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Teoria geral da constituição 
Teoria geral da Constituição, normas e interpretação.
Prof. Marcílio da Silva Ferreira Filho
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender os elementos conceituais básicos do Direito constitucional envolvendo a Constituição, norma
base do ordenamento jurídico e que serve de fundamento para todas as disciplinas do Direito.
Preparação
Antes de iniciar o conteúdo, tenha em mãos a Constituição Federal de 1988 atualizada para consulta durante
seus estudos.
Objetivos
Identificar os principais conceitos sobre a Constituição, sua classificação e suas espécies.
 
Reconhecer as diversas categorias de normas constitucionais.
 
Distinguir os critérios de destaque da interpretação constitucional e seus princípios.
Introdução
Neste tema, estudaremos os principais conceitos que envolvem a teoria geral da Constituição. Os pontos
apresentados possuem uma perspectiva teórica, mas os conceitos expostos são elementares para se
entender o que é uma Constituição e como ela se relaciona com a vida em sociedade.
 
Assista ao vídeo e conheça o papel dos precedentes no STF. O professor e ministro Luís Roberto Barroso
explica como o CPC/15 instituiu precedentes qualificados, diferencia sistemas romano‑germânico e
anglo‑saxão e discute medidas para desestimular recursos descabidos, fortalecendo a cultura de respeito às
decisões judiciais.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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1. Os principais conceitos sobre a Constituição
Conceito de Direito constitucional e suas relações com
outros ramos do Direito
O Direito constitucional, conjunto de normas fundamentais instituidoras do Estado e regedoras da
sociedade, situa-se no vértice da pirâmide jurídica e é ramo do direito público.
(2018, p. 79, grifo nosso)
Nessas palavras, Luís Roberto Barroso define o Direito constitucional, que é uma das vertentes do Direito
público que estudam as normas fundamentais acerca da instituição do Estado e da vida em sociedade,
compondo a Constituição. Por isso, compreender o conceito de Constituição é fundamental para essa
disciplina.
 
O Direito público constitui um conjunto de ramos do conhecimento jurídico que envolve a relação entre Estado
e sociedade. O centro do conceito de Direito constitucional é o estudo das normas constitucionais e suas
teorias de base.
Atenção
O surgimento das primeiras Constituições formais e, consequentemente, do Direito constitucional
ocorreu inicialmente por meio de ideias liberais, com o objetivo de limitar a atividade do Estado na vida
privada. Com o passar do tempo, esse âmbito de estudo se ampliou e, atualmente, a Constituição regula
diversos direitos, inclusive aqueles que exigem prestações positivas do Estado (ex.: educação, saúde
etc.). 
O Direito constitucional é estudado a partir de três vertentes distintas:
Objetos de estudo do Direito constitucional
Direito constitucional
positivo (ou especial)
É o estudo das normas constitucionais positivadas em
determinado ordenamento jurídico.
Direito constitucional
comparado
É o estudo comparativo entre a Constituição brasileira e a de
outros países, a fim de compreender o contexto do Brasil e dos
seus institutos jurídicos.
Direito constitucional
geral
É o estudo da teoria de Direito constitucional, especialmente dos
conceitos e institutos que fundamentam essa disciplina.
 
O Direito constitucional é um ramo que se relaciona com todas as outras áreas do Direito, já que a
Constituição é a norma base do ordenamento jurídico. Todas as leis e todos os atos normativos devem
observar a Constituição, sob pena de nulidade por inconstitucionalidade.
A fim de sistematizar o conhecimento – sem a pretensão de exaurir –, vale mencionar como o Direito
constitucional se relaciona com outras disciplinas jurídicas.
Direito administrativo
Diversas são as normas constitucionais que fundamentam a disciplina. Por exemplo, você poderá
encontrar uma série de dispositivos sobre a administração pública do art. 37 ao 41 da Constituição,
que são estudados especificamente nesse ramo do conhecimento.
Direito tributário
A Constituição Federal, no Título IV, que trata “Da Tributação e do Orçamento”, estabelece
competências tributárias, limitações constitucionais ao poder de tributar, regras de repartição de
receita, entre outros. Um exemplo interessante é o art. 145 da Constituição, que estabelece quais
tributos podem ser instituídos pelos entes federados.
Direito civil
Os direitos e as garantias fundamentais estabelecidos na Constituição devem ser observados no
âmbito desse ramo do conhecimento – por exemplo, o direito de propriedade, previsto no art. 5º, 
caput e inciso XXII, da Constituição. Por isso, a interpretação das normas no Direito civil também
ocorre à luz do Direito constitucional, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) decidido diversos
casos que são estudados nessa área.
Direito processual civil
O devido processo legal (art. 5º, LIV), além do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV), é um
exemplo de garantias previstas na Constituição que devem ser observadas no processo civil, tendo
influenciado, em diversos aspectos, a edição do Código de Processo Civil de 2015.
Direito penal
Esse ramo estuda um dos principais direitos do ser humano, que é a liberdade. Por isso, o art. 5º da
Constituição estabelece garantias fundamentais, como a proibição de algumas penas (inciso XLVII).
Direito processual penal
A Constituição também estabelece garantias quanto ao processo de natureza penal – por exemplo, as
normas que dizem respeito à prisão de uma pessoa (art. 5º, LXI-LXVII).
Direito do trabalho
Os direitos trabalhistas são contemplados na Constituição como direitos sociais e constam, em
especial, dos arts. 6º e 7º.
Direito processual do trabalho
Assim como o processo civil e o processo penal, as garantias processuais também se aplicam ao
processo do trabalho, como o devido processo legal e o contraditório e a ampla defesa.
Direito internacional
Além de estabelecer princípios aplicáveis às relações internacionais (art. 4º), a Constituição e o
Direito constitucional também se dispõem a analisar as atribuições, competências e formalidades para
atuação internacional do Brasil.
Direito previdenciário
A Seguridade Social é regulada na Constituição, e há uma seção específica para isso (Seção III,
Capítulo II, Título VIII). Recentemente, houve a reforma da Previdência, que influenciou todo o sistema
e o estudo da referida disciplina.
Direito ambiental
Um dos tópicos estudados nesse ramo do conhecimento é o Direito ambiental constitucional,
especialmente partindo do art. 225 da Constituição, que se dedica a regular o meio ambiente.
Atualmente, fala-se que essa regulação faz parte da terceira geração de direitos fundamentais.
Como se pode observar, o Direito constitucional se relaciona com todos os ramos do conhecimento e, por
isso, é considerado uma das principais disciplinas jurídicas, já que seu objeto de estudo (normas
constitucionais) confere validade a todas as outras áreas.
Constitucionalismo e neoconstitucionalismo
Constitucionalismo
O Constitucionalismo foi o movimento ocorrido, no mundo inteiro, de criação de Constituições, que são
normas bases para o convívio em sociedade.
 
Embora tenhamos uma Constituição bem completa, conhecida como “Constituição Cidadã”, nem sempre foi
assim. O processo de criação das Constituições, tal como conhecemos atualmente, passou por momentos
históricos distintos.
 
A doutrina indica três momentos principais:
Fases do Constitucionalismo
Constitucionalismo
antigo
São os registros longínquos de normas bases, em sua maioria não
escritas, que regiam a sociedade, diferentemente do que se
conhece nos dias atuais. A doutrina aponta a existência de registros
históricos, por exemplo, no povo hebreu, limitando os poderes
políticos do Estado teocrático.
Constitucionalismo
moderno
O Constitucionalismo moderno tem como referências a Revolução
Francesa e a Norte-Americana, dando início às primeiras
Constituições, predominantemente escritas,com limites claros ao
poder político do Estado. Aqui, prevalecia a orientação liberal, e o
foco era a limitação do Estado para garantia da liberdade.
Constitucionalismo
contemporâneo
O Constitucionalismo contemporâneo é marcado pela ampliação das
Constituições na garantia de direitos, inclusive de caráter social,
passando o Estado a ter uma posição proativa na sociedade.
 
Esse movimento do Constitucionalismo contemporâneo gerou Constituições extensas e garantistas, como é o
caso da Constituição brasileira, proporcionando uma reformulação nas bases teóricas do Direito constitucional
para assegurar força normativa aos seus preceitos, especialmente seus princípios. É onde se encontra o
nascimento do neoconstitucionalismo.
Neoconstitucionalismo
Sessão de promulgação da Constituição brasileira de 1988.
O neoconstitucionalismo configura uma nova abordagem do papel institucional da Constituição no sistema
jurídico, que surgiu a partir da segunda metade do século XX. Abrange a Constitucionalização do Direito, que
passa a ter – como centro do ordenamento jurídico –, não mais a lei em sentido estrito, mas sim a Constituição
como norma fundamental de todas as normas e com força normativa suficiente para resolver casos concretos.
A partir do neoconstitucionalismo, a Constituição deve ser observada como parâmetro máximo do
ordenamento jurídico não apenas do ponto de vista de sua literalidade, mas também dos seus
valores, princípios etc., a fim de aproximar o Direito da Ética.
Marcos do neoconstitucionalismo
Marco
histórico Desenvolvimento do Estado Constitucional de Direito no pós-guerra.
Marco
filosófico
Pós-positivismo, centralidade dos direitos fundamentais e reaproximação de
Direito e Ética.
Marco
teórico
Conjunto de mudanças que contribuiu para a nova interpretação
constitucional (força normativa da Constituição).
 
Importante destacar ainda a diferença entre o Constitucionalismo e o neoconstitucionalismo.
 
O Constitucionalismo foi um movimento jurídico e político destinado a limitar o poder do Estado, criando uma
Constituição para dar direito às pessoas. O neoconstitucionalismo, como vimos, é uma nova vertente do
Direito constitucional que surgiu na metade do século XX e tem o importante papel de atribuir força normativa
à norma constitucional, trazendo-a para o centro jurídico.
 
Atualmente, fala-se em um processo de Constitucionalização do Direito, já que todos os ramos devem ser
analisados sob a ótica da Constituição Federal. Assim, por exemplo, fala-se em “constitucionalização do
Direito administrativo”, “constitucionalização do direito civil”, “constitucionalização do Direito penal”, e assim
por diante.
 
Luís Roberto Barroso (2018, p. 112-113) explica esse processo:
Sedimentado o caráter normativo das normas constitucionais, o Direito contemporâneo é caracterizado
pela passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico, onde desfruta não apenas da
supremacia formal que sempre teve, mas também de uma supremacia material, axiológica.
Compreendida como uma ordem objetiva de valores e como um sistema aberto de princípios e regras, a
Constituição transforma-se no filtro através do qual se deve ler todo o direito infraconstitucional. Esse
fenômeno tem sido designado como constitucionalização do Direito, uma verdadeira mudança de
paradigma que deu novo sentido e alcance a ramos tradicionais e autônomos do Direito, como o civil, o
administrativo, o penal e o processual.
(Luís Roberto Barroso, 2018)
Neoconstitucionalismo
Assista, a seguir, a uma exposição sobre o tema Neoconstitucionalismo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conceito e origem da Constituição
A palavra “Constituição” tem múltiplas acepções. Para fins do Direito constitucional, é preciso compreender a
Constituição dos pontos de vista político e jurídico:
Do ponto de vista político
A Constituição é considerada uma decisão política fundamental sobre o poder político, os direitos
fundamentais e outros aspectos essenciais relacionados à vida em sociedade.
Do ponto de vista jurídico
Existem duas dimensões:
Em sentido material, a Constituição é considerada, a partir do seu conteúdo, como o conjunto de
normas que organiza o exercício do poder político, os direitos fundamentais e outros aspectos
essenciais relacionados à vida em sociedade.
Em sentido formal, a Constituição é considerada quanto à sua posição no sistema jurídico, já que se
trata de uma norma fundamental e superior, que confere fundamento de validade a todas as outras
normas.
Atenção
O Brasil adota um modelo em que as normas constitucionais são consideradas em sentido formal. Todos
os artigos da Constituição são considerados norma constitucional, independentemente do seu
conteúdo. 
Luís Roberto Barroso explica que a Constituição:
(...) cria ou reconstrói o Estado, organizando e limitando o poder político, dispondo acerca de direitos
fundamentais, valores e fins públicos e disciplinando o modo de produção e os limites de conteúdo das
normas que integrarão a ordem jurídica por ela instituída. Como regra geral, terá a forma de um
documento escrito e sistemático, cabendo-lhe o papel, decisivo no mundo moderno, de transportar o
fenômeno político para o mundo jurídico, convertendo o poder em direito.
(Luis Roberto Barroso, 2018, p. 101-102)
As primeiras Constituições escritas, tal como conhecemos, foram editadas na “Era das Revoluções”,
especialmente tendo como ponto de partida a Revolução Inglesa, a Revolução Norte-Americana e a Revolução
Francesa. Com o objetivo de limitar o poder do Estado, que antes era ilimitado, as primeiras Constituições
foram editadas, assegurando alguns direitos fundamentais.
 
Esse processo corresponde ao Constitucionalismo moderno e se identifica com os valores do Iluminismo – e
com as visões racionalistas – que começavam a ganhar corpo à época.
 
A primeira Constituição brasileira foi editada em 1824, sucedida por outras que ampliaram direitos e garantias
ao longo do tempo.
Atenção
O art. 5º, § 3º, da Constituição Federal, incluído com a Emenda Constitucional (EC) nº 45/2004, passou a
considerar normas constitucionais os tratados e as convenções internacionais introduzidos com o
mesmo quorum de votação das ECs. Dessa forma, as leis constitucionais não são apenas aquelas
inseridas da Constituição. A doutrina utiliza o termo bloco de constitucionalidade para caracterizar essa
somatória. 
Concepções sobre a Constituição
Apesar dessa explicação inicial sobre o conceito de Constituição, vale destacar que, ao longo do tempo, a
doutrina se dispôs a tentar explicar o seu significado e sua natureza, com acepções diversas. Algumas
merecem destaque.
Sentido sociológico (Ferdinand Lassalle)
Em seu escrito A essência da
Constituição, Lassalle (1825-1864)
afirma que as normas constitucionais
corresponderiam à somatória dos
fatores reais de poder dentro da
sociedade. Para ele, a Constituição
deveria ser percebida sob um ponto
de vista sociológico, por isso a
nomenclatura dessa acepção.
 Defendia que a Constituição
escrita seria uma mera “folha de
papel”, e as normas que regem a
vida em sociedade
corresponderiam, na verdade,
àquilo que se aplica de fato. O
poder político e suas regras,
verificados socialmente,
estabeleceriam as normas
constitucionais.
Ferdinand Lassalle em 1860.
Sentido político (Carl Schmitt)
Carl Schmitt em 1912.
Para Carl Schmitt (1888-1985),
a Constituição seria apenas as
normas que tratassem de
assuntos relativos à decisão
política fundamental do
Estado. Assim, o que
importaria, para definir se uma
norma é ou não Constituição,
seria o seu conteúdo.
 A decisão
política seria
baseada na
organização dos
órgãos do
Estado, dos
direitos
individuais, da
vida
democrática,
entre outros.
 Todo o excedente seria
somente uma mera “Lei
Constitucional”, ou seja,
teria uma hierarquia
inferior. A partir desse
conceito, cria-se uma
hierarquia entre
Constituição e Lei
Constitucional.
Atenção
O Brasil não adota a divisão proposta no modelo de Schmitt. 
O art. 242,§ 2º, da Constituição trata de algo que não se refere a uma decisão política do Estado. Todavia, é
considerado norma constitucional? Sim, pois há distinção de acordo com o conteúdo da norma! Todas são
constitucionais.
Sentido jurídico (Hans Kelsen)
Para Kelsen (1881-1973), na sua obra 
Teoria pura do direito, a norma
constitucional corresponde ao “dever ser”
e não ao “ser”. O autor propõe uma
diferenciação entre o Direito e outros
ramos do conhecimento (ex.: Sociologia,
Ciência Política etc.), para firmar uma
“teoria pura” acerca do direito.
 Assim, a Constituição
estaria relacionada à
estrutura formal do direito,
consequência da vontade
racional humanística, não
de leis naturais. Não há
tratamento sociológico,
político ou filosófico.
Hans Kelsen.
Sentido culturalista (J. H. Meirelles)
Para José Horácio Meirelles Teixeira, a Constituição seria resultado de um fato cultural. O autor não contempla
apenas um aspecto para conceituá-la, mas sim toda a contextualização cultural das normas básicas da
sociedade.
 
Assim, sendo decorrente da cultura, a Constituição englobaria elementos históricos, sociais e racionais, bem
como fatores reais (natureza humana e geografia, por exemplo) e espirituais (como os sentimentos e valores
morais).
Espécies de Constituição
A doutrina classifica os tipos de Constituição de diversas maneiras, partindo sempre de critérios específicos, a
fim de categorizá-los.
Espécies de Constituição segundo a origem
Outorgada
Determinada, e de maneira unilateral, por um agente
revolucionário, sem legitimidade do povo. Nesse modelo,
típico de regimes ditatoriais, a Constituição é produzida sem
participação popular, nem mesmo de forma indireta
(exemplos no Brasil: 1824, 1937, 1967 e Emenda
Constitucional – EC nº 1/69). Nesse caso, denomina-se
“Carta” em vez de “Constituição”.
Promulgada
(democrática,
votada ou popular)
Criada com participação popular direta ou indireta.
Normalmente é resultado do esforço de uma Assembleia
Nacional Constituinte, criada pelo povo para elaborar o Texto
Constitucional (legitimação popular; exemplos: CF/1891, 1934,
1946 e 1988). É a Constituição atual.
Cesarista
(bonapartista)
Elaborada sem a participação do povo. Nesse caso, por um
imperador ou ditador, com a posterior ratificação do diploma
por meio de um plebiscito ou referendo. Há apenas a
concordância do povo; não existe a possibilidade de
acrescentar algum conteúdo, não podendo ser considerada
democrática.
Pactuada (dualista
ou convencionada)
Ocorre quando o poder constituinte originário é dividido entre
dois ou mais grupos de poder que chegam a um acordo
quanto à norma que regerá a vida em sociedade, sem
participação popular (exemplos: monarquia e ordens
privilegiadas).
Espécies de Constituição segundo a alterabilidade
(mutabilidade, estabilidade ou consistência)
Rígida
É o tipo de Constituição que exige, para sua alteração, um
processo mais difícil de aprovação das ECs do que as leis.
Assim, por exemplo, a aprovação de leis ordinárias no Brasil
ocorre pelo quorum de maioria simples, enquanto a aprovação
de ECs ocorre por 3/5, o que significa dizer que se trata de
uma Constituição rígida (Constituição brasileira: art. 60, § 2º).
Flexível
Constituição que pode ser alterada pelo mesmo quorum de
aprovação de uma lei. Seria o caso, por exemplo, de uma
Constituição que exigisse, para aprovação de uma EC, apenas
o quorum de maioria simples, o que não é o caso do Brasil.
Transitoriamente
flexível
Constituição que pode ser alterada flexivelmente durante um
período definido pela Constituição. Por exemplo, seria o caso
de autorização para alteração por EC com quorum de maioria
simples durante os meses de abril a dezembro. Isso não existe
na Constituição brasileira.
Semirrígida (ou
semiflexível)
Apresenta uma mescla entre a rígida e a flexível. Algumas
normas só poderiam ser alteradas por um quorum mais difícil,
enquanto outras poderiam com o quorum de lei ordinária.
(exemplo: Constituição Imperial de 1824).
Super-rígida
Uma parte da doutrina menciona também a categoria da
Constituição “super-rígida”, sendo aquela que, além de
apresentar um processo de modificação rígido, possui normas
que são nomeadas imutáveis (exemplo: cláusulas pétreas).
Parte da doutrina defende que a Constituição brasileira seria
super-rígida.
Fixa
Só poderá ser alterada por um poder de mesmo nível que a
instituiu (uma nova iniciativa do poder constituinte originário,
por exemplo).
Imutável
É aquela que não está sujeita à modificação. Atualmente, essa
classificação não é utilizada, pois caiu em desuso. Seu texto
seria elaborado por uma “entidade suprema e superior”, desse
modo, não haveria órgão com legitimidade suficiente para
alterá-lo (exemplo: Código de Hamurabi e Lei das XII Tábuas).
Espécies de Constituição segundo o conteúdo
Material
Leva em consideração o conteúdo da norma para identificar se é ou não
Constituição. Logo, pode-se dizer que é classificado como Constituição o
texto que compreende normas fundamentais e estruturais do Estado
(organização, direitos e garantias etc.). Nessa classificação, diferencia-se
o conceito de Constituição e Lei Constitucional (LC).
Formal
Considera apenas a forma, independentemente do seu conteúdo. Assim,
tudo o que está na Constituição é considerado norma constitucional, não
sendo necessário que disponha sobre temas tidos como constitucionais.
Aqui, as normas têm caráter constitucional porque foram criadas com o
uso do processo legislativo específico das normas constitucionais. É o
caso da Constituição brasileira de 1988.
Espécies de Constituição segundo a extensão
Sintética (concisa, breve,
sumária, sucinta, básica)
Sua construção é breve, pois expõe apenas as vertentes
básicas para a estruturação do Estado. Veicula apenas
normas fundamentais e estruturais do Estado, sem se
prolongar em minúcias. Normalmente, possui um teor
mais voltado a princípios e normas básicas.
Analítica (ampla,
extensa, larga, prolixa,
longa, desenvolvida,
volumosa, inchada)
Tem seu texto detalhado com disposições sobre
assuntos variados. É o caso da Constituição brasileira
de 1988.
Espécies de Constituição segundo a forma
Escrita (instrumental)
É aquela documentada em texto escrito, como é o
caso da Constituição brasileira de 1988.
Costumeira (não escrita
ou consuetudinária)
É aquela cujas fontes normativas são diversas, tais
como textos esparsos, jurisprudências, usos,
costumes, convenções etc.
Espécies de Constituição segundo a maneira de
criação
Dogmática
É elaborada de uma vez, rompendo com o regime jurídico anterior e
criando novos princípios estruturais e fundamentais. Foi o caso da
Constituição brasileira de 1988, que rompeu com o regime jurídico
ditatorial anterior.
Histórica
Diferentemente da dogmática, como regra é “não escrita”, e apresenta
um processo lento e contínuo de formação que se estende ao longo de
anos (exemplo: Constituição inglesa). É formada a partir de
progressivas evoluções históricas e jurídicas, como uma Constituição
duradoura, estável e sólida.
Espécies de Constituição segundo a sistemática
Reduzida
(codificada)
Centralizada em um único texto básico, tal como a
Constituição brasileira de 1988.
Variada (legal)
Apresenta vários textos e documentos “soltos” (Constituição
francesa de 1875).
Espécies de Constituição segundo a dogmática
Ortodoxa Adota uma única ideologia, um único pensamento como forma
de viver em sociedade (exemplo: China marxista).
Eclética/
Compromissória
Adota ideologias conciliatórias, apresentando várias ideologias
que harmonizam entre si, tal como é o caso da Constituição
brasileira de 1988.
Espécies de Constituição segundo a representação da
realidade ou a conformidade da realidade
Normativa
É aquela em que as relações de poder se integram ao texto
constitucional e respeitam seu teor, tendo, dessa maneira, uma
sintonia perfeita com o cenário político e social do Estado. Aquilo
que é determinado na Constituição é observado, como regra, na
vida em sociedade.
Nominalista
(nominativaou
nominal)
Há incompatibilidade entre o texto constitucional e as relações
reais de poder. O texto constitucional não tem exata congruência
com o cenário político e social do Estado, mas apresenta uma
função prospectiva de alcançar esse ideal, o que se enquadraria
mais aproximadamente da Constituição brasileira de 1988.
Semântica
Não tem a pretensão de conquistar a coerência perfeita entre
texto constitucional e realidade, mas sim de garantir a situação de
dominação estável do poder autoritário. A Constituição é apenas
um instrumento de legitimação do poder existente.
Espécies de Constituição segundo o sistema
Principiológica Constituição em que a maior parte do seu teor contém princípios.
Por ser abstrata, precisará de mediação legislativa ou judicial.
Preceitual Constituição em que predominam regras na maior parte do seu
teor.
Espécies de Constituição segundo a função
Provisória Tem prazo de duração determinado, normalmente com um caráter
transitório decorrente de uma revolução.
Definitiva É definitivamente elaborada, sem prazo final para sua vigência, tal
como é o caso da brasileira.
Espécies de Constituição segundo o início de sua
promulgação
Heterônoma
Advém de determinação de outro Estado, impondo uma Constituição
ao dominado. Bastante incomum por se originar fora do Estado onde
as normas produzirão o efeito.
Autônoma Elaborada pelo próprio Estado (exemplo: CF/1988).
Além dessas classificações, vale ainda destacar três nomenclaturas utilizadas pelos autores:
Constituição garantia
Restringe o poder do Estado, criando áreas de não inserção do poder público na vida dos indivíduos.
Constituição balanço
Estabelece um degrau de evolução ideológica da vida em sociedade.
Constituição dirigente/compromissória
Estabelece um projeto de Estado, com programas e projetos, com a finalidade de alcançar certos
ideais políticos. Aqui são elencadas muitas das normas de eficácia programática.
Supremacia da Constituição
No Direito brasileiro, a Constituição é concebida sob o ponto de vista formal, sendo norma jurídica
constitucional toda aquela que integre o texto constitucional, na forma definida.
 
A estrutura jurídica da Constituição confere validade a todo o sistema, sendo subordinados ao seu teor tanto a
legislação como também os atos normativos infralegais.
Atenção
Nosso ordenamento jurídico é definido pela rigidez. Logo, para que as normas constitucionais sejam
modificadas, devem se sujeitar a um processo mais sofisticado e dificultoso. Esse procedimento é uma
das características da supremacia formal da Constituição em face de outras normas infraconstitucionais. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
Um dos tópicos vistos envolve a classificação das Constituições de acordo com critérios
específicos elencados pela doutrina. A Constituição brasileira, nesse sentido, é considerada
uma Constituição:
A Histórica, pois foi construída a partir de um processo de discussão e evolução ao longo dos anos.
B Ortodoxa, uma vez que adota uma ideologia única como aceita no Brasil.
C Formal, já que todas as normas que constam do texto constitucional são consideradas normas
constitucionais, independentemente do seu conteúdo.
D Sintética, visto que o seu conteúdo é sistematizado em títulos e capítulos.
A alternativa C está correta.
O modelo adotado na Constituição brasileira não diferencia as normas constitucionais a partir do seu
conteúdo, mas sim a partir da forma, já que todos os artigos são considerados parte integrante da
Constituição.
Questão 2
O conceito de Constituição passa por múltiplas concepções trazidas por autores diferentes.
Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
A O sentido sociológico, defendido por Hans Kelsen, afirma que a Constituição é um conjunto de normas
jurídicas que estabelece um dever ser.
B O sentido político, defendido por Ferdinand Lassalle, afirma que a Constituição é um produto cultural
da sociedade.
C O sentido jurídico, defendido por J. H. Meirelles, afirma que a Constituição é a soma dos fatores reais
de poderes.
D
A Constituição brasileira é composta por normas de status constitucional, sendo que os tratados e as
convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às ECs.
A alternativa D está correta.
O art. 5º, § 3º, da Constituição prevê o que consta expressamente na letra “d”, admitindo que tratados e
convenções internacionais sobre direitos humanos, aprovados na forma constitucional, sejam considerados
normas constitucionais.
2. Categorias de normas constitucionais
Espécies de normas constitucionais
Como visto no módulo 1, as normas constitucionais possuem um status hierárquico superior no ordenamento
jurídico brasileiro. Para explicar a sua natureza, a doutrina e a jurisprudência se propõem a realizar a
identificação de espécies de normas constitucionais, classificações e eficácia, temas que passaremos a tratar
neste módulo.
 
Antes de tudo, é importante ter em mente que a identificação de categorias jurídicas, como uma classificação
propõe, por exemplo, depende de critérios que cada autor adota, podendo haver variações na literatura. Por
isso, trataremos aqui das categorias mais conhecidas para melhor compreensão do tema.
 
As normas constitucionais não estão concentradas unicamente no texto da Constituição como se poderia
pensar. Existem, por exemplo, normas constitucionais fora da Constituição, ainda que excepcionalmente.
 
A Constituição possui o seu texto principal, que concentra a regulação da maior parte dos tópicos relevantes
para a vida em sociedade. Todavia, ao longo dos anos, o texto constitucional é modificado pelo poder
constituinte reformador a partir das chamadas emendas constitucionais (ECs) previstas no art. 60 da
Constituição.
 
As ECs modificam o texto da Constituição (com uma nova redação) e retiram ou incluem artigos. Porém, por
vezes, as próprias emendas têm artigos isolados, que não foram inseridos na Constituição, e que são normas
constitucionais. Consulte, por exemplo, o art. 3º da EC nº 47/2005, que estabelece uma regra própria de
transição para aposentadoria de servidores.
 
Além disso, a Constituição também possui, em sua parte final, normas constitucionais nos atos das
disposições constitucionais transitórias (ADCT). Os artigos que constam nos ADCT são considerados normas
constitucionais e não estão abaixo da Constituição em nível hierárquico.
 
O art. 5º, § 3º, da Constituição Federal (incluído pela EC nº 45/2004), também prevê a possibilidade de
tratados e convenções internacionais serem incorporados no ordenamento jurídico brasileiro com status de
EC.
Atenção
Os tratados e as convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais. 
Assim, podemos falar em quatro campos de identificação das normas constitucionais:
 
Normas constitucionais integrantes da Constituição;
ADCT;
ECs;
Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, incorporados na forma do art. 5º, § 3º,
da Constituição Federal.
 
A reunião dessas normas é denominada pela doutrina de bloco de constitucionalidade, que serve como
parâmetro de constitucionalidade no ordenamento jurídico brasileiro.
Classificações das normas
As normas constitucionais podem ser classificadas a partir de diversos tipos, de acordo com o critério
adotado pelo doutrinador.
 
Aqui, especificamente, apresentaremos algumas classificações indicadas no livro Curso de Direito
constitucional contemporâneo, de Luís Roberto Barroso.
Classificação das normas constitucionais segundo a
hierarquia
Normas
constitucionais
Conjunto de normas que faz parte do bloco de
constitucionalidade e que está no mais alto grau hierárquico
do ordenamento jurídico.
Normas
infraconstitucionais
São as leis e os atos normativos que se encontramabaixo
da Constituição e devem ser com ela compatíveis, material
e formalmente, sob pena de incorrer em
inconstitucionalidade.
Classificação das normas constitucionais segundo a
imperatividade
Normas de
ordem
pública
Instituídas no interesse público ou social para proteger as pessoas
e, por isso, não podem ser afastadas por convenção das partes. São
denominadas também de normas cogentes ou obrigatórias.
Normas de
ordem
privada
Embora prescrevam condutas, direitos ou faculdades, podem ser
afastadas por autonomia da vontade das partes por meio de um
acordo, por exemplo.
• 
• 
• 
• 
Classificação das normas constitucionais segundo a
natureza do comando
Normas
preceptivas
Estabelecem uma obrigação para um destinatário, ou seja, uma
ação positiva, um fazer. É o caso, por exemplo, da norma
constitucional que estabelece o voto como obrigatório.
Normas
proibitivas
Proíbem um comportamento, vedando determinada ação. É o que
acontece, por exemplo, no caso das normas que proíbem distinção
entre brasileiros.
Normas
permissivas
Estabelecem faculdade ou direito a alguém que terá a possibilidade
de exercê-lo, caso queira. É o caso, por exemplo, do voto
facultativo destinado às pessoas entre 16 e 18 anos.
Classificação das normas constitucionais segundo a
estrutura do enunciado normativo
Normas de
conduta
Destinam-se especificamente à regulação de comportamentos, a
maior parte das normas constitucionais. Estabelecem um texto
que tem por objetivo reger a conduta das pessoas como um fazer,
não fazer ou com uma faculdade.
Normas de
organização
Também chamadas de normas de estrutura, são aquelas que
estabelecem uma organização, como a instituição de
determinados órgãos ou a atribuição de competências específicas.
Eficácia e efetividade das normas
As normas constitucionais também são classificadas quanto à eficácia, especialmente com base na
classificação proposta por José Afonso da Silva (2012). Para o autor, ainda que todas as normas elencadas no
texto constitucional possuam um efeito jurídico mínimo, nem todas possuem a mesma eficácia. Vamos
entender como isso funciona.
 
Para o autor, as normas constitucionais podem ser classificadas em três tipos de eficácia:
 
Normas de eficácia plena;
Normas de eficácia contida;
Normas de eficácia limitada.
 
As normas de eficácia plena são aquelas que se aplicam de maneira imediata, direta e integral, pois não
dependem da criação de nenhuma norma que as regulamente ou resguarde. Um exemplo é a norma que
estabelece a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III).
1. 
2. 
3. 
 
As normas de eficácia contida são aquelas que, apesar de produzirem seus efeitos desde a promulgação da
Constituição, podem ter seus efeitos futuramente contidos por uma lei superveniente. Logo, é certo dizer que
o direito é imediatamente aplicável, mas pode sofrer restrições futuras.
 
Tais restrições podem ser impostas por lei (art. 5º, XIII), por outros regulamentos constitucionais (art. 139) ou
por conceitos ético-jurídicos (ex.: art. 5º, XXV – iminente perigo público é exposto como uma restrição
compulsória ao poder do Estado de convocar a propriedade do particular).
Exemplo
A liberdade profissional é prevista no art. 5º, XIII. Vejamos o caso da atividade de coaching: como não há
regulamentação no Direito brasileiro, qualquer pessoa pode ser coach. Contudo, só pode ser advogado
quem passa no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme exigência de lei. 
As normas de eficácia limitada são aquelas que não possuem eficácia plena inicial, dependendo da edição de
lei para sua aplicação prática. A norma constitucional estabelece que a produção de efeitos depende da
edição de um ato normativo. É o caso, por exemplo, do direito de greve dos servidores públicos, previsto no
art. 37, VII, com redação dada pela EC nº 19/98: “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
definidos em lei específica”.
 
Até os dias atuais, a lei prevista no dispositivo não foi editada, o que impediria a produção da sua totalidade
de efeitos.
 
Contudo, a Constituição prevê instrumentos para o caso de alguém ser prejudicado pela ausência de
regulamentação que inviabilize o exercício de um Direito constitucional estabelecido em norma de eficácia
limitada.
 
No plano individual/subjetivo, o indivíduo poderá ajuizar o remédio constitucional denominado de mandado de
injunção, conforme art. 5º, LXXI, da Constituição, regulado pela Lei nº 13.300/2016: “conceder-se-á mandado
de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e das
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (...)”.
Atenção
No caso do direito de greve dos servidores públicos, foi ajuizado mandado de injunção e o Supremo
Tribunal Federal (STF) entendeu que deve ser aplicada a Lei nº 7.783/89 (Lei de Greve dos empregados
privados) até ulterior regulação do assunto em lei própria. O julgamento ocorreu nos mandados de
injunção nº 670, 708 e 712, utilizando a teoria concretista geral (resolução em concreto do problema com
aplicação geral). 
No plano coletivo/objetivo, a Constituição também prevê a possibilidade de ajuizamento de uma ação de
controle de constitucionalidade diretamente do STF, denominada ação direta de inconstitucionalidade por
omissão (ADO), com base no art. 102, I, “a” e 103, § 2º. Nesse caso, no entanto, apenas os legitimados
constitucionalmente poderão propor a ADO.
 
Vale destacar que, embora as normas constitucionais de eficácia limitada não produzam a totalidade dos seus
efeitos enquanto reguladas, elas possuem dois efeitos mínimos, descritos a seguir.
Efeito revogador
Com a edição da norma constitucional de
eficácia limitada, ficam revogadas todas as
normas anteriores e contrárias ao seu texto.
Efeito inibidor
Não poderão ser editadas leis futuras retirando
o Direito constitucional que foi assegurado pela
norma constitucional de eficácia limitada, sob
pena de inconstitucionalidade.
Também é importante saber que, segundo a doutrina, a normatização da eficácia limitada se subdivide nas
normas descritas a seguir.
Normas definidoras de princípios institutivos
Criam estruturas, órgãos e entidades, que, para existir, dependem de lei (ex.: arts. 33, 88, 91, § 2º).
Normas definidoras de princípios programáticos
Estabelecem programas (ações) para o Estado, dependendo de lei para que tenham aplicação prática.
A Constituição apenas traça princípios que devem ser cumpridos pelos seus órgãos (arts. 3º, 7º, XX,
XXVII, 173, § 4º, 196, 205, 216, § 3º, 217).
Resumo da classificação José Afonso da Silva
(2012)
Eficácia
plena
A regra constitucional possui uma eficácia
originária, que independe de regulamentação e
não pode ser restringida.
Ex.: direito à dignidade da
pessoa humana (CF, art. 1º,
III).
Eficácia
contida
A eficácia da norma inicia totalmente (plena),
mas pode ser contida, com o passar do tempo,
pelo legislador ordinário.
Ex.: art. 5º, XIII, art. 139, art.
5º, XXV, CF/88.
Eficácia
limitada
A eficácia da norma inicia limitadamente, mas
pode ser ampliada com uma regulamentação
legal.
Ex.: art. 7º, IX, art. 18, § 4º,
art. 37, VII, X, art. 39, § 3º,
art. 40, § 4º, CF/88.
 
Atenção
O art. 5º, § 1º, da Constituição Federal, dispõe que as normas que estipulam sobre os direitos e as
garantias fundamentais possuem aplicação imediata, mas não se confunda: isso não significa dizer que
tais normas dispensam a atuação positiva do poder público. Todas as normas constitucionais possuem
efeito jurídico mínimo. 
A eficácia das normas constitucionais
Assista, a seguir, a uma exposição sobre a eficácia das normas constitucionais.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
As normas constitucionais, de acordo com José Afonso da Silva, podem ser classificadas
conforme a sua eficácia. Considerando a classificação proposta pelo referido autor, assinale a
alternativa correta.
A Normas de eficácia plenasão aquelas que possuem eficácia imediata e direta, mas nada impede a
restrição de sua eficácia, desde que por leis ou atos normativos posteriores.
B
Normas de eficácia limitada são aquelas que iniciam sem eficácia imediata (embora tenham efeitos
mínimos), dependendo de regulação por meio de lei para produzir a totalidade dos seus efeitos, e
objetivam estabelecer princípios programáticos ou institutivos.
C As normas de eficácia limitada não produzem qualquer efeito até o advento da sua regulamentação
por meio de lei.
D A lei que regulamenta uma norma constitucional de eficácia contida amplia seus efeitos.
A alternativa B está correta.
As normas de eficácia limitada dependem de lei para produzir a totalidade dos seus efeitos, embora já
produzam efeitos mínimos no início (revogador e inibidor). Podem ser subdivididas, segundo a doutrina, de
acordo com o objetivo de estabelecer princípios programáticos (ex.: programas sociais) ou institutivos (ex.:
criação de órgãos).
Questão 2
O STF já analisou algumas normas constitucionais de eficácia limitada em casos concretos e
utilizou parâmetros doutrinários para decidir. Entre os aspectos jurisprudenciais e doutrinários
que envolvem as normas de eficácia limitada, assinale a alternativa correta:
A
De acordo com a Constituição, a ausência de norma regulamentadora que inviabilize a aplicação de uma
norma constitucional de eficácia limitada permite o ajuizamento do remédio constitucional denominado
mandado de injunção.
B
De acordo com a Constituição, a ausência de norma regulamentadora que inviabilize a aplicação de uma
norma constitucional de eficácia limitada permite o ajuizamento do remédio constitucional denominado
mandado de segurança.
C
Atualmente, o STF entende que o Poder Judiciário nada pode fazer diante de uma norma constitucional de
eficácia limitada que não possui regulamentação, já que é necessário observar o princípio da separação
de poderes.
DSegundo a doutrina, as normas constitucionais de eficácia limitada apenas produzem o efeito inicial
denominado efeito revogador, não podendo inibir normas legais futuras contrárias ao seu texto.
A alternativa A está correta.
A resposta correta está na letra A. O mandado de injunção é o remédio constitucional cabível contra a
omissão normativa que inviabiliza a aplicação de uma norma de eficácia limitada,
conforme art. 5º, LXXI, da Constituição.
3. Os critérios de destaque da interpretação constitucional e seus princípios
Interpretação jurídica e constitucional
A interpretação jurídica é estudada no âmbito da hermenêutica. Como a compreensão sobre normas jurídicas
não pode ser feita ao arbítrio de qualquer pessoa, existem princípios e métodos a serem seguidos, o que se
estuda desde o início no direito.
 
Apesar dos conhecimentos gerais acerca da interpretação no Direito, os autores apontam para a necessidade
de identificação de princípios e métodos próprios de interpretação no Direito constitucional, dada a natureza
das normas jurídicas constitucionais.
 
Nesse sentido, destaca Inocêncio Mártires Coelho:
Segundo a maioria dos doutrinadores, a diferença específica entre Lei e Constituição – da qual resultaria,
por via de consequência, também a diferença entre as respectivas interpretações –, residiria na peculiar
estrutura normativo-material das cartas políticas, mais precisamente a da sua parte dogmática, em que
se compendiam os chamados direitos fundamentais.
(Mártires Coelho, 2011, p. 113)
As normas constitucionais possuem um texto mais aberto do que as normas constantes de leis em geral,
exatamente pelo seu caráter de norma fundamental do ordenamento jurídico. Assim, a doutrina se propõe a
estabelecer diretrizes próprias para sua interpretação, além das diretrizes gerais do Direito.
Princípios e métodos de interpretação da Constituição
O ponto fundamental desse tópico é conhecer os princípios e métodos utilizados na interpretação
constitucional. Os princípios são diretrizes que o intérprete pode se valer para decidir o sentido a dar à norma,
enquanto o método é o caminho para se chegar à conclusão.
Princípios de interpretação constitucional
A interpretação constitucional é orientada por princípios que devem ser levados em consideração no momento
da atribuição de significado pelo intérprete.
 
A doutrina indica a existência de alguns princípios que são compilados a seguir.
Princípio da supremacia da Constituição
Estabelece que, por ser a Constituição o ápice da pirâmide de hierarquia normativa, todas as outras normas
devem obediência a ela para serem consideradas válidas. Assim, o intérprete deverá levar em consideração
sempre o status hierárquico das normas constitucionais.
A supremacia da Constituição é fundamentada na
declaração de inconstitucionalidade de leis ou
atos normativos incompatíveis com o seu teor.
Vale destacar que o termo “Constituição”, nesse
sentido, deve ser interpretado como “normas
constitucionais”, que são integrantes do bloco de
constitucionalidade, no modelo visto
anteriormente.
 Assim, ao interpretar
as normas
constitucionais, o
intérprete deverá
considerar o sentido
que assegura a
supremacia
hierárquica indicada
no gráfico.
Princípio da interpretação conforme a Constituição
Esse princípio orienta que a aplicação das normas infraconstitucionais deve observar e seguir sempre uma
interpretação compatível com o texto constitucional.
 
A interpretação conforme a Constituição é bastante utilizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em seus
julgados para atribuir às leis e aos atos normativos o sentido compatível com as normas constitucionais.
Exemplo
O julgado da medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.341 do STF é um
exemplo de utilização da técnica de interpretação conforme a Constituição. No caso, analisava-se a
constitucionalidade da Medida Provisória (MP) nº 926/2020, convertida na Lei Federal nº 14.035/2020,
que alterou a Lei nº 13.979/2020, com regras sobre o poder de polícia em matéria sanitária,
considerando a pandemia do coronavírus. O STF conferiu interpretação conforme a Constituição, ao ato
normativo analisado, utilizando como base o art. 23, II, para acatar que a lei federal deve ser entendida
no sentido de que os estados e municípios também possuem competência para fixação de regras
sanitárias a fim de proteger a saúde pública.Assim, com base no princípio da interpretação conforme a
Constituição, o STF atribuiu o sentido compatível com o texto constitucional, a ser observado por todos
com efeitos erga omnes e vinculante. 
Princípio da presunção de constitucionalidade das leis
Esse princípio pressupõe que todas as leis vigentes sejam constitucionais, admitindo, porém, prova em
contrário (presunção relativa, denominada de juris tantum).
 
Por meio desse princípio, o intérprete deve considerar que as leis editadas contam com uma presunção de
compatibilidade com as normas constitucionais, até impugnação pelos meios apropriados.
 
Por isso, a própria Constituição prevê mecanismos de impugnação, como a ADI. Assim, por mais que uma lei
seja absurda em seu teor, ela será considerada presumidamente constitucional até que haja impugnação.
 
Tal princípio, contudo, não é absoluto. O Poder Judiciário poderá declarar a inconstitucionalidade de leis ou
atos normativos, com efeitos retroativos (ex tunc), em virtude da nulidade. Há, no entanto, a possibilidade de
modulação de efeitos com base no art. 27 da Lei nº 9.868/99.
Princípio da unidade da Constituição
Esse princípio destaca que a norma constitucional deve ser compreendida como um todo unitário, harmônico,
sistematizado e ordenado, sem antinomias. Em eventual conflito entre normas constitucionais originárias,
deve-se utilizar a técnica de ponderação e encontrar a solução mais adequada de acordo com a
proporcionalidade e razoabilidade.
 
O referido princípio orienta o intérprete a buscar sempre a compatibilização entre os preceitos do próprio
texto constitucional, levando em consideração o seu todo. Assim, a interpretação constitucional não deve
acontecerpor partes, com o olhar isolado sobre um artigo.
Princípio da concordância prática ou harmonização
Esse princípio está intimamente ligado ao da unidade da Constituição e estabelece que o intérprete deverá
tentar harmonizar os bens constitucionalmente protegidos, buscando, ao máximo, conciliar a garantia de
todos e evitar a negação de alguma garantia do texto constitucional.
 
Assim, em caso de conflito entre bens constitucionalmente protegidos (exemplo: direito à vida e liberdade
religiosa), o intérprete deve buscar uma harmonização ou concordância prática da solução a ser empreendida
no caso concreto.
Princípio da força normativa
Esse princípio orienta o intérprete a dar primazia à interpretação que confira concretude à norma
constitucional, atualizando e garantindo eficácia e permanência da Constituição.
 
Mesmo em situações nas quais o texto constitucional possua uma linguagem aberta, deve o intérprete
resolver os casos com base nas normas constitucionais, atribuindo-lhe força normativa.
 
Esse princípio tem relação direta com a ideia de neoconstitucionalismo, na medida em que a Constituição
passa a ser o centro do ordenamento jurídico e o intérprete possui o dever de lhe conferir força normativa na
análise dos casos concretos.
Princípio da máxima efetividade ou eficiência
Ligado também ao princípio da força normativa, estabelece a orientação ao intérprete de buscar sempre
extrair a maior aplicabilidade das normas constitucionais, sem modificação do seu teor. Nesse sentido, entre
as interpretações possíveis, deve o intérprete optar pela que confira máxima efetividade na aplicação prática
da norma constitucional.
Princípio do efeito integrador ou da eficácia integradora
Orienta o intérprete a escolher, entre possíveis interpretações, aquela que promova a integração social e a 
unidade política, visando garantir uma coesão do sistema.
 
Nesse sentido, deve o intérprete considerar os contextos social e político para encontrar uma solução que
seja adequada não apenas do ponto de vista individual/subjetivo, mas também do ponto de vista mais amplo.
Princípio da conformidade funcional ou da justeza
Tal princípio prevê que a interpretação deve resguardar a estrutura organizacional do Estado, de acordo com
as atribuições dos poderes estabelecidas constitucionalmente (separação de poderes).
 
Orienta, além disso, o intérprete a evitar interpretações que ensejem violação às competências estabelecidas
constitucionalmente para cada poder, tendo em vista o princípio da separação de poderes previsto no art. 2º
da Constituição: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário”.
 
O referido princípio se relaciona com o contexto atual, especialmente com a discussão acerca do “ativismo
judicial”, com a seguinte dúvida: qual o limite de atuação do Poder Judiciário? O debate, que não é pacífico,
toma como base o princípio da separação de poderes, e o intérprete deve buscar a conformidade funcional ou
a justeza de sua conclusão.
Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade
Muito utilizados pelo STF e demais órgãos do Poder Judiciário, a proporcionalidade e razoabilidade são
princípios extraídos do devido processo legal (art. 5º, LIV), que pode ser dividido em formal (cumprimento de
normas processuais) e material (exigência de uma decisão justa, razoável e proporcional).
 
Embora haja alto grau de vagueza nessas expressões do devido processo legal material, tem-se a divisão para
alcançar sua aplicação em três diretrizes que devem ser observadas pelo intérprete, como se descreve a
seguir.
Adequação
A medida deve ser adequada à finalidade pretendida.
Necessidade
A medida deve ser a menos gravosa possível.
Proporcionalidade em sentido estrito
Os custos da medida devem ser menores que seus benefícios.
A ideia de proporcionalidade e razoabilidade confere uma maior justiça à decisão proferida na análise de
casos concretos pelo poder público. Assim, por exemplo, se para cumprimento de uma política pública houver
vários meios igualmente eficientes, o administrador público deve buscar aquele que seja o menos gravoso
possível.
Os princípios da constitucionalidade e da razoabilidade
Assista, a seguir, a uma exposição sobre os princípios da constitucionalidade e da razoabilidade.
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Métodos de interpretação constitucional
Além dos princípios, a interpretação constitucional também se vale de métodos específicos para chegar à
conclusão nos casos concretos.
Método jurídico ou hermenêutico clássico
Normalmente atribuído a Savigny (1779-1861), o método envolve a utilização de técnicas tradicionais
da teoria geral do Direito e da hermenêutica para leis em geral, como o método lógico, histórico,
teleológico etc.
Método tópico-problemático
O ponto de partida desse método, desenvolvido por Theodor Viehweg (1907-1988), são os problemas
que nascem do caso concreto e que devem ser objeto de diálogo pelo intérprete até encontrar a
solução mais adequada entre as possíveis.
Aqui, o intérprete deve partir do problema para, com o método da tópica, identificar as soluções
possíveis e escolher aquela adequada ao caso.
Método hermenêutico-concretizador
No método desenvolvido por Konrad Hesse (2002), considera-se que o intérprete tenha
preconcepções e, por isso, é preciso partir da Constituição para o caso concreto, limitando a
liberdade do intérprete a partir da norma. A norma serve de parâmetro para que o intérprete possa
escolher a opção mais adequada.
Método científico-espiritual
Esse método, idealizado por Rudolf Smend (1882-1975), é o mais difícil de se conceituar, pois não há
clareza na doutrina e jurisprudência.
Basicamente, o intérprete deve levar em consideração o contexto científico e espiritual vivenciado
pela sociedade no momento da interpretação. Assim, a interpretação não deve ser fria, mas sempre
considerar o contexto.
Método normativo-estruturante
De acordo com o método desenvolvido por Friedrich Müller, o intérprete deve considerar a
estruturação da norma para viabilizar sua aplicação prática.
Método de comparação constitucional
Refere-se à comparação entre ordenamentos jurídicos constitucionais de países diferentes, que
também pode ser utilizada como método de interpretação constitucional.
Atenção
Além de conhecer os princípios aplicáveis à interpretação constitucional, um ponto muito importante diz
respeito à concepção de mutação constitucional, que se trata de uma técnica relacionada à
interpretação. A mutação constitucional é um procedimento informal de mudança do sentido de
disposições da Constituição, também chamada de poder constituinte difuso. 
O texto continuará o mesmo e o que irá acontecer é uma mudança na sua interpretação, ou seja, com
evolução de sentidos. O texto passará a ser interpretado conforme a realidade atual em que ele está inserido.
 
A mutação constitucional surge como fruto da dinâmica social, das construções judiciais etc. É uma mudança
de sentido, lenta e gradual. Não há declaração de inconstitucionalidade, mas apenas mudança de
interpretação.
Exemplo
A interpretação originária do art. 226, § 3º, da Constituição, por exemplo, era de que o casamento só
poderia ocorrer mediante conjunção do homem e da mulher. Mediante mutação constitucional, passou-
se a entender que o dispositivo constitucional permite também a união homoafetiva. 
Verificando o aprendizado
Questão 1
A interpretação constitucional possui peculiaridades próprias, o que fez com que a doutrina
elaborasse um conjunto de princípios e métodos próprios de interpretação. Sobre o assunto,
assinale a alternativa correta.
A O princípio da força normativa orienta o intérprete a aplicar a Constituição aos casos concretos, exceto
quando o texto constitucional for vago.
B Para fins de termos técnicos, princípios e métodos de interpretação se equivalem.
C O princípio da conformidade funcional ou da justeza orienta o intérprete a observar, na atribuição de
sentido, a interpretaçãoque não viole a separação de poderes.
D Proporcionalidade e razoabilidade, embora sejam regularmente mencionados pelo STF em seus julgados,
não são considerados princípios de interpretação constitucional.
A alternativa C está correta.
O princípio da conformidade funcional ou da justeza se relaciona diretamente com o princípio da separação
de poderes do art. 2º da Constituição Federal, e tem por objetivo evitar que o intérprete atribua significado
com violação das competências conferidas constitucionalmente.
Questão 2
Além dos princípios de interpretação, os métodos são utilizados pelo intérprete para se tentar
chegar a uma solução em cada caso. No Direito constitucional, a doutrina elenca alguns
métodos de interpretação. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
A O método científico-espiritual estabelece a diretriz ao intérprete de levar em consideração o contexto
científico e espiritual vivenciado pela sociedade no momento da interpretação.
B A mutação constitucional é considerada um método de interpretação constitucional pela doutrina.
CEmbora a comparação entre normas constitucionais seja uma técnica utilizada pelo STF e pelos demais
órgãos do Poder Judiciário em seus fundamentos, não se trata de um método de interpretação.
DA evolução do Direito constitucional revolucionou os métodos de interpretação, não se admitindo mais a
utilização do método jurídico ou hermenêutico clássico em face das normas constitucionais.
A alternativa A está correta.
Apesar da sua dificuldade conceitual, o método científico-espiritual se relaciona com o contexto, tal como
proposto na alternativa. O intérprete deve considerar o que o momento científico e espiritual da sociedade
vivencia em sua decisão.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste tema, aprendemos sobre a teoria geral da Constituição em seus variados aspectos. Apresentamos o
conceito do Direito constitucional e suas relações com diversos ramos do Direito, assim como estudamos o
conceito do neoconstitucionalismo. O Constitucionalismo passa por um fenômeno que engloba diversos
aspectos, como a ascensão da força normativa dos princípios e a necessidade de filtragem das demais
normas do ordenamento jurídico pela Constituição.
 
Conhecemos também as diferentes classificações das normas constitucionais, valendo destacar a que as
divide com base no critério da eficácia: todas as normas constitucionais possuem alguma eficácia, ainda que
limitada. Assim, têm-se as normas constitucionais de eficácia plena, contida e limitada.
 
Por fim, estudamos a interpretação constitucional e seus princípios, que a tornam singular em relação à
interpretação jurídica em geral. Entre tais princípios, cabe destacar o da supremacia da Constituição, pelo qual
todas as normas do ordenamento devem respeitar a Constituição, que está no topo da pirâmide de normas
jurídicas; e o da interpretação conforme a Constituição, segundo o qual deve-se buscar, sempre que possível,
a interpretação da norma que possa salvar sua constitucionalidade.
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constitucional no artigo publicado na revista FGV pelo referido professor.
 
Assista ao documentário acerca de José Afonso da Silva, autor que deu origem à classificação das normas
constitucionais quanto à eficácia e é considerado renomado jurista constitucional, disponível no canal da OAB
no YouTube.
Referências
BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito constitucional contemporâneo: os conceitos fundamentais e a
construção do novo modelo. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
 
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito constitucional. 27. ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2011.
 
COELHO, Inocêncio Mártires. Interpretação constitucional. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
 
HÄBERLE, Peter. Hermenêutica constitucional – a sociedade aberta dos intérpretes da constituição:
contribuição para a interpretação pluralista e “procedimental” da constituição. Trad. Gilmar Ferreira Mendes.
Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2002.
 
HESSE, Konrad. A força normativa da constituição. Trad. Gilmar Ferreira Mendes. Porto Alegre: Sergio Antonio
Fabris Editor, 1991.
 
SILVA, José Afonso. Aplicabilidade das normas constitucionais. 8. ed. São Paulo: Malheiros, 2012.
	Teoria geral da constituição
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	Conteúdo interativo
	1. Os principais conceitos sobre a Constituição
	Conceito de Direito constitucional e suas relações com outros ramos do Direito
	Atenção
	Objetos de estudo do Direito constitucional
	Direito administrativo
	Direito tributário
	Direito civil
	Direito processual civil
	Direito penal
	Direito processual penal
	Direito do trabalho
	Direito processual do trabalho
	Direito internacional
	Direito previdenciário
	Direito ambiental
	Constitucionalismo e neoconstitucionalismo
	Constitucionalismo
	Fases do Constitucionalismo
	Neoconstitucionalismo
	Marcos do neoconstitucionalismo
	Neoconstitucionalismo
	Conteúdo interativo
	Conceito e origem da Constituição
	Do ponto de vista político
	Do ponto de vista jurídico
	Atenção
	Atenção
	Concepções sobre a Constituição
	Sentido sociológico (Ferdinand Lassalle)
	Sentido político (Carl Schmitt)
	Atenção
	Sentido jurídico (Hans Kelsen)
	Sentido culturalista (J. H. Meirelles)
	Espécies de Constituição
	Espécies de Constituição segundo a origem
	Espécies de Constituição segundo a alterabilidade (mutabilidade, estabilidade ou consistência)
	Espécies de Constituição segundo o conteúdo
	Espécies de Constituição segundo a extensão
	Espécies de Constituição segundo a forma
	Espécies de Constituição segundo a maneira de criação
	Espécies de Constituição segundo a sistemática
	Espécies de Constituição segundo a dogmática
	Espécies de Constituição segundo a representação da realidade ou a conformidade da realidade
	Espécies de Constituição segundo o sistema
	Espécies de Constituição segundo a função
	Espécies de Constituição segundo o início de sua promulgação
	Constituição garantia
	Constituição balanço
	Constituição dirigente/compromissória
	Supremacia da Constituição
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	Um dos tópicos vistos envolve a classificação das Constituições de acordo com critérios específicos elencados pela doutrina. A Constituição brasileira, nesse sentido, é considerada uma Constituição:
	O conceito de Constituição passa por múltiplas concepções trazidas por autores diferentes. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
	2. Categorias de normas constitucionais
	Espécies de normas constitucionais
	Atenção
	Classificações das normas
	Classificação das normas constitucionais segundo a hierarquia
	Classificação das normas constitucionais segundo a imperatividade
	Classificação das normas constitucionais segundo a natureza do comando
	Classificação das normas constitucionais segundo a estrutura do enunciado normativo
	Eficácia e efetividade das normas
	Exemplo
	Atenção
	Efeito revogador
	Efeito inibidor
	Normas definidoras de princípios institutivos
	Normas definidoras de princípios programáticos
	Resumo da classificação José Afonso da Silva (2012)
	Atenção
	A eficácia das normas constitucionais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	As normas constitucionais, de acordo com José Afonso da Silva, podem ser classificadas conforme a sua eficácia. Considerando a classificação proposta pelo referido autor, assinale a alternativa correta.
	O STF já analisou algumas normas constitucionais de eficácia limitada em casos concretos e utilizou parâmetros doutrinários para decidir. Entre os aspectos jurisprudenciais e doutrinários que envolvem as normas de eficácia limitada, assinale a alternativa correta:
	3. Os critérios de destaque da interpretação constitucional e seus princípios
	Interpretação jurídica e constitucional
	Princípios e métodos de interpretação da ConstituiçãoPrincípios de interpretação constitucional
	Princípio da supremacia da Constituição
	Princípio da interpretação conforme a Constituição
	Exemplo
	Princípio da presunção de constitucionalidade das leis
	Princípio da unidade da Constituição
	Princípio da concordância prática ou harmonização
	Princípio da força normativa
	Princípio da máxima efetividade ou eficiência
	Princípio do efeito integrador ou da eficácia integradora
	Princípio da conformidade funcional ou da justeza
	Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade
	Adequação
	Necessidade
	Proporcionalidade em sentido estrito
	Os princípios da constitucionalidade e da razoabilidade
	Conteúdo interativo
	Métodos de interpretação constitucional
	Método jurídico ou hermenêutico clássico
	Método tópico-problemático
	Método hermenêutico-concretizador
	Método científico-espiritual
	Método normativo-estruturante
	Método de comparação constitucional
	Atenção
	Exemplo
	Verificando o aprendizado
	A interpretação constitucional possui peculiaridades próprias, o que fez com que a doutrina elaborasse um conjunto de princípios e métodos próprios de interpretação. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
	Além dos princípios de interpretação, os métodos são utilizados pelo intérprete para se tentar chegar a uma solução em cada caso. No Direito constitucional, a doutrina elenca alguns métodos de interpretação. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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