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2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. Processo e Procedimento Processo x procedimento: → Processo: para Renato Marcão, processo é “um instrumento democrático de que se vale o Estado para dar resposta à pretensão punitiva e fazer justiça”. • Ou seja, é uma série de atos concatenados entre si. • Nulla poena sine iudicio (nenhuma pena senão em juízo). → Procedimento: é uma sequência de atos que desenvolve o processo com seus rituais do início ao fim. Princípios incidentais: → Faz-se necessário entender que alguns princípios são imperiosos p/ um processo justo. → Assim, dentro de cada procedimento processual há de ter: devido processo legal, direito à defesa, direito à forma, direito a um processo célere, direito à citação, contraditório, ampla defesa. → Princípio da ordem consecutiva: no trâmite do processo é imperioso seguir a ordem disposta em lei. Todos os atos coordenados e complexos determinados em lei devem ser atendidos, marchando de acordo com a sucessão lógica. “O juiz não pode suprimir validamente, por sua vontade, e nem mesmo com a concordância das partes, atos ou fases do procedimento tipificado; implantar procedimento não previsto em lei ou mesmo inverter a ordem de qualquer procedimento expressamente regulado”. Renato Marcão. → Pas de nullité sans grief: não se declara nulidade sem que se demonstre a existência de prejuízo que dela decorreu. Procedimento Comum e Procedimento Especial: → Art. 394, CPP subdivide os procedimentos em comum e especial. → Especial: o procedimento será especial quando for: a) Tribunal do Júri; b) Crimes praticados por funcionário público contra a administração pública (arts. 513 a 518, CPP). c) Crimes contra a honra (arts. 519 a 523, CPP). d) Lei 11.343/2006 (Lei Antidrogas). → Comum: a) Ordinário: pena máxima for igual ou superior a 4 anos. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. b) Sumário: pena máxima for inferior a 4 e maior que 2 anos (ou seja, 3). c) Sumaríssimo: pena máxima menor que 2 anos. → A escolha do procedimento depende da quantidade da pena máxima atribuída ao crime. Quando for atribuído mais de um tipo penal (crime) ao réu, as penas máximas das referidas infrações deverão ser somadas p/ a escolha do procedimento. → Tanto o procedimento ordinário, quanto o sumário estão previstos no CPP. → O procedimento sumaríssimo está previsto na lei 9099/1995. → Processos que apurem crime hediondo ou violência doméstica contra a mulher terão prioridade de tramitação em todas as instâncias, nos termos do art. 394-A do CPP. → As disposições do procedimento ordinário serão aplicadas em todos os outros ritos (especial, sumário e sumaríssimo) de modo subsidiário. Art. 394, §5, CPP. Procedimento ordinário: arts. 395 a 404 do CPP. → Rejeição da denúncia ou queixa: • Ofertada a denúncia ou queixa, o juiz deverá analisar os requisitos formais podendo receber ou rejeitar a ação penal. • Será rejeitada a inicial acusatória quando for: art. 395 do CPP. 1. Inepta: a ação será inepta quando não preencher os requisitos do art. 41, CPP. Consoante doutrina e jurisprudência majoritárias, apenas a falha na exposição do fato e suas circunstâncias, bem como a qualificação do acusado ou sinais que permitem sua individualização é que autorizam a rejeição da denúncia. Precisa ser uma inépcia manifesta porque deve estar evidente, indubitável. A exposição dos fatos com todas as circunstâncias é requisito essencial na medida em que o réu se defende dos fatos em que lhe foram atribuídos na exordial e não propriamente da capitulação jurídica (tipificação) atribuída a sua conduta. No tocante a capitulação jurídica, não há possibilidade de inépcia porquanto o réu se defende dos fatos; além do juiz poder dar definição jurídica ao fato. Art. 383, CPP. Art. 394-A, CPP: Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias. Art. 383, CPP: O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. 2. Ausência de condição da ação e pressupostos processuais: são condições da ação: legitimidade, interesse de agir, representação e requisição. São pressupostos processuais: capacidade, juiz revestido de jurisdição, competência, litispendência, falta de suspeição, coisa julgada etc. 3. Ausência de justa causa: quando falta a certeza de materialidade e indícios de autoria. Não havendo correlação entre o acervo probatório e a acusação, a exordial deve ser rejeitada por ausência de justa causa. Súmula 696, STF: OBS: Segundo entendimento do STJ, o momento certo para o ajuste da capitulação trazida na denúncia ocorre na decisão da sentença, nos termos do art. 383, CPP. → Recebimento da denúncia ou queixa: • Se não for caso de rejeição, o juiz proferirá decisão de recebimento da denúncia ou queixa. • Para a doutrina e os Tribunais Superiores, o processo se inicia com o despacho de recebimento. • A decisão de recebimento, consoante art. 93, IX, CF, deve ser motivada, embora prescinda de robustez. • O recebimento da denúncia é imediato e marca a interrupção da prescrição. → Citação e resposta escrita: • Na decisão de recebimento o juiz determinará a citação do acusado, que poderá ser: 1. Pessoal: é a regra no CPP. Atualmente pode acontecer por meio de redes sociais como WhatsApp. Se o réu estiver preso no foro onde tramita o processo, a citação pessoal é obrigatória sob pena de nulidade. 2. Citação por hora certa: caso o oficial de justiça tente encontrar o réu por 2x e não encontre e suspeite que está se ocultando p/ não ser citado, poderá citá-lo por hora certa (hora marcada). Art. 362, CPP. 3. Citação por edital: se o réu não for encontrado, sua citação deverá ser por edital cujo prazo é de 15 a 90 dias a depender da complexidade do processo. Se o réu comparecer ou constituir advogado, o processo terá seu curso regular, iniciando o prazo p/ resposta. Do contrário, o processo e o prazo prescricional deverão ser suspensos, Comentado [LP1]: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. nos termos do art. 366, CPP. No caso de suspensão, o juiz poderá determinar a produção de provas antecipadas e determinar a prisão preventiva do acusado caso os requisitos do art. 312 e 313 estejam presentes. O processo ficará suspenso até que o acusado seja encontrado. O prazo prescricional, todavia, só ficará suspenso pelo prazo prescricional considerando a pena máxima em abstrato; decorrido esse tempo o prazo prescricional voltará a ser contado, embora o processo continue suspenso. Na decisão que suspende o processo, a suspensão da prescrição deve constar expressamente, conforme jurisprudência. Do contrário, a prescrição continuará sendo computada. → Resposta à acusação: arts. 396 e 396-A do CPP: • Após a citação, o acusado deverá apresentar resposta à acusação no prazo (corrido) de 10 dias, que devem ser contados da citação e não da juntadado mandado ou da R.A. • Contagem do prazo: são dias corridos, mas deve começar e finalizar em dia útil. • Se o réu citado não constituir advogado no mencionado prazo, o juiz nomeará a defensoria pública p/ que apresente R.A. • O prazo da R.A é impróprio, de modo que sua perda não gera preclusão consumativa. • Na eventualidade do réu já ter constituído advogado, o juiz intimará o acusado p/ que constitua novo defensor ou manifeste interesse em ser defendido pela Defensoria Pública ante a ausência de R.A. • A ausência de RA impede a continuidade do processo até que seja apresentada. Contudo, não gera revelia. • No CPP a revelia só é decretada quando o réu é intimado p/ um ato processual e não comparece injustificadamente. O único efeito é que o réu não será intimado p/ os próximos atos processuais, salvo sentença condenatória, porém, sua defesa continuará sendo intimada. • A revelia no CPP não traz presunção de veracidade dos fatos da inicial, posto que violaria o princípio da presunção de inocência. • O réu pode, na R.A, sustentar toda a matéria defensiva, indicar e arrolar testemunhas, especialmente as teses previstas 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. no art. 397 do CPP, que resulta em sua absolvição sumária. • No entanto, a defesa pode optar por produzir com negativa geral dos fatos, sem que isso caracterize confissão tácita. • No processo penal, em âmbito de R.A não se aplica resposta à acusação genérica o princípio da impugnação específica da contestação cível. Absolvição sumária: → Nesse momento, cumprida as formalidades do art. 396-A, CPP, o juiz procederá à análise minuciosa da resposta escrita. → Após a apresentação da R.A, o juiz deverá verificar a possibilidade de absolvição sumária, nos termos do art. 397, CPP. → Só poderá haver a absolvição sumária se a causa estiver manifesta nos autos, sendo desnecessária a produção de outros elementos. 1. Excludentes de ilicitude: art. 23, CP: legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito. • No entendimento de Renato Marcão, essa causa deveria ser motivo de rejeição da inicial (denúncia ou queixa), uma vez que deveria vir manifestamente apurada no inquérito policial. 2. Exclusão de culpabilidade: imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa (impotênciadoEx). • Salvo quando for inimputável. Isto porque se for caso de absolvição sumária, o juiz teria que aplicar a absolvição imprópria, aplicando ao acusado medida de segurança que, se o processo fosse até o fim, poderia ter sua inocência comprovada. Assim, não se aplica a absolvição sumária aos inimputáveis. 3. Fato atípico: o fato não é típico, ilícito e culpável. • Tipicidade material: analisa se a conduta provocou uma Art. 397, CPP: [...] o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: I — A existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; II — A existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; III — que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV — Extinta a punibilidade do agente. Art. 107, CP. “Por outro vértice, se a excludente não for manifesta, mas se apresentar apenas como uma das vertentes possíveis para o processo, incabível se afigurará a absolvição sumária, e o processo deverá seguir seu rumo.” Renato Marcão. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. lesão ao bem jurídico tutelado. • Tipicidade formal: é a adequação entre a conduta de uma pessoa e a descrição do crime na lei penal. 4. Extinção da punibilidade do agente. Art. 107, CP: Aury Lopes Júnior e Renato Marcão acreditam que a justa causa deveria estar no rol do art. 397, uma vez que o juiz poderá, passado a resposta à acusação, verificar a ausência da justa causa. • Os autores ainda sustentam que a extinção da punibilidade, por não ser hipótese de análise do mérito, deveria ser declaratória de extinção de punibilidade. • Por não haver a preclusão iudicata no processo penal, o juiz poderá, a qualquer momento, verificada as hipóteses do art. 395 do CPP, rejeitar a exordial acusatória. • Se não for uma causa de absolvição sumária, o juiz deverá designar data e hora para a audiência de instrução e julgamento. Audiência de Instrução e Julgamento (A.I.J): → A “A.I.J” deve ser designada no intervalo máximo de 60 dias contado do recebimento da denúncia, ordenando a intimação do MP e, se for o caso, do querelante e do assistente. Art. 399, CPP. → O excesso de prazo pode gerar constrangimento ilegal e relaxar a prisão se o acusado estiver preso. → De acordo com a jurisprudência, entretanto, o excesso de prazo não gera constrangimento ilegal se houver 1) Causa complexa (difícil elucidação) 2) Número excessivo de acusados (3ou+); e 3) Atraso por culpa exclusiva da defesa. Nestes casos, a prisão é mantida. → Não há ilegalidade no atraso da audiência se o acusado estiver solto. → O acusado preso será requisitado p/ interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação. Art. 399, §1, CPP. → No A.I.J será ouvido, nesta ordem: art. 400, CPP. 1. A vítima, se houver; 2. As testemunhas de acusação 3. Testemunhas da defesa. • Seguido dos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, quando necessário e, por fim, interrogatório do réu. → As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes ou protelatórias. Art. 400, §1, CPP. → As partes devem requerer previamente os esclarecimentos do perito. → No processo penal, o sistema não é presidencialista, mas “Cross examination” de modo que as partes 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. fazem as perguntas diretamente a quem está depondo. → Em relação às vítimas e testemunhas de acusação quem inicia a inquirição é a acusação, seguida da defesa e o juiz. → Em relação as testemunhas de defesa, o defensor inicia as perguntas, seguida da acusação e depois o juiz, se houver dúvida. → No interrogatório, o juiz inicia as perguntas, seguindo-se p/ a acusação e depois a defesa. → Antes de iniciar o interrogatório, a defesa poderá se reunir, reservadamente, com o réu. O réu tem o direito ao silêncio total ou parcial e o direito de mentir, exclusivamente em relação aos fatos. → Após o interrogatório, as partes serão questionadas se precisam realizar diligências complementares, nos termos do art. 402, CPP. → Não havendo diligências ou sendo indeferidas, as partes, primeiro a acusação e depois a defesa, deverão apresentar alegações finais orais, pelo prazo de 20 minutos prorrogado por mais 10 para cada. → Não obstante, se a causa for complexa ou houver número excessivo de acusados, a audiência será encerrada e as partes apresentarão alegações finais sob a forma de memorial (escrita) no prazo de 5 dias (impróprio). → Se o pedido de diligência for deferido, a audiência será encerrada e as partes apresentarão alegações finais por memoriais, no prazo sucessivo de 5 dias. → Nas alegações finais escritas, primeiro a acusação deve apresentá- las e após, a defesa. Em qualquer hipótese o prazo é sucessivo e não comum. → Em seguida o juiz deve proferir sentença em até 10 dias. Art. 404, §único, CPP. → O número máximo de testemunhas e de 8 para cada parte e cada fato imputado.Neste rol, só são computadas as testemunhas que prestem compromisso legal. → Se tiver assistente da acusação habilitado nos autos, terá ele prazo de 10 minutos p/ alegações finais imediatamente após o M.P. → Princípio da identidade física do juiz. O juiz que presidiu a instrução é aquele que deverá proferir a sentença, salvo em casos excepcionais: morte, férias, licença, promoção). Art. 399, §2, CPP. Procedimento sumário: art. 531, CPP. → É idêntico ao procedimento ordinário, salvo: 1. Número de testemunha: 5 p/ cada fato e parte. Art. 532, CPP. Art. 402, CPP. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. 2. Tempo p/ a audiência: entre o recebimento da denúncia e a realização da A.I.J, deve decorrer no máximo 30 dias. Art. 531, CPP. → Nas infrações de menor potencial ofensivo quando o Juizado Especial Criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes p/ a adoção de outro procedimento, observará o procedimento sumário. Art. 538, CPP. → Nenhum ato será adiado, salvo quando imprescindível a prova faltante, determinando o juiz a condução coercitiva de quem deva comparecer (CPP, art. 535). Procedimento Especial: Tribunal do Júri: → Arts. 406 e s.s do CPP. → Tem procedimento bifásico. → O procedimento é bifásico, sendo que na 1a fase no “judicium accusationis”, o juiz togado deve avaliar a existência de elementos probatórios que indiquem a probabilidade de o acusado ter praticado o fato. Neste caso, se positivo, deverá pronunciar o réu, o que inaugurará a 2a fase do júri (judiucium causae – juízo da causa). → Princípios: 1. Soberania dos vereditos: a decisão dos jurados é soberana e não pode ser reformada pelo Tribunal. Entretanto, é possível que o juízo ad quem casse a sentença dos jurados, dissolvendo o conselho de sentença (juízes leigos) e submetam o acusado a novo plenário. No mesmo sentido, é possível que a dosimetria da pena seja reformada pelo Tribunal, já que se trata de decisão proferida pelo juiz togado. A soberania dos vereditos sofre mitigação no tocante a revisão criminal, tendo em vista a possibilidade do Tribunal rescindir a sentença condenatória e absolver o réu quando houver alguma hipótese do art. 621, CPP. 2. Sigilo das votações: o local e o conteúdo dos votos deve ser secreto. O juiz deve conduzir os jurados à sala secreta ou, caso não exista, esvaziar o plenário a fim de que os jurados não se sintam intimidados com a presença de qualquer pessoa no momento de votar. Outrossim, o sigilo das votações também recai sobre Bifásico Judicium accusationis 1 fase Judicium causae 2 fase Art. 5º, XXXVIII, CF/88: “é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida”. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. a apuração dos votos, de sorte que os votos só serão revelados até que se alcance a maioria irreversível. 3. Plenitude de defesa: de acordo com a doutrina e jurisprudência majoritária, a plenitude de defesa é maior do que a ampla defesa, especialmente por admitir teses de cunho moral, religioso e social. Não obstante, André Estefan entende que ampla defesa e plenitude de defesa são sinônimos (posição minoritária). 4. Competência mínima: art. 74, §1, CPP: todos os crimes dolosos contra a vida, consumados ou tentados, e os conexos. Conexão: reunião de processos em um único juízo. O legislador infraconstitucional não pode diminuir a competência do júri, mas pode aumentar. No caso de concurso de crimes, o Tribunal do Júri avoca para si a competência do juiz togado singular, em decorrência da conexão, continência ou foro prevalente. O genocídio poderá ser julgado pelo júri quando a execução for por conduta dolosa contra a vida. OBS: O delito de latrocínio, por estar regulado no Capítulo dos crimes contra o patrimônio e não nos dolosos contra a vida, segundo jurisprudência e doutrina majoritária, não será competência do Tribunal do Júri. Súmula vinculante n. 45: → 1a fase – judicium accusationis: art. 406 a 412, CPP. • Esta 1a fase tem a serventia p/ filtrar o processo e verificar a existência de elementos mínimos de materialidade e autoria em desfavor do acusado e que permitam sua submissão ao plenário. • É idêntico ao procedimento ordinário, salvo alguns pontos: 1) Após a resposta à acusação, o juiz intimará a acusação p/ manifestação. De acordo com parcela da doutrina, essa espécie de réplica ofende o sistema acusatório já que é o réu que deve falar por último. Como solução, a doutrina afirma que a acusação só deve se manifestar sobre documentos juntados, e não sobre o mérito da defesa. Prazo: 5 dias p/ manifestar sobre eventuais preliminares arguidas e documentos juntados. Art. 74, §1, CPP: compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do CP, consumados ou tentados. Comentado [LP2]: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. 2) Não há previsão expressa de absolvição sumária após a apresentação da R.A. Contudo, na prática, o juiz acaba valorando o art. 397 por analogia. 3) O art. 402 do CPP, bem como a possibilidade de alegações finais escritas se dão por analogia. 4) O juiz nunca poderá proferir sentença condenatória. 5) O número de testemunhas é de 8 p/ cada parte. 6) Esta primeira fase deve se encerrar no prazo de 90 dias, conforme art. 412, CPP. • Se a defesa tiver exceção, poderá impugná-la em apartado. Art. 95, CPP → Pronúncia, impronúncia, absolvição sumária e desclassificação: • Encerrada a instrução e apresentadas as alegações finais, caberá ao juiz proferir decisão que poderá ser: pronúncia, impronúncia, absolvição sumária e desclassificação. a) Pronúncia: art. 413, CPP. É a decisão que submete o acusado ao plenário do júri, reconhecendo apenas a existência de materialidade e indícios de autoria. Portanto, não reconhece culpa e nem condena o acusado. Natureza jurídica: decisão interlocutória mista não terminativa. ❖ É interlocutória mista porque encerra uma fase do processo sem julgar o mérito (pretensão acusatória). ❖ É não terminativa porque encerra uma fase do processo e inaugura outra. ❖ O juiz decide apenas pela admissibilidade da acusação. “Standard probatório”: é um padrão de prova que o juiz precisa p/ proferir alguma decisão. ❖ Para a condenação, de certeza p/ além de qualquer dúvida. ❖ Entretanto, a depender do momento procedimental, o standard probatório pode ser reduzido como acontece com o recebimento da denúncia que reclama apenas de justa causa. ❖ Historicamente, a jurisprudência entende que havendo dúvida, o réu deve ser pronunciado, aderindo-se ao princípio do in dubio pro societate; embora inexista qualquer dispositivo legal que autorize tal interpretação. ❖ Doutrinadores como Aury Lopes Júnior, Gustavo Padaró e Paulo Rangel defendem a inaplicabilidade do referidoprincípio, de modo que a dúvida deve resultar na impronúncia. ❖ Segundo o Min. Gilmar Mendes, o standard probatório da pronúncia é a preponderância das provas da acusação sobre as da defesa. A dúvida como 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. permissão p/ pronúncia esvaziaria o instituto da impronúncia. ❖ Embora crescente o entendimento que afasta o in dubio pro societate, o Min Saldanha do STJ confirmou pronúncia com base no mencionado princípio. OBS: A testemunha “hearsay” é a que ouviu dizer acerca dos fatos. Se for o único elemento probatório, o réu deverá ser impronunciado, conforme jurisprudência. Sistema recursal: a decisão de pronúncia é desafiada pelo recurso em sentido estrito, previsto no art. 581, inc. IV do CPP, cujo prazo é de 5 dias p/ o termo (prazo próprio) e 2 dias p/ as razões (prazo impróprio). Os jurados, de acordo o §único do art. 472, CPP, deverão receber cada um uma cópia da pronúncia, daí a importância de não poder ser ela excessivamente fundamentada. Excesso de linguagem: A fundamentação da pronúncia deve ser comedida, não podendo esboçar juízo de convicção acerca da materialidade e autoria a fim de que os jurados não sejam influenciados pelo juiz togado. ❖ Portanto, expressões que demonstrem certeza de culpa ou que exagerem na exposição de elementos probatórios, serão cassadas e o juízo singular deverá proferir nova decisão em substituição. ❖ Não produz coisa julgada. • Se durante a instrução criminal surgir prova nova, poderá o MP aditar a denúncia (ação penal pública) e modificar os fatos (mutatio lbelli) no prazo de 5 dias. Contudo, o acusado deve ter direito de defender-se novamente, mesmo que já tenha passado a audiência de instrução e julgamento, sob pena de nulidade por suprimir o direito à ampla defesa e contraditório. • Se o juiz verificar que nos autos consta provas suficientes que houve mais pessoas na prática daquele crime, deverá, ao pronunciar ou impronunciar o acusado, determinar o retorno dos autos ao MP por 15 dias, aplicando-se, no que couber, o art. 80, CPP. Art. 417, CPP. b) Impronúncia: é uma decisão de rejeição da imputação para o julgamento perante o Tribunal do Júri, porque o juiz não se convenceu da existência do fato ou de indícios suficientes de autoria ou participação. Para que haja a impronúncia, é necessário que não haja a prova da materialidade e indícios de autoria. Fundamentação legal: art. 414, CPP. “Na fase da pronúncia vigora o princípio do in dubio pro societate, uma vez que há mero juízo de suspeita, não de certeza. O juiz verifica apenas se a acusação é viável, deixando o exame mais acurado para os jurados. Somente não serão admitidas acusações manifestamente infundadas, pois há juízo de mera prelibação”. Capez. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. Natureza jurídica: decisão interlocutória mista terminativa. O juiz não decide o mérito (pretensão acusatória), mas encerra uma fase do procedimento e o próprio processo. Contudo, não faz coisa julgada material, mas apenas formal (endógena). Nesse sentido, se surgirem novas provas, o processo poderá ser novamente instaurado, até que haja por qualquer motivo a extinção da punibilidade. P/ Aury Lopes Júnior, a impronúncia é inconstitucional, pois encerra o processo sem julgar a pretensão acusatória e submete o réu a um estado de dúvida acerca de seu status sem absolver ou condenar. De acordo com a atual jurisprudência a impronúncia tem espaço sempre que inexistir a preponderância de provas da acusação sobre a defesa, ou seja, quando houver dúvida. Dessa forma em qualquer outro procedimento o réu seria absolvido, porém, no rito do júri não se possui certeza sobre a situação jurídica do réu. Sistema recursal: o recurso que desafia a impronúncia é a apelação, conforme arts. 416 e 593, II, CPP. OBS: Despronúncia é a decisão do tribunal que julga procedente recurso da defesa contra a sentença de pronúncia. c) Absolvição sumária: é a absolvição do réu pelo juiz togado quando estiverem presentes uma das hipóteses do art. 415, CPP. Fundamentação legal: art. 415, CPP; No procedimento ordinário (e em qualquer outro) o momento procedimental da absolvição sumária é depois da resposta à acusação com base no art. 397, CPP. Em qualquer outro procedimento, após os memoriais a sentença será fundamentada com base nos arts. 386 ou 377 do CPP, se para absolver ou condenar, respectivamente. No júri a absolvição sumária acontece após as alegações finais, sendo assim denominada por interromper o curso procedimental normal e não submeter o acusado ao plenário. Natureza jurídica: sentença com carga absolutória já que enfrenta o mérito p/ julgar improcedente a pretensão acusatória deduzida na inicial p/ absolver o réu. OBS: A sentença que reconhece a pretensão não possui carga condenatória ou absolutória, porém, enfrenta o mérito Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o acusado. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. p/ julgar improcedente a pretensão acusatória em razão da extinção da punibilidade. Esta decisão deve ser impugnada por meio do recurso em sentido estrito com fulcro nos incisos VIII e IX do art. 581, CPP. OBS: O inimputável não poderá ser absolvido sumariamente, uma vez que a ele impõe medida de segurança. Assim, somente será absolvido sumariamente quando a única tese defensiva estiver relacionada com a inimputabilidade. “A inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do CP não gerará a absolvição sumária do agente, salvo quando esta for a única tese defensiva”. Tartuce. Hipóteses de absolvição sumária– art. 415, CPP: 1. Provado não ter ocorrido o fato: é a absolvição decorrente da inexistência de materialidade. Não se confunde com o fato de não ser da competência do júri que gera desclassificação. 2. Provado não ser o acusado o autor: o fato aconteceu, porém o acusado não é o autor. Negativa de autoria. 3. Fato atípico: quando a conduta do agente não se subsumi a nenhum tipo penal (adequação típica). Art. 17, CP. Se resta provado que o fato praticado se adequa a outro tipo penal, haverá a desclassificação. 4. Provado houver causa de exclusão de crime (art. 23, CP) ou isenção de pena (art. 21, 22 e 26 do CP). Art. 45, §único, CPP. As causas de exclusão de crime são as excludentes da ilicitude; causas de isenção de pena são as excludentes da culpabilidade. Sistema recursal: a absolvição sumária é recorrível por meio de apelação, nos termos do art. 416 e 593, CPP. OBS: Se for absolvição sumária por extinção de punibilidade, caberá recurso em sentido estrito (R.E.S.E). d) Desclassificação: a desclassificação ocorre quando o juiz se convencer da existência de crime não doloso contra a vida, não podendo pronunciar o réu, devendo desclassificar a infração para não dolosa contra a vida. Fundamentação legal: art. 419, CPP. Natureza jurídica: decisão interlocutória mista não terminativa, posto que decide questão processual sem enfrentar o mérito (pretensão acusatória), encerrando uma fase e inaugurando outra. Será proferida sempre que o juiz se convencer que o fato não é crime doloso contra a vida. Em consequência, o juiz da 1 fase do júri encaminhará os autos ao juízo competente. OBS: Se o juiz do júri acumula competênciade outras matérias, deverá proferir sentença após a desclassificação. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. Sistema recursal: art. 581, II do CPP. A decisão de desclassificação pode ser desafiada por meio de recurso em sentido estrito. → Exclusivamente, para as decisões do final da 1 fase do júri, se a decisão começa com consoante, o recurso também. Se a decisão começa com vogal, o recurso também. OBS: “Emendatio libelli”. Art. 420, CPP. O juiz, sem alterar os fatos da denúncia, pode dar nova definição jurídica (adequação típica), ainda que o novo crime seja mais grave, conforme art. 420, CPP. OBS: “Mutatio libelli”: art. 384, CPP: surgindo novas provas, o MP poderá alterar os fatos descritos na denúncia, bem como a capitulação jurídica conforme art. 384, CPP. 2a fase do rito do júri: juízo da causa- judicium causae. → Preclusão da pronúncia: a preclusão da pronúncia é a perda do direito de recorrer da decisão de pronúncia, que encaminha o processo para o Tribunal do Júri. → Após o trânsito em julgado da pronúncia, inicia-se a segunda fase do júri, que é denominada de juízo da causa ou “judicium causae”. → Em seguida, o juiz deverá intimar as partes p/ que arrolem testemunhas, no número máximo de 5, bem como requeiram as diligências que entenderem pertinentes. • São 5 testemunhas p/ cada parte e crime. • Caso haja testemunhas novas supervenientes à intimação e a parte pedir para que seja arrolada ao processo, não gerará preclusão. • Contudo, caso já seja uma testemunha que foi mencionada anteriormente e, por algum motivo, a parte esqueceu-se de arrolá-la ao processo, configura preclusão consumativa. Desaforamento: → Em situações excepcionais poderá ocorrer o chamado desaforamento, previsto no art. 427 e 428 do CPP. → O desaforamento é hipótese em que o processo é realocado em outro foro em razão de uma das hipóteses previstas na legislação. → Nesse sentido, cabe desaforamento quando: Decisão Natureza jurídica Recurso Impronúncia Decisão interlocutória mista terminativa Apelação Pronúncia Decisão interlocutória mista não terminativa Recurso em sentido estrito Absolvição sumária Sentença com carga absolutória Apelação Desclassificação decisão interlocutória mista não terminativa Recurso em sentido estrito 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. 1. Interesse público: de acordo com a doutrina, é a hipótese em que fortes razões de caráter jurídico ou fático exigem que a sessão seja realizada em outra comarca (ou circunscrição), por exemplo quando houver risco à segurança dos jurados ou forte tumulto na localidade. 2. Dúvida sobre a imparcialidade dos jurados: existindo provas de que os jurados são parciais e estão inclinados a beneficiar ou prejudicar o réu, o desaforamento é medida que se impõe. 3. Dúvida sobre a segurança do réu. Ex.: Réu que foi ameaçado e contém possibilidade morte. 4. Excesso de serviço: quando por excesso de trabalho e a sessão plenária não se realizar dentro de 6 meses contados da preclusão da pronúncia. • Fugindo a regra, neste caso apenas as partes podem requerer o desaforamento. → O desaforamento, nas três primeiras hipóteses, poderá ser requerido pelas partes, ou de ofício pelo juízo. Na última hipótese, a de excesso de trabalho, apenas as partes poderão requerer. → Quem decide sobre o desaforamento é o tribunal de segunda instância. Deverá intimar a parte adversa que requereu o desaforamento para fins de contraditório, em seguida ouvir o juiz. → Se o desaforamento for de ofício, o tribunal deverá ouvir as partes, inclusive, constitui nulidade a decisão que concede o desaforamento sem a oitiva da defesa, nos termos do enunciado da Súmula 712 do STF. Súmula 712 do STF: → Deferido o desaforamento o processo deve ser encaminhado preferencialmente a Comarca mais próxima. → Entende-se majoritariamente pela impossibilidade de reaforamento. Seria a situação de regressar os autos ao juízo de origem caso os motivos do desaforamento desaparecessem, embora não seja possível o reaforamento é perfeitamente viável novo desaforamento, notadamente quando no novo foro também se constatar a presença de algum motivo autorizador de desaforamento. → Em caso de novo desaforamento, o processo poderá ser encaminhado ao juízo de origem desde que lá já não existam mais os motivos que autorizaram o primeiro desaforamento. → Como regra, o pedido de desaforamento não possui efeito suspensivo, de modo que a sessão plenária poderá ser realizada na pendência do julgamento, o que faz com que o referido pedido perca o objeto. → Não obstante, o desembargador relator poderá conceder efeito suspensivo ao pedido de desaforamento. Início da sessão plenária: Comentado [LP3]: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri sem audiência da defesa. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. → Na sessão plenária os trabalhos serão iniciados com a chamada dos envolvidos. → Se o MP estiver ausente, o juiz deve designar nova data, e oficiar o Procurador Geral de Justiça. • Não é possível nomeação de promotor ad hoc (nomeado para aquele ato) em razão do art. 129 da CF. → Se a ausência for do querelante e justificada, a sessão será adiada. Se injustificada, o MP deve assumir como parte principal e a sessão acontecerá. → Se a ausência for da defesa e justificada, a sessão será remarcada. → Se injustificada será redesignada, oficiada a OAB e o réu intimado para que constitua novo defensor. OBS: Se o réu aceitar o juiz pode nomear defensor dativo e realizar a sessão plenária. → A ausência do réu justificada implica no adiamento da audiência. A ausência injustificada do réu intimado não impede a sessão plenária. → Se o réu não desejar comparecer ao plenário e estiver solto, basta não comparecer ao fórum. Se estiver preso, a defesa deverá peticionar requerendo a dispensa, e a petição também deve estar assinada pelo réu. → A ausência de testemunha não implica em redesignação da sessão, salvo se tiver sido arrolada com cláusula de imprescindibilidade. Entretanto, antes de adiar, o juiz deve realizar diligências por meio do oficial de justiça para localização e condução coercitiva da referida testemunha. → É apenas se não a encontrar é que a sessão deve ser redesignada. → Testemunhas que residam em outra comarca não podem ser obrigadas a depor presencialmente. Serão ouvidas por carta precatória ou atualmente por videoconferência. → A ausência injustificada de um jurado o expõe a multa de 1 a 10 salários- mínimos. → Estão isentos do serviço do júri: 1. Presidente da República e os seus Ministros; 2. Os parlamentares; 3. O juiz, promotor ou defensor; 4. Serventuários da justiça; 5. Integrantes das forças policiais; e 6. Pessoa maior de 70 anos, sendo facultativo. → Juiz deverá explicar aos jurados as causa de impedimento (art. 252, CPP) e suspeição (art. 254, CPP), que são as mesmas aplicadas aos juízes e promotores. “O juiz-presidente também advertirá os jurados de que, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se entre si e com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do Conselho e multa, na forma do § 2º do art. 436 deste Código (CPP, art. 466, § 1º)”. Capez. Composição do Tribunal do Júri/ formação do conselho de sentença: → A composição do júri é formada por um juiz togado e vinte e cinco (25) jurados, de modo que para o início da 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silvaprovisória da pena, nos termos do art. 492, I, “e” do CPP e últimas decisões do STJ e STF. Provas novas: → É vedado exibir documento, vídeo, foto, ou objeto durante o julgamento que não tenha sido juntado aos autos com antecedência mínima de 3 dias úteis. Viola o contraditório. → Estes documentos vão além dos escritos, podem ser: laudo pericial, FAC, armas, instrumentos do crime. Esses últimos podem ser mostrados aos jurados, se assim for requerido por eles. Art. 480, §3, CPP. → A violação gera nulidade relativa, exigindo-se arguição oportuna, ou seja, “formulada logo em seguida, e efetiva comprovação de prejuízo”. Capez, 2025. OBS: O corréu não poderá intervir no processo como assistente de acusação. A vítima pode, mesmo após a prolação de sentença, salvo quando já ocorreu o trânsito em julgado. Procedimento sumaríssimo: Juizado Especial Criminal → Competência: O JECrim, é competente para processar e julgar todas as contravenções penais e os crimes de menor potencial ofensivo, assim considerando os delitos cuja pena máxima em abstrato é igual ou inferior a 2 anos, nos termos do art. 60 e 61 da Lei. 9.099/95. → Características/princípio: a) Oralidade: Como regra, os atos processuais serão realizados de modo verbal. b) Simplicidade: não prevalece a formalidade, mas sim a informalidade p/ que seja mais célere e objetivo. Não terá citação por edital. c) Informalidade: a lei se ocupa mais com a substância do ato do que com sua forma (instrumentalidade das formas). OBS: Só será declarada a nulidade quando a parte efetivamente for prejudicada. d) Economia processual: é a realização de atos processuais com o menor gasto possível. e) Celeridade processual: rapidez processual. → Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO): o procedimento investigativo da Lei. 9.099/95 é chamado de termo circunstanciado de ocorrência. É equivalente ao Inquérito Policial, porém, mais informal. • De acordo com o STF, a expressão autoridade policial não se restringe aos delegados de polícia, de sorte que a PM também pode lavrar o TCO. • Se o investigado assinar o termo de compromisso de comparecimento em todos os atos processuais não será imposta prisão em flagrante e nem fiança. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. • Não obstante, o referido termo só será assinado se não houver possibilidade de apresentação imediata do autor do fato ao juiz. OBS: Nenhum dispositivo da lei 9.099/95 pode ser aplicada em crimes do âmbito da lei 11.340/06 – art. 41. (Lei Maria da Penha). → Objetivos – art. 62. • Composição/reparação de danos. • Medidas não privativas de liberdade: medida descarcerizadora. → Procedimento do TCO: • Encerrada a investigação os autos serão encaminhados ao juiz, que designará a composição civil de danos. É uma audiência entre as partes visando a conciliação, geralmente, por meio de indenização. Art. 72 e 74. • Se houver composição civil, os termos serão homologados pelo juiz e haverá constituição de título executivo judicial, já que se cuida de homologação por sentença. • O não pagamento autoriza a execução no juízo cível. • Se o fato apurado for crime de ação pública condicionada a representação ou de ação penal privada, a homologação da composição civil de danos implica na renúncia do direito de representação ou queixa, respectivamente. • Dessa forma, a punibilidade do autor do fato será extinta. • Se o crime for de ação pública incondicionada ou se não houver composição civil, o procedimento seguirá. E o próximo ato será a transação penal, que é um acordo feito entre o MP e o autor do fato p/ antecipação do cumprimento de medidas restritivas de direito ou multas, conforme o caso. • A transação penal, caso homologada pelo juiz, impede o oferecimento da denúncia. • Os requisitos da transação são: 1. Não ter sido condenado de modo definitivo. 2. Não ter feito uso deste benefício nos últimos 5 anos. 3. A conduta social, os motivos, as circunstâncias e a personalidade demonstrarem que as medidas são suficientes e necessárias. • Para a homologação da transação, o investigado e seu defensor, devem aceitar os termos. • Uma vez homologada a transação e cumpridas as condições a punibilidade será extinta. E o investigado continuará sendo primário e sem antecedentes. • Se não houver transação, o MP ofertará denúncia imediatamente, podendo ser verbal. Neste caso, o juiz 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. reduzirá a termo (ATA da audiência). • O réu será citado nesta mesma audiência, e as partes intimadas. • Na audiência, a defesa apresentará resposta à acusação. Se o juiz não rejeitar ou absolver sumariamente, proceder-se-á a oitiva da vítima, se houver, das testemunhas de acusação e defesa e o interrogatório do réu. • O número máximo de testemunha é de 3 p/ cada parte (analogia da parte cível da lei 9.099/95). • Da rejeição da denúncia ou absolvição sumária, caberá recurso de apelação, conforme art. 82. OBS: Em qualquer outro procedimento criminal o recurso que desafia a decisão de rejeição de denúncia é o recurso em sentido estrito (R.E.S.E), conforme art. 581, Inc. I do CPP. No aspecto cível da lei. 9.099/95, não há apelação, mas recurso inominado. • Após o interrogatório, as partes apresentarão alegações finais orais, primeiro a acusação e depois a defesa. Em seguida, o juiz deverá proferir a sentença. • Se a sentença for omissa, obscura, contraditória ou ambígua, caberá embargos de declaração, no prazo de 5 dias. OBS: Na lei. 9.099/95 o prazo para os Embargos é de 5 dias e da apelação de 10 dias. Em qualquer outro procedimento penal, o recorrente poderá no prazo de 5 dias apresentar o termo de apelação (prazo próprio) e no de 8 dias as razões recursais (prazo impróprio). Contudo, na lei 9.099/95 os termos e as razões recursais devem ser apresentados juntas. A apelação do JECrim não é endereçada, as suas razões recursais, ao TJ/TRF, mas às turmas recursais. Sem embargo, o recurso é interposto nos próprios autos da sentença e p/ o juízo que a proferiu. Sursis Processual (suspensão condicional do processo): → Conceito: É a suspensão do processo por um período com a imposição de algumas condições, que se cumpridas, resultarão na extinção da punibilidade, sendo mantida a primariedade e ausência de antecedentes. → Cabimento: a suspensão será cabível quando: 1. Os crimes, abrangidos ou não, por esta lei, cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 ano o processo poderá ficar suspenso por 2 a 4 anos. 2. O agente não pode ter sido condenado por outro crime e nem estar sendo processado. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. 3. Preencher os demais requisitos previstos no art. 77 do CP (réu primário, culpabilidade, antecedentes, personalidade, conduta social, motivo e circunstâncias do crime) forem favoráveis ao agente. → Natureza jurídica: Direito público subjetivo do réu. Dessa forma, preenchidos os requisitos, o MP deverá propor a suspensão; que só será homologada pelo juiz se for aceita pelo denunciado e seu defensor. → Condições: medidas restritivas de direito, acrescida da reparação de dano, salvo motivo justificado da impossibilidade. → Descumprimento: descumprida injustificadamente alguma das condições ou caso o réu venha a ser processado por outro fato, a suspensão será revogada e o processo tramitará normalmente. • A prática de novo fato e o novo processo deverãoser comunicados ao juízo que homologou o sursis. Se o acusado ainda estiver no período de prova (suspensão) o benefício será revogado. • Entretanto, se o juiz já tiver declarado a extinção da punibilidade, o novo processo não repercutirá sobre a suspensão. Procedimento dos crimes Funcionais: → Arts. 513 e s.s, CPP. → Crimes funcionais: são aqueles que possuem por elementar a expressão funcionário público. • Este procedimento só é aplicado quando se tratar de crime funcional. • Nesse sentido, ainda que o funcionário público esteja no exercício do cargo, emprego ou função este procedimento só será aplicado quando o crime praticado for um dos previstos entre os artigos 312 e 326 do CP. → Art. 514, CPP: a principal diferença deste procedimento para o ordinário é que após a oferta da ação penal, o juiz notificará o acusado para que apresente defesa preliminar. → Em seguida, o juiz poderá rejeitar a ação ou julgá-la improcedente. → Em seguida, se o juiz receber a ação deve se seguir o procedimento ordinário. → Para o STJ não há nulidade quando o réu não é notificado para apresentar defesa preliminar se o processo é precedido de inquérito policial (HC 510.584). → Ainda de acordo com o STJ, a ausência de defesa preliminar não gera nulidade absoluta, mas apenas relativa. Dessa forma, a parte deve demonstrar o prejuízo causado pela ausência da defesa preliminar. → Majoritariamente, entende-se que se o denunciado já não ocupa cargo, emprego ou função pública o procedimento a ser seguido será diretamente o ordinário. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. → De igual forma, será aplicado diretamente o procedimento ordinário quando houver particular sendo denunciado. → O parágrafo único do art. 514 do CPP, prevê a possibilidade de defensor dativo quando o réu estiver em local incerto ou não sabido, ou fora do distrito da culpa. → Nesta última hipótese, a doutrina alerta da impossibilidade de nomeação de defensor dativo sem antes notificar/intimar, ainda que por carta precatória do denunciado; então, caso não constitua advogado o juiz poderá um. → Entretanto, recebida a denúncia e citado o réu por edital sem haver o seu comparecimento ou constituição de advogado, o processo será suspenso nos termos do art. 366 do CPP. Procedimento dos crimes contra a honra: → Arts. 518 e s.s do CPP. → Crimes contra a Honra. • Honra: objetiva (o que as pessoas pensam sobre o sujeito) ou subjetiva (o que o próprio sujeito pensa sobre si). • Arts. 138 até 145 do CP. → Como regra a ação penal privada é a que deve ser ajuizada em crimes contra a honra. → Se for contra a honra do Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro a ação será pública condicionada a requisição do Ministro da Justiça. Se o crime for de difamação praticado contra funcionário público no exercício do cargo, emprego ou função a legitimidade será concorrente entre o MP e a vítima por meio de ação pública condicionada a representação ou ação privada, respectivamente, conforme jurisprudência do STF. → Se o crime for do artigo 140, §3 a ação será pública condicionada a representação. → Ofertada a ação o juiz designará audiência de conciliação. → Nesse ato processual, o juiz conversará primeiro com a vítima e depois com o autor do fato separadamente e sem a presença dos advogados. → Havendo conciliação, ocorrerá a renúncia da queixa crime e extinta a punibilidade. → De acordo com a doutrina, se o crime for de ação pública o procedimento seguirá o curso normal. → Não havendo conciliação, segue-se o procedimento comum. Dicionário: Juízo de prelibação esse momento proeminente, em que o juiz deve analisar a existência dos pressupostos mínimos, autorizadores da instauração da ação penaser comunicados ao juízo que homologou o sursis. Se o acusado ainda estiver no período de prova (suspensão) o benefício será revogado. • Entretanto, se o juiz já tiver declarado a extinção da punibilidade, o novo processo não repercutirá sobre a suspensão. Procedimento dos crimes Funcionais: → Arts. 513 e s.s, CPP. → Crimes funcionais: são aqueles que possuem por elementar a expressão funcionário público. • Este procedimento só é aplicado quando se tratar de crime funcional. • Nesse sentido, ainda que o funcionário público esteja no exercício do cargo, emprego ou função este procedimento só será aplicado quando o crime praticado for um dos previstos entre os artigos 312 e 326 do CP. → Art. 514, CPP: a principal diferença deste procedimento para o ordinário é que após a oferta da ação penal, o juiz notificará o acusado para que apresente defesa preliminar. → Em seguida, o juiz poderá rejeitar a ação ou julgá-la improcedente. → Em seguida, se o juiz receber a ação deve se seguir o procedimento ordinário. → Para o STJ não há nulidade quando o réu não é notificado para apresentar defesa preliminar se o processo é precedido de inquérito policial (HC 510.584). → Ainda de acordo com o STJ, a ausência de defesa preliminar não gera nulidade absoluta, mas apenas relativa. Dessa forma, a parte deve demonstrar o prejuízo causado pela ausência da defesa preliminar. → Majoritariamente, entende-se que se o denunciado já não ocupa cargo, emprego ou função pública o procedimento a ser seguido será diretamente o ordinário. 2025.1 1o bimestre Criado por: Letícia da Silva Pereira. → De igual forma, será aplicado diretamente o procedimento ordinário quando houver particular sendo denunciado. → O parágrafo único do art. 514 do CPP, prevê a possibilidade de defensor dativo quando o réu estiver em local incerto ou não sabido, ou fora do distrito da culpa. → Nesta última hipótese, a doutrina alerta da impossibilidade de nomeação de defensor dativo sem antes notificar/intimar, ainda que por carta precatória do denunciado; então, caso não constitua advogado o juiz poderá um. → Entretanto, recebida a denúncia e citado o réu por edital sem haver o seu comparecimento ou constituição de advogado, o processo será suspenso nos termos do art. 366 do CPP. Procedimento dos crimes contra a honra: → Arts. 518 e s.s do CPP. → Crimes contra a Honra. • Honra: objetiva (o que as pessoas pensam sobre o sujeito) ou subjetiva (o que o próprio sujeito pensa sobre si). • Arts. 138 até 145 do CP. → Como regra a ação penal privada é a que deve ser ajuizada em crimes contra a honra. → Se for contra a honra do Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro a ação será pública condicionada a requisição do Ministro da Justiça. Se o crime for de difamação praticado contra funcionário público no exercício do cargo, emprego ou função a legitimidade será concorrente entre o MP e a vítima por meio de ação pública condicionada a representação ou ação privada, respectivamente, conforme jurisprudência do STF. → Se o crime for do artigo 140, §3 a ação será pública condicionada a representação. → Ofertada a ação o juiz designará audiência de conciliação. → Nesse ato processual, o juiz conversará primeiro com a vítima e depois com o autor do fato separadamente e sem a presença dos advogados. → Havendo conciliação, ocorrerá a renúncia da queixa crime e extinta a punibilidade. → De acordo com a doutrina, se o crime for de ação pública o procedimento seguirá o curso normal. → Não havendo conciliação, segue-se o procedimento comum. Dicionário: Juízo de prelibação esse momento proeminente, em que o juiz deve analisar a existência dos pressupostos mínimos, autorizadores da instauração da ação pena