Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1
Unidade 3 - Princípios da Segurança do Trabalho
Introdução à 
Engenharia 
de Segurança 
do Trabalho
2
3
Sumário
Acidentes: causas de acidentes 
 Cenário do acidente de trabalho 
 Tipos de acidentes de trabalho 
 Efeitos do acidente de trabalho 
Ato inseguro 
 Ato inseguro 
 Características do fator pessoal de insegurança 
 Como controlar o fator pessoal 
 Consequências do fator pessoal 
Condições de insegurança do ambiente 
 Condição insegura 
 Característica do ambiente – Análise de Risco 
 Investigação de acidente 
Consequências do acidente de trabalho 
 Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social 
 Custos do acidente 
 Responsabilidade do acidente 
Referências 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
5
6
9
15
18
19
21
23
27
30
31
34
38
42
43
46
48
52
4
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se forma necessárias;
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
Quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o 
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento de 
uma competência for concluído 
e questões forem explicadas. 
5
@faculdadelibano_
1
Acidentes: 
causas de 
acidentes
6
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 1
Acidentes: causas de 
acidentes
Cenário do acidente de trabalho
Querido aluno, estamos prestes a iniciar nossa jornada rumo ao universo dos acidentes 
de trabalho e o papel da engenharia de segurança do trabalho. Vamos pensar e refletir, 
junto com a ELIS, sobre o cenário e os atores envolvidos na institucionalização dos 
acidentes de trabalho no Brasil.
O mundo laboral, com sua diversidade de setores e atividades, é palco de riscos que 
podem levar a acidentes de trabalho. Estes incidentes, além de comprometerem a 
saúde e a integridade física dos colaboradores, geram impactos financeiros e de 
produtividade para as organizações. No entanto, em meio a este cenário, a Engenharia 
de Segurança do Trabalho emerge como um pilar fundamental. Esta especialidade, 
focada na prevenção, busca entender e mitigar os riscos associados a cada profissão, 
desenvolvendo medidas protetivas, treinamentos e estratégias que assegurem um 
ambiente laboral seguro. Com a Engenharia de Segurança do Trabalho, não só se 
reconhece a importância da preservação da vida e da saúde dos trabalhadores, mas 
também se evidencia o compromisso das empresas em criar ambientes de trabalho 
mais seguros, produtivos e harmoniosos.
Objetivos
Ao final deste capítulo, você vai conhecer os fatores envolvidos em 
um acidente de trabalho; como o prevencionismo classifica os tipos 
de acidente, suas causas e efeitos para os trabalhadores, para a 
empresa e para a sociedade. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Vamos lá. Avante!
7
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Vocês devem estar pensando em uma resposta preven- cionista e isso é muito bom, mas 
é importante considerarmos as obrigações legais envolvidas em casos de acidentes. No 
Brasil, a Constituição Federal, a CLT, as NRs e as convenções internacionais da OIT e OMS 
definem a Segurança do Trabalho.
A Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) dedica o Capítulo V do título II do seu texto à 
segurança e medicina do trabalho (especificamente dos artigos 154 a 201 (Brasil, 1943); 
estes artigos estabelecem as diretrizes e regulamentos relativos à proteção e segurança 
dos trabalhadores no ambiente laboral) e serviu como marco para as atividades de 
segurança no Brasil, garantindo assistência e indenizações pelas consequências dos 
acidentes de trabalho. Atualmente, a assistência previdenciária é regulamentada pelo 
Decreto nº 61.784/67 (Brasil, 1967) e pela Lei n0 6367/76 (Brasil, 1976), que revogou a Lei nº 
5.316/67, ao integrar o seguro de acidentes de trabalho na Previdência Social.
Reflita
Uma criança encontrou uma chave de fenda no chão e resolveu 
brincar com a ferramenta enquanto seu pai trocava o pneu do carro. 
A ferramenta rolou para debaixo do automóvel no momento em que o 
pai descia o macaco hidráulico, deixando a criança presa debaixo do 
carro. De quem é a culpa se a criança se ferir? Da criança que estava 
brincando? Da mãe que não prestou atenção na criança enquanto o 
pai trocava o pneu? Do pai que desceu o carro sem se atentar para o 
ambiente a sua volta? Agora vamos mudar de cenário. E se não fosse 
uma criança e sim um trabalhador? E se não fosse o pai e a mãe, e sim a 
empresa? De quem seria a culpa? Do trabalhador que não deveria estar 
ali? Ou do operador que movimentou a carga sem verificar as condições 
do ambiente?
8
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Por causar sofrimentos pessoais, além de despesas nas esferas pública e privada, os 
governantes e empresários se mos- tram empenhados na busca de soluções que 
contribuam para a prevenção de acidentes.
Alguns personagens se destacam nessa história, como o Serviço Especializado em 
Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT e a Comissão Interna de 
Prevenção de Acidentes – CIPA. O SESMT representa a empresa e é o serviço no 
qual encontramos o engenheiro de Segurança do Trabalho. A CIPA é composta por 
representantes dos empregados e do empregador e tem a responsabilidade de auxiliar 
o SESMT nas atividades prevencionistas, garantindo que os direitos dos trabalhadores 
sejam respeitados e os deveres dos empregadores sejam cumpridos.
No Brasil, uma parte substancial dos custos com acidentes de trabalho impacta na 
gestão econômica do sistema previdenciário, por isso, a Previdência Social também 
tem um papel importante quanto aos acidentes, por meio da concessão do seguro 
previdenciário.
E, por último, a população também está presente neste cenário, ao pagar por produtos 
e serviços nos quais se encontram embutidos os custos com acidentes.
Importante
O aumento no número de acidentes de trabalho no Brasil após o início 
da Segunda Guerra Mundial levou alguns empresários a fundarem a 
Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes (ABPA). Uma iniciativa 
que, embora não tivesse um peso legal nas ações de prevenção de 
acidentes do trabalho, teve amplo valor social.
9
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Tipos de acidentes de trabalho
O acidente de trabalho pode ser definido pelo conceito legal previdenciário, no qual 
estabelece o que pode ser considerado acidente de trabalho e doença do trabalho, 
bem como os benefícios que o acidentado terá direito com base na comprovação do 
nexo causal.
 
A legislação previdenciária, Lei nº 8.213/91, em seu Artigo nº 19, define acidente de trabalho 
como aquele que pode ocorrer pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, 
provocando lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause morte, perda ou 
redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. São considerados 
acidentes do trabalho:
• Acidentes típicos – acidentes decorrentes da característica da atividade profissional 
desempenhada pelo acidentado.
• Acidentes de trajeto – acidentes ocorridos no trajeto entre a residência e o local de 
trabalho do segurado e vice-versa.
• Acidentes devido à doença doou a interdição, 
até expedição de termos de notificação e multas com o amparo legal determinado na 
Norma Regulamentadora NR3 (ENIT, 2016). No entanto, como o Brasil é considerado um 
país de extensão continental, o efetivo da DRT ainda é incipiente para cobrir de forma 
eficaz todas as empresas nos seus diversos municípios.
Ainda por parte do governo, temos o Ministério da Saúde
• MS, que por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
• Anvisa, também possui papel preponderante na fiscalização da segurança sanitária, 
saúde e segurança dos trabalhadores dos estabelecimentos cujos produtos e serviços 
possam oferecer algum tipo de risco, tanto para os consumidores quanto para os 
profissionais responsáveis por esses produtos. A Rede Nacional de Atenção Integral 
à Saúde do Trabalhador – Renast, é um sistema de informações sobre acidentes 
do trabalho organizado com o propósito de implementar ações assistenciais, de 
vigilância, prevenção e de promoção da saúde, na perspectiva da ST.
Em relação à responsabilidade que envolve os custos do acidente, compete à Previdência 
Social arcar com os custos referentes aos benefícios previdenciários decorrentes dos 
acidentes do trabalho. Os trabalhadores segurados que possuem carteira assinada 
recebem diretamente do empregador – inclusive doméstico – os valores referentes 
aos primeiros 15 dias. À Previdência Social cabe o pagamento a partir do 16º dia de 
afastamento. Após esse período, o ônus dos acidentes passa para os contribuintes, por 
meio da Previdência Social, que utiliza os recursos provenientes das contribuições dos 
trabalhadores e das empresas.
50
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
ATENÇÃO: toda indenização ou todo benefício previden- ciário decorrente de exposição 
a agentes agressivos e redução da capacidade laborativa somente é paga pela 
Previdência Social depois de comprovada a incapacidade reduzida em avaliação 
pericial.
Os sindicatos apresentam importantes responsabilidades diante da possibilidade de 
ocorrência dos acidentes de trabalho, como exigir correção dos riscos nas empresas; 
fiscalizar a plena efetividade da implantação das normas e acordos que visem melhorias 
no campo da prevenção, estimular a criação de comissões de segurança e saúde nos 
locais de trabalho e em suas dependências; exigir e participar de programas oficiais e 
alternativos de fiscalização em segurança e medicina do trabalho; manter programas 
educacionais, disseminando a ideia de que, para os trabalhadores, melhor do que 
receber um adicional de insalubridade de valor minúsculo é executar suas atividades 
em um ambiente seguro e saudável.
Na esfera criminal, o Ministério Público Estadual – MPE é responsável pelas ações, por 
ser o detentor do monopólio da ação penal pública, o que ocorre na possibilidade de o 
empregador vir a ser responsabilizado criminalmente pela ocorrência de acidente do 
trabalho.
Na empresa, a CIPA é uma comissão composta por representantes do empregador e 
dos empregados, e é um instrumento que os trabalhadores dispõem para tratar da 
prevenção de acidentes do trabalho, das condições do ambiente do trabalho e de todos 
os aspectos que afetam sua saúde e segurança.
A CIPA é regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nos artigos 162 a 
165 e pela Norma Regulamentadora 5 (NR-5), contida na Portaria nº 3.214 de 8 de junho 
de 1978 baixada pelo Ministério do Trabalho. As atribuições básicas de uma CIPA:
• Investigar e analisar os acidentes ocorridos na empresa.
• Sugerir as medidas de prevenção de acidentes julgadas necessárias por iniciativa 
própria ou sugestão de outros empregados e encaminhá-las ao presidente e ao 
departamento de segurança da empresa.
Essas medidas, quando bem aplicadas, evitam os acidentes, e são eficazes na redução 
dos custos para os responsáveis por eles.
51
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
Resumindo
Viram como os acidentes de trabalho podem ser um grande transtorno 
para o governo, os empresários e os trabalhadores? Caso tenha ficado 
alguma dúvida, vamos fazer uma breve revisão. Os trabalhadores 
acidentados ficam expostos à redução de sua renda familiar, limitações 
físicas, emocionais e sociais. Além disso, algumas vezes desenvolvem a 
insegurança, que pode se tornar um fator de causa de novos acidentes. 
Para a empresa e para o governo, os custos podem ser percebidos nas 
tarifações tributárias, como o NEST, FAT E SAT, que acabam refletindo no 
valor final da produção. O governo, por sua vez, tem os ônus de custear 
os auxílios de acidentados, sobrecarregando o sistema previdenciário. 
E a culpa é de quem? Bom, não podemos estabelecer um culpado, 
por isso, cada uma precisa fazer a sua parte para evitar que os custos 
com os acidentes de trabalho sobrecarreguem ainda mais o governo, 
a empresa, os trabalhadores e a sociedade, garantindo que os 
trabalhadores tenham seu direito à qualidade de vida garantido dentro 
e fora do ambiente de trabalho.
52
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho
Referências
BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. Introdução à engenharia: conceitos, ferramentas e comportamentos. 
Trinidade: Editora UFSC, 2006.
BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do 
Trabalho. Diário Oficial da União. Brasília (DF), 9 ago. 1943.
BRASIL. Decreto nº 61.784, de 28 de novembro de 1967. Aprova o Regulamento do Seguro 
de Acidentes de Trabalho. D i á r i o Oficial da União. Brasília (DF), 29 nov. 1967.
BRASIL. Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976. Dispõe sobre o seguro de acidentes do 
trabalho a cargo do INPS e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília (DF), 
21 dez. 1976.
BRASIL. Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Título II da 
Consolidação das Leis do Trabalho, relativo a segurança e medicina do trabalho. Diário 
Oficial União, Brasília (DF), 23 dez. 1977.
BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da 
Previdência Social e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 25 jul. 1991. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 7 out. 
2020.
ESCOLA NACIONAL DE INSPEÇÃO DO TRABALHO (ENIT). NR 4: serviços especializados em 
engenharia de segurança e em medicina do trabalho. 2016. Disponível em: https://enit.
trabalho. gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-04.pdf. Acesso em: 2 out. 2020.
 
GERMANO, A. SST e inovação tecnológica: o que você precisa saber sobre Segurança 
e Saúde no Trabalho na Indústria 4.0. Saúde na empresa, 2019. Disponível em: 
https://saudenaempresa.sesirs. org.br/sst-o-que-voce-precisa-saber-sobre-na-
industria-4-0/. Acesso em: 17 dez. 2020.
53
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Referências
SMARTLAB. Frequência de notificações – CAT. Observatório de Segurança 
e Saúde no Trabalho, 2020. Disponível em: https:// smartlabbr.org/sst/
localidade/0?dimensao=frequenciaAcidentes. Acesso em: 28 nov. 2023.
SOARES, V. Diagrama de Ishikawa: o que é, para que serve e como usar. Na Prática, 11 
out. 2022. Disponível em: https://napratica. org.br/diagrama-de-ishikawa/. Acesso em: 
28 nov. 2023.
54
	Acidentes: causas de acidentes
	Cenário do acidente de trabalho
	Tipos de acidentes de trabalho
	Efeitos do acidente de trabalho
	Ato inseguro
	Ato inseguro
	Características do fator pessoal de insegurança
	Como controlar o fator pessoal
	Consequências do fator pessoal
	Condições de insegurança do ambiente
	Condição insegura
	Característica do ambiente – Análise de Risco
	Investigação de acidente
	Consequências do acidente de trabalho
	Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social
	Custos do acidente
	Responsabilidade do acidente
	Referênciastrabalho – acidentes ocasionados por qualquer tipo de 
doença profissional peculiar a determinado ramo de atividade constante na tabela 
da Previdência Social (Brasil, 1991).
O Artigo nº 20 da legislação supracitada considera acidente de trabalho:
• Doença profissional, assim entendida quando produzida ou desencadeada pelo 
exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva 
relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.
• Doença do trabalho, assim entendida quando adquirida ou desencadeada em 
FIGURA 1
Equipamento de Segurança no Trabalho
FONTE
Freepik
10
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione 
diretamente, constante da relação mencionada no Inciso I.
 
Esta lei, em seu Artigo nº 21, também equipara os acidentes do trabalho às seguintes 
situações:
• Acidente ligado ao trabalho que tenha contribuído diretamente para a morte 
do segurado, ou para a perda ou redução de sua capacidade para o trabalho, 
ou produzindo lesão que exija acompanhamento médico durante o período de 
recuperação.
• Acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência 
de: agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de 
trabalho; ofensa física intencional por motivo de disputa relacionada ao trabalho; 
imprudência, negligência ou imperícia de terceiros ou companheiro de trabalho; 
ato de pessoa privada do uso da razão; desabamento, inundação, incêndio e outros 
casos fortuitos ou decorrentes de força maior.
• Doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua 
função.
• Acidentes sofridos, ainda que fora do local e horário de trabalho, nas seguintes 
situações: na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da 
empresa; na prestação espontânea de qualquer serviço prestado à empresa, viagem 
a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiado pela mesma, como 
meio de capacitação de mão-de-obra; no percurso da residência para o local do 
trabalho ou deste para aquele (Brasil, 1991).
FIGURA 2
Acidente de trabalho
FONTE
Freepik
11
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Na visão prevencionista, os incidentes classificados como acidentes de trabalho são 
situações que envolvem a interrupção ou prejudicam uma atividade ocupacional, 
mesmo que não resultem em lesão ou danos materiais, e por isso devem receber 
atenção e gerenciamento para que possam ser eliminados, reduzidos ou controlados.
Causas dos acidentes
Os acidentes de trabalho representam um desafio significativo no mundo laboral, 
impactando na saúde dos trabalhadores, na produtividade das empresas e na 
economia em geral. A compreensão das causas desses acidentes é essencial para 
implementar medidas preventivas eficazes e garantir ambientes de trabalho mais 
seguros. A identificação e análise cuidadosa das causas dos acidentes de trabalho são 
fundamentais para criar estratégias de prevenção, promovendo ambientes laborais 
mais seguros e protegendo o bem-estar dos trabalhadores.
Sabe quem voltou para nos ajudar? ELIS (Engenheira Líder em Segurança). Vamos ver o 
que ela tem para nos contar!
Importante
A reforma trabalhista, instituída pela Lei nº 13.467/2017, promoveu 
alterações na abrangência do acidente de trajeto, quando retirou 
do computo da jornada de trabalho o tempo de deslocamento do 
trabalhador de sua residência até o trabalho, gerando polêmica acerca 
do tempo que o funcionário está em seu trajeto em deslocamento para 
ou da empresa não ser considerado tempo à disposição do empregador. 
Essa situação ainda dá margem para interpretações variadas, mas a 
interpretação majoritária é no sentido de não considerar acidente de 
trabalho, salvo em situação específica em que o acidente acontece 
durante a realização de um trabalho externo, porque o período, neste 
caso, é tempo à disposição do empregador. Com isso, a princípio, se 
um acidente de trajeto acontece, o funcionário acidentado tem direitos, 
mas perde alguns benefícios que são característicos do acidente de 
trabalho.
12
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
EXEMPLO: durante um apagão de energia ocorrido na empresa, um operador de máquinas 
resolveu realizar uma limpeza nas engrenagens da máquina em que trabalhava. Com 
o restabelecimento da energia, a máquina voltou a funcionar, lesionando o braço do 
operador, que precisou ter seu membro amputado. Ao relatar o ocorrido, o engenheiro 
deverá informar que houve um ato inseguro ou uma condição insegura?
A forma mais direta de descobrir a causa do acidente é respondendo algumas perguntas: 
o que fez com que o fato ocorresse? A falta de energia? O retorno da energia? O fato 
de o operador estar realizando uma operação da qual não foi autorizado? A máquina 
voltar a funcionar sem que o operador a tenha ligado? Quando respondemos essas 
perguntas, encontramos os antecedentes que fizeram o acidente ocorrer.
Entenda que, em todas as respostas, podemos relacionar direta ou indiretamente a 
presença humana. Sendo assim, podemos citar várias causas ligadas aos acidentes 
de trabalho, que são basicamente separadas em dois grupos: ato inseguro e condição 
insegura.
O ato inseguro é o ato praticado pelo homem, em geral consciente do que está fazendo, 
que está contra as normas de segurança. São exemplos de atos inseguros:
• Subir em telhado sem cinto de segurança contra quedas.
• Ligar tomadas de aparelhos elétricos com as mãos molhadas.
• Dirigir em alta velocidade.
O outro grupo de causas de acidentes de trabalho é o de condição insegura, ou seja, a 
condição do ambiente de trabalho que oferece perigo e/ou risco ao trabalhador. São 
exemplos de condições inseguras:
• Instalação elétrica com fios desencapados.
• Máquinas em estado precário de manutenção.
• Andaime de obras de construção civil feitos com materiais inadequados.
Os fatores pessoais também podem contribuir para a ocorrência de acidentes, devido 
ao comportamento humano individual e característico, que propicia essas ocorrências. 
13
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
São exemplos:
• Doenças na família.
• Excesso de horas trabalhadas.
• Problemas conjugais.
Os fatores pessoais associados ao meio nos quais os trabalhadores são expostos a 
perigos e risco precisam ser controlados com a gestão de segurança, pois são a origem 
dos acidentes de trabalho e podem ocasionar lesão parcial, permanente e até mesmo 
o óbito, além de danos ao meio, como mostra a sequência abaixo:
Analisando o caso que a ELIS nos apresentou, podemos identificar fatores pessoais que 
contribuíram para a ocorrência do acidente, ou seja, o operador realizando a atividade 
sem autorização, o que caracteriza um ato inseguro. A inaptidão do trabalhador pode 
ser uma explicação para a causa de acidentes de trabalho, quando os profissionais 
escolhem ou aceitam realizar trabalhos para os quais não estão preparados. Em 
relação aos fatores ambientais, a máquina que não apresenta uma trava que impeça 
que ela volte a funcionar sem que o operador dê o comando se caracteriza como 
condição insegura. Sendo assim, os acidentes podem ocorrer por fatores isolados ou 
associados. A condição insegura pode ocorrer por erros administrativos, técnicos, falta 
de conhecimento ou má avaliação dos riscos e perigos, podendo ser causa direta ou 
indireta da ocorrência de acidentes.
Uma ferramenta de gestão usada na investigação de causas de acidentes é o diagrama 
de causa e efeito, auxiliando na análise e na identificação das potenciais causas de 
FIGURA 3
– Ato inseguro é toda conduta ou comportamento que gera de uma decisão
desnecessária a ocorrências de acidentes
FONTE
Elaborado pela autoria (2023)
14
Introdução à Engenharia de Segurança do TrabalhoAcidentes: causas de acidentes Capitulo 1
variação do processo ou da ocorrência de um fenômeno, bem como da forma como 
essas causas interagem entre si.
O diagrama de causa e efeito, frequentemente chamado de “Diagrama de Ishikawa” ou 
“Diagrama Espinha de Peixe”, é uma ferramenta gráfica utilizada para explorar e exibir as 
possíveis causas de um problema específico e o seu efeito. Criado por Kaoru Ishikawa, 
este diagrama é uma ferramenta essencial em processos de controle de qualidade e 
análise de falhas.
Na estrutura do diagrama:
• Efeito (problema): localizado no lado direito do diagrama, representa o problema ou 
condição que precisa ser estudada.
• Espinha principal: é a linha horizontal que conduz ao efeito.
• Espinhas secundárias (causas principais): são as linhas que se projetam a partir da 
espinha principal e representam as principais categorias de causas que contribuem 
para o efeito. Em muitos casos, usa-se a abordagem 6M (Método, Máquina, Medição, 
Meio Ambiente, Material e Mão de Obra) para categorizar as causas principais, 
especialmente em ambientes industriais.
• Espinhas terciárias (causas secundárias): projetam- se das espinhas secundárias e 
representam causas mais específicas que conduzem ao efeito indesejado.
FIGURA 4
Diagrama de Ishikawa
FONTE
Ishikawa (1943 apud 
Soares 2022)
15
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Aplicações e benefícios:
• Identificação de causas: o diagrama auxilia as equipes a explorarem todas as 
possíveis causas de um problema, evitando que se concentrem em uma solução óbvia 
ou imediata.
• Análise em grupo: facilita discussões em grupo, permitindo que todos os membros 
da equipe contribuam com sua perspectiva e conhecimento.
• Visualização: fornece uma representação gráfica que pode tornar mais fácil 
entender a relação entre as causas e o problema em questão.
• Priorização: ao visualizar todas as possíveis causas, as equipes podem identificar 
e priorizar as áreas que requerem intervenção.
• Documentação: serve como um registro visual das investigações realizadas sobre 
um problema, útil para treinamentos ou revisões futuras.
Como criar um diagrama de causa e efeito?
1. Defina claramente o problema ou efeito e coloque-o à direita do diagrama.
2. Desenhe a espinha principal.
3. Identifique as causas principais e conecte-as à espinha principal.
4. Para cada causa principal, identifique causas secundárias ou mais específicas.
5. Revise e refine o diagrama com a equipe.
Ao utilizar o diagrama de causa e efeito, as organizações podem adotar uma abordagem 
mais sistemática e abrangente para a resolução de problemas, garantindo que todas 
as possíveis causas sejam consideradas antes de implementar soluções.
Efeitos do acidente de trabalho
Quando alguém dirige falando ao celular e causa uma colisão sem vítimas, logo pensa: 
“vou acionar o seguro”. Mesmo tendo uma seguradora para cobrir acidentes de carro, 
sabemos que serão dias difíceis até consertar, em caso de perdas parciais, ou receber 
outro carro, em casos de perda total. E se nesse acidente houver vítimas não fatais, mas 
que ficaram hospitalizadas? Acidentes com vítimas fatais então...terão efeitos para uma 
vida inteira.
Analogia igual pode ser feita com acidentes de trabalho, com consequências para as 
pessoas envolvidas, que podem ficar incapacitadas parcialmente ou totalmente ao 
16
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
trabalho; para a empresa que perderá a mão de obra, material e elevará os custos 
operacionais para a sociedade e com o aumento no número de beneficiários e 
diminuição do número de contribuintes ao sistema previdenciário. Isso nos leva a afirmar 
que os efeitos de um acidente serão sempre negativos em aspectos humanos, sociais 
e econômicos.
Além dos efeitos materiais é preciso avaliar os efeitos psicológicos negativos envolvendo 
os sentimentos humanos das vítimas diretas ou de qualquer pessoa envolvida no meio 
que ocorreu o acidente. Esses efeitos podem ser imediatos em uma pessoa da equipe 
ou podem acontecer a médio e longo prazo, chegando a envolver uma equipe inteira, 
o que em todos os casos levará a perdas significativas no processo, podendo vir a se 
tornar um fator humano causador de novos acidentes.
Os programas de prevenção e controle de perdas geradas pelos acidentes é um 
investimento feito pelas empresas para reduzir os custos e efeitos causados pelos 
acidentes.
O objetivo desse programa está ligado aos fatores humanos, a fim de diminuir o 
afastamento do trabalho, mas principalmente em reduzir os efeitos causados no 
processo, como garantir a qualidade do produto final durante o processo de fabricação, 
ou seja, não ter que refazer os padrões na linha de produção, pois a qualidade está 
ligada a todo o processo, incluindo os trabalhadores, além de manchar a imagem das 
empresas com seus clientes e parceiros de negócio.
O relacionamento com os clientes e parceiros pode ser afetado pela ocorrência de 
acidentes de trabalho quando os efeitos do acidente impactam no cumprimento de 
prazos e na capacidade da empresa de produzir na quantidade esperada. O atraso na 
entrega ou a entrega em uma quantidade inferior à contratada é um efeito negativo 
para a imagem da empresa e para os custos da produção, que podem aumentar na 
tentativa de compensar o tempo perdido.
 
Quando os efeitos são gerados causando danos à máquina e aos equipamentos, os 
custos podem ficar ainda mais altos para a empresa, por isso a gestão de segurança 
preventiva é tão importante, baseada em um plano de manutenção contínuo, mediante 
manutenções preventivas, programadas e, caso necessário, reparadoras para máquinas 
e equipamentos.
17
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Acidentes: causas de acidentes Capitulo 1
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o 
tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você 
deve ter aprendido que os acidentes e incidentes de trabalho podem 
acontecer em decorrência da atividade laboral, causando lesões ou 
doenças, que podem ser doenças profissionais ou doenças do trabalho. 
Estes podem ser causados por fatores humanos atrelados às condições 
do meio, configurando um ato inseguro; ou condições inseguras, que 
terão efeitos humanos, sociais e econômicos. A gestão de segurança 
tem como objetivo controlar os efeitos e as causas do acidente e, 
consequentemente, evitar que ocorram.
18
@faculdadelibano_
2
Ato 
inseguro
19
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 2
Ato inseguro
Ato inseguro
Quando relatamos um acidente de carro, uma explosão de um posto de combustível 
ou o desabamento de uma encosta sobre casas, sempre nos perguntam: “De quem 
é a culpa?”. A definição para acidente de trabalho não é encontrada em legislação 
ou dicionário, pois ela só contempla as causas ou os culpados pelo inoportuno 
acontecimento. Logo, é preciso compreender as causas do acidente de trabalho para 
poder defini-lo. Vamos analisar os fatores que, combinados ou não, são responsáveis 
direta ou indiretamente pelos acidentes e pelas doenças no ambiente de trabalho.
Os atos inseguros podem estar presentes no ambiente de trabalho de várias maneiras, 
pois esta é a forma como o ser humano se relaciona com o perigo. Podem ocorrer de 
forma inconsciente, quando o ser humano desconhece o perigo ao qual está sendo 
exposto; consciente, quando o ser humano reconhece o perigo que está exposto; ou 
ainda circunstancial, quando algum fator inesperado leva o indivíduo a se expor ao 
perigo, mesmo tento o reconhecido.
Vamos chamar a ELIS para nos ajudar com sua experiência a evidenciar situações 
relacionadas a atos inseguros?
EXEMPLO: um motorista de caminhão, ao passar pelo posto da polícia rodoviária, acelera 
o veículo propositalmente para evitar que seja parado para verificação dos documentos. 
Seumedo é que a polícia identifique que sua habilitação não é compatível ao tipo de 
Objetivos
Ao final deste capítulo, esperamos que você reconheça os fatores 
humanos com potencial para causarem acidentes de trabalho por meio 
de atos inseguros, suas causas e consequências. E então? Preparado 
para desenvolver essa competência? Vamos lá!
20
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
veículo que está conduzindo. Para escapar do cerco, ele acaba colidindo com o canteiro 
central, ocasionando um acidente de trabalho sem vítimas fatais.
A ELIS relata que, ao dirigir sem habilitação e acelerar o veículo acima da velocidade 
permitida, o motorista cometeu um ato inseguro consciente, considerando que foi 
devidamente treinado para exercer sua função.
Digamos que, neste mesmo acidente, o veículo fosse tomado pelo fogo e que o ajudante 
do motorista, ao ver seu companheiro preso dentro de veículo, se lançasse em meio às 
chamas para salvar o companheiro de trabalho. Neste caso, a ELIS define como um ato 
inseguro circunstancial, em que, para salvar o companheiro, o ajudante se expôs a um 
perigo que ele reconhecia.
Além dos exemplos apresentados, outras situações se destacam como mais frequentes 
em um processo de produção. São elas:
• Em atividades com movimentação de carga suspensas por diferentes equipamentos 
(grua, guindaste, pontes ou cordas), o trabalhador, por falta de informação ou 
desobediência às regras de segurança, se posiciona próximo ou sob a carga em 
movimentação.
• Operadores de máquinas e equipamentos que colocam parte do corpo, principalmente 
membros superiores, em contato com engrenagens, pontos de esmagamento e 
superfícies energizadas, levando a lesões leves ou até à amputação do membro.
 
O treinamento e a capacitação são medidas de controle fundamentais para instruir 
os trabalhadores e reduzir a ocorrência de acidentes de trabalho por ato inseguro 
inconsciente, quando o trabalhador não tem conhecimento do risco, por isso, realizar uma 
atividade com máquina e equipamentos sem a devida habilitação/autorização pode 
causar acidentes de trabalho, assim como realizar manutenção e reparo em máquinas 
ou equipamentos em funcionamento. Logo, alguns pontos devem ser considerados:
• Os dispositivos de segurança também podem se tornar fatores de risco quando 
utilizados de forma incorreta, para fins que não foram projetados.
• Não utilizar dispositivos de segurança individual quando este for indispensável para o 
controle do risco também é uma causa comum de acidentes.
• Os agentes de risco químico e biológico são causas frequentes de acidentes de 
trabalhos quando são mal manipulados ou expostos a elementos reativos, como o 
uso de chamas ou fumar próximo a produtos inflamáveis.
21
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Características do fator pessoal de insegurança
Os seres vivos que vivem em agrupamentos estabelecem regras, mesmo que não 
sejam repassadas em linguagem verbal. Um exemplo são os animais que delimitam as 
regras em seus bandos. Os gorilas vivem em bandos que são liderados por um macho 
dominante que toma as decisões sobre quando seu grupo acorda, come, se desloca 
e descansa à noite. Como ele deve proteger sua família em todos os momentos, esse 
gorila líder tende a ser o mais agressivo. Em algumas situações, ele bate com as duas 
mãos no peito quando percebe alguma ameaça, para afastar o perigo.
Para os seres humanos, as regras foram um marco na evolução, que servem de 
prescrições específicas de disciplina, podendo ou não ter um significado jurídico. As 
regras são usadas para evitar acidentes no trabalho e prevenir doenças ocupacionais. 
Segundo o Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho (Smartlab, 2022) foram 
notificados 612.900 de acidentes em 2022, sendo 2.500 acidentes fatais.
FIGURA 5
Dados sobre 
notificações de 
acidentes de trabalho
FONTE
Smartlab (2022)
22
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
O acidente de trabalho gera danos materiais à comunidade, ocasionando o aumento 
do custo de vida e dos impostos, insatisfação com falta de condições de trabalho e 
diminuição de pessoas produtivas. É indispensável entendermos porque ocorrem 
acidentes de trabalho para podermos evitar os mais diversos tipos de prejuízos.
Todo ser humano tem características pessoais, físicas, sociais ou mentais, que podem 
interferir direta ou indiretamente no trabalho. Quando essas características interferem 
negativamente, provocando atos inseguros, dá-se o nome de fator pessoal de 
insegurança.
Podemos destacar os principais fatores humanos que levam à prática de atos inseguros. 
Desconhecer um risco dentro do ambiente ocupacional pode ser comparado a uma 
criança que brinca com um fósforo aceso perto de um vidro de álcool. Trata- se de 
algo aparentemente inofensivo aos olhos da criança, que desconhece o resultado da 
reação. No caso da criança, cabe aos pais e responsáveis explicarem o perigo envolvido 
ao aproximar a chama e um material inflamável e retirar o perigo das mãos da criança. 
No ambiente de trabalho, essa orientação deve ser feita pelo profissional prevencionista 
que, ao passar uma ordem de serviço, deve evidenciar cada risco e perigo relacionado 
à atividade e apresentar ao trabalhador a devida forma de se proteger. A informação é 
uma arma fundamental para evitar acidentes, assim com a falta de informação pode 
levar à ocorrência de acidentes do trabalho.
Saiba Mais
Quer conhecer mais sobre os dados e estatísticas de SST no Brasil? 
Acesse o site do Observatório de Segurança do Trabalho, disponível aqui.
23
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
O desconhecimento pode ser por falta de orientação do profissional prevencionista, 
mas também por falta de preparo para o trabalho. Trabalhadores sem capacitação ou 
formação profissional, utilizando-se do notório saber, muitas vezes utilizam de gambiarras 
e improvisos, na tentativa de ganhar tempo, por desleixo com a atividade realizada ou 
por desconhecer a forma adequada de resolução do problema. Por isso, verificar a 
formação profissional antes da contratação, assim como disponibilizar programas de 
capacitação e treinamento são importantes aliados contra os acidentes de trabalho.
Problemas de ordem social também podem ser apontados, como fatores pessoais, 
excesso de confiança ou exibicionismo, como forma de autoafirmação. Os problemas 
de ordem financeira, como dívidas; falta de oportunidades para si e para sua família, que 
podem gerar brigas conjugais; uso descontrolado de drogas lícitas e ilícitas associadas 
a uma extrema pressão emocional podem resultar em ataques de estresse e histeria e 
também contribuem para os fatores pessoais.
Todos esses fatores, atrelados ao meio em que o trabalhador exerce sua função, podem 
levar a atos inseguros e, por consequência, a acidentes de trabalho e por isso precisam 
ser observados, acompanhados e controlados, reduzindo o número de acidentes de 
trabalho.
 
Como controlar o fator pessoal
Nós vimos que os seres humanos podem se tornar verdadeiras bombas-relógio, prontas 
para explodir. E agora, o que o profissional prevencionista pode adotar nos ambientes 
de trabalho para evitar que essa bomba exploda?
FIGURA 6
Os fatores humanos podem causar danos 
semelhantes a uma bomba
explodindo
FONTE
Freepik
24
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Vamos conhecer algumas ações que deverão ser adotadas nos ambientes de trabalho, 
objetivando conter os efeitos de fatores pessoais relacionados à ocorrência de acidentes 
de trabalho.
Vimos que a falta de qualificação profissional é um fator atrelado à falta de aptidão, 
que pode contribuir para a ocorrência de acidentes de trabalho, por isso, as empresas 
devem estar atentas desde o processo de contratação do trabalhador, selecionando 
profissionais devidamente habilitados, sem permitir que sejam feitas contrataçõesde 
forma arbitrária ou por indicações, sempre verificando os dados fornecidos por cada 
candidato selecionado.
No entanto, além da documentação apresentada, o trabalhador que comprove sua 
formação por meio do ensino formal e/ou profissionalizante, deve apresentar outros 
requisitos que demonstrem suas habilidades e competências para desenvolver a 
atividade para o qual foi contratado, como condições físicas e emocionais, aptidão 
para o trabalho, caráter idôneo, respeito à cultura prevencionista da empresa, ou seja, 
o trabalhador não pode considerar as ações de segurança como uma banalidade 
desnecessária.
O SESMT tem uma participação importante após a seleção e contratação do trabalhador, 
que se inicia no momento da integração. Nesse momento, o trabalhador deve se sentir 
parte da equipe na qual irá desenvolver seu trabalho. O papel dos gestores e profissionais 
prevencionistas é importante na recepção e no acompanhamento dos trabalhadores 
desde sua chegada.
O acompanhamento deve ter como objetivo introduzir, no dia a dia do trabalhador, a 
importância de vivenciar a política prevencionista proposta pela empresa, com o auxílio 
de medidas educacionais, por meio do planejamento e da execução de treinamentos 
e capacitação dos trabalhadores. Os treinamentos devem ocorrer não apenas para o 
cumprimento da legislação, mas como parte da formação continuada dos trabalhadores, 
de forma programada e periódica e até mesmo diariamente, pelo Diálogo Diário de 
Segurança (DDS) ou palestras que podem ocorrer de forma planejada ou durante a 
Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT), organizada pela CIPA com o apoio 
do SESMT.
25
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Para a SIPAT atingir seu objetivo, deve ser encarada como uma importante ferramenta 
para informar aos trabalhadores sobre a segurança e a saúde no ambiente de trabalho 
e em casa.
Durante a SIPAT, a empresa pode informar, atualizar e reforçar temas voltados para a 
saúde do trabalhador e contra acidentes de trabalho, abordando os fatores pessoais 
por meio de dinâmicas e ações psicossociais (ENIT, 2016).
Além da educação via comunicação verbal, podemos usar também cartazes e 
sinalizações, por exemplo. Em tempos de indústrias inteligentes, o uso da tecnologia 
é uma ferramenta de comunicação que consegue gerar valores e atingir um número 
maior de trabalhadores, com mais interatividade. O uso de comunicação por correio 
eletrônico, videoconferências, simuladores e mídias digitais são formas de gerar 
educação prevencionista na indústria 4.0.
As medidas médicas, mediante acompanhamento periódico dos trabalhadores, são 
aliadas na redução de causas e fatores pessoais ligados ao acometimento de limitações 
pessoais, físicas ou cognitivas. A incapacidade física pode não ser detectada nos exames 
admissionais, desenvolvendo-se tardiamente em função de fatores genéticos, como 
a gradativa perda de visão e audição ou a redução da capacidade física. Problemas 
neurológicos, como ataques epiléticos, podem causar problemas durante a execução 
do trabalho com segurança, pois durante um ataque epilético o indivíduo não tem 
controle sobre seus movimentos, com contínuos espasmos musculares, que podem 
causar acidentes de trabalho.
Você Sabia?
Em 1953 foi publicado o Decreto-Lei nº 34.715, que oficializa uma semana 
dedicada a atividades sobre a segurança no trabalho, a SIPAT, realizada 
na última semana de novembro de cada ano. Posteriormente, a SIPAT 
foi consolidada pela NR 5 como um evento anual obrigatório que deve 
ser implementado pela CIPA em todas as empresas, em conjunto com 
o SESMT.
26
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
As medidas psicológicas atreladas a um acompanhamento prevencionista planejado 
podem contribuir para diminuir os efeitos dos fatores pessoais em causas de acidentes 
de trabalho, principalmente por meio de motivação e estímulo da autoestima e 
confiança do trabalhador na sua relação com a empresa, com os colegas e nas relações 
interpessoais.
Listamos as ações de prevenção de acidentes de trabalho na Imagem 3.7:
Você Sabia?
A ciência já comprovou que algumas pessoas podem apresentar 
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma 
condição que geralmente se apresenta na primeira infância, mas que 
muitos, por falta de informação ou resistência ao tratamento, não são 
diagnosticados e tratados. No ambiente ocupacional, esse transtorno 
pode se apresentar por meio da falta de foco, perda de concentração e 
impulsividade.
FIGURA 7
Sequência de ações para reduzir o número de acidentes do 
trabalho causado por fatores pessoais
FONTE
Elaborada pela autoria (2023)
27
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Consequências do fator pessoal
Olha quem chegou para nos ajudar a compreender melhor as consequências que os 
fatores pessoais causam em acidentes de trabalho!
EXEMPLO: ao ser acordada durante a noite, a ELIS respira fundo ao perceber que quem 
está ligando é um bombeiro, informando que houve uma grave explosão seguida de 
um incêndio no hospital em que ela trabalha e que até o momento existe risco de o 
fogo se propagar e atingir outras alas do hospital. Imediatamente, a ELIS aciona os 
gestores de plantão para saber se foi feita a evacuação do prédio, como indicado no 
plano de emergência, garantindo a sobrevivência dos pacientes e dos trabalhadores. 
Ela descobre que o incêndio foi causado durante a troca de turno na lavanderia, quando 
o trabalhador que saía do plantão esqueceu de desligar a secadora, levando a um 
superaquecimento e consequente incêndio. O trabalhador que deixou a secadora ligada 
já está em casa, seguro.
Como podemos observar no relato da ELIS, o profissional que não desligou a secadora 
está seguro em casa, enquanto os trabalhadores do turno e os pacientes do hospital 
estão em risco de morte, mesmo com o plano de evacuação realizado com eficiência.
Quando ocorre um acidente de trabalho, podemos considerar várias consequências 
que podem variar desde pequenos ferimentos até a perda da vida humana.
Além das consequências para as vítimas, devemos considerar também os efeitos a curto, 
médio e longo prazo dos tratamentos e protocolos que serão realizados pelas vítimas, 
muitas vezes dolorosos e que trazem novas consequências como o abalo emocional 
e a discriminação social. Todo sofrimento físico, mental ou social deve ser evitado ou 
reduzido para que não se torne fator pessoal que venha a causar outros acidentes.
28
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Quando a vítima pode retornar às suas atividades de trabalho, mesmo após longos 
tratamentos, as consequências do acidente são classificadas como incapacidade 
parcial, ou seja, a consequência do acidente é a insegurança gerada nas vítimas que 
pode se tornar um fator de ocorrência de novos acidentes.
Outro aspecto que emerge após um acidente de trabalho são as consequências sociais 
para as vítimas que, se impossibilitadas de trabalhar, podem ter uma redução na renda 
familiar por um período, em casos de incapacidade parcial ou temporária. Imagine em 
caso de incapacidade permanente no qual a vítima e sua família têm sua realidade 
socioeconômica alterada repentinamente, afinal, ninguém se prepara para sofrer um 
acidente, mesmo que as vítimas recebam o auxílio garantido por lei.
As consequências econômicas recaem sobre a vítima, mas também sobre a empresa, 
embora ainda existam empresas que não se importem com os efeitos negativos que 
resultam de um acidente de trabalho. Para esta análise, é preciso que a empresa entenda 
que os custos do acidente interferem na qualidade e na quantidade dos serviços 
prestados, no prazo de entrega do produto ou serviço, principalmente se em função do 
acidente a empresa sofre um embargo de suas atividades, danos às máquinas e aos 
equipamentos.
FIGURA 8
A insegurança causada pelas sequelas de um acidente pode deixar otrabalhador suscetível a ocorrência de novos acidentes
FONTE
Elaborada pela autoria (2023)
29
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Ato inseguro Capitulo 2
Em caso de acidentes, as empresas são obrigadas a emitirem a Comunicação de 
Acidente de Trabalho (CAT), informando à previdência social todos os acidentes 
ocorridos com trabalhadores, mesmo que não haja afastamento temporário das 
atividades de trabalho. Outras agências também utilizam esses dados. A International 
Oil and Gas Producers (IOGP) usa a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR) como critério 
para comparar o desempenho das empresas do setor, com objetivo de intensificar a 
concorrência internacional.
Você Sabia?
A NR 3 foi originalmente editada pela Portaria MTb nº 3.214, de 8 de junho 
de 1978, estabelecendo procedimentos para embargo e interdição em 
caso de Grave e Iminente Risco (GIR) à vida e à saúde dos trabalhadores. 
Embargo e interdição são medidas administrativas, de caráter cautelar, 
cuja adoção tem o objetivo de evitar a ocorrência de acidente ou doença 
com lesão grave ao trabalhador, não se tratando de medida punitiva às 
organizações (ENIT, 2016).
Resumindo
Acidente é um problema sério, com fortes impactos econômicos e 
sociais, não é mesmo? E se não entendermos direitinho as causas 
e consequências relacionadas aos fatores pessoais, este problema 
pode ficar ainda maior. Então, vamos resumir aqui as diferentes causas 
relacionadas aos fatores pessoais que podem ocasionar acidentes de 
trabalho, com o afastamento como consequência para a vítima, para a 
sociedade e para a economia, inclusive em relação à economia mundial. 
Entre os principais fatores podemos citar a falta de conhecimento, 
a imprudência, a irritabilidade e até mesmo transtornos cognitivos. 
Como consequências, podem ocorrer pequenas a graves lesões, que 
em função das sequelas e dos tratamentos podem se tornar um fator 
de insegurança, além das consequências sociais, como a discriminação 
e as consequências econômicas, na diminuição da renda familiar.
30
@faculdadelibano_
3
Condições de 
insegurança 
do ambiente
31
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 3
Condições de insegurança 
do ambiente
Condição insegura
Você já aprendeu que os seres humanos podem se tornar um risco para sua própria 
saúde e segurança em função de atos inseguros. Mas será que só os seres humanos 
podem causar acidentes?
Olha para esta tomada atrás do seu aparelho de TV ou do computador. Tem alguma 
possibilidade de surgir um pequeno incêndio nesta tomada devido às condições com 
que ela está sendo utilizada?
E o seu carro? Olhe os quatro pneus. E o pneu reserva? O estepe? Será que estamos 
seguros em andar com o nosso carro com esses pneus, a estrutura, a calibração, o 
tempo de desgaste?
Então, quando a tomada ou o pneu não estão garantindo segurança para você e sua 
família, você precisa troca-los ou adequá-los. No ambiente de trabalho vamos nos 
deparar com situações semelhantes.
Objetivos
Ao final deste capítulo, esperamos que você reconheça as condições 
do meio com potencial para causar acidentes de trabalho, mediante 
condições inseguras, suas causas e consequências. E então? Preparado 
para desenvolver essa competência? Vamos lá!
32
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
As condições do local de trabalho precisam gerar segurança para os trabalhadores; da 
mesma forma, as que não garantem a segurança geram condições inseguras no local 
de trabalho.
 
ATENÇÃO: condições inseguras não devem ser confundidas com perigos presentes no 
ambiente ou inerentes à função do trabalhador, como partes energizadas, produtos ou 
equipamentos usados no desenvolvimento da atividade.
Condições inseguras se referem a qualquer situação ou estado físico presente no 
ambiente de trabalho que aumenta a probabilidade de ocorrência de um acidente ou 
doença ocupacional. Isso inclui equipamentos defeituosos, falta ou inadequação de 
dispositivos de proteção, iluminação insuficiente, ventilação inadequada, entre outros.
As condições inseguras estão presentes no ambiente de trabalho quando os perigos 
identificados na fase de análise de risco não são devidamente controlados, expondo os 
trabalhadores a danos causados por acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais.
Nossa líder ELIS vai nos ajudar a compreender melhor, com um exemplo que ela vivenciou 
em uma indústria de sapatos.
As máquinas e os equipamentos precisam ser alimentados por uma rede energizada, ou 
seja, a corrente elétrica é um perigo presente na atividade de um operador de máquinas.
Durante a inspeção de rotina, a ELIS verificou que a máquina de costura do couro estava 
ligada na tomada, mas que o fio condutor apresentava uma emenda, feita de forma 
FIGURA 9
É importante realizar manutenção 
preventiva de equipamentos e máquinas
FONTE
Freepik
33
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
improvisada, deixando o fio exposto. Ao identificar a condição insegura, a ELIS suspendeu 
a atividade naquela máquina e acionou o setor de manutenção para que efetuasse a 
troca do fio, sem emendas e com todas as partes protegidas, como estabelecido nas 
NR10 e NR12 (ENIT, 2016).
A presença de energia elétrica, por sua capacidade de gerar danos ao trabalhador, 
representa um perigo. No entanto, se esta estiver isolada, sem que o trabalhador tenha 
contato, não causará danos. No caso apresentado, o fio emendado e exposto pode 
causar uma descarga elétrica que pode resultar em danos ao trabalhador, expondo-o 
a uma condição insegura.
Exemplos de condições inseguras:
• Falta de proteção mecânica.
• Máquinas e equipamentos defeituosos ou sem reparo.
• Ambientes com mudança de nível não sinalizada (escadas ou rebaixamento).
• Pisos escorregadios.
• Iluminação inadequada.
• Arranjo físico inadequado.
• Ventilação e exaustão inadequadas.
• Armazenamento e transporte de cargas e pessoas inadequados.
• Passagem obstruída ou sobrecarga das instalações.
• Redes energizadas e tubulações mal planejadas.
Podemos apontar outros fatores que expõem o trabalhador a condições inseguras, como 
operar máquinas e equipamentos sem proteção ou com mecanismos defeituosos. A 
presença ou exposição a agentes químicos (gases, vapores, poeiras) ou físicos (calor, 
radiação) podem gerar condições inseguras, caso a exposição a esses agentes não 
seja devidamente controlada.
Importante
Perigo é a fonte que pode causar um dano inerente à atividade. Risco é o 
perigo controlado. Condição insegura é o perigo que não foi devidamente 
controlado.
34
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
Característica do ambiente – Análise de Risco
Se o perigo existe, por que analisar o risco? Nos ambientes de trabalho, inúmeras 
são as fontes de perigo que são inerentes às atividades desenvolvidas. Uma gestão 
prevencionista se inicia com uma análise prévia dos riscos ocupacionais e com o 
planejamento de medidas de segurança que eliminem, reduzam ou controlem os riscos 
identificados no ambiente de trabalho.
Para executar essa análise é preciso que a empresa invista em profissionais 
prevencionistas (incluindo o engenheiro de Segurança do Trabalho) que tenham amplo 
conhecimento da legislação prevencionista atualizada, capacitados para reconhecer as 
fontes geradoras e os agentes causadores de riscos ocupacionais, propondo medidas 
de controle eficientes, que atendam às normas regulamentadoras e demais legislações.
Os profissionais do serviço de segurança devem fazer o registro de todos os riscos e 
perigos presentes no ambiente de trabalho por meio de documentos de gestão de 
segurança. A NR9 se refere ao conjunto de normas que regulamentam todos os riscos 
físicos, químicos e biológicos que possam prejudicar os empregados e colaboradores de 
uma empresa na execução de sus atividades laborais. Anteriormente, essa identificação 
dos riscosocupacionais e seus registros eram feitos em um documento denominado 
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). A última atualização feita pela CTP 
alterou o nome do documento para PGR, Programa de Gerenciamento de Risco (ENIT, 
2016).
Independente do nome do documento, PPRA ou PGR, o intuito é fazer o registro dos 
riscos existentes no ambiente ocupacional que comprometem a saúde e a segurança 
dos trabalhadores. O ideal é que o documento seja alimentado por profissionais 
prevencionistas que atuam na empresa e que estes divulguem aos trabalhadores o 
resultado de sua investigação de forma a educá-los e conscientizá-los quanto a presença 
do risco e as medidas adotadas pela empresa. Algumas empresas, desobrigadas a 
constituir o SESMT, ou mesmo com o SESMT instalado, optam por contratar serviços 
terceirizados para a elaboração do documento, o que pode acabar dificultando o 
processo de divulgação e conscientização.
35
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
A análise de risco é a primeira etapa do processo de gerenciamento de risco, que requer 
a implantação de medidas de controle, procedimentos técnicos e administrativos para 
manter os riscos controlados. Não tem sentido identificar os riscos se não for para 
estabelecer as devidas medidas de controle.
A análise de risco pode ser feita com o uso de ferramentas de gestão, como o diagrama 
de Ishikawa, também conhecido como diagrama de causa e efeito; matriz GUT e a 
análise preliminar de risco (APR).
Na análise de risco é importante registrar o material usado, sendo ele básico para o 
desenvolvimento da função, das peças de reposição ou ainda de algum produto ou 
QUADRO 1
Modelo de análise de risco
FONTE
Elaborado pela autoria (2023)
36
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
material extra. Os agentes químicos precisam ser identificados, acompanhados pela 
ficha de identificação de cada produto (FISPQ), documento normatizado pela ABNT, no 
qual estão contidas as informações quanto à saúde, à segurança e ao meio ambiente 
do produto.
Dentro desta análise podemos classificar o grau de risco com base em escalas 
padronizadas. As empresas devem manter uma contínua análise e identificação 
de perigos e riscos com o objetivo de programar medidas de controle que incluem 
as atividades ordinárias e extraordinárias, considerando todos os trabalhadores 
(contratados e terceirizados) e possíveis visitantes.
Os fatores ambientais são mais fáceis de identificar durante a análise qualitativa dos 
riscos, podendo facilitar a gestão de riscos por meio de manutenções preventivas ou 
corretivas em máquinas e equipamentos, organização do ambiente, sinalização e 
dispositivos de emergência.
Para os fatores ambientais imperceptíveis à análise qualitativa, como a concentração 
de ruído, radiação, agentes químicos e biológicos é preciso uma análise quantitativa no 
ambiente, considerando na avaliação não apenas a presença do agente, mas também 
sua concentração e, em alguns casos, com os agentes químicos, a natureza físico-
química do agente e suas reações com outros agentes presentes no meio (produtos 
perigosos). A análise quantitativa é utilizada para a classificação de condições insalubres 
previstas na NR15 (ENIT, 2016). O resultado das análises qualitativas e quantitativas permite 
aos profissionais prevencionistas definirem os riscos ambientais.
Explicando Melhor
Os riscos ambientais são os aqueles relativos às atividades ocupacionais 
que podem gerar danos ou agravos à saúde do trabalhador ou que são 
causas de acidentes de trabalho (Bazzo; Pereira, 2006).
37
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
Os riscos ambientais são classificados pela NR9 em risco físico, químico e biológico. 
Outra norma que define os riscos ambientais é a NR5, pela Portaria nº 25/1994, no qual 
estabelece a elaboração do Mapa de Risco pelos membros da CIPA, classificando os 
riscos em físico, químico, biológico, ergonômico e mecânico (ENIT, 2016). Não é só a 
legislação trabalhista que considera os agentes presentes no ambiente de trabalho que 
possam causar danos; o Ministério da Saúde (MS) também classifica os riscos em físico, 
químico, biológico, ergonômico e mecânico.
Para a análise de risco e como base para o gerenciamento dos riscos ambientais, os 
profissionais utilizam as seguintes definições para classificação de risco:
• Risco físico: as diversas formas de energia que os trabalhadores podem estar expostos 
em seu ambiente de trabalho, listados nos anexos da NR15 – Atividades e Operações 
Insalubres. Exemplos: ruído, vibração, temperaturas extremas, radiações ionizantes e 
não- ionizantes, trabalho sob condições hiperbáricas e umidade.
• Risco químico: produtos ou compostos nas formas de poeiras, fumos, névoas, 
neblinas, gases ou vapores que podem penetrar no organismo do trabalhador pela 
via respiratória. Alguns produtos podem também ser absorvidos pela pele ou por 
ingestão. Exemplos: gases, poeiras, vapores, névoas e fumos oriundos de compostos 
ou substâncias químicas.
• Risco biológico: são microrganismos patogênicos que podem penetrar no organismo. 
Exemplos: bactérias, vírus, fungos, protozoários e patogênicos.
• Risco ergonômico: resultante de relações de trabalho, organização do trabalho, 
mobiliário e o conforto no ambiente de trabalho. Exemplos: levantamento manual 
de peso, trabalho noturno, exigência de esforço repetitivo ou postura inadequada, 
esforço físico intenso.
• Risco mecânico: são os agentes presentes no ambiente de trabalho e identificados, 
durante a análise de risco, como potenciais causadores de acidentes. Exemplos: 
Proteção de máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza, animais peçonhentos, 
probabilidade de explosão ou incêndio, partes energizadas.
Para verificar se a análise de risco e as medidas adotadas para o controle do ambiente 
estão sendo eficientes é preciso definir indicadores mensuráveis para as metas a serem 
alcançadas por meio de processos de verificação contínua e planejada como auditorias 
internas. Em casos de acidente, quando as medidas não forem eficientes para proteger 
o trabalhador, é necessária uma investigação das causas do acidente, assim como a 
definição dos agentes envolvidos, para que possam ser tomadas novas medidas que 
38
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
garantam a segurança e a saúde do trabalhador, adequando- se às novas tecnologias 
e demandas do mercado.
Investigação de acidente
Para garantir a saúde e a segurança do trabalhador, a empresa precisa investir na 
análise de riscos ambientais de forma que os dados obtidos no levantamento de riscos 
contribuam para o planejamento e a implementação das medidas de controle. No 
entanto, mesmo com as medidas aplicadas podem ocorrer situações de vulnerabilidade 
na gestão de segurança capazes de gerar acidentes.
Quando ocorre um acidente, o primeiro impulso é garantir a sobrevivência dos 
trabalhadores. No entanto, é fundamental definir os fatores que levaram ao acidente. 
A investigação do acidente de trabalho tem como objetivo analisar as informações 
identificando as causas reais, utilizando métodos para a análise e aplicando recursos 
tecnológicos. As conclusões devem servir para a transformação do ambiente, 
fortalecendo as medidas educativas, prevencionistas e médicas.
A investigação de acidentes possibilita encontrar informações relevantes sobre a origem 
e às causas do acidente, pois somente conhecendo-as é possível evitar as reincidências 
ou ocorrências de novos acidentes por fatores semelhantes.
Os agentes de riscos de acidentes são aqueles presentes durante a investigação de 
um acidente, com a utilização de diferentes métodos. Vamos usar como exemplo um 
método simples, o diagrama de causas e efeito, agrupando as causas em categorias 
conhecidas com “6 Ms”: Método, Meio,Máquinas, Medições, Materiais e Mão de obra.
Uma empresa de limpeza predial iniciou a investigação de um acidente com o 
trabalhador que exercia a função de lavador de fachada. Ele desenvolvia sua atividade 
em um dia nublado, a uma altura de nove metros. No momento do acidente ventava 
muito e o trabalhador estava utilizando o equipamento que liberava jatos de água com 
uma solução de limpeza, quando, em função de uma forte rajada de vento, o trabalhador 
foi atirado contra a grade de proteção. Como ele estava usando os dispositivos de 
segurança individual, não houve queda, mas a ferramenta estava presa apenas por 
suas mãos e, com o piso molhado, e no momento do impacto, a ferramenta caiu sobre 
39
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
o seu pé e causou uma luxação. Nossa amiga ELIS vai nos ajudar a investigar as causas 
do acidente usando o diagrama de causa e efeito com o modelo 6Ms. A Imagem 10 
mostra um modelo de diagrama:
• Método: limpeza da fachada com jato de água.
• Meio: atividade realizada a céu aberto, exposto a intempéries (dia nublado com 
rajadas de vento).
• Máquinas: falta de um dispositivo que evitasse a queda da ferramenta.
• Medições: inspeções nas condições do tempo e velocidade do ar.
• Materiais: produto químico escorregadio.
• Mão de obra: treinada e capacitada, surpreendida por uma rajada de vento.
Após a verificação, a ELIS estabeleceu que fossem adicionadas medidas de proteção 
contra quedas de ferramentas e que as atividades acima de dois metros de altura 
fossem interrompidas quando comprovada a velocidade do vento acima de quarenta 
quilômetros por hora, conforme estabelecido na NR 35 (ENIT, 2016).
Com base nos resultados da avaliação de um acidente, as empresas, por meio dos 
profissionais responsáveis pela saúde e segurança, podem estabelecer um planejamento 
de ações para eliminar, mitigar ou controlar as causas do acidente. Uma ferramenta 
FIGURA 10
Diagrama de causa e efeito
FONTE
Elaborada pela autoria (2023)
40
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
eficiente no planejamento e acompanhamento das ações é o Plano de Ação, como o 
5W2H, como mostra o Quadro 2.
O relatório de investigação de acidentes vai servir como base para o estabelecimento 
dessas ações. Por isso, é importante que, ao preencher esses relatórios, o engenheiro 
de segurança respeite os requisitos do código de ética profissional, não deixando 
possibilidades de dupla interpretação das informações ali registradas. Como parâmetro 
métrico para definir o caráter técnico idôneo, podemos considerar: a legibilidade do 
documento, a recuperação dos dados apresentados com evidências no documento, a 
proteção das informações ali contidas para que não se percam, o tempo em que este 
documento ficará arquivado e a identificação do registro, possibilitando a consulta por 
parte internas, auditorias ou inspeções oficiais, fiscalização de órgãos do governo ou 
certificadoras na empresa.
QUADRO 2
Plano de Ação 5W2H
FONTE
Elaborada pela autoria (2023)
41
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Condições de insegurança do ambiente Capitulo 3
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Os acidentes 
de trabalho podem ser causados por agentes presentes no meio, que 
podem ser definidos com agentes de risco físico, químico, biológico, 
ergonômico ou mecânico. Os agentes considerados causadores de risco 
mecânico são aqueles identificados durante a análise de risco como 
potenciais causadores de acidentes do trabalho. O gerenciamento dos 
riscos deve seguir as etapas de: identificação de perigos; identificação 
de potenciais de perdas; análise de riscos – estudo e descrição de 
como está posto o risco no ambiente de trabalho; avaliação de riscos 
e tratamento dos riscos – ações que devem ser tomadas para a 
eliminação, a redução ou a convivência adequada com o risco. Caso 
as medidas não consigam evitar o acidente, este deve ser investigado, 
definindo as causas e os efeitos.
42
@faculdadelibano_
4
Consequências 
do acidente de 
trabalho
43
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Capitulo 4
Consequências do acidente 
de trabalho
Efeitos dos acidentes de trabalho - Econômico e social
Todo trabalho é realizado para gerar produtos e serviços de qualidade, com resultados 
positivos para o cliente e para a empresa. No entanto, as falhas podem resultar em 
algumas perdas no processo; no caso do acidente de trabalho, nós perdemos não só 
qualidade de vida, mas também perdemos vidas. Por isso, neste capítulo iremos nos 
dedicar a analisar efeitos negativos na esfera individual, econômica e social.
Ao analisar as causas e efeitos de um acidente, são inúmeros os fatores que podemos 
listar para justificar um antigo questionamento prevencionista: por que investir em 
segurança? Para alguns, o investimento pode ser o cumprimento das obrigações legais, 
atrelado aos interesses de alcançar os objetivos traçados pela empresa. Para outros, é 
o reconhecimento de valores aplicados à responsabilidade socioambiental.
 
Seja por valores econômicos ou sociais, a verdade é que o custo das ocorrências com 
qualquer tipo de acidente de trabalho é um fator de impacto economicamente:
• Na vida do indivíduo, que fica com restrições na capacidade de gerar renda para a 
sobrevivência.
Objetivos
Ao final deste capítulo, você deverá compreender os efeitos negativos 
gerados pelos acidentes de trabalho, tanto em questões econômicas, 
quanto previdenciárias, sociais e humanas. Você vai descobrir que 
um acidente pode custar caro para a empresa e refletir no valor final 
do processo de produção e que não existe um culpado, todos somos 
responsáveis.
44
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
• Nas contas do governo, que concede benefícios, como auxílio-doença-acidentário, 
aposentadoria por invalidez ou especial e pensão por morte.
• Nas empresas, em que os custos são contabilizados por indicadores baseados no 
número de Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) emitidos.
A empresa é obrigada a informar à Previdência Social todos os acidentes de trabalho 
ocorridos com seus empregados até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, 
mesmo que não haja afastamento das atividades. Em caso de morte, a comunicação 
deverá ser imediata.
Um bom exemplo dos custos do acidente de trabalho para a empresa é o cálculo feito 
conforme a quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada 
empresa em relação ao seu segmento econômico. É por meio deste mecanismo que 
a Receita Federal do Brasil pode aumentar ou diminuir a alíquota de 1% (risco leve), 2% 
(risco médio) ou 3% (risco grave) que cada empresa recolhe para o financiamento 
dos benefícios por incapacidade (grau de incidência de incapacidade para o trabalho 
decorrente dos riscos ambientais). Essas alíquotas poderão ser reduzidas em até 50% ou 
aumentadas em até 100%.
O preenchimento do CAT é on-line ou nas agências do INSS. Se a empresa não fizer o 
registro da CAT dentro do prazo legal, estará sujeita à aplicação de multa, conforme 
disposto nos Artigos 286 e 336 do Decreto nº 3.048/1999. O próprio trabalhador, o 
dependente, a entidade sindical, o médico ou a autoridade pública poderão efetivar, a 
qualquer tempo, o registro deste instrumento junto à Previdência Social.
Os custos com a falta de segurança devem ser evidenciados pelas empresas como um 
incentivo aos investimentos com segurança, identificando que os custos do acidente, 
com ou sem afastamento do trabalhador, gera prejuízo, pois os custos diretos ou indiretos 
são revertidos em ônus para a empresa, com o aumento dos custos da produção. Muitas 
vezes as empresas fazem os cálculos dos custos baseados nos custos diretos,sendo 
que os indiretos podem ser mais significativos.
Como calcular os custos indiretos? Esse cálculo deve envolver:
• Gastos no transporte dos acidentados.
• Gastos com atendimento médico.
• Tempo dos prevencionistas envolvidos com o resgate e o atendimento.
45
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
• Tempo com a limpeza e recuperação do local do acidente e reinício das atividades.
• Perda da produtividade.
• Aumento nos seguros pagos pela instituição.
Existe também o custo social dos acidentes de trabalho com o aumento do número de 
inválidos e dependentes da previdência social, quer seja por uma incapacidade parcial 
ou total, de forma permanente ou temporária e a redução de mão de obra qualificada.
Infelizmente, os efeitos negativos não são evidenciados por todos e podemos validar essa 
informação quando, durante a investigação de acidentes de trabalho, identificamos as 
causas relacionadas aos atos inseguros e às condições inseguras negligenciadas pelos 
setores prevencionistas ou operacionais.
Em uma análise humana, podemos encontrar situações extremas em que o trabalhador 
não valoriza uma cultura prevencionista ou empregadores que banalizam a vida 
humana. Em ambos os casos, os efeitos são extremamente negativos, ocasionando 
inúmeras falhas.
Um bom exemplo de situações de efeitos negativos são os acidentes que envolvem 
condições inseguras, como o planejamento do arranjo físico ou acidentes com 
equipamentos de movimentação de pessoas e materiais. Estes, muitas vezes, são passíveis 
de serem evitados, porém, quando não são identificados os riscos antecipadamente, 
comprometem não só a máquina, mas os trabalhadores e a imagem da empresa.
Após um acidente, os efeitos negativos podem se relacionar aos aspectos materiais e/
ou humanos, conforme a Imagem 11.
46
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
Custos do acidente
Agora que já conseguimos reconhecer os efeitos negativos do acidente de trabalho, 
chegou a hora de fazer os cálculos de quanto custa um acidente. Nós já vimos que os 
efeitos negativos incluem os custos diretos e os indiretos para os trabalhadores, para o 
governo e para a sociedade, mas como calcular esses custos?
Inicialmente, se tem a ideia de que grandes acidentes acontecem apenas em grandes 
empreendimentos ou grandes empresas. No entanto, quando a palavra em questão é 
custo, o pequeno empresário poderá sofrer mais os impactos do acidente.
O custo de acidentes é definido pela NBR 14280 como o valor do prejuízo material 
decorrente de acidente, sendo prejuízo material aquele decorrente de danos materiais, 
perda de tempo e outros ônus resultantes de acidente do trabalho, inclusive danos ao 
meio ambiente. O cálculo em si não é difícil, mas para cada caso existem diferentes 
variáveis envolvidas que, às vezes, são de difícil identificação. Em linhas gerais, pode-se 
dizer que o custo do acidente é o somatório dos custos diretos e indiretos envolvidos.
FÓRMULA:
FIGURA 11
Efeitos negativos do acidente de trabalho
FONTE
Elaborado pela autoria (2023)
47
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
CD= Todas as despesas ligadas diretamente ao atendimento do acidentado que não 
são de responsabilidade do INSS, como despesas médicas, odontológicas, hospitalares, 
farmacêuticas – incluída cirurgia reparadora.
CI = Não envolve perda imediata de dinheiro. Relaciona-se com o ambiente que envolve 
o acidentado e com as consequências do acidente.
Vamos conhecer alguns dos fatores utilizados para a base de cálculo do acidente, que 
no final acabam impactando a folha de pagamento da empresa e revelando o seu 
custo real.
O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP surgiu em 2007 com o Decreto 
de nº 6.042 e alterou o modo de definir o benefício da previdência para os casos de 
afastamento do trabalho acima de 15 dias. Ele define a relação causal entre os ramos de 
atividades econômicas e suas respectivas doenças. Com a adoção dessa metodologia, 
é a empresa que deverá provar que as doenças e os acidentes de trabalho não foram 
causados pela atividade desenvolvida pelo trabalhador, ou seja, o ônus da prova passa 
a ser do empregador e não mais do empregado.
O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) entrou em vigor em 2010 e implica na redução 
ou no aumento da alíquota de redução da contribuição da empresa para o Seguro de 
Acidente do Trabalho (SAT). O FAP é o mecanismo que permite à Receita Federal do Brasil 
aumentar ou diminuir a alíquota de 1% (risco leve), 2% (risco médio) ou 3% (risco grave), 
que cada empresa recolhe para o financiamento dos benefícios por incapacidade (grau 
de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais). Essas 
alíquotas poderão ser reduzidas em até 50% ou aumentadas em até 100%, conforme a 
quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa em 
relação ao seu segmento econômico.
A legislação brasileira prevê o pagamento do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), 
calculado pela multiplicação de sua folha de pagamento por uma alíquota de Riscos 
Ambientais do Trabalho (RAT), de 1%, 2% ou 3%, definidas para cada uma das atividades 
48
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
listadas na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), acrescido pela 
multiplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP).
 
FÓRMULA:
Cálculo do índice de custo.
Com a utilização do NTEP e do FAT, o número de acidentes previdenciários passou a 
afetar diretamente o SAT, ou seja, o número de acidentes reflete uma porcentagem da 
folha de pagamento de uma empresa. Com essa combinação de fatores, os custos dos 
acidentes de trabalho e o afastamento previdenciário se tornaram muito mais nítidos.
EXEMPLO: para nos ajudar a calcular um acidente, a ELIS vai nos trazer uma situação 
ocorrida no canteiro de obra. Para não perder horas trabalhadas, o gestor da obra 
autorizou que os trabalhadores realizassem as atividades com concreto sem o EPI 
adequado. Com isso, no final da atividade ele teve um saldo de oito acidentes de 
trabalho, sendo três deles com afastamento previdenciário. Calculando os fatores, o 
valor de cada acidente foi de R$13.023 e o dos afastamentos foi de R$113.714. O custo total 
do acidente foi de 3x (R$113.714) + 5x (R$13.023) = R$406.257.
O grande desafio para as empresas é investir na redução da incidência de acidentes e 
doenças ocupacionais, identificando os riscos que possam estar relacionados ao FAP/
NTEP e implementando medidas de correção que diminuam os riscos de acidentes e 
doenças do trabalho. São essas ações que contribuem para a redução de custos com 
acidentes.
 
Responsabilidade do acidente
Um dito popular utilizado quando ocorre uma fatalidade, notória ou não, afirma que “a 
casa caiu”. Evidentemente, o “dono da casa”, além de arcar com os custos, terá que 
justificar as causas. Mas a casa pode cair porque o arquiteto não planejou bem ou o 
pedreiro não seguiu o planejado ou ainda porque o fiscal da obra não identificou o 
49
Introdução à Engenharia de Segurança do Trabalho Consequências do acidente de trabalho Capitulo 4
erro e permitiu a construção. Sendo assim, vários podem ser os responsáveis, de forma 
conjunta ou isolada, pela fatalidade.
Na Segurança do Trabalho não é diferente. A empresa pode usar outro dito popular: 
“todos somos responsáveis pela segurança”, ou seja, todos são responsáveis também 
pelos acidentes. Vamos ver alguns dos responsáveis e suas responsabilidades (Germano, 
2019).
Quanto ao governo, podemos destacar o trabalho das Delegacias Regionais do Trabalho 
– DRT. Suas atividades de fiscalização são feitas por profissionais especializados nas 
áreas de saúde e segurança, as quais estão respaldadas e amparadas em legislação 
específica (CLT), podendo aplicar sanções que vão desde o embargo

Mais conteúdos dessa disciplina