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1 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL – CARACTERÍSTICAS GERAIS E PRINCIPAIS 
MODALIDADES 
 
 
Material elaborado por Cícero Caldart Vieira como base da aula 12 da disciplina de Direito das Obrigações 
e Responsabilidade Civil, ULBRA Campus Torres / RS, Ano/Semestre: 2025/2. 
 
Obrigação, em linhas gerais, é o vínculo jurídico que confere ao credor o direito 
de exigir do devedor o cumprimento de uma obrigação específica. Quando este não 
cumpre a obrigação, ocorre o inadimplemento e faz surgir sua responsabilidade. A 
“responsabilidade civil é, pois, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento 
da relação obrigacional1”. 
 
As obrigações podem surgir tanto do interesse das partes, através da 
manifestação unilateral (promessa) ou da manifestação bilateral (contrato); quanto da 
vontade da lei, através da expressa previsão legal (por exemplo, a obrigação alimentar 
do art. 1.694 do Código Civil2) ou da prática de um ato ilícito (arts. 1863 e 1874 do 
CCB/02). Seja qual for a fonte da obrigação, uma vez descumprida faz surgir a 
responsabilidade como consequência do inadimplemento. 
 
A responsabilidade civil sempre vem precedida de um dever jurídico originário, 
materializado numa obrigação preexistente, válida e devidamente constituída, chamada 
de dever jurídico primário. E é o descumprimento desse dever jurídico originário que faz 
surgir a responsabilidade, como um dever sucessivo. Ou seja, o inadimplemento de uma 
obrigação faz surgir outra, que é o dever de reparar o dano / prejuízo causado pelo 
descumprimento do dever originário. Portanto, enquanto a obrigação é entendida como 
um dever jurídico originário, a responsabilidade civil é um dever jurídico sucessivo, pois 
sucede o descumprimento do primeiro. Justamente por isso também é definida como 
um dever jurídico secundário. Sergio Cavalieri Filho diz que “responsabilidade civil é um 
dever jurídico sucessivo que surge para recompor o dano decorrente da violação de um 
dever jurídico originário5”. 
 
 
1 GONÇAÇVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Responsabilidade Civil. v.4. Editora Saraiva, São Paulo. 2019, 
pág. 21. 
2 “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que 
necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às 
necessidades de sua educação”. 
3 “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. 
4 “Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os 
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. 
5 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de Responsabilidade Civil. 16 ed. rev. atual e ampl. Editora Atlas, 
Rio de Janeiro. 2023, pág. 12. 
2 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL 
 
A responsabilidade civil tem por função reparar um dano decorrente do 
descumprimento de uma obrigação. Portanto, o inadimplemento é tratado como um 
ilícito, que pode ser tanto esfera contratual quanto extracontratual. O descumprimento 
de uma obrigação estipulada entre partes configura o ilícito contratual, enquanto o 
descumprimento de uma obrigação prevista em lei configura um ilícito extracontratual. 
Portanto, o ato ilícito é marcado como a violação de um dever jurídico, seja contratual 
ou legal. 
 
O descumprimento de uma obrigação estipulada entre as partes implica no 
chamado ilícito contratual e faz surgir a dita responsabilidade contratual. O art. 3896 do 
Código Civil se encarregou de fixar os limites da responsabilidade patrimonial pelo 
inadimplemento absoluto (quando o cumprimento da obrigação não é mais possível ou 
útil ao credor), enquanto o art. 3957 do Código Civil se encarregou de fixar a 
responsabilidade patrimonial pelo inadimplemento relativo (mora). Não se pretende 
esmiuçar todos os efeitos e características da responsabilidade contratual, pois já foi 
alvo de aulas anteriores. Neste momento, basta compreender que a responsabilidade 
contratual decorre do descumprimento de uma obrigação assumida voluntariamente 
pelas partes, através da manifestação de vontade e traz consigo a possibilidade de o 
inadimplente ter de arcar com perdas e danos (danos emergentes e lucros cessantes); 
juros (rendimento pelo capital); correção monetária (reposição da desvalorização da 
moeda); honorários advocatícios e cláusula penal (multa contratual), além de todo e 
qualquer prejuízo que o inadimplemento tenha gerado ao credor. 
 
Quando a responsabilidade não decorrer do descumprimento do contrato, ela 
será denominada de extracontratual, que é aquela que acontece pela violação de um 
dever legal. Seja o inadimplemento de uma obrigação prevista em Lei (caso do genitor 
que não paga os alimentos) ou pela prática de um ato ilícito, já que aquele que, por 
culpa ou dolo, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo na forma do art. 9278 do 
Código Civil. Portanto, a responsabilidade extracontratual deriva do descumprimento de 
um dever legal, motivo pelo qual é igualmente denominada de responsabilidade 
aquiliana. 
 
6 “Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros, atualização 
monetária e honorários de advogado” 
7 “Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos 
valores monetários e honorários de advogado”. 
8 “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. 
3 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL 
 
Ilicitude, de forma ampla, deve ser compreendida como uma conduta contrária 
a uma norma jurídica. Por isso, o ato ilícito não é uma figura exclusiva de qualquer área 
do direito, podendo se verificar tanto na esfera cível quanto na penal e na administrativa. 
Será classificado de acordo com a norma jurídica que impõe o dever violado. 
 
Na ilicitude civil o agente causador do dano infringe uma norma de direito 
privado, regulado pelo Código Civil e Legislações diversas. A conduta atinge bens 
sociais tidos “menos graves”, passíveis de reparação entre os indivíduos da relação 
particular, seja através do pagamento em dinheiro ou através de obrigações de dar, de 
fazer ou de não fazer. Implica na responsabilização patrimonial como forma coercitiva 
para compensação do dano e, ao mesmo tempo, impor uma punição ao infrator visando 
coibir novos ilícitos. 
 
Na ilicitude penal o agente causador do dano viola uma norma que tem 
natureza de direito público, regulado pelo Código Penal e Legislações diversas. Nesses 
casos atinge bens sociais mais relevantes e permite maior intervenção do Estado, 
inclusive, com a privação e restrição de liberdade e direitos. Mesmo que também nutra 
a intenção reparatória, a natureza da responsabilização é social e pública, como 
consequência da gravidade do bem social atingido. 
 
Em determinadas situações a mesma conduta pode violar ambas as normas. 
Caso do motorista que, por negligência ou imprudência, atropela e mata um ciclista. 
Essa ação culposa do motorista faz surgir, ao mesmo tempo, a obrigação de reparar os 
danos aos dependentes da vítima e também implica numa pena de detenção de 01 a 
03 anos pelo crime de homicídio culposo (art. 121, §3º, Código Penal9). 
 
Na sua essência, o que diferencia a responsabilidade civil da penal é a norma 
jurídica violada, pois o ato ilícito pode ocorrer tanto numa quanto noutra esfera do direito. 
Igualmente, as possíveis consequências, pois no caso de responsabilidade civil, com 
exceção da prisão por alimentos (§3° do art. 528 do CPC10), as medidas coercitivas do 
Estado têm cunho patrimonial e visam reparar o particular, enquanto na penal visam 
satisfazer necessidades da sociedade, autorizando a privação / restrição de liberdade. 
 
9 “Art. 121. Matar alguem: (...) §3º Se o homicídio éculposo: Pena - detenção, de um a três anos”. 
10 “Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de 
decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado 
pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de 
efetuá-lo. (...) §3º Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de 
mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) 
a 3 (três) meses”. 
4 
 
TRÍADE SUSTENTADORA DA RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
Da simples leitura do art. 927 do Código Civil se verifica que existem três 
elementos indispensáveis para a caracterização de toda e qualquer responsabilidade 
civil, quais sejam: (1) ato ilícito; (2) dano e (3) nexo causal. 
 
A definição do ato ilícito vem expressa nos arts. 186 e 187 do Código Civil. O 
primeiro (art. 186), estipula que os atos ilícitos podem decorrer tanto de uma ação 
(conduta positiva) quanto de uma omissão (conduta negativa). Pontes de Miranda11 
ensinou que "a abstenção, omissão, ou ato negativo, também pode ser causa de dano. 
Se o ato cuja prática teria impedido, ou, pelo menos, teria grande probabilidade de 
impedir o dano, foi omitido, responde o omitente". Sergio Cavalieri Filho12, por sua vez, 
sustenta que a omissão "como pura atividade negativa, a rigor não pode gerar física ou 
materialmente o dano sofrido pelo lesado, porquanto do nada provém. Mas tem-se 
entendido que a omissão adquire relevância jurídica, e torna o omitente responsável, 
quando este tem dever jurídico de agir, de praticar um ato para impedir o resultado". 
Portanto, o ato ilícito se configura por uma ação e também por uma omissão, desde que 
juridicamente possível exigir da parte uma iniciativa para tentar evitar o dano. 
 
Essa ação e omissão pode decorrer de atos de negligência, que acontecem 
quando determinada pessoa deixa de adotar os cuidados necessários. Através de uma 
ação ou omissão negligente, alguém causa dano a outrem e, por isso, ficará obrigado a 
repará-lo. Caso do motorista que não atenta para o trânsito e invade a via preferencial 
causando um acidente, bem como o caso de um médico plantonista que não pede um 
exame necessário para o correto diagnóstico e, por isso, incorre em erro médico. A 
negligência na conduta do motorista e do médico é que gera a ilicitude. 
 
O ato ilícito também pode decorrer de uma imprudência, ou seja, quando se 
ignora possíveis riscos inerentes à conduta. Por isso, se através de uma ação ou 
omissão imprudente, alguém causar dano a outrem, ficará obrigado a repará-lo. Caso 
do motorista que dirige em alta velocidade e causa um acidente. Dirigir em alta 
velocidade é uma conduta imprudente que configura a ilicitude do agir. 
 
11 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado: parte especial. Tomo XXII. 
Direito das obrigações: obrigações e suas espécies. Fontes e espécies de obrigações. Rio de Janeiro: 
Borsoi, 1958. p. 193 e ss. 
12 CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de responsabilidade civil. 11ª ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 38 e 
ss. 
5 
 
O ato ilícito também pode decorrer de uma imperícia, a qual está relacionada a 
inaptidão e/ou incapacidade técnica, como no caso do motorista que não possui carteira 
para dirigir caminhão e causa um acidente, ficando obrigado a repará-lo. A falta de 
habilitação específica faz presumir a incapacidade técnica do motorista e configura a 
ilicitude do agir. 
 
Enfim, toda a responsabilidade extracontratual é precedida do ato ilícito, o qual 
se deve considerar como aquele que decorre de negligência, imperícia ou imprudência, 
na forma do art. 186 do Código Civil. Contudo, o art. 187 do mesmo Diploma Civilístico 
também estipula o abuso de direito como caracterizador do ato ilícito. 
 
Pois bem, o abuso de direito está relacionado a um excesso no exercício de 
um direito legítimo. Inicialmente a conduta não é considerada ilícita. Na origem, o 
indivíduo possui o direito, mas se excede ao exercê-lo. Esse abuso pode se caracterizar 
tanto pelo uso excessivo, quanto pelo uso inadequado do direito. Por exemplo, o 
proprietário de um imóvel que resolve construir um muro muito alto, fora dos padrões, 
tão somente para bloquear o sol no imóvel do vizinho, bem como o caso do indivíduo 
que distribui uma ação sabendo ser infundada, apenas com a finalidade de intimidar ou 
onerar a outra parte. Em quaisquer desses exemplos, tanto no direito de construção 
quanto no direito de ação, a finalidade e o excesso é que tornam o ato ilícito. O 
proprietário tem o direito de construir, contudo o excesso visando prejudicar vizinho é 
que pode tornar o ato ilícito. O indivíduo tem o direito constitucional de ação, todavia, 
sua finalidade infundada e abusiva é que pode tornar o ato ilícito. Em suma, o abuso de 
direito também configura ato ilícito hábil a ensejar a responsabilidade civil. 
 
Todavia, não basta a ocorrência do ato ilícito, o art. 927 do Código Civil deixa 
claro que esse ato ou omissão deve causar dano a outrem. O dano é um elemento 
indispensável para a responsabilidade civil. Esse dano pode se dar tanto na modalidade 
de dano material, consistente nos danos emergentes e lucros cessantes. Entretanto, 
também podem se dar através do dano moral, que é aquele que atinge os atributos de 
personalidade e o psicológico do ofendido, bem como na modalidade de dano estético, 
que é aquele decorrente de uma deformação física, dano relacionado ao sentir-se bem 
consigo mesmo, com sua imagem, que leva em consideração a modificação ocorrida no 
aspecto físico. 
 
6 
 
Modalidade relevante de dano é o chamado dano in ré ipsa, que nada mais é 
do que o dano presumido. A regra é que o dano deve ser provado porque quem o alega, 
ou seja, o ofendido deve provar o dano suportado pelo ilícito. No entanto, existem 
situações onde o dano é presumido, caso, por exemplo, do registro negativo do nome 
nos órgãos de proteção de crédito, onde há presunção de prejuízo moral pela perda do 
crédito, que é incontestadamente necessário para os atos da vida civil. Por isso, 
desnecessário fazer prova do abalo moral. Outro exemplo é a morte, cujo prejuízo moral 
suportado pela perda da convivência de um ente querido é presumido e não demanda 
prova. Em ambos os exemplos (perda de crédito e de ente querido), o dano é presumido 
e não precisa ser provado, configurando o chamado dano moral in re ipsa. 
 
Ainda assim, não basta o ato ilícito e dano para a responsabilização civil. É 
indispensável que o dano tenha, necessariamente, advindo de um ilícito, ou seja, que o 
dano seja uma consequência direta e imediata do ato ilícito. É requisito que haja nexo 
causal entre o ato ilícito e o dano, que exista uma relação da causa e efeito entre a ação 
ou omissão e o dano causado. O nexo causal é, portanto, o elo de ligação entre o ilícito 
e o dano. 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA E OBJETIVA 
 
A responsabilidade civil também pode ser classificada em subjetiva e objetiva. 
A subjetiva é a regra geral porque nessa modalidade se exige a demonstração de uma 
conduta culpável, ou seja, que o causador do dano teve culpa na ocorrência do dano. 
Washington de Barros Monteiro13 esclarece que na modalidade subjetiva, o agente 
causador do dano responde sempre que tiver culpa lato sensu, que é aquela que exige 
tanto o dolo quanto a culpa stricto sensu, também chamada de culpa aquiliana , 
consistente na violação de um dever que o agente conhecia ou devia conhecer, segundo 
os padrões de comportamento médio. Portanto, nessa modalidade de responsabilidade 
civil se exige a presença da chamada tríade sustentadora da responsabilidade civil 
acrescida do elemento culpa. 
 
Isso significa que a parte deverá demonstrar que houve um ilícito, um dano e o 
nexo entre eles, mas também que houveculpa em sentido estrito ou dolo do agente. 
Por exemplo, se um suicida se atira na frente do veículo que estava transitando na via 
preferencial, ainda que o evento morte seja uma consequência do acidente, o motorista 
não pode ser responsabilizado porque não agiu com culpa para a ocorrência do sinistro. 
 
13 MONTEIRO. Washington de Barros, curso. cit., p. 375, n. 256. 
7 
 
Já a responsabilidade civil objetiva é a exceção, pois nessa modalidade não se 
exige a demonstração do elemento culpa, apenas a tríade sustentadora da 
responsabilidade civil: o ato ilícito, o dano e o nexo causal. Isso significa que para a 
responsabilização basta provar que o dano adveio de uma ação ou omissão imputável 
ao agente, independentemente de sua culpa. 
 
Até por suas características, trata-se da exceção. Apenas certas pessoas e em 
determinadas situações podem ser responsabilizadas objetivamente. O parágrafo único 
do art. 927 do Código Civil14 deixa claro que a responsabilidade civil decorre tanto da 
expressa previsão legal quanto do risco inerente a determinada atividade. Como 
exemplo de responsabilidade objetiva por previsão legal, cita-se a responsabilidade do 
dono ou detentor do animal (art. 93615 do CCB); ou; a responsabilidade por objetos que 
caírem ou forem lançados de prédio (art. 93816 do CCB). Por sua vez, como exemplo de 
responsabilidade objetiva pelo risco da atividade, o transportador responde pelos 
prejuízos causados em caso de acidentes de trânsito, mesmo que não tenha culpa pelo 
sinistro (art. 73417 do CCB). 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA 
 
Existem situações onde há possibilidade de responsabilizar mais de uma 
pessoa pelo mesmo ato ou fato. Nestes casos, a responsabilidade poderá ser solidária 
ou subsidiária. Em ambos, verifica-se uma pluralidade de partes, mas cada uma com 
características distintas. 
 
Em linhas bem gerais, será solidária quando existir responsabilidades iguais de 
todos os devedores sobre uma única dívida ou obrigação, bem como quando existir 
direitos iguais de todos os credores receberem a integralidade da obrigação. A 
solidariedade não se presume, mas decorre da Lei ou da expressa previsão contratual, 
conforme expresso no art. 26418 do Código Civil. 
 
14 “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos 
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem. 
15 “Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da 
vítima ou força maior. 
16 “Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele 
caírem ou forem lançadas em lugar indevido”. 
17 “Art. 734. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, 
salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade”. 
18 “Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um 
devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda”. 
8 
 
Em contrapartida, na responsabilidade civil subsidiária também existe 
pluralidade de partes, mas há a figura de um devedor principal e o credor deve acioná-
lo primeiro. Tem caráter acessório ou suplementar, porque existe uma ordem a ser 
observada. Primeiro o credor exige o cumprimento da obrigação do devedor principal, 
para depois do(s) subsidiário(s). Como exemplo de responsabilidade subsidiária, pode-
se citar a responsabilidade do Ente Público, enquanto tomador de serviço, pelo 
cumprimento das obrigações trabalhistas das empresas que lhe prestam serviços, na 
forma dos incisos V e VI da sumula 33119 do TST. 
 
EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE 
 
Por fim, importante saber que existem situações que, por suas características, 
se retira a ilicitude da conduta e/ou se quebra o nexo causal, de forma a afastar o dever 
de reparar. Por isso, essas situações são chamadas de excludentes de 
responsabilidade. 
 
A primeira modalidade de excludente de responsabilidade são aquelas que 
afastam a ilicitude da ação ou omissão. Condutas que, mesmo que causem dano a 
outrem, não são consideradas ilícitas, estando expressamente previstas no art. 188 do 
Código Civil. 
 
A primeira modalidade de excludente da ilicitude é a legítima defesa, prevista 
na primeira parte do inciso I do art. 188 do Código Civil20. Ocorre quando alguém repele 
uma agressão de forma proporcional uma injusta, atual e iminente. 
 
19 “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE. I - A contratação de trabalhadores por 
empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso 
de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II - A contratação irregular de trabalhador, mediante 
empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta 
ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação 
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços 
especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a 
subordinação direta. IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica 
a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja 
participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V - Os entes integrantes da 
Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, 
caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, 
especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço 
como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações 
trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI - A responsabilidade subsidiária do 
tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da 
prestação laboral. Observação: (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Res. 
174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011”. 
20 “Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um 
direito reconhecido; 
9 
 
A ação será injusta de forma a autorizar a legitima defesa quando a agressão 
não é amparada no direito, como no exemplo de alguém que quer agredir outro com 
uma faca depois de uma discussão. Mas se a agressão for lícita, não há legitima defesa, 
como no caso do policial que age com o uso progressivo da força para conter uma 
ocorrência. A ação ser atual quando a agressão está ocorrendo no exato momento da 
reação que causou o dano, pois se a agressão ou ameaça já cessou, não há legitima 
defesa, mas sim vingança. Por fim, a ação será iminente quando está prestes a ocorrer 
e, se nada for feito, o indivíduo sofrerá a agressão ou sua continuação, como no caso 
de alguém que está levantando o facão e prestes a agredir outro. 
 
A segunda modalidade de excludente da ilicitude é o exercício regular de um 
direito, previsto na segunda parte do inciso I do art. 188 do Código Civil21. Ocorre quando 
alguém causa dano, mas age amparado por um direito legal, contratual ou moralmente 
legítimo. Caso do proprietário que corta galhos de árvore do vizinho que invade seu 
imóvel (árvores limítrofes), agindo com base na permissão do art. 1.28322 do Código 
Civil. 
 
A terceira modalidade de excludente da ilicitude é chamada de estado de 
necessidade, prevista no inciso II do art. 188 do Código Civil23. Ocorrerá sempre que 
alguém gerar um dano parasalvar direito próprio ou alheio de perigo atual, como no 
exemplo do indivíduo quebra o vidro de um carro de outrem para salvar uma criança ou 
animal trancado no calor. Sempre importante chamar a atenção para o fato de que, para 
configurar excludente de ilicitude, a situação de perigo não pode ter sido gerada pelo 
causador do dano, bem como que “o ato será legítimo somente quando as 
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para a remoção do perigo”, conforme expresso no parágrafo único do 
mesmo art. 188 do Código Civil. 
 
A legitima defesa, o exercício regular de um direito e o estado de necessidade 
retiram a ilicitude do agir e, por isso, mesmo que causarem dano, não são passíveis de 
responsabilização. Contudo, também existem situações que evitam a responsabilização 
por quebrarem o nexo causal entre o dano e a agir. 
 
21 “Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um 
direito reconhecido; 
22 “Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser 
cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido”. 
23 “Art. 188. Não constituem atos ilícitos: (...). II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a 
pessoa, a fim de remover perigo iminente. 
10 
 
A primeira modalidade de excludente de nexo causal é a culpa exclusiva da 
vítima. Em suma, situações onde a culpa pela ocorrência do dano é atribuível apenas à 
vítima, ou seja, situações onde, por mais que tenha ocorrido um ato danoso, a culpa do 
resultado é exclusiva da própria vítima. Caso, por exemplo, do suicida que se atira na 
frente de um veículo que estava transitando na via preferencial. Nesse caso, ainda que 
o evento morte seja uma consequência do acidente, o motorista não poderá ser 
responsabilizado porque não houve culpa. 
 
A segunda excludente de responsabilidade por quebra no nexo causal aceita 
pelo ordenamento jurídico envolve o fato exclusivo de terceiro. Terceiro é uma pessoa 
estranha ao binômio “agressor e vítima”, qualquer pessoa que não guarde um vínculo 
jurídico com o suposto agressor. Portanto, terceiro cuja conduta é o fato determinante 
entre o ato tido por ilícito e evento danoso. A conduta do terceiro é que quebra o nexo 
causal e retira a culpa do aparente agressor, afastando o dever de reparar. Por exemplo, 
no caso de um ciclista caiu num buraco da via, aberto por uma empresa de construção, 
e acabou rolando e atropelado por um ônibus. Por mais que o motorista ou a empresa 
de ônibus sejam quem de fato atropelou, o acidente ocorreu em razão da negligência 
da construtora que deixou o buraco aberto, causando a queda do ciclista na pista de 
rolamento. 
 
A terceira excludente de responsabilidade por quebra no nexo causal envolve 
os chamados força maior e caso fortuito. Não uniformidade em relação à distinção entre 
ambos e o Código Civil trata deles de forma conjunta, sem distinção de efeitos ou 
consequências. Por isso, cabível e até mesmo aconselhável que sejam tratadas em 
conjunto. 
 
De regra geral, força maior são eventos extraordinários, imprevisíveis e 
inevitáveis, normalmente relacionados a eventos naturais, mas não apenas a eles. Por 
exemplo, desastres naturais como enchentes e furacões, guerras, epidemias e 
pandemias, dentre outros. Caso fortuito também envolvem eventos imprevisíveis e 
inevitáveis, mas não necessariamente extraordinários. Podem ocorrer de forma mais 
usual, porque de regra estão relacionadas ao comportamento humano, como no caso 
do encerramento da produção de uma peça especifica de um eletrônico, acidentes de 
trânsito e/ou problemas técnicos no e-proc que impede o protocolo de uma petição, 
dentre outros. 
 
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São situações que, como determina o parágrafo único do art. 39324 do código 
civil, além de extraordinárias e imprevisíveis, seus efeitos não poderiam ser evitados ou 
impedidos. Ainda que tratado na parte das obrigações, o conceito e aplicação é a 
mesma no caso de responsabilidade civil, ou seja, excluir a responsabilidade patrimonial 
pela reparação do dano. 
 
24 “Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se 
expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força 
maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”.

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