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Inserir Título Aqui Inserir Título Aqui Saúde e Segurança do Trabalho Programa de Saúde e Segurança do Trabalho Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M.ª Leandra Antunes Revisão Textual: Prof. Me. Claudio Brites Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos: • Introdução; • Identificação do Perigo; • Avaliação de Riscos; • Medidas de Controle; • Melhoria. Programa de Saúde e Segurança do Trabalho Fonte: Getty Im ages Objetivo • Discutir os mecanismos para identificação dos perigos e riscos ocupacionais que fundamen- tam os programas de saúde e segurança do trabalho. Caro Aluno(a)! Normalmente, com a correria do dia a dia, não nos organizamos e deixamos para o úl- timo momento o acesso ao estudo, o que implicará o não aprofundamento no material trabalhado ou, ainda, a perda dos prazos para o lançamento das atividades solicitadas. Assim, organize seus estudos de maneira que entrem na sua rotina. Por exemplo, você poderá escolher um dia ao longo da semana ou um determinado horário todos ou alguns dias e determinar como o seu “momento do estudo”. No material de cada Unidade, há videoaulas e leituras indicadas, assim como sugestões de materiais complementares, elementos didáticos que ampliarão sua interpretação e auxiliarão o pleno entendimento dos temas abordados. Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, pois estes ajudarão a verificar o quanto você absorveu do conteúdo, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem. Bons Estudos! UNIDADE Programa de Saúde e Segurança do Trabalho Contextualização Os custos dos acidentes de trabalho ultrapassam as fronteiras da empresa, pois exer- cem grande efeito nos custos do governo, sem falar no impacto que o acidente gera na família do acidentado. Controlar a exposição dos trabalhadores aos riscos ocupacionais é o método mais eficiente. Dentro desse contexto, o gerenciamento de riscos deve ser seguido pela empresa com o objetivo de prevenção de acidentes de trabalho, contemplando os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de prevenção. 6 7 Introdução No período compreendido entre 2014 e 2018, foram registrados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cerca de 3 milhões de acidentes do trabalho (OBSERVATÓRIO, 2018). Em 2018, a triste marca de 1 acidente a cada 48 segundos fez com que o Brasil se tornasse o quarto país com maior número de acidentes do trabalho no mundo (OB- SERVATÓRIO, 2018). Apesar do número de acidentes registrados ser elevado, o cenário pode ser mais alar- mante, se considerarmos os acidentes do trabalho que não são notificados. Inseridas nesse contexto, as empresas precisam identificar os perigos e riscos ocupa- cionais para embasar o gerenciamento de riscos. Identificação do Perigo Segundo a norma ISO 45001 –Sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional (2018), perigo é a fonte com potencial para causar prejuízo ou dano, ou seja, é uma característica da situação das instalações, do equipamento, do material etc. Por exemplo, o perigo pode surgir das condições de infraestrutura, equipamentos, materiais e substâncias utilizadas, como as situações apresentadas nas Figuras 1 e 2. Figura 2 – Uso da serra Fonte: Getty images Figura 1 – Uso da escada Fonte: Getty Images A identificação do perigo pode partir da análise dos históricos de acidentes e da co- leta de informações dos próprios colaboradores da empresa. Avaliação de Riscos Segundo ISO 45001 (2018), o risco é o efeito da incerteza, ou seja, o risco é uma com- binação da probabilidade de ocorrer um evento perigoso com a gravidade ou conse- quência que ele pode gerar. Por exemplo, se o uso da escada é o perigo, a queda do trabalhador é o risco. Nesse sentido, a organização estabelece a escala que mais se enquadra nas situações que a empresa vivencia. Para exemplificar, apresentamos (Figura 3) a escala proposta por Benite (2005). 7 UNIDADE Programa de Saúde e Segurança do Trabalho ba ixa baixa média alta m éd ia gr av id ad e probabilidade al ta risco moderado risco moderado risco tolerável risco tolerável risco tolerável risco moderado risco crítico risco crítico risco crítico Figura 3 – Exemplo de escala para avaliação de riscos Fonte: Adaptada de BENITE, 2005 Ainda segundo o autor, para realizar a leitura da Figura 4 pode-se utilizar os seguintes exemplos de escala de probabilidade e escala de gravidade. Quadro 1 – Exemplos de escala de probabilidade e gravidade Escala de probabilidade • Alta: Esperado que ocorra; • Média: Provável ocorrência; • Baixa: Improvável ocorrência. Escala de gravidade • Alta: Morte e lesões incapacitantes; • Média: Doenças ocupacionais e lesões menores; • Baixa: Danos materiais e prejuízo ao processo Fonte: Adaptado de BENITE, 2005 Por exemplo, se um determinado evento ocorre em um local que dispõe de determi- nados recursos, a probabilidade de o evento ocorrer é baixa e a gravidade é média. Ain- da de acordo com o exemplo, a combinação de gravidade com a probabilidade resulta em risco tolerável (Figura 4). ba ixa média alta m éd ia gr av id ad e probabilidade al ta risco tolerável baixa Figura 4 – Exemplo de combinação da probabilidade baixa com a gravidade média 8 9 Existem várias ferramentas que podem ser utilizadas na estruturação da identificação dos perigos e avaliação de riscos. Dentre elas, a Análise Preliminar de Riscos (APR) e a What if. Análise Preliminar de Riscos (APR) A Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma metodologia utilizada para identificação dos perigos e riscos, que busca examinar as causas e as consequências, além de estabe- lecer as medidas de controle. Tabela 1 – Exemplo de APR Atividade: Execução de alvenaria Data: Obra: Jardim dos pássaros Perigo Causa Consequência Gravidade Probabilidade Risco Medida de controle Geração de ruído Utilização da argamassadeira e utilização de pistola finca pino Perda auditiva Alta Média Crítico Utilização de protetor auricu- lar tipo plug; realização dos exames médicos; participa- ção no treinamento da ordem de serviço nº 2. Geração de poeira Limpeza da obra e preparo da argamassa Pneumoconiose Alta Média Crítico Aspergir o local com água; utilizar máscara PFF1; partici- par no treinamento da ordem de serviço nº 7. Colaboradores: Nome: Função: Assinatura: O processo deve ser refeito antes da implantação de uma mudança, antes do início do uso de uma nova máquina no setor. Além disso, deve ser realizada a revisão da APR após a ocorrência de um acidente, ou quando houver alguma mudança de norma ou após a implantação de novas medidas de prevenção. A organização deve consultar os trabalhadores quanto a percepção dos perigos e riscos, bem como deve comunicar aos trabalhadores os perigos, os riscos e as medidas de prevenção. Dentro do processo de identificação de perigos e riscos, a Norma ISO 45001 (2018) torna evidente a importância da consulta e participação de trabalhadores que atuam em todos os níveis. Para Paulo Freire (2002), o diálogo com os atores envolvidos no processo é uma importante estratégia de aprendizagem coletiva, que abarca educando e educador, em oposição à concepção bancária. O diálogo respeita a experiência prévia e o saber que cada um possui. Ainda segundo Freire: 9 UNIDADE Programa de Saúde e Segurança do Trabalho A educação ou a ação cultural para a libertação, em lugar de ser aquela alienante transferência de conhecimento, é o autêntico ato de conhecer, em que os educandos – também educadores – se inserem com educadores, educandos também, na busca de novos conhecimentos, como consequên- cia do ato de reconhecer o conhecimento existente. (FREIRE, 2002, p. 117) A identificação de perigos e a avaliação de riscos realizadas de forma participativa proporcionam a percepção compartilhada de perigos e riscos, permitindo que a chefia e os trabalhadores concordem e apliquemas medidas de controle de forma conjunta. What if A ferramenta What if prevê reuniões para levantamento de problemas que possam surgir durante a realização do trabalho. Em tais reuniões, surgem inúmeros questiona- mentos a respeito de tudo que possa ocorrer durante o processo, pela pergunta “E se...?”. Figura 5 – Reunião Fonte: Getty Images Tabela 2 – Exemplo de aplicação da ferramenta What If Atividade: administrativa Data: E se...? Consequência Recomendação E se alguém escorregar? Possível lesão ou fratura Substituir o piso Colaboradores: Nome: Função: Assinatura: A repetição da pergunta What if...? em várias fases da atividade permite a identifica- ção de possíveis consequências e o levantamento das medidas de prevenção. 10 11 Medidas de Controle Com base na identificação dos perigos e riscos, a empresa necessita estabelecer os controles, levando em consideração a fonte (o perigo), o meio e, por fim, o trabalhador, bem como a hierarquia das medidas de controle. Hierarquia das medidas de controle A empresa deve levar em conta a hierarquia de controle quando for planejar a toma- da de ações, adotando a seguinte hierarquia de controle (Figura 6): 1. Eliminar o perigo é prioridade; 2. Substituir processos, operações, materiais e equipamentos que apresentem pe- rigo por aqueles que sejam menos perigosos; 3. Adotar controles de engenharia e reorganizar o trabalho, isolando as pessoas do perigo; 4. Adotar controles administrativos, incluindo treinamento; 5. E, por fim, ou seja, como último item da hierarquia, proteger o trabalhador com Equipamento de Proteção Individual. EPI Controles administrativos Controles de engenharia Substituição Eliminação Menos efetivo Mais efetivo Figura 6 – Hierarquia de controle Controle sobre a fonte A eliminação do perigo deve ser priorizada. Por exemplo, ao invés de o trabalhador subir em um andaime para fazer a inspeção da fachada de um prédio, poderá utilizar o drone para eliminar o trabalho em altura (Figura 7). 11 UNIDADE Programa de Saúde e Segurança do Trabalho Figura 7 – O drone pode ser utilizado para evitar o trabalho em altura Fonte: Getty Images Controle sobre o meio Se o controle sobre a fonte não for suficiente para evitar a exposição do trabalhador, a empresa deverá adotar o controle sobre o meio. O controle sobre o meio tem como base a adoção de barreiras entre a fonte e o traba- lhador ou de um Equipamento de Proteção Coletiva. Por exemplo, enclausurar uma máquina ruidosa, instalar um guarda corpo na extremidade da laje durante a execução de uma obra etc. Para saber mais a respeito do dimensionamento de sistemas de guarda corpo e rodapé, acesse o link. Disponível em: https://bit.ly/3wOWgFT Controle no trabalhador O controle no trabalhador é considerado uma forma menos eficiente do que o contro- le sobre a fonte e o controle sobre o meio. São exemplos desse tipo de estratégia: realizar treinamentos para a execução do trabalho de maneira segura, estabelecer um processo de permissão de acesso, fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI) etc. Figura 8 – Controle da exposição ao ruído Fonte: Getty Images 12 13 Melhoria Convém que a empresa tome medidas para melhorar o desempenho da segurança do trabalho, confrontando os perigos e riscos identificados em um primeiro momento com os eventos que porventura tenham ocorrido posteriormente. Nesse sentido, o ciclo de Deming, conhecido como ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act), traz a ideia de melhoria contínua dos processos. No ciclo PDCA, tudo começa com o planejamento (Plan), momento em que são es- tabelecidas as diretrizes e estratégias propostas. Depois, parte-se para o executar (Do), que é quando se executa o que foi planejado. Nas etapas seguintes, o que foi executado é verificado (Check) e é feita igualmente a análise das ações e a identificação de oportu- nidades de melhoria (Act). Figura 9 – Ciclo PDCA Fonte: Getty Images Dentro do mesmo conceito, a “Norma ABNT ISO 45.001 Sistema de gestão de saú- de e segurança ocupacional – Requisitos com orientação para uso” também tem como base o ciclo PDCA, conforme exposto no Quadro 2. Quadro 2 – Conceito de PDCA no Sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional Plan (planejar) • Estabelecer os objetivos e processos do sistema de gestão necessári- os para assegurar os resultados; • Identificar os perigos e avaliar os riscos e oportunidades para o sis- tema de saúde e segurança ocupacional. Do (fazer) • Implementar os processos de saúde e segurança conforme plane- jado. Check (checar) • Monitorar e mensurar atividades e processos em relação à política e aos objetivos de saúde e segurança. Act (agir) • Adotar medidas para melhorar continuamente o desempenho de saúde e segurança, de maneira a alcançar os resultados pretendidos. Fonte: Adaptado de ABNT ISO 45.001, 2018 A melhoria contínua do Sistema de Gestão da Saúde e Segurança do Trabalho incor- pora as lições aprendidas no sistema de gestão e traz importantes ganhos para a saúde dos trabalhadores. 13 UNIDADE Programa de Saúde e Segurança do Trabalho Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Guia da Campanha: Gestão do stress e dos riscos psicossociais no trabalho EU-OSHA. Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho. Guia da Campanha: Gestão do stress e dos riscos psicossociais no trabalho. Espanha: ROS, 2013. O acidente e a organização LLORY, M.; MONTMAYEUL, R. O acidente e a organização. Tradução de Marlene Ma- chado Zica Vianna.Belo Horizonte: Fabrefactum, 2014. 192p. Leitura Análise dos acidentes com material biológico em hospital universitário : uma abordagem a partir da análise das atividades de trabalho https://bit.ly/3jqkani Fatores psicossociais do trabalho e transtornos mentais comuns em eletricitários https://bit.ly/3x3MPm8 Modelo de Análise e Prevenção de Acidentes de Trabalho – MAPA https://bit.ly/3wPWz3h Modelo de análise e prevenção de acidentes – MAPA ferramenta para a vigilância em Saúde do trabalhador https://bit.ly/3wNKHP3 Culpa da vítima: um modelo para perpetuar a impunidade nos acidentes do trabalho https://bit.ly/2TRg0di 14 15 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ISO 45001:2018. Sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional: requisitos com orientação para uso. 2018. BENITE, A. G. Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho. São Paulo: O Nome da Rosa: 2005. DANIELLOU, F.; SIMARD, M.; BOISSIÈRES, I. Fatores humanos e organizacionais da segurança industrial. Foncsi, 2010. Disponível em: . INMETRO. Certificados válidos no Brasil. [s.d.]. Disponível em: . Sites visitados OBSERVATÓRIO de Segurança e Saúde do Trabalho. Disponível em: . 15