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METODOLOGIA CIENTÍFICA Página 1 de 94 METODOLOGIA CIENTÍFICA1 GISELE BISCHOFF GELLACIC2 Apresentação Caros alunos, bem-vindos à disciplina de Metodologia científica da Faculdade Souza. Esta disciplina é importantíssima, pois seus fundamentos servirão de base para toda sua vida acadêmica. Além disso, os conceitos aqui apresentados também auxiliam em sua atuação profissional como pedagogo. A base da Metodologia científica é desenvolver a análise crítica e reflexiva acerca do mundo, bem como fornece as ferramentas para o desenvolvimento da pesquisa e do trabalho acadêmico. Trata-se, então, de um conteúdo organizado para facilitar a pesquisa e a produção de trabalhos conforme as normas científicas. Assim, pense nessa disciplina como algo complementar às demais, afinal, os instrumentos aqui aprendidos auxiliarão na produção de todas as atividades de sua formação. O conteúdo de Metodologia científica pode, então, servir de apoio para consultas e esclarecimentos quanto às normas científicas, desenvolvimento de trabalhos e pesquisas. Esta apostila foi dividida em cinco unidades, visando uma aprendizagem autônoma, com conteúdo cuidadosamente selecionados para facilitar o estudo à distância. Mas lembre-se de que você não está sozinho, podendo sempre contar com o auxílio do professor-tutor. Bons estudos! Muito sucesso nesta disciplina e em todo curso! 1 Este material trata-se da compilação de alguns textos que versam sobre a METODOLOGIA CIENTÍFICA. A organizadora deste material selecionou os trabalhos e salientou alguns recortes para enriquecer a temática desta apostila. Assim, os créditos autorais dos estudos selecionados estão devidamente referenciados nas figuras ilustrativas e nas referências bibliográficas. 2 Pós-doutora em Educação pela UNICAMP. Doutora em História Social pela PUC-SP. Professora do ensino básico e superior. Página 2 de 94 Sumário Unidade 1 - Ciência e conhecimento científico 1.1 - O que é ciência 1.2 - Tipos de conhecimento 1.3 - A origem dos tipos de conhecimento Unidade 2 - Leitura, documentação e estudo no Ensino Superior 2.1 - Participação nas aulas 2.2 - Aproveitamento da leitura 2.3 - Registros e documentação 2.4 - Mapa conceitual Unidade 3 - Normatização dos trabalhos acadêmicos - parte I 3.1 - ABNT 3.2 - Métodos de pesquisa 3.3 - Modalidades de pesquisa Unidade 4 - Normatização dos trabalhos acadêmicos - parte II 4.1 - Técnicas de pesquisa 4.2 - Estudo de caso (ou métodos monográficos) Unidade 5 - Modalidades dos trabalhos científicos-acadêmicos 5.1 - Tipos de documentos científicos 5.2 - Projeto de pesquisa 5.3 - Trabalho de conclusão de curso (TCC) Unidade 6 - Formatação dos trabalhos acadêmicos 6.1 - Normas gerais para a formatação dos trabalhos científicos 6.2 - Citações 6.3 - Referências bibliográficas Conclusão Referências bibliográficas Página 3 de 94 Unidade 1 - Ciência e conhecimento científico Metodologia Científica é a disciplina que "estuda os caminhos do saber", entendendo que "método" representa caminho, "logia" significa estudo e "ciência", saber e conhecimento. O objetivo desta primeira unidade é analisar o conhecimento científico, como um instrumento que ajuda a compreender a explicar os fenômenos que ocorrem à nossa volta. Todo o conhecimento acumulado até hoje é resultado das experiências científicas. À medida que se descobrem as respostas para as indagações que inquietavam o passado, novos questionamentos vão surgindo e novas experiências vão ocorrendo. Exemplo disso, são os mais variados tipos de remédios que existem no mercado e a cura doenças, que no início do século XX eram fatais. Se pensarmos no desenvolvimento da tecnologia, confirmaremos ainda mais na evolução do conhecimento e na necessidade da cientificidade. Mas, nem todos os tipos de conhecimento pertencem à ciência, como o conhecimento do senso comum entre outros. É importante saber identificá-los e reconhecê-los. 1.1 - O que é a ciência Desde a sua origem, o ser humano interage com a natureza e os objetos ao seu alcance, observando as relações sociais e culturais no meio em que vive. Através dessa observação e da sua interação com as pessoas e os objetos, que o homem adquire conhecimento. O conhecimento pode ser adquirido de diversas formas: sensação, percepção, imaginação, memória, linguagem, raciocínio e intuição. Assim, o ato de conhecer significa adquirir um conceito novo sobre um fenômeno, fato ou situação, o qual pode nascer da experiência acumulada em nosso dia-a-dia. A ciência é uma forma de conhecimento desenvolvida pelo ser humano. A palavra ciência vem do latim scientia, que significa ‘conhecimento’, e da palavra scire, que significa ‘conhecer’ ou ‘saber’. Segundo Marconi e Lakatos (2008, p. 22), a ciência “é um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verificação”. Isso significa que se um dado fenômeno, objeto ou fato é analisado de forma sistemática, com instrumentos e técnicas Página 4 de 94 conhecidas e aprovadas, então, tal objeto passa a ter os requisitos necessários para ser avaliado cientificamente. A ciência pode ser considerada como um modo de compreender a análise do mundo empírico, envolvendo um conjunto de procedimentos, através do uso da consciência crítica. Dessa forma, a ciência é uma forma de entender e compreender os fenômenos que ocorrem, por meio de métodos pré-estabelecidos. Quando faz referência à ciência, Oliveira (2002, p. 47) afirma que: Trata-se do estudo, com critérios metodológicos, das relações existentes entre causa e efeito de um fenômeno qualquer no qual o estudioso se propõe a demonstrar a verdade dos fatos e suas aplicações práticas. É uma forma de conhecimento sistemático, dos fenômenos da natureza, dos fenômenos sociais, dos fenômenos biológicos, matemáticos, físicos e químicos, para se chegar a um conjunto de conclusões verdadeiras, lógicas, exatas, demonstráveis por meio da pesquisa e dos testes. Isso significa que o conhecimento científico deriva de estudos a partir de critérios metodológicos, de forma objetiva, racional, sistemática, verificável e falível. A falibilidade da ciência é considerada, uma vez que as pesquisas sempre são atualizadas de forma progressiva, ou seja, o que foi considerado ciência em outrora, pode ser reavaliado pelos cientistas do futuro. Para compreender melhor a ciência, utilizamos as características determinadas por Vianetto (2011): I. Objetividade: descrição da realidade investigada independentemente dos desejos do pesquisador,de forma clara e precisa; II. Racionalidade: a razão é utilizada durante todo o processo de pesquisa, desde o esboço do estudo, a coleta dos dados, até sua análise; III. Sistematicidade: é o saber ordenado de forma lógica, construído através de sistema de ideias e teorias, portanto, não há espaço para conhecimentos desconexos; Página 5 de 94 IV. Generalidade: o conhecimento gerado deve ser analisado sob a possibilidade de ser ou não aplicado a outros contextos, explicados fenômenos em diferentes situações; V. Verificabilidade: quando as hipóteses são examinadas através da observação e da experimentação para serem comprovadas ou refutadas; VI. Falibilidade: o conhecimento não é algo definitivo, absoluto ou final, podendo ser negado ou confirmado; VII. Conhecimento aproximadamente exato: porque novas proposições podem reformular uma teoria já existente. Assim, é importante notar que um conhecimento tão pragmático e racional como a ciência, difere-se do conhecimento do dia-a-dia, este chamado de senso comum. O senso comum é uma forma de conhecimento que se desenvolve a partir do cotidiano, da necessidade e da experiência.É uma forma de conhecimento que permanece no nível das crenças vividas, segundo uma interpretação previamente estabelecida e adotada por um grupo de indivíduos. Ao contrário do conhecimento científico, o senso comum leva a pensar de forma assistemática, sensitiva e subjetiva, sem atribuir o rigor e a utilização do método científico. É importante saber que ambos conhecimentos são válidos, porém, suas abordagens são muito diferentes. E ainda, que em algumas situações, o conhecimento do senso comum pode desenvolver o conhecimento científico, pois ditos populares podem gerar questões que, às vezes, levam à pesquisa e à investigação científica. Um exemplo interessante desse caso, são os tratamentos médicos. Afinal, muitos remédios que foram utilizados pelas avós e por populações indígenas, e que por isso, vinham de uma sabedoria popular considerada vulgar e do senso comum, foram submetidos a critérios científicos, e então, passaram a ter uma comprovação científica. Antes disso, não era válida a comprovação do senso comum, mesmo que já tivesse curado diversas doenças, porque não havia passado pelo crivo do método científico. Página 6 de 94 Através desse exemplo, pode-se associar à vida acadêmica. Pois na realização de um trabalho de estudos, com a investigação de um problema, é necessário aplicar os métodos científicos para chegar a um resultado comprovado, saindo dos “achismos” ou da superficialidade. Esta é a importância da utilização dos métodos científicos na vida acadêmica. E para compreender com mais profundidade o conhecimento científico, é necessário diferenciá-lo dos demais tipos. 1.2 - Tipos de conhecimento O conhecimento ou o ato de conhecer, existe como forma de solucionar problemas específicos e/ou comuns à vida. Segundo Tartuce (2006, p. 5): O conhecimento é um processo dinâmico e inacabado, serve como referencial para a pesquisa tanto qualitativa como quantitativa das relações sociais, como forma de busca de conhecimentos próprios das ciências exatas e experimentais. Portanto, o conhecimento e o saber são essenciais e existenciais no homem, ocorre entre todos os povos, independentemente de raça, crença, porquanto no homem o desejo de saber é inato. As diversificações na busca do saber e do conhecimento, segundo caracteres e potenciais humanos, originaram contingentes teóricos e práticos diferentes a serem destacados em níveis e espécies. O homem, em seu ato de conhecer, conhece a realidade vivencial, porque se os fenômenos agem sobre os seus sentidos, ele também pode agir sobre os fatos, adquirindo uma experiência pluridimensional do universo. De acordo com o movimento que orienta e organiza a atividade humana, conhecer, agir, aprender e outros conhecimentos, se dão em níveis diferenciados de apreensão da realidade, embora estejam inter-relacionados. O conhecimento orienta o desenvolvimento humano, implicando em ações e formas de organização. Como foi dito, a ciência é uma forma de conhecimento, bem como o senso comum. Porém, existem outros tipos de conhecimento, que implicam de outras maneiras o ser humano e sua forma de apreender a realidade. É importante saber distingui-los, e ainda, compreender que não existe um mais importante do que o outro, ocupando lugares diferentes na vida de cada um. São eles: ● Senso comum: também chamado de conhecimento empírico, vulgar ou popular. É aquele que se origina através da convivência familiar e social, se desenvolve por meio de ações não planejadas. As informações obtidas são impregnadas pela percepção do indivíduo, ou seja, não é sistemática e pode Página 7 de 94 ter bases fora da racionalidade e da crítica, baseando-se em antigas tradições e crenças populares. Muitas vezes, é um conhecimento aprendido pela observação, a partir da experiência do outro e passado de geração em geração. ● Filosófico: é aquele resultante da capacidade humana de raciocinar e refletir sobre fatos e fenômenos, gerando conceitos subjetivos, os quais buscam dar sentido à vida e ao universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Baseia-se em hipóteses não verificáveis e nem observáveis. Ou seja, é um conhecimento que utiliza da razão, porém não utiliza a experiência para sua comprovação. Utiliza-se, também, a dedução e a coerência lógica para suas conclusões. A principal tarefa da filosofia é a reflexão acerca do mundo. ● Teológico: é aquele resultante das crenças religiosas. Portanto, não se tem como confirmar ou negar esse tipo de conhecimento, afinal ele é um ato de fé. Esse tipo de conhecimento não é verificável, pois não utiliza nenhuma coerência lógica ou racional. Esse conhecimento está intimamente relacionado a crença em um Deus, seja este Jesus Cristo, Oxalá, Buda, Maomé, ou qualquer outra entidade compreendida como ser supremo. ● Científico: é aquele proveniente da racionalidade, da objetividade e da sistematização. Portanto, é verificável e explicativo, utilizando métodos previamente estabelecidos e testados, que apontam a verdade dos fatos experimentados e sua aplicação prática. Este é o conhecimento que trabalhamos no Ensino Superior, por isso a necessidade de uma disciplina como essa, para se aprender os métodos que a ciência exige. Oliveira (2003) contribui sobre o assunto, sintetizando os tipos de conhecimento, conforme o quadro abaixo: Página 8 de 94 Vulgar Científico Filosófico Religioso/Teológi co valorativo reflexivo falível assistemático verificável inexato real contingente falível sistemático verificável exato valorativo racional infalível sistemático não-verificável exato valorativo inspiracional infalível sistemático não-verificável exato Após conhecer os tipos de conhecimento, iremos abordar um pouco da história de cada um deles, suas relações e, principalmente, o surgimento da ciência. 1.3 - A origem dos tipos de conhecimento O senso comum, associado ao conhecimento filosófico e à questão teológica, orientou as preocupações do homem com o universo. Desde a Pré-história3, os seres humanos utilizaram a experiência e a observação para o desenvolvimento de conhecimentos. Assim, a primeira forma de troca de aprendizagens foi através do senso comum, do conhecimento popular. Quando a humanidade em sua fase pré- histórica, antes da escrita ou de formas mais complexas de transmissão de saberes, desenvolveu a primeira forma de transmissão de saberes com o conhecimento empírico, através da observação do outro. A partir da Antiguidade4 e suas grandes civilizações, vemos o aprimoramento dos conhecimentos filosóficos e teológicos. O primeiro deles foi o teológico, com o surgimento das primeiras religiões, fortemente atreladas aos sistemas políticos, como é o caso dos faraós no Egito antigo, que eram vistos como um rei e como um deus. 3 Período da história da humanidade datado entre, aproximadamente, 2,5 milhões de anos até 4 mil a.C. É o período caracterizado pelo desenvolvimento da caça e da coleta, para a agricultura e domesticação de animais, do nomadismo para a sedentarização, da invenção do fogo e da arte rupestre. 4 A Idade Antiga ou Antiguidade foi o período histórico datado classicamente entre 4 mil a.C. com a invenção da escrita, até o ano de 476 com a queda do Império Romano. Este período foi marcado pelas primeiras grandes civilizações da humanidade como a Mesopotâmia, o Egito antigo e a Grécia antiga. Página 9 de 94 Nessa época, ainda se desenvolveu as primeiras histórias mitológicas, que consistem em narrativas que contavam a história do universo, da natureza e da humanidade, segundo a vontade dos deuses. Tais mitos serviam como fonte de conhecimento para esses povos, que acreditavam através da fé e das crenças nas histórias e nas explicações a partir dos mitos e da palavra dos sacerdotes. A preocupação em descobrire explicar a natureza vem desde os mais remotos tempos da humanidade, que colocava o homem à mercê das forças da natureza e da morte, enquanto que o conhecimento mítico atribuía um caráter sobrenatural. Já o conhecimento religioso explicava os fenômenos da natureza e o caráter transcendental da morte como se fossem revelações da divindade. O conhecimento filosófico para captar a essência imutável do real, partiu para a investigação racional da forma e das leis da natureza. (SILVA, 2017, p. 110) O conhecimento filosófico veio posteriormente ao teológico quando, por volta de 500 a.C., alguns pensadores gregos começaram a buscar através de suas próprias capacidades de raciocínio e de lógica, explicações sobre as grandes questões da humanidade como “de onde viemos?” e “para que serve o mundo?”. Esses pensadores foram chamados de filósofos, que significa “o amigo da sabedoria”. Vale notar que o surgimento da filosofia não excluiu o conhecimento teológico, na verdade, tais saberes se associam de formas complementares pois apesar de buscarem a mesma coisa (no caso, o conhecimento) utilizam caminhos diferentes para tal. Com o conhecimento científico foi a mesma coisa, pois quando este surgiu, não excluiu a existência dos demais. Vamos agora ver quando este tipo de conhecimento surgiu. Foi somente por volta do século XIV que se iniciou uma linha de pensamento que propunha encontrar o conhecimento embasado na lógica, com melhores garantias, e na procura do real aliada ao raciocínio. Nicolau Copérnico viveu na Polônia entre 1473 e 1543, e foi um destaque na sua geração nos estudos da matemática e da astronomia. Ele desenvolveu a teoria Heliocêntrica no início do século XVI, defendendo que o Sol era o centro do Sistema Solar, e não a Terra, como se pensava anteriormente. A este evento damos o nome de "Revolução Copérnica”, um dos principais marcos no desenvolvimento da ciência. A partir de então, outros pesquisadores surgiram, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento da ciência como se conhece hoje, este evento ficou conhecido como Renascimento científico. Página 10 de 94 Podemos citar Galileu Galilei (1564-1642), Giordano Bruno (1548-1600) e Johannes Kepler (1571-1630), como grandes contribuidores para os estudos da astronomia e da física, inclusive no desenvolvimento de aparelhos de observação como o telescópio. O pioneiro a tratar do assunto, no âmbito do conhecimento científico, foi Galileu Galilei, primeiro teórico do método experimental. As ciências, para Galileu, não têm, como principal foco de preocupações, a qualidade, mas as relações quantitativas. Seu método pode ser descrito como indução experimental, chegando-se a uma lei geral através da observação de certo número de casos particulares. Os principais passos de seu método podem ser assim expostos: observação dos fenômenos; análise dos elementos constitutivos desses fenômenos, com a finalidade de estabelecer relações quantitativas entre eles; indução de certo número de hipóteses; verificação das hipóteses aventadas por intermédio de experiências; generalização do resultado das experiências para casos similares; confirmação das hipóteses, obtendo-se, a partir delas, leis gerais. (LAKATOS e MARCONI, 1991, p. 42) Um dos contemporâneos de Galileu foi Francis Bacon (1561-1626), que partiu da suposição de que o conhecimento científico é a única forma de chegar à verdade dos fatos, e para isso devemos seguir as etapas: experimentação; formulação de hipóteses; repetição; testagem das hipóteses, formulação de generalizações e leis (SILVA, 2017). A partir de Bacon, inicia-se o aprimoramento do método científico, porém, foi com o filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650), que a ciência teria sua consagração com a elaboração do que conhecemos como método científico. Em 1637, Descartes publica o livro “Discurso sobre o Método”, obra em que fornece os meios para se alcançar um método dedutivo, ou seja, o autor elabora um modelo ou um sistema racional para se chegar ao conhecimento. Descartes propõe quatro regras: (1) a evidência: para não acolher jamais como verdadeira uma coisa que não se reconheça evidentemente como tal; (2) a análise: que consiste em dividir cada uma das dificuldades em tantas partes quantas necessárias para melhor resolvê-las; (3) a síntese: entendida como o processo que leva à reconstituição do todo, previamente decomposto pela análise, consistindo em conduzir ordenadamente os pensamentos; (4) a enumeração: que consiste em realizar sempre enumerações Página 11 de 94 tão cuidadosas e revisões tão gerais que se possa ter certeza de nada haver omitido. (LAKATOS e MARCONI, 1991) A importância de Descartes na estruturação do método científico é indiscutível e, mesmo após todos esses anos e o surgimento de outras ideias que foram sendo adaptadas ao seu método, nota-se que a base ainda remonta à ele. Nos dias atuais, a definição de método científico ou a teoria da investigação que alcança seus objetivos de forma científica, são aquelas que cumprem as seguintes etapas: (SILVA, 2017) – Descobrimento do problema: ou uma lacuna num conjunto de acontecimentos. Se o problema não estiver enunciado com clareza, passa-se à etapa seguinte; se estiver, passa-se à subsequente; – Colocação precisa do problema: ou ainda, a recolocação de um velho problema à luz de novos conhecimentos (empíricos ou teóricos, substantivos e metodológicos); – Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema: o exame do que já é conhecido para tentar resolver o problema; – Tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados: se a tentativa resultar como sendo inútil, passa-se para a etapa seguinte, em caso contrário, à subsequente; – Invenção de novas ideias: hipóteses, teorias ou técnicas ou produção de novos dados empíricos que prometam resolver o problema; – Obtenção de uma solução: exata ou aproximada do problema, com o auxílio do instrumental conceitual ou empírico disponível; – Investigação das consequências da solução obtida: em se tratando de uma teoria, é a busca de prognósticos que possam ser feitos com seu auxílio. Em se tratando de Página 12 de 94 novos dados, é o exame das consequências que possam ter para as teorias relevantes; – Prova ou comprovação da solução: confronto da solução com a totalidade das teorias e da informação empírica pertinente. Se o resultado é satisfatório, a pesquisa é dada como concluída, até novo aviso. Do contrário, passa-se para a etapa seguinte; – Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução incorreta: esse é, naturalmente, o começo de um novo ciclo de investigação. Dessa forma, para ser considerado ciência, o objeto deve ser colocado à prova das regras supracitadas. O método científico parte da observação organizada de fatos, da realização de experiências, das deduções lógicas e da comprovação científica dos resultados obtidos. Para muitos autores, o método científico é a lógica aplicada à ciência. Existem diversos métodos, e cabe ao pesquisador, dependendo da natureza de seu objeto, bem como da natureza de sua pesquisa, selecionar o método de abordagem que entender mais adequado para a sua investigação científica. Conheceremos mais desses métodos nas próximas unidades. Unidade 2 - Leitura, documentação e o estudo no Ensino Superior O objetivo desta unidade é estruturar os estudos e todas suas modalidades no Ensino Superior. O estudo é importante, pois é com ele que adquirimos conhecimentos, cultura, e traçamos objetivos na vida. Através dos estudos convivemos com pessoas diferentes, e educação diferente das quais estamos habituados. Sair da zona de conforto nos auxilia a vermos por outras lentes o mundo e a nós mesmos. No Ensino Superior, essa experiência se amplia exponencialmente,e é preciso adquirir técnicas de estudo, de leitura e documentação das informações de maneira eficaz para o bom aproveitamento. Esta unidade é dedicada ao aprimoramento dessas técnicas. Página 13 de 94 2.1 - Participação nas aulas Assistir aulas, apesar de usarmos a mesma palavra “assistir” tanto para aulas, quanto para TV e cinema, o comportamento em cada uma dessas situações é bastante diferenciado. Enquanto assistir TV e cinema pode ser um comportamento passivo, que independe de uma interação efetiva das partes envolvidas, por isso, “assistir” aulas seria melhor expresso pelo termo “participar” das aulas. Pois esta é uma situação de interação entre professor, aluno e um conjunto de dados, informações e conhecimentos, ou seja, a aula é um processo coletivo. Dessa forma, ninguém assiste ou dá aula, todos participam da aula. Participar da aula implica em: I. Disposição para essa situação específica de interação; II. Preparo anterior e posterior dos assuntos tratados; III. Contextualização do conteúdo da disciplina para a realidade do aluno. Em síntese, o envolvimento integral de estudantes e professores em torno da situação de ensino-aprendizagem é necessário para o bom rendimento das disciplinas. Importante lembrar de que o curso à distância exige ainda mais dos alunos, de sua capacidade de organização e comprometimento frente aos desafios acadêmicos. 2.2 - Aproveitamento da leitura Tanto a leitura, quanto a escrita são práticas imprescindíveis para o desenvolvimento da cognição humana. Ambas proporcionam o desenvolvimento do intelecto e da imaginação, além de promoverem a aquisição de conhecimentos. Quando lemos ocorrem diversas ligações no cérebro que nos permitem desenvolver o raciocínio. Além disso, com essa atividade aguçamos nosso senso crítico por meio da capacidade de interpretação, que é uma das chaves essenciais da leitura. Afinal, não basta ler ou decodificar os códigos linguísticos, faz-se necessário compreender essa leitura. Com a leitura exercitamos nosso cérebro, ampliamos nosso vocabulário e desenvolvemos uma maior habilidade na escrita. Segundo o escritor brasileiro Página 14 de 94 Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Ou seja, a leitura é tão importante não apenas para o indivíduo, mas para a evolução de toda uma sociedade através de seu conhecimento e senso crítico e educação. Durante o curso de Graduação somos convidados o tempo todo a nos aventurar em uma série de leituras, e por isso, precisamos reservar um tempo para tal, pois o ato de ler constitui-se numa atitude fundamental para a formação superior. O sucesso nos estudos e, consequentemente, na vida profissional, depende da capacidade do aluno de ir em frente. Afinal, como foi falado na unidade anterior, o conhecimento científico se dá em ambientes muito específicos, como na Faculdade. Portanto, as leituras propostas ao longo do curso darão as ferramentas fundamentais para o desenvolvimento formal na área de Pedagogia. Para despertar o gosto pela leitura e oportunizá-lo a fazer melhor proveito dela, deve-se estar atento a alguns fatores, como fazer uma leitura de reconhecimento: olhar a capa e contracapa, o autor, as orelhas, o sumário (neste, observe os títulos e subtítulos), as referências indicadas pelo autor (para ter uma noção mais precisa sobre as bases em que o autor se apoiou), a introdução e o prefácio dos livros, para depois ler. Esses elementos já podem dar uma ideia geral sobre o tema, e você poderá identificar a temática, e ainda, se será útil para o objetivo que pretende alcançar no seu estudo. Quando fizer uma leitura acadêmica, anote os pontos principais em fichas de leitura e/ou grife o texto, marque as referências e suas páginas. Essas marcações são muito importantes pois se não tiver à mão a referência do material utilizado, não poderá utilizar daquele conteúdo num eventual texto que for produzir. Nos livros, os dados como ano de publicação e a editora estão contemplados, em uma ficha catalográfica, na segunda ou terceira folha. Já nas revistas, tais dados estão na capa ou na última página após a bibliografia. É importante anotar esses dados pois, na produção de um texto próprio, terá que referenciar todos os livros e artigos analisados e que serviram de auxílio para o desenvolvimento de suas ideias. É preciso levar em consideração três regras básicas para facilitar a aprendizagem: Página 15 de 94 • Atenção: capacidade de concentração em um só objeto, sabendo que, a atenção não pode se manter fixa por longos períodos, sem perder sua eficácia, por isso um período de atenção requer outro de descanso. Para prender a atenção, é ideal criar o máximo de interesse pelo assunto estudado; • Memória: memorizar é reter ou compreender o que é mais significativo de um conteúdo, ao invés de ter decorado, o que só permite repetição. A memorização é possível a partir da observação dos seguintes pontos: repetição, atenção, emoção, interesse e relacionamento dos fatos com outros conteúdos, já retidos na memória; • Associação de ideias: capacidade que possibilita ao indivíduo relacionar e evocar fatos e idéias. É fácil observar quantos assuntos vêm à tona, por fatos e idéias relacionadas com experiências anteriores dos interlocutores, na troca de palavras em uma conversa. Para melhor aprendizagem, podemos usar dessa técnica, para associar o conteúdo. Para ter o melhor aproveitamento da leitura, deve-se reservar um tempo diário para ler, selecionar o material e ter um local apropriado. Segundo Cervo e Bervian (2002), as etapas para se realizar uma boa leitura são: • Pré-leitura: é a leitura de reconhecimento que examina a folha de rosto, os índices, a bibliografia, as citações ao pé da página, o prefácio, a introdução e a conclusão. Tratando-se de livro, a dica é percorrer o capítulo introdutório e o final; no caso de leitura de um capítulo, ler o primeiro parágrafo. Quando for um artigo de revista ou jornal, geralmente, a ideia está contida no título do artigo e subtítulos, que se apresentarem. Lembre-se que os primeiros parágrafos, em geral, tratam dos dados mais importantes; • Leitura seletiva: selecionar é eliminar o dispensável para nos fixarmos no que realmente nos interessa; para tanto, é necessário definir critérios, ou seja, os objetivos do trabalho, pois somente os dados que forneçam algum conteúdo sobre o problema da pesquisa que possam trazer uma resposta é que devem ser selecionados; Página 16 de 94 • Leitura crítica ou reflexiva: supõe a capacidade de escolher as ideias principais e de diferenciá-las entre si das secundárias. Dessa forma, diante da problemática de uma pesquisa, o estudante precisa fazer uma reflexão por meio da análise, comparação, diferenciação, síntese e do julgamento, levantando similaridades ou não, para formar sua ideia sobre o assunto. Nessa fase, também, deve-se ter uma visão global do assunto, passando para a análise das partes e chegando à síntese; • Leitura interpretativa: nessa fase, o pesquisador procura saber o que realmente o autor afirmar e que informações transmite para a solução dos problemas formulados na pesquisa. Chegando a essa etapa, é o momento de procedermos à integração dos dados descobertos durante a leitura na redação do trabalho de pesquisa. Algumas dicas finais para uma boa leitura: lembre-se de sempre procurar em um dicionário as palavras desconhecidas que, eventualmente, aparecerem no texto. Essa prática irá auxiliar no aproveitamento máximo do texto trabalhado. E ainda, esteja atento ao ano em que foi escrito o texto, dependendo da época, algumas ideias podem ser ultrapassadas e até inadequadas. 2.3 - Registros e documentação Para obter resultados eficazes nos estudos, além de muita leitura, é necessário compreensão e assimilação dos conteúdos. Umrecurso que poderá lhe auxiliar nesse processo é a prática dos registros e da documentação. Isto é, na organização das informações adquiridas através das leituras. Como já foi dito, a ciência tem um método bem definido e, portanto, o registro e a documentação de textos acadêmicos também têm formatos pré-estabelecidos. Vamos estudar, a seguir, seus principais formatos de organização e registro de informação, a fim de facilitar os estudos. São duas as formas de documentação: • Documentação geral: é a conservação de materiais por temas. Os materiais geralmente conservados são textos, apostilas, artigos de jornais e outros. Lembrando que, nos dias atuais, essa documentação pode ser organizada em seu computador Página 17 de 94 através de uma pasta em locais como Documentos, Google Drive ou em alguma nuvem (ferramenta virtual para o armazenamento de informações). • Documentação bibliográfica: é a organização dos materiais lidos. As formas de organização e armazenamento podem variar, como, por exemplo, a organização por intermédio de citações, resumos, comentários, entre outros. Além deste tipo de documentação armazenar o texto em si, registra também as informações da obra, tornando-a uma referência para os estudos. O fichamento é um dos principais procedimentos utilizados na organização de dados da pesquisa de documentos. E pode ser utilizado na hora de fazer a documentação bibliográfica. Sua finalidade é arquivar as principais informações das leituras feitas e auxiliar na identificação da obra. Essas fichas de resumo consistem em um valioso recurso de estudo e pesquisa, por isso, é importante utilizar critérios formais e científicos. Inclusive, pode-se seguir as chamadas normas ABNT que serão trabalhadas na próxima unidade desta apostila. Resumindo, fazendo um bom fichamento, o aluno terá as anotações necessárias, no momento em que precisar escrever sobre determinado assunto. Antigamente, eram utilizadas fichas de papel para esse tipo de registro. Hoje em dia, usamos também os recursos de programas de computador como o Word ou o Excel. A escolha entre o papel ou o computador deverá ser inteiramente do aluno, através do que se sente mais confortável. Temos quatro tipos fundamentais de fichamento, são eles: ● Fichamento de citação: consiste na reunião das frases mais importantes citadas em um texto. Por isso devem ser transcritas entre aspas. É preciso ter especial atenção para que as citações façam sentido, pois existem dois tipos de citações: - citações diretas, com texto na íntegra; Página 18 de 94 - citações com omissões de palavras, isto é, supressões de texto que não interessam no contexto, indicadas com três pontos entre colchetes [...] ou parênteses (...).; ● Fichamento textual ou de resumo: neste tipo são inseridas as ideias principais, mas com as suas próprias palavras, embora também possam ser usadas citações. As ideias devem estar organizadas de acordo com a ordem em que aparecem no texto. Você deve expressar sua opinião e, inclusive, fazer os seus próprios esquemas. Esse tipo de fichamento também é chamado de fichamento de leitura ou de conteúdo. ● Fichamento bibliográfico: nesta modalidade as ideias selecionadas, e que expressam opinião pessoal, são inseridas por temas com a devida indicação da sua localização no texto. Ou seja, é uma espécie de comentário ou resenha que dê ideia do que se trata a obra. Pode ser feita por capítulos ou em geral sobre a obra inteira. ● Fichamento temático: é uma mistura do fichamento textual e de citação. Ou seja, nesta modalidade reúnem-se os elementos mais importantes da obra (como conceitos, fatos, ideias e informações), juntamente com trechos transcritos da própria obra. Lembrando que as citações sempre devem vir entre aspas e com a referência à página retirada. A estrutura mínima sugerida para um fichamento é composta de: 1- Cabeçalho: iniciar com a elaboração do cabeçalho, que pode ser dividido em apenas dois campos: o primeiro deve ser o título geral e o segundo, o título específico. 2- Referência: deve contemplar a autoria (com sobrenomes em caixa alta e, se forem mais de um autor, em ordem alfabética), o título da obra (em negrito ou sublinhado), local de publicação, editora e ano de publicação. Se necessário, acrescentar também Página 19 de 94 a paginação. A formatação correta e os tipos de referências serão abordados na unidade 5 desta apostila. 3- Corpo ou texto da ficha: onde o conteúdo é desenvolvido, por meio de resumo ou citação. O corpo ou texto da ficha pode mudar, dependendo do tipo de fichamento. Acompanhe, abaixo, alguns exemplos de fichamentos. Página 20 de 94 Página 21 de 94 2.4 - Mapa conceitual Mapa conceitual consiste em uma estrutura gráfica que auxilia na organização de ideias, conceitos e informações de modo esquematizado. É uma ferramenta de estudo e aprendizagem, onde o conteúdo é classificado e hierarquizado de modo a auxiliar na compreensão do indivíduo que o analisa. A idealização do mapa conceitual, como um método de organização de conteúdos, surgiu na década de 1970, nos Estados Unidos, através do professor David Ausubel5. A construção de um mapa conceitual começa a partir de um conceito principal que é escrito no interior de um retângulo. Os conceitos podem ser objetos, ideias, sentimentos ou fatos existentes no mundo, e que são compostos por duas partes: um rótulo e um conteúdo. A elaboração é livre, e duas pessoas diferentes certamente construíram mapas diferentes expondo os conceitos presentes em sua mente. A 5 David Ausubel (1918 – 2008), filho de família judia e pobre, imigrantes da Europa Central, cresceu insatisfeito com a educação que recebera. Formado em Psiquiatria, dedicou-se à Psicologia Educacional, foi Professor Emérito da Universidade de Columbia e teve muitas dificuldades em desenvolver sua teoria da Aprendizagem Significativa, devido ao grande prestígio do Behaviorismo na Educação naquela época. Página 22 de 94 quantidade de conceitos define o campo conceitual e quanto maior a quantidade de conceitos, mais rico é o mapa conceitual e pode-se dizer que tem um maior domínio conceitual. Um mapa conceitual é constituído por conceitos e relações. As relações são importantes para unir conceitos e subconceitos. Elas são representadas por meio de setas. Uma seta sai de um conceito principal, é interrompida por uma palavra de ligação que estabelece a relação e a seguir a seta prossegue até que a cabeça da seta toque seu subconceito. Há mapas conceituais que não consideram as relações, e colocam direto conceitos unidos por meio de setas a outros conceitos. E atenção: a falta das relações entre os conceitos pode dificultar o entendimento. As setas, contendo relações, são partes importantes de um mapa conceitual, uma vez que elas fornecem um significado ou sentido que unem conceitos ou seus subconceitos. Torna-se interessante mencionar que a medida que um mapa conceitual cresce, na quantidade de conceitos, pode-se tornar inviável desenhá-lo numa única folha e pode ser preciso o uso de ligantes e a continuação do desenvolvimento em outras folhas. Observa-se também que os mapas podem ser desenvolvidos com a Página 23 de 94 ajuda de recursos computacionais e um deles é por meio do software CMapTools, ou mesmo por aplicativos como o Canva. Para fazer a elaboração de um mapa conceitual é necessário seguir três etapas: 1- Dominar o tema: que o seu idealizador já tenha adquirido o conhecimento sobre o respectivo assunto a ser organizado. 2. Definir a estrutura: a segunda etapa na confecção de um mapa conceitual é a escolha da estruturação que este terá. Os três tipos de estrutura são: - Hierárquico: Este tipo de mapa conceitual é útil quando a pessoa deseja ter uma melhor visualizaçãosobre a ordem cronológica de um processo ou ideia, assim como classificar os diferentes graus de importância. Entre as linhas que ligam os diferentes termos, o idealizador deste tipo de mapa conceitual pode explicar, resumidamente, qual a relação que conecta ambos. - “Teia de aranha”: Este tipo de mapa conceitual é útil para visualizar a ramificação de ideias ou assuntos que são muito amplos. Deste modo é Página 24 de 94 possível identificar os sub-temas presentes em cada tópico e “dissecá- los” em diversas camadas. - Fluxograma: Neste tipo de mapa conceitual, é possível identificar as diversas opções lógicas para a resolução de um determinado processo. Assim, o indivíduo consegue ter uma visão geral sobre todas as alternativas e as suas prováveis consequências, traçando o melhor modo de chegar à solução / conclusão. 3. Montar o mapa conceitual Página 25 de 94 Para a montagem do mapa conceitual, é necessário partir do conceito central que irá organizar o mapa. Relacionar as ideias a partir do conceito que se quer explicar, seguindo a forma escolhida para a estrutura. Os mapas conceituais podem ser utilizados em várias situações, uma vez que ela ajuda a organizar os conceitos e suas relações na mente da pessoa que a desenvolve ou que a utiliza. Suas principais aplicações na vida acadêmica são: ● Apresentação de trabalho: uma pessoa que vai fazer uma apresentação de um trabalho em um congresso, ou de um trabalho de conclusão de curso, ou um seminário, pode construir um mapa conceitual sobre sua apresentação e, desta forma, pode estudar a apresentação nesta ferramenta. ● Estudo de matéria escolar: quando uma matéria nova é apresentada ao aluno, após a aula, ele pode construir individualmente ou coletivamente um mapa conceitual que pode ajudar a entender a disciplina. ● Avaliação: um professor pode utilizar a elaboração de mapas conceituais durante uma prova, como forma de saber os conceitos presentes na mente do aluno e desta forma, pode estabelecer, por exemplo, uma quantidade mínima de conceitos a serem explicitados pelo aluno na avaliação. ● Leitura de um livro: ao ler um livro, muitas vezes as pessoas sentem-se perdidas e em especial se terão que utilizar o livro em alguma avaliação escolar. Torna-se interessante que o leitor construa um mapa conceitual e esse não precisa ser feito isoladamente, mas preferencialmente, com a ajuda de alguém que já leu o livro e já passou pela avaliação e que se disponha a ajudar, de modo a se concentrar em conceitos e relações que podem ser pedidos numa avaliação. ● Leitura de artigos científicos: quando um leitor se defronta com um assunto novo, muitas vezes a leitura pode ser dificultada e a assimilação dos conceitos Página 26 de 94 presentes nem sempre é fácil. Se o leitor começa colocando como conceito principal o título do artigo, a seguir, as relações do tipo, quem escreveu e coloca com subconceito o nome do autor ou dos autores. A seguir vêm os outros conceitos como é o caso de quais são as palavras-chave, quais são as partes do artigo, o que se fala em cada parte, quais são os autores referenciados no artigo e sobre o que fala cada autor. ● Elaboração de projetos: quando um projeto precisa ser construído, um mapa conceitual pode ser feito em conjunto com sua equipe, tornando-se mais fácil a compreensão do que precisa ser feito, como deve ser feito, quais as partes, pessoas e atividades que são necessárias. Desta forma, o projeto fica mais claro e com mais condições de ser realizado e implementado com sucesso. Unidade 3 - Normatização dos trabalhos acadêmicos - parte I Normas são regras para serem respeitadas dentro de um âmbito ou limite que pode ser uma família, empresa, organização, universidade, ou algum segmento da sociedade. Desta forma há normas locais, regionais, nacionais e até internacionais. Uma norma representa a forma mais simples, econômica, racional e acordada por todos ou pelos segmentos interessados de modo a ser útil a todos. A palavra “normatização”, criada por meio do senso comum, está relacionada a estabelecer normas. A ciência, possuidora de um método rigoroso, possui agências reguladoras nacionais e internacionais que elaboram as normas, tanto dos métodos aceitos para a pesquisa, quanto para os métodos permitidos para a apresentação do resultado da pesquisa. Nesta unidade iremos compreender quais são as agências reguladoras e os tipos de métodos e de pesquisa reconhecidos por tais. 3.1 - ABNT ABNT é a sigla da Associação Brasileira de Normas Técnicas, um órgão fundado em 1940 cuja função é administrar a normalização técnica no Brasil, em diversos setores. A entidade é membro fundador da Organização Internacional de http://www.abnt.org.br/ https://www.iso.org/home.html Página 27 de 94 Normalização (ISO), entidade que agrega todos os órgãos de normas técnicas do mundo. Uma norma técnica é um documento publicado por um órgão credenciado e reconhecido pela ISO (no caso do Brasil, a ABNT) que determina regras, padrões, medidas, diretrizes ou procedimentos para um produto, serviço, documento ou material. No Brasil, a obediência a uma norma técnica é opcional (em alguns países é obrigatória), mas o não cumprimento implica em dificuldades de implementação de um serviço ou a recusa do documento por parte do destinatário, por estar “fora dos padrões técnicos”. As normas para os trabalhos acadêmicos, toda sua formatação e regras são estipuladas pela ABNT. E no Ensino Superior, utilizamos tais regras sempre que queremos pesquisar, redigir ou apresentar algum trabalho. Afinal a utilização de tais regras é o que transforma um pesquisa qualquer em um documento científico. Como curiosidade, é importante saber que o órgão rege milhares de normas técnicas que atingem diversos outros setores além do acadêmico. Por exemplo, o grupo de normas ABNT NBR ISO 9000 determina regras para a gestão da qualidade em diversos setores, do industrial ao alimentício. Um produto ou serviço que tenha essa certificação passou por diversos testes, tendo sua eficácia e qualidade comprovados por ISO e ABNT e obtendo determinadas vantagens no seu mercado. 3.2 - Métodos de pesquisa Método é o caminho para se realizar alguma coisa e quando se tem o caminho, torna-se mais fácil realizar viagens sabendo onde se está, aonde se quer chegar e como fazê-lo. O método de pesquisa refere-se à forma como aborda-se o objeto de estudo, e em como escolher procedimentos sistemáticos para obter a explicação dos fenômenos. Segundo Gil (1999, p. 30) “a escolha de um método vai depender da característica do objeto de pesquisa; dos recursos materiais disponíveis; do nível de abrangência do estudo; e do interesse do pesquisador”. Pesquisar algo de nosso interesse é sempre um trunfo para o desenvolvimento da pesquisa. Os principais métodos de pesquisa utilizados são: https://www.iso.org/home.html https://tecnoblog.net/236041/guia-normas-abnt-trabalho-academico-tcc/ Página 28 de 94 ● Método Dedutivo: é um método racionalista, pois considera que a razão é a única forma de alcançar o conhecimento verdadeiro, sendo o mais utilizado dos cinco métodos existentes. Utiliza o silogismo, ou seja, de duas premissas se conclui uma terceira. Como mostra o exemplo: Todo homem é mortal (premissa maior). Pedro é homem (premissa menor). Logo, Pedro é mortal (conclusão). ● Método Indutivo: é o método em que o pesquisador, a partir de uma amostra da população, chega a conclusões aplicáveis a toda população. Ou seja, o conhecimento é baseado na experiência, sendo que as generalizações são resultantes da observação de casos reais e concretos elaborados a partir de casos individuais. Por exemplo, esse é o método utilizado quando o IBOPE ouve cinco mil consumidores e projeta qual será o comportamentode cem milhões de pessoas. ● Método Hipotético-dedutivo: esse método consiste na construção baseada em hipóteses, ou seja, caso uma parte ou a totalidade das hipóteses sejam comprovadas como falsas, o restante também o será. Para isso é necessário que as hipóteses sejam submetidas ao máximo possível de testes, críticas, comparações e ao confronto com os fatos. Assim, verifica-se quais as hipóteses serão refutadas e, consequentemente, quais permaneceram como válidas. Segundo Gil (1994,p.28) "[...] enquanto o método dedutivo procura confirmar a hipótese, o hipotético-dedutivo procura evidências empíricas para derrubá-las”. Assim, a abordagem do método hipotético-dedutivo é a verdade, eliminando tudo que é falso. ● Método dialético: esse método é utilizado quando se faz uma investigação através da contraposição de elementos conflitantes, buscando compreender o papel desses elementos no fenômeno observado. Dessa forma, o pesquisador deve confrontar qualquer conceito tomado como verdadeiro, buscando novas Página 29 de 94 conclusões. Portanto, o método dialético não analisa um fenômeno estático, pelo contrário, busca contextualizar o objeto ou fenômeno de acordo com uma dinâmica histórica, cultural e social (contexto social). ● Método fenomenológico: esse método consiste na descrição direta do fenômeno ou da experiência tal como ela ocorre. Busca-se fazer a descrição mais fidedigna possível do fato, não pressupondo nada. Assim, o pesquisador, ao explorar o dado, não se deixa influenciar por crenças, costumes e nem faz juízo de valor sobre o mesmo, buscando realizar uma descrição pura da realidade´. ● Método histórico: através desse método ocorre o estudo dos fatos ocorridos no passado, os quais permitem realizar vários tipos de análises como, por exemplo, a identificação ou explicação de como algum fato influencia no presente, ou buscando identificar e explicar sua origem. ● Método comparativo: esse método tem por objetivo estudar os indivíduos, classes e grupos sociais, em relação aos fatos e fenômenos sociais que ocorrem, ou ocorreram no ambiente onde estão inseridos. O objetivo é estabelecer leis e correlações entre eles, estabelecendo suas semelhanças e diferenças. Para tanto, o pesquisador deve definir o número de grupos com os quais irá trabalhar as variáveis que serão adotadas. ● Método estatístico: esse método apoia-se na teoria estatística da probabilidade, sendo bastante utilizado, pois, permite ao pesquisador transformar uma quantidade grande de fatos e dados em um número menor, estabelecendo relações e correlações entre eles. Assim, esse método é utilizado quando o fato ou fenômeno analisado apresenta um grande número de ocorrências e complexidade, necessitando quantificá-lo para que possa analisá-lo. 3.3 - Modalidades de pesquisa Página 30 de 94 As modalidades da pesquisa referem-se à forma como deve-se proceder na execução da pesquisa, ou seja, como realizá-la. São vários os tipos de pesquisa, e abaixo, serão listados os principais: ● Quanto à natureza pura (Básica): tem por objetivo a produção de novos conhecimentos, os quais envolvem verdades e interesses universal sem, no entanto, ter inicialmente uma aplicação prática para os resultados previstos. ● Quanto à natureza aplicada: tem por objetivo a busca de novos conhecimentos, os quais envolvem interesses locais. Ao contrário da pesquisa pura, a aplicada busca a produção de conhecimento que tenha aplicação prática para resolver problemas ou situações reais e específicas. ● Quanto à forma de abordagem: existem dois tipos de pesquisa em relação à abordagem: o quantitativo e o qualitativo, os quais estão relacionados ao modo como o pesquisador irá determinar o método para levantar dados e obter informações, ou seja, para chegar às causas do problema. - Pesquisa quantitativa: nesta modalidade, são utilizadas técnicas estatísticas para transformar dados em números e, posteriormente, em informações, analisando-as para tirar as devidas conclusões. Para desenvolver uma pesquisa baseada nesse método é necessário ter variáveis bem definidas e utilizar cálculos estatísticos. Além disso, nela não há o envolvimento direto do pesquisador, pois ele apenas observa a situação e anota dados, não havendo interação com o objeto da pesquisa. Esse método utiliza a estatística como base, portanto, requer o uso de recursos como porcentagem, média, moda, mediana, variância, desvio, padrão, coeficiente de correlação, entre outros. Um dos instrumentos de levantamento de dados mais utilizados nesse tipo de pesquisa é o questionário. Página 31 de 94 - Pesquisa qualitativa: esta modalidade é baseada em uma pesquisa descritiva, onde entrevistados dão sua opinião sobre um fato ou uma realidade, ou seja, são exploradas as particularidades e os traços subjetivos (significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes) do objeto pesquisado. Nessa pesquisa ocorrem classificações e análises dissertativas sobre certas situações ou fatos. - Pesquisa quali-quanti: esta modalidade é uma mescla entre a qualitativa e a quantitativa. É recomendado iniciar pela fase qualitativa, a fim de coletar informações em fontes confiáveis e compreender o fenômeno estudado. Na sequência vem a parte quantitativa do estudo, que geralmente requer a aplicação de questionário e análise dos dados coletados. ● Pesquisa em relação a um objetivo geral: antes de realizar uma pesquisa como essa, deve-se definir o(s) objetivo(s). Após essa primeira etapa, é estabelecido os procedimentos metodológicos seguintes, ou seja, partindo do problema a ser pesquisado, essa classificação permite determinar quais os procedimentos que serão empregados na investigação científica. São eles (Gil, 2006): - Pesquisa exploratória: utilizada quando um problema é pouco conhecido e suas hipóteses não estão ainda claras, o que necessita de um maior envolvimento do pesquisador como objeto da pesquisa (tema), tendo por finalidade buscar informações sobre ele e, assim, poder delineá-lo melhor e torná-lo mais claro. Normalmente, é utilizado um estudo de casos embasado por pesquisa bibliográfica, entrevistas e análise de exemplos. - Pesquisa descritiva: tem por finalidade descrever as características de um objeto ou fenômeno ou de uma experiência. Para isso, o pesquisador descreve, classifica e a observa. A coleta de dados sobre o objeto é feita através de técnicas padronizadas, como o questionário Página 32 de 94 ou a observação sistemática. Esta modalidade de pesquisa tem por finalidade observar, analisar e registrar um dado fenômeno sem que o pesquisador se envolva, de alguma forma, na mesma. Portanto, é proibido a ele emitir opinião, interferir na pesquisa, omitir ou alterar dados, entre outras atitudes que possam virar alterar a situação. - Pesquisa explicativa ou analítica: utilizada para descobrir o modo as causas do fenômeno, ou seja, o que leva o fenômeno a ocorrer e quais são as suas causas. O método utilizado nesta pesquisa vai depender do campo onde está se realizando a pesquisa. Devido às suas características,a pesquisa explicativa é bastante presente durante a realização de pesquisas experimentais, pois durante o experimento com variáveis, busca-se saber o porquê do resultado. ● Pesquisa de procedimentos técnicos para coleta de dados: a partir da escolha do objeto de pesquisa, segue-se para a fase seguinte que é a de planejar como vamos desenvolver a pesquisa, ou seja, a fase escolher os procedimentos técnicos e/ou metodológicos adotados para dar prosseguimento à pesquisa. Segundo Gil (2006), existem dois grupos de delineamentos, são eles: - Pesquisa bibliográfica: tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre o tema pesquisado. Envolve leitura,análise e interpretação de livros, jornais e revistas acadêmicas, periódicos, manuscritos e sites científicos. Isso significa que qualquer informação publicada (impressa ou eletrônica) é passível de se tornar uma fonte de consulta. O primeiro passo a ser dado nesse tipo de pesquisa é selecionar, do material recolhido, o que tem importância real para o tema a ser desenvolvido, o que chamamos de triagem. Após, deve-se fazer a leitura sistemática do material selecionado, realizando anotações e fichamentos, os quais irão formar o banco de dados utilizado na fundamentação teórica do estudo. A pesquisa bibliográfica é utilizada para todos os outros tipos de pesquisa, dando suporte a elas Página 33 de 94 e auxiliando na determinação do problema, objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final. Dessa forma, podemos perceber que não existe pesquisa sem que bibliográfica esteja envolvida, portanto, ela deve se tornar rotina entre os pesquisadores e estudantes. - Pesquisa documental: esta modalidade é bastante parecida com a bibliográfica, sendo que a diferença entre elas reside na natureza da fonte. A fonte da pesquisa documental são documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e privados, sindicatos, igrejas, instituições e em acervos particulares, tais como fotografias, filmes, diários, memorandos, atas de reunião, boletins, cartas pessoais, relatórios, entre outros documentos. Na pesquisa documental, a fonte pode já ter sido ou não utilizada em pesquisas anteriores. Caso já tenha sido analisada, normalmente, a pesquisa tem objetivo diferenciado entre outras interpretações. - Pesquisa empírica ou experimental: o objetivo desta modalidade é testar hipóteses que dizem respeito a relações de causa e efeito, podendo ser realizada em qualquer ambiente. Esse tipo de pesquisa envolve hipóteses que podem ser confirmadas ou não, em um processo de tentativa e erro. Para que se possa realizar esse tipo de pesquisa é necessário selecionar variáveis dependentes, estabelecer grupos de controle e a manipulação de variáveis independentes, tudo sobre o rigor de técnicas estatísticas e por amostragem, buscando verificar se o resultado obtido em um dado número manipulação de variáveis pode ser generalizado. - Pesquisa de levantamento: utiliza-se um questionário para, de forma direta, levantar informações das pessoas acerca do problema estudado. Quando o levantamento envolve toda a população (universo) é chamado de censitário, podendo ser feito com apenas uma parte da Página 34 de 94 população (amostragem). Após o levantamento dos dados, estes são transformados em números e analisados através de métodos estatísticos, os quais gerarão informações que permitirão chegar a conclusões que serão generalizadas para toda a população. - Pesquisa de campo: esta modalidade está relacionada à observação de um fato ou fenômeno, coletando dados sobre o mesmo da forma mais fiel possível e sem alterar nada do observado. Após a observação inicial, passa-se à análise e à interpretação desses dados com base em uma fundamentação teórica (pesquisa bibliográfica) consistente, com o intuito de compreender e explicar o problema pesquisado. Nesse tipo de pesquisa, dependendo do tema, é necessário determinar técnicas de coleta de dados mais apropriadas à natureza do tema, definindo também técnicas para registro e análise, podendo ser utilizada a abordagem predominantemente qualitativa ou quantitativa. - Pesquisa-ação: esta modalidade implica em uma pesquisa feita por mais de um participante. Isso porque os pesquisadores devem agir em conjunto para resolver um problema comum ou uma situação real (coletiva), portanto devem trabalhar de forma cooperativa ou participativa. A pesquisa-ação é uma metodologia apropriada para o trabalho em equipe, em que o objeto de estudo é analisado por todos os participantes da equipe, favorecendo as discussões na geração de conhecimentos sobre a realidade vivenciada. - Pesquisa ex-post-facto (a partir do fato passado): nesta modalidade de pesquisa o fato já ocorreu, ou seja, está no passado, o que impossibilita pesquisador de ter qualquer tipo de controle ou de manipulação dos mesmos. Portanto, seu objetivo é levantar e testar hipóteses, mas que devem ser comprovadas pelos fatos do passado. Página 35 de 94 - Pesquisa laboratorial: este tipo de pesquisa ocorre em situações controladas, utilizando-se de instrumentos específicos e precisos. São realizadas em um ambiente adequado, previamente estabelecido e conforme o estudo a ser feito. Esse tipo de pesquisa é comumente confundido com a pesquisa experimental. Mesmo que a maioria das pesquisas laboratoriais seja experimental, o que a diferencia deste fato dela ocorrer em situações controladas, com a escolha dos instrumentos a serem utilizados (específicos e precisos). Assim, eles possuem um ambiente totalmente apropriado a essa pesquisa máximo de controle possível para evitar que haja qualquer tipo de contaminação do ambiente das pessoas. Unidade 4 - Normatização dos trabalhos acadêmicos - parte II O objetivo central desta unidade é continuar o aprofundamento acerca da normatização do trabalho acadêmico. Agora, serão avaliadas as formas de pesquisa científicas, que podem e devem ser usadas para embasar as análises. 4.1 - Técnicas de pesquisa Após verificar os principais tipos e modalidades da pesquisa científica, é importante analisar as técnicas por trás de cada uma delas. Ou seja, os procedimentos gerais que auxiliam no desenvolvimento da pesquisa. Como afirma Gil (2006), para a realização da pesquisa, é necessário o emprego de técnicas de pesquisa. As técnicas são procedimentos que operacionalizam os métodos. Para todo método de pesquisa, correspondem uma ou mais técnicas. Estas estão relacionadas, principalmente, com a coleta de dados, isto é, a parte prática da pesquisa. A coleta de dados envolve a determinação da população a ser pesquisada, a elaboração dos instrumentos de coleta e a programação da coleta. Os instrumentos de coleta de dados mais utilizados são: Página 36 de 94 ● Observação: geralmente utilizada como uma parte importante no desenvolvimento da pesquisa, é organizada para registrar as informações obtidas durante a sua execução. A vantagem de usar a técnica é que os fatos são percebidos diretamente, sem qualquer intermediação. A desvantagem é que a presença do pesquisador pode alterar as atividades normais executadas pelas pessoas que estão sendo observadas. A observação pode ser simples, participante e pode ser aplicada em um período de tempo. ● Entrevista: A entrevista é uma técnica que utiliza perguntas ao entrevistado como forma de aquisição de informações específicas. Na entrevista se faz a coleta de dados, diagnóstico e orientação. As vantagens da entrevista são: possibilita a obtenção de dados referentes aos mais diversos aspectos envolvidos na pesquisa; obtenção de dados acerca do comportamento; os dados coletados podem ser classificados; o entrevistado não necessita saber ler e escrever; oferece a possibilidade de esclarecimentos; permite observar algumas expressões durante a sua execução, através de gestos e voz do entrevistado. Entre as limitações, podemos citar: a falta de motivação do entrevistado; a falta de compreensão do significado das perguntas; fornecimento de respostas falsas; incapacidade do entrevistado para responder a entrevista; influências das opiniões pessoais do entrevistador. Segundo Gil (2006, p. 118), os tipos de entrevistas são: 1) Entrevista informal: expressão livre do entrevistado sobre o assunto pesquisado. 2) Entrevista focalizada: enfoca tema específico e procura manter o entrevistado no assunto. 3) Entrevista porpautas: tem certo grau de estruturação, guiando-se por uma relação de pontos. Página 37 de 94 4) Entrevista estruturada: relação fixa de perguntas, possibilitando tratamento quantitativo dos dados. ● Questionário: Um questionário deve ser composto por questões bem apresentadas, as quais serão enviadas aos entrevistados na forma impressa ou virtual. Importante é construir esse questionário com o auxílio de um orientador, ou basear-se em algum modelo já validado. Como vantagens, na utilização do questionário, podemos citar a possibilidade de alcançarmos um grande número de participantes e desta forma podemos garantir o anonimato das respostas e sem a influência de opiniões de quem está fazendo a entrevista. Algumas limitações no uso do questionário são a exclusão daqueles que não sabem ler e escrever; os entrevistados não possuem auxílio quando não entendem alguma pergunta; não garantem um retorno; geralmente o número de perguntas não é expressivo. Na elaboração do questionário as perguntas podem ser abertas ou fechadas. ● Teste: Testar é fazer uma prova, envolve sentido de medida (precisão). É necessário realizar uma comparação com base em critérios definidos. Tem como requisitos: 1) Medir a validação de um conteúdo; 2) Qualidade de medir com exatidão; 3) Padronizar a aplicação, a análise e a interpretação dos resultados; 4) Estabelecer normas para avaliar e interpretar os resultados do teste. ● Documento: é a busca por documentos como: arquivos, registros estatísticos, diários, biografias, jornais, revistas, entre outros, que possam ajudar na pesquisa. Documentos podem ser registros estatísticos: IBGE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Organizações Voluntárias, Institutos de Pesquisa e Órgãos Públicos. Podemos utilizar também os documentos pessoais, como: cartas, diários, memórias, Página 38 de 94 autobiografias. Também são exemplos de documentos, os registros em comunicação, como: jornais, revistas, programas de rádio e televisão, panfletos, boletins e outros. 4.2 - Estudo de caso (ou método monográfico) Esse método estuda casos específicos ou que envolvem pequenos grupos, buscando entender como determinados fatos ocorrem. Tem por princípio que o estudo de um caso em profundidade pode ser representativo de vários outros de todos os casos semelhantes. O objeto de estudo podem ser os indivíduos, as comunidades, as instituições, entre outros. O estudo de caso inicia-se com uma metodologia qualitativa, que se expande para investigações quantitativas e, como já se mencionou anteriormente, os estudos quantitativos e os qualitativos podem ser complementares de modo a fornecer um melhor entendimento sobre um fenômeno em estudo. Um caso, para ser chamado de "caso", tem que ter alguma particularidade que o diferencie, tem que ser especial. Em geral, faz-se o estudo de um caso, e não de vários casos. O caso tem que ser descrito e analisado do modo mais detalhado e completo possível. Nos estudos de caso clássicos, o pesquisador não está envolvido diretamente no caso, porém este fato depende do fenômeno que está sendo analisado uma vez que o pesquisador possa analisar o indivíduo ou grupo envolvido. Para realizar um estudo de caso, torna-se importante inicialmente verificar se existe o caso, isto é, se há algum fenômeno relevante, que apresente interesse para algum grupo ou para a sociedade. É preciso então identificar, que características e/ou importância tornam o estudo um caso. Essa identificação inclui a definição de um problema a ser estudado. Este problema ou questão fundamental dará origem ao objetivo do trabalho. Um objetivo é um alvo a ser perseguido ao longo da realização do trabalho. Qual é o objetivo do estudo de caso em foco? Com o objetivo definido, pode-se buscar subsídios bibliográficos: encontrar estudos semelhantes ou mesmo diferentes, mas centrados na temática em estudo e que possam complementar o saber necessário para a realização do estudo de caso. Em seguida, é preciso realizar um planejamento prévio do que será feito, como, Página 39 de 94 quando e o responsável para cada ação. Isso pode ser feito por meio de um cronograma de atividades. Torna-se interessante planejar que técnica será utilizada, qual questionário, quais perguntas serão feitas etc. A partir dessa definição pode-se seguir para as etapas nas quais se realizará o levantamento de dados. Nos levantamentos de dados, o início ocorre por meio de observação dos fenômenos. O passo seguinte ocorre através da aplicação dos questionários e/ou por meio da realização de entrevistas que podem ser gravadas e com posterior transcrição (escrevendo o que foi levantando oralmente), por meio de questões abertas (de resposta livre). Estas podem ser analisadas por meio de outras técnicas, como é o caso da análise do conteúdo e/ou análise do discurso. Enquanto a análise do conteúdo pode ser realizada de modo qualitativo e quantitativo; a análise do discurso pega os sentidos das enunciações de modo qualitativo, e, por meio de questões fechadas múltipla escolha e uma alternativa como é o caso das questões previamente formuladas. Verifica-se que a metodologia do estudo de caso para ser implementada pode fazer uso de técnicas de levantamento de dados, dos questionários e entrevistas e também técnicas de análise que podem envolver técnicas estatísticas para o caso de dados numéricos e, técnicas de análise do discurso e/ou análise do conteúdo para os estudos qualitativos. Além disso, é importante fazer a descrição e a análise do caso de modo mais detalhado possível. A análise pode ser realizada em relação a outros estudos de caso e nos autores citados na bibliografia. Quanto mais detalhado for o estudo do caso, mais aprofundado seus resultados. Afinal, o conjunto de técnicas forma um estudo complexo, o que mais pode ser útil à sociedade e à ciência em si. Unidade 5 - Modalidades dos trabalhos científico-acadêmicos A principal razão que leva o pesquisador a escrever é a necessidade de expressar os resultados de pesquisas, reflexões e estudos que realizou, em determinado período, por solicitação dos professores ou espontaneamente, por isso Página 40 de 94 deve pensar em comunicar de forma clara, precisa e objetiva. Segundo Lakatos e Marconi (2003, P. 234), os trabalhos científicos: [...] devem ser elaborados de acordo com as normas preestabelecidas e com os fins a que se destinam. Serem inéditos ou originais e contribuírem não só para ampliação de conhecimentos ou compreensão de certos problemas, mas também servirem de modelo ou oferecer subsídio para outros trabalhos. A presente unidade tem como objetivo diferenciar as características quanto à estrutura, ao conteúdo ou à forma de apresentação inerentes de cada tipo de trabalho científico-acadêmico. Dessa forma, serão apresentadas as características dos principais tipos de trabalhos científicos acadêmicos e seus pré-requisitos. 5.1 - Tipos de documentos científicos Considera-se como documentos científicos, uma gama enorme de documentos que incluem: monografias, trabalhos de conclusão de curso, relatórios, teses, dissertações, artigos científicos, resumos, resenhas, livros, capítulos de livros, projetos e muitos outros. A escrita dos documentos científicos deve ser, o mais possível: clara, precisa, evitando-se o uso de muitos adjetivos e procurando focar no tema e/ou objetivo do estudo. Abaixo, são descritos os principais tipos de trabalhos científicos. ● Monografia Monografias são documentos escritos por meio mecânico ou eletrônico, e que se concentram em um único tema, por isso são monografias. Elas podem ser escritas por vários autores (ou autor e co-autores) e são utilizadas principalmente como uma das atividades finais de um curso do Ensino Superior. Na elaboraçãode uma monografia é importante a existência de um orientador para que o estudante possa discutir seu tema e recortes do tema, de modo a torná-lo mais específico e administrável. Uma monografia é uma sucessão de argumentos que vão se encadeando de forma lógica (e não um conjunto de frases desconexas). Os Página 41 de 94 argumentos devem ser abordados gradativamente, de modo a fazer sentido e se chegar ao último que é a conclusão do trabalho. Por meio das monografias que são realizadas de modo autônomo pelo estudante, pode-se atualizar, organizar e sintetizar o saber sobre o assunto em foco, de modo que o estudante adquira o domínio sobre o tema, os autores principais sobre o assunto e suas falas, bem como o trabalho prático, seus resultados e discussões em relação aos autores considerados no trabalho. ● Tese A tese é um tipo de monografia escrita por um autor, com temas e conteúdos originais, e com um nível de aprofundamento elevado e abrindo novos caminhos para o saber. Normalmente, as Teses são cobradas para a finalização de cursos de doutoramento. Os doutorados, normalmente, têm duração de quatro anos. Eles constam de um momento inicial no qual os estudantes cursam disciplinas que vão fornecer subsídios para a elaboração de suas teses e outro momento posterior no qual vão trabalhar, prioritariamente, com seus orientadores realizando pesquisas e escrevendo suas monografias. A escrita das teses no Brasil, ocorre seguindo as normas ABNT mencionadas anteriormente. As teses devem ser apresentadas e defendidas diante de uma banca, composta por pelo menos 5 membros que são professores doutores, sendo que um deles é o presidente da banca e é o orientador do candidato a obter o título de doutor. Alguns dos membros devem ser externos, de outras instituições, mas todos devem ser especializados na área da defesa. Na defesa da tese, após a apresentação realizada pelo candidato, há o momento da arguição no qual os membros da banca fazem questionamentos para verificar se o candidato tem o saber e a explicação em relação às dúvidas apresentadas. Após a arguição por todos os membros da banca, há a nota final dos membros e a informação se o candidato está aprovado ou não. ● Dissertação A dissertação, normalmente, é menos aprofundada em relação à tese, pode tratar de temas mais comuns, mas com conteúdo original, e é utilizada normalmente Página 42 de 94 em cursos de mestrado. Nas dissertações os estudantes mestrandos podem abordar temas já desenvolvidos anteriormente e prosseguir na pesquisa sobre o saber, buscando novos elementos e ópticas que enriqueçam o conhecimento sobre o tema. Os mestrados, normalmente, possuem duração menor que os doutorados em termos de duração, variando de um a três anos. No momento inicial do mestrado, o aluno cursa as disciplinas necessárias para que possa desenvolver o tema e seu recorte na linha de pesquisa que escolher. No segundo momento, o aluno desenvolverá o trabalho de sua pesquisa em conjunto com seu orientador. Como resultado, o aluno tem que escrever a monografia que é a dissertação. Esta deverá ser apresentada e defendida diante de uma banca examinadora, composta por no mínimo três professores doutores, da área de estudos em foco. Ao ser aprovado, o aluno recebe o título de mestre na área específica do saber que estudou e poderá prosseguir seus estudos em cursos de doutorado. ● Artigos científicos Os artigos científicos são documentos que apresentam textos atuais sobre experiências realizadas, relatos de casos, revisões de literatura etc. Eles são menores que as monografias e, em geral, têm de 10 a 20 páginas. Artigos são semelhantes às monografias, uma vez que são também sucessões de argumentos, mas de modo mais simplificado e contendo somente as informações necessárias ao bom entendimento, mas de modo menos volumoso e adaptado às normas que são exigidas em cada revista ou periódico científico para que possam ser publicadas. A apresentação de artigos pode ocorrer em eventos como é o caso de Congressos, Seminários, Encontros científicos ou semelhantes. Nestes eventos, muitas vezes há a publicação na íntegra do artigo em volumes dos anais do evento. No entanto, a forma mais comum de publicação de artigos é por meio de periódicos ou revistas científicas. As revistas, normalmente, têm períodos de submissão que são as épocas nas quais a revista aceita artigos. Geralmente, para uma revista aceitar um artigo ele tem que atender uma série de quesitos, entre os quais: o conteúdo do texto deve ser coerente com a área e o tema da revista. Página 43 de 94 Os artigos científicos permitem que os leitores se atualizem e construam o conhecimento de modo autônomo e informal. As revistas científicas colaboram com a educação informal, e essa, contribui para que a educação formal alcance sucessos maiores uma vez que podem fornecer informações e subsídios para as pessoas que estão estudando no ensino formal, em alguma determinada área do saber. Para a pesquisa científica, este tema é de grande importância, pois os artigos apresentam todo o desenvolvimento de uma pesquisa e os resultados alcançados. ● Resumo O resumo é a condensação do texto, tendo o cuidado de manter a intenção do autor. Não cabem, no resumo, comentários ou avaliações do material que está sendo condensado. Resumir não é reproduzir frases do texto original, fazendo uma colagem de pedaços do texto; devemos exprimir, com as próprias palavras, as idéias do texto. Para isso, é necessário compreender, antecipadamente, o conteúdo de todo o material, assim, não é possível resumir à medida que vamos lendo pela primeira vez. Deve-se proceder a primeira leitura de reconhecimento do texto. Na segunda leitura, por meio de anotações, apontando ideias importantes e buscando no dicionário o sentido de palavras mais complexas. Existem três tipos de resumo: 1- Resumo informativo: neste tipo apresentam-se as ideias principais contidas no texto original, redigindo de forma clara e objetiva, e respeitando o ponto de vista do autor. Normalmente, a cada parágrafo sintetiza-se uma ideia principal do texto. 2- Resumo crítico: como a própria denominação estabelece, esse tipo de resumo, além de cumprir os passos do informativo, acrescenta a manifestação da opinião, ou implica perante o assunto estudado, por parte do autor do resumo. Desse modo, sempre, após o resumo, acrescentam-se opiniões e apreciações pessoais. 3- Resumo acadêmico científico: segundo a ABNT, a extensão desta modalidade de texto deve conter cerca de 250 palavras. O resumo é constituído de Página 44 de 94 uma sequência de frases concisas e objetivas, contendo palavras-chave do texto original, e deve ser feito em apenas um parágrafo. De maneira geral, a produção de um resumo deve destacar: I. A primeira frase deve ser significativa, expondo a ideia principal, isto é, identificando o objetivo do autor quando escreveu o texto; II. A articulação das ideias deve seguir a lógica dada às ideias pelo autor, incluir todas as divisões importantes, dando igual proporção a cada uma delas e sempre observando o tema principal do documento; III. As conclusões do autor do texto devem ser objeto do resumo; IV. Dar preferência ao uso da terceira pessoa do singular e o verbo na voz ativa (como: descreve, aborda, estuda etc.); V. Evitar a repetição de frases inteiras do original; VI. Respeitar a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados; VII. Não deve apresentar juízo valorativo ou crítico; VIII. Deve ser compreensível por si mesmo, dispensando a consulta ao original; IX. Evitar o uso de parágrafos ou frases longas, citações e descrições ou explicações detalhadas, expressões como: o “autor trata”, no “texto do autor” o “artigo trata” e similares, figuras, tabelas, gráficos, fórmulas, equaçõese diagramas. ● Resenha Página 45 de 94 A resenha é uma espécie de resumo crítico, constitui-se em um texto que estabelece comparação com mais obras da mesma área, permite comentários e juízo de valor e exige um profundo conhecimento do assunto, bem como capacidade crítica para discutir as ideias nele contidas. A estrutura da resenha descreve as propriedades da obra (descrição física da obra), relata credenciais do autor, resume a obra, apresenta ainda as conclusões e metodologia utilizada, expõe o quadro de referências em que o autor se baseou (narração), apresenta uma avaliação da obra e menciona a quem se destina (dissertação). A resenha pode ser descritiva, quando dispensa a apreciação daquele que a elabora, ou crítica, quando exige apreciação de forma justificada; a opinião pode ser concordante, convergente ou divergente, parcial ou totalmente. Como norma geral, a resenha não deve ultrapassar quatro folhas, em espaço duplo. A resenha pressupõe que o aluno: leia, resuma, faça uma crítica do assunto. De modo geral, é uma forma de estudo que aprofunda um assunto, esclarece sobre a vida do escritor, apresenta o conteúdo e qual o método utilizado para escrever, dentre outras informações. Para elaborar uma resenha, devemos observar o seguinte roteiro: 1- Referências; 2- Informações gerais sobre o autor; 3- Síntese dos principais elementos da obra; 4- Conclusão do autor; 5- Apreciação crítica (análise do estilo, forma, contribuição que a leitura trouxe, e ainda se indicaria a obra). ● Paper O paper trata-se de um instrumento de contestação ou complementação de uma ideia ou obra, mediante julgamento próprio, avaliação e interpretação de fatos e informações que foram recolhidas. É baseado em pesquisa bibliográfica e em descobertas pessoais. Se apenas compilar informações, sem fazer avaliações ou interpretações sobre elas, o resultado será um relatório e não um paper. Neste, o pesquisador desenvolve seu ponto de vista sobre determinado tema, uma tomada de Página 46 de 94 posição e a expressão dos pensamentos, de forma original. É impessoal e escrito com imparcialidade, não deixando transparecer as crenças e preferências do escritor. O tamanho do paper depende da complexidade do tema e da motivação do pesquisador para o trabalho. Para realizar um paper, deve-se: 1- Escolher o assunto; 2- Reunir informações; 3- Avaliar o material; 4- Organizar as ideias; 5- Redigir o paper. ● Seminário O seminário tem por objetivo “[...] levar todos os participantes a uma reflexão aprofundada de determinado problema, a partir de textos, em equipe”. (SEVERINO, 2016, p.63). Vem sendo amplamente utilizado nos cursos superiores como recurso de aprofundamento de discussões e estudos. É um procedimento metodológico, que supõe o uso de técnicas (uma dinâmica de grupo) para o estudo e pesquisa em grupo sobre um assunto predeterminado. O seminário pode assumir diversas formas, mas o objetivo é um só: a leitura, a análise e a interpretação de textos dados sobre apresentação de fenômenos e/ou dados quantitativos vistos sob o ângulo das expressões científicas-positivas, experimentais e humanas. De qualquer maneira, um grupo que se propõe a desenvolver um seminário precisa estar ciente da necessidade de cumprir alguns passos: 1. Determinar um problema a ser trabalhado; 2. Definir a origem do problema e da hipótese; 3. Estabelecer o tema; 4. Compreender e explicitar o tema- problema; 5. Elaborar um plano de investigação (pesquisa); 6. Definir fontes bibliográficas, observando alguns critérios; 7. Análise da documentação e crítica bibliográficas; 8. Realização da pesquisa; Página 47 de 94 9. Elaboração de um texto, roteiro, didático, bibliográfico ou interpretativo. 5.2 - Projeto de pesquisa Ao iniciar uma pesquisa científica, seja um artigo, uma dissertação ou uma monografia, é necessário desenvolver um projeto (ou plano) de pesquisa. Este projeto tem como finalidade apontar o caminho pelo qual a pesquisa deverá passar. Segundo Vianetto (2011), a elaboração de um projeto deve contemplar três fases: a) Fase decisória: ênfase em que o tema e o problema são definidos; b) Fase construtiva: refere-se à construção e a execução do projeto de pesquisa; c) Fase redacional: relativa à análise dos dados e à organização das idéias. Essas fases devem ser bem planejadas, desenvolvendo-se um estudo analítico e crítico sobre o tema escolhido e as problemáticas levantadas. O projeto de pesquisa tem por objetivo servir de roteiro para elaboração do trabalho científico. É através dele que organiza-se o pensamento, escolhendo o tema e levantando o(s) problema(s)a ser(em)resolvido(s)ou elucidado(s). Verifica-se também o melhor tipo de pesquisa que deve-se adotar, bem como os materiais necessários para realizá-la. A pesquisa bibliográfica é outra parte fundamental para o desenvolvimento do projeto, e para o aprofundamento da pesquisa. O projeto também é composto por duas partes: 1. Externa: a) Capa (obrigatório) b) Lombada (opcional) 2. Interna: I. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS: a) Folha de rosto (obrigatório) b) Folha de aprovação (obrigatório) Página 48 de 94 c) Lista de ilustrações (opcional) d) Lista de tabelas (opcional) e) Lista de abreviaturas e siglas (opcional) f) Lista de símbolos (opcional) g) Sumário(obrigatório) II. ELEMENTOS TEXTUAIS: a) Tema e problema de pesquisa (obrigatório) b) Hipóteses (obrigatório) c) Objetivos: gerais e específicos (obrigatório) d) Justificativas (obrigatório) e) Referencial teórico (obrigatório) f) Metodologia (obrigatório) g) Cronograma (obrigatório) III. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS: a) Referências (obrigatório) b) Glossário (opcional) c) Apêndice (opcional) d) Anexo (opcional) e) Índice (opcional) Como pode-se perceber, o projeto de pesquisa é o roteiro necessário para que se possa, posteriormente, escrever o trabalho científico. A seguir, aprofunda-se nas principais etapas que um projeto de pesquisa deve, obrigatoriamente, ter: ● Tema da pesquisa: deve-se ser bastante criterioso em relação ao tema, pois o sucesso do trabalho dependerá da importância que ele tem para a sociedade e para a área de trabalho. Na escolha do tema deve-se levar em consideração a vivência acadêmica, baseando-se nas matérias que mais gostou ou que mais achou interessante ou naquelas que gostaria de aprofundar. A ideia inicial também pode partir da sua atividade profissional, o que pode possibilitar o desenvolvimento de um Página 49 de 94 projeto relacionado ao ambiente escolar. É importante lembrar que todo trabalho científico deve acrescentar algo ao conhecimento já existente sobre o tema selecionado. Deve-se levar em conta também a facilidade ou não de se ter acesso aos dados necessários para o desenvolvimento do projeto, portanto, é imprescindível realizar um levantamento prévio das possibilidades de encontrar fontes de dados, além de levar em consideração o tempo disponível para realizar o trabalho. ● Problema: este deve ser apresentado na forma de interrogação e estar relacionado ao tema, devendo ser objetivo, claro, compreensível, explícito e operacional (passível de aplicabilidade), evitando formulações genéricas. A formulação do problema é de extrema importância, pois é a questão não resolvida para qual o pesquisador irá buscar respostas através da sua pesquisa. Portanto, é o motivo pelo qual o trabalho acadêmico é feito, podendo ser levantado em relação à sustentação de uma afirmativa geralmente aceita; ou à necessidade de contestar uma suposição, colocando-a à prova; ou à necessidade de compreender explicar uma situação nova ou do dia-a-dia; ou alguma lacuna (falha,irregularidade ou brecha) metodológica; ou em relação à afirmativa geralmente aceita, mas que a sua sustentação criaincertezas quanto a sua veracidade. A escolha do problema é influenciada por fatores internos relacionados ao pesquisador (experiência, filosofia de vida, imaginação e curiosidade) e por fatores externos (o contexto onde ele está inserido, a realidade por ele percebida, ou pela Instituição onde trabalha). Assim, após escolher o tema e pesquisar bastante sobre o assunto, o próximo passo é determinar o problema para o qual buscará solução. ● Hipótese: é uma pressuposição que se faz em relação ao(s) problema(s) levantado(s), uma suposta resposta à ele, cuja veracidade deverá ser comprovada no final da pesquisa. Ou seja, a pressuposição é provisória e deverá ser testada para verificar sua validade, e é a pesquisa que vai demonstrar se ela é verdadeira ou não. Portanto, ao realizar o projeto de pesquisa, supõe-se que as hipóteses enumeradas sejam verdadeiras, mas somente quando realizar a pesquisa é que será comprovada sua veracidade ou não quando pesquisador escrever o texto ou relatório científico (artigo, relatório de estágio, monografia, dissertação ou tese)é que essa comprovação Página 50 de 94 será colocada à disposição da comunidade científica. Segundo Gil (1999), as hipóteses têm origem na observação eventual dos fatos ou fenômenos, nas teorias já descritas,na intuição ou nos resultados de outras pesquisas, sendo que sua função principal é propor explicações para os fatos observados. ● Justificativa: se refere ao texto onde o pesquisador explica o porquê da sua pesquisa, além de sua relevância. Deve ser composta pelos seguintes itens: 1- Enumerar os motivos que levaram a escolha do tema, a fim de convencer eleitor sobre a importância do mesmo; 2- Apresentar os fatores que ratifiquem sua relevância, tais como descrever o contexto onde o temas insere; a importância do tema, as contribuições de ordem prática e as oportunidades e prováveis vantagens e benefícios da investigação; 3- Apresentar os motivos pessoais, profissionais, científicos, sociais e/ou acadêmicos que o levaram à escolha do tema. A justificativa deve ser elaborada em dois ou três parágrafos no máximo, ser escrita em terceira pessoa alicerçada por citações diretas indiretas de autores da área pesquisada, o que demonstra que você pesquisou o assunto. Deve-se lembrar de que os argumentos utilizados devem ser feitos de acordo com a profundidade pesquisa, ou seja, se está realizando uma pesquisa bibliográfica, que baseada em pesquisas de outras pessoas, não se deve justificar dizendo que a mesma é essencial para a solução do problema ou que solucionará o mesmo. Deve-se ser humilde dizer que pretende contribuir,trazer esclarecimento ou disseminar conhecimentos sobre o assunto. ● Referencial teórico: Segundo Lakatos e Marconi (2003), o referencial teórico possibilita a busca de fundamentação para o projeto de pesquisa, conduzindo a pesquisa e demonstrando que o pesquisador tem conhecimento suficiente sobre os Página 51 de 94 textos autores que dedicaram ao estudo do mesmo tema. A pesquisa bibliográfica é feita através de livros, artigos, revistas, enciclopédias, monografias, dissertações, teses, mídias eletrônicas, filmes, entre outros materiais classificados como científicos, portanto, confiáveis. Para tanto, é necessário verificar se a publicação impressa ou por meio eletrônico tem o Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas (International Standard book Number – ISSN), ou o Número Padrão Internacional de Livro (International Standard Book Number – ISBN) ou o Padrão para Identificação de Documentos Redes de Computadores (Digital Object Identifier – DOI) , o que ratifica a autenticidade e confiabilidade do texto. Além dos problemas com a confiabilidade e qualidade das publicações, o pesquisador deve tomar cuidado com a cópia de ideias, usando as citações diretas ou indiretas para isso. Sobre a forma correta de fazer as citações será abordado na próxima unidade. ● Procedimentos metodológicos ou metodologia: na metodologia, deve-se explicar o caminho que irá percorrer para desenvolver sua pesquisa, o que deverá ser feito de forma detalhada, exata e rigorosa. Deve conter explicação sobre o tipo de pesquisa adotada, os instrumentos que serão utilizados, o tempo previsto para desenvolver cada ação, os membros da equipe e função de cada um (quando houver), a forma como os dados serão trabalhados (tabulação e tratamento) e de tudo o mais que se faça necessário ao desenvolvimento da pesquisa. O procedimento metodológico adotado está diretamente relacionado ao objeto da pesquisa e às hipóteses estabelecidas, buscando descrever as ações que serão adotadas para alcançar os resultados desejados, ou seja, como os dados serão levantados, tabulados, analisados e expostos, gerando informações confiáveis que nos permitirão confirmar ou refutar as hipóteses. Resumidamente, a metodologia deve seguir os seguintes passos: I. Definir o tipo de pesquisa; II. Definir os dados a serem levantados; III. Definir a forma de levantamento dos dados; Página 52 de 94 IV. Definir população e amostra (quando for o caso); V. Definir como será feito o tratamento e a análise dos dados; ● Cronograma de atividades: nesta etapa, deve-se estabelecer o tempo que será gasto com cada uma das ações previstas que, normalmente, é dividido pelos meses do ano. O cronograma possibilita ao pesquisador organizar e distribuir as ações pelo tempo disponível para a execução da pesquisa. É muito importante distribuir o trabalho a ser realizado levando em conta a disponibilidade de tempo do pesquisador e a dificuldade que ele possui em certas partes necessárias à realização do trabalho como, por exemplo, levantar dados, realizar a pesquisa bibliográfica, escrever o texto, utilizar ferramentas estatísticas, entre outras. Portanto, ao dividir o tempo entre as atividades é melhor distribuir uma carga horária maior para aquelas etapas em que, normalmente, tenha maiores dificuldades. ● Referências: as normas para a elaboração das referências bibliográficas são as mesmas para o plano de pesquisa para texto científico (artigo científico, monografia, dissertação tese) e serão explicitadas na unidade seguinte. Essas normas estão fundamentadas pela ABNT. O aluno de Pedagogia deve lembrar que seu trabalho científico tem um público- alvo bem abrangente, e poderá ser lido por pessoas do meio, bem como por pessoas de fora. Portanto, deve adequar a sua escrita a esse fato, ou seja, elaborar um texto que tenha uma linguagem clara e de fácil compreensão. 5.3 - Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) O objetivo desta parte é apresentar de forma introdutória o Trabalho de Conclusão de Curso, porém, o aluno deve lembrar que os aprofundamentos necessários serão dados em outras disciplinas ao longo do curso. Pelo fato do TCC ser considerado um trabalho de iniciação científica, é um dos instrumentos de avaliação de conclusão de curso e, portanto, o título de graduado (licenciatura ou bacharelado) ou pós-graduado (especialista, mestre, doutor ou pós- Página 53 de 94 doutor) está condicionada à aprovação do TCC. Cada instituição de ensino tem a liberdade de escolher normas específicas para a elaboração do trabalho de conclusão de curso, podendo na graduação e na especialização ser um artigo científico, relatório de estágio, relatório de pesquisa ou monografia, sendo que a escolha vai ser determinada pela finalidade do trabalho pelo nível de conhecimento exigido do autor. Na especialização pode ser o artigo científico ou a monografia, no mestrado é exigida a dissertação, no doutorado, a tese. No entanto, todas as instituições devem seguir as normas técnicas para a padronização de trabalhos científicos, as quais são determinadas pela ABNT. Existem alguns tipos de TCC, como o artigo científico ou a monografia. E independentedo formato escolhido pela instituição, deve-se ter atenção aos seguintes itens: I. Impessoalidade: deve ser redigido na terceira pessoa do singular; II. Objetividade: a linguagem deve ser objetiva, portanto não se usa expressões pessoais, tais como “eu penso”, “acredito”, “parece-me”, entre outras, que dão margem a interpretações sem valor científico; III. Cientificidade: a linguagem científica é racional, informativa e baseada em dados concretos, portanto, a argumentação subjetiva só pode ser apresentadas for acompanhada de fundamentação científica; IV. Clareza: o leitor deve ter noção clara do que pretende pesquisar,quais os métodos que irá utilizar para atingir seus objetivos analisar os resultados almejados para posteriormente expô-los de forma clara objetiva ao escrever; V. Precisão: todos os dados e informações apresentados no texto devem ser verdadeiros e os conceitos universalmente aceitos; VI. Originalidade: devem-se evitar modismos lingüísticos, palavras rebuscadas, frases feitas, entre outras; Página 54 de 94 VII. Concisão: o assunto deve ser exposto através de frases curtas e parágrafos breves. Sugere-se que os parágrafos não tenham menos de quatro linhas; VIII. Encadeamento: no desenvolvimento de um texto é obrigatório encadear as ideias para que elas sejam compreendidas pelo leitor, ou seja,deve-se manter a disposição e a ligação de assuntos da mesma natureza ou que tenha entre si certas relações, mantendo a coesão e a coerência para que haja uma sucessão natural das ideias; IX. Correção: após finalizar o artigo, este deve passar por uma avaliação gramatical para verificar a redação e seguir as normas da redação científica; X. Fidelidade: quando o autor for expor ideias que não sejam sua, deve fazê-lo citando as fontes, zelando pela ética; XI. Vocabulário técnico: deve-se usar uma linguagem clara, precisa e conhecimento comum, mas quando o tema é de uma área específica não se tem como fugir do uso de certos termos técnicos; XII. Criatividade: tornar o texto criativo faz com que sua leitura seja mais agradável. Dessa forma, para que o pesquisador consiga atingir essas exigências é necessário que tenha um dado nível de conhecimento sobre o tema abordado, motivo suficiente para que se aprofunde na pesquisa bibliográfica. No curso de Pedagogia na Faculdade Souza, a estrutura do TCC é de uma monografia, produzida ao longo dos dois últimos semestres do curso e com o auxílio de um professor-orientador. Na disciplina de TCC I, será desenvolvido o projeto de pesquisa, e na disciplina de TCC II, a escrita da monografia é finalizada. O trabalho final será defendido em uma banca composta por três membros. A estrutura da monografia deverá ser composta de: I. Capa: os elementos obrigatórios de uma capa devem seguir o modelo a seguir. Página 55 de 94 FACULDADE SOUZA NOME DO ALUNO (limite da margem superior, fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, CAIXA ALTA, sem negrito, centralizado) Página 56 de 94 TÍTULO E SUBTÍTULO (Fonte 12, em negrito, CAIXA ALTA, se houver subtítulo, este deve estar precedido de dois pontos (:), fonte 12, sem negrito, CAIXA ALTA, centralizado) CIDADE ANO (limite da margem inferior, CAIXA ALTA, fonte 12, sem negrito, centralizado) II. Folha de rosto: os elementos obrigatórios da folha de rosto devem seguir o modelo abaixo. FACULDADE SOUZA NOME DO ALUNO (normas iguais às da capa) Página 57 de 94 TÍTULO E SUBTÍTULO Trabalho apresentado à Disciplina XXXX do Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Souza. Prof. XXXXXXXXXXXXXXXXXX (fonte 10, à esquerda da página, sem negrito, justificado, espaçamento 1) Página 58 de 94 LOCAL/ESTADO ANO (idem normas da capa) III. Agradecimentos (opcional): consiste em uma página onde o autor do trabalho tem a oportunidade de mostrar sua gratidão a tudo e todos os que o ajudaram ao longo do processo de aprendizado. IV. Dedicatória (opcional): é um pequeno texto em que você pode dedicar o resultado final do seu trabalho para alguém muito especial em sua vida. A dedicatória do TCC pode ser um momento especial para você. Afinal, é o espaço do trabalho em que você pode homenagear uma pessoa muito importante da sua vida. V. Resumo: é uma síntese dos pontos relevantes do trabalho, contendo no máximo 250 palavras que devem vir em um único bloco, ou seja, sem parágrafo. Deve ser uma síntese clara, concisa e direta da pesquisa, contendo(os) objetivo(s), o referencial teórico, a metodologia utilizada para solucionar o problema, a justificativa e os resultados alcançados,cujo intuito permitir aos leitores ter uma prévia do tema tratado sem necessitar ler todo o texto. VI. Sumário: o sumário é a enumeração das divisões, seções, capítulos e outras partes do trabalho, seguindo a mesma ordem e grafia em que a matéria nele se sucede. A construção do sumário é uma das últimas tarefas a serem feitas no trabalho. VII. Introdução: nesta parte, deve-se fazer uma exposição clara e sucinta do tema, apresentando-o de forma global, esclarecendo sobre as delimitações estabelecidas na abordagem do assunto. Também, deve conter os objetivos, a justificativa do autor para realizar a pesquisa, apontar as questões para qual o autor buscará respostas e metodologias. Portanto,a Introdução deve conter o problema estudado (o que), os Página 59 de 94 objetivos (para que serviu estudo) e metodologia utilizada (como os objetivos foram atingidos). A Introdução não deve ser dividida em itens. VIII. Desenvolvimento, contendo a revisão bibliográfica: é a parte principal do trabalho, onde o autor expõe, explica e demonstra o assunto abordado, ou seja, o autor deve fazer uma exposição do assunto baseada na bibliografia escolhida, expondo e discutindo as teorias adotadas para a resolução do problema levantado, apresentando os argumentos teóricos e, caso haja, os que são resultantes da base de dados coletados e que dão sustentação ao seu posicionamento perante o problema (quando a pesquisa levantar dados sobre certo fenômeno ou fato,esses vem ser explicados na argumentação teórica,respondendo a alguns questionamentos como, por exemplo: defini-los conceitualmente e quantitativamente, se for o caso da pesquisa quantitativa; descrever como influenciamos fenômeno ou fato; demonstrar como afetam o fenômeno ou fato; demonstrar as possíveis ou comprovadas consequências do seu uso (exigido normalmente nas pesquisas laboratoriais);entre outras explicações necessárias. Uma das formas de tornar essa parte mais fácil de ser redigida é adotar subtítulos, dividindo o texto conforme o assunto lido, primando para não perder o foco. IX. Conclusão: nesta parte deve vir a resposta para o problema levantado na pesquisa confirmação ou não das hipóteses enumeradas e dos objetivos do estudo. O texto deve ser claro e conciso, e o autor, unicamente aqui, pode expor sua opinião, porém baseada nos resultados que avaliou e interpretou. Além disso, devemos lembrar que seus resultados não foram totalmente conclusivos, isso deve ser esclarecido, também, que nessa parte não é permitido à inclusão de novos dados ou citação de autores,pois isso indica o reinício da discussão. X. Anexos (quando for o caso): Os anexos são documentos, textos ou ilustrações que foram utilizados pelo autor para a escrita do seu TCC. Além disso, os itens anexados servem para comprovar ou ilustrar alguma citação da monografia. Veja quais são os elementos que podem ser considerados anexos: Página 60 de 94 ● Tabelas; ● Reportagens; ● Imagens; ● Documentos; ● Outros documentos produzidos por terceiros. Portanto, os anexos validam a autenticidade de um texto ou proporcionam mais credibilidade para a pesquisa científica. Além disso, o anexo também pode servir para facilitar a compreensão do leitor em relação às informações contidas no TCC. XI. Apêndices (quando for o caso): O apêndice é um elemento pós-textual, ou seja, são aqueles complementares ao trabalho, que não constam na parte de desenvolvimento do relatório principal, mas como já diz o nome, devem vir após o texto, como forma de completar o sentido do trabalho, se assim o estudante achar necessário. O apêndice do projeto acadêmico está presente nesses elementos, assim como as referências, o glossário, o sumário e os anexos. Diferente dos anexos, o apêndice corresponde a produção do próprio estudante, com o fim de enriquecer os argumentos apresentados no trabalho, alguns exemplos disso são as realizações de pesquisas, questionários, tabulação, transcrição de entrevistas, entre outros. Como já citado, a inclusão dessa parte no TCC é opcional e só deve ser adicionada ao trabalho caso o estudante e seu orientador vejam a necessidade de apresentar os “bastidores” de suas pesquisas e resultados para que haja um entendimento completo de todo o projeto. A inclusão e anexo do apêndice do projeto acadêmico pode ser importante e interessante para dar mais transparência ao trabalho, pois quem o ler verá qual foi o caminho percorrido para chegar ao resultado das informações que estão inseridas ao longo do desenvolvimento do texto. XII. Referências bibliográficas: é a enumeração, de acordo com a ABNT, de toda a bibliografia utilizada na preparação da elaboração do trabalho, ou seja, é uma Página 61 de 94 listagem dos livros, artigos e outros trabalhos utilizados no artigo e que pertencem a outros autores. As referências devem ser apresentadas em ordem alfabética, independente do fato de se tratar de livros, artigos, jornais, periódicos etc. Um trabalho científico deve ser apoiado, principalmente, por autores que tiveram seu trabalho publicado (livros). É permitido também citar artigos e jornais científicos e publicações de sites acadêmicos, porém o aluno deve estar ciente que não se deve usar dados ou informações que não tenham sido confirmadas pelo ISSN, ISBN ou pelo DOI. Unidade 6 - Formatação dos trabalhos acadêmicos Como explicitado em todas as outras unidades, a ciência possui um rigor desde a pesquisa até na apresentação de seus resultados. Isso significa que todo trabalho científico possui normas a seguir para a realização de sua formatação, as quais, em sua maioria, são determinadas pela ABNT ou convencionadas pelas instituições de Ensino Superior. Nesta unidade, serão apresentadas as principais formatações necessárias para um trabalho científico, com ênfase nas citações e nas referências. 6.1 Normas gerais para formatação de trabalhos científicos Segue, abaixo, uma lista das normas gerais de formatação, segundo seu item e normalização: ● Cor do texto: Preta; ● Cor das Ilustrações: a que preferir (aconselha-se cores mais sóbrias); ● Papel: Branco A4 (21cm x 29,7cm); ● Texto: Justificado; ● Margens: Superior e esquerda: 3cm. Inferior e direita: 2cm. ● Parágrafos: Há duas opções de parágrafos: a) Tradicional: distante 1,25 cm da margem esquerda, sem deixar espaço duplo entre um parágrafo e outro; b) Moderno: todo texto alinhado à margem esquerda o parágrafo é marcado por dois espaços entre eles. Página 62 de 94 ● Fonte: arial ou times new roman; ● Tamanho: 12 para todo o texto, exceto citação com mais de três linhas; notas de rodapé, legendas e fontes das ilustrações das tabelas. As exceções devem vir em fonte tamanho 10. ● Espaçamento: todo o texto deve ter espaçamento 1,5 cm entre as linhas, exceto para as citações com mais de três linhas, notas de rodapé, nota de apresentação, legendas e fontes das ilustrações e das tabelas. ● Títulos: deve figurar em página nova, fonte 12, alinhados à esquerda, algarismo arábico, caixa alta (maiúscula) em negrito; ● Subtítulos (sessão secundária): Fonte 12, alinhados à esquerda, algarismo arábico, caixa baixa (minúscula) e em negrito. ● Subtítulos (sessão terciária): Fonte 12, alinhado à esquerda, algarismo arábico,caixa baixa, negrito e itálico. ● Subtítulos (sessão quaternária): Fonte 12, alinhado à esquerda, algarismo arábico,caixa baixa, sem negrito. ● Referências bibliográficas: separadas por um espaço simples em branco. ● Paginação: todas as páginas são contadas a partir da folha de rosto, mas só são numeradas a partir da primeira página dos elementos textuais (Introdução), ou seja, os elementos pré-textuais são contados, mas não numerados. As páginas são numeradas no canto superior direito, sequencialmente, em algarismos arábicos. ● Elementos pré-textuais: são centralizados, em caixa alta, negrito, fonte 12, mas não são numerados (errata, folha de aprovação, epígrafe, dedicatória, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas, resumo e sumário). ● Folha de aprovação: as instituições normalmente colocam o título no alto da página, em arial ou times new roman 12, centralizado e em negrito. ● Folha de dedicatória: não aparece a numeração e não possuem o título, devem aparecer abaixo da metade da página à direita da página, justificada. ● Hora: usar sempre o número cardinal. Exemplo: 12h e 25min. ● Datas: para o primeiro dia do mês, usar o número ordinal, e para os demais, usar o cardinal. Exemplo: primeiro de abril; 5 de agosto. Página 63 de 94 ● Unidades padronizadas: obrigatório número cardinal. Exemplo: 20 ml ou 100 g. ● Indicar quantidades: adota-se a forma por extenso. ● Indicar figuras, gráficos, tabelas: sempre utilizar algarismos arábicos. Exemplo: Tabela 1. ● Ilustrações: a identificação de ilustrações aparece na parte superior, precedida da palavra esquema, mapa, gráfico, fluxograma, fotografia, organograma, planta, quadro, retrato, figura, imagem, entre outros. E seguida de número de ordem decorrida de texto, em algarismos arábicos, travessão e título. Na parte inferior, indicar a fonte consultada, legenda, notas e outras informações necessárias. A ilustração deve ser inserida o mais próximo possível do trecho a que se refere. ● Tabelas e quadros: não devem ser fechados lateralmente e nem se colocam traços horizontais separando os dados numéricos. Tabelas apresentam dados estatísticos. E os quadros apresentam informações de texto agrupadas em colunas. ● Apêndices: considerado material suplementar e elaborado pelo próprio autor do trabalho, porém não fazem parte do trabalho, mas material adicional para ilustrá-lo ou acrescentar alguma outra informação. Os apêndices são identificados por letras maiúsculas consecutivas, seguidas de um hífen e com respectivo título. ● Anexo: são elementos opcionais de suporte ao texto. Considera-se anexo quando um material que não for elaborado pelo próprio autor. Devem ser citados no texto para facilitar uma ligação entre as informações adicionais. Os anexos são identificação por letras maiúsculas e não com números, seguida de hífen e título. ● Notas de rodapé: fornecem informações adicionais ou esclarecimentos, que não devem ser incluídos no texto. E por isso, são colocadas na parte inferior da página, iniciando-se com o número sobrescrito recebidoem texto e sem parágrafo. Devem ser alinhadas à esquerda e separadas do texto por um traço contínuo de três cm, espaço simples, fonte 10 e não devem ocupar mais que 50% do espaço total da página. Página 64 de 94 6.2 - Citações Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, citação é a menção no texto de uma informação extraída de outra fonte. A citação pode ser direta ou indireta. É direta (de transcrição ou textual) quando trata da reprodução fiel das palavras de um autor, conservando a grafia, a pontuação, o uso de maiúscula e o idioma original, isto é, transcreve com exatidão as palavras do autor citado. É usada apenas quando for absolutamente necessário e essencial transcrever as palavras de um autor e pode ser curta ou longa. É indireta quando for uma citação livre, sem manter as palavras tal qual o texto apresenta. Destaca a norma que, quando o autor é mencionado no texto, iniciamos a transcrição com o sobrenome do autor ou autores (até três), com primeira letra maiúscula e demais minúsculas, e, na sequência, entre parênteses, ano da publicação e página de onde foi retirada a citação. Pode-se, também, colocar sobrenome(s) do(s) autor(es), ano e página todos entre parênteses sempre ao final da frase, no entanto, nesse caso, devemos colocar o sobrenome do(s) autor(es) com todas as letras maiúsculas, e separar com ponto-e-vírgula cada sobrenome, quando houver mais de um autor. É importante que, no caso de citações indiretas, a colocação do número da(s) página(s) consultada(s) seja opcional. Quando houver palavra em outro idioma, devemos destacá-la em itálico, a fim de diferenciá-la. Lembrando, também, que uma citação (literal), sendo curta ou em bloco, deve ficar em uma mesma página; não é aconselhável quebrar ao meio uma citação e dispor as partes em páginas diferentes; se, pela seqüência do texto, verificar que isso vai acontecer, deixe aquele espaço em branco e passe para a folha seguinte. Nunca se esqueça de citar a fonte de pesquisa nos seus trabalhos, caso contrário, estará cometendo um plágio. A Lei de Direito Autoral protege os direitos do autor; àqueles que infringem esta lei implicam sanções civis. Abaixo, o tema é aprofundado quanto à forma mais adequada de utilizar cada tipo de citação. Importante notar que as citações não vêm dentro de retângulos, foram usadas apenas para destacar o exemplo. ● Citação direta Página 65 de 94 É a transcrição literal do texto consultado e que é reproduzido conforme redação original. Nesse tipo de citação, é obrigatório citar o ano da publicação e a página da onde foi retirada. Exemplo: Quando incluído no texto: Pereira (1989, p. 26). Quando no final da citação direta: (PEREIRA, 2002, p. 45). As citações diretas se dividem em curtas ou longas. O primeiro tipo ocorre quando a transcrição não for superior a três linhas, devendo vir entre aspas, o sobrenome do autor,o ano e a página. Como no exemplo: Como diz Vygotsky (1998, p. 67) "As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade”. Ou ainda: Educar ludicamente adolescentes e adultos “significa criar condições de restauração do passado, vivendo bem o presente e construindo o futuro” (FARIAS, 2010, p. 102). As citações diretas longas possuem mais de três linhas, devendo ser transcritas em um parágrafo independente, recuado a 4cm da margem esquerda, sem aspas, fonte 10 e espaço simples entre linhas. Deve ainda conter autor, ano e página. Exemplo: Outro aspecto importante e que fundamenta a Educação como um Direito Humano diz respeito ao fato de que o acesso à educação é em base para a Página 66 de 94 realização dos outros Direitos. Isso quer dizer que o sujeito que passa por processos educativos, em particular pelo sistema escolar, é normalmente um cidadão que tem melhores condições de realizar e defender outros direitos humanos (saúde, habitação, meio ambiente, participação política etc.). A educação é base constitutiva na formação do ser humano, bem como na defesa e constituição dos outros direitos econômicos, sociais e culturais (HADDAD, 2003,p.12). ● Citação indireta As citações indiretas expressam as idéias contidas em dado texto, mas sem transcrever literalmente as palavras do autor. Elas são expressas da seguinte forma: 1. Quando o nome do autor (ou autores) íntegra o texto do parágrafo, no seu início meio, coloca-se o sobrenome autor em letra maiúscula, ano da publicação entre parênteses, não tendo necessidade de colocar a página. Exemplo: Baseando nos estudos realizados por Freire(2009), podemos perceber a importância do brincar para a aprendizagem infantil. 2. Quando o nome do autor (ou autores) constar no fim parágrafo, deve vir em letra maiúscula, entre parênteses e conter o ano da publicação. Exemplo: O professor deve descobrir a importância do brincar no processo ensino- aprendizado,para isso deve utilizar os jogos na elaboração de sua aula (FREIRE, 2009). ● Várias citações de um mesmo autor: Página 67 de 94 Quando um autor tem várias obras realizadas em um mesmo ano, faz-se a citação pelo sobrenome, ano acrescenta ano as letras alfabeto, minúscula, em ordem alfabética e sem espaçamento. Exemplo: Mira (1997a); Mira (1997b); Mira (1997c). ● Citação de trabalhos de dois ou três autores: Se a citação for aparecer no início ou meio do parágrafo devem ser ligadas pela letra “e”, seguido do ano. Exemplo: Dois autores: Pereira e Silva (2004). Três autores: Pereira, Silva e Souza (2004). Se a citação vier no final do parágrafo, devem vir os nomes dos autores em letra maiúscula e separados por ponto-e-vírgula e o ano da publicação. Exemplo: As características mais comuns nas crianças superdotadas, na idade pré- escolar,são: o alto grau de curiosidade, boa memória, atenção concentrada, entre outras (CLINE; SCHWARTZ, 1999, p. 121). ● Citação com mais de três autores: Nesse caso,é necessário citar apenas o sobrenome do primeiro autor seguido da expressão et al ou et alli. Página 68 de 94 Exemplo: Ferreira et al. (2009) ou (FERREIRA et al., 2009). ● Citação de documentos cujo autor é uma entidade coletiva: Quando o autor é uma entidade coletiva, o nome da mesma deve vir por extenso. Exemplo: (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2010). ● Citação de documentos de autoria de órgãos da administração pública direta: Neste caso, a citação deve ser feita na seguinte ordem: nome do país, estado ou do município, data. Exemplo: BRASIL (2018) MINAS GERAIS, 2019. IPATINGA, 2021. ● Citação de citação: Trata-se da reprodução de informação citada por outro autor e que só deve ser utilizada em último caso,sendo que o ideal direto fonte desejada. Pode ser expressa como citação direta ou indireta. Para deixar claro quem é o proprietário da ideia original, utiliza-se a expressão apud, que significa “citado por”. Existem duas formas para fazer a citação: 1- Colocando a informação sobre o autor original em nota de rodapé: Página 69 de 94 Exemplo: No entender de Preso(2002 apud FLEITH, 2006, p. 99), a educação[...]. _______________ 1PÉREZ, Suzana Graciela. Gasparzinho vai à escola:um estudo sobre as características do aluno com alta habilidades-produtor criativo.Porto Alegre, 2004. 2- Quando não se coloca a informação sobre o autor original na nota de rodapé, deve- se fazer as duas citações nas referências bibliográficas, da obra do autor original e a do autor consultado. Exemplo: REFERÊNCIAS: FLEITH, Denise de Sousa. Educação Infantil. Saberes e Práticas da Inclusão. Altas Habilidades/Superdotação. Brasília/ 2006. MEC, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial.Ou PÉREZ, Suzana Graciela. Gasparzinho vai à escola: um estudo sobre as características do aluno com altas habilidades - produtor criativo. Porto Alegre, 2004. ● Suprimir parte de uma citação: Para se suprimir partes de uma citação, deve-se usar reticências entre colchetes. Exemplo: Página 70 de 94 No entender de Peréz (2002 apud FLEITH, 2006, p. 99), [...] a educação é fundamental para o pleno desenvolvimento do indivíduo [...]. ● Sistema de chamada de citações: As citações podem ser expressas através do sistema numérico ou do alfabético (autor e data). A instituição é quem determina qual dos dois será adotado em seus trabalhos de conclusão de curso. - Sistema numérico: neste sistema a numeração é única e sequencial, podendo o indicador ser usado entre parênteses, sem qualquer sinal ou sobrescrito. Este último é o mais usado. Exemplos: “Baseando nos estudos realizados podemos perceber a importância da avaliação de aprendizagem como indicadora de resultados e meio de mudanças.” 1 OU “Baseando nos estudos realizados podemos perceber a importância da avaliação de aprendizagem como indicadora de resultados e meio de mudanças.”1 OU “Baseando nos estudos realizados podemos perceber a importância da avaliação de aprendizagem como indicadora de resultados e meio de mudanças.”(1) _________________ 1LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 16.ed. São Paulo: Cortez, 2009. Página 71 de 94 - Sistema alfabético (autor-data): é o sistema em que figura no texto o sobrenome do autor principal, seguido do ano da publicação. Aparece no meio (sobrenome do autor só com a inicial em maiúscula, data) e no fim (sobrenome em letra maiúscula, data da publicação e entre parênteses) da citação, sendo o sistema mais usado. Caso seja uma citação direta, deve constar a página de onde foi tirada. Exemplo: Baseando nos estudos realizados por Freire (2009), podemos perceber a importância do brincar para a aprendizagem infantil. O professor deve descobrir a importância do brincar no processo ensino-aprendizado, para isso deve utilizar os jogos na elaboração de sua aula (FREIRE, 2009). Na citação curta: Segundo Freire (2009, p.76),"os jogos e brincadeiras trazem o lúdico para o processo ensino-aprendizagem”. Na citação longa: Outro aspecto importante e que fundamenta a Educação como um Direito Humano diz respeito ao fato de que o acesso à educação em si é base para a realização dos outros Direitos. Isso quer dizer que o sujeito que passa por processos educativos, em particular pelo sistema escolar, é normalmente um cidadão que tem melhores condições de realizar e defender os outros direitos humanos (saúde, habitação, meio ambiente, participação política etc.). A educação é base constitutiva na formação do ser humano, bem como na defesa e constituição dos outros direitos econômicos, sociais e culturais (HADDAD, 2003, p.12). Página 72 de 94 ● Regras complementares às citações: Abaixo, seguem mais algumas normas para situações que poderão acontecer no decorrer da construção de um texto científico. - Indicação do autor na citação: Nas citações, a chamada é pelo sobrenome do autor, seja o escritor, seja uma instituição responsável; deve ser em letras maiúsculas quando estiverem entre parênteses e só com inicial maiúscula quando estiver no texto, ficando ano e página entre parênteses. Exemplo: “A ética é uma parte da filosofia que busca refletir sobre o comportamento humano, sob o ponto de vista das noções de bem e de mal, de justo e de injusto.” (COTRIM, 1993, p. 212). Ou De acordo com Ramos (2004), nas duas últimas décadas, o tema globalização tem ocupado espaço cada vez maior nas pautas das reuniões de organizações internacionais e nos fóruns de debate mundiais. O recente fim de século e de milênio propiciou uma oportunidade de reflexão em escala mundial sobre os rumos da história, ao longo dos últimos cem anos, e estimulou o pensamento sobre o futuro da humanidade ante os novos desafios e dilemas do mundo moderno. - Destaque do texto: Para enfatizar um trecho da citação a que você deu algum destaque, deve indicá-lo com a expressão “grifo nosso”, ou “grifo do autor” se ele destacou no seu texto, e entre parênteses após a citação. Exemplo: Página 73 de 94 “A universidade, para atingir a sua plenitude, precisa abraçar o desafio da produção do conhecimento, da pós-graduação, do desenvolvimento da pesquisa e da tecnologia” (LÜCKMANN, 2003, p. 19, grifo nosso). Ou “As citações podem ser chamadas pelo sistema numérico ou pelo sistema alfabético (também chamado de autor-data).” (FURASTÉ, 2003, p. 50, grifo do autor). - Tradução de texto: Quando a citação incluir texto traduzido pelo pesquisador, devemos incluir, após a chamada da citação, a expressão “tradução nossa”, entre parênteses depois da citação. Além disso, é possível fazer a citação na língua original e a tradução em nota de rodapé. Exemplo: Tal inferência fundamenta-se na análise das experiências pelas quais tem passado a universidade brasileira nessas últimas décadas e o referencial teórico que vem sustentando seus modelos organizacionais, especialmente os modelos profissional, investigativo, funcionalista operacional e o modelo organizacional da USP, ainda hoje vigentes. (LÜCKMANN, 2004, p. 20, tradução nossa). - Coincidência de sobrenome: Quando houver coincidência de sobrenome de autores, acrescentamos as iniciais de seus prenomes; se, mesmo assim, existir coincidência na primeira letra do nome, colocamos os nomes por extenso, só com inicial maiúscula. Exemplo: Página 74 de 94 (OLIVEIRA, S., 2003) e (OLIVEIRA, A., 2003) Ou (OLIVEIRA, André, 2003) e (OLIVEIRA, Antônio, 2003) - Citações indiretas de um mesmo autor no mesmo ano: As citações indiretas de diversos documentos de um mesmo autor publicados num mesmo ano são distinguidas pelo acréscimo de letra minúscula, em ordem alfabética, após a data e sem espaçamento, conforme a lista de referências. Exemplo: De acordo com Santos (2002a) (SANTOS, 2002b) As citações indiretas de diversos documentos de uma mesma autoria publicados em anos diferentes e mencionados simultaneamente no trabalho têm seus respectivos anos separados por vírgula e colocados em ordem cronológica. Exemplo: A administração de recursos humanos consiste no planejamento, na organização, no desenvolvimento, na coordenação e no controle de técnicas capazes de promover o desenvolvimento eficiente do pessoal e da própria organização. Ao mesmo tempo que o indivíduo alcança os objetivos individuais, se mantém na organização, trabalhando e dando o máximo de si, com uma atitude positiva e favorável (CHIAVENATO, 1999, 2003, 2005). - Citações indiretas de vários autores: Página 75 de 94 Nas citações indiretas de diversos documentos de vários autores mencionados simultaneamente nos trabalhos, separamos o sobrenome do autor por ponto-e-vírgula e em ordem alfabética. Exemplo: A administração de recursos humanos (ARH) representa todas aquelas coisas muito pequenas e muito numerosas que frustram ou impacientam, ou que alegram e satisfazem, mas que levam as pessoas a desejarem permanecer na organização. E mais, cuidam da vida profissional, do ambiente empresarial que irão proporcionar mais qualidade de vida ao empregado e uma equipe comprometida com os objetivos da empresa (CHIAVENATO, 2000; GIL, 2001; TOLEDO, 1992). - Citações sem autor: Nas citações sem autor, identifica-se pela primeira palavra do título (se o título iniciar por artigo ou monossílabo, este deve estar incluído na indicação da fonte) seguida de reticências, da data de publicação do documento e das páginas da citaçãoentre parênteses. Exemplo: “AS IES implementarão mecanismos democráticos, legítimos e transparentes de avaliação sistemática das suas atividades, levando em conta seus objetivos institucionais e seus compromissos para com a sociedade.” (ANTEPROJETO..., 1987, p. 55). Ou “Em Nova Londrina (PR) as crianças são levadas às lavouras a partir de 5 anos.” (NOS CANAVIAIS..., 1995, p. 12). Página 76 de 94 - Citação de outras fontes: Para fazer menção a algo contido em apostilas ou qualquer material avulso, faça indicação do nome do autor, quando for possível sua indicação, acrescentando a observação “apostila”, “material de propaganda”, “panfleto”, e outros. Proceda da mesma forma com relação à data. Indica que a data, quando registrada, ou, no caso de data provável ou aproximada, se porventura não houver nenhuma indicação de data, registre [s.d.] (sem data). Informações verbais (palestras, debates, comunicações etc), escreva, entre parênteses, a expressão informação verbal, mencionando os dados disponíveis, em nota de rodapé. Entretanto, só devem ser usadas quando for possível comprová-las. Exemplo: O novo medicamento estará disponível até o final deste semestre (informação verbal)* Na nota de rodapé: * Notícia fornecida por John A. Smith no Congresso Internacional de Engenharia Genética, em Londres, em outubro de 2001. Os autores Cruz, Ribeiro e Furbetta (2003, p. 97) apresentam, ainda mais algumas dicas para complementar o momento de fazer citações: - Ponto (.): usa-se ponto após o nome do autor/autores, após o título, a edição e ao final das referências. - Vírgula (,): a vírgula é usada após o sobrenome dos autores, após a editora, entre o volume e o número, páginas de revistas e após o título da revista. - Ponto-e-vírgula (;): ponto-e-vírgula seguido de espaço é usado para separar os autores. Página 77 de 94 - Dois-pontos (:): dois-pontos são usados antes do subtítulo, antes da editora e depois do termo In. - Barra transversal (/): a barra transversal é usada entre os números e datas de fascículos não sequenciais. (ex: 3/4, 1988/1992). - Reticências (...): as reticências são usadas para indicar supressão de títulos (ex: Anais...). - Hífen (-): o hífen é utilizado entre páginas (ex: 75-103) e entre as datas de fascículos sequenciais (ex: 2000-2001). - Colchetes [ ]: colchetes são usados para indicar os elementos de referência que não aparecem na obra referenciada, porém são conhecidos ( ex: [1976]). - Parênteses ( ): parênteses são usados para indicar a série, grau (nas monografias de conclusão de curso e especialização, teses e dissertações) e para o título que caracteriza a função e/ou responsabilidade, de forma abreviada. (Coord., Org., Comp.). 6.3 - Referências bibliográficas As referências bibliográficas devem conter todas as informações sobre as obras citadas na fundamentação do artigo. Dizem respeito a uma listagem dos livros, artigos, periódicos, revistas acadêmicas, entre outros materiais utilizados pelo aluno durante a realização do TCC e que permitem a identificação dos mesmos. Devem vir em espaço simples separadas umas das outras por um espaço A indicação de um uma referência deve estar composta de: Página 78 de 94 • Elementos essenciais: aquelas informações indispensáveis na identificação da obra. Segundo a ABNT, os elementos essenciais são: autor, título e subtítulo, edição e imprenta. • Elementos complementares: vêm a complementar os essenciais. São colocados de forma a caracterizar os documentos. O alinhamento dos elementos é feito em relação à margem esquerda, com entrelinhas simples na referência e espaçamento duplo entre elas, apresentando as referências em ordem alfabética. Os destaques gráficos – sublinhado, negrito ou itálico – devem ser uniformes. Uma das finalidades das referências é informar a origem das ideias apresentadas no decorrer do trabalho. Nesse sentido, devem ser apresentadas completas, para facilitar a localização dos documentos. No caso de abreviaturas, seguimos a norma da NBR 10522: 2021. A localização das referências ocorre: - no rodapé; - no fim do texto ou capítulo; - em listas de referências; - antecedendo resumos e resenhas. A seguir são descritas as principais orientações sobre as referências. É importante notar que, da mesma forma que as citações, as referências bibliográficas não vêm dentro de retângulos, e foram usadas apenas para destacar o exemplo. ● Livro Ao elaborar uma referência de livro, deve-se obedecer aos seguintes passos: - Sobrenome do autor em letras maiúsculas, seguido por outros nomes em letras minúsculas, separados por vírgulas (poderá ter mais de um autor); - Título da obra em saliência, seguido de ponto final; Página 79 de 94 - Quando houver subtítulo, deve ser separado do título por dois pontos ou travessão e sem destaque; - Quando constar na obra consultada, o número da edição abreviado (ed.); - Local da publicação, seguido por dois-pontos; - Editora (apenas o nome); - Ano de publicação (em algarismos arábicos); - Como elemento opcional, o número de páginas. Exemplos: - Com um autor: DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. 6. ed. Campinas, SP: Editora Autores Associados Ltda, 2003. 129 p. - Com indicação de parentesco: MIRANDA NETO, Manoel José de. Pesquisa para planejamento: métodos e técnicas. Rio de Janeiro: FGV, 2005. 84 p. - Com dois autores: LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 311 p. - Com três autores: BENZZON, Lara Crivelaro (Org.); MIOTTO, Luciana Bernardo; CRIVELARO, Lana Paula. Guia prático de monografias, dissertações e teses: elaboração e apresentação. 2. ed. Campinas: Alínea, 2004. 76 p. - Com mais de três autores: MADEIRA, Miguel Carlos et al. Anatomia do dente. São Paulo: Sarvier, 1996. 74 p. Página 80 de 94 O et al. : “et” significa “e” e “al.” é a abreviatura de “alli” (que significa “outros”) – masculino, e de “aliae” (que significa “outras”) – feminino. Para evitar conclusões e erros de regência nas citações, preferimos abreviar, já que a abreviatura serve para todos os casos – masculino, feminino ou plural. Por ser uma abreviatura, não dispensa o ponto. A pronúncia correta é “et álli” e não “et alií”. Deve ser escrito em caracteres normais, sem negrito, sem itálico ou sublinhado, por se tratar de expressão já incorporada ao domínio da nossa língua. E ainda, não devemos incluir indicações de títulos, cargos, graduações, mesmo que apareçam na obra referenciada: Dr., Prof, M.M., Pe., PhD. e outros. ● Capítulo de livro Ao elaborar uma referência de capítulo de um livro, deve-se obedecer à seguinte ordem: - Sobrenome do autor do capítulo em letras maiúscula, seguido por seu nome em letras minúsculas, separados por vírgulas; - Título do capítulo sem destaque, contínuo de ponto final, quando tiver subtítulo, colocar dois-pontos para separá-los (se no original houver travessão, deixar como no original); - Usar a expressão In: e, após, dois-pontos; - Sobrenome do autor da obra em maiúscula acompanhado de vírgula; - Título da obra seguido de ponto final, em destaque, se houver subtítulo separado por dois-pontos, sem destaque; - Abreviar o número da edição a partir da segunda; - Local da publicação acompanhado de dois-pontos; - Editora; - Ano da publicação (em algarismos arábicos); - Apresentar o número do capítulo em que se encontra (cap.), bem como as páginas inicial e final do capítulo (p.). Exemplo: Página 81 de 94 - Autores distintos: MARQUES, Juracy Cunegatto. Relações interpessoais e apoios afetivos: o calor e o frio na convivência organizacional. In: BITENCOURT, Claudia (Org.). Gestão contemporânea de pessoas.Porto Alegre: Bookman, 2004. Cap. 4, p. 116- 131. - Mesmo autor: Utilize a expressão “In:” seguida de seis toques da tecla de sublinhar do teclado, seguido do ponto final. BITENCOURT, Claudia (Org.). Aprendizagem organizacional: uma estratégia para mudança. In: ______. Gestão contemporânea de pessoas. Porto Alegre: Bookman, 2004. Cap. 1, p. 20-38. ● Artigo de revista ou periódico O artigo publicado em revista ou periódico deve conter os seguintes elementos: - Iniciamos pelo autor do artigo; quando não houver autoria, começamos pelo título do artigo, colocando a primeira palavra em letras maiúsculas; - Título do artigo sem destaque; - Título da revista em destaque (grifado); - Local de publicação, volume e número do fascículo; - Páginas iniciais e finais, antecedidas da abreviatura de página (p.), acompanhadas pelo mês e ano da publicação. Com exceção de maio, os meses são abreviados na terceira letra, mesmo sendo vogal: jan., fev., mar., abr., maio., jun., jul., ago., set., out., nov., dez. ; - Em alguns casos, quando houver necessidade, acrescentar as informações complementares. Exemplo: Página 82 de 94 - Artigo com autor: KOVÁCZ, Ilona. Reestruturação empresarial e emprego. Perspectiva, Florianópolis, v. 21, n. 2, p. 467-494, jul./dez. 2003. - Artigo sem autor: METODOLOGIA do Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Revista Brasileira de Estatística, Rio de Janeiro, v. 41, n. 162, p. 323-230, abr./jun. 1990. - Revista: EVIDÊNCIA. Videira: Editora Unoesc, ano, 3, v.5, n.1, 2005. - Número especial de revista ou suplemento: AS MELHORES empresas para você trabalhar. Exame, Rio de Janeiro: Abril, 2003. Edição especial. - Pesquisa nacional de amostragem: Mão-de-obra previdência. Rio de Janeiro: IBGE, v. 7, 1989. Suplemento. ● Artigo de jornal A ordem dos elementos que devem conter ao referenciar um artigo de jornal são: - Começar com o nome do autor do artigo; caso não tenha, iniciar pelo título do artigo, ressaltando a primeira palavra em CAIXA-ALTA; - Título do artigo; - Nome do jornal em destaque; - Local e data. Quando o nome do jornal coincidir com o nome da cidade onde é publicado, não é preciso repetir o local de publicação. - Relacionar, em caso de suplemento ou caderno especial, o título, número do volume e número do fascículo. Página 83 de 94 Exemplos: - Com autor: VIEIRA, Antônio Carlos. A politização da segurança pública. A Notícia, Joinville, 6 ago. 2005. p. A3. - Sem autor: IMPORTÂNCIA da tradição e confiança nos negócios imobiliários. Jornal Água Verde, Rebouças e Portão, ano 14, n. 286, p. 3, jun. de 2005. ● Dissertação de mestrado ou Tese de doutorado A ordem dos elementos deve ser a seguinte: - Autor; - Título e subtítulo (se houver); - Ano da apresentação; - Número de folhas; - Categoria (grau e área de concentração); - Instituição; - Local e data da defesa. O ano da defesa deve ser indicado somente quando este difere do ano de apresentação. Exemplos: FERNANDES, Liliane Simara. Associação entre indicadores de assistência odontológica e indicadores de desenvolvimento social e econômico nos 293 municípios de Santa Catarina, Brasil. 2004. 71 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva)–Universidade Federal de Santa Catarina. 2004. Ou Página 84 de 94 TREVISOL, Joviles Vitório. Tecendo a sociedade civil global e ampliando a esfera pública: a articulação dos atores civis ante o projeto Hidrovia Paraguai- Paraná. 2000. 342 p. Tese (Doutorado em Sociologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. 2000. ● Trabalhos publicados em anais de eventos As publicações de eventos podem ser com autoria ou do evento em sua totalidade. Quando forem trabalhos com autoria, devemos seguir a ordem abaixo: - Autor; - Título do trabalho; - In: nome do evento em caixa-alta; - Número arábico do evento (mesmo que no evento tenham usado em números romanos); - Ano, cidade onde se realizou o evento; - Título (anais, resumos e outros) em destaque; - Local da publicação: editora (quando houver), data de publicação; - Volume (quando houver); - Página inicial e final do trabalho. Exemplo: MORAES, Adriana Mellegari Urbano de; WEBER, Alice; HACHMANN, Marco. Critérios de rateio dos custos indiretos. In: ENCONTRO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ORGANIZAÇÕES, 1., 2005, Assis. Anais... Assis: Ed. UNESP, 2005. p. 21. Quando forem eventos, em sua totalidade (congressos, seminários, simpósios e outros), a ordem seguida é: - Nome do evento (caixa-alta); Página 85 de 94 - Número e ano; - Cidade onde se realizou o congresso; - Título: subtítulo (quando houver); - Anais... (em destaque); - Local de publicação: editora (se houver); - Data de publicação; - Número de volumes (quando houver). Exemplo: COLÓQUIO DE EDUCAÇÃO. 4., 2005, São Paulo. Anais... São Paulo: Pontifícia Universidade Católica, 2005. ● Trabalhos acadêmicos Ao fazer esse tipo de citação, você deve colocar na referência a ordem - Autor; - Título; - Ano; - Número de folhas; - Trabalho acadêmico (disciplina) – Curso ou Departamento, Unidade de Ensino, Instituição; - Local e ano. Exemplo: LOPES, Ângela. Empregabilidade. 2005. 24 f. Trabalho de Pós-graduação (Disciplina Gestão de Pessoas)–Curso de Especialização em Administração de Recursos Humanos, Área das Ciências Sociais Aplicadas, Universidade de São Paulo – USP, São Paulo, 2005. Página 86 de 94 ● Documentos em meio eletrônico - Internet Os arquivos virtuais devem conter as seguintes informações, quando disponíveis: - Sobrenome e nome do autor; - Título do documento completo; - Título do trabalho no qual está inserido (em destaque); - Data (dia, mês e/ou ano) da disponibilização ou última atualização; - Endereço eletrônico (URL) completo (entre parênteses angulares <>); - Data do acesso (mês abreviado). Exemplos: - Monografia por meio eletrônico: SILVEIRA, Marcos Antônio. Tratamento de esgoto doméstico para preservação do meio ambiente. 2005. 102 f. Monografia. (Especialização) – Curso de Pós-graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Pernambuco. Disponível em: <http://www.ufrpe.br/>. Acesso em: 24 jul. 2006. - Anais disponível por meio eletrônico: SILVA, R. N.; OLIVEIRA, R. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais eletrônico... Recife: UFPe, 1996. Disponível em: <http://www.propesq.ufpe.br/anais/anais/educ/htm>. Acesso em: 21 jan. 1997. - Periódico completo: REVISTA ESPAÇO ACADÊMICO. Maringá – PR: ano v., no 51, 7 ago. 2005. Disponível em:<http://www.espacoacademico.com.br.>. Acesso em: 14 ago. 2005. Página 87 de 94 - Artigo de periódico com um autor: RAMOS, José Maria Rodriguez. Dimensões da globalização: comunicações, economia, política e ética. Revista – FAAP. São Paulo, 2004. Disponível em: <http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_01/dimensoes.ht>. Acesso em: 3 dez. 2005. - Mensagens de Internet: As mensagens obtidas via internet também podem ser referenciadas, porém, recomenda-se que evite essas mensagens veiculadas por correio eletrônico que têm caráter informal, impessoal e efêmero, como fonte científica ou técnica de pesquisa. Dados para a referência: autor, título da mensagem (quando houver), ou título atribuído. [tipo de mensagem]. Mensagem recebida por: <endereço eletrônico> em: data (dia, mês, ano). DANIELA, Lopes. Dando notícias. [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por: <lpizzolato@hotmail.com> em: 25 ago. 2005. PASSOS, Maria Joana. Citações diretas. [mensagem de trabalho]. Mensagem recebida por: <claudia@unoescjba.edu.br> em: 21 out. 2005. ● Documentosjurídicos Para esse tipo de referência, utiliza-se a ordem: - Jurisdição ou nome da entidade coletiva; - Título; - Numeração; - Data; - Ementa e dados da publicação; - Notas informativas relativas a outros dados necessários para a identificação. http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_01/dimensoes.ht Página 88 de 94 Exemplo: BRASIL. Secretaria de educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução aos parâmetros Curriculares Nacionais/Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF. 1997,126p. ● Regras complementares de referências O texto a seguir apresenta algumas das dificuldades que você poderá encontrar ao elaborar uma referência; ele contém dicas e exemplos de Cruz, Perota e Mendes (2002, p. 49-58). Segundo as autoras, existem alguns casos em que não é possível a localização de dados necessários na referenciação. Então, você deve estar se perguntando como devem ser indicados esses casos. - Falta de editora: I. Usa-se a expressão sine nomine (sem nome, sem editora) abreviada, [s.n.]; II. Onde não é possível identificar a editora e o local de publicação, colocamos ambos, [S.l.:s.n.]; III. Se a editora for a responsável pela autoria da obra, não precisamos indicá-la; IV. Nas obras com mais de uma editora, devemos separá-las por ponto-e- vírgula. Exemplo: FRANCO, Ilário. Discurso: de outubro de 1992 a agosto de 1993. Brasília, DF: [s.n], 1993. 107 p. - Duas ou mais editoras: Página 89 de 94 Havendo duas editoras, ambas são descritas, precedidas de seus respectivos lugares. Se forem três ou mais editoras, mencionamos a primeira, ou a que estiver em destaque na publicação. Exemplo: LUZ, Hercílio Pedro da; SGROTT, Emerson Alexandre. Anatomia da cabeça e do pescoço: noções para a prática médica e odontológica. Itajaí: Ed. Univali; Joaçaba: Ed. Unoesc, 2003, 155 p. - Falta do local de publicação: I. Utilizar a palavra Sine loco abreviada, [S.l.]; II. Caso se identifique o local, mas ele não se apresentar no documento, de ser colocado entre colchetes; III. Onde há mais de um local de publicação, é aconselhável utilizar o mais destacado; IV. Para homônimos de cidade, deverá ser adicionado o estado, ou país, se necessário. Exemplo: LARSON, Carlos Eduardo. Curto-teste veterinária: dermatopatias em cães e gatos. [S. l.]: AP, 1996. 33 p. CASOS reais de implantação de TQC. [Belo Horizonte]: Fundação Cristiano Ottoni, 1995. 2 v. CAPALBO, Elly da Costa; OCCHIUTTO, Marcelo Luís. Bianca, Clara e Karina: a história de uma mesma mulher. Araras, SP: IDE, 1998. 288 p. Página 90 de 94 - Falta do ano de publicação: I. Ano ou outro: [1971 ou 1972]; II. Data provável: [1981?]; III. Data aproximada: [ca. 1960]; IV. Década certa: [197-]; V. Década provável: [197-?]; VI. Século certo: [19—]; VII. Século provável: [19--?]. Exemplo: FLORENZANO, E. Dicionário de idéias semelhantes. Rio de Janeiro: Ediouro, [1993?]. 383 p. KAISER, Bruno. 10.000 anos de descoberta. 4. ed. aum. São Paulo: Melhoramentos, [196-?]. 302 p. - Paginação: Se a publicação não for paginada, utilize as expressões: não paginado, paginação irregular ou várias paginações. Exemplo: PEIXES do Pantanal: agenda 1999. Brasília, DF: Embrapa, 1999. Não paginado. ROITT, Ivan Maurice; BROSTOFF, Jonathan; MALE, David K. Imunologia. Tradução Ida Cristina Gubert. São Paulo: Manole, 1997. Paginação irregular. PETITTO, Sonia. Programa Logo 1. Ilustrações: Jorge A. Soto Sepúlveda. São Paulo: C G Ed., [1994?]. 146 p. em várias paginações. Página 91 de 94 As formas de referências mencionadas não findam nas propostas citadas, existem ainda, outras menos utilizadas como referências de mapas, gravuras, outros arquivos eletrônicos, lápides, bula de remédio, fax, selos, cartas, comerciais, cartazes, cartões postais, transparências, documentos de arquivos, desenho técnico, referências de entidades, legislação, CD-ROM, dicionário, fotos, mapas, guias, atas, filmes e vídeos, fita cassete, material cartográfico (atlas e globos), slides, arquivos em disquetes e outros. As formas destas podem ser encontradas nas normas para apresentação de documentos científicos diretamente da ABNT, ou demais livros especializados. Conclusão Nesta disciplina, foram abordados os conceitos fundamentais da metodologia da pesquisa científica. Os conteúdos apresentados foram elaborados pensando em você como aluno de Pedagogia, para facilitar sua vida acadêmica e formação como pedagogo. Foram apresentados desde os tipos de conhecimento, assim como estratégias para aprimorar e desenvolver a pesquisa e suas formas de divulgação. Ainda nesta disciplina, foram apresentados as metodologias da pesquisa-ação na qual se busca resolver problemas de modo participativo com envolvimento das pessoas de um determinado local de trabalho. A ciência, com seu conjunto de técnicas, forma um estudo complexo, mas que é extremamente útil à sociedade e aos estudiosos no sentido de interpretar e entender os fenômenos que ocorrem nas diversas áreas do saber. Como dicas finais para a escrita e o desenvolvimento do aluno-pesquisador, é importante lembrar de: I. Ser exato; II. Escrever com simplicidade, mas aplicando as regras gramaticais. Caso tenha dificuldades, recomenda-se que procure um professor de português que faça a revisão gramatical e ortográfica, o que é permitido; Página 92 de 94 III. Ter clareza e objetividade; IV. Apresentar ideias de forma lógica e coerente, evitando alongar demasiadamente o texto; V. Escrever de forma impessoal, evitando verbos na primeira pessoa do singular (eu); VI. Cuidado com os termos ‘nunca’, ‘sempre’, ‘totalmente’, entre outros, pois eles generalizam uma situação ou fato, o que, normalmente, não é verdade; VIII. Evitar expressões chulas, gírias, jargões, pouco científicas ou que reflitam o senso comum; IX. As frases/períodos não devem ser muito longas, pois tendem a dificultar a compreensão. X. A linguagem científica prioriza o equilíbrio, portanto evite exageros de expressão e adjetivos muito parciais. Por fim, observa que todo pesquisador é também um professor, e como considera Paulo Freire, quem ensina, aprende ao ensinar, e quem aprende, no caso os alunos, ensinam ao aprender. Muito sucesso em sua caminhada acadêmica! Página 93 de 94 Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR 6027: sumário. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR 6028: informação e documentação: resumos: apresentação. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR 10520: apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR NBR 10522: Abreviação na descrição bibliográfica. Rio de Janeiro, 2021. ______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2021. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. CRUZ, Carla; RIBEIRO, Uirá; FURBETTA, Nelly. Metodologia científica: teoria e prática. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2003. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo:Atlas, 1999. ______. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6.ed. 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