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SISTEMA DE ENSINO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho Livro Eletrônico 2 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Sumário Apresentação ................................................................................................................................... 3 Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho ................................. 4 1. Introdução à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) .......................................................... 4 1.1. Fundamentos e Objetos da LGPD .......................................................................................... 4 1.2. Aplicabilidade da LGPD à Justiça do Trabalho .................................................................... 5 2. Conceitos Aplicáveis e Providências Específicas para Atender à LGPD ....................... 10 Exercícios .........................................................................................................................................19 Gabarito ...........................................................................................................................................24 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 3 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos ApresentAção Olá, querido(a) aluno(a) do Gran Cursos Online! Espero encontrá-lo muito bem! Neste cur- so, apresento-lhe várias aulas autossuficientes de direito processual do trabalho, com o objeti- vo de lhe disponibilizar, de forma prática e completa, o substrato de conteúdo necessário para ter o melhor desempenho possível na prova. Esta aula, assim como as demais aulas em PDF, foi elaborada de modo que você possa tê-la como fonte autossuficiente de estudo, isto é, como um material de estudo completo e capaz de possibilitar um aprendizado tão integral quanto outros meios de estudo. A preferência por aulas em PDF e/ou vídeos pertence a cada aluno, que, individualmente, ava- lia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais. Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com um ou outro meio. Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de contar com as aulas em PDF autossuficientes do nosso curso, a exemplo desta aula. De qualquer forma, nada impede que as aulas em PDF sejam utilizadas como fonte de estudos de forma aliada com as aulas em vídeo do Gran Cursos Online. Tudo depende, unicamente, da preferência de cada aluno. Nesta aula, estudaremos especialmente o seguinte tópico: Impactos da Lei Geral de Pro- teção de Dados (LGPD) no Processo do Trabalho. Abordaremos todos os tópicos importantes para a compreensão do tema e para o bom desempenho em questões desta disciplina. A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado. O nú- mero de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade do conteúdo e número de questões de concursos existentes. Por resultado, o número de exercícios dispo- nibilizados é determinado de modo que seu conhecimento sobre os temas seja efetivamente testado e fixado, mas sem que haja uma repetição obsoleta. Nosso curso possibilita a avaliação de cada aula em PDF de forma fácil e rápida. Considero o resultado das avaliações extremamente importante para a continuidade da produção e edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade do material. Peço-lhe que, por favor, fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço, que, para nós, é sagrado. Caso fique com alguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande respeito que você merece. Bons estudos! Seja imparável! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 4 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos LEI N. 13.709/2018 (LGPD) – IMPACTOS SOBRE O PROCESSO DO TRABALHO 1. Introdução à LeI GerAL de proteção de dAdos (LGpd) A Lei n. 13.709/2018, também conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dispõe sobre os fundamentos da proteção dos dados pessoais e os meios para assegurá-la. Tal diploma sofreu profundas alterações por parte da Lei n. 13.853/2019, o que reacendeu na sociedade o anseio por debater os mecanismos de proteção dos dados pessoais nos mais variados segmentos empresariais e, notadamente, da Administração Pública. Historicamente, embora sempre se tenha reconhecido a importância dos direitos funda- mentais à intimidade e à privacidade, os dados pessoais não vinham sendo tratados, em regra, como bens individualmente considerados. Tal tratamento somente era assegurado quando o dado representasse objeto de tutela especial, como os dados relativos a direitos autorais. Conquanto com atraso, o universo jurídico brasileiro acertadamente percebeu que os da- dos pessoais de quaisquer espécies podem ser utilizados como recursos muito efetivos para o impulso de determinados ramos do comércio. Na quase totalidade das vezes, os dados pesso- ais carregam verdadeiro conteúdo econômico, que pode ser utilizado como “moeda de troca” por algumas empresas que têm acesso facilitado a esses dados. Na prática, o compartilhamento – oneroso ou gratuito – de dados pessoais entre empresas e órgãos públicos constituía um notável estado de coisas inconstitucional. Afinal, a detenção de dados pessoais por empresas, sem o consentimento do titular, pode, a depender do dado, acarretar grave violação aos direitos fundamentais à intimidade e à privacidade. A LGPD surgiu exatamente para esclarecer a forma como os dados pessoais devem ser tratados e as circunstâncias em que possam ser tratados, a fim de que o apontado estado de coisas inconstitucional seja, ao máximo, eliminado. 1.1. FundAmentos e objetos dA LGpd De modo basilar, o principal fundamento constitucional da LGPD é o art. 5º, inciso X da Constituição Federal, que dispõe: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi- leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualda- de, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o di- reito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; O papel da LGPD, ao que se vê, é estabelecer os parâmetros para que os dados pessoais sejam utilizados e transferidos entre todos os atores sociais, sejam pertencentes à Administra- ção Pública ou não. Portanto, quando as disposiçõesda LGPD ou de seus regulamentos forem O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 5 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos desrespeitadas, muito provavelmente surgirá direito à indenização por danos patrimoniais e extrapatrimoniais, como consequência da violação à intimidade, à vida privada, à honra e/ou à imagem das pessoas envolvidas. É claro que o grau dessa violação e o montante justo de eventual indenização devem ser avaliados em cada caso concreto. Para confirmar essas afirmações, apresento-lhe o art. 1º da LGPD: Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fun- damentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural. Parágrafo único. As normas gerais contidas nesta Lei são de interesse nacional e devem ser obser- vadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. À luz destes fundamentos, podemos concluir, com tranquilidade, o seguinte: • 1) O OBJETO IMEDIATO da LGPD é a proteção de dados pessoais; • 2) O OBJETO MEDIATO da LGPD é a proteção da privacidade e da intimidade das pesso- ais, que são direitos fundamentais. Por objeto imediato, devemos entender a providência concreta visada pela norma. Neste caso, a LGPD visa impactar, concretamente, a proteção de dados pessoais. Em outro ponto de vista, a proteção dos dados pessoais é uma providência que leva à con- cretização dos direitos fundamentais à privacidade e à intimidade das pessoas. Em suma, a proteção de dados pessoais é uma providência concreta, enquanto a proteção à intimidade e à privacidade é uma providência abstrata. 1.2. ApLIcAbILIdAde dA LGpd à justIçA do trAbALho Num primeiro momento, os cidadãos tendem a acreditar que a LGPD se aplica especial- mente ao setor privado, em razão do conteúdo econômico ostentado pelos dados pessoais no mundo após as sucessivas revoluções tecnológicas. No entanto, esta crença não é verdadeira. Como salientado no subcapítulo anterior, a LGPD aplica-se também a pessoas jurídicas de direito público (art. 1º, caput, LGPD) e suas disposições devem ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 1º, parágrafo único). Portanto, é inequívoca a aplicabilidade da LGPD aos órgãos e entidades da Administração Pública de todos os níveis federativos. Por consequência lógica e natural, a LGPD também se aplica ao Poder Judiciário, que nada mais é que uma repartição orgânica da Administração Pública em sentido amplo. Agora, confira o que dispõe o art. 7º da LGPD: Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: I – mediante o fornecimento de consentimento pelo titular; II – para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 6 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos III – pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres, observadas as disposições do Capítulo IV desta Lei; IV – para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que possível, a anonimi- zação dos dados pessoais; V – quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados; VI – para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, esse último nos termos da Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de Arbitragem); VII – para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro; VIII – para a tutela da saúde, exclusivamente, em procedimento realizado por profissionais de saúde, serviços de saúde ou autoridade sanitária; IX – quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais; ou X – para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente. Perceba que foram grifados os incisos III, IX e X do art. 7º. Para parte da doutrina, esses três incisos fundamentam, legalmente, o tratamento de dados pelo Poder Judiciário. Cito as considerações de Willian Alessandro Rocha1: A base legal para o tratamento de dados pessoais pelo Poder Judiciário pode ser enquadrada no inciso III do referido artigo, pois os dados dos processos judiciais são necessários à administração da justiça, sendo possível considerar que a prestação jurisdicional é uma política pública, pois se trata de atividade essencial para garantia da ordem pública e para proteção e efetivação de direitos. Pode ser enquadrada, ainda, no inciso IX, pois o Poder Judiciário tem legítimo interesse na busca da verdade, a fim de decidir com justiça os conflitos de interesse submetidos à sua apreciação. O inciso X poderia ser invocado, também, para o acesso a dados pessoais sensíveis na fase de exe- cução, pois a efetivação da tutela e a satisfação do crédito trabalhista estão englobadas no conceito de proteção de crédito (grifos nossos). O mesmo autor reconhece2, por outro lado, que o maior fundamento legal para o tratamen- to de dados pessoais pelo Poder Judiciário é o art. 23 da LGPD, que dispõe: Art. 23. O tratamento de dados pessoais pelas pessoas jurídicas de direito público referidas no parágrafo único do art. 1º da Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação), deverá ser realizado para o atendimento de sua finalidade pública, na persecução do interesse público, com o obje- tivo de executar as competências legais ou cumprir as atribuições legais do serviço público, desde que: I – sejam informadas as hipóteses em que, no exercício de suas competências, realizam o tratamen- to de dados pessoais, fornecendo informações claras e atualizadas sobre a previsão legal, a finali- dade, os procedimentos e as práticas utilizadas para a execução dessas atividades, em veículos de fácil acesso, preferencialmente em seus sítios eletrônicos; 1 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 349-350. 2 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 350. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 7 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos II – (VETADO); e III – seja indicado um encarregado quando realizarem operações de tratamento de dados pessoais, nos termos do art. 39 desta Lei; e IV – (VETADO). Deste dispositivo, podemosextrair um preceito que, de certa forma, é óbvio: deve o Poder Judiciário gerir os dados pessoais constantes de processos judiciais de modo a atender a fi- nalidade pública do Poder Judiciário. O inciso III do art. 23 traz uma disposição importantíssima: cada órgão deve ter um “en- carregado” para, nos termos do art. 5º, inciso VIII, atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em termos técnicos, este “encarregado” denomina-se Data Protection Officer (Oficial de Proteção de Dados), muito citado pela sigla DPO. De acordo com Fabrício da Mota Alves3, “parece evidente, nesse caso, que a indicação de DPO público seja compulsória e inafastável, uma vez que se trata de conditio sine qua non para o tratamento de dados pessoais pelo Poder Público”. Nos tribunais, a condição de DPO deve ser atribuída por ato normativo a algum agente público. A tendência atual tem sido de atribuir esta condição ao Juiz Auxiliar da Presidência, enquanto o Presidente do tribunal ocupa a função de controlador4. É importantíssimo registrar, todavia, que há vozes no sentido de que os órgãos do Poder Judiciário não seriam obrigados a designar um DPO. Explico. Existe o chamado General Data Protection Regulation (GDPR), que é o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia. O art. 37, item 1, alínea a desse diplome europeu dispõe que a designação do encarregado de proteção de dados (DPO) não é obrigatória para tribunais. Parte da doutrina afirma que o GDPR deveria ser considerado como fonte integrativa do direito brasileiro, a fim de tornar meramente facultativa a designação de DPO em órgãos do Poder Judiciário. Veja como se posiciona Willian Alessandro Rocha5: Embora a LGPD brasileira não tenha repetido, no particular, os termos do GDPR, nos parece ser cabí- vel a sua aplicação integrativa, pois não se revela razoável exigir-se a indicação de um controlador de dados pessoais em processos judiciais, cuja direção cabe ao magistrado. Há uma incompatibilidade entre as figuras do controlador e do juiz, a quem compete definir quais os documentos do processo podem ser acessíveis pelas partes e pelo público em geral. A ingerência do controlador nos dados pessoais presentes no processo poderia inviabilizar o próprio exercício da jurisdição, pois poderia macular princípios caros como o contraditório e a ampla defesa, caso pudesse o controlador decidir. Assim, o silêncio da Recomendação do CNJ parece ser eloquente (grifo nosso). 3 ALVES, Fabrício da Mota. Estruturação do cargo de DPO em entes públicos. In Data Protection Officer (Encarregado). Teoria e prática de acordo com a LGPD e o GPDR. Coordenação: Renato Opice Blum; Rony Vainzof; Henrique Fabretti Moraes. 1. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020. 4 A título de exemplo, pode-se consultar a Portaria PRESI n. 15, de 26 de janeiro de 2021, do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. 5 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 358. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 8 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Apesar do referido posicionamento, que deve ser conhecido e considerado, os tribunais pátrios estão tomando a iniciativa de designar seus respectivos DPO. É notório que o Poder Judiciário, tanto em processos judiciais como em processos adminis- trativos de sua competência, lida concretamente com dados pessoais de partes, advogados, auxiliares da justiça, terceiros interessados e magistrados. Dessa forma, não há como negar que deve haver incidência da LGPD sobre o Poder Judiciário. Afinal, o tratamento equivocado de dados pessoais pelo Poder Judiciário pode ocasionar consequências tão gravosas quanto as que seriam geradas se o equívoco partisse do Poder Executivo ou do Poder Legislativo. No entanto, devemos reconhecer que as disposições da LGPD são predominantemente conceituais e genéricas. Logo, não há como o Poder Judiciário extrair, da própria LGPD, as me- didas que deve tomar para tratar, especificamente, dados pessoais constantes de processos judiciais e administrativos. Professor, se a própria LGPD não pode oferecer ao Poder Judiciário medidas específicas para o tratamento de dados pessoais em processos, de que forma a LGPD se mostra re- levante a este Poder? A resposta, caro(a) aluno(a), é encontrada no art. 55-J, inciso XIII da LGPD, que dispõe: Art. 55-J. Compete à ANPD: XIII – editar regulamentos e procedimentos sobre proteção de dados pessoais e privacidade, bem como sobre relatórios de impacto à proteção de dados pessoais para os casos em que o tratamento re- presentar alto risco à garantia dos princípios gerais de proteção de dados pessoais previstos nesta Lei; A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) é um órgão vinculado à Presidência da República – logo, do Poder Executivo – que tem competência para editar regulamentos que definirão, concretamente, quais medidas deverão ser tomadas, em cada Poder, para assegurar o correto tratamento dos dados pessoais. Mas professor, se a ANPD integra o Poder Executivo, como ela poderá influenciar o trata- mento de dados pessoais pelo Poder Judiciário? Caro(a) aluno(a), a ANDP tem, em sua estrutura, além de outros órgãos, o Conselho Nacio- nal de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (art. 55-C, inciso II, LGPD). Este Conselho tem, como um de seus representantes, um conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justi- ça). Por intermédio deste representante, poderão ser propostas, debatidas e implementadas boas práticas de tratamento de dados pessoais por meio de regulamentos. Todavia, não é apenas por meio de regulamentos que medidas específicas podem ser cria- das e implementadas: o CNJ tem competência para expedir recomendações (art. 103-B, § 4º, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 9 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos inciso I, Constituição Federal) aos demais órgãos do Poder Judiciário, a fim de promover efeti- vidade e unidade neste Poder. Com o fim de suprir lacunas quanto às medidas específicas, embora de modo não cogente, o CNJ editou a Recomendação n. 73 de 20/08/2020, na qual são estabelecidas medidas pre- paratórias e ações iniciais para adequação às disposições contidas na LGPD. Veja o que dispõe o art. 1º da referida Recomendação: Art. 1º Recomendar a todos os órgãos do Poder Judiciário brasileiro, à exceção do Supremo Tribu- nal Federal, a adoção das seguintes medidas destinadas a instituir um padrão nacional de proteção de dados pessoais existentes nas suas bases: I – elaborar plano de ação que contemple, no mínimo, os seguintes tópicos: a) organização e comunicação; b) direitos do titular; c) gestão de consentimento; d) retenção de dados e cópia de segurança; e) contratos; f) plano de respostas a incidentes de segurança com dados pessoais; II – disponibilizar, nos sítios eletrônicos, de forma ostensiva e de fácil acesso aos usuários: a) informações básicas sobre a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados aos tribunais, incluindo os requisitos para o tratamento legítimo de dados, as obrigações dos controladores e os direitos dos titulares;b) formulário para exercício de direitos dos titulares de dados pessoais; III – elaborar ou adequar, bem com publicar nos respectivos sítios eletrônicos, de forma ostensiva e de fácil acesso aos usuários: a) a política de privacidade para navegação no website da instituição em relação à Lei Geral de Pro- teção de Dados Pessoais e ao art. 7º, VIII, da Lei n. 12.965/2014 (Marco Civil da Internet); b) os registros de tratamentos de dados pessoais contendo, entre outras, informações sobre: 1) finalidade do tratamento; 2) base legal; 3) descrição dos titulares; 4) categorias de dados; 5) categorias de destinatários; 6) transferência internacional; 7) prazo de conservação; 8) medidas de segurança adotadas; 9) a política de segurança da informação; IV – constituir Grupo de Trabalho para estudo e identificação das medidas necessárias à implemen- tação da Lei Geral de Proteção de Dados no âmbito do respectivo tribunal, cujo relatório final subsi- diará o Conselho Nacional de Justiça na elaboração de uma política nacional. A providência específica tomada pelo CNJ, ao que se vê, é de nível estratégico: recomen- da-se a todos os tribunais, menos ao STF, certos parâmetros a considerar no momento de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 10 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos criar planos de ação atinentes à LGPD, além de recomendar a concessão de publicidade a atos relativos à LGPD. Mas professor, por que o STF foi deixado de fora dessa Recomendação? Foi por uma questão puramente técnica: o próprio STF já decidiu que as normas expedidas pelo Conselho Nacional de Justiça, assim como suas recomendações, NÃO vinculam o STF. Portanto, o STF estaria em hierarquia superior ao CNJ inclusive nas questões de supervisão administrativa. Logo, a única supervisão administrativa e orçamentária cogente sobre o STF é a do próprio STF. Conclusão: os efeitos da Recomendação n. 73 do CNJ incidem sobre todo e qualquer ór- gão do Poder Judiciário brasileiro, exceto sobre o STF. Mesmo assim, por se tratar de ato de mera recomendação (sem força impositiva), pode o STF, se quiser, observar os termos da Re- comendação n. 73 do CNJ. De todas as normas que estudamos acima, podemos extrair: • 1) Os órgãos da Justiça do Trabalho devem observar os termos da LGPD, por força dos arts. 1º, 7º e 23 da própria LGPD; • 2) Os órgãos da Justiça do Trabalho são alcançados por Recomendação do CNJ que es- tabelece parâmetros a considerar quando da criação de planos de ação para adequação das atividades à LGPD; • 3) Os órgãos da Justiça do Trabalho devem designar controlador e encarregado (DPO) para controle e supervisão do tratamento de dados pessoais no âmbito do respectivo tri- bunal. Há vozes no sentido de que os órgãos do Poder Judiciário não seriam obrigados a designar encarregados. 2. conceItos ApLIcáveIs e provIdêncIAs especíFIcAs pArA Atender à LGpd Querido(a) aluno(a), o edital do certame prevê a cobrança da LGPD na disciplina de Direito Processual do Trabalho. Portanto, a banca deverá explorar a LGPD apenas no tocante a concei- tos e princípios aplicáveis a esta disciplina. Por esta razão, não enfocaremos os detalhes da LGPD que não tenham relevância para a Justiça do Trabalho e para os processos trabalhistas. Direcionaremos nosso foco à parte es- sencial da lei, isto é, enfocaremos a parte relevante para a nossa disciplina. Afinal de contas, se a banca cobrar detalhes da LGPD que não tenham relevância para o direito processual do trabalho, a respectiva questão estará fatalmente eivada de nulidade. À luz dessas razões, trabalharemos, agora, com os conceitos e os princípios da LGPD re- levantes para a incidência desse diploma na seara processual trabalhista. Na sequência, estu- daremos as providências específicas que, de imediato, poderiam ser tomadas pela Justiça do Trabalho de modo a atender aos preceitos da LGPD. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 11 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Obs.: � por se tratar de um tema extremamente novo e incipiente, a aplicação da LGPD ao pro- cesso do trabalho representa um ponto que, muito provavelmente, se for explorado, o será em questões discursivas. Logo adiante, serão apresentadas várias providências que podem ser tomadas com o fim de concretizarem-se os princípios da LGPD. É de se reconhecer, no entanto, que praticamente não existem diplomas normativos que prevejam providências concretas e específicas. Portan- to, devemos recorrer à doutrina, que apresenta alguma dessas providências. Independentemente de qual providência seja tomada pelo Poder Judiciário, deve ela bus- car atender aos princípios básicos estabelecidos na LGPD. São eles (art. 6º da LGPD): Art. 6º As atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a boa-fé e os seguintes princípios: I – finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com essas finalidades; II – adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento; III – necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas fina- lidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados; IV – livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais; V – qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu tratamento; VI – transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados os segredos comercial e industrial; VII – segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pesso- ais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão; VIII – prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude do tratamento de dados pessoais; IX – não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins discriminatórios ilíci- tos ou abusivos; X – responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da adoção de medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas. Primeiramente, veja o que leciona Vainzof: Os três primeiros princípios dispostos na LGPD (finalidade, adequação e necessidade) são umbili- calmente conexos, formando, juntamente com a transparência, o cerne dessa norma jurídica, deter- minantes para o respeito da proteção dos direitos fundamentais de liberdade e privacidade e o livre O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilizaçãocivil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 12 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos desenvolvimento da personalidade da pessoa natural, por meio da tutela dos dados pessoais6 (grifo nosso). Portanto, toda e qualquer providência a ser instituída pelos tribunais deve atender aos prin- cípios do art. 6º da LGPD. Como vimos, os três princípios basilares para nós são o da finalida- de, o da adequação e o da necessidade. Rocha apresenta os conceitos desses três princípios nos seguintes termos: Pelo princípio da finalidade, a realização do tratamento deve se dar para propósitos legítimos, es- pecíficos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com essas finalidades. O princípio da adequação prevê que é necessário haver compatibilidade do tratamento com as fina- lidades informadas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento. Por sua vez, o princípio da necessidade diz respeito à limitação do tratamento ao mínimo necessá- rio para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados (grifos nossos)7. O art. 5º da LGPD traz os conceitos de todos os objetos dessa legislação. Confira: Art. 5º Para os fins desta Lei, considera-se: I – dado pessoal: informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável; II – dado pessoal sensível: dado pessoal sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opi- nião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural; III – dado anonimizado: dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando a utiliza- ção de meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião de seu tratamento; IV – banco de dados: conjunto estruturado de dados pessoais, estabelecido em um ou em vários locais, em suporte eletrônico ou físico; V – titular: pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são objeto de tratamento; VI – controlador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem competem as de- cisões referentes ao tratamento de dados pessoais; VII – operador: pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de dados pessoais em nome do controlador; VIII – encarregado: pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD; IX – agentes de tratamento: o controlador e o operador; X – tratamento: toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, pro- dução, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, 6 LGPD: Lei Geral de Proteção de Dados comentada. Coordenadores Viviane Nóbrega Maldonado e Renato Opice Blum. 2. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 138. 7 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 353. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 13 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, co- municação, transferência, difusão ou extração; XI – anonimização: utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis no momento do tratamento, por meio dos quais um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo; XII – consentimento: manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada; XIII – bloqueio: suspensão temporária de qualquer operação de tratamento, mediante guarda do dado pessoal ou do banco de dados; XIV – eliminação: exclusão de dado ou de conjunto de dados armazenados em banco de dados, independentemente do procedimento empregado; XV – transferência internacional de dados: transferência de dados pessoais para país estrangeiro ou organismo internacional do qual o país seja membro; XVI – uso compartilhado de dados: comunicação, difusão, transferência internacional, interconexão de dados pessoais ou tratamento compartilhado de bancos de dados pessoais por órgãos e entida- des públicos no cumprimento de suas competências legais, ou entre esses e entes privados, reci- procamente, com autorização específica, para uma ou mais modalidades de tratamento permitidas por esses entes públicos, ou entre entes privados; XVII – relatório de impacto à proteção de dados pessoais: documentação do controlador que con- tém a descrição dos processos de tratamento de dados pessoais que podem gerar riscos às li- berdades civis e aos direitos fundamentais, bem como medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco; XVIII – órgão de pesquisa: órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta ou pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos legalmente constituída sob as leis brasileiras, com sede e foro no País, que inclua em sua missão institucional ou em seu objetivo social ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada de caráter histórico, científico, tecnológico ou estatístico; e XIX – autoridade nacional: órgão da administração pública responsável por zelar, implementar e fiscalizar o cumprimento desta Lei em todo o território nacional. Para nós, os conceitos mais importantes são os dois primeiros: dados pessoais e dados pessoais sensíveis. Como se depreende do inciso I, entende-se por dado pessoal qualquer informação relacio- nada a pessoa natural. Já o dado pessoal sensível é um dado pessoal dotado de pertinências específicas, que podem ser sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, todos relativos a pessoa natural. Basicamente, a diferença entre o dado pessoal comum e o dado pessoa sensível é que este último carrega uma pertinência que pode ser objeto de estigmatização. Afinal, determinadas opiniões políticas, origens raciais ou orientações sexuais podem, em razão do preconceito carregado por parte da sociedade, ocasionar a estigmatização da pessoa, tolhendo-lhe opor- tunidades sociais e profissionais, por exemplo. Diante desse contexto, devemos lembrar de que, infelizmente, muitos cidadãos que aju- ízam ações trabalhistas são estigmatizados por parte do mercado, e, por vezes, encontrem O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 14 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos maiores empecilhos para a obtenção de boas colocações profissionais. Diante dessa realida- de, devemos nos perguntar: o ajuizamento de ação trabalhista por uma pessoa natural deveria ser considerado “dado pessoal sensível”? Cabe salientar que até mesmo o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem jurisprudênciaconsolidada no sentido de considerar que as anotações de saída nas Carteiras de Trabalho não devem fazer menção ao ajuizamento de ação trabalhista, tampouco fazer referência à determinação judicial, porque, do contrário, ficaria configurada lesão aos direitos da personali- dade do trabalhador, face à conduta discriminatória da empresa8. Portanto, é de se concluir que existem argumentos e posicionamentos que criam a ten- dência de se considerar o ajuizamento da ação trabalhista como um dado pessoal sensível. Dessa forma, deveriam ser tomadas providências para que os nomes dos autores das ações trabalhistas não fossem divulgados nos meios de acesso público. Conforme Rocha, devem ser utilizadas ferramentas que sejam capazes de impedir eventu- ais consultas de ações trabalhistas pelo nome do autor. Segundo este doutrinador, é suficiente que seja aplicado um recurso tecnológico capaz de anonimizar os autores em todas as peças do processo, como, por exemplo, inserindo-se apenas as iniciais dos nomes9. Outros dados pessoais sensíveis que corriqueiramente são tratados nos processos traba- lhistas são a filiação a sindicato e o estado de saúde do trabalhador. Willian Alessandro Rocha defende que as peças processuais que carregarem essas informações devem receber sigilo processual, de modo que apenas as partes e seus advogados possam acessá-las10. Segundo o autor, essa providência preservaria o direito ao contraditório e à ampla defesa, e o público em geral continuaria a ter acesso às demais peças processuais. Não podemos nos esquecer de que o direito processual brasileiro já possui uma ferramen- ta muito eficaz para a proteção do direito constitucional à intimidade: o segredo de justiça. Em alguns processos trabalhistas, também podem ser envolvidas informações atinentes à vida sexual do trabalhador ou sua convicção religiosa, dados que são considerados sensíveis (art. 5º, inciso II, LGPD). Para a proteção desses dados, é possível o requerimento de tramita- ção em segredo de justiça. Veja o que dispõe o art. 189 do CPC: Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I – em que o exija o interesse público ou social; II – que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; 8 ED -RR– 0002403-30.2011.5.02.0048. Rel.: Min. Alexandre de Souza Agra Belmonte. Julgamento em 04/08/2016. 9 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 368-369. 10 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 364. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 15 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos III – em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV – que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confi- dencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Não é novidade que os atos do processo são públicos. Todas as pessoas podem acompa- nhar a prática desses atos em audiências ou em mecanismos oficiais de divulgação (Diários Eletrônicos, por exemplo). A publicidade dos atos processuais será restringida pelo interesse social. Isso significa que, por motivos de interesse social, um ou mais atos processuais podem ser praticados em sigilo. Neste ponto, o texto da CLT encontra-se eivado de lacuna axiológica. Por esta razão, pra- ticamente toda a doutrina e a jurisprudência aplicam ao processo do trabalho as causas de segredo de justiça previstas no CPC, que constam do art. 189. De acordo com o art. 11, parágrafo único, do CPC, “nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público”. O art. 189 do CPC traça quatro hipóteses em que os processos tramitarão em segredo de justiça: Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I – em que o exija o interesse público ou social; II – que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; III – em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV – que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confi- dencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. Destas quatro, aplicam-se ao processo do trabalho três delas: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 16 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Ao passar a tramitar em estado de “segredo de justiça”, o acesso aos autos do processo sofrerá várias restrições e condições, que são abordadas nos parágrafos do art. 189, a seguir citados e comentados. § 1º O direito de consultar os autos de processo que tramite em segredo de justiça e de pedir certi- dões de seus atos é restrito às partes e aos seus procuradores. § 2º O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da sentença, bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou separação. O acesso e a obtenção de certidões dos atos processuais de processos submetidos ao segredo de justiça, como regra geral, são restritos somente às próprias partes e aos seus advogados. O § 2º apresenta uma hipótese excepcional em que uma pessoa totalmente estranha ao processo (terceiro) poderá ter acesso aos autos. Esse acesso, todavia, é muito restrito: • 1) O terceiro deverá demonstrar interesse jurídico no processo, isto é, que as decisões do processo repercutam sobre os seus direitos e o modo de exercê-los. • 2) O terceiro, com interesse jurídico, somente poderá ter acesso à parte dispositiva da sentença. Não terá acesso ao relatório nem aos fundamentos, mas tão somente ao dis- positivo da sentença. DICA! Para lembrar: O terceiro, para acessar autos em segredo de justiça, deverá: Ter interesse jurídico + ter acesso somente ao dispositivo da sentença. Obs.: � às vezes, mesmo que determinado processo não tramite em segredo de justiça, é pos- sível que um ou mais documentos tenham seu acesso restringido por sigilo proces- sual. Portanto, quando apenas uma ou mais peças do processo contenham informa- ções compreendidas como dados pessoas sensíveis, poderão as respectivas peças ser acobertadas por sigilo. Dessa forma, apenas os interessados poderão acessá-las. Entretanto, não são apenas informações do autor que poderão ser protegidas. Há certas informações do devedor (pessoa natural) que também poderão ser protegidas com sigilo pro- cessual. A principal delas é a condição financeira do devedor. Sabe-se que, com muita frequência, são realizados bloqueios de valores de contas ban- cárias dos devedores trabalhistas mediante convênios disponíveis ao Poder Judiciário, como SISBA-JUD e SIMBA. Quando são realizados esses bloqueios, são juntadas aos autos, imedia- tamente, certidões que mostram o montante bloqueado e eventual insuficiência de saldo da conta do devedor. O conteúdo deste livro eletrônicoé licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 17 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Essas informações, principalmente quando se constata a insuficiência de saldo, podem acarretar invasão à intimidade do executado, quando for pessoa natural. Embora essa informa- ção não se considere, a rigor, um dado pessoa sensível, sua divulgação pode ocasionar lesão aos direitos da personalidade do devedor. Por conseguinte, considera-se muito prudente inserir sigilo processual sobre a certidão que mostra os saldos das contas bancárias do devedor. De acordo com Rocha11, “o simples acesso a tais dados, protegidos por sigilo bancário e fiscal, pode importar invasão da vida pri- vada e da intimidade do devedor”. Outro ponto em que seria muito salutar a proteção por sigilo processual, de modo a se con- cretizarem os objetivos da LGPD, seria o da expedição de alvarás de transferência bancária. De acordo com Rocha12, “a sua disponibilização de modo irrestrito no processo expõe de modo desnecessário o titular da conta bancária, podendo, a depender do valor do crédito, caracteri- zar risco à sua segurança (grifo nosso)”. Inclusive, na prática, é muito comum a consignação de contas bancárias em atas de au- diência, especialmente quando são realizadas conciliações na audiência. Conforme Rocha13, uma medida conveniente, em atendimento à LGPD, seria de impor às partes que informassem dados bancários mediante petições autônomas, depois da audiência, dotadas de sigilo proces- sual. Dessa forma, o acesso público à ata de audiência não acarretaria risco à segurança do beneficiado por eventual transferência bancária. Outro ponto em que a aplicação da LGPD ganharia muita pertinência seria o das audiências mediante videoconferência. Como se sabe, a Constituição Federal assegura o direito funda- mental à inviolabilidade da casa (art. 5º, XI, CF/88). E é acerca desse direito fundamental que a aplicação da LGPD deve ser debatida. Para evitar a violação a tal direito, as testemunhas arroladas pelas partes não podem ser obrigadas a prestar depoimento na própria casa. Elas devem ter o direito de conectar-se à vi- deoconferência de qualquer lugar, desde que o lugar, por si só, não crie risco à validade de seu depoimento. Inclusive, esse direito deve ser previsto e esclarecido no próprio processo, em eventuais despachos e decisões que se refiram à audiência de instrução. Rocha entende que, em todo caso, a testemunha deve consentir com a exibição de partes de sua casa na videoconferência. Entende o referido autor que, se tal consentimento não for informado, deverá a audiência ser adiada14. Apesar da respeitabilidade do referido posicionamento, este professor toma a liberdade de dele discordar. Afinal, é possível que a própria decisão que designa a audiência de instrução 11 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 361. 12 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 365. 13 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 365. 14 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 367-368. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 18 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos preveja que se assegura às testemunhas o direito de depor de qualquer lugar, e que eventual conexão feita da residência da testemunha produzirá efeitos de concordância expressa com a visualização de parte da respectiva casa. Logo, ficaria assegurada a proteção do direito funda- mental à inviolabilidade da casa. Relativamente às videoconferências, também seria oportuna a proteção da imagem de todas as pessoas envolvidas nas audiências. Atualmente, essa proteção tem sido fraca, uma vez que, embora seja assegurado o acesso das gravações apenas aos envolvidos no processo, qualquer pessoa que tenha tal acesso pode realizar o download das gravações, sem que haja uma identificação da pessoa que o realizou. Essa prática, segundo Rocha, pode acarretar sérias ofensas aos direitos de imagem dos envolvidos, caso as gravações sejam utilizadas de forma indevida. Para o doutrinador, deve ser aplicado à hipótese o art. 18, inciso IV da LGPD, que institui, em favor do titular dos dados pessoais, o direito à eliminação de dados desnecessários. Tal eliminação, para o doutrinador, poderia ocorrer após o trânsito em julgado do processo15. Veja o que dispõe o art. 18, inciso IV da LGPD: Art. 18. O titular dos dados pessoais tem direito a obter do controlador, em relação aos dados do titular por ele tratados, a qualquer momento e mediante requisição: IV – anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com o disposto nesta Lei. 15 MIZIARA, PESSOA e MOLLICONE. Reflexos da LGPD no direito e no processo do trabalho. 1. ed. São Paulo: Thomson Reu- ters Brasil, 2020. p. 366. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 19 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos EXERCÍCIOS 001. (INÉDITA/2021) Carlos, autor de ação trabalhista, entende que determinado dado pesso- al de que é titular foi exposto de forma indevida em petição juntada aos autos. Ademais, Carlos também soube de que outro dado pessoal seu foi indevidamente veiculado em sindicância de órgão do Poder Executivo. Com dúvidas sobre a providência a tomar, Carlos consulta seu advo- gado para saber se a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) é aplicável ao Poder Judiciário. O advogado deverá responder que: a) tal legislação é aplicável ao Poder Executivo, mas não ao Poder Judiciário, por expressa disposição legal. b) tal legislação é aplicável a todos os Poderes dos entes federados, em razão de não haver disposição restritiva a quaisquer dos Poderes. c) tal legislação é aplicável ao Poder Judiciário, mas não ao Poder Executivo, por expressa disposição legal. d) tal legislação não é aplicável à Administração Pública, por expressa vedação legal. Conforme o parágrafo único do art. 1º da LGPD, “As normas gerais contidas nesta Lei são de interesse nacional e devem ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios”, sem excluir nenhum Poder. Ademais, o caput desse artigo dispõe que a LGPD dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado. Letra b. 002. (INÉDITA/2021) Paulo, exequente em determinada ação trabalhista já transitada em julgado, tem dúvidas sobre a aplicabilidade da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) na fase de execução, e consulta seu advogado. O advogado deverá respon-der a Paulo que: a) é aplicável a Lei Geral de Proteção de Dados na fase de execução, em razão da necessidade de proteção do crédito. b) não é aplicável a Lei Geral de Proteção de Dados na fase de execução, por falta de previsão legal específica. c) é aplicável a Lei Geral de Proteção de Dados na fase de execução apenas quando necessário para atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro. d) não é aplicável a Lei Geral de Proteção de Dados na fase de execução, em razão de vedação legal expressa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 20 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos Na fase de execução, busca-se a satisfação do crédito. Logo, o fundamento da aplicação da LGPD à fase de execução encontra-se no art. 7º, inciso X, que dispõe: “O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses: (...) X– para a proteção do crédito, inclusive quanto ao disposto na legislação pertinente.”. Portanto, fica também excluída a alternativa “c”, pois a necessidade de atender aos interesses legítimos do controlador ou de terceiro, embora seja uma das hipóteses de aplicação da LGPD (art. 7º, IX, LGPD), não é a única que justificaria a aplicação do diploma à fase de execução. Letra a. 003. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: O tratamento de dados pessoais pelas pessoas jurídicas de direito público deverá ser realizado para o atendimento de sua finalidade pública, na persecução do interesse público, com o ob- jetivo de executar as competências legais ou cumprir as atribuições legais do serviço público. Trata-se da regra literal do art. 23, caput da LGPD. Certo. 004. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: O princípio da finalidade tem por conteúdo a necessidade de realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e informados ao titular, sem possibilidade de tra- tamento posterior de forma incompatível com essas finalidades. Trata-se do conceito literal do princípio da finalidade, à luz do art. 6º, inciso I da LGPD. Certo. 005. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: O princípio da adequação tem por conteúdo a necessidade de limitação do tratamento ao míni- mo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às finalidades do tratamento de dados. Tal conceito corresponde, na verdade, ao princípio da necessidade (art. 6º, III, LGPD). Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 21 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 006. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: O princípio da adequação consiste na compatibilidade do tratamento com as finalidades infor- madas ao titular, de acordo com o contexto do tratamento. É o correto conceito do princípio da adequação, conforme o art. 6º, inciso II da LGPD. Certo. 007. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: A Lei Geral de Proteção de Dados prevê, expressamente, a obrigatoriedade de designação de encarregado para o tratamento de dados pessoais nos órgãos do Poder Judiciário. Conforme vimos em aula, embora alguns órgãos do Poder Judiciário já estejam providencian- do a designação de encarregado, tal ônus não é imposto pela LGPD em nenhum de seus dis- positivos. A LGPD prevê a figura do encarregado de forma genérica, sem relacioná-lo especifi- camente ao Poder Judiciário. Errado. 008. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: As normas gerais contidas na Lei Geral de Proteção de Dados são de interesse nacional e de- vem ser observadas pela União, enquanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem criar suas próprias normas gerais. Conforme o art. 1º, parágrafo único da LGPD, “As normas gerais contidas nesta Lei são de in- teresse nacional e devem ser observadas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios”. Errado. 009. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: As normas da Lei Geral de Proteção de Dados têm, entre seus objetivos, proteger o livre desen- volvimento da personalidade da pessoa jurídica. Veja o que dispõe o art. 1º, caput, da LGPD: “Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados pes- soais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural”. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 22 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 010. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado pela Administração Pública. É a regra contida no art. 7º, inciso III da LGPD. Certo. 011. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, julgue o item subsequente: Compete ao encarregado de cada órgão a edição de regulamentos e procedimentos sobre proteção de dados pessoais e privacidade, bem como sobre relatórios de impacto à proteção de dados pessoais para os casos em que o tratamento representar alto risco à garantia dos princípios gerais de proteção de dados pessoais previstos na Lei Geral de Proteção de Dados. Tal incumbência pertence à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), conforme o art. 55-J, inciso XIII da LGPD. Errado. 012. (INÉDITA/2021) À luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) e de suas implicações no direito processual do trabalho, assinale a alternativa que não apresenta um direito fundamental protegido pela referida lei de forma principal: a) intimidade b) propriedade c) liberdade d) privacidade Embora o direito à propriedade seja atingido, de forma reflexa, pela proteção assegurada pela LGPD,ele não é objeto principal da LGPD, que se destina destacadamente à proteção da intimi- dade, da privacidade e da liberdade (art. 1º, caput, e art. 17, caput, ambos da LGPD). Letra b. 013. (QUESTÃO DISCURSIVA INÉDITA/2021) Apresente os fundamentos jurídicos que legiti- mam a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) à Justiça do Trabalho. Resposta esperada: A referida lei aplica-se ao Poder Judiciário, inclusive à Justiça do Trabalho, por força do art. 1º, caput, do art. 7º, incisos III, IX e X e do art. 23, caput, todos da LGPD. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 23 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos 014. (QUESTÃO DISCURSIVA INÉDITA/2021) O Código de Processo Civil apresenta uma fer- ramenta diretamente relacionada à proteção assegurada pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/2018) aos dados pessoais sensíveis contidos em peças processuais. Cite-a juntamente com os fundamentos que a relacionam com a referida legislação. Resposta esperada: Trata-se da tramitação processual em segredo de justiça, medida prevista no art. 189 do CPC. Relativamente à LGPD, tal ferramenta tem fundamento principalmente no inciso III do art. 189 do CPC, que prevê o segredo de justiça em caso de existência de dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 24 de 25www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Gustavo Deitos GABARITO 1. b 2. a 3. C 4. C 5. E 6. C 7. E 8. E 9. E 10. C 11. E 12. b 13. Discursiva 14. Discursiva O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br Gustavo Deitos Professor de Cursos Preparatórios pra Concursos Públicos. Coach especialista em Concursos Públicos. Servidor do TRT da 12ª Região. Convocações: Técnico Judiciário do TRT da 12ª Região e Analista Judiciário do TRF da 3ª Região. Outras aprovações: 8° lugar – TRT da 24ª Região – Analista Judiciário, 39° lugar – TST – Analista Judiciário e 48° lugar – TRT da 24ª Região – Técnico Judiciário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Apresentação Lei n. 13.709/2018 (LGPD) – Impactos sobre o Processo do Trabalho 1. Introdução à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) 1.1. Fundamentos e Objetos da LGPD 1.2. Aplicabilidade da LGPD à Justiça do Trabalho 2. Conceitos Aplicáveis e Providências Específicas para Atender à LGPD Exercícios Gabarito AVALIAR 5: Página 25: