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FP106 - Desenho curricular, programação e desenvolvimento de competências Atividade prática Indicações gerais: Esta atividade deve ser desenvolvida em grupos e deve cumprir com os seguintes requisitos formais: Extensão: 4-5 páginas (sem contar as instruções, os enunciados, a Bibliografia nem os anexos – se forem feitos –). Tipo de letra: Arial. Tamanho: 11 pontos. Espaçamento: 1,5. Alinhamento: Justificado. O trabalho deve ser realizado neste documento Word seguindo as normas de apresentação e edição referentes a citações e referências bibliográficas (veja a guia de estudo). A entrega deve ser feita seguindo os procedimentos que se descrevem na guia de estudo e em nenhum caso deve ser entregue no correio do professor ou professora correspondente. Por outro lado, é importante lembrar que existem critérios de avaliação cujo acompanhamento por parte do aluno se considera extremamente importante. Para mais informações, consulte a guia de estudo. Atividade prática Identifiquem dois artigos publicados em revistas acadêmicas nos últimos dois anos sobre o tema da disciplina e exponham o conceito de currículo apresentado. Com base no conteúdo da disciplina, expliquem a importância do currículo para o processo de ensino-aprendizagem explicitando suas vantagens, desvantagens e inclua um exemplo de sua aplicação na disciplina de didática. Muito importante: Na capa que aparece na próxima página devem ser indicados os dados pessoais detalhados e o título do trabalho (o trabalho que não cumpra com as condições de identificação não será corrigido). Logo depois da capa, deve ser incluído o Sumário do trabalho. Atividade prática DESENHO CURRICULAR, PROGRAMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS Para análise e aplicabilidade da atividade foram utilizados os artigos: - Políticas curriculares e suas articulações na perspectiva de uma educação democrática, dos autores Rosangela Fritsch, Carlinda Leite e Ruy D’oliveira Lima, publicado em Educar em Revista, no ano de 2022. – Desenho curricular, programação e desenvolvimento de competências, do autor Sydney Pinto dos Santos publicado na Web Artigos, no ano de 2022. O currículo, conforme os estudos desenvolvidos ao longo do quadrimestre, deve ser compreendido como um elemento de fundamental importância na estruturação do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de um instrumento norteador que organiza e sistematiza os conteúdos a serem abordados, define os objetivos educacionais, orienta as estratégias pedagógicas e estabelece os critérios e métodos de avaliação. Nesse sentido, o currículo exerce um papel central na promoção da qualidade e da efetividade da educação. A elaboração de um currículo bem estruturado proporciona benefícios essenciais ao processo educativo, entre os quais se destacam: o planejamento pedagógico eficiente; a definição clara e coerente de objetivos de aprendizagem; a promoção da consistência e da uniformidade no ensino; a adequação às especificidades do contexto educacional; a possibilidade de acompanhamento e avaliação do progresso dos alunos; o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais à formação integral dos sujeitos; e a capacidade de responder às transformações sociais, culturais e tecnológicas. Assim, o currículo assume também a função de referência para a comunidade escolar, orientando suas práticas em consonância com as demandas contemporâneas da educação. De acordo com Santos (2022, p.02) Quando se fala em currículos, precisamos entender mais do que as suas intervenções diretamente dentro dos espaços escolares, e também na perspectiva do aluno, mas sim em um contexto muito maior, que abranja no somente o interior dos educandários, mas também os segmentos extra-escola que interagem com o processo educacional, como a família, tendo como exemplo. Ou seja, precisa-se entender que currículo, não é apenas conteúdos e componentes curriculares, mas todas as variáveis que interagem e intervém para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. O texto de Santos (2022) apresenta uma concepção ampliada de currículo, que ultrapassa a tradicional compreensão técnico-instrumental focada apenas na organização de conteúdos e componentes curriculares. O autor propõe uma reflexão crítica e abrangente, ao considerar o currículo como um dispositivo que deve refletir as múltiplas dimensões da experiência humana, integrando os aspectos sociais, culturais, familiares, afetivos e comunitários que atravessam o processo educacional. Santos (2022) enfatiza que o currículo não deve estar “amarrado” exclusivamente à grade curricular, ao planejamento institucional ou ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), mas deve extrapolar os muros da escola e dialogar com outros espaços formativos, como a família, a igreja, a comunidade e os meios culturais aos quais o educando está exposto desde a infância. A partir dessa visão, o currículo assume um papel de mediação entre os saberes escolares e os saberes oriundos do cotidiano, valorizando o conhecimento prévio e as experiências de vida dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Dessa forma, o currículo deixa de ser um conjunto estático de conteúdos e passa a ser compreendido como uma construção dinâmica, situada e historicamente condicionada. Ele se torna um projeto político-pedagógico vivo, que exige um planejamento criterioso, coerente e sensível às demandas da realidade concreta dos alunos. Essa concepção crítica convoca os educadores a repensarem o seu papel não apenas como transmissores de saber, mas como mediadores culturais e agentes de transformação social. Outro ponto de destaque é a ideia de que o currículo eficaz deve ser articulado a partir de um diagnóstico contextual que leve em conta as inter-relações entre os diferentes segmentos da comunidade escolar e extraescolar. Isso implica reconhecer que o sucesso do processo educacional não se restringe ao ambiente escolar, mas depende da integração de múltiplos fatores: condições socioeconômicas, envolvimento familiar, infraestrutura escolar, políticas públicas, entre outros. Santos (2022) também chama a atenção para as vantagens de um currículo elaborado de forma participativa e contextualizada: desenvolvimento da autonomia docente e discente, fortalecimento do vínculo escola-família, promoção de ações pedagógicas mais eficazes e sensíveis às realidades sociais, e, sobretudo, a construção de um projeto educativo que reconhece o aluno como sujeito histórico e social. Por outro lado, um currículo que ignora esses aspectos tende ao fracasso, por se limitar à lógica da prescrição e da normatividade, desconsiderando a diversidade, os interesses e os desafios reais enfrentados pelos estudantes e professores. Em síntese, a análise de Santos evidencia que o currículo deve ser compreendido como um campo de disputa simbólica, política e pedagógica, cuja elaboração requer diálogo constante com as múltiplas vozes que compõem o cenário educacional. Mais do que um documento normativo, o currículo deve ser um instrumento de emancipação e inclusão, capaz de responder aos desafios contemporâneos e contribuir para a formação de cidadãos críticos, autônomos e comprometidos com a transformação social. A discussão sobre o currículo no contexto das políticas educacionais brasileiras evidencia a complexidade e os desafios envolvidos na construção de uma proposta pedagógica que, além de normativa, seja efetivamente emancipatória. A partir da análise de Fritsch (2022), é possível compreender que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem se constituído como um instrumento de padronização e regulação das práticas pedagógicas nos diferentes níveis da educação básica, influenciando diretamente os documentos orientadores estaduais e municipais. A pesquisa qualitativa desenvolvida por Fritsch, utilizando a análise documental e a Análise de Redes Sociais, revela que o processo de elaboração desses documentos curriculares foi caracterizado por uma limitação no que tange à participação democrática e à articulação entre os diferentes entes federativos e atoresda sociedade civil. Como consequência, identificou-se a formulação de um currículo prescritivo e excessivamente operacional, com baixa efetividade em relação às diretrizes propostas e sem o necessário diálogo com os contextos locais e as realidades escolares. Nesse ponto, é pertinente dialogar com Santos (2022), ao afirmar que o currículo deve ultrapassar os limites institucionais da escola e estar em constante interação com outras esferas sociais formadoras, como a família, a comunidade e as instituições religiosas. O autor enfatiza que o currículo não deve se restringir à estruturação de conteúdos e disciplinas, mas constituir-se como um projeto pedagógico vivo, conectado às experiências, valores e práticas culturais dos sujeitos. Essa visão amplia o entendimento de currículo, resgatando sua função política e social, enquanto expressão de intencionalidades educativas que precisam estar sintonizadas com as demandas e os desafios contemporâneos. A BNCC, ao se apresentar como um marco normativo nacional, busca promover o alinhamento das políticas públicas educacionais e o fortalecimento do regime de colaboração entre União, Estados e Municípios (BRASIL, 2017). No entanto, conforme apontado por Fritsch (2022), essa proposta ainda carece de efetividade quanto à autonomia dos contextos locais na elaboração de currículos mais sensíveis às especificidades socioculturais e educacionais de cada território. Ainda que a padronização curricular possibilite a definição de metas de aprendizagem e a organização do processo de ensino de maneira sistemática, como argumenta o SAE Digital (2021), é preciso reconhecer que tal organização pode apresentar limites, sobretudo quando desconsidera as desigualdades estruturais existentes entre as diferentes realidades escolares. Um currículo excessivamente normativo pode comprometer a flexibilidade pedagógica necessária para o desenvolvimento de competências como o pensamento crítico, a criatividade, a resolução de problemas e as habilidades socioemocionais — aspectos cada vez mais exigidos pela complexidade da sociedade contemporânea. Nesse contexto, a concepção ampliada de currículo proposta por Santos (2022) torna-se essencial para ressignificar as práticas pedagógicas, ao defender que o currículo deve ser formulado a partir das inter-relações entre escola, família e comunidade, reconhecendo o educando como sujeito histórico e social. Tal perspectiva rompe com o tecnicismo curricular e propõe um modelo centrado na justiça social, que considere os saberes oriundos de diferentes espaços formativos e valorize a diversidade cultural, social e cognitiva dos estudantes. A experiência com programas como o PIBID e a Plataforma Freire, no âmbito da formação docente, também demonstra a importância de práticas curriculares mais dinâmicas e integradas. Embora esses instrumentos ainda não se apliquem diretamente à Educação Básica, revelam o potencial das experiências extracurriculares e das atividades formativas na construção de currículos mais significativos, colaborativos e conectados à realidade dos sujeitos envolvidos. A Plataforma Freire, por exemplo, tem contribuído para a valorização da carreira docente por meio do registro de formações continuadas, seminários e oficinas, complementando a formação inicial e refletindo diretamente na qualidade da prática pedagógica. Assim, reconhece-se que o currículo, quando bem estruturado, oferece vantagens significativas ao processo de ensino-aprendizagem, como: organização sequencial do conteúdo, clareza na definição de objetivos educacionais, alinhamento com os padrões nacionais e possibilidade de avaliação contínua e sistemática. Contudo, também apresenta desvantagens quando se torna rígido, conteudista e desatualizado, dificultando a adaptação às realidades locais, à diversidade dos alunos e às transformações tecnológicas e sociais em curso. Em síntese, é necessário compreender o currículo como um campo de disputas e mediações, onde diferentes interesses e projetos de sociedade se materializam. A construção de um currículo crítico, democrático e inclusivo requer não apenas a participação ativa dos agentes escolares, mas também o reconhecimento da pluralidade dos espaços formativos e o respeito à autonomia dos territórios educativos. Trata-se, portanto, de um processo político-pedagógico que exige diálogo, escuta, planejamento articulado e compromisso com a transformação social. Referência Bibliográfica Brasil. Ministério da Educação. (2017). Base nacional comum curricular. Brasília, DF: MEC. Rosangela Fritsch, C. L. e. R. D. L. (2022). Políticas curriculares e suas articulações na perspectiva de uma educação democrática. Educação Em Revista - Belo Horizonte. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/mrLWxdVLbTCmVf4BTf4Xh8c/. Acesso em 03 Jul 2025 Santos, S.P. (2022). Fundação Universitária Iberoamericana – FUNIBER/UNINI. Web Artigos, Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/desenho-curricular-programacao-e-desenvolvimento-de-competencias/170167?utm_source=chatgpt.com Acesso em 03 Jul 2025 1