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PROVA 1 LHM 🔹 XABCDE X – eXsanguinação • Objetivo: o Controlar hemorragias externas maciças imediatamente. • Por quê? o O sangramento arterial grave pode matar em 2–3 minutos, mais rápido do que falta de ar em muitas situações. • Condutas: o Compressão direta o Torniquete (quando sangramento não pode ser controlado por compressão) o Curativos compressivos o Hemostasia rápida A – Airway (vias aéreas) + Proteção da Coluna Cervical • Objetivo: o Garantir via aérea pérvia sempre com imobilização cervical. • Avaliação: o Paciente fala? há roncos, gorgolejo, estridor? • Condutas: o Chin-lift ou jaw-thrust (sem hiperextensão cervical em suspeita de trauma) o Aspiração de secreções o Cânula orofaríngea/nasofaríngea o Intubação orotraqueal se necessário • Importância da coluna cervical: sempre colar cervical até excluir lesão. B – Breathing (respiração) • Objetivo: o Avaliar e tratar comprometimentos ventilatórios que matam rápido. • Causas letais: o Pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tórax instável. • Avaliação: o Expansibilidade torácica, murmúrio vesicular, FR, SatO₂. • Condutas: o O₂ suplementar o Drenagem torácica em pneumotórax/hemotórax o Curativo valvulado em pneumotórax aberto C – Circulation (circulação) • Objetivo: o Restaurar perfusão tecidual e controlar hemorragias internas. • Avaliação: o Pulso, enchimento capilar, PA, pele, sangramentos visíveis. • Condutas: o Dois acessos venosos calibrosos o Cristaloides aquecidos inicialmente (ex.: Ringer Lactato) o Transfusão conforme necessidade o FAST (ultrassom à beira-leito) para hemoperitônio/hemotórax o Controle de choque hemorrágico D – Disability (déficit neurológico) • Objetivo: o Avaliação neurológica rápida. • Avaliação: o Escala de Glasgow o Pupilas (tamanho e reatividade) o Glicemia capilar (descartar hipoglicemia) • Importância: detectar deterioração precoce que exija intervenção (ex.: TCE grave). E – Exposure/Environment (Exposição e Controle do ambiente) • Objetivo: o Expor completamente o paciente para procurar lesões ocultas, sem esquecer de evitar hipotermia. • Condutas: o Retirar roupas o Avaliar corpo todo o Cobertores térmicos, fluidos aquecidos, ambiente aquecido 🚑 Por que seguir o XABCDE? • Garante atendimento sistemático e sem omissões. • Prioriza o que mata mais rápido. • Pode ser repetido quantas vezes necessário (avaliação contínua). • Base do ATLS → cai em provas de graduação, residência e concursos de urgência/emergência. 🔹 Atendimento inicial do paciente grave Deve ser rápida, sistemática e voltada para o diagnóstico precoce e intervenções imediatas. As principais prioridades são identificar e tratar disfunções da via aérea, respiração, circulação e consciência, seguindo o protocolo ABCDE. Preparação e segurança da cena • Segurança da cena primeiro: o Avaliar o que ocorreu, o Nº de vítimas e riscos; o Não atuar se o local for inseguro (curvas, pista estreita, chuva/noite sem sinalização), para não virar mais uma vítima. • Preparação pré-chegada (SME → hospital): o Avisar o DE com idade/sexo, mecanismo de lesão, sinais vitais (PA mais baixa e pulso mais alto) e lesões aparentes. • Impacto do aviso prévio: o Permite acionar equipes (trauma, cirurgia, obstetrícia, ortopedia, radiologia, intérprete) o Garantir recursos (USG, TC, sala operatória) o Preparar procedimentos (IOT, dreno torácico) o Transfusão. • Mecanismo orienta suspeitas: o p.ex., queda de altura → fraturas de calcâneo, MI e coluna lombar; o colisão com intrusão no lado do motorista → fraturas de costelas, contusão pulmonar, lesões de baço/rins. • Precauções universais: o Toda a equipe com EPI (luvas, avental, máscara, proteção ocular) o Protetor de chumbo se houver raio-X portátil. Atendimento e Gestão Primários Garantir abordagem inicial clara, simples e organizada para diagnóstico precoce e tratamento imediato de condições que ameaçam a vida. Passo 1 – Checar responsividade • Não responsivo + sem pulso: iniciar RCP imediatamente. • Responsivo ou com pulso: seguir abordagem sistemática. Passo 2 – MOV-ED • M – Monitorização: o Instalar monitor multiparamétrico (PA, FC, SpO₂, temperatura, cardioscopia). • O – Oxigenoterapia: o Máscara com reservatório 15 L/min (SatO₂ > 90%). Considerar VNI ou IOT. • V – Via venosa: o Dois acessos calibrosos (≥18G) ou intraósseo/USG. • E – Eletrocardiograma: o Avaliar arritmias o Alterações agudas. • D – Dextro: o Medir glicemia capilar e corrigir alterações. Passo 3 – ABCDE • A – Airway: o Garantir via aérea + proteção cervical; manobras de abertura; intubação ou cricotireoidostomia se necessário. • B – Breathing: o Avaliar ventilação (expansibilidade, murmúrio, USG); corrigir hipóxia (VM se indicada). • C – Circulation: o Avaliar perfusão (tempo capilar, pulsos, PA, estado mental); Controlar hemorragias; reposição volêmica ou transfusão se choque hemorrágico. • D – Disability: o Glasgow, pupilas, resposta motora; corrigir hipoglicemia; se hipertensão intracraniana → cabeceira 30°. • E – Exposure: o Despir paciente para procurar lesões; prevenir hipotermia (cobertores, fluidos aquecidos, ambiente aquecido). Transferência do Paciente Indicação • Hospitais com recursos limitados devem transferir pacientes com lesões além da sua capacidade de manejo. • Subtriagem é frequente (ex.: idosos), aumentando morbimortalidade. Princípios • Estabilizar o paciente o melhor possível, mas sem atrasar a transferência. • Atrasos aumentam mortalidade. • Avaliação completa não é necessária antes da transferência. Critérios para transferência • Baseados em: demografia, mecanismo de lesão e achados clínicos. Exames e procedimentos • TC: só realizar se mudar conduta (ex.: alta segura); não atrasar se já há indicação de transferência. • Procedimentos pré-transferência: apenas os que previnem deterioração imediata: o Intubação endotraqueal o Toracostomia tubular o Estabilização de fratura pélvica o Transfusão de sangue se instável • Procedimentos menores (ex.: sutura) só se evitarem exsanguinação. Decisão e comunicação • Deve ser colaborativa entre equipe transferente e receptora. • Comunicação clara (verbal e escrita) com: o Identificação do paciente o Histórico relevante o Curso pré-hospitalar o Avaliação e condutas realizadas o Procedimentos e exames obtidos • Checklist de transferência → evita omissões. Avaliação Secundária • Não atrasar tratamento definitivo de pacientes instáveis (devem ir direto ao centro cirúrgico, angiografia ou transferência). • Somente pacientes estáveis passam pela avaliação secundária. Definição • Pesquisa secundária: avaliação detalhada da cabeça aos pés após o ABCDE. • Inclui: história completa, exame físico sistemático e exames diagnósticos direcionados. • Objetivo: identificar lesões inicialmente não detectadas. Lesões frequentemente perdidas • Abdome contuso: lesão de víscera oca, pancreatoduodenal, ruptura diafragmática. • Abdome penetrante: lesões retais e ureterais. • Tórax: lesões aórticas, tamponamento pericárdico, perfuração esofágica. • Extremidades: fraturas distais, ruptura vascular, síndrome compartimental. Pesquisa terciária • Reavaliação tardia → útil para identificar lesões que aparecem depois. • Deve ser feita quando o paciente estiver alerta. • Ideal que o mesmo clínico realize exames seriados → maior chance de perceber alterações sutis. História • Mecanismo da lesão: aumenta suspeita de lesões específicas. • Equipe pré-hospitalar é fonte valiosa → deve ser consultada. • Informações podem ser incompletas(até 5–10 min) • Benzodiazepínico EV (opção de escolha): o Diazepam 10–20 mg EV (repetir 1x após 10 min). o Lorazepam 0,1 mg/kg EV (máx. 4 mg, repetir em 10–15 min). o Se sem acesso venoso: Midazolam IM 10 mg ou diazepam retal. Passo 3 – 2ª linha (10–30 min) • Se não cessar: anticonvulsivante de ação prolongada o Fenitoína 15–20 mg/kg EV (máx. 50 mg/min, monitorar arritmia/PA). o Alternativas: Valproato EV 20–40 mg/kg, Levetiracetam EV 60 mg/kg, Fenobarbital 15– 20 mg/kg. Passo 4 – 3ª linha (≥30–60 min) → EME refratário • Internar em UTI, intubação orotraqueal. • Induzir coma barbitúrico ou anestésico: o Midazolam EV contínuo. o Propofol EV contínuo. o Pentobarbital/Tiopental (menos disponíveis). • EEG contínuo para titulação. ⚠ Complicações • Hipóxia, rabdomiólise, acidose metabólica, arritmias, instabilidade hemodinâmica, edema cerebral. • Alta mortalidade (10–30%), risco de sequelas cognitivas permanentes.ou imprecisas (ex.: paciente “encontrado” pode ter sido atropelado ou agredido). • Buscar antecedentes: medicamentos, alergias, histórico médico e cirúrgico. • Atenção especial a anticoagulantes e antiagregantes → risco aumentado de sangramento interno. 🔹 PNEUMONIA Etiologia 1. Agentes virais • Principal: Vírus Sincicial Respiratório (VSR) → 50–70% dos casos. • Outros: Influenza, Parainfluenza 1 e 3, Adenovírus, Rinovírus. • Importante: até 50% são coinfecções vírus + bactéria → motivo pelo qual o tratamento é voltado para bactérias. 2. Agentes bacterianos • Mais frequente em todas as idades: Streptococcus pneumoniae. • H. influenzae b: menos comum devido à vacinação precoce. • Streptococcus grupo A: pneumonia pós-viral (sarampo, varicela). • Staphylococcus aureus: associado a influenza, infecção cutânea, ou ambiente hospitalar. • Enterobactérias: mais comuns em pneumonia hospitalar ou imunodeprimidos. • Atípicas (mais comuns > 5 anos): Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae. Quadro Clínico da Pneumonia 1. Início e evolução • Geralmente precedida por IVAS (coriza, tosse, febre). • Evolução: febre persistente/alta, prostração, tosse produtiva, taquipneia, desconforto respiratório. • Pode haver dor abdominal (especialmente em pneumonia basal ou com derrame pleural). 2. Pneumonias atípicas • Mycoplasma pneumoniae: tosse persistente, febre baixa/ausente, estado geral preservado, otite (miringite bolhosa), exantema, eritema multiforme, artralgia/artrite. • Chlamydophila pneumoniae: pode ser precedida por faringite 1–4 semanas antes. 3. Sinais de maior predição • Taquipneia → principal sinal clínico, correlaciona-se com hipoxemia e gravidade. • Valores de FR (OMS): o 60 ipm o 2–12 meses: > 50 ipm o 1–5 anos: > 40 ipm 4. Achados de exame físico • Síndrome de condensação: frêmito toracovocal ↑, macicez à percussão, estertores crepitantes + sopro tubário. • Sinal de Signorelli: macicez à percussão da coluna → indica derrame pleural. o Se negativo + murmúrio vesicular ↓ → sugere atelectasia por hiperexpansão contralateral. 5. Classificação da OMS • Pneumonia não grave: taquipneia + história sugestiva, sem desconforto respiratório. • Pneumonia grave: tiragem subcostal (primeiro sinal de esforço respiratório). • Pneumonia muito grave: tiragem + ≥1 sinal de perigo: o 60, febre alta, sibilância, estridor em repouso, letargia, sonolência anormal, recusa ao seio. o > 2 meses: estridor em repouso, recusa de líquidos, convulsão, alteração de consciência, vômitos incoercíveis. Diagnóstico Radiografia de tórax • Não obrigatória em casos tratados ambulatorialmente. • Indicada quando: o sinais de gravidade, o dúvida diagnóstica, o falha terapêutica após 48– 72h. • Limitações: não diferencia bacteriana de viral. • Padrões clássicos: o Bacteriana: consolidação lobar/opacidades alveolares. o Viral: hiperinsuflação, espessamento peribrônquico, atelectasias. o Atípica: padrão alvéolo- intersticial, espessamento peribrônquico, atelectasias subsegmentares. Exames laboratoriais • Ambulatorial: não indicados de rotina. • Internação: hemograma + PCR (seguimento). • Toxemia: incluir eletrólitos, função renal e hepática. Critérios de UTI • Sepse. • Insuficiência respiratória grave: o SatO₂ 60%. o Taquipneia/taquicardia progressivas com desconforto respiratório grave. o Fadiga muscular respiratória. o Apneias ou respiração irregular. Tratamento 1. Conduta inicial • Antibioticoterapia empírica → baseada na epidemiologia local e gravidade. • Manejo domiciliar (sem critérios de internação): o Antibiótico VO por 5 a 10 dias. o Orientar pais sobre sinais de alerta: § piora do desconforto respiratório, § recusa do medicamento, § febre persistente > 72h após início do antibiótico. 2. Casos com internação • Antibioticoterapia EV (esquema conforme protocolo/local). • Suporte adicional (oxigênio, hidratação, antitérmicos, analgesia). • Alta após melhora clínica, com antibiótico VO para completar o tempo. 4. Casos graves / evolução rápida • Pneumonia extensa, toxemia ou queda importante do estado geral → considerar ampliação de cobertura: o Cefalosporina de 3ª geração + Clindamicina ou Vancomicina → cobertura para S. aureus MRSA. 🔹 TROMBOEMBOLISMO PULMONAR • Definição: forma frequente e potencialmente fatal de Tromboembolismo Venoso (TEV). • Clínica: apresentação variável e muitas vezes inespecífica → dificulta o diagnóstico. • Importância: avaliação deve ser rápida e eficiente, pois diagnóstico e tratamento precoces reduzem a morbimortalidade. Fatores de risco: Quadro Clínico 1. Sintomas principais • Dispneia súbita → mais comum. • Dor torácica pleurítica (ventilatório- dependente). • Tosse. • Hemoptise (menos comum). • Febre (menos frequente). • Síncope → presente em ~17% dos casos. 2. Sinais clínicos • Taquipneia. • Taquicardia sinusal (achado frequente no ECG). • Distensão jugular. • Hiperfonese de B2 (hipertensão pulmonar). • Murmúrio vesicular reduzido (atelectasia). • Sinais de TVP: edema de membros inferiores. 3. Casos graves • Instabilidade hemodinâmica. • Choque obstrutivo. Estratégia segundo probabilidade clínica 1. Probabilidade clínica baixa ou intermediária • Usar escore clínico (Wells, Geneva, ou simplificado). • Conduta: dosar D-dímero. o Se normal → exclui TEP. o Se positivo → solicitar Angiotomografia de tórax (angio-TC) (se não houver contraindicação). 2. Probabilidade clínica alta • Ir direto para Angio-TC de tórax. • Não precisa de D-dímero. 3. Situações em que a angio-TC não está disponível imediatamente • Se alta probabilidade clínica + baixo risco de sangramento → iniciar anticoagulação empírica até confirmação diagnóstica. Exames Complementares 1. Radiografia de Tórax • Achados inespecíficos (podem estar ausentes em até 12%). • Alterações possíveis: o Derrame pleural pequeno/moderado (exsudativo). o Atelectasias laminares. o Sinal de Westermark: oligoemia regional. o Corcova de Hampton: opacidade periférica em base pleural. o Sinal de Palla: proeminência da artéria pulmonar direita. 2. Eletrocardiograma (ECG) • Mais comum: taquicardia sinusal. • Clássico: padrão S1Q3T3 (baixa sensibilidade – ~10%, mas indica casos graves). • Outros achados: o Sobrecarga de câmaras direitas. o Desvio do eixo para a direita. o Onda P pulmonale. o Bloqueio de ramo direito. 3. D-dímero (DD) • Alta sensibilidade (~95%). • Se negativo + baixa/intermediária probabilidade clínica → exclui TEP. • Em alta probabilidade clínica: não deve ser solicitado (negativo não exclui e positivo não acrescenta). 4. Gasometria arterial • Alterações possíveis: o Hipoxemia. o Alcalose respiratória + hipocapnia (secundária à taquipneia). • Limitação: resultados normais não excluem TEP. 5. Biomarcadores cardíacos • Troponina I, BNP e NT-pró-BNP: não são diagnósticos. • Utilidade: o Ajudam em diagnósticos diferenciais. o Correlacionam-se com pior prognóstico quando elevados. Exames Complementares Diagnósticos Angio-TC de Tórax 1. Importância • Exame de escolha para investigação de TEP agudo. • Alta sensibilidade (98%) e especificidade (94%). • Multidetector → melhora na detecção de trombos em artérias segmentares e subsegmentares. 2. Vantagens • Avalia parênquima pulmonar e circulação pulmonar. • Permite identificar sinais dedisfunção ventricular direita, como: o Aumento das câmaras cardíacas direitas. o Retificação ou desvio do septo interventricular para o VE. o Aumento do tronco/arterias pulmonares. o Refluxo de contraste para veias hepáticas. 3. Achados sugestivos • Infarto pulmonar: opacidade triangular, base pleural e ápice voltado para o hilo. Estratificação de risco 1. Primeiro divisor: • Instabilidade hemodinâmica (parada, choque obstrutivo, hipotensão persistente). o Sim → Alto risco (mortalidade ~15%). o Não → prosseguir para estratificação detalhada. 2. Ferramentas de estratificação • PESI (Pulmonary Embolism Severity Index) ou PESI simplificado (sPESI) → aplicado em todos os pacientes. • Avaliação complementar: o Ecocardiograma transtorácico (função VD). o Biomarcadores cardíacos (troponina, BNP). 3. Classificação de risco • Alto risco o Instabilidade hemodinâmica (choque/hipotensão/parada). o Eco e biomarcadores alterados. • Intermediário-alto o Estável hemodinamicamente. o PESI ≥ classe III (ou sPESI ≥ 1). o E disfunção de VD (eco) e biomarcadores alterados. • Intermediário-baixo o Estável hemodinamicamente. o PESI baixo ou alto. o Apenas um critério positivo (eco ou biomarcador alterado). • Baixo risco o Estável hemodinamicamente. o PESI classe I-II (sPESI = 0). o Eco e biomarcadores normais. Tratamento Fases 1. Inicial: primeiros 5–10 dias. 2. Longa duração: até 3–6 meses. 3. Prolongada: além de 3–6 meses (se risco persistente). 1. Pacientes estáveis hemodinamicamente Anticoagulação é a base. Opções: • HBPM (preferida): menor risco de sangramento, plaquetopenia e mortalidade. • HNF: indicada em risco alto de sangramento, instabilidade, disfunção renal (ClCr 3 cm): craniectomia descompressiva. • Hematomas supratentoriais lobares volumosos: cirurgia é exceção → considerar apenas se grande efeito de massa ou deterioração clínica. 🔹ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL ISQUÊMICO 1. Importância • 1ª causa de morte no Brasil. • Principal responsável por incapacidade física → grande impacto em saúde pública. 2. Classificação • Isquêmico: 80% dos casos. • Hemorrágico: 20% dos casos → subdividido em: o Hemorragia Intraparenquimatosa (HIP). o Hemorragia Subaracnoide (HSA). • Trombose Venosa Cerebral (TVC): rara, mas também considerada tipo de AVC (quadro clínico diferente). 3. AVC Isquêmico • Sintomas dependem da artéria ocluída. • Duração: > 24h. 4. AIT (Ataque Isquêmico Transitório) • Déficit neurológico focal com duração 70% dos casos. o Exemplo clássico: hemiparesia + afasia súbita. • Circulação posterior (vertebrobasilar): 30% dos casos. 2. Manifestações específicas • Afasia: distúrbio de linguagem (nomeação, repetição, fluência, compreensão). o Ocorre em lesão de artéria cerebral média esquerda. • Heminegligência: distúrbio da atenção espacial. o Ocorre em lesão do lobo parietal do hemisfério não dominante (geralmente direito) → paciente ignora o lado esquerdo. Diagnóstico 1. Base diagnóstica • Associação de dados clínicos + neuroimagem. • Não é possível diferenciar clinicamente isquemia × hemorragia. 2. Avaliação inicial • História: definir início dos sintomas / último momento visto bem. • Exame neurológico: NIHSS (0–42 pontos), objetiva gravidade. • Condução: emergência médica → monitorização, acesso venoso, suporte imediato, encaminhamento para neuroimagem. 3. Exames • TC de crânio sem contraste (primeira escolha): o Mais rápido e disponível. o Objetivo inicial: descartar hemorragia. o Pode estar normal nas primeiras horas do AVC isquêmico. o Sinais indiretos de isquemia surgem até 24h. • AVC isquêmico (operacional): sinal focal súbito + TC normal ou hipodensidade compatível. • AVC hemorrágico: TC mostra imagem hiperdensa (sangramento). • Angio-TC de crânio: avalia circulação, indicada em casos de suspeita para trombectomia mecânica. Tratamento 1. Abordagem inicial • Conduta de emergência → sequência ABC (vias aéreas, ventilação, circulação). • Controle pressórico: o Não agressivo (para preservar área de penumbra). o Indicações: § Não candidato à trombólise: só tratar se PA > 220×120 mmHg. § Candidato à trombólise: tratar se PA > 185×110 mmHg. o Usar drogas EV (ex.: nitroprussiato de sódio, metoprolol). 2. Terapia trombolítica endovenosa • Alteplase (rtPA): o Dose: 0,9 mg/kg (máx. 90 mg). o 10% em bolus + restante em infusão contínua por 60 min. o Janela: até 4,5 horas do início dos sintomas (quanto antes, melhor). • Tenecteplase (TNK): o Dose: 0,25 mg/kg em bolus (máx. 25 mg). o Mais prática que alteplase. o Aprovada pela ESO. • Monitorização: o Avaliação neurológica frequente (NIHSS). o TC imediata se cefaleia, hipertensão aguda, vômitos, rebaixamento ou piora neurológica (≥4 pontos no NIHSS). • Precauções: o Não usar antiplaquetários/anticoagulant es nas primeiras 24h. o Evitar sondas e cateteres invasivos nas primeiras 24h. o Manter PAS 20% ao longo do dia → sugestivo de asma. o GINA: variação diurna > 10% em adultos → documenta variabilidadeda obstrução aérea. 4. Testes alérgicos • Avaliam presença de atopia (mais comum em fenótipos de asma alérgica). • Métodos: o Prick test (teste cutâneo de leitura imediata). o Dosagem de IgE específica para alérgenos ambientais e alimentares. • Importante: não é específico para asma e não está presente em todos os fenótipos. Classificação de Gravidade da Asma (GINA 2021) 🔹 Gravidade ≠ Controle • Gravidade: intensidade do tratamento necessário para atingir controle. • Controle: nível de supressão dos sintomas (varia em dias/semanas). • Gravidade deve ser avaliada após excluir causas de descontrole: o Técnica inalatória incorreta. o Não adesão ao tratamento. o Comorbidades não tratadas. o Tabagismo persistente. 1. Asma leve • Controlada com Etapa 1 ou 2 do tratamento. • Ex.: CI em baixa dose ou uso intermitente. 2. Asma moderada • Necessita de Etapa 3 ou 4 do tratamento. • Ex.: CI em dose média/alta associado ou não a LABA. 3. Asma grave • Não controlada apesar de Etapa 5: • CI em alta dose + LABA. • Ou: piora ao tentar reduzir de alta para dose moderada. • ❌ Não é considerada grave se melhora apenas com ajuste de técnica inalatória ou adesão. • Subdivisão da asma de difícil controle. 4. Asma de difícil controle • Não controlada apesar de: o CI em dose moderada/alta + LABA, o OU necessidade de corticoide oral de manutenção, o OU necessidade de altas doses de CI + LABA para manter controle. • Muitas vezes associada a: o Baixa adesão, o Erro na técnica, o Tabagismo, o Comorbidades descompensadas, o Diagnóstico incorreto. Tratamento GINA 2021 Mudanças principais (GINA 2021) • Não se recomenda mais o uso isolado de β2-agonista de curta ação (SABA). • Preferência: Formoterol + corticoide inalatório (CI) em baixa dose, usado tanto como resgate quanto manutenção. • Alternativa: SABA + CI em baixa dose (quando se opta por β2 de curta duração). Etapas do Tratamento (Stepwise approach) Se resgate = Formoterol + CI baixa dose • Etapa 1–2: sintomas 40 anos. Fatores que influenciam o desenvolvimento e progressão 1. Ambientais • Tabagismo: principal fator de risco. • Poluição ambiental. • Exposição ocupacional (poeiras, fumos químicos, biomassa). 2. Individuais • Susceptibilidade genética (ex.: deficiência de alfa-1 antitripsina). • Idade avançada. • Sexo (diferenças epidemiológicas em algumas populações). • Infecções respiratórias recorrentes na infância. • Baixo desenvolvimento pulmonar inicial. Fisiopatologia da DPOC 1. Mecanismos principais • Inflamação crônica → com desequilíbrio entre proteases e antiproteases + estresse oxidativo. • Destruição dos alvéolos e capilares pulmonares → enfisema. • Aprisionamento aéreo → aumento do espaço morto alveolar. • Consequências: o Alteração da relação ventilação/perfusão (V/Q). o Hiperinsuflação pulmonar estática e dinâmica. o Aumento do trabalho respiratório → sintomas. 2. Alterações estruturais • Proliferação de células caliciformes. • Hipertrofia de glândulas submucosas → hipersecreção de muco. • Estreitamento de pequenas vias aéreas → aumento da resistência. 3. Alterações funcionais • Maior resistência das vias aéreas → ↑ trabalho respiratório. • Hiperinsuflação pulmonar → ↓ elasticidade pulmonar. • Aprisionamento aéreo → ↑ volume residual (VR), ↑ capacidade residual funcional (CRF) e ↑ capacidade pulmonar total (CPT). • Dispneia ao esforço → causada pela hiperinsuflação dinâmica. 4. Limitação ao fluxo aéreo • Doença de pequenas vias aéreas: inflamação e remodelamento. • Destruição do parênquima pulmonar: perda do recolhimento elástico + das ligações alveolares. 5. Efeitos sistêmicos da DPOC • Osteoporose. • Depressão. • Doenças cardiovasculares. • Neoplasia pulmonar. • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Quadro Clínico 1. Sintomas principais • Início: tosse crônica + expectoração. • Progressão: dispneia progressiva → começa nos grandes esforços (subir escada/ladeira), evolui para médios (atividades diárias) e pequenos (alimentar-se, higiene, caminhar em casa). • Muitas vezes atribuída ao sedentarismo ou idade → atraso na procura por atendimento. 2. Impacto funcional • Dispneia leva a redução da tolerância ao esforço, estilo de vida sedentário, limitação das atividades de vida diária. • Nos casos graves → restrição ao leito. 3. Exame físico (baixa sensibilidade e especificidade, mas pode mostrar): • Roncos e sibilos. • Fase expiratória prolongada. • Hiperinsuflação pulmonar: o Sons cardíacos e pulmonares atenuados. o Tórax em barril (↑ diâmetro anteroposterior). • Sinais de esforço respiratório: o Respiração com lábios cerrados. o Uso de musculatura acessória. o Tiragem intercostal. o Sinal de Hoover: retração paradoxal dos espaços intercostais. • Hipoxemia/cor pulmonale: o Cianose. o Turgência jugular. o Hiperfonese de P2. o Sopro de insuficiência tricúspide. o Edema periférico. 4. Fenótipos clássicos (históricos) • Pink Puffer (enfisematoso): o Magro, tórax em tonel, pletórico. o Dispneia expiratória intensa. o Ausculta: murmúrio vesicular diminuído. • Blue Bloater (bronquite crônica): o Cianótico (hipoxemia grave). o Cor pulmonale (insuficiência ventricular direita + edema). o Ausculta rica em ruídos adventícios. • Nota: hoje se sabe que os pacientes geralmente apresentam mistura dos dois perfis, por isso essa nomenclatura não é mais utilizada. Diagnóstico 1. Confirmação diagnóstica • Critério principal: Espirometria com VEF1/CVF pós-broncodilatador 2,5 cm, afilamento mediastinal, redução da vasculatura pulmonar. • Tomografia de tórax: o Mostra melhor os padrões de enfisema (centrolobular, parasseptal, panlobular). o Pode revelar redução de atenuação, ↓ diâmetro de vasos pulmonares, espessamento de paredes das vias aéreas. • Hemograma: poliglobulia (hematócrito > 55%) em pacientes hipoxêmicos. • Gasometria arterial: avalia trocas gasosas → pode mostrar hipoxemia, hipercapnia (doença avançada), distúrbios metabólicos. o Indicado em pacientes com SatO₂ ≤ 92% para confirmar hipoxemia. 3. Investigação de causas especiais • Deficiênciade alfa-1 antitripsina (suspeitar em): • Enfisema em 55%). ⚠ A gasometria deve ser feita em repouso e em ar ambiente. Duração • ≥ 15 horas/dia (mínimo para benefício). • Ideal: 24h/dia. 🔹 SEPSE Fisiopatologia • Ativação inflamatória sistêmica: o Produção de citocinas pró- inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL- 6). o Mediadores vasoativos: prostaciclinas, tromboxanos, leucotrienos, NO, PAF. o Ativação leucocitária → liberação de proteases e espécies reativas de oxigênio. o Ativação do complemento e da coagulação. • Efeitos principais: o Morte celular + disfunção orgânica à distância do foco inicial. o Dano endotelial → ↑ moléculas de adesão, ↑ fator tecidual → microtromboses. o ↓ vias anticoagulantes (proteína C, antitrombina, trombomodulina). o Lesão microvascular → hipoperfusão tecidual e risco de CIVD. o Disfunção mitocondrial → falência na produção de energia e oxigenação tecidual. • Resposta anti-inflamatória associada: o Ativação do nervo vago + liberação de cortisol. o Apoptose de linfócitos T/B e células dendríticas. o Imunossupressão concomitante ao estado pró-inflamatório. o Favorece infecções secundárias e novos episódios sépticos. Definições Atuais – SEPSIS-3 (2016) Infecção sem disfunção • Infecção suspeita ou confirmada (bacteriana, viral, fúngica etc.), • Sem disfunção orgânica. • Pode ou não ter critérios de SIRS. Sepse • Definição atual: disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada à infecção. • Identificação de disfunção orgânica: o SOFA ≥ 2 (em relação ao basal). o Escore avalia 6 sistemas: respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, SNC e renal. o Varia de 0 a 24 pontos. Choque Séptico • Após ressuscitação volêmica adequada, paciente: o Necessita de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg, o E apresenta lactato sérico > 2 mmol/L (18 mg/dL). • População de altíssimo risco → maior mortalidade. Diagnóstico e Triagem da Sepse Apresentação clínica • Geralmente inespecífica → sintomas iniciais do foco infeccioso (ex.: tosse e expectoração em pneumonia). • Associa-se a sinais sistêmicos: taquicardia, taquipneia, febre ou hipotermia. • Evolução pode incluir sinais de choque e disfunção orgânica. Ferramentas de Avaliação 1. Critérios de SIRS (Sepsis-1 e 2, ainda usados na triagem) • Temperatura > 38 °C ou 90 bpm • FR > 20 irpm ou PaCO₂ 12.000 ou 10% bastões ➡ ≥ 2 critérios + suspeita de infecção → alerta para sepse. ⚠ Muito sensível, mas pouco específico. 2. Escore SOFA (Sepsis-3, 2016) • Escala detalhada (0–24 pontos). • Avalia: respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, SNC, renal. • SOFA ≥ 2 → disfunção orgânica significativa. ⚠ Pouco prático no pronto-atendimento, pois requer exames laboratoriais. 3. qSOFA (quickSOFA) Criado para triagem rápida fora da UTI. • FR ≥ 22 irpm • PAS ≤ 100 mmHg • Alteração de consciência (Glasgowlactato sérico → repetir se inicial ≥ 2 mmol/L. o Avaliar função orgânica (renal, hepática, hematológica, hemodinâmica). 2. Culturas antes do antibiótico o Coletar 2 hemoculturas de sítios diferentes + culturas pertinentes (urina, aspirado traqueal, líquor, etc.). o ⚠ Se não for possível coletar antes, não atrasar o início da antibioticoterapia. 3. Antimicrobianos de amplo espectro o Administrar em até 1 hora nos pacientes com sepse confirmada ou suspeita com instabilidade. o Nos casos estáveis, pode-se aguardar até 3 horas para melhor definição diagnóstica. o Sempre considerar: foco, epidemiologia local, infecção comunitária vs hospitalar. o Reavaliar diariamente → descalonamento assim que possível. 4. Reanimação volêmica o Se hipotensão (PAM 7 g/dL (exceto SCA/choque hemorrágico). • Profilaxias: o Tromboembolismo venoso → heparina ou derivados. o Úlcera de estresse → em pacientes graves (VM, coagulopatia, choque). • Nutrição: o Iniciar dieta enteral precoce, em pequenos volumes, com progressão gradual. 🔹 CHOQUE • Choque: estado ameaçador à vida de hipoperfusão tecidual e hipóxia celular por desbalanço entre oferta (DO₂) e consumo (VO₂) de O₂. Fisiopatologia Oferta de O₂ (DO₂) • DO₂ = DC × CaO₂ • CaO₂ = (1,39 × SaO₂ × Hb) + (0,0031 × PaO₂) o Relevantes: SaO₂ e Hb (o O₂ dissolvido tem impacto mínimo). Consumo de O₂ (VO₂) • VO₂ = DC × (CaO₂ − CvO₂) • TEO₂ = VO₂ / DO₂ (taxa de extração de O₂). • DO₂ crítico: ponto a partir do qual queda da DO₂ passa a limitar o VO₂ → metabolismo anaeróbio, lactato ↑, disfunção orgânica. Determinantes do DC • DC = FC × VS • VS depende de pré-carga, contratilidade (inotropismo) e pós- carga. • Lei de Frank–Starling: até certo limite, ↑ volume diastólico final → ↑ VS. • PA = DC × RVS (pós-carga ~ RVS; principal alvo das drogas vasoativas é o tônus arteriolar). Quadro clínico e diagnóstico • Hipotensão: o Absoluta: PAS 40 mmHg da PAS habitual. • Taquicardia (compensatória, especialmente em jovens). • Disfunções orgânicas (marcadores de choque): o Oligúria, rebaixamento do nível de consciência, hipoxemia, lactato elevado, coagulopatia/plaquetopenia, bilirrubina/creatinina ↑. o Para objetivar: SOFA (mesma escala usada em sepse). Exames que ajudam • Lactato: marcador de hipoperfusão e prognóstico. o Tipo A: por desbalanço DO₂/VO₂ (choque “hemodinâmico”). o Tipo B: outras causas (insuf. hepática, tiamina ↓, drogas — p.ex., adrenalina). • Imagem/etiologia conforme suspeita: Rx/TC tórax, ecocardiograma (anatomia, DC, veia cava), angio-TC (TEP), culturas (sepse). Ferramentas à beira-leito • Eco: estima DC, avalia função, derrame/tamponamento, colapso de VCI (inferir “pré-carga”). • Cateter de artéria pulmonar: padrão- ouro hemodinâmico (quando indicado). Tratamento 1. Suporte Ventilatório • Oxigenoterapia imediata → alvo: SatO₂ > 92%. • Métodos progressivos: cateter nasal → máscara de Venturi → VNI. • Intubação precoce se: rebaixamento de consciência, hipoxemia grave, dispneia intensa, acidemia refratária, instabilidade hemodinâmica. 2. Ressuscitação Volêmica • Fluido base: cristaloides balanceados (Ringer Lactato, Plasmalyte). o Preferidos ao SF 0,9% (menor risco de acidose hiperclorêmica). • Coloides sintéticos (amido): contraindicados (pior desfecho renal em sepse). • Albumina: opção em grandes volumes (exceto TCE → pior prognóstico). Fases da terapia volêmica 1. Resgate: bolus empírico 20–40 mL/kg nas primeiras horas. 2. Otimização: bolus adicionais apenas se fluido-responsivo (testes dinâmicos). 3. Estabilização: evitar sobrecarga nos dias seguintes. 4. Descalonamento: retirar fluidos excedentes após estabilização. 3. Drogas Vasoativas e Inotrópicas • Noradrenalina: 1ª escolha na maioria dos choques (séptico, distributivo). o Potente α1 agonista → vasoconstrição rápida. • Vasopressina: adjuvante no choque distributivo refratário. • Adrenalina: o Choque anafilático (1ª escolha). o Alternativa se precisa efeito vasopressor + inotrópico. o Aumenta lactato (atenção à interpretação). • Dobutamina: inotrópico de escolha no choque cardiogênico ou séptico com disfunção miocárdica. o Cuidado em hipotensos (pode precisar vasopressor junto). • Milrinona / Levosimendan: inotrópicos não catecolaminérgicos (úteis em disfunção VD/HP). • Nitroprussiato: vasodilatador arterial → reduz pós-carga (choque cardiogênico). • Nitroglicerina: dilatação venosa/coronária. • Hidrocortisona EV (200–300 mg/dia): indicada em choque séptico refratário (reduz necessidade de aminas). 4. Monitorização da Terapia (metas usuais) PAM ≥ 65 mmHg. • Diurese ≥ 0,5 mL/kg/h. • Normalizar lactato ou reduzir níveis (meta dinâmica). • SatO₂ venosa central (ScvO₂) ≥ 70% ou ΔCO₂ veno-arterial 4,5 kg em 5 dias Definição Universal • IC = sinais e sintomas + anormalidade estrutural/funcional(eco, FE Rx/exame físico. • Métodos especiais (casos selecionados): cintilografia/isquemia; RMC (realce tardio, depósito). Diagnóstico diferencial de dispneia • Pulmonares: DPOC, asma, TEP. • Biomarcadores ajudam (quanto ↑, maior chance de IC), mas ajuste leitura para idosos, DRC, anemia e obesos. Tratamento Medidas não farmacológicas • Sódio: evitar excesso (>7 g sal/dia) em IC crônica. • Água: restrição apenas em descompensados/hipervolêmicos (≈ 1.000–1.500 mL/dia). • Cessar tabagismo e reduzir/cessar álcool. • Reabilitação: aeróbico + resistido; ↓ internações. • Vacinas: influenza anual, pneumococo, covid-19. ICFEr (FE 5,5–6,0. 2. Betabloqueador (carvedilol, bisoprolol, metoprolol succinato). o Iniciar baixo e titular; não iniciar/incrementar em descompensação. 3. Antagonista mineralocorticoide (espironolactona; eplerenona se disponível). o Benefício em CF II–IV; atenção a K⁺/RFG; ginecomastia com espironolactona. 4. iSGLT2 (dapagliflozina/empagliflozina) o Benefício independe de DM; evitar em RFG 1 ano. • TRC: CF II–IV, FEVE 150 ms. • Insuficiência mitral funcional: considerar MitraClip® após otimização/ressincronização quando indicado. • Suporte circulatório: balão intra- aórtico/ECMO (agudo); DAV de longa duração (ponte ao transplante). IC Descompensada – Perfis clínicos e conduta Perfil A (quente e seco) – sem congestão nem baixo débito → Manter/otimizar crônico; alta/ambulatório. Perfil B (quente e úmido) – congesto, sem baixo débito (mais comum) • Furosemida EV (absorção VO pode falhar). • Se refratário: + tiazídico/espironolactona; monitorar creatinina, eletrólitos, diurese, peso. • Vasodilatadores: nitratos/IECA/BRA (VO) ou nitroglicerina/nitroprussiato (EV) conforme gravidade. • VNI (CPAP/BiPAP) se hipoxemia/taquipneia. • Betabloqueador: o Em uso prévio → manter ou reduzir ½ dose; não suspender rotineiramente. o Não-usuários → iniciar após descompensação resolvida. Perfil C (frio e úmido) – congesto + baixo débito (pior prognóstico) • Furosemida EV + inotrópico: o Dobutamina (primeira escolha; útil mesmo em hipotensos). o Alternativas: milrinona (PDE-3), levosimendana. • Betabloqueador: reduzir ½ dose se já em uso; não iniciar; suspender se choque cardiogênico. Perfil L (frio e seco) – hipovolêmico, baixo débito sem congestão • Prova volêmica (250 mL SF 0,9% ou RL) com reavaliação frequente: 1. Melhora sem congestão → ajustar diurético/alta (perfil A). 2. Melhora com congestão → tratar como perfil B. 3. Sem resposta e congestão → perfil C (diurético + inotrópico). 🔹 EDEMA AGUDO DE PULMÃO (EAP) O que é • Síndrome de acúmulo de líquido no interstício/alvéolos → piora da difusão de O₂, hipoxemia e dispneia intensa. • Cardiogênico: por pressão capilar pulmonar elevada (↑ pressão hidrostática). • Não cardiogênico: por ↑ permeabilidade alvéolo-capilar (p. ex., SDRA). Fisiopatologia • Se a instalação é abrupta, o sistema linfático não consegue drenar → EAP mesmo com pressões não tão altas. • Em IC crônica, a drenagem linfática se adapta e o edema surge com pressões mais altas. Causas principais Cardiogênico • Disfunção sistólica (miocardiopatias, isquemia). • Disfunção diastólica (HAS, isquemia, HCM). • Obstruções: estenose aórtica, HCM obstrutiva. • Esvaziamento AE: estenose mitral, mixoma. • Crise hipertensiva/renovascular (EAP “flash”). • Taquiarritmias (reduzem enchimento diastólico). Não cardiogênico • SDRA (mais comum), sepse, aspiração, altas altitudes, pancreatite, etc. Quadro clínico • Dispneia súbita e intensa, ortopneia, secreção espumosa rosada, ansiedade, sudorese, pele fria/pálida. • Estertores difusos, às vezes sibilância (“asma cardíaca”). • Pode haver HAS importante na apresentação. Diagnóstico • Clínico + suporte: o ECG (isquemia/arrítmias). o Rx tórax: cardiogênico → cardiomegalia, cefalização, opacidades centrais, derrame; não cardiogênico → área cardíaca normal, infiltrado difuso periférico. o US pulmonar: múltiplas linhas B por campo ± derrame (mais sensível que Rx). o Eco: avalia estrutura/função (valvas, complicações do IAM). o Gaso, função renal/eletrólitos; troponina (IAM tipo II possível); BNP/NT-proBNP (ajuda no diferencial cardíaco vs. pulmonar). Tratamento (mnemônico MONDD) • Morfina (uso criterioso): 1–3 mg EV a cada 5 min, se ansiedade/dispneia intensa (cautela: depressão respiratória, náuseas; antídoto: naloxona 0,4 mg EV). • Oxigênio: somente se SpO₂• Mudança do padrão habitual. • Cefaleia progressiva ou refratária. • Perda de consciência, convulsão, déficit focal. • Febre, rigidez de nuca, imunossupressão, HIV. • Uso de anticoagulantes, história de câncer. • Trauma craniano recente. • Edema de papila no exame. 👉 Conduta: investigação imediata (TC/RM de crânio, angioTC, líquor, VHS/PCR, conforme hipótese clínica). 🧠 Cefaleias primárias 1. Cefaleia Tensional • Mais comum na população geral. • Dor bilateral, em aperto/pressão, intensidade leve a moderada, não piora com atividade física. • Duração: 30 min a 7 dias. • Fatores desencadeantes: estresse, sono ruim, má alimentação. • Tratamento o Agudo: AINEs (ibuprofeno, naproxeno), analgésicos simples (dipirona, paracetamol). o Profilaxia: antidepressivos tricíclicos (amitriptilina). o Não farmacológico: sono regular, atividade física, manejo do estresse. 2. Migrânea (enxaqueca) • Sem aura (mais comum) ou com aura (25%). • Aura: sintomas visuais, sensitivos, afásicos ou motores → duram 5–60 min, seguidos de dor. • Dor: geralmente unilateral, pulsátil, intensidade moderada a forte, duração 4–72 h. • Sintomas associados: náusea, vômito, fotofobia, fonofobia, piora com esforço. • Tratamento o Crise aguda: analgésicos simples, AINEs, triptanos (sumatriptano), ergotamínicos, antieméticos. o Profilaxia: betabloqueadores (propranolol), antidepressivos (amitriptilina), anticonvulsivantes (topiramato, valproato). o Casos refratários: toxina botulínica, anticorpos anti- CGRP (erenumabe, fremanezumabe). 3. Cefaleia em salvas • Homem 20–40 anos, forte relação com tabagismo. • Crises de dor unilateral, periorbitária/intensa (15–180 min), até 8 episódios/dia. • Associada a sintomas autonômicos ipsilaterais: lacrimejamento, congestão nasal, ptose, miose, edema palpebral. • Paciente fica agitado (não fica parado, ao contrário da migrânea). • Tratamento o Crise: O₂ 100% (10–15 L/min, máscara facial) + triptano SC/intranasal. o Profilaxia: verapamil (principal), lítio, topiramato, valproato, melatonina. 🩸 Cefaleias secundárias mais relevantes • HSA (Hemorragia subaracnoide) → “pior dor da vida”, súbita, vômitos, rigidez de nuca. • Meningoencefalite → febre + rigidez nucal + alteração consciência. • Trombose venosa cerebral → cefaleia progressiva, papiledema, convulsões. • Arterite temporal (idoso, dor temporal + claudicação mandibular + ↑ VHS). • Dissecção arterial → dor cervical/cefálica + déficit focal. • Hipotensão liquórica → cefaleia ortostática. 🔹SÍNDROME GUILLAIN-BARRÉ 🧠 O que é • Polirradiculoneuropatia aguda imune- mediada → perda de mielina (AIDP) e/ou axônio (AMAN/AMSAN). • Evolução rápida (pico em 2–3 semanas), com regressão lenta. • Pode ocorrer em todas as idades; muitas vezes após infecção (ex.: Campylobacter jejuni, CMV, EBV, HIV, Zika) ou vacinação/cirurgia. 🔬 Fisiopatologia (em 10s) • Mimetismo molecular: anticorpos/células T reagem contra glicolipídeos da mielina/axônio → desmielinização, depois dano axonal. • Variantes axonais tendem a ser mais graves. 🧩 Quadro clínico clássico • Paralisia flácida ascendente, simétrica, de MMII → MMSS → tronco/pares cranianos. • Arreflexia/hiporreflexia (sinal chave). • Sensibilidade: parestesias leves (“bota e luva”); dor lombar/radicular em até 2/3. • Disautonomia (≈70%): taquicardia, labilidade PA, sudorese, retenção urinária. • Comprometimento facial (≈50%), disfagia (≈50%); 10–30% requerem ventilação. • Exceções: início por MMSS/face (≈10%); oftalmoparesia/ptose (≈15%). 🛠 Diagnóstico – como pensar • Essenciais (fortes para SGB): o Fraqueza progressiva de >1 membro (± músculos cranianos) + hipo/arreflexia. o Progressão até 4 semanas. Apoiam SGB: • Dor, disautonomia, simetria relativa, pares cranianos (sobretudo facial bilateral), sinais sensitivos leves, sem febre no início. Tornam menos provável: • Disfunção esfincteriana precoce, fraqueza assimétrica, nível sensitivo definido, líquor com >50 células/mm³ ou PMN. Excluem/alternativos: • Botulismo, miastenia, porfiria, intoxicações (chumbo/organofosforados), poliomielite, neuropatia tóxica, histeria, difteria recente, porfirias. 🧪 Exames de apoio • Líquor (após 1ª semana): dissociação albumino-citológica → proteína ↑ com −30 cmH₂O (menos negativo), MEP 24h após anestésico ou recidiva durante redução. 🚑 Conduta prática (algoritmo) Passo 1 – Suporte inicial (0–5 min) • Garantir vias aéreas, ventilação, oxigênio, acesso venoso. • Monitorizar PA, FC, SatO₂, ECG. • Glicemia capilar imediata → se