Prévia do material em texto
Ana Katharina Sales Mendonça Clínica de equídeos Síndrome de cólica equina 1. Introdução ● Cólica: grupo de desordens manifestadas por sinais clínicos de dor abdominal ● Origem pode ser espasmos, distensão, obstrução e inflamação ● Fatores de risco: restrição do acesso ao pasto, pouca ingestão de volumosos, mudanças alimentares, feno (baixa qualidade), alta ingestão de concentrados, diminuição da ingestão de água, má mastigação, transportes (viagens), vermifugação inadequada, uso inadequado de medicações, exercícios extenuantes, más condições de estabulagem, idade, sexo e raça ● Comportamentos sugestivos de dor abdominal: levantar o lábio superior, brincar com a água e não beber, expor frequentemente o pênis, taquicardia e taquipneia ○ Além de tenesmo: muco nas fezes ● Se o refluxo for alcalino (pH > 7) é do intestino para o estômago, caso seja ácido, é o próprio líquido estomacal ● Fatores predisponentes da cólica: impossibilidade de vomitar, posição não fixa do cólon esquerdo, mesentério do intestino delgado muito longo, movimento retrógrado de ingesta, estreitamento do lúmen na flexura pélvica, o ceco ser um saco cego e a inserção do cólon dorsal direito no estreito cólon menor ● Auscultação do abdômen: ○ Ceco e cólon: 0 ausente, 1 hipomotilidade, 2 normal e 3 hipermotilidade ● Palpação retal pode auxiliar no diagnóstico da cólica, assim como a abdominocentese ○ Abdominocentese : punção abdominal usada para coletar e analisar o fluxo peritoneal em cavalos, auxiliando no diagnóstico e tratamento, já que analisa a cor e aspecto do líquido (avermelhado e turvo indica inflamação, infecção e sangramento, por exemplo), presença de células, níveis de proteína e glicose e presença de bactérias Ana Katharina Sales Mendonça 2. Duodenojejunite proximal ● Causada por Salmonella, Clostridium, Micotoxinas, mudanças alimentares, excesso de grãos ou isquemia devido ao uso prolongado ou incorreto de AINES. Pode ser secundária a enterite anterior também ● Sinais inespecíficos: ● Alterações anatomopatológicas: ○ Mecanismos de transporte de água e eletrólitos causam hipersecreção, reduzindo a absorção e aumentando a permeabilidade ○ Acúmulo de líquido com distensão do segmento proximal do TGI e distensão gástrica secundária ○ Dor e redução da motilidade ○ Desenvolvimento de um quadro de desidratação com azotemia, acidose metabólica, choque hipovolêmico e complicações com endotoxinas ○ Além disso, aumento da ureia e creatinina, aumento de proteína e líquido peritoneal, leucopenia e taquicardia (colapso circulatório) ● Patologia clínico: aumento de hematócrito e PPT, leucopenia e neutropenia e aumento de líquido peritoneal (peritonite) ● Tratamento: analgésicos, descompressão, antibacterianos, hidratação por via intravenosa, pró-cinéticos (ex: Metoclopramida 01 mg/kg) ○ Animais devem permanecer em jejum hídrico-alimentar até a melhora do quadro ○ Cálcio intravenoso é indicado a equinos com baixa motilidade 3. Compactação do intestino grosso ● Uma das causas mais comuns de cólica ● O segmento mais afetado é o cólon maior, seguido pela flexura pélvica Ana Katharina Sales Mendonça ● Etiopatogenia: dietas ricas em carboidratos e fibras, feno de baixa qualidade, volumoso em forma triturada, grandes volumes de concentrados, restrição de exercícios, diminuição da ingesta de água, alterações odontológicas, idade avançada, corpo estranho, parasitismo, enterólitos, formamidina ou outros alfa-2 agonistas ● Tratamento tem como objetivo controlar a dor, promover a hidratação e volemia adequada ao paciente, hidratar a compactação intestinal para facilitar sua passagem pelo lúmen do intestino grosso, reduzir espasmos e timpanismo das alças e estimular a motilidade ○ Para o controle da dor: Meloxicam (AINE): 0,6 mg/kg ○ Uso de laxativos: óleo mineral (lubrificante): 5 a 10 mL/kg ou enema retal ○ Hidratação enteral (via mais fisiologicamente segura para se administrar fluídos, já que a mucosa gastrointestinal atua como uma barreira seletiva natural para absorção de água e eletrólitos). Os critérios são: fossa nasal, faringe, esôfago e trato patentes, tem que haver motilidade intestinal e animal em estação ○ Volume infundido na hidratação enteral em bolus: 4 a 6 L de 4 em 4 horas em adultos; em potros e pôneis, 1 a 2 L de 2 em 2 horas 4. Timpanismo cecal ● A causa pode ser primária: rápida produção de gases ○ Dieta com grãos, mudança súbita do pasto, capim em crescimento e capim úmido ● Ou secundária pela obstrução do cólon maior ou menor Ana Katharina Sales Mendonça ○ Causada por compactação ou obstruções ● Na fossa paralombar direita, é feita a auscultação e percussão digital, e se forem detectados ruídos hiper-ressonantes, aponta possível diagnóstico de timpanismo ● Tratamento: ○ Analgésicos AINES ○ Descompressão do ceco ○ Ruminol: 100 mL diluído em água morna ○ Sedacol: 100 a 200 mL, repetir após 12 horas ou conforme necessidade e recomendação médica