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FISIOTERAPIA NA DOENÇAS NEUROMUSCULARES DA INFÂNCIA Mais comuns na prática clínica Agrupam-se diferentes afecções decorrentes do acometimento primário da unidade motora, composta pelo motoneurônio medular, raiz nervosa, nervo periférico, junção mioneural e músculo. Gravidade, a idade de início, a taxa de progressão, a distribuição e o grau de comprometimento motor, o prognóstico e o padrão de herança genética são bastante variáveis em suas diversas formas. CLASSIFICAÇÃO: A rapidez com que a doença progride (aguda, subaguda ou crônica), o padrão de acometimento dos sintomas (proximal, distal, face), a história familiar (forma hereditária ou adquirida) e os fatores desencadeantes também auxiliam na abordagem desses pacientes. ASPECTOS CLÍNICOS: Comprometimento do neurônio motor: - Tônus aumentado ou diminuído depende do comprometimento. A miotrofia é hipotonia . Junção neuromuscular: - Tônus normal. A distrofia de duchenne . - Atrofia vai progredindo de forma como a doença vai também. De acordo com o local de comprometimento: Júlia Cardoso - Fisio 103 ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL (AME) doença genética de herança autossômica recessiva CONCEITO: Os neurônios motores precisam de uma proteína chamada SMN (proteína de sobrevivência do neurônio motor), que é o seu “alimento”. Sem quantidade adequada da proteína SMN, os neurônios motores morrem. Como são eles os responsáveis pelo controle da atividade muscular, a sua morte leva à fraqueza muscular e à perda progressiva dos movimentos, até a paralisia. Caracterizada pela degeneração de neurônios motores da coluna vertebral e sem opções terapêuticas disponíveis no Brasil. - No organismo, o principal responsável por produzir a proteína SMN é um gene chamado SMN1. Os indivíduos com atrofia muscular espinhal têm a ausência ou a deficiência desse gene SMN1, e por isso não conseguem produzir a proteína SMN adequadamente, o que leva à morte dos neurônios motores. - Progressiva, porque os genes vão morrendo e menos fibras musculares vão ser inervadas. - PERDA COMPLETA DA INERVAÇÃO SMN2: Gene de sobrevivência também mas uma inervação mais fraca/lenta mas ainda inerva, vai progressivamente. Mais grave: perde os dois genes Mais Branda: não tem alteração no gene 2 Tratamento farmacológico: - spinraza: bloqueia a perda de genes - zolgensma: altera o gene para que a doença não progrida. - Medicamentos utilizados para sobreviver sem grandes complicações da doença. Aquilo que foi perdido não vai ser recuperado TIPOS E QUADROS CLÍNICOS: GENE SMN1: Vai até 2 GENE SMN2: 3 e 4 NÍVEL 0: Incompatível com a vida. Os sintomas aparecem ainda durante a gestação, como a baixa movimentação fetal. Os bebês já nascem com fraqueza muscular e insuficiência respiratória grave e defeitos cardíacos. Costumam não resistir além do primeiro mês. Em geral, esses bebês possuem apenas uma cópia do gene SMN2. NÍVEL 1: Os sintomas aparecem até o sexto mês de vida. A criança apresenta movimentos fracos e necessita de auxílio para respirar (suporte de ventilação) normalmente antes de completar um ano de vida. Geralmente não conseguem sustentar o pescoço e não atingem o marco motor de sentar sem apoio. Também apresentam dificuldade de engolir (o que resulta em engasgos frequentes). A criança apresenta fasciculação (tremor) na língua e normalmente tem choro e tosse fracos, e, devido à hipotonia, é comum ficar na postura de “perna de sapinho”. NÍVEL 2: O início dos sintomas e da fraqueza muscular ocorre entre os 6 e os 18 meses. A criança consegue sentar sem apoio, porém, não chega a andar. Também pode apresentar dificuldade respiratória em graus variados e problemas de deglutição, mas em menor grau do que no Tipo I. Ao longo de seu desenvolvimento, podem surgir anomalias esqueléticas como escoliose, deslocamento de quadril e deformidades articulares. NÍVEL 3: O surgimento dos sintomas acontece após os 18 meses de idade. Os pacientes apresentam capacidade de ficar em pé e andar, mas devido à progressão da doença podem perder essa Júlia Cardoso - Fisio 103 habilidade ao longo da vida. As pernas são mais gravemente afetadas do que os braços. NÍVEL 4: Mais leve. Tem início na vida adulta e o paciente apresenta fraqueza que predomina em membros inferiores, levando dificuldade para andar. Manifestações vem depois dos 21 anos, teve todo o desenvolvimento e depois de certa idade vai perdendo a inervação muscular. PROGNÓSTICO : - Fixar cervical e tronco: pacientes que não sentam - Pacientes que sentam (antes andavam) - Pacientes que andam (tipo três e quatro) CLASSIFICAÇÃO CINÉTICO FUNCIONAL - I Tetraparesia flácida: membros moles - II: Permite cadeira de rodas III/IV: Mobilidade de membro superior por ser paraparesia flácida. Pernas muito mais fracas que os braços, sendo eles mais funcionais . DISTROFIAS MUSCULARES herança recessiva ligada ao cromossomo X Acomete meninos CONCEITO: complexo distrofina-glicoproteínas associadas, que liga o citoesqueleto subsarcolemal com a matriz extracelular do músculo esquelético, permitindo estabilização e reforço da membrana da fibra muscular. O déficit parcial ou total das proteínas distrofina, laminina alfa-2 da matriz extracelular (merosina) e sarcoglicanas corresponde, respectivamente, às DMP tipo Duchenne e Becker - contração, relaxamento e sobrevivência. - liga proteínas do interior da célula muscular a outras proteínas do exterior, garantindo a estabilidade da fibra muscular e a transmissão da força de contração para todo o músculo. - Fraqueza e atrofia muscular. - Cargas demais pode prejudicar o paciente. Cargas leves para evitar a morte da fibra muscular. Mãe portadora que altera a distrofina. Mulheres serão portadoras (25%) e homens serão afetados ( 25% que virá da mãe). DISTROFIA DE DUCHENNE (DMD) - Cognitivo preservado - Alteração precoce. Não existe a proteína distrofina Júlia Cardoso - Fisio 103 DISTROFIA DE BECKER(DMB) - Cognitivo preservado - Alteração de forma tardia. - Tem alteração de proteína distrofina, existe de quantidade reduzida, algumas fibras musculares vão sobreviver. Fibras demoram para morrer, perda de função. ASPECTOS RELACIONADOS À FUNCIONALIDADE E A INCAPACIDADE Estrutura e função: fraqueza proximal, cintura pélvica mais comprometida inicialmente AVALIAÇÃO FISIOTERAPEUTA A avaliação fisioterapêutica, além de identificar os principais pontos individualmente, deve também levar em conta as mudanças ao longo do tempo, considerando que a progressão das deficiência levará a uma crescente limitação nas atividades e à restrição na participação. Coleta de dados: Esses dados serão de auxílio no direcionamento das atividades terapêuticas, bem como na orientação adequada aos cuidadores e ao paciente também fora do ambiente de reabilitação, de acordo com a funcionalidade registrada no momento da avaliação. Os dados pessoais do paciente e de seus genitoresdevem ser os primeiros itens coletados desde o nascimento, incluindo as manifestações clínicas da doença e sua evolução. Importante documentar dados de gestação e parto, desenvolvimento neurossensoriomotor, idade de aquisição dos principais marcos motores e outras informações que se façam necessárias ● Direcionamento das atividades terapêuticas ● Orientação adequada para cuidadores e pacientes ● Manifestações clínicas da doença e evolução ● Idade e personalidade da criança ● Participação em casa, na escola e na comunidade ● Queixa principal: a maior dificuldade funcional que o paciente apresenta no momento. Atividade: Medida da Função Motora ( MFM) avalia uma série de atividades em pacientes com distrofias musculares, independentemente do comprometimento motor que apresentem ou da fase de progressão da doença. Essa escala analisa a função da cabeça, do tronco e dos Júlia Cardoso - Fisio 103 segmentos proximais e distais em diferentes doenças neuromusculares. ● Medida da função motora ● Testes funcionais cronometrados Estruturas e funções corporais: verificação das estruturas e funções corporais, o que inclui a avaliação da força muscular (FM) e da mobilidade articular. 1. Tônus: a criança com membros inferiores largado 2. Força muscular: perda de fibra muscular com hipotrofia. Bíceps com diâmetro menor. Miotrofia é mais difícil fazer o teste de força muscular - Equipamentos: dinamômetro manual ou isocinético. - Escala MRC 3. Mobilidade articular: - Equipamento: Goniômetro 4. Alterações posturais: - DUCHENNE: tentar levantar do chão é mais difícil e usa o próprio corpo para se escalar, por causa da fraqueza principal do membro inferior. Sinal de gowers , levantar miopático (posição de gatas, eleva o quadril e vai se escalando). Ortostatismo (glúteo não é bom), joga o tronco para trás, pernas em hiperextensão e quando anda o centro de gravidade é mudado (marcha anserina). 5. Equilíbrio estático e dinâmico: - Hipotrofia muscular - Pseudo hipertrofia das panturrilhas: Fibras perdidas e para da espaço perdido, vai preenchendo de tecido adiposo e tecido conjuntivo. Impressão de panturrilha maior, não é músculo. Características da patologia - Equipamentos: podem ser avaliados pelos testes funcionais: Functional Reach Test (FRT) e Timed Up and Go (TUG) 6. Marcha: Abdômen fraco protuso e hiperlordose , escápulas para trás, hiperextensão do joelho e pé em equino, flexão plantar. Gingado do corpo para o plano frontal. Marcha anserina Júlia Cardoso - Fisio 103 7. Respiração: A fraqueza muscular respiratória progressiva limita a inspiração e expiração totais e forçadas, levando à queda da capacidade vital forçada (CVF) e produzindo um típico padrão restritivo das distrofias musculares, a qual também é influenciada pelo aparecimento da escoliose. A avaliação da função pulmonar é uma ferramenta fundamental no acompanhamento da progressão da fraqueza da musculatura respiratória e das alterações restritivas associadas em crianças com DMD - Equipamento: Espirometria Qualidade de vida: Na avaliação, a qualidade de vida pode ser descrita pela própria criança ou por seu cuidador, fornecendo informações importantes para complementação da avaliação clínica, ao mesmo tempo que avalia a efetividade de determinadas intervenções. As chances de desenvolver depressão são grandes. Questionário próprio para doenças neuromusculares TRATAMENTO: Criança que não tem evolução, apenas para manter e não tenha perda veloz. De modo geral, entender a criança. Objetivo não será ganhar e sim manutenção , ex: manutenção da marcha, controle de tronco, ortostatismo - Prolongar habilidades funcionais: se ela ainda andar, focar totalmente na marcha até o último dia. Serve para cadeira de rodas. No que a criança apresenta. - Integrar família e equipe multidisciplinar - Retardar: prevenindo encurtamento, contratura, deformidades. - promover qualidade de vida → . Os fisioterapeutas devem evitar o treino de alta intensidade e exercícios excêntricos. → Os pacientes com DMD devem praticar exercícios funcionais submáximos em piscinas e atividades recreativas na comunidade. ALONGAMENTOS: → Alongamentos diários dos músculos gastrocnêmio e sóleo, flexores do quadril e iliotibial.. → Incentivar exercícios ativos e voluntários, como natação, hidroterapia e uso de bicicletas. → Atividades excêntricas, como descida de escadas e rampas, devem ser evitadas. - Passivos Fortalecimentos: depende da condição da criança. Pode ser mais focado dependendo do quadro clínico da criança. - Tronco - Mão para linha média Trocas posturais: dissociação de cinturas (mobilidade de tronco- duchenne) deslocamento: incentivar a criança para o movimento que ela faz, autonomia. Independência e funcionalidade Marcha: - livre - dispositivo Fisioterapia aquática: se movimentar com menos esforços. Órteses e adaptações - coletes (tronco para manter alinhado): prevenir deformidades que virão. - colar cervical: - Talas para ficar em ortostatismo - parapodium: fundamental Movimentos ativos da criança e não passivos Júlia Cardoso - Fisio 103