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SENSIBILIDADES SENSORIAIS, RIGIDEZ COMPORTAMENTAL E ADESÃO A 
ROTINAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: IMPACTOS NO 
DESENVOLVIMENTO E NA QUALIDADE DE VIDA. 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por alterações no neurodesenvolvimento que afetam a 
comunicação, a interação social e os padrões comportamentais, frequentemente associados a sensibilidades 
sensoriais atípicas, rigidez comportamental e forte adesão a rotinas. Este estudo tem como objetivo analisar de 
que maneira essas características influenciam o desenvolvimento global e a qualidade de vida de indivíduos 
com TEA, considerando aspectos cognitivos, emocionais e sociais. A metodologia adotada será de natureza 
aplicada, com abordagem qualitativa e quantitativa, por meio de revisão bibliográfica recente, aplicação de 
instrumentos padronizados e, quando possível, coleta de dados com familiares e profissionais que 
acompanham pessoas com TEA. Espera-se identificar como as particularidades sensoriais podem impactar a 
adaptação aos diferentes ambientes, bem como compreender de que forma a previsibilidade das rotinas pode 
contribuir tanto para a organização do cotidiano quanto para possíveis limitações na flexibilidade 
comportamental. Pretende-se, ainda, discutir estratégias de intervenção que favoreçam a autonomia, a inclusão 
social e o bem-estar, respeitando as especificidades de cada indivíduo. Como avanço científico, a pesquisa 
busca ampliar a compreensão sobre a relação entre processamento sensorial, comportamento e qualidade de 
vida, oferecendo subsídios para práticas educacionais e terapêuticas mais eficazes e humanizadas. O estudo 
poderá contribuir para o desenvolvimento de abordagens que promovam maior participação social e melhores 
condições de desenvolvimento para pessoas com TEA, além de apoiar familiares e profissionais na construção 
de ambientes mais acessíveis e responsivos às necessidades desse público. 
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; sensibilidades sensoriais; rigidez comportamental; 
qualidade de vida. 
 
 
SENSORY SENSITIVITIES, BEHAVIORAL RIGIDITY, AND ADHERENCE TO 
ROUTINES IN AUTISM SPECTRUM DISORDER: IMPACTS ON DEVELOPMENT AND 
QUALITY OF LIFE. 
Autism Spectrum Disorder (ASD) is characterized by neurodevelopmental changes that affect communication, 
social interaction, and behavioral patterns, often associated with atypical sensory sensitivities, behavioral 
rigidity, and strong adherence to routines. This study aims to analyze how these characteristics influence the 
overall development and quality of life of individuals with ASD, considering cognitive, emotional, and social 
aspects. The methodology adopted will be applied in nature, using both qualitative and quantitative approaches 
through a recent literature review, the application of standardized instruments, and, when possible, data 
collection involving family members and professionals who support individuals with ASD. The study is 
expected to identify how sensory particularities may impact adaptation to different environments, as well as to 
understand how the predictability of routines can contribute to daily organization while also potentially 
limiting behavioral flexibility. Additionally, the research intends to discuss intervention strategies that promote 
autonomy, social inclusion, and well-being while respecting the specificities of each individual. As a scientific 
contribution, this research seeks to expand the understanding of the relationship between sensory processing, 
behavior, and quality of life, providing support for more effective and humanized educational and therapeutic 
practices. The study may contribute to the development of approaches that foster greater social participation 
and improved developmental conditions for individuals with ASD, as well as assist families and professionals 
in creating environments that are more accessible and responsive to the needs of this population. 
Keywords: Autism Spectrum Disorder; sensory sensitivities; behavioral rigidity; quality of life. 
 
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1. INTRODUÇÃO 
O Transtorno do Espectro Autista constitui uma condição do neurodesenvolvimento 
marcada por particularidades na comunicação social, na reciprocidade emocional e na organização 
comportamental, refletindo uma configuração neurológica que desafia modelos tradicionais de 
desenvolvimento humano. A descrição clínica apresentada pelo Diagnostic and Statistical Manual of 
Mental Disorders consolidou critérios diagnósticos que enfatizam padrões restritos de 
comportamento e respostas sensoriais incomuns, ampliando a compreensão do espectro para além de 
déficits comunicativos (American Psychiatric Association, 2013). Tal ampliação favoreceu a 
emergência de investigações que buscam interpretar o autismo sob uma perspectiva menos deficitária 
e mais centrada na diversidade neurobiológica. 
A heterogeneidade constitui um dos traços mais intrigantes do espectro, exigindo 
abordagens analíticas capazes de contemplar trajetórias desenvolvimentais múltiplas e 
frequentemente imprevisíveis. Estudos longitudinais revelaram padrões distintos de crescimento nas 
habilidades verbais, indicando que o desenvolvimento linguístico pode seguir ritmos não lineares e 
fortemente influenciados por fatores ambientais e interventivos (Anderson et al., 2007). Esse 
panorama reforça a necessidade de compreender o TEA como um campo dinâmico, no qual variáveis 
biológicas e contextuais se entrelaçam. 
A incorporação das sensibilidades sensoriais aos critérios diagnósticos redefiniu o modo 
como se interpretam determinadas condutas anteriormente classificadas como meramente disruptivas. 
O manual diagnóstico enfatiza que reações intensificadas ou reduzidas a estímulos ambientais 
configuram manifestações clínicas relevantes, com impacto direto na adaptação cotidiana (APA, 
2013). Tal reconhecimento contribuiu para deslocar o foco interpretativo do comportamento isolado 
para os processos perceptivos subjacentes. 
Experiências sensoriais atípicas podem remodelar a forma como o mundo é percebido, 
produzindo realidades subjetivas frequentemente inacessíveis à observação imediata. Investigações 
contemporâneas sugerem que tais experiências não representam simples distorções perceptivas, mas 
modos alternativos de organização neural que influenciam o engajamento social e cognitivo (Aykan; 
Nalçacı, 2018). Essa compreensão convida a uma leitura mais sensível do comportamento autista, 
afastando interpretações reducionistas. 
Rigidez comportamental emerge, nesse cenário, como um fenômeno que ultrapassa a noção 
de resistência voluntária à mudança. O enquadramento diagnóstico aponta que padrões repetitivos 
podem funcionar como dispositivos regulatórios diante de ambientes percebidos como instáveis 
(American Psychiatric Association, 2013). Sob essa perspectiva, a previsibilidade adquire valor 
adaptativo, operando como um recurso de proteção psíquica. 
Rotinas estruturadas frequentemente oferecem uma arquitetura temporal capaz de organizar 
a experiência diária e reduzir a sobrecarga cognitiva. Pesquisas sobre intervenções comunicativas na 
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infância demonstraram que contextos previsíveis favorecem a mediação de efeitos terapêuticos e 
ampliam oportunidades de interação significativa (Aldred et al., 2012). A estabilidade ambiental, 
portanto, pode ser interpretada como um suporte para a construção de competências emergentes. 
A discussão acerca do desenvolvimento no TEA requer atenção à complexidade dos 
processos que sustentam a aprendizagem social. Avaliações sobre teoria da mente indicam que a 
compreensão de estados mentais pode ser investigada por meios inovadores, como tarefas 
relacionadas ao humor, revelando nuances frequentemente ignoradas por instrumentos tradicionaise clínicas. O manual do WISC-III ressalta a importância de interpretar resultados à luz 
do contexto e das características individuais, evitando leituras deterministas (Wechsler, 2002). Medir 
implica compreender. 
A compreensão inferencial de narrativas representa habilidade essencial para a participação 
escolar, pois sustenta interpretações críticas de textos e eventos. Estudos recentes observaram que 
crianças no espectro podem necessitar de mediações específicas para alcançar níveis mais 
sofisticados de entendimento (Westerveld; Filiatrault-Veilleux; Paynter, 2021). Mediação qualificada 
amplia repertórios. 
Perfis comunicativos e sociocognitivos revelam combinações variadas de competências, 
afastando concepções homogêneas do espectro. Investigações pioneiras identificaram padrões 
distintos de interação, reforçando a necessidade de avaliações detalhadas (Wetherby; Prutting, 1984). 
Diversidade desafia estereótipos. 
A qualidade de vida, entendida como experiência subjetiva de satisfação e possibilidade de 
autodeterminação, depende da capacidade coletiva de construir sociedades acolhedoras. O 
reconhecimento científico das especificidades do autismo tem impulsionado práticas mais inclusivas 
e humanizadas, apoiadas em evidências acumuladas ao longo de décadas (Volkmar et al., 2004). 
Quando ambientes se tornam responsivos, trajetórias ganham densidade, e o bem-estar deixa de ser 
ideal abstrato para converter-se em realidade tangível. 
 
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3. CONCLUSÃO 
A compreensão das sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a 
rotinas no Transtorno do Espectro Autista revela um panorama que ultrapassa a noção de limitação e 
aponta para modos singulares de perceber e habitar o mundo. Essas características, quando 
interpretadas com responsabilidade teórica e sensibilidade humana, convidam educadores, 
profissionais da saúde e a sociedade a reformular concepções sobre desenvolvimento. O 
reconhecimento da diversidade neurológica amplia horizontes e promove leituras mais éticas acerca 
das diferenças. 
Sensibilidades sensoriais não devem ser vistas apenas como obstáculos, mas como 
expressões legítimas de um sistema perceptivo que opera sob outra lógica de organização. Ambientes 
ajustados, previsíveis e acolhedores transformam experiências potencialmente aversivas em 
oportunidades de exploração segura. Essa adaptação beneficia não somente a pessoa autista, mas 
também fortalece comunidades mais conscientes e preparadas para conviver com a pluralidade 
humana. 
A rigidez comportamental, frequentemente interpretada como resistência, pode ser 
compreendida como estratégia interna de estabilidade diante de um mundo muitas vezes 
imprevisível. Quando mediada com respeito, essa busca por constância torna-se ponto de partida para 
a construção gradual da flexibilidade. Processos educativos sensíveis reconhecem o valor da 
segurança emocional como fundamento para qualquer aprendizagem significativa. 
A adesão a rotinas demonstra o quanto a previsibilidade pode funcionar como ferramenta 
organizadora da experiência cotidiana. Estruturas claras favorecem antecipação, planejamento e 
sensação de controle, elementos essenciais para o bem-estar psicológico. O equilíbrio entre 
estabilidade e abertura ao novo permite que a pessoa amplie repertórios sem perder referências 
fundamentais. 
O desenvolvimento humano ocorre de maneira dinâmica, sendo profundamente influenciado 
pelas interações estabelecidas ao longo da vida. Relações marcadas por escuta qualificada e respeito 
às singularidades criam condições para que habilidades emergentes se consolidem. Cada avanço, por 
menor que pareça, representa um movimento relevante na construção da autonomia. 
A qualidade de vida está intimamente ligada à possibilidade de participação social genuína. 
Quando barreiras atitudinais são superadas, surgem contextos nos quais a presença da pessoa autista 
deixa de ser tolerada e passa a ser valorizada. Pertencer significa ser reconhecido como sujeito de 
direitos, desejos e potencialidades. 
Famílias desempenham papel essencial nesse percurso, oferecendo suporte afetivo e 
estabilidade emocional. O fortalecimento dessas redes favorece trajetórias mais seguras e contribui 
para que desafios sejam enfrentados com maior confiança. A parceria entre família e profissionais 
amplia a eficácia das intervenções e sustenta projetos de vida mais consistentes. 
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O campo educacional possui responsabilidade estratégica na promoção de experiências 
inclusivas. Escolas que investem em práticas flexíveis e metodologias diversificadas demonstram que 
aprender não é um processo uniforme. Ao acolher diferentes formas de compreender o mundo, a 
educação reafirma seu compromisso com a dignidade humana. 
A sociedade contemporânea caminha, ainda que de modo gradual, em direção a uma cultura 
mais inclusiva. Esse movimento exige revisão de paradigmas e disposição para abandonar modelos 
centrados na padronização. A valorização da neurodiversidade inaugura perspectivas nas quais 
diferenças deixam de ser vistas como falhas e passam a ser reconhecidas como parte da riqueza 
humana. 
O futuro aponta para a necessidade de políticas públicas, pesquisas e práticas profissionais 
cada vez mais integradas. Investir em formação continuada e em estratégias baseadas na empatia 
fortalece a construção de ambientes capazes de responder às múltiplas formas de existir. 
Transformações sociais consistentes nascem do encontro entre conhecimento e compromisso ético. 
Refletir sobre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e rotinas conduz a uma 
conclusão fundamental: o desenvolvimento floresce onde há compreensão. Quando o olhar social se 
desloca do déficit para a potencialidade, abre-se espaço para trajetórias marcadas por crescimento, 
participação e realização. Uma cultura verdadeiramente inclusiva não apenas acolhe diferenças, mas 
aprende com elas, construindo um mundo em que qualidade de vida seja horizonte possível para 
todos. 
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 36 
A FORMAÇÃO CONTINUADA COMO ESTRATÉGIA PARA O FORTALECIMENTO DAS 
PRÁTICAS INCLUSIVAS: COMPETÊNCIAS DOCENTES, DESAFIOS INSTITUCIONAIS E 
IMPACTOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM. 
 
Resumo 
Deverá ser elaborado em parágrafo único, apresentando uma síntese dos objetivos, da metodologia, dos 
resultados esperados e da contribuição científica do estudo, evidenciando o avanço do conhecimento 
proporcionado pela pesquisa. 
 
Palavras-chave: inserir até quatro palavras-chave, separadas por ponto e vírgula. 
 
1. Introdução 
Nesta seção, o(a) candidato(a) deverá contextualizar o cenário no qual a pesquisa se insere, apresentando a 
evolução do tema e sua relevância no campo científico. 
 
2. Problemática 
Esta seção deverá apresentar o objeto de pesquisa, a definição do objeto de estudo, os propósitos da 
investigação, sua relevância acadêmica e social, bem como a pergunta norteadora da pesquisa. Deve incluir, 
ainda, a justificativa que fundamenta a proposta. 
 
Etapas desta fase: 
2.1 Delimitação do problema 
2.2 Caracterização do problema a ser estudado 
2.3 Formulação do problema de investigação 
 
2.4 Hipóteses (quando aplicável) 
 
3. Objetivos da Pesquisa 
Nesta seção, deverão ser apresentados os objetivos geral e específicos relacionados ao projeto de pesquisa. 
Etapas desta fase: 
3.1 Objetivo Geral 
Apresentar, de forma clara e direta, o propósito central da pesquisa. 
3.2 Objetivos Específicos 
Descrever as etapas necessárias para o alcance do objetivo geral. 
 
4. Impactos da Pesquisa 
Esta seção deverá explicitar, de maneira clara e objetiva, os impactos potenciais da pesquisa. 
4.1 Impactos econômicos 
4.2 Impactos sociais 
4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) 
 
 37 
5. Enquadramento Teórico 
Deverá ser desenvolvida uma revisão de literatura que sintetize o conhecimento existente sobre o tema, 
fornecendo embasamento teórico à pesquisa. Devem ser utilizadas referências relevantes e atualizadas, 
priorizando publicações dos últimos cinco (05) anos, contados a partir da data do processo seletivo. 
Excepcionalmente, poderão ser incluídos trabalhos seminais reconhecidos como referências fundamentais na 
área. 
 
6. Metodologia 
Nesta seção, deverá ser descrito o percurso metodológico da pesquisa, classificando-a quanto: 
 à abordagem (qualitativa, quantitativa ou mista); 
 à natureza (básica ou aplicada); 
 aos objetivos (exploratória, descritiva ou explicativa); 
 aos procedimentos técnicos adotados. 
 
Etapas desta fase: 
6.1 Local da investigação 
6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 
6.3 Procedimentos de coleta de dados 
6.4 Resultados esperados 
7. Cronograma 
Deverá ser apresentado um cronograma de atividades contemplando as etapas da pesquisa, sem se limitar às 
sugeridas abaixo, considerando o prazo de 24 meses para a conclusão do curso. 
 
Tabela xx – Cronograma de Atividades 
Etapa \ Mês/Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul 
Tema conforme projeto submetido 
Levantamento bibliográfico 
Revisão bibliográfica 
Elaboração da proposta de qualificação 
Defesa pública da qualificação 
Coleta de dados 
Análise dos dados 
Redação da dissertação 
Revisão da dissertação 
Fonte: Elaboração do(a) próprio(a) pesquisador(a). 
Referências 
Deverão ser apresentadas as referênciasutilizadas na elaboração da proposta, em conformidade com as normas 
vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
 
 38 
SENSIBILIDADES SENSORIAIS, RIGIDEZ COMPORTAMENTAL E ADESÃO A 
ROTINAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: IMPACTOS NO 
DESENVOLVIMENTO E NA QUALIDADE DE VIDA. 
 
Resumo 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento 
caracterizada por diferenças persistentes na comunicação social e pela presença de padrões restritos e 
repetitivos de comportamento, frequentemente associados a alterações no processamento sensorial 
(American Psychiatric Association, 2022). Evidências científicas indicam que indivíduos com TEA 
podem apresentar hiperresponsividade ou hiporresponsividade a estímulos ambientais, influenciando 
diretamente a regulação emocional, o comportamento adaptativo e a participação social (Baranek et 
al., 2020). Nesse contexto, a rigidez comportamental e a forte adesão a rotinas podem emergir como 
estratégias de organização diante de ambientes percebidos como imprevisíveis, embora também 
possam limitar a flexibilidade cognitiva e a autonomia (Boyd et al., 2022). O presente estudo tem 
como objetivo analisar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a 
rotinas, investigando seus impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida de pessoas com TEA 
atendidas no Crescer. A pesquisa será de natureza aplicada, com abordagem mista e delineamento 
descritivo-correlacional. Serão utilizados instrumentos padronizados para avaliação do perfil 
sensorial e do comportamento adaptativo, além de entrevistas com cuidadores e profissionais. 
Espera-se identificar associações consistentes entre padrões sensoriais e dificuldades de adaptação a 
mudanças, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções mais individualizadas e baseadas 
em evidências. Como avanço científico, a pesquisa pretende ampliar a compreensão do papel do 
processamento sensorial na organização comportamental, favorecendo práticas terapêuticas e 
educacionais mais eficazes e promovendo melhores indicadores de qualidade de vida. 
 
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; processamento sensorial; rigidez comportamental; 
qualidade de vida. 
 
1. INTRODUÇÃO 
O Transtorno do Espectro Autista é reconhecido como uma condição do 
neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação social e por 
padrões restritos e repetitivos de comportamento (APA, 2022). Nas últimas décadas, o avanço dos 
critérios diagnósticos e o aumento da conscientização social contribuíram para uma ampliação 
significativa das pesquisas na área. 
Entre os domínios emergentes nas investigações científicas está o processamento sensorial, 
atualmente incorporado aos critérios diagnósticos do TEA. Esse processo envolve a capacidade do 
sistema nervoso de receber, organizar e responder aos estímulos internos e externos (Dunn, 2021). 
 39 
Estudos apontam que entre 70% e 95% das pessoas com TEA apresentam diferenças 
sensoriais clinicamente significativas, o que pode afetar a aprendizagem, a autorregulação emocional 
e a interação social (Baranek et al., 2020). Essas diferenças podem manifestar-se como 
hiperresponsividade, caracterizada por respostas intensas a estímulos, ou hiporresponsividade, 
quando há baixa reação sensorial (Robertson; Baron-Cohen, 2017). 
A literatura também evidencia que alterações sensoriais estão associadas a níveis mais 
elevados de ansiedade e maior ocorrência de comportamentos de evitação (Green et al., 2019). Nesse 
cenário, a rigidez comportamental frequentemente surge como um mecanismo adaptativo para lidar 
com a imprevisibilidade ambiental. 
A adesão a rotinas pode favorecer previsibilidade e reduzir o estresse, funcionando como um 
importante organizador cognitivo. Entretanto, quando excessiva, pode limitar experiências e 
dificultar a adaptação a mudanças (Boyd et al., 2022). 
Apesar dos avanços científicos, ainda são necessárias pesquisas aplicadas que investiguem 
essas relações em contextos reais de atendimento, aproximando o conhecimento teórico da prática 
profissional. O presente estudo será desenvolvido no Crescer, instituição especializada no 
atendimento interdisciplinar a pessoas com alterações do neurodesenvolvimento. 
 
2. PROBLEMÁTICA 
Embora as alterações sensoriais sejam amplamente reconhecidas no TEA, ainda existem 
lacunas na compreensão de como essas diferenças influenciam diretamente a rigidez comportamental 
e a adaptação ao cotidiano. 
 
2.1 Delimitação do problema 
O estudo delimita-se à análise da relação entre hipersensibilidades e hipossensibilidades 
sensoriais, especialmente auditivas, visuais, táteis e olfativas, e a manifestação de rigidez 
comportamental e adesão a rotinas em indivíduos com TEA atendidos no Crescer. 
 
2.2 Caracterização do problema 
Dificuldades no processamento sensorial podem interferir na participação social, no 
desempenho acadêmico e nas atividades da vida diária. Muitos comportamentos considerados 
desafiadores representam respostas adaptativas a experiências sensoriais intensas (Schaaf; Mailloux, 
2021). Prejuízos na flexibilidade cognitiva podem dificultar a adaptação a mudanças, favorecendo a 
manutenção de padrões comportamentais rígidos (Demetriou et al., 2018). 
 
 
 
 40 
2.3 Formulação do problema de investigação 
Como as alterações no processamento sensorial influenciam a rigidez comportamental e a 
dificuldade de adaptação a mudanças em pessoas com Transtorno do Espectro Autista? 
 
2.4 Hipóteses 
Indivíduos com maior reatividade sensorial tendem a apresentar níveis mais elevados de 
rigidez comportamental. 
Ambientes previsíveis favorecem a autorregulação emocional. 
Intervenções sensoriais podem contribuir para maior flexibilidade adaptativa e melhor 
qualidade de vida. 
 
3. OBJETIVOS DA PESQUISA 
 
3.1 Objetivo Geral 
Analisar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas, 
investigando seus impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida de pessoas com TEA 
atendidas no Crescer. 
 
3.2 Objetivos Específicos 
Identificar os perfis sensoriais predominantes nos participantes. 
Avaliar níveis de comportamento adaptativo. 
Investigar a influência das rotinas na organização do cotidiano. 
Examinar associações entre processamento sensorial e flexibilidade comportamental. 
Elaborar recomendações para intervenções individualizadas. 
 
4. IMPACTOS DA PESQUISA 
4.1 Impactos econômicos 
A compreensão precoce das necessidades sensoriais pode otimizar recursos terapêuticos e 
reduzir custos associados a intervenções tardias. 
4.2 Impactos sociais 
A pesquisa poderá contribuir para práticas mais inclusivas, favorecendo a participação social 
e educacional de pessoas com TEA. 
4.3 Impactos ambientais 
Ambientes sensorialmente acessíveis promovem bem-estar coletivo e configuram espaços 
mais humanizados. 
 41 
5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO 
O processamento sensorial corresponde ao conjunto de mecanismos neurais responsáveis 
por receber, organizar, interpretar e responder aos estímulos provenientes do ambiente e do próprio 
corpo, permitindo que o indivíduo produza respostas adaptativas às demandas cotidianas. Segundo 
Dunn (2021), esse processo envolve padrões específicos de autorregulação que influenciam 
diretamente a participação nas atividades diárias, a aprendizagem e a interação social. No contexto do 
Transtorno do Espectro Autista, diferenças no processamento sensorial são amplamente 
documentadas, sendo reconhecidas como um dos componentes clínicos relevantes para a 
compreensão do funcionamento global do indivíduo (American Psychiatric Association, 2022). 
A teoria da Integração Sensorial, desenvolvida por Ayres (2005), representa um marco na 
compreensão científica das relações entre sensação, comportamento e aprendizagem. A autora 
argumenta que dificuldades na organizaçãodas informações sensoriais podem comprometer a 
capacidade do cérebro de produzir respostas adaptativas eficientes, afetando o planejamento motor, a 
atenção e o desempenho ocupacional. Estudos contemporâneos têm corroborado essa perspectiva ao 
demonstrar que indivíduos com TEA apresentam padrões atípicos de conectividade neural, 
especialmente em redes relacionadas à percepção e à integração multissensorial. Robertson e Baron-
Cohen (2017) destacam que tais diferenças podem contribuir para experiências perceptivas 
intensificadas ou fragmentadas, influenciando diretamente o comportamento. 
Evidências empíricas indicam que entre 70% e 95% das pessoas com TEA apresentam 
algum tipo de alteração sensorial clinicamente significativa (Baranek et al., 2020). Essas alterações 
podem manifestar-se como hiperresponsividade, caracterizada por reações exacerbadas a estímulos 
como sons, luzes ou texturas, ou como hiporresponsividade, quando há menor sensibilidade e uma 
tendência à busca sensorial. Green et al. (2019) observaram que a hiperresponsividade está associada 
a níveis mais elevados de ansiedade, além de maior incidência de comportamentos repetitivos, 
frequentemente interpretados como estratégias de autorregulação frente à sobrecarga ambiental. 
Outro aspecto central refere-se à relação entre processamento sensorial e regulação 
emocional. Schaaf e Mailloux (2015) afirmam que dificuldades na modulação sensorial podem 
manter o sistema nervoso em estado constante de alerta, elevando indicadores fisiológicos de estresse 
e dificultando o engajamento em interações sociais significativas. Essa condição pode impactar 
negativamente a participação escolar, as relações interpessoais e o desenvolvimento da autonomia. 
A literatura também aponta uma associação consistente entre alterações sensoriais e padrões 
de rigidez comportamental. Demetriou et al. (2018) destacam que prejuízos nas funções executivas, 
especialmente na flexibilidade cognitiva, podem dificultar a alternância entre tarefas, a adaptação a 
novas regras e a tolerância a mudanças inesperadas. Comportamentos rígidos não devem ser 
compreendidos apenas como manifestações sintomatológicas, mas também como tentativas de 
previsibilidade diante de um ambiente frequentemente percebido como caótico ou imprevisível. 
 42 
As rotinas assumem, um papel organizador fundamental. Estruturas previsíveis tendem a 
reduzir a ansiedade e favorecer a sensação de controle, contribuindo para uma melhor adaptação ao 
cotidiano. Boyd et al. (2022) ressaltam que intervenções centradas na pessoa, especialmente aquelas 
fundamentadas na identificação do perfil sensorial, promovem maior participação social, 
independência funcional e engajamento em atividades significativas. Contudo, quando a adesão às 
rotinas se torna excessivamente rígida, pode limitar experiências novas e restringir oportunidades de 
desenvolvimento. 
Sob a perspectiva da qualidade de vida, a Organização Mundial da Saúde enfatiza que o 
bem-estar resulta da interação dinâmica entre fatores individuais, sociais e ambientais (World Health 
Organization, 2022). As barreiras sensoriais não devem ser atribuídas exclusivamente ao indivíduo, 
mas também aos contextos que falham em oferecer acessibilidade e suporte adequados. Ambientes 
sensorialmente responsivos tendem a favorecer a inclusão, reduzir o estresse e ampliar as 
oportunidades de participação. 
Apesar dos avanços científicos observados nas últimas décadas, ainda persistem lacunas na 
literatura, sobretudo no que se refere a estudos aplicados que investiguem simultaneamente a relação 
entre sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas em contextos reais de 
atendimento. Investigar essas relações permite aproximar a produção científica da prática 
profissional, favorecendo intervenções mais precisas, individualizadas e baseadas em evidências. 
Amplia-se a compreensão do funcionamento do TEA a partir de uma perspectiva integrada, que 
considera não apenas os aspectos clínicos, mas também os determinantes ambientais e sociais do 
desenvolvimento humano. 
 
6. METODOLOGIA 
A pesquisa será de natureza aplicada, pois busca gerar conhecimento com potencial de 
utilização direta em contextos terapêuticos e educacionais. Adotará abordagem mista, integrando 
dados quantitativos e qualitativos para uma compreensão mais abrangente do fenômeno. 
Quanto aos objetivos, caracteriza-se como descritiva e correlacional. 
 
6.1 Local da investigação 
O estudo será realizado no Crescer, instituição especializada no atendimento interdisciplinar 
a pessoas com alterações do neurodesenvolvimento. 
 
6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 
Participarão crianças e adolescentes com diagnóstico formal de TEA, bem como seus 
cuidadores. A amostra será não probabilística por conveniência. 
Critérios de inclusão compreenderão diagnóstico confirmado e vínculo com a instituição. 
 43 
6.3 Procedimentos de coleta de dados 
Serão utilizados instrumentos padronizados de avaliação do perfil sensorial e escalas de 
comportamento adaptativo com evidências de validade científica. 
Também serão realizadas entrevistas semiestruturadas com cuidadores e observação 
sistemática dos participantes em contexto terapêutico. 
A triangulação metodológica aumentará a confiabilidade dos resultados. 
 
6.4 Procedimentos de análise 
Os dados quantitativos serão analisados por meio de estatística descritiva e testes 
correlacionais. 
Os dados qualitativos serão submetidos à análise de conteúdo temática. 
 
6.5 Aspectos éticos 
A pesquisa seguirá as diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. 
 
6.6 Resultados esperados 
Espera-se identificar associações consistentes entre sensibilidades sensoriais e rigidez 
comportamental, além de produzir evidências que auxiliem na elaboração de intervenções mais 
eficazes. 
7. CRONOGRAMA 
Etapa 1-3 4-6 7-9 10-12 13-15 16-18 19-21 22-24 
Levantamento bibliográfico X X 
Revisão teórica X X 
Qualificação X X 
Coleta de dados X X 
Análise X X 
Redação X 
Fonte: Elaboração do pesquisador. 
REFERÊNCIAS 
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental 
disorders: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Washington, DC: American Psychiatric Publishing, 2022. 
AYRES, A. Jean. Sensory integration and the child: understanding hidden sensory challenges. 
Los Angeles: Western Psychological Services, 2005. 
BARANEK, Grace T. et al. Sensory features in autism spectrum disorder. Journal of Autism and 
Developmental Disorders, New York, v. 50, n. 3, p. 1–15, 2020. 
BOYD, Brian A. et al. Behavioral flexibility in autism spectrum disorder: current perspectives. 
Autism Research, Hoboken, v. 15, n. 4, p. 1–12, 2022. 
 44 
DEMETRIOU, Evangelia A. et al. Executive function in autism spectrum disorder: history, 
theoretical models, empirical findings, and potential as an endophenotype. Neuropsychology 
Review, New York, v. 28, n. 2, p. 117–155, 2018. 
DUNN, Winnie. Sensory processing framework: supporting participation across the lifespan. 
American Journal of Occupational Therapy, Bethesda, v. 75, n. 2, p. 7502205030, 2021. 
GREEN, Shulamite A. et al. Anxiety and sensory over-responsivity in children with autism 
spectrum disorders: bidirectional effects across time. Journal of Child Psychology and 
Psychiatry, Oxford, v. 60, n. 7, p. 796–805, 2019. 
ROBERTSON, Caroline E.; BARON-COHEN, Simon. Sensory perception in autism. Nature 
Reviews Neuroscience, London, v. 18, n. 11, p. 671–684, 2017. 
SCHAAF, Roseann C.; MAILLOUX, Zoe. Clinician’s guide for implementing Ayres sensory 
integration: promoting participation for children with autism. Bethesda: AOTA Press, 2015. 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. International classification of diseases for mortality and 
morbidity statistics (11th Revision – ICD-11). Geneva: WHO, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 45 
A PRÁTICADO CURSO SERÁ ORIENTADA PELO PRINCÍPIO DA IMERSÃO 
INTELECTUAL, EXIGINDO DOS CURSISTAS ENVOLVIMENTO ATIVO NAS ETAPAS 
DE INVESTIGAÇÃO E ELABORAÇÃO CIENTÍFICA. 
A prática do curso será orientada pelo princípio da imersão intelectual, exigindo dos 
cursistas envolvimento ativo nas etapas de investigação e elaboração científica. Como estratégia 
formativa, será adotada a pesquisa associada à escrita manual, compreendida como um recurso 
cognitivo capaz de ampliar a atenção, fortalecer a memória de trabalho e favorecer processos de 
elaboração conceitual mais profundos. 
A escrita à mão será utilizada como instrumento metodológico nas fases iniciais do 
desenvolvimento do projeto, incluindo a construção de mapas conceituais, registros de leitura, 
fichamentos analíticos, sínteses críticas e esboços argumentativos. Tal procedimento estimula a 
organização do pensamento, reduz a reprodução automática de ideias e contribui para a 
internalização dos referenciais teóricos examinados. 
Durante a prática investigativa, os participantes deverão realizar leituras criteriosas de obras 
científicas, identificando categorias centrais, tensões teóricas, convergências epistemológicas e 
possíveis lacunas na literatura. Os apontamentos manuscritos deverão evidenciar interpretação 
própria, evitando transcrições extensas e privilegiando a reelaboração intelectual do conteúdo 
estudado. 
Cada dupla será orientada a manter um caderno de pesquisa, que funcionará como um diário 
acadêmico do percurso investigativo. Nesse material deverão constar reflexões teóricas, hipóteses 
preliminares, delimitação progressiva do problema de pesquisa, justificativas, objetivos e articulações 
conceituais emergentes. Esse registro permitirá acompanhar o amadurecimento das ideias e a 
evolução da consistência argumentativa. 
A prática também contemplará exercícios de escrita prolongada, nos quais os cursistas 
desenvolverão parágrafos analíticos à mão antes da transposição para o formato digital. Essa etapa 
busca desacelerar o processo produtivo, incentivando maior precisão vocabular, coerência interna e 
intencionalidade discursiva, características indispensáveis à produção acadêmica em nível de 
mestrado. 
Momentos de socialização intelectual serão incorporados à dinâmica do curso, 
possibilitando que as duplas apresentem seus registros manuscritos para discussão crítica. Esse 
movimento favorece o refinamento das ideias, amplia o repertório interpretativo e fortalece a postura 
investigativa necessária à formação de pesquisadores. 
A adoção dessa prática não representa rejeição às tecnologias digitais, mas a valorização de 
um processo formativo que prioriza a construção consciente do conhecimento. O equilíbrio entre 
escrita manual e sistematização digital tende a produzir textos mais autorais, teoricamente 
fundamentados e menos suscetíveis à padronização argumentativa. 
 46 
Ao final de cada etapa, os registros manuscritos deverão ser organizados e convertidos em 
versões acadêmicas estruturadas, respeitando as normas científicas vigentes. Espera-se que esse 
percurso metodológico desenvolva disciplina intelectual, autonomia investigativa e elevada qualidade 
na escrita, competências essenciais para a elaboração de projetos de pesquisa robustos e 
epistemologicamente consistentes. 
Os participantes da formação deverão organizar-se em duplas acadêmicas, constituídas 
preferencialmente a partir de afinidades temáticas e interesses investigativos convergentes, com a 
finalidade de promover interlocução intelectual qualificada e aprofundamento analítico. Essa 
organização visa favorecer o exercício da construção coletiva do conhecimento, estimulando o 
diálogo crítico, a problematização conceitual e a elaboração de perspectivas interpretativas 
consistentes. 
Cada dupla será responsável por selecionar um dos temas propostos e desenvolvê-lo com 
elevado rigor científico, assegurando coesão argumentativa, densidade teórica e clareza 
epistemológica. Espera-se que o trabalho resulte de um processo sistemático de investigação, 
sustentado por revisão de literatura especializada, articulação entre diferentes correntes teóricas e 
delimitação precisa do objeto de estudo. 
A produção deverá evidenciar domínio conceitual, capacidade de análise e maturidade 
acadêmica, evitando abordagens descritivas superficiais. Recomenda-se que os cursantes estabeleçam 
relações críticas entre autores, identifiquem lacunas na produção científica e proponham caminhos 
investigativos plausíveis, alinhados às exigências da pesquisa em nível de pós-graduação stricto 
sensu. 
O texto elaborado precisará apresentar unidade estrutural, progressão lógica das ideias e 
consistência terminológica, demonstrando planejamento intelectual e intencionalidade científica. A 
fundamentação teórica deverá ser integralmente ancorada em referências acadêmicas reconhecidas, 
garantindo credibilidade ao percurso argumentativo e sustentação às proposições apresentadas. 
Espera-se, igualmente, que o processo de escrita evidencie maturidade intelectual, 
capacidade analítica e domínio progressivo da linguagem científica, elementos indispensáveis à 
formação em nível stricto sensu. A autonomia reflexiva deverá manifestar-se na problematização 
consistente dos fenômenos investigados, na escolha criteriosa dos referenciais teóricos e na 
construção de argumentos sustentados por rigor metodológico. A precisão conceitual torna-se, nesse 
contexto, um indicador da seriedade acadêmica do trabalho desenvolvido. 
O comprometimento com os princípios éticos da pesquisa deve orientar todas as etapas da 
produção, desde a seleção das fontes até a apresentação dos resultados. O trabalho em dupla requer 
interlocução permanente, escuta qualificada e disposição para o debate intelectual, favorecendo 
sínteses mais elaboradas.. 
 
 47 
 
 
1. Epistemologias contemporâneas do Transtorno do Espectro Autista e a construção de objetos 
científicos complexos 
2. Neurodiversidade, comportamento adaptativo e organização psíquica: fundamentos teóricos 
para investigações avançadas 
3. Processamento sensorial atípico como categoria analítica nas pesquisas sobre 
desenvolvimento humano 
4. Rigidez comportamental, previsibilidade e plasticidade cognitiva em perspectivas 
interdisciplinares 
5. Adesão a rotinas e estruturação da experiência subjetiva: interfaces entre psicologia, educação 
e neurociência 
6. Modelos explicativos do desenvolvimento no autismo e suas implicações para a produção 
científica 
7. Delineamentos metodológicos de alta complexidade aplicados à investigação do 
comportamento no TEA 
8. Hermenêutica da literatura científica e elaboração de referenciais teóricos robustos 
9. Ética, alteridade e responsabilidade epistemológica na pesquisa com populações 
neurodivergentes 
10. Arquitetura argumentativa e escrita acadêmica avançada na elaboração de projetos de 
mestrado sobre desenvolvimento e qualidade de vida no autismo 
 
 
 
 48 
Tema: 
 
 
Resumo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras-chave: _______________; ________________; _________________; _______________. 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. PROBLEMÁTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 49 
Etapas desta fase: 
2.1 Delimitação do problema 
 
 
 
 
 
 
 
2.2 Caracterização do problema a ser estudado 
 
 
 
 
 
 
 
2.3 Formulação do problema de investigação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.4 Hipóteses (quando aplicável) 
 
 
 
 
 
 
 
3. OBJETIVOS DA PESQUISA 
3.1 Objetivo Geral 
 
 
 
 
 
 50 
3.2 Objetivos Específicos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. IMPACTOS DA PESQUISA 
4.1 Impactos econômicos 
 
 
 
 
 
 
 
4.2 Impactos sociais 
 
 
 
 
 
 
 
4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) 
 
 
 
 
 
 
 
5. Enquadramento Teórico 
 
 
 
 
 
 
 
 51 
6. METODOLOGIAEtapas desta fase: 
6.1 Local da investigação 
 
 
 
 
 
 
 
6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 
 
 
 
 
 
 
 
6.3 Procedimentos de coleta de dados 
 
 
 
 
 
 
 
 52 
6.4 Resultados esperados 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. CRONOGRAMA 
Tabela ______– Cronograma de Atividades 
 
Etapa 1-3 4-6 7-9 10-12 13-15 16-18 19-21 22-24 
Levantamento bibliográfico X X 
Revisão teórica X X 
Qualificação X X 
Coleta de dados X X 
Análise X X 
Redação X 
Fonte: Elaboração do pesquisador. 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 54 
 PRODUTO FINAL 
1. Epistemologias contemporâneas do Transtorno do Espectro Autista e a construção de 
objetos científicos complexos. 
Produto final sugerido: elaboração de um ensaio teórico-analítico publicável ou capítulo de livro que 
proponha novas categorias interpretativas para compreender o autismo a partir de perspectivas não 
reducionistas. A relevância social reside na ampliação das formas de compreender a neurodivergência, 
contribuindo para práticas científicas menos estigmatizantes e para políticas públicas fundamentadas em 
concepções mais humanas e plurais do desenvolvimento. 
 
2. Neurodiversidade, comportamento adaptativo e organização psíquica: fundamentos teóricos 
para investigações avançadas. 
Produto final sugerido: construção de um modelo conceitual integrador que articule neurodiversidade 
e adaptação, acompanhado de um framework aplicável a contextos educacionais e clínicos. O estudo favorece 
uma mudança paradigmática ao deslocar o foco do déficit para a variabilidade humana, impactando 
diretamente programas de inclusão e estratégias de acompanhamento psicossocial. 
 
3. Processamento sensorial atípico como categoria analítica nas pesquisas sobre 
desenvolvimento humano. 
Produto final sugerido: desenvolvimento de um protocolo interpretativo ou guia técnico para análise 
de perfis sensoriais em pesquisas acadêmicas. Tal produção pode orientar profissionais na criação de 
ambientes mais responsivos, reduzindo barreiras invisíveis que frequentemente limitam a participação social 
de pessoas autistas. 
 
4. Rigidez comportamental, previsibilidade e plasticidade cognitiva em perspectivas 
interdisciplinares. 
Produto final sugerido: proposição de um modelo teórico-interventivo que relacione segurança 
emocional e flexibilidade cognitiva, com possibilidades de aplicação em escolas e serviços terapêuticos. A 
contribuição social manifesta-se na promoção de práticas que equilibrem estabilidade e abertura à experiência, 
favorecendo trajetórias mais autônomas. 
 
 
 55 
 
5. Adesão a rotinas e estruturação da experiência subjetiva: interfaces entre psicologia, 
educação e neurociência. 
Produto final sugerido: criação de um guia científico para organização de rotinas estruturantes 
voltadas a diferentes fases do ciclo de vida. O impacto coletivo emerge na qualificação de ambientes 
educativos e familiares, fortalecendo condições que sustentem bem-estar psicológico e previsibilidade 
cotidiana. 
 
6. Modelos explicativos do desenvolvimento no autismo e suas implicações para a produção 
científica. 
Produto final sugerido: revisão crítica comparativa culminando na proposição de um modelo 
interpretativo atualizado para estudos futuros. A relevância social decorre do aprimoramento das bases teóricas 
que orientam diagnósticos, intervenções e políticas educacionais, elevando o padrão científico das decisões 
institucionais. 
 
7. Delineamentos metodológicos de alta complexidade aplicados à investigação do 
comportamento no TEA. 
Produto final sugerido: elaboração de um manual metodológico para pesquisadores iniciantes e 
experientes, contemplando desenhos mistos, estudos longitudinais e abordagens multivariadas. A sociedade 
beneficia-se de pesquisas mais rigorosas, capazes de gerar evidências confiáveis para orientar práticas 
profissionais. 
 
8. Hermenêutica da literatura científica e elaboração de referenciais teóricos robustos. 
Produto final sugerido: produção de uma revisão interpretativa de alta densidade conceitual que 
identifique lacunas e tendências emergentes. O valor social encontra-se na qualificação do debate acadêmico, 
evitando reproduções acríticas e incentivando investigações originais com maior potencial transformador. 
 
9. Ética, alteridade e responsabilidade epistemológica na pesquisa com populações 
neurodivergentes. 
Produto final sugerido: formulação de um protocolo ético ampliado que considere escuta ativa, 
participação das famílias e respeito à singularidade dos sujeitos. Tal iniciativa fortalece uma cultura científica 
comprometida com dignidade, reduz riscos de objetificação e promove relações investigativas mais 
responsáveis. 
 
10. Arquitetura argumentativa e escrita acadêmica avançada na elaboração de projetos de 
mestrado sobre desenvolvimento e qualidade de vida no autismo. 
Produto final sugerido: desenvolvimento de um guia estruturante para escrita científica de alto nível, 
com foco na coerência argumentativa e na sofisticação analítica. A repercussão social manifesta-se na 
formação de pesquisadores mais preparados, capazes de produzir conhecimento relevante e de influenciar 
positivamente os campos educacional, clínico e social. 
 56 
ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS PARA ELABORAÇÃO DE PROJETO DE PESQUISA 
APTO A BANCAS EXAMINADORAS EXIGENTES. 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Tema 
O tema precisa expressar densidade científica e delimitação conceitual. Evite formulações 
genéricas ou excessivamente amplas. Recomenda-se iniciar com um mapeamento das lacunas da 
literatura por meio de bases indexadas como Scopus, Web of Science, SciELO e ERIC, identificando 
problemas ainda não suficientemente explorados. Observe tendências internacionais, pois bancas 
rigorosas valorizam pesquisas conectadas ao debate contemporâneo. Um tema sólido demonstra 
viabilidade metodológica, pertinência social e potencial de contribuição teórica. 
 
Resumo 
O resumo deve ser escrito somente após a conclusão do projeto, ainda que apareça no início 
do documento. Estruture mentalmente quatro núcleos: problema investigado, objetivo central, 
percurso metodológico e contribuição científica. Empregue linguagem precisa, evitando adjetivações 
desnecessárias. Cada frase precisa carregar informação relevante. Avaliadores experientes 
frequentemente julgam a maturidade do pesquisador pela clareza desse trecho, portanto elimine 
ambiguidades e priorize coerência lógica. 
 
Palavras-chave 
Selecione descritores reconhecidos em vocabulários controlados, como DeCS ou Thesaurus da APA. 
Evite termos excessivamente amplos. Prefira combinações que facilitem a indexação futura do 
trabalho e ampliem sua rastreabilidade científica. Uma escolha criteriosa revela familiaridade com a 
área. 
 
1. INTRODUÇÃO 
A introdução deve conduzir o leitor do panorama amplo ao recorte específico da 
investigação. Inicie apresentando o campo científico, evidencie sua relevância e, gradualmente, 
exponha a lacuna que justifica o estudo. Trabalhe com literatura qualificada e atual, articulando 
autores em vez de apenas citá-los isoladamente. Demonstre domínio conceitual e capacidade 
interpretativa. 
Evite transformar essa seção em revisão extensa. O objetivo é construir um argumento 
convincente que leve naturalmente ao problema de pesquisa. Bancas rigorosas observam se há 
progressão lógica entre contexto, lacuna e necessidade investigativa. Cada parágrafo deve responder 
implicitamente à pergunta: por que esta pesquisa precisa existir? 
 57 
Finalize a introdução indicando o propósito do estudo e sua contribuição potencial.O leitor 
deve chegar ao término dessa seção sem dúvidas sobre a relevância acadêmica do projeto. 
 
2. PROBLEMÁTICA 
A problemática constitui o eixo intelectual do projeto. Pesquisar não significa apenas 
escolher um assunto, mas formular uma pergunta cuja resposta ainda não está disponível. Para isso, 
compare resultados de estudos, identifique contradições teóricas, limitações metodológicas ou 
contextos pouco investigados. 
Evite perguntas descritivas que possam ser respondidas com levantamento superficial. 
Bancas exigentes valorizam problemas analíticos, capazes de gerar interpretação e avanço do 
conhecimento. 
 
2.1 Delimitação do problema 
Recorte o fenômeno em termos de população, contexto, variável principal e perspectiva 
teórica. Quanto maior a precisão, maior a viabilidade do estudo. 
 
2.2 Caracterização do problema a ser estudado 
Explique o cenário onde o problema emerge. Apresente dados, indicadores ou evidências 
científicas que sustentem sua existência. Argumentos baseados apenas em percepções fragilizam o 
projeto. 
 
2.3 Formulação do problema de investigação 
Redija a pergunta de modo direto, sem múltiplas interpretações. Uma formulação robusta 
geralmente articula relação entre variáveis ou busca compreender um fenômeno complexo. 
 
2.4 Hipóteses (quando aplicável) 
Hipóteses devem ser plausíveis e derivadas da literatura. Não são suposições arbitrárias, mas 
proposições testáveis que orientam o percurso analítico. 
 
3. OBJETIVOS DA PESQUISA 
3.1 Objetivo Geral 
Expresse o propósito maior em um único período verbal iniciado por verbo no infinitivo, 
como analisar, compreender, investigar ou examinar. Evite verbos vagos como refletir ou discutir. 
 
 
 
 58 
3.2 Objetivos Específicos 
Devem funcionar como etapas operacionais do estudo. Pergunte a si mesmo: se cada 
objetivo for alcançado, o objetivo geral será automaticamente atendido? Garanta coerência interna e 
viabilidade temporal. 
 
4. IMPACTOS DA PESQUISA 
4.1 Impactos econômicos 
Mesmo pesquisas teóricas podem gerar racionalização de recursos, aprimoramento de 
políticas ou qualificação de serviços. Demonstre capacidade de enxergar efeitos indiretos. 
 
4.2 Impactos sociais 
Explique quem será beneficiado e de que maneira. Bancas valorizam estudos que dialogam 
com demandas reais sem perder rigor científico. 
 
4.3 Impactos ambientais (sustentáveis) 
Considere implicações éticas e responsabilidade social da produção científica. Projetos 
contemporâneos são avaliados também por sua consciência socioambiental. 
 
5. ENQUADRAMENTO TEÓRICO 
Construa uma revisão crítica, não um inventário de autores. Compare perspectivas, 
identifique convergências e tensões conceituais. A maturidade acadêmica aparece quando o 
pesquisador interpreta a literatura em vez de apenas reproduzi-la. 
Priorize artigos de alto impacto e obras clássicas indispensáveis. Organize o texto por eixos 
conceituais, mantendo unidade argumentativa. Ao final, o leitor deve perceber claramente qual 
tradição teórica sustenta sua investigação. 
 
6. METODOLOGIA 
A metodologia precisa ser transparente e replicável. Qualquer pesquisador deve ser capaz de 
compreender exatamente como o estudo será conduzido. 
Classifique a pesquisa quanto à abordagem, natureza e objetivos, justificando cada escolha. 
Explique por que determinado método é o mais adequado para responder ao problema. Evite 
descrições genéricas que poderiam servir para qualquer estudo. 
Detalhe instrumentos, técnicas analíticas e procedimentos éticos. Projetos 
metodologicamente frágeis raramente são aprovados por bancas rigorosas. 
 59 
6.1 Local da investigação 
Descreva o contexto e justifique sua escolha. O cenário deve dialogar diretamente com o 
problema. 
 
6.2 Sujeitos investigados, população e amostra 
Apresente critérios de inclusão e exclusão, estratégia de seleção e estimativa numérica 
quando pertinente. Demonstre consciência ética. 
 
6.3 Procedimentos de coleta de dados 
Explique passo a passo como os dados serão obtidos. Antecipe dificuldades e indique 
estratégias para mitigá-las. 
 
6.4 Resultados esperados 
Não antecipe conclusões. Indique contribuições prováveis, como avanços teóricos, 
proposições interventivas ou refinamentos metodológicos. 
 
7. CRONOGRAMA 
Distribua as etapas de modo realista. Bancas experientes identificam facilmente 
planejamentos inexequíveis. Reserve tempo suficiente para análise e escrita, fases frequentemente 
subestimadas. 
 
REFERÊNCIAS 
Utilize exclusivamente obras citadas no texto e siga rigorosamente as normas da ABNT ou o 
padrão exigido pelo programa. Prefira literatura recente e periódicos qualificados. Erros formais 
nessa seção sinalizam descuido acadêmico. 
 
RECOMENDAÇÕES FINAIS PARA ÊXITO EM BANCAS EXIGENTES 
o Escreva com precisão terminológica e evite excessos retóricos. 
o Sustente cada afirmação relevante com literatura científica. 
o Preserve coerência entre problema, objetivos e método. 
o Revise o texto diversas vezes, buscando clareza e elegância argumentativa. 
o Submeta o projeto à leitura crítica de pesquisadores experientes antes da entrega. 
Um projeto aprovado por bancas rigorosas não depende apenas de uma boa ideia, mas de 
consistência lógica, densidade teórica e planejamento metodológico refinado. Quando o texto revela 
domínio intelectual, clareza de propósito e responsabilidade científica, a avaliação tende a reconhecer 
a maturidade do pesquisador e a solidez da proposta. 
 60 
ELABORANDO O CRONOGRAMA 
 
Tema: Sensibilidades sensoriais, rigidez comportamental e adesão a rotinas no Transtorno do 
Espectro Autista: impactos no desenvolvimento e na qualidade de vida. 
Etapa 1-
3 
4-
6 
7-
9 
10-
12 
13-
15 
16-
18 
19-
21 
22-
24 
Integração ao programa e pactuação do plano 
formativo com o orientador 
X 
Consolidação do problema científico e construção 
da identidade investigativa 
X X 
Revisão sistemática e metassíntese preliminar da 
literatura 
X X X 
Fichamentos críticos e matriz de autores clássicos e 
contemporâneos 
X X X X 
Estruturação do referencial teórico com densidade 
epistemológica 
 X X X 
Definição do desenho metodológico com validação 
do orientador 
 X X 
Participação em grupos de pesquisa e seminários 
avançados 
X X X X X X X X 
Produção do primeiro artigo teórico para periódico 
qualificado 
 X X 
Submissão ao Comitê de Ética e adequações 
técnicas 
 X X 
Elaboração da proposta de qualificação X X 
Simulação de banca e leitura crítica por pares X 
Defesa pública da qualificação X 
Reformulações conceituais pós-qualificação X X 
Planejamento logístico e treinamento para coleta 
de dados 
 X 
Coleta de dados com monitoramento metodológico 
rigoroso 
 X X 
Auditoria interna dos dados e verificação de 
confiabilidade 
 X 
Tratamento estatístico ou análise interpretativa 
aprofundada 
 X X 
Produção do segundo artigo científico com 
resultados parciais 
 X X 
Apresentação em congresso nacional ou 
internacional 
 X X X 
Redação dos capítulos teóricos com sofisticação 
argumentativa 
 X X 
 61 
Redação dos capítulos analíticos e discussão 
científica 
 X 
Integração textual com coerência macroestrutural X X 
Submissão de artigo derivado da dissertação X 
Revisão linguística especializada e normalização 
ABNT 
 X 
Depósito institucional da dissertação X 
Preparação estratégica para defesa X 
Defesa pública X 
Ajustes finais e entrega da versão definitiva X 
Planejamento de desdobramentos para doutorado X 
Fonte: Elaboração do pesquisador. 
Diferenciais deste modelo (padrão CAPES elevado) 
Este cronograma evidencia: 
• maturidade científica precoce; 
• inserção ativa em redes de pesquisa; 
• produção intelectual antes da defesa; 
• domínioteórico consistente; 
• rigor metodológico verificável; 
• projeção acadêmica futura. 
Programas de excelência tendem a valorizar pesquisadores que demonstram autonomia, constância 
produtiva e capacidade de dialogar com a comunidade científica ainda durante a formação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 62 
PLANO ESTRATÉGICO 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
Originalidade verificável 
Evite temas saturados. O projeto deve produzir deslocamento teórico ou metodológico perceptível já 
na qualificação. 
 
Densidade teórica real 
Bancas rigorosas identificam rapidamente textos meramente descritivos. Priorize autores 
estruturantes e dialogue criticamente com eles. 
 
Metodologia blindada 
Toda escolha metodológica deve responder claramente: por que este método é o mais adequado para 
este problema? 
 
Antecipação de críticas 
Mapeie fragilidades possíveis e responda a elas no próprio texto. 
 
Coerência absoluta 
Problema, objetivos, método e análise precisam formar um eixo lógico indivisível. 
 
Escrita sofisticada e precisa 
Evite adjetivações excessivas e generalizações. Prefira conceitos operacionais. 
 
Simulação de banca 
Submeta capítulos a pesquisadores experientes antes do depósito. 
 
 63 
 
ROTEIRO DE PRODUTIVIDADE CIENTÍFICA (MÊS A MÊS) 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
Meses 1–3 - Leitura diária de alta complexidade. Meta de 1.500 a 2.000 páginas no 
período. Produção de fichamentos analíticos, não resumos. 
 
Meses 4–6 - Redigir artigo teórico e submetê-lo. Pesquisadores que publicam cedo 
demonstram maturidade acadêmica. 
 
Meses 7–9 - Estruturar revisão robusta capaz de sustentar futuras publicações. 
 
Meses 10–12 - Realizar qualificação com texto quase definitivo. Quanto menor a 
distância entre qualificação e versão final, maior o sinal de domínio científico. 
 
Meses 13–15 - Executar coleta com disciplina metodológica absoluta. 
 
Meses 16–18 - Transformar dados em argumentos científicos, não apenas em resultados. 
 
Meses 19–21 - Redigir com intensidade. Estabeleça metas semanais de produção textual. 
 
Meses 22–24 - Depositar com antecedência mínima de 60 dias. Trabalhos finalizados sob 
pressão raramente atingem excelência. 
 
 64 
 
 
MODELO PARA BANCAS RIGOROSAS 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
Projetos memoráveis costumam apresentar cinco características centrais: 
Problema intelectualmente elegante: Questões formuladas com precisão conceitual revelam 
maturidade científica e capacidade analítica. Uma pergunta bem construída delimita o campo 
investigativo, evita dispersões e orienta escolhas metodológicas consistentes. Problemas dessa 
natureza tendem a gerar respostas com potencial teórico, ampliando fronteiras interpretativas e 
contribuindo efetivamente para o avanço do conhecimento. 
Referencial que organiza pensamento: Um enquadramento teórico sólido funciona como estrutura 
lógica da pesquisa, oferecendo sustentação argumentativa e coerência interna. A seleção criteriosa de 
autores demonstra discernimento acadêmico e impede a fragmentação conceitual. Quando os 
referenciais dialogam entre si, o texto ganha densidade intelectual e evidencia domínio crítico do 
estado da arte. 
Método transparente e replicável: Procedimentos descritos com rigor permitem que outros 
pesquisadores compreendam cada etapa do percurso investigativo. A explicitação das escolhas 
técnicas reforça a credibilidade do estudo e reduz margens de questionamento durante a avaliação. 
Investigações metodologicamente claras sinalizam responsabilidade científica e compromisso com 
padrões elevados de produção acadêmica. 
Discussão que produz conhecimento: A análise deve ultrapassar a exposição de dados, 
transformando resultados em interpretações teoricamente informadas. Relações conceituais bem 
articuladas demonstram que o pesquisador compreende as implicações de suas descobertas. Textos 
que dialogam criticamente com a literatura revelam autonomia intelectual e favorecem contribuições 
originais ao campo. 
Postura autoral: A presença de uma voz acadêmica própria indica segurança teórica e 
independência reflexiva. Argumentos sustentados por posicionamentos claros afastam a impressão de 
mera compilação bibliográfica. Bancas reconhecem pesquisadores promissores quando percebem 
consistência argumentativa, responsabilidade epistemológica e capacidade de sustentar ideias com 
elegância crítica. 
 65 
CRONOGRAMA COM INDICADORES DE DESEMPENHO 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
Indicador Meta de Excelência 
Leituras qualificadas 120 a 180 obras/artigos 
Artigos submetidos mínimo de 2 
Apresentações científicas 2 a 4 
Participação em grupo de pesquisa contínua 
Produções em coautoria desejável 
Tempo entre qualificação e depósito inferior a 12 meses 
Convites acadêmicos ou redes científicas altamente recomendável 
 
Leituras qualificadas: O contato sistemático com aproximadamente 120 a 180 obras e 
artigos científicos indica imersão intelectual consistente e compromisso com a excelência acadêmica. 
Esse volume não deve ser entendido como acúmulo mecânico, mas como construção progressiva de 
repertório analítico capaz de sustentar interpretações sofisticadas. Leituras anotadas, fichamentos 
críticos e mapas conceituais favorecem a internalização das categorias teóricas e ampliam a 
capacidade argumentativa. Pesquisadores que leem com método reconhecem lacunas na literatura e 
identificam oportunidades reais de contribuição científica. 
Artigos submetidos: A submissão de pelo menos dois artigos ao longo do mestrado 
demonstra maturidade investigativa e compreensão das dinâmicas da comunicação científica. 
Publicar durante a formação reduz a distância entre pesquisa e circulação do conhecimento, 
posicionando o mestrando como participante ativo do debate acadêmico. O processo de avaliação por 
pares também funciona como dispositivo formativo rigoroso, pois exige precisão conceitual, clareza 
metodológica e escrita altamente estruturada. Projetos que geram produtos publicáveis tendem a ser 
percebidos pelas bancas como pesquisas de alto potencial. 
Apresentações científicas: Participar de dois a quatro eventos acadêmicos fortalece a 
capacidade de defesa pública das ideias e desenvolve segurança argumentativa. A exposição do 
estudo a audiências especializadas permite testar hipóteses, refinar interpretações e incorporar críticas 
 66 
qualificadas antes da versão final da dissertação. Congressos, simpósios e seminários ampliam a 
visibilidade do pesquisador e favorecem conexões intelectuais duradouras. Cada apresentação deve 
ser tratada como exercício estratégico de posicionamento científico. 
Participação em grupo de pesquisa: A inserção contínua em grupos certificados promove 
convivência com pesquisadores experientes e estimula padrões elevados de produção. Esses espaços 
funcionam como laboratórios de pensamento, nos quais projetos são debatidos com profundidade e 
rigor. A troca sistemática de referências, métodos e perspectivas evita o isolamento acadêmico e 
eleva o nível das análises. Trajetórias que se desenvolvem em ambientes coletivos tendem a 
apresentar maior consistência epistemológica. 
Produções em coautoria: Trabalhos desenvolvidos em parceria evidenciam capacidade de 
diálogo intelectual e abertura para construções colaborativas. A coautoria possibilita o encontro entre 
diferentes especialidades, ampliando o alcance interpretativo da pesquisa. Publicações 
compartilhadas frequentemente alcançam maior circulação, pois se conectam a redes acadêmicas 
diversas. Esse tipo de produção também sinaliza maturidade profissional e disposição para integrar 
comunidades científicas. 
Tempo entre qualificação e depósito:(Aykan; Nalçacı, 2018). Tal abordagem amplia o repertório metodológico disponível para 
pesquisadores. 
Intervenções fundamentadas na Análise do Comportamento Aplicada têm produzido 
evidências consistentes sobre a modificação de repertórios adaptativos, sobretudo quando 
implementadas precocemente. Plataformas especializadas destacam que programas estruturados 
podem favorecer aquisições comunicativas e sociais relevantes, contribuindo para trajetórias mais 
autônomas (AVA Educacional, 2026). A eficácia dessas práticas depende, contudo, de avaliações 
individualizadas. 
O processo diagnóstico ocupa posição estratégica na organização do cuidado, exigindo 
instrumentos sensíveis às singularidades do espectro. Protocolos contemporâneos enfatizam a 
importância de integrar observações comportamentais e análises funcionais para delinear 
intervenções mais precisas (AVA Educacional, 2026). A precisão diagnóstica repercute diretamente 
na qualidade das decisões clínicas e educacionais. 
Debates recentes também têm problematizado a associação entre fatores gestacionais e o 
autismo, estimulando investigações que buscam evitar interpretações alarmistas. Estudo divulgado 
em periódico de circulação ampla indicou que o uso de paracetamol durante a gravidez não se 
relaciona ao aumento do risco de TEA ou TDAH, contribuindo para um entendimento mais 
equilibrado sobre possíveis fatores etiológicos (Arthurs, 2026). A prudência interpretativa revela-se 
essencial em um campo frequentemente permeado por controvérsias. 
A escolarização representa um dos contextos mais desafiadores para estudantes autistas, 
especialmente quando barreiras sensoriais e comunicativas permanecem invisíveis às práticas 
pedagógicas. Pesquisa recente identificou que estratégias educacionais planejadas favorecem 
experiências de aprendizagem mais significativas e ampliam a participação acadêmica (Almeida et 
al., 2025). O ambiente escolar pode transformar-se em espaço de pertencimento quando orientado por 
princípios inclusivos. 
O conceito de inclusão demanda revisão constante, sobretudo diante da pluralidade de perfis 
presentes no espectro. Investigações educacionais ressaltam que a construção de práticas pedagógicas 
responsivas depende da formação contínua de profissionais e do reconhecimento das diferenças como 
 6 
parte constitutiva do processo educativo (Almeida et al., 2025). A escola inclusiva exige 
intencionalidade institucional. 
A comunicação social, frequentemente apontada como eixo central do autismo, revela 
possibilidades de expansão quando mediada por intervenções adequadas. Ensaio clínico sobre 
programas comunicativos demonstrou que ganhos interacionais podem ser parcialmente explicados 
por processos de mediação terapêutica, indicando que mudanças qualitativas podem ocorrer mesmo 
em períodos relativamente curtos (Aldred et al., 2012). O potencial de transformação reforça a 
importância do investimento precoce. 
Trajetórias linguísticas variáveis sugerem que previsões deterministas carecem de 
sustentação empírica. Observações longitudinais evidenciaram que algumas crianças inicialmente 
não verbais alcançam progressos expressivos ao longo do desenvolvimento, especialmente quando 
expostas a ambientes estimulantes (Anderson et al., 2007). A plasticidade permanece como elemento 
central na compreensão do neurodesenvolvimento. 
A análise das sensibilidades sensoriais requer sensibilidade epistemológica para evitar 
leituras patologizantes. O enquadramento diagnóstico reconhece que respostas incomuns a estímulos 
podem coexistir com habilidades notáveis, desafiando visões simplificadoras do funcionamento 
autista (APA, 2013). Tal reconhecimento aproxima a pesquisa de uma perspectiva mais humanizada. 
O humor, frequentemente negligenciado nas avaliações tradicionais, tem se mostrado um 
indicador relevante da compreensão social. Instrumentos específicos revelam que a apreciação 
humorística pode oferecer pistas valiosas sobre processos inferenciais complexos (Aykan; Nalçacı, 
2018). Explorar essas dimensões amplia a compreensão das competências sociais. 
A construção de ambientes terapêuticos exige articulação entre ciência e prática profissional. 
Programas especializados enfatizam que avaliações comportamentais sistemáticas permitem 
identificar contingências que mantêm determinados padrões de ação (AVA Educacional, 2026). 
Intervenções eficazes emergem dessa leitura funcional. 
Discussões sobre etiologia frequentemente mobilizam preocupações sociais amplas, 
exigindo comunicação científica responsável. A divulgação de estudos que refutam associações 
precipitadas contribui para reduzir estigmas e promover decisões informadas (Arthurs, 2026). O 
conhecimento científico exerce papel regulador no debate público. 
A inclusão escolar adquire densidade quando vinculada ao reconhecimento das necessidades 
sensoriais dos estudantes. Investigações brasileiras indicam que adaptações pedagógicas podem 
transformar experiências educacionais, promovendo engajamento e reduzindo situações de exclusão 
(Almeida et al., 2025). O compromisso institucional torna-se determinante. 
A mediação terapêutica revela que mudanças comportamentais não ocorrem isoladamente, 
mas dentro de sistemas relacionais complexos. Evidências empíricas apontam que intervenções 
 7 
comunicativas impactam não apenas a criança, mas também a qualidade das interações familiares 
(Aldred et al., 2012). O desenvolvimento assume caráter relacional. 
A compreensão contemporânea do TEA desloca-se progressivamente de modelos centrados 
no déficit para perspectivas que valorizam a diversidade neurológica. O enquadramento diagnóstico 
vigente reconhece essa pluralidade ao enfatizar níveis distintos de suporte e trajetórias variadas 
(American Psychiatric Association, 2013). Investigar a relação entre sensibilidades sensoriais, rigidez 
comportamental e adesão a rotinas torna-se, portanto, uma via promissora para aprofundar a leitura 
científica do desenvolvimento e da qualidade de vida, favorecendo práticas mais sensíveis à 
complexidade humana. 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
O processamento sensorial atípico configura um dos eixos mais complexos para a 
compreensão do funcionamento do Transtorno do Espectro Autista, uma vez que envolve modos 
singulares de perceber, organizar e responder aos estímulos ambientais. A sensibilidade ampliada ou 
reduzida a sons, luminosidade, texturas e odores tem sido reconhecida como elemento clínico 
relevante para a caracterização diagnóstica, refletindo a necessidade de critérios mais sensíveis às 
variações do desenvolvimento (Barton et al., 2013). Tal reconhecimento desloca a análise do 
comportamento visível para os processos perceptivos que o sustentam. 
A percepção sensorial não se limita à recepção de estímulos, mas integra sistemas neurais 
que participam da construção da experiência subjetiva. Investigações sobre o debate em torno dos 
critérios diagnósticos evidenciaram que a inclusão das particularidades sensoriais no DSM 
representou um avanço conceitual ao reconhecer a centralidade dessas manifestações na organização 
do espectro (Buxbaum; Baron-Cohen, 2013). Esse movimento teórico ampliou a possibilidade de 
interpretações menos reducionistas. 
O modo como a mente autista organiza a realidade frequentemente desafia expectativas 
normativas de processamento cognitivo. Estudos clássicos sobre a teoria da mente indicam que 
diferenças na capacidade de atribuir estados mentais podem influenciar a interpretação de eventos 
sociais, produzindo leituras perceptivas próprias (Baron-Cohen, 1995). A singularidade perceptiva 
deve ser compreendida como variação do funcionamento humano, não como ausência de 
competência. 
A literatura também sugere que as experiências sensoriais participam da formação de 
esquemas de antecipação, determinando a forma como o indivíduo prevê acontecimentos. Discussões 
posteriores sobre as teorias da menteIntervalos inferiores a doze meses revelam 
planejamento rigoroso e gestão eficiente do percurso investigativo. Esse desempenho costuma 
resultar de cronogramas realistas, disciplina acadêmica e clareza quanto às prioridades da pesquisa. 
Trabalhos concluídos nesse ritmo mantêm a atualidade do referencial teórico e preservam a coesão 
entre projeto e resultados. Bancas reconhecem essa objetividade como traço de pesquisadores 
preparados para etapas formativas mais avançadas. 
Convites acadêmicos ou inserção em redes científicas: A participação em redes formais e 
informais indica reconhecimento progressivo no campo de estudo. Convites para mesas, dossiês 
temáticos, projetos interinstitucionais ou pareceres acadêmicos funcionam como marcadores de 
credibilidade científica. Essas experiências ampliam horizontes investigativos e favorecem 
colaborações futuras. Inserir-se em circuitos qualificados demonstra que a pesquisa ultrapassou o 
âmbito local e passou a dialogar com comunidades mais amplas. 
Indicador central: O momento em que outros pesquisadores passam a citar, comentar ou 
problematizar sua produção ainda durante o mestrado representa um marco simbólico de 
consolidação acadêmica. Esse reconhecimento sugere que o estudo deixou de ser apenas formativo e 
passou a influenciar discussões no campo. A circulação das ideias evidencia relevância teórica e 
pertinência social do trabalho desenvolvido. Quando a pesquisa gera interlocução espontânea, o 
mestrando já ocupa um lugar efetivo na arquitetura da produção científica. 
 
 
 
 67 
PERFIL DO MESTRANDO DE EXCELÊNCIA 
Rita Cristina Guimarães de Almeida 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
 
Cultiva disciplina intelectual ao organizar rotinas de estudo estáveis, protegendo períodos de 
concentração profunda e evitando dispersões que fragilizam a qualidade analítica. A constância na 
leitura, na escrita e na revisão teórica cria um ambiente interno favorável ao pensamento complexo. 
Tal postura demonstra compreensão de que a produção científica exige tempo de maturação e esforço 
contínuo. Pesquisadores disciplinados constroem argumentos mais sólidos e desenvolvem maior 
autonomia investigativa. 
Tolera revisões rigorosas ao reconhecer que o aprimoramento do texto nasce do confronto 
com olhares exigentes. Comentários críticos deixam de ser percebidos como ameaça e passam a ser 
compreendidos como instrumentos de lapidação intelectual. Cada reformulação amplia a precisão 
conceitual e fortalece a coerência metodológica. Essa abertura ao refinamento constante diferencia 
trabalhos promissores de produções meramente satisfatórias. 
Busca críticas qualificadas ao aproximar-se de pesquisadores experientes e ambientes 
acadêmicos densos, onde o debate é conduzido com seriedade teórica. Interlocuções consistentes 
revelam fragilidades invisíveis ao olhar solitário e estimulam reposicionamentos argumentativos mais 
sofisticados. O diálogo com especialistas amplia horizontes interpretativos e reduz riscos de 
simplificação analítica. Projetos que nascem em contextos de debate tendem a apresentar maior 
robustez epistemológica. 
Prefere profundidade à velocidade ao compreender que investigações relevantes não se 
sustentam em respostas apressadas. O compromisso com a densidade reflexiva conduz à exploração 
minuciosa dos conceitos, das categorias analíticas e das implicações do estudo. Esse ritmo deliberado 
favorece descobertas intelectuais menos óbvias e interpretações com maior poder explicativo. A 
qualidade do percurso passa a ser valorizada tanto quanto o resultado final. 
Transforma inquietações em problemas científicos ao converter percepções difusas em 
perguntas investigáveis, delimitadas e teoricamente sustentadas. A curiosidade inicial é submetida ao 
crivo do método, permitindo que interesses pessoais se convertam em objetos de estudo com 
relevância coletiva. Esse movimento exige sensibilidade para identificar lacunas no conhecimento e 
 68 
coragem para enfrentá-las com rigor. A pesquisa ganha sentido quando nasce de questões genuínas e 
bem formuladas. 
O mestrado deixa de ocupar um lugar transitório na formação acadêmica quando o 
pesquisador compreende que sua produção não é apenas um exercício avaliativo, mas uma 
intervenção real no campo do conhecimento. Assumir responsabilidade intelectual implica 
reconhecer as consequências epistemológicas de cada afirmação, evitando reproduções acríticas e 
investindo na elaboração de perspectivas próprias. Esse posicionamento desloca o estudante da 
condição de receptor para a de produtor de saberes, exigindo vigilância conceitual permanente e 
compromisso com a consistência argumentativa. Nesse estágio, escrever já não significa apenas 
cumprir exigências institucionais, mas participar de um diálogo científico que ultrapassa fronteiras 
temporais e disciplinares. 
A emergência de uma identidade científica não ocorre de maneira abrupta, mas resulta de 
um processo contínuo de refinamento do pensamento. Coerência passa a ser percebida como um 
valor estruturante, orientando a articulação entre problema, teoria e método, enquanto o pensamento 
autoral se consolida por meio da coragem interpretativa e da disposição para sustentar argumentos 
diante do escrutínio acadêmico. O compromisso com o avanço do conhecimento manifesta-se na 
recusa por caminhos fáceis e na escolha deliberada por investigações que tensionem certezas 
estabelecidas. Gradualmente, o pesquisador aprende que originalidade não reside na busca por temas 
exóticos, mas na capacidade de formular perguntas relevantes e produzir leituras analíticas que 
ampliem a inteligibilidade dos fenômenos estudados. 
Cada escolha realizada ao longo do percurso formativo opera como um elemento 
constitutivo da presença acadêmica que se projeta para além da dissertação. Decisões teóricas 
revelam filiações intelectuais, opções metodológicas evidenciam maturidade investigativa e 
argumentos bem construídos demonstram domínio do campo científico. Esse conjunto de marcas 
configura uma base sólida para investigações futuras, favorecendo continuidade temática e 
aprofundamento progressivo das questões pesquisadas. O mestrado, sob essa perspectiva, transforma-
se em plataforma de lançamento para uma atuação científica duradoura, na qual rigor, curiosidade e 
responsabilidade social convergem para sustentar trajetórias capazes de produzir impacto intelectual 
significativo. 
 
 
 
 
 69autista apontaram que a cognição social se constrói por rotas 
diversas, exigindo abordagens interpretativas mais flexíveis (Baron-Cohen, 2008). O reconhecimento 
dessa pluralidade amplia o horizonte da investigação científica. 
 8 
A hipersensibilidade pode transformar estímulos cotidianos em fontes de sobrecarga neural, 
alterando a regulação emocional e o comportamento adaptativo. Estudos sobre o papel da atenção 
compartilhada demonstraram que diferenças perceptivas interferem na construção de gestos 
protodeclarativos e no direcionamento do olhar social (Baron-Cohen, 2011). A interação social passa, 
portanto, pela mediação da experiência sensorial. 
A linguagem constitui outro domínio profundamente atravessado pela percepção. Análises 
sobre o desenvolvimento linguístico no autismo indicam que trajetórias comunicativas podem 
emergir sob configurações heterogêneas, frequentemente relacionadas ao modo como os estímulos 
são organizados cognitivamente (Boucher, 2003). A comunicação revela-se inseparável da 
experiência perceptiva. 
A rigidez comportamental deve ser interpretada à luz dessas experiências internas, evitando 
leituras simplificadoras que a reduzam a mera oposição à mudança. Ensaios clínicos sobre 
treinamento em teoria da mente mostraram que a ampliação da compreensão social pode favorecer 
maior flexibilidade nas respostas comportamentais (Begeer et al., 2011). O comportamento rígido 
pode refletir uma busca por coerência diante de um mundo imprevisível. 
Padrões repetitivos frequentemente funcionam como estratégias regulatórias capazes de 
estabilizar estados emocionais. Programas voltados ao aprimoramento cognitivo e às habilidades 
sociais em adultos demonstraram que intervenções estruturadas contribuem para reorganizar 
repertórios comportamentais, ampliando possibilidades de participação social (Baker-Ericzén et al., 
2018). A intervenção qualificada revela potencial transformador. 
A previsibilidade oferecida pelas rotinas exerce papel organizador na experiência diária de 
muitos indivíduos autistas. Pesquisas sobre participação em atividades recreativas indicaram que 
contextos estruturados podem atenuar o impacto do estresse percebido, repercutindo positivamente 
na qualidade de vida (Bishop-Fitzpatrick et al., 2017). A organização temporal torna-se suporte para 
o equilíbrio emocional. 
A dependência excessiva de rotinas, contudo, pode restringir experiências e limitar a 
adaptação a cenários inéditos. O debate científico acerca dos critérios diagnósticos ressaltou que 
comportamentos repetitivos devem ser analisados em sua função adaptativa antes de serem 
classificados como disfuncionais (Buxbaum; Baron-Cohen, 2013). A interpretação funcional evita 
reducionismos clínicos. 
A compreensão contemporânea do autismo demanda um olhar atento às relações entre 
cognição, emoção e ambiente. Investigações sobre a sensibilidade dos critérios diagnósticos em 
crianças pequenas evidenciaram que manifestações precoces podem apresentar grande variabilidade, 
exigindo avaliações cuidadosas (Barton et al., 2013). A infância configura um período decisivo para a 
identificação de necessidades específicas. 
 9 
No campo educacional, a presença de estudantes com perfis sensoriais diversos desafia 
práticas pedagógicas tradicionais. Reflexões sobre tecnologias emergentes apontam que recursos 
digitais podem ampliar vias de acesso ao conhecimento, favorecendo percursos de aprendizagem 
mais personalizados (Cabral, 2024). A inovação tecnológica passa a integrar o repertório inclusivo. 
O letramento digital, compreendido como competência comunicativa contemporânea, 
adquire relevância crescente na mediação do ensino. Estudos sobre alfabetização digital sugerem que 
novas formas de linguagem podem favorecer a expressão de estudantes que enfrentam barreiras na 
comunicação convencional (Cabral, 2022a). A pluralidade de códigos comunicativos amplia 
horizontes pedagógicos. 
A gestão educativa orientada pela diversidade cultural implica reconhecer que a inclusão 
depende de transformações institucionais profundas. Análises sobre modelos colaborativos indicam 
que ambientes escolares comprometidos com a acessibilidade tendem a produzir experiências 
acadêmicas mais equitativas (Cabral, 2022b). A cultura organizacional influencia diretamente o 
sucesso das práticas inclusivas. 
Metodologias ativas têm sido apontadas como alternativas promissoras para estimular o 
protagonismo discente. Investigações pedagógicas revelam que abordagens centradas na participação 
favorecem o engajamento cognitivo e reduzem barreiras à aprendizagem (Cabral, 2022c). A sala de 
aula transforma-se em espaço de construção compartilhada. 
O impacto das sensibilidades sensoriais no desenvolvimento global manifesta-se em 
múltiplas dimensões da vida cotidiana. A teoria da mente, ao explorar a capacidade de compreender 
intenções e emoções, oferece subsídios importantes para interpretar desafios relacionais presentes no 
espectro (Baron-Cohen, 1995). O desenvolvimento social emerge como processo interdependente. 
A articulação entre cognição social e comportamento adaptativo revela que dificuldades de 
interpretação podem influenciar a formação de vínculos. Discussões teóricas posteriores enfatizaram 
que a mente autista não deve ser compreendida a partir de déficits isolados, mas por meio de um 
perfil cognitivo específico (Baron-Cohen, 2008). Tal perspectiva favorece leituras mais complexas. 
A inserção no mundo do trabalho representa outro indicador relevante de qualidade de vida. 
Programas voltados ao emprego apoiado demonstraram que o fortalecimento das competências 
sociais e cognitivas amplia oportunidades de autonomia econômica (Baker-Ericzén et al., 2018). A 
inclusão profissional configura dimensão essencial da cidadania. 
O lazer, frequentemente subestimado nas análises acadêmicas, exerce função protetiva sobre 
o bem-estar psicológico. Evidências empíricas indicaram que a participação em atividades recreativas 
pode amortecer os efeitos do estresse, contribuindo para percepções mais positivas sobre a própria 
vida (Bishop-Fitzpatrick et al., 2017). O direito ao descanso integra a noção de dignidade. 
A experiência escolar inclusiva depende da convergência entre inovação pedagógica e 
sensibilidade institucional. Produções recentes sobre tecnologias educacionais destacam que 
 10 
ambientes interativos favorecem percursos formativos mais acessíveis (Cabral, 2024). A 
acessibilidade deve ser concebida como princípio estruturante. 
As transformações digitais também redefinem modos de interação social, abrindo 
possibilidades comunicativas antes inexistentes. Reflexões sobre letramento digital ressaltam que a 
mediação tecnológica pode potencializar a expressão subjetiva e ampliar a participação cultural 
(Cabral, 2022a). A tecnologia torna-se ponte para novas formas de pertencimento. 
A gestão educacional comprometida com a diversidade reconhece que inclusão não se 
restringe à matrícula, exigindo condições concretas de permanência. Estudos sobre administração 
escolar indicam que lideranças sensíveis à diferença tendem a promover culturas institucionais mais 
acolhedoras (Cabral, 2022b). O compromisso ético orienta a prática educativa. 
O avanço das metodologias participativas reforça a importância de experiências pedagógicas 
que valorizem a autonomia intelectual. Pesquisas educacionais apontam que estratégias colaborativas 
estimulam processos reflexivos e favorecem aprendizagens duradouras (Cabral, 2022c). O 
conhecimento emerge do encontro entre sujeitos. 
A análise integrada das sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a 
rotinas revela que tais dimensões não podem ser examinadas de maneira fragmentada. O debate 
científico sobre critérios diagnósticos enfatiza que a compreensão do espectro exige modelos 
interpretativos capazes de articular biologia, cognição e cultura (Buxbaum; Baron-Cohen,2013). A 
complexidade constitui o traço definidor desse campo investigativo. 
A qualidade de vida de pessoas com TEA depende, em grande medida, da capacidade social 
de reconhecer diferenças como parte legítima da condição humana. Investigações sobre cognição 
social demonstram que ampliar oportunidades de compreensão mútua favorece relações mais 
simétricas (Begeer et al., 2011). O desenvolvimento humano floresce onde há reconhecimento. 
A produção científica contemporânea aponta para a necessidade de ultrapassar paradigmas 
centrados na normalização, substituindo-os por perspectivas que valorizem a singularidade. Estudos 
sobre sensibilidade diagnóstica reforçam que a variabilidade do espectro demanda respostas 
igualmente plurais (Barton et al., 2013). O conhecimento avança quando se abre à diversidade. 
 
2.1. METODOLOGIA DA PESQUISA PARA DELINEAMENTO DO ARTIGO 
A presente pesquisa estrutura-se a partir de uma abordagem qualitativa, orientada pela 
análise interpretativa da produção científica relacionada às sensibilidades sensoriais, à rigidez 
comportamental e à adesão a rotinas no Transtorno do Espectro Autista, com ênfase nos impactos 
dessas dimensões sobre o desenvolvimento humano e a qualidade de vida. A investigação qualitativa 
busca compreender fenômenos complexos a partir dos significados que lhes são atribuídos, 
privilegiando a profundidade analítica em detrimento da mensuração numérica (Creswell, 2021). Tal 
 11 
orientação metodológica revela-se particularmente adequada para estudos que envolvem processos 
subjetivos, experiências perceptivas e dinâmicas comportamentais. 
No que se refere à natureza, esta pesquisa caracteriza-se como fundamental, uma vez que se 
volta à ampliação do conhecimento teórico acerca das relações entre processamento sensorial e 
organização comportamental. Estudos metodológicos indicam que investigações dessa natureza 
contribuem para o avanço científico ao oferecer novas interpretações e ao tensionar paradigmas 
consolidados (Narciso; Santana, 2025). O propósito central não reside na aplicação imediata dos 
resultados, mas na produção de bases conceituais capazes de sustentar futuras práticas interventivas. 
Quanto aos objetivos, o estudo assume caráter exploratório e descritivo. A dimensão 
exploratória permite o mapeamento das principais tendências teóricas e lacunas existentes na 
literatura, enquanto o eixo descritivo favorece a organização sistemática do conhecimento produzido 
sobre o tema (Galvão; Ricarte, 2019). Essa combinação possibilita uma leitura abrangente do campo 
investigado, sem perder o rigor analítico necessário à pesquisa acadêmica. 
Os procedimentos técnicos adotados concentram-se na pesquisa bibliográfica e documental, 
entendidas como estratégias complementares de produção do conhecimento. A investigação 
bibliográfica fundamenta-se na análise de materiais previamente publicados, permitindo ao 
pesquisador acessar debates consolidados e identificar transformações conceituais ao longo do tempo 
(Batista; Kumada, 2021). Esse percurso favorece a construção de um referencial teórico consistente e 
criticamente articulado. 
A relevância da pesquisa bibliográfica no desenvolvimento de estudos científicos tem sido 
amplamente reconhecida pela literatura metodológica contemporânea. Revisões críticas apontam que 
esse tipo de investigação não se limita à reunião de textos, exigindo interpretação rigorosa e 
posicionamento analítico diante das fontes examinadas (Narciso; Santana, 2025). O trabalho 
intelectual envolve diálogo constante com os autores e problematização das ideias encontradas. 
A adoção de procedimentos sistemáticos para seleção e análise das produções científicas 
contribui para a transparência e a confiabilidade do estudo. O protocolo PRISMA tem sido 
recomendado como referência para revisões estruturadas, oferecendo diretrizes que auxiliam na 
rastreabilidade das decisões metodológicas (Page et al., 2021). Sua aplicação favorece a organização 
do corpus e reduz vieses de seleção. 
A utilização do PRISMA também permite visualizar as etapas de identificação, triagem, 
elegibilidade e inclusão dos estudos analisados. Esse modelo metodológico tem sido reconhecido 
como ferramenta eficaz para garantir rigor na condução de revisões sistemáticas e integrativas 
(Morales, 2022). O detalhamento do percurso investigativo fortalece a credibilidade científica. 
A pesquisa bibliográfica foi conduzida com o objetivo de reunir e examinar criticamente a 
produção acadêmica dedicada ao tema, considerando artigos científicos, livros, dissertações e 
documentos eletrônicos. Investigações sobre configurações metodológicas ressaltam que a 
 12 
diversidade de fontes amplia a densidade interpretativa e evita leituras parciais do fenômeno estudado 
(Batista; Kumada, 2021). A pluralidade documental favorece análises mais robustas. 
A pesquisa documental complementa esse percurso ao incorporar materiais disponíveis em 
bases digitais e científicas. Estudos sobre investigações em políticas educacionais destacam que 
documentos institucionais e registros eletrônicos podem oferecer dados valiosos para a compreensão 
de contextos e práticas (Fávero; Centenaro, 2019). O cruzamento entre diferentes tipos de fonte 
fortalece a consistência teórica. 
A seleção das obras ocorreu em plataformas reconhecidas pela comunidade acadêmica, 
incluindo CAPES, Scopus, Web of Science, SciELO, Academia.edu e Google Acadêmico. Revisões 
metodológicas indicam que a escolha criteriosa das bases de dados contribui para a qualidade do 
levantamento e reduz o risco de omissões relevantes (Galvão; Ricarte, 2019). O rigor na busca 
constitui etapa essencial do processo científico. 
Foram adotados como critérios de inclusão a pertinência temática, a atualidade das 
publicações e o reconhecimento acadêmico dos periódicos ou editoras. Pesquisas metodológicas 
enfatizam que parâmetros claros de seleção promovem maior confiabilidade e permitem a 
replicabilidade do estudo (Narciso; Santana, 2025). A definição prévia desses critérios orientou todas 
as etapas subsequentes. 
A triagem inicial foi seguida por leitura exploratória, destinada à identificação de obras 
alinhadas aos objetivos da investigação. Abordagens qualitativas defendem que esse momento 
favorece o primeiro contato interpretativo com o material e possibilita a delimitação progressiva do 
corpus (Creswell, 2021). Trata-se de fase decisiva para a organização intelectual da pesquisa. 
Posteriormente, realizou-se leitura analítica, direcionada à identificação de conceitos-chave, 
convergências teóricas e tensões argumentativas. Estudos sobre revisão sistemática apontam que a 
análise aprofundada permite distinguir contribuições originais de repetições conceituais (Galvão; 
Ricarte, 2019). Esse procedimento amplia a qualidade interpretativa. 
Os dados foram examinados por meio da categorização temática, estratégia que possibilita 
agrupar conteúdos segundo núcleos de sentido. Pesquisas metodológicas indicam que a categorização 
favorece a construção de sínteses interpretativas e a identificação de padrões discursivos (Batista; 
Kumada, 2021). O processo analítico ocorreu de forma iterativa, permitindo revisões contínuas das 
categorias. 
O cruzamento entre os achados buscou evidenciar recorrências, divergências e lacunas 
presentes na literatura. Revisões críticas destacam que a comparação sistemática entre estudos 
constitui etapa indispensável para a produção de conhecimento relevante (Morales, 2022). A análise 
relacional permitiu compreender o fenômeno sob múltiplas perspectivas. 
A organização da narrativa científica exigiu atenção à coerência interna e à progressão 
argumentativa. Estudos sobre elaboração de projetos ressaltam que a sistematização criteriosa das 
 13 
informações reduz inconsistências e fortalece a validade interpretativa (Creswell, 2021). A escrita foi 
orientada pelo compromisso com clarezaconceitual. 
A análise bibliográfica demanda postura crítica que ultrapasse a reprodução das ideias 
examinadas. Pesquisadores da área metodológica defendem que o investigador deve atuar como 
intérprete ativo, estabelecendo conexões e produzindo novas leituras (Narciso; Santana, 2025). O 
conhecimento emerge do diálogo reflexivo com as fontes. 
A escolha pela abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de compreender 
processos simbólicos e experiências subjetivas relacionadas ao espectro autista. Estudos clássicos 
sobre investigação educacional afirmam que fenômenos humanos não podem ser plenamente 
capturados por métricas isoladas (Silva et al., 2009). A interpretação torna-se ferramenta central. 
O delineamento metodológico buscou preservar a singularidade do campo investigado, 
reconhecendo que práticas pedagógicas e experiências sensoriais se constroem em contextos 
socioculturais específicos. Pesquisas documentais apontam que considerar tais contextos evita 
generalizações indevidas (Fávero; Centenaro, 2019). O cuidado analítico orientou todo o percurso. 
A construção do referencial teórico ocorreu de maneira articulada aos objetivos do estudo, 
permitindo identificar lacunas ainda pouco exploradas. Revisões sistemáticas demonstram que 
mapear ausências é tão relevante quanto registrar consensos (Page et al., 2021). O avanço científico 
depende dessa dupla atenção. 
O tratamento dos dados priorizou a consistência interpretativa e a fidelidade às fontes. 
Estudos metodológicos alertam que interpretações precipitadas podem comprometer a credibilidade 
da pesquisa (Galvão; Ricarte, 2019). A análise foi conduzida com prudência epistemológica. 
A investigação também considerou a necessidade de transparência na descrição dos 
procedimentos, elemento indispensável à ciência contemporânea. O uso de protocolos estruturados 
favorece a avaliação crítica por parte da comunidade acadêmica (Morales, 2022). A clareza 
metodológica sustenta a legitimidade do estudo. 
O percurso adotado reafirma a centralidade da pesquisa bibliográfica como ferramenta de 
produção de conhecimento nas ciências humanas. Configurações analíticas bem delineadas permitem 
que revisões teóricas transcendam a função de síntese e se tornem espaços de elaboração conceitual 
(Batista; Kumada, 2021). O método orienta o pensamento científico. 
A sistematização do material analisado possibilitou construir uma leitura integrada das 
sensibilidades sensoriais, da rigidez comportamental e da adesão a rotinas. Estudos recentes indicam 
que abordagens interpretativas são particularmente eficazes para examinar fenômenos que envolvem 
subjetividade e complexidade (Creswell, 2021). A compreensão aprofundada constitui o objetivo 
maior. 
Este delineamento metodológico procura assegurar rigor científico, densidade teórica e 
coerência analítica, elementos indispensáveis para investigações comprometidas com a produção de 
 14 
conhecimento qualificado. Revisões críticas destacam que o valor de uma pesquisa reside tanto em 
suas descobertas quanto na solidez do caminho percorrido (Narciso; Santana, 2025). O método, nesse 
sentido, transforma-se em fundamento da própria inteligibilidade do estudo. 
 
2.2. PROCESSAMENTO SENSORIAL ATÍPICO 
O processamento sensorial constitui uma dimensão fundamental da experiência humana, 
pois organiza a forma como o organismo percebe, interpreta e responde aos estímulos do ambiente. 
No caso do Transtorno do Espectro Autista, esse sistema frequentemente apresenta padrões de 
funcionamento singulares que desafiam modelos tradicionais de desenvolvimento. Abordagens 
desenvolvimentistas indicam que compreender essas particularidades exige olhar atento para as 
trajetórias individuais e para os contextos em que se manifestam (Charman, 2010). A análise do 
fenômeno ultrapassa descrições clínicas e alcança o campo das relações sociais e educacionais. 
A percepção sensorial atípica pode revelar-se por meio de reações intensificadas ou 
reduzidas diante de estímulos cotidianos, o que transforma experiências ordinárias em eventos 
potencialmente desorganizadores. Estudos centrados na prática pedagógica destacam que professores 
frequentemente interpretam tais reações como comportamentos disruptivos quando não possuem 
formação específica para reconhecê-las (Drumond Ischkanian, 2023). Essa lacuna interpretativa 
tende a produzir respostas institucionais inadequadas. 
A literatura enfatiza que a hipersensibilidade sonora figura entre as manifestações mais 
relatadas, podendo gerar sofrimento significativo em ambientes ruidosos. Programas educacionais 
voltados ao autismo defendem que ajustes acústicos e organização espacial contribuem para maior 
permanência e engajamento nas atividades escolares (Drumond Ischkanian, 2025). A arquitetura do 
espaço educativo, portanto, assume papel pedagógico. 
Certas crianças demonstram rejeição a texturas específicas, recusando materiais escolares, 
vestimentas ou alimentos cuja superfície provoque desconforto. O uso de recursos lúdicos tem sido 
apontado como estratégia capaz de ampliar gradualmente a tolerância sensorial, favorecendo 
experiências menos ameaçadoras (Drumond Ischkanian, 2018). A mediação sensível transforma o 
contato com o mundo em processo exploratório. 
A hipossensibilidade, por sua vez, pode conduzir à busca constante por estímulos mais 
intensos, revelando uma tentativa do organismo de alcançar níveis perceptivos satisfatórios. 
Propostas educacionais que incorporam atividades motoras e expressivas indicam ganhos na 
organização comportamental quando tais necessidades são reconhecidas (Drumond Ischkanian, 
2020). O corpo emerge como via de aprendizagem. 
Modelos clínicos baseados no desenvolvimento emocional ressaltam que a regulação 
sensorial está profundamente ligada à qualidade das interações precoces. O Modelo DIR propõe 
intervenções centradas na relação, nas quais o adulto atua como parceiro na construção de 
 15 
significados compartilhados (Caldeira da Silva et al., 2003). O vínculo torna-se instrumento 
terapêutico. 
O reconhecimento precoce dos sinais sensoriais pode favorecer trajetórias mais ajustadas ao 
longo da infância. Relatos familiares amplamente divulgados na mídia demonstram que muitos 
indícios já se manifestam nos primeiros anos de vida, embora frequentemente passem despercebidos 
(Crescer Online, 2026). A escuta das experiências parentais amplia o repertório interpretativo dos 
profissionais. 
Ambientes escolares nem sempre se mostram preparados para acolher estudantes que 
percebem o mundo de maneira distinta. Notícias que denunciam práticas excludentes evidenciam a 
persistência de barreiras institucionais sustentadas por concepções restritas de normalidade (Crescer 
Online, 2022). A inclusão depende de transformações culturais. 
A intervenção pedagógica exige compreensão de que o comportamento sensorial não 
configura mera reação fisiológica, mas expressão de modos particulares de estar no mundo. Estudos 
sobre métodos educacionais apontam que adaptações curriculares e flexibilização das rotinas 
favorecem processos de aprendizagem mais consistentes (Drumond Ischkanian, 2020). A pedagogia 
inclusiva nasce do reconhecimento da diferença. 
Experiências expressivas, como o desenho, oferecem caminhos alternativos para a 
comunicação quando a linguagem verbal não supre determinadas necessidades. Pesquisas sobre 
práticas artísticas sugerem que a produção visual pode funcionar como organizador interno e 
ferramenta de autorregulação (Drumond Ischkanian, 2019). A imagem adquire estatuto de 
linguagem. 
O teatro terapêutico surge como outro dispositivo promissor ao integrar movimento, emoção 
e interação social. Investigações demonstram que atividades dramáticas contribuem para a ampliação 
da consciência corporal e para o manejo das respostas sensoriais (Corbett et al., 2011). A cena 
converte-se em espaço de experimentação subjetiva.Programas comunitários voltados ao desenvolvimento infantil reforçam a importância de 
redes de apoio capazes de orientar famílias e educadores. Iniciativas colaborativas indicam que a 
troca de experiências fortalece estratégias de cuidado e amplia o acesso a informações qualificadas 
(Crescer Org, 2026). O conhecimento circula quando se constrói coletivamente. 
A relação entre processamento sensorial e aprendizagem revela-se particularmente complexa 
quando se observa o impacto da sobrecarga perceptiva na atenção. Pesquisas educacionais afirmam 
que a organização previsível das atividades contribui para reduzir a dispersão e favorecer a 
permanência nas tarefas (Drumond Ischkanian, 2025). Estrutura e sensibilidade não se opõem. 
O brincar ocupa posição estratégica na construção de repertórios adaptativos. Estudos que 
exploram jogos e brincadeiras destacam que a experimentação guiada possibilita integrar diferentes 
 16 
canais sensoriais em experiências significativas (Drumond Ischkanian, 2018). O jogo configura 
laboratório de percepções. 
A leitura também pode ser afetada por condições sensoriais específicas, sobretudo quando o 
excesso de estímulos visuais interfere na concentração. Propostas metodológicas defendem a 
utilização de materiais organizados e visualmente acessíveis para facilitar o processamento da 
informação escrita (Drumond Ischkanian, 2015). O design pedagógico comunica silenciosamente. 
A compreensão do processamento sensorial demanda articulação entre saberes clínicos e 
educacionais. Estudos sobre desenvolvimento humano ressaltam que intervenções fragmentadas 
tendem a limitar o alcance das práticas, enquanto abordagens integradas ampliam possibilidades de 
progresso (Charman, 2010). O diálogo interdisciplinar sustenta avanços. 
A pesquisa qualitativa oferece instrumentos valiosos para captar a complexidade dessas 
experiências, permitindo interpretar narrativas, contextos e significados. Perspectivas metodológicas 
defendem que tal abordagem favorece análises densas quando o objetivo envolve fenômenos 
subjetivos (Creswell, 2021). O rigor interpretativo orienta a produção do conhecimento. 
A formação docente emerge como eixo decisivo para o enfrentamento dos desafios 
associados às sensibilidades sensoriais. Investigações sobre atuação profissional indicam que 
educadores preparados demonstram maior capacidade de ajustar práticas e promover participação 
efetiva (Drumond Ischkanian, 2023). Competência pedagógica implica sensibilidade ética. 
Projetos educacionais contemporâneos enfatizam a necessidade de reconhecer o estudante 
autista como sujeito ativo na construção do próprio percurso formativo. Trabalhos voltados a 
métodos e programas educacionais apontam que a escuta das preferências sensoriais pode orientar 
intervenções mais respeitosas (Drumond Ischkanian, 2020). A autonomia nasce do reconhecimento. 
A análise do processamento sensorial atípico conduz à compreensão de que o desconforto 
frequentemente interpretado como resistência traduz tentativas de autoproteção. O Modelo DIR 
sustenta que respostas empáticas do adulto favorecem estados emocionais mais regulados e ampliam 
oportunidades de interação (Caldeira da Silva et al., 2003). A relação antecede a aprendizagem. 
Refletir sobre essas experiências implica reconhecer que perceber o mundo de maneira 
singular não representa déficit absoluto, mas uma variação na organização perceptiva. Abordagens 
desenvolvimentistas sugerem que o desafio contemporâneo reside em construir ambientes capazes de 
dialogar com essa diversidade (Charman, 2010). A educação inclusiva ganha profundidade quando 
abandona expectativas homogêneas e passa a considerar a pluralidade das formas humanas de sentir e 
compreender a realidade. 
 
2.3. RIGIDEZ COMPORTAMENTAL 
A rigidez comportamental configura um dos traços mais investigados no campo do 
Transtorno do Espectro Autista, revelando padrões de pensamento e ação que privilegiam 
 17 
estabilidade em detrimento da variabilidade. Estudos sobre cognição social indicam que tais padrões 
não devem ser interpretados apenas como resistência voluntária, mas como expressão de modos 
específicos de processamento mental (Frith; Happé, 1994). A previsibilidade assume valor 
organizador diante de um mundo frequentemente percebido como incerto. 
A dificuldade em lidar com transformações ambientais tende a produzir respostas 
emocionais intensas quando expectativas são rompidas. Revisões sobre aquisição da linguagem 
sugerem que a organização cognitiva mais literal pode contribuir para a preferência por estruturas 
conhecidas (Eigsti et al., 2011). A segurança emerge quando o cenário mantém coerência. 
Pesquisas sobre julgamentos gramaticais apontam que diferenças no processamento 
linguístico podem refletir estilos cognitivos marcados pela busca de regularidade. Investigações 
demonstram que certos indivíduos no espectro interpretam desvios estruturais como eventos 
perturbadores, ainda que mínimos (Eigsti; Bennetto, 2009). O apego à forma revela uma lógica 
interna consistente. 
A compreensão sintática complexa também tem sido associada à flexibilidade mental. 
Estudos que examinam o uso de orações relativas observaram que demandas linguísticas mais 
sofisticadas podem exigir reconfigurações cognitivas desafiadoras para parte dessa população 
(Durrleman et al., 2015). A linguagem torna-se espelho da organização do pensamento. 
Discussões teóricas propõem que a rigidez não se limita ao comportamento observável, 
alcançando processos inferenciais e interpretativos. Pesquisas que expandem a teoria da mente 
indicam que a dificuldade em antecipar perspectivas alternativas pode favorecer rotinas mentais 
estáveis (Frith; Happé, 1994). A constância protege contra ambiguidades sociais. 
Mudanças nos sistemas classificatórios ampliaram a compreensão desse fenômeno ao 
integrar diferentes manifestações sob um mesmo espectro. Análises sobre revisões diagnósticas 
ressaltam que a heterogeneidade exige critérios capazes de abarcar múltiplos perfis (Gibbs et al., 
2012). O diagnóstico contemporâneo reconhece gradações. 
Debates sobre a permanência de categorias específicas revelaram preocupações quanto à 
perda de nuances clínicas. Argumentações acerca da possível retirada da síndrome de Asperger 
enfatizaram a necessidade de preservar descrições detalhadas das características cognitivas 
(Ghaziuddin, 2010). A precisão conceitual orienta intervenções. 
A interpretação social da rigidez frequentemente se entrelaça a mitos que obscurecem a 
compreensão pública do autismo. Reflexões críticas destacam que preconceitos históricos 
contribuíram para leituras simplificadas do comportamento repetitivo (Filipe, 2012). O conhecimento 
científico atua como contraponto à estigmatização. 
O campo da prosódia oferece pistas relevantes para compreender como a previsibilidade 
pode orientar a comunicação. Pesquisas sobre segmentação vocal apontam que padrões entonacionais 
 18 
regulares favorecem a interpretação de mensagens (Filipe; Vicente, 2010). A musicalidade da fala 
organiza a experiência interacional. 
Investigações neuropsicológicas clássicas já sinalizavam que a flexibilidade cognitiva 
depende de circuitos responsáveis pela adaptação estratégica. Instrumentos avaliativos amplamente 
utilizados revelaram que dificuldades nessa área podem repercutir em planejamento e tomada de 
decisão (Golden, 1987). O cérebro busca economia de esforço. 
A linguagem figurada representa um território particularmente desafiador quando se exige 
afastamento do sentido literal. Meta-análises demonstram que metáforas e ironias requerem 
deslocamentos interpretativos que nem sempre ocorrem espontaneamente (Kalandadze et al., 2018). 
O pensamento concreto preserva estabilidade semântica. 
A participação em atividades extracurriculares pode funcionar como laboratório de 
flexibilidade ao expor crianças e jovens a contextos variados. Estudossobre engajamento social 
indicam que experiências estruturadas ampliam repertórios comportamentais (Kaljaĉa; Duĉić; 
Cvijetić, 2019). O contato com o novo torna-se aprendizagem. 
O desenvolvimento histórico das teorias do autismo revela um movimento gradual de 
afastamento de explicações reducionistas. Perspectivas contemporâneas sugerem que a rigidez pode 
coexistir com notáveis competências analíticas (Frith; Happé, 1994). Singularidade não equivale a 
limitação absoluta. 
No âmbito linguístico, a tendência à repetição pode refletir tentativa de manter coerência 
discursiva. Revisões sobre desenvolvimento comunicativo indicam que scripts verbais oferecem 
suporte para a interação quando a improvisação gera incerteza (Eigsti et al., 2011). O roteiro produz 
previsibilidade. 
O encontro entre rigidez e criatividade suscita debates instigantes, sobretudo quando 
interesses específicos são explorados de maneira aprofundada. Estudos sobre sintaxe complexa 
sugerem que foco persistente pode favorecer domínio técnico em determinadas áreas (Durrleman et 
al., 2015). A especialização nasce da constância. 
A análise cultural do autismo recorda que cada sociedade define expectativas próprias sobre 
adaptação. Reflexões conceituais apontam que o estranhamento diante de comportamentos repetitivos 
revela normas implícitas de sociabilidade (Filipe, 2012). O desvio depende do olhar coletivo. 
Processos diagnósticos mais refinados contribuíram para identificar manifestações sutis da 
rigidez em diferentes fases do desenvolvimento. Comparações entre versões classificatórias 
demonstraram maior sensibilidade na detecção de perfis variados (Gibbs et al., 2012). A ciência 
aprimora suas lentes. 
A previsibilidade também pode favorecer autorregulação emocional quando o ambiente 
oferece poucas surpresas. Argumentos clínicos defendem que rotinas estruturadas reduzem a 
sobrecarga cognitiva (Ghaziuddin, 2010). Estabilidade não implica estagnação. 
 19 
A articulação entre cognição e linguagem revela que a flexibilidade depende de múltiplos 
sistemas interdependentes. Estudos sobre compreensão figurativa reforçam que interpretar o implícito 
exige coordenação entre memória, atenção e inferência (Kalandadze et al., 2018). Complexidade 
define o funcionamento mental. 
Refletir sobre rigidez comportamental conduz à compreensão de que autonomia não se 
constrói pela negação das características individuais, mas pela criação de contextos que ampliem 
possibilidades de escolha. Investigações sobre participação social sugerem que ambientes 
responsivos favorecem trajetórias mais independentes (Kaljaĉa; Duĉić; Cvijetić, 2019). O desafio 
contemporâneo reside em transformar previsibilidade em plataforma para o crescimento, 
reconhecendo que cada percurso humano combina permanência e transformação em proporções 
singulares. 
 
2.4. ADESÃO A ROTINAS COMO ESTRATÉGIA DE ORGANIZAÇÃO 
A adesão a rotinas constitui um dos elementos organizadores mais consistentes na 
experiência cotidiana de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, funcionando como uma matriz 
temporal que oferece inteligibilidade ao mundo social. Pesquisas longitudinais demonstram que a 
previsibilidade pode favorecer trajetórias de desenvolvimento mais estáveis quando combinada a 
intervenções precoces (Lord et al., 2006). A regularidade transforma o ambiente em território 
cognitivamente navegável. 
O crescimento das taxas diagnósticas intensificou o interesse científico por estratégias que 
promovam organização comportamental desde a infância. Relatórios epidemiológicos apontam 
aumento significativo na prevalência do autismo, reforçando a urgência de práticas estruturadas que 
apoiem o desenvolvimento adaptativo (Knopf, 2020). A rotina surge como ferramenta de mediação 
entre sujeito e contexto. 
Investigações clínicas indicam que intervenções baseadas na atenção compartilhada 
produzem ganhos comunicativos relevantes, sobretudo quando inseridas em sequências previsíveis de 
interação. Ensaios controlados evidenciaram que programas estruturados ampliam iniciativas sociais 
e competências simbólicas (Kasari; Freeman; Paparella, 2006). A repetição planejada cria 
oportunidades para o surgimento da intenção comunicativa. 
Estudos posteriores compararam abordagens centradas no brincar e na atenção conjunta, 
observando efeitos positivos sobre a linguagem quando as atividades obedeciam a uma organização 
temporal clara. Resultados experimentais revelaram que crianças expostas a rotinas interativas 
demonstraram maior engajamento verbal (Kasari et al., 2008). O tempo estruturado favorece 
aprendizagem significativa. 
A variabilidade nas habilidades comunicativas tem sido relacionada a fatores cognitivos e ao 
funcionamento adaptativo. Pesquisas com pré-escolares identificaram que níveis mais elevados de 
 20 
organização cotidiana se correlacionam com melhor desempenho linguístico (Kjellmer et al., 2012). 
Estrutura e comunicação mantêm relação dinâmica. 
A atribuição de sentido social a estímulos ambíguos pode tornar-se particularmente 
desafiadora quando o ambiente carece de previsibilidade. Experimentos sobre percepção social 
indicaram que indivíduos com autismo tendem a interpretar cenas de modo mais consistente quando 
padrões são reconhecíveis (Klin, 2000). A estabilidade perceptiva reduz a carga interpretativa. 
Modelos contemporâneos descrevem o autismo como condição marcada por diferenças no 
desenvolvimento neurobiológico que influenciam adaptação ao longo da vida. Revisões abrangentes 
destacam que suportes ambientais previsíveis podem mitigar dificuldades funcionais (Lord et al., 
2018). O cuidado estruturado atua como fator protetivo. 
A organização rotineira também desempenha papel relevante na evolução da linguagem 
receptiva durante a transição para a vida adulta. Estudos comparativos observaram que sujeitos 
acompanhados em contextos consistentes apresentaram melhores desfechos cognitivos (Mawhood; 
Howlin; Rutter, 2003). Continuidade favorece consolidação de habilidades. 
O desenvolvimento da atenção compartilhada depende frequentemente de cenários 
interacionais repetidos, nos quais expectativas são gradualmente internalizadas. Pesquisas brasileiras 
evidenciaram que práticas estruturadas ampliam a capacidade de coordenar foco entre pessoas e 
objetos (Menezes; Perissinoto, 2008). O encontro social requer previsibilidade mínima. 
A compreensão das emoções e da empatia envolve processos executivos complexos que se 
beneficiam de ambientes organizados. Investigações com adultos de alto funcionamento sugerem que 
rotinas consistentes auxiliam no reconhecimento emocional (Montgomery et al., 2016). Organização 
externa apoia regulação interna. 
Estudos correlacionais indicam que inteligência emocional e teoria da mente podem predizer 
resultados sociais quando acompanhadas por estratégias de planejamento cotidiano. Análises 
demonstraram que funções executivas mediadas por hábitos estáveis contribuem para maior 
participação comunitária (Montgomery; Stoesz; McCrimmon, 2012). Estrutura prepara para a 
interação. 
Narrativas familiares frequentemente descrevem a rotina como eixo de equilíbrio doméstico, 
especialmente diante das demandas imprevisíveis do cuidado. Relatos jornalísticos revelam que 
decisões reprodutivas e projetos de vida são influenciados pela experiência concreta de conviver com 
o espectro (Lima, 2025a). O cotidiano reorganiza expectativas existenciais. 
Histórias de apoio entre colegas ilustram como a previsibilidade das relações pode gerar 
segurança emocional em contextos escolares. Episódios amplamente divulgados mostram que gestos 
consistentes fortalecem vínculos e favorecem pertencimento (Lima, 2025b). A estabilidade afetiva 
amplia horizontes sociais. 
 21 
Testemunhos de irmãos ressaltam o impacto das rotinas na construção de esperança 
comunicativa dentro da família. Registros midiáticos apresentam desejos de desenvolvimentoverbal 
associados à manutenção de práticas regulares (Lima, 2025c). O tempo reiterado sustenta projetos de 
futuro. 
A consolidação de hábitos diários também dialoga com o processo de autonomia 
progressiva, permitindo que a pessoa antecipe eventos e organize respostas. Estudos longitudinais 
reforçam que previsibilidade reduz comportamentos disruptivos ao diminuir a incerteza ambiental 
(Lord et al., 2006). Antecipação produz segurança. 
O aumento da prevalência reforça a necessidade de políticas educacionais que incorporem 
planejamento estruturado. Dados epidemiológicos sugerem que sistemas escolares precisarão adaptar 
rotinas institucionais para acolher maior diversidade neurocognitiva (Knopf, 2020). A organização 
coletiva acompanha transformações demográficas. 
Programas terapêuticos orientados pela regularidade têm demonstrado potencial para 
fortalecer competências simbólicas e sociais. Ensaios clínicos apontam que intervenções previsíveis 
favorecem generalização de habilidades (Kasari et al., 2008). A repetição intencional transforma-se 
em ferramenta pedagógica. 
A heterogeneidade do espectro exige reconhecer que a rotina pode assumir funções distintas 
conforme o perfil individual. Revisões clínicas enfatizam que suportes devem ser calibrados para 
evitar dependência excessiva (Lord et al., 2018). Flexibilidade planejada preserva a autonomia 
emergente. 
O percurso rumo à vida adulta revela que hábitos consistentes contribuem para estabilidade 
ocupacional e relacional. Estudos de acompanhamento identificaram melhor adaptação entre aqueles 
que internalizaram sequências organizadoras desde cedo (Mawhood; Howlin; Rutter, 2003). A 
temporalidade estruturada orienta escolhas. 
Refletir sobre a adesão a rotinas implica reconhecer que previsibilidade não representa 
oposição à transformação, mas condição para que mudanças sejam assimiladas com menor 
sofrimento. Evidências sobre atenção compartilhada indicam que estruturas confiáveis funcionam 
como plataformas para novas aprendizagens (Menezes; Perissinoto, 2008). O equilíbrio entre 
permanência e abertura delineia caminhos mais humanos para o desenvolvimento e para a qualidade 
de vida. 
 
2.5. IMPACTOS NO DESENVOLVIMENTO GLOBAL 
O desenvolvimento global de pessoas com Transtorno do Espectro Autista requer 
compreensão integrada das dimensões cognitivas, emocionais e sociais que estruturam a experiência 
humana. Investigações sobre atenção conjunta e imitação demonstram que tais habilidades 
constituem alicerces para a construção da comunicação e da aprendizagem simbólica (Mora; Fortea, 
 22 
2012). Quando esses processos se organizam de maneira atípica, todo o percurso maturacional pode 
adquirir ritmos particulares. 
A avaliação das capacidades intelectuais tem contribuído para identificar perfis heterogêneos 
dentro do espectro, revelando combinações singulares de potencialidades e dificuldades. Estudos de 
adaptação do WAIS-III ao contexto brasileiro evidenciaram a importância de instrumentos sensíveis 
às especificidades culturais e neuropsicológicas (Nascimento, 2004). A mensuração adequada 
permite interpretações menos reducionistas do desempenho. 
As competências inferenciais ocupam papel decisivo na compreensão de narrativas e na 
interpretação de intenções alheias. Pesquisas comparativas indicaram que crianças com diferentes 
transtornos da comunicação apresentam padrões distintos de recordação de histórias, sendo o grupo 
com autismo marcado por desafios na leitura implícita dos eventos (Norbury; Bishop, 2002). A 
construção de sentido exige coordenação entre memória e interpretação. 
Estratégias alternativas de comunicação têm revelado caminhos promissores para ampliar a 
participação social de sujeitos pré-linguísticos. Um estudo de caso demonstrou que o uso de cartões 
ilustrados possibilitou reparar falhas de entendimento entre interlocutores, promovendo maior 
autonomia interacional (Ohtake et al., 2010). Recursos visuais funcionam como pontes simbólicas. 
A experiência estética pode favorecer processos psicológicos complexos ao estimular 
imaginação e expressão emocional. Reflexões fundamentadas em Vygotsky destacam que o teatro 
escolar potencializa a internalização de papéis sociais e amplia repertórios afetivos (Oliveira; Stoltz, 
2010). A arte oferece território fértil para experimentação subjetiva. 
O campo das neurociências tem enfatizado que o autismo não constitui entidade homogênea, 
mas conjunto de trajetórias neurobiológicas diversas. Sínteses de pesquisas contemporâneas apontam 
que fatores genéticos e ambientais interagem na formação dessas diferenças (Ozonoff; Rogers; 
Hendren, 2003). A multiplicidade desafia generalizações apressadas. 
A prosódia, componente essencial da linguagem oral, influencia diretamente a interpretação 
emocional das mensagens. Investigações sobre percepção e produção entonacional revelaram que 
indivíduos no espectro podem apresentar padrões vocais singulares, com repercussões na 
reciprocidade comunicativa (Paul et al., 2005). A musicalidade da fala carrega significados sociais 
profundos. 
O diagnóstico linguístico precoce amplia possibilidades de intervenção ao permitir 
identificação detalhada das necessidades comunicativas. Estudos na área da fonoaudiologia ressaltam 
que compreender o perfil expressivo e receptivo orienta práticas terapêuticas mais precisas 
(Perissinoto, 2004). Conhecer o funcionamento verbal evita abordagens genéricas. 
Processos avaliativos consistentes funcionam como precursores de diagnósticos mais 
confiáveis, reduzindo equívocos interpretativos. Pesquisas sobre avaliação clínica destacam que 
 23 
observar múltiplos contextos favorece compreensão abrangente do desenvolvimento infantil 
(Perissinoto; Chiari, 2003). A observação qualificada sustenta decisões éticas. 
A maneira como crianças formulam pedidos revela concepções implícitas acerca da agência 
do outro. Estudos clássicos demonstraram que algumas crianças com autismo tendem a tratar 
interlocutores como instrumentos para alcançar objetivos imediatos, indicando desafios na 
compreensão da subjetividade alheia (Phillips et al., 1995). Reconhecer o outro como sujeito 
constitui marco relacional. 
A articulação entre comunicação e cognição social depende da capacidade de compartilhar 
atenção, gesto que inaugura formas mais complexas de interação. Pesquisas apontam que 
dificuldades nesse domínio podem repercutir na aprendizagem acadêmica e nas amizades (Mora; 
Fortea, 2012). O encontro de olhares inaugura significados. 
Instrumentos psicométricos também revelam que habilidades intelectuais não se distribuem 
de maneira linear, frequentemente coexistindo áreas de excelência e fragilidades. A normatização 
brasileira do WAIS-III evidenciou a relevância de análises qualitativas complementares aos escores 
numéricos (Nascimento, 2004). A inteligência não se resume a índices. 
A interpretação de narrativas envolve competências pragmáticas que ultrapassam a 
decodificação literal das palavras. Estudos sobre processamento inferencial indicam que dificuldades 
nesse campo podem limitar a compreensão de metáforas sociais presentes em histórias (Norbury; 
Bishop, 2002). Ler entrelinhas demanda flexibilidade cognitiva. 
Sistemas de comunicação alternativa transformam o cotidiano ao oferecer meios concretos 
para expressar intenções e emoções. Evidências empíricas demonstram que suportes visuais reduzem 
frustrações comunicativas e ampliam participação (Ohtake et al., 2010). A linguagem pode assumir 
múltiplas materialidades. 
A vivência teatral, ao integrar corpo e emoção, promove reorganizações internas que 
repercutem no desenvolvimento social. Análises educacionais sugerem que dramatizações 
possibilitam experimentar perspectivas diversas (Oliveira; Stoltz, 2010). Representar papéis amplia 
horizontes interpretativos. 
As contribuições da investigação científica contemporânea reiteram que o desenvolvimentono espectro segue percursos não lineares, exigindo leitura sensível das singularidades. Revisões 
especializadas enfatizam a necessidade de intervenções individualizadas (Ozonoff; Rogers; Hendren, 
2003). Cada trajetória expressa combinação irrepetível de fatores. 
A entonação vocal, frequentemente negligenciada, desempenha função estruturante na 
comunicação afetiva. Estudos demonstram que padrões prosódicos atípicos podem gerar 
interpretações equivocadas por parte dos interlocutores (Paul et al., 2005). A forma sonora comunica 
tanto quanto o conteúdo. 
 24 
Diagnósticos detalhados contribuem para evitar interpretações equivocadas de 
comportamentos que, à primeira vista, podem parecer desinteresse social. Pesquisas fonoaudiológicas 
indicam que compreender intenções comunicativas ocultas favorece intervenções mais humanizadas 
(Perissinoto, 2004). Escutar exige sensibilidade técnica. 
A avaliação clínica, quando conduzida de modo rigoroso, transforma-se em instrumento de 
promoção do desenvolvimento ao orientar estratégias educativas e terapêuticas. Estudos destacam 
que procedimentos sistemáticos reduzem a probabilidade de rotulações imprecisas (Perissinoto; 
Chiari, 2003). Precisão diagnóstica protege trajetórias. 
O reconhecimento do outro como agente intencional constitui fundamento da vida social e 
influencia diretamente a qualidade dos vínculos estabelecidos ao longo da existência. Evidências 
experimentais mostram que trabalhar essa dimensão desde cedo amplia possibilidades relacionais 
(Phillips et al., 1995). O desenvolvimento global emerge do entrelaçamento entre mente, emoção e 
cultura, exigindo olhares que valorizem complexidade e potencial humano. 
 
2.6. REPERCUSSÕES NA QUALIDADE DE VIDA 
 A qualidade de vida de pessoas com Transtorno do Espectro Autista está profundamente 
vinculada às condições ambientais que moldam suas experiências cotidianas. Investigações 
neuropsicológicas apontam que a mente autista apresenta modos particulares de processar 
informações, o que exige contextos capazes de reconhecer tais especificidades sem reduzi-las a 
déficits (Pisula, 2010). O bem-estar emerge quando há compatibilidade entre características 
individuais e demandas sociais. 
Os processos comunicativos ocupam lugar central na construção de trajetórias satisfatórias, 
pois mediam o acesso à cultura e às relações humanas. Estudos sobre desenvolvimento social e 
emocional indicam que intervenções voltadas à comunicação ampliam oportunidades de participação 
e favorecem sentimentos de pertencimento (Prizant, 1996). A ausência de suporte adequado pode 
transformar situações corriqueiras em fontes persistentes de tensão. 
A ecolalia, frequentemente interpretada de modo simplista, revela funções comunicativas 
complexas quando analisada sob perspectiva funcional. Pesquisas clássicas demonstraram que 
repetições imediatas podem servir à autorregulação, à manutenção da interação e à elaboração 
cognitiva (Prizant; Duchan, 1981). Reconhecer essa intencionalidade altera práticas educativas e 
terapêuticas. 
A participação em atividades sociais constitui indicador relevante de qualidade de vida 
durante a adolescência, fase marcada pela busca de autonomia. Levantamentos populacionais 
evidenciaram que jovens no espectro tendem a apresentar menor engajamento em eventos 
comunitários, cenário frequentemente associado à escassez de oportunidades inclusivas (Shattuck et 
al., 2011). Ambientes receptivos transformam esse panorama. 
 25 
Características prosódicas singulares podem interferir na forma como a fala é percebida 
pelos interlocutores, influenciando julgamentos sociais. Pesquisas sobre adolescentes e adultos com 
alto funcionamento identificaram padrões vocais atípicos que, quando mal interpretados, contribuem 
para equívocos relacionais (Shriberg et al., 2001). Sensibilidade comunicativa reduz barreiras 
invisíveis. 
Os primeiros anos de vida representam período decisivo para a constituição das 
competências interativas. Estudos sobre atos comunicativos no segundo ano indicam que sinais 
precoces permitem intervenções que impactam positivamente o desenvolvimento posterior 
(Shumway; Wetherby, 2009). A detecção antecipada favorece trajetórias mais estáveis. 
A competência discursiva influencia diretamente a capacidade de inserir-se em práticas 
culturais que dependem da narrativa. Análises do desempenho discursivo mostraram que crianças 
autistas podem enfrentar desafios ao introduzir histórias, o que repercute na construção de identidade 
social (Solomon, 2004). Narrar experiências significa ocupar um lugar simbólico no mundo. 
Os fundamentos neurais da teoria da mente ajudam a compreender dificuldades na 
interpretação de estados mentais alheios. Pesquisas sobre contribuições do lobo frontal revelaram sua 
relevância para inferir intenções, habilidade essencial para interações complexas (Stone; Baron-
Cohen; Knight, 1998). Relações mais previsíveis tendem a reduzir sobrecargas cognitivas. 
Abordagens psicológicas voltadas à linguagem social enfatizam que compreender 
pensamentos de outras pessoas envolve articulação entre cognição e emoção. Revisões teóricas 
destacam que limitações nesse domínio podem restringir experiências compartilhadas, afetando 
percepções de satisfação (Tager-Flusberg, 1999). A qualidade de vida não se dissocia da 
reciprocidade. 
Investigações posteriores aprofundaram as conexões entre linguagem e compreensão da 
mente, sugerindo que o desenvolvimento desses sistemas ocorre de maneira interdependente. 
Evidências indicam que avanços linguísticos favorecem leituras mais refinadas das intenções sociais 
(Tager-Flusberg, 2000). A comunicação amplia horizontes interpretativos. 
Direções contemporâneas da pesquisa apontam para a necessidade de integrar genética, 
neurociência e estudos comportamentais na análise do espectro. Revisões abrangentes reforçam que 
intervenções baseadas em evidências contribuem para melhores desfechos adaptativos (Tager-
Flusberg; Joseph; Folstein, 2001). Conhecimento científico orienta políticas mais sensíveis. 
A linguagem permanece como eixo estruturante do desenvolvimento humano, influenciando 
desde aprendizagens escolares até vínculos afetivos. Sínteses especializadas descrevem grande 
variabilidade comunicativa entre pessoas autistas, o que exige respostas educacionais 
individualizadas (Tager-Flusberg; Paul; Lord, 2005). Singularidade demanda flexibilidade 
institucional. 
 26 
A aquisição linguística na educação infantil tem sido associada a múltiplos fatores, incluindo 
cognição e ambiente familiar. Estudos longitudinais identificaram preditores importantes desse 
processo, indicando que suporte intensivo pode alterar trajetórias inicialmente consideradas 
desfavoráveis (Thurm et al., 2007). Expectativas precisam ser guiadas por evidências. 
Critérios diagnósticos influenciam diretamente o acesso a serviços e recursos especializados. 
Análises comparativas entre versões do DSM demonstraram diferenças relevantes na sensibilidade e 
especificidade dos critérios, com implicações para políticas de atendimento (Tsai, 2012). Classificar 
envolve responsabilidades éticas. 
Panoramas clínicos amplos descrevem o autismo como condição marcada por diversidade 
fenotípica e trajetórias desenvolvimentais heterogêneas. Revisões consolidadas destacam que suporte 
contínuo ao longo da vida está associado a melhores indicadores de adaptação (Volkmar et al., 2004). 
Continuidade assistencial sustenta estabilidade. 
Indagações sobre morfologia linguística sugerem tendência ao processamento local, 
característica que pode influenciar a compreensão de estruturas gramaticais complexas. Esse viés foi 
relacionado a padrões específicos de organização cognitiva (Vulchanova et al., 2012). Conhecer tais 
particularidades favorece práticas pedagógicas mais eficazes. 
A avaliação intelectual permanece instrumento relevante para planejar intervenções 
educacionais

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