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Júri Simulado Juiz: Prof. Magno Oliveira / Advogado: Prof. Mário Albuquerque / Promotor de Justiça: André Zech No dia 07 de outubro de 2016 às 8:00h deu-se início ao júri simulado no Teatro Nila Soárez da Faculdade 7 de Setembro, trazendo em sua pauta o crime doloso contra a vida, que se enquadrou na competência do Tribunal do Júri. Porém, ao contrário do que podemos imaginar, nem todos os crimes cometidos são julgados pelo Tribunal do Júri. Em verdade, a grande parte dos crimes são julgados pelo juiz singularmente, ou seja, sozinho. Quando o julgamento é pelo Júri, dizemos que há um julgamento colegiado, pois são sete os jurados. O júri guarda sua competência estabelecida expressamente na Constituição Federal (art. 5º XXXVIII), sendo designado para a apuração e julgamento dos crimes dolosos contra a vida. “(...) Art. 5º. XXXVIII - e reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; (...)”. O Código Penal é que diz quais são os crimes dolosos contra a vida, que são os previstos do artigo 121 até o artigo 126. Nesse caso, só nos interessa o disposto no artigo 121. Homicídio – uma pessoa mata ou tenta matar a outra (não se trata aqui do homicídio culposo, pois a Constituição Federal só fala no doloso, ou seja, o que tem intenção de fazer). Os jurados são pessoas do povo, leigos em matéria jurídica, escolhidos para servir nos julgamentos. Normalmente os Tribunais possuem uma lista de cidadãos que são voluntários para servir como jurados. A cada sessão do Tribunal do Júri, vinte e um jurados são intimados para comparecer. A audiência somente pode ter início se pelo menos 15 jurados estiverem presentes. O procedimento do Júri é dividido em duas fases: na primeira, estão abrangidos os atos praticados do oferecimento da denúncia até a decisão de pronúncia; na segunda, estão abrangidos os atos praticados entre a pronúncia e o julgamento pelo Tribunal popular. Adotadas todas as precauções que a lei recomenda, o processo será submetido a julgamento perante o Júri Popular, que se reúne em plenário, presentes o réu, seu defensor, o representante do Ministério Público, os assistentes, se houver, e serventuários da Justiça, além do Juiz-presidente. Pelo Ministério Público, a denúncia foi oferecida contra João do Nascimento. Segundo se fez constar nos autos de inquérito policial datado em 23 de outubro do ano de 1988, o acusado assassinou, utilizando uma faca tipo peixeira, a vítima Geraldo Carneiro de Oliveira, que veio a falecer em decorrência dos ferimentos recebidos. Pelos depoimentos até então colhidos pela autoridade policial, observou-se que o acusado praticou o crime por motivo banal e de modo que dificultou a defesa da vítima. O juiz presidente, antes de iniciar os trabalhos, verificou a presença de no mínimo 15 jurados. Então anunciou o processo que deve ser julgado. Logo depois, sorteou sorteados os jurados, facultou às partes a recusa imotivada de três jurados cada. Após o sorteio e formação do Conselho de Sentença, o juiz presidente fez aos jurados uma exortação de julgar com imparcialidade e justiça (art. 472). Depois houve a entrega das cópias da pronúncia e do relatório feito pelo. · Compor Conselho de Sentença. Só está composto após a promessa. Assim, nos termos do art. 457, verificado publicamente pelo juiz que se encontram na urna as cédulas relativas aos jurados presentes, será feito o sorteio de no mínimo 7 (sete) para a formação do conselho de sentença. Antes do sorteio do conselho de sentença, o juiz advertirá os jurados dos impedimentos constantes do art. 462, bem como das incompatibilidades legais por suspeição, em razão de parentesco com o juiz, com o promotor, com o advogado, com o réu ou com a vítima, na forma do disposto no Código de Processo Penal sobre os impedimentos ou a suspeição dos juízes togados. Na mesma ocasião, o juiz advertirá os jurados de que, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do conselho e multa. Dos impedidos entre si por parentesco servirá o que houver sido sorteado em primeiro lugar (art.458). São impedidos de servir no mesmo conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado (art.462). O mesmo conselho poderá conhecer de mais de um processo na mesma sessão de julgamento, se as partes o aceitarem. Entretanto, prestará cada vez novo compromisso (art.463). Nos dizeres do art.464, assim que formado o conselho de sentença, o juiz, levantando-se, e com ele todos os presentes, num momento inspirado pela solenidade, fará aos jurados a seguinte exortação: Em nome da lei, concito-vos a examinar com imparcialidade esta causa e a proferir a vossa decisão, de acordo com a vossa consciência e os ditames da justiça. Os jurados, nominalmente chamados pelo juiz, responderão: Assim o prometo. O que se observa, nessa passagem, é a tentativa legal de fazer surtir um certo efeito psicológico no compromisso dos jurados, incutindo-se-lhes a ideia de seriedade e solenidade que permeiam o julgamento. Em seguida, o presidente interrogará o réu pela forma estabelecida para utilização na instrução criminal, no que for aplicável (art.465). Feito e assinado o interrogatório, o presidente, sem manifestar sua opinião sobre o mérito da acusação ou da defesa, fará o relatório do processo e exporá o fato, as provas e as conclusões das partes. Depois do relatório, o escrivão lerá, mediante ordem do presidente, as peças do processo, cuja leitura for requerida pelas partes ou por qualquer jurado. Onde for possível, o presidente mandará distribuir aos jurados cópias datilografadas ou impressas, da pronúncia, do libelo e da contrariedade, além de outras peças que considerar úteis para o julgamento da causa. Nesse caso, o Conselho de Sentença poderia decidir por quatro resultados: Nem foi motivo fútil, nem foi motivo torpe. Luta corporal não caracteriza motivo fútil. A embriaguez exclui a futilidade do crime. Determina a absolvição por falta de provas (in dubio pro reu). Exige a certeza plena. Absolvição do réu no instituto da legitima defesa como excludente de ilicitude. Porque agiu como defesa à ofensa. Desclassificação como tese alternativa do crime de homicídio, excluindo as qualificadoras. Terminado o relatório, o juiz, o acusador, o assistente e o advogado do réu e, por fim, os jurados que o quiserem, inquirirão sucessivamente as testemunhas de acusação. O relatório do juiz deve ser conciso e se pautar pela imparcialidade. Aqui não as partes, mas o juiz presidente começa a inquirição, facultando às partes, depois, a apresentação de questionamentos. O mesmo ocorre no interrogatório do acusado. Os jurados também podem formular perguntas, que serão intermediadas pelo juiz presidente. CS pode decidir 4 resultados. 5º resultado: acolher a tese da desclassificação da lesão corporal seguida de morte. Sentença será proferida pela decisão monocrática que tiver presidindo o júri. Promotor de justiça não é um órgão acusador somente. Tem ampla liberdade para até absolver o réu. Não é o que o promotor de justiça nesse caso pretende. Merece total procedência. Acusado João do Nascimento proprietário de um bar, se conheciam, costumavam beber juntos. João a golpeou na região do coração sem nenhuma motivação. Na delegacia João confessou ter furado por estarem embriagados, embora tenha alterado sua versão no decorrer do processo. Em breve síntese, esse processo teve inicio no auto de prisão em flagrante. É uma das formas por meio da qual pode-se instaurar inquérito. Testemunhas, própria declaração do réu. O Réu foi indiciado e o MP ofereceu a denuncia. E foi recebida pelo magistrado. Houve a instrução da primeira fase do júri. Por ser anterior a alteração do CPP (2008). Houve pronuncia do réu que nada mais é que a delegação para ojúri acerca da causa. Com a pronuncia, estamos houve reunidos para julgar a causa. Materialidade: se houve a ocorrência de um fato típico. Pela descrição que consta dos autos, em relação ao feito, houve em tese a ocorrência de um fato típico? Sim. Não há duvidas. Tanto que a vitima não pôde estar no plenário. Auto de apresentação e apreensão fls. 11. Faca do tipo peixeira e uma goiva. Laudo cadavérico fls. 23 e 25 dos autos. Ultimas paginas do processo: laudo pericial, analisa a área em que ocorreu o evento criminoso. Autoria: elo que vincula o acusado a aquele evento criminoso constante da denuncia. O Réu afirmou que conhecia Geraldo há três anos. Discutiram primeiro e só após houve a luta. Motivo foi banal. Promotor: já pelo interrogatório, já houve uma confissão, não há duvidas. O que se verifica, em sede judicial, o réu novamente afirmou ter golpeado a vítima além disso Maria Solange da Silva, testemunha ouvida em face judicial, informou que ambos bebiam juntos durante todo o dia. Esfaqueava a vítima dizendo que iria mata-lo. A vitima já estava cambaleando, enquanto o acusado pegou a goiva em casa e ainda deferiu mais 3 golpes/goivadas. Afirmou que o réu era uma pessoa violenta Maria de Fátima Matias: avistou o homem caído já morto e teria chamado a policia e que o acusado foi o autor dos golpes. 4ª confirma que o acusado foi o autor dos golpes. 5ª também confirma ter atendido a diligencia em seguida quando viu a vítima prostrada ao solo. Materialidade x Autoria: não há duvida alguma. Duvida quanto as divergências entre as testemunhas. Algumas falam que não sabem as causas, algumas supõem que a causa foi alguma discussão havida entre a vitima e a esposa do réu. Defesa nada acrescentou. Motivo fútil no caso. Entre o crime e o móvel do crime. Ausência de motivo não se equipara a motivo fútil. Briga banal de bar que motivou a morte da vítima. Isso é evidente nos autos, ainda que haja certas divergências. Há uma testemunha nos autos que afirma que a vitima usou uma bacia para se defender dos golpes do réu. Os fatos evidenciam a impossibilidade de recurso da vítima. Incongruência da testemunha. Meio que possa contrapor os ataques. Diversas testemunhas são no sentido de que a vítima estava embriagada. Alguém que confronta em uma luta corporal, pode sair ileso? A falta de marcas indica uma deficiência em lutar da vitima. Existência nítida de materialidade, de futilidade (distancia entre o móvel, a discussão de bar). Impossibilidade de defesa da vitima nos próprios autos, inclusive o laudo cadavérico. Mário/Defesa: dizer que o desaparecimento de uma pessoa é sempre um fato lamentável. Para o direito penal há necessidade de uma certeza absoluta. Não opera com conjecturas, com incertezas, e aqui o próprio representante do MP, não só como representante titular, afirmou por varias vezes que o processo apresenta divergências, as testemunhas apresentam depoimentos confusos, e esse tipo de prova é imprestável. O juiz quando houver situações que absolva sumariamente. Se tivesse havido o controle do MP, o processo não teria chegado onde chegou. Série de decotes para tentar incriminar o réu, quando na verdade se vê algo completamente diferente. Relatos: 58 minutos. Causa estranheza duas pessoas bebendo e uma puxar a faca e matar. Do nada. Segundo aspecto: se fala que não houve chance de defesa. Uma testemunha disse que houve luta corporal, que se defendeu usando uma bacia. Em dado momento, o senhor Geraldo foi a casa dele buscar o almoço e este veio em uma bacia. Em outra oportunidade, diz que trouxe tira gosto em bacia. O que houve foi a discussão, a ida a casa e a volta para se vingar. Em nenhum momento se negou a autoria do fato, a materialidade. REC 1h. Outra testemunha: mora em frente e diz que ouviu e viu no botequim no João. A situação já é desmentida pela testemunha, que atesta que houve discussão. Viu João colocando a faca em um homem e este se defendendo com uma bacia. E diz que este correu no seu botequim e apanhou uma goiva. A luta afasta a qualificadora de traição, emboscada. Ele próprio diz que de outra vez houveram 3 pauladas nele e mesmo assim este o recebeu em seu estabelecimento. Eles bebiam, o bar era do réu e a vítima não pagou. Ele foi em casa pegar a goiva e ele simplesmente se defendeu. REC 1:10min. Foi pedido a liberdade dele, opinou favoravelmente no parecer e o juiz determinou a soltura do réu. Nesse sentido, Canelutti misérias do direito penal. A testemunha Lucileide Maria: enquanto o acusado se aproximava da vitima com enorme facão, desferiu 3 golpes na cintura da vitima. Laudo cadavérico diz outra coisa. Um facão amputa um membro, é desregular. Mas no laudo não há nada disso. A testemunha Luzilene Cardoso: a vitima apenas se defendeu, mesmo assim está afastada a tese de defesa. O réu desferiu na vítima mais duas pancadas de goiva. 1:18. Afirma que houve defesa, discussão e golpe entre os dedos e outra na canela. Testemunhas de defesa: Josefá - Acusado agiu em virtude da vítima ter invadido sua residência. Nem foi motivo fútil, nem foi motivo torpe. Luta corporal não caracteriza motivo fútil. A embriaguez exclui a futilidade do crime. Determina a absolvição por falta de provas (in dubio pro reu). Exige a certeza plena. Absolvição do réu no instituto da legitima defesa como excludente de ilicitude. Porque agiu como defesa a ofensa. Desclassificação como tese alternativa do crime de homicídio, excluindo as qualificadoras. ¬¬ Réplica: Declaração de Geraldo: por motivo fútil Leitura dos quesitos acontece no tribunal. Mas a votação em sala secreta separada. Votação do Júri Sim – configura materialidade Não – prejudica todos os demais quesitos 1ª sim (materialidade) /sim (autoria confirmada)/sim 2ª sim/sim/sim 3ª sim/sim/sim 4ª sim/sim/não 5ª –/-/não 6ª –/-/não 7ª –/-/sim 4 x 3 = Réu foi absolvido. Defesa apresentou a legítima defesa. Lavrar a sentença e mencionar que o corpo de jurados/CS reconheceu a tese de legitima defesa. Promotor Seu papel é defender os interesses da sociedade. Se ele perceber que o réu é inocente – ou que merece tratamento diferenciado em virtude das circunstâncias do crime – deve pedir a sua absolvição ou a atenuante aplicável à provável pena. A família da vítima pode contratar um assistente que dividirá o tempo da acusação com o promotor Juiz-Presidente Autoridade máxima do tribunal, faz valer a decisão dos jurados, mas não é responsável por ela nem pode induzi-la. Ele conduz o julgamento e resolve as questões de Direito, como definir a pena no caso de condenação. O escrivão – que registra tudo o que é dito no julgamento – fica ao seu lado Espectadores Salvo em casos de grande repercussão, qualquer pessoa pode assistir ao julgamento. Em geral, o auditório é ocupado por parentes do réu e da vítima, jornalistas e estudantes de direito Testemunha Defesa e acusação podem chamar até cinco testemunhas cada. O juiz também pode requerer a presença de alguém. Muitas vezes, as testemunhas de defesa não viram o que aconteceu (vão falar do caráter do réu ou apresentar um álibi), enquanto as de acusação estavam no local do crime Réu Quando está preso, o réu fica algemado e é acompanhado por policias militares. Apesar de ser a figura central do julgamento (afinal, é seu destino que está sendo decidido), sua participação é pequena dentro do tribunal Conselho de sentença Dos 21 jurados intimados, só sete participam do julgamento, formando o conselho de sentença. Eles são sorteados e podem ser recusados pelas partes. São permitidas até três recusas sem motivo (por exemplo, o promotor pode preferir não ter pessoas com forte crença religiosa no conselho). Nesse caso, novos nomes serão sorteados Sala secreta Para cada quesito a ser votado, os jurados recebem uma cédula com a palavra “sim” e outra com a palavra “não”. As decisões são tomadas por maioria simples de votos (nos Estados Unidos, a decisão deve ser unânime) e a votação é sigilosa, ou seja, os jurados não podem falar sobre suas impressões do processo. Se um julgamento demorar dois dias ou mais, os juradosse hospedam em alojamentos e são acompanhados por oficiais de justiça, para garantir que não troquem informações entre si Quem são os jurados Vinte e um cidadãos são intimados a comparecer ao tribunal na data do julgamento. Devem ser maiores de 21 anos, alfabetizados e não ter antecedentes criminais. Sete formarão o conselho de sentença. Os outros serão dispensados. O serviço do júri é obrigatório e recusá-lo por convicção política, religiosa ou filosófica implica a perda dos direitos políticos Passo a passo Um julgamento pode durar de algumas horas a alguns dias. Conheça as dez etapas do processo 1 – É escolhido o conselho de sentença. Defesa e promotoria podem dispensar até três jurados sorteados. Sete participarão do julgamento 2 – Juiz, promotor, defesa e jurados formulam, nessa ordem, perguntas para o réu, que tem o direito de respondê-las ou não 3 – O juiz apresenta aos jurados o processo, expondo os fatos, as provas existentes e as conclusões da promotoria e da defesa 4 – São ouvidas as testemunhas. Primeiro as indicadas pelo juiz (quando há), seguidas pelas de acusação e depois pelas de defesa 5 – Começam os debates entre a acusação e a defesa. O primeiro a falar é o promotor, que tem duas horas para a acusação 6 – O advogado – ou defensor público, no caso de pessoas que não podem pagar – também tem duas horas para a defesa 7 – O promotor pode pedir uma réplica. Cabe ao juiz concedê-la ou não. Também pode haver uma tréplica do advogado, se necessário 8 – O juiz formula os quesitos (perguntas) que serão votados pelo conselho de sentença e os lê, em plenário, para os jurados 9 – Um oficial de justiça recolhe as cédulas de votação dos quesitos. Os votos são contabilizados pelo juiz 10 – Voltando ao plenário, o juiz pede que todos se levantem e dá o veredicto em público. Estipula a pena e encerra o julgamento o ponto culminante do julgamento é o debate entre a acusação, a cargo do promotor público, e a defesa, feita pelo advogado do réu. Como precisam convencer pessoas comuns, como eu e você, de suas versões do fato, eles costumam lançar mão de um discurso com forte apelo emocional. E essa é uma das principais polêmicas sobre esse tipo de julgamento: há quem alegue que o júri decide mais pelo instinto do que pela razão. Mas, ainda assim, o tribunal do júri encontra defensores, por ter um tanto de democracia e participação popular, que um tribunal comum não tem. 3