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Diagnóstico Imunológico de Fungos e Bactérias

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José Bayer

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Questões resolvidas

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Diagnóstico imunológico: fungos e
bactérias
Testes imunológicos para o diagnóstico de doenças bacterianas e fúngicas.
Prof.ª Pâmella Sales 
1. Itens iniciais
Propósito
O conhecimento das diferentes aplicações dos diagnósticos imunológicos nas doenças infecciosas é essencial
para a atuação responsável e eficiente do profissional da saúde e para a sua adequada correlação com as
manifestações clínicas.
Objetivos
Descrever a resposta imunológica frente a bactérias e fungos.
Reconhecer as diferentes doenças infecciosas causadas por bactérias e seus respectivos testes 
imunológicos.
Identificar a importância das doenças fúngicas e em quais se pode aplicar diagnósticos imunológicos 
para auxiliar na definição da doença.
Introdução
As infecções causadas por vírus, fungos ou bactérias apresentam grave problema de saúde pública a nível
mundial, afinal estamos constantemente em contato íntimo com esses microrganismos e um desequilíbrio
nessa relação acarreta grandes prejuízos a nós, seres humanos. Por exemplo, a pandemia causada por um
vírus, o SARS-CoV-2, agente etiológico da covid-19, levou milhões de pessoas a óbito ao redor do mundo.
Para além dos vírus, as bactérias e os fungos também podem causar doenças graves que, em alguns casos,
culminam no óbito do paciente e, para o manejo e tratamento apropriados, dependem de um diagnóstico
adequado, preciso e rápido, pois o tempo é um fator determinante para o sucesso do tratamento na maioria
dos casos.
Por isso, há séculos são estudadas maneiras de diagnosticar de forma mais eficiente essas enfermidades. O
diagnóstico clássico baseado no isolamento e identificação dos microrganismos representa importante
ferramenta, porém em alguns casos ainda é limitado, seja pelo tempo para a liberação do resultado,
impossibilidade de isolamento do agente etiológico, risco associado ao isolamento de determinados
microrganismos, entre tantas outras questões que inviabilizam a execução ou tornam secundária a utilização
dessas técnicas. É nesse cenário que o diagnóstico imunológico de doenças causadas por fungos e bactérias
desponta como a melhor ferramenta que auxiliará na identificação de importantes doenças infecciosas. Por
isso, conheceremos diferentes tipos de diagnóstico imunológico relacionados às infecções, como aplicá-los e
para que tipo de microrganismo eles estão disponíveis.
• 
• 
• 
1. Resposta imunológica contra bactérias e fungos
Resposta imunológica contra as bactérias 
Sistema imunológico
O equilíbrio da interação dos organismos é um dos pilares que permite a existência de “vida” entre todos os
seres que interagem e compartilham seus nichos. Pensando no ser humano, só estamos vivos até hoje graças
à ação ativa do sistema imunológico que nos protege de danos que poderiam ser causados pelos mais
diversos microrganismos que também têm a intenção de sobreviver aos diferentes ambientes e condições.
Se não fosse pelo nosso sistema imunológico, os microrganismos patogênicos não encontrariam a menor
resistência, causariam doenças constantemente e nossa trajetória neste mundo seria muito breve. 
Por isso, algumas defesas foram desenvolvidas pelo nosso organismo para manter esses patógenos fora do
nosso corpo, ou para manter o equilíbrio com aqueles que trazem certos benefícios, como os que fazem parte
da microbiota intestinal, por exemplo. Ao contrário do que imaginamos, diariamente nosso organismo se
defende e impede que adoeçamos com frequência. 
Por essa razão, entender como essas defesas atuam é muito importante para esclarecer o processo saúde-
doença relacionado às enfermidades infecciosas, principalmente aquelas causadas por bactérias, bem como
auxiliar no desenvolvimento de estratégias para sofrer cada vez menos os impactos dessa interação
patógeno-hospedeiro.
A imunidade, de forma geral, trabalha com três linhas de defesa contra os microrganismos a fim de manter o
equilíbrio e o corpo saudável: 
Primeira linha de defesa
Tem como objetivo manter os patógenos fora do organismo ou neutralizá-los antes mesmo que a
infecção se inicie. Fazem parte dessa primeira linha a pele, as mucosas e algumas substâncias
antimicrobianas.
Segunda linha de defesa
Caso haja falha na primeira linha de defesa, esta fase tenta retardar ou limitar as infecções,
utilizando-se de proteínas que induzem a inflamação, febre que aumenta a atividade das citocinas, e
a ação dos fagócitos e células NK (Natural Killer) que são capazes de destruir tanto microrganismos
como células tumorais.
Terceira linha de defesa
Esta etapa já inclui os linfócitos que possuem a capacidade de destruir os patógenos de forma
direcionada e específica caso as defesas anteriores falhem no controle da infecção. Além de ser uma
resposta específica ao patógeno, também é capaz de produzir componentes de memória, fazendo
com que o organismo responda de maneira mais eficiente em uma infecção futura com o mesmo
patógeno.
As duas primeiras linhas de defesa compõem o sistema imune inato, enquanto a terceira linha de defesa faz
parte do sistema imune adaptativo. A resposta celular dos leucócitos tem papel importante tanto na segunda
quanto na terceira linha da defesa imune, pois coordenam os esforços para controlar a infecção, minimizando
os danos causados pelos patógenos.
Reconhecimento via receptores TLR.
As linhas de defesas da imunidade inata e adaptativa.
Resposta inata
Podemos considerar a resposta inata como a forma mais primitiva de defesa contra patógenos, sendo
composta por células fagocíticas e complexos de proteínas plasmáticas que são capazes de induzir a lise nas
bactérias por sua ação semelhante às enzimas. Ao longo dos anos, muitas descobertas acrescentaram
informações relevantes sobre o reconhecimento dos patógenos pelo sistema imune inato. Já se sabe que as
células fagocitárias são capazes de reconhecer estruturas altamente conservadas e padrões moleculares dos
microrganismos que não estão presentes no corpo humano.
O reconhecimento dos patógenos ocorre por meio de
estruturas da membrana ou do citoplasma, como os
receptores Toll-like (TRL). Esses receptores se ligam aos
lipopolissacarídeos de inúmeras estruturas bacterianas,
como aquelas presentes na parede, flagelinas, intiminas etc.
Essas ligações com regiões do patógeno desencadeiam
uma cascata de liberação de moléculas que são promotoras
da síntese de citocinas como IL-1β, TNF-α, IL-8 entre
outras. Essas citocinas são responsáveis pelo aparecimento
de febre, que, por sua vez, ativará os linfócitos e
macrófagos, além de atuarem como quimio-atrativos para
outras células do sistema imunológico, sendo o gatilho para
o estímulo inicial.
Imunidade Adaptativa
Apesar de conceituarmos separadamente, a imunidade inata conversa intimamente com a imunidade
adaptativa em um fluxo contínuo de sinalizações e cascatas de acontecimentos em que ambas têm o objetivo
de impedir o estabelecimento da infecção. Como já vimos, os receptores TRL agem na ativação de citocinas
que vão intervir diretamente no segmento específico da imunidade adaptativa.
Os anticorpos atuam contra antígenos extracelulares.
Ilustração da ação da célula NK.
A imunidade adaptativa é constituída por duas partes
distintas, denominadas imunidade humoral e imunidade
celular. Os anticorpos produzidos pelas células B fazem
parte da imunidade humoral, enquanto as células T
compõem a imunidade celular. 
Independentemente de serem respostas celulares ou
humorais, ambas realizam o reconhecimento de antígenos
específicos com a expansão clonal das células imunes
(Linfócitos T ou B), resultando na produção das células
efetoras e de memória.
As células efetoras da imunidade humoral visam à ligação
de antígenos presentes fora das células como, por exemplo, as bactérias em multiplicação nos espaços
extracelulares. Já as células efetoras da imunidade celular têm como alvo os antígenos que estão localizados
no interior da célula hospedeira, como no caso de bactérias intracelulares.
Resposta imunológica contra os fungos
Respostas inespecíficas
As infecções causadas porque
permite resultados rápidos, específicos e sensíveis.
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, inúmeras doenças infecciosas causadas por bactérias e fungos já possuem metodologias de
isolamento e identificação do agente causador das doenças. Entretanto, os testes sorológicos que investigam
tanto a presença de antígenos quanto a presença de anticorpos se tornam fortes aliados no diagnóstico mais
rápido e em alguns casos mais baratos e específicos. 
Essas técnicas podem e são adaptadas de acordo com o patógeno que é utilizado, sejam bacterianos ou
fúngicos. Por isso, é possível aplicar o teste ELISA ou a aglutinação, por exemplo, em diversas doenças, o que
mostra sua versatilidade e aplicabilidade dentro da área médica.
Apesar de muitos protocolos estabelecidos, é imprescindível profissionais que sejam capacitados para
executar e para analisar os resultados obtidos e assim contribuir para um prognóstico mais adequado para o
paciente. 
Podcast
Neste podcast, a especialista apresenta as principais micobacterioses e a importância do diagnóstico
sorológico.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para se aprofundar sobre o tema discutido aqui, sugerimos que leia os artigos:
 
A leptospirose humana como doença duplamente negligenciada no Brasil e entenda melhor o cenário dessa
doença negligenciada no nosso país.
 
Diagnóstico laboratorial de criptococose em indivíduos imunodeprimidos e saiba mais sobre os diferentes
tipos de diagnóstico relacionados a criptococose.
 
Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: sífilis congênita e criança exposta à
sífilis e veja as diretrizes sobre a sífilis congênitas e as formas de diagnóstico.
Referências
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção
Relacionada à Assistência à Saúde. Módulo 8: Detecção e identificação de fungos de importância médica /
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2013.
 
GITIRANA, L. B.; SOARES, T. S. Chromomycosis in Rhinella icterica. The Open Zoology Journal, v. 5: p. 38:41,
2012.
 
ISA, S. E. et al. A 21-Year-Old Student with Fever and Profound Jaundice. PLOS Neglected Tropical Diseases.v:
8(1): 1-6. 2014.
 
LACAZ, C. S. Pracoccidioides brasiliensis: A mycologic and immunochemical study of two strains. Rev. Inst.
Med. trop. S. Paulo, vol. 41 n. 2, São Paulo mar./abr. 1999.
 
PEELING, R. W. et al. Syphilis. Nature reviews. Disease primers, 3, 17073, 2017.
 
PUTTA, S. D.; DESHANDE, S.; BHARADWJ, R. Evaluation of Latex Agglutination Test Efficacy in Diagnosis of
Acute Pyogenic Meningitis. A-270.Latex Agglutination Test in Acute Pyogenic Meningitis. Annals of Pathology
and Laboratory Medicine. V.3(4): A269-A245, 2016.
 
TOGASHI, R. H. Coccidioidomicose pulmonar e extrapulmonar: três casos em zona endêmica no interior do
Ceará. J Bras Pneumol. 35(3):275-279, 2009.
 
TROVERO, A. C. et al. Production of a latex agglutination reagent for the rapid diagnosis of cryptococcal
meningitis. Revista Argentina de Microbiología. v. 52(3): 169-175, 2020.
	Diagnóstico imunológico: fungos e bactérias
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Resposta imunológica contra bactérias e fungos
	Resposta imunológica contra as bactérias
	Sistema imunológico
	Primeira linha de defesa
	Segunda linha de defesa
	Terceira linha de defesa
	Resposta inata
	Imunidade Adaptativa
	Resposta imunológica contra os fungos
	Respostas inespecíficas
	Respostas específicas
	Resposta imune contra as micobactérias
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Resposta imunológica contra as bactérias
	Conteúdo interativo
	Resposta imunológica contra os fungos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Diagnóstico imunológico das doenças bacterianas
	Doenças bacterianas
	Gonorreia
	Saiba mais
	Meningite bacteriana
	Comentário
	Vacinas contra Meningite
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico da sífilis e listeriose
	Sífilis
	Atenção
	Estágio primário
	Estágio secundário
	Fase latente
	Saiba mais
	Testes não treponêmicos
	Testes treponêmicos
	Listeriose
	Atenção
	Relembrando
	Diagnóstico imunológico da Brucelose e Leptospirose
	Brucelose
	Atenção
	1
	2
	3
	Comentário
	Leptospirose
	Atenção
	Comentário
	Saiba mais
	Vem que eu te explico!
	Diagnóstico imunológico da gonorreia e das meningites bacterianas
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico de sífilis e listeriose
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico da brucelose
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico da leptospirose
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Diagnóstico imunológico das doenças fúngicas
	Diagnóstico imunológico das infecções fúngicas
	Infecções fúngicas
	Dermatofitoses
	Comentário
	Esporotricose
	Comentário
	Paracoccidioidomicose
	Atenção
	Vacinas contra fungos
	Conteúdo interativo
	Coccidioidomicose
	Atenção
	Atenção
	Diagnóstico imunológico da Histoplasmose
	Histoplasmose
	Comentário
	Técnicas de diagnóstico
	Comentário
	1
	2
	3
	Diagnóstico imunológico da Criptococose
	Criptococose
	Comentário
	Métodos de diagnóstico
	Vem que eu te explico!
	Diagnóstico imunológico das infecções fúngicas
	Conteúdo interativo
	Coccidioidomicose
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico da histoplasmose
	Conteúdo interativo
	Diagnóstico imunológico da criptococose
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasfungos podem desencadear respostas inespecíficas e específicas do organismo
desde o primeiro contato com o microrganismo.
 
Dentre as respostas inespecíficas, podemos encontrar os mecanismos inatos do sistema imunológico. A pele
apresenta ácidos graxos, baixa umidade e uma temperatura mais elevada, o que para muitos fungos são
características desfavoráveis ao seu crescimento. A candidíase cutânea, por exemplo, ocorre principalmente
quando há aumento da umidade ou por lesões cutâneas.
Quando falamos das mucosas, o trato respiratório também
apresenta importante defesa aos agentes fúngicos,
principalmente pela característica aerodinâmica dos
esporos que são facilmente inalados. Portanto, as
membranas mucosas da nasofaringe e os macrófagos
alveolares representam importante barreira para a proteção
contra infecções fúngicas do trato respiratório e sistêmicas.
Nesse cenário da resposta inespecífica, as células NK e
macrófagos são importantes no favorecimento da
fagocitose, assim como os neutrófilos, que em pacientes
com a taxa dessas células alteradas são mais susceptíveis a
infecções, como aspergilose, criptococose, candidíase,
mucormicose, entre outras. Outros componentes importantes da resposta inespecífica aos fungos são as
opsoninas, que são proteínas humorais que auxiliam o processo de fagocitose.
Respostas específicas
Já nas respostas específicas, assim como nas infecções bacterianas, estão envolvidos os componentes da
resposta imune adaptativa como macrófagos, linfócitos, outras células plasmáticas e seus produtos, como os
anticorpos. Essa resposta se torna específica, pois ela responde diretamente aos sítios antigênicos que são
regiões particulares do patógeno. Nesse tipo de resposta, há a produção de anticorpos (IgM e IgG), porém o
seu efetivo papel na defesa contra as micoses ainda não foi tão bem elucidado quanto para outras doenças.
Corte histológico mostrando elementos fúngicos (seta)
isolados dentro de fagócitos (*).
Resposta imune ativada pela presença do antígeno.
No caso da maioria das infecções fúngicas, a resposta
celular desempenha papel importante, encadeando o
processo para a inflamação crônica, com a formação de
granulomas. Os granulomas são formados na tentativa de
isolar o agente etiológico após a dificuldade do sistema
imune de eliminá-lo. Nos granulomas, os macrófagos sofrem
modificações estruturais e funcionais.
A formação de granuloma favorece uma possível reativação
futura da doença, caso o paciente apresente alguma
deficiência imunológica no decorrer da vida.
Além disso, em alguns casos, ocorre a supuração aguda pela presença maciça de neutrófilos no exsudato,
como visto em doenças como esporotricose e aspergilose. Por isso, indivíduos que sofreram alguma
interferência na resposta mediada por células, como os imunodeficientes ou aqueles em tratamento com
medicações imunossupressoras, são mais suscetíveis às micoses quando comparados aos indivíduos hígidos.
Supuração
Resultado ou processo de formação de pus. 
Outra consequência observada por causa da resposta
imunológica mediada por células culmina em uma resposta
de hipersensibilidade tardia, que pode ser observada em
testes cutâneos contra determinados antígenos fúngicos
injetados por via intradérmica. Os testes cutâneos
intradérmicos mostram uma possível exposição prévia do
paciente ao antígeno fúngico, mas não necessariamente em
uma doença em curso.
Resposta imune contra as micobactérias
Neste vídeo, a especialista explica como acontece a
resposta imune contra as micobactérias.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Resposta imunológica contra as bactérias
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Resposta imunológica contra os fungos
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Pedro acabou de cortar o pé com um prego contaminado com uma bactéria que será reconhecida pelas
células de defesa ali residentes, responsáveis pela primeira linha de defesa. Sobre esse assunto, analise as
afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta:
A
O reconhecimento ocorre via receptores do tipo Toll-like, que estimulam a produção de citocinas.
B
Para bactérias, o reconhecimento ocorre pelos linfócitos T, que estão presentes na pele.
C
Para bactérias, o reconhecimento ocorre pelos linfócitos B, que estão presentes na pele.
D
O reconhecimento via Toll-like da bactéria estimula a produção imediata de anticorpos.
E
O reconhecimento via Toll-like da bactéria estimula a resposta imune adaptativa com a formação de
granulomas.
A alternativa A está correta.
A primeira linha de defesa do organismo é a resposta imune inata, independentemente do tipo de
patógeno. Após a entrada da bactéria no organismo, pelo rompimento da barreira epitelial, ocasionada pelo
prego, a bactéria será reconhecida pelas células de defesa ali residentes, como os macrófagos e células
dendríticas via receptores TRL. A partir desses receptores, ocorre a ativação de inúmeras citocinas e essas
células irão apresentar os antígenos para as células da imunidade adaptativa, via MHC.
Questão 2
Vimos que, durante uma infecção fúngica, a resposta específica envolve muitas células que têm a capacidade
de reconhecer os patógenos que irão gerar produtos e anticorpos que auxiliarão no controle da infecção.
Assim, em uma infecção fúngica, é possível encontrar:
A
Anticorpos IgM circulantes em resposta à infecção fúngica, mas não IgG.
B
Tipos de anticorpos (IgG, IgM, IgA) com funções bem definidas para várias micoses.
C
Resposta humoral apenas, não observando a resposta celular.
D
Formação de granulomas.
E
Resposta imune humoral e celular, mas sem o comprometimento do sistema imune inato.
A alternativa D está correta.
Durante as infecções fúngicas, para ter o desenvolvimento da doença, esses patógenos precisam driblar as
barreiras impostas pela resposta imune inata, como a barreira epitelial. Após a entrada no organismo, o
reconhecimento e apresentação desses antígenos aos linfócitos B e T, temos o desencadeamento da
resposta específica, com produção de anticorpos do tipo IgM e IgG e resposta celular que, em muitos
casos, levam ao aparecimento de granulomas. Ainda não se sabe ao certo o papel dos anticorpos na defesa
contra as micoses.
Neisseria gonorrhoeae é um diplococo Gram-negativo e
não flagelado.
2. Diagnóstico imunológico das doenças bacterianas
Doenças bacterianas
Gonorreia
A bactéria Neisseria gonorrhoeae, também chamada de gonococo, é o agente etiológico da gonorreia, uma
infecção sexualmente transmissível (IST) que continua sendo um grande problema de saúde pública. Grande
parte desse problema está associado às cepas resistentes à maioria dos antibióticos disponíveis, favorecendo
assim o aparecimento de infecções generalizadas de gonorreias intratáveis. 
Essa bactéria coloniza principalmente a mucosa genital,
mas também pode ser encontrada em outras mucosas
como a ocular, anal e da nasofaringe. As complicações
relacionadas à infecção do trato genital feminino não
tratado podem incluir doença inflamatória pélvica,
infertilidade e até favorecer o aparecimento de gravidez
ectópica. 
No caso de transmissão materna durante o parto, o bebê
pode sofrer de cegueira neonatal. Além disso, outras
manifestações podem ocorrer por causa do tratamento
inadequado, como artrite infecciosa e endocardite.
A maior parte dos danos causados decorrente da infecção por N. gonorrhoeae é resultado da
ativação da resposta imune inata no local da colonização, já que essa bactéria não expressa
exotoxinas potentes. 
Assim, a principal linha de defesa contra essa bactéria envolve as vias alternativas e clássicas do sistema
complemento, que faz parte do sistema imune inato. 
Essas vias são ativadas pela presença do patógeno, seja pelo dano tecidual que ativa a via alternativa ou por
deposição dos anticorposIgG e IgM que ativam a via clássica, buscando assim eliminar a bactéria do
organismo que resulta na montagem dos complexos de ataque à membrana do patógeno, formando poros que
consequentemente resultarão em morte celular. 
Além da ativação do sistema complemento, as infecções sintomáticas estimulam a liberação de citocinas e
quimiocinas pró-inflamatórias IL-6, IL-8, IL-1B, IL-17, entre outras, que resulta no recrutamento de neutrófilos
da corrente sanguínea para o local da infecção e, consequentemente, em dano inflamatório dentro da mucosa
epitelial.
Saiba mais
Como a resposta imune adaptativa é fracamente estimulada, ela não é protetora e não gera memória
imunológica, fato que pode estar relacionado às reinfecções, que são comuns nessa doença. 
O diagnóstico laboratorial das infecções gonocócicas, atualmente, inclui a aplicação de diferentes técnicas
para auxiliar nas respostas necessárias para um bom prognóstico do paciente. 
Primeiramente, pode-se realizar o exame bacterioscópico das secreções uretral, cervical, orofaríngea, retal ou
conjuntival, sendo corado pelo método de Gram, e o cultivo dessas secreções para o isolamento do agente
ELISA para detecção de antígenos no soro de
pacientes.
etiológico. Além disso, podemos ter a detecção da bactéria pelos testes moleculares para determinação da
bactéria em urina de primeiro jato. 
Também é possível realizar testes alternativos que são mais
rápidos para a detecção da bactéria N. gonorrhoeae, como
é o caso das técnicas de ELISA (Enzyme-linked
Immunosorbent Assay) e imunofluorescência, baseados no
resultado de uma reação enzimática de cromógenos e
compostos químicos fluorescentes, respectivamente.
Podemos ainda, a partir do ELISA, pesquisar anticorpos (IgG
e IgM) contra as bactérias, mas a detecção de anticorpos
não prediz infecção ativa. 
É importante ressaltar que, ao longo do desenvolvimento
biotecnológico, as técnicas baseadas na imunologia
aplicada têm mostrado benefícios em relação à rapidez,
simplicidade e ao baixo custo quando comparada às técnicas tradicionais. Os anticorpos mono e policlonais
são elementos-chave para o desenvolvimento dos testes imunológicos. Entretanto, para a gonorreia, esses
testes não são tão sensíveis e específicos como a cultura e os testes moleculares. 
Meningite bacteriana
As meningites são os processos inflamatórios nas meninges que envolvem o sistema nervoso central. Esse
processo pode ser desencadeado por infecções virais, bacterianas e parasitárias, ou, então, decorrentes de
um trauma, por exemplo. Essa é uma doença grave, que pode evoluir rapidamente para o óbito do paciente.
Ela pode ainda causar surtos, são contagiosas e altamente agressivas, sendo assim de grande importância.
Na meningite bacteriana, os principais agentes etiológicos são Neisseria meningitidis (Meningococo), 
Streptococcus pneumoniae (cocos Gram-positivos, com mais de 90 antígenos capsulares) e Haemophilus
influenza (cocobacilo Gram-negativo, com 6 sorotipos descritos).
Falamos em antígenos capsulares e sorotipos, você sabe o que é isso? 
Comentário
De acordo com os antígenos presentes na cápsula e na membrana externa, as bactérias são
classificadas em sorogrupos ou sorotipos e subtipos. Por exemplo, o meningococo apresenta 12
sorogrupos, sendo os mais prevalentes A, B, C Y e W135. Os sorogrupos B e C podem ainda ser
diferenciados em 15 subtipos diferentes. 
Nos casos de suspeita de meningites, o diagnóstico laboratorial deve ser rápido e preciso e as amostras
coletadas são o líquor, sangue ou raspado de petéquias. No líquor, além dos exames hematológicos,
bioquímicos, bacteriológico e de cultura, deve ser realizada a pesquisa de antígeno do meningococo a partir
da prova de aglutinação do látex, que pode ser feito também no soro e no raspado de petéquias. Nesse teste,
conseguimos avaliar os sorotipos mais prevalentes da N. meningitidis, Haemophilus influenzae B e 
Streptococcus pneumoniae.
A seguir, vemos um resultado de teste do Látex, em que foram testados o líquor do paciente para a detecção
de antígenos dos sorogrupos A (R6), C (R7), B (R1), Y /W (R8), de N. meningitidis, H. influenzae B (R3), 
Streptococcus pneumoniae (R4) e Streptococcus spp. do grupo B (R5). Além disso, temos dois controles
negativos (R9) e (R2). Nessa triagem, todos os resultados foram negativos (sem aglutinação). 
Observe o teste a seguir:
Teste de aglutinação do látex.
Já na imagem a seguir, vemos o resultado que mostra a aglutinação, ou seja, resultado positivo, para R6 e R5.
Resultados positivos no teste de aglutinação do látex.
Além da prova do látex, pode ser realizada a contraimunoeletroforese (CIE), método que visa à detecção dos
antígenos dos sorotipos A, B, C e W135 do Meningococo e de H. influenzae sorotipo B, a partir da utilização
de anticorpos hiperimunes policlonais. Nessa técnica, a amostra do paciente e o soro são colocados em lados
opostos do gel (ânodo e cátodo) e é estabelecida uma diferença de potencial para que ocorra a migração das
proteínas no gel. Caso tenha o reconhecimento antígeno-anticorpo, é observada uma linha de precipitação.
Você sabia que existem vacinas produzidas a partir de polissacarídeos e vacinas conjugadas para combater a
meningite? Sabe qual a diferença entre elas? Para entender mais sobre esse assunto, não deixe de assistir ao
vídeo a seguir: 
Vacinas contra Meningite
Neste vídeo, a especialista apresenta os tipos de meningites bacteriana mais prevalentes, pontuando os
principais agentes etiológicos, sua fisiopatologia e como é o combate do sistema imune frente a essas
manifestações. Além disso, a especialista fala sobre as diferentes vacinas disponíveis e quando usá-las.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Diagnóstico imunológico da sífilis e listeriose
Sífilis
A sífilis é uma doença transmitida por exposição sexual ou transmissão vertical, durante a gravidez, e o agente
causador é a bactéria Treponema pallidum, subespécie pallidum. 
As principais manifestações clínicas são resultado da resposta inflamatória no local induzida pelo T. pallidum,
podendo também ter manifestações clínicas semelhantes com outras doenças. Entretanto, os mecanismos
tanto que causam os danos teciduais quanto as de defesas do hospedeiro não são totalmente elucidados.
Nas bactérias, mesmo existindo uma escassez dos PAMPs (Padrões Moleculares Associados a Patógenos
Microbianos) que são reconhecidos pelos PRRs (Receptores de Reconhecimento de Padrões) presentes na
superfície das células imunes inatas, as células da imunidade inata, como as células dendríticas, reconhecem
as PAMPs e apresentam os antígenos treponêmicos às células B e T virgens, localizados nos linfonodos. Com
isso, há um aumento na produção de anticorpos pelos linfócitos B, que irão opsonizar e auxiliar na marcação e
degradação das bactérias pelos fagócitos, fazendo com que lipopeptídeos e outros PAMPs sejam liberados e
ligados aos receptores TRL. Já os linfócitos T ativados secretam IFN-γ, que promove o aumento da
capacidade fagocítica dos macrófagos e reforça a produção de citocinas prejudiciais aos tecidos, como o fator
de necrose tumoral (TNF) e IL-6.
Atenção
Uma característica interessante dessas bactérias é que elas possuem a capacidade de ficar latentes por
longos períodos, e o paciente, apesar de infectado, não apresenta sinais ou sintomas da doença, porém
transmite-a. 
Caso o indivíduo seja infectado e não receba nenhum tratamento, ocorre a progressão natural da doença, que
pode ser dividida nos seguintes estágios: 
Estágio primário
É comum o aparecimento de uma úlcera indolor de resolução espontânea
no local da inoculação. Como as lesões não são dolorosas, elas podem
não ser percebidas, principalmente em locais ocultos de exposição como
o colo do útero e o reto, dificultando o diagnóstico da doença.
Estágio secundário
Após a primeira manifestação, pode ocorrer a disseminação sistêmica do
T. pallidum, que frequentemente ocasiona o aparecimento de exantema
maculopapular disseminado, bem como sintomassistêmicos
inespecíficos que caracterizam esse estágio, que também tem resolução
espontânea sem a administração de tratamento. Nessa fase, as erupções
cutâneas e outros sintomas podem ser fracos ou confundidos com outras
doenças.
Fase latente
Pode ser dividida em precoce, com duração menor que dois anos, e
tardia, com duração maior que dois anos. Durante esse período, não há
qualquer manifestação clínica que indique que esse paciente possa estar
infectado pelo T. pallidum. Entretanto, quando o paciente se torna
sintomático, as manifestações podem aparecer em qualquer órgão, como
no sistema nervoso central, causando neurossífilis, osso, pele, sistema
cardiovascular. A sífilis também é responsável pelas centenas de milhares
de natimortos e mortes neonatais todos os anos nos países em
desenvolvimento.
O diagnóstico da sífilis deve ser feito a partir de um bom histórico clínico, seguido de testes laboratoriais
complementares. 
A escolha da técnica diagnóstica da sífilis vai depender do estágio da doença e da manifestação clínica. Para
os pacientes sintomáticos que apresentam úlceras primárias, lesões secundárias ou lesões de sífilis congênita
é recomendada a realização de técnicas de detecção direta, que podem incluir microscopia de campo escuro,
coloração de anticorpos fluorescentes, imuno-histoquímica. 
Já para os pacientes assintomáticos, somente os testes sorológicos são capazes de realizar a triagem desses
indivíduos e são os métodos mais utilizados para diagnosticar pacientes que apresentam sinais e sintomas
sugestivos de sífilis. 
Saiba mais
Por causa da dificuldade de cultivo do treponema em laboratório, o teste sorológico tornou-se o meio
mais comum de diagnosticar a doença, tanto para os pacientes com a manifestação clínica aparente,
como aqueles sem quaisquer sintomas, servindo como uma boa ferramenta de triagem. Entretanto,
como limitação, está a incapacidade de distinção entre infecções causadas por T. pallidum subespécie
pallidum de outras subespécies não venéreas. 
Os testes sorológicos podem ser categorizados como: 
Testes não treponêmicos
Detectam anticorpos IgM e IgG que são produzidos em resposta aos antígenos bacterianos durante a
sífilis, mas não reconhecem antígenos específicos da bactéria. Esses anticorpos podem ser liberados
também pelas células mortas dos hospedeiros. Os testes mais comuns dessa classe são o VDRL 
(Venereal Disease Research Laboratory), RPR (Rapid Plasma Reagin) e TRUST (Toluidine Red
Unheated Serum) que se baseiam na reação de precipitação, ou seja, que detectam anticorpos em
uma suspensão de lecitina, colesterol e cardiolipina, um composto muito encontrado na membrana
celular de bactérias. Esse tipo de teste é útil na detecção da sífilis ativa.
Testes treponêmicos
Detectam os anticorpos IgM e IgG, por ELISA, hemoaglutinação, imunofluorescência indireta,
quimioluminescência, que são direcionadas às proteínas da bactéria T. pallidum e são, em teoria,
altamente específicos. Entretanto, a maioria dos indivíduos que em algum momento foram infectados
com essa bactéria desenvolve anticorpos treponêmicos, que podem persistir ao longo da vida. Assim,
esse tipo de teste não conseguirá distinguir uma infecção ativa de uma infecção passada ou
previamente tratada e também não é possível acompanhar a eficácia do tratamento. Por essas
razões, os testes treponêmicos, apesar de serem mais específicos, são realizados apenas como
confirmação após a positividade do teste não treponêmico.
Teste de VDRL positivo. Note a floculação nas diluições 1:4 (poço 2), 1:8 (poço 3) e
1:16 (poço 4) na primeira linha.
No gráfico a seguir, vemos o padrão de reatividade dos anticorpos em relação à sífilis. Note a permanência
dos anticorpos treponêmicos. 
Resposta sorológica a sífilis.
Apesar de ter disponível um tratamento eficaz da sífilis, baseado em uma dose única de penicilina de longa
duração, essa doença está ressurgindo como um grave problema de saúde pública global, principalmente em
países de alta ou média renda.
Listeriose
A listeriose é causada pela Listeria monocytogenes, uma bactéria Gram-positiva que causa manifestações
sistêmicas resultantes da ingestão de alimentos contaminados com esse microrganismo. 
Listeria monocytogenes.
A partir do trato gastrointestinal, a disseminação sistêmica do patógeno depende da sua capacidade de
atravessar a barreira intestinal, placentária e hematoencefálica, causando danos ainda maiores ao hospedeiro.
Quando a infecção se restringe ao trato gastrointestinal, é possível verificar uma forma rara de gastroenterite
com diarreia, cólica abdominal e até mesmo sintomas semelhantes ao da gripe em indivíduos saudáveis.
Já em sua forma clínica invasiva sistêmica, o paciente pode apresentar febre, dor de cabeça, meningite,
abscesso no fígado, encefalite e pneumonia em hospedeiros imunocomprometidos.
Atenção
Listeriose representa um grande risco para gestantes por ser importante agente causador de abortos,
parto prematuro, natimorto e infecções neonatais com sepse. 
Além disso, é preocupante para indivíduos imunocomprometidos, idosos, gestantes e seus fetos, recém-
nascidos, pacientes em tratamento para câncer, entre outros, pelo alto risco de infecções e mortalidade.
Assim como para muitas infecções, a primeira linha de defesa é composta pelas células epiteliais, muco e até
a microbiota residente, além dos fagócitos que produzem as citocinas inflamatórias que irão recrutar e ativar
outras células do sistema imunológico para controlar a infecção. Entre as células fagocíticas, os neutrófilos
desempenham um papel essencial na eliminação inicial do patógeno no fígado. Além disso, os hepatócitos
infectados estimulam o recrutamento de mais macrófagos para o fígado por meio da sinalização do receptor
TRL-2, com o objetivo de eliminar as bactérias e resistir a infecção. No entanto, a L. monocytogenes tem
mecanismos de evasão da fagocitose, como induzir a polimerização da actina protegendo as colônias do
reconhecimento autofágico. 
Teste rápido positivo para L. monocytogenes , uma vez
que as bandas T e C estão visíveis, mostrando o
reconhecimento antígeno-anticorpos.
Para o diagnóstico laboratorial, pode ser
realizado o isolamento e a cultura do
microrganismo, (método trabalhoso e
demorado) e métodos moleculares (PCR) e
imunológicos (ELISA) realizados em alimentos
ou soro de pacientes, bem como imuno-
histoquímicos (realizados em amostras de
placentas obtidas em abortos), que em sua
grande maioria dependem da cultura prévia, o
que também torna o diagnóstico demorado.
Entretanto, os métodos imunocromatográficos
para detectar toxinas, antígenos bacterianos ou
até mesmo células gastroentéricas infectadas
em amostras de fezes de pacientes ou em
alimentos, alérgenos, têm ganhado destaque. 
Relembrando
É importante lembrar que, nos testes rápidos, quando a banda C não apresenta marcação, esse teste é
inválido. Testes negativos apresentam apenas a banda C positiva. 
Como a L. monocytogenes pode contaminar e sobreviver muito bem em alimentos e utensílios utilizados em
sua preparação, ter uma forma rápida e de baixo custo para a sua identificação pode ajudar nas estratégias
adequadas de prevenção e controle, reduzindo potencialmente os surtos de listeriose.
Diagnóstico imunológico da Brucelose e Leptospirose
Brucelose
Diferentes espécies da bactéria Brucella são responsáveis pela zoonose bacteriana mais prevalente de
distribuição mundial, chamada de brucelose. Esses patógenos são intracelulares facultativos e podem
acometer tanto humanos como animais, possuindo forte tropismo tecidual para os sistemas linforeticulares e
reprodutivos. 
Nos animais, eles são responsáveis por causar abortos, representando prejuízo para o setor agropecuário. Em
humanos, a brucelose se manifesta, frequentemente, com sintomas gripais, febre ondulante típica, podendo
ter complicações crônicas, como a osteoartrite, sintomas bastantes inespecíficos. 
Atenção
A transmissão da brucelose ocorre por meio da ingestão de produtos lácteos contaminados ou pelainalação de aerossóis contaminados, tendo a principal porta de entrada a mucosa gastrointestinal ou a
respiratória. 
Após a entrada no organismo, a bactéria infectará células fagocíticas e não fagocíticas, sendo os principais
alvos os macrófagos, as células dendríticas e as células trofoblásticas. Na camada mucosa das células
epiteliais, a bactéria é fagocitada pelos macrófagos e células dendríticas, mas evade o sistema imunológico,
pois consegue sobreviver nos fagócitos e infectar células não fagocíticas, local que permanece viável por até
72 horas após a infecção. Dessa forma, a bactéria consegue ultrapassar a barreira epitelial e penetrar em
novas células, multiplicando, estabelecendo a doença e podendo, assim, migrar para outras regiões do corpo
do hospedeiro usando o tropismo celular.
Grande parte do sucesso da Brucella em causar doenças está relacionado à sua capacidade de sobrevivência
e multiplicação intracelular, que pode ocorrer dentro de células fagocíticas e não fagocíticas. Por causa dessa
característica, sua exposição às respostas imunológicas inata e adaptativas são reduzidas, a ação dos
antibióticos é dificultada e ainda impulsiona as manifestações clínicas da doença.
Como a manifestação clínica da brucelose nos humanos é muito variável e inespecífica, o diagnóstico
laboratorial é essencial para o manejo e tratamento adequado do paciente. 
O diagnóstico pode ser realizado utilizando:
1
Isolamento em cultura
2
Testes sorológicos
3
PCR
Já existem sistemas automatizados mais modernos para a hemocultura, que conseguem detectar quadros
agudos de brucelose em 5 a 7 dias, mas, na maioria dos casos, a incubação precisa ser mais longa e com a
realização de subculturas. Por isso, a realização de testes sorológicos se torna uma opção para auxiliar no
diagnóstico, principalmente nos casos mais difíceis ou em países com poucos recursos tecnológicos.
Comentário
O sorodiagnóstico da brucelose não fornece evidência direta da presença do microrganismo e não se
baseia na pesquisa de antígenos, mas sim na busca de anticorpos que comprovem o contato anterior
com o patógeno. 
Muitos fatores clínicos e epidemiológicos podem interferir no resultado, como a história médica do paciente,
histórico de brucelose, variações resultantes da produção de anticorpos que cada indivíduo apresenta, a
localização demográfica e os fatores de risco ocupacionais (por exemplo, agricultores, trabalhadores de
abatedouros, entre outros). Dessa forma, os resultados dos testes sorológicos devem ser criteriosamente
analisados e, em alguns casos, ainda são inconclusivos e de difícil interpretação.
Além disso, o diagnóstico consiste em critérios preestabelecidos, como, por exemplo, determinado título em
um teste de aglutinação, um valor de leitura de ensaios imunoenzimáticos, como o ELISA.
Veja um exemplo de teste de aglutinação:
O teste de aglutinação pode ser uma opção de diagnóstico rápido e barato.
Em regiões onde essa zoonose é endêmica, é comum o aparecimento de casos assintomáticos ou
autolimitados, nos quais os anticorpos IgG podem persistir por muitos meses após a conclusão do tratamento
adequado. Isso pode explicar a alta soroprevalência de anticorpos anti-Brucella, encontrados em áreas de
endemicidade e entre indivíduos expostos repetidamente ao organismo.
Leptospirose
A leptospirose é uma doença bacteriana aguda, febril e septicêmica causada por espécies patogênicas de 
Leptospira, podendo acometer tanto animais como humanos ao redor do mundo. 
Os animais são cronicamente infectados e, por isso, essa doença é considerada uma zoonose. Nos humanos,
essa doença apresenta manifestação clínica bifásica, que iniciará com uma fase de septicemia, seguida de
manifestações imunológicas. A manifestação clínica mais grave acarreta danos multissistêmicos, incluindo
lesões vasculares, hepática, renal, pulmonar e muscular esquelético, conhecido como a síndrome de Weil. 
Atenção
As leptospiras patogênicas se difundem amplamente na natureza e o seu ciclo de vida é mantido por
causa de sua disseminação hematogênica e intercelular para os túbulos renais proximais dos vários
hospedeiros que funcionam como reservatórios, como os ratos. 
A forma mais comum de transmissão ocorre pelo contato da pele não íntegra com a urina de animais
infectados, por meio de solo ou água contaminados, onde as leptospiras conseguem sobreviver. Outra forma
menos comum da transmissão ocorre por meio do contato direto com o hospedeiro infectado.
Assim, pessoas com atividades laborais que envolvem solo, água ou animais infectados são fatores de risco
para o desenvolvimento da leptospirose. Os humanos são considerados hospedeiros acidentais e,
frequentemente, apresentam eliminação dessa bactéria na urina por períodos curtos.
Após enchentes e alagamentos o risco de transmissão da leptospirose aumenta
consideravelmente.
O primeiro passo na patogênese da leptospirose é a penetração das barreiras teciduais, seguida da
disseminação hematogênica. A partir disso, o contato com a leptospira, durante a infecção, ativa o sistema
imunológico inato gerando uma resposta inflamatória.
O diagnóstico da leptospirose pode ser baseado na detecção direta das bactérias ou, então, de seus
componentes presentes nos fluidos corporais, pelo isolamento das leptospiras em cultura, pela detecção
molecular ou pela detecção de anticorpos específicos. A duração dos sintomas e o momento da coleta das
amostras influenciam diretamente no tipo de amostra a ser coletada e nos testes diagnósticos que serão
realizados.
Comentário
Dentre as técnicas, o exame sorológico é uma ferramenta muito utilizada para o diagnóstico, capaz de
avaliar o gênero e/ou o sorogrupo infectante e pode ser feito pelo ELISA-IgM e o teste de aglutinação
microscópica (MAT). 
O ELISA-IgM, feito para a detecção dos anticorpos IgM no soro do paciente, é um teste de triagem gênero-
específico que detecta os anticorpos depois de 5 a 7 dias do início dos sintomas. Isso é importante para
estabelecer o diagnóstico rápido e iniciar o tratamento. Para o exame, é recomendada a coleta de duas
amostras de sangue, em intervalo de 15 dias entre uma e outra. Essa técnica é amplamente utilizada e vários
produtos comerciais já estão disponíveis. No entanto, a especificidade da detecção de IgM pelo ELISA pode
ser afetada, dependendo de que antígeno seja utilizado no teste, pela presença devido à exposição prévia,
principalmente para indivíduos que vivem em áreas endêmicas, e pela reação cruzada devido à presença de
outras doenças.
A MAT foi a primeira a ser utilizada depois do isolamento da bactéria, fornece o possível sorogrupo infectante,
mas é uma técnica perigosa, pois utiliza bactérias vivas durante seu procedimento, altamente patogênicas, e
detecta a presença de anticorpos em um tempo maior que o ELISA-IgM. 
Reação de MAT positiva para leptospira.
Nessa técnica, o soro do paciente, coletado durante a fase
aguda ou convalescente da doença, é incubado com
bactérias vivas cultivadas em laboratório, em diferentes
diluições. Em seguida, é verificada no microscópio a
aglutinação.
Mesmo com tanto risco ao operador, a MAT continua sendo
a investigação sorológica definitiva tanto para os animais
quanto para os humanos. 
Saiba mais
Existem teste rápidos para a pesquisa de anticorpos IgM. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Diagnóstico imunológico da gonorreia e das meningites bacterianas
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Diagnóstico imunológico de sífilis e listeriose
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Diagnóstico imunológico da brucelose
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Diagnóstico imunológico da leptospirose
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O diagnóstico da leptospirose, doença grave causada pela bactéria Leptospira, pode ser realizadotanto pela
detecção direta do microrganismo como de seus componentes presentes nos fluidos corporais. Apesar disso,
o sorodiagnóstico é uma ferramenta utilizada na maioria dos casos. Sobre os testes imunológicos, avalie as
afirmativas a seguir:
 
I. Os anticorpos IgM podem ser detectados no sangue de 5 a 7 dias depois do início dos sintomas.
II. A exposição prévia do indivíduo ao patógeno pode interferir no resultado do teste de ELISA.
III. O teste de aglutinação microscópica é muito simples de realizar, por isso é sempre o de escolha.
 
É correto o que se afirma em:
A
I, apenas.
B
II, apenas.
C
III, apenas.
D
I e II, apenas.
E
I e III, apenas.
A alternativa D está correta.
O teste de aglutinação microscópica, apesar de amplamente utilizado, tem alta complexidade de execução
quando comparado ao teste ELISA, que é mais simples e com kits comerciais prontos para uso.
Questão 2
Vimos que, para o diagnóstico da Sífilis, temos testes treponêmicos e não treponêmicos. João, de 24 anos, em
bom estado geral, foi doar sangue. Na entrevista antes da doação, relatou estar em bom estado geral e
passou em toda a triagem. Após um mês da doação, foi buscar o resultado da testagem sorológica e lá tinha o
resultado “Anticorpos treponêmicos do tipo IgM e IgG positivos.” O que indica esse resultado?
A
Que João está com sífilis assintomática.
B
Que João teve sífilis recentemente.
C
Que João está com sífilis ativa (IgM), mas já tem anticorpos de memória (IgG).
D
Que João teve sífilis e já tratou.
E
Que João pode ter tido ou está com sífilis.
A alternativa E está correta.
Os anticorpos treponêmicos (IgM e IgG) são específicos contra antígenos do T. pallidum e podem persistir
por longo tempo, assim, não podemos afirmar, a partir desse exame, se João tem uma infecção ativa, uma
infecção passada ou previamente tratada. Para saber se ele tem a doença ativa, deve ser feito a pesquisa
de anticorpos não treponêmicos, que estão presentes na fase aguda da doença, mas não são específicos.
3. Diagnóstico imunológico das doenças fúngicas
Diagnóstico imunológico das infecções fúngicas
Infecções fúngicas
As infecções fúngicas também despontam como grave problema de saúde pública, principalmente para
pessoas com alguma deficiência imunológica, seja causada por outras doenças infecciosas, como o caso dos
pacientes com a síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), ou aqueles que passaram por tratamentos
agressivos, como a quimioterapia para o tratamento de câncer. 
Nesse contexto, ter uma metodologia eficaz para diagnosticar as doenças causadas por esses agentes é de
extrema importância. Em alguns casos, a metodologia clássica de diagnóstico, que consiste em isolar e
identificar o fungo, torna-se muito demorada pela lenta taxa de crescimento ou até mesmo impossível, já que
alguns fungos não são cultiváveis em laboratório.
Como vimos, a principal resposta do sistema imunológico contra as infecções fúngicas ocorre por meio das
células, entretanto, é possível detectar a presença de anticorpos em algumas situações. Mesmo não sabendo
ao certo sua função na defesa contra a doença, ele pode ser utilizado como um marcador para diagnóstico.
Outra forma de se obter um diagnóstico independente de cultivo é a pesquisa de antígenos que evidenciam a
presença de estruturas fúngicas no soro ou líquor do paciente, sendo mais eficiente para as micoses
sistêmicas do que em outras infecções fúngicas.
Veremos agora as principais micoses que possuem diagnóstico auxiliar por meio de metodologias
imunológicas.
Dermatofitoses
As dermatofitoses são micoses cutâneas causadas por um grupo fúngico denominado dermatófitos, que
compreende espécies dos gêneros Trichophyton, Epidermophyton e Microsporum. Essas micoses também
podem ser conhecidas como tinea ou tinha. Apesar de serem incômodas por gerarem prurido e desagradáveis
esteticamente, não se mostram debilitantes ou fatais.
Comentário
Esses fungos têm predileção por tecido queratinizado, por isso infectam pelos, pele e unha, e costumam
se restringir somente a essas regiões, já que não toleram tão bem temperaturas maiores que 37°C e
componentes do soro do paciente. 
Além da temperatura, outros mecanismos de defesa do hospedeiro evitam o estabelecimento da
dermatofitose, incluindo composição (física ou química) da pele, exposição à luz UV, falta de umidade, o
aumento na taxa de renovação celular e de peptídeos antimicrobianos, fagocitose mediada por neutrófilos e
macrófagos e uma resposta imune mais complexa. Essa resposta imune pode variar entre a inata, humoral e
mediada por células, sendo essa última a mais importante dentre as respostas às infecções causadas pelos
dermatófitos.
Pele com dermatofitose.
Os dermatófitos podem induzir a produção de anticorpos e até estados de hipersensibilidade, em que lesões
secundárias, denominadas dermatofítides, aparecem distantes do foco inicial. Nesse caso, o diagnóstico
clássico dessa micose é realizado por meio da observação direta da amostra coletada em microscópio e na
realização de cultivo para isolamento e identificação do agente etiológico. Entretanto, é possível realizar uma
investigação por teste intradérmico, pela introdução do extrato antigênico tricofitina. 
O teste intradérmico consiste em injetar na pele do paciente uma fração antigênica
do fungo.
Posteriormente à introdução do antígeno, é observada a reação do paciente; caso positivo, aparecerá uma
resposta de hipersensibilidade. 
No entanto, ainda existem muitas controvérsias no meio científico sobre essa testagem, já que, nos inúmeros
aspectos da resposta imunológica, as dermatofitoses continuam não totalmente esclarecidas.
Esporotricose
A esporotricose é uma micose subcutânea ocasionada pelo fungo do gênero Sporothrix e as principais
espécies responsáveis são S. brasiliensis, S. schenckii e S. globosa. Essa micose pode acometer gatos
domésticos, cães, cavalos e seres humanos ao redor do mundo, principalmente em regiões tropicais. 
Lesões da esporotricose em animais e humanos infectados.
A forma clássica de transmissão ocorre pelo trauma cutâneo ocasionada por estruturas vegetais (como farpas
e espinhos) contaminadas por esse fungo. Entretanto, no Brasil, essa transmissão mudou o seu perfil, tendo o
felino doméstico com esporotricose como seu principal transmissor, tornando essa micose uma zoonose de
importância em saúde pública em diversos estados do Brasil, como o Rio de Janeiro, e com números
crescentes no Nordeste do país.
Os mecanismos envolvidos na resposta imunológica da esporotricose ainda não são muito bem
compreendidos. O que se sabe é que, provavelmente, deve incluir tanto as respostas humoral quanto celular,
mas parece que cada resposta é estimulada por antígenos distintos. Na resposta imune celular, a
apresentação de antígenos pelas células dendríticas aos linfócitos T ativam o perfil Th1 e Th17, o que gera
uma resposta inflamatória. Para a resposta humoral, o estímulo ocorre por meio de proteínas fúngicas
secretadas.
Além disso, a resposta imunológica inata também desempenha papel relevante na defesa da esporotricose.
Nesse caso, o sistema complemento pode ser ativado, principalmente a via alternativa. Essa ativação dá
suporte à fagocitose das células fúngicas pela deposição do componente C3b na parede fúngica. Pesquisas
também têm mostrado o papel dos receptores TLR4 na infecção pelo gênero Sporothrix, pois ele é um
importante ativador do sistema imune inato. 
Comentário
O método mais utilizado para o diagnóstico da esporotricose ainda é a cultura micológica, com o
isolamento e identificação do agente. No caso dessa doença, até o exame direto em alguns hospedeiros
não tem tanto valor diagnóstico. Por isso, grupos de pesquisa se dedicam a criar técnicas baseadas em
testes sorológicos, histopatológicos e moleculares para seu diagnóstico. 
Dentre os testes imunológicos, o teste cutâneo com a esporotriquina, que é a fração polissacarídica bruta ou
purificada a partir do fungo, permite detectar uma resposta celular. Esse teste éuma ferramenta útil no caso
de investigações epidemiológicas, já que um resultado positivo não significa necessariamente que o paciente
esteja com a doença ativa, mas sim que em algum momento ele teve contato com os antígenos dos fungos do
gênero Sporothrix. 
Além do teste cutâneo de hipersensibilidade tardia, as técnicas de precipitação, aglutinação e imunodifusão
para detecção de anticorpos em pacientes com a esporotricose também ganham destaque.
O teste de aglutinação pode ser feito em tubo ou em látex, sendo utilizado para o sorodiagnóstico, desde a
década de 1970, com sensibilidade e especificidade de mais de 90% em ambas. Entretanto, não deve ser
realizado para os casos de esporotricose cutânea, já que o teste não é capaz de detectar o tipo de
imunoglobulina (IgA) envolvido na resposta. 
A imunodifusão não costuma apresentar reação cruzada com soro de pacientes com leishmaniose ou
cromomicose, que são doenças infecciosas com manifestação clínicas parecidas com da esporotricose.
Recentemente, os ensaios imunoenzimáticos, como ELISA, estão sendo usados com mais frequência para o
diagnóstico e acompanhamento do paciente com esporotricose. Para tanto, é possível realizar preparação de
exoantígenos miceliais para pesquisar a presença de anticorpos IgG e IgM que auxiliarão no acompanhamento
do tratamento desse paciente ao longo do curso da doença.
Vale ressaltar que os resultados obtidos de todos os testes não dependentes de cultivos, como as provas
sorológicas, fornecem um diagnóstico presuntivo e necessitam de uma correta correlação com a
epidemiologia e clínica do paciente a fim de chegar à determinação do diagnóstico final.
Paracoccidioidomicose
A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis, sendo
conhecida também como blastomicose sul-americana. A principal forma de transmissão é a inalação de
estruturas infectantes do fungo, que atinge o pulmão, o órgão mais afetado por essa micose, seguido pela
mucosa oral.
Levedura do fungo Paracoccidioides brasiliensis .
Resultado da imunodifusão radial dupla.
As manifestações clínicas podem ser mucocutânea ou tegumentar, linfática ou ganglionar, visceral ou até
mesmo mistas. Uma característica peculiar dessa enfermidade é a facilidade em se tornar crônica com a
formação de granuloma e a possibilidade da latência e de reativação das lesões latentes depois de décadas
da infecção primária.
Após a infecção, as células da resposta da imunidade inata (neutrófilos, células NK, macrófagos), além de
outros elementos como citocinas e componentes do sistema complemento, reconhecem esse antígeno via
TRL e dectina e fazem a fagocitose. Além disso, há estímulo da resposta imune adaptativa, mas seus
mecanismos ainda não foram bem elucidados. 
Atenção
Em geral, as diferentes formas clínicas dessa micose apresentam respostas das células T distintas, os
pacientes que conseguem controlar a infecção apresentam uma resposta do tipo Th1, mas, quando
temos uma resposta do perfil Th2 (citocinas anti-inflamatórias), há uma progressão da doença. 
Além disso, pacientes com a forma aguda da doença têm abundantes anticorpos circulantes (IgG, IgA e IgE),
mas uma pequena resposta celular, e os pacientes com a forma crônica demonstram boa resposta celular,
principalmente das células T. A composição antigênica desse fungo é extremamente complexa e constituída
por lipídeos, proteínas e polissacarídeos. 
Para os pacientes com paracoccidioidomicose, os testes sorológicos que detectam anticorpos anti-
Paracoccidioides brasiliensis são úteis tanto para o diagnóstico quanto para indicar a gravidade da
manifestação clínica e o monitoramento da resposta ao tratamento. Normalmente, os títulos de anticorpos
estão maiores nas reações mais graves e diminuem com o tratamento. 
Entretanto, o valor diagnóstico dessas metodologias vai depender da sua precisão que está intimamente
relacionada aos antígenos fúngicos utilizados e ao ponto de corte do teste. 
O teste de maior sensibilidade e especificidade é o teste de imunodifusão radial dupla realizada com a
amostra do paciente (como, por exemplo, o lavado broncoalveolar) e um extrato composto por uma
glicoproteína (gp43) de superfície, obtidos a partir do cultivo do fungo, esse será nosso antígeno. Nesse
teste, é possível observar os complexos formados por antígeno-anticorpo, precipitando por causa do alto
peso molecular, formando uma linha visível a olho nu.
Veja, a seguir, o resultado da imunodifusão radial dupla:
Observe na imagem que os números 7 e 6 são os poços em
que os extratos de antígenos foram adicionados. Os poços
1, 4 e 5 são soros de pacientes com a doença, pois vemos a
formação do precipitado (linha). Os números 2 e 3 são
anticorpos controles positivos, ou seja, confirmam que
aconteceu o reconhecimento antígeno-anticorpo e a
formação da linha. 
Pode ser realizada também a pesquisa de anticorpos
utilizando o extrato de gp43 pela técnica de precipitação.
Um problema observado com essas metodologias é a
possibilidade de reação cruzada, nas quais os anticorpos de
outras doenças, fúngicas ou não, podem reagir, dando um resultado falso-positivo. Para minimizar esse
problema, é importante utilizar antígenos padronizados, já que essa é uma preocupação permanente na
utilização dessas técnicas.
Além dos testes já citados, também é possível realizar o diagnóstico com testes de imunofluorescência
indireta, imunoenzimáticos (como o ELISA), dot-blotting e western blotting. 
Resultado do western blotting de dois pacientes (2 e 3).
A partir da imagem, observamos que os pacientes 2 e 3 apresentam as bandas gp43 quando comparadas ao
padrão de peso molecular (1). Essa técnica normalmente é empregada com resultado da sorologia positivo,
como confirmatório. O teste de aglutinação em lâmina de látex é pouco utilizado, pois sua sensibilidade é
menor em comparação com os testes de precipitação em gel, que também têm metodologia mais simples e
menor custo, comparados aos demais. 
Vacinas contra fungos
Neste vídeo, a especialista fala sobre as vacinas para fungos e a dificuldade em desenvolvê-las.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Coccidioidomicose
A coccidioidomicose é uma micose sistêmica invasiva causada pelos fungos Coccidioides immitis e C.
posadasii, que são encontrados em solos áridos e já foram descritos em regiões do México, Estados Unidos
da América, América Central e do Brasil, principalmente no estado do Piauí, como resultado de mudanças
climáticas, populacionais e a invasão de áreas com intensa presença desses microrganismos.
Microscopia dos artroconídios do Coccidioides .
Ao contrário da maioria dos fungos que se aproveitam de alguma debilidade imunológica do hospedeiro, essas
espécies fúngicas podem causar a doença independentemente do estado imunológico do indivíduo, ou seja,
afeta tanto imunodeficientes quanto imunocompetentes. 
Atenção
Essa micose de caráter respiratório pode ser grave, com amplo espectro clínico, que varia desde uma
infecção pulmonar leve até a micose disseminada e fatal. Apesar disso, apenas cerca de 40% dos
indivíduos expostos a esse fungo desenvolvem a doença sintomática e, em outros casos, a reativação
pode ocorrer anos após a exposição inicial. Embora muitos grupos de pesquisa ao redor do mundo se
dediquem ao estudo dessa micose, pouco se sabe sobre os fatores que interferem para a diversidade de
manifestações clínicas da coccidioidomicose. 
A resposta do sistema imunológico inato é fundamental para a eliminação rápida dos artroconídios das
espécies do gênero Coccidioides, e muitos patógenos já são removidos pela simples ação mucociliar das vias
aéreas. Outra linha de frente primária é a resposta celular rápida contra as células fúngicas, mediada pelos
neutrófilos, macrófagos e monócitos, eosinófilos e as células NK. Enquanto as células dendríticas fazem a
complementação e conexão entre a imunidade inata e adaptativa.
Na resposta adaptativa, é comum observar a formação de granulomas, e váriostipos celulares estão
envolvidos na organização desse granuloma, como células epiteliais e células T. Além disso, é possível notar o
aumento de algumas citocinas, como IFN-γ, TNFα e IL-12. Essa resposta possibilita ao hospedeiro desenvolver
a memória imunológica. 
O diagnóstico da coccidioidomicose não costuma ser muito fácil, pois não é uma doença
comumente encontrada na rotina de muitos hospitais e clínicas. 
Dessa forma, é necessário que o médico pesquise, durante a anamnese, a ida do paciente para regiões
endêmicas ou se houve contato com pessoa doente. Outro ponto crítico é que a manifestação clínica mais
comum, a pulmonar, assemelha-se a outras doenças pulmonares causadas por bactérias ou vírus, não sendo
assim a primeira linha de escolha de tratamento do corpo médico. Com toda essa questão, o diagnóstico
dessa doença vai depender da combinação de informações epidemiológicas, achados clínicos, exame físico e
dados laboratoriais e radiológicos.
Atenção
O diagnóstico, a partir do isolamento desse fungo, é mais complexo do que para muitas outras micoses,
devido ao seu alto potencial patogênico. Assim, os testes imunológicos são imprescindíveis para um bom
diagnóstico e consequentemente bom prognóstico. 
O diagnóstico presuntivo é frequentemente realizado pela pesquisa de anticorpos anticoccidioidais no soro ou
no líquor do paciente a partir do ELISA que estão amplamente disponíveis para o diagnóstico da
coccidioidomicose, fornecendo resultados confiáveis. Esses são os testes realizados durante uma triagem
inicial. Embora a detecção de IgM e IgG por essa técnica seja mais sensível do que outras técnicas existentes
(por exemplo, teste de precipitina em tubo de imunodifusão e títulos de fixação de complemento), ela
apresenta uma menor especificidade, o que acarreta resultados falso-positivos para IgM. 
A seguir, vemos uma imagem de uma imunodifusão radial dupla. Note a presença de linhas de precipitação. 
Imunodifusão radial dupla de Ouchterlony positiva (setas) para Coccidioides .
Diagnóstico imunológico da Histoplasmose 
Histoplasmose
A histoplasmose é uma micose sistêmica causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, que é encontrando no
ambiente, principalmente naqueles ricos em fonte de nitrogênio como em solo de galinheiros e em fezes de
morcegos em cavernas.
A infecção ocorre depois que os conídios ou até mesmo fragmentos de hifas são inalados, percorrendo o
sistema respiratório e chegando aos alvéolos. Nos alvéolos, transformam-se em leveduras dentro ou fora dos
macrófagos, que tentam controlar essa infecção. 
H. capsulatum.
Essa micose afeta principalmente o trato respiratório e é comum em áreas endêmicas, possuindo um amplo
espectro de manifestações clínicas, para além da pulmonar. O modo como a doença se apresentará depende
da quantidade de conídios do fungo que é inalada, da resposta imunológica do hospedeiro e da integridade do
trato respiratório.
Inicialmente, ela se apresenta como uma doença de caráter mais benigno, como a histoplasmose pulmonar
aguda, que tem sintomas muito parecidos com o da gripe, ou então é assintomática, principalmente em
indivíduos sem comprometimento imunológico prévio.
Já pacientes com algum comprometimento imunológico, seja pela presença de outra doença, como SIDA, ou
em tratamentos que afetam diretamente o sistema imunológico, como pacientes com câncer em tratamento
com quimioterápicos, podem evoluir para uma infecção disseminada com altas taxas de morbidade e
mortalidade.
A defesa do organismo contra esse patógeno envolve primeiramente as mucosas como uma barreira física,
porém ele é capaz de contornar essas defesas inatas iniciais, como o muco nasal e faríngeo, depuração
mucociliar e o IgA presente na mucosa, provavelmente por causa do tamanho dos conídios e da pressão
exercida pela própria respiração. Após a transformação para leveduras dentro dos alvéolos pulmonares, essas
células fúngicas irão encontrar a primeira defesa do hospedeiro, que pode efetivamente ameaçar sua
sobrevivência: as proteínas surfactantes pulmonares. 
O surfactante é um fluido complexo composto principalmente de fosfolipídeos e quatro proteínas
(SP-A, SP-B, SP-C e SP-D), que possuem diferentes funções biológicas, como opsonizar os
patógenos para aumentar a fagocitose e a depuração por neutrófilos e macrófagos. 
As leveduras do Histoplasma parecem interagir com inúmeras células do sistema inume inato, embora
estabeleçam o seu nicho dentro dos macrófagos alveolares por onde entram, por meio da fagocitose mediada
por receptores do sistema complemento.
Ao contrário do que se espera, essa fagocitose é benéfica para o patógeno, pois não aciona outras vias de
defesa com atividade antifúngica, fazendo com que ele persista por mais tempo dentro do organismo do
hospedeiro sem sofrer agressões, já que sobrevive bem dentro do macrófago e, ainda, pode alterar estruturas
de sua parede celular, para evitar o reconhecimento por outros receptores de macrófagos. 
Comentário
Ao contrário dos macrófagos que parecem ser ineficientes em matar as células fúngicas, as células
dendríticas, os neutrófilos e as células NK podem efetivamente exterminar as leveduras do Histoplasma,
mostrando que sua interação com o fungo é diferente daquela vista com os macrófagos. 
Uma rede complexa de citocinas e células especializadas, orquestrada pela imunidade adaptativa, representa
a última linha de defesa dessa micose. Uma vez que a imunidade adaptativa é ativada, ela pode promover a
remoção das células fúngicas ou então a formação de granulomas.
Observe na imagem a seguir:
Granuloma. Note a presença de estruturas semelhantes a bolhas, que representam
as leveduras de H. capsulatum .
Técnicas de diagnóstico
A metodologia padrão-ouro para o diagnóstico da histoplasmose compreende a identificação da levedura por
citopatologia ou histopatologia de espécimes clínicos, como biopsia, e o crescimento em cultivo micológico do
fungo incubado em temperatura ambiente. Apesar de essas técnicas serem bem aplicadas e mundialmente
difundidas, o baixo número de leveduras nas lâminas produzidas, a complexidade para a coleta de espécimes
clínicos, o tempo de cultivo desse fungo e o risco para equipe laboratorial tornam cruciais o uso de métodos
sorológicos capazes de acelerar e aumentar a segurança no diagnóstico dessa micose. 
A detecção de antígenos representa uma ferramenta diagnóstica valiosa, que fornece evidências
rápidas e não invasivas de histoplasmose aguda, crônica e disseminada.
A pesquisa de antígenos de Histoplasma foi desenvolvida em 1986 e aprimorada ao longo dos anos, chegando
à terceira geração, na qual permite até a quantificação desses antígenos. De acordo com a manifestação
clínica, o desempenho do teste é mais alto quando realizado em amostras de urina. A detecção de antígenos
no sangue é um pouco menos sensível, porém a combinação da avaliação dos dois espécimes clínicos resulta
em melhor desempenho diagnóstico, com sensibilidade superior a 80% nos casos de histoplasmose pulmonar
aguda e 90% na histoplasmose disseminada.
Além da pesquisa de antígenos fúngicos, também é possível realizar a investigação de anticorpos contra H.
capsulatum. Esses anticorpos são produzidos a partir de 4 a 8 semanas após a infecção aguda e podem se
manter por anos. A sorologia para pesquisa de anticorpos aparenta ser mais útil nos casos das formas clínicas
subagudas, crônicas e mediastinal, pois a sensibilidade do teste de antígeno é mais baixa nessas
manifestações clínicas. 
Comentário
Embora seja possível detectar a presença desses antígenos em uma pequena parcela de adultos que
vivem em áreas endêmicas desse fungo, pois em algum momento entraram em contato com o agente
etiológico sem manifestar a doença, essa ferramenta diagnóstica, quando combinada com outras
informações clínico-epidemiológicas e laboratoriais, é importante no diagnóstico da histoplasmose. 
Atualmente, três métodos estão disponíveis para a detecção de anticorpos específicos para H. capsulatum: 
1
Fixação do complemento
2Imunodifusão
3
Imunoensaio enzimático
O método de fixação do complemento apresenta o resultado como um título que mostrará a extensão dos
complexos anticorpo-antígeno. É possível observar um aumento de quatro vezes nos títulos de soros de
paciente com a forma aguda, mostrando uma infecção aguda recente. Se o teste for negativo, deve-se
observar se foi respeitado o tempo de 4 a 8 semanas para que a soroconversão ocorra. 
O ensaio de imunodifusão detecta a presença dos antígenos H e M de H. capsulatum. A presença de uma
banda M é mais comum em infecção aguda e crônica, mas persiste por muitos anos após a infecção aguda,
portanto, não pode distinguir entre infecção recente e crônica. A detecção de uma banda H é incomum, mas
confirma a infecção aguda quando presente. A combinação dos dois testes aumenta consideravelmente a
sensibilidade da detecção e a definição do diagnóstico. 
Resultado da imunodifusão contra antígenos M.
Na imagem, o antígeno M foi adicionado no poço (Ag-AIE) e observamos a formação de uma linha de
precipitação (reação positiva- presença de anticorpos anti-IgM) nos pacientes 1 e 4. Pacientes 2, 5 e 6 foram
negativos. O paciente 3 também apresentou anticorpos, mas note que a linha de precipitação está sobre o
poço 4. 
Atualmente, O ELISA, para a detecção de IgM e IgG, tem mostrado melhores resultados quando comparados
aos testes clássicos de fixação do complemento e a imunodifusão. 
Devido às limitações dos testes sorológicos, para os casos de histoplasmose aguda, a combinação de
investigação de anticorpos e antígenos pode elevar a sensibilidade do diagnóstico da histoplasmose pulmonar
aguda. 
Diagnóstico imunológico da Criptococose
Criptococose
A criptococose é uma micose com distribuição mundial e diversas formas de manifestação clínica, sendo a
mais conhecida a meningite criptocócica. Essa doença infecciosa é causada por leveduras encapsuladas e
patogênicas do gênero Cryptococcus, sendo as espécies C. neoformans e C. gattii as maiores causadoras em
humanos. 
C. neoformans.
A infecção pelos fungos do gênero Cryptococcus ocorre principalmente pela inalação dos propágulos
infecciosos, que podem ser células leveduriformes mal encapsuladas ou até mesmo os basidiósporos da sua
fase sexuada de reprodução, presentes nos reservatórios ambientais com facilidade de chegar até os alvéolos
pulmonares. 
Comentário
No caso da criptococose, a infecção pulmonar primária é geralmente assintomática ou minimamente
sintomática, podendo ser confundida com um resfriado leve. Para a maioria dos indivíduos, as
manifestações clínicas não passarão disso e é esperado que ocorra a eliminação eficiente do patógeno
sem grandes complicações. 
Entretanto, para alguns pacientes, depois da instalação das leveduras nos alvéolos pulmonares, elas entram
em contato com os macrófagos alveolares que, além da fagocitose, irão ativar as células T com a liberação de
citocinas, como IFN-γ, TNFα e IL-2, o que resulta em uma resposta inflamatória granulomatosa. 
Assim como é observado na tuberculose, paracoccidioidomicose ou histoplasmose, essa infecção é latente e
pode ocasionar reativação, com a multiplicação e disseminação por via hematogênica para outras partes do
organismo. Por causa do tropismo que essa levedura tem pelo sistema nervoso central, pode ocorrer a
invasão desse sistema tanto pela invasão direta da barreira hematoencefálica, ou também sendo
transportadas por macrófagos infectados, assim como ocorre no clássico mecanismo (via hematogênica). 
Uma das características mais proeminentes dessa levedura que justifica o sucesso dela em sobreviver dentro
do macrófago está associada à presença de uma grande cápsula polissacarídica composta por
glucoroxilomanana, que é exclusiva do gênero Cryptococcus e desempenha inúmeros papéis na interação
com a defesa imunológica do hospedeiro. 
Cápsula polissacarídica do C. neoformans .
Métodos de diagnóstico
O diagnóstico clássico é realizado pelo isolamento do fungo em cultura micológica, a partir da amostra clínica,
que dependerá da manifestação e qual órgão está sendo afetado. Também é possível detectar diretamente o
fungo por meio de colorações específicas ou tinta nanquim (tinta da China) dos fluidos corporais. Além disso,
existem outros métodos que complementam ou agilizam o diagnóstico dessa doença, como histopatologia
dos tecidos infectados ou métodos sorológicos.
No entanto, o diagnóstico da criptococose melhorou com o advento dos testes sorológicos para detecção do
antígeno capsular polissacarídeo criptocócico (CrAg), que é eliminado durante o processo infeccioso. 
As técnicas de aglutinação em látex e ELISA estão amplamente difundidos, seja para a análise do
soro do paciente ou o líquor, sendo o teste de aglutinação de suma importância para a detecção
desse antígeno no líquor para o diagnóstico de meningite. 
A seguir, vemos o resultado do padrão de positividade do teste de aglutinação, os campos 1 a 4 mostram
resultados positivos (presença de anticorpo contra o antígeno capsular), sendo que campo 1 é positivo 4+ e o
campo 4 positivo 1+. O campo 5 é negativo. 
Padrão de positividade do teste de aglutinação em látex para C. neoformans .
O teste de aglutinação em látex é o mais usado e possui kits comerciais padronizados alcançando 93% de
sensibilidade e 100% de especificidade, já o ELISA também tem boa sensibilidade e especificidade, 93% e
98%, respectivamente. 
Lembre-se de que o teste de aglutinação em látex pode apresentar resultados falsos-negativos devido a um
efeito chamado prozona. 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Diagnóstico imunológico das infecções fúngicas
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Coccidioidomicose
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Diagnóstico imunológico da histoplasmose
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Diagnóstico imunológico da criptococose
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que para o diagnóstico da histoplasmose, apesar de terem protocolos padronizados para o isolamento
e identificação desse patógeno, os métodos sorológicos são necessários devido à demora do crescimento
desse fungo em cultura, por exemplo. Sobre o sorodiagnóstico da histoplasmose, é correto afirmar:
A
A investigação somente pode ser realizada pesquisando a presença de antígenos na amostra clínica.
B
Somente é possível detectar os anticorpos anti-Histoplasma após 14 dias do aparecimento dos sintomas.
C
O diagnóstico pode ser feito pela imunodifusão, fixação do complemento e pelo ELISA.
D
O ELISA busca evidenciar a presença dos antígenos H e M de H. capsulatum.
E
A técnica de imunodifusão permite a detecção dos anticorpos IgM e IgG na manifestação aguda pulmonar da
histoplasmose.
A alternativa C está correta.
Para o diagnóstico sorológico, podemos pesquisar tanto antígenos como anticorpos, utilizando, para isso,
as técnicas de imunodifusão, fixação do complemento e ELISA. A técnica de imunodifusão busca evidenciar
a presença dos antígenos H e M de H. capsulatum. Enquanto ELISA permite a detecção dos anticorpos IgM
e IgG.
Questão 2
A criptococose é uma micose com distribuição mundial, sendo a manifestação clínica mais conhecida a
meningite criptocócica. Durante a rotina laboratorial, qual o teste sorológico deve ser escolhido para o
diagnóstico rápido da criptococose a partir da amostra de líquor?
A
Western blotting.
B
Imunofluorescência.
C
Exame direto com tinta nanquim.
D
Aglutinação em látex.
E
Reação de precipitação.
A alternativa D está correta.
Em casos suspeitos de meningite criptocócica, devemos realizar o teste de aglutinação em látex,
pesquisando a presença de anticorpos que reconhecem o antígeno capsular polissacarídeo criptocócico
(CrAg), que é eliminado durante o processo infeccioso. Essa é a técnica imunológica mais empregada

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