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BIOQUÍMICA SISTÊMICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Benisio Ferreira da Silva Filho 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
POR QUE ESTUDAR A ORIGEM DOS ANALITOS LABORATORIAIS? 
Entendendo o que é e a importância do uso de analitos laboratoriais 
Os analitos laboratoriais são substâncias ou componentes específicos 
que são analisados em um laboratório clínico para avaliar diversas condições de 
saúde, realizar diagnósticos, monitorar tratamentos médicos ou investigar 
doenças. Essas substâncias podem ser encontradas em amostras biológicas, 
como sangue, urina, soro, plasma, saliva e outros fluidos corporais. Os analitos 
laboratoriais podem incluir uma ampla variedade de elementos, compostos 
químicos, células e biomoléculas. 
Precisamos entender o funcionamento do organismo humano de maneira 
análoga à abordagem da fisiologia com o intuito de entender a origem dos 
analitos e, consequentemente, compreender o significado e a causa de 
variações na quantidade encontrada. No entanto, nosso foco será direcionado 
para os principais analitos, substâncias ou componentes que são alvo de análise 
clínica laboratorial. Exploraremos por que é crucial a avaliação desses analitos, 
quantificando suas concentrações e estabelecendo correlações entre aumentos 
ou diminuições dessas substâncias e a manifestação de doenças, ou a suspeita 
delas. Essa abordagem exige, muitas vezes, a análise combinada de múltiplos 
exames para uma investigação diagnóstica mais completa. 
Ao compreender os processos bioquímicos relacionados a determinadas 
proteínas ou outras biomoléculas, adquire-se a capacidade de interpretar as 
razões por trás de um aumento ou diminuição na concentração dessas 
substâncias. Esse tipo de raciocínio é essencial para o analista clínico, pois 
permite reconhecer que, por trás dos números obtidos nos resultados 
laboratoriais, há informações valiosas que podem indicar a presença de 
diferentes condições patológicas. 
Neste estudo, iremos explorar a bioquímica em diferentes sistemas 
biológicos, analisando suas interações, vias metabólicas e sua cascata de 
reações, apresentando os princípios subjacentes a diversos exames 
laboratoriais que serão abordados em estudos posteriores. Discutiremos tópicos 
como proteínas plasmáticas, cascata de coagulação, metabolismo de elementos 
 
 
3 
como ferro e cálcio, bem como a regulação hormonal, entre outros temas 
comumente encontrados em laboratórios de análises clínicas. 
TEMA 1 – A AMOSTRA MAIS RICA E INFORMATIVA EM PATOLOGIA 
CLÍNICA: O SANGUE 
O sangue se destaca como a amostra mais informativa na patologia 
clínica laboratorial quando comparado a outras amostras biológicas, como 
líquido peritoneal, saliva, suor, urina, fezes e até o líquor cefalorraquidiano 
(LCR). Essa predominância se deve à sua versatilidade e riqueza de 
informações. A coleta de múltiplos tubos sanguíneos e a realização de uma 
ampla gama de testes permitem avaliar com eficácia a função hepática, renal, 
investigar marcadores cardíacos, tumores, a imunidade do indivíduo, além de 
diversas outras análises clínicas. O sangue é, assim, a amostra mais 
amplamente empregada e completa para avaliar o estado de saúde e identificar 
potenciais condições patológicas em um indivíduo. 
O tecido sanguíneo é organizado de maneira distinta em três principais 
componentes celulares que flutuam em uma matriz líquida chamada plasma. 
Esses componentes desempenham funções cruciais no sistema circulatório: 
• glóbulos vermelhos (eritrócitos) – são as células mais abundantes no 
sangue e desempenham um papel fundamental no transporte de oxigênio. 
Eles carecem de núcleo e contêm hemoglobina, uma proteína que liga e 
transporta o oxigênio pelo corpo; 
• glóbulos brancos (leucócitos) – estas são as células de defesa do sistema 
imunológico. Existem tipos específicos que serão detalhados na disciplina 
de imunologia clínica e hematologia clínica, cada um com funções 
específicas na resposta imunológica, como combater infecções e 
doenças, dentre outras respostas; 
• plaquetas (trombócitos) – são pequenos fragmentos celulares, de forma 
mais direta, de uma célula chamada megacariócito cujo citoplasma em 
determinado momento se fragmenta, e cada fragmento dá origem às 
plaquetas, logo, elas não são células, e sim fragmentos celulares 
funcionais. As plaquetas desempenham um papel crucial na coagulação 
sanguínea, uma vez que ajudam a formar coágulos para evitar 
hemorragias excessivas em caso de ferimentos ou lesões vasculares. 
 
 
4 
O plasma é a parte líquida do sangue, representando cerca de 55% do 
volume sanguíneo total. É composto, principalmente, por água e contém uma 
variedade de substâncias, incluindo proteínas, eletrólitos, hormônios e 
nutrientes. O plasma desempenha um papel vital no transporte de substâncias 
pelo corpo, na manutenção da pressão osmótica e no equilíbrio ácido-base. 
Essa organização dos componentes celulares e do plasma é essencial 
para o funcionamento adequado do sistema circulatório, permitindo que o 
sangue desempenhe suas funções vitais, como o transporte de oxigênio, a 
proteção imunológica e a coagulação sanguínea. Veja na Figura 1, a seguir, 
como visualizamos o tecido sanguíneo após a coleta. 
Figura 1 – Como vemos o tecido sanguíneo após a coleta 
 
Crédito: ShadeDesign/Shutterstock. 
 
 
5 
1.1 O plasma (ou soro se for o caso) possuem os analitos para análise 
O sangue é um tecido circulante que se caracteriza por sua natureza 
líquida, com uma viscosidade superior à da água devido à presença de 
numerosos elementos solúveis e outras substâncias. A função principal do 
sangue é a de transporte, permitindo que elementos produzidos em um local, 
como o ponto “A”, sejam distribuídos para o ponto “B” ou para várias partes do 
corpo por meio da circulação sanguínea. 
Por exemplo, o oxigênio que você inspira é transportado pelas hemácias 
após passar pelos alvéolos pulmonares e é distribuído para todas as áreas do 
organismo pelo sangue. Da mesma forma, os nutrientes dos alimentos, após 
serem digeridos e absorvidos pelo intestino, entram na corrente sanguínea para 
serem transportados. Hormônios produzidos em glândulas, como a tireoide, são 
lançados na corrente sanguínea para atingirem seus alvos específicos. 
Além de transportar substâncias necessárias ao funcionamento do corpo, 
o sangue também desempenha um papel crucial no transporte de produtos que 
precisam ser excretados. Por exemplo, o dióxido de carbono (CO2) gerado 
durante as reações metabólicas celulares é transportado pelo sangue até ser 
eliminado pelos pulmões na expiração. Quando o ciclo da ureia é concluído nas 
células, a ureia resultante é lançada na corrente sanguínea para ser 
posteriormente excretada do corpo. 
Assim, o sangue é fundamental para o transporte eficiente de substâncias 
vitais e resíduos metabólicos, desempenhando um papel central na homeostase 
do organismo. 
Não esqueça! 
Toda informação fisiológica pode ser obtida pelo sangue, seja de forma 
direta ou indireta. Conhecer a fisiologia do analito é essencial. 
TEMA 2 – O CONTEÚDO SOLUBILIZADO DO PLASMA 
O plasma sanguíneo é composto, principalmente, por água, 
representando cerca de 92% de seu volume total, enquanto os restantes 8% 
consistem em elementos solúveis dispersos de forma coloidal. Entre esses 
componentes, a proteína mais abundante é a albumina, que desempenha um 
papel crucial na manutenção da pressão osmótica do sangue. Além disso, o 
 
 
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plasma contém globulinas alfa e beta, que desempenham funções no transporte 
de oligossacarídeos, lipídios e hormônios. 
No plasma sanguíneo, também encontramos o fibrinogênio e a 
protrombina, duas proteínas de extrema importância na cascata de coagulação. 
A cascata de coagulação é um processo complexo que envolve diversas 
proteínas plasmáticas – esse tema será melhor explorado mais adiante. 
Além das proteínas, o plasma sanguíneocontém concentrações de 
lipídios, carboidratos, sais inorgânicos, enzimas, vitaminas e hormônios. 
Também inclui produtos residuais, como ureia, creatinina e ácido úrico, bem 
como dióxido de carbono (CO2). É importante destacar que o sangue venoso 
apresenta concentrações mais elevadas desses produtos residuais, uma vez 
que eles são filtrados pelos rins e eliminados do corpo por meio da urina. 
O sangue é coletado com o propósito de realizar análises laboratoriais 
que fornecem informações valiosas sobre o estado de saúde de um indivíduo. 
Por possuir uma ampla gama de componentes que podem ser analisados para 
diagnosticar condições médicas, monitorar o progresso de tratamentos, 
identificar problemas de saúde e avaliar a função de órgãos e sistemas do corpo, 
ele poderá ser direcionado a diversos setores do laboratório, como hematologia, 
imunologia, microbiologia, bioquímica e biologia molecular, por exemplo. 
Agora, vamos falar especialmente da bioquímica. “Alguns” dos principais 
motivos para coletar sangue e os componentes que são analisados em 
laboratório incluem: 
• perfil lipídico – mede os níveis de lipídios no sangue, como colesterol e 
triglicerídeos, e ajuda a avaliar o risco de doenças cardíacas; 
• glicose – o teste de glicose verifica os níveis de açúcar no sangue e é 
usado para diagnosticar e monitorar o diabetes; 
• função hepática – exames como a dosagem de enzimas hepáticas (ALT, 
AST) e bilirrubina ajudam a avaliar a função do fígado e diagnosticar 
problemas hepáticos; 
• função renal – a creatinina e a ureia são testadas para avaliar a função 
renal e identificar doenças renais; 
• eletrólitos – medir os níveis de eletrólitos, como sódio, potássio e cálcio, 
é importante para avaliar o equilíbrio eletrolítico do corpo; 
 
 
7 
• hormônios – o sangue é frequentemente usado para medir níveis de 
hormônios, como hormônio tireoidiano, hormônios sexuais e hormônios 
relacionados ao estresse; 
• marcadores tumorais – exames de sangue podem detectar a presença de 
marcadores tumorais, que podem indicar câncer; 
• imunologia – o sangue pode ser testado para avaliar o sistema 
imunológico, identificar doenças autoimunes e verificar a presença de 
anticorpos. 
Esses são apenas alguns exemplos das análises que podem ser 
realizadas no sangue coletado. A análise do sangue é uma ferramenta 
fundamental na medicina diagnóstica, permitindo aos profissionais da saúde 
avaliar a saúde e o funcionamento do organismo, identificar problemas médicos 
e tomar decisões sobre tratamentos e cuidados. 
Neste estudo, vamos discutir os analitos encontrados no sangue. 
TEMA 3 – PROTEÍNAS PLASMÁTICAS 
A concentração das proteínas no plasma sanguíneo é influenciada por 
três fatores cruciais. Primeiramente, a maioria dessas proteínas é sintetizada 
diariamente, aproximadamente 25 g por dia. O fígado é responsável pela 
produção da maioria delas, enquanto algumas são elaboradas por células do 
sistema imune presentes no sangue. É importante ressaltar que não há 
armazenamento significativo de proteínas no organismo. Em condições normais, 
a concentração média de proteínas no plasma é de cerca de 7 g/dl. Essa 
concentração pode variar de acordo com necessidades específicas, dieta e 
outros fatores. A concentração pode aumentar ou diminuir para atender às 
demandas do organismo. 
Além disso, as proteínas são constantemente catabolizadas, o que 
envolve sua degradação em aminoácidos. Esses aminoácidos podem ser 
reutilizados para a síntese de novas proteínas ou para outras funções vitais. 
Essas proteínas plasmáticas são fundamentais para a manutenção do 
equilíbrio e funcionamento adequado do tecido sanguíneo, garantindo que o 
ambiente do sangue seja favorável para as células e os processos do corpo. 
Além disso, algumas dessas proteínas estão envolvidas no sistema imunológico 
e desempenham um papel crucial na defesa do corpo contra infecções e 
 
 
8 
doenças. Por fim, diferentes proteínas têm diferentes meias-vidas, ou seja, têm 
uma duração variável. Algumas podem ser produzidas e durar apenas alguns 
dias, enquanto outras persistem por semanas, meses ou mais, dependendo de 
suas funções. Essa diversidade de meias-vidas permite que o organismo atenda 
a necessidades específicas de transporte de substâncias no sangue. 
Em resumo, as proteínas plasmáticas desempenham um papel 
multifuncional no corpo, sendo essenciais para a homeostase, defesa e 
transporte de substâncias vitais, e sua concentração e renovação são 
cuidadosamente reguladas para atender às necessidades do organismo, razão 
pela qual merecem esse destaque neste estudo. 
3.1 Albumina 
Produzida pelos hepatócitos no fígado, a albumina é uma proteína 
plasmática de notável importância. Ela desempenha um papel central na 
regulação da pressão osmótica do plasma sanguíneo, o que, por sua vez, 
impacta diretamente o equilíbrio hídrico e ácido-base do corpo. Além disso, a 
albumina atua como uma proteína transportadora versátil para uma ampla 
variedade de moléculas endógenas, incluindo hormônios, ácidos graxos, 
metabólitos e até mesmo substâncias farmacológicas. 
O processo de síntese da albumina envolve a produção inicial de uma pré-
proteína pelos hepatócitos, seguida por uma subsequente etapa de 
processamento proteolítico que resulta na forma final da albumina. Devido à sua 
produção hepática, quaisquer disfunções que afetem a função do fígado podem 
resultar em uma redução na síntese de albumina. Portanto, a dosagem da 
albumina no sangue se torna um dos indicadores essenciais para auxiliar na 
avaliação da função renal, quando combinada com outros exames clínicos. 
Lesões hepáticas, condições patológicas e até a desnutrição podem contribuir 
para a diminuição dos níveis de albumina no sangue, resultando em 
desequilíbrios no tecido sanguíneo. 
Pela grande quantidade produzida (em comparação as outras 
proteínas plasmáticas) e pela participação dela na manutenção do 
equilíbrio do ambiente no tecido sanguíneo, a albumina ganha destaque e 
referência em exames. 
Além da albumina, existem outras proteínas cujo aumento ou diminuição 
geram informações sobre a saúde do indivíduo. Proteínas globulares (daí o 
 
 
9 
nome), pouco hidrossolúveis, coaguláveis pelo calor, desempenham diferentes 
funções. Elas ganham atenção aqui porque podem, em conjunto com a 
albumina, ser analisadas em Eletroforese de Proteínas Séricas (EPS). 
3.2 α-globulinas 
As α-globulinas, divididas em a1-globulinas e a2-globulinas, possuem 
funções distintas, por isso, quando analisadas, seu aumento ou diminuição 
devem ser investigados separadamente, dependendo do caso, pois mesmo 
pertencendo à mesma família de globulinas existem diferenças de função 
consideráveis entre as α1 (Quadro 1) e as α2 (Quadro 2). 
Quadro 1 – α1-globulina: tipos e funções 
α1-globulina Função 
α1-antitripsina 
Principal fração a1 no plasma, com função de 
inibir serino proteases tripsina, elastase e 
quimiotripsina. 
α1-glicoproteína ácida 
Importantíssima na mucoproteína. Utilizada 
laboratorialmente no monitoramento de 
processos inflamatórios em geral (porém é 
menos sensível que a proteína C reativa, que é 
a proteína de referência nesse caso) e eleva-se 
em casos de proliferação celular. 
α1-fetoproteína 
Essas globulinas são produzidas no fígado de 
crianças até 1 ano de idade, e após esse 
período sua produção diminui 
progressivamente, pois é uma globulina muito 
produzida durante o período de 
desenvolvimento do feto. É laboratorialmente 
analisada porque seu aumento se relaciona com 
o diagnóstico de câncer hepático. 
Carreadoras de hormônio SHBG 
Mantêm sob controle a quantidade de 
hormônios disponíveis, se ligando a uma parte 
deles e evitando que uma grande quantidade 
esteja livre (biodisponível ou não conjugada). 
Quadro 2 – α2-globulina: tipos e funções 
α2-globulina Função 
Haptoglobina Seu aumento está relacionado à hemólise, pois sua funçãoé se ligar 
à hemoglobina extracorpuscular. 
α2-macroglobulina 
Uma antiprotease não específica, que está envolvida na regulação 
da coagulação do sangue (inibindo a plasmina) e na regulação da 
resposta imune, além de também realizar carreamento de 
hormônios. 
Celuroplasmina Globulina que atua no transporte de cobre, importante para síntese 
de melanina e no trabalho de cuproenzimas. 
 
 
10 
3.3 β-globulinas 
As β-globulinas, divididas em β1 (Quadro 3) e β2 (Quadro 4), possuem 
diferentes funções fisiológicas e de uso em investigação laboratorial. 
Quadro 3 – β1-globulina: tipos e funções 
β1-globulina Função 
Transferrina Transporte de ferro do intestino para a medula óssea e outros órgãos. 
Ferritina 
Importante para armazenar o ferro sérico. Sua concentração é 
proporcional à quantidade de ferro, acompanhando seu aumento ou 
diminuição. 
 Apoferritina – quando não ligada ao ferro. 
 Hemossiderina – quando há pouco ferro ligado a essa globulina. 
Hemopexina Globulina que atua no transporte de cobre, importante para síntese de 
melanina e no trabalho de cuproenzimas. 
Quadro 4 – β2-globulina: tipos e funções 
β2-globulina Função 
Complemento C3 
Uma das proteínas solúveis do sistema complemento no sangue que 
participam da defesa (natural e adquirida) que opsonizam (marcam a 
superfície) os patógenos, sinalizando para o processo de fagocitose. 
A deficiência de C3 é característica de doenças tipicamente 
consumidoras do complemento (como o lúpus eritematoso sistêmico) 
e em infecções recorrentes. 
β2-microglobulina 
Quando comparada a outras globulinas já apresentadas aqui, esta 
encontra-se em baixas concentrações. Seu aumento então é um 
indicativo de aumento de renovação celular e deve ser sempre 
encarada como informação complementar. Eleva-se em inflamações 
crônicas, doenças renais e infecções virais, podendo aumentar 
também em leucemias e linfomas. 
3.3 β-globulinas 
3.3.1 γ-globulinas 
As γ-globulinas, conhecidas como imunoglobulinas, são as proteínas ditas 
de defesa. São as globulinas que, devido a sua função, estão em maior 
quantidade no plasma, porém as encontramos também em outros fluidos 
corporais, como fluido lacrimal, por exemplo, ou estrategicamente posicionadas 
na membrana dos linfócitos B exercendo papel de receptoras. 
Aprofundaremos o conhecimento durante os estudos em imunologia. No 
momento, iremos discuti-las como proteínas presentes no plasma, lembrando 
que, quando analisadas, seu aumento tem um significado importante. Vamos 
 
 
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apresentar agora os isotipos (Quadro 5) e, logo em seguida, explicar o uso da 
EPS como análise das proteínas plasmáticas em laboratório. 
Quadro 5 – γ-globulina (imunoglobulinas): tipos e características 
γ-globulina 
(imunoglobulina) Características 
IgG 
É a imunoglobulina de maior concentração; apresenta ação contra 
antígenos e encontra-se igualmente distribuída nos compartimentos 
extracelulares, além de ser capaz de ultrapassar a barreira 
placentária. 
IgA É a segunda maior concentração das imunoglobulinas. Está em 
grande concentração em outros fluidos corporais e mucosas. 
IgM 
A terceira maior concentração pertence a esta enorme 
imunoglobulina. Sua estrutura é de um pentâmero (5 imunoglobulinas 
em uma única estrutura). 
IgE Apresenta aumento de sua pequena concentração em quadros de 
hipersensibilidade, quadro alérgico e doença parasitária. 
IgD Participa da ativação de linfócitos B, estando em suas membranas e 
também sendo secretadas em pequenas quantidades. 
Essas proteínas apresentadas até aqui são analisadas em laboratório por 
meio da técnica de EPS. 
TEMA 4 – ELETROFORESE DE PROTEÍNAS SÉRICAS EM ANÁLISE 
LABORATORIAL 
A EPS é um método de separação que permite fracionar as proteínas 
presentes no plasma sanguíneo humano em frações distintas. Essa técnica, 
amplamente utilizada em bioquímica e biologia molecular, é empregada para 
separar componentes com base em suas massas moleculares. Funciona da 
seguinte maneira: quando um sistema é submetido a uma corrente elétrica em 
um meio apropriado contendo eletrólitos, as moléculas se deslocam de acordo 
com sua carga elétrica e massa molecular. 
Essa técnica de eletroforese é aplicada na bioquímica para a separação 
de proteínas e na biologia molecular para a separação de fragmentos de DNA. 
É notável por sua simplicidade de execução e análise. Após a realização do 
procedimento, o resultado é obtido pela visualização das bandas que se formam 
após a coloração das amostras. 
O processo inicia-se da seguinte forma: 
• prepara-se uma solução contendo eletrólitos; 
• prepara-se a cuba de eletroforese; 
 
 
12 
• insere-se uma matriz de acetato de celulose na cuba de eletroforese, 
saturada com a solução de eletrólitos. 
• pipeta-se uma pequena quantidade de soro sanguíneo na matriz de 
acetato de celulose; 
• liga-se à corrente elétrica e aguarda-se o tempo de separação, que varia 
de 5 a 10 minutos, dependendo do equipamento utilizado (recomenda-se 
consultar as especificações do fabricante). 
Vale ressaltar que, para melhorar a eficiência da separação por 
eletroforese de proteínas, é comum o uso de SDS (dodecil sulfato de sódio), que 
confere uma carga negativa às proteínas, facilitando seu movimento em direção 
ao polo positivo. 
Em termos simples, a eletroforese permite a visualização da posição dos 
analitos de acordo com suas massas moleculares. Analitos de menor massa, ou 
seja, mais leves, percorrem uma distância maior na matriz, enquanto aqueles de 
maior massa deslocam-se em uma distância menor. Isso ocorre no meio de 
eletroforese durante o procedimento, permitindo a separação e visualização das 
diferentes proteínas presentes no plasma sanguíneo. 
Literalmente, você verá ao final do processo a separação dos elementos 
biológicos ao longo do meio escolhido por causa de sua massa, ou seja, quanto 
maior e mais pesada for a proteína, por ser “pesada” a corrente elétrica, haverá 
mais dificuldade de arrastá-la, por isso essa proteína pesada percorre um 
caminho menor. A proteína mais leve percorre um caminho maior. Separar o 
mais pesado do mais leve na corrente elétrica é um bom resumo da explicação 
da eletroforese. Olha o esquema abaixo na Figura 2 e a explicação do professor 
na videoaula. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 2 – Deslocamento de proteínas ao longo da fita de eletroforese 
 
 
(A) a amostra de soro é colocada no lado em que o polo negativo será ligado, todas as proteínas 
estão juntas. 
(B) Após acionar a fonte elétrica, a passagem da corrente irá movimentar as moléculas em 
direção ao polo positivo, pois a amostra pipetada foi tratada com SDS. 
(C) As moléculas mais pesadas, de maior massa molecular, se movimentam pouco quando 
comparadas às moléculas mais leves, de menor massa molecular que se aproximam mais do 
polo positivo. 
Ao final da eletroforese, a fita será exposta ao procedimento de coloração 
para visualizarmos a posição dos diferentes grupos de proteínas plasmáticas e 
observarmos o aumento ou diminuição de determinado grupo, correlacionando 
com outros exames e auxiliando no diagnóstico. 
Esse procedimento é importante porque podemos utilizar a eletroforese 
de proteínas séricas para separar as proteínas plasmáticas e observar o 
aumento ou diminuição, ou seja, quanto mais escura for uma banda (devido ao 
acúmulo de várias proteínas iguais de mesma massa molecular), maior será a 
concentração daquele tipo de proteína no plasma. Veja a Figura 3, a seguir. 
 
 
 
 
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Figura 3 – Concentração dos diferentes tipos 
 
Crédito: extender_01/Shutterstock. 
 
*Quanto maior for o gráfico, mais estará concentrado. A albumina, por ser a proteína mais 
concentrada, apresenta a banda mais concentrada, mais densa e mais escura. Abaixo do gráfico 
está a fita onde ocorreu a eletroforese e o posicionamento das bandas e suas diferentes 
concentrações. 
TEMA 5 – O USO DA ELETROFORESE DE PROTEÍNAS SÉRICAS EMBIOQUÍMICA 
 A EPS desempenha um papel fundamental na bioquímica laboratorial, 
fornecendo informações cruciais sobre o estado de saúde e a fisiologia de um 
indivíduo. Sua importância reside na habilidade de separar e identificar as 
diversas proteínas presentes no plasma sanguíneo, o que se reflete em diversas 
aplicações clínicas. Ela torna-se especialmente valiosa para: 
• avaliação da função hepática – o fígado sintetiza a maioria das proteínas 
plasmáticas, com destaque para a albumina. A EPS é um método 
altamente sensível para identificar distúrbios hepáticos, como cirrose ou 
hepatite, que podem resultar em uma redução na síntese proteica. Assim, 
 
 
15 
ela é empregada como um indicador crucial na avaliação da função 
hepática; 
• diagnóstico de mieloma múltiplo – no contexto do mieloma múltiplo, um 
câncer que afeta as células plasmáticas da medula óssea, a EPS 
desempenha um papel essencial. Proteína monoclonal, também 
conhecida como imunoglobulina monoclonal ou M-proteína. Essa proteína 
é uma característica distintiva do mieloma múltiplo, um câncer das células 
plasmáticas na medula óssea. No mieloma múltiplo, as células 
plasmáticas cancerosas produzem quantidades anormais de uma única 
classe de anticorpo, que é a imunoglobulina monoclonal. Essa 
imunoglobulina monoclonal é denominada “proteína M” ou “componente 
M” e pode ser detectada no sangue ou na urina dos pacientes com 
mieloma múltiplo. A presença da proteína M é uma parte importante do 
diagnóstico dessa condição. A eletroforese de proteínas séricas é uma 
das técnicas laboratoriais utilizadas para identificar e quantificar a proteína 
M no soro sanguíneo, o que auxilia no diagnóstico e monitoramento do 
mieloma múltiplo; 
• monitoramento de distúrbios proteicos – a eletroforese é empregada tanto 
no diagnóstico quanto no acompanhamento de distúrbios relacionados à 
produção de proteínas, como a amiloidose, uma condição na qual 
proteínas anômalas se acumulam nos órgãos. Além disso, ela auxilia na 
identificação de distúrbios na gamaglobulinação, como a gamopatia 
monoclonal de significado indeterminado (MGUS); 
• avaliação do estado nutricional – a concentração de proteínas no plasma, 
em especial da albumina, serve como um indicador do estado nutricional 
de um indivíduo. A diminuição dos níveis de albumina pode sugerir 
desnutrição, enquanto níveis adequados são essenciais para o 
crescimento e a reparação dos tecidos; 
• detecção de distúrbios renais – a eletroforese de proteínas, quando 
combinada com outros exames, é utilizada para avaliar a função renal. 
Alterações nas concentrações de proteínas podem indicar problemas 
renais, como a síndrome nefrótica; 
• avaliação do sistema imunológico – essa técnica é valiosa na avaliação 
do sistema imunológico, uma vez que muitas proteínas envolvidas na 
resposta imunológica são identificadas por meio dela. Mudanças nas 
 
 
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concentrações de imunoglobulinas podem sinalizar distúrbios 
imunológicos; 
• monitoramento de tratamentos – a eletroforese é empregada para 
monitorar a eficácia de tratamentos, como a terapia de reposição de 
proteínas em distúrbios de imunodeficiência ou tratamentos para 
distúrbios relacionados à gamaglobulinação; 
• Investigação de anormalidades não específicas – quando um paciente 
apresenta sintomas inespecíficos, como fadiga ou perda de peso 
inexplicada, a eletroforese de proteínas pode ser uma primeira etapa na 
busca por anormalidades subjacentes. 
Em síntese, a EPS é uma ferramenta clínica de grande relevância, 
desempenhando um papel crucial na avaliação e diagnóstico de uma ampla 
variedade de condições médicas. Sua capacidade de identificar distúrbios 
hepáticos, cânceres, doenças renais, problemas imunológicos e desordens 
nutricionais a torna uma ferramenta inestimável na prática da bioquímica clínica. 
Ela permite aos profissionais da saúde compreender a fisiologia do organismo e 
identificar anormalidades que podem necessitar de intervenções médicas. 
NA PRÁTICA 
Faça como exercício e discuta durante as videoconferências e encontros 
presenciais os seguintes desenhos: uma fita de eletroforese de uma pessoa com 
problemas hepáticos cujo exame mostra diminuição da albumina. Um outro 
desenho seria de uma pessoa com uma infecção, nesse caso há um aumento 
considerável dos anticorpos para combater o patógeno. Como seriam essas 
fitas? 
FINALIZANDO 
Nosso sangue é composto, além das células sanguíneas, de várias 
proteínas com funções diferentes. É muito importante ter em mente a 
constituição sanguínea para podermos entender por que o sangue é a amostra 
com maior número de possibilidades de análises laboratoriais. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ALBERTS, B.; JOHNSON, A.; LEWIS, J. et al. Biologia molecular da célula. 6. 
ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 
NELSON, D. D.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 7. ed. 
São Paulo: Artmed, 2019. 
SHERWOOD, L. Fisiologia humana: das células aos sistemas. 7. ed. São 
Paulo: Cengage Learning, 2011. 
	CONVERSA INICIAL
	POR QUE ESTUDAR A ORIGEM DOS ANALITOS LABORATORIAIS?
	TEMA 1 – A amostra mais rica e informativa em patologia clínica: O sangue
	TEMA 2 – O conteúdo solubilizado do Plasma
	TEMA 3 – PROTEÍNAS PLASMÁTICAS
	TEMA 4 – Eletroforese de proteínas séricas em análise laboratorial
	TEMA 5 – O uso da Eletroforese de proteínas séricas em Bioquímica
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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