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1 2 SENSIBILIDADES SENSORIAIS, RIGIDEZ COMPORTAMENTAL E ADESÃO A ROTINAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO E NA QUALIDADE DE VIDA. Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por alterações no neurodesenvolvimento que afetam a comunicação, a interação social e os padrões comportamentais, frequentemente associados a sensibilidades sensoriais atípicas, rigidez comportamental e forte adesão a rotinas. Este estudo tem como objetivo analisar de que maneira essas características influenciam o desenvolvimento global e a qualidade de vida de indivíduos com TEA, considerando aspectos cognitivos, emocionais e sociais. A metodologia adotada será de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e quantitativa, por meio de revisão bibliográfica recente, aplicação de instrumentos padronizados e, quando possível, coleta de dados com familiares e profissionais que acompanham pessoas com TEA. Espera-se identificar como as particularidades sensoriais podem impactar a adaptação aos diferentes ambientes, bem como compreender de que forma a previsibilidade das rotinas pode contribuir tanto para a organização do cotidiano quanto para possíveis limitações na flexibilidade comportamental. Pretende-se, ainda, discutir estratégias de intervenção que favoreçam a autonomia, a inclusão social e o bem-estar, respeitando as especificidades de cada indivíduo. Como avanço científico, a pesquisa busca ampliar a compreensão sobre a relação entre processamento sensorial, comportamento e qualidade de vida, oferecendo subsídios para práticas educacionais e terapêuticas mais eficazes e humanizadas. O estudo poderá contribuir para o desenvolvimento de abordagens que promovam maior participação social e melhores condições de desenvolvimento para pessoas com TEA, além de apoiar familiares e profissionais na construção de ambientes mais acessíveis e responsivos às necessidades desse público. Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; sensibilidades sensoriais; rigidez comportamental; qualidade de vida. SENSORY SENSITIVITIES, BEHAVIORAL RIGIDITY, AND ADHERENCE TO ROUTINES IN AUTISM SPECTRUM DISORDER: IMPACTS ON DEVELOPMENT AND QUALITY OF LIFE. Autism Spectrum Disorder (ASD) is characterized by neurodevelopmental changes that affect communication, social interaction, and behavioral patterns, often associated with atypical sensory sensitivities, behavioral rigidity, and strong adherence to routines. This study aims to analyze how these characteristics influence the overall development and quality of life of individuals with ASD, considering cognitive, emotional, and social aspects. The methodology adopted will be applied in nature, using both qualitative and quantitative approaches through a recent literature review, the application of standardized instruments, and, when possible, data collection involving family members and professionals who support individuals with ASD. The study is expected to identify how sensory particularities may impact adaptation to different environments, as well as to understand how the predictability of routines can contribute to daily organization while also potentially limiting behavioral flexibility. Additionally, the research intends to discuss intervention strategies that promote autonomy, social inclusion, and well-being while respecting the specificities of each individual. As a scientific contribution, this research seeks to expand the understanding of the relationship between sensory processing, behavior, and quality of life, providing support for more effective and humanized educational and therapeutic practices. The study may contribute to the development of approaches that foster greater social participation and improved developmental conditions for individuals with ASD, as well as assist families and professionals in creating environments that are more accessible and responsive to the needs of this population. Keywords: Autism Spectrum Disorder; sensory sensitivities; behavioral rigidity; quality of life. 3 4 1. INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista constitui uma condição do neurodesenvolvimento marcada por particularidades na comunicação social, na reciprocidade emocional e na organização comportamental, refletindo uma configuração neurológica que desafia modelos tradicionais de desenvolvimento humano. A descrição clínica apresentada pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders consolidou critérios diagnósticos que enfatizam padrões restritos de comportamento e respostas sensoriais incomuns, ampliando a compreensão do espectro para além de déficits comunicativos (American Psychiatric Association, 2013). Tal ampliação favoreceu a emergência de investigações que buscam interpretar o autismo sob uma perspectiva menos deficitária e mais centrada na diversidade neurobiológica. A heterogeneidade constitui um dos traços mais intrigantes do espectro, exigindo abordagens analíticas capazes de contemplar trajetórias desenvolvimentais múltiplas e frequentemente imprevisíveis. Estudos longitudinais revelaram padrões distintos de crescimento nas habilidades verbais, indicando que o desenvolvimento linguístico pode seguir ritmos não lineares e fortemente influenciados por fatores ambientais e interventivos (Anderson et al., 2007). Esse panorama reforça a necessidade de compreender o TEA como um campo dinâmico, no qual variáveis biológicas e contextuais se entrelaçam. A incorporação das sensibilidades sensoriais aos critérios diagnósticos redefiniu o modo como se interpretam determinadas condutas anteriormente classificadas como meramente disruptivas. O manual diagnóstico enfatiza que reações intensificadas ou reduzidas a estímulos ambientais configuram manifestações clínicas relevantes, com impacto direto na adaptação cotidiana (APA, 2013). Tal reconhecimento contribuiu para deslocar o foco interpretativo do comportamento isolado para os processos perceptivos subjacentes. Experiências sensoriais atípicas podem remodelar a forma como o mundo é percebido, produzindo realidades subjetivas frequentemente inacessíveis à observação imediata. Investigações contemporâneas sugerem que tais experiências não representam simples distorções perceptivas, mas modos alternativos de organização neural que influenciam o engajamento social e cognitivo (Aykan; Nalçacı, 2018). Essa compreensão convida a uma leitura mais sensível do comportamento autista, afastando interpretações reducionistas. Rigidez comportamental emerge, nesse cenário, como um fenômeno que ultrapassa a noção de resistência voluntária à mudança. O enquadramento diagnóstico aponta que padrões repetitivos podem funcionar como dispositivos regulatórios diante de ambientes percebidos como instáveis (American Psychiatric Association, 2013). Sob essa perspectiva, a previsibilidade adquire valor adaptativo, operando como um recurso de proteção psíquica. Rotinas estruturadas frequentemente oferecem uma arquitetura temporal capaz de organizar a experiência diária e reduzir a sobrecarga cognitiva. Pesquisas sobre intervenções comunicativas na 5 infância demonstraram que contextos previsíveis favorecem a mediação de efeitos terapêuticos e ampliam oportunidades de interação significativa (Aldred et al., 2012). A estabilidade ambiental, portanto, pode ser interpretada como um suporte para a construção de competências emergentes. A discussão acerca do desenvolvimento no TEA requer atenção à complexidade dos processos que sustentam a aprendizagem social. Avaliações sobre teoria da mente indicam que a compreensão de estados mentais pode ser investigada por meios inovadores, como tarefas relacionadas ao humor, revelando nuances frequentemente ignoradas por instrumentos tradicionaise clínicas. O manual do WISC-III ressalta a importância de interpretar resultados à luz do contexto e das características individuais, evitando leituras deterministas (Wechsler, 2002). Medir implica compreender. A compreensão inferencial de narrativas representa habilidade essencial para a participação escolar, pois sustenta interpretações críticas de textos e eventos. Estudos recentes observaram que crianças no espectro podem necessitar de mediações específicas para alcançar níveis mais sofisticados de entendimento (Westerveld; Filiatrault-Veilleux; Paynter, 2021). Mediação qualificada amplia repertórios. Perfis comunicativos e sociocognitivos revelam combinações variadas de competências, afastando concepções homogêneas do espectro. Investigações pioneiras identificaram padrões distintos de interação, reforçando a necessidade de avaliações detalhadas (Wetherby; Prutting, 1984). Diversidade desafia estereótipos. A qualidade de vida, entendida como experiência subjetiva de satisfação e possibilidade de autodeterminação, depende da capacidade coletiva de construir sociedades acolhedoras. O reconhecimento científico das especificidades do autismo tem impulsionado práticas mais inclusivas e humanizadas, apoiadas em evidências acumuladas ao longo de décadas (Volkmar et al., 2004). Quando ambientes se tornam responsivos, trajetórias ganham densidade, e o bem-estar deixa de ser ideal abstrato para converter-se em realidade tangível. 27 3. CONCLUSÃO A compreensão das sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a rotinas no Transtorno do Espectro Autista revela um panorama que ultrapassa a noção de limitação e aponta para modos singulares de perceber e habitar o mundo. Essas características, quando interpretadas com responsabilidade teórica e sensibilidade humana, convidam educadores, profissionais da saúde e a sociedade a reformular concepções sobre desenvolvimento. O reconhecimento da diversidade neurológica amplia horizontes e promove leituras mais éticas acerca das diferenças. Sensibilidades sensoriais não devem ser vistas apenas como obstáculos, mas como expressões legítimas de um sistema perceptivo que opera sob outra lógica de organização. Ambientes ajustados, previsíveis e acolhedores transformam experiências potencialmente aversivas em oportunidades de exploração segura. Essa adaptação beneficia não somente a pessoa autista, mas também fortalece comunidades mais conscientes e preparadas para conviver com a pluralidade humana. A rigidez comportamental, frequentemente interpretada como resistência, pode ser compreendida como estratégia interna de estabilidade diante de um mundo muitas vezes imprevisível. Quando mediada com respeito, essa busca por constância torna-se ponto de partida para a construção gradual da flexibilidade. Processos educativos sensíveis reconhecem o valor da segurança emocional como fundamento para qualquer aprendizagem significativa. A adesão a rotinas demonstra o quanto a previsibilidade pode funcionar como ferramenta organizadora da experiência cotidiana. Estruturas claras favorecem antecipação, planejamento e sensação de controle, elementos essenciais para o bem-estar psicológico. O equilíbrio entre estabilidade e abertura ao novo permite que a pessoa amplie repertórios sem perder referências fundamentais. O desenvolvimento humano ocorre de maneira dinâmica, sendo profundamente influenciado pelas interações estabelecidas ao longo da vida. Relações marcadas por escuta qualificada e respeito às singularidades criam condições para que habilidades emergentes se consolidem. Cada avanço, por menor que pareça, representa um movimento relevante na construção da autonomia. A qualidade de vida está intimamente ligada à possibilidade de participação social genuína. Quando barreiras atitudinais são superadas, surgem contextos nos quais a presença da pessoa autista deixa de ser tolerada e passa a ser valorizada. Pertencer significa ser reconhecido como sujeito de direitos, desejos e potencialidades. Famílias desempenham papel essencial nesse percurso, oferecendo suporte afetivo e estabilidade emocional. O fortalecimento dessas redes favorece trajetórias mais seguras e contribui para que desafios sejam enfrentados com maior confiança. A parceria entre família e profissionais amplia a eficácia das intervenções e sustenta projetos de vida mais consistentes. 28 O campo educacional possui responsabilidade estratégica na promoção de experiências inclusivas. Escolas que investem em práticas flexíveis e metodologias diversificadas demonstram que aprender não é um processo uniforme. Ao acolher diferentes formas de compreender o mundo, a educação reafirma seu compromisso com a dignidade humana. A sociedade contemporânea caminha, ainda que de modo gradual, em direção a uma cultura mais inclusiva. Esse movimento exige revisão de paradigmas e disposição para abandonar modelos centrados na padronização. A valorização da neurodiversidade inaugura perspectivas nas quais diferenças deixam de ser vistas como falhas e passam a ser reconhecidas como parte da riqueza humana. O futuro aponta para a necessidade de políticas públicas, pesquisas e práticas profissionais cada vez mais integradas. Investir em formação continuada e em estratégias baseadas na empatia fortalece a construção de ambientes capazes de responder às múltiplas formas de existir. Transformações sociais consistentes nascem do encontro entre conhecimento e compromisso ético. Refletir sobre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e rotinas conduz a uma conclusão fundamental: o desenvolvimento floresce onde há compreensão. Quando o olhar social se desloca do déficit para a potencialidade, abre-se espaço para trajetórias marcadas por crescimento, participação e realização. 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Problemática Esta seção deverá apresentar o objeto de pesquisa, a definição do objeto de estudo, os propósitos da investigação, sua relevância acadêmica e social, bem como a pergunta norteadora da pesquisa. Deve incluir, ainda, a justificativa que fundamenta a proposta. Etapas desta fase: 2.1 Delimitação do problema 2.2 Caracterização do problema a ser estudado 2.3 Formulação do problema de investigação 2.4 Hipóteses (quando aplicável) 3. Objetivos da Pesquisa Nesta seção, deverão ser apresentados os objetivos geral e específicos relacionados ao projeto de pesquisa. Etapas desta fase: 3.1 Objetivo Geral Apresentar, de forma clara e direta, o propósito central da pesquisa. 3.2 Objetivos Específicos Descrever as etapas necessárias para o alcance do objetivo geral. 4. Impactos da Pesquisa Esta seção deverá explicitar, de maneira clara e objetiva, os impactos potenciais da pesquisa. 4.1 Impactos econômicos 4.2 Impactos sociais 4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) 37 5. Enquadramento Teórico Deverá ser desenvolvida uma revisão de literatura que sintetize o conhecimento existente sobre o tema, fornecendo embasamento teórico à pesquisa. Devem ser utilizadas referências relevantes e atualizadas, priorizando publicações dos últimos cinco (05) anos, contados a partir da data do processo seletivo. Excepcionalmente, poderão ser incluídos trabalhos seminais reconhecidos como referências fundamentais na área. 6. Metodologia Nesta seção, deverá ser descrito o percurso metodológico da pesquisa, classificando-a quanto: à abordagem (qualitativa, quantitativa ou mista); à natureza (básica ou aplicada); aos objetivos (exploratória, descritiva ou explicativa); aos procedimentos técnicos adotados. Etapas desta fase: 6.1 Local da investigação 6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 6.3 Procedimentos de coleta de dados 6.4 Resultados esperados 7. Cronograma Deverá ser apresentado um cronograma de atividades contemplando as etapas da pesquisa, sem se limitar às sugeridas abaixo, considerando o prazo de 24 meses para a conclusão do curso. Tabela xx – Cronograma de Atividades Etapa \ Mês/Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Tema conforme projeto submetido Levantamento bibliográfico Revisão bibliográfica Elaboração da proposta de qualificação Defesa pública da qualificação Coleta de dados Análise dos dados Redação da dissertação Revisão da dissertação Fonte: Elaboração do(a) próprio(a) pesquisador(a). Referências Deverão ser apresentadas as referênciasutilizadas na elaboração da proposta, em conformidade com as normas vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 38 SENSIBILIDADES SENSORIAIS, RIGIDEZ COMPORTAMENTAL E ADESÃO A ROTINAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO E NA QUALIDADE DE VIDA. Resumo O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças persistentes na comunicação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, frequentemente associados a alterações no processamento sensorial (American Psychiatric Association, 2022). Evidências científicas indicam que indivíduos com TEA podem apresentar hiperresponsividade ou hiporresponsividade a estímulos ambientais, influenciando diretamente a regulação emocional, o comportamento adaptativo e a participação social (Baranek et al., 2020). Nesse contexto, a rigidez comportamental e a forte adesão a rotinas podem emergir como estratégias de organização diante de ambientes percebidos como imprevisíveis, embora também possam limitar a flexibilidade cognitiva e a autonomia (Boyd et al., 2022). O presente estudo tem como objetivo analisar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas, investigando seus impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida de pessoas com TEA atendidas no Crescer. A pesquisa será de natureza aplicada, com abordagem mista e delineamento descritivo-correlacional. Serão utilizados instrumentos padronizados para avaliação do perfil sensorial e do comportamento adaptativo, além de entrevistas com cuidadores e profissionais. Espera-se identificar associações consistentes entre padrões sensoriais e dificuldades de adaptação a mudanças, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções mais individualizadas e baseadas em evidências. Como avanço científico, a pesquisa pretende ampliar a compreensão do papel do processamento sensorial na organização comportamental, favorecendo práticas terapêuticas e educacionais mais eficazes e promovendo melhores indicadores de qualidade de vida. Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; processamento sensorial; rigidez comportamental; qualidade de vida. 1. INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista é reconhecido como uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamento (APA, 2022). Nas últimas décadas, o avanço dos critérios diagnósticos e o aumento da conscientização social contribuíram para uma ampliação significativa das pesquisas na área. Entre os domínios emergentes nas investigações científicas está o processamento sensorial, atualmente incorporado aos critérios diagnósticos do TEA. Esse processo envolve a capacidade do sistema nervoso de receber, organizar e responder aos estímulos internos e externos (Dunn, 2021). 39 Estudos apontam que entre 70% e 95% das pessoas com TEA apresentam diferenças sensoriais clinicamente significativas, o que pode afetar a aprendizagem, a autorregulação emocional e a interação social (Baranek et al., 2020). Essas diferenças podem manifestar-se como hiperresponsividade, caracterizada por respostas intensas a estímulos, ou hiporresponsividade, quando há baixa reação sensorial (Robertson; Baron-Cohen, 2017). A literatura também evidencia que alterações sensoriais estão associadas a níveis mais elevados de ansiedade e maior ocorrência de comportamentos de evitação (Green et al., 2019). Nesse cenário, a rigidez comportamental frequentemente surge como um mecanismo adaptativo para lidar com a imprevisibilidade ambiental. A adesão a rotinas pode favorecer previsibilidade e reduzir o estresse, funcionando como um importante organizador cognitivo. Entretanto, quando excessiva, pode limitar experiências e dificultar a adaptação a mudanças (Boyd et al., 2022). Apesar dos avanços científicos, ainda são necessárias pesquisas aplicadas que investiguem essas relações em contextos reais de atendimento, aproximando o conhecimento teórico da prática profissional. O presente estudo será desenvolvido no Crescer, instituição especializada no atendimento interdisciplinar a pessoas com alterações do neurodesenvolvimento. 2. PROBLEMÁTICA Embora as alterações sensoriais sejam amplamente reconhecidas no TEA, ainda existem lacunas na compreensão de como essas diferenças influenciam diretamente a rigidez comportamental e a adaptação ao cotidiano. 2.1 Delimitação do problema O estudo delimita-se à análise da relação entre hipersensibilidades e hipossensibilidades sensoriais, especialmente auditivas, visuais, táteis e olfativas, e a manifestação de rigidez comportamental e adesão a rotinas em indivíduos com TEA atendidos no Crescer. 2.2 Caracterização do problema Dificuldades no processamento sensorial podem interferir na participação social, no desempenho acadêmico e nas atividades da vida diária. Muitos comportamentos considerados desafiadores representam respostas adaptativas a experiências sensoriais intensas (Schaaf; Mailloux, 2021). Prejuízos na flexibilidade cognitiva podem dificultar a adaptação a mudanças, favorecendo a manutenção de padrões comportamentais rígidos (Demetriou et al., 2018). 40 2.3 Formulação do problema de investigação Como as alterações no processamento sensorial influenciam a rigidez comportamental e a dificuldade de adaptação a mudanças em pessoas com Transtorno do Espectro Autista? 2.4 Hipóteses Indivíduos com maior reatividade sensorial tendem a apresentar níveis mais elevados de rigidez comportamental. Ambientes previsíveis favorecem a autorregulação emocional. Intervenções sensoriais podem contribuir para maior flexibilidade adaptativa e melhor qualidade de vida. 3. OBJETIVOS DA PESQUISA 3.1 Objetivo Geral Analisar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas, investigando seus impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida de pessoas com TEA atendidas no Crescer. 3.2 Objetivos Específicos Identificar os perfis sensoriais predominantes nos participantes. Avaliar níveis de comportamento adaptativo. Investigar a influência das rotinas na organização do cotidiano. Examinar associações entre processamento sensorial e flexibilidade comportamental. Elaborar recomendações para intervenções individualizadas. 4. IMPACTOS DA PESQUISA 4.1 Impactos econômicos A compreensão precoce das necessidades sensoriais pode otimizar recursos terapêuticos e reduzir custos associados a intervenções tardias. 4.2 Impactos sociais A pesquisa poderá contribuir para práticas mais inclusivas, favorecendo a participação social e educacional de pessoas com TEA. 4.3 Impactos ambientais Ambientes sensorialmente acessíveis promovem bem-estar coletivo e configuram espaços mais humanizados. 41 5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO O processamento sensorial corresponde ao conjunto de mecanismos neurais responsáveis por receber, organizar, interpretar e responder aos estímulos provenientes do ambiente e do próprio corpo, permitindo que o indivíduo produza respostas adaptativas às demandas cotidianas. Segundo Dunn (2021), esse processo envolve padrões específicos de autorregulação que influenciam diretamente a participação nas atividades diárias, a aprendizagem e a interação social. No contexto do Transtorno do Espectro Autista, diferenças no processamento sensorial são amplamente documentadas, sendo reconhecidas como um dos componentes clínicos relevantes para a compreensão do funcionamento global do indivíduo (American Psychiatric Association, 2022). A teoria da Integração Sensorial, desenvolvida por Ayres (2005), representa um marco na compreensão científica das relações entre sensação, comportamento e aprendizagem. A autora argumenta que dificuldades na organizaçãodas informações sensoriais podem comprometer a capacidade do cérebro de produzir respostas adaptativas eficientes, afetando o planejamento motor, a atenção e o desempenho ocupacional. Estudos contemporâneos têm corroborado essa perspectiva ao demonstrar que indivíduos com TEA apresentam padrões atípicos de conectividade neural, especialmente em redes relacionadas à percepção e à integração multissensorial. Robertson e Baron- Cohen (2017) destacam que tais diferenças podem contribuir para experiências perceptivas intensificadas ou fragmentadas, influenciando diretamente o comportamento. Evidências empíricas indicam que entre 70% e 95% das pessoas com TEA apresentam algum tipo de alteração sensorial clinicamente significativa (Baranek et al., 2020). Essas alterações podem manifestar-se como hiperresponsividade, caracterizada por reações exacerbadas a estímulos como sons, luzes ou texturas, ou como hiporresponsividade, quando há menor sensibilidade e uma tendência à busca sensorial. Green et al. (2019) observaram que a hiperresponsividade está associada a níveis mais elevados de ansiedade, além de maior incidência de comportamentos repetitivos, frequentemente interpretados como estratégias de autorregulação frente à sobrecarga ambiental. Outro aspecto central refere-se à relação entre processamento sensorial e regulação emocional. Schaaf e Mailloux (2015) afirmam que dificuldades na modulação sensorial podem manter o sistema nervoso em estado constante de alerta, elevando indicadores fisiológicos de estresse e dificultando o engajamento em interações sociais significativas. Essa condição pode impactar negativamente a participação escolar, as relações interpessoais e o desenvolvimento da autonomia. A literatura também aponta uma associação consistente entre alterações sensoriais e padrões de rigidez comportamental. Demetriou et al. (2018) destacam que prejuízos nas funções executivas, especialmente na flexibilidade cognitiva, podem dificultar a alternância entre tarefas, a adaptação a novas regras e a tolerância a mudanças inesperadas. Comportamentos rígidos não devem ser compreendidos apenas como manifestações sintomatológicas, mas também como tentativas de previsibilidade diante de um ambiente frequentemente percebido como caótico ou imprevisível. 42 As rotinas assumem, um papel organizador fundamental. Estruturas previsíveis tendem a reduzir a ansiedade e favorecer a sensação de controle, contribuindo para uma melhor adaptação ao cotidiano. Boyd et al. (2022) ressaltam que intervenções centradas na pessoa, especialmente aquelas fundamentadas na identificação do perfil sensorial, promovem maior participação social, independência funcional e engajamento em atividades significativas. Contudo, quando a adesão às rotinas se torna excessivamente rígida, pode limitar experiências novas e restringir oportunidades de desenvolvimento. Sob a perspectiva da qualidade de vida, a Organização Mundial da Saúde enfatiza que o bem-estar resulta da interação dinâmica entre fatores individuais, sociais e ambientais (World Health Organization, 2022). As barreiras sensoriais não devem ser atribuídas exclusivamente ao indivíduo, mas também aos contextos que falham em oferecer acessibilidade e suporte adequados. Ambientes sensorialmente responsivos tendem a favorecer a inclusão, reduzir o estresse e ampliar as oportunidades de participação. Apesar dos avanços científicos observados nas últimas décadas, ainda persistem lacunas na literatura, sobretudo no que se refere a estudos aplicados que investiguem simultaneamente a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas em contextos reais de atendimento. Investigar essas relações permite aproximar a produção científica da prática profissional, favorecendo intervenções mais precisas, individualizadas e baseadas em evidências. Amplia-se a compreensão do funcionamento do TEA a partir de uma perspectiva integrada, que considera não apenas os aspectos clínicos, mas também os determinantes ambientais e sociais do desenvolvimento humano. 6. METODOLOGIA A pesquisa será de natureza aplicada, pois busca gerar conhecimento com potencial de utilização direta em contextos terapêuticos e educacionais. Adotará abordagem mista, integrando dados quantitativos e qualitativos para uma compreensão mais abrangente do fenômeno. Quanto aos objetivos, caracteriza-se como descritiva e correlacional. 6.1 Local da investigação O estudo será realizado no Crescer, instituição especializada no atendimento interdisciplinar a pessoas com alterações do neurodesenvolvimento. 6.2 Sujeitos investigados, população e amostra Participarão crianças e adolescentes com diagnóstico formal de TEA, bem como seus cuidadores. A amostra será não probabilística por conveniência. Critérios de inclusão compreenderão diagnóstico confirmado e vínculo com a instituição. 43 6.3 Procedimentos de coleta de dados Serão utilizados instrumentos padronizados de avaliação do perfil sensorial e escalas de comportamento adaptativo com evidências de validade científica. Também serão realizadas entrevistas semiestruturadas com cuidadores e observação sistemática dos participantes em contexto terapêutico. A triangulação metodológica aumentará a confiabilidade dos resultados. 6.4 Procedimentos de análise Os dados quantitativos serão analisados por meio de estatística descritiva e testes correlacionais. Os dados qualitativos serão submetidos à análise de conteúdo temática. 6.5 Aspectos éticos A pesquisa seguirá as diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. 6.6 Resultados esperados Espera-se identificar associações consistentes entre sensibilidades sensoriais e rigidez comportamental, além de produzir evidências que auxiliem na elaboração de intervenções mais eficazes. 7. CRONOGRAMA Etapa 1-3 4-6 7-9 10-12 13-15 16-18 19-21 22-24 Levantamento bibliográfico X X Revisão teórica X X Qualificação X X Coleta de dados X X Análise X X Redação X Fonte: Elaboração do pesquisador. REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022. AYRES, A. Jean. 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Como estratégia formativa, será adotada a pesquisa associada à escrita manual, compreendida como um recurso cognitivo capaz de ampliar a atenção, fortalecer a memória de trabalho e favorecer processos de elaboração conceitual mais profundos. A escrita à mão será utilizada como instrumento metodológico nas fases iniciais do desenvolvimento do projeto, incluindo a construção de mapas conceituais, registros de leitura, fichamentos analíticos, sínteses críticas e esboços argumentativos. Tal procedimento estimula a organização do pensamento, reduz a reprodução automática de ideias e contribui para a internalização dos referenciais teóricos examinados. Durante a prática investigativa, os participantes deverão realizar leituras criteriosas de obras científicas, identificando categorias centrais, tensões teóricas, convergências epistemológicas e possíveis lacunas na literatura. Os apontamentos manuscritos deverão evidenciar interpretação própria, evitando transcrições extensas e privilegiando a reelaboração intelectual do conteúdo estudado. Cada dupla será orientada a manter um caderno de pesquisa, que funcionará como um diário acadêmico do percurso investigativo. Nesse material deverão constar reflexões teóricas, hipóteses preliminares, delimitação progressiva do problema de pesquisa, justificativas, objetivos e articulações conceituais emergentes. Esse registro permitirá acompanhar o amadurecimento das ideias e a evolução da consistência argumentativa. A prática também contemplará exercícios de escrita prolongada, nos quais os cursistas desenvolverão parágrafos analíticos à mão antes da transposição para o formato digital. Essa etapa busca desacelerar o processo produtivo, incentivando maior precisão vocabular, coerência interna e intencionalidade discursiva, características indispensáveis à produção acadêmica em nível de mestrado. Momentos de socialização intelectual serão incorporados à dinâmica do curso, possibilitando que as duplas apresentem seus registros manuscritos para discussão crítica. Esse movimento favorece o refinamento das ideias, amplia o repertório interpretativo e fortalece a postura investigativa necessária à formação de pesquisadores. A adoção dessa prática não representa rejeição às tecnologias digitais, mas a valorização de um processo formativo que prioriza a construção consciente do conhecimento. O equilíbrio entre escrita manual e sistematização digital tende a produzir textos mais autorais, teoricamente fundamentados e menos suscetíveis à padronização argumentativa. 46 Ao final de cada etapa, os registros manuscritos deverão ser organizados e convertidos em versões acadêmicas estruturadas, respeitando as normas científicas vigentes. Espera-se que esse percurso metodológico desenvolva disciplina intelectual, autonomia investigativa e elevada qualidade na escrita, competências essenciais para a elaboração de projetos de pesquisa robustos e epistemologicamente consistentes. Os participantes da formação deverão organizar-se em duplas acadêmicas, constituídas preferencialmente a partir de afinidades temáticas e interesses investigativos convergentes, com a finalidade de promover interlocução intelectual qualificada e aprofundamento analítico. Essa organização visa favorecer o exercício da construção coletiva do conhecimento, estimulando o diálogo crítico, a problematização conceitual e a elaboração de perspectivas interpretativas consistentes. Cada dupla será responsável por selecionar um dos temas propostos e desenvolvê-lo com elevado rigor científico, assegurando coesão argumentativa, densidade teórica e clareza epistemológica. Espera-se que o trabalho resulte de um processo sistemático de investigação, sustentado por revisão de literatura especializada, articulação entre diferentes correntes teóricas e delimitação precisa do objeto de estudo. A produção deverá evidenciar domínio conceitual, capacidade de análise e maturidade acadêmica, evitando abordagens descritivas superficiais. Recomenda-se que os cursantes estabeleçam relações críticas entre autores, identifiquem lacunas na produção científica e proponham caminhos investigativos plausíveis, alinhados às exigências da pesquisa em nível de pós-graduação stricto sensu. O texto elaborado precisará apresentar unidade estrutural, progressão lógica das ideias e consistência terminológica, demonstrando planejamento intelectual e intencionalidade científica. A fundamentação teórica deverá ser integralmente ancorada em referências acadêmicas reconhecidas, garantindo credibilidade ao percurso argumentativo e sustentação às proposições apresentadas. Espera-se, igualmente, que o processo de escrita evidencie maturidade intelectual, capacidade analítica e domínio progressivo da linguagem científica, elementos indispensáveis à formação em nível stricto sensu. A autonomia reflexiva deverá manifestar-se na problematização consistente dos fenômenos investigados, na escolha criteriosa dos referenciais teóricos e na construção de argumentos sustentados por rigor metodológico. A precisão conceitual torna-se, nesse contexto, um indicador da seriedade acadêmica do trabalho desenvolvido. O comprometimento com os princípios éticos da pesquisa deve orientar todas as etapas da produção, desde a seleção das fontes até a apresentação dos resultados. O trabalho em dupla requer interlocução permanente, escuta qualificada e disposição para o debate intelectual, favorecendo sínteses mais elaboradas.. 47 1. Epistemologias contemporâneas do Transtorno do Espectro Autista e a construção de objetos científicos complexos 2. Neurodiversidade, comportamento adaptativo e organização psíquica: fundamentos teóricos para investigações avançadas 3. Processamento sensorial atípico como categoria analítica nas pesquisas sobre desenvolvimento humano 4. Rigidez comportamental, previsibilidade e plasticidade cognitiva em perspectivas interdisciplinares 5. Adesão a rotinas e estruturação da experiência subjetiva: interfaces entre psicologia, educação e neurociência 6. Modelos explicativos do desenvolvimento no autismo e suas implicações para a produção científica 7. Delineamentos metodológicos de alta complexidade aplicados à investigação do comportamento no TEA 8. Hermenêutica da literatura científica e elaboração de referenciais teóricos robustos 9. Ética, alteridade e responsabilidade epistemológica na pesquisa com populações neurodivergentes 10. Arquitetura argumentativa e escrita acadêmica avançada na elaboração de projetos de mestrado sobre desenvolvimento e qualidade de vida no autismo 48 Tema: Resumo Palavras-chave: _______________; ________________; _________________; _______________. 1. INTRODUÇÃO 2. PROBLEMÁTICA 49 Etapas desta fase: 2.1 Delimitação do problema 2.2 Caracterização do problema a ser estudado 2.3 Formulação do problema de investigação 2.4 Hipóteses (quando aplicável) 3. OBJETIVOS DA PESQUISA 3.1 Objetivo Geral 50 3.2 Objetivos Específicos 4. IMPACTOS DA PESQUISA 4.1 Impactos econômicos 4.2 Impactos sociais 4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) 5. Enquadramento Teórico 51 6. METODOLOGIAEtapas desta fase: 6.1 Local da investigação 6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 6.3 Procedimentos de coleta de dados 52 6.4 Resultados esperados 7. CRONOGRAMA Tabela ______– Cronograma de Atividades Etapa 1-3 4-6 7-9 10-12 13-15 16-18 19-21 22-24 Levantamento bibliográfico X X Revisão teórica X X Qualificação X X Coleta de dados X X Análise X X Redação X Fonte: Elaboração do pesquisador. REFERÊNCIAS 53 54 PRODUTO FINAL 1. Epistemologias contemporâneas do Transtorno do Espectro Autista e a construção de objetos científicos complexos. Produto final sugerido: elaboração de um ensaio teórico-analítico publicável ou capítulo de livro que proponha novas categorias interpretativas para compreender o autismo a partir de perspectivas não reducionistas. A relevância social reside na ampliação das formas de compreender a neurodivergência, contribuindo para práticas científicas menos estigmatizantes e para políticas públicas fundamentadas em concepções mais humanas e plurais do desenvolvimento. 2. Neurodiversidade, comportamento adaptativo e organização psíquica: fundamentos teóricos para investigações avançadas. Produto final sugerido: construção de um modelo conceitual integrador que articule neurodiversidade e adaptação, acompanhado de um framework aplicável a contextos educacionais e clínicos. O estudo favorece uma mudança paradigmática ao deslocar o foco do déficit para a variabilidade humana, impactando diretamente programas de inclusão e estratégias de acompanhamento psicossocial. 3. Processamento sensorial atípico como categoria analítica nas pesquisas sobre desenvolvimento humano. Produto final sugerido: desenvolvimento de um protocolo interpretativo ou guia técnico para análise de perfis sensoriais em pesquisas acadêmicas. Tal produção pode orientar profissionais na criação de ambientes mais responsivos, reduzindo barreiras invisíveis que frequentemente limitam a participação social de pessoas autistas. 4. Rigidez comportamental, previsibilidade e plasticidade cognitiva em perspectivas interdisciplinares. Produto final sugerido: proposição de um modelo teórico-interventivo que relacione segurança emocional e flexibilidade cognitiva, com possibilidades de aplicação em escolas e serviços terapêuticos. A contribuição social manifesta-se na promoção de práticas que equilibrem estabilidade e abertura à experiência, favorecendo trajetórias mais autônomas. 55 5. Adesão a rotinas e estruturação da experiência subjetiva: interfaces entre psicologia, educação e neurociência. Produto final sugerido: criação de um guia científico para organização de rotinas estruturantes voltadas a diferentes fases do ciclo de vida. O impacto coletivo emerge na qualificação de ambientes educativos e familiares, fortalecendo condições que sustentem bem-estar psicológico e previsibilidade cotidiana. 6. Modelos explicativos do desenvolvimento no autismo e suas implicações para a produção científica. Produto final sugerido: revisão crítica comparativa culminando na proposição de um modelo interpretativo atualizado para estudos futuros. A relevância social decorre do aprimoramento das bases teóricas que orientam diagnósticos, intervenções e políticas educacionais, elevando o padrão científico das decisões institucionais. 7. Delineamentos metodológicos de alta complexidade aplicados à investigação do comportamento no TEA. Produto final sugerido: elaboração de um manual metodológico para pesquisadores iniciantes e experientes, contemplando desenhos mistos, estudos longitudinais e abordagens multivariadas. A sociedade beneficia-se de pesquisas mais rigorosas, capazes de gerar evidências confiáveis para orientar práticas profissionais. 8. Hermenêutica da literatura científica e elaboração de referenciais teóricos robustos. Produto final sugerido: produção de uma revisão interpretativa de alta densidade conceitual que identifique lacunas e tendências emergentes. O valor social encontra-se na qualificação do debate acadêmico, evitando reproduções acríticas e incentivando investigações originais com maior potencial transformador. 9. Ética, alteridade e responsabilidade epistemológica na pesquisa com populações neurodivergentes. Produto final sugerido: formulação de um protocolo ético ampliado que considere escuta ativa, participação das famílias e respeito à singularidade dos sujeitos. Tal iniciativa fortalece uma cultura científica comprometida com dignidade, reduz riscos de objetificação e promove relações investigativas mais responsáveis. 10. Arquitetura argumentativa e escrita acadêmica avançada na elaboração de projetos de mestrado sobre desenvolvimento e qualidade de vida no autismo. Produto final sugerido: desenvolvimento de um guia estruturante para escrita científica de alto nível, com foco na coerência argumentativa e na sofisticação analítica. A repercussão social manifesta-se na formação de pesquisadores mais preparados, capazes de produzir conhecimento relevante e de influenciar positivamente os campos educacional, clínico e social. 56 ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS PARA ELABORAÇÃO DE PROJETO DE PESQUISA APTO A BANCAS EXAMINADORAS EXIGENTES. Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Tema O tema precisa expressar densidade científica e delimitação conceitual. Evite formulações genéricas ou excessivamente amplas. Recomenda-se iniciar com um mapeamento das lacunas da literatura por meio de bases indexadas como Scopus, Web of Science, SciELO e ERIC, identificando problemas ainda não suficientemente explorados. Observe tendências internacionais, pois bancas rigorosas valorizam pesquisas conectadas ao debate contemporâneo. Um tema sólido demonstra viabilidade metodológica, pertinência social e potencial de contribuição teórica. Resumo O resumo deve ser escrito somente após a conclusão do projeto, ainda que apareça no início do documento. Estruture mentalmente quatro núcleos: problema investigado, objetivo central, percurso metodológico e contribuição científica. Empregue linguagem precisa, evitando adjetivações desnecessárias. Cada frase precisa carregar informação relevante. Avaliadores experientes frequentemente julgam a maturidade do pesquisador pela clareza desse trecho, portanto elimine ambiguidades e priorize coerência lógica. Palavras-chave Selecione descritores reconhecidos em vocabulários controlados, como DeCS ou Thesaurus da APA. Evite termos excessivamente amplos. Prefira combinações que facilitem a indexação futura do trabalho e ampliem sua rastreabilidade científica. Uma escolha criteriosa revela familiaridade com a área. 1. INTRODUÇÃO A introdução deve conduzir o leitor do panorama amplo ao recorte específico da investigação. Inicie apresentando o campo científico, evidencie sua relevância e, gradualmente, exponha a lacuna que justifica o estudo. Trabalhe com literatura qualificada e atual, articulando autores em vez de apenas citá-los isoladamente. Demonstre domínio conceitual e capacidade interpretativa. Evite transformar essa seção em revisão extensa. O objetivo é construir um argumento convincente que leve naturalmente ao problema de pesquisa. Bancas rigorosas observam se há progressão lógica entre contexto, lacuna e necessidade investigativa. Cada parágrafo deve responder implicitamente à pergunta: por que esta pesquisa precisa existir? 57 Finalize a introdução indicando o propósito do estudo e sua contribuição potencial.O leitor deve chegar ao término dessa seção sem dúvidas sobre a relevância acadêmica do projeto. 2. PROBLEMÁTICA A problemática constitui o eixo intelectual do projeto. Pesquisar não significa apenas escolher um assunto, mas formular uma pergunta cuja resposta ainda não está disponível. Para isso, compare resultados de estudos, identifique contradições teóricas, limitações metodológicas ou contextos pouco investigados. Evite perguntas descritivas que possam ser respondidas com levantamento superficial. Bancas exigentes valorizam problemas analíticos, capazes de gerar interpretação e avanço do conhecimento. 2.1 Delimitação do problema Recorte o fenômeno em termos de população, contexto, variável principal e perspectiva teórica. Quanto maior a precisão, maior a viabilidade do estudo. 2.2 Caracterização do problema a ser estudado Explique o cenário onde o problema emerge. Apresente dados, indicadores ou evidências científicas que sustentem sua existência. Argumentos baseados apenas em percepções fragilizam o projeto. 2.3 Formulação do problema de investigação Redija a pergunta de modo direto, sem múltiplas interpretações. Uma formulação robusta geralmente articula relação entre variáveis ou busca compreender um fenômeno complexo. 2.4 Hipóteses (quando aplicável) Hipóteses devem ser plausíveis e derivadas da literatura. Não são suposições arbitrárias, mas proposições testáveis que orientam o percurso analítico. 3. OBJETIVOS DA PESQUISA 3.1 Objetivo Geral Expresse o propósito maior em um único período verbal iniciado por verbo no infinitivo, como analisar, compreender, investigar ou examinar. Evite verbos vagos como refletir ou discutir. 58 3.2 Objetivos Específicos Devem funcionar como etapas operacionais do estudo. Pergunte a si mesmo: se cada objetivo for alcançado, o objetivo geral será automaticamente atendido? Garanta coerência interna e viabilidade temporal. 4. IMPACTOS DA PESQUISA 4.1 Impactos econômicos Mesmo pesquisas teóricas podem gerar racionalização de recursos, aprimoramento de políticas ou qualificação de serviços. Demonstre capacidade de enxergar efeitos indiretos. 4.2 Impactos sociais Explique quem será beneficiado e de que maneira. Bancas valorizam estudos que dialogam com demandas reais sem perder rigor científico. 4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) Considere implicações éticas e responsabilidade social da produção científica. Projetos contemporâneos são avaliados também por sua consciência socioambiental. 5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO Construa uma revisão crítica, não um inventário de autores. Compare perspectivas, identifique convergências e tensões conceituais. A maturidade acadêmica aparece quando o pesquisador interpreta a literatura em vez de apenas reproduzi-la. Priorize artigos de alto impacto e obras clássicas indispensáveis. Organize o texto por eixos conceituais, mantendo unidade argumentativa. Ao final, o leitor deve perceber claramente qual tradição teórica sustenta sua investigação. 6. METODOLOGIA A metodologia precisa ser transparente e replicável. Qualquer pesquisador deve ser capaz de compreender exatamente como o estudo será conduzido. Classifique a pesquisa quanto à abordagem, natureza e objetivos, justificando cada escolha. Explique por que determinado método é o mais adequado para responder ao problema. Evite descrições genéricas que poderiam servir para qualquer estudo. Detalhe instrumentos, técnicas analíticas e procedimentos éticos. Projetos metodologicamente frágeis raramente são aprovados por bancas rigorosas. 59 6.1 Local da investigação Descreva o contexto e justifique sua escolha. O cenário deve dialogar diretamente com o problema. 6.2 Sujeitos investigados, população e amostra Apresente critérios de inclusão e exclusão, estratégia de seleção e estimativa numérica quando pertinente. Demonstre consciência ética. 6.3 Procedimentos de coleta de dados Explique passo a passo como os dados serão obtidos. Antecipe dificuldades e indique estratégias para mitigá-las. 6.4 Resultados esperados Não antecipe conclusões. Indique contribuições prováveis, como avanços teóricos, proposições interventivas ou refinamentos metodológicos. 7. CRONOGRAMA Distribua as etapas de modo realista. Bancas experientes identificam facilmente planejamentos inexequíveis. Reserve tempo suficiente para análise e escrita, fases frequentemente subestimadas. REFERÊNCIAS Utilize exclusivamente obras citadas no texto e siga rigorosamente as normas da ABNT ou o padrão exigido pelo programa. Prefira literatura recente e periódicos qualificados. Erros formais nessa seção sinalizam descuido acadêmico. RECOMENDAÇÕES FINAIS PARA ÊXITO EM BANCAS EXIGENTES o Escreva com precisão terminológica e evite excessos retóricos. o Sustente cada afirmação relevante com literatura científica. o Preserve coerência entre problema, objetivos e método. o Revise o texto diversas vezes, buscando clareza e elegância argumentativa. o Submeta o projeto à leitura crítica de pesquisadores experientes antes da entrega. Um projeto aprovado por bancas rigorosas não depende apenas de uma boa ideia, mas de consistência lógica, densidade teórica e planejamento metodológico refinado. Quando o texto revela domínio intelectual, clareza de propósito e responsabilidade científica, a avaliação tende a reconhecer a maturidade do pesquisador e a solidez da proposta. 60 ELABORANDO O CRONOGRAMA Tema: Sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas no Transtorno do Espectro Autista: impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida. Etapa 1- 3 4- 6 7- 9 10- 12 13- 15 16- 18 19- 21 22- 24 Integração ao programa e pactuação do plano formativo com o orientador X Consolidação do problema científico e construção da identidade investigativa X X Revisão sistemática e metassíntese preliminar da literatura X X X Fichamentos críticos e matriz de autores clássicos e contemporâneos X X X X Estruturação do referencial teórico com densidade epistemológica X X X Definição do desenho metodológico com validação do orientador X X Participação em grupos de pesquisa e seminários avançados X X X X X X X X Produção do primeiro artigo teórico para periódico qualificado X X Submissão ao Comitê de Ética e adequações técnicas X X Elaboração da proposta de qualificação X X Simulação de banca e leitura crítica por pares X Defesa pública da qualificação X Reformulações conceituais pós-qualificação X X Planejamento logístico e treinamento para coleta de dados X Coleta de dados com monitoramento metodológico rigoroso X X Auditoria interna dos dados e verificação de confiabilidade X Tratamento estatístico ou análise interpretativa aprofundada X X Produção do segundo artigo científico com resultados parciais X X Apresentação em congresso nacional ou internacional X X X Redação dos capítulos teóricos com sofisticação argumentativa X X 61 Redação dos capítulos analíticos e discussão científica X Integração textual com coerência macroestrutural X X Submissão de artigo derivado da dissertação X Revisão linguística especializada e normalização ABNT X Depósito institucional da dissertação X Preparação estratégica para defesa X Defesa pública X Ajustes finais e entrega da versão definitiva X Planejamento de desdobramentos para doutorado X Fonte: Elaboração do pesquisador. Diferenciais deste modelo (padrão CAPES elevado) Este cronograma evidencia: • maturidade científica precoce; • inserção ativa em redes de pesquisa; • produção intelectual antes da defesa; • domínioteórico consistente; • rigor metodológico verificável; • projeção acadêmica futura. Programas de excelência tendem a valorizar pesquisadores que demonstram autonomia, constância produtiva e capacidade de dialogar com a comunidade científica ainda durante a formação. 62 PLANO ESTRATÉGICO Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Originalidade verificável Evite temas saturados. O projeto deve produzir deslocamento teórico ou metodológico perceptível já na qualificação. Densidade teórica real Bancas rigorosas identificam rapidamente textos meramente descritivos. Priorize autores estruturantes e dialogue criticamente com eles. Metodologia blindada Toda escolha metodológica deve responder claramente: por que este método é o mais adequado para este problema? Antecipação de críticas Mapeie fragilidades possíveis e responda a elas no próprio texto. Coerência absoluta Problema, objetivos, método e análise precisam formar um eixo lógico indivisível. Escrita sofisticada e precisa Evite adjetivações excessivas e generalizações. Prefira conceitos operacionais. Simulação de banca Submeta capítulos a pesquisadores experientes antes do depósito. 63 ROTEIRO DE PRODUTIVIDADE CIENTÍFICA (MÊS A MÊS) Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Meses 1–3 - Leitura diária de alta complexidade. Meta de 1.500 a 2.000 páginas no período. Produção de fichamentos analíticos, não resumos. Meses 4–6 - Redigir artigo teórico e submetê-lo. Pesquisadores que publicam cedo demonstram maturidade acadêmica. Meses 7–9 - Estruturar revisão robusta capaz de sustentar futuras publicações. Meses 10–12 - Realizar qualificação com texto quase definitivo. Quanto menor a distância entre qualificação e versão final, maior o sinal de domínio científico. Meses 13–15 - Executar coleta com disciplina metodológica absoluta. Meses 16–18 - Transformar dados em argumentos científicos, não apenas em resultados. Meses 19–21 - Redigir com intensidade. Estabeleça metas semanais de produção textual. Meses 22–24 - Depositar com antecedência mínima de 60 dias. Trabalhos finalizados sob pressão raramente atingem excelência. 64 MODELO PARA BANCAS RIGOROSAS Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Projetos memoráveis costumam apresentar cinco características centrais: Problema intelectualmente elegante: Questões formuladas com precisão conceitual revelam maturidade científica e capacidade analítica. Uma pergunta bem construída delimita o campo investigativo, evita dispersões e orienta escolhas metodológicas consistentes. Problemas dessa natureza tendem a gerar respostas com potencial teórico, ampliando fronteiras interpretativas e contribuindo efetivamente para o avanço do conhecimento. Referencial que organiza pensamento: Um enquadramento teórico sólido funciona como estrutura lógica da pesquisa, oferecendo sustentação argumentativa e coerência interna. A seleção criteriosa de autores demonstra discernimento acadêmico e impede a fragmentação conceitual. Quando os referenciais dialogam entre si, o texto ganha densidade intelectual e evidencia domínio crítico do estado da arte. Método transparente e replicável: Procedimentos descritos com rigor permitem que outros pesquisadores compreendam cada etapa do percurso investigativo. A explicitação das escolhas técnicas reforça a credibilidade do estudo e reduz margens de questionamento durante a avaliação. Investigações metodologicamente claras sinalizam responsabilidade científica e compromisso com padrões elevados de produção acadêmica. Discussão que produz conhecimento: A análise deve ultrapassar a exposição de dados, transformando resultados em interpretações teoricamente informadas. Relações conceituais bem articuladas demonstram que o pesquisador compreende as implicações de suas descobertas. Textos que dialogam criticamente com a literatura revelam autonomia intelectual e favorecem contribuições originais ao campo. Postura autoral: A presença de uma voz acadêmica própria indica segurança teórica e independência reflexiva. Argumentos sustentados por posicionamentos claros afastam a impressão de mera compilação bibliográfica. Bancas reconhecem pesquisadores promissores quando percebem consistência argumentativa, responsabilidade epistemológica e capacidade de sustentar ideias com elegância crítica. 65 CRONOGRAMA COM INDICADORES DE DESEMPENHO Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Indicador Meta de Excelência Leituras qualificadas 120 a 180 obras/artigos Artigos submetidos mínimo de 2 Apresentações científicas 2 a 4 Participação em grupo de pesquisa contínua Produções em coautoria desejável Tempo entre qualificação e depósito inferior a 12 meses Convites acadêmicos ou redes científicas altamente recomendável Leituras qualificadas: O contato sistemático com aproximadamente 120 a 180 obras e artigos científicos indica imersão intelectual consistente e compromisso com a excelência acadêmica. Esse volume não deve ser entendido como acúmulo mecânico, mas como construção progressiva de repertório analítico capaz de sustentar interpretações sofisticadas. Leituras anotadas, fichamentos críticos e mapas conceituais favorecem a internalização das categorias teóricas e ampliam a capacidade argumentativa. Pesquisadores que leem com método reconhecem lacunas na literatura e identificam oportunidades reais de contribuição científica. Artigos submetidos: A submissão de pelo menos dois artigos ao longo do mestrado demonstra maturidade investigativa e compreensão das dinâmicas da comunicação científica. Publicar durante a formação reduz a distância entre pesquisa e circulação do conhecimento, posicionando o mestrando como participante ativo do debate acadêmico. O processo de avaliação por pares também funciona como dispositivo formativo rigoroso, pois exige precisão conceitual, clareza metodológica e escrita altamente estruturada. Projetos que geram produtos publicáveis tendem a ser percebidos pelas bancas como pesquisas de alto potencial. Apresentações científicas: Participar de dois a quatro eventos acadêmicos fortalece a capacidade de defesa pública das ideias e desenvolve segurança argumentativa. A exposição do estudo a audiências especializadas permite testar hipóteses, refinar interpretações e incorporar críticas 66 qualificadas antes da versão final da dissertação. Congressos, simpósios e seminários ampliam a visibilidade do pesquisador e favorecem conexões intelectuais duradouras. Cada apresentação deve ser tratada como exercício estratégico de posicionamento científico. Participação em grupo de pesquisa: A inserção contínua em grupos certificados promove convivência com pesquisadores experientes e estimula padrões elevados de produção. Esses espaços funcionam como laboratórios de pensamento, nos quais projetos são debatidos com profundidade e rigor. A troca sistemática de referências, métodos e perspectivas evita o isolamento acadêmico e eleva o nível das análises. Trajetórias que se desenvolvem em ambientes coletivos tendem a apresentar maior consistência epistemológica. Produções em coautoria: Trabalhos desenvolvidos em parceria evidenciam capacidade de diálogo intelectual e abertura para construções colaborativas. A coautoria possibilita o encontro entre diferentes especialidades, ampliando o alcance interpretativo da pesquisa. Publicações compartilhadas frequentemente alcançam maior circulação, pois se conectam a redes acadêmicas diversas. Esse tipo de produção também sinaliza maturidade profissional e disposição para integrar comunidades científicas. Tempo entre qualificação e depósito:(Aykan; Nalçacı, 2018). Tal abordagem amplia o repertório metodológico disponível para pesquisadores. Intervenções fundamentadas na Análise do Comportamento Aplicada têm produzido evidências consistentes sobre a modificação de repertórios adaptativos, sobretudo quando implementadas precocemente. Plataformas especializadas destacam que programas estruturados podem favorecer aquisições comunicativas e sociais relevantes, contribuindo para trajetórias mais autônomas (AVA Educacional, 2026). A eficácia dessas práticas depende, contudo, de avaliações individualizadas. O processo diagnóstico ocupa posição estratégica na organização do cuidado, exigindo instrumentos sensíveis às singularidades do espectro. Protocolos contemporâneos enfatizam a importância de integrar observações comportamentais e análises funcionais para delinear intervenções mais precisas (AVA Educacional, 2026). A precisão diagnóstica repercute diretamente na qualidade das decisões clínicas e educacionais. Debates recentes também têm problematizado a associação entre fatores gestacionais e o autismo, estimulando investigações que buscam evitar interpretações alarmistas. Estudo divulgado em periódico de circulação ampla indicou que o uso de paracetamol durante a gravidez não se relaciona ao aumento do risco de TEA ou TDAH, contribuindo para um entendimento mais equilibrado sobre possíveis fatores etiológicos (Arthurs, 2026). A prudência interpretativa revela-se essencial em um campo frequentemente permeado por controvérsias. A escolarização representa um dos contextos mais desafiadores para estudantes autistas, especialmente quando barreiras sensoriais e comunicativas permanecem invisíveis às práticas pedagógicas. Pesquisa recente identificou que estratégias educacionais planejadas favorecem experiências de aprendizagem mais significativas e ampliam a participação acadêmica (Almeida et al., 2025). O ambiente escolar pode transformar-se em espaço de pertencimento quando orientado por princípios inclusivos. O conceito de inclusão demanda revisão constante, sobretudo diante da pluralidade de perfis presentes no espectro. Investigações educacionais ressaltam que a construção de práticas pedagógicas responsivas depende da formação contínua de profissionais e do reconhecimento das diferenças como 6 parte constitutiva do processo educativo (Almeida et al., 2025). A escola inclusiva exige intencionalidade institucional. A comunicação social, frequentemente apontada como eixo central do autismo, revela possibilidades de expansão quando mediada por intervenções adequadas. Ensaio clínico sobre programas comunicativos demonstrou que ganhos interacionais podem ser parcialmente explicados por processos de mediação terapêutica, indicando que mudanças qualitativas podem ocorrer mesmo em períodos relativamente curtos (Aldred et al., 2012). O potencial de transformação reforça a importância do investimento precoce. Trajetórias linguísticas variáveis sugerem que previsões deterministas carecem de sustentação empírica. Observações longitudinais evidenciaram que algumas crianças inicialmente não verbais alcançam progressos expressivos ao longo do desenvolvimento, especialmente quando expostas a ambientes estimulantes (Anderson et al., 2007). A plasticidade permanece como elemento central na compreensão do neurodesenvolvimento. A análise das sensibilidades sensoriais requer sensibilidade epistemológica para evitar leituras patologizantes. O enquadramento diagnóstico reconhece que respostas incomuns a estímulos podem coexistir com habilidades notáveis, desafiando visões simplificadoras do funcionamento autista (APA, 2013). Tal reconhecimento aproxima a pesquisa de uma perspectiva mais humanizada. O humor, frequentemente negligenciado nas avaliações tradicionais, tem se mostrado um indicador relevante da compreensão social. Instrumentos específicos revelam que a apreciação humorística pode oferecer pistas valiosas sobre processos inferenciais complexos (Aykan; Nalçacı, 2018). Explorar essas dimensões amplia a compreensão das competências sociais. A construção de ambientes terapêuticos exige articulação entre ciência e prática profissional. Programas especializados enfatizam que avaliações comportamentais sistemáticas permitem identificar contingências que mantêm determinados padrões de ação (AVA Educacional, 2026). Intervenções eficazes emergem dessa leitura funcional. Discussões sobre etiologia frequentemente mobilizam preocupações sociais amplas, exigindo comunicação científica responsável. A divulgação de estudos que refutam associações precipitadas contribui para reduzir estigmas e promover decisões informadas (Arthurs, 2026). O conhecimento científico exerce papel regulador no debate público. A inclusão escolar adquire densidade quando vinculada ao reconhecimento das necessidades sensoriais dos estudantes. Investigações brasileiras indicam que adaptações pedagógicas podem transformar experiências educacionais, promovendo engajamento e reduzindo situações de exclusão (Almeida et al., 2025). O compromisso institucional torna-se determinante. A mediação terapêutica revela que mudanças comportamentais não ocorrem isoladamente, mas dentro de sistemas relacionais complexos. Evidências empíricas apontam que intervenções 7 comunicativas impactam não apenas a criança, mas também a qualidade das interações familiares (Aldred et al., 2012). O desenvolvimento assume caráter relacional. A compreensão contemporânea do TEA desloca-se progressivamente de modelos centrados no déficit para perspectivas que valorizam a diversidade neurológica. O enquadramento diagnóstico vigente reconhece essa pluralidade ao enfatizar níveis distintos de suporte e trajetórias variadas (American Psychiatric Association, 2013). Investigar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas torna-se, portanto, uma via promissora para aprofundar a leitura científica do desenvolvimento e da qualidade de vida, favorecendo práticas mais sensíveis à complexidade humana. 2. DESENVOLVIMENTO O processamento sensorial atípico configura um dos eixos mais complexos para a compreensão do funcionamento do Transtorno do Espectro Autista, uma vez que envolve modos singulares de perceber, organizar e responder aos estímulos ambientais. A sensibilidade ampliada ou reduzida a sons, luminosidade, texturas e odores tem sido reconhecida como elemento clínico relevante para a caracterização diagnóstica, refletindo a necessidade de critérios mais sensíveis às variações do desenvolvimento (Barton et al., 2013). Tal reconhecimento desloca a análise do comportamento visível para os processos perceptivos que o sustentam. A percepção sensorial não se limita à recepção de estímulos, mas integra sistemas neurais que participam da construção da experiência subjetiva. Investigações sobre o debate em torno dos critérios diagnósticos evidenciaram que a inclusão das particularidades sensoriais no DSM representou um avanço conceitual ao reconhecer a centralidade dessas manifestações na organização do espectro (Buxbaum; Baron-Cohen, 2013). Esse movimento teórico ampliou a possibilidade de interpretações menos reducionistas. O modo como a mente autista organiza a realidade frequentemente desafia expectativas normativas de processamento cognitivo. Estudos clássicos sobre a teoria da mente indicam que diferenças na capacidade de atribuir estados mentais podem influenciar a interpretação de eventos sociais, produzindo leituras perceptivas próprias (Baron-Cohen, 1995). A singularidade perceptiva deve ser compreendida como variação do funcionamento humano, não como ausência de competência. A literatura também sugere que as experiências sensoriais participam da formação de esquemas de antecipação, determinando a forma como o indivíduo prevê acontecimentos. Discussões posteriores sobre as teorias da menteIntervalos inferiores a doze meses revelam planejamento rigoroso e gestão eficiente do percurso investigativo. Esse desempenho costuma resultar de cronogramas realistas, disciplina acadêmica e clareza quanto às prioridades da pesquisa. Trabalhos concluídos nesse ritmo mantêm a atualidade do referencial teórico e preservam a coesão entre projeto e resultados. Bancas reconhecem essa objetividade como traço de pesquisadores preparados para etapas formativas mais avançadas. Convites acadêmicos ou inserção em redes científicas: A participação em redes formais e informais indica reconhecimento progressivo no campo de estudo. Convites para mesas, dossiês temáticos, projetos interinstitucionais ou pareceres acadêmicos funcionam como marcadores de credibilidade científica. Essas experiências ampliam horizontes investigativos e favorecem colaborações futuras. Inserir-se em circuitos qualificados demonstra que a pesquisa ultrapassou o âmbito local e passou a dialogar com comunidades mais amplas. Indicador central: O momento em que outros pesquisadores passam a citar, comentar ou problematizar sua produção ainda durante o mestrado representa um marco simbólico de consolidação acadêmica. Esse reconhecimento sugere que o estudo deixou de ser apenas formativo e passou a influenciar discussões no campo. A circulação das ideias evidencia relevância teórica e pertinência social do trabalho desenvolvido. Quando a pesquisa gera interlocução espontânea, o mestrando já ocupa um lugar efetivo na arquitetura da produção científica. 67 PERFIL DO MESTRANDO DE EXCELÊNCIA Rita Cristina Guimarães de Almeida Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Cultiva disciplina intelectual ao organizar rotinas de estudo estáveis, protegendo períodos de concentração profunda e evitando dispersões que fragilizam a qualidade analítica. A constância na leitura, na escrita e na revisão teórica cria um ambiente interno favorável ao pensamento complexo. Tal postura demonstra compreensão de que a produção científica exige tempo de maturação e esforço contínuo. Pesquisadores disciplinados constroem argumentos mais sólidos e desenvolvem maior autonomia investigativa. Tolera revisões rigorosas ao reconhecer que o aprimoramento do texto nasce do confronto com olhares exigentes. Comentários críticos deixam de ser percebidos como ameaça e passam a ser compreendidos como instrumentos de lapidação intelectual. Cada reformulação amplia a precisão conceitual e fortalece a coerência metodológica. Essa abertura ao refinamento constante diferencia trabalhos promissores de produções meramente satisfatórias. Busca críticas qualificadas ao aproximar-se de pesquisadores experientes e ambientes acadêmicos densos, onde o debate é conduzido com seriedade teórica. Interlocuções consistentes revelam fragilidades invisíveis ao olhar solitário e estimulam reposicionamentos argumentativos mais sofisticados. O diálogo com especialistas amplia horizontes interpretativos e reduz riscos de simplificação analítica. Projetos que nascem em contextos de debate tendem a apresentar maior robustez epistemológica. Prefere profundidade à velocidade ao compreender que investigações relevantes não se sustentam em respostas apressadas. O compromisso com a densidade reflexiva conduz à exploração minuciosa dos conceitos, das categorias analíticas e das implicações do estudo. Esse ritmo deliberado favorece descobertas intelectuais menos óbvias e interpretações com maior poder explicativo. A qualidade do percurso passa a ser valorizada tanto quanto o resultado final. Transforma inquietações em problemas científicos ao converter percepções difusas em perguntas investigáveis, delimitadas e teoricamente sustentadas. A curiosidade inicial é submetida ao crivo do método, permitindo que interesses pessoais se convertam em objetos de estudo com relevância coletiva. Esse movimento exige sensibilidade para identificar lacunas no conhecimento e 68 coragem para enfrentá-las com rigor. A pesquisa ganha sentido quando nasce de questões genuínas e bem formuladas. O mestrado deixa de ocupar um lugar transitório na formação acadêmica quando o pesquisador compreende que sua produção não é apenas um exercício avaliativo, mas uma intervenção real no campo do conhecimento. Assumir responsabilidade intelectual implica reconhecer as consequências epistemológicas de cada afirmação, evitando reproduções acríticas e investindo na elaboração de perspectivas próprias. Esse posicionamento desloca o estudante da condição de receptor para a de produtor de saberes, exigindo vigilância conceitual permanente e compromisso com a consistência argumentativa. Nesse estágio, escrever já não significa apenas cumprir exigências institucionais, mas participar de um diálogo científico que ultrapassa fronteiras temporais e disciplinares. A emergência de uma identidade científica não ocorre de maneira abrupta, mas resulta de um processo contínuo de refinamento do pensamento. Coerência passa a ser percebida como um valor estruturante, orientando a articulação entre problema, teoria e método, enquanto o pensamento autoral se consolida por meio da coragem interpretativa e da disposição para sustentar argumentos diante do escrutínio acadêmico. O compromisso com o avanço do conhecimento manifesta-se na recusa por caminhos fáceis e na escolha deliberada por investigações que tensionem certezas estabelecidas. Gradualmente, o pesquisador aprende que originalidade não reside na busca por temas exóticos, mas na capacidade de formular perguntas relevantes e produzir leituras analíticas que ampliem a inteligibilidade dos fenômenos estudados. Cada escolha realizada ao longo do percurso formativo opera como um elemento constitutivo da presença acadêmica que se projeta para além da dissertação. Decisões teóricas revelam filiações intelectuais, opções metodológicas evidenciam maturidade investigativa e argumentos bem construídos demonstram domínio do campo científico. Esse conjunto de marcas configura uma base sólida para investigações futuras, favorecendo continuidade temática e aprofundamento progressivo das questões pesquisadas. O mestrado, sob essa perspectiva, transforma- se em plataforma de lançamento para uma atuação científica duradoura, na qual rigor, curiosidade e responsabilidade social convergem para sustentar trajetórias capazes de produzir impacto intelectual significativo. 69autista apontaram que a cognição social se constrói por rotas diversas, exigindo abordagens interpretativas mais flexíveis (Baron-Cohen, 2008). O reconhecimento dessa pluralidade amplia o horizonte da investigação científica. 8 A hipersensibilidade pode transformar estímulos cotidianos em fontes de sobrecarga neural, alterando a regulação emocional e o comportamento adaptativo. Estudos sobre o papel da atenção compartilhada demonstraram que diferenças perceptivas interferem na construção de gestos protodeclarativos e no direcionamento do olhar social (Baron-Cohen, 2011). A interação social passa, portanto, pela mediação da experiência sensorial. A linguagem constitui outro domínio profundamente atravessado pela percepção. Análises sobre o desenvolvimento linguístico no autismo indicam que trajetórias comunicativas podem emergir sob configurações heterogêneas, frequentemente relacionadas ao modo como os estímulos são organizados cognitivamente (Boucher, 2003). A comunicação revela-se inseparável da experiência perceptiva. A rigidez comportamental deve ser interpretada à luz dessas experiências internas, evitando leituras simplificadoras que a reduzam a mera oposição à mudança. Ensaios clínicos sobre treinamento em teoria da mente mostraram que a ampliação da compreensão social pode favorecer maior flexibilidade nas respostas comportamentais (Begeer et al., 2011). O comportamento rígido pode refletir uma busca por coerência diante de um mundo imprevisível. Padrões repetitivos frequentemente funcionam como estratégias regulatórias capazes de estabilizar estados emocionais. Programas voltados ao aprimoramento cognitivo e às habilidades sociais em adultos demonstraram que intervenções estruturadas contribuem para reorganizar repertórios comportamentais, ampliando possibilidades de participação social (Baker-Ericzén et al., 2018). A intervenção qualificada revela potencial transformador. A previsibilidade oferecida pelas rotinas exerce papel organizador na experiência diária de muitos indivíduos autistas. Pesquisas sobre participação em atividades recreativas indicaram que contextos estruturados podem atenuar o impacto do estresse percebido, repercutindo positivamente na qualidade de vida (Bishop-Fitzpatrick et al., 2017). A organização temporal torna-se suporte para o equilíbrio emocional. A dependência excessiva de rotinas, contudo, pode restringir experiências e limitar a adaptação a cenários inéditos. O debate científico acerca dos critérios diagnósticos ressaltou que comportamentos repetitivos devem ser analisados em sua função adaptativa antes de serem classificados como disfuncionais (Buxbaum; Baron-Cohen, 2013). A interpretação funcional evita reducionismos clínicos. A compreensão contemporânea do autismo demanda um olhar atento às relações entre cognição, emoção e ambiente. Investigações sobre a sensibilidade dos critérios diagnósticos em crianças pequenas evidenciaram que manifestações precoces podem apresentar grande variabilidade, exigindo avaliações cuidadosas (Barton et al., 2013). A infância configura um período decisivo para a identificação de necessidades específicas. 9 No campo educacional, a presença de estudantes com perfis sensoriais diversos desafia práticas pedagógicas tradicionais. Reflexões sobre tecnologias emergentes apontam que recursos digitais podem ampliar vias de acesso ao conhecimento, favorecendo percursos de aprendizagem mais personalizados (Cabral, 2024). A inovação tecnológica passa a integrar o repertório inclusivo. O letramento digital, compreendido como competência comunicativa contemporânea, adquire relevância crescente na mediação do ensino. Estudos sobre alfabetização digital sugerem que novas formas de linguagem podem favorecer a expressão de estudantes que enfrentam barreiras na comunicação convencional (Cabral, 2022a). A pluralidade de códigos comunicativos amplia horizontes pedagógicos. A gestão educativa orientada pela diversidade cultural implica reconhecer que a inclusão depende de transformações institucionais profundas. Análises sobre modelos colaborativos indicam que ambientes escolares comprometidos com a acessibilidade tendem a produzir experiências acadêmicas mais equitativas (Cabral, 2022b). A cultura organizacional influencia diretamente o sucesso das práticas inclusivas. Metodologias ativas têm sido apontadas como alternativas promissoras para estimular o protagonismo discente. Investigações pedagógicas revelam que abordagens centradas na participação favorecem o engajamento cognitivo e reduzem barreiras à aprendizagem (Cabral, 2022c). A sala de aula transforma-se em espaço de construção compartilhada. O impacto das sensibilidades sensoriais no desenvolvimento global manifesta-se em múltiplas dimensões da vida cotidiana. A teoria da mente, ao explorar a capacidade de compreender intenções e emoções, oferece subsídios importantes para interpretar desafios relacionais presentes no espectro (Baron-Cohen, 1995). O desenvolvimento social emerge como processo interdependente. A articulação entre cognição social e comportamento adaptativo revela que dificuldades de interpretação podem influenciar a formação de vínculos. Discussões teóricas posteriores enfatizaram que a mente autista não deve ser compreendida a partir de déficits isolados, mas por meio de um perfil cognitivo específico (Baron-Cohen, 2008). Tal perspectiva favorece leituras mais complexas. A inserção no mundo do trabalho representa outro indicador relevante de qualidade de vida. Programas voltados ao emprego apoiado demonstraram que o fortalecimento das competências sociais e cognitivas amplia oportunidades de autonomia econômica (Baker-Ericzén et al., 2018). A inclusão profissional configura dimensão essencial da cidadania. O lazer, frequentemente subestimado nas análises acadêmicas, exerce função protetiva sobre o bem-estar psicológico. Evidências empíricas indicaram que a participação em atividades recreativas pode amortecer os efeitos do estresse, contribuindo para percepções mais positivas sobre a própria vida (Bishop-Fitzpatrick et al., 2017). O direito ao descanso integra a noção de dignidade. A experiência escolar inclusiva depende da convergência entre inovação pedagógica e sensibilidade institucional. Produções recentes sobre tecnologias educacionais destacam que 10 ambientes interativos favorecem percursos formativos mais acessíveis (Cabral, 2024). A acessibilidade deve ser concebida como princípio estruturante. As transformações digitais também redefinem modos de interação social, abrindo possibilidades comunicativas antes inexistentes. Reflexões sobre letramento digital ressaltam que a mediação tecnológica pode potencializar a expressão subjetiva e ampliar a participação cultural (Cabral, 2022a). A tecnologia torna-se ponte para novas formas de pertencimento. A gestão educacional comprometida com a diversidade reconhece que inclusão não se restringe à matrícula, exigindo condições concretas de permanência. Estudos sobre administração escolar indicam que lideranças sensíveis à diferença tendem a promover culturas institucionais mais acolhedoras (Cabral, 2022b). O compromisso ético orienta a prática educativa. O avanço das metodologias participativas reforça a importância de experiências pedagógicas que valorizem a autonomia intelectual. Pesquisas educacionais apontam que estratégias colaborativas estimulam processos reflexivos e favorecem aprendizagens duradouras (Cabral, 2022c). O conhecimento emerge do encontro entre sujeitos. A análise integrada das sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a rotinas revela que tais dimensões não podem ser examinadas de maneira fragmentada. O debate científico sobre critérios diagnósticos enfatiza que a compreensão do espectro exige modelos interpretativos capazes de articular biologia, cognição e cultura (Buxbaum; Baron-Cohen,2013). A complexidade constitui o traço definidor desse campo investigativo. A qualidade de vida de pessoas com TEA depende, em grande medida, da capacidade social de reconhecer diferenças como parte legítima da condição humana. Investigações sobre cognição social demonstram que ampliar oportunidades de compreensão mútua favorece relações mais simétricas (Begeer et al., 2011). O desenvolvimento humano floresce onde há reconhecimento. A produção científica contemporânea aponta para a necessidade de ultrapassar paradigmas centrados na normalização, substituindo-os por perspectivas que valorizem a singularidade. Estudos sobre sensibilidade diagnóstica reforçam que a variabilidade do espectro demanda respostas igualmente plurais (Barton et al., 2013). O conhecimento avança quando se abre à diversidade. 2.1. METODOLOGIA DA PESQUISA PARA DELINEAMENTO DO ARTIGO A presente pesquisa estrutura-se a partir de uma abordagem qualitativa, orientada pela análise interpretativa da produção científica relacionada às sensibilidades sensoriais, à rigidez comportamental e à adesão a rotinas no Transtorno do Espectro Autista, com ênfase nos impactos dessas dimensões sobre o desenvolvimento humano e a qualidade de vida. A investigação qualitativa busca compreender fenômenos complexos a partir dos significados que lhes são atribuídos, privilegiando a profundidade analítica em detrimento da mensuração numérica (Creswell, 2021). Tal 11 orientação metodológica revela-se particularmente adequada para estudos que envolvem processos subjetivos, experiências perceptivas e dinâmicas comportamentais. No que se refere à natureza, esta pesquisa caracteriza-se como fundamental, uma vez que se volta à ampliação do conhecimento teórico acerca das relações entre processamento sensorial e organização comportamental. Estudos metodológicos indicam que investigações dessa natureza contribuem para o avanço científico ao oferecer novas interpretações e ao tensionar paradigmas consolidados (Narciso; Santana, 2025). O propósito central não reside na aplicação imediata dos resultados, mas na produção de bases conceituais capazes de sustentar futuras práticas interventivas. Quanto aos objetivos, o estudo assume caráter exploratório e descritivo. A dimensão exploratória permite o mapeamento das principais tendências teóricas e lacunas existentes na literatura, enquanto o eixo descritivo favorece a organização sistemática do conhecimento produzido sobre o tema (Galvão; Ricarte, 2019). Essa combinação possibilita uma leitura abrangente do campo investigado, sem perder o rigor analítico necessário à pesquisa acadêmica. Os procedimentos técnicos adotados concentram-se na pesquisa bibliográfica e documental, entendidas como estratégias complementares de produção do conhecimento. A investigação bibliográfica fundamenta-se na análise de materiais previamente publicados, permitindo ao pesquisador acessar debates consolidados e identificar transformações conceituais ao longo do tempo (Batista; Kumada, 2021). Esse percurso favorece a construção de um referencial teórico consistente e criticamente articulado. A relevância da pesquisa bibliográfica no desenvolvimento de estudos científicos tem sido amplamente reconhecida pela literatura metodológica contemporânea. Revisões críticas apontam que esse tipo de investigação não se limita à reunião de textos, exigindo interpretação rigorosa e posicionamento analítico diante das fontes examinadas (Narciso; Santana, 2025). O trabalho intelectual envolve diálogo constante com os autores e problematização das ideias encontradas. A adoção de procedimentos sistemáticos para seleção e análise das produções científicas contribui para a transparência e a confiabilidade do estudo. O protocolo PRISMA tem sido recomendado como referência para revisões estruturadas, oferecendo diretrizes que auxiliam na rastreabilidade das decisões metodológicas (Page et al., 2021). Sua aplicação favorece a organização do corpus e reduz vieses de seleção. A utilização do PRISMA também permite visualizar as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos analisados. Esse modelo metodológico tem sido reconhecido como ferramenta eficaz para garantir rigor na condução de revisões sistemáticas e integrativas (Morales, 2022). O detalhamento do percurso investigativo fortalece a credibilidade científica. A pesquisa bibliográfica foi conduzida com o objetivo de reunir e examinar criticamente a produção acadêmica dedicada ao tema, considerando artigos científicos, livros, dissertações e documentos eletrônicos. Investigações sobre configurações metodológicas ressaltam que a 12 diversidade de fontes amplia a densidade interpretativa e evita leituras parciais do fenômeno estudado (Batista; Kumada, 2021). A pluralidade documental favorece análises mais robustas. A pesquisa documental complementa esse percurso ao incorporar materiais disponíveis em bases digitais e científicas. Estudos sobre investigações em políticas educacionais destacam que documentos institucionais e registros eletrônicos podem oferecer dados valiosos para a compreensão de contextos e práticas (Fávero; Centenaro, 2019). O cruzamento entre diferentes tipos de fonte fortalece a consistência teórica. A seleção das obras ocorreu em plataformas reconhecidas pela comunidade acadêmica, incluindo CAPES, Scopus, Web of Science, SciELO, Academia.edu e Google Acadêmico. Revisões metodológicas indicam que a escolha criteriosa das bases de dados contribui para a qualidade do levantamento e reduz o risco de omissões relevantes (Galvão; Ricarte, 2019). O rigor na busca constitui etapa essencial do processo científico. Foram adotados como critérios de inclusão a pertinência temática, a atualidade das publicações e o reconhecimento acadêmico dos periódicos ou editoras. Pesquisas metodológicas enfatizam que parâmetros claros de seleção promovem maior confiabilidade e permitem a replicabilidade do estudo (Narciso; Santana, 2025). A definição prévia desses critérios orientou todas as etapas subsequentes. A triagem inicial foi seguida por leitura exploratória, destinada à identificação de obras alinhadas aos objetivos da investigação. Abordagens qualitativas defendem que esse momento favorece o primeiro contato interpretativo com o material e possibilita a delimitação progressiva do corpus (Creswell, 2021). Trata-se de fase decisiva para a organização intelectual da pesquisa. Posteriormente, realizou-se leitura analítica, direcionada à identificação de conceitos-chave, convergências teóricas e tensões argumentativas. Estudos sobre revisão sistemática apontam que a análise aprofundada permite distinguir contribuições originais de repetições conceituais (Galvão; Ricarte, 2019). Esse procedimento amplia a qualidade interpretativa. Os dados foram examinados por meio da categorização temática, estratégia que possibilita agrupar conteúdos segundo núcleos de sentido. Pesquisas metodológicas indicam que a categorização favorece a construção de sínteses interpretativas e a identificação de padrões discursivos (Batista; Kumada, 2021). O processo analítico ocorreu de forma iterativa, permitindo revisões contínuas das categorias. O cruzamento entre os achados buscou evidenciar recorrências, divergências e lacunas presentes na literatura. Revisões críticas destacam que a comparação sistemática entre estudos constitui etapa indispensável para a produção de conhecimento relevante (Morales, 2022). A análise relacional permitiu compreender o fenômeno sob múltiplas perspectivas. A organização da narrativa científica exigiu atenção à coerência interna e à progressão argumentativa. Estudos sobre elaboração de projetos ressaltam que a sistematização criteriosa das 13 informações reduz inconsistências e fortalece a validade interpretativa (Creswell, 2021). A escrita foi orientada pelo compromisso com clarezaconceitual. A análise bibliográfica demanda postura crítica que ultrapasse a reprodução das ideias examinadas. Pesquisadores da área metodológica defendem que o investigador deve atuar como intérprete ativo, estabelecendo conexões e produzindo novas leituras (Narciso; Santana, 2025). O conhecimento emerge do diálogo reflexivo com as fontes. A escolha pela abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de compreender processos simbólicos e experiências subjetivas relacionadas ao espectro autista. Estudos clássicos sobre investigação educacional afirmam que fenômenos humanos não podem ser plenamente capturados por métricas isoladas (Silva et al., 2009). A interpretação torna-se ferramenta central. O delineamento metodológico buscou preservar a singularidade do campo investigado, reconhecendo que práticas pedagógicas e experiências sensoriais se constroem em contextos socioculturais específicos. Pesquisas documentais apontam que considerar tais contextos evita generalizações indevidas (Fávero; Centenaro, 2019). O cuidado analítico orientou todo o percurso. A construção do referencial teórico ocorreu de maneira articulada aos objetivos do estudo, permitindo identificar lacunas ainda pouco exploradas. Revisões sistemáticas demonstram que mapear ausências é tão relevante quanto registrar consensos (Page et al., 2021). O avanço científico depende dessa dupla atenção. O tratamento dos dados priorizou a consistência interpretativa e a fidelidade às fontes. Estudos metodológicos alertam que interpretações precipitadas podem comprometer a credibilidade da pesquisa (Galvão; Ricarte, 2019). A análise foi conduzida com prudência epistemológica. A investigação também considerou a necessidade de transparência na descrição dos procedimentos, elemento indispensável à ciência contemporânea. O uso de protocolos estruturados favorece a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica (Morales, 2022). A clareza metodológica sustenta a legitimidade do estudo. O percurso adotado reafirma a centralidade da pesquisa bibliográfica como ferramenta de produção de conhecimento nas ciências humanas. Configurações analíticas bem delineadas permitem que revisões teóricas transcendam a função de síntese e se tornem espaços de elaboração conceitual (Batista; Kumada, 2021). O método orienta o pensamento científico. A sistematização do material analisado possibilitou construir uma leitura integrada das sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a rotinas. Estudos recentes indicam que abordagens interpretativas são particularmente eficazes para examinar fenômenos que envolvem subjetividade e complexidade (Creswell, 2021). A compreensão aprofundada constitui o objetivo maior. Este delineamento metodológico procura assegurar rigor científico, densidade teórica e coerência analítica, elementos indispensáveis para investigações comprometidas com a produção de 14 conhecimento qualificado. Revisões críticas destacam que o valor de uma pesquisa reside tanto em suas descobertas quanto na solidez do caminho percorrido (Narciso; Santana, 2025). O método, nesse sentido, transforma-se em fundamento da própria inteligibilidade do estudo. 2.2. PROCESSAMENTO SENSORIAL ATÍPICO O processamento sensorial constitui uma dimensão fundamental da experiência humana, pois organiza a forma como o organismo percebe, interpreta e responde aos estímulos do ambiente. No caso do Transtorno do Espectro Autista, esse sistema frequentemente apresenta padrões de funcionamento singulares que desafiam modelos tradicionais de desenvolvimento. Abordagens desenvolvimentistas indicam que compreender essas particularidades exige olhar atento para as trajetórias individuais e para os contextos em que se manifestam (Charman, 2010). A análise do fenômeno ultrapassa descrições clínicas e alcança o campo das relações sociais e educacionais. A percepção sensorial atípica pode revelar-se por meio de reações intensificadas ou reduzidas diante de estímulos cotidianos, o que transforma experiências ordinárias em eventos potencialmente desorganizadores. Estudos centrados na prática pedagógica destacam que professores frequentemente interpretam tais reações como comportamentos disruptivos quando não possuem formação específica para reconhecê-las (Drumond Ischkanian, 2023). Essa lacuna interpretativa tende a produzir respostas institucionais inadequadas. A literatura enfatiza que a hipersensibilidade sonora figura entre as manifestações mais relatadas, podendo gerar sofrimento significativo em ambientes ruidosos. Programas educacionais voltados ao autismo defendem que ajustes acústicos e organização espacial contribuem para maior permanência e engajamento nas atividades escolares (Drumond Ischkanian, 2025). A arquitetura do espaço educativo, portanto, assume papel pedagógico. Certas crianças demonstram rejeição a texturas específicas, recusando materiais escolares, vestimentas ou alimentos cuja superfície provoque desconforto. O uso de recursos lúdicos tem sido apontado como estratégia capaz de ampliar gradualmente a tolerância sensorial, favorecendo experiências menos ameaçadoras (Drumond Ischkanian, 2018). A mediação sensível transforma o contato com o mundo em processo exploratório. A hipossensibilidade, por sua vez, pode conduzir à busca constante por estímulos mais intensos, revelando uma tentativa do organismo de alcançar níveis perceptivos satisfatórios. Propostas educacionais que incorporam atividades motoras e expressivas indicam ganhos na organização comportamental quando tais necessidades são reconhecidas (Drumond Ischkanian, 2020). O corpo emerge como via de aprendizagem. Modelos clínicos baseados no desenvolvimento emocional ressaltam que a regulação sensorial está profundamente ligada à qualidade das interações precoces. O Modelo DIR propõe intervenções centradas na relação, nas quais o adulto atua como parceiro na construção de 15 significados compartilhados (Caldeira da Silva et al., 2003). O vínculo torna-se instrumento terapêutico. O reconhecimento precoce dos sinais sensoriais pode favorecer trajetórias mais ajustadas ao longo da infância. Relatos familiares amplamente divulgados na mídia demonstram que muitos indícios já se manifestam nos primeiros anos de vida, embora frequentemente passem despercebidos (Crescer Online, 2026). A escuta das experiências parentais amplia o repertório interpretativo dos profissionais. Ambientes escolares nem sempre se mostram preparados para acolher estudantes que percebem o mundo de maneira distinta. Notícias que denunciam práticas excludentes evidenciam a persistência de barreiras institucionais sustentadas por concepções restritas de normalidade (Crescer Online, 2022). A inclusão depende de transformações culturais. A intervenção pedagógica exige compreensão de que o comportamento sensorial não configura mera reação fisiológica, mas expressão de modos particulares de estar no mundo. Estudos sobre métodos educacionais apontam que adaptações curriculares e flexibilização das rotinas favorecem processos de aprendizagem mais consistentes (Drumond Ischkanian, 2020). A pedagogia inclusiva nasce do reconhecimento da diferença. Experiências expressivas, como o desenho, oferecem caminhos alternativos para a comunicação quando a linguagem verbal não supre determinadas necessidades. Pesquisas sobre práticas artísticas sugerem que a produção visual pode funcionar como organizador interno e ferramenta de autorregulação (Drumond Ischkanian, 2019). A imagem adquire estatuto de linguagem. O teatro terapêutico surge como outro dispositivo promissor ao integrar movimento, emoção e interação social. Investigações demonstram que atividades dramáticas contribuem para a ampliação da consciência corporal e para o manejo das respostas sensoriais (Corbett et al., 2011). A cena converte-se em espaço de experimentação subjetiva.Programas comunitários voltados ao desenvolvimento infantil reforçam a importância de redes de apoio capazes de orientar famílias e educadores. Iniciativas colaborativas indicam que a troca de experiências fortalece estratégias de cuidado e amplia o acesso a informações qualificadas (Crescer Org, 2026). O conhecimento circula quando se constrói coletivamente. A relação entre processamento sensorial e aprendizagem revela-se particularmente complexa quando se observa o impacto da sobrecarga perceptiva na atenção. Pesquisas educacionais afirmam que a organização previsível das atividades contribui para reduzir a dispersão e favorecer a permanência nas tarefas (Drumond Ischkanian, 2025). Estrutura e sensibilidade não se opõem. O brincar ocupa posição estratégica na construção de repertórios adaptativos. Estudos que exploram jogos e brincadeiras destacam que a experimentação guiada possibilita integrar diferentes 16 canais sensoriais em experiências significativas (Drumond Ischkanian, 2018). O jogo configura laboratório de percepções. A leitura também pode ser afetada por condições sensoriais específicas, sobretudo quando o excesso de estímulos visuais interfere na concentração. Propostas metodológicas defendem a utilização de materiais organizados e visualmente acessíveis para facilitar o processamento da informação escrita (Drumond Ischkanian, 2015). O design pedagógico comunica silenciosamente. A compreensão do processamento sensorial demanda articulação entre saberes clínicos e educacionais. Estudos sobre desenvolvimento humano ressaltam que intervenções fragmentadas tendem a limitar o alcance das práticas, enquanto abordagens integradas ampliam possibilidades de progresso (Charman, 2010). O diálogo interdisciplinar sustenta avanços. A pesquisa qualitativa oferece instrumentos valiosos para captar a complexidade dessas experiências, permitindo interpretar narrativas, contextos e significados. Perspectivas metodológicas defendem que tal abordagem favorece análises densas quando o objetivo envolve fenômenos subjetivos (Creswell, 2021). O rigor interpretativo orienta a produção do conhecimento. A formação docente emerge como eixo decisivo para o enfrentamento dos desafios associados às sensibilidades sensoriais. Investigações sobre atuação profissional indicam que educadores preparados demonstram maior capacidade de ajustar práticas e promover participação efetiva (Drumond Ischkanian, 2023). Competência pedagógica implica sensibilidade ética. Projetos educacionais contemporâneos enfatizam a necessidade de reconhecer o estudante autista como sujeito ativo na construção do próprio percurso formativo. Trabalhos voltados a métodos e programas educacionais apontam que a escuta das preferências sensoriais pode orientar intervenções mais respeitosas (Drumond Ischkanian, 2020). A autonomia nasce do reconhecimento. A análise do processamento sensorial atípico conduz à compreensão de que o desconforto frequentemente interpretado como resistência traduz tentativas de autoproteção. O Modelo DIR sustenta que respostas empáticas do adulto favorecem estados emocionais mais regulados e ampliam oportunidades de interação (Caldeira da Silva et al., 2003). A relação antecede a aprendizagem. Refletir sobre essas experiências implica reconhecer que perceber o mundo de maneira singular não representa déficit absoluto, mas uma variação na organização perceptiva. Abordagens desenvolvimentistas sugerem que o desafio contemporâneo reside em construir ambientes capazes de dialogar com essa diversidade (Charman, 2010). A educação inclusiva ganha profundidade quando abandona expectativas homogêneas e passa a considerar a pluralidade das formas humanas de sentir e compreender a realidade. 2.3. RIGIDEZ COMPORTAMENTAL A rigidez comportamental configura um dos traços mais investigados no campo do Transtorno do Espectro Autista, revelando padrões de pensamento e ação que privilegiam 17 estabilidade em detrimento da variabilidade. Estudos sobre cognição social indicam que tais padrões não devem ser interpretados apenas como resistência voluntária, mas como expressão de modos específicos de processamento mental (Frith; Happé, 1994). A previsibilidade assume valor organizador diante de um mundo frequentemente percebido como incerto. A dificuldade em lidar com transformações ambientais tende a produzir respostas emocionais intensas quando expectativas são rompidas. Revisões sobre aquisição da linguagem sugerem que a organização cognitiva mais literal pode contribuir para a preferência por estruturas conhecidas (Eigsti et al., 2011). A segurança emerge quando o cenário mantém coerência. Pesquisas sobre julgamentos gramaticais apontam que diferenças no processamento linguístico podem refletir estilos cognitivos marcados pela busca de regularidade. Investigações demonstram que certos indivíduos no espectro interpretam desvios estruturais como eventos perturbadores, ainda que mínimos (Eigsti; Bennetto, 2009). O apego à forma revela uma lógica interna consistente. A compreensão sintática complexa também tem sido associada à flexibilidade mental. Estudos que examinam o uso de orações relativas observaram que demandas linguísticas mais sofisticadas podem exigir reconfigurações cognitivas desafiadoras para parte dessa população (Durrleman et al., 2015). A linguagem torna-se espelho da organização do pensamento. Discussões teóricas propõem que a rigidez não se limita ao comportamento observável, alcançando processos inferenciais e interpretativos. Pesquisas que expandem a teoria da mente indicam que a dificuldade em antecipar perspectivas alternativas pode favorecer rotinas mentais estáveis (Frith; Happé, 1994). A constância protege contra ambiguidades sociais. Mudanças nos sistemas classificatórios ampliaram a compreensão desse fenômeno ao integrar diferentes manifestações sob um mesmo espectro. Análises sobre revisões diagnósticas ressaltam que a heterogeneidade exige critérios capazes de abarcar múltiplos perfis (Gibbs et al., 2012). O diagnóstico contemporâneo reconhece gradações. Debates sobre a permanência de categorias específicas revelaram preocupações quanto à perda de nuances clínicas. Argumentações acerca da possível retirada da síndrome de Asperger enfatizaram a necessidade de preservar descrições detalhadas das características cognitivas (Ghaziuddin, 2010). A precisão conceitual orienta intervenções. A interpretação social da rigidez frequentemente se entrelaça a mitos que obscurecem a compreensão pública do autismo. Reflexões críticas destacam que preconceitos históricos contribuíram para leituras simplificadas do comportamento repetitivo (Filipe, 2012). O conhecimento científico atua como contraponto à estigmatização. O campo da prosódia oferece pistas relevantes para compreender como a previsibilidade pode orientar a comunicação. Pesquisas sobre segmentação vocal apontam que padrões entonacionais 18 regulares favorecem a interpretação de mensagens (Filipe; Vicente, 2010). A musicalidade da fala organiza a experiência interacional. Investigações neuropsicológicas clássicas já sinalizavam que a flexibilidade cognitiva depende de circuitos responsáveis pela adaptação estratégica. Instrumentos avaliativos amplamente utilizados revelaram que dificuldades nessa área podem repercutir em planejamento e tomada de decisão (Golden, 1987). O cérebro busca economia de esforço. A linguagem figurada representa um território particularmente desafiador quando se exige afastamento do sentido literal. Meta-análises demonstram que metáforas e ironias requerem deslocamentos interpretativos que nem sempre ocorrem espontaneamente (Kalandadze et al., 2018). O pensamento concreto preserva estabilidade semântica. A participação em atividades extracurriculares pode funcionar como laboratório de flexibilidade ao expor crianças e jovens a contextos variados. Estudossobre engajamento social indicam que experiências estruturadas ampliam repertórios comportamentais (Kaljaĉa; Duĉić; Cvijetić, 2019). O contato com o novo torna-se aprendizagem. O desenvolvimento histórico das teorias do autismo revela um movimento gradual de afastamento de explicações reducionistas. Perspectivas contemporâneas sugerem que a rigidez pode coexistir com notáveis competências analíticas (Frith; Happé, 1994). Singularidade não equivale a limitação absoluta. No âmbito linguístico, a tendência à repetição pode refletir tentativa de manter coerência discursiva. Revisões sobre desenvolvimento comunicativo indicam que scripts verbais oferecem suporte para a interação quando a improvisação gera incerteza (Eigsti et al., 2011). O roteiro produz previsibilidade. O encontro entre rigidez e criatividade suscita debates instigantes, sobretudo quando interesses específicos são explorados de maneira aprofundada. Estudos sobre sintaxe complexa sugerem que foco persistente pode favorecer domínio técnico em determinadas áreas (Durrleman et al., 2015). A especialização nasce da constância. A análise cultural do autismo recorda que cada sociedade define expectativas próprias sobre adaptação. Reflexões conceituais apontam que o estranhamento diante de comportamentos repetitivos revela normas implícitas de sociabilidade (Filipe, 2012). O desvio depende do olhar coletivo. Processos diagnósticos mais refinados contribuíram para identificar manifestações sutis da rigidez em diferentes fases do desenvolvimento. Comparações entre versões classificatórias demonstraram maior sensibilidade na detecção de perfis variados (Gibbs et al., 2012). A ciência aprimora suas lentes. A previsibilidade também pode favorecer autorregulação emocional quando o ambiente oferece poucas surpresas. Argumentos clínicos defendem que rotinas estruturadas reduzem a sobrecarga cognitiva (Ghaziuddin, 2010). Estabilidade não implica estagnação. 19 A articulação entre cognição e linguagem revela que a flexibilidade depende de múltiplos sistemas interdependentes. Estudos sobre compreensão figurativa reforçam que interpretar o implícito exige coordenação entre memória, atenção e inferência (Kalandadze et al., 2018). Complexidade define o funcionamento mental. Refletir sobre rigidez comportamental conduz à compreensão de que autonomia não se constrói pela negação das características individuais, mas pela criação de contextos que ampliem possibilidades de escolha. Investigações sobre participação social sugerem que ambientes responsivos favorecem trajetórias mais independentes (Kaljaĉa; Duĉić; Cvijetić, 2019). O desafio contemporâneo reside em transformar previsibilidade em plataforma para o crescimento, reconhecendo que cada percurso humano combina permanência e transformação em proporções singulares. 2.4. ADESÃO A ROTINAS COMO ESTRATÉGIA DE ORGANIZAÇÃO A adesão a rotinas constitui um dos elementos organizadores mais consistentes na experiência cotidiana de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, funcionando como uma matriz temporal que oferece inteligibilidade ao mundo social. Pesquisas longitudinais demonstram que a previsibilidade pode favorecer trajetórias de desenvolvimento mais estáveis quando combinada a intervenções precoces (Lord et al., 2006). A regularidade transforma o ambiente em território cognitivamente navegável. O crescimento das taxas diagnósticas intensificou o interesse científico por estratégias que promovam organização comportamental desde a infância. Relatórios epidemiológicos apontam aumento significativo na prevalência do autismo, reforçando a urgência de práticas estruturadas que apoiem o desenvolvimento adaptativo (Knopf, 2020). A rotina surge como ferramenta de mediação entre sujeito e contexto. Investigações clínicas indicam que intervenções baseadas na atenção compartilhada produzem ganhos comunicativos relevantes, sobretudo quando inseridas em sequências previsíveis de interação. Ensaios controlados evidenciaram que programas estruturados ampliam iniciativas sociais e competências simbólicas (Kasari; Freeman; Paparella, 2006). A repetição planejada cria oportunidades para o surgimento da intenção comunicativa. Estudos posteriores compararam abordagens centradas no brincar e na atenção conjunta, observando efeitos positivos sobre a linguagem quando as atividades obedeciam a uma organização temporal clara. Resultados experimentais revelaram que crianças expostas a rotinas interativas demonstraram maior engajamento verbal (Kasari et al., 2008). O tempo estruturado favorece aprendizagem significativa. A variabilidade nas habilidades comunicativas tem sido relacionada a fatores cognitivos e ao funcionamento adaptativo. Pesquisas com pré-escolares identificaram que níveis mais elevados de 20 organização cotidiana se correlacionam com melhor desempenho linguístico (Kjellmer et al., 2012). Estrutura e comunicação mantêm relação dinâmica. A atribuição de sentido social a estímulos ambíguos pode tornar-se particularmente desafiadora quando o ambiente carece de previsibilidade. Experimentos sobre percepção social indicaram que indivíduos com autismo tendem a interpretar cenas de modo mais consistente quando padrões são reconhecíveis (Klin, 2000). A estabilidade perceptiva reduz a carga interpretativa. Modelos contemporâneos descrevem o autismo como condição marcada por diferenças no desenvolvimento neurobiológico que influenciam adaptação ao longo da vida. Revisões abrangentes destacam que suportes ambientais previsíveis podem mitigar dificuldades funcionais (Lord et al., 2018). O cuidado estruturado atua como fator protetivo. A organização rotineira também desempenha papel relevante na evolução da linguagem receptiva durante a transição para a vida adulta. Estudos comparativos observaram que sujeitos acompanhados em contextos consistentes apresentaram melhores desfechos cognitivos (Mawhood; Howlin; Rutter, 2003). Continuidade favorece consolidação de habilidades. O desenvolvimento da atenção compartilhada depende frequentemente de cenários interacionais repetidos, nos quais expectativas são gradualmente internalizadas. Pesquisas brasileiras evidenciaram que práticas estruturadas ampliam a capacidade de coordenar foco entre pessoas e objetos (Menezes; Perissinoto, 2008). O encontro social requer previsibilidade mínima. A compreensão das emoções e da empatia envolve processos executivos complexos que se beneficiam de ambientes organizados. Investigações com adultos de alto funcionamento sugerem que rotinas consistentes auxiliam no reconhecimento emocional (Montgomery et al., 2016). Organização externa apoia regulação interna. Estudos correlacionais indicam que inteligência emocional e teoria da mente podem predizer resultados sociais quando acompanhadas por estratégias de planejamento cotidiano. Análises demonstraram que funções executivas mediadas por hábitos estáveis contribuem para maior participação comunitária (Montgomery; Stoesz; McCrimmon, 2012). Estrutura prepara para a interação. Narrativas familiares frequentemente descrevem a rotina como eixo de equilíbrio doméstico, especialmente diante das demandas imprevisíveis do cuidado. Relatos jornalísticos revelam que decisões reprodutivas e projetos de vida são influenciados pela experiência concreta de conviver com o espectro (Lima, 2025a). O cotidiano reorganiza expectativas existenciais. Histórias de apoio entre colegas ilustram como a previsibilidade das relações pode gerar segurança emocional em contextos escolares. Episódios amplamente divulgados mostram que gestos consistentes fortalecem vínculos e favorecem pertencimento (Lima, 2025b). A estabilidade afetiva amplia horizontes sociais. 21 Testemunhos de irmãos ressaltam o impacto das rotinas na construção de esperança comunicativa dentro da família. Registros midiáticos apresentam desejos de desenvolvimentoverbal associados à manutenção de práticas regulares (Lima, 2025c). O tempo reiterado sustenta projetos de futuro. A consolidação de hábitos diários também dialoga com o processo de autonomia progressiva, permitindo que a pessoa antecipe eventos e organize respostas. Estudos longitudinais reforçam que previsibilidade reduz comportamentos disruptivos ao diminuir a incerteza ambiental (Lord et al., 2006). Antecipação produz segurança. O aumento da prevalência reforça a necessidade de políticas educacionais que incorporem planejamento estruturado. Dados epidemiológicos sugerem que sistemas escolares precisarão adaptar rotinas institucionais para acolher maior diversidade neurocognitiva (Knopf, 2020). A organização coletiva acompanha transformações demográficas. Programas terapêuticos orientados pela regularidade têm demonstrado potencial para fortalecer competências simbólicas e sociais. Ensaios clínicos apontam que intervenções previsíveis favorecem generalização de habilidades (Kasari et al., 2008). A repetição intencional transforma-se em ferramenta pedagógica. A heterogeneidade do espectro exige reconhecer que a rotina pode assumir funções distintas conforme o perfil individual. Revisões clínicas enfatizam que suportes devem ser calibrados para evitar dependência excessiva (Lord et al., 2018). Flexibilidade planejada preserva a autonomia emergente. O percurso rumo à vida adulta revela que hábitos consistentes contribuem para estabilidade ocupacional e relacional. Estudos de acompanhamento identificaram melhor adaptação entre aqueles que internalizaram sequências organizadoras desde cedo (Mawhood; Howlin; Rutter, 2003). A temporalidade estruturada orienta escolhas. Refletir sobre a adesão a rotinas implica reconhecer que previsibilidade não representa oposição à transformação, mas condição para que mudanças sejam assimiladas com menor sofrimento. Evidências sobre atenção compartilhada indicam que estruturas confiáveis funcionam como plataformas para novas aprendizagens (Menezes; Perissinoto, 2008). O equilíbrio entre permanência e abertura delineia caminhos mais humanos para o desenvolvimento e para a qualidade de vida. 2.5. IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO GLOBAL O desenvolvimento global de pessoas com Transtorno do Espectro Autista requer compreensão integrada das dimensões cognitivas, emocionais e sociais que estruturam a experiência humana. Investigações sobre atenção conjunta e imitação demonstram que tais habilidades constituem alicerces para a construção da comunicação e da aprendizagem simbólica (Mora; Fortea, 22 2012). Quando esses processos se organizam de maneira atípica, todo o percurso maturacional pode adquirir ritmos particulares. A avaliação das capacidades intelectuais tem contribuído para identificar perfis heterogêneos dentro do espectro, revelando combinações singulares de potencialidades e dificuldades. Estudos de adaptação do WAIS-III ao contexto brasileiro evidenciaram a importância de instrumentos sensíveis às especificidades culturais e neuropsicológicas (Nascimento, 2004). A mensuração adequada permite interpretações menos reducionistas do desempenho. As competências inferenciais ocupam papel decisivo na compreensão de narrativas e na interpretação de intenções alheias. Pesquisas comparativas indicaram que crianças com diferentes transtornos da comunicação apresentam padrões distintos de recordação de histórias, sendo o grupo com autismo marcado por desafios na leitura implícita dos eventos (Norbury; Bishop, 2002). A construção de sentido exige coordenação entre memória e interpretação. Estratégias alternativas de comunicação têm revelado caminhos promissores para ampliar a participação social de sujeitos pré-linguísticos. Um estudo de caso demonstrou que o uso de cartões ilustrados possibilitou reparar falhas de entendimento entre interlocutores, promovendo maior autonomia interacional (Ohtake et al., 2010). Recursos visuais funcionam como pontes simbólicas. A experiência estética pode favorecer processos psicológicos complexos ao estimular imaginação e expressão emocional. Reflexões fundamentadas em Vygotsky destacam que o teatro escolar potencializa a internalização de papéis sociais e amplia repertórios afetivos (Oliveira; Stoltz, 2010). A arte oferece território fértil para experimentação subjetiva. O campo das neurociências tem enfatizado que o autismo não constitui entidade homogênea, mas conjunto de trajetórias neurobiológicas diversas. Sínteses de pesquisas contemporâneas apontam que fatores genéticos e ambientais interagem na formação dessas diferenças (Ozonoff; Rogers; Hendren, 2003). A multiplicidade desafia generalizações apressadas. A prosódia, componente essencial da linguagem oral, influencia diretamente a interpretação emocional das mensagens. Investigações sobre percepção e produção entonacional revelaram que indivíduos no espectro podem apresentar padrões vocais singulares, com repercussões na reciprocidade comunicativa (Paul et al., 2005). A musicalidade da fala carrega significados sociais profundos. O diagnóstico linguístico precoce amplia possibilidades de intervenção ao permitir identificação detalhada das necessidades comunicativas. Estudos na área da fonoaudiologia ressaltam que compreender o perfil expressivo e receptivo orienta práticas terapêuticas mais precisas (Perissinoto, 2004). Conhecer o funcionamento verbal evita abordagens genéricas. Processos avaliativos consistentes funcionam como precursores de diagnósticos mais confiáveis, reduzindo equívocos interpretativos. Pesquisas sobre avaliação clínica destacam que 23 observar múltiplos contextos favorece compreensão abrangente do desenvolvimento infantil (Perissinoto; Chiari, 2003). A observação qualificada sustenta decisões éticas. A maneira como crianças formulam pedidos revela concepções implícitas acerca da agência do outro. Estudos clássicos demonstraram que algumas crianças com autismo tendem a tratar interlocutores como instrumentos para alcançar objetivos imediatos, indicando desafios na compreensão da subjetividade alheia (Phillips et al., 1995). Reconhecer o outro como sujeito constitui marco relacional. A articulação entre comunicação e cognição social depende da capacidade de compartilhar atenção, gesto que inaugura formas mais complexas de interação. Pesquisas apontam que dificuldades nesse domínio podem repercutir na aprendizagem acadêmica e nas amizades (Mora; Fortea, 2012). O encontro de olhares inaugura significados. Instrumentos psicométricos também revelam que habilidades intelectuais não se distribuem de maneira linear, frequentemente coexistindo áreas de excelência e fragilidades. A normatização brasileira do WAIS-III evidenciou a relevância de análises qualitativas complementares aos escores numéricos (Nascimento, 2004). A inteligência não se resume a índices. A interpretação de narrativas envolve competências pragmáticas que ultrapassam a decodificação literal das palavras. Estudos sobre processamento inferencial indicam que dificuldades nesse campo podem limitar a compreensão de metáforas sociais presentes em histórias (Norbury; Bishop, 2002). Ler entrelinhas demanda flexibilidade cognitiva. Sistemas de comunicação alternativa transformam o cotidiano ao oferecer meios concretos para expressar intenções e emoções. Evidências empíricas demonstram que suportes visuais reduzem frustrações comunicativas e ampliam participação (Ohtake et al., 2010). A linguagem pode assumir múltiplas materialidades. A vivência teatral, ao integrar corpo e emoção, promove reorganizações internas que repercutem no desenvolvimento social. Análises educacionais sugerem que dramatizações possibilitam experimentar perspectivas diversas (Oliveira; Stoltz, 2010). Representar papéis amplia horizontes interpretativos. As contribuições da investigação científica contemporânea reiteram que o desenvolvimentono espectro segue percursos não lineares, exigindo leitura sensível das singularidades. Revisões especializadas enfatizam a necessidade de intervenções individualizadas (Ozonoff; Rogers; Hendren, 2003). Cada trajetória expressa combinação irrepetível de fatores. A entonação vocal, frequentemente negligenciada, desempenha função estruturante na comunicação afetiva. Estudos demonstram que padrões prosódicos atípicos podem gerar interpretações equivocadas por parte dos interlocutores (Paul et al., 2005). A forma sonora comunica tanto quanto o conteúdo. 24 Diagnósticos detalhados contribuem para evitar interpretações equivocadas de comportamentos que, à primeira vista, podem parecer desinteresse social. Pesquisas fonoaudiológicas indicam que compreender intenções comunicativas ocultas favorece intervenções mais humanizadas (Perissinoto, 2004). Escutar exige sensibilidade técnica. A avaliação clínica, quando conduzida de modo rigoroso, transforma-se em instrumento de promoção do desenvolvimento ao orientar estratégias educativas e terapêuticas. Estudos destacam que procedimentos sistemáticos reduzem a probabilidade de rotulações imprecisas (Perissinoto; Chiari, 2003). Precisão diagnóstica protege trajetórias. O reconhecimento do outro como agente intencional constitui fundamento da vida social e influencia diretamente a qualidade dos vínculos estabelecidos ao longo da existência. Evidências experimentais mostram que trabalhar essa dimensão desde cedo amplia possibilidades relacionais (Phillips et al., 1995). O desenvolvimento global emerge do entrelaçamento entre mente, emoção e cultura, exigindo olhares que valorizem complexidade e potencial humano. 2.6. REPERCUSSÕES NA QUALIDADE DE VIDA A qualidade de vida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista está profundamente vinculada às condições ambientais que moldam suas experiências cotidianas. Investigações neuropsicológicas apontam que a mente autista apresenta modos particulares de processar informações, o que exige contextos capazes de reconhecer tais especificidades sem reduzi-las a déficits (Pisula, 2010). O bem-estar emerge quando há compatibilidade entre características individuais e demandas sociais. Os processos comunicativos ocupam lugar central na construção de trajetórias satisfatórias, pois mediam o acesso à cultura e às relações humanas. Estudos sobre desenvolvimento social e emocional indicam que intervenções voltadas à comunicação ampliam oportunidades de participação e favorecem sentimentos de pertencimento (Prizant, 1996). A ausência de suporte adequado pode transformar situações corriqueiras em fontes persistentes de tensão. A ecolalia, frequentemente interpretada de modo simplista, revela funções comunicativas complexas quando analisada sob perspectiva funcional. Pesquisas clássicas demonstraram que repetições imediatas podem servir à autorregulação, à manutenção da interação e à elaboração cognitiva (Prizant; Duchan, 1981). Reconhecer essa intencionalidade altera práticas educativas e terapêuticas. A participação em atividades sociais constitui indicador relevante de qualidade de vida durante a adolescência, fase marcada pela busca de autonomia. Levantamentos populacionais evidenciaram que jovens no espectro tendem a apresentar menor engajamento em eventos comunitários, cenário frequentemente associado à escassez de oportunidades inclusivas (Shattuck et al., 2011). Ambientes receptivos transformam esse panorama. 25 Características prosódicas singulares podem interferir na forma como a fala é percebida pelos interlocutores, influenciando julgamentos sociais. Pesquisas sobre adolescentes e adultos com alto funcionamento identificaram padrões vocais atípicos que, quando mal interpretados, contribuem para equívocos relacionais (Shriberg et al., 2001). Sensibilidade comunicativa reduz barreiras invisíveis. Os primeiros anos de vida representam período decisivo para a constituição das competências interativas. Estudos sobre atos comunicativos no segundo ano indicam que sinais precoces permitem intervenções que impactam positivamente o desenvolvimento posterior (Shumway; Wetherby, 2009). A detecção antecipada favorece trajetórias mais estáveis. A competência discursiva influencia diretamente a capacidade de inserir-se em práticas culturais que dependem da narrativa. Análises do desempenho discursivo mostraram que crianças autistas podem enfrentar desafios ao introduzir histórias, o que repercute na construção de identidade social (Solomon, 2004). Narrar experiências significa ocupar um lugar simbólico no mundo. Os fundamentos neurais da teoria da mente ajudam a compreender dificuldades na interpretação de estados mentais alheios. Pesquisas sobre contribuições do lobo frontal revelaram sua relevância para inferir intenções, habilidade essencial para interações complexas (Stone; Baron- Cohen; Knight, 1998). Relações mais previsíveis tendem a reduzir sobrecargas cognitivas. Abordagens psicológicas voltadas à linguagem social enfatizam que compreender pensamentos de outras pessoas envolve articulação entre cognição e emoção. Revisões teóricas destacam que limitações nesse domínio podem restringir experiências compartilhadas, afetando percepções de satisfação (Tager-Flusberg, 1999). A qualidade de vida não se dissocia da reciprocidade. Investigações posteriores aprofundaram as conexões entre linguagem e compreensão da mente, sugerindo que o desenvolvimento desses sistemas ocorre de maneira interdependente. Evidências indicam que avanços linguísticos favorecem leituras mais refinadas das intenções sociais (Tager-Flusberg, 2000). A comunicação amplia horizontes interpretativos. Direções contemporâneas da pesquisa apontam para a necessidade de integrar genética, neurociência e estudos comportamentais na análise do espectro. Revisões abrangentes reforçam que intervenções baseadas em evidências contribuem para melhores desfechos adaptativos (Tager- Flusberg; Joseph; Folstein, 2001). Conhecimento científico orienta políticas mais sensíveis. A linguagem permanece como eixo estruturante do desenvolvimento humano, influenciando desde aprendizagens escolares até vínculos afetivos. Sínteses especializadas descrevem grande variabilidade comunicativa entre pessoas autistas, o que exige respostas educacionais individualizadas (Tager-Flusberg; Paul; Lord, 2005). Singularidade demanda flexibilidade institucional. 26 A aquisição linguística na educação infantil tem sido associada a múltiplos fatores, incluindo cognição e ambiente familiar. Estudos longitudinais identificaram preditores importantes desse processo, indicando que suporte intensivo pode alterar trajetórias inicialmente consideradas desfavoráveis (Thurm et al., 2007). Expectativas precisam ser guiadas por evidências. Critérios diagnósticos influenciam diretamente o acesso a serviços e recursos especializados. Análises comparativas entre versões do DSM demonstraram diferenças relevantes na sensibilidade e especificidade dos critérios, com implicações para políticas de atendimento (Tsai, 2012). Classificar envolve responsabilidades éticas. Panoramas clínicos amplos descrevem o autismo como condição marcada por diversidade fenotípica e trajetórias desenvolvimentais heterogêneas. Revisões consolidadas destacam que suporte contínuo ao longo da vida está associado a melhores indicadores de adaptação (Volkmar et al., 2004). Continuidade assistencial sustenta estabilidade. Indagações sobre morfologia linguística sugerem tendência ao processamento local, característica que pode influenciar a compreensão de estruturas gramaticais complexas. Esse viés foi relacionado a padrões específicos de organização cognitiva (Vulchanova et al., 2012). Conhecer tais particularidades favorece práticas pedagógicas mais eficazes. A avaliação intelectual permanece instrumento relevante para planejar intervenções educacionais