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1 Unidade 3 - Princípios da Segurança do Trabalho Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho 2 3 Sumário Acidentes: causas de acidentes Cenário do acidente de trabalho Tipos de acidentes de trabalho Efeitos do acidente de trabalho Ato inseguro Ato inseguro Características do fator pessoal de insegurança Como controlar o fator pessoal Consequências do fator pessoal Condições de insegurança do ambiente Condição insegura Característica do ambiente – Análise de Risco Investigação de acidente Consequências do acidente de trabalho Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social Custos do acidente Responsabilidade do acidente Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 5 6 9 15 18 19 21 23 27 30 31 34 38 42 43 46 48 52 4 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 5 @faculdadelibano_ 1 Acidentes: causas de acidentes 6 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 1 Acidentes: causas de acidentes Cenário do acidente de trabalho Querido aluno, estamos prestes a iniciar nossa jornada rumo ao universo dos acidentes de trabalho e o papel da engenharia de segurança do trabalho. Vamos pensar e refletir, junto com a ELIS, sobre o cenário e os atores envolvidos na institucionalização dos acidentes de trabalho no Brasil. O mundo laboral, com sua diversidade de setores e atividades, é palco de riscos que podem levar a acidentes de trabalho. Estes incidentes, além de comprometerem a saúde e a integridade física dos colaboradores, geram impactos financeiros e de produtividade para as organizações. No entanto, em meio a este cenário, a Engenharia de Segurança do Trabalho emerge como um pilar fundamental. Esta especialidade, focada na prevenção, busca entender e mitigar os riscos associados a cada profissão, desenvolvendo medidas protetivas, treinamentos e estratégias que assegurem um ambiente laboral seguro. Com a Engenharia de Segurança do Trabalho, não só se reconhece a importância da preservação da vida e da saúde dos trabalhadores, mas também se evidencia o compromisso das empresas em criar ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e harmoniosos. Objetivos Ao final deste capítulo, você vai conhecer os fatores envolvidos em um acidente de trabalho; como o prevencionismo classifica os tipos de acidente, suas causas e efeitos para os trabalhadores, para a empresa e para a sociedade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! 7 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Vocês devem estar pensando em uma resposta preven- cionista e isso é muito bom, mas é importante considerarmos as obrigações legais envolvidas em casos de acidentes. No Brasil, a Constituição Federal, a CLT, as NRs e as convenções internacionais da OIT e OMS definem a Segurança do Trabalho. A Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) dedica o Capítulo V do título II do seu texto à segurança e medicina do trabalho (especificamente dos artigos 154 a 201 (Brasil, 1943); estes artigos estabelecem as diretrizes e regulamentos relativos à proteção e segurança dos trabalhadores no ambiente laboral) e serviu como marco para as atividades de segurança no Brasil, garantindo assistência e indenizações pelas consequências dos acidentes de trabalho. Atualmente, a assistência previdenciária é regulamentada pelo Decreto nº 61.784/67 (Brasil, 1967) e pela Lei n0 6367/76 (Brasil, 1976), que revogou a Lei nº 5.316/67, ao integrar o seguro de acidentes de trabalho na Previdência Social. Reflita Uma criança encontrou uma chave de fenda no chão e resolveu brincar com a ferramenta enquanto seu pai trocava o pneu do carro. A ferramenta rolou para debaixo do automóvel no momento em que o pai descia o macaco hidráulico, deixando a criança presa debaixo do carro. De quem é a culpa se a criança se ferir? Da criança que estava brincando? Da mãe que não prestou atenção na criança enquanto o pai trocava o pneu? Do pai que desceu o carro sem se atentar para o ambiente a sua volta? Agora vamos mudar de cenário. E se não fosse uma criança e sim um trabalhador? E se não fosse o pai e a mãe, e sim a empresa? De quem seria a culpa? Do trabalhador que não deveria estar ali? Ou do operador que movimentou a carga sem verificar as condições do ambiente? 8 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Por causar sofrimentos pessoais, além de despesas nas esferas pública e privada, os governantes e empresários se mos- tram empenhados na busca de soluções que contribuam para a prevenção de acidentes. Alguns personagens se destacam nessa história, como o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA. O SESMT representa a empresa e é o serviço no qual encontramos o engenheiro de Segurança do Trabalho. A CIPA é composta por representantes dos empregados e do empregador e tem a responsabilidade de auxiliar o SESMT nas atividades prevencionistas, garantindo que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e os deveres dos empregadores sejam cumpridos. No Brasil, uma parte substancial dos custos com acidentes de trabalho impacta na gestão econômica do sistema previdenciário, por isso, a Previdência Social também tem um papel importante quanto aos acidentes, por meio da concessão do seguro previdenciário. E, por último, a população também está presente neste cenário, ao pagar por produtos e serviços nos quais se encontram embutidos os custos com acidentes. Importante O aumento no número de acidentes de trabalho no Brasil após o início da Segunda Guerra Mundial levou alguns empresários a fundarem a Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes (ABPA). Uma iniciativa que, embora não tivesse um peso legal nas ações de prevenção de acidentes do trabalho, teve amplo valor social. 9 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Tipos de acidentes de trabalho O acidente de trabalho pode ser definido pelo conceito legal previdenciário, no qual estabelece o que pode ser considerado acidente de trabalho e doença do trabalho, bem como os benefícios que o acidentado terá direito com base na comprovação do nexo causal. A legislação previdenciária, Lei nº 8.213/91, em seu Artigo nº 19, define acidente de trabalho como aquele que pode ocorrer pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. São considerados acidentes do trabalho: • Acidentes típicos – acidentes decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo acidentado. • Acidentes de trajeto – acidentes ocorridos no trajeto entre a residência e o local de trabalho do segurado e vice-versa. • Acidentes devido à doença doou a interdição, até expedição de termos de notificação e multas com o amparo legal determinado na Norma Regulamentadora NR3 (ENIT, 2016). No entanto, como o Brasil é considerado um país de extensão continental, o efetivo da DRT ainda é incipiente para cobrir de forma eficaz todas as empresas nos seus diversos municípios. Ainda por parte do governo, temos o Ministério da Saúde • MS, que por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária • Anvisa, também possui papel preponderante na fiscalização da segurança sanitária, saúde e segurança dos trabalhadores dos estabelecimentos cujos produtos e serviços possam oferecer algum tipo de risco, tanto para os consumidores quanto para os profissionais responsáveis por esses produtos. A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador – Renast, é um sistema de informações sobre acidentes do trabalho organizado com o propósito de implementar ações assistenciais, de vigilância, prevenção e de promoção da saúde, na perspectiva da ST. Em relação à responsabilidade que envolve os custos do acidente, compete à Previdência Social arcar com os custos referentes aos benefícios previdenciários decorrentes dos acidentes do trabalho. Os trabalhadores segurados que possuem carteira assinada recebem diretamente do empregador – inclusive doméstico – os valores referentes aos primeiros 15 dias. À Previdência Social cabe o pagamento a partir do 16º dia de afastamento. Após esse período, o ônus dos acidentes passa para os contribuintes, por meio da Previdência Social, que utiliza os recursos provenientes das contribuições dos trabalhadores e das empresas. 50 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 ATENÇÃO: toda indenização ou todo benefício previden- ciário decorrente de exposição a agentes agressivos e redução da capacidade laborativa somente é paga pela Previdência Social depois de comprovada a incapacidade reduzida em avaliação pericial. Os sindicatos apresentam importantes responsabilidades diante da possibilidade de ocorrência dos acidentes de trabalho, como exigir correção dos riscos nas empresas; fiscalizar a plena efetividade da implantação das normas e acordos que visem melhorias no campo da prevenção, estimular a criação de comissões de segurança e saúde nos locais de trabalho e em suas dependências; exigir e participar de programas oficiais e alternativos de fiscalização em segurança e medicina do trabalho; manter programas educacionais, disseminando a ideia de que, para os trabalhadores, melhor do que receber um adicional de insalubridade de valor minúsculo é executar suas atividades em um ambiente seguro e saudável. Na esfera criminal, o Ministério Público Estadual – MPE é responsável pelas ações, por ser o detentor do monopólio da ação penal pública, o que ocorre na possibilidade de o empregador vir a ser responsabilizado criminalmente pela ocorrência de acidente do trabalho. Na empresa, a CIPA é uma comissão composta por representantes do empregador e dos empregados, e é um instrumento que os trabalhadores dispõem para tratar da prevenção de acidentes do trabalho, das condições do ambiente do trabalho e de todos os aspectos que afetam sua saúde e segurança. A CIPA é regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nos artigos 162 a 165 e pela Norma Regulamentadora 5 (NR-5), contida na Portaria nº 3.214 de 8 de junho de 1978 baixada pelo Ministério do Trabalho. As atribuições básicas de uma CIPA: • Investigar e analisar os acidentes ocorridos na empresa. • Sugerir as medidas de prevenção de acidentes julgadas necessárias por iniciativa própria ou sugestão de outros empregados e encaminhá-las ao presidente e ao departamento de segurança da empresa. Essas medidas, quando bem aplicadas, evitam os acidentes, e são eficazes na redução dos custos para os responsáveis por eles. 51 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 Resumindo Viram como os acidentes de trabalho podem ser um grande transtorno para o governo, os empresários e os trabalhadores? Caso tenha ficado alguma dúvida, vamos fazer uma breve revisão. Os trabalhadores acidentados ficam expostos à redução de sua renda familiar, limitações físicas, emocionais e sociais. Além disso, algumas vezes desenvolvem a insegurança, que pode se tornar um fator de causa de novos acidentes. Para a empresa e para o governo, os custos podem ser percebidos nas tarifações tributárias, como o NEST, FAT E SAT, que acabam refletindo no valor final da produção. O governo, por sua vez, tem os ônus de custear os auxílios de acidentados, sobrecarregando o sistema previdenciário. E a culpa é de quem? Bom, não podemos estabelecer um culpado, por isso, cada uma precisa fazer a sua parte para evitar que os custos com os acidentes de trabalho sobrecarreguem ainda mais o governo, a empresa, os trabalhadores e a sociedade, garantindo que os trabalhadores tenham seu direito à qualidade de vida garantido dentro e fora do ambiente de trabalho. 52 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Referências BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. Introdução à engenharia: conceitos, ferramentas e comportamentos. Trinidade: Editora UFSC, 2006. BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oficial da União. Brasília (DF), 9 ago. 1943. BRASIL. Decreto nº 61.784, de 28 de novembro de 1967. Aprova o Regulamento do Seguro de Acidentes de Trabalho. D i á r i o Oficial da União. Brasília (DF), 29 nov. 1967. BRASIL. Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976. Dispõe sobre o seguro de acidentes do trabalho a cargo do INPS e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília (DF), 21 dez. 1976. BRASIL. Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo a segurança e medicina do trabalho. Diário Oficial União, Brasília (DF), 23 dez. 1977. BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 25 jul. 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 7 out. 2020. ESCOLA NACIONAL DE INSPEÇÃO DO TRABALHO (ENIT). NR 4: serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho. 2016. Disponível em: https://enit. trabalho. gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-04.pdf. Acesso em: 2 out. 2020. GERMANO, A. SST e inovação tecnológica: o que você precisa saber sobre Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria 4.0. Saúde na empresa, 2019. Disponível em: https://saudenaempresa.sesirs. org.br/sst-o-que-voce-precisa-saber-sobre-na- industria-4-0/. Acesso em: 17 dez. 2020. 53 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Referências SMARTLAB. Frequência de notificações – CAT. Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, 2020. Disponível em: https:// smartlabbr.org/sst/ localidade/0?dimensao=frequenciaAcidentes. Acesso em: 28 nov. 2023. SOARES, V. Diagrama de Ishikawa: o que é, para que serve e como usar. Na Prática, 11 out. 2022. Disponível em: https://napratica. org.br/diagrama-de-ishikawa/. Acesso em: 28 nov. 2023. 54 Acidentes: causas de acidentes Cenário do acidente de trabalho Tipos de acidentes de trabalho Efeitos do acidente de trabalho Ato inseguro Ato inseguro Características do fator pessoal de insegurança Como controlar o fator pessoal Consequências do fator pessoal Condições de insegurança do ambiente Condição insegura Característica do ambiente – Análise de Risco Investigação de acidente Consequências do acidente de trabalho Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social Custos do acidente Responsabilidade do acidente Referênciastrabalho – acidentes ocasionados por qualquer tipo de doença profissional peculiar a determinado ramo de atividade constante na tabela da Previdência Social (Brasil, 1991). O Artigo nº 20 da legislação supracitada considera acidente de trabalho: • Doença profissional, assim entendida quando produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. • Doença do trabalho, assim entendida quando adquirida ou desencadeada em FIGURA 1 Equipamento de Segurança no Trabalho FONTE Freepik 10 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no Inciso I. Esta lei, em seu Artigo nº 21, também equipara os acidentes do trabalho às seguintes situações: • Acidente ligado ao trabalho que tenha contribuído diretamente para a morte do segurado, ou para a perda ou redução de sua capacidade para o trabalho, ou produzindo lesão que exija acompanhamento médico durante o período de recuperação. • Acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de: agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; ofensa física intencional por motivo de disputa relacionada ao trabalho; imprudência, negligência ou imperícia de terceiros ou companheiro de trabalho; ato de pessoa privada do uso da razão; desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. • Doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua função. • Acidentes sofridos, ainda que fora do local e horário de trabalho, nas seguintes situações: na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; na prestação espontânea de qualquer serviço prestado à empresa, viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiado pela mesma, como meio de capacitação de mão-de-obra; no percurso da residência para o local do trabalho ou deste para aquele (Brasil, 1991). FIGURA 2 Acidente de trabalho FONTE Freepik 11 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Na visão prevencionista, os incidentes classificados como acidentes de trabalho são situações que envolvem a interrupção ou prejudicam uma atividade ocupacional, mesmo que não resultem em lesão ou danos materiais, e por isso devem receber atenção e gerenciamento para que possam ser eliminados, reduzidos ou controlados. Causas dos acidentes Os acidentes de trabalho representam um desafio significativo no mundo laboral, impactando na saúde dos trabalhadores, na produtividade das empresas e na economia em geral. A compreensão das causas desses acidentes é essencial para implementar medidas preventivas eficazes e garantir ambientes de trabalho mais seguros. A identificação e análise cuidadosa das causas dos acidentes de trabalho são fundamentais para criar estratégias de prevenção, promovendo ambientes laborais mais seguros e protegendo o bem-estar dos trabalhadores. Sabe quem voltou para nos ajudar? ELIS (Engenheira Líder em Segurança). Vamos ver o que ela tem para nos contar! Importante A reforma trabalhista, instituída pela Lei nº 13.467/2017, promoveu alterações na abrangência do acidente de trajeto, quando retirou do computo da jornada de trabalho o tempo de deslocamento do trabalhador de sua residência até o trabalho, gerando polêmica acerca do tempo que o funcionário está em seu trajeto em deslocamento para ou da empresa não ser considerado tempo à disposição do empregador. Essa situação ainda dá margem para interpretações variadas, mas a interpretação majoritária é no sentido de não considerar acidente de trabalho, salvo em situação específica em que o acidente acontece durante a realização de um trabalho externo, porque o período, neste caso, é tempo à disposição do empregador. Com isso, a princípio, se um acidente de trajeto acontece, o funcionário acidentado tem direitos, mas perde alguns benefícios que são característicos do acidente de trabalho. 12 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 EXEMPLO: durante um apagão de energia ocorrido na empresa, um operador de máquinas resolveu realizar uma limpeza nas engrenagens da máquina em que trabalhava. Com o restabelecimento da energia, a máquina voltou a funcionar, lesionando o braço do operador, que precisou ter seu membro amputado. Ao relatar o ocorrido, o engenheiro deverá informar que houve um ato inseguro ou uma condição insegura? A forma mais direta de descobrir a causa do acidente é respondendo algumas perguntas: o que fez com que o fato ocorresse? A falta de energia? O retorno da energia? O fato de o operador estar realizando uma operação da qual não foi autorizado? A máquina voltar a funcionar sem que o operador a tenha ligado? Quando respondemos essas perguntas, encontramos os antecedentes que fizeram o acidente ocorrer. Entenda que, em todas as respostas, podemos relacionar direta ou indiretamente a presença humana. Sendo assim, podemos citar várias causas ligadas aos acidentes de trabalho, que são basicamente separadas em dois grupos: ato inseguro e condição insegura. O ato inseguro é o ato praticado pelo homem, em geral consciente do que está fazendo, que está contra as normas de segurança. São exemplos de atos inseguros: • Subir em telhado sem cinto de segurança contra quedas. • Ligar tomadas de aparelhos elétricos com as mãos molhadas. • Dirigir em alta velocidade. O outro grupo de causas de acidentes de trabalho é o de condição insegura, ou seja, a condição do ambiente de trabalho que oferece perigo e/ou risco ao trabalhador. São exemplos de condições inseguras: • Instalação elétrica com fios desencapados. • Máquinas em estado precário de manutenção. • Andaime de obras de construção civil feitos com materiais inadequados. Os fatores pessoais também podem contribuir para a ocorrência de acidentes, devido ao comportamento humano individual e característico, que propicia essas ocorrências. 13 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 São exemplos: • Doenças na família. • Excesso de horas trabalhadas. • Problemas conjugais. Os fatores pessoais associados ao meio nos quais os trabalhadores são expostos a perigos e risco precisam ser controlados com a gestão de segurança, pois são a origem dos acidentes de trabalho e podem ocasionar lesão parcial, permanente e até mesmo o óbito, além de danos ao meio, como mostra a sequência abaixo: Analisando o caso que a ELIS nos apresentou, podemos identificar fatores pessoais que contribuíram para a ocorrência do acidente, ou seja, o operador realizando a atividade sem autorização, o que caracteriza um ato inseguro. A inaptidão do trabalhador pode ser uma explicação para a causa de acidentes de trabalho, quando os profissionais escolhem ou aceitam realizar trabalhos para os quais não estão preparados. Em relação aos fatores ambientais, a máquina que não apresenta uma trava que impeça que ela volte a funcionar sem que o operador dê o comando se caracteriza como condição insegura. Sendo assim, os acidentes podem ocorrer por fatores isolados ou associados. A condição insegura pode ocorrer por erros administrativos, técnicos, falta de conhecimento ou má avaliação dos riscos e perigos, podendo ser causa direta ou indireta da ocorrência de acidentes. Uma ferramenta de gestão usada na investigação de causas de acidentes é o diagrama de causa e efeito, auxiliando na análise e na identificação das potenciais causas de FIGURA 3 – Ato inseguro é toda conduta ou comportamento que gera de uma decisão desnecessária a ocorrências de acidentes FONTE Elaborado pela autoria (2023) 14 Introdução à Engenharia de Segurança do TrabalhoAcidentes: causas de acidentes Capitulo 1 variação do processo ou da ocorrência de um fenômeno, bem como da forma como essas causas interagem entre si. O diagrama de causa e efeito, frequentemente chamado de “Diagrama de Ishikawa” ou “Diagrama Espinha de Peixe”, é uma ferramenta gráfica utilizada para explorar e exibir as possíveis causas de um problema específico e o seu efeito. Criado por Kaoru Ishikawa, este diagrama é uma ferramenta essencial em processos de controle de qualidade e análise de falhas. Na estrutura do diagrama: • Efeito (problema): localizado no lado direito do diagrama, representa o problema ou condição que precisa ser estudada. • Espinha principal: é a linha horizontal que conduz ao efeito. • Espinhas secundárias (causas principais): são as linhas que se projetam a partir da espinha principal e representam as principais categorias de causas que contribuem para o efeito. Em muitos casos, usa-se a abordagem 6M (Método, Máquina, Medição, Meio Ambiente, Material e Mão de Obra) para categorizar as causas principais, especialmente em ambientes industriais. • Espinhas terciárias (causas secundárias): projetam- se das espinhas secundárias e representam causas mais específicas que conduzem ao efeito indesejado. FIGURA 4 Diagrama de Ishikawa FONTE Ishikawa (1943 apud Soares 2022) 15 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Aplicações e benefícios: • Identificação de causas: o diagrama auxilia as equipes a explorarem todas as possíveis causas de um problema, evitando que se concentrem em uma solução óbvia ou imediata. • Análise em grupo: facilita discussões em grupo, permitindo que todos os membros da equipe contribuam com sua perspectiva e conhecimento. • Visualização: fornece uma representação gráfica que pode tornar mais fácil entender a relação entre as causas e o problema em questão. • Priorização: ao visualizar todas as possíveis causas, as equipes podem identificar e priorizar as áreas que requerem intervenção. • Documentação: serve como um registro visual das investigações realizadas sobre um problema, útil para treinamentos ou revisões futuras. Como criar um diagrama de causa e efeito? 1. Defina claramente o problema ou efeito e coloque-o à direita do diagrama. 2. Desenhe a espinha principal. 3. Identifique as causas principais e conecte-as à espinha principal. 4. Para cada causa principal, identifique causas secundárias ou mais específicas. 5. Revise e refine o diagrama com a equipe. Ao utilizar o diagrama de causa e efeito, as organizações podem adotar uma abordagem mais sistemática e abrangente para a resolução de problemas, garantindo que todas as possíveis causas sejam consideradas antes de implementar soluções. Efeitos do acidente de trabalho Quando alguém dirige falando ao celular e causa uma colisão sem vítimas, logo pensa: “vou acionar o seguro”. Mesmo tendo uma seguradora para cobrir acidentes de carro, sabemos que serão dias difíceis até consertar, em caso de perdas parciais, ou receber outro carro, em casos de perda total. E se nesse acidente houver vítimas não fatais, mas que ficaram hospitalizadas? Acidentes com vítimas fatais então...terão efeitos para uma vida inteira. Analogia igual pode ser feita com acidentes de trabalho, com consequências para as pessoas envolvidas, que podem ficar incapacitadas parcialmente ou totalmente ao 16 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 trabalho; para a empresa que perderá a mão de obra, material e elevará os custos operacionais para a sociedade e com o aumento no número de beneficiários e diminuição do número de contribuintes ao sistema previdenciário. Isso nos leva a afirmar que os efeitos de um acidente serão sempre negativos em aspectos humanos, sociais e econômicos. Além dos efeitos materiais é preciso avaliar os efeitos psicológicos negativos envolvendo os sentimentos humanos das vítimas diretas ou de qualquer pessoa envolvida no meio que ocorreu o acidente. Esses efeitos podem ser imediatos em uma pessoa da equipe ou podem acontecer a médio e longo prazo, chegando a envolver uma equipe inteira, o que em todos os casos levará a perdas significativas no processo, podendo vir a se tornar um fator humano causador de novos acidentes. Os programas de prevenção e controle de perdas geradas pelos acidentes é um investimento feito pelas empresas para reduzir os custos e efeitos causados pelos acidentes. O objetivo desse programa está ligado aos fatores humanos, a fim de diminuir o afastamento do trabalho, mas principalmente em reduzir os efeitos causados no processo, como garantir a qualidade do produto final durante o processo de fabricação, ou seja, não ter que refazer os padrões na linha de produção, pois a qualidade está ligada a todo o processo, incluindo os trabalhadores, além de manchar a imagem das empresas com seus clientes e parceiros de negócio. O relacionamento com os clientes e parceiros pode ser afetado pela ocorrência de acidentes de trabalho quando os efeitos do acidente impactam no cumprimento de prazos e na capacidade da empresa de produzir na quantidade esperada. O atraso na entrega ou a entrega em uma quantidade inferior à contratada é um efeito negativo para a imagem da empresa e para os custos da produção, que podem aumentar na tentativa de compensar o tempo perdido. Quando os efeitos são gerados causando danos à máquina e aos equipamentos, os custos podem ficar ainda mais altos para a empresa, por isso a gestão de segurança preventiva é tão importante, baseada em um plano de manutenção contínuo, mediante manutenções preventivas, programadas e, caso necessário, reparadoras para máquinas e equipamentos. 17 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os acidentes e incidentes de trabalho podem acontecer em decorrência da atividade laboral, causando lesões ou doenças, que podem ser doenças profissionais ou doenças do trabalho. Estes podem ser causados por fatores humanos atrelados às condições do meio, configurando um ato inseguro; ou condições inseguras, que terão efeitos humanos, sociais e econômicos. A gestão de segurança tem como objetivo controlar os efeitos e as causas do acidente e, consequentemente, evitar que ocorram. 18 @faculdadelibano_ 2 Ato inseguro 19 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 2 Ato inseguro Ato inseguro Quando relatamos um acidente de carro, uma explosão de um posto de combustível ou o desabamento de uma encosta sobre casas, sempre nos perguntam: “De quem é a culpa?”. A definição para acidente de trabalho não é encontrada em legislação ou dicionário, pois ela só contempla as causas ou os culpados pelo inoportuno acontecimento. Logo, é preciso compreender as causas do acidente de trabalho para poder defini-lo. Vamos analisar os fatores que, combinados ou não, são responsáveis direta ou indiretamente pelos acidentes e pelas doenças no ambiente de trabalho. Os atos inseguros podem estar presentes no ambiente de trabalho de várias maneiras, pois esta é a forma como o ser humano se relaciona com o perigo. Podem ocorrer de forma inconsciente, quando o ser humano desconhece o perigo ao qual está sendo exposto; consciente, quando o ser humano reconhece o perigo que está exposto; ou ainda circunstancial, quando algum fator inesperado leva o indivíduo a se expor ao perigo, mesmo tento o reconhecido. Vamos chamar a ELIS para nos ajudar com sua experiência a evidenciar situações relacionadas a atos inseguros? EXEMPLO: um motorista de caminhão, ao passar pelo posto da polícia rodoviária, acelera o veículo propositalmente para evitar que seja parado para verificação dos documentos. Seumedo é que a polícia identifique que sua habilitação não é compatível ao tipo de Objetivos Ao final deste capítulo, esperamos que você reconheça os fatores humanos com potencial para causarem acidentes de trabalho por meio de atos inseguros, suas causas e consequências. E então? Preparado para desenvolver essa competência? Vamos lá! 20 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 veículo que está conduzindo. Para escapar do cerco, ele acaba colidindo com o canteiro central, ocasionando um acidente de trabalho sem vítimas fatais. A ELIS relata que, ao dirigir sem habilitação e acelerar o veículo acima da velocidade permitida, o motorista cometeu um ato inseguro consciente, considerando que foi devidamente treinado para exercer sua função. Digamos que, neste mesmo acidente, o veículo fosse tomado pelo fogo e que o ajudante do motorista, ao ver seu companheiro preso dentro de veículo, se lançasse em meio às chamas para salvar o companheiro de trabalho. Neste caso, a ELIS define como um ato inseguro circunstancial, em que, para salvar o companheiro, o ajudante se expôs a um perigo que ele reconhecia. Além dos exemplos apresentados, outras situações se destacam como mais frequentes em um processo de produção. São elas: • Em atividades com movimentação de carga suspensas por diferentes equipamentos (grua, guindaste, pontes ou cordas), o trabalhador, por falta de informação ou desobediência às regras de segurança, se posiciona próximo ou sob a carga em movimentação. • Operadores de máquinas e equipamentos que colocam parte do corpo, principalmente membros superiores, em contato com engrenagens, pontos de esmagamento e superfícies energizadas, levando a lesões leves ou até à amputação do membro. O treinamento e a capacitação são medidas de controle fundamentais para instruir os trabalhadores e reduzir a ocorrência de acidentes de trabalho por ato inseguro inconsciente, quando o trabalhador não tem conhecimento do risco, por isso, realizar uma atividade com máquina e equipamentos sem a devida habilitação/autorização pode causar acidentes de trabalho, assim como realizar manutenção e reparo em máquinas ou equipamentos em funcionamento. Logo, alguns pontos devem ser considerados: • Os dispositivos de segurança também podem se tornar fatores de risco quando utilizados de forma incorreta, para fins que não foram projetados. • Não utilizar dispositivos de segurança individual quando este for indispensável para o controle do risco também é uma causa comum de acidentes. • Os agentes de risco químico e biológico são causas frequentes de acidentes de trabalhos quando são mal manipulados ou expostos a elementos reativos, como o uso de chamas ou fumar próximo a produtos inflamáveis. 21 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Características do fator pessoal de insegurança Os seres vivos que vivem em agrupamentos estabelecem regras, mesmo que não sejam repassadas em linguagem verbal. Um exemplo são os animais que delimitam as regras em seus bandos. Os gorilas vivem em bandos que são liderados por um macho dominante que toma as decisões sobre quando seu grupo acorda, come, se desloca e descansa à noite. Como ele deve proteger sua família em todos os momentos, esse gorila líder tende a ser o mais agressivo. Em algumas situações, ele bate com as duas mãos no peito quando percebe alguma ameaça, para afastar o perigo. Para os seres humanos, as regras foram um marco na evolução, que servem de prescrições específicas de disciplina, podendo ou não ter um significado jurídico. As regras são usadas para evitar acidentes no trabalho e prevenir doenças ocupacionais. Segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho (Smartlab, 2022) foram notificados 612.900 de acidentes em 2022, sendo 2.500 acidentes fatais. FIGURA 5 Dados sobre notificações de acidentes de trabalho FONTE Smartlab (2022) 22 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 O acidente de trabalho gera danos materiais à comunidade, ocasionando o aumento do custo de vida e dos impostos, insatisfação com falta de condições de trabalho e diminuição de pessoas produtivas. É indispensável entendermos porque ocorrem acidentes de trabalho para podermos evitar os mais diversos tipos de prejuízos. Todo ser humano tem características pessoais, físicas, sociais ou mentais, que podem interferir direta ou indiretamente no trabalho. Quando essas características interferem negativamente, provocando atos inseguros, dá-se o nome de fator pessoal de insegurança. Podemos destacar os principais fatores humanos que levam à prática de atos inseguros. Desconhecer um risco dentro do ambiente ocupacional pode ser comparado a uma criança que brinca com um fósforo aceso perto de um vidro de álcool. Trata- se de algo aparentemente inofensivo aos olhos da criança, que desconhece o resultado da reação. No caso da criança, cabe aos pais e responsáveis explicarem o perigo envolvido ao aproximar a chama e um material inflamável e retirar o perigo das mãos da criança. No ambiente de trabalho, essa orientação deve ser feita pelo profissional prevencionista que, ao passar uma ordem de serviço, deve evidenciar cada risco e perigo relacionado à atividade e apresentar ao trabalhador a devida forma de se proteger. A informação é uma arma fundamental para evitar acidentes, assim com a falta de informação pode levar à ocorrência de acidentes do trabalho. Saiba Mais Quer conhecer mais sobre os dados e estatísticas de SST no Brasil? Acesse o site do Observatório de Segurança do Trabalho, disponível aqui. 23 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 O desconhecimento pode ser por falta de orientação do profissional prevencionista, mas também por falta de preparo para o trabalho. Trabalhadores sem capacitação ou formação profissional, utilizando-se do notório saber, muitas vezes utilizam de gambiarras e improvisos, na tentativa de ganhar tempo, por desleixo com a atividade realizada ou por desconhecer a forma adequada de resolução do problema. Por isso, verificar a formação profissional antes da contratação, assim como disponibilizar programas de capacitação e treinamento são importantes aliados contra os acidentes de trabalho. Problemas de ordem social também podem ser apontados, como fatores pessoais, excesso de confiança ou exibicionismo, como forma de autoafirmação. Os problemas de ordem financeira, como dívidas; falta de oportunidades para si e para sua família, que podem gerar brigas conjugais; uso descontrolado de drogas lícitas e ilícitas associadas a uma extrema pressão emocional podem resultar em ataques de estresse e histeria e também contribuem para os fatores pessoais. Todos esses fatores, atrelados ao meio em que o trabalhador exerce sua função, podem levar a atos inseguros e, por consequência, a acidentes de trabalho e por isso precisam ser observados, acompanhados e controlados, reduzindo o número de acidentes de trabalho. Como controlar o fator pessoal Nós vimos que os seres humanos podem se tornar verdadeiras bombas-relógio, prontas para explodir. E agora, o que o profissional prevencionista pode adotar nos ambientes de trabalho para evitar que essa bomba exploda? FIGURA 6 Os fatores humanos podem causar danos semelhantes a uma bomba explodindo FONTE Freepik 24 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Vamos conhecer algumas ações que deverão ser adotadas nos ambientes de trabalho, objetivando conter os efeitos de fatores pessoais relacionados à ocorrência de acidentes de trabalho. Vimos que a falta de qualificação profissional é um fator atrelado à falta de aptidão, que pode contribuir para a ocorrência de acidentes de trabalho, por isso, as empresas devem estar atentas desde o processo de contratação do trabalhador, selecionando profissionais devidamente habilitados, sem permitir que sejam feitas contrataçõesde forma arbitrária ou por indicações, sempre verificando os dados fornecidos por cada candidato selecionado. No entanto, além da documentação apresentada, o trabalhador que comprove sua formação por meio do ensino formal e/ou profissionalizante, deve apresentar outros requisitos que demonstrem suas habilidades e competências para desenvolver a atividade para o qual foi contratado, como condições físicas e emocionais, aptidão para o trabalho, caráter idôneo, respeito à cultura prevencionista da empresa, ou seja, o trabalhador não pode considerar as ações de segurança como uma banalidade desnecessária. O SESMT tem uma participação importante após a seleção e contratação do trabalhador, que se inicia no momento da integração. Nesse momento, o trabalhador deve se sentir parte da equipe na qual irá desenvolver seu trabalho. O papel dos gestores e profissionais prevencionistas é importante na recepção e no acompanhamento dos trabalhadores desde sua chegada. O acompanhamento deve ter como objetivo introduzir, no dia a dia do trabalhador, a importância de vivenciar a política prevencionista proposta pela empresa, com o auxílio de medidas educacionais, por meio do planejamento e da execução de treinamentos e capacitação dos trabalhadores. Os treinamentos devem ocorrer não apenas para o cumprimento da legislação, mas como parte da formação continuada dos trabalhadores, de forma programada e periódica e até mesmo diariamente, pelo Diálogo Diário de Segurança (DDS) ou palestras que podem ocorrer de forma planejada ou durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT), organizada pela CIPA com o apoio do SESMT. 25 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Para a SIPAT atingir seu objetivo, deve ser encarada como uma importante ferramenta para informar aos trabalhadores sobre a segurança e a saúde no ambiente de trabalho e em casa. Durante a SIPAT, a empresa pode informar, atualizar e reforçar temas voltados para a saúde do trabalhador e contra acidentes de trabalho, abordando os fatores pessoais por meio de dinâmicas e ações psicossociais (ENIT, 2016). Além da educação via comunicação verbal, podemos usar também cartazes e sinalizações, por exemplo. Em tempos de indústrias inteligentes, o uso da tecnologia é uma ferramenta de comunicação que consegue gerar valores e atingir um número maior de trabalhadores, com mais interatividade. O uso de comunicação por correio eletrônico, videoconferências, simuladores e mídias digitais são formas de gerar educação prevencionista na indústria 4.0. As medidas médicas, mediante acompanhamento periódico dos trabalhadores, são aliadas na redução de causas e fatores pessoais ligados ao acometimento de limitações pessoais, físicas ou cognitivas. A incapacidade física pode não ser detectada nos exames admissionais, desenvolvendo-se tardiamente em função de fatores genéticos, como a gradativa perda de visão e audição ou a redução da capacidade física. Problemas neurológicos, como ataques epiléticos, podem causar problemas durante a execução do trabalho com segurança, pois durante um ataque epilético o indivíduo não tem controle sobre seus movimentos, com contínuos espasmos musculares, que podem causar acidentes de trabalho. Você Sabia? Em 1953 foi publicado o Decreto-Lei nº 34.715, que oficializa uma semana dedicada a atividades sobre a segurança no trabalho, a SIPAT, realizada na última semana de novembro de cada ano. Posteriormente, a SIPAT foi consolidada pela NR 5 como um evento anual obrigatório que deve ser implementado pela CIPA em todas as empresas, em conjunto com o SESMT. 26 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 As medidas psicológicas atreladas a um acompanhamento prevencionista planejado podem contribuir para diminuir os efeitos dos fatores pessoais em causas de acidentes de trabalho, principalmente por meio de motivação e estímulo da autoestima e confiança do trabalhador na sua relação com a empresa, com os colegas e nas relações interpessoais. Listamos as ações de prevenção de acidentes de trabalho na Imagem 3.7: Você Sabia? A ciência já comprovou que algumas pessoas podem apresentar Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma condição que geralmente se apresenta na primeira infância, mas que muitos, por falta de informação ou resistência ao tratamento, não são diagnosticados e tratados. No ambiente ocupacional, esse transtorno pode se apresentar por meio da falta de foco, perda de concentração e impulsividade. FIGURA 7 Sequência de ações para reduzir o número de acidentes do trabalho causado por fatores pessoais FONTE Elaborada pela autoria (2023) 27 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Consequências do fator pessoal Olha quem chegou para nos ajudar a compreender melhor as consequências que os fatores pessoais causam em acidentes de trabalho! EXEMPLO: ao ser acordada durante a noite, a ELIS respira fundo ao perceber que quem está ligando é um bombeiro, informando que houve uma grave explosão seguida de um incêndio no hospital em que ela trabalha e que até o momento existe risco de o fogo se propagar e atingir outras alas do hospital. Imediatamente, a ELIS aciona os gestores de plantão para saber se foi feita a evacuação do prédio, como indicado no plano de emergência, garantindo a sobrevivência dos pacientes e dos trabalhadores. Ela descobre que o incêndio foi causado durante a troca de turno na lavanderia, quando o trabalhador que saía do plantão esqueceu de desligar a secadora, levando a um superaquecimento e consequente incêndio. O trabalhador que deixou a secadora ligada já está em casa, seguro. Como podemos observar no relato da ELIS, o profissional que não desligou a secadora está seguro em casa, enquanto os trabalhadores do turno e os pacientes do hospital estão em risco de morte, mesmo com o plano de evacuação realizado com eficiência. Quando ocorre um acidente de trabalho, podemos considerar várias consequências que podem variar desde pequenos ferimentos até a perda da vida humana. Além das consequências para as vítimas, devemos considerar também os efeitos a curto, médio e longo prazo dos tratamentos e protocolos que serão realizados pelas vítimas, muitas vezes dolorosos e que trazem novas consequências como o abalo emocional e a discriminação social. Todo sofrimento físico, mental ou social deve ser evitado ou reduzido para que não se torne fator pessoal que venha a causar outros acidentes. 28 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Quando a vítima pode retornar às suas atividades de trabalho, mesmo após longos tratamentos, as consequências do acidente são classificadas como incapacidade parcial, ou seja, a consequência do acidente é a insegurança gerada nas vítimas que pode se tornar um fator de ocorrência de novos acidentes. Outro aspecto que emerge após um acidente de trabalho são as consequências sociais para as vítimas que, se impossibilitadas de trabalhar, podem ter uma redução na renda familiar por um período, em casos de incapacidade parcial ou temporária. Imagine em caso de incapacidade permanente no qual a vítima e sua família têm sua realidade socioeconômica alterada repentinamente, afinal, ninguém se prepara para sofrer um acidente, mesmo que as vítimas recebam o auxílio garantido por lei. As consequências econômicas recaem sobre a vítima, mas também sobre a empresa, embora ainda existam empresas que não se importem com os efeitos negativos que resultam de um acidente de trabalho. Para esta análise, é preciso que a empresa entenda que os custos do acidente interferem na qualidade e na quantidade dos serviços prestados, no prazo de entrega do produto ou serviço, principalmente se em função do acidente a empresa sofre um embargo de suas atividades, danos às máquinas e aos equipamentos. FIGURA 8 A insegurança causada pelas sequelas de um acidente pode deixar otrabalhador suscetível a ocorrência de novos acidentes FONTE Elaborada pela autoria (2023) 29 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2 Em caso de acidentes, as empresas são obrigadas a emitirem a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), informando à previdência social todos os acidentes ocorridos com trabalhadores, mesmo que não haja afastamento temporário das atividades de trabalho. Outras agências também utilizam esses dados. A International Oil and Gas Producers (IOGP) usa a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR) como critério para comparar o desempenho das empresas do setor, com objetivo de intensificar a concorrência internacional. Você Sabia? A NR 3 foi originalmente editada pela Portaria MTb nº 3.214, de 8 de junho de 1978, estabelecendo procedimentos para embargo e interdição em caso de Grave e Iminente Risco (GIR) à vida e à saúde dos trabalhadores. Embargo e interdição são medidas administrativas, de caráter cautelar, cuja adoção tem o objetivo de evitar a ocorrência de acidente ou doença com lesão grave ao trabalhador, não se tratando de medida punitiva às organizações (ENIT, 2016). Resumindo Acidente é um problema sério, com fortes impactos econômicos e sociais, não é mesmo? E se não entendermos direitinho as causas e consequências relacionadas aos fatores pessoais, este problema pode ficar ainda maior. Então, vamos resumir aqui as diferentes causas relacionadas aos fatores pessoais que podem ocasionar acidentes de trabalho, com o afastamento como consequência para a vítima, para a sociedade e para a economia, inclusive em relação à economia mundial. Entre os principais fatores podemos citar a falta de conhecimento, a imprudência, a irritabilidade e até mesmo transtornos cognitivos. Como consequências, podem ocorrer pequenas a graves lesões, que em função das sequelas e dos tratamentos podem se tornar um fator de insegurança, além das consequências sociais, como a discriminação e as consequências econômicas, na diminuição da renda familiar. 30 @faculdadelibano_ 3 Condições de insegurança do ambiente 31 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 3 Condições de insegurança do ambiente Condição insegura Você já aprendeu que os seres humanos podem se tornar um risco para sua própria saúde e segurança em função de atos inseguros. Mas será que só os seres humanos podem causar acidentes? Olha para esta tomada atrás do seu aparelho de TV ou do computador. Tem alguma possibilidade de surgir um pequeno incêndio nesta tomada devido às condições com que ela está sendo utilizada? E o seu carro? Olhe os quatro pneus. E o pneu reserva? O estepe? Será que estamos seguros em andar com o nosso carro com esses pneus, a estrutura, a calibração, o tempo de desgaste? Então, quando a tomada ou o pneu não estão garantindo segurança para você e sua família, você precisa troca-los ou adequá-los. No ambiente de trabalho vamos nos deparar com situações semelhantes. Objetivos Ao final deste capítulo, esperamos que você reconheça as condições do meio com potencial para causar acidentes de trabalho, mediante condições inseguras, suas causas e consequências. E então? Preparado para desenvolver essa competência? Vamos lá! 32 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 As condições do local de trabalho precisam gerar segurança para os trabalhadores; da mesma forma, as que não garantem a segurança geram condições inseguras no local de trabalho. ATENÇÃO: condições inseguras não devem ser confundidas com perigos presentes no ambiente ou inerentes à função do trabalhador, como partes energizadas, produtos ou equipamentos usados no desenvolvimento da atividade. Condições inseguras se referem a qualquer situação ou estado físico presente no ambiente de trabalho que aumenta a probabilidade de ocorrência de um acidente ou doença ocupacional. Isso inclui equipamentos defeituosos, falta ou inadequação de dispositivos de proteção, iluminação insuficiente, ventilação inadequada, entre outros. As condições inseguras estão presentes no ambiente de trabalho quando os perigos identificados na fase de análise de risco não são devidamente controlados, expondo os trabalhadores a danos causados por acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. Nossa líder ELIS vai nos ajudar a compreender melhor, com um exemplo que ela vivenciou em uma indústria de sapatos. As máquinas e os equipamentos precisam ser alimentados por uma rede energizada, ou seja, a corrente elétrica é um perigo presente na atividade de um operador de máquinas. Durante a inspeção de rotina, a ELIS verificou que a máquina de costura do couro estava ligada na tomada, mas que o fio condutor apresentava uma emenda, feita de forma FIGURA 9 É importante realizar manutenção preventiva de equipamentos e máquinas FONTE Freepik 33 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 improvisada, deixando o fio exposto. Ao identificar a condição insegura, a ELIS suspendeu a atividade naquela máquina e acionou o setor de manutenção para que efetuasse a troca do fio, sem emendas e com todas as partes protegidas, como estabelecido nas NR10 e NR12 (ENIT, 2016). A presença de energia elétrica, por sua capacidade de gerar danos ao trabalhador, representa um perigo. No entanto, se esta estiver isolada, sem que o trabalhador tenha contato, não causará danos. No caso apresentado, o fio emendado e exposto pode causar uma descarga elétrica que pode resultar em danos ao trabalhador, expondo-o a uma condição insegura. Exemplos de condições inseguras: • Falta de proteção mecânica. • Máquinas e equipamentos defeituosos ou sem reparo. • Ambientes com mudança de nível não sinalizada (escadas ou rebaixamento). • Pisos escorregadios. • Iluminação inadequada. • Arranjo físico inadequado. • Ventilação e exaustão inadequadas. • Armazenamento e transporte de cargas e pessoas inadequados. • Passagem obstruída ou sobrecarga das instalações. • Redes energizadas e tubulações mal planejadas. Podemos apontar outros fatores que expõem o trabalhador a condições inseguras, como operar máquinas e equipamentos sem proteção ou com mecanismos defeituosos. A presença ou exposição a agentes químicos (gases, vapores, poeiras) ou físicos (calor, radiação) podem gerar condições inseguras, caso a exposição a esses agentes não seja devidamente controlada. Importante Perigo é a fonte que pode causar um dano inerente à atividade. Risco é o perigo controlado. Condição insegura é o perigo que não foi devidamente controlado. 34 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 Característica do ambiente – Análise de Risco Se o perigo existe, por que analisar o risco? Nos ambientes de trabalho, inúmeras são as fontes de perigo que são inerentes às atividades desenvolvidas. Uma gestão prevencionista se inicia com uma análise prévia dos riscos ocupacionais e com o planejamento de medidas de segurança que eliminem, reduzam ou controlem os riscos identificados no ambiente de trabalho. Para executar essa análise é preciso que a empresa invista em profissionais prevencionistas (incluindo o engenheiro de Segurança do Trabalho) que tenham amplo conhecimento da legislação prevencionista atualizada, capacitados para reconhecer as fontes geradoras e os agentes causadores de riscos ocupacionais, propondo medidas de controle eficientes, que atendam às normas regulamentadoras e demais legislações. Os profissionais do serviço de segurança devem fazer o registro de todos os riscos e perigos presentes no ambiente de trabalho por meio de documentos de gestão de segurança. A NR9 se refere ao conjunto de normas que regulamentam todos os riscos físicos, químicos e biológicos que possam prejudicar os empregados e colaboradores de uma empresa na execução de sus atividades laborais. Anteriormente, essa identificação dos riscosocupacionais e seus registros eram feitos em um documento denominado Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). A última atualização feita pela CTP alterou o nome do documento para PGR, Programa de Gerenciamento de Risco (ENIT, 2016). Independente do nome do documento, PPRA ou PGR, o intuito é fazer o registro dos riscos existentes no ambiente ocupacional que comprometem a saúde e a segurança dos trabalhadores. O ideal é que o documento seja alimentado por profissionais prevencionistas que atuam na empresa e que estes divulguem aos trabalhadores o resultado de sua investigação de forma a educá-los e conscientizá-los quanto a presença do risco e as medidas adotadas pela empresa. Algumas empresas, desobrigadas a constituir o SESMT, ou mesmo com o SESMT instalado, optam por contratar serviços terceirizados para a elaboração do documento, o que pode acabar dificultando o processo de divulgação e conscientização. 35 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 A análise de risco é a primeira etapa do processo de gerenciamento de risco, que requer a implantação de medidas de controle, procedimentos técnicos e administrativos para manter os riscos controlados. Não tem sentido identificar os riscos se não for para estabelecer as devidas medidas de controle. A análise de risco pode ser feita com o uso de ferramentas de gestão, como o diagrama de Ishikawa, também conhecido como diagrama de causa e efeito; matriz GUT e a análise preliminar de risco (APR). Na análise de risco é importante registrar o material usado, sendo ele básico para o desenvolvimento da função, das peças de reposição ou ainda de algum produto ou QUADRO 1 Modelo de análise de risco FONTE Elaborado pela autoria (2023) 36 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 material extra. Os agentes químicos precisam ser identificados, acompanhados pela ficha de identificação de cada produto (FISPQ), documento normatizado pela ABNT, no qual estão contidas as informações quanto à saúde, à segurança e ao meio ambiente do produto. Dentro desta análise podemos classificar o grau de risco com base em escalas padronizadas. As empresas devem manter uma contínua análise e identificação de perigos e riscos com o objetivo de programar medidas de controle que incluem as atividades ordinárias e extraordinárias, considerando todos os trabalhadores (contratados e terceirizados) e possíveis visitantes. Os fatores ambientais são mais fáceis de identificar durante a análise qualitativa dos riscos, podendo facilitar a gestão de riscos por meio de manutenções preventivas ou corretivas em máquinas e equipamentos, organização do ambiente, sinalização e dispositivos de emergência. Para os fatores ambientais imperceptíveis à análise qualitativa, como a concentração de ruído, radiação, agentes químicos e biológicos é preciso uma análise quantitativa no ambiente, considerando na avaliação não apenas a presença do agente, mas também sua concentração e, em alguns casos, com os agentes químicos, a natureza físico- química do agente e suas reações com outros agentes presentes no meio (produtos perigosos). A análise quantitativa é utilizada para a classificação de condições insalubres previstas na NR15 (ENIT, 2016). O resultado das análises qualitativas e quantitativas permite aos profissionais prevencionistas definirem os riscos ambientais. Explicando Melhor Os riscos ambientais são os aqueles relativos às atividades ocupacionais que podem gerar danos ou agravos à saúde do trabalhador ou que são causas de acidentes de trabalho (Bazzo; Pereira, 2006). 37 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 Os riscos ambientais são classificados pela NR9 em risco físico, químico e biológico. Outra norma que define os riscos ambientais é a NR5, pela Portaria nº 25/1994, no qual estabelece a elaboração do Mapa de Risco pelos membros da CIPA, classificando os riscos em físico, químico, biológico, ergonômico e mecânico (ENIT, 2016). Não é só a legislação trabalhista que considera os agentes presentes no ambiente de trabalho que possam causar danos; o Ministério da Saúde (MS) também classifica os riscos em físico, químico, biológico, ergonômico e mecânico. Para a análise de risco e como base para o gerenciamento dos riscos ambientais, os profissionais utilizam as seguintes definições para classificação de risco: • Risco físico: as diversas formas de energia que os trabalhadores podem estar expostos em seu ambiente de trabalho, listados nos anexos da NR15 – Atividades e Operações Insalubres. Exemplos: ruído, vibração, temperaturas extremas, radiações ionizantes e não- ionizantes, trabalho sob condições hiperbáricas e umidade. • Risco químico: produtos ou compostos nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores que podem penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória. Alguns produtos podem também ser absorvidos pela pele ou por ingestão. Exemplos: gases, poeiras, vapores, névoas e fumos oriundos de compostos ou substâncias químicas. • Risco biológico: são microrganismos patogênicos que podem penetrar no organismo. Exemplos: bactérias, vírus, fungos, protozoários e patogênicos. • Risco ergonômico: resultante de relações de trabalho, organização do trabalho, mobiliário e o conforto no ambiente de trabalho. Exemplos: levantamento manual de peso, trabalho noturno, exigência de esforço repetitivo ou postura inadequada, esforço físico intenso. • Risco mecânico: são os agentes presentes no ambiente de trabalho e identificados, durante a análise de risco, como potenciais causadores de acidentes. Exemplos: Proteção de máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza, animais peçonhentos, probabilidade de explosão ou incêndio, partes energizadas. Para verificar se a análise de risco e as medidas adotadas para o controle do ambiente estão sendo eficientes é preciso definir indicadores mensuráveis para as metas a serem alcançadas por meio de processos de verificação contínua e planejada como auditorias internas. Em casos de acidente, quando as medidas não forem eficientes para proteger o trabalhador, é necessária uma investigação das causas do acidente, assim como a definição dos agentes envolvidos, para que possam ser tomadas novas medidas que 38 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 garantam a segurança e a saúde do trabalhador, adequando- se às novas tecnologias e demandas do mercado. Investigação de acidente Para garantir a saúde e a segurança do trabalhador, a empresa precisa investir na análise de riscos ambientais de forma que os dados obtidos no levantamento de riscos contribuam para o planejamento e a implementação das medidas de controle. No entanto, mesmo com as medidas aplicadas podem ocorrer situações de vulnerabilidade na gestão de segurança capazes de gerar acidentes. Quando ocorre um acidente, o primeiro impulso é garantir a sobrevivência dos trabalhadores. No entanto, é fundamental definir os fatores que levaram ao acidente. A investigação do acidente de trabalho tem como objetivo analisar as informações identificando as causas reais, utilizando métodos para a análise e aplicando recursos tecnológicos. As conclusões devem servir para a transformação do ambiente, fortalecendo as medidas educativas, prevencionistas e médicas. A investigação de acidentes possibilita encontrar informações relevantes sobre a origem e às causas do acidente, pois somente conhecendo-as é possível evitar as reincidências ou ocorrências de novos acidentes por fatores semelhantes. Os agentes de riscos de acidentes são aqueles presentes durante a investigação de um acidente, com a utilização de diferentes métodos. Vamos usar como exemplo um método simples, o diagrama de causas e efeito, agrupando as causas em categorias conhecidas com “6 Ms”: Método, Meio,Máquinas, Medições, Materiais e Mão de obra. Uma empresa de limpeza predial iniciou a investigação de um acidente com o trabalhador que exercia a função de lavador de fachada. Ele desenvolvia sua atividade em um dia nublado, a uma altura de nove metros. No momento do acidente ventava muito e o trabalhador estava utilizando o equipamento que liberava jatos de água com uma solução de limpeza, quando, em função de uma forte rajada de vento, o trabalhador foi atirado contra a grade de proteção. Como ele estava usando os dispositivos de segurança individual, não houve queda, mas a ferramenta estava presa apenas por suas mãos e, com o piso molhado, e no momento do impacto, a ferramenta caiu sobre 39 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 o seu pé e causou uma luxação. Nossa amiga ELIS vai nos ajudar a investigar as causas do acidente usando o diagrama de causa e efeito com o modelo 6Ms. A Imagem 10 mostra um modelo de diagrama: • Método: limpeza da fachada com jato de água. • Meio: atividade realizada a céu aberto, exposto a intempéries (dia nublado com rajadas de vento). • Máquinas: falta de um dispositivo que evitasse a queda da ferramenta. • Medições: inspeções nas condições do tempo e velocidade do ar. • Materiais: produto químico escorregadio. • Mão de obra: treinada e capacitada, surpreendida por uma rajada de vento. Após a verificação, a ELIS estabeleceu que fossem adicionadas medidas de proteção contra quedas de ferramentas e que as atividades acima de dois metros de altura fossem interrompidas quando comprovada a velocidade do vento acima de quarenta quilômetros por hora, conforme estabelecido na NR 35 (ENIT, 2016). Com base nos resultados da avaliação de um acidente, as empresas, por meio dos profissionais responsáveis pela saúde e segurança, podem estabelecer um planejamento de ações para eliminar, mitigar ou controlar as causas do acidente. Uma ferramenta FIGURA 10 Diagrama de causa e efeito FONTE Elaborada pela autoria (2023) 40 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 eficiente no planejamento e acompanhamento das ações é o Plano de Ação, como o 5W2H, como mostra o Quadro 2. O relatório de investigação de acidentes vai servir como base para o estabelecimento dessas ações. Por isso, é importante que, ao preencher esses relatórios, o engenheiro de segurança respeite os requisitos do código de ética profissional, não deixando possibilidades de dupla interpretação das informações ali registradas. Como parâmetro métrico para definir o caráter técnico idôneo, podemos considerar: a legibilidade do documento, a recuperação dos dados apresentados com evidências no documento, a proteção das informações ali contidas para que não se percam, o tempo em que este documento ficará arquivado e a identificação do registro, possibilitando a consulta por parte internas, auditorias ou inspeções oficiais, fiscalização de órgãos do governo ou certificadoras na empresa. QUADRO 2 Plano de Ação 5W2H FONTE Elaborada pela autoria (2023) 41 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Os acidentes de trabalho podem ser causados por agentes presentes no meio, que podem ser definidos com agentes de risco físico, químico, biológico, ergonômico ou mecânico. Os agentes considerados causadores de risco mecânico são aqueles identificados durante a análise de risco como potenciais causadores de acidentes do trabalho. O gerenciamento dos riscos deve seguir as etapas de: identificação de perigos; identificação de potenciais de perdas; análise de riscos – estudo e descrição de como está posto o risco no ambiente de trabalho; avaliação de riscos e tratamento dos riscos – ações que devem ser tomadas para a eliminação, a redução ou a convivência adequada com o risco. Caso as medidas não consigam evitar o acidente, este deve ser investigado, definindo as causas e os efeitos. 42 @faculdadelibano_ 4 Consequências do acidente de trabalho 43 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 4 Consequências do acidente de trabalho Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social Todo trabalho é realizado para gerar produtos e serviços de qualidade, com resultados positivos para o cliente e para a empresa. No entanto, as falhas podem resultar em algumas perdas no processo; no caso do acidente de trabalho, nós perdemos não só qualidade de vida, mas também perdemos vidas. Por isso, neste capítulo iremos nos dedicar a analisar efeitos negativos na esfera individual, econômica e social. Ao analisar as causas e efeitos de um acidente, são inúmeros os fatores que podemos listar para justificar um antigo questionamento prevencionista: por que investir em segurança? Para alguns, o investimento pode ser o cumprimento das obrigações legais, atrelado aos interesses de alcançar os objetivos traçados pela empresa. Para outros, é o reconhecimento de valores aplicados à responsabilidade socioambiental. Seja por valores econômicos ou sociais, a verdade é que o custo das ocorrências com qualquer tipo de acidente de trabalho é um fator de impacto economicamente: • Na vida do indivíduo, que fica com restrições na capacidade de gerar renda para a sobrevivência. Objetivos Ao final deste capítulo, você deverá compreender os efeitos negativos gerados pelos acidentes de trabalho, tanto em questões econômicas, quanto previdenciárias, sociais e humanas. Você vai descobrir que um acidente pode custar caro para a empresa e refletir no valor final do processo de produção e que não existe um culpado, todos somos responsáveis. 44 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 • Nas contas do governo, que concede benefícios, como auxílio-doença-acidentário, aposentadoria por invalidez ou especial e pensão por morte. • Nas empresas, em que os custos são contabilizados por indicadores baseados no número de Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) emitidos. A empresa é obrigada a informar à Previdência Social todos os acidentes de trabalho ocorridos com seus empregados até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, mesmo que não haja afastamento das atividades. Em caso de morte, a comunicação deverá ser imediata. Um bom exemplo dos custos do acidente de trabalho para a empresa é o cálculo feito conforme a quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa em relação ao seu segmento econômico. É por meio deste mecanismo que a Receita Federal do Brasil pode aumentar ou diminuir a alíquota de 1% (risco leve), 2% (risco médio) ou 3% (risco grave) que cada empresa recolhe para o financiamento dos benefícios por incapacidade (grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais). Essas alíquotas poderão ser reduzidas em até 50% ou aumentadas em até 100%. O preenchimento do CAT é on-line ou nas agências do INSS. Se a empresa não fizer o registro da CAT dentro do prazo legal, estará sujeita à aplicação de multa, conforme disposto nos Artigos 286 e 336 do Decreto nº 3.048/1999. O próprio trabalhador, o dependente, a entidade sindical, o médico ou a autoridade pública poderão efetivar, a qualquer tempo, o registro deste instrumento junto à Previdência Social. Os custos com a falta de segurança devem ser evidenciados pelas empresas como um incentivo aos investimentos com segurança, identificando que os custos do acidente, com ou sem afastamento do trabalhador, gera prejuízo, pois os custos diretos ou indiretos são revertidos em ônus para a empresa, com o aumento dos custos da produção. Muitas vezes as empresas fazem os cálculos dos custos baseados nos custos diretos,sendo que os indiretos podem ser mais significativos. Como calcular os custos indiretos? Esse cálculo deve envolver: • Gastos no transporte dos acidentados. • Gastos com atendimento médico. • Tempo dos prevencionistas envolvidos com o resgate e o atendimento. 45 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 • Tempo com a limpeza e recuperação do local do acidente e reinício das atividades. • Perda da produtividade. • Aumento nos seguros pagos pela instituição. Existe também o custo social dos acidentes de trabalho com o aumento do número de inválidos e dependentes da previdência social, quer seja por uma incapacidade parcial ou total, de forma permanente ou temporária e a redução de mão de obra qualificada. Infelizmente, os efeitos negativos não são evidenciados por todos e podemos validar essa informação quando, durante a investigação de acidentes de trabalho, identificamos as causas relacionadas aos atos inseguros e às condições inseguras negligenciadas pelos setores prevencionistas ou operacionais. Em uma análise humana, podemos encontrar situações extremas em que o trabalhador não valoriza uma cultura prevencionista ou empregadores que banalizam a vida humana. Em ambos os casos, os efeitos são extremamente negativos, ocasionando inúmeras falhas. Um bom exemplo de situações de efeitos negativos são os acidentes que envolvem condições inseguras, como o planejamento do arranjo físico ou acidentes com equipamentos de movimentação de pessoas e materiais. Estes, muitas vezes, são passíveis de serem evitados, porém, quando não são identificados os riscos antecipadamente, comprometem não só a máquina, mas os trabalhadores e a imagem da empresa. Após um acidente, os efeitos negativos podem se relacionar aos aspectos materiais e/ ou humanos, conforme a Imagem 11. 46 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 Custos do acidente Agora que já conseguimos reconhecer os efeitos negativos do acidente de trabalho, chegou a hora de fazer os cálculos de quanto custa um acidente. Nós já vimos que os efeitos negativos incluem os custos diretos e os indiretos para os trabalhadores, para o governo e para a sociedade, mas como calcular esses custos? Inicialmente, se tem a ideia de que grandes acidentes acontecem apenas em grandes empreendimentos ou grandes empresas. No entanto, quando a palavra em questão é custo, o pequeno empresário poderá sofrer mais os impactos do acidente. O custo de acidentes é definido pela NBR 14280 como o valor do prejuízo material decorrente de acidente, sendo prejuízo material aquele decorrente de danos materiais, perda de tempo e outros ônus resultantes de acidente do trabalho, inclusive danos ao meio ambiente. O cálculo em si não é difícil, mas para cada caso existem diferentes variáveis envolvidas que, às vezes, são de difícil identificação. Em linhas gerais, pode-se dizer que o custo do acidente é o somatório dos custos diretos e indiretos envolvidos. FÓRMULA: FIGURA 11 Efeitos negativos do acidente de trabalho FONTE Elaborado pela autoria (2023) 47 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 CD= Todas as despesas ligadas diretamente ao atendimento do acidentado que não são de responsabilidade do INSS, como despesas médicas, odontológicas, hospitalares, farmacêuticas – incluída cirurgia reparadora. CI = Não envolve perda imediata de dinheiro. Relaciona-se com o ambiente que envolve o acidentado e com as consequências do acidente. Vamos conhecer alguns dos fatores utilizados para a base de cálculo do acidente, que no final acabam impactando a folha de pagamento da empresa e revelando o seu custo real. O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP surgiu em 2007 com o Decreto de nº 6.042 e alterou o modo de definir o benefício da previdência para os casos de afastamento do trabalho acima de 15 dias. Ele define a relação causal entre os ramos de atividades econômicas e suas respectivas doenças. Com a adoção dessa metodologia, é a empresa que deverá provar que as doenças e os acidentes de trabalho não foram causados pela atividade desenvolvida pelo trabalhador, ou seja, o ônus da prova passa a ser do empregador e não mais do empregado. O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) entrou em vigor em 2010 e implica na redução ou no aumento da alíquota de redução da contribuição da empresa para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). O FAP é o mecanismo que permite à Receita Federal do Brasil aumentar ou diminuir a alíquota de 1% (risco leve), 2% (risco médio) ou 3% (risco grave), que cada empresa recolhe para o financiamento dos benefícios por incapacidade (grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais). Essas alíquotas poderão ser reduzidas em até 50% ou aumentadas em até 100%, conforme a quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa em relação ao seu segmento econômico. A legislação brasileira prevê o pagamento do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), calculado pela multiplicação de sua folha de pagamento por uma alíquota de Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), de 1%, 2% ou 3%, definidas para cada uma das atividades 48 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 listadas na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), acrescido pela multiplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). FÓRMULA: Cálculo do índice de custo. Com a utilização do NTEP e do FAT, o número de acidentes previdenciários passou a afetar diretamente o SAT, ou seja, o número de acidentes reflete uma porcentagem da folha de pagamento de uma empresa. Com essa combinação de fatores, os custos dos acidentes de trabalho e o afastamento previdenciário se tornaram muito mais nítidos. EXEMPLO: para nos ajudar a calcular um acidente, a ELIS vai nos trazer uma situação ocorrida no canteiro de obra. Para não perder horas trabalhadas, o gestor da obra autorizou que os trabalhadores realizassem as atividades com concreto sem o EPI adequado. Com isso, no final da atividade ele teve um saldo de oito acidentes de trabalho, sendo três deles com afastamento previdenciário. Calculando os fatores, o valor de cada acidente foi de R$13.023 e o dos afastamentos foi de R$113.714. O custo total do acidente foi de 3x (R$113.714) + 5x (R$13.023) = R$406.257. O grande desafio para as empresas é investir na redução da incidência de acidentes e doenças ocupacionais, identificando os riscos que possam estar relacionados ao FAP/ NTEP e implementando medidas de correção que diminuam os riscos de acidentes e doenças do trabalho. São essas ações que contribuem para a redução de custos com acidentes. Responsabilidade do acidente Um dito popular utilizado quando ocorre uma fatalidade, notória ou não, afirma que “a casa caiu”. Evidentemente, o “dono da casa”, além de arcar com os custos, terá que justificar as causas. Mas a casa pode cair porque o arquiteto não planejou bem ou o pedreiro não seguiu o planejado ou ainda porque o fiscal da obra não identificou o 49 Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4 erro e permitiu a construção. Sendo assim, vários podem ser os responsáveis, de forma conjunta ou isolada, pela fatalidade. Na Segurança do Trabalho não é diferente. A empresa pode usar outro dito popular: “todos somos responsáveis pela segurança”, ou seja, todos são responsáveis também pelos acidentes. Vamos ver alguns dos responsáveis e suas responsabilidades (Germano, 2019). Quanto ao governo, podemos destacar o trabalho das Delegacias Regionais do Trabalho – DRT. Suas atividades de fiscalização são feitas por profissionais especializados nas áreas de saúde e segurança, as quais estão respaldadas e amparadas em legislação específica (CLT), podendo aplicar sanções que vão desde o embargo