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Percepção de ingressantes do curso de Psicologia sobre o processo de adaptação
universitária.
Noelle Tavares Ferreira e Renata Fabiana Pegoraro
Resumo
A entrada na universidade é um momento de prazer e de desafios para os jovens, pois os mesmos
se veem diante de grandes mudanças, como responsabilidades e exigências da vida acadêmica.
Assim, este projeto de pesquisa abordará as vivências acadêmicas individuais dos ingressantes
do curso de graduação em Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia, tanto discentes que
residem no município em que o curso é ofertado quanto aqueles que se mudaram para iniciar o
curso. Além de objetivar compreender os desafios pessoais enfrentados pelos ingressantes. Para
isso, será realizado um estudo descritivo exploratório, de abordagem qualitativa, no qual os
participantes serão estudantes maiores de 18 anos do primeiro e segundo períodos da Psicologia
da UFU. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, individuais,
gravadas, transcritas e submetidas à análise de conteúdo.
Palavras-chave: estudantes universitários; adaptação; saída da casa dos pais; qualidade de vida.
1. Introdução fundamentação teórica referenciada e objetivos
Este projeto de pesquisa abordará as vivências acadêmicas individuais dos ingressantes
do curso de graduação em Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia, tanto discentes que
residem no município em que o curso é ofertado quanto aqueles que se mudaram para iniciar o
curso. A finalidade do mesmo é didática e foi elaborado para cumprir o requisito de aprovação
na disciplina de Fundamentos de Investigação Qualitativa em Psicologia.
De acordo com o Censo, em 2019 o número de matrículas na educação superior continua
crescendo, atingindo 8,6 milhões de pessoas em todo país. Além disso, 26,5% são de
universidades públicas, dos quais: 16,5% são federais, 8,5% estaduais e 1,5% municipais. Dentro
do curso de Psicologia no contexto das universidades Federais, 79,5% das vagas preenchidas são
por mulheres e 20,5% por homens (Ministério da Educação, 2019).
A entrada na universidade implica em uma série de transformações nas redes de amizade
e de apoio social dos jovens, onde os mesmos estavam acostumados a ter a vida girando em
torno do convívio escolar e familiar. De acordo com Silva (2016), a transição para o Ensino
Superior ocorre em um período em que nem todos os alunos estabeleceram sua
identidade e, por isso, necessitam de apoio para se organizar para os estudos e para
superar problemas. Em razão, de que estavam acostumados a ter a escola e a família para lhes
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cobrar desempenho e responsabilidade. Ademais, os mesmos tendem a ter muitas expectativas
em relação ao idealizado mundo universitário, o qual nos filmes, séries e livros, é representado
como algo divertido e sem regras, ou seja, sinônimo de felicidade para o jovem. Desta forma,
quando adentram o mundo universitário percebem que o mesmo é bem menos estruturado que o
mundo escolar e que os colegas não são mais os mesmos (há muitas culturas e opiniões
diversas). Assim, ajustar-se à universidade implica integrar-se socialmente com as pessoas desse
novo contexto, participando de atividades sociais, desenvolvendo relações interpessoais
satisfatórias e perceber que este novo universo vai muito além de curtir festas e agir sem
responsabilidade (Diniz & Almeida, 2006). Por isso é importante inferir, que o fato do
estudante ingressar na universidade não significa, necessariamente, que o mesmo já esteja
totalmente preparado psicologicamente para esse desafio.
Dentre as mudanças previsíveis que um indivíduo pode enfrentar neste novo ciclo, está a
saída da casa dos pais para a entrada na universidade. A transição para o ensino superior é um
tanto quanto desafiadora como foi mostrado anteriormente. Contudo, quando o jovem sai da casa
dos pais para cursar o ensino superior, o mesmo emerge em um ambiente totalmente novo e
muitas vezes inóspito na medida em que exige que ele se depare com tarefas cada vez mais
complexas. Para poder progredir e se manter, precisam aprender a lidar com questões que
possivelmente não lidavam antes, como gestão financeira, gestão doméstica, adaptação a uma
nova cidade, distanciamento de familiares, amigos e adaptação à universidade (Borche & Viecili,
2019). Dias e Soares (2012) dividem essa experiência de sair de casa de duas formas diferentes
“como algo difícil, em virtude de se sentirem sozinhos, e também como algo importante, devido
à independência conquistada” (p.275). Entendendo que essa independência pode ajudar na
adaptação de morar em outra cidade e até mesmo ajudar no desenvolvimento de novas
estratégias comportamentais para lidar com situações novas.
Ante a tais mudanças, esses jovens universitários farão novas adaptações em suas vidas,
as quais poderão adquirir um patamar eficaz ou ineficaz. É fato, entretanto, que tais mudanças ou
transições na vida têm sido relacionadas em diversos estudos a consequências, tais como: stress
elevado, desregulação emocional, uso de drogas (lícitas ou ilícitas), uso abusivo de álcool e até
mesmo, sintomas significativos de ansiedade e depressão. Esses resultados foram compreendidos
como provenientes, por um lado, do processo de mudança natural do desenvolvimento humano,
uma vez que a adolescência por si mesma, somada ao ingresso na universidade, traz
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significativas mudanças qualitativas e quantitativas na vida do sujeito (Vizzotto, Jesus, &
Martins, 2017). Entretanto, pesquisas atuais mostram que estudantes que vivem em repúblicas ou
apartamentos longe da casa dos pais tendem a ter dependência química e maiores níveis de
sobrecarga, logo, que esses jovens inexperientes não possuem um espaço para discussão em sala
de aula, nem possuem uma figura fisicamente a qual necessite dar explicações e os ajude no dia a
dia. (Osse & Costa, 2011).
Já aqueles que residem com a família, contam com maior suporte social e enfrentam
menos problemas adaptativos como morar sem os pais, conviver com pessoas estranhas,
responsabilizar-se por tarefas domésticas e pela alimentação (Lameu, Salazar & Souza, 2016).
Os estudantes com maior nível de suporte social tendem a cuidar mais de sua saúde, ter menos
sintomas depressivos e lidar de forma mais adaptada com os eventos estressores. Além disso, é
importante ressaltar que estudantes que vivem com outros alunos podem ter algum suporte
social, mas com menos responsabilidade do que aqueles que convivem com quem tem mais
vínculo, e neste caso, pode-se destacar a família (Peltzer, 2004 & Stallman, 2008). Desta forma,
a relação familiar se mostrou como fator de grande importância no manejo do stress acadêmico,
o que pode ser observado nos resultados da relação stress com a frequência de visitação à
família, região de origem e moradia. Alunos que convivem com a família diariamente sofrem
menos de stress que os estudantes que só têm contato no período de férias, o que explicaria a
maior proporção de estressados entre os oriundos de outros estados, assim como os que não
residem com a família (Lameu et al., 2016).
Assim, as perguntas norteadoras deste estudo serão: qual a percepção dos calouros do
curso de psicologia da Universidade Federal de Uberlândia que residem na casa dos pais e
aqueles que não residem, sobre os desafios no mundo acadêmico ? Houve diferença no âmbito
interpessoal, pessoal, psicológico e institucional após a entrada na faculdade? Deste modo, este
projeto de pesquisa objetiva compreender os desafios pessoais enfrentados por ingressante do
curso de psicologia da Universidade Federal de Uberlândia incluindo aqueles que se mudaram
para ingressar no curso, bem como refletir sobre as diferentes percepções de adaptação à vida
adulta entre os estudantes que saem da casa dos pais e aqueles que não saem.
2. Justificativa
Como pode ser visto anteriormente, os jovens são confrontados por um conjunto de
estímulos e desafios próprios do período de entrada para a universidade, tais comoa
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saída de casa, a separação da família e dos amigos, o que permite à pesquisa realizada por
Matta, Lebrão e Heleno (2017) inferir que esses fatores foram determinantes para as taxas
elevadas de evasão logo nos primeiros anos de ingresso na universidade, que é o período de
transição. De forma geral, as pesquisas revelam que o sucesso acadêmico é, em sua maior parte,
determinado pelas experiências vivenciadas pelos estudantes no primeiro ano na
universidade e, portanto, requer cuidados e acompanhamento (Souza, Lourenço, & Santos,
2016).
Além disso, foram realizadas buscas de artigos em diferentes bases de dados (Pubmed,
Scielo, Pepsic, Portal Regional da BVS, Redalyc, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
USP e também o Repositório Institucional da UFU) por meio do cruzamento das palavras-chave
"adaptação acadêmica"/"college adjustment"/ ou "estudantes universitários"/"college students"/,
ou "transição para a universidade"/"transition to college"/. A partir destas buscas, poucos artigos
da última década foram achados, assim, essas informações demonstram a restrição de pesquisas
atuais sobre o tema. Assim, este projeto se torna significativo porque ela pode ajudar a entender
o perfil dos alunos e quais dificuldades têm sido enfrentadas, dando subsídios para atuação da
universidade em ações de suporte aos alunos, tanto no que se refere às práticas promotoras de
saúde, quanto àquelas de tratamento e prevenção de doenças.
3. Metodologia
Este trabalho realizará um estudo descritivo exploratório, sendo uma pesquisa de
caráter qualitativo. Esse tipo de pesquisa envolve uma abordagem interpretativa do mundo, o que
significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender
os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem. Seguindo essa linha de
raciocínio, Augusto, Souza, Dellagnelo e Cario (2013) afirmam que a pesquisa qualitativa atribui
importância fundamental aos depoimentos dos atores sociais envolvidos, aos discursos e aos
significados transmitidos por eles. Nesse sentido, esse tipo de pesquisa preza pela descrição
detalhada dos fenômenos e dos elementos que o envolvem.
O estudo será desenvolvido dentro do contexto das vivências académicas de
ingressantes do curso de psicologia (Após o retorno das aulas presenciais). Dentro de tal
contexto, os participantes do estudo serão pessoas maiores de 18 anos e que estão cursando o
primeiro ou o segundo períodos de psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Desta forma, os critérios de inclusão da pesquisa serão: idade superior a 18 anos, estar cursando
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o primeiro ou o segundo período de Psicologia da UFU e o consentimento em participar da
pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Serão utilizados como instrumentos e materiais: entrevistas individuais com roteiro
semi estruturado e gravação de áudio. As entrevistas com roteiros semiestruturados serão
realizadas presencialmente em uma sala da Clínica Psicológica da UFU, que será previamente
agendada, ou na residência do participante, conforme sua preferência. Tais lugares se mostram
viáveis, onde o primeiro local é um lugar de fácil acesso para a pesquisadora e os participantes, e
o segundo por ser um local mais cômodo ao participante. A fim de conhecer em profundidade os
significados e a visão dos entrevistados, a entrevista contará com um roteiro semiestruturado, no
qual seguirá etapas, do seguinte modo: 1) Pergunta de abertura para apresentação do tema: a
pesquisadora perguntará sobre as vivências atuais dos entrevistados 2) Pergunta de transição que
vai direcionar a discussão para os subtemas relevantes: a pesquisadora irá abordar as possíveis
dificuldades que os estudante sentem nesse novo contexto de vida, 3)Perguntas-chave, essenciais
para os objetivos: neste tópico serão abordadas questões no âmbito interpessoal (relação com
outras pessoas), pessoal (adaptação a novas rotinas), psicológico (emoções e sentimentos) e
institucional após a entrada na faculdade; 4) Pergunta para procura de informação adicional e
conclusão do assunto discutido.
A coleta de dados acontecerá de forma presencial e será desenvolvida em três etapas. Na
primeira, a pesquisadora entrará em contato com a direção e a coordenação do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (IPUFU) para explicar os objetivos da
pesquisa, critérios de inclusão para participação e obter autorização para realizar a pesquisa no
Instituto. Na segunda etapa, a pesquisadora entrará em contato com esses possíveis participantes,
para isso ela adotará como procedimento passar nas salas do primeiro e segundo período, onde
irá informar sobre a pesquisa e deixará um convite impresso para cada aluno. Este convite,
contará com as informações necessárias da pesquisa (objetivos, os critérios de inclusão e a forma
como será realizada a entrevista), além do contato da pesquisadora (Whatsapp e email). Após o
contato dos possíveis participantes, será agendado o dia e o horário para a realização da
entrevista. Por fim, a terceira etapa será a coleta de dados, que se iniciará com as entrevistas
anteriormente agendadas. No mesmo dia que se realizará as entrevistas, a pesquisadora entregará
TCLE, no qual se o participante concordar poderá assinar e levar uma cópia para casa, outra
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cópia ficará com a pesquisadora. Caso sinta dúvidas, poderá saná-las com a pesquisadora e se
necessário os participantes poderão levar o TCLE para casa a fim de pensar a respeito.
A metodologia de análise de dados utilizada será a análise de conteúdo de Bardin, que
visará compreender as características ou estruturas que estão por trás dos dados brutos obtidos a
partir da transcrição das entrevistas. Essa metodologia consiste em três etapas, sendo a primeira a
pré-análise, onde o material é organizado, compondo o corpus da pesquisa. Escolhem-se os
documentos, formulam-se hipóteses e elaboram-se indicadores que norteiam a interpretação
final. A segunda etapa, consiste na exploração do material, dentro desta fase, temos as etapas de
codificação e categorização do material, que irá demarcar os núcleos de sentido e categorias a
partir do respeito a certas regras. E por fim a terceira etapa, onde haverá a interpretação dos
resultados obtidos, a mesma pode ser feita por meio da inferência, que é um tipo de
interpretação controlada (Santos, 2012).
Quanto aos aspectos éticos, o trabalho será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa
com seres humanos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Será utilizado o TCLE, que
será disponibilizado para os participantes no dia da entrevista. No TCLE será explicado que será
mantida a confidencialidade dos participantes a fim de preservar a sua privacidade e não
provocar danos, como, por exemplo, estigmatização e discriminação. O conteúdo das entrevistas,
assim como os dados dos participantes serão do conhecimento unicamente da equipe de
investigação e utilizados apenas para fins científicos. Além disso, as gravações das entrevistas
serão destruídas logo que os dados estejam tratados. E por fim, a participação dos estudantes é
inteiramente voluntária, não tendo a sua recusa em participar qualquer consequência para os
mesmos.
4. Cronograma (Ano que voltar as aulas presenciais – 12 meses)
1)Submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia
(CEP/UFU) e revisão bibliográfica (10 de janeiro a 31 de março);
2) Contato com coordenação e direção do curso, agendamento das entrevistas e início da coleta
de dados (01 de abril a 31 maio);
3)Coleta de dados e Transcrição das entrevistas (01 de junho a 30 de agosto);
4)Análise de dados e discussão dos resultados (01 de setembro a 30 de novembro);
5)Elaboração do relatório final da pesquisa aos órgãos de fomento, revisão gramatical e
adequação da formatação (01 de dezembro a 09 de janeiro).
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Referências
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Lameu, J. do M., Salazar, T. L., & Souza, W. F. (2016). Prevalência de sintomas de stress entre
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Matta, C. M. B., Lebrão, S. M. G., & Heleno, M. G. V. (2017). Adaptação, rendimento, evasão e
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