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1 DISPONÍVEL 24H MELHOR CUSTO BENEFÍFIO 100% LEGALIZADO Sumário TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA ............................................................................ 5 COLETA ........................................................................................................................ 6 ANTICOAGULANTE ................................................................................................... 7 EXTENSÃO SANGUÍNEA ........................................................................................... 8 COLORAÇÃO ............................................................................................................... 9 Técnica de May Grünwald-Giemsa ................................................................................ 9 AUTOMAÇÃO ............................................................................................................ 10 HEMATOPOESE ......................................................................................................... 11 ERITROPOESE ........................................................................................................... 14 MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE ........................................................ 16 Alterações morfológicas dos eritrócitos ....................................................................... 20 HEMOGLOBINA ........................................................................................................ 26 Síntese de Hemoglobina ............................................................................................... 27 Degradação da hemoglobina ........................................................................................ 28 ANEMIAS .................................................................................................................... 29 CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS ........................................................................... 30 CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS ....................................... 31 Anemias Hemolíticas .................................................................................................... 32 Anemias Hipoproliferativas .......................................................................................... 32 ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA .............................. 33 ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS ....................................................... 33 ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS ............................................. 34 ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS ........................................................ 37 ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS ............................................... 38 ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR .................................................. 40 LEUCÓCITOS ............................................................................................................. 40 LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) ........................... 41 Morfologia .................................................................................................................... 41 Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) ............................................ 44 Neutrófilos .................................................................................................................... 44 Eosinófilos .................................................................................................................... 46 Basófilos ....................................................................................................................... 47 LEUCÓCITOS MONONUCLEARES ........................................................................ 48 Linfócitos ...................................................................................................................... 48 Monócitos ..................................................................................................................... 49 ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS ......................................... 50 REAÇÃO LEUCEMOIDE ........................................................................................... 52 Etapas do hemograma infeccioso ................................................................................. 52 NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS .......................................................................... 53 SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS .............................................................. 54 Leucemia Mieloide Crônica ......................................................................................... 54 Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) ......................................................... 54 Trombocitemia Essencial ............................................................................................. 55 Policitemia Vera ........................................................................................................... 55 LEUCEMIAS AGUDAS .............................................................................................. 55 Leucemia linfoide aguda (LLA) ................................................................................... 56 Leucemia mieloide aguda (LMA) ................................................................................ 56 SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) .......................................................... 57 SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS ............................................................... 59 HEMOSTASIA ............................................................................................................ 61 HEMOSTASIA PRIMÁRIA ........................................................................................ 63 COAGULAÇÃO .......................................................................................................... 64 FIBRINÓLISE .............................................................................................................. 68 OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA .................................. 69 DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA ............................................................................. 69 Distúrbios Plaquetários ................................................................................................. 69 Distúrbios Vasculares ................................................................................................... 70 Distúrbios da coagulação plasmática ............................................................................ 70 Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) ................................... 70 ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA ..................................................... 71 REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 74 5 TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA O sangue pode ser definido como sendo um tecido fluído circulante, constituído de células diferenciadas suspensas em um líquido complexo. As células, separáveis por centrifugação, pertencem a três categorias: os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas. A fase líquida do sangue, denominada plasma, é formada por água, sais minerais, moléculas orgânicas (glicídios, proteínas e lipídios) e sais inorgânicos (principalmente o NaCl ). Após a coagulação, o fibrinogênio plasmático transforma-se em fibrina e, o plasma sem a proteína da coagulação, é denominado soro. FIGURA – COMPOSIÇÃO DO SANGUE http://jmarcosrs.wordpress.com/ O estudo do sangue tornou-se comum em decorrência do seu fácil acesso por punção venosa. Dentre os exames laboratoriais mais comuns, está o hemograma. Trata- se de um exame para a avaliação quantitativa e qualitativados elementos figurados do sangue que visa esclarecer os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, não só nas diversas doenças hematológicas, como também em doenças das mais diversas patogenias. O hemograma deve incluir a avaliação da série branca (leucograma), série vermelha (eritrograma) e das plaquetas (plaquetograma). Com relação a esse último, muitos laboratórios no Brasil ainda não o incluem no hemograma, anotando apenas se, 6 na avaliação do esfregaço sanguíneo, o número de plaquetas pareceu-lhes normal, aumentado ou diminuído. Entretanto, com o emprego crescente de contadores eletrônicos que incluem a contagem de plaquetas, não parece lógico negar ao paciente esse dado relevante. COLETA Para os exames rotineiros de patologia clínica recomenda-se a utilização de sangue colhido por punção venosa, feita em veias do antebraço. FIGURA – LOCAL DE COLETA O tempo de garroteamento não deve ultrapassar a um minuto para evitar hemoconcentração. A coleta pode ser feita por seringa e agulha ou pelo sistema a vácuo, cuja vantagem consiste na padronização da coleta, pois o volume de sangue a ser coletado é preestabelecido (vácuo) e sempre será proporcional à quantidade de anticoagulante contido no tubo de coleta. 7 FIGURA - GARROTEAMENTO ANTICOAGULANTE Por sua ação quelante ao Cálcio e impedir a agregação plaquetária, o EDTA (Ácido Etilendiaminotetracético) é o anticoagulante de escolha para o hemograma, sendo o EDTA tripotássico (EDTA K3) preferível sobre o dipotássico e sobre o dissódico, por ser mais solúvel no sangue. Para que todo o Cálcio presente na amostra seja quelado pelo anticoagulante e todo o anticoagulante seja neutralizado pelo Cálcio, recomenda-se utilizar 2 mg de EDTA para cada ml de sangue. No comércio, encontra-se EDTA a 10%. Daí, obedecendo à relação acima, temos: 0,1ml ( 100µl ) de EDTA ..................................................5ml de sangue ( 50µl ) de EDTA ..................................................2,5ml de sangue ( 25µl ) de EDTA ..................................................1,25ml de sangue Em caso de preparo do EDTA tripotássico, proceder: EDTA tripotássico..................................................10g Água destilada qsp...................................................100ml Utilizar 100µl dessa solução para cada 5 ml de sangue coletado ou conforme relação acima. Após a coleta deve-se homogeneizar o sangue por inversão, pelo menos cinco vezes consecutivas. 8 EXTENSÃO SANGUÍNEA O ideal é que se faça a extensão sanguínea em lâmina com sangue sem anticoagulante, imediatamente após a coleta. O anticoagulante pode alterar a morfologia leucocitária após uma hora de contato com o sangue. A lâmina a ser usada para extensão deve estar completamente limpa e desengordurada. A lâmina extensora deve ter uma borda uniforme e sem ranhura. Recomenda-se que o ângulo formado entre a lâmina e a lâmina extensora deve ser de 45° para que o comprimento do esfregaço sanguíneo não seja curto demais e nem atinja o final da lâmina. FIGURA – EXTENSÃO SANGUÍNEA 9 COLORAÇÃO Para que o examinador tenha plena confiança em obter um correto diagnóstico laboratorial, é preciso que se faça uma boa extensão sanguínea aliada a uma boa coloração. As colorações hematológicas usuais em laboratórios são ditas “panópticas”, pois o material depois de corado permite a visualização de todos os elementos do sangue. Os corantes hematológicos são misturas de sais ácidos e básicos que permitem a coloração de estruturas citoplasmáticas e nucleares das células. A grande preocupação em coloração de lâminas para hematologia é a variação do pH da água nos diversos laboratórios. Nesses casos, deve-se tamponar a água. No método de May Grünwald- Giemsa, por exemplo, o pH deve estar em torno de 6,8 ( ± 0,2 ). Os corantes rápidos utilizados hoje nos laboratórios levam a vantagem de não depender do pH da água, além da rapidez da coloração que dura em média 60 segundos. Técnica de May Grünwald-Giemsa a - Preparo dos reagentes: May Grünwald (eosina-azul de metileno) = dissolver 0,3 g do sal em 100 ml de metanol. Guardar sete dias em frasco âmbar, homogeneizando diariamente. Giemsa (eusina-azul-azur de metileno) = dissolver 1 g de sal em 66 ml de glicerol. Deixar em banho-maria a 56ºC por duas horas. Após este período deixar adquirir temperatura ambiente e adicionar 66 ml de metanol. Deixar sete dias em frasco âmbar e no escuro homogeneizando diariamente. Filtrar. Para uso, diluir 1 gota dessa solução estoque para cada ml de água. b-Coloração da lâmina: 1-Cobrir a lâmina com May Grünwald, deixar 4 minutos; 2-Adicionar 10 a 20 gotas de água, pH 6,8 ( ± 0,2 ), deixar 1 minuto; 3-Escorrer a solução; 4-Cobrir a lâmina com o Giemsa diluído, deixar 15 minutos; 5-Escorrer a solução e lavar a lâmina em água corrente; 6-Limpar a parte de trás 10 e deixar secar. AUTOMAÇÃO A contagem manual de Eritrócitos, Leucócitos e Plaquetas em câmaras (Neubauer) está em desuso, para não dizer abandonada. Tendo como vantagens o menor tempo, o menor custo, maior reprodutibilidade, maior acurácia, menor coeficiente de variação, a automação está generalizada hoje nos laboratórios. Até mesmo a avaliação microscópica da extensão sanguínea, que é de fundamental importância, perde em qualidade para a contagem diferencial automatizada, devido ao número de células contadas (100 na primeira e de 5 mil a 10 mil células na segunda ). Veja abaixo algumas diferenças entre o sistema automatizado e o sistema manual com relação à variação das contagens (WINTROBE, 1998). Manual Automatizado Hemácias ±11% ±1,0% Leucócitos ±16% ±1,5% Plaquetas ±22% ±2,0% Reticulócitos ±34% ±5,0% Hemolobina 1 a 2% <1,0% Os avanços tecnológicos nas contagens hematológicas passaram pelos princípios da impedância, fluorescência e raio laser. Os sistemas atuais permitem medir simultaneamente múltiplas características físicas de uma célula, tais como o tamanho celular relativo, a granularidade celular relativa (complexidade celular), intensidade de fluorescência relativa. Estas medidas são executadas em cada célula que, sobre um fluxo de fluído, migra por meio de um tubo extremamente fino. 11 FIGURA – PRINCÍPIOS DE AUTOMAÇÃO Diante das opções de mercado existentes hoje, sugere-se que a escolha de um aparelho de automação passe por algumas avaliações como tipo de serviço que o laboratório atende, a quantidade de exames realizados diariamente, necessidade de novos parâmetros hematológicos para atender necessidades clínicas (variações plaquetárias, contagem de reticulócitos, p.ex. ). Uma vez implantada, a automação deve obedecer a rigorosos protocolos, seja para manutenção, bem como para controle de qualidade com a utilização de calibradores e controles diários. HEMATOPOESE A hematopoese é um processo altamente dinâmico que compreende a produção, diferenciação, maturação e morte celular. Inicia-se na fase uterina, nos períodos embrionário e fetal, em que se identificam três fases: período mesoblástico, hepatoesplênico e mieloide. O período mesoblástico inicia-se entre a 3ª e 4ª semana de gestação e, a partir da camada germinativa mesoderma, formam-se as célulassanguíneas primitivas - Stem Cell - e originam-se as células endoteliais primitivas que darão origem aos vasos sanguíneos. FONTE: SILVA, 2003. 12 No período hepatoesplênico o fígado torna-se o principal sítio de desenvolvimento das células. O baço, o timo e os linfonodos também produzem células sanguíneas nessa fase. Aparecem inicialmente os glóbulos vermelhos, alguns megacariócitos e glóbulos brancos. Entre o 5º e o 7º mês de gestação a medula óssea assume a produção de células. É o período mieloide, em que encontramos na medula glóbulos brancos, glóbulos vermelhos, plaquetas e seus precursores. Na fase extrauterina, sendo a medula o principal sítio de produção de células sanguíneas, o fígado e o baço perdem a função produtiva e passam a participar do processo de destruição celular. Na criança, aproximadamente 90% dos ossos apresentam medula produtiva de células sanguíneas (medula vermelha). A partir do 4º ano de vida começam a aparecer depósitos de tecido adiposo nos ossos longos (medula amarela). No adulto, aproximadamente 50% dos ossos são produtores de células e, no idoso, aproximadamente 30%. FIGURA – DIFERENÇA DE MEDULA ÓSSEA DURANTE AS FASES DA VIDA 13 Em condições normais, a medula de um adulto é capaz de produzir centenas de bilhões de células por dia, entre eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Todas essas células são derivadas da célula tronco denominada “Stem Cell” pluri ou totipotente, com potencial de proliferação e diferenciação, ou seja, com capacidade de se autorrenovar, produzindo células “filhas” com capacidade de diferenciação sendo mediado por fatores de crescimento e influenciado por microambientes medulares. A interação desses fatores com a Stem Cell leva à produção de Unidades Formadoras de Colônias - CFU - que vão dar origem a duas linhagens: mieloide e linfoide. FIGURA – LINHAGENS CELULARES - HEMATOPOESE FONTE: SILVA, 1999. 14 A medula óssea é constituída de vasos sanguíneos, proteínas, células adiposas, células endoteliais, fibroblastos, histiócitos. O suprimento de sangue é feito principalmente pela artéria nutriente que penetra no córtex medular pelo canal nutriente. Na cavidade medular, essa se bifurca nas artérias medulares ascendentes e descendentes, as quais se ramificam na face interna do córtex. Após a entrada na matriz medular, as artérias se transformam em uma rede de capilares que abastece as células hematopoéticas. Esses capilares desembocam então em um vaso central em que o sangue penetra no sistema venoso pelas veias emissárias. Nesse ambiente são produzidos fatores que estimulam a proliferação e diferenciação das células hematopoéticas. FIGURA – ESPAÇO EXTRAVASCULAR ERITROPOESE Como vimos anteriormente, toda a hematopoese se origina da “Stem Cell” pluri ou totipotente. Segundo Silva, 1999, “para que a eritropoese se desenvolva é necessário que ocorra a proliferação e diferenciação das células Stem Cell. A primeira com o sentido de que se forme a massa eritrocitária do corpo humano (Eritron), e a segunda com o sentido de maturação, a formação de uma célula repleta de hemoglobina e capaz 15 de fazer a oxigenação dos tecidos”. FIGURA – STEM CELL FONTE: SILVA, 1999. Este conjunto de células eritrocitárias - eritron - deve ser mantido em número constante no organismo, por meio do equilíbrio entre a produção e destruição eritrocitária. O principal fator de crescimento para a linhagem eritrocitária é a Eritropoetina (EPO), um hormônio polipeptídico produzido pelo rim (90%) e fígado (10%), cuja produção é regulada pela pressão de oxigênio nos tecidos. Sua produção aumenta com a hipóxia tecidual e diminui com a heperventilação. Além da EPO, para uma eritropoese eficaz e completa são necessários fatores exógenos que participam da síntese de DNA e proliferação celular, como o ácido fólico e a vitamina B12, e que participam da 16 maturação e hemoglobinização da célula, como o Ferro e a vitamina B6. FIGURA – FATOR DE CRESCIMENTO – ERITROPOETINA - EPO MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE BFU-E → Unidade formadora de colônias burst (inglês = explosão) está próxima à Stem Cell e é considerada a precursora da CFU-E. CFU-E → Estas células estão muito próximas aos eritroblastos. A CFU-E pode originar, em 5 a 8 dias, colônias de eritroblastos com 8 a 50 células. Pró-eritroblasto → É uma célula grande (14 a 19 µm de diâmetro), redondo ou oval, com núcleo grande ocupando 80% da célula, com nucléolos e cromatina frouxa, e um citoplasma intensamente basófilo. Nesse estágio de maturação, pequenas quantidades de hemoglobina estão presentes, porém não evidenciáveis pela coloração normal. É uma célula que se prepara para um período de intensa síntese de hemoglobina e, portanto exibe grande quantidade de organelas e moléculas com esta finalidade. 17 FIGURA – PRÓ-ERITROBLASTO http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php Eritroblasto basófilo → Similar, porém menor que o pró-eritroblasto (12 a 17 µm de diâmetro), e os nucléolos nem sempre visíveis. Começa a condensação da cromatina nuclear. FIGURA – ERITROBLASTO BASÓFILO http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php Eritroblasto policromático → A relação núcleo/citoplasma, diminui e aparecem as primeiras zonas de hemoglobinização na região perinuclear de cor acinzentada resultante da acidofilia da hemoglobina. 18 FIGURA – ERITROBLASTO POLICROMÁTICO http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. . Eritroblasto ortocromático → caracteriza-se pelo núcleo picnótico, geralmente excêntrico em que a cromatina atinge o máximo de condensação antes de ser expulso. O citoplasma é quase que completamente hemoglobinizado. FIGURA – ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php 19 Reticulócito → A célula assume esta denominação após a expulsão do núcleo, mas mantém no citoplasma vestígios de RNA que precipitam nas colorações supravitais na forma de retículos ou grumos. Permanecem por 24 a 48 horas no sangue periférico até se transformarem em eritrócito. FIGURA- RETICULÓCITO http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php Eritrócito → É a célula mais madura da linhagem eritroide. Apresenta forma de disco bicôncavo de coloração alaranjada, com diâmetro entre 7 a 8 µm, não possui núcleo e é incapaz de sintetizar hemoglobina. Seu citoplasma é constituído de uma solução de proteínas, eletrólitos, glicose e água, sendo que mais de 95% da proteína é representada pela hemoglobina. Sua membrana é composta por proteínas, lipídios e carboidratos. 20 FIGURA – ERITRÓCITO http://emecolombia.foroactivo.com/ A vida média do eritrócito é de 120 dias. Nessa jornada a obtenção de energia se dá principalmente pela glicólise anaeróbica, já que não possui núcleo, ribossomos ou mitocôndrias. Após esse período, são retirados da circulação pelo sistema mononuclear fagocitário (especialmente o baço). Alterações no conteúdo proteico, seja estrutural ou quantitativa, podem acelerar a hemólise do eritrócito. Alterações morfológicas dos eritrócitos Em uma avaliação microscópica do esfregaço sanguíneo podemos observar alterações de tamanho, forma, coloração e de estrutura (inclusões) nos eritrócitos. • Alterações de tamanho: Os eritrócitos de tamanho normal (entre 81 e 97 fentolitros) são chamados de normócitos. Abaixo de 81 fentolitros são chamados de micrócitos e podem ser observadas em crianças, nas talassemias, nas anemias ferroprivas instaladas, nas anemias sideroblásticas e anemias de doenças crônicas. Acima de 97 fentolitros são chamados de macrocíticos e podem ser observadasno alcoolismo, doenças hepáticas, anemias hemolíticas crônicas com aumento do número de reticulóticos ou na crise hemolítica. No hemograma, o índice que mede o tamanho médio dos eritrócitos e o VCM 21 (volume corpuscular médio). A variação de tamanho das diversas populações de eritrócitos é dada pelo RDW (amplitude da dimensão de hemácias). Quando há uma grande variação no tamanho dos eritrócitos chamamos de anisocitose e o RDW estará aumentado. • Alterações de forma: Quando observamos a alteração da forma discoide do eritrócito chamamos de poiquilocitose. Esferócitos → São células redondas, não apresentam o halo central e são menores que o eritrócito normal. Aparecem na esferocitose hereditária, anemias hemolíticas adquiridas e transfusões. FIGURA – ESFERÓCITOS http://www.laborpad.xpg.com.br/hemato.htm Eliptócitos e ovalócitos → São hemácias de formato elíptico ou oval. Aparecem em grande quantidade na eliptocitose hereditária, e podem aparecer na anemia ferropriva e anemia megaloblástica. 22 FIGURA – ELIPTÓCITOS E OVALÓCITOS http://www.ciencianews.com.br Equinócito ou hemácias crenadas → Apresentam pequenos espículos ao redor da hemácia. Aparece na cirrose hepática pós-alcoolismo, estado de má absorção e deficiência de vitamina E, anemias hemolíticas. FIGURA - EQUINÓCITO http://www.oocities.org/br/carolparada/hematologia/celulassangue1.htm Codócitos ou células em alvo → apresentam um halo central em forma de alvo e podem ser vistos em casos de talassemias, hemoglobinopatias. 23 FIGURA – CÉLULAS EM ALVO http://www.ciencianews.com.br/ Esquizócitos → São células pequenas e fragmentadas que podem ser vistas na anemia hemolítica microangiopática, nas hemólises traumáticas e queimaduras. FIGURA - ESQUIZÓCITOS http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Schizocyte_smear_2009-1222.JPG Drepanócitos →São células em forma de foice ou de meia-lua, decorrente da cristalização de hemoglobinas anormais, característica da anemia falciforme. 24 FIGURA – DREPANÓCITOS http://hemoglobinas.wordpress.com/2008/04 Dacriócitos →São células em forma de gota ou de lágrima, encontradas na mielofibrose e em talassemias. FIGURA – DACRIÓCITOS http://www.hemoglobinopatias.com.br/dialab/dialab-index.htm Alteração de coloração: A intensidade da coloração da hemácia está relacionada à quantidade de hemoglobina nela contida. A hipocromia se caracteriza por um halo central maior e mais claro na hemácia com pouco conteúdo de hemoglobina. No hemograma, a 25 hipocromia está correlacionada ao índice HCM. A policromasia ou policromatofia refere-se aos eritrócitos de coloração azul acinzentada devido à presença de RNA e correspondem aos reticulócitos, (identificados pela coloração supravital azul cresil brilhante). FIGURA – ALTERAÇÃO NA COR A - Hipocromia B - policromasia Alteração de estrutura: Ocorre quando se observa a presença de inclusões citoplasmáticas. Ponteado basófilo → São pequenas inclusões dispersas no citoplasma que correspondem a agregados de cromossomos e precipitados de mitocôndrias. Estão presentes nas talassemias, anemia megaloblástica, alcoolismo e intoxicação pelo chumbo e arsênico. FIGURA – PONTEADO BASÓFILO 26 Corpúsculo de Howell-Jolly → São partículas remanescentes de cromatina nuclear (DNA) que se apresentam como pontos redondos e densos de coloração. Aparecem nas anemias megaloblásticas, após esplenectomia, e em anemias hemolíticas. Estas inclusões podem aparecer na forma de anel simples ou duplo (em forma de oito), denominados de Anéis de Cabot. FIGURA – CORPÚSCULO DE HOWELL JOLLY (A) E ANEL DE CABOT (B). A B HEMOGLOBINA A hemoglobina é uma proteína contida no interior do eritrócito cuja função é de transportar o oxigênio para os tecidos, além de facilitar a excreção do gás carbônico. Sua estrutura molecular consiste em 4 cadeias de globinas (cadeias de aminoácidos reunidos por ligações peptídicas), e 4 grupos heme (grupo prostético ao qual está ligado o átomo de ferro que se liga ao oxigênio). Segundo Naoum (1997), “a molécula de hemoglobina é, portanto, um tetrâmero de cadeias de globina formada por duas cadeias de globina do tipo alfa e duas do tipo beta”. Daí, as combinações entre as diferentes globinas determinam os seis tipos de hemoglobinas humanas produzidas nas fases do desenvolvimento (embrionário, fetal e pós-nascimento). A síntese de determinado tipo de hemoglobina em cada uma destas fases visa a melhor adaptação e maior eficácia na atividade de transporte de oxigênio. 27 FIGURA – ESTRUTURA DA HEMOGLOBINA TABELA - HEMOGLOBINAS HUMANAS DIFERENCIADAS PELAS COMBINAÇÕES DE CADEIAS DE GLOBINA, CONFORME A FASE DE DESENVOLVIMENTO FONTE: NAOUM, 1997. Síntese de Hemoglobina A síntese da heme realiza-se nas mitocôndrias dos eritroblastos, em que todas as enzimas necessárias se encontram presentes. 28 FIGURA – SÍNTESE DO HEME A síntese da globina ocorre nos ribossomos e se dá segundo o esquema geral da síntese das proteínas. É iniciada pela expressão de genes estruturais herdados. Degradação da hemoglobina O eritrócito normal tem uma sobrevida média de 120 dias e morre por envelhecimento, devido ao fato da célula anucleada ser incapaz de renovar seu estoque de enzimas que se esgota lentamente. Após esse período, é retirado de circulação pelos macrófagos do sistema mononuclear fagocitário. Os estromas são decompostos no citoplasma dos macrófagos. A porção globina é degradada e os aminoácidos reaproveitados. A heme é clivada e o ferro reutilizado, sendo que os anéis pirrólicos são transformados em pigmentos, liberados no plasma na forma de bilirrubina, que se liga à 29 albumina (bilirrubina indireta). No fígado, é conjugada com ácido glicurônico (bilirrubina direta). Parte desta bilirrubina direta é eliminada nas fezes na forma de estercobilinogênio, e o restante é reabsorvido e eliminado pelos rins como urobilinogênio. ANEMIAS Podemos definir anemia como sendo a diminuição da hemoglobina circulante abaixo dos valores normais, levando-se em consideração a faixa etária e o sexo. Quando pobre em hemoglobina e eritrócitos, o sangue anêmico mostra-se descorado, com baixa viscosidade e incapaz de carrear oxigênio com a devida eficácia. Isso leva a uma deficiência de suprimento de oxigênio para os tecidos do organismo. Dessa alteração, e das reações homeostásicas compensadoras, decorrem sinais e sintomas de anemia tais como: palidez, anorexia, náuseas, irritabilidade, cefaleia, tontura, insônia, fadigabilidade, entre outros. A anemia sempre resulta de um desequilíbrio entre a produção e a destruição de glóbulos vermelhos. As anemias decorrentes da produção insuficiente da medula são denominadas arregenerativas, enquanto que as anemias decorrentes da destruição acelerada das hemácias são ditas regenerativas, uma vez que a medula estimulada pelo aumento de produção de eritropoetina devido à hipóxia sofre hiperplasia eritrocitária compensadora com produção aumentada de reticulócitos. FIGURA - ANEMIA 30 Para o laboratório de análises clínicas o diagnóstico baseia-se na interpretação dos valores das contagens corpusculares associada a alterações morfológicas dos eritrócitos. Assim, quando observamos no hemograma variações dos índices VCM (Volume Corpuscular Médio), HCM (Hemoglobina Corpuscular Média), RDW (Amplitude da Dimensão de Hemácias). Além do hematócrito e hemoglobina, é possível chegar a uma classificação morfológica da anemia. CLASSIFICAÇÃODAS ANEMIAS Morfologicamente para fins de diagnóstico laboratorial podemos classificar as anemias em: normocíticas e normocrômicas, microcíticas e hipocrômicas, e em macrocíticas. FIGURA – CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DAS ANEMIAS 31 FONTE: SILVA, 1999. CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS Levando-se em consideração aspectos fisiológicos, as anemias podem ser classificadas, de acordo com sua causa principal, em: 1- Hemorrágicas; 2- Hemolíticas; 3- Hipoproliferativas. Anemias Hemorrágicas -Agudas → hemorragias por traumatismos, grandes cirurgias. São geralmente normocíticas e normocrômicas. -Crônicas → Perda lenta e constante de sangue, geralmente por lesões ulcerativas do tubo gastrointestinal e distúrbios ginecológicos. Quando não tratadas podem se tornar microcíticas e hipocrômicas porque se instala uma deficiência de ferro. 32 Anemias Hemolíticas A hemólise é a diminuição da sobrevida dos eritrócitos (120 dias) anormais ou alterados, que conduz a uma destruição diária aumentada. As anemias hemolíticas podem ser: -Genéticas: → Defeitos de membrana = esferocitose, eliptocitose; → Enzimopatias = deficiência de G-6PD e piruvatoquinase; → Hemoglobinopatias = Anemia falciforme, talassemia, hemoglobinas instáveis. -Adquiridas: → Mediada por anticorpos: - Doença hemolítica do recém-nascido; - Anemia hemolítica autoimune; - Reações transfusionais. → Hemólise Mecânica = microangiopática, próteses valvares. →Infecções = malária, pneumonia pneumocócica, bartonela, clostridum welchii. → Agentes físicos = queimaduras. → Agentes químicos = intoxicação por metais pesados. → Hemoglobinúria paroxística noturna. Anemias Hipoproliferativas São anemias decorrentes de uma eritropoese ineficaz, devido à: - Deficiência nutricional → deficiência de ferro, ácido fólico ou vitamina B12; - Requerimentos aumentados → gravidez (deficiência de ferro, folato ou 33 B12); - Insuficiência da medula óssea → infiltração maligna, infecções, drogas. ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA Esferocitose hereditária → É uma doença autossômica dominante em que o defeito está nas proteínas que participam da interação vertical: espectrina, proteína 4.1, anquirina e proteína de banda 3. Esse defeito, pela redução da superfície da membrana, leva à formação do esferócito, que é destruído precocemente no baço. O CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) pode chegar a mais de 40. O reticulócito está entre 5% a 25%. Na avaliação morfológica eritrocitária podemos encontrar policromasia, poiquilocitose, anisocitose, esferócitos e eritroblastos. Há um aumento da bilirrubina indireta. O diagnóstico pode ser confirmado pelo teste de fragilidade osmótica (aumentada) e eletroforese de proteínas de membrana. Eliptocitose hereditária → O defeito está na interação horizontal da membrana e especificamente nos dímeros, alfa e beta da espectrina. A hemólise é discreta, levando a um aumento da bilirrubina indireta e da contagem de reticulócitos. Na morfologia eritrocitária mais de 25% dos eritrócitos estão na forma elíptica. ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS Deficiência de Glicose-6-fosfatodesidrogenase (G-6PD) → É uma doença hereditária ligada ao sexo (cromossomo X). A hemólise ocorre porque, na deficiência de G-6PD, a hemoglobina de oxida, a heme se libera da globina e essa se desnatura formando corpos de Heinz, os quais ocasionam uma rigidez da membrana, e esses eritrócitos serão hemolisados na microcirculação esplênica. Os episódios de hemólise podem ser desencadeados por processos infecciosos, diabetes e pela exposição a agentes e drogas oxidantes. O diagnóstico pode ser confirmado por dosagem de G-6PD e pesquisa de corpos de Heinz. 34 Deficiência de piruvatoquinase (PK) → É uma doença hereditária autossômica recessiva que resulta numa deficiente produção de ATP. A hemólise é crônica, normocítica e normocrônica. ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS Anemia falciforme → A hemoglobinopatia S (sickle cell disease) é resultado de uma mutação da cadeia beta da globina, com a troca do aminoácido ácido glutâmico pelo aminoácido valina, que resulta na formação de uma hemoglobina anormal HbS. Esta troca de aminoácido abala a estrutura da molécula favorecendo a polimerização e a formação de tactoides, sob condições de baixo teor de oxigênio ou baixo pH. Os tactoides são rígidos e cristais capazes de deformar o eritrócito, fazendo com que o mesmo assuma a forma de foice e consequente hemólise. Esse processo é reversível com a reoxigenação. Pacientes homozigotos (HbS/HbS) desenvolvem a doença falciforme, enquanto os pacientes heterozigotos (HbS/HbA) apresentam o estigma ou traço falcêmico sem alterações clínicas evidentes. Os achados laboratoriais são: diminuição da concentração de hemoglobina; VCM variando de microcítico a macrocítico; HCM e CHCM com valores baixos; reticulocitose, policromasia, poiquilocitose; presença de eritroblastos, ponteado basófilo e drepanócitos (hemácias em foice). O diagnóstico é confirmado pelo teste de falcização e pela eletroforese de hemoglobina. Hemoglobinopatia C → É resultado de uma mutação na cadeia beta da globina, com a troca do aminoácido ácido glutâmico pelo aminoácido lisina. A consequência dessa mutação é a cristalização da hemoglobina na parte central do eritrócito, caracterizando a célula em alvo. O diagnóstico é feito pela eletroforese de hemoglobina que mostrará bandas na posição de A1 e C. A anemia quando presente é geralmente normocítica e normocrômica e o achado característico na extensão sanguínea é o codócito. Talassemias → A talassemia é uma hemoglobinopatia devido à falta ou produção insuficiente de cadeias de globina. Portanto, é a quantidade que interfere na função da hemoglobina e não a qualidade, a qual está preservada. Quando isso ocorre 35 nas cadeias do tipo alfa, têm-se as alfas talassemias, e quando ocorre nas cadeias do tipo beta têm-se as betas talassemias. Como se vê, a classificação das talassemias se dá de acordo com a cadeia polipeptídica afetada. Assim, as alfas talassemias ocorrem por deleções que envolvem os genes alfa e mutações (não deleções) que afetam a expressão do gene. As alfas talassemias podem ter manifestações clínicas severas ou serem assintomáticas, e são classificadas em: - Hidropisia fetal: → Hemoglobina de 4 a 10,0 g/dl → Anisopoiquilocitose +++ → Microcitose +++ → Presença de eritroblastos → Reticulocitose variável → Hb Bart’s 80% → Hb Portland 20% → HbH não detectado - Doença de hemoglobina H: → Hemoglobina de 7 a 10,0 g/dl → Microcitose +++ → Hipocromia +++ → Reticulócitos de 5% a 10% - Alfa talassemia minor: → Anemia discreta, se presente, → Anisopoiquilocitose variável → Microcitose em torno de 72 fentolitros → Hipocromia com HCM em torno de 22 picogramas → CHCM em torno de 31 - Portador silencioso: →Sem características clínicas e laboratoriais de anemia por deficiência de síntese de cadeia alfa. TABELA – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS DAS ALFAS 36 TALASSEMIAS FONTE: SILVA, 1999. As betas talassemias ocorrem pela deficiência de produção de cadeia beta, e podem ser: - Talassemia beta homozigótica (Major) → A beta talassemia major é a forma mais severa com intensa microcitose e hipocromia. A morfologia eritrocitária apresenta ainda poiquilocitose intensa, anisocitose, células em alvo, policromasia, ponteado basófilo e eritroblastos. Dividese em: Beta+Beta+ (deficiência acentuada da produção de cadeias beta) e Beta0Beta0 (Ausência de produção de cadeias beta) - Talassemia beta heterozigótica(Minor) → A beta talassemia minor apresenta manifestações clínicas discretas ou são assintomáticas. A concentração de hemoglobina está acima de 10,0 g/dl e podem apresentar na extensão sanguínea hipocromia, microcitose, codócitos e ponteado basófilo. 37 TABELA – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS DAS BETA TALASSEMIAS FONTE: SILVA, 1999. Hemoglobinúria paroxística noturna → É uma doença hemolítica adquirida causada por um defeito estrutural da membrana celular eritroide resultante de um clone anormal da Stem cell, onde os glóbulos vermelhos passam a ter maior sensibilidade ao complemento, o que leva à hemólise. Esta hemólise acontece principalmente à noite, quando há um decréscimo de pH sanguíneo durante o sono. Pode haver anemia severa com hemoglobina em torno de 6 g/dl. Ocorre hemoglobinúria, perda de ferro sob a forma de hemossiderina. Pode-se observar ao esfregaço sanguíneo macro ou microcitose, hipocromia, policromasia. Apresenta reticulocitose, leucopenia e trombocitopenia. O teste de HAM é utilizado para se verificar a sensibilidade das hemácias ao complemento em soro acidificado. ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS Autoimunes → Ocorre quando o sistema imunológico do paciente deixa de reconhecer os seus próprios antígenos e passa a formar anticorpos dirigidos às suas próprias células ou tecidos. Cerca de 70% dessas anemias são secundárias a doenças 38 como: lupus, eritematoso sistêmico, leucemia linfocítica crônica, linfomas, tumores, infecções virais e síndromes de imunodeficiência. O teste de COOMBS direto é positivo. Isoanticorpos → Estão relacionados à doença hemolítica do recém-nascido e com as reações hemolíticas transfusionais. Provocados por drogas → Formação de microcomplexos que interagem com a membrana eritrocitária causando hemólise. O teste de COOMBS direto é positivo. ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS Anemia megaloblástica → É uma anemia macrocítica não hemolítica decorrente da deficiência dos fatores de reprodução da eritropoese, especificamente pela falta de vitamina B12 e folato. Na extensão sanguínea podem-se observar neutrófilos hipersegmentados. Deficiência de vitamina B12: - Dieta inadequada; - Deficiência do fator intrínseco – anemia perniciosa e gastrectomia; - Doença intestinal: linfoma, crescimento bacteriano no intestino delgado; - Gravidez. Deficiência de ácido fólico: - Alcoolismo; - Crescimento na infância sem dieta adequada; - Doença intestinal; - Gestação; - Hematopoese marcadamente aumentada (anemia hemolítica); Drogas que causam anemia megaloblástica: - AZT; - Hidroxiureia; - Fenitoína; - Fenobarbital; - Aciclovir; - Trimetropim; 39 - Anticoncepcionais orais; - Anticonvulsivantes. Anemia Ferropriva → É a doença hematológica mais frequente e decorre da deficiência de ferro no organismo causada por: - Perda de sangue crônica (adulto); - Ingestão inadequada (crianças); - Requerimento aumentado (gestação); - Deficiência de transporte e/ou absorção de ferro; - Verminoses. A anemia se instala após a depleção progressiva dos estoques de ferro no organismo. Quando inicia a deficiência de ferro, o estoque de ferro do depósito é utilizado e começa a diminuir. Diminui também a ferritina plasmática. Progredindo a ingestão deficiente de ferro ou o excesso de perda, a hemoglobinização do eritrócito é comprometida levando a um estado de hipóxia, que estimula a produção de eritropoetina. Os precursores eritroides são estimulados e há um aumento das divisões mitóticas (microcitose). Com o departamento de maturação deficiente ocorre uma hemoglobinização anormal do eritrócito, com baixo conteúdo de hemoglobina (hipocromia). A anemia ferropriva instalada apresenta ferro sérico diminuído, capacidade de transporte aumentada, índice de saturação diminuído e ferritina diminuída. Anemia sideroblástica → É causada por um defeito na utilização do átomo de ferro e na produção do grupo heme. Pode ser: - Congênita → ligada ao sexo; - Adquirida→ secundárias às drogas (cloranfenicol, isoniasida) e elementos químicos como chumbo e cobre. Esses agentes interferem na síntese da heme; A anemia sideroblástica caracteriza-se por apresentar depósitos de grânulos de ferro dispostos ao redor do núcleo dos eritroblastos e dos eritrócitos. São evidenciados pela coloração com azul da Prússia, caracterizando sideroblastos em anel (eritroblastos) e siderócitos (eritrócitos). No hemograma encontramos redução da concentração de hemoglobina, VCM < 80, HCM e CHCM diminuído, anisocitose, poiquilocitose, microcitose, hipocromia e ponteado basófilo. Ferro sérico, o índice de saturação e 40 ferretina estão aumentados. Dupla população eritrocitária, caracterizando um dimorfismo celular no histograma eritrocitário. Anemia de doenças crônicas → É secundária a uma doença crônica: processos infecciosos, inflamatórios e doenças malignas. A anemia se instala por distúrbio no metabolismo do ferro. É uma anemia microcítica e hipocrômica, com o nível de hemoglobina entre 7 a 11,0 g/dl. No hemograma encontramos VCM e HCM reduzidos, micrócitos, hipocromia com anisocitose e poiquilocitose. O ferro sérico está diminuído, a capacidade de transporte normal, o índice de saturação normal e a ferritina normal ou elevada. ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR Ocorre pela alteração da Stem cell ou dos fatores reguladores da hematopoese. É caracterizada pela pancitopenia ou diminuição nas três linhagens de células produzidas na medula óssea. - Aplasia de medula adquirida: induzida por agentes químicos e físicos, radiações, infecções e idiopáticas. - Aplasia de medula constitucional: anemia de Fanconi. LEUCÓCITOS Como vimos anteriormente, a Stem cell, por ação de fatores de crescimento, dá origem a todas as demais células sanguíneas, obedecendo a um sistema hierárquico de maturação. 41 FIGURA – LEUCOGÊNESE FONTE: SILVA, 2003. LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) Morfologia Os polimorfonucleares compreendem os granulócitos: neutrófilos, eosinófilos e basófilos. A medula produz em média 20 a 30 x 109 polimorfonucleares por dia. O que permite a diferenciação entre os polimorfonucleares são as granulações secundárias formadas a partir do estágio de mielócito. Sem elas, os granulócitos apresentam o mesmo padrão morfológico. As células progenitoras dos polimorfonucleares ficam no estroma da medula e, à medida que elas maturam, deixam o estroma e ganham os sinusoides. Assim, as precursoras e as células normalmente encontradas na medula e sangue periférico são sucessivamente: mieloblastos, promieloblastos, mielócitos, metamielócitos, bastonetes e polimorfonucleares (segmentado, eosinófilo, basófilo), que apresentam padrões similares de proliferação, diferenciação, maturação, armazenamento na medula óssea e liberação para o sangue periférico. Mieloblastos → Esse termo descreve uma célula imatura típica de medula óssea, 42 de forma arredondada, citoplasma escasso com uma basofilia discreta ou moderada, sem granulações, exceto no LMA, em que podem apresentar granulações primárias. O núcleo é arredondado ou oval com cromatina fina e reticulada. Os nucléolos geralmente estão presentes em número de até 5. FIGURA - MIELOBLASTO http://www.flickr.com/photos/ Promielócito → Tem como característica o aparecimento de uma granulação fina azurófila e inespecífica seguida de uma granulação específica mais grosseira, inclusive por sobre o núcleo. Os nucléolos são evidentes no início desta fase, ficando menos proeminentes à medida que a célula se desenvolve. FIGURA – PRÓ-MIELÓCITO http://bioinfo-aula.blogspot.com.br/ Mielócito → Nesse estágioé definida a característica do neutrófilo, ou seja, aparecem as granulações secundárias que vão caracterizar a célula como neutrófilo, basófilo ou eosinófilo. O núcleo é geralmente excêntrico, redondo ou ovalado, e o nucléolo não é mais visível. 43 FIGURA - MIELÓCITO Metamielócito → Nessa fase, a célula não é mais capaz de se dividir. Os nucléolos não podem ser vistos indicando o fim da síntese de DNA. O núcleo apresenta- se ovalado com uma reentrância (chanfradura). FIGURA – METAMIELÓCITO FONTE: http://aleksandrobio.webnode.com.br Bastonete (bastão) → A condensação da cromatina é intensa e o núcleo assume a forma de um bastão uniforme. 44 FIGURA – BASTONETE Segmentado → apresenta constrições nucleares, unidas por filamentos de cromatina, que formam dois ou mais lóbulos nucleares. FIGURA - SEGMENTADOS As granulações citoplasmáticas secundárias presentes nestas últimas fases de maturação dos polimorfonucleares coram-se tanto pelo azul de metileno como pela eosina. O nome de cada célula corresponde ao fato das granulações serem neutras (neutrófilos), corar pela eosina (eosinófilos) ou azul de metileno (basófilo). Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) Neutrófilos A cinética dos neutrófilos diz respeito aos processos que vão desde a sua produção pela medula óssea, até seu consumo nos tecidos. São identificados três compartimentos. 45 a- Medula óssea, onde se observa um equilíbrio entre Stem cell, células mitóticas e células maduras, ou seja, as células que amadurecem e abandonam este compartimento são substituídas pela divisão de outras células do compartimento; b- Sangue periférico →Nem todos os neutrófilos que estão nos vasos estão circulando. Aqui temos dois subcompartimentos: o circulante composto de segmentados e bastonetes (que são os neutrófilos contados quando da realização do hemograma), e o marginal formado por neutrófilos aderidos às paredes vasculares, e que entram imediatamente em circulação em função das necessidades. O exercício e a adrenalina mobilizam os neutrófilos do compartimento marginal para o compartimento circulante alterando o leucograma. c- Tecidos, para onde os neutrófilos migram para exercerem suas funções. Função dos neutrófilos→ Por meio de suas propriedades de motilidade, quimiotaxia, ação bactericida e digestão, os neutrófilos têm como principal função a fagocitose de corpos estranhos e bactérias, além de participar dos processos inflamatórios. Destino dos neutrófilos→ Em condições normais, o tempo de maturação do mieloblasto até o segmentado é de 4 a 6 dias. No sangue periférico, os neutrófilos circulam em torno de 7 horas. Daí, ou são destruídos, ou migram para os tecidos. Uma vez nos tecidos estas células nunca voltam ao sangue. Efetuam suas funções de fagocitose e são destruídos no local ou nos gânglios pelas células reticulares. Alteração no número de neutrófilos Neutrofilias ( ) • Fisiológicas→ exercícios físicos, estresse, gravidez, recém-nascidos. • Não fisiológicas→ infecções bacterianas agudas, inflamações agudas sem infecções (cirurgias, queimaduras, infartos, artrite reumatoide, vasculite), hemorragias e hemólises agudas, doenças mieloproliferativas (LMC, policitemia Vera, 46 mielofibrose), cânceres (carcinoma, linfoma, melanoma), alterações metabólicas (uremia, acidose diabética). Neutropenias ( ) → processos infecciosos graves(depleção dos neutrófilos da medula óssea), infecções virais em geral, protozoárias e fúngicas, drogas, fatores nutricionais e causas imunológicas. Eosinófilos Os eosinófilos são um pouco maiores que os neutrófilos e são diferenciados dos neutrófilos e dos basófilos pelas granulações secundárias grosseiras e alaranjadas, cuja produção inicia-se no estágio de mielócito. Estas granulações contêm enzimas do tipo peroxidases, fosfatase ácida, fosfolipases e principalmente histaminases. Estas últimas conferem a principal função dos eosinófilos de modulação das reações imunológicas de hipersensibilidade. Além disso, apresentam grande afinidade pelos anticorpos do tipo IgE que recobrem os parasitas. Por meio destes anticorpos eles aderem à superfície dos parasitas e liberam, através da degranulação, proteínas citotóxicas. Os eosinófilos maduros circulam no sangue por 8 horas e migram para os tecidos (pele, mucosas do trato respiratório e trato intestinal) onde permanecem aproximadamente 12 dias. As causas de aumento dos eosinófilos (Eosinofilia) são: parasitoses (90%), reações alérgicas e uso de certos medicamentos (nitrofurantoína, sulfonamidas). A diminuição dos eosinófilos (Eosinopenia) aparece em doenças mieloproliferativas, utilização de glicorticoides. A ausência de eosinófilos em infecções graves demonstra o estado de estresse do organismo (prognóstico ruim). 47 FIGURA – EOSINÓFILO Basófilos Os basófilos são encontrados em pequena quantidade no sangue periférico (0 a 1%) e circulam por algumas horas e migram aos tecidos. São facilmente identificados pelos grânulos grosseiros azuis escuros, muitas vezes, sobre o núcleo, ricos em histamina e heparina. São mediadores do processo inflamatório e das reações alérgicas, quando estão aumentados. FIGURA - BASÓFILOS Os mastócitos tissulares são células semelhantes aos basófilos, com a mesma função, porém não possuem a mesma origem. Os mastócitos se originam da linhagem dos monócitos e macrófagos. 48 LEUCÓCITOS MONONUCLEARES Linfócitos O sistema linfoide é constituído por órgãos linfoides primários e secundários que estão envolvidos na produção de um determinado grupo de células que desempenham a mesma função: o fenômeno da imunização. O timo e a medula óssea são órgãos linfoides primários envolvidos com a diferenciação dos linfócitos a partir de precursores imaturos. No timo ocorre a diferenciação dos linfócitos T (timodependente) e, na medula, a diferenciação dos linfócitos B (bolsa-dependente). Posteriormente, estes linfócitos imunocompetentes se dirigem aos órgãos linfoides secundários (linfonodos, baço, placas de Peyer no intestino e as amígdalas) onde passam por uma diferenciação final e proliferam a partir de antígenos específicos. Os linfócitos são células com núcleo denso e nucléolo (raramente visualizados), e citoplasma pouco abundante contendo poucas organelas, de coloração basófila. Os subtipos de linfócitos T e B não podem ser diferenciados morfologicamente pelo esfregaço de sangue. FIGURA – LINFÓCITOS Os linfócitos T consistem 75% dos linfócitos do sangue e estão relacionados com a imunidade mediada por células (rejeição de enxertos, organismos intracelulares, células tumorais e reações de hipersensibilidade tardia). 49 Os linfócitos B atuam na imunidade humoral. Quando estimulados por antígenos se diferenciam em plasmócitos, que são células secretoras de anticorpos específicos. Os linfócitos em estágio de maturação entre os linfócitos B e os plasmócitos são denominados linfócitos atípicos e podem ser vistos no sangue periférico de pacientes com mononucleose infecciosa e outras viroses. FIGURA – LINFÓCITO ATÍPICO http://oqueeh.com.br/linfocitos-atipicos A linfocitose ocorre nas infecções virais, principalmente mononucleose infecciosa, hepatite, citomegalovírus. A linfopenia está presente nas infecções agudas, stress agudo (queimaduras, traumas), síndromes de imunodeficiência, administração de corticoides e quimioterapia. Monócitos O monócito é a maior célula circulante. Apresenta um núcleo irregular, em forma de rim, com cromatina exibindo aspecto reticular.O citoplasma contém finas granulações azurófilas e grânulos ricos em esterase. O monócito tem origem medular e constitui uma série própria (monoblastos, promonócitos, monócitos e macrófagos), porém muito próxima da série granulocítica. Permanece no sangue cerca de 8 horas e sai em direção aos tecidos onde evolui dando origem ao macrófago. Como componente do sistema mononuclear fagocitário (anteriormente chamado de sistema retículo endotelial) tem como funções: a remoção de células mortas, senescentes, estranhas ou 50 alteradas, remoção de partículas estranhas, destruição de micro-organismos e células tumorais, e, principalmente, participar da imunidade humoral e celular como célula apresentadora de antígenos aos linfócitos T. A monocitose pode aparecer principalmente em estados de recuperação de infecções agudas (bom prognóstico), infecções crônicas, processos inflamatórios como lúpus eritematoso e artrite reumatoide. FIGURA - MONÓCITO http://www.medicinapreventiva.com.ve/laboratorio/globulos_blancos.htm ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS Anomalia de Pelger-Huet → Caracteriza-se por uma diminuição na segmentação do núcleo dos granulócitos dando ao leucograma a falsa impressão de um desvio à esquerda. A forma congênita é benigna, autossômica dominante. A forma adquirida (Pseudo Pelger-Huet) está geralmente associada à quimioterapia. FIGURA – ANOMALIA DE PELGER-HUET 51 Anomalia de Alder-Reilly → Anomalia autossômica recessiva, encontrada em diversas síndromes, caracterizada pela presença de grânulos vermelho-escuros, semelhantes às granulações tóxicas. FIGURA – ANOMALIA DE ALDER-REILLY http://s532.photobucket.com Anomalia de Chediak-Higashi → Anomalia autossômica recessiva, pouco frequente, que se caracteriza pela presença de grânulos gigantescos no citoplasma, que alteram a quimiotaxia e ação bacteriana dos neutrófilos, aumentando a suscetibilidade às infecções bacterianas. FIGURA – ANOMALIA DE CHEDIAK-HIGASHI Anomalia de May-Hegglin → Caracteriza-se pela presença de granulações ribossomais grandes acinzentadas no citoplasma, um pouco maiores que o corpúsculo 52 de Döhle. FIGURA – ANOMALIA DE MAY-HEGGLIN http://www.uab.es/uabdivulga/cast/avances/2005/plaquetes0105.htm>. REAÇÃO LEUCEMOIDE É um aumento exagerado dos glóbulos brancos, reacional e consequente a um processo infeccioso, que se corrige com a erradicação da infecção, e não deve ser confundido com reações leucêmicas, típicas da leucemia mieloide crônica. Etapas do hemograma infeccioso 1- Leucocitose, sem desvio à esquerda, sem granulação grosseira. 2- Leucocitose, com desvio à esquerda até bastão, com granulação grosseira. 3- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até mielócito, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos. 4- Leucocitose intensa, com desvio à esquerda até promielócito, raros blastos, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de Döhle. 53 5- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até blasto, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de Döhle, esquizócitos, hemácias fragmentadas. 6- Queda da leucometria, com desvio à esquerda até blasto, com corpos de Döhle, esquizócitos, 7- Falência múltipla hemácias fragmentadas. 8- Queda de leucometria, neutropenia, com desvio à esquerda até blasto, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de Döhle, esquizócitos, hemácias fragmentadas. 9- Septicemiade órgãos, insuficiência renal, hemorragia. NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS Em condições normais, as células sanguíneas estão sob estrito controle do organismo, podendo sofrer, a qualquer momento, alterações em quantidade e qualidade, como forma de reação a estímulos externos e de adequação a situações adversas. Segundo Brum (2003), essas flutuações, motivadas por estímulos diversos, são chamadas alterações reacionais. Entretanto, como qualquer outra célula do organismo vivo, as células sanguíneas podem sofrer reações que provocam alterações malignas, e que são denominadas neoplasias. Portanto, as células cancerosas diferem das normais por não mais responderem aos mecanismos de controle do organismo. FIGURA – NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 54 SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS FIGURA – SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS Leucemia Mieloide Crônica Leucemia caracterizada pela proliferação e diferenciação descontrolada de células leucêmicas, decorrente da ação de um cromossomo alterado (cromossomo Philadelfia) que resulta na codificação de uma proteína com atividade tirosina quinase aumentada. A doença apresenta uma fase crônica com hiperleucocitose que pode evoluir para uma fase blástica fatal (crise blástica) com fibrose medular. É rara na criança, acometendo adultos jovens. No hemograma, encontramos hiperleucocitose (entre 100 a 300.000/µl), com pseudodesvio à esquerda, pois aparecem células jovens sem ordem de maturação. A predominância é de neutrófilos e mielócitos. As plaquetas e basófilos podem estar aumentadas. Ocorre hiperuricemia e, ao exame clínico, observa-se esplenomegalia. Na fase maligna ou crise blástica ocorre pancitopenia com presença de blastos no sangue periférico. Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) Aspectos Laboratoriais: presença de precursores mieloides e eritroides, 55 leucocitose, anemia (Hb<10g/dl), hemácia em lágrima, policromasia, trombocitose com plaquetas gigantes, eosinofilia, basofilia. Pode ocorrer fibrose medular. Trombocitemia Essencial Aspectos laboratoriais: trombocitose (>1.000.000/µl) com presença de plaquetas grandes, anemia discreta, leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda, eosinofilia e basofilia. Policitemia Vera Aspectos laboratoriais: hemoglobina entre 18 a 24 g/dl, hemácias entre 7 a 12 milhões/µl, hematócrito entre 70 a 92%, leucometria entre 25 a 50.000/µl, plaquetas entre 500 mil a 1.000.000/µl, anisocitose, poiquilocitose, presença de precursores eritroides, policromasia, ponteado basófilo, aumento absoluto e relativo da série mieloide. LEUCEMIAS AGUDAS As leucemias agudas resultam de uma proliferação clonal de células imaturas, com pouca ou nenhuma maturação na medula óssea. A presença de 30% de blastos na medula óssea é geralmente aceita como critério de diagnóstico de leucemia aguda. A classificação é baseada na linhagem predominante na qual a maturação ocorre (linfoide ou mieloide). 56 Leucemia linfoide aguda (LLA) Ocorre principalmente em crianças e caracteriza-se pela presença de linfoblástos, com cromatina fina e uniforme, com nucléolo bem mais marcado e evidente que do mieloblasto. O citoplasma é azul e sem grânulos. Pode haver anemia normocítica normocrômica, trombocitopenia, leucometria de 10.000 a 50.000/µl em 2/3 dos pacientes, com granulocitopenia. Ocorre hiperuricemia e hipocalcemia e aumento de LDH. Em exames citoquímicos apresenta PAS positivo. Classificação FAB (Franco-americano-britânico) das LLA: L1 → Linfoblastos pequenos com núcleo irregular e pouco citoplasma. L2 → Linfoblastos grande com núcleo irregular, nucléolos evidentes e citoplasma mais abundante. L3 → Linfoblastos grandes com citoplasma hiperbasófilo (muito azul) e extremamente vacuolado. Também chamada de linfoma de Burkt. Leucemia mieloide aguda (LMA) Proliferação anormal de células leucêmicas, com parada de produção de células normais. Ocorre anemia normocrônica normocítica causada por falta de espaço dentro da medula pela proliferação do clone maligno. Trombocitopenia. Leucometriaaté 100.000/µl em 80% dos pacientes. Presença de bastões de Auer nos blastos, que dão reações positivas com a peroxidase e Sudan Black. Classificação FAB das LMA 57 FIGURA – CLASSIFICAÇÃO FAB DAS LMA FONTE: OLIVEIRA, 2003. SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) São causadas por um defeito adquirido no DNA de um ou, mais provavelmente, vários cromossomos do progenitor hematopoético (Stem cell multipotente), podendo evoluir para uma leucemia mieloblástica aguda. As SMD resultam da falência da medula óssea na produção do número adequado de células circulantes. A falência da 58 medula óssea é um resultado de um dano genético adquirido. As anormalidades citogenéticas podem ser frequentemente observadas. Nas SMD podem ser observadas alterações nas linhagens granulocíticas, eritrocíticas e/ou megacariocítica. Etiologia → Agentes químicos (benzeno), radiação/radioterapia, quimioterapia (agentes alquilantes). Aspectos laboratoriais: → Anemia em 90% dos casos (normocítica ou macrocítica); → Poiquilocitose com macro-ovalócitos, hemácias em lágrima; → Ponteado basófilo e corpúsculo de Howell-Jolly; → Presença de eritroblastos; → Contagem de reticulócitos normal ou baixa; → Trombocitopenia ou trombocitose com macroplaquetas; → Linfocitopenia; → Anomalia de Pelger-Huët; → Medula óssea hipercelular. Classificação FAB das SMD: → Anemia refratária; → Anemia refratária com sideroblastos; → Anemia refratária com excesso de blastos; → Anemia refratária com excesso de blastos em diferenciação; → Leucemia mielo-monocítica crônica. 59 FIGURA – SÍNDROMES MIELODISPLÁSICAS SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS FIGURA – SÍNDROME LINFOPROLIFERATIVA Leucemia Linfoide crônica Não é uma doença agressiva, é rara antes dos 40 anos (doença do idoso), e caracteriza-se por uma proliferação maligna de células linfoides maduras com a parada de maturação funcional destas células. A contagem de linfócitos varia de 10.000 a 100.000/µl, com presença de linfócitos pequenos e de células degeneradas (restos nucleares) denominadas manchas de Grumpet. Pode haver anemia 60 normocrômica e normocítica, e o número de granulócitos geralmente é normal. Tricoleucemia (Hairy Cell Leukemia) Os pacientes geralmente apresentam uma tríade de sintomas: pancitopenia, esplenomegalia e Hairy cell circulantes (linfócitos cujo citoplasma tem aspecto de franja). Leucemia pró-linfocítica É uma variante subaguda da LLC na qual a metade das células leucêmicas são linfócitos grandes denominados pró-linfócitos (apresentam nucléolo). Em 80% dos casos os pró-linfócitos são células B e em 20% células T. 50% dos pacientes têm mais de 70 anos. Apresenta leucometria maior que 100.000/µl, anemia normocrômica e normocítica e contagem de plaquetas abaixo de 100.000/µl. Mieloma Múltiplo Proliferação anormal de plasmócitos que sintetizam imunoglobulinas específicas IgG ou IgA. Acomete pessoas com idade média de 65 anos, embora possa ocorrer ocasionalmente na segunda década de vida. Apresenta dor óssea causada por compressão vertebral e fratura, causada por um aumento da atividade osteoclástica. Aspectos laboratoriais: → Infiltrado medular de plasmócitos com reflexos no sangue periférico. → Anemia normocrômica e normocítica. → Presença de Rouleaux. → Aumento do VHS. → Secreção de Ig monoclonal detectável por imunoeletroforese. Linfoma Leucemizado 61 O envolvimento medular nos linfomas é pequeno. Apresenta anemia e reticulocitose associados à anemia hemolítica autoimune (Coombs +). A trombocitopenia está relacionada à infiltração medular, hiperesplenismo ou destruição autoimune. HEMOSTASIA O termo hemostasia refere-se ao conjunto de mecanismos pelos quais se mantêm o sangue fluido dentro do vaso, sem coagular (trombose) nem extravasar (hemorragia). Didaticamente, podemos dividir a hemostasia em três etapas: 1- Hemostasia Primária; 2- Coagulação; 3- Fibrinólise. A totalidade dos processos envolvidos nestas etapas depende de elementos independentes, porém interativos, tais como: - Vasos sanguíneos (particularmente o endotélio); - Elementos celulares sanguíneos (particularmente plaquetas); - Proteínas procoagulantes do plasma (fatores de coagulação); - Sistema fibrinolítico; - Proteínas inibitórias e anticoagulantes. 62 No caso de uma hemorragia (lesão de vaso), os mecanismos da hemostasia são mobilizados. Inicialmente ocorre uma vasoconstrição que reduz o fluxo sanguíneo no vaso lesado, minimizando a perda de sangue no local, até que a ação conjunta das plaquetas e dos fatores da coagulação promova o tamponamento. Este tamponamento perdura até que o tecido vascular lesado se regenere, ação dos fibroblastos. Em seguida ocorre a dissolução do tampão hemostático. Grosseiramente, os eventos da hemostasia podem ser esquematizados da seguinte forma: Parede vascular lesada → fator tecidual → ativação das plaquetas → vasoconstrição → diminuição do volume sanguíneo → aumento da concentração do fator tecidual → ativação dos fatores plasmáticos → formação da fibrina que se junta ao trombo plaquetário → tampão hemostático → regeneração vascular → fibrinólise. A eficiência deste sistema de eventos, que visa à preservação da massa sanguínea, depende de uma ação localizada (focalizada pela hemostasia primária), da não extensão do processo (fatores inibidores e fibrinolíticos) e da rapidez dos processos. Quando ocorre falha ou aberração dos mecanismos homeostáticos, temos as síndromes hemorrágicas ou a trombose e a coagulação intravascular disseminada. 63 HEMOSTASIA PRIMÁRIA É o conjunto de fenômenos responsáveis pela focalização inicial do processo pela formação do agregado plaquetário, envolvendo principalmente os vasos, às plaquetas, fibrinogênios e o fator de Von Willebrand. Esses fenômenos compreendem: - Vasoconstrição reflexa; - Adesão das plaquetas às estruturas do subendotélio; - Ativação das plaquetas; - Agregação das plaquetas. Vasos sanguíneos: O endotélio normal mantém-se como uma superfície tromborresistente em função, principalmente, da produção de prostaciclina PG12 (potente vasodilatador e antiagregante plaquetário). Também produz e estoca o fator de Von Willebrand. Quando ocorre uma lesão, o subendotélio, ao contrário do endotélio, é capaz de desencadear o mecanismo hemostático, por meio de estruturas subendoteliais que estimulam os elementos procoagulantes do sistema. Nesse caso, as plaquetas aderem-se ao subendotélio em segundos, e em alguns minutos é formada a fibrina. Plaquetas: São fragmentos anucleados de megacariócitos de importância central nos primeiros passos da ativação do sistema hemostático. As plaquetas além de formar o trombo plaquetário são fontes de substâncias que vão promover a vasoconstrição, as modificações plaquetárias com emissão de pseudópodes, a agregação plaquetária e a integração com as proteínas da coagulação. Ativação Plaquetária ↓ Ativação da fosfalipase C ↓ 64 Ativação da proteína C quinase ↓ Aumento de Cálcio intracelular ↓ Desenvolvimento de pseudópodes ↓ Agregação plaquetária ↓ Secreção de ADP → ativar a aderência ↓ Contração da actinomiosina plaquetária → retração do coágulo Fator de von Willebrand – (FvW) Consiste em uma proteína produzida no endotélio vascular que faz a ligação entre a glicoproteína da membrana da plaqueta e o colágeno do subendotélio. COAGULAÇÃO O mecanismo da coagulação consiste em uma série de reações que culminam na formação de uma proteína, insolúvel em ureia, denominada fibrina. Este gelde fibrina se une ao trombo plaquetário formando o tampão hemostático ou coágulo propriamente dito, aumentando a eficiência do efeito mecânico de tamponamento. A transformação do fibrinogênio em fibrina se dá por um sistema complexo de reações enzimáticas que podem ser ativadas por duas vias: via extrínseca e via intrínseca. 65 FIGURA – CASCATA DA COAGULAÇÃO FONTE: TERRA, 2000. Via extrínseca → O agente desencadeante é o fator tissular liberado por lesão do endotélio, que ativa o fator VII, que vai exercer sua ação proteolítica sobre os fatores X e IX. FIGURA – FATORES DA COAGULAÇÃO DA VIA EXTRÍNSECA FONTE: TERRA, 2000. 66 Via Intrínseca → O agente desencadeante é o contato com uma superfície eletronegativa no subendotélio, não havendo entrada de elemento exógeno, e por isso chamada de via intrínseca. Em contato com estas superfícies eletronegativas, o fator XII é ativado, que ativa o fator XI, que ativa o fator IX. O fator IX junto com o fator VIII ativa o fator X (via comum). FATORES DA VIA INTRÍNSECA DA COAGULAÇÃO FONTE: TERRA, 2000. 67 TABELA – FATORES DA COAGULAÇÃO - FINALIDADES 68 http://www.msdlatinamerica.com Os fatores envolvidos nesta fase (coagulação) são substâncias sintetizadas com antecedência e que circulam no plasma na forma inativa, e que serão ativadas na hora e local da lesão. Assim, na complexa cadeia de fatores da coagulação antecedentes da trombina, cada proteína ativada (produto) funciona como enzima que ativa a proteína seguinte (substrato), sucessivamente, até a ativação da protrombina. FIBRINÓLISE Nesta fase ocorre a digestão enzimática da malha de fibrina permitindo uma posterior repermeabilização do vaso. O sistema fibrinolítico é composto de vários ativadores e inibidores e de uma proteína central, o plasminogênio. Os ativadores são os fatores da fase de contato da coagulação, o t-PA ou ativador tissular do plasminogênio, e o SCU-PA ou prourokinase. O plasminogênio é o precursor inativo que se transforma em plasmina por ação de seus ativadores. A plasmina é uma enzima capaz de proteolizar a fibrina, o fibrinogênio, e os fatores Va e VIIIa. A ação proteolítica da plasmina produz os chamados produtos de degradação do fibrinogênio e da fibrina. O principal inibidor da plasmina é a alfa2- antiplasmina. 69 FIGURA - FIBRINÓLISE FONTE: TERRA, 2000. OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA → Os fatores ativados que se desprendem do coágulo são rapidamente neutralizados por inibidores fisiológicos da coagulação: - Antitrombina III: É uma potente enzima proteolítica capaz de inibir a calicreína e os fatores XII, XIa, IXa, Xa e IIa. A heparina acelera em 100 vezes a ação da antitrombina III; - Proteína C e S: são proteínas dependentes da vit. K capazes de inibir os fatores Va e VIIIa. DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA Distúrbios Plaquetários 70 São denominadas púrpuras plaquetárias e caracterizam-se clinicamente por apresentarem petéquias, sangramento espontâneo ou por traumas. Podem ser: a- Plaquetopênicas (defeito quantitativo): → Hereditárias: púrpura amegacariocítica, síndrome de Fanconi. → Adquiridas: anemia aplástica, inibição sobre megacariócitos por drogas, deficiência de vitamina B12, ácido fólico, infiltração medular por células leucêmicas. → Aumento da destruição: na coagulação intravascular disseminada (CID), doenças autoimunes, pós-transfusão, hiperesplenismo, circulação extracorpórea. b- Plaquetopáticas (defeito qualitativo): → Hereditárias: diminuição da adesão plaquetária no subendotélio (doença de Von Willebrand, síndrome de Bernard-Soulier), tromboastenia, trombocitopatias. → Adquiridas: induzidas por medicamentos, distúrbios mieloproliferativos. c- Trombocitose (número elevado de plaquetas): → doenças mieloproliferativas. Distúrbios Vasculares → Púrpuras vasculares hereditárias: telangectasia de Rendu-Osler-Weber, doença congênita do colágeno. → Púrpuras vasculares adquiridas: vasculites, causas mecânicas. Distúrbios da coagulação plasmática → Hereditários: deficiência de síntese de fatores plasmáticos (hemofilia Afator VIII e hemofilia B-fator IX). → Adquiridas: Na coagulação intravascular disseminada (CID), doenças hepáticas, deficiência de vitamina K. Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) 71 → Trombose ligada ao fator vascular; → Trombose ligada à função plaquetária; → Trombose ligada aos fatores plasmáticos da coagulação. ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA De modo geral, para o diagnóstico das alterações da hemostasia ou para avaliações pré-operatórias, os laboratórios de análises clínicas realizam em suas rotinas os seguintes exames: → avaliação plaquetária; → tempo de coagulação (TC); → tempo de sangramento (TS); → prova do laço ou fragilidade capilar (PL); → retração do coágulo (RC); → tempo de atividade de protrombina (TP ou TAP); → tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). • Avaliação plaquetária: atualmente a avaliação quantitativa das plaquetas é obtida por contadores eletrônicos, aliada à observação da lâmina de sangue periférico, para detecção de possíveis anormalidades que alteram as contagens automatizadas (aglomerados de plaquetas, satelitismo plaquetário, plaquetas gigantes contadas como leucócitos). O valor normal de plaquetas gira em torno de 150 a 400 mil/mm3. • Tempo de coagulação: o sangue colhido é transferido para um tubo de ensaio e a partir daí (contato com a parede do tubo) mede-se o tempo até a formação de um coágulo firme. O valor normal pode ser considerado entre 6 a 12 minutos. O tempo de coagulação mede a via intrínseca da coagulação. Porém, é um teste bastante grosseiro, sujeito a muitas interferências (diâmetro do tubo, coleta traumática, garroteamento prolongado). Além disso, o TC não detecta pacientes hemofílicos leves e moderados sujeitos a sangramentos. Portanto o TC tem pouco valor clínico. 72 • Tempo de sangramento: este teste mede a eficiência do tampão plaquetário em estancar o sangue após incisão na pele. Avalia possíveis defeitos plaquetários e vasculares na hemostasia primária. É importante no diagnóstico da doença de Von Willebrand. O valor normal (método de Ivy) é de 1 a 7 minutos. • Prova do laço ou Fragilidade Capilar: mede a hemostasia primária e estabelece as condições de permeabilidade e fragilidade capilar pelo aumento da pressão interna dos capilares feita por garroteamento. O aparecimento de até 5 petéquias é considerado normal. A prova do laço tem valor duvidoso, pois em algumas púrpuras plaquetárias e vasculares o teste se mostra negativo. • Retração do coágulo (RC): fornece dados relativos à atividade plaquetária e de sua enzima trombastenina, na retração do coágulo. O sangue é colhido e transferido, sem anticoagulante, a um tubo de ensaio que deve permanecer em banho- maria à 37ºC. Se após duas horas não houver retração, deixar o tubo por 24 horas e aí então confirmar a não retração. O resultado deve ser expresso como coágulo retrátil, parcialmente retrátil, e irretrátil. • Tempo de atividade protrombina (TP ou TAP): avalia o mecanismo extrínseco da coagulação. O plasma pobre em plaquetas (ppp) recebe o fator tecidual (fator extrínseco) e cálcio, e a via extrínseca é ativada, culminando na formação da fibrina. O laboratório deve estabelecer seus próprios valores de referência utilizando um controle com pool de plasma normal, que gira em torno de 12 a 15 segundos. Nesta prova deve-se levar em consideração também à qualidade da tromboplastina utilizada, indicada pelo fator ISI.Este teste (TP) também é utilizado para monitorar pacientes em uso de anticoagulantes orais (cumarínicos). • Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA): avalia a via intrínseca da coagulação. Neste teste o plasma pobre em plaquetas (ppp) em contato com ativador de contato e o cálcio, sofre ativação dos fatores da via intrínseca formando a fibrina. Aqui também o tempo considerado normal depende de cada laboratório (pool de plasma normal), e gira em torno de até 35 segundos. O TTPA também é utilizado 73 para monitorar pacientes que usam anticoagulantes como heparina de alto peso molecular. 74 REFERÊNCIAS BRUM, M. A. R. Diagnóstico Laboratorial das Leucemias. Campo Grande, 2003. DIGGS, L. W.; STURM, D.; BELL, A. The Morphology of Human Blood Cells. 5. ed. Abbott Laboratories, 1985. FAILACE, Renato. Hemograma, manual de interpretação. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 1995. FLEURY, Marcos Kneipp. Cadernos de Hematologia: Hematopoese. Rio de Janeiro, 1998. HAYHOE, F.G.J.; FLEMANS, R.J. Um Atlas colorido de Citologia Hematológica. 2. ed. Porto Alegre: Artes médicas, 1989. NAOUM, Paulo César. Hemoglobinopatias e Talassemias. São Paulo: Sarvier, 1997. OLIVEIRA, Maria Regina A. Azevedo. Hematologia Básica. 3. ed., São Paulo: Luana, 2003. SILVA, Irineu Moreira da. Automação e Interpretação de Hemogramas. Campo Grande, 2003. SILVA, Irineu Moreira da. Hemostasia e Provas de Coagulação Sanguínea. Campo Grande, 2004. SILVA, Paulo Henrique; HASHIMOTO, Yoshio. Interpretação Laboratorial do Eritrograma. São Paulo: Lovise, 1999. SILVA, Paulo Henrique; HASHIMOTO, Yoshio, Interpretação Laboratorial do Leucograma. São Paulo: Robe, 2003. TERRA, Paulo. Coagulação: Interpretação clínica dos testes laboratoriais de rotina. São Paulo: Atheneu, 2000. WILLIAMS, et al. Hematologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogum, 1976. WINTROBE, M.M. Clinical Hematology. 8. ed. London: Mc Grow Hill, 1998. OBRIGADO POR ESTUDAR CONOSCO! REALIZE A AVALIAÇÃO NO SITE PARA OBTER O SEU CERTIFICADO. WWW.VENES.COM.BR http://www.venes.com.br/