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REPARO E CICATRIZAÇÃO BLUMENAU, 2017 Profª Drª Marina M. Córdova Uniasselvi Disciplina de Patologia Geral Biomedicina CONHECIMENTOS SOBRE: - Mecanismo de reparo tecidual; - Regeneração: células lábeis, estáveis e permanentes; - Cicatrização: fases da cicatrização; tecido de granulação; - Cicatrização de primeira e segunda intenção MECANISMO DE REPARO TECIDUAL MECANISMO DE REPARO TECIDUAL Lesões teciduais que se acompanham de morte celular e/ou da matriz extracelular sofrem um processo de cura que se dá por cicatrização ou regeneração Na regeneração o tecido morto é substituído por outro morfofuncionalmente idêntico Na cicatrização um tecido neoformado substitui o tecido perdido *arcabouço de matriz extracelular ex: hepatite aguda, hepatite crônica (B ou C). Suporte mecânico Manutenção da diferenciação Microambientes teciduais (ex. pele) Controle de crescimento (ex. células tumorais enzimas que quebram a MEC) Base para regeneração/reparo Armazenamento de moléculas regulatórias MATRIZ EXTRACELULAR - MEC tensão e elasticidade - componentes fibrilares Neutrófilos – Elastases metaloproteinases Reter H20 – turgor / fator de crescimento *Lábeis *Estáveis *Permanentes CICLO CELULAR Processos inflamatórios de cicatrização FORMAS DE SINALIZAÇÃO: REGENERAÇÃO X REPARO TNF - TGF Crescimento compensatório Reparo e cicatrização 1. Inflamação 2. Angiogênese 3. Migração e proliferação de fibroblastos 4. Formação da cicatriz 5. Remodelamento do colágeno Epitélio de revestimento e medula óssea: células que se renovam continuamente. Ex. fígado, desde que haja preservação do estroma Na musculatura lisa do intestino ou de artérias, lesões destrutivas sofrem cicatrização conjuntiva seguida de remodelação, e a cicatriz é substituída por tecido muscular liso neoformado. REGENERAÇÃO Lábeis e estáveis - tecidos Processo pelo qual um tecido lesado é substituído por um tecido conjuntivo vascularizado, sendo semelhante, quer a lesão tenha sido traumática ou necrótica 1º passo: Formação de coágulos sanguíneos 2º passo: Formação de tecido de granulação 3º passo: Proliferação celular e deposição de colágeno 4º passo: Formação da cicatriz 5º passo: Contração da ferida CICATRIZAÇÃO *Cicatrização de primeira intenção e segunda intenção Formação de coágulos sanguíneos A ferida causa rápida ativação da vias de coagulação> formação de coágulo sanguíneo na superfície da lesão>interrupção do sangramento FASES DA CICATRIZAÇÃO FASES DA CICATRIZAÇÃO Nas primeiras 24 a 72 horas do processo de reparo, os fibroblastos e as células endoteliais vasculares proliferam e formam um tipo especializado de tecido chamado tecido de granulação, que é ponto de referência do reparo tecidual Proliferação Celular e Deposição de Colágeno: Por volta de 48 a 96 horas, os neutrófilos são substituídos por macrófagos. Os macrófagos representam os constituintes celulares chave do reparo tecidual, removendo resíduos extracelulares, fibrina e outros materiais estranhos do local de reparo e promovendo angiogênese e deposição de MEC Migração de fibroblastos para o local da lesão> fibras colágenas presentes nas bordas da incisão FASES DA CICATRIZAÇÃO Formação da cicatriz Desaparecimento do infiltrado leucocitário, o edema e o aumento da vascularização Empalidecimento (aumento do acúmulo de colágeno na área da ferida e a regressão dos canais vasculares) O tecido de granulação original é convertido em uma cicatriz avascular e pálida, composta de fibroblastos, colágeno, tecido elástico e outros componentes da MEC FASES DA CICATRIZAÇÃO Contração da Ferida Ocorre geralmente em grandes feridas de superfície A contração ajuda a fechar a ferida diminuindo a lacuna entre suas margens dérmicas e reduzindo a área de superfície da ferida (importante em feridas de 2º intenção) FASES DA CICATRIZAÇÃO 1ª intenção ou primária: envolve a reepitelização, na qual a camada externa da pele cresce fechada. As células crescem a partir das margens da ferida. As feridas que cicatrizam por primeira intenção são, mais comumente, feridas superficiais, agudas, que não têm perda de tecido e resultam em queimaduras de primeiro grau e cirúrgicas em cicatriz mínima, por exemplo. Levam de 4 a 14 dias para fechar TIPOS DE CICATRIZAÇÃO 2ª intenção ou secundária: envolve algum grau de perda de tecido. Podem envolver o tecido subcutâneo, o músculo, e possivelmente, o osso. As bordas dessa ferida não podem ser aproximadas, geralmente são feridas crônicas como as úlceras. Existe um aumento do risco de infecção e demora à cicatrização que é de dentro para fora. Resultam em formação de cicatriz e têm maior índice de complicações do que as feridas que se cicatrizam por primeira intenção TIPOS DE CICATRIZAÇÃO 3ª intenção ou terciária: ocorre quando intencionalmente a ferida é mantida aberta para permitir a diminuição ou redução de edema ou infecção ou para permitir a remoção de algum exsudato através de drenagem como, por exemplo, feridas cirúrgicas, abertas e infectadas, com drenos. Essas feridas cicatrizam por 3ª intenção ou 1ª intenção tardia. TIPOS DE CICATRIZAÇÃO Ferida cujas bordas foram aproximadas por suturas e que não tenha sido infectada. É a mais rápida e forma cicatrizes menores, a fenda das feridas é mais estreita e a destruição nas suas bordas é menor. Exemplo clássico: ferida cirúrgica CICATRIZAÇÃO DE PRIMEIRA INTENÇÃO Ferida extensa e com margens afastadas, formam- se grandes coágulos. Intensa exsudação de fagócitos e abundante formação de granulação. Regeneração da epiderme mais lenta, devido as margens serem mais distantes Se a lesão é extensa e/ou inflamada, o processo é mais intenso e maior é a quantidade de tecido de granulação produzido CICATRIZAÇÃO DE SEGUNDA INTENÇÃO O processo de cicatrização pode ser afetado por fatores locais e sistêmicos e também por tratamento tópico inadequado. Fatores locais: • Infecção • Fatores mecânicos (movimento precoce das feridas, compressão dos vasos sanguíneos, separação das margens da ferida...) • Corpos estranhos (suturas desnecessárias, fragmentos de objetos) • Tamanho, profundidade, localização e tipo da ferida • Ambiente seco · FATORES QUE INTERFEREM NA CICATRIZAÇÃO Fatores sistêmicos • Nutrição (deficiência de proteínas e vitamina C) • Doenças crônicas associadas (DM, aterosclerose) • Hormônios (cortisol - antiinflamatório) • Fatores relacionados ao paciente (idade, faixa etária) · FATORES QUE INTERFEREM NA CICATRIZAÇÃO A formação excessiva dos componentes do processo de reparo pode originar cicatrizes hipertróficas e queloides Cicatriz hipertrófica: cicatriz elevada decorrente do acúmulo de quantidades excessivas de colágeno, não ultrapassa os limites ou a extensão da incisão ou ferimento inicial. Apresenta tendência à regressão Queloide: geralmente estende-se espacialmente em relação ao tamanho original da incisão cirúrgica ou ferimento, sem regredir CICATRIZAÇÃO HIPERTRÓFICA E QUELOIDE CICATRIZAÇÃO HIPERTRÓFICA E QUELOIDE A cicatriz hipertrófica é usualmente confundida com o queloide; por isso, é também conhecida como “pseudoqueloide”. Há descontrole na síntese de colágeno em ambos os casos. Tanto os mecanismos de produção podem estar exacerbados e/ou degradação da MEC reduzidos. Figura 1 - Cicatriz hipertrófica por cesariana: segue o trajeto da incisão cirúrgica. Figura 2 - Queloide por cesariana: não respeita o trajeto da incisão cirúrgica, invadindo a pele vizinha. CICATRIZAÇÃO HIPERTRÓFICA E QUELOIDE • A incidência de cicatriz hipertrófica, assim como de queloide, é maior em pessoasnão brancas (negro, pardo, asiático ou amarelo). No indivíduo branco, a cicatriz hipertrófica é menos frequente no loiro em relação ao moreno • A cicatriz hipertrófica pode ocorrer em qualquer idade, mas tende a se desenvolver mais frequentemente na puberdade, sendo rara em pessoas acima dos 60 anos de idade. CICATRIZAÇÃO HIPERTRÓFICA E QUELOIDE CICATRIZAÇÃO HIPERTRÓFICA QUELOIDE • Hemorragia interna (hematoma) e externa podendo ser arterial ou venosa; • Deiscência: separação das camadas da pele e tecidos. É comum entre 3º e 11º dias após o surgimento da lesão; • Evisceração: protrusão dos órgãos viscerais, através da abertura da ferida; • Infecção: drenagem de material purulento ou inflamação das bordas da ferida; quando não combatida, pode gerar osteomielite, bacteremia e septicemia; • Fístulas: comunicação anormal entre dois órgãos ou entre um órgão e a superfície do corpo. COMPLICAÇÕES REFERÊNCIAS