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INGRID DUARTE – TURMA 42 1 APG 28 - 4º PERÍODO APG 28 – PATOLOGIAS DA PRÓSTATA Objetivo 1 – Rever a morfofisiologia da próstata: § Localizada na pelve, a próstata envolve o colo vesical e a uretra e fica em contato com o reto. No período embrionário, é dividida em lobos laterais, anterior e posterior. Em adultos, o limite entre os lobos é impreciso, não existindo feixes de tec. conj. que os delimitem. O único que pode ser +/- bem delimitado é o lobo posterior. § A próstata é uma glândula única em forma de rosca, aproximadamente do tamanho de uma bola de golfe. Ela mede cerca de 4 cm de um lado a outro, aproximadamente 3 cm de cima a baixo, e cerca de 2 cm de anterior a posterior. Encontra-se inferiormente à bexiga urinária e circunda a parte prostática da uretra. A próstata aumenta de tamanho lentamente desde o nascimento até a puberdade. Em seguida, se expande rapidamente até aproximadamente os 30 anos de idade; após esse período, seu tamanho normalmente permanece estável até os 45 anos, quando podem ocorrer novos aumentos. INGRID DUARTE – TURMA 42 2 APG 28 - 4º PERÍODO § A próstata pode ser dividida também em grupos glandulares interno e externo. No grupo interno, estão as glândulas mucosas e as submucosas e, no externo, as glândulas externas ou prostáticas propriamente ditas. § Há ainda uma outra designação topográfica em 3 zonas. A zona de transição corresponde à região que envolve a uretra proximal; a zona central, à porção que acompanha os ductos ejaculadores; a zona periférica (maior), à parte que envolve a uretra distal e que corresponde à região posterior da próstata. A divisão em zonas é a mais utilizada no estudo ultrassonográfico da próstata. § As glândulas prostáticas são constituídas de ácinos e ductos excretores revestidos por células cúbicas ou cilíndricas altas. Os núcleos dessas células são basais, e o citoplasma mostra, à imuno-histoquímica, forte positividade para o antígeno específico da próstata (PSA). Abaixo destas, há uma camada contínua ou descontínua de células basais positivas para ceratinas de alto peso molecular. Admite-se que as células basais da próstata, ao contrário do que ocorre na mama e nas glândulas salivares, não tenham função mioepitelial, atuando apenas como células de reserva e diferenciando-se em células epiteliais secretoras. Próximo à uretra prostática, o epitélio de revestimento dos ductos excretores é do tipo urotelial. O estroma, constituído de tecidos fibroso e muscular liso, com quantidade variável de fibras elásticas, tem importante função na regulação da proliferação e diferenciação do epitélio glandular por meio da produção e liberação de diferentes polipeptídeos: fator de crescimento semelhante à insulina (IGF), fator de crescimento de fibroblastos (FGF), fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) e fator de crescimento transformante (TGF). § A próstata está sob influência hormonal. O hormônio luteinizante (LH), produzido na adeno-hipófise por ação do hormônio liberador do LH (LHRH) sintetizado no hipotálamo, estimula as células de Leydig do testículo a produzir testosterona. O epitélio glandular prostático responde à ação da di-hidrotestosterona (DHT), que resulta da ação da enzima 5α-redutase sobre a testosterona nas células estromais. A testosterona tem função na libido e na potência sexual, enquanto a di-hidrotestosterona atua na proliferação e na função do epitélio glandular da próstata. § A próstata secreta um líquido leitoso e ligeiramente ácido (pH de aproximadamente 6,5) que contém diversas substâncias. (1) O ácido cítrico do líquido prostático é usado pelos espermatozoides para a produção de ATP por meio do ciclo de Krebs. (2) Várias enzimas proteolíticas, como o antígeno prostático específico (PSA), pepsinogênios, lisozima, amilase e hialuronidase, que por fim quebram as proteínas de coagulação das glândulas seminais. (3) A função da fosfatase ácida secretada pela próstata é desconhecida. (4) A plasmina seminal do líquido prostático é um antibiótico que pode destruir as INGRID DUARTE – TURMA 42 3 APG 28 - 4º PERÍODO bactérias. A plasmina seminal pode ajudar a diminuir a quantidade de bactérias que ocorrem naturalmente no sêmen e no sistema genital inferior da mulher. As secreções da próstata entram na parte prostática da uretra por meio de diversos canais prostáticos. As secreções prostáticas constituem aproximadamente 25% do volume do sêmen e contribuem para a motilidade e viabilidade dos espermatozoides. Objetivo 2 – Estudar etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e diagnóstico das patologias da próstata (Adenocarcinoma Prostático e Hiperplasia Prostática): HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA: INTRODUÇÃO: § A hiperplasia prostática benigna (HPB) consiste na próstata com aumento de volume, todavia não canceroso. A HPB também é denominada hipertrofia prostática benigna ou obstrução prostática benigna ou hiperplasia nodular da próstata. A próstata passa por dois períodos de crescimento, o primeiro ocorre no início da puberdade, quando seu tamanho duplica. A segunda fase do crescimento tem início aos 25 anos e continua pelo resto da vida. Durante a segunda fase de crescimento, à medida que a próstata aumenta de volume, a glândula afeta a uretra, obstruindo o fluxo de urina. Ocorre o espessamento da parede da bexiga que, enfim, pode se tornar mais enfraquecida e perder a capacidade de esvaziar completamente, causando o acúmulo de uma pequena quantidade de urina no seu interior. O estreitamento da uretra e a retenção urinária subsequente estão associados a muitos dos sinais e sintomas de HPB (p. ex., problemas para iniciar a micção, interrupção do jato de urina, noctúria). A HPB é caracterizada pela formação de lesões grandes e discretas na região periuretral da próstata, e não nas zonas periféricas (comumente afetadas pelo câncer de próstata). A HPB é uma das doenças mais comuns dos homens de idade avançada. Segundo relatos, mais de 75% dos homens com mais de 80 anos de idade apresentam HPB. O desenvolvimento do quadro é incomum em homens com menos de 40 anos de idade. ETIOLOGIA: § A causa da HPB não está clara. Os fatores de risco de desenvolver a afecção são: 40 anos de idade ou mais; histórico familiar de HPB; condições clínicas como obesidade, doença cardiovascular e diabetes tipo 2; falta de exercícios físicos. § Fatores de crescimento: Interações entre estroma e epitélio glandular parecem cruciais na patogênese da HNP. Admite-se que, no início, os nódulos sejam estromatosos por ação de provável produção local de fatores de crescimento. Com o tempo, parece que as células estromais da região periuretral induzem proliferação intranodular de ductos e ácinos, surgindo, assim, os nódulos estromatoglandulares. Segundo essa hipótese, porém, é difícil explicar a existência de nódulos constituídos quase exclusivamente por glândulas. Esta teoria, por outro lado, tem apoio em dados experimentais e de embriogênese. Como o mesênquima embrionário urogenital tem a propriedade de induzir proliferação glandular, o estroma na região periuretral pode estimular a proliferação das glândulas adjacentes por um processo chamado “novo despertar das propriedades embrionárias”. A superfície de corte de uma próstata com aumento de volume causado por hiperplasia nodular mostra diversos nódulos bem circunscritos de tecido prostático. A uretra prostática (clipe de papel) foi comprimida até se tornar uma fenda estreita. INGRID DUARTE – TURMA 42 4 APG 28 - 4º PERÍODO § Fatores hormonais: A HPB não se desenvolve em homens cujos testículos foram removidos antes da puberdade. Por esse motivo, alguns pesquisadores acreditam que os fatores relacionados ao envelhecimento e aos testículos podem causar HPB. Os homens sintetizam testosterona, um hormônio masculino, e pequenasquantidades de estrogênio, um hormônio feminino. À medida que envelhecem, a quantidade de testosterona ativa no sangue diminui, resultando em uma proporção maior de estrogênio. Estudos sugeriram que a HPB é resultado dessa maior proporção de estrogênio, a qual promove o crescimento prostático. § Outra teoria a respeito da HPB tem por foco a di-hidrotestosterona (DHT), um hormônio masculino envolvido no desenvolvimento e no crescimento da próstata. Pesquisas sobre a DHT sugerem que, mesmo com o declínio nos níveis séricos de testosterona associados ao envelhecimento, os homens continuam a produzir e acumular níveis altos de DHT na próstata; e esse acúmulo de DHT pode ser responsável pelo crescimento contínuo do órgão. De acordo com essa teoria, pesquisadores observaram que os homens que não sintetizam DHT não desenvolvem HPB. A DHT é mais potente do que a testosterona porque tem maior afinidade pelos receptores de andrógenos nas células e forma um complexo mais estável com esses receptores. Ligação da DHT ao receptor induz a expressão de genes que codificam fatores de crescimento (ex: FGF, TGF-β), que promovem proliferação de células epiteliais e do estroma prostático. Há evidências também de que os estrógenos aumentam a expressão dos receptores de DHT nas células prostáticas. A classe de medicamentos dos inibidores da 5-alfa-redutase (ex: finasterida, dutasterida) é utilizada para o tratamento da HPB. A enzima 5-alfa-redutase está envolvida na transformação metabólica de diversos esteroides endógenos, e os inibidores dessa redutase impedem a conversão da testosterona em DHT, que é mais potente. FISIOPATOLOGIA: § A localização anatômica da próstata, no colo vesical, contribui para a fisiopatologia e a sintomatologia da HPB. Existem 2 componentes prostáticos nas propriedades obstrutivas da HPB e no desenvolvimento dos sintomas do trato urinário inferior: dinâmico e estático. → O componente estático da HPB está relacionado a um aumento do tamanho da próstata e ocasiona sintomas como jato urinário fraco, gotejamento pós-micção, alterações na frequência da micção e noctúria. → O componente dinâmico está relacionado ao tônus do músculo liso prostático. Os receptores alfa1- adrenérgicos são os principais receptores do componente muscular liso da próstata. O reconhecimento do papel desses receptores sobre a função neuromuscular na próstata constitui a base para o uso de bloqueadores de receptores alfa1-adrenérgicos no tratamento da HPB. → Um terceiro componente, a instabilidade do músculo detrusor e o comprometimento da contratilidade vesical, pode contribuir para os sintomas de HPB, independentemente da obstrução da saída ocasionada pelo aumento de volume da próstata. QUADRO CLÍNICO: § Os sintomas do trato urinário inferior sugestivos de HPB podem incluir alterações na frequência da micção (ocorrendo oito ou mais vezes/dia); urgência na micção (incapacidade de adiar a micção; problemas para iniciar a micção; jato de urina fraco ou com interrupções); gotejamento ao final da micção; noctúria (micção frequente durante os períodos de sono); retenção urinária; incontinência urinária (escape acidental de urina); dor após a ejaculação ou durante a micção; urina com cor ou odor anormal. Os sintomas de HPB originam- se mais usualmente do bloqueio uretral ou do esforço vesical decorrente das tentativas de eliminar urina através do bloqueio. § O tamanho da próstata nem sempre determina o grau de bloqueio ou os sintomas. Alguns homens com próstatas muito aumentadas apresentam pouco bloqueio ou poucos sintomas, enquanto outros homens com próstatas minimamente aumentadas apresentam um bloqueio maior e mais sintomas. Menos da metade de todos os homens com HPB apresenta sintomas do trato urinário inferior. Em alguns casos, os homens podem não ter ciência do seu bloqueio até que absolutamente não consigam urinar, uma condição denominada retenção urinária aguda. Tal situação pode resultar da administração sem prescrição médica de INGRID DUARTE – TURMA 42 5 APG 28 - 4º PERÍODO medicamentos contra resfriados ou alergias contendo descongestionantes, como pseudoefedrina e oximetazolina. Esses medicamentos podem impedir o relaxamento do colo vesical e impossibilitar a micção. Anti-histamínicos como a difenidramina podem reduzir a força da contração dos músculos da bexiga e causar retenção urinária, dificuldades na micção e micção dolorosa. Quando os homens apresentam algum grau de bloqueio uretral, a retenção urinária também pode ocorrer como resultado do consumo de álcool, temperaturas frias ou períodos longos de inatividade. § Os nódulos hiperplásicos provocam compressão da uretra prostática ou funcionam como uma valva no orifício uretral interno; consequentemente, causam retenção urinária. A obstrução da uretra determina dificuldade de urinar que se manifesta por um conjunto de sinais e sintomas denominado prostatismo: aumento da frequência para urinar, noctúria, urgência miccional, jato urinário fraco, hesitação, intermitência, gotejamento urinário, esvaziamento incompleto e micção em dois tempos. A falta de esvaziamento completo da bexiga é fator predisponente para infecções urinárias. Em alguns pacientes, pode haver retenção urinária aguda necessitando de cateterização de urgência, na maioria das vezes causada por aumento súbito da glândula por edema secundário a infarto prostático. Os sinais e sintomas do prostatismo nem sempre decorrem de HNP, pois podem resultar de distúrbios relacionados com a contratilidade da bexiga. Hoje, em vez de prostatismo os urologistas preferem a expressão manifestações do trato urinário inferior. § Como a próstata hiperplásica pode fazer saliência sob a parede do reto, o toque retal é elemento propedêutico importante no diagnóstico clínico de HNP. Aliás, na maioria dos casos a suspeita surge desse procedimento. § As consequências da hiperplasia prostática resultam da obstrução urinária e suas repercussões na bexiga. No início, a parede vesical sofre hipertrofia e forma traves musculares entrecruzadas que delimitam espaços irregulares, dando o aspecto de trabeculação da mucosa vesical. Em locais de menor resistência, a mucosa é impulsionada entre as fibras musculares e forma pseudodivertículos. O não esvaziamento destes e o resíduo urinário no seu interior são as principais causas de infecções frequentes no trato urinário. Por outro lado, o estiramento da uretra prostática resultante do aumento de volume da glândula causa erosões na mucosa, favorecendo infecções bacterianas em cerca de 10% dos pacientes, associadas ou não a litíase prostática. Na fase avançada, a bexiga não consegue mais vencer a obstrução ao fluxo urinário e dilata-se, podendo atingir grande volume. Surge refluxo vesicoureteral, com hidroureter (dilatação do ureter) e hidronefrose (dilatação do rim) bilaterais. Pielonefrite (inflamação do rim) e insuficiência renal crônica decorrentes desses processos podem ser a causa do óbito em pacientes não tratados. DIAGNÓSTICO: § Atualmente, acredita-se que o único fator mais importante na avaliação e no tratamento da HPB diz respeito aos sinais clínicos. O Índice de Sintomas da American Urological Association (AUASI) é baseado em sete questões sobre os sintomas relativos ao esvaziamento incompleto, às alterações na frequência da micção, à urgência na micção, ao jato fraco, ao esforço e à noctúria. Cada questão é classificada com uma pontuação de 0 (leve) a 7 (grave). Uma pontuação máxima de 35 indica sintomas graves. Pontuações totais inferiores a 7 são consideradas leves; aquelas entre 8 e 20 são moderadas; e as pontuações superiores a 20 são graves. Uma questão final diz respeito à qualidade de vida em função dos problemas urinários. § O profissional de saúde pode encaminhar os homens ao urologista, mas também pode diagnosticar a HPB com base nos sintomas e no exame de toque retal. O urologista faz uso de exames clínicos para auxiliar no diagnósticode problemas do trato urinário inferior relacionados à HPB. Esses exames podem incluir urinálise, exame de sangue de antígeno prostático específico (PSA), testes urodinâmicos (ex: exames relativos ao fluxo urinário), cistoscopia, ultrassom transrretal e biopsia. O PSA é uma glicoproteína secretada no citoplasma de células prostáticas benignas e malignas, a qual está ausente em outros tecidos normais ou tumores. § As análises de sangue e urina são utilizadas como adjuvantes para determinar as complicações da HPB (p. ex., lesão renal, cálculos vesicais, infecções do trato urinário). A urinálise é realizada para detectar bactérias, leucócitos ou hematúria microscópica na presença de infecção e inflamação. O teste de PSA é utilizado como uma triagem para o câncer de próstata. As determinações dessa avaliação, aliadas ao AUASI, são utilizadas para descrever a extensão da obstrução e para determinar se são necessários outros exames complementares e/ou tratamento. INGRID DUARTE – TURMA 42 6 APG 28 - 4º PERÍODO § O exame de toque retal é utilizado para examinar a superfície externa da próstata. O aumento de volume do órgão consequente à HPB geralmente torna a próstata grande e palpável, com superfície lisa e consistência de borracha. Áreas enrijecidas na próstata são sugestivas de câncer e devem ser objeto da coleta de amostras para biopsia. § A determinação da urina residual pode ser realizada por ultrassonografia ou cateterização pós-micção, para determinar o volume da urina residual. A urofluxometria proporciona uma determinação objetiva da velocidade do fluxo urinário. Solicita-se ao paciente que urine com a bexiga relativamente cheia (no mínimo 150 mℓ) em um dispositivo que mede eletronicamente a força do jato e a velocidade do fluxo urinário. Uma velocidade do fluxo urinário superior a 15 mℓ/s é considerada normal, e inferior a 10 mℓ/s é indicativa de obstrução. § A ultrassonografia diagnóstica transabdominal ou transretal pode ser utilizada para a avaliação dos rins, ureteres e bexiga. A uretrocistoscopia é indicada em homens com histórico de hematúria, estenose, lesão uretral ou cirurgia anterior em trato urinário inferior. É utilizada para avaliar o comprimento e o diâmetro da uretra, o tamanho e a configuração da próstata, e a capacidade da bexiga. TC, RM e exames com radionuclídeos são reservados para os casos raros de detecção de tumores. ADENOCARCINOMA PROSTÁTICO: INTRODUÇÃO / EPIDEMIOLOGIA: § Depois do câncer de pele, o câncer de próstata é o mais comum nos EUA e está em terceiro lugar (após os cânceres de pulmão e colorretal) como causa de morte por câncer em homens norte-americanos. Acredita-se que o aumento nos casos diagnosticados reflete o diagnóstico mais precoce, em consequência do uso difundido do exame de PSA. Há uma acentuada variabilidade na incidência do câncer de próstata entre países diferentes, bem como entre as raças em um mesmo país. Homens afro-americanos e caribenhos apresentam as maiores taxas de incidência de câncer de próstata relatadas, em todas as faixas etárias. Asiáticos e nativos americanos apresentam as menores taxas. O câncer de próstata também é uma doença do envelhecimento e sua incidência aumenta rapidamente após os 50 anos de idade. De fato, mais de 85% de todos os cânceres de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos de idade. ETIOLOGIA: § A causa exata de câncer de próstata não está clara. Assim como outros tipos de câncer, aparentemente o desenvolvimento do câncer de próstata é um processo que ocorre em diversas etapas, com envolvimento de genes que controlam a diferenciação e o crescimento celular. Existem suspeitas de que diversos fatores de risco, como idade, raça, hereditariedade e influências ambientais (p. ex., dieta com alto teor de gorduras), desempenhem um papel. Os níveis dos hormônios masculinos também desempenham um papel. Faltam evidências suficientes para indicar a existência de uma relação entre condição socioeconômica, agentes infecciosos, tabagismo, vasectomia, comportamento sexual ou HPB e a patogênese do câncer de próstata. § A incidência do câncer de próstata aparenta ser mais alta em parentes de homens com câncer de próstata. Também existem estimativas de que homens com um parente em primeiro grau afetado (p. ex., pai, irmão) e um parente em segundo grau afetado (p. ex., avô, tio) apresentam um risco oito vezes maior. Foi sugerido que os padrões de dieta, incluindo o aumento do teor de gorduras alimentares originárias de carnes processadas e laticínios, podem alterar a produção de hormônios sexuais e fatores do crescimento, aumentando assim o risco de câncer de próstata. O papel das gorduras alimentares como fator de risco para o câncer de próstata é sustentado pela observação de que o teor de gorduras na dieta dos homens japoneses, entre os quais a taxa de câncer de próstata é baixa, é muito inferior àquele dos homens norte-americanos, entre os quais a incidência é muito maior. § Em termos da influência hormonal, acredita-se que os androgênios desempenhem um papel na patogênese do câncer de próstata. As evidências que favorecem uma influência hormonal incluem a presença de receptores esteroides na próstata, a necessidade de hormônios sexuais para o crescimento e o desenvolvimento prostáticos normais, e o fato de o câncer de próstata quase nunca se desenvolver em homens castrados. INGRID DUARTE – TURMA 42 7 APG 28 - 4º PERÍODO A resposta do câncer de próstata à administração de estrogênio ou à privação de androgênio sustenta ainda mais a existência de uma correlação entre a doença e os níveis de testosterona. FISIOPATOLOGIA: § Os adenocarcinomas prostáticos, responsáveis por 98% de todos os cânceres de próstata primários, em geral são multicêntricos e localizados nas zonas periféricas do órgão. A alta frequência de invasão da cápsula prostática pelo adenocarcinoma está relacionada à sua localização subcapsular. A invasão da bexiga é menos frequente e ocorre em um momento posterior na evolução clínica. A metástase pulmonar reflete a disseminação linfática pelo ducto torácico e a disseminação a partir do plexo venoso prostático até a veia cava inferior. As metástases ósseas, em particular na coluna vertebral, nas costelas e na pelve, produzem uma dor que usualmente se manifesta como o primeiro sinal da doença. § O câncer de próstata, assim como outros tipos de câncer, é graduado e estadiado. O adenocarcinoma prostático comumente é classificado aplicando-se o sistema de graduação de Gleason, que atribui os graus de acordo com um continuum de agressividade do câncer de próstata, em que a faixa de variação inferior (1 e 2) é a menos agressiva. À medida que a pontuação de Gleason aumenta, há indicação de uma maior agressividade do câncer de próstata. Os tumores em estágio primário (T1) são assintomáticos e descobertos ao exame histológico de amostras do tecido prostático; os tumores T2 são palpáveis ao exame de toque retal, mas estão confinados à próstata; os tumores T3 se estenderam além dos limites da próstata; e os tumores T4 se disseminaram além dos limites da próstata e envolveram as estruturas adjacentes. O envolvimento de linfonodos regionais (N) e as metástases a distância (M) são descritos como Nx ou Mx (não podem ser avaliados), N0 ou M0 (ausentes), e N1 ou M1 (presentes). § Os níveis de PSA são importantes no estadiamento e no tratamento do câncer de próstata. Nos casos não tratados, os níveis de PSA tendem a apresentar correlação com o volume e o estágio da doença. Uma elevação do PSA após o tratamento é consistente com doença progressiva, seja esta localmente recidivante ou metastática. A determinação do PSA é utilizada para detectar recidivas após a prostatectomia total. Como a próstata é a fonte do PSA, os níveis devem cair a zero após a cirurgia, de modo que uma elevação do PSA indica doença recidivante. QUADRO CLÍNICO: § A maioria dos homens com câncer depróstata em estágio inicial é assintomática. A presença de sintomas costuma sugerir doença localmente avançada ou metastática. Dependendo do tamanho e da localização do câncer de próstata no momento do diagnóstico, pode haver alterações associadas ao padrão de micção semelhantes àquelas observadas na HPB. Estas incluem urgência na micção, alterações na frequência da micção, noctúria, hesitação, disúria, hematúria ou presença de sangue no ejaculado. Ao exame de toque retal, a próstata pode exibir aspecto nodular e fixo. A metástase óssea frequentemente é caracterizada por dor na parte inferior das costas, podendo haver fraturas patológicas no sítio de metástases. Os homens com doença metastática podem apresentar perda de peso, anemia ou falta de ar.