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PROTOCOLO 
SPIKES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A prova prática do Revalida avalia, além do conhecimento do conteúdo em si, a 
capacidade de comunicação do médico, visto que a dominação da comunicação 
adequada para cada situação é primordial para uma boa relação médico-paciente e 
também para a relação interprofissional. Nesse sentido, para um médico, torna- se 
fundamental possuir essa habilidade apurada, pois a prova cobrará, em todas as 
estações, um pouco da sua capacidade de comunicação. 
 
É comum visualizar em checklists das provas itens como: 
 
 Comunicou-se adequadamente. 
 Comunicou-se com clareza. 
 Informou o diagnóstico de forma clara. 
 Tranquilizou o paciente. 
 Explicou os resultados de exames. 
 
Perceba, portanto, que uma boa comunicação - no geral - renderá bons pontos na 
prova prática do Revalida. 
 
Em alguns casos delicados você necessitará ir além do básico do que se considera 
uma boa comunicação, já que é premissa do médico informar familiares sobre o 
quadro do paciente e, caso ocorra, também realizar o comunicado de óbito. Além 
disso, muitas vezes o médico deverá informar más notícias, como: notificação de 
morte cerebral; notificação de doenças graves, como HIV, tuberculose e câncer; 
notificação de má formações congênitas, como já foi cobrado em prova anterior ao 
apresentar um caso de notificação de síndrome de down. Ou seja, qualquer 
notificação grave, que afete consideravelmente a vida dos familiares ou responsáveis, 
é de responsabilidade médica. 
 
Para essas situações foram criados alguns protocolos de más notícias, e o mais 
utilizado, e que o Revalida cobra, é o protocolo SPIKES. 
 
E como funciona o protocolo SPIKES? 
 
Ele é dividido em 6 etapas: 
 
 
 
 
 
1ª ETAPA – PLANEJAMENTO DA ENTREVISTA (S- SETTING) 
 
 Auto-avaliação (auto-percepção do estado de ânimo). 
 
 Prepare-se (reveja prontuário e opções, condutas que precisa definir). 
 
 Busque privacidade (chamar para um local reservado). 
 
 Conecte-se com o paciente (olhar nos olhos, tocar no ombro). 
 
 Ajuste o tempo (se for esperado alguma interrupção – informe antes). 
 
 Envolva pessoas importantes (um ou dois representantes). 
 
2ª ETAPA – PERCEPÇÃO (P- PERCEPTION) 
 
 Avalie a percepção do paciente – antes de contar, faça perguntas abertas: 
“O que você sabe sobre seu estado clínico? ” 
 “Você sabe porque fizemos tal exame? ” 
“Você estava a par do quadro do familiar? ” 
 Corrija a resposta e mal-entendidos (prepare o terreno, perceba se há 
negações, pensamentos mágicos, expectativas não realistas: “Você entende 
que o familiar apresenta um quadro grave? ” 
 Avalie o quanto ele quer ou não saber sobre sua doença e prognóstico. “Que 
tipo de informação o senhor deseja saber sobre a sua doença? ” “Você quer 
saber os detalhes do quadro? ” 
 Avalie se quer saber todos os detalhes ou um esboço geral. 
 Com criança ou adolescentes alguém da família pode assumir este “lugar” de 
comunicar. 
 Observação: procurar não mentir nem tratar a criança “como bobo”. 
 
 
4ª ETAPA – DANDO CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO AO PACIENTE 
(KKNOWLEDGE) 
 
 Seja objetivo e claro. Evite rodeios, termos técnicos e dureza excessiva. 
 
Em vez de: 
 
“Você tem um câncer grave e se não iniciar imediatamente o tratamento você 
vai morrer. ” 
 
Faça isso: 
 
“Olha, você foi diagnosticado com câncer, é uma doença grave, mas temos 
tratamento disponível e precisamos iniciar logo para ter uma melhor chance de 
sucesso. ” 
 
 Verifique se o paciente está mesmo entendendo o que está sendo dito. Fale 
aos poucos e dê espaço para perguntas. Evite frases como “não há mais nada 
a fazer”, porque sempre há outras opções, como controle da dor, aumento do 
conforto... 
 
 
 
 
5ª ETAPA – ABORDAR AS EMOÇÕES (E-BE EMPATIC) 
 
O médico empático está preocupado em entender o tipo e a qualidade da experiência 
do paciente neste momento (sofrer com o outro e não sofrer como o outro). 
A reação do paciente pode variar muito (choro, raiva, histeria, negação, silêncio e 
incredulidade), sendo que, ao receber as más notícias a maioria entra em estado de 
choque e dor. 
Demonstre apoio e espaço para o silêncio. Depois da notícia deixe o familiar ou 
paciente chorar e fazer o que for, mas fique em silêncio até ele parar tudo. Então dê 
respostas afetivas, como “eu entendo sua dor”, “eu sei que é difícil”. 
Observação: coloque a mão no ombro da pessoa ao falar. 
 
6ª ETAPA – ESTRATÉGIA E RESUMO (S- STRATEGY AND SUMMARY) 
 
 Proposta de tratamento, ou seguimento, ou cuidados paliativos compartilhando 
decisões e responsabilidades. Certifique-se do próximo passo (próxima 
consulta, um telefonema, um exame, etc.). 
 
 Pergunte se tem alguma dúvida e então termine a estação. 
 
Basicamente essa estação virá com um quadro já avançado, com os detalhes no 
enunciado. Já apareceu até com fotos da doença, ou seja, um diagnóstico que não vai 
te tomar muito tempo para obter. Então, no geral, você deverá explicar exames, 
diagnósticos e seguir o protocolo SPIKES. Pode parecer muita coisa, mas ao treinar 
você verá que faz tudo isso muito rapidamente.

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