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PRÁTICA JURÍDICA PROF. FABIANO CERVEIRA APELAÇÃO Gustavo trabalha como entregador por aplicativo e aluga bicicletas para desempenhar sua função. Certo dia, descobriu que, próximo à sua residência, havia um depósito de bicicletas seminovas para revenda. Gustavo, então, para ter economia na locação diária de bicicleta, valeu-se de escalada para adentrar o depósito e retirar uma bicicleta, devolvendo-a intacta e sem danos ao final do dia. Gustavo pôs-se a adotar o mesmo procedimento nos dias subsequentes, sempre com intenção de uso e restituição. No oitavo dia, Gustavo chegou ao depósito e percebeu que a porta estava aberta. Assim, conseguiu entrar e sair com uma bicicleta pela porta da frente. Porém, neste 30 de outubro de 2023, Gustavo sofreu uma queda, destruindo por completo a bicicleta. Ao perceberem a falta de uma bicicleta, os administradores do depósito consultaram as câmeras de vigilância e constataram toda a atividade de Gustavo ao longo dos oito dias anteriores, comprovando a escalada por sete vezes (com subtração e restituição de sete bicicletas) e a entrada pela porta principal no oitavo dia. Levado o fato às autoridades, a Polícia Civil descobriu a autoria e, em sede policial, Gustavo voluntariamente efetuou o pagamento do valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) ao depósito, valor apontado pela própria vítima como montante integral do prejuízo, correspondente à oitava bicicleta subtraída, no dia 10 de dezembro de 2023. Assim, o Ministério Público do Estado de Campo Belo denunciou Gustavo como incurso nas penas do Art. 155, §4º, inciso II, terceira figura, do Código Penal, por oito vezes, em concurso material (Art. 69 do CP). A denúncia foi recebida pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Flores, local dos fatos, no dia 19 de dezembro de 2023. A folha de antecedentes criminais apontou que Gustavo já havia celebrado uma suspensão condicional do processo em 2022. A instrução probatória confirmou a íntegra dos fatos relatados, tendo transcorrido sem intercorrências. O representante legal da vítima reiterou ter recebido a totalidade do valor do prejuízo sofrido. As partes se manifestaram regularmente em alegações finais. A sentença condenou Gustavo como incurso nas penas do Art. 155, § 4º, inciso II, terceira figura, por oito vezes, na forma do Art. 69, ambos do Código Penal. Fixou pena- base no mínimo legal de 2 (dois) anos de reclusão para cada delito de furto qualificado, e, diante da incidência da Súmula 231, do Superior Tribunal de Justiça (que impede a atenuação da pena pela confissão abaixo do mínimo legal), tornou a pena de 2 (dois) anos de reclusão definitiva para cada crime, totalizando a condenação em 16 (dezesseis) anos de reclusão, em regime inicial fechado, diante do concurso material. O Ministério Público manifestou imediata concordância com a sentença. Você, como advogado(a) de Gustavo, é intimado(a) no dia 10 de maio de 2024, sexta-feira, sendo que os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. Considerando apenas as informações narradas, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e considerando que a decisão não padece de vício de contradição, obscuridade, ambiguidade ou omissão, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. Fonte: 40º Exame de Ordem - 2ª fase. Endereçamento 1 - Termo de interposição para o juízo prolator 2 -Razões recursais para o Tribunal de Justiça -observar a competência Dos Pedidos 1- Observar a necessidade de pedidos de acordo com a tese sustentada; 2- requer o conhecimento e provimento; Qualificação legitimidade – peça com fundamento legal local, data e OAB Dos fatos APELAÇÃO Do mérito Furto de uso Afastamento da qualificadora Crime continuado Arrependimento posterior Regime aberto. Substituição por restritiva de direito Cabimento Art. 593, do CPP. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular; II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança; d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. § 1o Se a sentença do juiz-presidente for contrária à lei expressa ou divergir das respostas dos jurados aos quesitos, o tribunal ad quem fará a devida retificação. § 2o Interposta a apelação com fundamento no no III, c, deste artigo, o tribunal ad quem, se Ihe der provimento, retificará a aplicação da pena ou da medida de segurança. § 3o Se a apelação se fundar no no III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo motivo, segunda apelação. § 4o Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito, ainda que somente de parte da decisão se recorra. Deve o examinando apresentar recurso de apelação, com fundamento no Art. 593, inciso I, do CPP. “É a apelação um recurso ordinário, total ou parcial, conforme o caso, de decisão de primeiro grau, devolvendo ao tribunal ad quem o poder de revisar integralmente o julgamento (em sentido amplo, e não apenas de decisão) feito pelo juiz a quo.” LOPES JR, Aury. Direito Processual Penal. São Paulo: Saraiva, 2020. p. 1099. A petição de interposição do recurso de apelação deveria ser direcionada ao Juízo da Vara Criminal da comarca de Flores/CB, enquanto as razões recursais deveriam ser apresentadas ao Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo. DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO Art. 70, do CPP. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. No capítulo preliminar de tempestividade deve ser indicada a aplicação do prazo de cinco dias, na forma do Art. 593, caput, do CPP. Art. 593, do CPP. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: atipicidade dos sete primeiros fatos imputados a Gustavo. Em todos os casos de “furto” em que houve a integral restituição da res furtiva, que meramente foi utilizada, sem danos, sem a intenção de Gustavo de se apossar definitivamente do bem, e considerando a restituição à vítima antes mesmo que esta notasse, a conduta se amolda ao que a doutrina e jurisprudência denominam “furto de uso”. Por isso, em relação aos sete primeiros fatos, deve ser postulada a absolvição de Gustavo, na forma do Art. 386, inciso III, do CPP, pois o fato não é crime. Contudo, no oitavo fato, houve, sim, a prática do furto consumado, pois, ao haver a destruição completa do bem, quando em poder do acusado, consumou-se o delito de furto. Entretanto, como a porta do depósito estava aberta, e Gustavo não se valeu da escalada para acessar o depósito, é certo que o furto verificado foi na modalidade simples (Art. 155, caput, do CP), e não na qualificada, devendo ser afastada a qualificadora. Furto Art. 155, do CP. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção,diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. § 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Furto qualificado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO SIMPLES. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Fundada em valores de política criminal, a criminalidade de bagatela tem por escopo realizar uma interpretação restritiva da lei penal, de modo a afastar a atuação do Estado quando a conduta não for capaz de lesar ou, no mínimo, de colocar em perigo o bem jurídico tutelado. Conforme doutrina e jurisprudência, o reconhecimento do princípio da insignificância depende da presença de requisitos objetivos (relacionados aos fatos) e de requisitos subjetivos (relacionado ao autor do fato e à vítima), que, no caso, não foram preenchidos. FURTO DE USO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A caracterização do furto de uso depende da restituição do bem no mesmo local em que subtraído. Na hipótese, a bicicleta furtada foi abandonada em residência de terceira pessoa. Nessas condições, não se há falar em mera intenção de uso. (...) . (Apelação Criminal, Nº 50001552220188210164, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Vanessa Gastal de Magalhaes, Julgado em: 28-02-2024) APELAÇÃO CRIME. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO SIMPLES. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE AVALIAÇÃO INDIRETA. REJEIÇÃO. MÉRITO. CONDENAÇÃO MANTIDA. A materialidade e a autoria restaram suficientemente comprovadas pela prova produzida nos autos. Inexistem dúvidas de que o réu subtraiu a motocicleta da vítima, que se encontrava estacionada em via pública, com a chave na ignição e o capacete, empreendendo fuga. O acusado confessou a prática subtrativa, em juízo, afirmando ser sua intenção a utilização do veículo para dar uma volta. No entanto, conforme revelado pelos elementos informativos colhidos na fase preliminar e confirmado pela prova oral produzida em juízo, ele não só se aproveitou do fato de o veículo se encontrar parado, na via pública, para dele se apoderar, como também o vendeu, somente vindo a ser recuperado um tempo depois, após diligências realizadas pela própria vítima, que encontrou a motocicleta em outra cidade, quando já havia sido revendida. Nesse contexto, não há como acolher a tese defensiva de que teria havido mero furto de uso, figura que exige, além do animus de ter consigo a coisa apenas momentaneamente, a devolução rápida e intacta ao local de onde foi retirada, antes que a vítima o perceba. Condenação mantida. (...) .(Apelação Criminal, Nº 50035411220218210049, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Isabel de Borba Lucas, Julgado em: 28-02-2024) Arrependimento posterior Art. 16, do CP. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Vale notar que ocorreu arrependimento posterior, pois, uma vez danificado o bem, Gustavo quitou a íntegra do valor da coisa danificada, antes do recebimento da denúncia, fazendo jus à causa de diminuição do Art. 16 do CP (arrependimento posterior). APELAÇÃO. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO SIMPLES. PARCIAL CONHECIMENTO. Falta interesse de agir quanto ao pleito de concessão da gratuidade de justiça, o que já foi objeto de deferimento pelo juiz de origem, ensejando, inclusive, a suspensão do pagamento das custas. Recurso não conhecido no ponto. SENTENÇA CONDENATÓRIA. MANUTENÇÃO. A materialidade do crime e a autoria delitiva encontraram pleno amparo nos seguros relatos judiciais da vítima e da testemunha, genitora do ofendido, que presenciou a subtração. Prova oral corroborada pelo arquivo de áudio gravado pelo acusado, indicando o local onde havia deixado a motocicleta subtraída. ARREPENDIMENTO POSTERIOR. NÃO CONFIGURAÇÃO. O arrependimento posterior é configurado quando o agente, por uma conduta posterior ao crime, restitui a coisa ou repara o dano à vítima, antes do recebimento da denúncia. Além disso, a reparação do dano ou a restituição da coisa precisa ser voluntária, pessoal e integral. No caso, a reparação do dano à vítima foi parcial, pois o acusado apenas devolveu a motocicleta, sem devolver os demais pertences; e involuntária, tendo em vista que somente restituiu após insistência de seu chefe. Ausentes os requisitos exigidos pela legislação penal. (...) .(Apelação Criminal, Nº 50740958720198210001, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Vanessa Gastal de Magalhaes, Julgado em: 24- 04-2024) Tendo em vista que os dados do enunciado já informam a fixação da pena-base no mínimo legal e o reconhecimento da atenuante, bastaria formular o pedido de fixação do regime inicial aberto ou semiaberto, na forma do Art. 33, § 2º, alínea b ou c, do CP, e de substituição por restritiva de direitos, na forma do Art. 44 do CP, diante da presença dos requisitos legais, pois a pena ficará abaixo de 4 (quatro) anos e o crime foi praticado sem violência ou grave ameaça, sendo as circunstâncias judiciais inteiramente positivas. Art. 33, do CP Reclusão e detenção Art. 33, do CP. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. § 1º - Considera-se: a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média; b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar; c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado; b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto; c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto. § 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código. § 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. Art. 44, do CP Art. 44, do CP. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II – o réu não for reincidente em crime doloso; III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. § 1o (VETADO) § 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. § 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenaçãoanterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. § 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. § 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. Crime continuado Art. 71, do CP. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. De forma subsidiária, deve ser defendida a aplicação da regra da continuidade delitiva, pois os fatos ocorreram nas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de execução, na forma do Art. 71 do CP. Em razão de todo o exposto, deve o examinando formular, em conclusão, o pedido de conhecimento e provimento do recurso. APELAÇÃO CRIME. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ARTIGO 1º, II, DA LEI N° 8.137/90, NA FORMA DOS ARTIGOS 70 E 71 DO CÓDIGO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO. CONCURSO DE CRIMES. CÁLCULO COM BASE NA PENA ISOLADA APLICADA PARA CADA DELITO. CRIME CONTINUADO. PRESCRIÇÃO QUE SE REGULA PELA PENA IMPOSTA NA SENTENÇA, NÃO SE COMPUTANDO O ACRÉSCIMO DECORRENTE DA CONTINUAÇÃO. SÚMULA 497 DO STF. APLICADA A PENA DE 02 (DOIS) ANOS DE RECLUSÃO PARA CADA DELITO. PRESCRIÇÃO QUE SE OPERA EM 04 (QUATRO) ANOS. ARTIGOS 107, INCISO IV, 109, INCISO V, 110, §1º, E 119, TODOS DO CÓDIGO PENAL. LAPSO TEMPORAL TRANSCORRIDO POR INTEIRO ENTRE A DATA DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E A PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. PREJUDICADO O EXAME DO MÉRITO DO RECURSO. DECLARADA A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DA RÉ PELA PRESCRIÇÃO. (Apelação Criminal, Nº 50003334620108210068, Quarta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Gisele Anne Vieira de Azambuja, Julgado em: 29-04-2024) AGRAVO EM EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO DE PENAS. CRIME CONTINUADO. NÃO RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. O reconhecimento da continuidade delitiva, para fins de unificação das penas, exige o preenchimento de todos os requisitos previstos no artigo 71 do Código Penal. A ausência de qualquer um desautoriza o seu reconhecimento. Na espécie, os crimes cometidos não são delitos da mesma espécie, conquanto de idêntico gênero. O crime de roubo é distinto dos delitos qualificados pelo resultado lesão corporal grave ou morte, pois, enquanto aqueles tutelam somente o patrimônio, estes buscam a proteção também da integridade física das vítimas, tratando-se de crimes complexos, de forma que não se pode concebê-los como continuidade do primeiro crime, em razão de não serem da mesma espécie, tampouco perpetrados mediante semelhante modus operandi. Ademais, não foi preenchido o requisito subjetivo - o liame entre as condutas - refletindo-se somente a habitualidade do agravante em seu agir criminoso. Assim, não é possível a unificação das penas, como requerido, pois não preenchidos os requisitos legais. AGRAVO DESPROVIDO.(Agravo de Execução Penal, Nº 50428625120248217000, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Isabel de Borba Lucas, Julgado em: 24-04-2024) Prazo “Os prazos processuais penais seguindo a regra do artigo 798, §1º do Código de Processo Penal, não se computando o dia do começo, mas incluindo-se o do vencimento. O prazo que terminar em domingo ou feriado considerar-se- á prorrogado até o imediato dia útil (art. 798, §3º) e a intimação feita na sexta-feira conduz ao início do prazo processual na segunda-feira seguinte – ou primeiro dia útil que se seguir (súmula nº310 do STF).” CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Salvador: JusPODIVM, 2020, p. 189. O prazo a ser indicado ao final era o dia 17 de maio de 2024, tendo em vista que a previsão do prazo de apelação é de cinco dias. Como a intimação foi feita em uma sexta- feira, o prazo se iniciaria na segunda- feira seguinte, dia 13 de maio. No fechamento, deve o examinando indicar local, data, advogado e OAB. 3.5.8. Quando da realização das provas prático-profissionais, caso a peça profissional e/ou as respostas das questões discursivas exijam assinatura, o examinando deverá utilizar apenas a palavra “ADVOGADO...”. Ao texto que contenha outra assinatura, será atribuída nota 0 (zero), por se tratar de identificação do examinando em local indevido. 3.5.9. Na elaboração dos textos da peça profissional e das respostas às questões discursivas, o examinando deverá incluir todos os dados que se façam necessários, sem, contudo, produzir qualquer identificação ou informações além daquelas fornecidas e permitidas nos enunciados contidos no caderno de prova. Assim, o examinando deverá escrever o nome do dado seguido de reticências ou de “XXX” (exemplo: “Município...”, “Data...”, “Advogado...”, “OAB...”, “Município XXX”, “Data XXX”, “Advogado XXX”, “OAB XXX”, etc.). A omissão de dados que forem legalmente exigidos ou necessários para a correta solução do problema proposto acarretará em descontos na pontuação atribuída ao examinando nesta fase. Fonte: Edital do 41º Exame de Ordem Unificado, pg. 16. Estrutura básica da Peça Processual Excelentíssimo(a) Senhor(a) Juiz(a) do Juízo da Vara Criminal da comarca de Flores/CB Gustavo, já qualificado no processo em epígrafe, vem, tempestivamente, por meio de seu procurador, respeitosamente perante Vossa Excelência, inconformado com o sentença condenatória prolatada, interpor recurso de Apelação, com fundamento no Art. 593, inciso I, do CPP. Assim, requer seja recebida e processada a apelação, já com as razões inclusas, remetendo- se ao Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo. O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 5 dias previsto no art. 593, caput, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local, 17 de maio de 2024. Advogado... OAB... Estrutura básica da Peça Processual Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo Apelante: Gustavo Apelado: Ministério Público Processo: Razões de Recurso de Apelação Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Campo Belo Colenda Câmara Criminal Dos Fatos Obs.: Desenvolver de acordo com o caso apresentado Do Direito. Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. Furto de uso – ausência do dolo de se apossar do objeto, de subtração definitiva. Não constituir o fato infração penal - Art. 386, III CPP Afastamento da qualificadora Crime continuado. Art. 71, do CP. Arrependimento posterior. Art. 16, do CP Regime aberto. Substituição por restritiva de direito. Art. 33, § 2º, alínea b ou c, do CP, e de substituição por restritiva de direitos, na forma do Art. 44 do CP. Pedidos Diante do exposto, requer o conhecimento e provimento do presente recurso, reformando-se a sentença proferida em primeiro grau, a fim de que: Pedidos – sempre desenvolver um pedido para cada tese desenvolvidono tópico do direito Local, 17 de maio de 2024. Advogado... OAB... A) 2 (dois) dias. B) 15 (quinze) dias. C) 5 (cinco) dias. D) 10 (dez) dias. E) 24 (vinte e quatro) horas. Banca: VUNESP Órgão: MPE-SP Prova: VUNESP - MPE-SP - Analista de Promotoria. O prazo da Apelação, nas hipóteses previstas no artigo 593 do Código de Processo Penal, é de A) que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição. B)definitiva de condenação ou absolvição proferida por juiz singular. C) homologatória ou denegatória da proposta de acordo de não persecução penal. D) denegatória da ordem de habeas corpus. E) que revogar medida de segurança Banca: VUNESP Órgão: TJ- SP Prova: VUNESP - 2023 - TJ-SP – Escrevente. Nos termos do artigo 593 do CPP, caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias da sentença A) 13 de fevereiro, segunda-feira. B) 07 de fevereiro, terça-feira. C) 08 de fevereiro, quarta-feira. D) 09 de fevereiro, quinta-feira E) 10 de fevereiro, sexta-feira. Banca: FCC Órgão: TRF - 2ª REGIÃO Prova: FCC - TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária. O réu e seu defensor constituído foram pessoalmente intimados da sentença condenatória no dia 3 de fevereiro de 2012, sexta- feira. O prazo de 5 dias para apelação terminará no dia ( ) CERTO ( ) ERRADO Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-AL Prova: CESPE - DPE-AL - Defensor Público. Considere a seguinte situação hipotética. Ana subtraiu maliciosamente determinada peça de roupa de alto valor de uma amiga, com a intenção tão só de utilizá-la em uma festa de casamento. Após o evento, Ana, tendo atingido seu objetivo, devolveu a vestimenta. Nessa situação, Ana não responderá pelo delito de furto, uma vez que o CP não tipifica a figura do furto de uso. A) No processo penal, a competência será definida, em regra, pelo local do domicílio do réu. B) Havendo duas ou mais pessoas sendo acusadas do mesmo crime, a competência será fixada pela conexão. C)Existindo conflito entre a competência do tribunal do júri e a de outro órgão da justiça comum, prevalecerá a competência do júri. D) A conexão e a continência importarão sempre na unidade de processo e julgamento. E) No concurso entre a jurisdição comum e a do juízo da infância e juventude, prevalecerá a comum. Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: ITEP - RN Prova: INSTITUTO AOCP - ITEP - RN - Agente Técnico Forense. O Código de Processo Penal trata, em seus artigos 69 a 91, da matéria de competência. Por conceito, competência é a delimitação do poder jurisdicional, ou seja, é a distribuição do poder/dever de julgar entre os juízos. Em relação à competência, assinale a alternativa correta. A) um a dois terços B) um sexto a um terço. C) um terço à metade. D) metade a dois terços. E) um sexto à metade. Banca: IV - UFG Órgão: CELG/D-GO Prova: CS-UFG - CELG/D-GO - Analista de Gestão – Advogado. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de PRÁTICA JURÍDICA PROF. FABIANO CERVEIRA