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SISTEMAS DE ENSINO, 
LEGISLAÇÃO E GESTÃO 
DEMOCRÁTICA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Katia Cristina Dambiski Soares 
 
 
2 
AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO 
CONVERSA INICIAL 
É consenso que a avaliação faz parte de nossa vida em geral, que quase 
tudo o que fazemos é avaliado por nós, durante ou depois da ação realizada, de 
forma quase natural; exemplo disso é o momento em que analisamos se algo 
saiu como o esperado, se deu certo ou errado, e buscamos rever a ação para 
que na próxima tentativa o resultado seja mais satisfatório. 
No contexto das instituições escolares, é necessário que as ações 
pedagógicas sejam sempre revisadas, avaliadas, para que novos rumos e 
estratégias sejam tomados quando se constata que a aprendizagem dos 
estudantes não está acontecendo conforme o planejado. Se um professor ensina 
determinado componente curricular, mas a maior parte da turma não tem bons 
resultados na avaliação realizada, convém repensar sua prática pedagógica e 
buscar identificar os fatores que podem ter interferido no desempenho dos 
discentes. Se os resultados foram positivos, essa análise também é 
recomendada, pois por meio dela pode-se verificar quais medidas estão se 
mostrando exitosas. 
Nesta abordagem, refletiremos sobre a avaliação do ponto de vista da 
legislação educacional e das políticas públicas. Ela estará dividida em cinco 
tópicos, conforme apresentamos a seguir. 
No Tópico 1, trataremos sobre o Sistema Nacional de Avaliação da 
Educação Básica (Saeb) e os indicadores educacionais, como Indice de 
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Também comentaremos o Exame 
Nacional do Ensino Médio (Enem). Analisaremos como a política voltada para a 
avaliação educacional, em geral, tem se desenvolvido. No Tópico 2, 
discorreremos sobre as políticas de avaliação externa e interna, e sobre as 
concepções e práticas que envolvem essas avaliações. Na continuidade. o 
Tópico 3 será dedicado à avaliação da aprendizagem no contexto da Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC). Depois, no Tópico 4, abordaremos a 
avaliação institucional e a gestão da qualidade nos sistemas educacionais 
vigentes. Finalmente, no Tópico 5, versaremos sobre os impactos da avaliação 
na formulação de políticas públicas e gestão educacional. 
 
 
3 
TEMA 1 – SAEB E INDICADORES DE QUALIDADE NA AVALIAÇÃO 
EDUCACIONAL 
Avaliação é sempre um julgamento de valor, que se realiza sobre um 
objeto da realidade, utilizando um instrumento com determinados critérios para 
verificar o quanto o objeto de análise está mais ou menos próximo do que se 
considera o ideal. A escolha dos critérios da avaliação está diretamente 
relacionada com o que se quer privilegiar; logo, ela sempre tem um caráter 
subjetivo inerente. 
No campo das políticas educacionais, são definidos alguns indicadores 
para verificar a qualidade da educação ofertada pelos diferentes sistemas de 
ensino (municipais, estaduais, Distrito Federal e União). E o que são indicadores 
educacionais? Conforme Vitelli, Fritsch e Corsetti (2018, p. 4), são 
metodologias de medição, que têm o objetivo predeterminado de 
retratar, de alguma forma, a realidade pesquisada, porém, em virtude 
de suas limitações, não avaliam de fato a qualidade da educação. 
Consistem, na verdade, em sinais e recursos metodológicos, que 
podem ser qualitativos ou quantitativos e expressam, a partir de um 
significado particular, um resultado, uma característica ou o 
desempenho de uma ação, de um processo ou de um serviço, podendo 
positivamente assumir uma função diagnóstica de amplitude social e 
subsidiar a formulação de políticas públicas. 
Portanto, os indicadores como metodologias de medição que se prestam 
a retratar a realidade pesquisada, com função diagnóstica e de subsídio para a 
formulação de políticas públicas. 
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) é 
desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais 
Anísio Teixeira (Inep) e se volta para políticas que visam a avaliação de 
desempenho dos estudantes da educação básica brasileira. Trata-se de um 
conjunto de avaliações de longa escala, com base em informações pré-definidas 
e dados do Censo Escolar da Educação Básica no Brasil. Fazem parte do Saeb 
a Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb), a Avaliação Nacional do 
Rendimento Escolar (Anresc) e a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). 
A constituição e a consolidação do Sistema de Avaliação da Educação 
Básica (SAEB) vêm tendo centralidade no cenário educacional 
brasileiro a partir da década de 1980 com políticas pautadas na 
avaliação em larga escala e em indicadores educacionais […]. Nesse 
contexto, são perceptíveis os movimentos recentes de incorporação de 
indicadores educacionais de avaliação de contexto da educação 
básica que se fazem presentes desde 2014, quando o Instituto 
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) 
 
 
4 
disponibilizou um conjunto de indicadores em seu site. O INEP, a partir 
de agosto de 2015, tornou pública a plataforma Painel Educacional, 
disponibilizando informações definidas como de trajetória (matrículas, 
média de estudantes por turma, estudantes incluídos, matrículas em 
tempo integral, taxa de aprovação, taxa de reprovação, taxa de 
abandono e taxa de distorção idade-série), de aprendizagem 
(participação de estudantes e escolas nas avaliações e resultados) e 
de contexto (indicador de nível socioeconômico, indicador de 
complexidade da gestão escolar, indicador de esforço docente, 
indicador de adequação da formação docente, indicador de 
regularidade docente e indicador de desenvolvimento da educação 
básica). (Vitelli; Fritsch; Corsetti, 2018, p. 3) 
Os dados do Saeb, em geral, auxiliam no mapeamento de como está a 
educação no Brasil, detectando pontos críticos, locais que necessitam de 
maiores investimentos e de políticas educacionais para suprir os problemas 
detectados. 
Saiba mais 
Para obter informações detalhadas sobre o Saeb, acesse: 
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. 
Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Disponível em: 
. Acesso em: 20 mar. 2025. 
Os dados do Saeb são utilizados para definir o Índice de Desenvolvimento 
da Educação Básica (Ideb). Esse índice é obtido por meio de um pinçamento de 
dados específicos e não do todo; é, portanto, um recorte tanto de componentes 
curriculares quanto de anos de escolaridade contemplados. 
A partir do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), calcula-
se o IDEB, que consiste em um indicador de desempenho do sistema 
educacional brasileiro, aferido a partir das notas obtidas pelos 
estudantes em provas de proficiência em língua portuguesa e 
matemática (Avaliação Nacional do Rendimento Escolar-Anresc/Prova 
Brasil), somadas aos dados do fluxo escolar. Esses dados são obtidos 
pela média de aprovação dos estudantes ou pelo tempo médio de 
conclusão de uma série. Esses dados são verificados a partir do Censo 
Escolar, realizado anualmente nas escolas, sob a coordenação do 
INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira). 
(Pessin; Deps, 2020, p. 5) 
Outro exemplo de avaliação externa de longa escala desenvolvida no 
Brasil é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esta prova, além de avaliar 
como está o conhecimento dos estudantes que terminam o ensino médio, pode 
ter seus resultados utilizados para o ingresso no ensino superior por meio do 
Sistema de Seleção Unificada (Sisu). 
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb
https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb
 
 
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o Enem, que se tornou um exame histórico para a educação brasileira. 
Além de avaliar os estudantes que concluem o ensino médio, tal exame 
instala-se como uma ferramenta para o estabelecimentode índices de 
qualidade da educação básica e contribui com a efetivação, ou não, de 
políticas educacionais. Em outro aspecto também pode ser 
considerado um processo seletivo para o ingresso na Educação 
Superior, e, por isso, influencia a mobilização por mudanças nos 
processos educativos do ensino médio no intuito de preparar os 
estudantes para a prova. (Hollas; Bernardi, 2020, p. 111) 
Com o Enem, os estudantes podem participar de programas para bolsas 
de estudo em algumas instituições de ensino superior privadas por meio do 
Programa Universidade para Todos (Prouni), bem como financiamento estudantil 
pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 
Logo, as avaliações têm contribuído para definir ações e políticas 
educacionais no país, como o Enem no que se refere ao ingresso no ensino 
superior. 
TEMA 2 – POLÍTICAS DE AVALIAÇÃO EXTERNA E INTERNA: CONCEPÇÕES E 
PRÁTICAS 
A avaliação da educação na rede pública de ensino pode ser interna ou 
externa. As avaliações internas são aquelas que acontecem no cotidiano escolar 
para verificação da aprendizagem. Já as avaliações externas são direcionadas 
às escolas pelas mantenedoras, as secretarias de educação e o governo federal 
por meio do Ministério da Educação. Quanto a estas, há bastante controvérsia 
acerca de suas finalidades e da utilização dos dados para gerar políticas 
públicas, conforme alertam Garcia e Miranda (2024, p. 2) se referindo às 
avaliações externas de larga escala (Aele): 
Autores diversos destacam a solidez das AELE nos estados (Horta 
Neto; Junqueira; Oliveira, 2016; Perboni, 2016) e nos municípios 
(Bauer et al., 2015), onde os resultados são usados para, entre outras 
questões, a tomada de decisões por gestores dos sistemas e de 
unidades escolares com vistas a melhorar a qualidade do ensino, 
mesmo que a relação direta entre as AELE e qualidade da educação 
seja questionável (Machado; Alavarse, 2014), por causa das múltiplas 
visões sobre esse último elemento. 
Essas avaliações podem ser consideradas políticas educacionais quando 
visam coletar informações a respeito do desempenho educacional dos 
estudantes nas escolas públicas brasileiras, em determinadas etapas de ensino, 
com vistas a um diagnóstico que possibilite ações estruturais e educativas para 
melhoria da qualidade do ensino. São exemplos de avaliações aplicadas nas 
 
 
6 
escolas por um órgão que lhe é externo, como o Inep, a Anresc, conhecida como 
Prova Brasil e aplicada no ensino fundamental, e o Enem, efetuado ao final do 
ensino médio. 
Há, ainda, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), 
reconhecido no mundo todo. O Pisa é realizado pela Organização para a 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com estudantes de 15 anos 
para avaliar competências de leitura, matemática e ciências; e o Brasil participa 
do programa desde 2000. 
Hoje é fato visível nas escolas que a avaliação externa orienta e 
determina os objetivos e a extensão das disciplinas (em especial 
português e matemática, mas não menos as demais disciplinas pois 
que interfere nos tempos que a escola permite dedicar a estas). A 
repercussão nas outras categorias pedagógicas vai se estabelecendo 
por meio da pressão crescente das avaliações externas que influencia 
o que o professor e a escola assumem como conteúdo e como método. 
(Freitas, 2014, p. 1094) 
Tanto as avaliações internas quanto as externas expressam determinadas 
concepções educacionais e desencadeiam práticas pedagógicas específicas 
nos contextos em que são desenvolvidas. Isso significa que a avaliação não deve 
ser, e não o é, um elo descolado de todo o processo de ensino-aprendizagem. 
Avaliação não é apenas o elemento final do processo; ela tem de estar 
relacionada com tudo o que a antecedeu, desde o planejamento do ensino, seus 
objetivos, a escolha curricular (o que foi ensinado) e a metodológica. A avaliação 
só tem sentido se estiver vinculada com uma proposta de redirecionamento das 
ações, de modo que os pontos frágeis do processo sejam identificados e haja 
consciência de que precisam ser retomados. É nesse sentido que as concepções 
e as práticas estão sempre relacionadas. 
TEMA 3 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO CONTEXTO DA BNCC 
Voltemos nossa atenção para a avaliação da aprendizagem, uma 
avaliação interna que está diretamente relacionada com a avaliação externa a 
que nos referimos no tópico anterior. 
A avaliação obrigatoriamente tem de guardar relação com a proposta 
pedagógica adotada pela escola, seu projeto político-pedagógico (PPP). O 
planejamento, o ensino propriamente dito e a avaliação devem compor um todo 
indissociável e coerente com a proposta educacional adotada pela instituição 
escolar. Assim, por exemplo, se a escola se propõe a seguir uma linha 
 
 
7 
progressista, como a da corrente pedagógica histórico-crítica, a sistemática de 
avaliação coerente com essa linha de trabalho tomará a avaliação como uma 
ação formativa. 
Destacamos que a avaliação não é mera constatação do nível em que se 
encontra o aluno, não é apenas a atribuição de uma nota ou conceito, pois, além 
de ser um juízo de valor, ela desencadeia sempre uma tomada de decisão com 
base nos dados levantados. Portanto, a avaliação tem caráter diagnóstico, sendo 
uma ferramenta que contribui para a aprendizagem e não um fim nela mesma; 
trata-se, portanto, de um ponto de partida para uma retomada das ações e a 
reorganização da prática pedagógica. 
Logo, as práticas de avaliação da aprendizagem visam superar a 
dimensão individual e subjetiva e alcançar seu caráter coletivo, garantindo que 
não se avalie apenas o aluno, mas também a prática pedagógica desenvolvida, 
as ações da escola, sempre enfatizando a reorganização do processo 
educacional com vistas à aprendizagem. 
A avaliação é um processo intencional e envolve subjetividade; por esse 
motivo, é necessário definir critérios avaliativos não com base nos 
conhecimentos mínimos possíveis de serem atingidos, mas levando-se em 
consideração aqueles necessários ou básicos a serem garantidos, na 
aprendizagem de cada objeto de estudo, componente curricular e área do saber. 
A avaliação da aprendizagem precisa considerar o aluno real, com relação ao 
próprio progresso e, ao mesmo tempo, aos conhecimentos básicos necessários 
a serem por ele incorporados com sentido (o motivo de aprender algo) e 
significado (a importância do que aprender alguma coisa em específico). 
A avaliação da aprendizagem tem o propósito de contribuir com os alunos 
no processo de construção de sua competência para a inserção crítica e 
consciente na sociedade e constituição da sua autonomia como cidadão. O 
processo avaliativo, nesse sentido, modifica qualitativamente tanto o estudante 
quanto a escola. 
Sob o entendimento de que a prática avaliativa é diagnóstica, contínua, 
cumulativa e qualitativa, citamos a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 
(Brasil, 1996), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), que 
em seu art. 24 estabelece que a educação básica, nos níveis fundamental e 
médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: 
 
 
 
8 
III – nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, 
o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde 
que preservada a sequência do currículo, observadas as normas do 
respectivo sistema de ensino; 
IV – poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries 
distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o 
ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes 
curriculares; 
V – a verificação do rendimento escolar observará os seguintes 
critérios: 
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com 
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos 
resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; 
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso 
escolar; 
c) possibilidadede avanço nos cursos e nas séries mediante 
verificação do aprendizado; 
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; 
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência 
paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, 
a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; 
VI – o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o 
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de 
ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do 
total de horas letivas para aprovação; 
VII – cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, 
declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de 
conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. 
Já com relação à educação infantil, o mesmo instrumento legal prevê, em 
seu art. 31, estas regras comuns: 
I – avaliação mediante acompanhamento e registro do 
desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo 
para o acesso ao ensino fundamental; 
II – carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída 
por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; 
III – atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para 
o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral; 
IV – controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, 
exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total de 
horas; 
V – expedição de documentação que permita atestar os processos de 
desenvolvimento e aprendizagem da criança. (Brasil, 1996) 
Além da LDBEN, qualquer discussão a respeito dos processos da 
educação básica no Brasil precisa considerar o que diz a BNCC, documento 
normativo que estabelece um conjunto de aprendizagens essenciais que todos 
os estudantes devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da 
educação infantil até o fim do ensino médio. 
O conjunto de aprendizagens essenciais e indispensáveis, referido no 
texto, reproduz o discurso proposto na “Declaração Mundial sobre 
Educação para Todos: Satisfação das Necessidades Básicas de 
Aprendizagem”, que é resultado da Conferência Mundial da Educação 
para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990. (Filipe; Silva; 
Costa, 2021, p. 788) 
 
 
9 
Ademais, a BNCC, em conformidade com a LDBEN, tem a função de 
nortear o desenvolvimento dos currículos escolares nos sistemas de ensino do 
país e orientar a elaboração das propostas pedagógicas de todas as escolas 
públicas e privadas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. 
Isso significa que as orientações nela constantes são norteadoras dos processos 
de avaliação a serem desenvolvidos, tanto as avaliações externas quanto as 
internas. 
A BNCC tem foco em competências e compromisso com o 
desenvolvimento integral dos estudantes. No documento, são estabelecidas dez 
competências gerais para a educação básica, com base nas quais são 
definidas as orientações específicas para cada etapa de ensino. 
Para a educação infantil, são definidos dois eixos estruturantes 
(Interações e Brincadeiras) e seis direitos de aprendizagem (conviver, brincar, 
participar, explorar, expressar e conhecer-se); com base neles, são 
estabelecidos cinco campos de experiências por meio dos quais as crianças 
podem aprender e se desenvolver. São eles: (1) O eu, o outro e o nós; (2) Corpo, 
gestos e movimento; (3) Traços, sons, cores e formas; (4) Escuta, fala, 
pensamento e imaginação; (5) Espaços, tempos, quantidades, relações e 
transformações. 
Para o ensino fundamental, segunda etapa da educação básica, na BNCC 
consta o currículo em cinco áreas do conhecimento; e cada área apresenta seus 
componentes curriculares e orientações específicas para os anos iniciais e os 
anos finais. As áreas do conhecimento no ensino fundamental são: Linguagens, 
Matemática, Ciências da natureza, Ciências humanas e Ensino religioso. Para 
cada área do conhecimento, são estabelecidas competências específicas, 
componentes curriculares, habilidades e objetos do conhecimento que são 
organizados em Unidades Temáticas. 
Para o ensino médio, por sua vez, o currículo é organizado em quatro 
áreas do conhecimento, que são: Linguagens e suas tecnologias; Matemática e 
suas tecnologias; Ciências da natureza e suas tecnologias; Ciências humanas e 
sociais e suas tecnologias. Para cada área, são definidos componentes 
curriculares e habilidades a serem desenvolvidas. 
As normativas legais da BNCC precisam obrigatoriamente ser observadas 
na organização das propostas pedagógicas nas diferentes etapas da educação 
básica e para a organização dos processos de avaliação da aprendizagem. 
 
 
10 
Entretanto, existem críticas no meio acadêmico e advindas de escolas e 
associações de classe (sindicatos) que também precisam ser seriamente 
consideradas: 
Hoje, a BNCC é a referência nacional obrigatória para adequação dos 
currículos da Educação Básica com função técnica/instrumental 
homogeneizante, subsumindo as especificidades locais e regionais e 
impondo os objetivos e as temáticas privilegiadas para o alcance do 
desenvolvimento das “dez competências gerais” da Educação Básica 
nos alunos, de todos os níveis e modalidades de Ensino. Tendo o 
pressuposto de que a competência se define como “[…] a mobilização 
de conhecimentos […], habilidades […], atitudes e valores para 
resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da 
cidadania e do mundo do trabalho” (BRASIL, 2018, p. 8), numa 
perspectiva pragmática. (Filipe; Silva; Costa, 2021, p. 790) 
Leitura complementar 
Conheça o documento da BNCC na íntegra: 
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 
DF, 2018. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2025. 
TEMA 4 – AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E GESTÃO DA QUALIDADE EM 
SISTEMAS DE ENSINO 
Explicamos nos tópicos anteriores a diferença entre avaliações internas e 
externas. No âmbito da avaliação externa, mencionamos as políticas 
educacionais e as Aeles; quanto à interna, enfatizamos a avaliação da 
aprendizagem realizada nas escolas pelos professores com os estudantes em 
sala de aula. Agora, comentaremos outra forma de avaliação muito importante: 
a avaliação institucional. 
A avaliação institucional deve ser realizada periodicamente, por exemplo 
a cada ano, pelas instituições escolares para possibilitar uma análise de amplo 
espectro a respeito de como foi o processo de trabalho desenvolvido durante 
aquele período específico por todos os profissionais envolvidos. Como as outras 
formas de avaliação, ela visa ao redimensionamento das ações para que se 
possa melhorar o serviço que está sendo oferecido. De acordo com Sordi e 
Ludke (2009, p. 317), “a aprendizagem da avaliação institucional, ao tomar a 
escola como referência de análise da qualidade de ensino oferecido, constitui-
se mediação importante para abordagens macro e micro dos processos de 
ensino”. 
 
 
11 
A avaliação institucional precisa ser realizada pelas escolas de forma 
participativa, envolvendo todos os sujeitos que dela participam, sem receio das 
críticas que dela possam advir, com base em um instrumento bem elaborado e 
com critérios claros e bem definidos. Ela está relacionada com as demais 
avaliações internas e externas das quais a escola participa e é um processo de 
aprendizagem que também pode ser continuamente aprimorado. 
A aprendizagem da avaliação institucional inclui o saber posicionar-se 
diante dos dados oferecidos pela avaliação externa, usando-os para 
esclarecer a realidade escolar, quer pela aceitação das evidências ou 
pela refutação das mesmas. Aprender avaliação institucional significa 
assumir o monitoramento ativo do cotidiano escolar, sem que se 
resvale para o controle, assegurado pela excessiva produção de regras 
sobre a realidade e a comunidade. (Sordi; Ludke, 2009, p. 327) 
Ressaltamoso papel das mantenedoras, secretarias de educação 
municipais e estaduais, na formação continuada dos profissionais da educação 
para a realização das avaliações institucionais. Às mantenedoras de cada rede 
de ensino da educação pública cabe fornecer orientações a respeito dos 
instrumentos a serem utilizados nas avaliações institucionais, dando o suporte 
necessário para as unidades de ensino. 
TEMA 5 – IMPACTOS DA AVALIAÇÃO NA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS E GESTÃO EDUCACIONAL 
Conforme explicamos ao longo deste conteúdo, as Aeles têm sido 
consideradas eixo basilar para a organização de políticas educacionais que se 
voltam para o atendimento e a superação das fragilidades e problemas que são 
detectados por meio dos resultados dos processos avaliativos realizados. 
Outrossim, as avaliações internas, como a avaliação da aprendizagem dos 
estudantes e a avaliação institucional, também precisam ser consideradas pelas 
secretarias de educação quando desenvolvem políticas educacionais nos 
municípios e estados. 
Além da influência das avaliações educacionais sobre a elaboração de 
políticas educacionais, os resultados das avaliações são um instrumento 
extremamente relevante para que os gestores, de modo geral, orientem suas 
ações no âmbito de cada uma as unidades educacionais. As avaliações 
fornecem feedback para os gestores e para a equipe da escola dando subsídios 
para reorganizar o que for necessário, descartar ações que não têm apresentado 
 
 
12 
resultados positivos e implementar novas metodologias de trabalho coletivo com 
a finalidade de atingir o objetivo maior da escola, que é aprendizagem dos 
estudantes. 
A avaliação da educação, em todas as suas dimensões, é multifacetada, 
apresentando diversas determinações que precisam ser consideradas em 
qualquer análise dos resultados detectados. Os resultados de uma avaliação não 
podem ser vistos descolados da realidade, do contexto, como se adviessem de 
circunstâncias pontuais. Nos processos avaliativos, em qualquer instancia 
educacional, os professores precisam ser protagonistas: 
A avaliação vem ganhando centralidade na cena política e os espaços 
de sua interferência têm sido ampliados de modo marcante, 
ultrapassando o âmbito da aprendizagem dos alunos. Por tratar-se de 
campo fortemente atravessado por interesses, diante dos quais 
posturas ingênuas não podem ser aceitas, compete aos profissionais 
da educação desenvolverem alguma expertise para lidar com a 
avaliação. Ao deixarem de ser apenas avaliadores e começarem a ser 
também objeto de avaliação, os profissionais das escolas são 
desafiados a desenvolver relações mais maduras com a avaliação e 
com os avaliadores de seu trabalho, sob pena de não acrescentarem 
qualidade política ao processo. (Sordi; Ludke, 2009, p. 316) 
As palavras de Sordi e Ludke (2009) apontam para o entendimento de 
que a avaliação impacta nas políticas e na gestão educacional, influenciando 
todo o trabalho pedagógico desenvolvido e os sujeitos das práticas pedagógicas. 
A avaliação não é o final do processo, mas um elemento muito importante para 
buscar estratégias voltadas à melhoria do processo de ensino-aprendizagem. 
Todavia, dependendo das finalidades, a avaliação pode desencadear o efeito 
contrário, tornando-se um elemento burocrático, que aprisiona e torna o 
processo mecânico, voltado apenas para a nivelação meritocrática de alunos, 
escolas e redes de ensino. Cabe sempre perguntar: quais são os objetivos da 
avaliação educacional desenvolvida? 
NA PRÁTICA 
Assista a um dos filmes indicados a seguir (ou outro que conhecer), os 
quais tratam, em alguma medida, da avaliação educacional: Um sonho possível; 
Sociedade dos poetas mortos; Como estrelas na Terra: toda criança é especial; 
Entre os muros da escola; e Escritores da liberdade. 
Depois de assistir ao filme, componha um texto de dois parágrafos em 
que relacione os temas aqui abordados com a narrativa fílmica. Envie sua 
 
 
13 
produção para a tutoria. O professor-tutor lhe entregará um feedback sobre as 
ideias que você apresentar a respeito da avaliação na educação. 
FINALIZANDO 
Nesta abordagem, explicamos que a avaliação faz parte da vida em geral 
e que, no contexto das instituições escolares, é necessário que as ações 
pedagógicas sejam sempre avaliadas para ser possível redirecioná-las conforme 
necessário. 
Refletimos sobre a avaliação do ponto de vista da legislação educacional 
e das políticas públicas. Citamos o Saeb e os indicadores educacionais, como o 
Ideb. Também comentamos o Enem e sua importância para o ingresso no ensino 
superior. Diferenciamos as políticas de avaliação externa e interna e expusemos 
as concepções e práticas que envolvem essas avaliações. Ainda, discorremos 
sobre a avaliação da aprendizagem no contexto da BNCC, bem como acerca da 
avaliação institucional e da gestão da qualidade nos sistemas educacionais 
vigentes. 
Destacamos o papel político que as avaliações desempenham no âmbito 
educacional, uma vez que definem linhas de ação e direcionamentos. A 
avaliação não é o ponto final do processo de ensino-aprendizagem, mas o início 
de proposições, no sentido da continuidade e da retomada das ações, de 
maneira crítica e comprometida com a aprendizagem dos estudantes. 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
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