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Pigmentações Patológicas

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Pigmentações Patológicas
Pigmentações Patológicas
A coloração em alguns tecidos é normal, como a coloração da íris, mas existem lesões que possuem uma alteração de cor a elas associadas, sendo então uma coloração anormal, ou seja é um componente de uma doença específica.
Origem dos Pigmentos
A origem dos pigmentos podem ser de duas maneiras:
Endógenos: quando produzidas dentro do organismo por ação de atividade metabólica
Exógenos: esta possui origem externa, chegando ao organismo por meio de inalação, ingestão, injeção ou tatuagens.
Obs:. No caso da inalação destacamos a antracose no pulmão dos fumantes passivos e ativos. Quando falamos em tatuagens, temos de lembrar que estas servem para identificação do animal, e por fim, os pigmentos nas injeções são utilizados na monitoração de vacinação nas aves (se estão sendo vacinadas e se está sendo feita no local correto).
Pigmentações Exógenas
São geralmente causadas por inalação de poeiras minerais ou orgânicas e ficam visíveis no trato respiratório e nos linfonodos. Estas pigmentações patológicas pulmonares são chamadas de pneumoconioses. A ocorrência pode ou não levar a um processo patológico, isso vai depender da concentração que foi inalada, da natureza química, do tamanho e forma das partículas, e por fim, pelo tempo de exposição que o animal foi submetido àquela situação.
Alguns tipos de pneumoconioses:
silicose: quando há deposição de sílica nos pulmões
siderose: deposição de ferro nos pulmões
antracose: deposição de carvão, no caso de muita poluição ou fumantes passivos e ativos
berilose: deposição de berilo
baritose: deposição de bário
calcinose: deposição de mármore
Estes compostos quando inalados alteram a cor do pulmão, podem induzir lesões crônicas destrutivas do tecido pulmonar, levando a uma insuficiência respiratória. Estas substâncias lesam ou matam os macrófagos durante a fagocitose, isso leva a um possível quadro de fibrose.
Iremos falar da antracose e da silicose de forma mais detalhada agora..
Antracose
é um processo resultante da inalação de partículas de carvão, que ocorrem em animais submetidos a cidades poluídas, locais próximos a carvoarias e estações ferroviárias. Os tecidos apresentam coloração negra. Em casos iniciais pode-se perceber tecidos salpicados, e em casos mais evoluídos temos todo tecido enegrecido.
Está localizado entre as células ou em seu interior, podendo estar:
Pulmão: nas paredes alveolares, nos septos ou nos macrófagos, sendo chamado de pulmão de mineiro ou doença do pulmão negro
Linfonodos: entre as células linfoides e nos macrófagos
Aspecto Macroscópico: vemos áreas enegrecidas em pulmões e em linfonodos adjacentes
Aspecto Microscópico: podemos observar pequenos grânulos negros entre as células ou em seu citoplasma (nos macrófagos).
Silicose
A deposição de silicose é comum em locais desérticos e onde há quebra de pedras. Os animais que vivem nestas regiões podem apresentar macrófagos peribronquiolares contendo esses cristais.
O problema neste caso são os danos indiretos causados, pois após a fagocitose pelos macrófagos alveolares, os cristais promovem danos aos lisossomos, onde pode ocorrer o extravasamento dessas enzimas líticas para o tecido. Isso ocorre porque a sílica não pode ser degradada, provocando então uma destruição contínua de macrófagos, podendo desencadear uma reação granulomatosa, que frequentemente possui o centro necrótico.
Pode haver a formação de um tecido colagenose, causando a fibrose pulmonar. Quanto mais fibrose, menor é a expansão pulmonar, gerando dificuldades extremas na respiração.
Macroscopicamente podemos ver lesões arredondadas, um pulmão firme, rígido.
Microscopicamente temos lesões com o centro necrótico e na periferia células gigantes multinucleadas.
A silicose começa com um caso de inflamação aguda, tendo muitas chances de se transformar em crônica pela dificuldade de destruição deste cristais.
Pigmentações Endógenas
Os pigmentos endógenos são divididos em grupos relacionados com a melanina, derivados das hemoglobinas e porfirinas.
Melanina
É um pigmento normal, acastanhado, que confere cor a íris, pele, cabelo, pelos e mucosa oral.
Possui origem nos melanócitos, e sua função é de proteger os organismos da radiação solar e capturar radicais livres. A pele quando fica exposta a radiações solares produz radicais livres, e acredita-se que a melanina os capture. Existem deposições da melanina em diferentes locais dependendo das espécies. As lesões associadas a melanina ocorrem quando este pigmento é encontrado em locais ou em quantidades anormais para determinada espécie.
O excesso de melanina
 Melanose: é a presença de melanina em locais atípicos, podendo ser de ectopia congênita (já apresentam ao nascer melanina nos pulmões, coração ou aorta, por exemplo). Quando achado acidentalmente em animais de abate, temos a condenação pela aparência, pois não faz mal algum de fato. Observa-se áreas marrons e irregulares, na superfície e no parênquima. Lembrando que somente a textura fica alterada, pois as funções continuam normais. Microscopicamente podemos perceber melanócitos e fibroblastos.
Melanomas: O tumor de melanoblastos e melanócitos são comuns e denominados melanomas. Podem ser malignos ou benignos, e ocorrem em muitas tecidos, mas normalmente originam -se em locais com grande número de células. Frequentemente são encontradas na pele dos suínos, cães e bovinos, na boca e olhos dos cães e no ânus dos equinos.
A falta de melanina
Albinismo: A ausência completa da melanina é um defeito congênito e o indivíduo é chamado de albino. Os melanócitos não sintetizam ou sintetizam pouco tirosinase. A exposição solar é muito perigosa pois os indivíduos são muito sensíveis a radiação e há mais chances de desenvolverem doenças pela exposição, como o câncer.
Acromias Cicatriciais: O tecido cicatricial não consegue formar a melanina e há deposição de colágeno, por isso as cicatrizes são mais pálidas. A importância neste caso é estética.
Leucotriquias: Está presente em animais velhos, expostos a radiação. O aparecimento dos pelos brancos ocorre devido a idade e pela exposição a radiação. A deficiência em cobre interfere na produção de melanina. 
Derivados da Hemoglobina
A hemoglobina possui função de transportar o oxigênio, fazendo a distribuição dele por todos os tecidos. A hemácia e a hemoglobina possuem tempo de vida pré determinado, porém o organismo reaproveita uma parte da hemoglobina e descarta seus derivados.
Quando ocorre a ruptura das hemácias temos a liberação da hemoglobina, ocorrendo uma intensa metabolização. Em casos de embebição post mortem, quando o animal morre a parte em decúbito fica mais vermelha, pois as hemácias se depositam nas áreas mais baixas.
Temos os seguintes derivados da hemoglobina:
Hemossiderina: 
É um pigmento marrom, formado pela hemólise excessiva de ferro, que pode causar uma anemia infeccional em equinos, distúrbios circulatórios e hemorragias. A hemossiderina está presente em pouca quantidade no organismo e serve como proteção, dificultando o uso do ferro pelos microrganismos, portanto  que causa a hemossiderose  é o seu acúmulo. Ela se deposita em baço, fígado, medula óssea, rins e pulmão. E cora-se pelo azul de Prússia.
Aspecto microscópico observa-se uma coloração marrom dourada ou amarelo pálido, estando no interior dos macrófagos ou no tecido em geral, e macroscopicamente podemos ter um acúmulo discreto que passa desapercebido e um acúmulo maior que vai conferir uma tonalidade marrom ao tecido e um leve aumento de tamanho.
Importância Clínica: é indicativo de alguma disfunção no organismo, por exemplo: anemias hemolíticas, podendo ter relação com outras doenças, como hemorragias e anemia. Esta não provoca danos, é uma consequência de um dano anterior.
Hematina: 
É um pigmento formado quando temos a ação de substâncias ácidas ou básicas sobre a hemoglobina, e normalmente se forma após a morte do animal. Diferente da hemossiderose, formam-se