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Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Psicologia Atividade individual de Neuropsicologia Prof. Dr. Alexandre Vianna Montagnero – 22/11/2020 (até 23:59) Nome: Noelle Tavares Ferreira Valor: 10 Questões relativas a aula de avaliação do cérebro 1. Escolha uma das reportagens da edição especial da Viver Mente e Cérebro sobre comportamento alimentar e responda: Qual o ponto que mais chamou a atenção na reportagem? Porque? Descreva e argumente. Um ponto que me chamou muita atenção foi no artigo “Hora da chantagem”, porque me trouxe uma visão muito mais elaborada e rica em relação amamentação e em especial a relação entre a mãe e o bebê. Antes eu posso considerar minha visão até mesmo simplista, já que pra mim o ato de amamentar era apenas o ato de dar alimento a um bebe e com o artigo percebi que é muito mais que isso. Esse ato é um comportamento muito maior, sendo ele uma construção (laço) emocional que envolve o bebe e mãe, logo que, através desse ato o aleitamento materno pode influenciar o desenvolvimento psicossocial da criança de diversas maneiras. A alimentação é um dos primeiros cuidados que é dado a criança e um dos mais importantes para seu desenvolvimento saudável completo. Todo organismo necessita de fontes de energia para sobreviver e a alimentação é que fornece essa energia. Logo, que o cérebro consome cerca de 20 a 25% de toda a energia ingerida durante o dia, assim, a alimentação, portanto, tem um papel crucial no desenvolvimento cognitivo saudável e deve ser uma preocupação desde o nascimento. Entretanto, quando não se tem uma relação (mãe-bebe) muito saudável e rica, a criança tende a fazer chantagens, como vomitar o leite, recusar comidas, chorar e etc, tudo isso com o pretexto de se ter por mais tempo a atenção da mãe, já que com ela, ele se sente seguro, protegido e amado, ou seja, ele quer ficar mais em contato com os prazeres que ele associou ao contato com a mãe. A partir disso, pode-se inferir que sob o ponto de vista neurocientífico, a maternidade se parece muito com a paixão romântica e com o vício em drogas. Os receptores de ocitocina estão espalhados no cérebro, em regiões também ricas em dopamina (o neurotransmissor ligado ao prazer e recompensa). Importante inferir, que a ocitocina é produzida por uma área do cérebro primitiva e comum aos mamíferos (no hipotálamo e na neuro-hipófise), e atua no sistema límbico, relacionado às emoções, e é entendida como o hormônio do afeto e do altruísmo. Assim, a atividade cerebral de uma mãe quando cuida de seu bebê é semelhante a de alguém em contato com o objeto de seu vício ou de um apaixonado ao ver o rosto de seu companheiro. E tudo isso é um processo para garantir a sobrevivência da espécie, a natureza criou esses circuitos de recompensa que fazem com as exigências vindas com o bebê sejam supridas com prazer. 2. Reveja a aula sobre a neurociência do comportamento alimentar e crie um glossário com ao menos dez termos novos que aprendeu e que estão relacionados a resposta alimentar humana. Sobrevivência: A Fim de manter a espécie, os humanos têm a tendência a fazer escolhas que vão culminar na preservação da sua espécie e consequentemente a preservação de seus genes. Isso também se aplica às escolhas alimentares que nós temos, por exemplo, em caso de escassez de alimentos, os pais iram privilegiar seus filhos ao inves de outras crianças. Circuitaria de recompensa: é o circuito que processa a informação relacionada à sensação de prazer ou de satisfação. É algo evolutivamente muito antigo, presente inclusive em diversos animais (principalmente em mamíferos). Entretanto, nem todos os prazeres da nossa vida contemporânea são fundamentais para a sobrevivência, desta forma é necessário usar a área mais jovem do cérebro, o córtex pré-frontal, que também faz parte do sistema de recompensa e nos deu a capacidade de ponderar e pensar a longo prazo. Predileção genética: Nossa espécie tem predileção em escolher os alimentos pelo paladar, ou seja, temos preferência por doces pelo motivo deles conterem mais energia e isso ser um fator evolutivo importantíssimo. E essa predileção está muito relacionada ao acesso escasso à alimentos que nossos ancestrais possuíam, já que eles podiam ficar longos períodos sem comer e quando entravam alimentos comiam bastante e davam preferência aos mais calóricos. Grelina: Hormônio gastrointestinal também conhecido como “hormônio da fome”. Quando o estômago fica vazio, intensifica a secreção da grelina, o hormônio atua no cérebro dando a sensação de fome; quanto mais elevado for a produção, resultando em concentrações altas no sangue, maior será a sensação de fome. Quando nos alimentamos, a secreção da grelina diminui e a secreção de leptina aumenta gerando saciedade (Inui, Asakawa, Bowers, Mantovani, Laviano, Meguid & Fujimiya, 2004). https://revistacrescer.globo.com/Primeira-Infancia/noticia/2016/08/afeto-para-crescer.html https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Desenvolvimento/noticia/2015/01/criancas-sao-naturalmente-altruistas.html Hipótese Alostática: É a hipótese de que o corpo tenta manter o peso médio a todo custo, independentemente das condições de disponibilidade de alimentos. Importante inferir, que em condições de alta disponibilidade de alimento o corpo gastará mais energia para manter o peso médio, já em condições de baixa disponibilidade o corpo armazenará mais energia, evitando perdas calóricas desnecessárias. Leptina: Hormônio “anti obesidade” que é produzido pelas células adiposas. Seu pico de liberação ocorre durante a noite e às primeiras horas da manhã, e sua meia-vida plasmática é de 30 minutos. Além disso, é responsável pelo controle da ingestão alimentar, atuando em células neuronais do hipotálamo no sistema nervoso central. A ação da leptina no sistema nervoso central (hipotálamo), em mamíferos, promove a redução da ingestão alimentar e o aumento do gasto energético, além de regular a função neuroendócrina e o metabolismo da glicose e de gorduras (Romero & Zanesco,2006). Ideia de Contaminação: É o comportamentos que o ser humano desenvolve a partir dos dois anos e meio de idade. Esse comportamento está ligado com a ideia de impedir que o indivíduo consuma alimentos que estejam relacionados a algo nojento ou sujo, independentemente se tal objetivo foi devidamente esterilizado. Importante destacar, que esta ideia de contaminação tem relação com a sobrevivência, uma vez que impedia os seres humanos ancestrais de se submeterem a comportamentos de riscos desnecessários. Flavor: Está relacionado ao fator mais subjetivo da alimentação, ou seja, suas preferências alimentares e como se dão suas relações com as características dos alimentos. Essas características podem ser: Dureza, viscosidade, oleosidade, fragilidade, aderência, arenoso, macio, dentre outros. Pode-se definir como sendo uma construção “cognitiva” feita a partir da integração fisiológica dos diferentes sistemas sensoriais (olfato e gustação),mas não sendo uma simples convergência dos componentes do sentido, mas sim uma experiência sensorial única. Logo, que é influenciada ainda por características pessoais, experiências anteriores e fatores culturais que interferem na afinidade por um alimento ou preparação. Experiências gustativas: A experiência gustativa está muito relacionada a Flavor, sendo esta mais ligado a influência que o alimento causa/evoca na pessoa, ou seja, é um processo extremamente poderoso, pois é capaz de convergir vária áreas do cérebro, principalmente as memórias que essa pessoa tem em relação a esse alimento e o contexto no qual se encontrava quando o consumia. Olfato: O olfato teve um grande papel no desenvolvimento da humanidade, pois foi através dele que nossos ancestrais eram capazes de detectar alimentos estragados, toxinas, predadores, além de parceiros sexuais. Distúrbios nutricionais: Atualmente se tem cada vez mais distúrbios nutricionais/alimentares e isso se deve principalmente a nossa evolução do metabolismo. Isso se deve ao estilo de vida que nossos ancestrais levavam, já que eles necessitavam de muitas calorias para sobreviver, além de possuírem pouca disponibilidade de alimentos. Entretanto, hoje em dia com a grande produção de alimentos e massificação de exportações, encontrar comida se tornou uma tarefa fácil e não necessita de grande gasto de energia. Corroborando desta forma no consumo exacerbado de alimentos ricos em energia (gorduras, doces, massas..) sendo estes fatores relacionados ao nosso córtex emocional que é extremamente antigo e foi responsável por nossos ancestrais sobreviveram. 3. Com base nas reflexões levantadas durante a aula, explique qual seria o papel do psicólogo numa equipe multidisciplinar orientada para ajudar um paciente com queixas consistentes na dinâmica alimentar. Como ele atuaria e porque seu conhecimento sobre a neuropsicologia da alimentação seria relevante. Argumente. No contexto de queixas na dinâmica alimentar, o neuropsicólogo poderia se utilizar de conhecimentos cognitivos e também da memória, da atenção, além do papel que o alimento tem na vida da pessoa, levando em conta aspectos, sociais, culturais dentre outros. Mais especificamente esse profissional poderia se utilizar de uma prática de psicoeducação, no caso, ele poderia explicar como o cérebro funciona em relação aos alimentos. Assim poderia retirar a culpabilização que o paciente sente em relação a sua alimentação. Nessa explicação o psicólogo poderia falar, sobre como a espécie humana prefere comidas com alto valor energético e também em como os seres humanos têm dificuldade em fazer dietas extremamente restritivas, levando em conta que todos esses aspectos estão relacionados a lógica do cérebro emocional primitivo, que se adaptou a um ambiente com privação calórica e que, por isso, não se acostuma tão facilmente com uma restrição imediata. Assim, com essa explicação baseada na engenharia reversa da mente o psicólogo retiraria a culpabilização do paciente, porque o ajudaria a entender que suas dificuldades não são características intrinsecamente suas, mas sim resquícios evolutivos que modelaram o cérebro de todos os seres humanos durante todo o processo de adaptação, mas que, com as estratégias certas, podem ser atenuados e até mesmo, uma vida mais saudável pode ser aprendida. A teoria cognitiva de Beck acredita que não é a situação em si que determina o que as pessoas sentem ou se comportam, porém, é o modo como interpretam e pensam os fatos dessa situação que geram vários sentimentos, como ansiedade, tristeza ou raiva (Beck, 2013). Assim, o psicólogo poderia se utilizar de técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental, que tem o intuito de avaliar as estratégias cognitivas do/da paciente, proporcionando maior flexibilidade cognitiva ao analisar determinadas situações e modificá-las, possibilitando alívio sintomático e mudanças duradouras de comportamentos. Uma das técnicas utilizada pela TCC é a Psicoeducação que tem uma importante função de orientar o/a paciente em diversos aspectos, seja a respeito das consequências de um comportamento, na construção de crenças (se culpabilizar por não conseguir aderir uma dieta), valores (de que tem que ser magro(a)), sentimentos (culpa, raiva, tristeza..) e como estes repercutem em sua vida e na dos outros. Além de trazer uma reflexão da sua relação com a comida, na qual muitas vezes ela se torna um refúgio, em primeiro lugar, porque damos a ela significados relacionados a prazer e alegria. Importante inferir, que comer é, em suma, um ato cultural, ou seja, para muitas pessoas, refeições estão associadas a experiências positivas (frequentemente, comemoramos boas notícias com pessoas queridas ao redor da mesa). Assim, essa ligação é reforçada se, ao longo da vida, criamos memórias agradáveis com a família na cozinha ou no bar e por consequência temos a tendência a recorrer à comida para acessar os mesmos sentimentos do passado. Sendo uma técnica recorrente na Terapia Cognitivo-Comportamental, a psicoeducação é uma forma de aprendizagem que, segundo Beck, é capaz de proporcionar o indivíduo a desenvolver pensamentos, ideias e reflexões sobre as pessoas, sobre o mundo e como comportar-se diante de algumas situações através de atividades que podem colaborar justamente na reflexão e obtenção de valores, tanto nas intervenções individuais como nas coletivas, ou seja, a partir das explicações sobre como cérebro funciona o paciente será capaz de discernir melhor sobre seus valores e crenças. Além disso, a psicoeducação contribui para que a pessoa possa enfrentar possíveis estigmas e preconceitos que foram construídos desde sua infância por parte de outras pessoas, assim como favorece uma melhor adesão ao tratamento farmacológico, auxilia a promoção de hábitos saudáveis e a regularidade no estilo de vida, bem como colabora para o controle do abuso de substâncias, como álcool e outras drogas, lícitas e ilícitas. Dessa forma, a psicoeducação poderia auxiliar enormemente a adesão do paciente ao tratamento proposto pelo nutricionista, uma vez que tem a possibilidade de retirar o peso da culpa que acompanha muitos pacientes com queixas alimentares. Referências: Romero, C., & Zanesco, A. (2006). O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. Revista de Nutrição , 19 (1), 85-91. https://doi.org/10.1590/S1415-52732006000100009 Inui, A., Asakawa, A., Bowers, C. Y., Mantovani, G., Laviano, A., Meguid, M. M., & Fujimiya, M. (2004). Ghrelin, appetite, and gastric motility: the emerging role of the stomach as an endocrine organ. FASEB journal : official publication of the Federation of American Societies for Experimental Biology, 18(3), 439–456. https://doi.org/10.1096/fj.03-0641rev Beck JS. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2013. https://doi.org/10.1590/S1415-52732006000100009 https://doi.org/10.1096/fj.03-0641rev