua pode ser organizada de formas diferentes pela gramática de 
valência. 
 
Vale lembrar que tais diferenças sempre existiram e que não uma verdade absoluta 
no que diz respeito ao estudo da Língua Portuguesa, o que há, de fato, são maneiras 
diferentes de se definir e interpretar a mesma situação. 
 
Seria um grande equívoco da nossa parte afirmar que essa ou aquela está certa ou 
errada, uma vez que estamos falando de um organismo vivo e social e passível de 
mudanças. 
 
Assim como os acordos ortográficos com Portugal e os demais países de língua 
portuguesa levaram anos para entrar em concordância (e de fato nunca entrou 100%) 
é possível entender como a diversidade da língua é vasta e as possibilidades de 
aplicação também. 
 
Tudo é uma questão de pontos de vista, contexto e momento do discurso. Nas 
próximas unidades vamos conhecer as outras classes gramaticais e nos aprofundar 
ainda mais no estudo delas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Acordo ortográfico. INSTITUTO DE LINGUÍSTICA TEÓRICA E COMPUTACIONAL, 2019 
online. Disponível em . 
Acesso em: 23jan. 2020 
 
BASÍLIO, Margarida. Formação e classes de palavras no português do Brasil. São 
Paulo: Contexto, 2004. Disponível em: http://fcv.bv4.digita1pages.com.br 
 
BASÍLIO, Margarida. Teoria lexical. 8 ed. São Paulo: Ática, 2007. Disponível em: 
http://fcv.bv4.d ig ita Ipages.com.br 
 
BUSSE, Winfried; VILELA, Mário. Gramática de Valência. Coimbra: Livraria Almedina, p. 
42, 1986. 
 
GONÇALVES, Carlos Alexandre. Iniciação aos estudos morfológicos: 
flexão e derivação em português. São Paulo: Contexto, 2011. 
http://fcv.bv4.d ig ita Ipages.com.br 
Disponível em: 
MATANDAUDJE, Amone. Categorias Gramaticais. Chimoio, p.10, 2018 
 
NEVES, Maria Helena de Moura. Ensino de língua e vivência de 
 
linguagem: temas em confronto. São Paulo: Contexto, 2010. 
http://fcv.bv4.d ig ita Ipages.com.br 
Disponível em: 
Nomenclatura Gramatical Brasileira. INSTITUTO DE 
 
 
LINGUÍSTICA TEÓRICA E COMPUTACIONAL, 2019 online. Disponível em 
. Acesso em: 22jan. 2020 
 
Pereira, Regina Celi; Roca, Pilar (orgs.). Linguística Aplicada: um caminho com 
diferentes acessos. São Paulo: Contexto, 2009. Disponível em: 
http://fcv.bv4.d ig ita Ipages.com.br 
 
RODRIGUES, Angela; ALVES, leda Maria. Gramática do português culto 
 
falado no Brasil: vol. VI: a construção morfológica da palavra. São Paulo: Contexto, 2015. 
Disponível em: http://fcv.bv4.digita1pages.com.br 
 
RODRIGUES, Angela; ALVES, leda Maria. Gramática do português culto 
 
falado no Brasil: vol. VI: a construção morfológica da palavra. São Paulo: Contexto, 2015. 
Disponível em: http://fcv.bv4.digita1pages.com.br 
 
ROSA, Maria Carlota. Introdução à morfologia. 6 ed. São Paulo: Contexto, 2011. 
Disponível em: http://fcv.bv4.digita1pages.com.br 
http://fcv.bv4.digita1pages.com.br/
http://fcv.bv4.d/
http://fcv.bv4.d/
http://fcv.bv4.d/
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php
http://fcv.bv4.d/
http://fcv.bv4.digita1pages.com.br/
http://fcv.bv4.digita1pages.com.br/
http://fcv.bv4.digita1pages.com.br/
 
 
 
 
 
 
Unidade 3 
Palavras fóricas e a 
referenciação situacional e 
textual 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Introdução 
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade vamos conhecer outras classes gramaticais 
baseadas na divisão da gramática tradicional segundo a Norma Gramatical 
Brasileira (NGB). 
 
Antes, porém, vamos conhecer as palavras fóricas e em que situações elas podem 
ser usadas e como o contexto situacional interfere na significação do texto final. 
 
Veremos como se dividem os pronomes e quais são suas características específicas, 
além dos artigos e numerais, classes gramaticais denominadas também segundo a 
NGB. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
Palavras Fóricas e a 
Referenciação Situacional 
e Textual 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 
 
Anafóricas 
As palavras anafóricas ou termos anafóricos, podem ser entendidos 
como aqueles que servem para retomar uma informação que já 
apareceu no texto. 
 
Por exemplo: 
 
João e Guto, apesar de serem gêmeos, são muito diferentes. Por 
exemplo, este é calmo, aquele é explosivo. 
 
Nota-se, portanto, que os elementos em negrito fazem referência a 
João e Guto, ou seja, retomam algo já expresso no texto. 
 
 
Catafóricas 
As palavras catafóricas, ou termos catafóricos, são aqueles que agem de 
forma oposta à das anafóricas. Aqui, elas sugerem algo que ainda não 
apareceu no texto. Veja o exemplo: 
 
Felipe queria fazer um bolo e comprou vários ingredientes: 
achocolatado, açúcar, essência de baunilha e ovos. 
 
O termo grifado é catafórico, pois antecipa algo que ainda não foi dito 
no texto 
As palavras fóricas na língua portuguesa são aquelas usadas para chamar a atenção 
dentro do contexto textual. Em outras palavras, elas servem para evidenciar algo que 
já foi dito ou que se pretende dizer. 
 
As palavras fóricas normalmente são os pronomes, mas há casos em que os 
advérbios também podem exercer essa função. 
 
Além disso, as palavras fóricas se dividem em duas, sendo: 
 
 
 
 
A classe gramatical dos artigos é uma das mais simples da língua portuguesa, ela é 
responsável apenas por classificar apenas oito itens e que são facilmente entendidos 
no contexto comunicacional. 
 
Vamos conhecer neste primeiro momento o artigo definido que, como o próprio 
nome diz trata-se daquele artigo que define com precisão o substantivo que o 
precede. 
 
São eles os artigos definidos: 
 
MASCULINO SINGULAR FEMININO SINGULAR 
O A 
MASCULINO PLURAL FEMININO PLURAL 
OS AS 
 
 
Os artigos definidos são utilizados quando se deseja mostrar com precisão de qual 
objeto ou de qual pessoa está a evidência dentro de um contexto situacional. 
 
Vejamos os exemplos: 
 
A menina que estuda Letras fez um belo discurso na abertura do evento. 
Os pratos que compramos na semana passada foram quebrados ao lavar a 
louça. 
 
@freepik 
 
 
 
Ao utilizarmos os artigos definidos 
 “a” e “o” é possível estabelecer uma 
relação de apropriação da situação, 
afinal, não foi qualquer menina que 
fez o discurso, mas sim foi a menina 
que estuda Letras. Não foramquaisquer pratos que quebraram, 
foram aqueles que compramos na 
semana passada. 
 
 
 
Pronome: Pessoal, 
Possessivo e 
Demonstrativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Pronome pessoal 
A classe dos pronomes é uma das mais importantes, embora todas elas tenham 
suas funções e importância dentro do contexto situacional. 
 
Os pronomes se dividem em seis, sendo: 
 
 Pronome pessoal; 
 Pronome possessivo; 
 Pronome demonstrativo; 
 Pronomes indefinidos; 
 Pronomes relativos; 
 Pronomes interrogativos. 
 
Aqui nos atentaremos, a priori, com os pronomes pessoais, pois são eles que 
substituem os substantivos (ou os determinam) e representam as pessoas do 
discurso. 
 
 
Quadro 1: Pronomes pessoais 
 
 
PESSOAS 
DO 
DISCURSO 
PRON. 
PESSOAIS 
DO CASO 
RETO 
 
PRON. PESSOAIS 
DO CASO 
OBLIQUO ATÔNO 
 
PRON. PESSOAIS 
DO CASO OBLIQUO 
TÔNICO 
1ª PESSOA EU ME MIM, COMIGO 
2ª PESSOA TU TE TI, CONTIGO 
3ª PESSOA ELE/ELA SE, O, A, LHE SI, CONSIGO 
1ª PESSOA NÓS NOS NÓS, CONOSCO 
2ª PESSOA VÓS VOS VÓS, CONVOSCO 
 
3ª PESSOA 
 
ELES/ELAS 
 
SE, OS, AS, LHES 
SI, CONSIGO, ELES, 
ELAS 
 
Fonte: a autora. 
Em regra, os pronomes pessoais se dividem em dois: os retos e os oblíquos. No caso 
dos pronomes pessoais do caso reto a norma diz que eles devem funcionar como os 
sujeitos da oração, enquanto os oblíquos funcionam como objetos ou 
complementos. 
 
Exemplo: 
 
SUJEITO OBJETO VERBO 
Eu te admiro 
Nós o amamos 
Ela me chamou 
Eles lhe bateram 
 
 
Já em relação à acentuação, os pronomes oblíquos podem se dividir em: 
 
Tônicos: esses pronomes são assim chamados por sempre serem precedidos 
por preposições, normalmente as reposições a, para, de e com. Logo, eles 
exercem função de objeto indireto da oração e sua acentuação tônica forte. 
Átonos: esses pronomes são assim chamados porque não são precedidos de 
preposição e sua acentuação tônica é fraca. 
Pronome possessivo 
Os pronomes possessivos são aqueles que se referem às pessoas do discurso, tanto 
no singular quanto no plural, atribuindo-lhes a posse de algo, por isso, são chamados 
de possessivos. 
 
 
 
Veja no quadro abaixo os pronomes possessivos e a que pessoas cada um deles 
corresponde. 
 
 
Quadro 2: Pronome possessivo 
 
PESSOA M.S.P/F.S.P.* 
1ª PESSOA SINGULAR MEU, MEUS, MINHA, MINHAS 
2ª PESSOA SINGULAR TEU, TEUS, TUA, TUAS 
3ª PESSOA SINGULAR SEU, SEUS, SUA, SUAS 
1ª PESSOA PLURAL NOSSO, NOSSOS, NOSSA, NOSSAS 
2ª PESSOA PLURAL VOSSO, VOSSOS, VOSSA, VOSSAS 
3ª PESSOA PLURAL SEU, SEUS, SUA, SUAS 
 
Fonte: a autora. 
 
*S.P = masculino, singular e plural 
*F.S.P = feminino, singular e plural 
@freepik 
 
 
 
 
Vale lembrar que cada pessoa do 
 discurso tem seu pronome 
possessivo específico, mas na 
oralidade muitas vezes há uma 
confusão do uso de terceira pessoa 
do discurso com os pronomes 
relativos à segunda pessoa. 
Veja no quadro abaixo os pronomes possessivos e a que pessoas cada um deles 
corresponde. 
 
 
Pronome demonstrativo 
Outro pronome que usamos bastante no dia a dia é o pronome demonstrativo, mas 
assim como algumas palavras da língua portuguesa, os pronomes demonstrativos 
são usados de forma equivocada várias vezes. 
 
Eles indicam o lugar, a posição ou até mesmo a identidade dos seres fazendo 
sempre referência às pessoas do discurso. 
 
Veja no quadro abaixo essa relação: 
 
 
Quadro 3: Pronome demonstrativo 
 
PESSOA MASC. MASC. FEM. FEM. INVARIÁVEIS 
 
SING. PLURAL SING. PLURAL 
 
1ª PESSOA Este Estes Esta Estas Isto 
2ª PESSOA Esse Esses Essa Essas Isso 
3ª PESSOA Aquele Aqueles Aquela Aquelas Aquilo 
 
Fonte: a autora. 
 
 
Os pronomes demonstrativos podem ser usados em três situações: espaço, tempo e 
no texto. Vamos analisar agora cada um deles: 
 
Espaço 
Em relação ao pronome demonstrativo com ideia espacial, temos: 
 
Este: quando o objeto está perto da pessoa que fala (eu, nós). 
 
Exemplo: Este caderno é meu. (está perto de mim) 
 
Esse: quando o objeto está perto da pessoa com quem se fala (você, tu). 
Exemplo: Esse caderno aí é do João. (perto do receptor da mensagem). 
 
Aquele: quando o objeto está longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se 
fala. 
 
Exemplo: Aquele livro lá está na sala do outro pavilhão. 
 
Tempo 
Relativo ao tempo, temos os pronomes demonstrativos com situação temporal 
assim: 
 
Este: indica tempo presente. 
 
Exemplo: esta semana, este mês, este ano. 
 
Esse / aquele: dá a ideia de tempo passado, porém o “esse” se refere a um passado 
próximo, enquanto o “aquele” faz referência a um passado distante. 
 
Exemplo: Esse ano que passou foi muito produtivo (passado recente) 
Aquela época nos divertíamos muito no sítio do meu avô (passado remoto) 
Texto 
Outra situação em que se pode usar o pronome demonstrativo é no texto, e talvez 
seja esse (ou este?) o que mais temos dificuldade. Observe: 
 
Este: Trata-se de algo que será referido em seguida. 
 
Exemplo: Fernando Pessoa escreveu este verso: "Tudo vale a pena se a alma não é 
pequena". 
 
Esse: Trata-se de algo que já foi dito anteriormente no texto. 
 
Exemplo: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena." Esse verso é de Fernando 
Pessoa. 
 
 
 
A Quanti cação e a 
Identi cação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
@freepik 
 
 
 
A quantificação e a identificação de 
termos dentro das orações e dos 
períodos acontecem através da 
classe dos numerais, sejam os 
cardinais, ordinais, multiplicativos ou 
fracionário (no tópico numerais 
deste material veremos as definições 
de cada um desses numerais e seus 
respectivos exemplos). 
Quando se fala em quantificação logo nos vem à mente os cálculos matemáticos, e 
parece que isso nada tem a ver com a gramática da língua portuguesa, não é? 
 
Aparentemente, pode até não ter, mas não podemos nos esquecer de que os 
numerais fazem parte das classes gramaticais também. 
 
A diferença é que eles são utilizados em língua portuguesa de forma escrita por 
extenso, enquanto na matemática os numerais são expressos através dos 
algarismos. 
 
 
 
 
Além dos numerais temos ainda a classe dos artigos indefinidos que podem se 
confundir durante a escrita, afinal o artigo definido, masculino, singular é UM, e o 
número cardinal é UM também. 
 
Então, como saber de qual das duas classes gramaticais estamos nos referindo? A 
resposta é bem simples, basta observar o contexto em que está inserida. 
 
Exemplo: 
 
Um garoto me disse que estava procurando por você. (artigo indefinido, 
qualquer garoto). 
Um menino e uma menina devem se dirigir ao teatro para a avaliação. (um e 
uma são numerais, quantidades específicas). 
 
 
O artigo inde nido 
Já os artigos indefinidos são o oposto dos artigos definidos, mas assim como os que 
já vimos anteriormente, são facilmente compreendidos. Veja a tabela abaixo: 
 
MASCULINO SINGULAR FEMININO SINGULAR 
UM UMA 
MASCULINO PLURAL FEMININO PLURAL 
UNS UMAS 
 
 
Os artigos indefinidos podem ser utilizados em situações em que não se pode ou 
não se deseja especificar algo ou alguém. 
 
Exemplo: 
 
Um garoto estava atravessando a rua quando o semáforo abriu 
Uma garrafa de leite já é suficiente para a receita do pudim. 
 
 
 
“A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para 
depois escrever; uma pessoa revira metade de uma biblioteca para 
fazer um só livro”. 
 
Samuel Johnson. 
 
@freepik 
 
 
 
 
Nas duas situações exemplificadas é 
possível notar como os artigos “um” 
e “uma” foram usados para mostrar 
“qualquer garoto e qualquer 
garrafa”, não se sabe ao certo de 
qual garoto estava falando, nem ao 
menos de qual garrafa de leite 
estava sendo citada. 
 
 
 
Pronome Inde nido e 
NumeraisAUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
 
 
PRONOMES INDEFINIDOS 
 
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, 
menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), 
outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), 
quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), 
vários, várias. 
Pronome inde nido 
Os pronomes indefinidos são bem específicos, eles se referem à terceira pessoa do 
discurso, mas a sua ideia será sempre de algo vago, impreciso, indeterminado. 
 
Veja a tabela abaixo dos pronomes indefinidos. 
 
 
 
 
Exemplos de frases com pronomes indefinidos: 
 
Algo o incomodava todos os dias 
Qualquer coisa que você fizer já será o suficiente 
Nenhum de nós está preparado para ir embora 
Quanto mais você se doar, mais será recompensado 
Ela toma água várias vezes ao dia 
Numerais 
A classe gramatical dos numerais é dividida em quatro e compreende: 
 
Numerais cardinais 
São os mais usados nosso dia a dia e mostram a quantidade exata dos seres - um, 
dois, três, quatro. 
 
Exemplo: As duas toalhas foram rasgadas. 
 
 
Numerais ordinais 
São os numerais que indicam ordem e normalmente são utilizados em 
classificações de concursos, atividades e tudo o que exige classificação – primeiro, 
segundo. 
 
Exemplo: João ficou em terceiro lugar na categoria júnior. 
 
 
Numerais multiplicativos 
São os numerais que demonstram aumentos proporcionais de determinada 
quantidade - dobro, triplo, quinto. 
 
Exemplo: Ele teve o triplo de chances de passar no concurso. 
 
 
Numerais fracionários 
Assim como os multiplicativos indicam aumento proporcional, os fracionários 
indicam diminuições proporcionais, frações ou divisões – terço, meio, metade. 
 
Exemplo: Luiza comeu um terço do bolo que fiz ontem. 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Diferença entre número, numeral e algarismo 
O que é um número? 
 
Um número, por definição, é uma expressão de quantidade. Nós 
pensamos em números sempre que contamos ou medimos alguma 
coisa, por exemplo: 
 
quantos dias faltam para o nosso aniversário; 
em que posição estamos em um ranking; 
qual a nossa altura; 
 
Os números não são tratados nem como classificação gramatical e 
nem como símbolos, mas sim a própria noção de unidades 
 
O que é um numeral? 
 
O numeral é a classe gramatical que nos dá a representação de um 
número, de uma quantidade. Essa representação pode ser escrita ou 
falada. Os numerais são divididos em 4 tipos conforme sua função: 
 
Cardinal 
Ordinal 
Multiplicativo 
Fracionário 
 
O que é um algarismo? 
 
Se você é um bom observador, percebeu que até agora todos os 
numerais foram escritos por extenso nos exemplos 
 
Um algarismo é um símbolo numérico empregado para representar os 
numerais de forma escrita, e também pode ser chamado de dígito. 
 
 
ACES S AR 
https://comunidade.rockcontent.com/numero-numeral-e-algarismo/
https://comunidade.rockcontent.com/numero-numeral-e-algarismo/
 
 
 
Nesta unidade conhecemos as classes gramaticais dos pronomes, artigos e numerais, 
foi possível identificar a relação que os pronomes têm com as pessoas do discurso, 
bem como devemos usá-los em vários contextos situacionais, tanto de tempo, quanto 
de espaço e texto. 
 
Os pronomes devem ainda ser usados, de acordo com a função de cada um deles, 
como sujeito da oração ou complementos. 
 
As classes gramaticais até aqui estudadas devem ser pensadas em contextos 
significativos, afinal, sabemos que as palavras podem assumir classes de palavras 
diferentes de acordo com a situação em que são usadas. 
 
Para isso, na próxima unidade vamos conhecer alguns recursos de expressividade 
que, junto com as classes já estudadas, darão maior sentido nos períodos. 
 
 
 
 
 
 
 Livro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Filme 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade 4 
A junção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Introdução 
Chegamos à última unidade da nossa apostila e para quem gosta de estudar a 
língua portuguesa deve estar se perguntando se veremos ainda alguns recursos 
expressivos ou mais ferramentas para construção textual. 
 
Sim, nesta unidade vamos conhecer a coesão e a coerência textual e como elas se 
relacionam de modo a formar um texto de fácil entendimento e sem gerar 
equívocos na interpretação. 
 
Além desses recursos, e não menos importante, falaremos também da conotação e 
denotação, a primeira expressa através das figuras de linguagem que nos auxiliam 
na hora de dar ênfase em contextos comunicativos específicos. 
 
Mas antes, finalizaremos a apostila com os tópicos deste módulo com as classes 
gramaticais que ainda não vimos para que seja completa nossa análise morfológica 
de acordo com a NGB. 
 
Espero que você desfrute de bons momentos de estudo e aprendizado nesta quarta 
unidade. Vamos lá?! 
 
 
 
Junção e Preposições 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AUTORIA 
Lucimari de Campos Monteiro 
Na oralidade, contexto 
 
fazemos 
maneira 
preocupar 
essas 
natural 
 
construções 
e sem 
 o 
estamos escolhendo para construir 
frases e demonstrar os sentimentos. 
Além disso, vale lembrar que na 
oralidade contamos ainda com as 
expressões corporais e faciais que 
nos ajudam a conectar ideais e 
expressar nossos pensamentos de 
uma maneira mais eficaz 
@freepik 
 
A junção 
As classes gramaticais que veremos nesta unidade são as que podem ser 
compreendidas como “as de junção”, em termos gerais isso significa dizer que uma 
junção é uma conexão, uma união. 
 
Até aqui estudamos os artigos, pronomes, verbos, adjetivos e tantas outras 
características que nos permitem dar nomes aos seres, qualificar e classificar coisas, 
objetos e pessoas e definir ou não algo ou alguém. 
 
Mas como unir informações? Quais são os conectivos que devemos usar para que 
essa união seja, gramaticalmente, correta? 
 
Bom, a partir de agora vamos conhecer essas palavras que fazem toda a diferença 
na hora de construir a maior unidade de comunicação, que é o texto. 
 
 
 
 
Quando essa ideia precisa ser passada para o papel, de forma clara, coesa e 
convincente, adotamos elementos de conexão que, juntos e empregados da 
maneira correta, nos darão a ideia que se deseja transmitir. 
 
Por isso, nos tópicos seguintes você encontrará quando e quais conectivos usar em 
determinadas situações, seja em pequenas orações ou em períodos, parágrafos e 
até mesmo em um texto como um todo. 
Preposições 
A preposição é uma das classes gramaticais invariáveis, ou seja, que não se altera no 
contexto em que está inserido, por isso, sua principal função é o de unir, conectar 
um termo dependente a um termo principal para que ambos se completem em 
significação e sentido. 
 
Existe, na língua portuguesa, alguns tipos de preposições e suas finalidades são bem 
delimitadas, listei algumas para exemplificar, mas elas não se limitam a isso, basta 
pensar e interpretar “que tipo de conexão estou fazendo nessa frase?”, aí a resposta 
será fácil de encontrar. Veja a seguir alguns exemplos bem práticos: 
 
 Preposição de lugar: O carro veio de 
 Preposição de modo: As cadeiras eram colocadas em 
 Preposição de tempo: Pordois anos ele morou no Canadá. 
 Preposição de distância: Adez quilômetros daqui encontraremos uma praia. 
 Preposição de causa: Coma neve, as estadas ficam escorregadias. 
 Preposição de instrumento: Ele cortou o dedo comuma tesoura. 
 Preposição de finalidade: A casa foi enfeitada paraa ceia de Natal. 
 
As preposições se dividem ainda de duas formas: 
 
Preposições essenciais: as que são por natureza uma preposição mesmo. 
Exemplo: até, de, entre, sobre, para, sem, após, contra, em, perante, etc.; 
Preposições acidentais:

Mais conteúdos dessa disciplina