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BASES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS UNIDADE II NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS Elaboração Ana Paula Wagner Markiv Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE II NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS .....................................................................5 CAPÍTULO 1 ENERGIA E GORDURA ......................................................................................................... 6 CAPÍTULO 2 PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS ............................................................................................ 10 CAPÍTULO 3 CARBOIDRATOS E FIBRAS .................................................................................................. 17 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................29 5 UNIDADE II NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS Os animais precisam de alimentação para gerar a sua energia no organismo, dessa forma eles necessitam de uma nutrição balanceada e de qualidade. Como resultado, manter o crescimento de excelência, saúde na maturidade, na reprodução e na fase sênior. Desse modo, o tutor precisa selecionar a melhor alimentação para o seu animal de estimação, apresentando um pouco de conhecimento sobre as necessidades nutricionais, baseado no seu nível socioecônomico. Nesta unidade, serão estudados quais são os nutrientes essenciais, seus componentes, juntamente com as suas ações. Esses são divididos em seis classes, como, água, vitaminas, carboidratos, gordura (lipídeos), vitaminas, sais minerais e proteínas. Esses nutrientes são importantíssimos para o desenvolvimento dos animais em todas as fases da vida, resultando nas atribuições para a saúde de qualidade, crescimento e manutenção dos organismos e tecidos do corpo. Já as gorduras presentes nas rações, são da família ômega, que trazem benefício para a saúde. Portanto, os cães e gatos necessitam de proteínas, pois elas são utilizadas para a manutenção e reparo dos tecidos, na preservação da imunidade do corpo, na produção de hormônios, enzimas e hemoglobinas. Contudo, a evolução nos hábitos alimentares nos últimos anos está relacionada à alimentação sadia e equilibrada, com a praticidade e a variedade nos produtos dentro dos mercados consumidores. 6 CAPÍTULO 1 ENERGIA E GORDURA 1.1. Energia Os animais necessitam de uma boa alimentação para poder gerar energia suficiente durante o dia. Essencialmente os carboidratos, lipídeos e as proteínas, quando ocorre as reações químicas, irão gerar energia no corpo. Tanto no cão como no gato, a energia gerada é transformada em gordura, sendo armazenada como tecido adiposo. A ingestão de energia é classificada em três níveis, sendo energia bruta (EB), energia digestível (ED) e energia metabolizável (EM). A energia bruta é a energia total gerada após a oxidação da alimentação, quando há alto nível no organismo ela não é bem aproveitada, pois o animal não consegue digerir nem absorver. Portanto, quando ocorre a digestão e a abosrção, é considerada energia digestiva. Já a energia metabolizável acontece com a restrição energética junto com o valor energético do sustento, estando relacionada com a eficiência dos alimentos, assim gerada para os tecidos. Por outro lado, a energia dietética é uma das principais, das quais, regula o consumo voluntário, com a alimentação balanceada relacionada a densidade energética da nutrição. As necessidades mínimas (NM) são as quantias mínimas nutricionais para a suficiência fisiológica. A ingestão adequada (IA) é a dose de nutriente para complementar as necessidades do pet durante as suas fases da vida. A ingestão recomendada (IR) é a formulação da dieta conforme o estado fisiológico que o animal se encontra. Portanto, a IR é comparado a NM. Quando não houver NM, a IR é baseada na IA. Já o limite superior de segurança (LSS) é a quantidade alimentícia elevada, exceto, as vitaminas e minerais, porém, os valores da LSS não causam efeitos inadequados. As necessidades energéticas dos animais são calculadas conforme o seu peso metabólico (PM), comparado ao seu peso corporal (PC), assim aumentando a nutrição conforme as suas necessidades fisiológicas. É preciso controlar a alimentação, onde ela possui a fonte energética mais concentrada devido à absorção de carboidratos e lipídeos, com isso, terá mais incremento calórico, gerando mais energia, assim melhorando a imunidade, prevenindo na perda de massa corporal magra e na perda de peso, levando à longevidade. Portanto, as restrições nutricionais são fundamentais para qualquer idade, sendo uma medida preventiva, lembrando que é avaliado apenas por médicos veterinários, somente ele vai saber avaliar o animal individualmente e qual tratamento a ser seguido. Em cães e gatos, conforme chegam à fase idosa, ocorre a redução da taxa metabólica, assim a redução da necessidade de calorias para suas necessidades. O seu metabolismo 7 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II precisa manter os níveis energéticos da fase adulta para aumentar a densidade energética, sendo que de 20 a 30% nessa fase, conforme o passar da idade, deve manter ou aumentar a densidade energética devido ao envelhecimento, sendo empregado tanto para cães quanto para gatos. Por isso é preciso que o tutor controle a dieta do animal, seguindo corretamente o que foi recomendado. Já os gatos na fase adulta absorvem mais alimentos, diferente dos cães, por outro lado, na maturidade, a sua dieta possui menor percentual de nutrientes, sendo restrita a calorias, pois a capacidade da digestão de lipídeos é menor, por conta do envelhecimento. Entretanto, os lipídeos não podem deixar de existir na dieta, pois eles são fundamentais na palatabilidade, garantindo o interrese pela comida por favorecer ácidos graxos, assim aumentando a absorção das vitaminas liposolúveis na alimentação. Mas, no caso dos cães seniôres, vai depender do seu temperamento individual, do aparecimento de doenças degenerativas, e da qualidade das suas artividades físicas diárias. 1.2. Cálculo da quantidade de alimentação e o fornecimento da alimentação ao animal A porção de nutrição fornecida deve ser calculada conforme a carga energética aproximada do alimento, comparada com a exigência energética do animal. Sendo determianda como: ( ) ( ) ( ) Necessidade de energia do animal kcal por dia Quantia de alimento kg Energia metabolizável da alimentação kcal por kg = Tendo como exemplo: ( ) ( ) 1892Quantia de alimento kg 3258 Quantia de alimento kg 0,580 kg ou 580 g por dia de alimentação = = Onde: kg = quilograma; kcal = quilocaloria; g = gramas. Para uma dieta correta, é importantíssimo informar-se sobre o comportamento do animal e suas predileções alimentares. Lembrando que a quantidade irá variar conforme 8 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS a raça, porte do animal, sexo, idade, atividade física presente ou sedentarismo. Assim, para que possa ser calculada a quantidade a ser fornecida, em quantas porções diárias, qual será o período, tudo conforme for o melhor para o tutor e o animal. Dependendo da raça do cachorro, eles comem normalmente de quatro a oito vezes por dia, podendo ser em até mais vezes. Portanto, os cálculos normalmente são feitos para duas porções, sendo uma diurna e outra noturna, quando há presença de mais de um animal, deve-se afastar as tigelas para que não ocorra competição e consequentemente brigas. Os felinos podem se alimentar voluntariamente de 12 a 20 refeições diárias, sendo distribuídas nos períodos diurnos e noturnos, podendo também o alimento ficar livre para o acesso durante 24 horas, as restrições de horários podem levar à diminuição do consumo. 1.3. Gordura/lipídeos A gordura é um termo comum para a classe de lipídeos, consequentemente, traz grande quantidade de energia, sendo o dobro comparada aos carboidratose às proteínas. A função dos lipídeos é e de reserva energética, atuando como portador das vitaminas lipossolúveis e ácidos graxos essenciais (AGE). Com o passar da idade, ocorre o aumento da proporção de gordura no corpo, em consequência disso, advém a adição da incapacidade do organismo metabolizar os lipídeos presentes, sendo necessário diminuir aos poucos a quantidade de gorduras nas dietas. No entanto, o que melhora a palatabilidade na comida é a gordura, assim potencializando a absroção das vitaminas lipossolúveis. Portanto, os animais que encontram-se acima do peso ideal, necessitam ser nutridos com uma dieta baixa em gordura, sendo menos de 20% de calorias vindas de gorduras. Dietas com 30% de calorias são para pets que estão abaixo do peso comparado ao escore corporal. A absorção do lípídeo acontece no estômago por meio da ação da lipase gástrica, onde essa enzima tem pouca expressividade comparada à lipase pancreática. No intestino delgado ocorre a secreção dessa lipase, causando uma emulsificação do lipídeo com auxílio dos sais biliares, ocasionando a redução das porções dos lipídeos, assim permitindo a dissolução em água, consequentemente, aumentando o contato com as enzimas e também a digestão. Juntamente, irá atuar na liberação de triglicerídeos que são ácidos graxos 1 e 3, ligados ao monoglicerol, assim formando estruturas chamadas de micelas, que irão emulsificar as gorduras e estarão rodeadas pelos sais biliares. Posteriormente, irão se distribuir até os enterócitos, exceto os sais biliares, assim dispersando através das membranas lipídicas entrando na célula, ocasionando a 9 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II reesterificação da molécula. Além disso, ocorrerá a incorporação dos ácidos graxos ao monoglicerol, assim, recebendo o colesterol, fosfolipídeos e a apolipoproteínas, podendo também ser chamadas de quilomícros, consequentemente liberadas na corrente linfática. Portanto, os sais biliares estão presentes no lúmen intestinal, após atingirem o íleo ocorrerá um sistema de absorção específico, sendo que através do sistema porta retorna para o fígado tornando-se parte da bile. 10 CAPÍTULO 2 PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS 2.1. Proteínas Todas as proteínas contém carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, podendo ter presença de enxofre, ferro, fósforo, cobre, cálcio e magnésio. As proteínas são complexas, de natureza coloidal e peso molecular elevado, são grandes com cadeias de subunidades em grandes quantidades, sendo chamadas de aminoácidos. Não sendo sintetizado pelos tecidos. As proteínas de origem animal são de maior qualidade comparadas às proteínas de origem vegetal. Quando metabolizada ocorre a perda de suas reservas, mas quando o animal encontra- se em estresse e com a presença de doenças ou animais mais velhos, ocorrerá reserva de proteína no organismo, passando a se acostumar com esses efeitos adversos. Tanto os cães como os gatos precisam adquirir proteínas de excelência para a manutenção do organismo na sua dieta para um bom desempenho, quando ingerido os nutrientes, com a presença de aminoácidos, serão trasformados em novas proteínas, assim sendo fundamental para a reparação e crecimento das células e tecidos. Porém, as necessidades proteicas são referentes ao suprimento de aminoácidos essenciais, e de nitrogênio para produzir esses aminoácidos, assim garantem as taxas de crescimento, reparo tecidual, imunidade e metabolismo. Logo, os gatos que são carnívoros necessitam da quantidade de proteína duas a três vezes maior que os cães, devido aos aminoácidos glicogênicos (BORGES, 2009; EDNEY, 1987). Animais mais velhos precisam de uma nutrição com menor calorias em relação às proteínas, com isso, pode intercorrer a precisão de aumentar brandamente a distribuição de calorias protéicas na dieta. Quando a dieta está relacionada para o crescimento do animal, o percentual deve estar mais alto que o mínimo preciso. Lembrando que alimentos com baixa qualidade e com baixo nível de proteína não trarão uma nutrição adequada e necessária para os animais, é preciso ter uma nutrição de qualidade e equilibrada. Portanto, a mudança repentina na dieta pode ocasionar a diminuição nas reservas proteicas, assim comprometendo as funções neurológicas, imunológicas, metabólicas, digetivas e endócrinas. 11 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II No estômago dos caninos e felinos, o pH é baixo, quando o animal ingere algum alimento o ácido clorídrico (HCl) é produzido nas células parietais do estômago, onde as enzimas anidrase carbônica catalisa juntamente com a água e o dióxido de carbono (CO2), assim formando o ácido carbônico (H2CO3), que dissocia com íon hidrogênio (H+) e bicarbonato (HCO3-). Consequentemente, o hidrogênio vai da célula atravessando o lúmen do estômago, com a ajuda do potássio, com isso, o íon de hidrogênio se junta com o cloro (Cl) na corrente sanguínea, resultando no ácido clorídrico (H + Cl = HCl). O bicarbonato liberado na corrente sanguínea irá aumentar o pH, ocorrendo a onda alcalina pós-prandial, assim causando uma elevação devido à alimentação. Esse processo diminui a atividade do cérebro, causando sonolência após as alimentações. Após liberar o HCl, ocorrerá a desnaturação proteíca da cadeia polipeptídica, que atuará nas enzimas proteases no estômago, estando na forma inativa. Caso não acontecer, irá ocorrer a digestão do tecido. A enzima eliminada é o pepsinogênio, quando ativado, transforma em pepsina, que atuará nas ligações peptídicas, assim ocorre a quebra das proteínas em oligopeptídeos, que libera os aminoácidos e ocorre a absorção dos nutrientes. Após esses processos, acontece a formação do bolo alimentar, também chamado de quimo, ainda no estômago, passando para o intestino delgado, duodeno, assim, eliminando as enzimas pancreáticas. Consequentemente, essas enzimas no duodeno ativarão a colecistoquinina (CCK), sendo ativada primeiramente pela enteroquinase, transformando em tripsinogênio e em tripsina, assim ativando os quimiotripsinogênio, proelastase, procarboxipeptidase A e procarboxipeptidase B, em quimotropsina, elastase, carboxipeptidase A e carboxipeptidase B. Logo, são liberadas para a quebra das enzimas proteolíticas, dividindo em endopeptidases que dentro da proteína e dos exopeptidases terão como ação os aminoácidos terminais. Portanto, as enzimas em concordância com os aminoácidos específicos têm a função de quebra as ligações peptídicas entre os aminoácidos, de acordo com a sua classificação. Após esse processo, ocorre a absorção no jejuno. Logo, se os oligopeptídeos não degradados estão presentes nos enteócitos, as peptidases atuarão na quebra dos aminoácidos livres, os quais, são absorvidos dentro da célula, isso ocorre devido às peptidases intracelulares serem liberadas do enterócito para a corrente sanguínea do animal (SANTOS, 2016). Nos gatos a onda alcalina pós-prandial deve tomar cuidado para que não ocorra de forma interna, o que pode causar o aparecimento de urólitos de estruvita, devido ao aumento do pH urinário e a presença de minerais. 12 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS 2.2. Composição química das proteínas Figura 1. A composição elementar de algumas proteínas mais comuns. ELEMENTO Carbono Enxofre Fósforo Hidrogênio Nitrogênio Oxigênio PORCENTAGEM (%) 51 - 55 0,5 - 2,0 0,0 - 1,5 6,5 - 7,3 15,5 - 18 21,5 - 23,5 Fonte: elaborada pela autora, 2020. Figura 2. Principais proteínas encontradas nas dietas. PROTEÍNAS Zeina, zeanina, maizina, globulina,proteose Gliadina, glutenina, globulia, leocosina, protease Orizeina, globuina Avenalina, glutenina, prolamina Legumilina, legumina, vicilina, proteose Hordeina, hordemina, leocosina, edestina, proteose Gliadina, secalinina, edestina, proteose, leucosina Faseolina, fasilina Caseína, lactaabumina, globulina Miogenio, micalbumina, miosina, globulina Albuminas, globulinas, fibrinogênio, hemoglobinaAvovitelina, ovolivetina, ovalbumina, ovoqueratina Fonte: elaborada pela autora, 2020. 2.3. Função das proteínas A proteína tem papel fundamental no organismo animal para que o animal possa crescer, se reproduzir e produzir. 13 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II 2.3.1. Formação dos tecidos Os tecidos e os órgãos são constituídos por substâncias proteícas, podendo ser encontrados nos músculos, chifres, pelos, penas, unhas e pele. 2.3.2. Manutenção e reparo São essenciais para a formação dos tecidos novos e da renovação dos já presentes. A necessidade da manuteção ou do reparo vai depender do desenvolvimento e das fases de vida do animal, variando de espécie para espécie. 2.3.3. Fonte de energia Elas atuam como fonte de energia quando são encontradas em excesso no organismo, ou quando há falta de gordura e carboidratos, onde é essencial para o organismo se desenvolver e agir. 2.3.4. Regulação do metabolismo » Secreções glandulares: os hormônios e as enzimas são altamente proteícas juntamente com os resíduos de aminácidos, tendo como exemplo a pepsina e tripsina. Portanto, a insulina tem nove aminoácidos, a tiroxina é um aminoácido iodado, e a tirosina é fundamental para a adrenalina. » Desintoxicação do organismo: a produção de ácido benzoico é tóxica para o organismo, caso não ocorra a combinação com a glicina com a transformação do ácido hipurico não se torna tóxico. » Síntese da creatinina: fundamental para o metabolismo. 2.3.5. Mecanismo de defesa A proteína atua na defesa devido à formação de anticorpos e imunoglobulinas. 2.3.6. Balanço de fluídos Tem como função a manutenção do equilíbrio ácido-base, tendo como base a participação das proteínas, assim a albumina sérica tem função tamponante. 2.3.7. Genética Na formação das nucleoproteínas. 14 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS 2.3.8. Transporte De hemoglobina, mioglobina e globulinas. 2.4. Aminoácidos Os aminoácidos possuem duas classificação, os essenciais que são os indispensáveis e os não essenciais, sendo os dispensáveis. No entanto, os aminácidos essencias estão presentes nos alimentos, pois o organismo não os produz, sendo fundamental para a manutenção dos cães na fase adulta. Já os não essencias estão no organismo devido ao excesso de outros aminoácidos na dieta, como proteínas corpóreas. Em relação aos gatos, eles possuem algumas regalias como a taurina, não sendo sintetizada, mas os felinos são altamente sensíveis à falta de arginina, sendo de fundamental importância na hora da fabricação das dietas secas. Os gatos adultos são semelhantes aos cães, o que os difere é uma fonte dietária do aminoácido arginina, onde a deficiência no organismo do animal causa muitos efeitos advervos severos, como dificuldade em metabolizar os compostos de nitrogênios (ureia) onde ocorre a acumulação na corrente sanguínea em forma de amônia causando a hiperamonemia, podendo levar o animal a óbito em poucas horas. Lembrando que a água é um elemento fundamental na dieta de qualquer animal, cujo sua falta causa muitos problemas, assim como a falta de oxigênio. Os aminoácidos essenciais são de fundamentais importância na vida dos animais, principalmente na sua fase de crescimento, sendo que a necessidade de metionina e da fenilalanina podem ser supridas parcialmente em mais de 50% através da cistina e tirosina, sendo que todos os animais necessitam de proteínas totais para que possa ocorrer o fornecimento de nitrogênio dietário no organismo, para realizar as suas funções. Portanto, os elementos essenciais presentes no organismo necessitam de nitrogênio para desenvolver, sendo que as proteínas totais na fase de crescimento estão presentes em 16% das calorias das proteínas. Por outro lado, nos felinos, 28% das calorias estão presentes na fase de crescimento, gestação e lactação, tendo uma nutrição mais complexa, devido à necessidade de maior nível de proteínas, sendo que ao atingir os 10% de calorias de proteína que o animal estará em um balanço proteíco, lembrando que deve ser sempre ajustado o nível de aminoácidos essenciais na dieta. 15 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II Tabela 1. Os aminoácidos essenciais para a dieta dos caninos e felinos. Aminoácidos essenciais Função Classificação Arginina Fundamental para o ciclo da ureia, regulação da síntese de RNA, manutenção da estabilidade das membranas, criação do óxido nítrico. Glucogênico Histidina Tem participação na formação de histamina no organismo. Glucogênico Isoleucina Síntese de hemoglobina, coagulação sanguínea, regulação da glicemia e reparo muscular. Glucogênico e cetogênico Leucina Produção de hormônios do crescimento, durante a fase de crescimento e reparo muscular. Glucogênico Lisina Síntese de carnitina. Glucogênico Metionina Síntese de poliaminas e caritina, doador do grupo metil e enxofre, indicador de vitamina B12. Glucogênico Fenilalanina Antecipador da tirosina. Glucogênico e cetogênico Taurina Fundamental para a visão, reprodução, função muscular e cardíaca. Treonina Fonte de proteína muscular e energia. Glucogênico Triptofano Neurotransmissor. Glucogênico e cetogênico Valina Fundamental para o crescimento e reparo muscular. Glucogênico Fonte: elaborada pela autora, 2020. Tabela 2. Aminoácidos não essenciais fundamentais na nutrição. Aminoácidos não essenciais Função Classificação Alanina Degradação dos aminoácidos nos tecidos do organismo para transformar em energia. Alifático Asparagina Fundamental para ocorrer a bio síntese das glicoproteínas. Ácida Aspartato Neurotransmissor para excitação do cérebro. Ácida Cisteína Antioxidante e desintoxicante, auxilia na formação de queratina, na pele, cabelos, unhas e no aumento da massa muscular. Hidroxilo Glutamato Há em abundância no sistema nervoso central (SNC), auxília no desenvolvimento neural, aprendizado, memória, prevenção de doenças neurodegenerativas. Ácida Glutamina Tem em exuberância nos tecidos musuclares e no plasma, é fundamental no transporte de amônia e nitrogênio pela corrente sanguínea, auxília na imunidade, boa saúde intestinal, exercícios físicos diários. Ácida Glicina Neurotransmissor com função inibitória na retina, medula espinhal, tronco cerebral, necessária para o crescimento e manutenção dos tecidos, hormônios e enzimas. Alifático Hidroxilisina Presente nos ossos, pele e tendões, fundamental na resistências dos tendões. Hidroxiprolina Síntese de colágeno no corpo, fundamental para a pele e ossos, trazendo elasticidade. 16 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS Aminoácidos não essenciais Função Classificação Prolina Também auxília na síntese de colágeno, suporte para os tecidos musculares, ossos, pele e tendões. Cíclico Serina Catalizador de enzimas. Hidroxilo Tirosina Fundamental para o sistema nervoso, é importante para alguns neurotransmissores, como, dopamina, noradrenalina e adrenalina. Aromático Fonte: elaborada pela autora, 2020. 2.4.1. A associação dos aminoácidos essenciais e aminoácidos não essenciais Quando os aminoácidos não forem distribuídos de forma correta na formulação dos alimentos, é preciso que os radicais amínicos sejam retirados dos aminoácidos que foram fornecidos na dieta, sendo eles os essenciais. Lembrando que é de fundamental importância a adição das duas classificações dos aminoácidos na alimentação dos animais. Tendo como exemplo a adição de algum aminoácido essencial (cistina), ou outro da mesma classe. No entanto, se a cistina está presente na formulação, ocorre a redução da importância dessa conversão em metionina. Assim como, a tirosina que pode ser substituída pela fenilalanina, ou a glicina pela serina. 2.4.2. Excesso de aminoácidos no organismo É de fundamental importância a adição de aminoácidos na alimentação, pois eles liberam energia para o organismo. 2.4.3. A falta desse elemento Causa a permanência no sangue até que seja absorvido pelocorpo, podendo causar o atraso ou a lentidão no crescimento dos animais. 17 CAPÍTULO 3 CARBOIDRATOS E FIBRAS 3.1. Carboidratos Não há uma exigência mínima desses elementos na dieta dos cães e dos gatos, esses podem ficar sem a presença de carboidratos na dieta, se tiver proteínas e lipídeos para completar as exigências metabólicas. Para as fêmeas caninas no período gestacional, uma dieta rica em lipídeos e sem a presença de carboidratos causa a redução na sobrevivência dos filhotes, pois na dieta havia 44% de energia metabolizável encontrada no carboidrato, assim causando hipoglicemia na época do parto (Edney, 1987). Os felinos digerem com maior facilidade comparados aos caninos, por causa da ausência de amilase salivar. A amilase pancreática é encontrada em pequena quantidade no organismo, a glicemia é preservada pela ação dos aminoácidos glicogênicos. Para os idosos, são necessárias matérias-primas de boa qualidade e com alta digestibilidade, com baixo índice glicêmico, assim diminuindo a glicemia pós-prandial e sobrecargas de células β-pancreáticas, com isso a digestibilidade de cereais é melhorada devido aos hidrotérmicos que causam o rompimento da parede celular, os quais irão destruir os grânulos e a gelatinização do amido presente na alimentação. Os açúcares dissacarídeos a sacarose (açúcar da cana), lactose (açúcar do leite) não são tão adequados devido à metabolização dos açúcares, dependendo da quantidade das enzimas betafructofuronidase (sacarase) e beta-galactosidase (lactase), estando presentes no intestino dos animais. Já a sacarase e lactase estão presentes na fase adulta dos pets, com maior frequência naqueles que estão na fase de crescimento e manutenção, diminuindo com o passar da idade. Se houver o fornecimento em grandes quantidades de sacarose ou lactose, rapidamente poderá causar diarreia devido à fermentação bacterina dos carboidratos que não foram absorvidos. Esse processo acontece no intestino grosso. Normalmente, 5% de calorias totais em relação ao carboidrato podem ser toleradas. Segundo Edney (1987), em um estudo realizado com foco em uma dieta rica em lipídeos e livre em carboidratos, há as mesmas vantagens que as atividades físicas mais exigentes, sendo comparada com a deita em 38% de calorias referente aos carboidratos. Tendo como vantagem o maior número de células vermelhas na corrente sanguínea, hemoglobina e a alta capacidade de carregar o oxigênio no organismo. Os caninos e felinos ativos têm consumo em média de 40 a 50% de calorias em relação 18 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS aos carboidratos na sua dieta, não tendo contraindicações com relação a nutrições completas em lipídeos e proteínas. No intestino delgado o amido tem ação da enzima amilase pancreática, que causa hidrólise das ligações alfa-1,4 do amido, com isso a amilase tem menor afinidade com outras ligações maiores, não podendo fazer hidrólise das ligações alfa 1,6, assim, sendo preciso a ação de outras enzimas para que possa ocorrer a liberação de açúcares e, consequentemente, a absorção dessas. Tendo como exemplo as enzimas maltase, que sofrem ação da maltose (duas moléculas de glicose) e da maltotriose (três moléculas de glicose), e a alfa-dextrinase que irá hidrolisar a ligação da alfa 1,6 e em seguida ocorrerá ação da maltase. As relações da absorção dos açúcares passam pelo sistema de transporte ativo para serem absorvidos, conforme a ação da bomba de ATPase sódio dependente, que transporta a glicose juntamente com o sódio, assim envolvendo transportadores específicos para essa ação, sendo o transportador ativo de glicose dependente de sódio (SGLT) e o transporte facilitado de glicose independente de sódio (GLUT). É de suma importância as características intrínsecas dos carboidratos, como as fibras e amidos, desde sua composição até o processamento, sendo necessário o estudo detalhado para a manutenção corporal e a prevenção de doenças degenerativas. Os alimentos secos que são industrializados têm grande nível de carboidratos na dieta, devido ao processamento e o custo. Sendo fundamental o controle glicêmico para não causar prejuízos fisiológicos, na saúde, como a obesidade, gestação, idade, doenças, infecções, diabetes melitus. É possível que as introduções de dietas corretas possam minimizar essa onda glicêmica pós-prandial, assim ocorrendo a absorção com maior facilidade e rapidez da glicemia presente no corpo. 3.2. Fibras São todos os polissacarídeos de origem vegetal, como, hemicelulose, celulose, mucilagens, goma, pectinas, lignina, porém, não são hidrolisados no intestino, devido às enzimas obterem correlações com o tipo b entre as moléculas. Anteriormente, as fibras tem a classificação com fragmentos hidrossolúveis e não hidrossolúvies, assim identificando a relevância da fermentação das fibras no cólon. Mas, atualmente, a caracterização cresceu, englobando os elementos, como inulina, frutooligossacarídeos e amido, ampliando as propriedades físicas e químicas. 19 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II Figura 3. Alimentos que possuem fonte de fibras. •Parede celular de plantas maduras, tendo como exemplo, aspargo, grãos integrais, cenouras e ervilhas. Lignina •Parede celular de plantas, exemplo, sementes, polpa de madeira, cascas de frutas e farelo de cereais. Celulose •Parede celular de plantas, exemplo, grãos integrais, alimentos amiláceos e soja.Hemicelulose •Parede celular de plantas, exemplo, cascas de frutas cítricas e maçã.Pectinas •Farelo de cevada e aveia, farinha de aveia.Goma, beta-glucanas •Algas marinhas e sementes.Mucilagens •Túberculos de alcachofra, cebola, alho, alho-poró, tomate, massas, trigo, banana, raiz de chicória.Inulina •Produzido a partir da insulina ou sintetizados, exemplo, túberculos de alcachofra, cebola, alho, alho-poró, tomate, massas, trigo, banana, raiz de chicória. Frutooligossacarídeos Fonte: adaptada de Griffin, 2003. Logo, as classificações das fibras variam dependendo da sua hidrossolubilidade, capacidade de reter água, viscosidade e minerais. As fibras insolúveis ocorrem no processo de fermentação na flora intestinal, sendo excretadas em grandes proporções, intactas. Quando há a retenção de água, aumenta a massa fecal, o que consequentemente leva ao aumento de peso nas fezes, assim causando uma consistência líquida e incentivando o peristaltismo, porém, diminui o tempo de trânsito das fezes. Já as fibras solúveis agem como substância para a fermentação no cólon, assim alterando a microflora e toda sua fisiologia. Portanto, na região proximal ocorre o esvaziamento gástrico e a aborção no intestino delgado, o qual aumentará a viscosidade do bolo alimentar, diminuindo o esvaziamento gástrico, o que trará a saciedade na alimentação. Assim, as fibras irão modificar a saciedade, o metabolismo dos carboidratos e o metabolismo dos lipídeos, porém, a fermentação ocorre devido à produção dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) ou os ácidos graxos voláteis (AGV). Assim, esse tipo de fibra passa a diminuir as porcentagens pós-prandiais de glicose, colesterol e triglicerideos, tornando-se fundamentais na dieta terapêutica para animais diabéticos ou obesos. Entretanto, os compostos voláteis são importantes na fonte de energia para os enterócitos e colonócitos, que irão auxiliar na estimulação da hipertrofia da mucosa, 20 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS nos processos digestivos e na absorção dos nutrientes. Tendo como exemplo uma fibra solúvel, o psyllium, presente no trigo, onde possui um gel viscoso que irá atrasar a absorção dos nutrientes no estômago, juntamente com o efeito do glucomodulador. A celulose (fibra insolúvel) tem a porcentagem de menor fermentação, tendo ação na mucosa intestinal, assim levando ao aumento dos movimentos peristálticos e do nível da passagem da digestão, podendo levar à diminuição na habilidade da absorção e da produção do bolo alimentar,estando mais hidratado e com menor consistência. Portanto, ocorre a redução do peso corpóreo, controle e prevenção de fecalomas nos animais idosos e de constipação. A alimentação dos caninos e felinos precisa ser equilibrada, com proteínas insolúveis e solúveis, e em quantidades adequadas. Por exemplo, polpa de beterraba, maçã e farelo de arroz são ideais para a absorção de nutrientes e fezes levemente secas. Quanto aos animais idosos, deve-se tomar cuidado com a quantidade de fibras na dieta, pois dependendo da porcentagem, pode trazer algumas doenças patológicas, como, diarreia, diabetes, hiperlipidemia e colite idiopática. Com isso, é necessário ter em torno de 5 a 6% de fibra dietética na maturidade e de 3 a 4% na fase geriátrica, que traz benefício para o sistema endócrino e gastrintestinal. O acetato, propionato e buritato são ácidos graxos voláteis, presentes após a fermentação das fibras. Essa produção é a acidificação do cólon do animal, assim, evitando a proliferação em excesso das bactérias indesejáveis. O acetato e grande parte do proprionato acometem o fígado por meio da corrente sanguínea, já o butirato é absorvido no cólon pelas células, transformando em energia disponíveis. Portanto, a absorção do butirato é devido à reabsorção de sódio e água, proporcionando o efeito antidiarreico, estando associado aos antibióticos, quando a flora intestinal é afetada pelo medicamento. Nesse processo, o fármaco tem ação patogênica sob as bactérias, podendo assim, aos poucos, estarem resistentes aos antibióticos e se distribuir. No entanto, a proliferação bacteriana em excesso causa má absorção e transporte dessas, com isso, as fibras solúveis auxiliam no controle dessa multiplicação, mantendo os níveis de AGV, acidificando os conteúdos presentes no cólon resultando em energia para as células, podendo manter a integridade intestinal, no desenvolvimento das bactérias normais e saudáveis. As fibras solúveis (insulina) são fermentadas por bifidobactérias e lactobacilos, assim aumentando o nível de bactérias saudáveis na microflora intestinal. Já as fibras dietéticas (fibras solúveis fermentáveis) ajudam no desenvolvimento do epitélio dos ratos. Segundo estudos, não há uma recomendação correta para os níveis e limitações de fibra na dieta dos caninos e felinos, sendo compreendido que o teor nos alimentos 21 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II comerciais está entre 1 a 4% de matéria seca, podendo estar de 5 a 25% de matéria seca para alimentações de animais obesos e para nutrição de animais saudáveis com peso adequado. Por outro lado, as fibras fermentáveis podem trazer grande produção de gases, causando um desequilíbrio intestinal não podendo ser controlado. Com o aumento da fermentação os AGV aumentam de volume, assim como a concentração osmótica que causa o extravasamento do líquido para o lúmen intestinal o que acarretará em gases e diarreia. Logo, as fibras insolúveis tem ação agressiva na musculatura intestinal, causando contrações, também conhecidas como peristaltismo, ocasionando aumento da velocidade na passagem dos alimentos, assim dificultando a absorção dos mesmos e dos nutrientes, consequentemente pode causar o surgimento de inflamação das microvilosidades do cólon (BORGES; SALGARELLO; GURIAN, 2011). 3.3. Vitaminas e minerais 3.3.1. Vitaminas As vitaminas são classificadas em hidrossolúveis ou lipossolúveis, fundamentais na formulação das rações, cada vitamina tem sua função que executa como cofator nos sistemas enzimáticos, catalisando os procedimentos metabólicos essenciais. As vitaminas lipossolúveis são as vitaminas A, D, E e K, já as vitaminas hidrossolúveis são, do complexo B, B1 (tiamina), B2 (riboflavina), ácido pantotênico, niacina, B6 (piiudoxina), biotina, folacina, vitamina B12, colina, vitamina C (ácido ascórbico). Para os animais idosos, é fundamental a suplementação vitamínica, pois, com o passar dos anos, junto com o estresse, causa alterações metabólicas digestivas e imunitárias. Assim, há necessidade da adição do complexo B para as duas espécies, sendo um benefício a adição das vitaminas E e A. Os gatos necessitam de niacina e piridoxina quatro vezes a mais que os cães, por causa da dificuldade em transformar o aminoácido triptofano em niacina. No entanto, quando o animal está com ausência de vitamina, pode ocasionar alterações neurológicas, dermatológicas, gastrintestinais e até a morte. A piridoxina está presente no metabolismo das proteínas. Quando está em baixo nível no organismo, pode causar distúrbios neurológicos, sensoriais, visuais, gustativos, olfatórios, digestivos, locomotores e hematopoiéticos. A necessidade das vitaminas do complexo B são para a produção e maturação das células sanguíneas, integridade da pele e anexos, manutenção do apetite, secreções endócrinas, metabolismo, atividades locomotoras e neurológicas. A deficiência de vitaminas desenvolve sintomas específicos que irão prejudicar o metabolismo, assim como o surgimento de algumas doenças mais graves. Mas a 22 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS toxicidade pela abundância é incomum, pois precisa de doses elevadíssimas para ocorrer. Portanto, a hipervitaminose A e D são as mais maléficas, trazendo problemas no sistema nervoso e musculoesquelético. Os antioxidantes mais estudados e adicionados à alimentação dos animais são a vitamina E (alfa-tocoferol), vitamina A (betacaroteno), vitamina C (ácido ascórbico) e os flavonoides. Tabela 3. Vitaminas lipossolúveis suas particularidades, funções e fontes. Vitaminas lipossolúveis Vitamina A Um dos carotenoides que tem sua coloração amarelada ou alaranjada é o betacaroteno, sendo considerado uma pró-vitamina A, sendo transportado na corrente sanguínea pelas LDL. Os felinos não têm a capacidade de converter o betacaroteno em vitamina A, assim precisam de uma origem dietária decorrente do retinol, necessitando de um alimento cru de origem animal na sua dieta para substituir. Já os caninos podem absorver diariamente quando ingeridos. Tendo como função a relação com a visão, sendo encontrada na retina e associada por uma proteína específica, a opsina. Após essa transformação ocorre a púrpura visual, que quando encontra a luz se desintegra em opsina e um metabólito do retinol, sendo que essas informações são enviadas pelo nervo óptico para o cérebro para que ocorra a visão. Com a decomposição da rodopsina, para a sua substituição é fundamental reativar o pigmento visual. Podendo ter como função também a regulação das membranas celulares, integridade dos tecidos epiteliais e o crescimento das células epiteliais, crescimento dos ossos e dentes. Os sintomas são secura dos olhos (xeroftalmia), ataxia, conjuntivite, opacidade, ulceração na córnea, lesão na pele, alteração nas camadas epiteliais, junto com o epitélio brônquico, trato respiratório, glândulas salivares, túbulos seminíferos. A falta de vitamina no organismo causa vários efeitos extensos, por isso é preciso observar sempre o comportamento dos cães e gatos, com maior intensidade quando estiver anormal. O excesso é tão inseguro como a falta. Tendo como exemplo uma doença óssea, os ossos estão mais fragilizados com maior facilidade em quebrar, tendo sensibilidade nas extremidades, possível gengivite e perda dos dentes. Os alimentos em que podemos encontrar esta vitamina são: fígado de peixes, frutas e vegetais, cenoura, tomate, agrião, pêssego, mamão, couve, brócolis, pimentão amarelo, pimentão vermelho e espinafre. Vitamina D Um dos compostos mais fundamentais da vitamina D são: ergocalciferol (vitamina D2) e o colecalciferol (vitamina D3), esses são importantes para os caninos e felinos. A vitamina passa por várias transformações bioquímicas nos rins e no fígado até estar ativa, também conhecida como vitamina dos ossos. Sua função é aumentar os níveis plasmáticos de cálcio e fósforo na mineralização dos ossos. No entanto, no intestino delgado ocorrea estimulação da absorção do cálcio e fósforo, junto com a mobilização de cálcio nos ossos, assim proporcionando a concentração normal de cálcio no plasma. Também auxilia no crescimento e desenvolvimento ósseo. A deficiência é casual do raquitismo. Por outro lado, com a presença dos compostos lipídicos na pele, e o acompanhamento da luz solar pode desenvolver a vitamina D, com isso os animais precisam de pouca ou nenhuma suplementação vitamínica. Portanto, os felinos não necessitam sempre dessa vitamina, pois eles conseguem estocar no seu organismo, durante a amamentação, e quando recebem uma dieta adequada em níveis de cálcio e fósforo, fazem uma reserva energética. O excesso causa efeitos adversos, como calcificação dos tecidos moles, pulmões, estômago, rins, deformações na mandíbula e dos dentes, podendo levar à morte. Pode ser encontrado nos peixes, frutos do mar, ovos, leite, fígado, salmão, queijos, cogumelos, atum e cereais. 23 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II Vitaminas lipossolúveis Vitamina E É um alto antioxidante e auxilia na liberação de histamina, prevenindo a hipersensibilidade, tendo como forma ativa o alfa-tocoferol, preeminente nos tecidos. A vitamina E detêm radicais peroxila, cessando a cadeia de peroxidação lipídica, assim protegendo os lipídeos poli-insaturados de qualquer lesão que os radicais livres possam causar, sendo fundamental para a proteção das lipoproteínas circulantes onde fará o funcionamento adequado das membranas celulares. Tem como função prevenir os riscos cardiovasculares, reduzir a adesão e a agregação plaquetária, inibir a coagulação que foi oxidada pela vitamina E2 (quinona), estimular a produção endoteliana, inibir a de óxido nítrico causada pela LDL oxidada (LDL-ox), também de secretar interleuina-1, (IL- 1) criada pelos monócitos, assim impossibilitando a proteína quinase C. O alto nível no organismo causa envelhecimento das células no cérebro, protegendo as células da luz ultravioleta, auxiliando na imunidade, prevenindo o surgimento da catarata, alterações genômicas e mutações. A deficiência causa anormalidades físicas nos sistemas muscular, nervoso, vascular e reprodutivo, assim como distrofia dos músculos esqueléticos e anomalia na gestação. Pode ser encontrada em; maçã, repolho, marisco, mamão, ovos, amora, sementes, pera, salmão, brócolis, espinafre, banana, cenoura, arroz integral etc. Vitamina K É derivado da quinoa, tem como função a regulação no mecanismo da coagulação sanguínea. Os caninos que têm deficiência nessa vitamina necessitam de medicamentos à base de anticoagulantes, pois irão antagonizar a ação dos nutrientes, sendo que para animais saudáveis e normais dificilmente o nível de vitamina K estará baixo, devido ao encontro dessa na síntese bacteriana nos intestinos. A fonte de vitamina K é encontrada no brócolis, rúcula, couve-flor, agrião, repolho, nabo, espinafre, alface, tomate, kiwi, amora, fígado e abacate. Fonte: adaptada pela autora, 2020. Tabela 4. Vitaminas hidrossolúveis: suas particularidades, funções e fontes. Vitaminas hidrossolúveis Complexo B De grande importância para a nutrição dos caninos e felinos, faz parte da produção ou interconversão de energia. No entanto, as vitaminas desse complexo formam coenzimas ou cofatores, estando associados às moléculas enzimáticas menores, que precisam ser catalisadas pelas reações bioquímicas, consequentemente, liberando as moléculas, podendo estar associadas aos minerais e microelementos. Tiamina (B1) É uma enzima com forma de pirofosfatos (TPP), ou cocarboxilase, composto de enxofre, um pouco tóxica. A TPP é a chave do metabolismo dos carboidratos, dependendo da tiamina para a formulação da dieta. A dieta com alto nível de lipídeos e baixo em carboidratos diminui a utilidade da tiamina, porém, essa vitamina é fundamental para o metabolismo de lipídeos. A tiamina é degradada por meio do cozimento, podendo ser desativada pela tiaminases e pelo calor. A deficiência causa alteração no metabolismo de carboidratos, causando acúmulo excessivo dos compostos no organismo, anorexia, desordens neurológicas, insuficiência cardíaca, debilidade e morte. Mas o nível adequado no organismo previne doenças como, hepatite e esteatose. A tiamina pode ser encontrada em carnes (caprinas, bovinas, aves, suínas), nozes, frutas cítricas, grão de bico, beterraba, peixe cru, tomate, leguminosas, cereais integrais e leveduras. Riboflavina (B2) Possui duas coenzimas, a riboflavina 5-fosfato e flavina adenina dinucleotídeo, que estão em grande quantidade nos sistemas enzimáticos oxidativos. É um composto amarelo cristalino. Quando vista em luz fluorescente, pode-se observar a cor amarelo esverdeado. Não pode faltar riboflavina para o crescimento celular. A deficiência de riboflavina pode causar lesões oculares, hipoplasia testicular, desordens na pele, podendo ser substituída pela síntese bacteriana nos intestinos devido a uma dieta pobre em lipídeos e rica em carboidratos. Portanto, há a necessidade dessa vitamina nas dietas diárias dos animais, não esquecendo de ser acrescentadas nas formulações das rações. Pode estar presente nas carnes, semente de girassol, ervilha, agrião, couve, repolho, espinafre, couve, brócolis, e em maior quantidade na soja, nos frutos do mar e leite. 24 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS Vitaminas hidrossolúveis Ácido pantotênico O ácido pantotênico faz parte da coenzima A, que é fundamental nas reações enzimáticas do metabolismo de carboidratos, aminoácidos e lipídeos. A deficiência causa depressão ou insuficiência do crescimento e desenvolvimento, osteatose hepática, distúrbios gastrointestinais, úlceras e alopecia, podendo ocorrer nas duas espécies. Causa contrações dos músculos, insônia, desenvolvimentos anormais da pele, anemia e vômitos. Normalmente, na mistura dos alimentos, a deficiência deste ácido é rara, pois ele está presente nos tecidos animais e vegetais. Além disso, ajuda no controle do estresse, no metabolismo das gorduras, proteínas e açúcares. A fonte dessa vitamina é encontrada nos cogumelos, brócolis, repolho, salmão, carnes, legumes, queijo, ovos, peixes, trigo, soja e amendoim. Niacina (vitamina B3/ácido nicotínico) Pode ser convertida rapidamente no organismo, é derivada da nicotinamida (niacinamida), possui duas coenzimas fundamentais, a adenina dinucleotídeo que precisa das reações de oxidorredução para absorver todos os macronutrientes. A niacina é influenciada pelo nível dietário do aminoácido triptofano que é convertido em niacina. A deficiência causa inflamação e úlceras na cavidade oral, salivação espessa com sangue saindo da boca, juntamente com mau hálito, também conhecida como língua negra. Altas doses podem causar excitação principalmente nos cães. Está presente nas carnes, peixes, frangos, tomate, amendoim, vegetais verdes, farinha de milho e trigo. Piridoxina (B6) Há três compostos da vitamina B6, piridoxina, piridoxal e piridoxamina. Acontecem naturalmente e são interconversíveis durante a metabolização. Um dos compostos ativos é o piridoxal, sua forma como coenzima é o piridoxal-S-fosfato, abrangendo os sistemas enzimáticos, estando correlacionado com o metabolismo de nitrogênio e aminoácidos. A piridoxina é fundamental na conversão de proteínas e gorduras. A deficiência causa perda de peso e anemia nas duas espécies, já nos gatos podem ocorrer depósitos tubulares de cristais de oxalato de cálcio. Nos cães, causa dermatites e alopecias devido à falta de piridoxina no organismo. Além disso, pode causar desnutrição, diabetes, insuficiência renal, obesidade mórbida, artrite reumatoide e doença celíaca. Pode ser encontrado no grão de bico, fígado, frango, cerais, bife, salmão, banana, abacate, espinafre, amêndoas, couve-flor, cenoura, arroz e cebola. Biotina Atua como uma coenzima necessária para o metabolismo do grupo carboxil, que está ligada à biotina, posteriormente transformada em uma moléculaaceptora. Auxilia no fortalecimento do cabelo, unhas, pele e na absorção dos nutrientes. A deficiência causa redução na incorporação dos aminoácidos com as proteínas, devido à queda na síntese de ácidos graxos, podendo causar dermatite descamativa, fraqueza nas unhas, pele e cabelos. As principais fontes são: cenoura, alface, cebola, gema do ovo, couve-flor, sementes, frutas, leite, carne vermelha, nozes, tomate e amendoim. Folacina (ácido fólico) Podemos encontrar juntamente com o ácido glutâmico, frequente como THFA ou FH4 ou THFA com atividade de coenzima, podendo ser chamada de folato. A importância do ácido fólico na alimentação dos animais pode ser suprida pela síntese bacteriana no intestino. Pode haver mudança de grupos simples de carbono, metil ou formil, ou com a síntese de timidina do ácido nucleico do DNA. A perda fornecida dificulta a maturação normal das células vermelhas presentes na corrente sanguínea e na medula óssea. No entanto, a deficiência causa anemia e leucopenia. Logo, esse ácido está presente nos grãos e sementes, abacate, nozes, castanhas, frutas cítricas, couve, espinafre, aspargo e brócolis. Vitamina B12 É a única vitamina que tem cobalto e é muito importante para a vida, pois ela possui um microelemento chamado de cobalamina. Faz parte da transferência de um fragmento de carbono, assim estando correlacionado com o ácido fólico. A deficiência pode causar distúrbios neurológicos, anemia perniciosa com degeneração neurológica. Os sintomas são palidez, fraqueza e fadiga. As principais fontes são os alimentos de origem animal, salmão, leveduras, mexilhões, bife de fígado, leite e derivados, cereal, atum, caranguejo e ovos. 25 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II Vitaminas hidrossolúveis Colina É um fosfolipídeo, essencial para as membranas celulares, precursor da acetilcolina, neurotransmissor do organismo, fornece fragmentos simples de carbono para possíveis conversões metabólicas. Tem como função auxiliar nos impulsos nervosos, acelera a produção e liberação dos neurotransmissores, melhorando a memória e o aprendizado. A deficiência causa disfunção renal e hepática e infiltração gordurosa no fígado. É encontrada no brócolis, gema de ovos, linhaça e amêndoas, salmão, fígado, quinoa e couve- flor. Ácido ascórbico (vitamina C) Não é suplementado na dieta, elimina os radicais superóxido hidroxila e oxigênio antes que possa atingir os lipídeos celulares e possa dar início a peroxidação. As reservas no organismo diminuem quando os fenômenos oxidativos aceleram, pode causar estresse, envelhecimento, poluição, intoxicação, traumatismos. A degradação oxidativa ou peroxidação lipídica acontece quando um radical livre (oxigênio), atinge um ácido graxo poli-insaturado, assim formará um radical ácido graxo que continuará tendo reações com o oxigênio, assim formando peróxidos. Algumas doenças podem ser desenvolvidas, como displasia do quadril, com o uso da vitamina C pode aliviar ou prevenir essas doenças. Tem-se como benefício a aceleração da cicatrização, ação antioxidante, reduzindo as porcentagens de infecções, o endurecimento arterial e aterogênese, protege as células, aumenta os níveis de anticorpos e potencializa o sistema imunológico, melhora o desempenho, aumenta a absorção de ferro e resistência aos ossos, ajuda aliviar o estresse. É encontrado na batata doce, brócolis, couve-flor, laranja acerola, limão, abacaxi, morango, manga, goiaba, kiwi. Fonte: elaborada pela autora, 2020. 3.3.2. Minerais Os minerais necessitam de vários fatores para poder entrar em ação. Assim como a concentração nos tecidos saudáveis dos animais, as deficiências dos minerais no organismo animal causam o surgimento das anormalidades nas estruturas e fisiologia, alterações bioquímicas, assim tendo a necessidade da adição desses elementos na alimentação para recuperar os níveis e procurar a estabilidade no organismo. Os minerais são divididos em macrominerais e microminerais. Os macrominerais são fundamentais para o organismo em quantidades de 100 mg por dia ou mais, os minerais que se encaixam nesse grupo são, cálcio, enxofre, potássio, cloro, fósforo, magnésio e sódio. Os microminerais têm uma necessidade menor de mg por dia, encontramos nesse grupo, ferro, zinco, iodo, cobre, molibdênio, selênio, flúor, cromo, manganês, cobalto. No entanto, os membros inorgânicos têm a semelhança das vitaminas nas suas funções metabólicas, estando relacionado com as patologias, os distúrbios metabólicos, cardiopatias, musculoesqueléticas, nefropatias, urolitíases. O tutor deve escolher uma ração balanceada e completa para o seu pet, com boa digestibilidade e palatabilidade. Com isso, os animais idosos, na sua nutrição requerem além dos alimentos essenciais para manter o equilíbrio dos minerais e de todos os outros componentes. Os minerais são uma forma simples que se relaciona com os 26 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS aminoácidos livres para que possam ser absorvidos na luz intestinal, quando estão sob forma quelatadas já no organismo, ligam-se aos peptídeos ou aos aminoácidos para que possam elevar seus níveis de absorção, deposição tecidual e metabólica. Portanto, os macroelementos essenciais na nutrição são, potássio, magnésio, sódio, fósforo e cálcio. Já os microelementos inorgânicos que são fundamentais são: iodo, cromo, ferro, zinco, manganês, selênio e cobre. Tabela 5. Minerais classificados como macroelementos e suas funções. Minerais Funções Cálcio Faz parte da constituição óssea essencial no organismo, coagulação sanguínea, da transmissão de impulsos nervosos, contratilidade muscular, da rigidez estrutural dos dentes e ossos, do balanço ácido-básico. É encontrado em abundância no organismo animal. Com isso, deve-se analisar com cautela o nível de cálcio no organismo animal, devido à presença no plasma ser crucial. Fósforo Sua função é fundamental para os sistemas enzimáticos e no armazenamento de energia nas células, causa rigidez aos ossos e dentes, fosfolipídeos e fosfoproteínas, equilíbrio ácido-base, componentes de adenosina trifosfato (ATP). No entanto, o metabolismo do cálcio e fósforo está relacionado com a vitamina D, que tem como função na manutenção e absorção dos minerais nos tecidos sanguíneos. Quando há alto teor de minerais na dieta dos animais, ocorre a interferência na redução da absorção, e o inverso para o cálcio. Sódio A necessidade na alimentação dos animais é inferior a 2%, sendo que alguns alimentos possuem mais que esse nível. Para os animais idosos, sua alimentação deve ser mantida com o teor de sódio em 1% ou em média o peso total da matéria seca. Dietas com baixo nível de sódio podem causar insuficiência cardíaca congestiva. Tendo como função a permeabilidade da membrana, reações enzimáticas, balanço hídrico, volume celular, transmissão de impulsos nervosos, contração muscular, e o nível do meio extracelular mais elevado. Potássio O potássio pode ser encontrado dentro das células, distribuído nos alimentos. É fundamental para as transmissões nervosas, metabolismo muscular e balanço de fluidos, também com o volume celular, pressão osmótica, equilíbrio ácido-base, reações enzimáticas, permeabilidade da membrana e contração muscular. Assim, a deficiência causa o crescimento insatisfatório, lesões nos rins e no coração, e debilidade muscular. Cloro Há uma relação entre o volume celular e a pressão osmótica, o equilíbrio ácido-base, juntamente com a permeabilidade da membrana, reações enzimáticas, na transmissão e contração dos impulsos nervosos gerados. Porém, o cloro é encontrado em alta concentração no meio extracelular. Magnésio Pode ser encontrado nos tecidos moles e ossos. É fundamental para o metabolismo de sódio e potássio, participando nas reações das enzimas fundamentais, assim como no metabolismo energético. Também tendo afinidade com o cálcio e o fósforo, podendo ser encontrado no organismo no trato gastrintestinal.Os íons de magnésio têm efeito laxativo com a ação antagonista dos íons de cálcio, causando o endurecimento das fezes. A deficiência atrapalha no metabolismo dos lipídeos, proteínas e carboidratos, contratilidade muscular, estabilidade de membranas e na imunidade, causa de fraqueza muscular até convulsões. O alto nível de magnésio no organismo pode causar a síndrome urológica felina (SUF), desenvolvendo disúria, cistite, hematúria e obstrução urinária. No entanto, os cristais mais comuns de se encontrar no trato urinário dos animais são os cristais de urólitos. Nos felinos, é comum o hexaidrato de fosfato, amônio, magnésio, popularmente conhecido como estruvita, surgindo apenas quando há alto nível de magnésio na alimentação do animal. Enxofre O enxofre é fundamental para a síntese de compostos sulfurados, como, biotina, glutationa, condroitina, insulina, na síntese de proteína microbianas. Fonte: elaborada pela autora, 2020. 27 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS | UNIDADE II Tabela 6. Minerais classificados como microelementos e suas funções. Minerais Funções Ferro São constituintes da hemoglobina e mioglobina, tendo a participação das enzimas chamada heme-enzimas. Esses elementos tem um papel fundamental no transporte de oxigênio e na sua ativação no sistema cardiovascular, na imunidade, nos elétrons e nas reações oxidativas. O ferro presente nos alimentos é melhor do que aquele nos vegetais. A deficiência causa anemia, com sinais clínicos de fraqueza e fadiga. Quando ingerido em quantidades excessivas, causa toxicidade no organismo, estando relacionada com anorexia e perda de peso. Porém, o óxido de ferro é o mais perigoso devido a sua alta absorção pelo organismo. Iodo Tem como função a síntese de hormônios tireoideanos, que irá regular a taxa metabólica. A interferência está na liberdade dos hormônios, quando possui menor nível de iodo no organismo, irá aumentar a produção para tentar compensar essa ausência. A deficiência causa lesões dermatológicas, ganho de peso, distúrbios reprodutivos etc. Quando o nível estiver elevado no organismo a glândula vai estar aumentada de tamanho, chamada de bócio, na região do pescoço. Os sinais clínicos são sonolência, apatia, anormalidade dos pelos e pele, prostração e deficiências reprodutivas. Zinco Auxilia no metabolismo de proteínas, carboidratos e gorduras, sistema imunitário, manutenção do apetite, pele e pelo, antioxidante intrínseco e cofator de mais de 300 enzimas. Tem como função a síntese proteica e enzimática. O zinco é antagonizado pelo cálcio na alimentação, é tóxico e causa interferência na absorção do ferro e cobre. No entanto, o teor alto de cálcio vai dificultar a disponibilidade e a absorção do zinco e do fósforo, assim causando falta de apetite, fraqueza, emagrecimento, conjuntivite, alopecia e lesões na pele. A deficiência causa dificuldade no crescimento, anorexia, atrofia testicular, lesões na pele e emaciação. Selênio É altamente tóxico mesmo em quantidades pequenas. Tendo como função o metabolismo antioxidante com o auxílio da enzima glutationa peroxidase. O selênio tem uma correlação com a vitamina E, enxofre e com os aminoácidos como metionina e cistina. Porém, esse mineral não pode ser substituído completamente pela vitamina E, devido à ação da enzima que protege as membranas celulares contra as lesões causadas pelos oxidantes, como mercúrio, chumbo e cádmio. O baixo nível causa deficiência, anorexia, fraqueza muscular, degeneração dos tecidos cardíacos e esqueléticos, dispneia e edema subcutâneo. Cromo Potencializa a ação da insulina juntamente com a ação da glicose na corrente sanguínea. O cobre é um potencial cofator das enzimas antioxidantes. Manganês É essencial para a nutrição dos animais, é o menos tóxico. Ocorre a ativação de vários sistemas metal-enzimáticos no organismo, a metabolização de lipídeos, proteínas e carboidratos, e ação condrogênese. A deficiência causa crescimento desordenado e alterações no metabolismo de lipídeos, devido ao mau funcionamento ou inativação das reações catalisadas pelas enzimas no organismo animal. O excesso causa formação de hemoglobina, competindo com o ferro nos sítios de absorção. Cobre Está ligado ao metabolismo do ferro, tem uma vasta função biológica. No sistema enzimático, é fundamental para a pigmentação da melanina. A deficiência dificulta o transporte de ferro, assim diminuindo a síntese de hemoglobina, podendo causar anemia, diminuição da elasticidade e resistência do colágeno ósseo. O excesso também pode causar anemia devido à competição com o cobre e o ferro pelos sítios de ativação no intestino. Por outro lado, o cobre favorece a absorção do ferro devido à conversão de tirosina em melanina, assim auxiliando na síntese de elasticidade e colágeno nos sistemas enzimáticos. Cobalto Compõe a vitamina B12, podendo substituir o zinco nos sistemas enzimáticos. Nos caninos e felinos a síntese do cobalto é limitada, ocorrendo baixas absorções no intestino. Molibdênio Está presente em pequenas quantidades no organismo. Tem a sua participação como cofator das enzimas. 28 UNIDADE II | NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS Minerais Funções Flúor Pode ser encontrado em toda crosta terrestre. Exerce função na estimulação e na formação dos dentes, assim evitando a formação de cáries que são os alargamentos nas cavidades dos dentes. Podemos encontrar flúor na água para que possa prevenir o aparecimento das cáries. Fonte: elaborada pela autora, 2020. 29 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO – ANFAL Pet. Boletim Informativo: Mercado Pet Brasil, Perfil Pet 2010, 2010. ARAÚJO, L. F.; ZANETTI, M. A. Nutrição Animal. Barueri: Manole, 2019. BORGES. F. M. O. Aspectos nutricionais de cães e gatos em várias fases fisiológicas – animal em crescimento x mantença x gestante x idoso. 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