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Aula 04

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CURSO DIREITO DO TRABALHO E PROCESSO (TÉCNICO TST) 
TEORIA E QUESTÕES FCC 
PROFESSORA: Déborah Paiva 
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Queridos alunos, 
 
Na aula de hoje estudaremos a duração do trabalho, jornada de 
trabalho, bem como o trabalho noturno, o trabalho extraordinário, 
repouso semanal remunerado e os turnos ininterruptos de revezamento. 
 
Este tema teve muitas alterações recentes. 
 
Ao final da aula apresentarei questões de prova sem gabarito e 
comentários para que vocês possam avaliar os erros e acertos e 
detectarem qual é o ponto que precisam estudar mais! 
 
A seguir apresentarei as mesmas questões com o gabarito e 
comentários em cada assertiva! Da forma que vocês já estão 
acostumados. 
 
Vamos então dar início a nossa aula de hoje! 
Aula 04: Da duração do trabalho; da jornada de trabalho; dos períodos 
de descanso; do intervalo para repouso e alimentação; do descanso 
semanal remunerado; do trabalho noturno e do trabalho extraordinário; 
do sistema de compensação de horas. 
4.1.Jornada Legal e Convencional: 
Antes de falar sobre a jornada legal e a jornada convencional é 
importante explicar o que é a jornada de trabalho. 
É importante fazer a distinção entre horário de trabalho e jornada 
de trabalho. 
 O horário de trabalho é o lapso temporal entre o início e o 
fim de certa jornada de trabalho. Assim, a hora de entrada e 
de saída no emprego é que determinará o horário de 
trabalho do empregado. 
 Jornada de trabalho é a quantidade de labor diário do 
empregado, ou seja, é o tempo diário em que o empregado 
tem que se colocar em disponibilidade perante seu 
empregador. 
 
 
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 Exemplificando: Teobaldo inicia o seu trabalho às 9 horas da 
manhã, interrompe para almoçar às 13 horas, retorna às 14 horas e 
termina de trabalhar às 18 horas. O horário de trabalho dele será de 9 
às 18 horas e a jornada de trabalho dele será de 8 horas diárias. 
 A duração normal do trabalho foi fixada pela CRFB/88 em função 
do dia (jornada) ou da semana, observem: 
 Art. 7º XIII da CF/88 duração normal do trabalho não superior 
a oito horas diárias e quarenta e quatro horas semanais, facultada 
a compensação de horários e a redução da jornada, mediante 
acordo ou convenção coletiva de trabalho. 
Observem que a jornada ordinária ou normal prevista 
constitucionalmente é de 8 horas diárias e quarenta e quatro horas 
semanais, sendo assim podemos afirmar que o tempo máximo previsto 
para a prestação de trabalho é de 8 horas diárias. 
Mas poderá este tempo ser ampliado ou reduzido? 
Como o próprio artigo 7º da CF/88 estabelece, este tempo poderá 
ser reduzido por negociação coletiva, mas ampliado não poderá. 
Há algumas categorias profissionais que possuem jornadas 
especiais, menores do que a jornada normal de oito horas diárias. 
Estudaremos as jornadas especiais mais adiante. 
Caso um empregado trabalhe além da jornada mínima prevista 
para ele, seja a jornada normal de oito horas diárias ou jornada 
especial, estaremos diante da jornada extraordinária que acarretará em 
alguns casos o pagamento do adicional de horas extras. 
As horas extraordinárias serão também estudadas mais adiante, 
por enquanto quero apenas esclarecer que quando o art. 7º fala em 
compensação, estaremos diante de uma hipótese de trabalho além da 
jornada normal que não ensejará o pagamento de adicional de horas 
extraordinárias, porque o empregado irá compensá-las, ou seja, o 
acréscimo de um dia será diminuído em outro dia. 
 
 
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A doutrina estabelece três critérios básicos de fixação da jornada: 
� Tempo efetivamente trabalhado: Por este critério considera-se 
jornada apenas o tempo efetivamente trabalhado pelo obreiro. 
Este critério foi rejeitado pela CLT, pois no art. 4º ela considera 
como tempo de serviço o período que o empregado estiver 
simplesmente à disposição do empregador. 
Art. 4º CLT O tempo computado como de jornada de trabalho é 
o tempo em que o empregado permanece à disposição do 
empregador, aguardando ou executando ordens. 
� Tempo à disposição do empregador: Considera como jornada 
o tempo que o empregado ficou à disposição do empregador, 
independentemente de ocorrer ou não a efetiva prestação de 
serviços. Este foi o critério adotado pela CLT (art. 4º CLT). 
Exemplificando: Durante o trajeto da boca da mina ao local de 
trabalho o empregado que trabalha em minas e subsolo tem este 
período computado dentro da jornada de trabalho, apesar do fato de 
não estar trabalhando neste período, mas está à disposição do 
empregador (art.294 CLT). 
Art. 294 da CLT O tempo despendido pelo empregado da boca 
da mina ao local do trabalho e vice-versa será computado para o 
efeito de pagamento do salário. 
 Sobre este tema, temos importantes dispositivos consolidados: 
Tempo de prontidão (art. 244 § 3º CLT): Por tempo de prontidão 
compreende-se o período tido como integrante do contrato e do tempo 
de serviço do empregado em que ele fica aguardando ordens. Ex: 
ferroviário 
Tempo de sobreaviso (art.244 § 2º CLT): Por tempo de sobreaviso é 
aquele em que o empregado permanece em sua própria casa, 
aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço. Exs. 
Médico, eletricitários, ferroviários. 
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Atenção: Bip e celular: A OJ 49 TST foi cancelada em razão da sua 
conversão na Súmula 428 do TST, que assim dispõe: O uso de aparelho 
de intercomunicação a exemplo de BIP, “Pager” ou aparelho celular, 
pelo empregado, por si só não caracteriza o regime de sobreaviso, uma 
vez que o empregado não permanece em sua residência aguardando, a 
qualquer momento convocação para o serviço. 
Tempo de deslocamento residência-trabalho-residência (Horas 
In Itinere): Considera como componente da jornada também o tempo 
despendido pelo obreiro no deslocamento residência-trabalho-
residência, período em que efetivamente não há efetiva prestação de 
serviços. 
 Não obstante o tempo de deslocamento seja a ampliação do 
tempo à disposição, a doutrina e a jurisprudência entendiam de modo 
pacífico que ele não está acobertado pelo art. 4º CLT. 
 
Acontece que agora, o TST editou a Súmula 429 que estabelece o 
contrário, observem: 
 
Atenção: No dia 24 de Maio de 2011, o TST editou a Súmula 429 que 
considera tempo à disposição do empregador, na forma do art. 4º da 
CLT, o tempo necessário ao deslocamento do trabalho entre a portaria 
da empresa e o local de trabalho, desde que supere o limite de dez 
minutos diários. 
Embora este critério não fosse adotado como regra geral no nosso 
ordenamento jurídico, antes da edição da Súmula 429 do TST, havia 
exceções no direito do Trabalho em que o tempo de deslocamento é 
acolhido, vejamos: 
 
 
BIZU DE 
PROVA 
BIZU DE 
PROVA 
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Exceção 01: Categoria dos ferroviários, turmas de conservação de 
ferrovias (art.238 § 3º da CLT). 
 Art. 238 da CLT Será computado como de trabalho efetivo 
todo o tempo em que o empregado estiver à disposição da 
Estrada. 
§ 1º - Nos serviços efetuados pelo pessoal da categoria c, não 
será considerado como de trabalho efetivo o tempo gasto em 
viagens do local ou para o local de terminação e início dos 
mesmos serviços. 
§ 2º - Ao pessoal removido ou comissionado fora da sede será 
contado como de trabalho normal e efetivo o tempo gasto em 
viagens, sem direito à percepção de horas extraordinárias. 
§ 3º - No caso das turmas de conservação da via 
permanente,