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SP 3.4 – Sempre volta! Marta e Raul, estudantes do segundo ano de Medicina, estavam na UBS quando receberam Ana, uma mulher de 35 anos que veio à consulta. Marta: “Boa tarde, Ana! Como a senhora tem se sentido?” Ana: “Estou com um incômodo na região íntima. Coça muito e arde bastante. Começou a uns dias e não melhora, mesmo com cremes que comprei na farmácia.” Raul: “A senhora já teve alguma infecção parecida antes?” Ana: “Já, vez ou outra, mas nunca tão forte assim. Agora trabalho num salão de beleza, passo o dia inteira em pé, uso muita roupa justa... e com essa correria, meu estresse e alimentação pioraram muito.” Marta: “Ana, algumas infecções por microrganismos, como a candidíase, podem aparecer quando nosso corpo está mais vulnerável. Raul: “Isso mesmo. Existem vários fatores, desde o nosso estado físico até o ambiente onde vivemos e trabalhamos. Dr. Mauricio entra na sala: “Olá, Ana, ouvimos seu relato. Vamos examinar e pedir alguns exames para entender melhor, se é uma infecção por Cândida. Também é importante avaliarmos se há outros fatores, que possam favorecer o aparecimento dessas infecções de maneira recorrente, como o cuidado do seu ambiente e hábitos. Ana: “Então posso ter de novo, mesmo depois do tratamento” Dr. Maurício: “Sim, se os fatores que favoreceram a proliferação do microorganismo e sua infecção não forem controlados. O equilíbrio da microbiota, pH vaginal, temperatura e alimentação, podem influenciar. Vamos tratar o episódio atual e conversar sobre medidas preventivas, higiene e hábitos saudáveis para evitar novas infecções.” Ana: “Obrigada, doutor. Quero entender melhor e evitar que isso atrapalhe minha vida.” Após Ana sair, os alunos conversam com Dr. Maurício. Marta: “Professor, a Candida é um patógeno primário?” Dr. Maurício: “Na verdade, não. É oportunista e tem mecanismos de adesão e evasão que dificultam a ação das células de defesa e dos antifúngicos.” Raul: “Então o sistema imune tem alguma forma específica de reagir aos fungos?” Dr. Maurício: “Sim. Como você acredita que é? Igual a bactérias? Pense um pouco. TERMOS DESCONHECIDOS: Cândida: Cândida refere-se a um grupo de fungos, sendo o Candida albicans o mais comum. Este fungo pode causar candidíase, uma infecção fúngica que ocorre quando há um crescimento excessivo do fungo, afetando diversas partes do corpo, como a região genital, boca, pele e unhas. Os sintomas incluem coceira intensa, irritação e inchaço. A candidíase é uma condição comum tanto em homens quanto em mulheres. HIPÓTESES: 1. O uso de roupas justas e apertadas, ao decorrer do dia, compactuam para pouca ventilação na região íntima, assim, a área fica abafada sendo um ambiente favorável para descompensação proliferação do fungo cândida. Além disso, a má alimentação de Marta, o estresse recorrente, compactuou para diminuição da resposta imunológica desequilibrando a microbiota vaginal, facilitando a infecção. 2. A paciente do caso apresenta um quadro de suspeita de candidíase (tendo o fungo candida como principal causador da infecção, que pode ser contagiosa), visto que Marta apresenta sintomas como incômodo na região íntima, prurido e ardência. OBJETIVOS: 1. Compreender a biologia dos fungos (classificação, composição, formas de infecção, como eles se replicam). 2. Entender os mecanismos de agressão dos fungos + patogênese. 3. Discutir como a resposta imune age contra os fungos. 4. Compreender mecanismos de evasão dos fungos. 5. Identificar quais fatores podem aumentar o risco de infecções fúngicas. (sociais, econômicos, físicos, biológicos, psicossociais) 6. Conceituar micose,seus tipos e suas formas de prevenção. Além da classificação taxonômica formal dos fungos, as infecções fúngicas podem ser classificadas de acordo com os tecidos infectados e por características específicas dos grupos de microrganismos. Essas classificações incluem as micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas; as endêmicas e as oportunísticas (Tabela 57.4). MICOSES SUPERFICIAIS As micoses superficiais são aquelas infecções que se limitam às áreas mais superficiais da pele e do cabelo. Elas são não destrutivas e de importância cosmética apenas. A infecção clínica denominada pitiríase versicolor é caracterizada por descoloração ou despigmentação e descamação da pele. Tinea nigra refere-se a manchas maculares pigmentadas de cor marrom ou preta localizadas principalmente nas palmas das mãos. Os grupos clínicos da piedra negra e branca envolvem os cabelos e são caracterizados por nódulos compostos por hifas que envolvem a haste capilar. Os fungos associados a essas infecções superficiais incluem Malassezia furfur, Hortaea werneckii, Piedraia hortae e Trichosporon spp. MICOSES CUTÂNEAS As micoses cutâneas são infecções da camada queratinizada da pele, cabelos e unhas. Essas infecções podem provocar uma resposta do hospedeiro e se tornar sintomáticas. Os sinais e sintomas incluem prurido, descamação, cabelos quebradiços, manchas na pele em forma de anel e unhas espessas e descoloridas. Dermatófitos são fungos classificados nos gêneros Trichophyton, Epidermophyton e Microsporum. As infecções da pele que envolvem esses organismos são chamadas de dermatofitoses. Tinea unguium refere-se a infecções dos dedos dos pés relacionadas com esses agentes. As onicomicoses incluem infecções das unhas causadas por dermatófitos, bem como fungos não dermatofíticos, como Candida spp. e Aspergillus spp. MICOSES SUBCUTÂNEAS As micoses subcutâneas envolvem as camadas mais profundas da pele, incluindo a camada córnea, o músculo e tecido conjuntivo, e são causadas por um amplo espectro de fungos taxonomicamente diversos. Os fungos obtêm acesso aos tecidos mais profundos geralmente por inoculação traumática, em que permanecem localizados, causando a formação de abscessos, úlceras não cicatrizantes e fístulas drenantes. O sistema imune do hospedeiro reconhece os fungos, resultando em destruição variável do tecido e frequentemente hiperplasia epiteliomatosa. As infecções podem ser causadas por fungos filamentosos hialinos, como Acremonium spp., Sarocladium spp. e Fusarium spp., e por fungos pigmentados ou demáceos, como Alternaria spp., Cladosporium spp. e Exophiala spp. (feohifomicoses, cromoblastomicoses). As micoses subcutâneas tendem a permanecer localizadas e raramente se disseminam sistemicamente. MICOSES ENDÊMICAS As micoses endêmicas são infecções fúngicas causadas pelos patógenos fúngicos dimórficos clássicos H. capsulatum, B. dermatitidis, Emergomyces pasteurianus (anteriormente Emmonsia pasteuriana), E. africanus, Coccidioides immitis, C. posadasii, Paracoccidioides brasiliensis e Talaromyces (Penicillium) marneffei. Esses fungos apresentam dimorfismo térmico (existem como leveduras ou esférulas a 37°C e fungos filamentosos a 25°C) e geralmente estão confinados a regiões geográficas onde ocupam nichos ambientais ou ecológicos específicos. As micoses endêmicas são frequentemente chamadas de micoses sistêmicas porque esses microrganismos são verdadeiros patógenos e podem causar infecção em indivíduos saudáveis. Todos esses agentes produzem uma infecção primária no pulmão, com disseminação subsequente para outros órgãos e tecidos. MICOSES OPORTUNÍSTICAS As micoses oportunísticas são infecções atribuíveis a fungos normalmente encontrados como comensais humanos ou no meio ambiente. Com exceção de Cryptococcus neoformans e C. gattii, esses organismos exibem virulência inerentemente baixa ou limitada e causam infecção em indivíduos debilitados, imunossuprimidos ou que carregam dispositivos protéticos implantados ou cateteres vasculares. Praticamente qualquer fungo pode servir como um patógeno oportunista e a lista daqueles identificados como tal se torna maior a cada ano. Os patógenos fúngicos oportunistas mais comuns são as leveduras Candida spp. e C. neoformans, o fungo filamentoso Aspergillus spp. e o fungo P. jirovecii. Em razão de sua virulência inerente, C. neoformans é frequentemente considerado um patógeno “sistêmico”. Embora possa causarinfecção em indivíduos imunologicamente hígidos, ele é claramente visto com mais frequência como patógeno oportunista na população imunocomprometida.