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MÉTODO FOR RESUMÃO ACLS E UM PREPARATÓRIO PARA SEU ACLS E GUIA COMPLETO PARA SEUS PLANTÕES Prof. Marco Campos CONHEÇA - ME Instrutor de Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS) pela American Heart Association Formado pela FMUSP, pós graduado em cardiologia e especialista em emergências cardiovasculares e já capacitou mais de 7 mil Médicos e Enfermeiros em cursos online e presenciais. INSTRUTOR ENF. MARCO CAMPOS @profmarcocampos Com uma sólida carreira em salas de emergências de grandes instituições, atualmente, além de atuar como Enfermeiro em São Paulo, dedica parte do seu tempo ajudando Médicos(as) e Enfermeiros(as) a alcançar um alto nível no atendimento das emergências cardiovasculares. 02 SUMÁRIO 1. 2. 3. Suporte básico de vida e suporte de via aérea..................... 04 Bradiarritmias.............................................................................................. 08 Taquiarritmias.............................................................................................. 15 4. Paradas cardiorespiratórias........................................... 20 5. Práticas de Casos clínicos ................................................................... 33 6. Retorno de circulação espontânea................................................39 SBV Abordagem sistemática da Via Aérea Como identificar bloqueis AV Manejo adequado Instalação de marca - passo Como identificar taquiarritmias Reconhecer sinais de instabilidade hemodinâmica Manejo - condutas terapêuticas Ritmos de PCR Manejo - condutas terapêuticas Dicas do especialista Cuidados pós parada Manejo -Condutas terapêuticas SUPORTE BÁSICO DE VIDA E SUPORTE DE VIA AÉREA RESUMÃO ACLS Este guia foi cuidadosamente elaborado para ser seu parceiro nos momentos mais desafiadores do plantão. Com uma abordagem direta, objetiva e centrada na prática, você encontrará aqui as principais estratégias para o manejo eficiente das emergências cardiovasculares, tanto no ambiente hospitalar quanto como preparação sólida para o Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS). Ao sistematizar os protocolos de atendimento, você desenvolverá mais segurança, agilidade e confiança para atuar em situações críticas, garantindo um cuidado mais eficaz e assertivo. Além disso, este material é um recurso valioso de estudo, ideal para quem busca se destacar no curso de ACLS e elevar a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Prepare-se para aprimorar sua atuação profissional com conhecimento técnico, clareza nas condutas e foco no que realmente importa: salvar vidas. VAMOS LÁ ENTÃO? GUIA PRÁTICO DE EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES 05 Checar responsividade ( Tocando vigorosamente nos dois ombros da vítima) Chamar ajuda ( SME 192 e solicitar um DEA) Checar pulso carotídeo e respiração simultâneos ( 5-10 seg) Compressões Abertura de Via aérea Boas ventilações com BVM/AMBU- 30:2 (2 ventilações a cada 30 compressões sem VA avançada) Desfibrilação assim que o DEA estiver disponível. ( Ligue o DEA e aguarde as instruções) SUPORTE BÁSICO DE VIDA Abordagem ao paciente inconsciente em PCR. Nota: Sequência para atendimento Intra ou Extra hospitalar 06 Checar responsividade ( Tocando vigorosamente nos dois ombros da vítima) Chamar ajuda ( SME 192 e solicitar um DEA) Checar pulso carotídeo e respiração simultâneos ( 5-10 seg) Vítima tem pulso, mas não respira Abertura de Via aérea (Chin-Lift/atenção a suspeita de trauma) Boas ventilações com BVM/AMBU- ( 1 ventilação a cada 6 segundos). Se o tórax não expandir, você deverá inserir uma COF (Cânula orofaríngea) e ventilar novamente, observando se há expansibilidade. Desfibrilação - Nesta estação não será utilizado o DEA. SUPORTE DE VIA AÉREA Abordagem ao paciente inconsciente em parada respiratória . 07 Nota: Na falha de dispositivos adjuntos, se faz necessário aplicação de dispositivos avançados RESUMÃO ACLS BRADIARRITMIAS BRADIARRITMIAS As bradiarritmias são distúrbios do ritmo cardíaco com frequência abaixo de 60 bpm. Suas causas podem ser cardíacas (como disfunção do nó sinusal ou bloqueios atrioventriculares) ou extracardíacas (como uso de medicamentos, distúrbios eletrolíticos ou aumento do tônus vagal). Identificar a causa é essencial para um manejo rápido e eficaz, especialmente em situações de emergência. EXEMPLO DE UM CASO CLÍNICO P/ SEU PLANTÃO Mulher, 64 anos, admitida na sala de emergência com fraqueza generalizada. Histórico de HAS e Fibrilação atrial. 09 Paciente consciente - Realizar a abordagem sistemática; Monitor ( PA/Saturação/FC) Oxigênio (S/N) Veia (Estabeleça um acesso venoso ou IO) Exame físico e exames complementares Avaliar via aérea Boas ventilações Circulação ( PA/Perfusão/Sinais de choque) Deficit neurológico Exames complementares MANEJO DO PACIENTE Os quatro mnemônicos a seguir devem ser utilizados em todos os pacientes conscientes 10 Reconhecer sinais de instabilidade hemodinâmica Dispneia - FR >30 / SO2 30 / SO2e objetivos Confirmar que foram compreendidos Evitar sobrecarregar um único membro com múltiplas tarefas Supervisionar o cumprimento adequado das funções por toda a equipe 21 AS CHOCÁVEIS SÃO: Fibrilação ventricular (FV) , caracterizado por um ritmo caótico, totalmente desorganizado. RITMOS DE PCR Existem dois grupos de PCR, as chocáveis e as não chocáveis. 22 Abaixo segue um exemplo de organização da equipe para o atendimento das emergências: AS NÃO CHOCÁVEIS SÃO: Assistolia - Ao visualizar uma linha reta no monitor, deve- se seguir o protocolo de confirmação de assistolia, composto por 3 passos essenciais: 1.Checar os cabos e eletrodos torácicos — verificar se há algum desconectado. 2.Aumentar o ganho ao máximo — para melhorar a visualização do traçado. 3.Trocar a derivação (DI, DII, DIII) — para confirmar se o ritmo é realmente uma assistolia. 💡 Para facilitar a memorização, utilize o mnemônico: “Ca-Ga-Da” (Cabos – Ganho – Darivação) Taquicardia Ventricular Sem Pulso (TVSP), Caracterizado por um ritmo organizado com complexos QRS alargados e sem pulso presente no paciente. Em ambas a desfibrilação deve ser feita com a carga máxima do desfibrilador e de imediato em até 10seg 23 Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) , que consiste em ritmo organizado no monitor, porém sem pulso presente no paciente Resumo dos ritmos de Parada que você pode encontrar no seu plantão e no ACLS FV (Fibrilação ventricular) FV Fina TV sem pulso AESP Assistolia AESP (Atenção, pois pode ser confundido com linha reta) 24 A seguir preparei um infográfico para fixar o aprendizado ATENDIMENTO EM CASO DE RITMOS CHOCÁVEIS Uma a vítima inconsciente ou que perde a consciência na abordagem inicial, você deve: Realizar o SBV exatamente como descrito no início deste material. Inicie a RCP até que o desfibrilador esteja disponível. Coloque as pás direto no tórax do paciente para checagem do ritmo. Nos ritmos chocáveis, administre uma desfibrilação (choque) com a carga máxima do equipamento, Inicie a RCP imediatamente após a desfibrilação Garanta que cada membro do time execute a sua função com excelência Nota: Este primeiro ciclo é para preparo; Estabeleça acesso venoso ou acesso IO. Prepare Epinefrina 1mg Preparo material para IOT 25 Adm. Epinefrina 1mg Prepare Amiodarona 300mg ou Lidocaína 1ª dose 1 a 1,5mg/kg IOT não é prioridade nos ritmos chocáveis. Obs eficácia da BVM 26 Adm. Amiodarona 300mg ou Lidocaína 1ª dose 1 a 1,5mg/kg Prepare Epinefrina 1mg IOT não é prioridade nos ritmos chocáveis. Obs eficácia da BVM Adm. Epinefrina 1mg Prepare Amiodarona 150mg ou Lidocaína 2ª dose 0,5 a 0,75mg/kg IOT não é prioridade nos ritmos chocáveis. Obs eficácia da BVM ATENDIMENTO EM CASO DE RITMOS “NÃO” CHOCÁVEIS Inicie a RCP até que o desfibrilador esteja disponível. Coloque as pás direto no tórax do paciente para checagem do ritmo. Nos ritmos não chocáveis, em caso de uma linha reta no monitor, execute o protocolo da linha reta, checando cabos, ganho e derivações, se a linha reta se manter, conduza o caso como uma assistolia. Se encontrar um ritmo organizado no monitor, considere como AESP, pois você já confirmou a ausência de pulso na abordagem inicial. Inicie a RCP imediatamente Estabeleça acesso venoso e administre epinefrina 1mg logo neste primeiro ciclo. Garanta que cada membro do time execute a sua função com excelência 27 A seguir preparei um infográfico para fixar o aprendizado ATENÇÃO AOS CICLOS DAS MEDICAÇÕES 28 Esteja preparado para adoção de condutas terapêuticas diante das causas reversíveis da parada. Hipóxia - Oferecer suporte ventilatório com O2 a 100% ou Via aérea avançada Hipovolemia - Reposição volemica com cristaloides e em caso de hemorragias transfusão de hemocomponentes. H+ (Acidose) - RCP de alta qualidade e em caso de acidose gr% aquecidoave entrar com Bicarbonato de sódio - Dose: 1 mEq / kg IV ou IO lentamente. Abaixo segue detalhamento das condutas 30 Hipercalemia - a. Estabilização da membrana miocárdica Gluconato de cálcio 10%: 10 mL IV em 2 a 5 minutos. Pode repetir após 5-10 minutos se necessário. Objetivo: estabilizar o miocárdio e reduzir risco de arritmias fatais. b. Deslocamento do potássio para o intracelular Insulina regular: 10 unidades IV + glicose (50 mL de solução glicosada a 50%) para evitar hipoglicemia. Bicarbonato de sódio: 50 mEq IV se houver acidose metabólica associada. c. Remoção do potássio do organismo Não é prioridade durante a PCR, mas deve ser considerada após retorno da circulação espontânea (RCE), com medidas como diuréticos, resinas de troca ou hemodiálise. Hipotermia - Aquecer o paciente com mantas térmicas, SF 0,9% aquecido. Hipocalemia - KCL 19,1% - 0,5-0,75 mEq/kg EV infundidos em 1-2h (dose máxima: 40 mEq). Se alterações no ECG, especialmente quando já há prolongamento do QRS, isso caracteriza uma emergência. Nestes casos, uma ampola (10 ml) de gluconato de cálcio a 10% para estabilizar a membrana miocárdica. Detalhamento das condutas 31 Trombose coronariana - ICP (Intervenção coronária percutânea Angiografia). Tromboembolismo pulmonar (TEP) - Fibrinólise/trombólise Tamponamento cardíaco - Pericardiocentese Tensão no tórax - Punção de alívio e posterior drenagem de tórax. Tóxicos - Antagonista específico considerar prolonga a RCP (Tóxicos podem sofrer clearence e o paciente pode ter RCE) Detalhamento das condutas 32 SIMULADOS RESUMÃO ACLS Caso de Bradicardia -TV sem pulso - FV - AESP - RCE Quando os protocolocos estão bem consolidados em sua mente, a prática repetida vai tornar sua ação medular e conseguirá conduzir situais crítica com tranquilidade 1. 2. 3. 4. Caso de Bradicardia - FV - Assistolia - RCE Caso de Bradicardia - FV - AESP - RCE Caso de TV Instável - FV - AESP - RCE 5. Caso de TVS estável - FV - AESP - RCE 6. Caso de TV estável - FV - AESP - RCE 34 SIMULADOS Ao chegar um paciente consciente com queixas sugestivas de emergência cardiológica: Realize a abordagem sistemática (ver pág. 9). Se houver bradicardia ou bradiarritmia, interprete o ritmo e siga as condutas terapêuticas (pág. 11). Se houver taquicardia ou taquiarritmia, interprete o ritmo, avalie a estabilidade hemodinâmica (sinais de choque – pág. 15) e aplique as condutas adequadas (pág. 16). ⚠ Atenção: Pacientes com dor torácica intensa podem deteriorar rapidamente. Esteja preparado para aplicar condutas críticas, incluindo reanimação. ⚡ Condutas em Ritmos de Parada Cardiorrespiratória Se houver perda súbita de consciência e o ritmo for chocável (FV ou TVSP), siga as condutas das páginas 26 e 27. ➤ Em caso de TV, sempre checar pulso antes de iniciar o protocolo. Se o paciente evoluir para um ritmo não chocável (AESP ou assistolia), siga o tratamento da página 28. ➤ Inicie investigação imediata das causas reversíveis (Hs e Ts). 35 36 A seguir preparei um infográfico para fixar o aprendizado O QUE EXATAMENTE SERÁ COBRADO DO ALUNO: 36 APÓS O ATENDIMENTO DE UMA BRADICARDIA OU UMA TAQUICARDIA, VOCÊ SERÁ TESTADO NOS CENÁRIOS A SEGUIR PACIENTE DETERIORA PARA UM RITMO CHOCÁVEL Em caso de TV, NÃO esquecer de checar pulso FV é um ritmo caótico, não confunda com TV Administre Epinefrina 1mg Prepare Amiodarona 300mg Se indicado, dministre IOT Garanta Checagem primária - Ausculta 5 pontos Checagem secundária - EtCO2> 10 mmhg Hipóxia Hipovolemia Hepercalemia Hipocalemia H+ (acidose) Hipotermia Toxinas Tamponamento cardíaco Tensão no tórax Tromboembolismo pulmonar Trombose coronariana Atenção ao ciclo das drogas: Epinefrina 1mg de 3-5 min Amiodarona 3-5 min 1ª dose 300mg 2ª dose 150mg 37 Adm. Amiodarona 300mg ou Lidocaína 1ª dose 1 a 1,5mg/kg Prepare Epinefrina 1mg Atenção, em caso de ritmos não chocável, despreze a amiodarona e siga o ciclo adequado das drogas RETORNO DE CIRCULAÇÃO ESPONTÂNEA RESUMÃO ACLS Em caso de RCE (Retorno de circulação espontânea) Os cuidados pós parada são tãoimportantes quantos os esforços de reanimação. Faça a avaliação primária (A-B-C-D-E) Se ritmo organizado no monitor Checar pulso. Se pulso presente, temos RCE Cuidados pós parada Resumido (Tabela completa na pag. 39.) 38 40 A seguir preparei um infográfico para fixar o aprendizado 41 RESUMO ESTRATÉGICO BRASIL. Ministério da Saúde. Acolhimento e classificação de risco nos serviços de urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 56 p. ISBN 978-85-334-1583-6. GARCIA, Marcelo Iorio; GISMONDI, Ronaldo Altenburg Odebrecht Curi (Orgs.). Manual de emergências cardiovasculares. Rio de Janeiro: Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ), 2022. ISBN 978-65-88118-04-7. Disponível em: https://socerj.org.br. Acesso em: 10 out. 2025. MAGALHÃES, Bruna Freitas et al. Abordagens avançadas no manejo de emergências cardiovasculares: uma análise científica das estratégias atuais e perspectivas futuras. Ciências da Saúde, v. 28, n. 131, fev. 2024. DOI: 10.5281/zenodo.10637634. Disponível em: Revista FT. Acesso em: 10 out. 2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes brasileiras de ressuscitação cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência. Arq Bras Cardiol. Supl. 1, 2020. Disponível em: https://www.cardiol.br. Acesso em: 10 out. 2025. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das Diretrizes de 2020 da American Heart Association para Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE). Dallas: American Heart Association, 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines- files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf. Acesso em: 10 out. 2025. [cpr.heart.org] REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 42 https://socerj.org.br/wp-content/uploads/2022/05/Manual_Emergencias_Cardiovasculares_2022_Versao_Final_Digital_20abril22-1.pdf https://revistaft.com.br/abordagens-avancadas-no-manejo-de-emergencias-cardiovasculares-uma-analise-cientifica-das-estrategias-atuais-e-perspectivas-futuras/ https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf MÉTODO FOR Prof. Marco Campos RESUMÃO ACLS