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Saúde Reprodutiva PLANEJAMENTO FAMILIAR PROFª JÉSSICA ANGELO SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA Entre os marcos referenciais internacionais que definem os direitos sexuais e os direitos reprodutivos, destacam-se duas conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) Direitos Reprodutivos O direito das pessoas decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas; O direito de acesso a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos; O direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência. Direitos Sexuais O direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e imposições, e com total respeito pelo corpo do(a) parceiro(a); O direito de escolher o(a) parceiro(a) sexual; O direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças; O direito de viver a sexualidade, independentemente de estado civil, idade ou condição física; O direito de escolher se quer ou não quer ter relação sexual; A sexualidade diz respeito a um conjunto de características humanas que se traduz nas diferentes formas de expressar a energia vital, chamada por Freud de libido, que quer dizer energia pela qual se manifesta a capacidade de se ligar às pessoas, ao prazer/desprazer, aos desejos, às necessidades, à vida. A sexualidade se expressa no estilo de vida que adotamos, no modo como se demonstram os afetos, na percepção erotizada dos estímulos sensoriais e também nos papéis de gênero. A sexualidade envolve, além do corpo, os sentimentos, a história de vida, os costumes, as relações afetivas e a cultura. Portanto, é uma dimensão fundamental de todas as etapas da vida de homens e mulheres, presente desde o nascimento até a morte, e abarca aspectos físicos, psicoemocionais e socioculturais. DISFUNÇÕES SEXUAIS As disfunções sexuais são problemas que ocorrem em uma ou mais das fases do ciclo de resposta sexual, por falta, excesso, desconforto e/ou dor na expressão e no desenvolvimento dessas fases, manifestando-se de forma persistente ou recorrente; O diagnóstico das disfunções sexuais é tão importante quanto a identificação de qualquer outro agravo à saúde e de suma relevância, uma vez que interferem na qualidade de vida das pessoas. DISFUNÇÕES SEXUAIS Fatores que podem estar relacionados às disfunções sexuais: Aspectos psicológicos: tabus sobre a própria sexualidade, como: associações de sexo com pecado, com desobediência ou com punições; baixa autoestima; fobias relacionadas ao ato sexual; a não aceitação da própria orientação sexual, entre outros; Dificuldades nos relacionamentos: brigas, desentendimentos quanto ao que cada um espera do relacionamento; falta de intimidade; dificuldades de comunicação entre os parceiros. Questões decorrentes de traumas: devido a violências. DISFUNÇÕES SEXUAIS Fatores que podem estar relacionados às disfunções sexuais: - Condição geral de saúde: presença de disfunção sexual decorrente dos efeitos diretos de uma doença, como: depressão, ansiedade, doenças crônico-degenerativas graves, entre outras; - Efeitos diretos de uma substância: medicamentos – alguns anti- hipertensivos, alguns antiarrítmicos, alguns psicotrópicos, anabolizantes, álcool e outras drogas, exposição a toxinas, entre outros. Geralmente, ocorre dentro de um período de intoxicação significativa ou abstinência de uma substância. PLANEJAMENTO FAMILIAR Conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal; Deve-se levar em consideração o contexto de vida de cada pessoa e o direito de todos poderem tomar decisões sobre a reprodução sem discriminação, coerção ou violência; A utilização do termo planejamento reprodutivo em substituição a planejamento familiar, havendo a defesa de que se trata de uma concepção mais abrangente; PLANEJAMENTO FAMILIAR É preciso também que os serviços de saúde desenvolvam ações que contemplem a saúde sexual e a saúde reprodutiva dos homens, tais como abordagem das disfunções sexuais, prevenção e controle do câncer de próstata e do câncer de pênis, prevenção e tratamento das IST, acesso à vasectomia, entre outras; PLANEJAMENTO FAMILIAR A atuação dos profissionais de saúde, no que se refere ao planejamento reprodutivo, envolve, principalmente, três tipos de atividades: O aconselhamento é um diálogo baseado em uma relação de confiança entre o profissional de saúde e o indivíduo ou casal; As atividades educativas são fundamentais para a qualidade da atenção prestada; As atividades clínicas, voltadas para a saúde sexual e a saúde reprodutiva, devem ser realizadas visando a promoção, a proteção e a recuperação da saúde. De que forma promover a Saúde Sexual e Reprodutiva na diversidade? EDUCAÇÃO EM SAÚDE Entre as habilidades que o profissional de saúde deve buscar desenvolver estão: Respeito e empatia pelos usuários; Boa capacidade de comunicação; Utilizar linguagem acessível, simples e clara; Ser gentil, favorecendo o vínculo e uma relação de confiança; Acolher o saber e o sentir das(os) usuárias(os); Tolerância aos princípios e às distintas crenças e valores que não sejam os seus próprios; Sentir-se confortável para falar sobre sexualidade e sobre sentimentos; Ter conhecimentos técnicos. ACONSELHAMENTO PARA ANTICONCEPÇÃO A atenção em anticoncepção pressupõe a oferta de informações, de aconselhamento, de acompanhamento clínico e de um leque de métodos e técnicas anticoncepcionais, cientificamente aceitos, que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, para homens, mulheres, adultos(as) e adolescentes, num contexto de escolha livre e informada; Em meio a uma realidade global de índices elevados de doenças transmissíveis por via sexual, torna-se necessário pensar em opção contraceptiva que proporcione a dupla proteção. MÉTODOS ANTICONCEP CIONAIS No processo de escolha, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: A preferência da mulher, do homem ou do casal; Características dos métodos: Eficácia; Efeitos secundários; Aceitabilidade; Disponibilidade; Facilidade de uso; Reversibilidade; Proteção. MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS No processo de escolha, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: Fatores individuais e contexto de vida relacionados aos usuários(as) que devem ser considerados no momento da escolha do método: Condições econômicas; Estado de saúde; Características da personalidade; Fase da vida; Comportamento sexual; Fatores culturais e religiosos, entre outros. MÉTODOS HORMONAIS: Oral Os anticoncepcionais hormonais orais, também chamados de pílulas anticoncepcionais, são esteroides utilizados isoladamente ou em associação, com a finalidade básica de impedir a concepção; MÉTODOS HORMONAIS: Oral Os anticoncepcionais hormonais orais classificam-se em: Combinados: Monofásicos: 21 ou 22 comprimidos ativos da cartela ou em cartelas com 28 comprimidos; Bifásicos: contêm dois tipos de comprimidos ativos, de diferentes cores, com os mesmos hormônios, mas em proporções diferentes; Trifásicos: contêm três tipos de comprimidos ativos, de diferentes cores, com os mesmos hormônios, mas em proporções diferentes. MÉTODOS HORMONAIS: Oral Mecanismo de ação (como age): Inibem a ovulação e tornam o muco cervical espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides.; Eficácia: A eficácia das pílulas anticoncepcionais relaciona-se diretamente à sua forma de administração; MÉTODOS HORMONAIS: Oral Efeitos secundários: Alterações de humor; Náuseas, vômitos e mal-estar gástrico; Cefaleia leve; Leve ganhode peso; Acne; Tonturas; Mastalgia. MÉTODOS HORMONAIS: Oral Complicações: Acidente vascular cerebral; Infarto do miocárdio; Trombose venosa profunda. Pontos-chave: Proporcionam ciclos menstruais regulares, com sangramento durante menos tempo e em menor quantidade; Diminuem a frequência e a intensidade das cólicas menstruais (dismenorreias) e dos ciclos hipermenorrágicos; A fertilidade retorna logo após a interrupção de seu uso; MÉTODOS HORMONAIS: Oral Pontos-chave: Diminuem a incidência de gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), câncer de endométrio, câncer de ovário, cistos funcionais de ovário, doença benigna da mama e miomas uterinos; Muito eficazes quando em uso correto; Podem ser usadas desde a adolescência até a menopausa; Não previnem contra DST/HIV/Aids. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Se classificam em: Mensal: são combinados e, em suas diferentes formulações, contêm um estrogênio natural, o estradiol (ajuda na formação do endométrio) e um progestogênio sintético, diferentemente dos anticoncepcionais orais combinados, nos quais ambos os hormônios são sintéticos. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Mecanismo de ação (como agem): Inibem a ovulação e tornam o muco cervical espesso, impedindo a passagem dos espermatozoides. Provocam, ainda, alterações no endométrio. Eficácia: São muito eficazes. A taxa de falha desse método varia de 0,1% a 0,3%, durante o primeiro ano de uso. Prazo de validade: O profissional de saúde, ao aplicar a injeção, deve aplicar primeiro a que estiver mais próxima do fim do prazo de validade. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Efeitos secundários: - Alterações do ciclo menstrual: manchas ou sangramento nos intervalos entre as menstruações, sangramento prolongado e amenorreia; - Ganho de peso; - Cefaleia; - Náuseas e/ou vômitos; - Mastalgia. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Modo de uso: A primeira opção deve recair sobre os injetáveis mensais que contenham 5 mg de estrogênio; A primeira injeção deve ser feita até o quinto dia do início da menstruação. As aplicações subsequentes devem ocorrer a cada 30 dias; O anticoncepcional injetável combinado mensal oferece proteção anticoncepcional já no primeiro ciclo de uso. Não há necessidade de pausas para “descanso”, após um longo período de uso; Deve-se aplicar por via intramuscular profunda, na nádega (músculo glúteo, quadrante superior externo); MÉTODOS HORMONAI S: Injetável Modo de uso: Após a aplicação, não deve ser feita massagem ou aplicação de calor local, para evitar difusão do material injetado; É obrigatório o uso de seringas e agulhas estéreis e descartáveis, agitando-se bem a ampola do anticoncepcional e aspirando-se todo o conteúdo para a administração da dose adequada; Se houver atraso de mais de três dias para a aplicação da nova injeção, a mulher deve ser orientada para o uso da camisinha ou evitar relações sexuais até a próxima injeção. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Trimestral: O acetato de medroxiprogesterona é um método anticoncepcional injetável apenas de progestogênio. É um progestogênio semelhante ao produzido pelo organismo feminino, que é liberado lentamente na circulação sanguínea. É também conhecido como acetato de medroxiprogesterona de depósito – AMP-D. Tipos: a formulação disponível é à base de acetato de medroxiprogesterona, preparada na forma de suspensão microcristalina de depósito para injeção IM, apresentada em frasco-ampola de 1 ml. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Efeitos secundários: Alterações menstruais: são comuns, incluindo manchas ou sangramento leve (o mais comum), sangramento volumoso (raro) ou amenorreia (bastante comum, ocorre em mais de 50% dos casos do segundo ano em diante); Aumento de peso: esse aumento é de, aproximadamente, 1,5 a 2 kg ao fim do primeiro ano de uso; Cefaleia, sensibilidade mamária, desconforto abdominal, alterações do humor, náuseas, queda de cabelos, diminuição da libido, acne. Riscos: Redução da densidade mineral óssea(ADOLECENTES); Alteração do metabolismo lipídico. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Pontos-chave: Diminui a incidência de gravidez ectópica, câncer de endométrio, doença inflamatória pélvica (DIP), mioma uterino; Pode ajudar a prevenir câncer de ovário e cistos de ovário; Pode ajudar a diminuir a frequência de crises de falcização (mudança no formato das hemácias), em portadoras de anemia falciforme, por promover estabilização da membrana das hemácias; Pode ajudar a diminuir a frequência de crises convulsivas, em portadoras de epilepsia; Muito eficaz e seguro; MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Pontos-chave: Alterações no ciclo menstrual são comuns; Atraso no retorno da fertilidade; Pode ser usado durante a amamentação; Não tem as contraindicações dos contraceptivos orais e injetáveis combinados, por não possuir o componente estrogênico; Não protege contra IST/HIV/Aids. MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Modo de uso: É recomendável o uso de 150 mg trimestralmente; A primeira injeção deve ser feita até o sétimo dia do início da menstruação. As aplicações subsequentes devem ocorrer a cada três meses; Oferece proteção anticoncepcional já no primeiro ciclo de uso; A mulher deve procurar retornar a tempo para a próxima injeção, que deve ser aplicada a cada 90 dias; Deve-se aplicar por via intramuscular profunda, na nádega (músculo glúteo, quadrante superior externo); MÉTODOS HORMONAIS: Injetável Modo de uso: Após a aplicação, não deve ser feita massagem ou aplicação de calor local, para evitar difusão do material injetado; É obrigatório o uso de seringas e agulhas estéreis e descartáveis, agitando-se bem a ampola do anticoncepcional e aspirando-se todo o conteúdo para a administração da dose adequada; Se houver atraso de mais de três dias para a aplicação da nova injeção, a mulher deve ser orientada para o uso da camisinha ou evitar relações sexuais até a próxima injeção. DISPOSITIVO INTRAUTERINO - DIU O dispositivo intrauterino – DIU é um objeto pequeno de plástico flexível, em forma de T, que mede aproximadamente 31 mm, ao qual pode ser adicionado cobre ou hormônios que, inserido na cavidade uterina, exerce função contraceptiva. DISPOSITIVO INTRAUTERINO - DIU Tipos e modelos: DIU com cobre: é feito de polietileno estéril radiopaco e revestido com filamentos e/ou anéis de cobre, enrolado em sua haste vertical, sendo que o modelo TCu-380 A também tem anéis de cobre em sua haste horizontal; DIU que libera hormônio: é feito de polietileno e a haste vertical é envolvida por uma cápsula que libera continuamente pequenas quantidades de levonorgestrel. DIU DE COBRE Mecanismo de ação: - atua impedindo a fecundação porque torna mais difícil a passagem do espermatozoide pelo trato reprodutivo feminino, reduzindo a possibilidade de fertilização do óvulo; - Provoca reação inflamatória pela presença de corpo estranho na cavidade uterina; - Precipitação de espermatozoides por reações imunológicas; - Assincronia no desenvolvimento endometrial; - Alterações enzimáticas no endométrio: menor sobrevida do espermatozoide, dificuldade na motilidade espermática e implantação dificultada; - Alterações no muco cervical; - Fagocitose de espermatozoides por macrófagos. DIU DE COBRE Eficácia: O DIU com cobre e seu efeito depois da inserção dura 10 anos. A taxa de falha é de 0,6 a 0,8 por 100 mulheres, no primeiro ano de uso. Nos anos seguintes, a taxa anual de gravidez é ainda menor. Duração de uso: A duração de uso do DIU difere segundo o modelo: o TCu- 380 A está aprovado para 10 anos e o MLCu-375 para cinco anos. DIU DE COBRE Efeitos secundários: São efeitos secundários comuns (5 a 15% dos casos): Alterações no ciclo menstrual (comum nos primeiros três meses, geralmente diminuindo depois desse período); Sangramento menstrual prolongadoe volumoso; Sangramento e manchas (spotting) no intervalo entre as menstruações; Cólicas de maior intensidade ou dor durante a menstruação. Cólicas intensas ou dor até cinco dias depois da inserção; Dor e sangramento ou manchas podem ocorrer imediatamente após a inserção do DIU, mas usualmente desaparecem em um ou dois dias. DIU DE COBRE Complicações: Gravidez ectópica; Perfuração; Expulsão; Dor ou sangramento; Infecção. DIU DE COBRE Pontos-chave: - Método de longa duração, mas pode ser retirado a qualquer momento, se a mulher assim desejar ou se apresentar algum problema; - Muito eficaz; - Não interfere nas relações sexuais; - Não apresenta os efeitos colaterais do uso de hormônios; MÉTODO DA LACTAÇÃO E AMENORREIA É um método anticoncepcio nal temporário que consiste no uso da amamentação exclusiva para evitar a gravidez. MÉTODO DA LACTAÇÃO E AMENORREIA A amamentação tem efeito inibidor sobre a fertilidade. A eficácia da amamentação como método contraceptivo depende, portanto, de sucção frequente para promover intensa liberação de prolactina e o consequente bloqueio da liberação pulsátil de gonadotrofinas pela hipófise. A mulher deve permanecer em amenorreia. O retorno das menstruações indica que provavelmente a secreção de prolactina não é mais intensa o suficiente para bloquear o eixo hipotálamo-hipófise-ovário e produzir anovulações e amenorreia. CAMISINHA A camisinha (ou preservativo) é um método contraceptivo de barreira, disponível nas versões masculina e feminina, que impede o contato de fluidos corporais, como o sémen, com a vagina ou ânus, evitando assim gravidez e a transmissão de ISTs. O preservativo feminino é uma "bolsa" de plástico macio e lubrificado com dois anéis flexíveis nas extremidades, sendo que o anel interno é introduzido na vagina até o fundo e o anel externo fica para fora, protegendo a vulva. PÍLULA DO DIA SEGUINTE A pílula do dia seguinte, também conhecida como contracepção de emergência, é um método contraceptivo utilizado para prevenir a gravidez após uma relação sexual desprotegida ou em caso de falha de outro método para evitar a gravidez. INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES Indicações A principal indicação da pílula do dia seguinte é a prevenção da gravidez após uma relação sexual sem uso de preservativo ou o esquecimento da pílula anticoncepcional. Ela contém uma alta dose de hormônios que atuam impedindo a ovulação ou a fertilização do óvulo. O que é mais importante saber: a pílula do dia seguinte não deve ser utilizada como método contraceptivo de rotina, pois é menos eficaz do que outros métodos contraceptivos regulares. Seu uso deve ser reservado para situações de emergência. Contraindicações Apesar de ser uma opção disponível, esse anticoncepcional de emergência não é adequado para todas as mulheres. Algumas contraindicações incluem alergia à formulação do medicamento, problemas tromboembólicos, doença hepática grave, entre outras condições. A consulta médica é crucial para avaliar a adequação do uso da pílula em cada situação, levando em consideração o histórico médico da paciente. EFICÁCIA DA PÍLULA DO DIA SEGUINTE Depende do tempo decorrido entre a relação sexual desprotegida e a ingestão do comprimido. Quanto mais rápido ela for tomada após o ato sexual, maior o êxito. No entanto, mesmo quando utilizada corretamente, a pílula não garante 100% de proteção contra a gravidez. Estudos sugerem que, quando ingerida dentro das primeiras 24 horas, a eficácia pode chegar a 95%, mas esse índice diminui com o tempo. Eficácia da pílula do dia seguinte em dose única: -99,5% de eficácia se usada nas primeiras 12 horas -95% entre 13 e 24 horas -85% quando consumida entre 25 e 48 horas -58% entre 49 e 72 horas Fonte: The Lancet – estudo publicado em 1998 com a participação de 1.955 mulheres IMPLANON Os implantes anticoncepcionais são dispositivos que liberam, lentamente, concentrações pré-definidas de progesterona no organismo da paciente, mais especificamente de etonogenestrel, e têm duração superior a três anos. O Implanon é indicado para mulheres que desejam uma contracepção segura, altamente eficaz e de longo prazo,útil para quem tem dificuldade em lembrar de tomar a pílula diariamente, história de trombose ou que busca uma alternativa de longo prazo aos métodos contraceptivos tradicionais. Ou seja, o Implanon é uma opção bastante abrangente e indicada para todas as mulheres, incluindo: Adolescentes; Mulheres que nunca engravidaram; Após o parto; Lactantes; Após aborto; Mulheres com contraindicação a estrogênio. Mulheres com risco ou histórico de trombose IMPLANON- EFEITOS COLATERAIS Os efeitos colaterais mais comuns do Implanon incluem alterações no padrão de sangramento menstrual (irregularidades, escapes, ausência ou redução do fluxo), Dores de cabeça, Acne, Aumento ou sensibilidade nas mamas e alterações de humor. Efeitos menos comuns podem ser ganho de peso, alterações na oleosidade da pele e depressão, enquanto reações graves são raras e requerem atenção médica. LAQUEADURA A laqueadura é um método contraceptivo definitivo que consiste na obstrução das tubas uterinas da mulher utilizando-se algum método: anéis, clipes de titânio, fios de sutura, cauterização ou salpingectomia, que é a retirada das tubas uterinas, uma cirurgia radical. De modo geral, o procedimento consiste em obstruir a passagem pelas tubas uterinas para impedir a fecundação e, consequentemente, a gravidez. O objetivo é bloquear a passagem do óvulo para o útero e do espermatozoide para as tubas. QUEM PODE FAZER? Mulheres com capacidade civil plena. Maiores de 21 anos OU que tenham pelo menos dois filhos vivos. É preciso observar um prazo de 60 dias entre a manifestação do desejo pela cirurgia e a sua realização. Procedimento e recuperação Anestesia: O procedimento é realizado em ambiente hospitalar e requer anestesia, geralmente raquidiana, sedação ou anestesia geral. Recuperação: A recuperação costuma ser rápida, com alta no mesmo dia em caso de videolaparoscopia, e é necessário evitar esforços físicos por um período. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA A Lei nº 14.443/2022 alterou a legislação anterior, permitindo a esterilização para pessoas com 21 anos ou mais (ou mais de 2 filhos). Não é necessário o consentimento do parceiro/cônjuge para a realização do procedimento. É obrigatório o acompanhamento de equipe multidisciplinar e aconselhamento para desencorajar a esterilização precoce. PRAZO PARA SOLICITAR A LAQUEADURA O período obrigatório de 60 dias antes da laqueadura, imposto pela lei brasileira, tem como objetivo garantir que a pessoa interessada tenha tempo para refletir sobre a decisão, receber aconselhamento de uma equipe multidisciplinar (para desencorajar esterilizações precoces) e ter acesso a serviços de regulação da fecundidade, assegurando uma escolha mais madura e consciente. Principais razões para o prazo de 60 dias: Reflexão e amadurecimento: O prazo dá ao indivíduo a oportunidade de pensar profundamente sobre a decisão permanente de não ter mais filhos, permitindo que os motivos para a esterilização sejam bem considerados. PARECER DO CREMEC SOBRE O DESEJO DA PACIENTE SOBRE A LAQUEADURA De acordo com os pareceres do CREMEC (Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará), a laqueadura tubária não deve ser realizada durante o parto cesariano em situações de emergência, a menos que haja risco à vida da mulher ou conceito, ou um histórico de cesarianas sucessivas. É fundamental que haja um período mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade da paciente e o ato cirúrgico, a fim de garantir seu consentimento livre e esclarecido, pois o momento do parto é considerado devulnerabilidade emocional. O momento da cesariana não é adequado para obter consentimento devido à vulnerabilidade e ao estado emocional alterado da paciente, que não permitiriam o exercício pleno da autonomia. LAQUEADURA PÓS CESÁREA É possível realizar a laqueadura (esterilização tubária) durante o parto cesáreo, sendo uma opção para mulheres que desejam evitar futuras gestações e não querem passar por outra cirurgia após o nascimento do bebé. A legislação atual, desde 2023, permite que a laqueadura seja feita durante o parto, mas é necessário manifestar o desejo e assinar o termo de consentimento pelo menos 60 dias antes da data prevista para o parto. O procedimento não altera significativamente o tempo ou a recuperação da cesárea, pois a mulher já está anestesiada, e as trompas ficam acessíveis para o médico realizar a ligadura. LAQUEADURA PÓS PARTO VAGINAL Pode-se fazer a laqueadura em até 48 horas após um parto normal, caso a mulher tenha manifestado o desejo de realizar o procedimento com pelo menos 60 dias de antecedência do parto, segundo a legislação atual no Brasil. O procedure é feito aproveitando a internação pós-parto, evitando um novo internamento hospitalar e o risco de uma nova anestesia. Condições para a laqueadura pós-parto normal: 1. Manifestação de vontade: É preciso que a mulher solicite formalmente a laqueadura com no mínimo 60 dias de antecedência da data prevista para o parto. 2. Assinatura do termo: O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) deve ser assinado com pelo menos 60 dias de antecedência da data do parto. 3. Condição clínica: A mulher deve estar clinicamente estável para que a cirurgia seja realizada com segurança.