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CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO LUCAS-AFYA MEDICINA
CLINICAS INTEGRADAS III
JEMILLE VICTÓRIA PIRES DOS SANTOS
TIC´S SEMANA 15: TRACOMA
Porto Velho-RO 2024.1
JEMILLE VICTÓRIA PIRES DOS SANTOS
TIC´S SEMANA TIC´S SEMANA 15: TRACOMA
Atividade apresentada a Clínica Integrada III do curso de Medicina do Centro Universitário São Lucas como requisito parcial a obtenção de nota para compor a modalidade de TIC’S conforme a semana vigente.
Docente: Profª. Marlei Novaes
S15- TRACOMA
O tracoma é uma doença tropical negligenciada (DTN)¹, provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis, com impactos graves na saúde pública devido à ceratoconjuntivite crônica e recorrente associada.
ETIOPATOGENIA E TRANSMISSÃO
O tracoma surge de uma infecção pela bactéria Chlamydia trachomatis, que permanece como a principal origem de cegueira infecciosa prevenível globalmente. A disseminação ocorre por contato direto ou indireto com indivíduos infectados, sendo a transmissão indireta mais comum por meio de objetos contaminados.
EPIDEMIOLOGIA
O tracoma é a afecção ocular mais comum no planeta, atingindo aproximadamente 500 milhões de indivíduos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 5,6 milhões de pessoas estão cegas devido a complicações dessa patologia, enquanto 80 milhões de crianças apresentam a forma inflamatória do tracoma, que pode levar a problemas visuais. Trata-se da principal causa de cegueira evitável, resultando em 450 mil casos de perda total da visão.
FATORES DE RISCO
Entre os elementos que aumentam a probabilidade da doença, destacam-se aspectos individuais, comportamentais, ambientais e ligados a condições sociais. Dessa forma, os mais relevantes incluem: falta de infraestrutura sanitária, condições socioeconômicas e/ou educacionais precárias do responsável familiar, uso constante de banheiros externos (considerando que moscas podem atuar como vetores), não emprego de sabão, higiene facial inadequada e falta de conscientização das famílias sobre o tracoma. Adicionalmente, a frequência em escolas ou creches é considerada um fator de risco para crianças.
PATOGÊNESE
O mecanismo da doença envolve um processo inflamatório ocular que, devido a infecções recorrentes, provoca fibrose na conjuntiva palpebral. Essas cicatrizes podem puxar as pálpebras, causando uma deformação conhecida como entrópio, além de triquíase. Tais alterações podem lesionar a córnea por fricção, levando à formação de úlceras, cicatrização e opacificação da córnea, podendo resultar em perda progressiva da visão e cegueira.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A sintomatologia relacionada a essa condição inclui sensação de areia nos olhos, lacrimejamento excessivo, aversão à luz e leve secreção purulenta em pequena quantidade. Entretanto, é importante destacar que, em crianças e adolescentes, é frequente a ocorrência de casos sem sintomas. Já os pacientes que desenvolvem entrópio, triquíase e lesões na córnea podem relatar dor contínua e extrema sensibilidade à luz .
As complicações podem evoluir até a perda completa da visão, sendo o Tracoma Cicatricial (TC) caracterizado por cicatrizes aparentes, que se apresentam como linhas brancas e fibrosas, com margens retilíneas, entre os eixos vertical e horizontal. A Triquíase Tracomatosa (TT) ocorre quando os cílios entram em contato direto com a superfície ocular. No caso da Opacidade Corneana (OC), esta pode ser visível, manifestando-se como uma mancha densa capaz de obscurecer parcialmente a pupila, culminando em cegueira.
DIAGNÓSTICO
A identificação da doença é realizada clinicamente por meio de exame oftalmológico externo. A confirmação ocorre quando são observados pelo menos dois dos seguintes achados: folículos na conjuntiva tarsal superior e/ou limbo, cicatrizes conjuntivais típicas ou neovascularização corneana superior (formação de vasos sanguíneos anormais).
TRATAMENTO
A terapia recomendada pelo Ministério da Saúde consiste no uso do antibiótico Azitromicina, na dosagem de 20mg por kg de peso para crianças e 1g em dose única para adultos acima de 45 kg.
CONTEXTO DA DOENÇA
O tracoma é uma doença tropical negligenciada (DTN), desencadeada pela bactéria Chlamydia trachomatis, com sérias consequências para a saúde pública, devido à sua associação com ceratoconjuntivite crônica e recidivante. Essa infecção permanece como a principal causa evitável de cegueira infecciosa globalmente. Sua disseminação ocorre por contato direto ou indireto com indivíduos infectados, sendo a transmissão indireta predominantemente por objetos contaminados.
FATORES PREDISPONENTES
Entre os elementos que favorecem o surgimento da doença, destacam-se aspectos individuais, comportamentais, ambientais e socioeconômicos. Os principais incluem: falta de saneamento básico, baixa renda e escolaridade do responsável familiar, uso de sanitários precários (onde moscas atuam como vetores), hábitos inadequados de higiene, rosto sem limpeza e falta de conscientização sobre a doença. Além disso, o frequente contato em escolas ou creches é um fator de risco significativo para crianças.
MECANISMO DE DANO OCULAR
A progressão da doença envolve um processo inflamatório ocular que, devido a infecções repetidas, leva à formação de cicatrizes na conjuntiva palpebral. Essas fibroses podem distorcer as pálpebras, causando entrópio e triquíase, condições que predispõem a ulcerações por fricção, cicatrização corneana e perda progressiva da visão, podendo resultar em cegueira.
DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA
Quanto à faixa etária, os resultados deste estudo revelaram que a maior prevalência do tracoma ocorreu em crianças de 1 a 9 anos, conforme observado nos estudos de COSTA (2021).
REFERÊNCIAS
COSTA, Ruth et al. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DO TRACOMA NO BRASIL: UMA REVISÃO DE LITERATURA. RECISATEC-REVISTA CIENTÍFICA SAÚDE E TECNOLOGIA-ISSN 2763-8405 , v. 1, n. 5, p.e1547-e1547, 2021.
DA SILVA, Evanildo José et al. Impact of Clinical Skills Training about Trachoma for Health Professionals in the city of Turmalina-MG Impacto da Formação de Competências Clínicas sobre Tracoma para Profissionais de Saúde na cidade de Turmalina-MG. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 2, p.10217-10225, 2022.
DE SOUSA ANDRADE, Ana Carolina et al. Avaliação da prevalência e prevenção do tracoma em escolares nos municípios brasileiros. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 1, p. 1687-1693, 2021.
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