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1 
 
 
NUTRIÇÃO FUNCIONAL 
1 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
NUTRIÇÃO FUNCIONAL: CONCEITOS ................................................. 4 
PRINCÍPIOS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL ............................................. 4 
INTERCONEXÕES METABÓLICAS ....................................................... 6 
FERRAMENTAS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL E TRATAMENTO 
NUTRICIONAL ................................................................................................... 7 
ESTUDO DE CASO: INTERVENÇÃO NUTRICIONAL BASEADA NOS 
PRINCÍPIOS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL ....................................................... 8 
ANÁLISE CRÍTICA E CONCLUSÕES ..................................................... 9 
EFEITOS FISIOLÓGICOS DE ALIMENTOS: REDUÇÃO DE RISCOS DE 
DOENÇAS DEGENERATIVAS ........................................................................ 26 
CONCEITO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS ......................................... 27 
OSTEOPOROSE E SOJA ..................................................................... 28 
ÁCIDO OLÉICO - ASPECTOS PROTETORES ..................................... 29 
O QUE RECOMENDAR PARA PREVENIR OU, PROTELAR DOENÇAS 
QUE PODERIAM SER EVITADAS ATRAVÉS DE UMA ALIMENTAÇÃO 
SAUDÁVEL ...................................................................................................... 30 
OS ALIMENTOS FUNCIONAIS: A NOVA FRONTEIRA DO MERCADO 
ALIMENTAR ..................................................................................................... 32 
OS ALIMENTOS FUNCIONAIS: A NOVA FRONTEIRA DA INDÚSTRIA 
ALIMENTAR ..................................................................................................... 35 
A VISÃO POLÍTICA DO MERCADO: O MERCADO COMO “CAMPO DE 
LUTAS”............................................................................................................. 36 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................... 41 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
A importância do alimento e sua relação com a saúde humana é descrita 
desde a antiguidade. 
No decorrer dos séculos, a ciência da medicina identificou diversas 
doenças associadas a deficiências nutricionais, dentre as quais as doenças 
crônicas não transmissíveis (DCNT), que são agravadas por modificações no 
padrão dietético, redução da atividade física, stress e distúrbios emocionais, 
interferindo no funcionamento dos sistemas orgânicos. 
Atualmente o cuidado no suporte nutricional, além de nutrir as células 
adequadamente, envolve o equilíbrio em fatores como stress, distúrbios 
emocionais, exposição a poluentes, pesticidas e substâncias sintéticas, 
fornecendo nutrientes e compostos bioativos envolvidos na modulação dos 
sistemas orgânicos de defesa e eliminação. 
Estes mecanismos manifestam-se por meio de sinais e sintomas, vieses 
importantes a serem observados na prática clínica. 
Nesse sentido, uma área de conhecimento da ciência da nutrição, definida 
como nutrição funcional, busca compreender de maneira científica e integrativa 
a relação entre os diferentes sistemas do organismo. 
O cerne está na avaliação das causas, manifestadas por sinais e no 
âmbito da individualidade bioquímica, a qual objetiva restabelecer o equilíbrio 
fisiológico, estrutural e emocional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
NUTRIÇÃO FUNCIONAL: CONCEITOS 
A nutrição funcional é uma área de conhecimento da nutrição baseada na 
perspectiva da medicina funcional. 
O termo “funcional” aplica-se à manifestação de mudanças em processos 
fisiológicos básicos que refletem sintomas de duração, intensidade e frequência 
aumentadas, ou seja, não se resume apenas a doenças de origem conhecida, 
mas alterações precoces nas funções orgânicas que podem evoluir para 
doenças crônicas ao longo da vida. 
Os conceitos da nutrição funcional abrangem genética, intervenção clínica 
por meio da biologia em sistemas e a compreensão da influência de fatores 
ambientais e de estilo de vida no surgimento e progressão da doença. Dessa 
forma, a nutrição funcional, como uma ciência integrativa fundamentada em 
evidências científicas, incorpora a interação entre os sistemas orgânicos por 
meio da relação entre a fisiologia, fatores emocionais, cognitivos e aspetos 
estruturais, no ato de avaliar aspetos genotípicos e bioquímicos individuais. Na 
prática clínica, objetiva aplicar condutas personalizadas para equilibrar funcional 
e nutricionalmente o organismo e modular respostas frente ao genótipo e a 
diferentes fatores que predisponham desequilíbrios e doenças, promovendo a 
saúde como vitalidade positiva. 
 
PRINCÍPIOS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL 
As condutas da nutrição funcional são norteadas pelos seguintes 
princípios básicos: 
Individualidade bioquímica: princípio base para a terapia nutricional 
funcional, caracterizado por um conjunto de fatores genéticos, fisiológicos e 
bioquímicos individuais que orquestra o funcionamento do organismo e as 
necessidades nutricionais, as quais interagem com fatores ambientais (incluindo 
hábitos alimentares, toxinas, poluentes, stress mental e atividade física). Assim, 
cada indivíduo apresenta uma necessidade ou deficiência nutricional específica, 
5 
 
 
que podem ser determinadas pela avaliação de sinais e sintomas que o mesmo 
apresenta ou pelo meio ambiente ao qual está exposto; 
Tratamento centrado no paciente: o foco do tratamento nutricional 
funcional é centrado no paciente e não na doença, uma vez que é considerada 
a inter-relação entre os sistemas orgânicos e a influência sofrida por fatores 
ambientais, socioeconômicos, emocionais, culturais, alimentares, bem como 
antecedentes individuais e familiares, utilização de medicamentos e prática de 
atividade física, indicando a individualidade dos sinais e sintomas apresentados 
pelo paciente. Neste ponto, utiliza-se, conjuntamente, o sistema ATMs 
(Antecedents, Triggers, and Mediators– Antecedentes, Gatilhos e Mediadores) 
para a identificação dos desequilíbrios nutricionais e funcionais e subsequente 
obtenção do diagnóstico nutricional. Nesse sistema, os antecedentes incluem o 
histórico de vida e familiar (genético) do paciente; os gatilhos envolvem fatores 
que podem ser originários de stress físico, mental e oxidativo, traumas, radiação, 
lipopolissacarídeos bacterianos (LPS) e micro-organismos; os mediadores são 
componentes que podem estar associados a disfunções do organismo, 
nominados como mediadores químicos (hormonas, neurotransmissores, 
citocinas, radicais livres), subatômicas (íons), cognitivos ou emocionais (crença 
em relação à doença,41 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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ua=1. Acesso em: 24/01/2016.sentimento de medo, ansiedade), sociais e culturais 
(relações interpessoais profissionais e familiares); 
Equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes: a absorção e a 
ação dos nutrientes em âmbito celular são dependentes não apenas da 
adequação da ingestão, mas também da razão de equilíbrio entre estes 
componentes – os quais agem em sinergismo dentro do organismo, da origem 
do alimento e sua forma de conservação e preparo, da forma química em 
suplementações, e, por fim, da condição absortiva e/ou patológica e da 
necessidade nutricional individual; 
Saúde como vitalidade positiva: segundo a OMS, saúde se refere ao 
perfeito estado de bem-estar físico, mental e social. O indivíduo deve ser 
avaliado como um organismo completo e tratado com o objetivo de modular os 
desequilíbrios existentes para restabelecer a relação positiva entre os sistemas, 
atingindo a saúde de forma plena, ou seja, com vitalidade positiva; 
Inter-relações pela teia de interconexões metabólicas: as interconexões 
metabólicas caracterizam um modo que permite elencar as inter-relações entre 
6 
 
 
todos os processos bioquímicos do organismo e entre o sistema ATMs, 
permitindo a identificação dos desequilíbrios metabólicos associados às 
condições clínicas apresentadas pelo paciente, favorecendo o desmembramento 
das bases funcionais destes distúrbios para o tratamento de suas causas. 
 
INTERCONEXÕES METABÓLICAS 
Para a compreensão da interconexão entre os diferentes sistemas 
orgânicos e de seu impacto sobre determinadas condições clínicas, a nutrição 
funcional utiliza uma configuração gráfica em forma de teia que representa as 
interconexões metabólicas, sendo uma ferramenta desenvolvida pelo IFM que 
esquematiza as complexas inter-relações entre estes sistemas, facilitando a 
caracterização dos desequilíbrios clínicos de forma a ampliar a visão sobre o 
paciente. 
Neste processo são identificados diversos fatores bioquímicos, 
neurológicos, emocionais, mentais, hormonais, imunológicos e físicos e como 
modificações nestes pontos podem influenciar direta ou indiretamente a 
interação entre os sistemas, refletindo ou não em distúrbios orgânicos. 
Ainda, considera-se o sistema ATMs, o padrão de sono e relaxamento, a 
prática de atividade física, aspetos nutricionais e de hidratação, stress e 
resiliência, bem como relacionamento e convívio (Figura 1). 
Assim, pode-se inferir que a utilização prática desta ferramenta amplia o 
diagnóstico nutricional do indivíduo, uma vez que permite a identificação dos 
principais pontos que direcionarão as condutas nutricionais dentro de um 
contexto que compreende a interconexão entre os sistemas orgânicos e suas 
vias metabólicas, considerando a condição clínica e a individualidade bioquímica 
do paciente para o restabelecimento do equilíbrio destes sistemas com a 
correção das possíveis deficiências nutricionais. 
 
 
7 
 
 
FERRAMENTAS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL E TRATAMENTO 
NUTRICIONAL 
Além da aplicação da teia das interconexões metabólicas e de uma 
anamnese com abordagem de funcionamento orgânico associada a fatores 
endógenos e exógenos, a nutrição funcional ainda utiliza ferramentas 
específicas para a avaliação da ingestão alimentar (recordatório alimentar), da 
disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal), do processo de destoxificação, 
de hipersensibilidades alimentares, do equilíbrio ácido-base e de infeção fúngica, 
complementadas pela investigação genética (doenças e polimorfismos) e de 
exames laboratoriais para corroborar os sinais e sintomas apresentados. 
Estes dados direcionarão um plano alimentar individualizado e equilibrado 
em macronutrientes, micronutrientes e compostos bioativos indispensáveis para 
recuperação plena do paciente com vitalidade positiva. 
O plano alimentar do paciente ainda engloba a aplicação de um programa 
denominado “6Rs” (Remover, Recolocar, Reinocular, Reparar, Reequilibrar e 
Reavaliar), uma conduta focalizada na modulação dos desequilíbrios do trato 
gastrointestinal (TGI), diretamente relacionados com várias doenças sistémicas. 
Este programa sumariza interconexões bioquímicas e fisiológicas 
associadas ao TGI, direcionando: a remoção de patógenos, alergenos 
alimentares, xenobióticos, poluentes e fatores estressantes; o suporte para 
recolocar ácido clorídrico, enzimas digestivas, fatores intrínsecos e fibras, e para 
reinocular probióticos e prebióticos; a reparação da mucosa gastrointestinal com 
dieta não irritativa e hipoalergénica e com nutrientes envolvidos na restauração 
da função celular; o reequilíbrio de hábitos saudáveis, com suporte para 
restaurar a homeostase do paciente; e, por fim, a reavaliação dos objetivos 
traçados e alcançados e das condutas nutricionais, garantindo a manutenção de 
saúde plena. 
Quando necessário, são prescritas suplementações nutricionais para 
complementar o plano alimentar, respeitando as necessidades individuais do 
paciente, a biodisponibilidade e interação entre os nutrientes, a legislação 
vigente e os princípios da Dietary Reference Intake (DRI). 
 
 
8 
 
 
ESTUDO DE CASO: INTERVENÇÃO NUTRICIONAL BASEADA 
NOS PRINCÍPIOS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL 
Os pacientes foram acompanhados por 30 dias, sendo submetidos a um 
tratamento nutricional baseado nos princípios e conceitos da nutrição funcional 
anteriormente referidos. 
Os parâmetros bioquímicos de glicemia, CT, LDL-colesterol, HDL-
colesterol, TG e antropométricos de peso, IMC, circunferência abdominal foram 
mensurados antes e após o tratamento nutricional (Tabela 1). 
O tratamento nutricional dos pacientes, baseado nos princípios e 
conceitos da nutrição funcional citados anteriormente, entre os quais a 
intervenção individualizada no contexto da sua história de vida, o meio onde vive, 
hábitos alimentares, presença de sinais e sintomas e necessidades nutricionais 
individuais (Figura 2), promoveu a diminuição da glicemia, CT, LDL-colesterol 
(p≤ 0.05) e de TG (phipófise-adrenal e altera os níveis de cortisol. 
A elevação crônica dos níveis desta hormona, por sua vez, poderá refletir 
em desequilíbrios sistémicos. 
O sistema de defesa e reparo pode impactar negativamente sobre o 
microbioma intestinal humano e sistema imunológico, como consequência 
alterar respostas inflamatórias por meio do aumento de citocinas pró-
inflamatórias (como IL-1, IL-6 e TNF-alfa), e interferir no sistema de energia por 
afetar vias bioquímicas envolvidas no metabolismo energético, defesa 
antioxidante e função mitocondrial, pontos relevantes na obesidade e síndrome 
metabólica. 
No sistema de assimilação, o stress e/ou sobrecarga emocional podem 
predispor distúrbios gástricos e intestinais com alteração de microbioma, ao 
prejudicar diretamente a digestão, absorção, disponibilidade de nutrientes e 
compostos ativos, aumentando os riscos de deficiências nutricionais; além disso, 
favorece a passagem de moléculas mal digeridas para o intestino e circulação 
sanguínea, impactando em reações imunológicas que podem prejudicar o 
sistema de integridade estrutural de ossos, articulações e músculos. 
10 
 
 
Esta condição também pode comprometer o funcionamento hepático, 
interferindo no sistema de biotransformação e eliminação de xenobióticos, 
metais pesados, carcinógenos e toxinas, o que fragiliza as funções dos demais 
sistemas e acarreta maior susceptibilidade a doenças hepáticas, cancro, 
obesidade entre outras. 
O cortisol em níveis elevados, devido a sua capacidade de afetar 
diferentes vias bioquímicas, pode relacionar-se com o sistema de transporte por 
representar um risco cardiovascular e, ainda, com o sistema de comunicação, 
desregulando a transmissão e a responsividade de componentes imunológicos, 
hormonais e neurotransmissores impactando sobre o controlo da mente e 
emoções, formando um ciclo vicioso. 
Os resultados do estudo de caso apontaram que pacientes abordados 
desta forma alcançaram resultados de melhora com a intervenção de curto 
período de tempo. 
Portanto, fica evidente a importância de se considerar na avaliação e 
diagnóstico nutricional os aspetos inerentes à biologia de sistemas e à 
individualidade genética e bioquímica, pois permitem identificar os caminhos 
moleculares que levam à saúde ou à doença, direcionando o tratamento 
nutricional funcional, descrito anteriormente, para a obtenção da saúde como 
vitalidade positiva. 
Ao considerar a escassez de publicações sobre a nutrição funcional, mais 
ensaios clínicos e estudos populacionais precisam ser conduzidos para a 
confirmação dos resultados apresentados com esta abordagem. 
 A nutrição clínica funcional é uma ciência integrativa e intensa, que tem 
por fundamento a pesquisa científica e sua aplicação prática, envolvendo a 
promoção da saúde, a prevenção e o tratamento de doenças, com base na 
avaliação dos aspectos bioquímicos, hábitos alimentares, genótipo e 
suscetibilidade genética no desenvolvimento de doenças de cada indivíduo. 
Sendo assim, este trabalho teve por objetivo desenvolver um cardápio baseado 
nos princípios da nutrição funcional para um público infantil e adulto de baixa 
renda, avaliando a viabilidade econômica e os aspectos nutricionais quando 
comparados ao hábito alimentar da população brasileira. 
Os cardápios foram comparados utilizando os seguintes parâmetros: 
composição nutricional, preço e fator de inflamação. 
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O cardápio funcional apresentou menor índice inflamatório nas duas 
faixas etárias, melhor perfil nutricional de macro e micronutrientes, fibras, índice 
glicêmico e maior quantidade de compostos bioativos. 
O cardápio funcional teve menor preço para o público infantil; já para a 
população adulta, foi o cardápio tradicional o mais barato, mas seu cardápio 
funcional apresentava três refeições a mais e mais alimentos na dieta, podendo 
justificar as diferenças nos valores. 
O cardápio funcional comprovou ser uma alimentação ao alcance de toda 
a população, trazer mais benefícios à saúde e reduzir o risco do aparecimento 
de doenças em longo prazo. São necessárias estratégias e planejamentos para 
reduzir ainda mais o seu custo. 
Durante as últimas décadas, percebemos grandes mudanças no consumo 
alimentar da população, caracterizado por uma dieta rica em alimentos de alta 
densidade energética, com alto consumo de gorduras, açúcares, alimentos com 
alto teor em sódio e baixo consumo de frutas, legumes e verduras, levando a um 
aumento na incidência da obesidade e outras doenças crônicas não 
transmissíveis (DCNT). 
As DCNT abrangem as doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, 
câncer e doenças respiratórias crônicas. 
Atualmente são as doenças de maior mortalidade no mundo e demandam 
por assistência continuada de serviços e ônus progressivo, na razão direta do 
envelhecimento dos indivíduos e da população. 
Em novembro de 2003, no Rio de Janeiro, representantes do Ministério 
da Saúde (MS), da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), da 
Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas 
para a Agricultura e Alimentação apresentaram que as DCNT são responsáveis 
por 60% das mortes e incapacidade no mundo, podendo chegar a 73% de todas 
as mortes em 2020. 
Em 2004, no Brasil, as DCNT foram responsáveis por 62% de todas as 
mortes, com maior presença nas Regiões Sul e Sudeste, e por 39% de todas as 
hospitalizações registradas no Sistema Único de Saúde. 
Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2008-2009, a 
prevalência de excesso de peso em crianças oscilou de 19% a 21% (em ambos 
os sexos) e foi mais frequente na região urbana do que na região rural. Com 
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dimensões menores, mas também preocupantes, a prevalência de obesidade foi 
maior nos meninos, cerca de 6%, contra 4% em meninas. 
Na população adulta, 50% apresentaram excesso de peso, sendo 14% 
obesos. Dados mais recentes mostram que 48,5% da população adulta 
apresentam excesso de peso, e cerca de 16% estão obesos, levando a concluir 
que, em 4 anos, a quantidade de obesos aumentou no país, provocando grande 
impacto na saúde pública, já que a obesidade está associada a inúmeras 
doenças crônicas, tais como hipertensão, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemias 
e doenças cardiovasculares. 
Entre as principais causas dessas doenças estão a alimentação 
inadequada e a inatividade física. Dessa forma, estratégias globais estão sendo 
desenvolvidas para o controle das DCNT, sendo as principais mudanças nos 
hábitos alimentares e a perda ou manutenção do peso corpóreo. 
A alimentação saudável é entendida como aquela que faz bem, promove 
a saúde e deve ser orientada e incentivada desde a infância até a idade adulta. 
No entanto, nem sempre depende apenas de opção individual. 
Baixa renda, exclusão social, nível de escolaridade e falta ou má 
qualidade de informação disponível podem restringir a adoção e a prática de uma 
alimentação saudável. Para ser considerada saudável, a alimentação deve ser 
planejada com alimentos de todos os tipos, de procedência segura e conhecida. 
A nutrição clínica funcional é uma ciência integrativa e intensa, que tem 
por fundamento a pesquisa científica e sua aplicação prática, envolvendo a 
promoção da saúde, a redução dos riscos e o tratamento de doenças, com base 
na avaliação de aspectos bioquímicos, hábitos alimentares, genótipo e 
suscetibilidade genética no desenvolvimento de doenças de cada indivíduo. 
Atualmente, existe um paradigma de que o acesso à nutrição funcional 
dá-se somente à população com alto poder aquisitivo. 
Entretanto, os princípios da nutrição funcional são os mesmos que 
permeiam a definição de uma alimentação saudável, podendo ser adaptados 
para a população de baixa renda. 
Ressalta-se, portanto, o papel e a importância do nutricionista de adequar 
as orientações ao orçamento da população assistida, objetivando promoção de 
saúde e prevençãoe/ou tratamento de doenças. 
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Dessa forma, investigar as diferenças entre uma dieta baseada na 
alimentação básica da população brasileira (tradicional) e outra baseada na 
nutrição funcional representa um importante ganho na prática clínica, 
considerando que isto pode significar uma melhora na saúde da população, 
reduzindo o risco de doenças e promovendo saúde e bem-estar. 
 Os cardápios foram comparados através dos seguintes parâmetros: 
composição nutricional, preço e fator de inflamação. 
O cálculo da composição nutricional foi realizado por meio do software 
Diet Smart®, e a avaliação do índice inflamatório foi feita pelo sistema IF Rating. 
Os preços foram tabelados em dois diferentes supermercados populares. 
Os cardápios tradicionais brasileiros para os públicos infantil e adulto 
foram baseados na POF5, Vigitel Brasil6 e em outros estudos brasileiros. 
Com base nos princípios de equilíbrio da nutrição funcional, foi proposta 
a adequação do cardápio, e as principais mudanças foram: fracionamento das 
refeições; variedade dos alimentos; diminuição do consumo de açúcares e 
doces; aumento do consumo de frutas, verduras e legumes; diminuição de 
preparações fritas; aumento no consumo de alimentos com propriedades 
funcionais; e aumento no consumo de alimentos ricos em nutrientes 
antioxidantes (Quadros 1 e 2). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro 1. Cardápio para o público infantil 
 
 
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Segundo pesquisas, diversos nutrientes presentes no cardápio adequado 
proposto, tais como as vitaminas A, C, D, E, K, vitaminas do complexo B, biotina 
e colina; minerais como magnésio, cálcio, zinco, selênio; e compostos bioativos 
atuam na redução de DCNT por meio da modulação de processos fisiológicos 
específicos, interferindo nos processos patogênicos. 
Os compostos bioativos presentes nos alimentos possuem diversas 
formas de agir no organismo humano, e isso vai desde o mecanismo de ação 
até seus alvos fisiológicos. 
Como exemplo, sua ação antioxidante, que se deve ao potencial de óxido-
redução de algumas moléculas, à capacidade dessas moléculas em competir 
por receptores e sítios ativos nas inúmeras estruturas celulares ou, ainda, à 
modulação da expressão de genes que codificam proteínas que participam de 
mecanismos intracelulares de defesa contra processos oxidativos degenerativos 
de estruturas celulares. 
São importantes para neuroproteção e diminuição do envelhecimento de 
pele. A maçã é uma boa fonte de vitamina C, potássio e fibras, e possui baixo 
índice glicêmico. 
É frequentemente consumida e popularmente reconhecida como um 
alimento saudável. Possui excelente fonte de flavonoides (catequina, quercetina, 
epicatequina, procianidina, cianidina, floridzina) e ácidos fenólicos (ácido 
cumárico, ácido clorogênico, ácido gálico), que exercem ação antioxidante. 
Estudos associam o consumo da fruta com uma redução do risco de câncer, 
doenças cardiovasculares, asma e diabetes. 
Dentre todos os vegetais, a família das Brassicaceae é a mais abundante 
em espécies de hortaliças, e entre elas estão: agrião, brócolis, couve-flor, couve-
manteiga, repolho, rúcula, entre outras. 
Esses vegetais, além de excelentes fontes de vitaminas e minerais, são 
ricos em fitoquímicos (flavonoides, carotenoides e glicosinolatos) que 
apresentam ações antioxidante, anti-inflamatória, anticarcinogênica e 
quimiopreventiva, atuando, assim, na prevenção de DCNT, que é um dos focos 
de atuação do nutricionista. 
Os cereais integrais possuem compostos fenólicos capazes de inibir a 
oxidação lipídica, por meio da sua capacidade de quelar e inativar metais pró-
oxidantes. São alimentos ricos em fibras que auxiliam na perda de peso corporal, 
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redução de riscos cardiovasculares e diabetes, além de promoverem saúde do 
trato gastrointestinal e controlarem desequilíbrios estruturais e disbiose. 
Nas castanhas se encontra uma grande quantidade de gorduras poli-
insaturadas, que vêm sendo reconhecidas pelo seu potencial de redução do risco 
de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer. 
Além disso, possuem também alto teor de arginina, fibras, ácido fólico, 
magnésio e diferentes tipos de fitoquímicos, tais como: flavonoides, polifenóis e 
tocoferóis com ação antioxidante, conferindo suas propriedades 
cardioprotetoras. 
As castanhas constituem excelente fonte de selênio, um mineral 
componente das selenoproteínas que incluem a tioredoxina redutase, 
selenoproteína P, iodotironina desiodases e glutationa peroxidase, sendo esta 
última uma potente enzima antioxidante, capaz de reduzir a peroxidação lipídica 
e neutralizar peróxidos de hidrogênio. 
Além disso, o selênio tem importante atuação no sistema imune, 
aumentando a produção de células natural killer, citocinas e os níveis de 
linfócitos. 
 O abacate é uma fruta rica em fibras, vitaminas K e E, potássio e 
magnésio. Também contém gorduras monoinsaturadas que auxiliam na 
absorção das vitaminas e dos fitoquímicos. 
Resultados obtidos por Li et al. demonstraram que indivíduos que 
consomem a fruta possuem menor risco de desenvolver doenças 
cardiovasculares e diabetes, apresentam um aumento na fração de 
HDL-colesterol e redução no peso, circunferência de cintura e índice 
de massa corpórea (IMC). 
Os principais fitoquímicos presentes no abacate são zeaxantina e luteína, 
com potencial antioxidante, responsáveis pela redução do LDL-oxidado. 
Ainda que atualmente o consumo de compostos bioativos na alimentação 
auxilie na manutenção da saúde, é necessário reconhecer que seu efeito protetor 
às DCNT parece não ocorrer com a sua ingestão isolada, na forma de 
suplementação. 
Estudo demonstra que a dieta suplementada com betacaroteno e 
vitaminas C e E de forma isolada não obteve resultados positivos na diminuição 
do risco de DCNT, sugerindo que fatores como ação sinérgica e 
17 
 
 
biodisponibilidade, entre outros, auxiliam neste processo. Dessa forma, a 
alimentação deve conter uma variedade de alimentos, e não apenas um alimento 
funcional. 
Os alimentos descritos nos dois cardápios tradicionais apresentam fatores 
que potencializam a inflamação no organismo. 
Na prática, é utilizada uma fórmula para mensurar o fator inflamatório (IF), 
e existem mais de vinte fatores diferentes que determinam se o alimento é pró-
inflamatório ou anti-inflamatório, sendo alguns deles: índice glicêmico; 
quantidade de vitaminas, minerais e antioxidantes no alimento; compostos 
inflamatórios; quantidade e tipo de gordura; valores e proporção de ácidos 
graxos essenciais. 
Os alimentos com valores positivos são considerados anti-inflamatórios e 
os alimentos com valores negativos são considerados pró-inflamatórios. Os 
valores do IF de cada cardápio estão descritos na Tabela 1. 
 
Tabela 1. Análise do fator inflamatório dos cardápios tradicional e funcional para 
as populações adulta e infantil. 
 
 
 
Na tabela 1, o fator inflamatório do cardápio com os principais hábitos 
alimentares do público infantil apresentou um valor de 419,6 pontos negativos, e 
o cardápio funcional revelou um valor de 296,6 pontos positivos, mostrando um 
resultado satisfatório. 
Quanto à mesma comparação na população adulta, a diferença foi menor, 
mas o cardápio funcional apresentou resultados positivos, com um valor de 
18 
 
 
490,3, enquanto o outro cardápio demonstrou um valor de 529,2 pontos 
negativos. Um alimentação rica em alimentos inflamatórios pode levar à ativação 
de moléculas pró inflamatórias, responsáveis pelo aumento da expressão dos 
genes inflamatórios, aumentando o risco no surgimento de doenças como 
obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia, câncer e doenças neurodegenerativas. 
Uma resposta inflamatória inadequada, seja um resultado de uma 
ativação desproporcional, uma resolução insuficiente ou ambos, desempenha 
papel crucial no início, na progressãoe severidade em inúmeras doenças 
crônicas. 
A obesidade é considerada atualmente um estado de baixo grau de 
inflamação crônica de grande preocupação para a saúde pública mundial. 
Acredita-se que a inflamação se origina localmente no tecido adiposo, 
como consequência da deposição de gordura excessiva, e que posteriormente 
atinge a circulação sistêmica. 
O Instituto de Medicina Funcional do Canadá propõe uma pirâmide 
funcional (Figura 1), onde apresenta grupos de alimentos anti-inflamatórios, 
como ácidos graxos essenciais, vegetais, grãos integrais e frutas. 
 
19 
 
 
 
 
Já o cardápio funcional apresentou valores calóricos menores nas duas 
faixas etárias: 854,47 calorias para o público infantil e 1170 calorias para os 
adultos. A recomendação para uma criança ou adulto eutrófico é de 2000 
calorias; dessa forma, ambos os cardápios estavam hipocalóricos. 
Os valores de carboidrato foram menores nos cardápios funcionais, 
quando comparados com os cardápios tradicionais, em ambas as faixas etárias, 
assim como os valores de proteínas, exceto em relação ao cardápio para o 
público adulto. Já quando comparado o valor de gorduras totais, no público 
adulto o cardápio funcional apresentou valores maiores em relação ao cardápio 
tradicional, enquanto no infantil o cardápio tradicional apresentou valores 
superiores. 
Entretanto, o cardápio funcional para o público adulto apresentou valores 
de gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas em quantidades maiores que a 
gordura saturada. 
Já no cardápio tradicional para este mesmo público, a gordura saturada 
prevaleceu em relação às demais. 
Ao comparar os cardápios tradicional e funcional para ambas as faixas 
etárias, ainda pode-se verificar que a quantidade de gorduras mono e poli-
20 
 
 
insaturadas foram maiores no cardápio funcional, indicando um melhor perfil 
lipídico. Quando comparados à literatura, os cardápios para os dois grupos 
estudados estavam hipoglicídicos e hiperproteicos. 
No infantil, os dois cardápios estavam hipolipídicos, e, no adulto, o 
cardápio tradicional estava hipolipídico e o funcional, hiperlipídico. 
O teor de fibra apresentou melhor porcentagem de adequação no 
cardápio funcional em ambas as faixas etárias (48% para criança e 66% para 
adulto). O valor ideal para crianças é de 28g e, para adulto, de 31g, segundo a 
DRI (Dietary Reference Intakes). 
O índice glicêmico no cardápio infantil apresentou valores maiores no 
cardápio funcional em relação ao tradicional, porém ambos estiveram na 
classificação de baixo índice glicêmico. 
Já o cardápio tradicional no adulto apresentou índice glicêmico maior que 
o cardápio funcional e se encaixou na classificação de alto índice glicêmico. 
O alto consumo de carboidratos refinados resulta em um cardápio 
tradicional pobre em nutrientes e com alto índice glicêmico na dieta. 
Um consumo abundante desses carboidratos pode ocasionar uma rápida 
liberação de glicose no sangue, sobrecarga nas adrenais e no pâncreas, 
depleção de vitamina C e vitaminas do complexo B, diminuição da saciedade, 
redução da oxidação de lipídeos, aumento dos níveis de triglicerídeos 
circulantes, diminuição dos níveis de HDL colesterol, hiperatividade e 
irritabilidade. 
Segundo Liu et al., a hiperglicemia está diretamente relacionada ao 
aumento da concentração de proteína C reativa no sangue. 
Outro estudo realizado com mulheres coreanas que ingeriram uma 
quantidade de carboidrato maior que o recomendado mostrou que esse hábito 
está associado ao surgimento de diabetes mellitus e baixos níveis de HDL-
colesterol no plasma. 
Em contrapartida, a ingestão de carboidratos de baixo índice glicêmico 
melhora a sensibilidade à insulina, reduzindo o risco de desenvolvimento de 
diversas DCNT. Em uma meta-análise, os resultados demonstraram que uma 
dieta de baixo índice glicêmico reduziu os riscos de diabetes tipo 2, doença 
cardíaca e câncer colorretal. 
21 
 
 
No mesmo estudo, a dieta com alto índice apresentou aumento no risco 
de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença na vesícula biliar e câncer 
de mama. 
As gorduras saturadas são encontradas em gorduras animais, sendo as 
mais comuns os ácidos esteárico e palmítico. 
No organismo, podem elevar o LDL e o HDL e aumentar o nível de 
colesterol no plasma, pois reduzem a atividade do receptor LDL-colesterol e o 
espaço livre de LDL na corrente sanguínea. As gorduras saturadas mais 
aterogênicas são o ácido mirístico (C-14) e o palmítico (C-16). Estudos têm 
revelado que, quando o indivíduo substitui as gorduras saturadas por 
monoinsaturadas e poli-insaturadas, os níveis de LDL reduzem, enquanto o de 
HDL não sofre alteração. 
A atual dieta ocidental é considerada inflamatória devido ao alto consumo 
de ácidos graxos ômega-6, quando comparado ao de ácidos graxos ômega-3. 
Segundo alguns estudos, a relação é de 15:1 de ômega-6 para ômega-3, 
enquanto a recomendação das DRIs é na proporção de 1:1, e a OMS recomenda 
que a ingestão de ômega-6 seja de 2% a 3% do valor total de calorias e de 
ômega-3 seja 0,5% a 2%. 
Neste novo documento, a OMS não recomenda uma proporção 
específica. 
O consumo diário de alimentos fonte de ômega-3 exerce um efeito que 
pode modular a biologia de citocinas inflamatórias, por meio da alteração na 
constituição de fosfolipídeos de membrana. Isso melhora a fluidez e altera os 
produtos que surgem através da hidrólise destes fosfolipídeos. 
Estudos revelam que um consumo adequado de ômega-3, que possui 
propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, diminui o risco de doenças 
cardiovasculares, reduz a síntese hepática de triglicerídeos e aumenta a 
betaoxidação hepática de ácidos graxos. 
As Tabelas 3 e 4 analisam a adequação de vitaminas e minerais dos dois 
cardápios propostos. 
 
 
22 
 
 
 
 
As vitaminas apresentaram valores melhores nos cardápios funcionais 
nos dois grupos estudados. 
Na população infantil, as vitaminas que estavam superiores ao valor de 
consumo foram as vitaminas D, E, K, C, B1, B9, B12, biotina e colina; e na 
população adulta, foram as vitaminas A, D, E, K, C, B1, B2, B5, B9, B12, biotina 
e colina. 
No cardápio tradicional, as únicas vitaminas que atingiram 100% de 
adequação pela DRI foram B3, B6 e biotina, nos dois grupos, e B2, apenas no 
infantil. Vale ressaltar que, no cardápio tradicional, a vitamina C apresentou 
apenas 1% de adequação no adulto e 0% no infantil. 
23 
 
 
Todas as vitaminas que apresentaram valores altos de adequação no 
cardápio funcional não ultrapassaram a UL, fator importante para não causar 
desequilíbrio de metabolismo das vitaminas. 
O folato e as vitamina B6 e B12 têm sido associados à proteção de alguns 
cânceres e a diminuição da concentração de homocisteína no plasma. 
Estudos revelam que a homocisteína elevada é considerada um fator de 
risco para doenças de Alzheimer, fratura óssea, demência, cânceres e doenças 
cardiovasculares. 
A vitamina D atua no metabolismo do cálcio, estimulando sua absorção e 
diminuindo a secreção de paratormônio (PTH). 
Segundo Kamycheva et al., níveis elevados de PTH estão associados 
à incidência de doenças cardiovasculares, enquanto sua deficiência 
está relacionada com desordens do metabolismo ósseo, doenças 
inflamatórias, doenças cardiovasculares, alterações da função 
cognitiva e desequilíbrio imunológico. 
Um estudo recente revelou que pacientes com deficiência de vitamina D 
apresentaram maior risco de morte por insuficiência cardíaca e outras doenças 
cardiovasculares. 
A vitamina E tem importante ação antioxidante para o indivíduo, pois 
previne a peroxidação lipídica, garantindo a integridade e estabilidade das 
membranas e tecidos celulares do organismo. 
A vitamina C é um potente antioxidante, hidrossolúvel, doador de elétrons, 
que neutraliza os radicais livres. Devido a sua ação no metabolismo das 
catecolaminas, sua deficiênciaestá relacionada a distúrbios psicológicos, como 
alteração de humor, confusão mental, ansiedade, apatia, histeria e até mesmo 
esquizofrenia. 
Ela também previne a formação da LDL-oxidada, protege a síntese de 
óxido nítrico por meio da modulação do estado redox de seus componentes e 
estimula a síntese de colágeno, importante na formação óssea e na parede da 
aorta. 
Em estudo avaliando o efeito das vitaminas C e E em mulheres pós-
menopausa foram encontrados maiores níveis de marcadores do estresse 
oxidativo naquelas que não tinham as vitaminas presentes em suas dietas. 
24 
 
 
Os minerais apresentaram valores mais significantes no cardápio 
funcional nas duas faixas etárias, e apenas o selênio atingiu valores acima da 
porcentagem de adequação. 
Todavia, os outros minerais apresentaram valores iguais ou maiores que 
50% da adequação, diferente do cardápio tradicional, em que prevaleceram 
valores iguais ou menores que 50%. 
Os valores de sódio foram três vezes maiores no cardápio tradicional em 
relação ao funcional, nas duas faixas etárias, e os valores de cálcio foram 
maiores no cardápio funcional para crianças e adultos, sendo que no adulto 
aproximou-se de 100% de adequação. 
O consumo inadequado de minerais pode ocasionar inúmeras reações ao 
organismo, como: câimbras, palpitações, hipertensão, perda óssea, diminuição 
no crescimento ósseo, dores nas costas e nas pernas, insônia, desordens 
nervosas, aumento no risco de doenças cardiovasculares, diminuição do apetite, 
constipação intestinal, fadiga, fraqueza muscular, alteração na permeabilidade 
intestinal, incapacidade de eliminação de metais tóxicos, desequilíbrio no 
sistema imune, retardo no crescimento, maturação retardada e impotência, entre 
outros. 
O magnésio é cofator de enzimas envolvidas no metabolismo do 
carboidrato. Estudos revelaram que a baixa concentração de magnésio no 
plasma está diretamente relacionada com hiperinsulinemia e síndrome 
metabólica. Sua deficiência diminui a microviscosidade da membrana, que pode 
prejudicar o seu receptor de insulina. 
O zinco é um mineral essencial para o desenvolvimento normal e função 
das células do sistema imune, tais como os linfócitos T, neutrófilos, as células 
natural killer, e para a produção de citocinas. 
Ele possui atividades anti-inflamatórias e antioxidantes e atua diretamente 
na melhora da função intestinal e na composição da microbiota. 
Estudos realizados com idosos nos Estados Unidos revelaram que a 
deficiência de zinco alterou a função imunológica; em consequência, os 
indivíduos apresentaram atrofia do timo, anergia de linfócitos, aumento na 
inflamação, redução nas respostas imunes humoral e celular e infecções 
recorrentes. 
25 
 
 
O selênio é um importante antioxidante para o organismo e parece ter 
efeito protetor em diferentes fases no câncer, incluindo os estágios iniciais e 
posteriores da progressão do tumor. 
Essa propriedade acontece porque este mineral é capaz de controlar o 
ciclo celular, bloquear a invasão e migração das células tumorais, inibir a 
angiogênese e estimular a apoptose. 
Em uma meta-análise, os estudos in vitro e em animais apresentaram 
resultados positivos com o uso de selênio como quimiopreventivo e anticâncer. 
Outros estudos mostraram que o selênio altera a ligação de células, a migração 
e a angiogênese no câncer de mama. 
O consumo excessivo de sódio está relacionado ao aumento da pressão 
arterial e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 
Estudos recentes mostraram que o consumo excessivo de sódio está 
associado ao maior risco de acidente vascular cerebral – AVC, e sua redução 
melhora os sistemas renina e angiotensina-aldosterona. 
Na Tabela 5, foram avaliados os preços dos alimentos em um 
supermercado e um hipermercado popularmente frequentados, e os valores 
calculados foram para um dia e para um mês. 
 
 
O cardápio funcional infantil apresentou valores mais baixos quando 
comparados ao tradicional nos dois supermercados pesquisados. Já no adulto, 
26 
 
 
o cardápio tradicional apresentou valores mais baixos em relação ao funcional. 
Vale ressaltar que o cardápio funcional para adultos apresenta três refeições a 
mais e mais alimentos na dieta, podendo justificar as diferenças nos valores. 
E mesmo com um valor maior, o custo do cardápio para o adulto está 
dentro de um valor a ser pago com o salário mínimo, pois o valor do cardápio 
funcional equivale a um terço do salário mínimo brasileiro. 
Há 2.500 anos, Hipócrates já dizia: “Que o seu alimento seja seu 
medicamento, e seu medicamento seja seu alimento”. 
Dessa forma, é preciso analisar que apesar do cardápio funcional para a 
população adulta ter apresentado valores maiores que o tradicional, os 
benefícios à saúde que o mesmo pode trazer incluem a redução do risco de 
doenças em longo prazo, diminuindo os gastos com remédios no futuro. 
Segundo a POF, os gastos com carnes, vísceras e pescados, bebidas e infusões 
e alimentos preparados aumentaram em relação à pesquisa realizada em 2002-
2003. 
Entendemos, com isso, que a população brasileira está consumindo mais 
alimentos industrializados do que alimentos naturais. Dessa forma, é necessária 
a criação de estratégias para o direcionamento dos gastos familiares, a fim de 
incentivar uma alimentação funcional. 
 
 
EFEITOS FISIOLÓGICOS DE ALIMENTOS: REDUÇÃO DE 
RISCOS DE DOENÇAS DEGENERATIVAS 
As evidências epidemiológicas estão continuamente providenciando 
recomendações para que as pessoas aumentem o consumo de frutas e verduras 
como medida preventiva para reduzir os riscos de diversas doenças 
degenerativas. 
Existem altíssimas correlações de efeitos benéficos de nutrientes 
essenciais, ou não, que podem modificar processos celulares, com efeitos 
fisiológicos protetores (Tabela 1). 
 
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-28032001000400010&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#tab1
27 
 
 
 
 
Muitos compostos encontrados nos alimentos são responsáveis por 
efeitos benéficos observados em indivíduos que os consomem. 
Assim, por exemplo, o alho que contem compostos- alil, que enriquecem 
o sabor dos alimentos, mas também são repelentes contra insetos, além de 
reduzirem riscos de câncer e enfermidades cardíacas. 
Outros compostos importantes são os carotenoides, encontrados em 
frutas e verduras; indóis e tiocianatos de plantas crucíferas, tais como as couves, 
apresentam propriedades protetoras, como foi verificado em papilomatose 
respiratória. 
 
 
CONCEITO DE ALIMENTOS FUNCIONAIS 
Este novo conceito de alimentos promotores de boa saúde está 
emergindo como uma nova fronteira no desafio dos profissionais de nutrição e 
introduzindo a necessidade dos nutrientes tradicionais, como estabelecido ao 
longo de todos os anos de estudos da Nutrição, mas muito ampliada para o 
conceito nutrientes preventivos. 
28 
 
 
Nutrientes são necessários para o desenvolvimento e crescimento 
normais dos indivíduos. 
Mas não é somente para todas essas necessidades, é preciso também, 
proteger os indivíduos contra os riscos por agressões genéticas e do meio 
ambiente, incluindo os hábitos alimentares, reduzindo riscos que poderiam ser 
minimizados ou, protelados, através de uma nutrição preventiva, iniciada logo 
após o desmame e continuada ao longo de toda a vida. 
Obviamente, que não se proíbe o consumo de alimentos menos 
recomendados, mas é necessária moderação. 
É neste ponto que outros componentes dos alimentos, não somente os 
nutrientes tradicionais devem também, fazer parte da alimentação. 
Estes compostos dos alimentos que existem em alimentos e que não são 
os nutrientes clássicos, mas apresentam propriedades funcionais benéficas, 
além dos efeitos tradicionais dos nutrientes, devem ser consumidos 
normalmente. 
 
OSTEOPOROSE E SOJA 
As terapias de tratamento e prevenção de osteoporose em mulheres pós-
menopausaincluem reposição hormonal. 
Estes tratamentos são discutíveis pelo aumento de risco de câncer de 
mama, e mesmo que estes efeitos não tivessem sido completamente 
comprovados, observou-se que a substituição deste tratamento com isoflavonas 
da soja teve resultados bem promissores na redução da perda óssea. 
Isto ocorre, pois as isoflavonas, especialmente certos tipos destas, na 
forma de agliconados, apresenta efeito de fito-hormônio, ou seja, estes 
compostos atuam como estrógenos, porém, sem os possíveis efeitos colaterais 
destes. Isto ocorre, pois a isoflavona entra nos locais receptores de estrógenos 
e atuam como estes, conhecidos, pois, como fitoestrógenos. 
Em mulheres pós-menopáusa tratadas com 80 mg de isoflavona isolada 
de soja/dia, houve diminuição significativa da perda óssea lombar(1). 
 
29 
 
 
 
ÁCIDO OLÉICO - ASPECTOS PROTETORES 
A dieta mais recomendada como saudável para as populações, 
principalmente com a meta de reduzir a prevalência de enfermidades 
cardiovasculares, é a consumida rotineiramente por populações da região do 
Mediterrâneo, especialmente da década de 1960-70. 
Hoje, por vários motivos, houve diversas modificações para uma escolha 
de alimentos menos saudáveis. 
O denominador comum da chamada dieta do Mediterrâneo é: maior 
ingestão de frutas e verduras, com consumo de vinho tinto e azeite de oliva. 
Estes elementos foram recomendados às populações como mais 
saudáveis e preventivos. 
Muitos estudos comprovaram os efeitos benéficos do consumo moderado 
de vinho tinto, não vinho branco ou álcool, na efetiva redução da oxidação do 
LDL-colesterol (que é a forma que abre as portas a processos de aterosclerose). 
O mesmo perfil foi correlacionado ao consumo do azeite de oliva, atribuído 
ao seu conteúdo de ácido oleico. 
O ácido oleico é um ácido graxo monoinsaturado, que foi por muito tempo, 
considerado fundamental pelas propriedades benéficas na redução da oxidação 
do LDL-colesterol, a forma aterogênica. 
Outros óleos, também monoinsaturados, poderiam ter as mesmas 
qualidades protetoras, mas parece que não é bem assim. 
O azeite extraído de olivas contém o ácido oleico, mas também outros 
compostos destas sementes e ainda, dependendo do processamento para a 
obtenção do óleo, outros fatores podem interferir. 
O azeite extra virgem é o único que não é extraído por solventes, mas é 
obtido por compressão da oliva a frio, o que não altera a natureza da semente. 
Este azeite, no amadurecimento, conserva melhor seus componentes, 
entre os quais, os polifenóis agliconados, característicos pelo odor do azeite. 
No entanto, quando o processamento inclui o uso de solventes (azeites 
refinados), boa parte destes compostos fenólicos são perdidos. Isto ocorre 
também quando o azeite é alcalinizado para reduzir acidez. 
30 
 
 
Portanto, os efeitos benéficos do azeite de oliva irão depender do uso do 
óleo extra virgem, especialmente por seu conteúdo de polifenóis e com os 
seguintes efeitos principais: 
1. potente inibidor de radicais livres; 
2. inibidores da oxidação de LDL-colesterol; 
3. inibidores de agregação plaquetária; 
4. antitrombótico. 
Este trabalho demonstra que os efeitos protetores do azeite de oliva estão 
correlacionados ao seu conteúdo de ácido graxo monoinsaturado, mas 
especialmente aos compostos bioativos contidos nele: os polifenóis ativos, 
funcionais, protegendo a saúde. 
E como mensagem: preferir o azeite de oliva não tratado com solventes e 
refinado, mas o extraído diretamente das sementes. 
 
 
O QUE RECOMENDAR PARA PREVENIR OU, PROTELAR 
DOENÇAS QUE PODERIAM SER EVITADAS ATRAVÉS DE UMA 
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
Considerando estes novos aspectos da nutrição, deve-se recomendar 
atender todas as necessidades de nutrientes essenciais, conforme as indicações 
tradicionais, mas também, enriquecer a alimentação com fontes de alimentos 
funcionais. 
Isto pode ser obtido através de uma alimentação amplamente variada, 
contendo frutas e verduras em boa quantidade (4 a 5 porções/dia), moderando, 
porém, o total calórico e de gorduras. Omitir certos alimentos, habitualmente, 
pode levar a deficiências importantes. 
A manutenção de exercícios físicos moderados, rotineiramente é de 
fundamental importância, juntamente com uma alimentação saudável. 
 
31 
 
 
 
 
Nos últimos anos, os consumidores viram aparecer nas gôndolas dos 
supermercados novos produtos alimentares, que prometem contribuir na busca 
por uma vida mais saudável. 
Os alimentos funcionais são a nova tendência do poderoso mercado 
alimentício neste início do século XXI (HEASMAN & MELLENTIN, 2001). 
Iogurtes, margarinas, leites fermentados, cereais, águas minerais etc. 
prometem ajudar na cura ou na prevenção de doenças como as 
cardiovasculares, certos tipos de câncer, alergias, problemas intestinais etc. 
Entre os fatores-chave que explicam o êxito dos alimentos funcionais, 
Hasler (2000) cita a preocupação crescente pela saúde e pelo bem-
estar, mudanças na regulamentação dos alimentos e a crescente 
comprovação científica das relações existentes entre dieta e saúde. 
Escolhemos concentrar nossa pesquisa na área dos produtos lácteos, em 
particular iogurtes, e em duas empresas, Nestlé e Danone. De fato, esse setor 
parece-nos revelador das tendências que estão levando à globalização da 
alimentação e da saúde. 
Os produtos escolhidos foram lançados com êxito em diversos países 
europeus, em meados da década de 1990, e estão agora no mercado brasileiro, 
levando a uma considerável revitalização do mercado dos produtos lácteos. 
 
 
32 
 
 
OS ALIMENTOS FUNCIONAIS: A NOVA FRONTEIRA DO 
MERCADO ALIMENTAR 
Nos anos 1960, surgiram os primeiros estudos científicos que 
comprovaram a ligação entre alimentação e saúde, apontando para os impactos 
negativos do excesso de gordura e açúcar. 
Na década de 1980, produtos diet e light começaram a ser 
comercializados com sucesso. Recentemente, vem-se exigindo ainda mais dos 
alimentos. 
Além de não fazer mal à saúde, eles devem ainda desempenhar funções 
terapêuticas: “Depois de anos de discurso negativo sobre a alimentação em 
relação à dieta e à saúde, os ingredientes funcionais estão agora sendo usados 
como atributos positivos para criar novos mercados” (HEASMAN & MELLENTIN, 
2001, p. XVI). De fato, esse novo nicho de mercado revela-se extremamente 
dinâmico. 
O setor registrou um crescimento de mais de 50%, entre 2002 e 2005, no 
mundo, de acordo com o instituto de pesquisa AC Nielsen. Nos Estados Unidos, 
esse mercado movimenta cerca de 15 bilhões de dólares por ano (SOCIEDADE 
BRASILEIRA DE ALIMENTOS FUNCIONAIS, 2007). 
A novidade é que os funcionais estão deixando de ser um nicho de 
mercado para transformarem-se em uma nova fronteira do mercado de 
alimentos, roubando espaço dos produtos tradicionais e com amplas 
possibilidades de crescimento. 
O instituto de pesquisa Euromonitor estima que o mercado de alimentos 
funcionais movimente cerca de 50 bilhões de dólares no mundo e apresente um 
ritmo de crescimento de cerca de 10% ao ano, índice três vezes maior que o de 
produtos alimentícios convencionais: “A previsão é que, em dez anos, os 
funcionais detenham 40% do mercado de alimentos”, diz Carlos Faccina, diretor 
de assuntos corporativos da Nestlé no Brasil (COSTA, 2007). 
Pode-se observar certa disparidade entre regiões para a comercialização 
dos alimentos funcionais. Assim, o Nafta (Área de Livre-Comércio da América do 
Norte, composta por Estados Unidos, Canadá e México) representa 72% do 
mercado mundial, contra 12% da União Européia e 14% do Japão – este país 
demonstrando um dinamismo histórico. 
33 
 
 
Na União Europeia, os países nórdicos estão mais avançados em termos 
de populações de bactérias desejáveis no cólon. 
Os principais prebióticos identificados atualmente são carboidratos, 
incluindo a lactulose, a inulina e diversos oligossacarídeos(SAAD, 2006) e 
consumo de alimentos funcionais, enquanto os países do sul demonstram certa 
reticência frente a esses novos alimentos (KITOUS, 2003). 
De acordo com Heasman e Mellentin (2001), foram os japoneses que 
“inventaram” os alimentos funcionais. 
O médico Minora Shirota descobriu os benefícios da bactéria 
Lactobacillus casei para a regulação do trânsito intestinal na década de 1930, 
quando trabalhava junto aos pobres e malnutridos. 
Ele fundou a Companhia Yakult Honsha em 1955 e começou a produzir 
as garrafinhas de 65 mililitros de leite fermentado que conheceram 
progressivamente um sucesso mundial. Hoje, 26 milhões de garrafinhas de 
Yakult seriam bebidas diariamente no mundo todo. 
Mas a “revolução nutricional” começou mesmo na década de 1980. Em 
outubro de 1984, a Cia. Kellogg lançou sua campanha publicitária do cereal 
matinal All-Bran, baseada em alegações de saúde (health claims): uma dieta rica 
em fibra e pobre em gordura reduziria o risco de desenvolver certas formas de 
câncer. Desde então, a maioria das multinacionais do ramo alimentar, como a 
Danone, a Nestlé, a Unilever etc., passaram a lançar seus produtos funcionais. 
A situação não é muito diferente no Brasil. Entre as 24 categorias de 
alimentos mais vendidos em 2005, 75% estão ligados à saúde (AC NIELSEN, 
2007). Uma pesquisa feita pela Health Focus em 30 países mostra que 44% dos 
consumidores brasileiros da classe A e B escolhem seus alimentos com base na 
relação que eles têm com a saúde, sendo um dos maiores índices da América 
Latina (OLIVEIRA & FERNANDES, 2004). 
De maneira geral, a indústria alimentícia brasileira viu seu faturamento 
aumentar nos últimos anos, passando de 112 bilhões de reais, em 2001, para 
184,6 bilhões, em 2005, mas sua participação manteve-se ao redor de 10% do 
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, entre 2001 e 2005. 
Os principais setores em 2005 (em valor faturado) eram, por ordem 
decrescente: 
1) derivados de carne; 
34 
 
 
2) beneficiamento de café, chá e cereais; 
3) óleos e gorduras; 
4) laticínios e 
5) açúcares. 
Com relação ao número de empresas, dados do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE) e da Associação Brasileira das Indústrias da 
Alimentação (ABIA) mostram a existência de 200 estabelecimentos formais, 
sendo 85,3% deles considerados como microempresas e 0,9% como grandes 
empresas. Trata-se de um setor relativamente concentrado, na medida em que 
200 grupos respondem por 70% da produção. 
Apesar disso, é um setor ainda intensivo em mão-de-obra. De fato, em 
2005, o setor representava 16,4% do faturamento da indústria de transformação, 
mas 20,1% do emprego (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA 
ALIMENTAÇÃO, 2007). 
Os alimentos funcionais vêm adquirindo uma presença crescente nessa 
indústria, tendo faturado 2,5 bilhões de dólares, em 2003 (SOCIEDADE 
BRASILEIRA DE ALIMENTOS FUNCIONAIS, 2007). 
No Brasil, já são vários os alimentos funcionais presentes no mercado: 
além dos iogurtes com probióticos que melhoram a saúde intestinal, podemos 
citar leites enriquecidos com ferro (que ajuda na prevenção e no tratamento da 
anemia), com vitaminas e com o ácido ômega-3 (que ajuda no controle do 
colesterol), bem como ovos e margarinas enriquecidos também com ômega-3. 
O setor da água mineral não ficou fora do movimento e ingressou 
recentemente no mercado das bebidas funcionais, oferecendo águas que 
contêm alta concentração de vitaminas C e do complexo B, a fim de fortalecer o 
sistema imunológico, ou que contêm a fibra FOS (frutooligossacarídeo) e 
prometem contribuir para a prevenção dos cânceres de mama e de cólon e para 
a redução dos riscos de doenças cardiovasculares, além de regular o intestino. 
Os alimentos associados a uma forte imagem de “saúde” representam 
uma fonte de diferenciação e de rentabilidade em certos ramos do setor 
alimentar que conhecem uma forte estagnação, como os laticínios. 
Na França, por exemplo, a taxa de valor agregado dos laticínios “saúde” 
é de 20%, contra 13% para a simples transformação do leite (PADILLA et alii, 
2006). 
35 
 
 
Para as indústrias alimentares, a chave do sucesso no mercado dos 
alimentos funcionais reside na inovação, o que constitui uma poderosa barreira 
à entrada de novas empresas. 
Para atender às demandas específicas em termo de saúde, as indústrias 
devem cada vez mais especializar-se e segmentar seus produtos, o que lhes 
obriga a realizar investimentos pesados na área da pesquisa e desenvolvimento 
e na área da comunicação. 
Somente as multinacionais Uma alegação de saúde (health claim) é uma 
indicação, contida na embalagem do produto e veiculada pela propaganda, que 
reivindica um efeito benéfico sobre a saúde humana (KITOUS, 2003). 
 
OS ALIMENTOS FUNCIONAIS: A NOVA FRONTEIRA DA 
INDÚSTRIA ALIMENTAR 
Algumas grandes empresas nacionais podem mobilizar os recursos 
financeiros necessários. 
Nesse contexto, as indústrias alimentares são levadas a adotar 
determinadas estratégias, como a aproximação com firmas farmacêuticas por 
meio de operações de parceria (fusões e aquisições). 
A vantagem da farmácia reside no seu forte potencial de pesquisa e nas 
suas relações estreitas com o meio médico. Por sua vez, a indústria alimentar 
conhece bem o consumidor, o marketing de massa e sabe como manter uma 
dimensão de “prazer” nos alimentos funcionais (EL-DAHR, 2003). 
Mesmo sem querer entrar na polêmica do impacto efetivo dos alimentos 
funcionais na saúde (não é nosso objetivo aqui), não podemos deixar de registrar 
a existência de uma extensa literatura que expressa dúvidas a esse respeito 
(NESTLE, 1999; 2003; GUILLON & WILLEQUET, 2003). 
Para os críticos, trata-se mais de uma nova estratégia de marketing do 
que de uma verdadeira revolução nutricional. 
Pesquisas já apontam para o investimento pesado realizado pelas 
indústrias alimentícias no marketing e na propaganda, cujas estratégias são 
vistas como problemáticas, pois contêm mensagens ambíguas, bem como falsas 
alegações (WAI-LING, 2004). 
36 
 
 
Por exemplo, pesquisas mostram que uma alta percentagem de 
lactobacilos vivos não resistem ao transporte e à estocagem, nem ao ácido 
gástrico no estômago. 
No entanto, para Hesman & Mellentin (2001), estas pesquisas não 
seriam uma razão suficiente para rejeitar em bloco os probióticos, pois 
alguns deles têm a capacidade de atingir e colonizar o intestino. Além 
disso, a concentração dos probióticos no produto é um elemento 
fundamental para garantir sua funcionalidade. 
Por isso, os autores defendem a necessidade de maiores pesquisas 
científicas, que, aliás, já certificaram determinados probióticos. 
Dando continuidade às críticas, Nestle (2003) acusa a indústria 
alimentícia de influenciar o governo, o meio acadêmico e os meios de 
comunicação para promover seus produtos, passando por cima da saúde 
pública. 
Essa nutricionista norteamericana denuncia assim a política de lobbying 
junto ao governo, além do financiamento de departamentos acadêmicos, 
institutos de pesquisa e sociedades médicas. Para ela, os alimentos funcionais 
não passam de uma estratégia elaborada para revigorar um mercado alimentício 
que, há muitos anos, conhece um ritmo de crescimento da ordem de 1% a 2% 
anuais. 
Não entraremos na questão do mérito dos alimentos funcionais, 
registrando apenas a emergência desse novo ramo, tentando indagar as razões 
do seu dinamismo. Para entender o funcionamento do mercado alimentício e o 
lançamento dos alimentos funcionais, precisamos mobilizar os conceitos 
elaborados pela abordagem política de análise dos mercados. 
 
 
A VISÃO POLÍTICA DO MERCADO: O MERCADO COMO 
“CAMPO DE LUTAS” 
Apesar de reconhecer o interesse teórico da concepção econômica do 
mercado, abstração que autonomiza artificialmente uma esfera do resto do 
contexto social, político e cultural, a Nova Sociologia Econômica empenha-seem 
dar conta dos mecanismos reais de funcionamento dos mercados, ao levar em 
37 
 
 
conta o comportamento concreto dos atores econômicos e o conteúdo social das 
relações mercantis. 
No quadro da Sociologia dos Mercados, podem ser identificadas três 
principais abordagens (WANDERLEY, 2002). 
Para a abordagem estrutural, o mercado não se constitui de indivíduos 
isolados e anônimos, mas de redes interpessoais, que desempenham várias 
funções, dentre elas facilitar a circulação de informações e assegurar a confiança 
ao limitar os comportamentos oportunistas (GRANOVETTER, 1985). 
Por sua vez, DiMaggio (1990) sugere que o comportamento econômico 
encontra-se inserido não apenas na estrutura social, mas também na 
cultura, apontando para os aspectos contingentes da racionalidade 
econômica e para a origem social das preferências dos consumidores. 
Finalmente, a abordagem política, representada essencialmente por 
Neil Fligstein e Pierre Bourdieu, enfatiza os conflitos e as relações de 
poder inerentes aos fenômenos econômicos, além de apontar para a 
importância do papel do Estado na regulação do mercado. 
Em particular, Bourdieu (1997; 2005) define o campo econômico como 
um “campo de lutas”, isto é, um “campo de ação socialmente 
construído em que se enfrentam agentes dotados de recursos 
diferentes”, em função do volume e da estrutura do capital que 
possuem, sob suas diferentes formas: financeiro, cultural, tecnológico, 
jurídico, organizacional, comercial e simbólico. 
Em função desses recursos, os atores definem estratégias de ação no 
âmbito dos limites impostos pela estrutura do campo, em particular pelo seu grau 
de concentração. 
Levar em conta a dotação diferencial de capital implica considerar a 
existência de relações de dominação no seio do campo econômico, ou seja, a 
existência de empresas dominantes e dominadas. 
Nesse sentido, Bourdieu rompe com a teoria econômica na qual só 
interagem atores iguais, ao menos nos modelos de concorrência pura 
e perfeita (cf. BROCHIER, 1987; BOYER, 2003), e tem o mérito de 
destacar a dimensão política do mercado. 
Essa visão de uma oferta que “se apresenta como um espaço 
diferenciado e estruturado de empresas concorrentes, cujas 
estratégias dependem dos outros concorrentes” (BOURDIEU, 2000, p. 
37; grifos no original) é muito parecida com as análises tanto de Max 
Weber (1991) quanto de Harrison White (1981), na qual a oferta não 
se constitui de um agregado de vendedores independentes, como na 
38 
 
 
teoria econômica, mas de um conjunto de produtores que se observam 
uns aos outros. 
Assim, o fato de que as empresas concorrentes não param de se espiar 
explica a elaboração quase simultânea de produtos semelhantes. 
Mas Bourdieu (1997) afirma distanciar-se de ambos, que teriam tido o 
mérito de sublinhar a influência dos concorrentes na estratégia de uma 
empresa, mas que acabaram caindo em uma visão interacionista, 
esquecendo as pressões inerentes à posição ocupada na estrutura do 
campo. 
Ele reivindica então a herança de Georg Simmel, ao considerar a 
competição no mercado como um “conflito indireto”, isto é, não dirigido 
diretamente contra o concorrente, mas mediado pelo campo. 
Assim, é menos por meio de ações diretas do que por meio do peso que 
elas detêm na estrutura do campo (peso que, como vimos, depende do volume 
e da estrutura do capital detido) que as empresas dominantes pressionam as 
empresas dominadas e influenciam suas estratégias. 
Obviamente, as empresas dominantes também não escolhem livremente 
suas ações, na medida em que elas sofrem igualmente o peso de toda a 
estrutura do campo. 
Como em Fligstein (1996), o mercado de Bourdieu consiste em um 
equilíbrio temporário, com as regras do jogo provisoriamente 
respeitadas. Nesse quadro, a dominação de uma empresa reside 
essencialmente na sua capacidade de impor às outras sua própria 
definição do jogo. 
Por um lado, Bourdieu (1997) insiste na dimensão estática do 
fenômeno da reprodução do campo, por meio das “barreiras à entrada” 
de novas empresas, estabelecidas pela distribuição desigual dos 
recursos, em particular em termos de economias de escala e de 
vantagens tecnológicas detidas pelas empresas dominantes. 
Por outro lado, Boyer (2003) defende uma outra interpretação da teoria 
de Bourdieu, em que o esforço analítico orientarse-ia para a revelação 
dos fatores de mudança. 
As relações de transação entre produtores e clientes e as relações de 
concorrência internas ao campo econômico (em particular, a existência de 
empresas dominantes e dominadas) constituem o princípio da dinâmica desse 
campo. 
39 
 
 
De maneira específica, podem ser identificados cinco fatores de mudança 
do campo: Em primeiro lugar, o campo é modificado pelas próprias empresas 
dominantes na medida em que sua posição só pode ser mantida por um esforço 
permanente de inovação. 
Geralmente, é a empresa dominante que toma a iniciativa no que diz 
respeito ao preço, aos novos produtos e às estratégias de distribuição e de 
promoção. Mas, em segundo lugar, as empresas dominantes podem ser 
suplantadas em decorrência de uma inovação tecnológica que permite uma 
redução dos custos favorável às empresas dominadas, tipo de modificação em 
geral introduzida por novos atores, vindos “de outros subcampos”. 
Em terceiro lugar, se algumas empresas costumam atravessar fronteiras, 
as próprias fronteiras podem sofrer modificações. Pode acontecer, por exemplo, 
de um campo dividir-se em subcampos especializados (como no caso da 
indústria aeronáutica) ou de um novo campo emergir da fusão entre várias 
indústrias, como no caso da informática e das telecomunicações. 
Em quarto lugar, Bourdieu cita vários fatores externos de mudança: nas 
fontes de abastecimento, na demografia ou nos estilos de vida. Um 
último e fundamental fator de mudança reside nas interações do campo 
com o Estado. Entre os fatores de mudança identificados, o que mais 
interessa aqui é aquele que diz respeito à inovação, como veremos em 
seguida. 
Finalmente, Bourdieu insiste na importância da atuação do Estado no 
processo de construção social do mercado: “Dentre todas as 
característica Para uma análise mais aprofundada da Sociologia 
Econômica de Pierre Bourdieu, ver Raud (2007)”. 
Essa importância deve-se a uma autonomização simultânea dos campos 
econômico e político. Em particular, ao mostrar a importância do Estado na 
estruturação do campo, Bourdieu enfatiza o papel das regras formais: 
manutenção da ordem e da confiança, contribuição para a construção da oferta 
e da demanda e regulação dos mercados e controle das empresas são algumas 
de suas atribuições. 
Ademais, reafirmando a dimensão política e conflituosa do mercado, 
Bourdieu mostra o papel estratégico do Estado nas lutas de poder: 
“entre todas as trocas com o exterior do campo, as mais importantes 
são aquelas que se estabelecem com o Estado”. 
40 
 
 
A competição entre as empresas assume muitas vezes a forma de uma 
competição para o poder sobre o poder do Estado [...] e para as vantagens 
asseguradas pelas diferentes intervenções do Estado”. 
Assim, o Estado influencia fortemente as relações de poder existentes 
entre os atores no campo econômico. 
As empresas dominadas tentam mobilizar seu capital social (suas redes 
de relações) para pressionar o Estado a modificar as regras do jogo num sentido 
que lhes seja mais favorável. 
O Estado pode participar também da construção da demanda por meio da 
produção dos sistemas de preferências individuais e da atribuição dos recursos 
necessários (por exemplo, orientação do crédito, ajudas fiscais etc.. do setor de 
lácteos refrigerados da multinacional subiram de 12,2%, ou seja, 8,971 bilhões 
de euros, graças, principalmente, aos produtos que a empresa vem chamando 
de blockbuster, como Actimel, Activia, Vitalinea e Danoninho.

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