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Amanda Narciso DIARREIA Diarreia é a eliminação de fezes malformadas ou líquidas (ou seja, de consistência diminuída) com frequência aumentada. Quando a DIARREIA é acompanhada de SANGUE E MUCO, recebe o nome de DISENTERIA ou DIARREIA INVASIVA. CLASSIFICAÇÃO DA DIARREIA QUANTO AO MECANISMO FISIOPATOLÓGICO: DIARREIA SECRETORA: • MECANISMO: distúrbio do transporte hidroeletrolítico na mucosa intestinal. • CLÍNICA: fezes aquosas, volumosas | Ausência de dor | Persiste com o jejum | Osmolalidade fecal preservada| Desidratação grave e precoce. •EXEMPLOS: algumas bactérias, laxativos estimulantes (óleo de rícino, bisacodil), consumo crônico de álcool, olmesartana, diarreia dos ácidos biliares, hormônios (alguns tumores neuroendócrinos funcionantes, carcinoma medular da tireoide). Ocorre devido à secreção excessiva de fluidos (eletrólitos e água) pela mucosa intestinal, secundários a distúrbio do transporte hidroeletrolítico. Tais fluidos são lançados no lúmen intestinal em quantidade maior do que a que poderia ser reabsorvida, gerando diarreia. Essa secreção excessiva de fluidos pela mucosa vai determinar a clínica da diarreia: AQUOSA, VOLUMOSA, NÃO SANGUINOLENTA E PERSISTE COM O JEJUM. Os principais agentes são a E. coli enterotoxigênica e o Vibrio cholerae. DIARREIA OSMÓTICA: • MECANISMO: presença de solutos osmoticamente ativos e pouco absorvíveis, atraindo fluidos para o lúmen intestinal. • CLÍNICA: diarreia aquosa | Cessa com o jejum. • EXEMPLOS: algumas bactérias, vírus, laxativos osmóticos (sais de magnésio), deficiência de lactase, intolerância ao glúten não celíaca. Ocorre pela presença de solutos osmoticamente ativos e pouco absorvíveis no lúmen intestinal. Tais solutos levam à retenção osmótica de água no lúmen, repercutindo em episódios diarreicos. Na diarreia infecciosa osmótica, os microrganismos infectam e destroem as vilosidades intestinais, local onde encontramos as dissacaridases, que são enzimas que digerem os açúcares. Eles, então, acumulam-se na luz intestinal, aumentando a pressão osmótica. Com isso, há aumento da passagem de água e eletrólitos para a luz intestinal. O excesso de açúcar fermentado transformase em radicais ácidos, portanto as fezes são aquosas, ácidas e explosivas, podendo causar dermatite perineal. Os principais agentes são os vírus e a E.coli enteropatogênica. GAP OSMOLAR: DIARREIA OSMÓTICA X DIARREIA SECRETORIA O gap osmolar fecal é uma estimativa de qual a real contribuição dos eletrólitos para retenção de água no lúmen intestinal e, consequentemente, para a diarreia. Permite a diferenciação entre diarreia secretória e diarreia osmótica. O gap osmolar é calculado por meio da seguinte fórmula: 290 – 2 x (sódio fecal + potássio fecal). Gap osmolar 125 mEq/L indica diarreia osmótica. DIARREIA ESTEATORREICA (OU DISABSORTIVA): • MECANISMO: lipídeos não absorvidos no lúmen intestinal apresentam efeito osmótico, levando à diarreia. • CLÍNICA: fezes com odor fétido, gordurosas | Perda de peso | Deficit de nutrientes. • EXEMPLO: insuficiência pancreática exócrina, pancreatite crônica, fibrose cística, somatostatinoma, doença celíaca, espru tropical, doença de Whipple. Ocorre pela má absorção de lipídios (gorduras). Os ácidos graxos não absorvidos no lúmen intestinal apresentam efeito osmótico, principalmente após sofrerem hidroxilação bacteriana, gerando diarreia com fezes oleosas de odor fétido. DIARREIA INFLAMATÓRIA (INVASIVA OU EXSUDATIVA): • MECANISMO: inflamação gera exsudação e pode levar a deficit na absorção de gorduras e/ou eletrólitos, hipersecreção ou hipermotilidade pelo estímulo por meio das citocinas inflamatórias. • CLÍNICA: diarreia com sangue e muco | Febre. • EXEMPLOS: doença inflamatória intestinal, enteropatia pós-irradiação, doença enxerto versus hospedeiro, gastroenterite eosinofílica, algumas bactérias. Amanda Narciso Nas diarreias inflamatórias, há perda de sangue e muco nas fezes. Além disso, observamos aumento dos leucócitos fecais, bem como níveis elevados de calprotectina e lactoferrina nas fezes. Os principais agentes da diarreia infecciosa inflamatória/invasiva são: Shigella, Salmonella, E. coli enteroinvasiva, Campylobacter, E. coli enterohemorrágica, Entamoeba histolytica e Yersinia. Na presença de crise convulsiva, pensar em Shigella spp. DIARREIA ASSOCIADA A DISTÚRBIOS DA MOTILIDADE (OU MOTORA): •MECANISMO: trânsito intestinal rápido. • CLÍNICA: diarreia sem sangue. • EXEMPLOS: hipertireoidismo, fármacos procinéticos, diarreia diabética, síndrome do intestino irritável. Ocorre por uma alteração na motricidade do trânsito gastrointestinal que, ao se apresentar acelerado, leva a um prejuízo na sua capacidade absortiva. DIARREIA FACTÍCIA: • MECANISMOS: distúrbios psiquiátricos que simulam ou provocam diarreia. • CLÍNICA: mulheres, história de doença psiquiátrica, hipotensão e hipopotassemia. • EXEMPLOS: síndrome de Munchausen, uso dissimulado de laxativos. DIARREIA IATROGÊNICA: Ocorre após procedimentos cirúrgicos, como ressecção intestinal parcial, gastrectomia ou colecistectomia. Cerca de 5% a 12% dos pacientes submetidos a colecistectomia apresentam diarreia que se resolve em semanas a meses. A ausência da vesícula biliar faz com que uma maior quantidade de ácidos biliares atinja o cólon por superar a capacidade absortiva do íleo, levando à diarreia. DIARREIA AGUDA: Diarreia aguda: episódios diarreicos duram menos de 14 dias. Geralmente, autolimitadas e causadas, em mais de 90% dos casos, por agentes infecciosos. Também podem ser causadas por medicamentos, intoxicação exógena, alimentos, distúrbios vasculares intestinais, entre outros. DIARREIA AGUDA NÃO INFECCIOSA: MEDICAMENTOS: Fármacos que causam diarreia em 20% ou mais dos usuários: inibidores da alfaglicosidade (acarbose), biguanidas (metformina), colchicina, etc. Fármacos que causam diarreia em 10% ou mais dos usuários: antibióticos, quimioterápicos, orlistate, laxativos osmóticos, inibidores seletivos da receptação da serotonina, digoxina, etc. Drogas que causam diarreia esporadicamente: 5- aminosalicilatos, inibidores da acetilcolinesterase, anticolinérgicos, calcitonina, colestiramina, carbamazepina, estatinas, antiácidos à base de magnésio, anti-inflamatórios não-esteroidais, ocreotide, inibidores da bomba de prótons, etc. COLITE PSEUDOMEMBRANOSA: Inflamação intestinal causada pela C. difficile. Associado ao uso de antibióticos de amplo espectro Diagnóstico por pesquisa de toxinas A e B nas fezes. Tratamento com Metronidazol INTOXICAÇÃO EXÓGENA: Ingestão de inseticidas organofosforados, carbamatos, arsênico, toxinas pré-formadas em alguns peixes e cogumelos. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS: PSEUDODIARREIA: Os lactentes amamentados exclusivamente ao seio materno apresentam fezes amareladas a esverdeadas, semilíquidas e um reflexo chamado de gastrocólico, isso é, aumentam sua motilidade intestinal ao serem alimentados. Em algumas crianças, esse reflexo é exacerbado e elas podem evacuar mais de 8 vezes ao dia fezes explosivas. Não é uma diarreia verdadeira, pois não há mudança na característica das fezes, e a conduta é apenas orientação dos responsáveis. ALERGIA ALIMENTAR – ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA: Ocorre diarreia por mecanismos imunomediados após exposição ao alérgeno alimentar. Pode cursar com raias de sangue, irritabilidade, aumento de gases, perda pôndero-estatural e sintomas sistêmicos de alergia, como anafilaxia, broncoespasmo, urticária e angioedema. O tratamento é a exclusão do alimento da dieta. GALACTOSEMIA: É uma doença genética em que o organismo não consegue metabolizar o açúcar, provocando diarreia osmótica, vômito, icterícia e dificuldade de ganho ponderal. O tratamento é a restrição da galactose e da lactose da dieta. DIARREIADA RUBÉOLA CONGÊNITA. VARICELA: Conhecida como catapora. Agente etiológico: Vírus varicela-zóster Modo de transmissão: Aerossol Período de incubação: Entre 10 a 21 dias. Período de transmissibilidade: Do 10º dia após o contato até a formação de crostas. QUADRO CLÍNICO: Pródromos tendem a ser leves, inespecíficos, com febre baixa e mal-estar. Em adolescentes e adultos, normalmente são bem mais severos. A erupção inicia com máculas, que se tornam pápulas, vesículas, pústulas e, por fim, crostas. Começam na cabeça, atingem mucosas e descem para o corpo. Como as lesões surgem em momentos diferentes, há várias erupções em estágios diferentes, caracterizando um exantema polimórfico. MÁCULA PÁPULA VESÍCULA PÚSTULA CROSTA. EXANTEMA POLIMÓRFICO PRURIGINOSO. INICIA EM FACE, COM PROGRESSÃO CEFALOCAUDAL ENVOLVIMENTO DE COURO CABELUDO E MUCOSAS. Síndrome da Varicela Congênita é pouco frequente. Pode causar lesões cicatriciais cutâneas, malformações de membros, malformações cerebrais, coriorretinite, catarata e microftalmia. COMPLICAÇÕES: Principal complicação é a infecção cutânea bacteriana secundária, principalmente após escoriações pela coçadura, por germes cutâneos, como o S. aureus. Síndrome de Reye: Associada a infecções por influenza e varicela em crianças que utilizam ácido acetilsalicílico (AAS)de modo contínuo. Infecção disseminada: Pode causar pneumonia, hepatite, trombocitopenia, encefalite, ataxia cerebelar e mielite aguda. Amanda Narciso Herpes- Zóster: é uma reativação do vírus da varicela, que fica latente após a infecção inicial, nos gânglios. PREVENÇÃO: 1ª dose aos 15 meses na tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). 2ª dose aos 4 anos, na vacina da varicela isolada. Indivíduos vacinados podem apresentar a doença, mas geralmente são casos muito leves e sem complicações graves. PROFILAXIA PÓS–EXPOSIÇÃO: Na pós-exposição, a profilaxia pode ser feita utilizando- se vacina ou imunoglobulina. DIAGNÓSTICO: Essencialmente clínico e nenhum exame é necessário. Na fase de vesícula, pode ser realizado exame do líquido por microscopia eletrônica ou anticorpos podem ser detectados pelo teste de imunofluorescência indireta. TRATAMENTO: Sintomáticos. Indicação de ACICLOVIR: Todos os maiores de 12 anos; Os maiores de 12 meses com: o Doença cutânea crônica; o Doença pulmonar crônica; o Neuropatas crônicos; o Usuários crônicos de corticosteroides, mesmo aerossol; o Usuários de salicilatos. O tratamento deve ser iniciado o mais brevemente possível, de preferência nas primeiras 24 horas do surgimento do exantema. A dose é de 20 mg/kg/dose, 4x ou 5x ao dia, por 5 dias. O uso de antissépticos locais, por exemplo o banho de permanganato de potássio, não é mais indicado, porque, quando mal diluídos, eles podem causar queimaduras na pele. Antibióticos só em caso de infecção secundária bacteriana e, nesse caso, deve ser direcionado a ela. NÃO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA NACIONAL, EXCETO CASOS GRAVES INTERNADOS OU ÓBITOS! DOENÇA MÃO-PÉ-BOCA: A doença mão-pé-boca é uma enterovirose Agente etiológico: Coxsackie A16 ou Enterovirus 71. Modo de transmissão: Fecal-oral ou por secreções respiratórias. Período de incubação: Entre 3 e 6 dias. Período de transmissibilidade: Antes do aparecimento dos sintomas a semanas após a infecção. QUADRO CLÍNICO: Pródromo é inespecífico, composto por febre baixa, irritabilidade e anorexia. Exantema é caracterizado por lesões na boca, mãos e pés. ÚLCERAS DOLOROSAS EM OROFARINGE. PAPULOVESÍCULAS EM MÃOS E PÉS. COMPLICAÇÕES: Raramente ocorre disseminação grave da doença, como mioclonias, tremores, ataxia e paralisia de nervos cranianos, que evolui para falência cardiorrespiratória. PREVENÇÃO: Melhor prevenção é a higiene. Crianças afetadas devem ser afastadas da creche e do convívio de outras crianças. Não há vacina ou imunoglobulina disponível. DIAGNÓSTICO: Essencialmente clínico. Podemos utilizar a cultura celular, a detecção do RNA viral por PCR ou a sorologia, mas geralmente não há necessidade. TRATAMENTO: Apenas sintomáticos devem ser utilizados e os pais devem ser orientados. NÃO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA! ESCARLATINA: Doença exantemática bacteriana. Amanda Narciso Agente etiológico: Toxinas eritrogênicas do Estreptococo beta hemolítico do grupo A – Streptococcus pyogenes Modo de transmissão: Secreções respiratórias. Período de incubação: Entre 4 e 7 dias Período de transmissibilidade: Desde os pródromos até a resolução do quadro ou até 24 horas após o início do tratamento. QUADRO CLÍNICO: Os pródromos têm duração aproximada de 48 horas. Acompanhados por: Febre, Amigdalite, Língua em Framboesa. Após os pródromos, surge o exantema: EXANTEMA PAPULAR, PRURIGINOSO, TIPO “LIXA”. SINAL DE PASTIA (exacerbação do exantema em áreas de dobras). SINAL DE FILATOV (palidez perioral). Após 14 dias, pode ocorrer descamação laminar, principalmente em mãos e pés. COMPLICAÇÕES Febre reumática; Glomerulonefrite difusa aguda. DIAGNÓSTICO: Anamnese e exame físico. Pesquisa de estreptococo beta-hemolítico em orofaringe. TRATAMENTO: Antibiótico de escolha é a penicilina, mas a amoxicilina é o antibiótico oral mais comumente utilizado. Dose da amoxicilina: 40 a 60 mg/kg/dia, dividida em três tomadas, por 7 a 10 dias. Em pacientes com histórico de febre reumática aguda, incluem-se as duas opções citadas anteriormente, junto da Penicilina Benzatina, IM, dose única. Não há vacina ou imunoglobulina para prevenção. O tempo necessário de isolamento da criança após o início do tratamento com antibiótico é de 24 horas. NÃO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA! Amanda Narciso Doença de Kawasaki (DK): Doença inflamatória aguda sistêmica que se manifesta como uma vasculite de artérias de médio calibre com predileção pelas artérias coronárias 2ª vasculite mais comum em crianças Acomete pré-escolares até os 5 anos Predomina no sexo masculino Autolimitada 12 dias Aneurisma de coronária Predomina em asiáticos Principal causa de cardiopatia adquirida em jovens em países desenvolvidos. FISIOPATOLOGIA: TEORIA INFECCIOSA: Rara abaixo dos 6 meses e adultos. Maiores de 6 meses, corroborando a proteção dos anticorpos maternos contra infecções; Ondas epidêmicas Manifestação: quadro limitado, febril, exantema, conjuntivite e adenopatia cervical; Nenhum agente etiológico foi identificado. PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA: Genes capazes de: Modular resposta linfócitos T. Codificar fator de crescimento endotelial. Modular receptores citocinas. Atuar no receptor da IgG. Atualmente se aceita que a DK seja decorrente de uma resposta imunológica a um ou mais agentes infecciosos que causa uma vasculite sistêmica em indivíduos geneticamente predispostos. Vasculite induzida por um gatilho infeccioso que causa uma resposta imune em indivíduo geneticamente predisposto. VASCULITE: Infiltração profunda de células inflamatórias Destruição de células endoteliais, fibras de elastina, colágeno Perda da integridade estrutural das artérias coronárias Aneurismas Obstrução ou ruptura. QUADRO CLÍNICO: 2 a 12 semanas. Manifestações não ocorrem simultaneamente. FEBRE ≥ 5 dias. Sinais e sintomas: conjuntivite, mucosite, exantema, alteração de extremidades, linfonodomegalia Manifestações clínicas que são utilizadas como CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: Febre; Conjuntivite; Exantema polimorfo; Linfadenopatia cervical; Alterações de mucosa oral; Alterações de extremidades FEBRE: Critério mais comum. Acima de 38,5°C. 1º dia de febre = 1º dia da doença. Persiste por 1 a 2 semanas, sem tratamento. Febre alta com baixa resposta a antitérmico. CONJUNTIVITE: 90% dos casos. Bilateral e não exsudativa. Fotofobia e uveíte anterior associada. ALTERAÇÕES DE MUCOSA ORAL: Mucosite Lábios hiperemiados, edemaciados e rachados; Faringite não exsudativa; Língua em aspecto de morango. Amanda Narciso EXANTEMA: Polimórfico: Maculopapular; Escarlatiniforme; Urticariforme; Micropustular; Psoriásico Precoce. Acomete inicialmente Períneo, tronco e extremidades. BCG: Crianças vacinadas contra tuberculose podem apresentar uma crosta ou hiperemia no local da vacina BCG. ALTERAÇÕES DE EXTREMIDADES: Hiperemia palmoplantar. Edema em dorso de mãos e pés. Descamação entre segunda e terceira semana da doença. LINFADENOPATIA CERVICAL: Menos frequente. Acomete a região cervical; Maior do que 1,5cm; Manifesta-se como linfadenopatia única. OUTROS ACHADOS: Cardiovascular: ritmo de galope, taquicardia, derrame pericárdico, miocardite linfocítica, redução da perfusão periférica; Aparelho respiratório: infiltrado peribrônquico ou intersticial; Gastrointestinal: diarreia, vômitos, hepatite, icterícia, hidropsia da vesícula biliar; Urinário: uretrite, hidrocele; Sistema nervoso central: irritabilidade, meningite asséptica, paralisia facial; Artrite: acomete grandes articulações e comporta-se de forma autolimitada. Fâneros: deformidades ungueais denominadas linhas de Beau. ALTERAÇÕES LABORATORIAIS: Aumento da velocidade de hemossedimentação (VHS) e proteína C reativa (PCR). Leucocitose com desvio à esquerda. Ferritina sérica elevada. Linfocitose e Plaquetose na fase de convalescença. Anemia normocrômica e normocítica Leucocitúria. Discreto aumento de transaminases. Pleocitose liquórica. Aumento de triglicérides. Hiponatremia: associada a um risco elevado de aneurismas de coronária. Ecocardiograma: dilatações de coronárias, aneurismas de tamanhos variados. DIAGNÓSTICO: FEBRE maior que 5 dias + 4 dos outros 5 critérios: o Conjuntivite bilateral não exsudativa; o Mucosite; o Alterações de extremidades; o Exantema polimorfo; o Linfadenopatia cervical DOENÇA DE KAWASAKI INCOMPLETA OU ATÍPICA: Lactentes com menos de seis meses de idade; Febre inexplicada ≥ 7 dias; Sem achados clínicos de DK; OU Crianças de qualquer idade com febre ≥ 5 dias. SOLICITAR: provas inflamatórias e ecocardiograma CRITÉRIOS LABORATORIAIS COMPLEMENTARES: Anemia. Contagem de plaquetas ≥450.000 após o sétimo dia de febre. Amanda Narciso Albumina ≤3,0 g/dL. Nível ALT elevado. Contagem de leucócitos ≥15.000/mm³. ≥10 leucócitos/campo no exame de urina. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: TRATAMENTO: Tratamento dessas crianças até o 10° dia da doença, ou seja, até o 10° dia da febre, diminui em 5 vezes o risco de desenvolvimento de aneurismas de coronária. DK não tratada apresentam risco de 20% a 25% de desenvolver aneurisma de coronária. Tratamento em tempo oportuno apresentam aneurisma de coronária em apenas 5% dos casos. Imunoglobulina na dose de 2 g/kg. AAS: dose anti-inflamatória até normalização da febre (30-50mg/kg/dia). Dose antiplaquetária após. COMPLICAÇÕES: ANEURISMA DE CORONÁRIA: Principal complicação. Fatores de Risco: Diagnóstico e tratamento tardio, após o décimo dia da doença; Idade: menor de 1 ano e maior de 9 anos; Sexo: masculino; Casos refratários ao tratamento; Alterações laboratoriais: hematócrito 8mm: infarto agudo do miocárdio. ACOMPANHAMENTO: Imunizações: adiar 11 meses. Ecocardiograma em 2 a 6 semanas. Acompanhamento com cardiologista infantil Amanda Narciso MENINGITE: Inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo (cérebro, bulbo e cerebelo) e a medula espinhal. Principais agentes bacterianos são: Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Haemophilus influenzae do tipo B. Listeria monocytogenes. Staphylococcus aureus MENINGITE BACTERIANA POR MENINGOCOCO: N. meningitidis – Diplococo Gram-Negativo. Principal agente etiológico. Acomete todas as faixas etárias. Maior incidência em menores de cinco anos, particularmente em lactentes entre três e doze meses. MENINGITE BACTERIANA POR H. INFLUENZAE: H. influenzae do tipo B - cocobacilo Gram-Negativo. Em declínio pelo aumento vacinal. MENINGITE BACTERIANA POR PNEUMOCOCO: Streptococcus pneumoniae – coco gram-positivo. Qualquer idade, mais frequente em(líquor); Cultura (líquor, sangue, petéquias ou fezes); Contraimunoeletroforese cruzada – CIE (líquor Aglutinação pelo látex (líquor e soro). O que fazer primeiro, LCR ou TC de crânio? Fazer TC de crânio antes da punção lombar se houver, na história ou no quadro clínico, indicativos de maior possibilidade de herniação, tais como: Rebaixamento de nível de consciência moderado a grave; Sinal neurológico focal; Convulsões; Papiledema ou outros sinais de hipertensão intracraniana (Cushing, bradicardia, respiração irregular, hipertensão arterial); Pacientes imunocomprometidos, que têm maior probabilidade de lesão de massa. TRATAMENTO: Amanda Narciso TRATAMENTO DAS MENINGITES BACTERIANAS: TRATAMENTO POR AGENTE ISOLADO E DURAÇÃO: CORTICOIDE: Dexametasona 0,15 mg/kg 6/6 horas por 4 dias. Iniciar o tratamento antes da 1ª dose do antibiótico ou concomitante (junto) com a 1ª dose. Pneumo / Haemophilus Entrará empiracamente para todos. NOTIFICAÇÃO: Bacteriana: Notificação Compulsória IMEDIATA. Viral: Notifica. QUIMIOPROFILAXIA DE CONTACTANTES: Indicada apenas para meningococo e Hemophilus. Contato Íntimo: moradores do mesmo domicílio, compartilham o mesmo dormitório, comunicantes de creches e pessoas diretamente expostas às secreções do paciente. Profissionais de Saúde: Realizaram procedimentos invasivos. O próprio paciente: Exceto se o tratamento ocorreu com Ceftriaxone. Rifampicina. / Ceftriaxone IM (gest) / Ciprofloxacino 500mg VO. 7 a 10 dias do contato. Idealmente 48h pós-contato. VACINAÇÃO: Vacina conjugada pentavalente: protege contra meningite e outras infecções causadas pelo H. influenzae tipo b, além de difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. Vacina BCG: protege contra as formas graves de tuberculose (miliar e meníngea). Vacina pneumocócica conjugada 10-valente: protege contra doenças invasivas e outras infecções causadas pelo pneumococo (proteção contra dez sorogrupos). Vacina meningocócica conjugada C: protege contra doença invasiva causada por meningococo do sorogrupo C. Vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23): indicada para imunodeprimidos, portadores de doenças crônicas e população indígena acima de 2 anos de idade. Amanda Narciso Distúrbios Respiratórios do Período Neonatal: DESENVOLVIMENTO PULMONAR: SURFACTANTE: Substância lipoprotéica, com predomínio de fosfolipídios, principalmente dipalmitoilfosfatidilcolina (lecitina). Produzida nos pneumócitos II. Apesar de sua produção iniciar cedo, a distribuição só ocorre por volta de 28 a 32 semanas e alcança a concentração suficiente a partir da 35ª semana. O SURFACTANTE SÓ ALCANÇA CONCENTRAÇÃO SUFICIENTE EM TORNO DE 35 SEMANAS DE GESTAÇÃO! TRANSIÇÃO DA RESPIRAÇÃO: O feto já apresenta movimentos respiratórios desde o primeiro trimestre, mas a troca gasosa é feita por intermédio da placenta, já que o pulmão está cheio de líquido. Para o RN iniciar uma respiração efetiva e manter um bom padrão respiratório, 3 fatores são essenciais: 1. O desenvolvimento pulmonar adequado; 2. A permeabilidade das vias aéreas; 3. A maturidade do centro respiratório. A respiração deve se iniciar logo ao nascer e se manter constante, com uma frequência respiratória entre 30 - 60 incursões por minuto. A saturação sobe lentamente nos primeiros minutos de vida. DISFUNÇÃO RESPIRATÓRIA: Batimento de asas nasais: O RN expande as narinas para uma maior entrada de ar. Gemido expiratório: Som que o neonato faz na expiração ao tentar manter o ar dentro da cavidade torácica. Utilização da musculatura acessória do pescoço e balançar da cabeça para inspiração mais profunda. Retrações torácicas: Podem ser intercostais, subcostais, supraesternais e esternais. Reflete o aumento da pressão negativa intratorácica para uma maior entrada de ar na inspiração. Cianose: periférica (mãos e pés) - comum nos primeiros dias do neonato e reflete uma vascularização imatura em extremidades. Central - comum nos primeiros minutos de vida e diminui enquanto aumenta a saturação. APNEIA NEONATAL: APNEIA: Interrupção da respiração por mais de 20 segundos ou uma pausa respiratória mais curta, mas sempre associada à insaturação de oxigênio e/ou bradicardia (frequência cardíaca menor que 100bpm), cianose ou palidez. RESPIRAÇÃO PERIÓDICA DO RN: Menos de 20 segundos, assintomática. APNEIA DA PREMATURIDADE: Mais ou menos de 20 segundos, sempre sintomática APNEIA DA PREMATURIDADE: POUCA RESPOSTA A ESTÍMULOS. HIPERVENTILAÇÃO SEGUIDA DE BRADIPNEIA E DE APNEIA. IMATURIDADE DO CENTRO RESPIRATÓRIO. Amanda Narciso Exame físico normal. Gasometria normal entre os episódios. Radiografia de tórax normal. O diagnóstico é feito pela história clínica, associada aos fatores de risco. TRATAMENTO: Estímulo Tátil. Metilxantinas: Cafeína, Teofilina, Aminofilina – drogas de escolha. CPAP: pressão positiva constante. SÍNDROME DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO (SDR): Ou Doença da Membrana Hialina (DMH) ou Síndrome da Angústia Respiratória (SAR). Caracteriza-se como uma lesão no pulmão causada pela deficiência de surfactante pulmonar. Neonato hipoxêmico e taquidispneico, já nas primeiras horas de vida, com piora progressiva. PREMATURO + DISTRESS RESPIRATÓRIO PRECOCE = SDR/DMH ATÉ QUE A QUESTÃO PROVE O CONTRÁRIO! FATORES DE RISCO: Mães diabéticas Asfixia perinatal Sexo masculino Hipotireoidismo congênito FATORES DE PROTEÇÃO: Injúrias crônicas Mães hipertensas Crescimento intrauterino retardado MATURAÇÃO: A aceleração da maturação pulmonar também deve ser feita nas mulheres em trabalho de parto prematuro ativo, ou com risco dele acontecer, por meio dos corticoesteroides. A dexametasona e a betametasona são os de escolha. Idade gestacional indicada para seu uso varia: Entre 26 e 34 semanas - Febrasgo e Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB); Entre 24 a 34 semanas - Nelson - Tratado de Pediatria - 21ª edição. DIAGNÓSTICO: Fatores de risco + história clínica! Exame físico: Murmúrio vesicular diminuído bilateralmente. Gasometria: hipoxemia, hipercapnia e acidose respiratória ou mista. Radiografia inicial de tórax pode ser normal, evoluindo depois de 6 a 12 horas para: o Microatelectasias. o Hipotransparência homogênea em padrão “vidro moído”. o Broncogramas aéreos. CLASSIFICAÇÃO DA SDR PELOS CRITÉRIOS DE BERLIM: Amanda Narciso TRATAMENTO: CPAP + surfactante. A melhor estratégia para administrar o surfactante e diminuir o risco de lesão pulmonar pela ventilação mecânica é intubar o neonato, administrar o surfactante, extubar o bebê e colocar em CPAP. INSURE – INtubar, SURfactante, Extubar. Indicações Ventilação Mecânica: o Acidose persistente, pH arterial 60 mmHg; o Saturação de oxigêniomenores de 28 semanas, no 1º ano de vida; o Prematuros entre 29 e 32 semanas, nos primeiros 6 meses de vida; o Crianças com doença pulmonar crônica ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, nos primeiros 2 anos de vida, desde que em tratamento para a condição. TAQUIPNEIA TRANSITÓRIA DO RECÉM-NASCIDO (TTRN): Ou Síndrome dos Pulmões Úmidos. Causada pelo atraso na reabsorção do líquido pulmonar. Bebês a termo ou próximos de termo (> 34 semanas) – Distúrbio Leve. Hipoxemia e a queda de saturação são discretas. FISIOPATOLOGIA: Ao entrar em trabalho de parto, o feto inicia a reabsorção do líquido pulmonar e, durante o parto vaginal, a passagem pelo canal e as compressões torácicas auxiliam sua expulsão. Ao nascer, com o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar, há a absorção do restante do líquido. Na TTRN há um atraso dessa absorção e o líquido acumula nos pulmões, ocasionando diminuição da complacência pulmonar e aumento na resistência das vias aéreas. Principal Fator de Risco: Cesariana eletiva sem trabalho de parto! RN TERMO OU PRÓXIMO DE TERMO NASCIDO DE CESARIANA = TTRN Amanda Narciso Outros fatores podem interferir na reabsorção do líquido: o Asma materna; o Asfixia perinatal – depressão do centro respiratório; o Diabetes materna – diminuição do clearance; o Policitemia – aumento no volume hemático e edema. DIAGNÓSTICO: História clínica e fatores de risco. RX de tórax: o Hiperinsuflação; o Horizontalização das costelas; o Retificação do diafragma. o Cardiomegalia; o LÍQUIDO NO PULMÃO! TRATAMENTO: Oxigenoterapia não invasiva – frações mínimas. SÍNDROME DA ASPIRAÇÃO DE MECÔNIO (SAM): Doença pulmonar causada pela deposição do líquido amniótico meconial no pulmão do RN. GRAVE! 1) Nem todo neonato nascido banhado em mecônio apresentará a síndrome; 2) A gravidade não está correlacionada à viscosidade do líquido. ENTENDENDO A DOENÇA: Ao entrar em sofrimento fetal, ou nos casos de pós- datismo, o feto tende a sofrer hipóxia intrauterina e, por consequência, relaxar esfíncteres e liberar mecônio. Fatores de estresse, assim como RNs pós-termo, são considerados de risco. RN PÓS-TERMO/SOFRIMENTO FETAL AGUDO + TAQUIDISPNEIA + LÍQUIDO AMNIÓTICO MECONIAL = SAM DIAGNÓSTICO: Ausculta pulmonar rica de estertores crepitantes e bolhosos difusos. Aumento no diâmetro ânteroposterior torácico. Gasometria: hipóxia, hipercapnia e, inicialmente, acidose. Hemograma: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda devido ao processo inflamatório. RX de tórax: o Infiltrados pulmonares grosseiros; o Hiperinsuflação; o Retificação do diafragma; o Áreas de hipotransparência. TRATAMENTO: NEM TODO RN BANHADO EM MECÔNIO NECESSITA DE REANIMAÇÃO! Aspiração – se for necessário intubar o bebê e houver mecônio visível na traqueia. CONDUTA: OXIGENOTERAPIA + SURFACTANTE + ANTIBIÓTICOS. HIPERTENSÃO PULMONAR PERSISTENTE (HPP): Ou Persistência da Circulação Fetal. Distúrbio causado pela manutenção do shunt direita- esquerda, por meio do canal arterial (ducto arterioso) e do forame oval. Primária: por malformações congênitas vasculares; Amanda Narciso Secundária a doenças que causam aumento da pressão no leito vascular pulmonar, como as afecções cardiorrespiratórias. Dentre elas: SAM, DMH, hipoplasia pulmonar, cardiopatias congênitas, sepse, pneumonia e asfixia perinatal. SAM É A PRINCIPAL CAUSA DE HPP! ENTENDENDO A DOENÇA: O feto apresenta o pulmão cheio de líquido amniótico e, portanto, uma alta resistência venosa. Isso permite que o sangue oxigenado, vindo da placenta para o ventrículo direito, não siga pela artéria pulmonar e, em vez disso, passe pelo forame oval e canal arterial e seja distribuído aos tecidos. Esse é o shunt direita-esquerda (D-E). Ao nascer, com a expulsão do líquido pulmonar e a entrada de ar, a resistência cai, cessa o fluxo placentário e o shunt inicia seu fechamento. O sangue não oxigenado entra pelo coração direito e segue pela artéria pulmonar direto para oxigenação. Não há mais passagem para o coração esquerdo nem mistura de sangues, o que impede a hipoxemia. Na HPP, porém, o RN mantém a resistência pulmonar alta, impedindo o fechamento do canal arterial e ducto venoso e persistindo o shunt, o que causa hipoxemia grave. HPP = PERSISTÊNCIA DO SHUNT DIREITO- ESQUERDO Por que isso ocorre? Alta pressão dos vasos pulmonares pode ser resultado de diversos fatores, entre eles: Vasoconstrição, por mediadores inflamatórios, como ocorre nos asfixiados e na SAM; Obstrução mecânica, como massas, atelectasias ou hiperinsuflação pulmonar. Remodelamento pulmonar por muscularização arteriolar excessiva, como ocorre em fetos com hipóxia crônica; Hipoplasia pulmonar, como em casos de hérnias diafragmáticas, massas torácicas ou oligodrâmnia; Hiperviscosidade sanguínea, como na policitemia. QUADRO CLÍNICO: Hipoxemia importante. Taquidispneia. Discordância do quadro clínico. A ausculta pulmonar pode estar normal ou alterada, de acordo com a doença de base. Ausculta cardíaca: sopros e hiperfonese de B2. Labilidade clínica – piora da saturação à manipulação. RN TAQUIDISPNEICO + HIPOXEMIA IMPORTANTE / AUSCULTA CARDÍACA ALTERADA / LABILIDADE À MANIPULAÇÃO = HPP DIAGNÓSTICO: RX tórax é inespecífica e depende da causa de base. Padrão-ouro: ecocardiograma. Ele evidencia o shunt e afasta cardiopatias congênitas. Gasometria arterial: baixa pressão arterial de oxigênio mesmo em pacientes que recebem altas frações inspiradas de oxigênio. TRATAMENTO: Causa base. Oxigenioterapia precoce e agressiva. Óxido Nítrico inalatório. Sildenafil – se óxido nítrico não disponível. Milrinona – se presença de disfunção ventricular. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA: Malformação do diafragma que pode causar eventração do conteúdo abdominal para o conteúdo torácico a depender do tamanho da falha. Amanda Narciso ENTENDENDO A DOENÇA: Para desenvolver-se, o pulmão necessita de espaço na caixa torácica. No momento em que o conteúdo abdominal o preenche, não há a formação adequada e ocorre hipoplasia do lado afetado. QUADRO CLÍNICO: Depende do grau de acometimento. Taquidispneia. Hipoxemia. Abdômen escavado. Murmúrio vesicular diminuído. Desvio de mediastino. Bulhas cardíacas à direita. Ruídos hidroaéreos no tórax. RX: Presença de conteúdo abdominal na caixa torácica. TAQUIDISPNEIA + HIPOXEMIA + ABDÔMEN ESCAVADO + RHA NO TÓRAX CONDUTA: Intubar de imediato. Reparo cirúrgico após estabilização do RN, geralmente com 48h de vida. PNEUMONIA NEONATAL: Doença inflamatória pulmonar de causa infecciosa. Geralmente anda junto com a sepse. ENTENDENDO A DOENÇA: Os agentes infecciosos causam ativação da cascata inflamatória e lesão celular pulmonar. A pneumonia neonatal pode ser dividida em: Congênita: associada a infecções congênitas. TORCHS – toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis, entre outras. Precoce: quando iniciada em até 72 horas de vida. Os agentes envolvidos são de origem materna, eles podem infectar diretamente intraútero ou na hora do parto. Streptococcus agalactiae β-hemolítico do grupo B (GBS) é o mais envolvido e relacionado aos piores desfechos. Agentes mais comuns da flora geniturinária materna: o Streptococcus agalactiae (estreptococo beta- hemolítico do grupo B); o Escherichia coli; o Klebsiella; o Listeria monocytogenes. Tardia: iniciada após 72 horas de vida em RNs que necessitam de internamento ou ventilação mecânica. É causada por agentes da flora hospitalar ou comunitária, especialmente o estafilococo. Fator na história materna que o induza pensar nesse diagnóstico: o Corioamnionite materna; o Febre materna intraparto; o Rotura de membranas maiordo que 18 horas; o Trabalho de parto prematuro sem causa; o Colonização materna por GBS; o Infecção urinária materna. QUADRO CLÍNICO: Inespecífico. Presença de fatores de risco é essencial para o diagnóstico! TAQUIDISPNEIA + FATORES DE RISCO INFECCIOSOS = PNEUMONIA OU SEPSE NEONATAL DIAGNÓSTICO: História clínica com uma cultura positiva OU Taquidispneia com dois ou mais dos fatores a seguir: 1. Exposição aos fatores de risco; 2. Sepse; 3. Radiografia de tórax com os seguintes aspectos: infiltrados pulmonares, consolidação, broncogramas aéreos; 4. Escore Hematológico de Rodwell ≥ 3 no hemograma. ESCORE HEMATOLÓGICO DE RODWELL Um ponto para cada alteração: Leucocitose ou leucopenia: o Considerar leucocitose > 25.000 ao nascimento ou > 30.000 entre 12 e 24 horas, ou > 21.000 acima de 48 horas de vida; o Considerar leucopenia 0,3); Alterações degenerativas nos neutrófilos com vacuolização e granulação tóxica; Plaquetopeniaprogressivo. Necrose do tecido celular subcutâneo e fáscia muscular. Imunodeprimidos, diabéticos e alcoólatras. Sintomas sistêmicos. TIPO I: Polimicrobiana, incluindo bactérias aeróbicas e anaeróbicas. Estreptococos, S. aureus, Escherichia coli, bacteroides e Clostridium spp. Relacionado a procedimento cirúrgico ou ferida infectada. Diabéticos são os mais suscetíveis. Pode ser notada a presença de crepitação à palpação devido à produção de gases por bactérias anaeróbicas. TIPO II: Monomicrobiana (S. pyogenes) Indivíduos mais jovens e hígidos. Disseminação hematogênica (faringoamigdalite). QUADRO CLÍNICO: Mais comum em MMII. Eritema mal delimitado, edema e calor. Paciente queixa de dor desproporcional aos achados do exame físico! Rápida progressão da doença e o paciente apresenta sinais de toxemia com febre alta, taquicardia e hipotensão. Pele acometida passa para uma coloração violácea e, posteriormente, azul-acinzentada, denotando o sofrimento isquêmico. Surgem bolhas de conteúdo turvo ou hemorrágico e odor fétido até áreas de necrose serem visíveis. O paciente pode evoluir com insuficiência renal aguda, hematúria, hiponatremia, hipoalbuminemia, trombocitopenia, elevação de CPK e acidose metabólica. Quadro Semelhante a Celulite + Dor Desproporcional ao Exame Físico + Sinais de Toxemia. TRATAMENTO: Desbridamento cirúrgico precoce de toda a área necrótica está relacionado com melhores desfechos clínicos e o material deve ser enviado para cultura. Antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada precocemente. Carbapenêmico ou piperacilina com tazobactam associado à vancomicina e clindamicina. Suporte clínico intensivo, com reposição volêmica agressiva e uso de vasopressores. PIOMIOSITE: Infecção purulenta do músculo estriado esquelético. Ocorre predominantemente em homens, com dois picos de idade. 1º) crianças de 2 a 5 anos; 2º) adultos de 20 a 45 anos, S. aureus. Trauma muscular local é fator desencadeante. QUADRO CLÍNICO: Inicia com febre e câimbra na musculatura afetada. Maioria das vezes, apenas um grupo muscular é acometido e geralmente nos MMII (coxas, panturrilha e glúteo). Posteriormente, há edema muscular e a palpação muscular é de consistência lenhosa. Cerca de 2 semanas após o início do quadro, a febre aumenta e torna-se evidente o aumento de partes moles, que culmina na formação e supuração de abscesso muscular. Febre + Dor Muscular e Consistência Lenhosa + Sinais de Toxemia. DIAGNÓSTICO: Leucocitose com desvio à esquerda. Aumento de marcadores inflamatórios (PCR e VHS). Níveis de creatina quinase (CK) não costumam elevar. Na suspeita clínica de piomiosite - melhor exame de imagem para diagnóstico é a ressonância nuclear magnética. Hemocultura – positividade ~10% dos casos. TRATAMENTO: Antibioticoterapia. Drenagem cirúrgica se houver abscesso. Amanda Narciso INFECÇÕES BACTERIANAS DO FOLÍCULO PILOSO: FOLICULITE: Inflamação superficial do folículo piloso. S. aureus – principal bactéria. Clinicamente: Pústula centrada no folículo piloso. Mais comum na área da barba, couro cabeludo de crianças e extremidades e nádegas de adultos. Geralmente é assintomático. Queixa de prurido. Tratamento: antibióticos tópicos – ácido fusídico ou mupirocina. FURÚNCULO E ANTRAZ FURÚNCULO: Infecção folicular mais profunda, com envolvimento das glândulas sebáceas anexas. S. aureus – mais comum. Mais comuns em áreas de atrito e com muito pelo, como as axilas e os glúteos. Paciente com furúnculos repetidos – furunculose. Clinicamente: nódulo eritematoso inflamado, com ponto escurecido central. Ele cresce, torna-se doloroso e flutuante após alguns dias. Posteriormente, pode haver saída de secreção purulenta e do tecido necrótico. Após isso, a dor, o eritema e o edema diminuem ao longo de dias ou semanas. ANTRAZ: Resultado de um agrupamento de furúnculos. Clinicamente: grande lesão inflamatória com base profunda e é extremamente dolorosa. Na evolução, múltiplas pústulas surgem na superfície e drenam material purulento. Após a regressão clínica, há uma cicatriz permanente no local. Mais comuns em região da nuca, o dorso e as coxas. Podem apresentar sintomas sistêmicos, como febre, astenia e queda do estado geral. Tanto o furúnculo quanto o antraz podem complicar- se com bacteremia e levar à osteomielite, abscesso cerebral ou endocardite bacteriana. Furúnculo: Higiene + Compressas Quentes. Indicações do uso de antibiótico sistêmico, que são: o Furúnculos maiores que 2 cm; o Furúnculo com sinais de celulite ao redor; o Antraz; o Presença de sintomas sistêmicos, como febre. Antibiótico deve cobrir o S. aureus e geralmente é utilizada a cefalexina. Quando as lesões são grandes e estão flutuando, é importante que seja realizada drenagem cirúrgica. O conteúdo da secreção pode ser enviado para cultura e antibiograma, à procura de MRSA, principalmente se o quadro for de repetição. OSTEOMIELITE INFANTIL: Infecção óssea. Menores de 13 anos. Pico aos 6 anos. 2,5x mais comum em meninos. Sintomas principais são febre e dor metafisária. Principal forma de infecção é hematogênica. Amanda Narciso FISIOPATOLOGIA: A infecção por contiguidade pode ser consequência de uma infecção de pele ou tecidos moles, ou de uma pioartrite. Nos primeiros dois anos de vida, vasos que cruzam a epífise permitem uma infecção cruzada; o mais comum é a osteomielite levar a uma pioartrite, mas o contrário também é possível. Após essa idade, a fise serve como barreira, e a única forma de uma osteomielite infectar uma articulação é por meio de um abscesso subperiosteal. O trauma, também, pode predispor o local à deposição de microrganismos de forma hematogênica. Ele está associado à osteomielite em aproximadamente um terço dos casos. Existem locais “favoritos” para a ocorrência da osteomielite: Em crianças, ocorre, principalmente, na metáfise de ossos longos, com destaque para fêmur e, na sequência, tíbia. O trânsito sanguíneo nas arteríolas metafisárias é lento e turbulento, o que, associado às janelas no endotélio, características de crianças, favorece a ocorrência da osteomielite hematogênica nesses locais. AGENTES ETIOLÓGICOS: S. aureu – principal. APRESENTAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Osteomielite Aguda: menos de 2 semanas de evolução; Osteomielite Crônica: vários meses de evolução; Paciente apresenta dor óssea metafisária, sinais flogísticos no local, que poupam a articulação, febre e alterações de provas inflamatórias e infecciosas. Com a evolução, forma-se um abscesso que, subperiostealmente, pode invadir a articulação; ou então pode dissecar os tecidos e criar um pertuito – uma fístula com o meio externo. Em casos crônicos, é frequente a presença de fístula que drena em períodos de agudização. Diagnóstico diferencial com tumores: Sarcoma de Ewing: casca de cebola (cebolewing). Ao se puncionar o aspecto é purulento. Osteossarcoma: segunda década de vida. Reação periosteal em raios de sol (osteossolcoma) ou triângulo de Codman (osteossarcodman). Osteoma osteoide: corujinha - dor noturna, melhora com anti-inflamatórios! DIAGNÓSTICO: Radiografia: alterações radiográficas podem levar até duas semanas para surgirem. Os sinais são osteólise. Tomografia: planejamento cirúrgico. Amanda Narciso Ressonância magnética: melhor exame para o diagnóstico, sendo o mais sensível. Se não houver alteração, exclui osteomielite. Cintilografia: diagnosticar se tiver múltiplos focos. Exames séricos: o Leucograma: elevado em 1/3 dos casos! o VHS: elevada na maioria, demora acair. o PCR: elevado em quase todos os casos. o Hemocultura: auxilia no diagnóstico, mas, geralmente, é negativa (apenas 30% a 50% de positividade). Biópsia óssea e cultura: exame mais confiável o Sempre deve ser solicitado exame anatomopatológico para a biópsia, para diferenciar do sarcoma de Ewing. Na osteomielite, a biópsia apresentará: o Casos agudos: células inflamatórias, edema, congestão vascular e trombose. Pode haver ossos necróticos, conforme a fase. o Casos crônicos: osso necrótico em maior quantidade, neoformação óssea e células polimorfonucleares, com linfócitos, histiócitos e células plasmáticas. TRATAMENTO: Todos os pacientes devem receber antibioticoterapia. ATB inicial de escolha: Oxacilina endovenosa. O medicamento deve ser, posteriormente, adequado à cultura e mantido por via endovenosa por 4 a 6 semanas. A avaliação da manutenção do antibiótico depende da evolução dos marcadores inflamatórios séricos. Cirurgia: pode ser evitada apenas em pacientes com osteomielite aguda e que estejam respondendo a antibióticos. Todos os outros são operados. Na cirurgia, faz a limpeza e o desbridamento da lesão óssea. Como isso gera espaço morto, é de praxe deixar espaçadores de cimento com antibiótico. Tratamento padrão associado, para auxiliar nos sintomas: analgésicos, antiinflamatórios e repouso. LINFADENITES CERVICAIS: Linfonodomegalia generalizada: linfonodos aumentados em duas ou mais cadeias linfonodais não contíguas. Linfonodos de consistência endurecida, associados a perda de peso, apresentam grande chance de etiologia maligna. Linfonodomegalia generalizada associada a febre por mais de sete dias, palidez cutaneomucosa, hepato ou esplenomegalia devem levantar a suspeita de doença linfoproliferativa. LINFADENITE REACIONAL: Causa mais comum de aumento de linfonodos cervicais. Dentre os processos inflamatórios ou infecciosos que levam ao desenvolvimento da linfonodomegalia cervical reacional na infância, temos as infecções virais das vias aéreas superiores como a principal causa. A regressão dos linfonodos inflamatórios/reacionais ocorre de forma espontânea, sem a necessidade de utilização de nenhum medicamento para esse fim, dentro de um intervalo médio de 12 semanas. LINFADENITE (OU ADENITE) CERVICAL Quadros em que ocorrem infecções bacterianas agudas diretamente nos linfonodos cervicais. S. aureus e o estreptococo β-hemolítico do grupo A. Sinais e Sintomas: o Aumento de volume unilateral (na reacional é bilateral); o Febre; o Dor local; o Calor e rubor; o Sem pontos de flutuação; o Hiporexia e mal-estar. USG cervical importante para verificar a ocorrência de inflamação direta em um ou mais linfonodos cervicais. Hemograma: leucocitose e neutrofilia, Tratamento: antibioticoterapia – Cefalosporina de primeira geração (cefalexina) de forma empírica, considerando seu baixo espectro de ação e pela possibilidade de se tratar de uma linfadenite inespecífica. Amanda Narciso OTITES: OTITE EXTERNA: ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Inflamação do pavilhão auricular e do conduto auditivo externo. Mais provável de ocorrer no verão. Relacionar-se ao aumento da umidade do ambiente, bem como com a participação em atividades aquáticas ao ar livre (dia inteiro na piscina). Bactéria + frequente: Pseudomonas aeruginosas. Depois: S. epidermidis e S. aureus. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Otalgia que piora à manipulação do pavilhão auricular ou conduto auditivo. Sem febre e outros sintomas nas vias aéreas superiores. Exame físico: edema e hiperemia da pele do conduto. Edema pode prejudicar a visibilização da membrana timpânica, que deverá apresentar-se dentro da normalidade. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: Diagnóstico: clínico, baseado nos sinais e sintomas. Tratamento das infecções leves a moderadas: preparações tópicas à base de antibiótico, corticóide e analgésico. MIRINGITE BOLHOSA: Uma apresentação de otite externa/otite média. Se apresenta com vesículas ou bolhas agrupadas na membrana timpânica, sem a presença de abaulamento da membrana. Foi previamente relacionada ao Mycoplasma pneumoniae. Mas, em casos de otite média aguda ou otite externa com miringite, o patógeno mais comum é o Streptococcus pneumoniae. Principal sintoma: otalgia. Tratamento: analgesia via oral, calor local e orientação aos pais. OTITE EXTERNA MALIGNA ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Infecção invasiva do conduto auditivo externo que pode se estender à base do crânio. Geralmente em idosos e portadores de DM. Contudo, a suscetibilidade à otite externa maligna não foi correlacionada ao nível de intolerância à glicose. Essa apresenta ainda Bactéria: Pseudomonas aeruginosa. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Dor intensa que não responde às medicações tópicas padrão. Diagnóstico: quadro clínico associado à elevação do PCR e VHS. TC pode identificar erosão óssea e a RNM auxilia na monitorização do tratamento. Tratamento: forma empírica com ciprofloxacino, associado a outro beta-lactâmico com cobertura a antipseudomonas, sem papel para antibióticos tópicos. ROLHA DE CERUME: Hipoacusia Condutiva. Uso de cotonete. Contra Indicações à Lavagem Otológica: Otite Aguda (externa ou média) História prévia de perfuração timpânica História de cirurgia otológica Paciente não cooperativo. OTITE MÉDIA AGUDA (OMA): ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Complicação de 35% das IVAS. Mais prevalente entre 6 a 24 meses de idade. Amanda Narciso Rinites e rinossinusites infecciosas são importantes fatores predisponentes. 1) Streptococcus pneumoniae. 2) Haemophilus influenzae. 3) Maxarella Catarrhalis. FATORES DE RISCO PARA OMA: Amamentação na posição horizontal. Refluxo gastroesofágico. Posição alimentar (na horizontal). Frequentador de creches (as com maior quantidade de alunos apresentam maior risco de contágio). Tabagismo passivo. Hipertrofia de adenoide. Uso de chupeta. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Boa parte dos casos de OMA pode ser precedida por IVAS. Rinorreia; Obstrução nasal; Febre baixa. Otalgia associada à febre de intensidade moderada a alta. Lactentes e crianças pequenas, que não conseguem descrever os sintomas, podem apresentar sinais indiretos de desconforto pela otalgia. Recusa alimentar, prostração, irritabilidade e quadro de choro persistente. Exame físico: abaulamento da membrana timpânica. Aumento da vascularização radial da membrana timpânica. Alívio da otalgia seguido por um início de otorreia. Diagnóstico: totalmente clínico. TRATAMENTO: QUANDO UTILIZAR ANTIBIÓTICOS NA OTITE MÉDIA AGUDA: ANTIBIÓTICOS NA OTITE MÉDIA AGUDA: COMPLICAÇÕES DA OTITE MÉDIA AGUDA: MASTOIDITE: Oriunda de uma OMA, por tratamento irregular com antibiótico ou quando esse foi utilizado com uma dose insuficiente. Aumento de volume/Abaulamento retroauricular. Presença de sinais flogísticos (hiperemia, calor). Dor à palpação e à percussão. Deslocamento/Protrusão anterior do pavilhão auricular. Diagnóstico Clínico. TRATAMENTO: Internação Hospitalar + Antibioticoterapia empírica. LABIRINTITE: Paciente, com história prévia de OMA, que evoluiu com: Vertigem. Náuseas. Amanda Narciso Nistagmo. Vômitos. Zumbido/acufenos. MENINGITE: Aumento da Febre. Rebaixamento do nível de consciência. Internação hospitalar, realização de punção liquórica para confirmação, início de antibioticoterapia venosa e solicitação de tomografia computadorizada. OTITE MÉDIA SEROSA (OU COM EFUSÃO) (OME): Presença de efusão na orelha média sem sinais agudos de infecção. ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Comum em lactentes e pré-escolares. Fatores predisponentes: História prévia de otite média; Rinite alérgica; Sexo masculino. Uso de mamadeira (em oposição à amamentação). Frequentadores de creche. Hipertrofia de adenoide. Exposição à fumaça do cigarro. Baixo nível sócio econômico. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Hipoacusia condutiva. Nas crianças mais jovens, podemos ver o atraso na fala ou alterações na linguagem. Sensação de orelha entupida e “dificuldade de ouvir”. Piora no rendimento escolar. Maior presença de acometimento bilateral em pacientes com OME até os dois anos. Exame físico: membrana timpânica retraída, com mobilidade reduzida, podendo, ainda, apresentar algumas áreas amareladas. DIAGNÓSTICO: Audiometria: mostra perda auditiva condutiva. Timpanometria: exame que mede o grau de complacência/mobilidade da membrana timpânica. TRATAMENTO: Miringoplastia / miringotomia com introdução do tubo de ventilação. Crianças com problemas na fala, linguagem e aprendizado devem ser encaminhadas de forma precoce para avaliação auditiva. Crianças com diagnóstico de OME, mas sem alterações na fala e no aprendizado, podem ser submetidas à avaliação auditiva apenas se a otite persistir por três meses. Dano estrutural na membrana timpânica ou orelha média já é indicação imediata de cirurgia. OTITE MÉDIA CRÔNICA (OMC): Infecção recorrente do ouvido médio e das células da mastoide, na presença, ou não, de perfuração detectável da membrana timpânica. Otite média crônica "benigna" (ou inativa): caracterizada por perfuração na membrana timpânica seca, não associada a infecção ativa. Otite média crônica supurativa: apresenta uma drenagem purulenta persistente através de uma perfuração na membrana timpânica. Colesteatoma (ou OMC colesteatomatosa): refere-se a uma coleção epitelial queratinizada e descamativa, que se desenvolve na orelha média e pode ocorrer secundária a uma perfuração da membrana timpânica. Além disso, também desenvolve-se de forma primária através de uma retração da membrana. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: OMC supurativa e da OMC colesteatomatosa: presença de uma otorreia fétida; Quando o colesteatoma é a etiologia, geralmente otorreia apresenta-se com períodos mais prolongados de duração, menores intervalos de recorrência e maior tendência à bilateralidade. Tratamento: O tratamento definitivo para todos os tipos de otite média crônica é a cirurgia otológica, podendo ser uma timpanoplastia nos casos de OMC simples que não tenha alteração inflamatória na orelha média nem na mastoide Amanda Narciso LARINGITES: LARINGITE/ LARINGOTRAQUEÍTE VIRAL (CRUPE): ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Vírus parainfluenza – 3 tipos. Maioria dos casos entre 6 meses e 3 anos de idade. Incidência aumentada no outono e no inverno. Crupe é a causa mais comum de obstrução das vias aéreas na infância, sendo responsável por 90% dos casos de estridor nessa faixa etária. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Início do quadro sintomas: febre baixa, tosse discreta e coriza hialina. Sintomas que caracterizam a laringite viral: Rouquidão / disfonia; Tosse rouca / ladrante / ou “de cachorro”. Estridor / Ruído inspiratório (Inspiratório). CLASSIFICAÇÃO: LEVE: não tem estridor em repouso (embora o estridor possa estar presente quando agitado ou chorando) nem retrações na parede torácica. Porém, pode apresentar tosse ladrante, grito rouco e retrações subdiafragmáticas. MODERADA: estridor em repouso associado a retrações leves na parede torácica. Podem apresentar outros sintomas ou sinais de dificuldade respiratória, mas com pouca ou nenhuma agitação. GRAVE: estridor significativo em repouso, retrações são graves (incluindo a retração do esterno) aparência ansiosa, agitada, pálida e cansada. Insuficiência respiratória iminente: fadiga e apatia, retrações musculares marcadas, sons respiratórios diminuídos ou ausentes, rebaixamento do nível de consciência, taquicardia desproporcional à febre e cianose ou palidez. A maioria das crianças com laringite viral NÃO apresenta sintomas intensos. É a forma leve, sem necessidade de internação hospitalar. Crupe não causa sibilos. Crupe: resolução de sintomas em um tempo curto. DIAGNÓSTICO: Hemograma frequentemente apresenta linfocitose. Radiografia de tórax pode auxiliar, mas também não é essencial ao diagnóstico. TRATAMENTO: LEVE: administrar uma dose única de dexametasona (0,15 a 0,6 mg/kg) ou prednisona 1 mg/kg via oral. Em caso de melhora, alta domiciliar se o paciente tolerar a ingestão de fluidos via oral. MODERADO: deve-se minimizar o desconfortou ou ansiedade do paciente, além de administrar ar ou oxigênio umidificado. Administrar uma dose única de dexametasona via oral, IM ou IV. Além disso, fazer nebulização com epinefrina racêmica ou adrenalina. GRAVE: inicialmente minimizar a ansiedade do paciente, administrar oxigênio umidificado, dexametasona IM ou IV e fazer nebulização com epinefrina racêmica ou adrenalina. Caso ocorra persistência dos sintomas ou ausência de uma melhora clínica significativa, deve ser repetida a nebulização com adrenalina, intubação orotraqueal e encaminhamento à UTI pediátrica. A adrenalina utilizada para o tratamento do crupe é sempre inalatória. EPIGLOTITE ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Inflamação na epiglote e na supraglote adjacente que, pode levar a desconforto respiratório importante por obstrução das vias aéreas superiores. Em crianças saudáveis é de etiologia bacteriana causada pelo Haemophilus influenzae tipo B. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Em crianças com epiglotite, verificamos um início abruto e uma rápida progressão de: Disfagia. Sialorreia. Angústia respiratória (dispneia). Febre alta. Sinais de Toxemia O período desde o início do desenvolvimento dos sintomas até a hospitalização é frequentementepurulenta em oro e nasofaringe; Tiragem subcostal e de fúrcula. Não apresenta sibilos. Tosse pode ser produtiva, com eliminação característica dos exsudatos membranosos acumulados na traqueia. Rouquidão ou alterações na voz podem estar presentes. DIAGNÓSTICO: Clínico. Pacientes com febre alta, aparência tóxica, dispneia. Má resposta ao tratamento com adrenalina nebulizada. TRATAMENTO: Avaliar necessidade de intubação. Vancomicina associada a Ceftriaxone ou ampicilina- sulbactam. LARINGITE ESTRIDULOSA: Não é desencadeada por agentes infecciosos. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Sintomas: Estridor inspiratório (ou inspiração ruidosa); Tosse seca ou “metálica”; Dispneia com aumento do esforço respiratório; Ausência de febre. Pode manifestar-se como crises que ocorrem de forma súbita e noturna, apresentando-se totalmente assintomática no intervalo entre as crises. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: Amanda Narciso Diagnóstico clínico. No momento do atendimento, os sintomas podem estar ausentes. Tratamento: nebulização com ar ou oxigênio umidificados. Apesar de os sintomas serem “assustadores” para os pais, geralmente, já se resolveram espontaneamente quando os pacientes chegam ao pronto atendimento. Podem ocorrer por duas ou três noites seguidas e apresentar um grande período intercrises assintomático. Pode apresentar melhora com a utilização de adrenalina racêmica. LARINGOMALÁCIA: ETIOLOGIA: Causada por imaturidade do arcabouço cartilaginoso da laringe de recém-nascidos e lactentes, levando a uma oclusão das vias aéreas superiores. A obstrução é causada predominantemente por uma “queda” da epiglote, gerando os sintomas obstrutivos. Mecanismos propostos para justificar os sintomas são: o Maturação atrasada ou “hipotonia” das estruturas cartilaginosas de suporte da laringe. o Tecido mole redundante na supraglote. o Uma dobra ariepiglótica apertada ou encurtada. o Distúrbios neuromusculares subjacentes. o Inflamação supraglótica ou edema. À esquerda – passagem de ar normal das vias aéreas superiores até a traqueia. À direita – obstrução que ocorre na laringomalácia, causando um turbilhonamento no fluxo aéreo Principal causa de estridor em crianças com idade inferior a 30 meses. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Principal manifestação é uma respiração ruidosa ou estridor inspiratório que tem início após o nascimento e ocorre de forma intermitente em pacientes previamente hígidos. Fatores que podem levar à piora desse estridor: o Amamentação ou choro; o Agitação. o Durante processos infecciosos virais das vias aéreas superiores; o Posição supina. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: Laringomalácia leve – estridor leve, intermitente, ganho de peso seja adequado. Estridor se resolve dos 12 a 18 meses de idade. Laringomalácia moderada a grave – estridor com dificuldade de alimentação, dispneia, taquipneia, cianose, apneia. Tratamento farmacológico: Supressão ácida, complementado com terapia de fala e deglutição, além de fórmulas de alto teor calórico. Amanda Narciso RINOSSINUSITES: RESFRIADO COMUM/ RINOSSINUSITE VIRAL: ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: Maioria é viral; e 2% de etiologia bacteriana. Agente mais comum é o RINOVÍRUS. Crianças podem apresentar de 6 a 8 episódios de IVAS por ano. Fatores predisponentes: atopia e ambientes com grande quantidade de irritantes nasais. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: Febre baixa; Tosse seca ou produtiva; Secreção nasal/coriza; Hipertrofia e hiperemia das conchas nasais, com hiperemia das mucosas ocular, nasal e faríngea. Outros sintomas: Cefaleia e/ou pressão na face. Dor à palpação dos seios paranasais. Dores no corpo, mialgia, inapetência e prostração. Como alguns enterovírus também podem ser fatores etiológicos dessas infecções, manifestações faríngeas associadas, como úlceras rasas na mucosa do palato (Coxsackie) e exsudato nas tonsilas palatinas (Adenovírus), podem se desenvolver de forma concomitante aos sintomas nasais. Lacrimejamento e gotejamento nasal posterior. Ausculta pulmonar pode apresentar roncos. Recusa alimentar. Sintomas apresentam duração média de 3 a 10 dias. DIAGNÓSTICO: Clínico. RX de seios paranasais não tem nenhum papel no manejo das rinossinusites. TRATAMENTO: Lavagem nasal com solução salina; Analgésicos e antitérmicos (se necessários) como sintomáticos; Hidratação (de preferência via oral); Orientação clínica, repouso e retorno para reavaliação em caso de sinais de gravidade ou persistência dos sintomas. COMPLICAÇÕES: Otite média aguda (mais comum), rinossinusite bacteriana aguda e exacerbações da asma. RINOSSINUSITE BACTERIANA AGUDA (RSAB): ANATOMIA, EMBRIOLOGIA E RADIOLOGIA: Os seios paranasais desenvolvem-se como bolsas adjacentes à cavidade nasal. Na maioria das pessoas, a cavidade nasal e os seios paranasais atingem proporções próximas às do adulto aos 12 anos, embora o desenvolvimento possa não estar completo até os 20 anos. Seios Maxilares – presentes ao nascimento, expandindo-se rapidamente até 4 anos de idade. Seios Etmoidais – presentes ao nascimento. Seios Esfenoidais – começam a se desenvolver durante os primeiros 2 anos de vida. Pneumatizados aos 5 e atingem seu tamanho permanente aos 12 anos. Seios Frontais – apenas aos 6 anos podem ser distinguidos radiograficamente dos seios etmoidais, mas não completam seu desenvolvimento antes dos 9 ou 10 anos. ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA: IVAS virais – principal fator de risco para o desenvolvimento de rinossinusites bacterianas, sendo 95% dos casos precedidos por uma dessas referidas infecções. Outros fatores de risco: atopia (rinite alérgica) e fatores ambientais ricos em irritantes nasais. Na patogênese dessa infecção, temos como principais fatores: o Obstrução dos óstios sinusais; o Disfunção do aparelho ciliar; o Espessamento das secreções nasais. Patógenos: Tanto em crianças como em adultos: S. pneumoniae; Amanda Narciso Haemophilus influenza; Moraxella catarrhalis. APRESENTAÇÃO CLÍNICA: A persistência ou recorrência de uma febre gerada por uma rinossinusite viral pode iniciar a apresentação clínica da RSAB. Sintomas: Obstrução e congestão nasal (sintomas mais importantes); Febre; Tosse seca ou produtiva; Cefaleia; Secreção pós-nasal ou gotejamento em retrofaringe; Halitose; Crostas em narinas. Dor a palpação dos seios paranasais. DIAGNÓSTICO: Uma recidiva de tosse ou mudança de padrão de “seca” para produtiva pode indicar etiologia bacteriana. Os quadros bacterianos não necessitam de exames de imagem para o diagnóstico, e a radiografia de seios paranasais está totalmente descartada. Quando for utilizado um exame de imagem, a tomografia computadorizada deve ser o escolhido. Não é necessária a coleta (swab) de secreção nasal para o diagnóstico. TRATAMENTO: 70% das rinossinusites causadas por bactérias melhoram espontaneamente mesmo sem antibióticos em duas semanas. Escore de gravidade clínica para rinossinusite bacteriana aguda em crianças e adolescentes: Pontuação total 8, quadro grave. Doença leve/moderada, sem fator de risco para resistência a antibiótico: o Amoxicilina na dose dobrada 90 mg/kg/dia; ou o Amoxicilina-clavulanato com a dose padrão de 45 mg/kg/dia. Doença grave ou com fator de risco para resistência à penicilina/ampicilina: o Amoxicilina-clavulanato com a dose dobrada de 90 mg/kg/dia. Em casos de alergia à penicilina, podemos utilizar: o Cefuroxima (cefalosporina de segunda geração); o Doxiciclina. Única medida adjuvante que apresenta valor comprovado na melhora dos sintomas?o Lavagem nasal com solução salina (isotônica). Devendo ser estimulada uma lavagem abundante com grandes volumes. RSAB NA INFÂNCIA: As diferenças em relação às manifestações dos adultos existem devido à evolução do desenvolvimento dos seios paranasais, que ainda não estão completamente formados na infância. Não é comum o desenvolvimento de RSAB em pacientes menores de dois anos, pelo desenvolvimento incompleto dos seios paranasais nessa faixa etária. Essas infecções podem, sim, existir nos lactentes, inclusive no período neonatal, pois o etmoide e o seio maxilar já se encontram presentes (embora hipodesenvolvidos) ao nascimento. O seio frontal é mais acometido na idade escolar, sendo raro nos pré-escolares e lactentes. Etiologia igual – S. pneumoniae (+ comum), seguida pelo H. influenzae e a M. catarrhalis. Cefaleia e dor facial são pouco frequentes na infância. Tosse e congestão nasal mais característicos. Tratamento: recomenda a duração do antibiótico por mais 7 dias após a resolução dos sintomas, para garantir um maior controle e evitar persistência/recidiva dessa infecção. COMPLICAÇÕES: Complicações orbitárias: o Celulite orbitária. Amanda Narciso o Abscessos orbitários pré-septais e pós-septais. Complicações intracranianas: o Meningite; o Trombose do seio cavernoso. o Abscesso cerebral. RINOSSINUSITE CRÔNICA: Distúrbio inflamatório dos seios paranasais, bem como os seus óstios de drenagem, que dura mais de 12 semanas. Sintomatologia semelhante à dos quadros agudos: Drenagem mucopurulenta nasal anterior e/ou posterior; Obstrução e congestão nasal; Dor / pressão / plenitude facial; Redução do olfato e tosse. RINOSSINUSITE CRÔNICA COM POLIPOSE (20% a 33%): inflamação mucosa que leva à formação de pólipos nasais bilaterais. Esses se apresentam como massas translúcidas, cinza-amareladas, de aspecto gelatinoso, ocluindo os óstios de drenagem e levando à persistência da sinusite. RINOSSINUSITE FÚNGICA ALÉRGICA: desenvolve uma sinusite crônica por desencadear uma inflamação alérgica crônica intensa, direcionada contra fungos colonizadores não invasivos. RINOSSINUSITE CRÔNICA SEM POLIPOSE (60%): é a forma mais comum, sem os achados específicos que definem as outras duas anteriores. TRATAMENTO: ATB sistêmico + Lavagem com solução salina. Spray nasal corticoide / Prednisona via oral. Anti-histamínicos e antileucotrienos. Anticorpos monoclonais – Omalizumabe. Cirurgia endoscópica endonasal. Amanda Narciso AMIGDALITES: Amigdalites são infecções inflamatórias e infecciosas das tonsilas, da faringe e do palato mole. INFECCIOSAS: VIRAIS: Representam 75%. Vírus mais comuns: adenovírus (20%), rinovírus, coronavírus, influenzae, parainfluenzae e vírus sincicial respiratório. Quadro Clínico: o Febre; o Tosse; o Mialgia; o Dor de garganta; o Rinorreia hialina. o Obstrução nasal. Exame físico: o Hiperemia faringotonsilar; o Ausência ou pouco exsudato. Tratamento: o Hidratação; o Repouso; o Uso de analgésicos e anti-inflamatórios. MONONUCLEOSE INFECCIOSA: Causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Acomete, com mais frequência, adolescentes e adultos jovens. Transmissão do vírus ocorre pela troca de saliva durante o beijo ou por contato próximo, por isso ela recebe a denominação de “doença do beijo”. Tríade clínica: o Febre; o Angina; o Poliadenopatia; Quadro clínico: o Inicia com mal-estar e astenia. o Em seguida, febre alta, dor de garganta e dores no corpo. o Os sintomas podem perdurar por até 2 semanas. Exame físico da orofaringe: o Hipertrofia amigdaliana com exsudato branco- amarelado; o Edema de úvula; o Adenopatia cervical, principalmente posterior. o Cerca de 50% dos pacientes, principalmente as crianças, apresentarão hepatoesplenomegalia após a segunda semana do quadro. Complicações: não são comuns, porém incluem ruptura esplênica, trombocitopenia, anemia hemolítica e convulsões. Confirmação diagnóstica: o Teste sorológico de Paul-Bunnel-Davidson (positivo após 10 a 20 dias de doença) ou com pesquisa de anticorpos IgM ou IgG, contra antígenos do capsídeo viral. o Hemograma é marcado por linfocitose (linfócitos > 50% da população de leucócitos), linfocitose atípica (10% ou mais dos leucócitos totais); o Discreto aumento de transaminases. Tratamento: o Suporte com hidratação; o Repouso; o Analgésico. SÍNDROME MONONUCLEOSE-LIKE: Há outros agentes infecciosos que podem simular um quadro de mononucleose infecciosa: citomegalovírus (CMV), rubéola, Toxoplasma gondii, HIV, Trypanosoma cruzi, entre outros. HERPANGINA: Infecção causada pelo vírus Coxsackie A, provavelmente também causada pelos vírus Coxsackie B e Echovírus. Acomete crianças entre 1 e 7 anos. Transmitida por disseminação respiratória ou fecal- oral. Quadro Clínico: o Paciente apresenta odinofagia intensa, dificuldade para ingerir alimentos e líquidos, febre alta, vômitos e diarreia. Exame físico: o Lesões hiperemiadas com vesículas ao centro na orofaringe que, após se romperem, deixam ulcerações esbranquiçadas, circundadas por halo eritematoso. o Lesões hiperemiadas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, caracterizando a doença mão-pé- boca. o Os sintomas duram, em média, de 2 a 4 dias. Tratamento: o Hidratação. o Repouso; o Analgésicos. BACTERIANAS: FARINGOAMIGDALITE ESTREPTOCÓCICA: Amanda Narciso Causadas pelo Streptococcus pyogenes – Estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Transmissão acontece pelo contato de gotículas. Responsável por 20% das faringotonsilites agudas em crianças e adolescentes. Maior prevalência entre 5 e 15 anos de idade. Importância devido as suas complicações: o Febre reumática. o Glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica. o Abcesso tonsilar, peritonsilar e para faríngeo. Quadro clínico: o Início abrupto de odinofagia intensa; o Febre alta; o Queda do estado geral; o Cefaleia; o Tonsilas com hiperemia; o Aumento volumétrico; o Exsudato eritemato-pultáceo; o Adenopatia cervical anterior dolorosa Diagnóstico: o Associação de sintomas clínicos e exames laboratoriais. o Cultura de orofaringe – padrão-ouro para a confirmação diagnóstica, porém, como o resultado pode demorar até 48 horas, isso poderia retardar o início da antibioticoterapia. o Teste rápido (strep test) mais realizado na prática clínica. o Hemograma: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda. Tratamento: o Antibioticoterapia – Penicilina ou Macrolídeos (se alegico a penicilina) – 7 a 10 dias. o Analgésico; o Antitérmico; o Anti-inflamatório; o Hidratação. Indicação de cirurgia de remoção das amígdalas: o Crises de 5 a 7 vezes ao ano, por 2 anos consecutivos; o 3 vezes ao ano, por 3 anos consecutivos. PFAPA (FEBRE PERIÓDICA COM ESTOMATITE AFTOSA, FARINGITE E ADENITE CERVICAL): Síndrome imunomediada por disfunção na produção de citocinas. Considerada autolimitada e benigna. Manifesta-se, principalmente, em pacientes entre 2 a 5 anos de idade. Quadro Clínico: o Febre periódica (40ºC) duração de 3 a 6 dias e acontecer em surtos com intervalos regulares a cada 3 a 6 semanas. o Estomatite aftosa – lesões pequenas na região anterior da cavidade oral; o Faringite – exsudativa e eritematosa. o Adenite cervical – cadeias superiores, com linfonodos móveis e indolores. Tratamento: o Prednisona (1 mg/kg) ou betametasona (0,1-0,2 mg/Kg). o Cirurgia para remoção das amígdalas pode ser indicada quando os intervalos das crises estão muito curtos ou quando há contraindicação para o uso de corticoide.AGUDA INFECCIOSA: Amanda Narciso Grupo de Alto Risco para Diarreia Infecciosa: 1. VIAJANTES: a “diarreia dos viajantes” envolve cerca de 40% dos indivíduos que viajam para América Latina, África e Ásia. Causada principalmente pela Escherichia coli enterotoxigênica, costuma cursar com diarreia após 12 a 72 horas do consumo de água/alimento contaminado. Norovírus é importante causa de diarreia em viajantes de CRUZEIROS (“N” de navio, “N” de Norovírus). 2. CRIANÇAS QUE FREQUENTAM CRECHES E SEUS FAMILIARES: Shigella, Cryptosporidium, Giardia, entre outros agentes. 3. INDIVÍDUOS INSTITUCIONALIZADOS: pacientes com internação hospitalar prolongada, idosos que moram em instituições de longa permanência também têm risco aumentado para diarreia infecciosa. Destaca- se o papel do Clostridium difficile. 4. HÁBITOS ALIMENTARES ESPECÍFICOS: consumidores de frutos do mar, principalmente crus, ou indivíduos que frequentam restaurantes, festas, piqueniques, banquetes. 5. IMUNODEFICIENTES: portadores de imunodeficiência primária ou secundária como síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA), idosos, pacientes oncológicos em quimioterapia, transplantados e usuários de imunossupressores têm maior risco de evoluir com diarreia infecciosa. Destaca- se as infecções oportunistas por Mycobacterium, citomegalovírus, herpes simples, Cryptosporidium, Isospora belli, etc. Escherichia coli: Bactéria Gram-negativa sabidamente causadora de diarreia. Transmissão, principalmente, por meio de alimentos e água contaminados com fezes. Mecanismo fisiopatogênico: produção de enterotoxinas e/ou citotoxinas. Apresenta alguns sorotipos: 1. E. coli enterotoxigênica: causa diarreia aquosa, patógeno comumente responsável pela “diarreia dos viajantes”. 2. E. coli enteropatogênica: causa diarreia aquosa e afeta principalmente crianças de até 2 anos. 3. E. coli enteroinvasiva: causa disenteria e febre. 4. E. coli enterohemorrágica: causa disenteria, colite hemorrágica severa e síndrome hemolítico-urêmica (pela toxina Shiga). Obs.: importante saber quais subtipos de E. coli causam disenteria. O nome dá a dica: E. coli enterohemorrágica e E. coli enteroinvasiva (lembrar que as diarreias invasivas cursam com disenteria!). Vibrio cholerae: Bacilo Gram-negativo. Transmissão por água contaminada. Mecanismo fisiopatogênico: produção de enterotoxina. Clínica: Diarreia aquosa profusa → aspecto “água de arroz”. Vômitos são frequentes. Alto risco de desidratação → ameaçadora à vida. Campylobacter: Bactéria Gram-negativa em espiral. Transmissão, principalmente, por meio de alimentos e água contaminados. Clínica: Febre, dor abdominal em cólica. Diarreia que dura 2 a 3 dias, de aspecto aquoso a sanguinolento. Pode causar “pseudoapendicite”, assim como a Yersinia. Pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré. Obs.: a síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante aguda, autolimitada, caracterizada por fraqueza muscular ascendente. Salmonella: Bastonete Gram-negativo. Transmissão por alimentos contaminados. Salmonella typho é causadora da FEBRE TIFOIDE. Mecanismo fisiopatogênico: produção de enterotoxina. Clínica: Diarreia aquosa seguida por diarreia sanguinolenta. Náuseas e vômitos. Eventos sistêmicos graves. Shigella: Bastonete Gram-negativo. Transmissão por via fecal- oral e por alimento e água contaminados. Mecanismo fisiopatogênico: produção de enterotoxinas e penetra nas células intestinais. Amanda Narciso Clínica: Diarreia aquosa seguida por colite com diarreia mucossanguinolenta. Hipoglicemia ocorre com maior frequência que nas outras doenças diarreicas. Staphylococcus: Coco Gram-positivo. Transmissão por alimentos contaminados. Mecanismo fisiopatogênico: produção de toxina. Clínica: Diarreia e vômitos 2 a 8 horas após ingestão do alimento contaminado. Diarreia aquosa. Melhora espontaneamente em 48 horas. Cryptosporidium: Protozoário transmitido por ingestão de oocistos na água e alimentos contaminados. Mecanismo fisiopatogênico: diarreia secretora ou atrofia de vilosidades e/ou inflamação lâmina própria. Clínica: diarreia aquosa que pode ser prolongada. Giardia lamblia ou Giardia intestinalis: Protozoário flagelado. Transmissão por ingestão de cistos na água ou alimentos contaminados. Mecanismo fisiopatogênico: destruição da borda em escova das células intestinais. “Atapetamento” da mucosa intestinal. Clínica: Assintomático ou diarreia aquosa. Diarreia incoercível com fezes claras e gordurosas. Pode evoluir para diarreia crônica. Síndrome disabsortiva e perda ponderal. Entamoeba histolytica: Protozoário. Transmissão por ingestão de cistos maduros na água ou alimentos contaminados. Mecanismo fisiopatogênico: produz enzimas proteolíticas que ulceram e perfuram a mucosa. Clínica: Assintomático ou disenteria. Apendicite. Megacólon tóxico → saiba mais no livro “Doenças Inflamatórias Intestinais”. Ameboma. Peritonite, abscesso hepático. VÍRUS Rotavirus: Antigamente era o mais prevalente entre eles. Ainda é importante causa de hospitalização pediátrica, principalmente na faixa etária de 6 a 24 meses. Sua incidência é mais comum em meses frios, mas pode ocorrer o ano todo. O quadro clássico é de uma diarreia aquosa, associada a vômitos e febre. Norovírus e Calicivirus: Visto em surtos esporádicos, relacionados à água ou alimentos contaminados. Adenovírus: Podem causar quadro respiratório associado a intestinal. Astrovírus: são os menos prevalentes. Acometem, principalmente, lactentes e crianças hospitalizadas. Mecanismo fisiopatogênico: destruição de vilosidades e diarreia osmótica. Clínica: autolimidados. Diarreias aquosas, com vômitos e febre. Possíveis de causar diarreia com MUCO e SANGUE: CE2S2Y: Campylobacter. E. coli enteroinvasiva e enterohemorrágica| Entamoeba histolytica. Shigella. Salmonella. Yersinia enterocolítica. PREVENÇÃO: ALEITAMENTO MATERNO: fator de proteção por meio da secreção de anticorpos IgA, leucócitos, lisozimas e lactoferrina que eliminam microrganismos e protegem contra enterotoxinas de agentes infecciosos. PRECAUÇÃO DE CONTATO. VACINA ORAL CONTRA ROTAVÍRUS: Indicada aos 2 e 4 meses. DIAGNÓSTICO: ANAMNESE: Idade. Duração da doença diarreica atual classificar a diarreia em aguda, persistente ou crônica. Característica das fezes aquosa? Presença de muco e sangue? Presença de gordura? Frequência e volume das evacuações. Outros sintomas febre? Dor abdominal? Náuseas e vômitos? Tenesmo? Câimbras? Uso de medicamentos recentes? antibióticos? Laxativos? Relação com consumo de leite e derivados? Local onde reside más condições de higiene? História de viagem. Idas a restaurantes/festas/banquetes. Amanda Narciso Outros familiares ou pessoas do convívio com sintomas semelhantes? Comorbidades imunossupressão? Doenças crônicas? Patógenos que envolvem INTESTINO DELGADO Clostridium perfringens, Staphylococcus aureus, Bacillus cereus, Vibrio cholerae, Rotavirus, Norovírus, Astrovírus, Giardia lamblia. Patógenos que envolvem o INTESTINO GROSSO → Shigella, Clostridium difficile, Yersinia, Adenovírus, Herpes simplex vírus, Entamoeba histolytica. Patógenos que envolvem tanto INTESTINO DELGADO QUANTO GROSSO → Salmonella, Cryptosporidium, Microsporidium, Campylobacter, Citomegalovirus, Escherichia coli. Quando INVESTIGAR uma DIARREIA AGUDA? Diarreia profusa com desidratação; Fezes sanguinolentas; Temperatura ≥ 38,5ºC; Duração > 48 horas sem melhora; Antibioticoterapia recente; Dor abdominal grave em > 50 anos; Novos surtos na comunidade; Idosos a partir dos 70 anos; Imunossuprimidos. Como INVESTIGAR uma DIARREIA AGUDA? Hemograma completo, eletrólitos e função renal.Amanda Narciso DENGUE: Doença febril aguda causada por um arbovírus (arthropod-borne virus). Gênero Flavivirus e família Flaviviridae Cinco sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4 e DENV-5. FISIOPATOLOGIA: TRANSMISSÃO: O vírus da dengue é transmitido por meio da picada da fêmea infectada de mosquitos das espécies Aedes aegypti. Regiões tropicais e subtropicais. Sua reprodução ocorre com a deposição de ovos em água parada; Aedes aegypti é um mosquito de hábitos diurnos, sendo maior o risco de picada pela manhã e ao entardecer. Aedes aegypti também pode transmitir febre amarela urbana, chikungunya e zika, Paciente com dengue pode transmitir a doença enquanto houver viremia (presença do vírus na corrente sanguínea). O vírus é encontrado no sangue desde 1 dia antes do início dos sintomas até o 5º dia de doença. O mosquito Aedes aegypti passa a transmitir o vírus 8 a 12 dias após se alimentar de sangue infectado, tornando-se então transmissor até o fim de sua vida. Sintomas de dengue após 4 a 10 dias. PATOGENIA: Aumento da permeabilidade vascular devido à disfunção endotelial Resulta no extravasamento do plasma do intravascular para o espaço extravascular. Outra manifestação possível de casos graves de dengue é a ocorrência de sangramentos, que podem surgir devido à disfunção endotelial, trombocitopenia e/ou coagulopatia de consumo. Nos casos mais graves, coagulação intravascular disseminada pode estar presente. É importante lembrar que o principal mecanismo do choque na dengue não é hemorrágico, mas sim hipovolêmico (devido ao extravasamento plasmático). CAUSAS DE SANGRAMENTO NA DENGUE: Disfunção endotelial. Coagulopatia de consumo. Plaquetopenia. CHOQUE DA DENGUE: Principal causa de óbito na dengue. Após a redução da febre. Rápida evolução. Risco elevado de óbito. Recuperação em 48 a 72h REINFECÇÃO E RISCO DE DENGUE GRAVE: “Amplificação dependente de anticorpos”: A infecção por um sorotipo gera anticorpos que reconhecem (mas não neutralizam) vírus dos demais sorotipos. No entanto, além de não serem capazes de neutralizar os vírus do novo episódio de infecção, esses anticorpos facilitariam a infecção das células do hospedeiro. RN de mãe que já teve dengue (antes ou durante a gestação) receberá anticorpos maternos IgG contra dengue. Ao ser infectada pelo vírus da dengue pela primeira vez, essa criança tem risco mais elevado de dengue grave, pois a presença de anticorpos maternos (de outro sorotipo viral) “simula” uma infecção prévia. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: FASES CLÍNICAS: FASE FEBRIL: Início súbito de febre elevada (40ºC). Cefaleia retro-orbitária. Mialgia. Artralgia. Exantema. Prostração. Sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, também são comuns. EXANTEMA: Maculopapular; Difuso; Acomete face, tronco e membros (palmar e plantar). Pruriginoso ou não; Entre o 3º e 6º dias; Não relacionado à gravidade. CASO SUSPEITO DE DENGUE: Amanda Narciso 1. Residência ou viagem à área endêmica nos últimos 14 + Febre (duração 2 e 7 dias) + 2 manifestações: o Náusea/vômitos; o Exantema; o Mialgia/artralgia; o Cefaleia/dor retro-orbital; o Petéquias/prova do laço positiva; o Leucopenia. DENGUE EM CRIANÇAS: Quadro Inespecífico Diagnóstico diferencial difícil. Atraso diagnóstico. 1000), miocardite, encefalite (evento pouco comum em dengue), entre outros. SINAIS DE CHOQUE DA DENGUE: Taquicardia. Extremidades distais frias. Pulso fraco e filiforme. Enchimento capilar lento (>2 segundos). Pressão arterial convergente ( 65 anos; o Gestantes; o HAS ou DCV graves; o Diabetes mellitus; o DPOC. o DRC. o Doença ácido péptica; o Hepatopatias; o Doenças autoimunes. Hemograma para todos. Paciente em observação com hidratação oral na unidade de saúde até que o resultado do exame esteja disponível. Sem sinais de hemoconcentração no hemograma (Ht elevado ou em elevação) ou outro sinal de alarme liberados para tratamento em regime ambulatorial. Reavaliação presencial diária, até que o paciente tenha permanecido afebril por 48 horas. GRUPO C: Sinais de alarme. Pacientes com suspeita de dengue com sinais de alarme,mas sem sinais de choque. Estão na fase crítica da doença e devem receber hidratação intravenosa imediata. Hemograma, dosagem de albumina sérica, transaminases e exame para diagnóstico laboratorial de dengue. Radiografia de tórax (avaliação de derrame pleural). USG abdome (derrames cavitários). Ficar em leito hospitalar até a estabilização clínica, pelo período mínimo de 48 horas. GRUPO D: choque/sangramento grave/disfunção de órgãos. Pacientes com dengue grave, ou seja, indivíduos com suspeita de dengue com sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgãos. Mesmos exames laboratoriais do grupo C. Tratamento em UTI: hidratação intravenosa vigorosa, suporte ventilatório e controle de sangramentos. Manejo de hemorragia com queda de Ht e choque: 1. transfusão de hemácias (10 a 15mL/kg/dia); 2. em caso de coagulopatia, avaliar necessidade de plasma fresco (10mL/kg), vitamina K intravenosa e/ou crioprecipitado (1U a cada 5 a 10kg); Amanda Narciso 3. transfusão de plaquetas deve ser considerada apenas em caso de sangramento que persiste mesmo após correção de coagulopatias, em pacientes com plaquetopenia e INR > 1,5. HIDRATAÇÃO PARA PACIENTES COM DENGUE: Grupos A e B: 60mL/kg/dia VO, sendo 1/3 de solução salina e 2/3 de outros líquidos. Grupo C: 10mL/kg IV em 1 hora. Grupo D: 20mL/kg IV em 20 minutos. HIDRATAÇÃO ORAL: Adultos: reposição de volume diária de 60mL/kg/dia, sendo 1/3 com solução salina e 2/3 com outros líquidos. Crianças (menor 13 anos): reposição com 1/3 do volume com soro de reidratação oral e 2/3 com outros líquidos (água, suco ou chá): o até 10kg: 130mL/kg/dia; o 10 a 20kg: 100mL/kg/dia; o acima de 20kg: 80mL/kg/dia. HIDRATAÇÃO PARENTERAL: Pacientes do grupo C: reposição volêmica em fase de expansão com 10mL/kg de solução salina isotônica na 1ª hora, podendo ser repetida, se necessário. Se houver melhora, iniciar fase de manutenção: o Primeira fase: 25mL/kg, em 6 horas; o Segunda fase: 25mL/kg, em 8 horas, sendo 1/3 com solução salina fisiológica e 2/3 com soro glicosado. Pacientes do grupo D: com solução salina isotônica, administrando-se 20mL/kg em 20 minutos, que pode ser repetida até três vezes. Caso ocorra melhora clínica e laboratorial, a hidratação deve seguir as recomendações para o grupo C. TRATAMENTOS CONTRAINDICADOS: Anti-inflamatórios não esteroidais e ácido acetilsalicílico (AAS) são contraindicados, pois podem desencadear ou acentuar sangramentos. INDICAÇÕES DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR: Grupos de risco C e D. Impossibilidade de ingestão de líquidos ou alimentos. Dificuldade de acesso ao serviço de saúde para acompanhamento ambulatorial. CRITÉRIOS PARA ALTA HOSPITALAR: Paciente com dengue deve apresentar todos os critérios abaixo: 1. estabilidade hemodinâmica nas últimas 48 horas; 2. ausência de febre durante 48 horas; 3. melhora clínica; 4. hematócrito estável e dentro da normalidade por 24 horas; 5. plaquetas acima de 50.000/mm3 e com tendência de elevação; 6. melhora dos derrames cavitários. PREVENÇÃO: REDUÇÃO DE EXPOSIÇÃO AO VETOR: Controle Vetorial: o Mecânico: medidas para extinguir os criadouros de Aedes aegypti. o Biológico: usa predadores naturais para controle da reprodução dos mosquitos. o Químico: uso de inseticidas. Proteção individual: o Uso de repelente. o Instalação de telas em portas e janelas. Amanda Narciso o Uso de mosquiteiros; o Utilização de roupas que reduzam a exposição da pele aos mosquitos (compridas, longas). VACINA: Vacina tetravalente (Dengvaxia® - CYD-TDV). Indicada: 9 e 45 anos que já tiveram dengue. Utiliza o vírus atenuado da febre amarela modificado para produzir proteínas dos quatro vírus da dengue. Contraindicada para imunossuprimidos, gestantes ou nutrizes. Resumo das características dos grupos de risco da dengue: Pesquisa de elementos anormais nas fezes (EAF) avalia cor e aspecto das fezes, pH fecal, presença de substâncias redutoras (açúcares), pesquisa de leucócitos, hemácias e de glóbulos de gordura. Lactoferrina e leucócitos fecais. Coprocultura. Exame parasitológico das fezes: O ideal é que sejam colhidas três amostras de fezes em dias diferentes Sinais de DESIDRATAÇÃO: Estado geral: irritabilidade, hipoatividade, letargia, torpor e até coma são sinais progressivos que podem ser observadas em indivíduos desidratados, sobretudo crianças e idosos. Olhos: olhos fundos são sinais de desidratação. Mucosa: mucosa seca é sinal de desidratação, podendo ser evidenciada com ausência de lágrimas e saliva. Sede: pacientes desidratados apresentam sede intensa ou, em casos mais graves, são incapazes de beber devido à deterioração do nível de consciência. Pulso radial: desidratação torna o pulso radial fino ou até mesmo impalpável. Turgor cutâneo: a pele desidratada perde o turgor. Assim, ao realizarmos uma prega cutânea, a pele demora para retornar à posição inicial. Taquicardia, hipotensão arterial e perda de peso também são sinais ao exame físico que podem denotar DESIDRATAÇÃO. Intolerância Transitória À Lactose: Diarreia Aguda Viral Destruição de Vilosidades Intestinais Deficiência de Dissacaridases Quadro Diarreico Mantido. TRATAMENTO: ANTIBIOTICOTERAPIA: A maioria é viral e não precisa de antibiótico. O uso indiscriminado de antibióticos pode alterar a flora intestinal, induzir resistência bacteriana e apresentar efeitos colaterais indesejáveis Alguns autores contraindicam a antibioticoterapia mesmo na infecção bacteriana comprovada, pois ressaltam que a maioria dos casos é autolimitado. INDICAÇÃO DE ANTIBIOTICOTERAPIA EMPÍRICA NA DIARREIA AGUDA: Doença grave: febre, mais de 6 evacuações/dia, desidratação grave com necessidade de hospitalização. Achados sugestivos de infecção bacteriana: sangue e muco nas fezes. Fatores que aumentam o risco de complicação: > 70 anos e comorbidades, lactentes jovens ( 150mEq/L. Perda Eletrólitosintestinal. Exemplo: lactose nos pacientes com deficiência de lactase. Diarreia secretora: decorrente de um distúrbio no equilíbrio hidroeletrolítico da mucosa intestinal, seja por aumento da secreção de íons e água ou por redução da absorção. Exemplo: cólera. Diarreia inflamatória: decorrente de uma alteração inflamatória da mucosa, com eliminação de muco, pus e/ou sangue nas fezes. Exemplo: doença de Crohn. Diarreia disabsortiva: secundária à baixa absorção de lipídeos no intestino delgado, dando origem a uma esteatorreia. Exemplo: doença celíaca. Diarreia funcional: decorrente de hipermotilidade intestinal, é um diagnóstico de exclusão feito na ausência de doença orgânica justificável. Exemplo: síndrome do intestino irritável. DIARREIA SECRETORA TOXIGÊNICA: Ativação adenilciclase: aumento AMP cíclico. Inibe cotransportador Na/Cl. Secreção ativa de Na, Cl e água: diarreia aquosa. DIARREIA SECRETORA INVASIVA: Destruição das vilosidades. Secreção de água e eletrólitos. Perda de leucócitos, hemácias e proteínas: disenteria. DIARREIA OSMÓTICA: Perda das enzimas da borda em escova. Má absorção de açúcares complexos. Distensão abdominal, flatulência, hiperemia perianal. QUADRO CLÍNICO: Diarreia de início súbito. Dor abdominal em cólica. Anorexia e vômitos. Febre, prostração, mal-estar. Cefaleia e mialgia. Começam 12h até 4 dias após a exposição viral e duram de 3 a 7 dias. Devido à perda hídrica desidratação (+ em crianças). ESCALA DE AVALIAÇÃO DO ESTADO DE HIDRATAÇÃO DO PACIENTE: CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A PORCENTAGEM DE PESO PERDIDO: Grau 1 ou leve: ≤ 5% (perdeu 5% ou menos do peso). Grau 2 ou moderada: 6 a 9%. Grau 3 ou grave: ≥ 10%. Fatores de risco para complicações e desidratação grave na gastroenterite aguda: Amanda Narciso DESIDRATAÇÃO ISONATRÊMICA: (isotônica) Perda proporcional de água e eletrólitos. Sódio sérica: 135-145 mEq/L. (normal) Osmolaridade plasmática: 280-310 mOsm/L (normal) Clínica: De acordo com grau de desidratação. Forma mais comum. DESIDRATAÇÃO HIPONATRÊMICA: (hipotônica) Perda maior de eletrólitos do que de água. Sódio sérico: 310 mOsm/L (normal). Sinais clínicos de desidratação pouco evidentes. Sinais de desidratação celular: sede intensa, febre, irritabilidade e letargia. Fator de Risco: Lactentes 10 anos: livre demanda. Aleitamento materno: Mantido. Alimentação oral: Mantida. Zinco via Oral: 1x/dia por 10-14 dias: o 6 meses: 20 mg. Se piora ou não melhora: Retornar ao pronto-socorro PLANO B – DESIDRATADO DE ALGUM GRAU: Local: Pronto-socorro. Terapia de Reidratação Oral (TRO): 50-100 mL/ Kg em 4 a 6 horas. (Dá o soro e avalia aceitação e hidratação). Aleitamento materno: Mantido. Alimentação oral: jejum. Se piora ou não melhora: Gastróclise (passar soro pela sonda nasogátrica) ou hidratação EV. PLANO C – DESIDRATADO GRAVE: Local: Internação. Expansão: o 5 anos: SF 30 mL/Kg EV em 30 min e RL 70 mK/Kg em 2 horas e 30 minutos. o Soro de manutenção e reposição quando reidratado. Aleitamento materno: Mantido. Alimentação oral: jejum. Se piora ou não melhora: Repetir expansão até 3 vezes nos 10 anos: Ciprofloxacino VO 3 dias. o Opção: Ceftriaxona IM 1x/dia 3-5 dias. TRATAMENTO ADJUVANTE: Analgésicos e antitérmicos. Ondansetrona se vômitos persistentes. Probióticos: Lactobacillus GG, Saccharomyces boulardii e Lactobacillus reuteri DSM 17938. Amanda Narciso SÍNDROME HEMOLÍTICOURÊMICA (SHU): Hiperativação da via alternativa do complemento. Tem como órgão-alvo: Rim. Desencadeia: Depósitos subendoteliais e mesangiais. Principal causa LRA infância: Crianças 72 horas. PROGNÓSTICO: Bom Mortalidade 30 minutos (antigamente). Atual: crise > 5 minutos. Maior risco de complicações. COMPLICAÇÕES: o Taquicardia, hipertensão. o Hiperglicemia (inicial) e hipoglicemia (tardia). o Acidose lática e hipoxemia. o Rabdomiólise, mioglobinúria. o Hipercalemia. o Insuficiência renal aguda. LESÃO NEURONAL: Excesso de penetração de cálcio no intracelular. Ativação de enzimas intracelulares. CONDUTA CRISE CONVULSIVA: ESTADO DE MAL EPILÉPTICO REFRATÁRIO: Persistência da atividade epiléptica apesar da dose apropriada do benzodiazepínico e de uma medicação de 2ª linha adequada. IOT e transferência para UTI. Midazolam, tiopental ou propofol IV contínuo. EXAMES COMPLEMENTARES CRISE CONVULSIVA: Amanda Narciso CONVULSÃO FEBRIL: Definida como uma síndrome convulsiva acompanhada por febre (temperatura maior ou igual a 37,8ºC por qualquer método de medida). 2% a 5% das crianças menores de 5 anos. Idade: 6 meses a 5 anos (60 meses). Pico de incidência: 14-18 meses. ETIOLOGIA DA DOENÇA FEBRIL: Infecções virais. Exantema súbito. CONVULSÃO FEBRIL SIMPLES: Duração 15 minutos. Crise convulsiva focal. Pós-icatl com sonolência persistente ou déficit focal (Paresia de Todd). Crises repetidas em 24h. DIAGNÓSTICO: Anamnese e Exame Físico: o Caracterizar a convulsão. o Investigar o foco da febre. o Antecedentes pessoais. o Antecedentes familiares. HISTÓRIA FAMILIAR POSITIVA: Herança autossômica dominante. Baixa penetrância e expressão variável. História Paterna (pai ou mãe): aumenta o risco em 4X. História fraterna (irmãos): aumenta o risco em 3,5X. CONDUTA: CONVULSÃO FEBRIL: Cessação da crise convulsiva. Não realizar exames laboratoriais de rotina. LCR: 38°C); Criança com idade entre seis meses e cinco anos de idade (ou 3 meses a 6 anos); Ausência de infecção ou inflamação do sistema nervoso central; Ausência de anormalidade metabólica sistêmica aguda que cause crise convulsiva; Sem histórico de convulsões afebris ou doenças neurológicas prévias. PREVALÊNCIA: 2 a 5% (6,4% em nosso meio). Emergência neurológica mais comum em Pediatria Padrão familiar FISIOPATOLOGIA: Imaturidade do SNC. Baixo limiar. Causas: infecções virais (HHV6), infecções bacterianas (Shigella sp), imunizações. CLASSIFICAÇÃO: Crise febril simples (70% a 75% dos casos): Crise tônico-clônica generalizada, com duração inferior a 15 minutos, que não apresenta recorrência em 24 horas e não manifesta sintomatologia pós-ictal (a recuperação neurológica é completa). Crise febril complexa (20% a 25%): Apresenta uma ou mais das seguintes características: crises focais, presença de alterações neurológicas pós- ictais, como a paralisia de Todd, duração maior que 15 minutos e/ou recorrência dentro de 24 horas. Paralisia de Todd: paralisia temporária que ocorre em 0,4% a 2% dos casos, após uma crise febril complexa. Ela pode acometer os membros ou a face. Sua duração varia de 30 minutos até algumas horas. Trata-se de um evento transitório e autolimitado 3 fases da crise tônico-clônica generalizada: QUADRO CLÍNICO: Pode ser o primeiro sintoma da febre. Pico entre 12 e 18 meses. Maior parte é benigna e de curta duração. Sonolência por algumas horas. DIAGNÓSTICO: Abordagem: anamnese Doenças prévias Tempo de febre Sintomas associados Crises anteriores Antecedentes familiares Vacinação Antibioticoterapia Exame físico Detalhado. Foco na pesquisa da origem da febre. Avaliação dos sinais vitais. Pacientes podem apresentar olhar fixo, cianose e sinais focais. FATORES DE RISCO: Febre: crianças têm um limiar convulsivo mais baixo e a febre alta é um gatilho para a crise febril. Infecções: entre os vírus, os mais comumente associados à CF são os herpesvírus humanos 6 (agente etiológico da roséola ou exantema súbito) e o vírus da influenza. Dentre as causas bacterianas, destaca-se a Shigella dysenteriae, que causa um quadro de disenteria com fezes sanguinolentas e muco, associadas a tenesmo e à febre. Acredita-se que essa bactéria produza uma neurotoxina que desencadeia a crise febril. Imunização: algumas vacinas podem desencadear a crise febril. Destacam-se a vacina DTP de células inteiras e a tríplice viral. Amanda Narciso Suscetibilidade genética: existe uma predisposição genética nessas crianças, sendo que de 25% a 40% delas apresentam casos de CF na família. ABORDAGEM: Aferição dos sinais vitais e um exame físico minucioso. Afastar qualquer evidência de doença neurológica prévia. Exames de eletrólitos, glicemia e função renal são desnecessários para pacientes com crise febril típica. Punção liquórica em casos de: Presença de sintomatologia compatível com infecção de sistema nervoso central; Meningite. Lactentes abaixo de um ano (fortemente recomendado); Tratado de Pediatria - abaixo de 6 meses de idade; Recuperação lenta ou alteração neurológica pós-ictal; Uso prévio de antibiótico. EEG: não prediz a recorrência. Imagem: se houver sinais focais com suspeita de lesão de SNC, HIC. TRATAMENTO: O tratamento deve basear-se em: Tratamento da fase aguda; Profilaxia da recorrência das crises convulsivas; Orientações aos pais, cuidadores e familiares TRATAMENTO DE RESGATE: Pós comicial/Vigência da crise. Monitoração/suporte ventilatório. Controle da febre. Investigar origem da febre. Orientações aos pais. Vigência de crise: diazepan (0,1 a 0,2mg/kg) ou midazolan (0,05 a 0,1mg/kg) EV. Sem resposta: fenitoína (ataque é de 15 a 20 mg/kg) fenobarbital (15 a 20 mg/kg). TRATAMENTO PROFILÁTICO: Não indicar profilaxia das crises febris simples ou complexas, salvo em casos especiais. Intermitente: Benzodiazepínicos durante episódios febris. Não elimina a recorrência. Diminui o número de crises. Maior risco de sonolência. Contínuo: Considerado em algumas situações, DE FORMA INDIVIDUALIZADA: - História de dois ou mais episódios em 24 horas; - História de duas ou mais crises pregressas; - Crise prolongada (maior do que 15 minutos). Efeitos colaterais. Sem indicação nas crises simples. Indicação individualizada: crises prolongadas e recorrentes. Fenobarbital (3-5mg/kg/d) ou ácido valpróico (15- 60mg/kg/dia). RISCO DE RECORRÊNCIA GERAL: 30 a 35 %. Fatores de risco para recorrência da crise: Sem fatores de risco: 12%. Um fator de risco: 25 a 50% de recorrência. Risco de epilepsia: Amanda Narciso COQUELUCHE: Doença infecciosa. Imunoprevenível. Alta transmissibilidade. Reemergente no Brasil. Alta morbimortalidade emlactentes. AGENTES ETIOLÓGICOS: Bordetella pertussis. Bacilo aeróbio Gram negativo, capsulado e com fímbrias. Produtor de toxinas - pertussis. Ser humano é o único reservatório. Imunidade sofre um declínio após os primeiros anos da vacinação. O ser humano é seu único reservatório e todas as pessoas não vacinadas são suscetíveis. TRANSMISSÃO: Aerosóis. Adultos ou crianças maiores. Incubação: 5 a 10 dias (variando de 4 a 21). Transmissibilidade: 5º dia até 3 semanas após os paroxismos. Pacientes em tratamento: transmitem por até 5 dias a partir do início do antibiótico. A maior taxa de transmissão ocorre na primeira semana da fase catarral, chegando a 95%. Geralmente as crianças adquirem por meio de contato com adultos infectados que apresentam infecção subclínica / após contato com familiares doentes que são oligossintomáticos. FISIOPATOLOGIA: Bordetella pertussis é capaz de produzir algumas substâncias biologicamente ativas: Adesinas: aderem ao epitélio. Compostas por hemaglutinina filamentosa, fímbrias, pertactina. Toxinas: Paralisia dos cílios, destruição do epitélio, resposta imunológica, alterações no hemograma. Toxina pertussis, adenilciclase, citotoxina traqueal e toxina dermonecrótica. Após a adesão da bactéria, as toxinas produzidas causam a sintomatologia da doença e induzem a resposta imunológica. Esse quadro evolui com lesões no epitélio respiratório: ✓ Destruição dos cílios das células respiratórias; ✓ Processo inflamatório peribrônquico e alveolar; ✓ Hemorragia; ✓ Trombos venosos; ✓ Atelectasia. Pode causar hiperinsulinemia e alterações no hemograma (leucocitose com linfocitose). FATORES DE RISCO: Lactentes menores de seis meses. Presença de pertussis maligna (hiperleucocitose); Hipertensão pulmonar; Prematuridade; Doenças crônicas: cardíacas, pulmonares ou neurológicas. QUADRO CLÍNICO: 3 fases: FASE CATARRAL: 1 a 2 semanas. Sintomas leves (IVAS). Febre baixa. Período de alta transmissibilidade. Tosse seca que se intesifica no final. FASE PAROXÍSTICA: 2 a 6 semanas. Crises de tosse curta (45 seg). Dificuldade para inspirar. Guincho inspiratório (forçar a inspiração) Cianose. Crianças maiores: sensação de asfixia, olhos salientes e lacrimejamento. Piora à noite. Fatores desencadeantes: alimentação, atividade física, bocejos. FASE DE CONVALESCENÇA: 2 a 6 meses. Cessam os paroxismos. Tosse persiste por até três meses. Fase final, que consiste na recuperação do paciente. Contágio Incubação: 5 a 10 dias Fase catarral: 1 a 2 semanas Fase paroxística: 2 a 6 semanas Fase de convalescença: de 2 a 6 semanas. DIAGNÓSTICO: CLÍNICO + LABORATORIAL. Radiografia de tórax: - Opacidades peri-hilares (“coração felpudo ou borrado ou franjado”). - Radiografia normal não afasta a suspeita. Hemograma: Amanda Narciso - Leucocitose com linfocitose (leucocitose de 30.000 a 40.000/mm³ com linfocitose de 60-80% que se intensificam na fase paroxística). - Surge geralmente na fase paroxística. - Devido às toxinas da bactéria. Diagnóstico específico: Cultura de nasofaringe (padrão-ouro): até 3 dias do início do antibiótico (sens 12-60%). RT-PCR: antes da introdução antibiótica ou em até 3 dias dela. Sorologia: menor acurácia. Diagnóstico diferencial: Bronquiolite (BVA). Pneumonia afebril do lactente. Síndrome gripal. IVAS. Pneumonia bacteriana típica. Laringite viral. BVA: sintomas evoluem em 4 a 6 dias com manifestação de sibilância. Causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Conhecido: 1º episódio de chiado na infância, com a presença de sibilos ao exame físico, e ocorre principalmente nos menores de 1 ano. Coqueluche: evolução arrastada que dura semanas. TRATAMENTO: Indicações para internação: Menores de 3 meses: maior risco de rápida deterioração clínica, Fatores de risco: prematuridade, doenças cardíacas, neurológicas ou pulmonares, Desconforto respiratório grave: taquipneia grave, batimento de asa de nariz, uso de musculatura acessória. Evidência de pneumonia, Incapacidade de se alimentar, Apneia ou cianose, Convulsões. MACROLÍDEOS Eritromicina (RN contraindicada) 40mg/kg/dia Azitromicina 10mg/Kg/dia: 1ª opção Claritromicina 15mg/kg/dia (não utilizada em neonatos – menos de 1 mês). 2ª opção. Sulfametoxazol-trimetroprim – quando contraindicado macrolídeos (contraindicado em menores de 2 meses). Afastamento por 5 dias após início do tratamento; Sem tratamento: afastamento por três semanas; COMPLICAÇÕES: Pneumonia e otite Apneia Atelectasia Pneumotórax Desidratação Edema facial, petéquias Convulsões, hemorragia cegueira, surdez Hérnias de esforço Pertussis maligna Pertussis maligna: Altas taxas de mortalidade. Insuficiência respiratória aguda e hipertensão pulmonar que gera hipoxemia. Consequência de um aumento da resistência vascular causada por uma hiperviscosidade sanguínea provocada pela hiperleucocitose (leucocitose acima de 50 mil células/mm3). Ocorre também um desequilíbrio hemodinâmico, causando choque refratário, que culmina muitas vezes com o óbito. Pode ser necessária a exsanguineotransfusão. PREVENÇÃO: Imunização: DTP acelular, pentavalente (três doses, reforço 15 m e aos 4 anos). Gestantes a partir da 20ª semana de gestação Comunicantes: Amanda Narciso Pessoa exposta em contato com caso suspeito ou confirmado entre 21 dias antes do início dos sintomas até 3 semanas do início dos paroxismos. Comunicantes vulneráveis: Recém-nascidos (contato com sintomáticos respiratórios). Crianças38,5ºC); Conjuntivite não purulenta com fotofobia; Coriza; Tosse. o Manchas de Koplik: branco-azuladas e de 1 milímetro, presentes na face interna da bochecha próxima aos dentes molares. Surgem 1 a 4 dias antes do exantema e desaparecem 2 a 3 dias depois. Elas são patognomônicas do sarampo. Exantema Maculopapular Morbiliforme: o Inicia na região posterior do pavilhão auricular e na parte superior do pescoço, desce craniocaudal e conflue na parte superior do tórax. o Desaparece em cerca de 7 dias no sentido craniocaudal, deixando descamação fina (furfurácea). TRATAMENTO: Suporte. Antipiréticos, hidratação, suporte nutricional e oxigenioterapia, se necessário. OMS recomenda a suplementação com vitamina A em menores de 2 anos com sarampo: o 1 anos: 2 doses 200.000 UI VO. Maior Morbimortalidade: nos maiores de 20. Principalmente na: desnutrição, deficiência de vitamina A ou imunossupressão. Suspeitar de Complicação se: Persistência ou recrudescência da febre por mais de 3 dias após o início do exantema. COMPLICAÇÕES: Mais comum: Otite Média Aguda (devido excesso de secreção em via aérea superior). Mais associada a morte: Pneumonia. Neurológicas: o Encefalite após sarampo (processo pós-infeccioso imunologicamente mediado). o Panencefalite Esclerosante Subaguda (PEES): complicação crônica rara. Vi´rus fica latente no SNC, depois de 7-10 anos, tem uma nova virulência que desencadeia o processo neurodegenerativo. PROFILAXIA: Vacinação: o Tríplice viral (Sarampo, Caxumba, Rubéola - SCR): 12 meses. o Tetraviral (SCR + varicela): 15 meses. Pós-Exposição: o Vacina: até 72 horas da exposição (contato). o Imunoglobulina: até 6 dias da exposição [indivíduos que não podem receber a tríplice viral (vacina de agente atenuado], como gestantes, lactentes menores de 6 meses e imunocomprometidos. RUBÉOLA: Vírus RNA de fita única. o Família Matonaviridae. o Gênero Rubivirus. Transmissão: o Inverno e primavera. o Respiratória por Gotículas. Amanda Narciso o 5-7 dias antes até 7 dias após exantema. QUADRO CLÍNICO: Período de incubação: 2-3 semanas. Pródromo: Febre baixa; Dor de garganta; Hiperemia ocular com ou sem dor; Cefaleia; Mal-estar; Anorexia. Linfadenopatia suboccipitais e retroauriculares. Exantema Maculopapular Rubeoliforme: o Inicia em face e pescoço (máculas rosadas pequenas), disseminando para tronco e extremidades. o Evanescente: durando 3 dias. Manchas de Forchheimer: petéquias no palato. Não é patognomônico. TRATAMENTO: Suporte (antitérmicos). COMPLICAÇÕES: Trombocitopenia pós-infecciosa: Principalmente no sexo feminino. É autolimitada. Artrite de Pequenas Articulações: mulheres adultas. Após 1 semana do início do exantema. Autolimitada. Neurológicas: o Encefalite pós-infecciosa. o Panencefalite Progressiva da Rubéola (PPR). PROFILAXIA: Vacinação: o Tríplice viral (Sarampo, Caxumba, Rubéola - SCR): 12 meses. o Tetraviral (SCR + varicela): 15 meses. Pós-Exposição: Apenas Gestantes o Imunoglobulina: até 6 dias. EXANTEMA SÚBITO: Vírus DNA de fita dupla. o Herpesvírus humano 6 e 7. o Pico incidência: 6-15 meses. Transmissão: o Respiratória por Gotículas. o Durante Febre. QUADRO CLÍNICO: Período de incubação: 5 a 15 dias. Pródromo: assintomático ou sintomas leves (Coriza, Hiperemia conjuntival e faríngea). Febre alta (média de 39°C): 3-5 dias. Resolução em crise (resolve abruptamente). Exantema Maculopapular Róseo: o 12-24 horas do desaparecimento da febre (pequenas, róseas e levemente elevadas). o Começam no tronco e depois se espalham para pescoço, face e extremidades. o Desaparece após 1-3 dias sem deixar descamação. TRATAMENTO: Suporte (antitérmicos). COMPLICAÇÕES: Convulsão febril. Imunodeprimidos: encefalite e pneumonite. Ganciclovir, por 2 a 3 semanas. ERITEMA INFECCIOSO Crianças em idade escolar, entre 5 e 15 anos. Vírus DNA fita única: o Parvovírus B19. o Gênero Erythrovirus. Final do inverno e primavera. Transmissão: o Respiratória por gotículas. o Via placentária e sanguínea – viremia. QUADRO CLÍNICO: Período de incubação: 4 a 28 dias. Pródromo: Febre baixa; Cefaleia; Coriza. Exantema em 3 estágios: o Face Rsbofeteada: enrubescimento facial eritematoso, poupando região perioral, fronte e nariz. o Exantema Rendilhado: disseminação do exantema macular para tronco e extremidades, que ocorre após 1 a 4 dias. O clareamento central das lesões. Desaparece após cerca de 10 dias, sem descamação. o Recidiva: exantema rendilhado pode recidivar ainda durante 1 a 3 semanas com a exposição à luz solar, calor, exercícios físicos e estresse. Crise Aplásica Transitória: o Febre; Mal-estar; Letargia. o Anemia Grave: palidez, taquicardia e taquipneia. o Queda abrupta da hemoglobina e reticulopenia. o Mais comum em anemia hemolítica crônica; Imunodeficientes; Recém-nascidos. Crise Aplásica Transitória X Crise Hemolítica: Crise Aplásica Transitória: queda da hemoglobina decorre de um comprometimento dos precursores eritroides, com parada transitória da eritropoiese, o que leva a uma reticulopenia. Amanda Narciso Crise Hemolítica: decorre da falcização das hemácias e sua destruição pelo baço, temos marcadores de hemólise (icterícia, elevação de bilirrubinas e lactato desidrogenase (LDH ou DHL)), além de uma reticulocitose. TRATAMENTO: Eritema Infeccioso: Suporte. Crise Aplásica: Imunoglobulina EV. ESCARLATINA: Causada por bactéria coco gram-positivo. o Streptococcus pyogenes. o Estreptococo β-hemolítico do grupo A. o Infectado por bacteriófagos produtores de exotoxinas. Faringotonsilites: o Idade: 3 a 15 anos. o Transmissão respiratória por gotículas. QUADRO CLÍNICO: Pródromo: Faringotonsilite (IVAS) o Febre alta, mal-estar, cefaleia, dor de garganta e dor abdominal e vômitos. Exantema Micropapular em Lixa: após 24 a 48 horas. Faz pápulas (lesões elevadas, bem pequenas, que quando passa a mão, parece uma lixa). Clareia a digitopressão. Linhas de Pastia: acentuação do exantema nas pregas dos cotovelos, axilas e virilhas que aparece após 1 a 3 dias. Face Esbofeteada Com Sinal de Filatov: hiperemia região malar, com palidez perioral (sinal de Filatov). Descamação Furfurácea: com o desaparecimento do exantema, após 3 a 4 dias do começo da erupção,. Língua em Framboesa: edema das papilas linguais. DIAGNÓSTICO: Clínico. Etiológico: Cultura de Orofaringe; Strep test. Sorologia: anticorpos antiestreptocócicos (ASLO; Anti- DNAse B). TRATAMENTO: Penicilina benzatina IM dose única; ou Amoxicilina VO por 10 dias. COMPLICAÇÕES: Supurativas: linfadenite cervical, abscesso peritonsilar e abscesso retrofaringeano. Não supurativas: febre reumática e glomerulonefrite pós-estreptocócica. Febre reumática é prevenível quando o tratamento antibiótico é feito nos primeiros 9 dias de doença. DOENÇA DE KAWASAKI: Vasculite febril aguda autolimitada. Etiologia desconhecida. Mais comum em meninos com menos de 5 anos. Pico de incidência: 18-24 meses. Predomínio: Artérias de médio calibre (Artérias coronarianas). QUADRO CLÍNICO: Febre alta (até 40°C), pelo menos 5 dias. (Obrigatório) Associada a pelo menos 4 dos 5 achado clínicos: Exantema Polimórfico (inicia no tronco). Hiperemia conjuntival bilateral sem exsudato. Alterações Orais: o Eritema de mucosa oral e faríngea com língua em framboesa, lábios secos e fissurados sem ulceração. Alterações de Extremidades. o Fase aguda: eritema e edema de mãos e dos pés. o Fase subaguda: descamação periungueal de mãos e pés. Linfadenopatia cervical não supurativa > maior que 1,5 cm unilateral. DIAGNÓSTICO: Clínico: Amanda Narciso ACHADOS LABORATORIAIS: COMPLICAÇÕES: Fase Aguda: Miocardite e Pericardite. Fase subaguda: Aneurismas de Artéria Coronária o Região proximal da descendente anterior. o Região proximal da coronária direita. o Solicitar ECO ao diagnóstico e repetir 2-3 semanas e após 6-8 semanas. TRATAMENTO: Gamaglobulina EV dose única: o Resolução da febre e dos sintomas. o Falha terapêutica: 2ª dose ou pulsoterapia. Ácido Acetilsalicílico VO: o Altas doses até resolução febre. o Dose baixa por 6-8 semanas. Aneurisma Coronariano: o Pequeno: Manter AAS. o Grande ou Numerosos: dipiridamol, warfarina ou heparina de baixo peso molecular. PROGNÓSTICO: Recuperação completa e sem sequelas. Resolução do aneurisma em 1-2 anos. Principal Causa de Morte: IAM. o 1º anos pós-doença. VARICELA: Vírus DNA dupla fita. o Varicela-zóster vírus. o Família herpesviridae. Infecção: o Primária: Varicela. o Latente: Gânglios nervosos sensoriais. o Recorrente: Herpes Zóster. Transmissão: o Respiratória por aerossóis. o Contato. o 1 a 2 dias antes do exantema até 3 a 7 dias após o exantema. o Elevada taxa de transmissão. QUADRO CLÍNICO: Período de incubação: 10 a 21 dias. Pródromo: Febre (de 38 a 39°C), mal-estar, anorexia, cefaleia e dor abdominal leve. Exantema Maculopapulovesicular polimórfico: o Inicia em couro cabeludo, face e pescoço, bem pruriginoso e evolui para pápulas, vesículas, pústulas e crostas. o Destruição centrípeta: cabeça, tronco e depois nos membros. Lesões Mucosas: orofaringe, vagina, conjuntivas e pálpebras. Varicela Modificada: o Crianças Vacinadas (+ leve, com menos lesões). Varicela Mais Extensa: o Casos secundários a disseminação domiciliar. o Crianças mais velhas. o Dermatite atópica. Varicela Progressiva: Imunodeprimidos. TRATAMENTO: VARICELA NÃO GRAVE: Amanda Narciso Sintomático (antitérmicos). Aciclovir VO por 5 dias: Adolescentes; Portadores de doenças crônicas; Uso crônico de corticoide. VARICELA GRAVE: Aciclovir EV por 7 dias. + Notificação compulsória (apenas casos graves com necessidade de internação ou que evoluem para óbito). COMPLICAÇÕES: Infecção Bacteriana Secundária: Eritema na base da vesícula e a recrudescência da febre, 3 a 4 dias após o início do exantema. Hepatite Leve e Assintomática: Elevação das transaminases. Assintomática. Pneumonia Por Varicela: Complicação grave. Responsável pela maior morbimortalidade em adultos. Sintomas respiratórios (tosse, dispneia, cianose, dor pleurítica e hemoptise) aparecem 1 a 6 dias após o início da infecção e geralmente com febre. Neurológicas: Crianças menores de 5 anos e em adultos acima dos 20 anos. Em geral, os sintomas neurológicos começam 2 a 6 dias após o início do exantema. Recuperação clínica em 24 a 72 horas. o Ataxia Cerebelar: distúrbio da marcha, incoordenação, nistagmo e fala arrastada. o Meningoencefalite: rigidez de nuca, alteração do nível de consciência e convulsões. SÍNDROME DE REYE: Uso de AAS durante varicela ou influenza. Manifesta por uma encefalopatia aguda não inflamatória que se associa à degeneração gordurosa hepática. Vômitos, letargia, confusão, irritabilidade e convulsão. Hepatomegalia, elevação das transaminases e amônia. PROFILAXIA: Vacina tetraviral: 15 meses. Reforço da vacina isolada da varicela: 4 anos. Pós-Exposição: Prevenção de surto varicela hospitalar. Vacina: se o Contatos Imunocompetentes > 9 meses de vida. IGHAVZ: se o Imunodeprimidos ouCaso Confirmado Todo caso suspeito comprovado como um caso de sarampo a partir de, pelo menos,1 dos critérios a seguir. Critério laboratorial a) Detecção de anticorpos IgM específicos do sarampo , exceto se o caso tiver recebido a vacina tríplice viral ou tetraviral, b) Soroconversão ou aumento na titulação de anticorpos IgG. c) Biologia molecular para identificação viral positiva. Critério vínculo epidemiológico Caso suspeito, contato de um ou mais casos de sarampo confirmados por exame laboratorial, que Amanda Narciso apresentou os primeiros sinais e sintomas da doença entre 7 e 21 dias da exposição ao contato. Caso Descartado Todo paciente considerado como caso suspeito e não comprovado de sarampo, de acordo com os critérios laboratoriais, clínicos ou epidemiológicos. SARAMPO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA, MESMO PARA CASOS DE SUSPEITA! COMPLICAÇÕES: Febre por mais de 3 dias, após o aparecimento do exantema, é um sinal de alerta! A principal complicação e maior causa de óbito é a pneumonia, que pode ser causada pelo próprio vírus ou por infecção bacteriana oportunista. A principal complicação bacteriana é a otite média aguda (OMA). Panencefalite esclerosante subaguda – PEES: rara, surge anos após a doença primária. o Principal Complicação = PNEUMONIA pelo próprio vírus do sarampo. o Principal Causa de Óbito = PNEUMONIA o Principal Complicação Bacteriana = OMA TRATAMENTO: Não há tratamento específico. Recomenda-se utilizar a vitamina A, via oral, em 2 doses, para redução da duração, complicações e da morbimortalidade, principalmente a cegueira. O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE: Isolamento domiciliar até 4 dias após o início do exantema. Pacientes internados devem submeter-se a isolamento respiratório de aerossol, até 4 dias após o início do exantema. VACINA: 1ª dose – aos 12 meses na tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). 2ª dose – aos 15 meses na tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Profilaxia Pós-Exposição: EXANTEMA SÚBITO: Roséola infantil ou sexta doença. Doença infecciosa viral característica de crianças entre 6 meses e 6 anos, predominando em menores de 2 anos. Agente etiológico: Herpes vírus humano 6 e 7. Modo de transmissão: Perdigotos Período de incubação: Entre 5 e 15 dias. Período de transmissibilidade: Durante o período febril principalmente. Perdigotos, ou gotículas de Flügge, são gotículas de saliva expelidas através de espirros, fala ou tosse. QUADRO CLÍNICO: Início do quadro é SÚBITO. A criança apresenta febre alta e contínua, que dura entre 3 a 4 dias, porém sem Toxemia. Antes do exantema, podemos ter: o Bom estado geral; o Convulsão febril - pode ocorrer pela febre alta, mesmo na ausência de neuropatias prévias. o Linfonodomegalia cervical suboccipital; o Hiperemia de orofaringe, palpebral e membrana timpânica. O exantema surge logo após o cessar da febre e isso define a doença! Características do exantema: EXANTEMA MACULOPAPULAR RÓSEO. INICIA NO TRONCO E DISSEMINA PARA OS MEMBROS. DE CURTA DURAÇÃO HORAS A DIAS. SOME SEM DEIXAR MARCAS. DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é essencialmente clínico e nenhum exame é necessário. Amanda Narciso Quando exames são solicitado, para investigação da febre, habitualmente são normais. Podem ser coletados sorologia e PCR para detecçãodo DNA viral. COMPLICAÇÕES: São raras, mas pode ocorrer encefalite, desmielinização aguda disseminada, cerebelite, hepatite e miocardite. TRATAMENTO: Sintomáticos. Não há vacina nem imunoglobulina. NÃO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA! ERITEMA INFECCIOSO: Doença exantemática viral, altamente contagiosa Parvovirose ou quinta doença. O principal alvo do parvovírus B19 é a linha eritroide. A infecção lisa a célula, causando depleção dos precursores eritroides e uma diminuição transitória da eritropoiese. Agente etiológico: Parvovírus B19. Modo de transmissão: Perdigotos. Período de incubação: Entre 4 a 14 dias. Período de transmissibilidade: Desconhecido, pois cessa após o aparecimento do exantema. QUADRO CLÍNICO: No quadro clínico geralmente não há pródromos. Primeira manifestação: exantema, que é considerado um fenômeno imunológico pós-infeccioso. O exantema inicia na face e, 1 a 4 dias após seu surgimento, evolui para os membros, inicialmente em face extensora, depois flexora e tronco. EXANTEMA MACULOPAPULAR AVERMELHADO ATINGE A REGIÃO DAS BOCHECHAS – “FACE ESBOFETEADA / ASA DE BORBOLETA” TRONCO E MEMBROS – ASPECTO RENDILHADO Mesmo depois da cura, o exantema pode reaparecer após: estresse, atividade física, exposição ao sol ou ao frio. Geralmente afebril; Artralgias, artrites; Miocardite; Pode cursar com a rara Síndrome das Luvas e Meias: caracterizada por lesões purpúricas, simétricas, eritematosas e indolores nas mãos e nos pés, principalmente. É autolimitada, podendo durar de 1 a 2 semanas; Crise aplástica transitória: em pacientes com anemia hemolítica crônica. Causa febre, mal-estar, letargia, sinais de anemia profunda, como palidez, taquicardia e taquipneia. Em imunocomprometidos, pode cursar com anemia crônica, neutropenia, trombocitopenia ou supressão de medula óssea. Em grávidas, pode causar aborto, óbito fetal, anemia fetal ou hidropisia. DIAGNÓSTICO: Essencialmente clínico e nenhum exame é necessário. Podem ser coletados sorologia e PCR para a detecção do DNA viral. TRATAMENTO: Sintomático e orientação aos responsáveis. Não há vacina disponível, nem profilaxia pós-exposição. No caso de pacientes com anemia hemolítica crônica, pode ser necessária uma transfusão sanguínea. NÃO É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA! RUBÉOLA: Agente etiológico: Togavírus Modo de transmissão: Perdigotos Período de incubação: Entre 14 a 21 dias. Período de transmissibilidade: Alguns dias antes a 5 a 7 dias depois do exantema. QUADRO CLÍNICO: 30% dos casos são assintomáticos. Os pródromos tendem a ser leves, inclusive podem estar ausentes. O exantema pode ser a principal manifestação: EXANTEMA MACULOPAPULAR RÓSEO. INICIA EM FACE, COM PROGRESSÃO CEFALOCAUDAL. DURA 3 A 4 DIAS. Amanda Narciso Fique atento a esses dois sinais relacionados à rubéola, que são raros: Sinal de Forchheimer: o paciente apresenta lesões petequiais no palato mole. Não é patognomônico. Sinal de Theodor: O paciente apresenta linfonodomegalia cervical, principalmente retroauricular. Também não é patognomônico. COMPLICAÇÕES: A principal complicação é a ARTRALGIA. Outras complicações: púrpura trombocitopênica e a encefalite. SÍNDROME DA RUBÉOLA CONGÊNITA: Ocorre quando a gestante é infectada pelo vírus e acaba transmitindo-o, via transplacentária, para o bebê. As sequelas podem ser: SURDEZ, CATARATA e CARDIOPATIA. Associadas a manifestações inespecíficas: baixo peso ao nascer, hepatoesplenomegalia, icterícia e alterações neurológicas. PREVENÇÃO: Vacinação – 1ª dose aos 12 meses, na tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e 2ª dose aos 15 meses, na tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). Contraindicada para imunodeprimidos e gestantes. Não há imunoglobulina disponível para a rubéola e a profilaxia pós-exposição deve ser feita com vacinação, exceto naqueles casos contraindicados. DIAGNÓSTICO: Essencialmente clínico e nenhum exame é necessário. Pode ser realizado o isolamento do vírus do material de nasofaringe ou da urina ou uma pesquisa de anticorpos da classe IgM e de IgG contra rubéola no soro. TRATAMENTO: Apenas sintomático e orientação aos responsáveis. É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA, INCLUINDO A SÍNDROME