O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado
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O Assitente Social Como Trabalhador Assalariado


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0 assistente social com0 trahalhador assalariado:
desafios frente às violaçoes de seus direitos'
The socialworker as a ttage eârner:
challenges due to the violations of his rights
Baquel Raichelis-'
ReSumo: Estc aÍtigo tcÍi por objetiro problenEtizar illguÍiias das
dlmeilsõés do procesD-o dp prec?:izrúo do trabalho do'assistente súciôl
no contexto das irs;slbrnições r r:ri::rniçr1es dc lrabalho na côrrtem-
.pcraneidadq buscanCc e:e!is:::i: nuuas r-on5gurações e dema::das
qug:sê cxpÍcssarn ncs elp1ço.§ sôirc-ocuplcionais, bent c»rno a viola-
ção rle dire.itos a quc tambóm d suhrrratiCr> o profissional na condiçâo
de trabalhaúor assalariad,r.
?almras-chave: Scrviçn Social. Tabalho. precarizrção. Trabalhador
assalariado. Volaçâo de Clreitos.
 bstrac(: This articlc ains at questioni.rg.§ome oÍ thc cllmensions of the pÍdcess of rnaking.the
soci:l.rvorlieris job precaiious io :hs contcxt;íthe trs:FÍi.rmrti,rns snd rsdefinhions ofuork in-con-
tc;:iJ.r!r,v'í.itnes. It ornlyzcs the :rcw fctrnl ani denraniis in s.riai-cccupaüonal spacei, as rveil.as-the
violation offights that the professionul as a uage earner is submitted to.
Keyrotd.s: Sccial Service. Work. Precarious. \tr'ale earner. Volation o[ rights
I ArÍigc bascado na palestÍa profcrida em,nesa-Ícdo&la rjo 40 Semilário Auual dc Seniçrr social:
Ctl.Íe.lo @Pltal, ülbalho e //ítas de rwrsténcr: assistmtes sociais lro elrfrentilnc,tto da supdcxplomção c
do dcsgülÊ Íisico c mcntal. prcmovido pcla cortcz Edilora cm l6 drs maio de 201 l, no Tuce, âuditóÍio dâ
PUC'SP. Agradcço a Eelc Borgiami pcla troca de idciss c sugcslões quc irspiram vârias jdcias abordadas
[;ste trx1o, scodo o scu dsseuvolvimeÀro dc mhh! iDtcira rcsporsabilidadc.
'r Assistcnrc social, m\u20acstrc c doutoÍa cm scruíço social pcla puc-sp/sâo paulo, Brasil. coordcnado-
Íâ do Nucleo dê Estudos c Pssquisas sobre Trabalho c Proniseo do PrcgÍamã de Estudos pós-GÍaduados cm
ScÍviço Social da PUGSP; pes.quisadorâ dâ Coordenadorií dc Estudos c Desctvolvimento rle prcjctos Es-
pecia! dâ PUc-sP (cedpc); atual ooordcnâdoÍado pÍogrma dc Estudo! pós-oradutlos cm scruiço social
(201 l-13), da mcsma univcrsidadc. Pêsquisâdora do CNpq, Ê:-racft nichclis@uol.conr.br.
<J\ê»,ro 5
lntrodução
D esde a eclosão da crise mundial do capitalismo de base fordista, emmeados dos anos de 1970, a questão sociat vem assurnindo novasconfigurações c manittstações, pela sua estreita rclação com as trans-formações operadas no &quot;mu[do do trabalho,,, em suas formas de or-
ganização, regulação c gestão, e com as redeiinições no âmbito do Estado e das
políticas públioas.
O processo de flexibilização do trabalho e dos direitos daí derivados são ele-
nrerrtos centrais da nova morfologia do lrabalho (Antunes. 2005), no contexto da
reeltfuturação produtiva e das polÍticas nqoliberais, a partir do suposto receitufuio
para eirfrentarnento da crise clo capital diante dos seus processos de mundialização
e financeirização.
Nesse movimenio dc profuudas transformações do trabalho e da vida social,
consolidou-se &quot;o binôrnlo flexibillznção/precarização e a pe.rda da razão sc'cial do
trabalho, com a reafi:ml-;?:c.d'r.lurroe da competitividade üonio.es:;:riuiâdlarÊs do
inundodo trabalho adesi s!tc,<1..,'.!iscurso e deprogramas de responsai i:idê(i: scctÀll,
(Franco,DruckeSeiignian.S!i,.,a,20l0,p.233).
Ao contráric das iricias quelCvoganr o fim do trabalho e da cirs:c operária,
trata-se de um pmcesso ..'rmpler:s e inultifacetado, que não atingiu apcnas a clusse
opeúria, mas, ao contnaiio,.incide lbrtemente, ainda que cle tôina dcsigual, no
conjunto dos assalariados r: der grrqros sociais gue vivem do trat_ralho (Hirata e
Pretéceillc, 2C02).
No caso do Brcsil.:oiirJe a'precarização do trabalho, a rlgor. i.âo pocie ser
tratadacomo um fenômeno novo, considerando suaexistência desde os primórdios
da sociedade capitalista urbano-industrial, as diferentes formas de precarização do
trabalho e do emprego Ílssumem na atualidade novas configurações e manifestações,
cspecialmente a partir dos anos 1990, quando se presenciam mais claramente os
influxos da crise de acumuiação, da contrarrcforma do Estado e da cfetivação das
políticas neoliberais.
Em um contexto societário de transformações no trabalho de tal monta, mar-
oaCo pela rctração e, mesmo. pela erosão do trabalho conEatado e rcgulamentado,
lrcm como dos direitos sociais c trabalhistas, ampliam-se também as relações entre
trabalho e adoecimento, repercutindo na saúde Íisica e mental dos trúalhadores,
nas formas de objetivaçãn e subjetivação do trabalho.
Sery. Soe Soc. São Paulo. Ír 107. p. 420437. rut /sel 2Ot Í 4Zl420 S\u20acry. Soq §oc- São Paulo, G 107. O. 42G437. iuL,/sl ZOt,l
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izaçáo t p tccari zação atinge tam bém o rrab ar ho do
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imediatos, ausê,cia o&quot; n':-l:|'j.]t 
pelo aumento da produtividad&quot; 
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pectivas de progressão eorlzonÍes 
profissionais de mais tongo ,'*., *,&quot; r. 0&quot;,=-
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na carreira' ausência a* potiiitu';. ;;#;;
*r,**l,lrjl,iii,f:::&quot;r dimensões do processo de precarização do trabalho do
contemporaneiouo., 
. u,'&quot;nl'Jul::iffif;[T:ffi ::llH:: [**i::espaços sócio_ocupacionais, be1 
&quot;o,ro 
u violaçao àe direitos a que tambem é
;#::,*., 
profissional na condiçâo de trabaliaJor assatariado são os objetivos
0 seruiço sociar na divisâo socíotécníca d0 trarrarho e o processo de
Nas úitimas. três décadas nrêêah,.i^,, .,^ ..,
sociar brasireir&quot;, o&quot;-&quot;u.&quot;-,11lfl':ffi;:Ji:;i:::Íicath,: avarro do serviço
ri ca' q uar i n c-a ção du .u o produ ça o ci entifi c a. ; 
&quot;il J;?#j[11ffi:':J II-dades científicas e de representação polÍtica.
É na década de t9g0 oue sp i.tpni;ff^n i*_^_.-
reórica da pronssão, 
&quot;;; i:ff&quot;,ili,T,i'::i#fi:r: J*lÂ: iiffiffr:::brindam, a partir do contributo da teoria social J. ún*
rat do serviço sôcia! no processo 0&quot;,&quot;&quot;a-;ou.; ;;;,iofl :I^r:f§:'f:,-&quot;;capitalistas, paÍicularizando $,a inscrcâo ,&quot; iiirír&quot;.,., e técnica do trabaJho ereconhecendo o asslstentc social como traUoft uaoa urrufuriuao.
É amplamente conhecido o impacto dessa contribuiç âo para aruptura da pro-fissâo com o legado consenador de sr_ 
&quot;r,r* . O.a,iau quot a análise do signi_ficado sociat da profrssão ganha novos odr;;:;;;;eio da ampta inrerlocuçãocom a koria social crítica e o pensamenÍo social clássico c contemporâneo.
Contudo. e as iecente
atençãoparaisso,não0.,,,'.,Xll'#,.,1i:J,ffT.UJi:ffJrrJ.:I&quot;,:ffi I:políticas rnais profundas reracíorrd* uo r..onh.&quot;ir.* oa assistente sociar corno
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Serv. Soc. soc.. São paulq tr t77,p- 4iç43l.iul./set11ll
trabalhador assarariado de instituições púbricas e privadas, resultante do processo
1';:'&quot;&quot;r:ltJil'&quot;zação 
e institucionalizaiao o&quot; or&quot;í*&quot; nos marcos do ca;,i1n1156n
Afirrnar quc o serviço social é uma proâssào inscrita na crivisão social etéonica do trabalhr como- uma especiarização do trabalho coretivo, e identificar o
::ffi i?::fi :JT.1L,:T.#itlit11l,ir&quot;lff Í*H;IffiJil.#como o Estado, as org4nizações privadas 
..pr*rJuir, 
&quot;a&quot; *.&quot;.rr1.*&quot;r, &quot;&quot;patronais' Trata-se de uma interpretaçao oaproissão que pretende desvendar suaspurticuraridades como parte do trabaiho *r&quot;,i&quot;&quot;, ,r&quot; 
&quot;ez 
que o trabarho não é aação isorada de um indivÍduo, mas é sempre 
&quot;i*,o&quot;ir coletiva de caráter emineir-temente social. i ttrl Elnlnen-
O Serviço Social como profissão emeÍge na sociedade capitalista 
.r;rL,estágio nronopo I ista, contexto 
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rã o_&quot;r.o/, !&quot;1; .;;;;;&quot;;ià_*idernanda do Estado mecanismos o. iol*rnçao -nrto uo.oo, econômico-s, mas-.
:ilinfii;::: H,;1'sua instit'lrcion;;;Á'';i?e;;;&quot; ;;;;o*i,:
seq:rsrasemanirestaçõc.l&quot;T,:'ff ::'&quot;&quot;.1;..t.;,r:Ii:k&quot;:,:rlll,lj,lJ,,i;[*l3Í:,L
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