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1 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 3 2 PAVIMENTAÇÃO .............................................................................. 4 3 TIPOS DE PAVIMENTOS .................................................................. 5 3.1 Pavimentos flexíveis .................................................................... 6 3.2 Pavimentos Rígidos................................................................... 19 3.3 pavimentos semirrigidos ............................................................ 24 4 MATERIAIS UTILIZADOS NA PAVIMENTAÇÃO ............................ 25 4.1 Sub-base ................................................................................... 27 4.2 Base .......................................................................................... 29 4.3 Subleito ..................................................................................... 29 5 EXECUÇÃO DOS PAVIMENTOS .................................................... 36 5.1 Plano de qualidade .................................................................... 36 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 37 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 PAVIMENTAÇÃO Fonte: www.aecweb.com.br Segundo a NBR-7207/82 da ABNT citado por Marques, 2016 "O pavimento é uma estrutura construída após terraplenagem e destinada, econômica e simultaneamente, em seu conjunto, a”: a) Resistir e distribuir ao subleito os esforços verticais produzidos pelo tráfego; b) Melhorar as condições de rolamento quanto à comodidade e segurança; c) Resistir aos esforços horizontais que nela atuam, tornando mais durável a superfície de rolamento." “Os revestimentos das estruturas de pavimento em geral são submetidos a esforços de compressão e de tração devidos à flexão, ficando as demais camadas submetidas principalmente à compressão”, afirma Bernucci e col, 2008. “Sem estradas adequadas não apenas continuaremos a ser uma região fora do espectro das nações desenvolvidas, como também continuaremos a ser um País que não oferece acesso adequado de bens para sua população. Não nos ufanemos, portanto, de nossa infraestrutura rodoviária, ainda bastante arcaica, que demonstra baixa tecnologia a serviço, reflexo de nosso atraso como sociedade moderna” (ROSSI, 2017 Apud BALBO, 2007). 5 3 TIPOS DE PAVIMENTOS De acordo com Paixão e col, 2017 “são três as classificações existentes para pavimentos: Rígidos, Flexíveis e Semirrígidos”. Francisco, 2012 afirma que “a escolha de cada um destes tipos de pavimentos dependerá da intensidade do tráfego, da qualidade de resistência do solo de fundação, assim como, da qualidade dos materiais disponíveis”. O pavimento é uma estrutura não perene, composta por camadas sobrepostas de diferentes materiais compactados a partir do subleito do corpo estradal, adequada para atender estrutural e operacionalmente ao tráfego, de maneira durável e ao mínimo custo possível, considerados diferentes horizontes para serviços de manutenção preventiva, corretiva e de reabilitação, obrigatórios (BALBO, 2007). Fonte: docplayer.com.br Para Balbo (2007) a estrutura do pavimento é concebida, em seu sentido puramente estrutural, para receber e transmitir esforços de maneira e aliviar pressões sobre as camadas inferiores, que geralmente são menos resistentes, embora isso nãos seja tomado como regra geral, para que funcione adequadamente, todas as peças que a compõem devem trabalhar deformações compatíveis com sua natureza e capacidade, portanto, isto é, de modo que não 6 ocorram processos de ruptura ou danificação de foram prematura e inadvertida nos materiais que constituem as camadas de pavimento. Segundo o mesmo autor cada camada do pavimento possui uma ou mais funções específicas, que devem proporcionar aso veículos as condições adequadas de suporte e rolamento em qualquer condição climática, as cargas aplicadas sobre a superfície do pavimento acabam por gerar determinado estado de tensões na estrutura, que muito dependerá do comportamento mecânico de cada uma das camadas e do conjunto destas. Recorde-se que as cargas são aplicadas por veículos e também pelo ambiente, geralmente de modo transitório: são, portanto, cíclicas ou repetitivas, o que não implica repetição constante de suas respectivas magnitudes. As etapas de projeto e manutenção dos pavimentos são influenciadas, de forma predominante, pelo tipo de revestimento utilizado. Assim, pode-se classificar os pavimentos nos seguintes tipos fundamentais: 3.1 Pavimentos flexíveis “Em relação aos pavimentos flexíveis, são pavimentos cujas camadas ligadas são constituídas por materiais betuminosos que conferem uma considerável deformabilidade ao pavimento”, segundo Francisco, 2012. Segundo Rossi, 2017 esse tipo de pavimentação é feita com material asfático na sua camada de revestimento e dependendo da expessura desta a resistencia pode ficar maior ou menor. As camadas superiores, camadas betuminosas, constituídas pela camada de desgaste, camada de regularização e, em alguns casos, camada de base, são camadas que conferem resistência à tração, por serem materiais ligados e, como tal, asseguram uma resistência à fadiga. (FRANCISCO, 2012). De acordo com Francisco, 2012 “já as camadas inferiores (não ligadas) são constituídas por material granular não ligado e juntamente com o solo de fundação, conferem ao pavimento resistência às tensões de compressão”. 7 A designação de pavimentos flexíveis, criada pelo Asphalt Institute em 1960, refere-se a um pavimento constituído por uma ou mais camadas de misturas betuminosas que assentam diretamente sobre camadas granulares, !A designação de pavimentos flexíveis, criada pelo Asphalt Institute em 1960, refere-se a um pavimento constituído por uma ou mais camadas de misturas betuminosas que assentam diretamente sobre camadas granulares”, segundo Lucchesi, 2018. Segundo Lucchesi, 2018 “geralmente o pavimento flexível é constituído por quatro camadas”: • revestimento (camada que recebe diretamente a ação); • base (camada destinada a resistir e distribuir os esforços advindos da base); • sub-base (camada corretiva do subleito ou complementar à base); • subleito (terreno de fundação do pavimento). De modo geral, pode-se dizer que os pavimento flexíveis são aqueles que sofrem deformações, porém essas transformações até certo limite não levam à ruptura da estrutura. Além disso, esse tipo de pavimento é dimensionado para a compressão e tração na flexão, e os carregamentos provocados pelo tráfego dão origem a bacias de deformaçõeslevando a estrutura a modificações permanentes e ao rompimento por fadiga (LUCCHESI, 2018 Apud SENÇO, 1997). As camadas inferiores dos pavimentos flexíveis distribuem de forma viável, em parcelas à rigidez das camadas, dessa forma como afirma Lucchesi, 2018 “as camadas sofrem deformações elásticas significativa, que até um certo ponto não leva ao rompimento visto que a qualidade do solo é importante, pois ele é submetido a altas tensões e absorve maiores deflexões”. De acodo com Lucchesi, 2018 “além do mais, os pavimentos flexíveis podem apresentar misturas betuminosas fabricadas a quente ou a frio”. Segundo Lucchesi, 2018 “as misturas betuminosas a frio não necessitam serem aquecidas, sendo produzidas, espalhadas e compactadas sem aquecimento dos materiais”. Ainda, essas são compostas por agregados, aos quais se junta a emulsão betuminosa conhecida como ligante, podendo, ainda, adicionar-se água e aditivos, afirma Lucchesi, 2018. 8 Os tipos de misturas a frio são diversos, segundo Lucchesi, 2018: • agregado britado de granulometria extensa tratado com emulsão betuminosa; • mistura betuminosa aberta a frio; • microaglomerado betuminoso a frio; • revestimento superficial betuminoso; e lama asfáltica. Fonte: multiplaconstrutora Segundo (BALBO, 2017; SILVA, 2008 apud GODOI, 2018) o pavimento flexível é aquele que comporta um revestimento betuminoso, dos quais materiais utilizados é o asfalto que forma a camada de revestimento, um material granular que compõe a base e outro material granular ou o próprio solo que forma a sub- base. Relativamente ao pavimento rígido, o flexível apresenta uma maior e mais expressiva deformação elástica, que é chamado no meio rodoviário por deflexão. É o pavimento no qual há absorção de esforços ocorre entre as camadas de forma dividida, em que as tensões verticais se localizam nas camadas inferiores concentradas próximas a aplicação da carga. É um pavimento que exige normalmente grandes espessuras, devido ao uso de materiais deformáveis e aplicação de altas cargas ou até por uso de materiais de qualidade duvidosa. Desta forma, tais espessuras garantem que a tensão no solo de fundação seja menor que a sua resistência (PINTO,2003 apud GODOI, 2018). No qual os 9 defeitos do pavimento flexível se manifestam, podem ser classificados com defeitos de superfícies, degradações superfícies ou deformações. Interessante destacar que a terminologia dos defeitos catalogados pela a norma brasileira DNIT 005(2003) e que são considerados para cálculo de indicador de qualidade da superfície do pavimento (IGG-Índice de Gravidade Global) são: fendas (F); afundamentos (A); corrugarão e ondulações transversais (O); exsudação (EX); desgaste ou desagregação (D); panela ou buraco (P); e remendos (R). No pavimento flexível o revestimento asfáltico camada de base granular, onde distribuição das tensões e deformações, geradas na estrutura pelas cargas de roda do tráfego, se dá de modo que as camadas de revestimento e base aliviem as tensões verticais de compressão no subleito por meio da “absorção” de tensões cisalhantes. Neste processo, ocorrem tensões e deformações de tração na fibra inferior do revestimento asfáltico, as quais provocarão seu trincamento por fadiga com a repetição das cargas do tráfego. Ao mesmo tempo, a repetição das tensões e deformações verticais de compressão que atuam em todas as camadas do pavimento levarão à formação de afundamentos em trilha de roda, quando o tráfego tender a ser canalizado, e à ondulação longitudinal da superfície, quando a heterogeneidade do pavimento for significativa (GONÇALVES, 1999) Fonte: engenhariarodoviaria.com.br Outra estratégia, levantada por GONÇALVES (1999), que segundo ele a passagem de uma carga de roda gera, em um ponto qualquer do pavimento, pulsos de tensões e de deformações, normais e cisalhantes, sendo que os pulsos de tensões e de deformações cisalhantes são duplos e com reversão de 10 sentido. Os planos principais sofrem rotação, coincidindo com os planos horizontal e vertical apenas para os pontos situados no plano longitudinal da carga de roda e quando o ponto se encontra ao longo da vertical que passa pelo centro da carga. Em uma estrutura de pavimento, o comportamento é transiente, os solos e os materiais granulares da fundação têm comportamento tensão deformação não-linear (que são influenciados por diversas variáveis), e os materiais asfálticos têm suas propriedades sensíveis à velocidade de aplicação das cargas e à temperatura. Fonte: www.atribunamt.com.br Um dos aspectos essenciais para a resistência das misturas betuminosas é as condições térmicas, esta que influencia no que irá acontecer nos pavimentos flexíveis. Geralmente as misturas betuminosas, tem um comportamento visco-elástico, porém em temperaturas elevadas, ficam com um comportamento viscoso, que causa maiores deformações, já em temperaturas menores, têm um comportamento elástico, causando menores deformações, de acordo com Cunha, 2010. Segundo Cunha, 2010, outro fator que influencia no comportamento dos pavimentos é a água, que pode causar uma maior deformidade dos materiais 11 granulares e da fundação, nas misturas betuminosas eleva a degradação, por isso é de grande relevância preparar uma drenagem do pavimento para assim, reduzir os efeitos degenerativos. O tráfego intenso nesses pavimentos, causa estados de tensão e extensão, que provoca deformações, por fadiga da camada betuminosa, ou deformação permanente da fundação, afirma Cunha, 2010. Dessa forma, há duas formas principais de degradação, sendo estas as camadas de betuminosas e a deformação do solo de fundação, de acordo com Cunha, 2010. O fendilhamento por fadiga resulta da aplicação repetida de esforços de tração na base das camadas betuminosas, provocados pela repetida passagem de rodados dos veículos pesados, segundo Cunha, 2010 As fendas resultantes podem ser isoladas ou ramificadas, consoante a fase de desenvolvimento, sendo que numa fase de avançado estado de degradação do pavimento formam uma malha denominada de “pele de crocodilo”, que tem início na zona de passagem dos rodados dos veículos e vai evoluindo em todas as direções até abranger a largura da faixa de rodagem. (CUNHA, 2010). Nessa fase do processo de degradação há, nas camadas betuminosas uma menor capacidade de suporte, além disso apresenta também, uma menor capacidade das camadas granulares e do solo de fundação, devido penetração de água exterior através das fendas, de acordo com Cunha, 2010. Com a deformação permanente, aparece deformações plásticas nas camadas granulares e no solo de fundação, em função do tráfego intenso como afirma Cunha, 2010. “As deformações podem ser localizadas, no caso de se verificarem apenas em zonas pontuais do pavimento, ou apresentarem uma determinada frequência e nesse caso denominam-se de ondulações”, completa Cunha, 2010. Essas deformações podem se apresentar também nas misturas betuminosas, estas se chamam rodeiras, causadas por elevadas temperaturas e tráfego de veículos pesados, segundo Cunha, 1010. 12 Segundo Cunha, 2010 os mecanismos de degradação do pavimento flexível são vastos, podem ser classificadas de acordo com a perda das características funcionais ou estruturais do pavimento: • As degradações das características funcionais dizem respeito à capacidade do pavimento em proporcionar uma circulação segura, cómoda e económica para os utilizadores. São degradações que afetam as características superficiais e geométricas do pavimento e que dizem respeito à camada de desgaste do pavimento. • As degradações das características estruturais dizem respeito à falta de capacidade de carga do pavimento, provocada pela fadiga de uma ou mais camadas, ou pelo colapso da própria estrutura. A existência de um tipo dedegradação faz com que o outro ocorra e por isso, estes estão interligados “Quando um pavimento apresenta fendilhamento na sua superfície, que interfere com a regularidade do pavimento (degradações das características funcionais), este pode permitir a entrada de água até às camadas granulares”, segundo Cunha, 2010. A água nas camadas granulares, juntamente com ação do tráfego dá origem a deformações, com a consequente diminuição da capacidade de carga destas camadas e solo de fundação, de acordo com Cunha, 2010. O processo de evolução das degradações, aparentes ou não, de um pavimento, apoia-se no “princípio da cadeia de consequências”, segundo o qual uma degradação não evolui isoladamente no tempo, antes dá origem a novos tipos de degradações, as quais, por sua vez, interferem com as características das primeiras. Gera-se deste modo uma atividade em ciclo, onde as diferentes degradações interferem mutuamente (CUNHA, 2010 Apud SANTOS, et al, 2008). As ações de conservação e reabilitação de um pavimento flexível são consideradas de acordo com o que se pretende beneficiar. “Por um lado, a melhoria da qualidade funcional do pavimento (ao nível da segurança, conforto e economia) - domínio da conservação, ou por outro lado a melhoria da qualidade estrutural (dotando o pavimento de capacidade resistente)”, segundo Cunha, 2010. 13 Batista, 2004 citado por Cunha, 2010 diz que “quando surge a necessidade de intervir no pavimento, a seleção da solução deverá responder aos seguintes critérios”: • Económicos – minimização dos custos da obra e dos custos suportados pelos utentes durante a execução da obra e após a entrada em funcionamento; • Técnicos – eficácia na resolução dos problemas existentes e qualidade de desempenho no futuro; • Ambientais – minimização dos impactes ambientais. Fonte:www.nucleodoconhecimento.com.br “A manutenção das características superficiais de um pavimento, encontra-se no domínio da conservação dos pavimentos e visa repor ou aumentar o nível de serviço do mesmo”, afirma Cunha,2010. “As técnicas de conservação das características superficiais atuam ao nível da camada de desgaste do pavimento flexível e podem ser aplicadas desde que as características estruturais do pavimento não tenham sido afetadas” segundo Cunha,2010. 14 De acordo com Cunha,201 “são utilizadas em situações em que se pretende melhorar as características superficiais ou geométricas do pavimento, por exemplo melhoria das características de aderência ou impermeabilidade”. “As reparações localizadas são consideradas uma técnica de conservação das características superficiais do pavimento, podendo ser utilizadas em situações em que o pavimento apresente degradações pontuais” segundo Cunha,2010. De acordo com “esta técnica consiste no enchimento das “covas” presentes no pavimento com uma mistura betuminosa, seguida de compactação”. “As reparações localizadas são desconfortáveis para o utilizador do ponto de vista do conforto e segurança, pois dão origem a elevações ou depressões na superfície do pavimento, segundo Cunha, 2010. Cunha, 2010 afirma que “trata-se de uma técnica muito utilizada quando não existe uma estratégia de conservação, ou quando não existem recursos financeiros disponíveis”. Como alternativa às reparações localizadas, existe uma outra técnica de conservação das características superficiais e que consiste na colocação de uma nova camada de desgaste sobre o pavimento existente, a qual poderá ser constituída por diferentes materiais, os quais serão apresentados de seguida. (CUNHA, 2010). As técnicas de Técnicas de Conservação das Características Superficiais são, segundo Cunha 2010: a) Revestimentos Superficiais: Os revestimentos superficiais são camadas muito finas formadas pela sobreposição de agregados com uma ou duas camadas de ligantes betuminosos e colocadas sobre o pavimento já existente. Assim, é importante proceder-se antecipadamente à correção de defeitos localizados, de modo a corrigir eventuais irregularidades longitudinais, que no caso de o pavimento apresentar grande irregularidade, tornam a aplicação desta técnica inadequada. b) Microaglomerado Betuminoso a Frio: O microaglomerado betuminoso a frio é uma camada muito fina (máximo de 1cm), que 15 resulta da mistura de uma emulsão com agregados, água, filer comercial e caso seja necessário, aditivos. A mistura do material que dá origem ao microaglomerado betuminoso é realizada no próprio local, sendo a mistura espalhada sobre o pavimento existente. Depois de colocada, a mistura não necessita de ser compactada, podendo proceder-se à imediata abertura da via ao trânsito, o que constitui uma vantagem relativamente a outras técnicas. O microaglomerado betuminoso é especialmente indicado para situações de contingência de subida de cotas, nomeadamente zonas urbanas, por se tratar de uma camada muito delgada. c) Microbetão Betuminoso Rugoso: Trata-se de uma mistura betuminosa aplicada em camadas com espessuras entre 2,5cm e 3,5cm. O microbetão betuminoso rugoso permite a obtenção de excelentes características superficiais nomeadamente no que diz respeito à aderência do pneu com o pavimento, o que o tornam especialmente indicado para situações em que o pavimento está sujeito a tráfego com elevada velocidade. d) Lama Asfáltica: A lama asfáltica também conhecida por Slurry Seal é uma mistura betuminosa com uma composição muito semelhante à do microaglomerado betuminoso a frio, no entanto a lama asfáltica apresenta na sua constituição agregados de menor dimensão relativamente aos utilizados no microaglomerado betuminoso a frio. Os agregados utilizados têm muitas vezes dimensões inferiores a 2mm, o que faz com que a lama asfáltica apresente problemas de rugosidade e consequentemente de aderência entre os pneus e o pavimento. e) Argamassa Betuminosa: A argamassa betuminosa é uma mistura betuminosa que pode ser utilizada em situações em que o pavimento necessita de intervenções ao nível da camada de desgaste, no entanto a sua utilização está limitada a pavimentos com tráfego pouco intenso. A argamassa betuminosa é mais 16 utilizada em Portugal como interface entre camadas, de forma a retardar o processo de propagação de fendas. A reabilitação dos pavimentos flexíveis engloba a aplicação no pavimento de novas camadas de misturas betuminosas, de modo a dotar o pavimento de maior capacidade de carga, segundo Cunha, 2010. Cunha, 2010 afirma que “o número de camadas e a espessura depende da qualidade existente e da qualidade requerida definida no programa de reabilitação do pavimento”. Essas técnicas duram uma média de 10 a 20 anos, possibilitando a reabilitação das características estruturais e melhoria das características funcionais Segundo Cunha, 2010 as técnicas de reabilitação estrutural de pavimentos flexíveis são: a) Reforço do Pavimento: No entanto, devido a fatores de ordem económica, ambiental e até relativos à qualidade surgem novos materiais que constituem uma alternativa à solução tradicional. Atualmente, e cada vez mais, a reabilitação estrutural dos pavimentos passa pela aplicação de novas misturas betuminosas em camadas de base ou de regularização, para além de camada de desgaste, que proporciona um aumento da capacidade de suporte do pavimento. Em seguida serão apresentadas algumas das misturas betuminosas utilizadas na reabilitação de pavimentos flexíveis. b) Misturas Betuminosas Tradicionais: As misturas betuminosas tradicionais são fabricadas a quente em centrais especificamente concebidas para o efeito. São constituídas por agregados e betume, os quais são aquecidos com o intuito de diminuir a viscosidade do betume, e assim obter a consistência que permita o fabrico da mistura. Depois de misturados, são transportados até ao local da obra, espalhadose compactados, formando uma camada do pavimento. As características mecânicas de uma mistura betuminosa são o resultado das características dos 17 materiais que lhe deram origem e das suas proporções. Deste modo, consegue-se obter diferentes misturas, que em função das camadas do pavimento a que se destinam, assim apresentam propriedades diferentes. O macadame betuminoso é uma mistura betuminosa tradicional com características de camada de base e de regularização, utilizada com o intuito de melhorar as características estruturais do pavimento. As suas características derivam da utilização de agregados com a dimensão máxima de 37,5mm e teores em betume da ordem dos 4% a 5%. c) Misturas Betuminosas de Alto Módulo de Deformabilidade: As misturas betuminosas de alto módulo de deformabilidade, por utilizarem betumes com índice de penetração menor, apresentam melhores características mecânicas relativamente às misturas betuminosas tradicionais, nomeadamente maiores módulos de deformabilidade, maior rigidez e uma consequente diminuição das deformações permanentes do pavimento. O facto de se obter misturas betuminosas mais rígidas, permite a redução da camada de reforço. De acordo com Vicente (2006) esta técnica torna-se especialmente indicada para situações onde existam condicionalismos da subida de cotas, como sejam estradas em zonas urbanas, ou ainda em autoestradas com tráfego pesado muito intenso. As misturas betuminosas de alto módulo de deformabilidade devem ser empregues somente em camadas de base ou de regularização, não sendo aconselhável a sua aplicação em camadas de desgaste, devido à elevada rigidez, que sob o efeito de variações de temperatura pode levar ao fendilhamento por retração da camada. d) Misturas Betuminosas Modificadas com Polímeros: O betume modificado com polímeros é um betume ao qual são adicionados agentes químicos durante o processo de fabrico, com o propósito de alterar as suas propriedades reológicas. Os polímeros mais utilizados atualmente na modificação dos betumes são os 18 polímeros termoplásticos e os elastómeros. A adição destes componentes à mistura betuminosa, surge como resposta à necessidade de obtenção de melhores capacidades mecânicas do pavimento, para mais facilmente resistirem a esforços cada vez mais severos provocados pelo tráfego. Com esta alteração ao betume procura melhorar-se principalmente a elasticidade e a sensibilidade à temperatura, conduzindo a uma redução da deformação permanente e a um aumento da resistência à fadiga da camada, que faz com que esta apresente menor propensão para o aparecimento de fendas. e) Reciclagem de Pavimentos: A reciclagem de pavimentos rodoviários é outra técnica de reabilitação estrutural de um pavimento flexível degradado, que surge como alternativa às soluções mais tradicionais que envolvem a colocação de um reforço no pavimento. À semelhança da aplicação de uma nova camada de reforço no pavimento, também a técnica de reciclagem implica a fresagem prévia do pavimento, de modo a eliminar as fendas existentes no pavimento. No entanto, com a técnica de reciclagem, o material resultante do processo de fresagem não é desprezado e colocado em zonas de vazadouro, pelo contrário, parte deste material e em alguns casos a totalidade (dependendo do tipo de reciclagem como se verá mais à frente) volta a ser utilizado nas novas camadas constituintes do pavimento reabilitado. Decorrente da valorização do material fresado e da sua reutilização, o que não acontece com outras técnicas de reabilitação estrutural de pavimentos degradados, a reciclagem de pavimentos apresenta benefícios face a outras técnicas de reabilitação estrutural, os quais serão estudados ao longo deste trabalho, constituindo o objeto principal de estudo. “Geralmente, a reabilitação de pavimentos rodoviários flexíveis é conseguida por reconstrução ou reforço tradicional”, afirma Cunha,2010. 19 A reciclagem surge como sendo um processo alternativo às soluções tradicionais, com o reaproveitamento dos materiais provenientes de pavimentos degradados (que são incorporados nas camadas de novos pavimentos), tendo vantagens ambientais, técnicas e económicas e evitando-se o recurso a zonas de vazadouro. Pode por isso dizer-se que a reciclagem de pavimentos flexíveis degradados constitui um ciclo fechado. (CUNHA, 2010). Alkins et al, 2008 citado por Cunha, 2010 diz que “a utilização da técnica de reciclagem apresenta, os seguintes benefícios: • Diminuição das zonas de vazadouro - com a reciclagem do pavimento, os materiais provenientes do mesmo voltam a ser utilizados no novo pavimento, com a consequente eliminação ou diminuição das zonas de vazadouro, que constituem um problema ambiental; • Redução da utilização de novos agregados - trata-se de um recurso não renovável. A extração, produção e transporte dos agregados consome energia, para além de ter um elevado impacte ambiental negativo. • O fornecimento de betumes e agregados com qualidade, para a construção e reabilitação de pavimentos, tem sido nos últimos anos, cada vez mais limitado. Para além disso, tem-se verificado um substancial incremento nos custos dos materiais, dos equipamentos, dos combustíveis e transportes, o que leva a que a reciclagem dos materiais já presentes no pavimento seja naturalmente encorajada. • Permite a reabilitação das características estruturais de um pavimento degradado reutilizando o material já existente. • Com a técnica de reciclagem conseguem-se melhorias estruturais ou de regularidade do pavimento (mantendo a rasante), evitando-se assim problemas com grandes modificações na estrada e no gabarit associado a passagens superiores. 3.2 Pavimentos Rígidos Os pavimentos rigidos demostram menor deformidade em detrimento de que a camada superior dos pavimentos rígidos serem formadas por betão de 20 cimento,sendo este a camada de desgaste e de base, como uma camada de betão, conforme Francisco, 2012. Segundo SENÇO (1997 apud OLIVEIRA, 2000), os precursores dos pavimentos rígidos foram os ingleses, que iniciaram a sua construção em 1865. O primeiro pavimento de concreto construído nos Estados Unidos data de 1891 e hoje funciona como calçadão para pedestres. Foi executado na cidade de Bellefontaine, no estado de Ohio. Em diversos países, principalmente Alemanha e Estados Unidos, o pavimento de concreto passou a ter preferência para auto-estradas, antes da Segunda Guerra Mundial. Nessa época a Alemanha tinha cerca de 92% de suas auto-estradas em concreto. No fim dos anos 50 os Estados Unidos tinham cerca de 89% das grandes vias urbanas e 79% das vias rurais pavimentadas com concreto. No Brasil, o primeiro pavimento de concreto foi executado no Caminho do Mar – ligação de São Paulo a Cubatão –, em 1925. “A camada na qual assenta a laje de betão é a camada de sub-base e é constituída por material granular, podendo em alguns casos, ser estabilizada por um ligante hidráulico” afirma Francisco, 2012. O pavimento rígido, de acordo com Lucchesi, 2018 é aquele que tem a camada de revestimento mais rigída em relação às camas inferiores, esta absorve a maior parte das tensões advindas das deformações da placa. “A pavimentação rígida tem como base a implementação de cimento como aglomerante hidráulico para a interligação dos agregados envolvidos no concreto, sendo a placa de cimento seu principal componente estrutural”, segundo Lucchesi, 2018. “Nesses pavimentos a espessura é fixada em função da resistência à flexão das placas de concreto e das resistências das camadas subjacentes”, de acordo com Lucchesi, 2018. Normalmente os pavimentos rígidos são constituídos das seguintes camadas, como afirma Lucchesi, 2018: • revestimento rígido, • sub-base, reforço de subleito, adotado no caso de subleitos com baixa capacidade de suporte, •e regularização o subleito A estruturação do pavimento rígido é mais simples em relação ao flexível, afirma Lucchesi, 2018. 21 As camadas de base e de revestimento no pavimento rígido são unidas em uma única, desempenhando as mesmas funções que as camadas de base na pavimentação asfáltica, necessitando apenas de mais uma camada de sub-base e eventual regularização do subleito da via (LUCCHESI, 2018 Apud ALMEIDA et al., 2016). Pavimentos de concreto têm por definição serem pavimentos rígidos. Devido a sua resistência à tração, a camada de revestimento tem a capacidade de absorver grande parte das cargas gerada pelo tráfego e outras variáveis, tais como as variações de temperatura e umidade. Estes fatores não acontecem em pavimentos flexíveis, nos quais são empregados 20 materiais granulares, que por não apresentarem resistência à tração, necessitam de um maior número de camadas em sua estrutura e com espessuras mais significativas (PITTA, 1997). Além das propriedades estruturais, Mesquita (2001) e Bianchi et al. (2008) ressaltam que o pavimento de concreto de cimento Portland dispõe de uma maior durabilidade, tem grande vida útil (superior a 20 anos), pode ser construído com equipamentos de alto desempenho e é capaz de oferecer maiores benefícios aos usuários quando comparados aos pavimentos flexíveis. Dentre tais benefícios, pode-se citar: • Baixo custo de manutenção; • Grande resistência a variações climáticas e aos produtos químicos provenientes dos veículos; • Boa superfície de escoamento, podendo ser considerado até mesmo impermeável; • Não deforma nas trilhas de roda; • Gera economia no consumo de combustível dos veículos e na iluminação pública, em função de sua coloração clara; • Resulta em estruturas de pavimento menos robustas; • Maiores distâncias de visibilidade. Fonte: biblioteca.feevale.br 22 constituído geralmente por uma única camada superior (laje) de betão de cimento, geralmente cimento portland, que funciona simultaneamente como camada de desgaste e de base. A elevada resistência à flexão do betão de cimento faz com que o pavimento não sofra deformações acentuadas, mesmo quando sujeito a tráfego pesado e intenso e em solos que possua fraca capacidade de carga. É muito importante que esta camada garanta a impermeabilidade do pavimento, não só através da laje como das juntas que devem estar seladas com material adequado. Como a laje de betão absorve as cargas impostas ao pavimento e as degrada numa grande área, a tensão vertical máxima que atinge a fundação corresponde a uma pequena fração da pressão de contacto pneu-pavimento (RODRIGUES, 2011). Este fato leva o autor acima a relatar que a fundação não desempenhe um papel tão importante na capacidade resistente do pavimento, como no caso de um pavimento flexível. A camada de sub-base é constituída por material granular normalmente estabilizado com ligante hidráulico (betão pobre, solo- cimento) de forma a oferecer uma boa resistência a solicitações de tráfego pesado e intenso. Também visa garantir uma superfície estável e uniforme à camada sobrejacente, com capacidade para resistir à erosão, tanto no decorrer da obra como ao longo da vida útil do pavimento. A fundação deve ser constituída por material homogéneo, não sensível à água. Se apresentar heterogeneidade nas suas características físicas e mecânicas bem como reduzida capacidade de carga, deve incorporar um leito de pavimento com solo melhorado. É necessário referir que devido à sua grande durabilidade, comparativamente aos pavimentos flexíveis, o uso de pavimentos de betão é uma excelente alternativa de pavimentação, seja para estradas, vias marginais, grandes avenidas, aeroportos, etc. Os metodos para pavimento rígido são: a) Método da Pca: “O método da PCA/1984 (Portland Cement Association) é um método empírico mecanístico de dimensionamento de pavimentos de CCP (concreto de cimento Portland), segundo Lucchesi, 2018”. 23 De acordo com Lucchesi, 2018 “esse método utiliza a avaliação mecanicista e modelos de desempenho por fadiga do concreto e de erosão das placas de CCP”. São utilizados ábacos para a determinação das tensões atuantes que foram elaborados com base no cálculo de tensões através de métodos de elementos finitos (MEF), que permite a análise das placas como elementos de dimensões finitas. (LUCCHESI, 2018). “O método de 1984 é fundamentado exclusivamente no modelo de fadiga do concreto”, afirma Lucchesi, 2018. Segundo Lucchesi, 2018, “a lém disso, o método da PCA/84 aplica-se tanto a pavimentos de concreto simples e com barras de transferência, quanto aos dotados de armadura distribuída, descontínua, e é utilizado um modelo de análise estrutural por elementos finitos”. Outros tópicos que o novo processo leva em conta são, de acordo com Lucchesi, 2018: • o tipo e o grau de transferência de carga nas juntas transversais; • os efeitos da existência ou não de acostamentos de concreto; • a contribuição estrutural das sub-bases de concreto rolado ou sub-bases tratadas com cimento; a ação dos eixos tandem triplos; • e introduz o modelo de ruína por erosão de fundação do pavimento, o qual inclui o modelo de ruína por formação de degraus ou escalonamento nas juntas transversais, usando-o concomitantemente com o tradicional modelo de fadiga. Santos, 2011 citado por Lucchesi, 2018 diz que “o sistema permite combinar facilmente diferentes fatores de projeto, propiciando a análise acelerada de muitas soluções alternativas”. b) Método da AASHTO “O método de dimensionamento de pavimentos de CCP da AASHTO/1993 é um método basicamente empírico que tem como base os resultados obtidos na pista de testes da AASHO”, segundo Lucchesi, 2018. Assim como o método de dimensionamento de pavimentos asfálticos contido no guia, o método de pavimentos rígidos oferece um modelo de dimensionamento baseado no desempenho do índice de serventia 24 – PSI. Note-se que os modelos da AASHTO, tanto para pavimento asfáltico quanto rígido tem uma forma bastante similar. (LUCCHESI, 2018). Santos, 2011 citado por Lucchesi, 2018 diz que “para a determinação da estrutura, o período de projeto é normalmente considerado como 20 anos.” 3.3 pavimentos semirrígidos Já as camadas superiores dos pavimentos semirrídos, são formadas por que compostos betumiosos, e as camadas de bade são materiais granulares, que são tratados com ligantes hidráulicos, segundo Francisco, 2012. A resposta estrutural de cada um destes pavimentos é diferente perante as mesmas ações. Os pavimentos flexíveis, como apresentam uma camada superficial em material betuminoso, conduzem a uma maior concentração de tensões no solo de fundação, devido à flexibilidade das camadas superiores. Em relação aos pavimentos rígidos, têm uma maior distribuição de tensões no solo de fundação, sendo a tensão máxima menor quando comparada com a tensão máxima dos pavimentos flexíveis. (FRANCISCO, 2012). De acordo com Lucchesi, 2018 “o pavimento semirrígido é caracterizado por apresentar uma base cimentada e revestimento flexível’. Segundo Lucchesi, 2018 “esse tipo de pavimento apresenta nível de deformação intermediário, sendo superior ao do flexível e inferior ao do rígido”. Os pavimentos semirrígidos são mais propícios a sofrer deformações, por se localizar na maioria das vezes em locais onde o trafego de veículos pesado é recorrente. A manutenção deste pavimento é mais fácil, o que se busca em uma obra que necessita de um menor custo benefício. Para pavimentos rígidos e semirrígidos pode ser utilizado aglomerantes ou cimentos hidráulicos que podem ser: cal, cimentos naturais, cimento Portland, cimentos de endurecimento rápido, pozolanas, entre outros, sendo utilizados de acordo com o projeto ou disponibilidade local (LUCCHESI, 2018 Apud BALBO, 2007). 25 4 MATERIAIS UTILIZADOS NA PAVIMENTAÇÃOOs pavimentos são compostos por três camadas base, sub-base e reforço do subleito. Fonte: cnasfaltos.com.br/ Bernucci e col, 2008 afirma “que os materiais de base, sub-base e reforço do subleito são ainda classificados segundo seu comportamento frente aos esforços em”: • materiais granulares e solos, • materiais estabilizados quimicamente ou cimentados, • materiais asfálticos. Segundo Bernucci e col, 2008 “entende-se por materiais granulares aqueles que não possuem coesão (a não ser aparente pela sucção) e que não resistem à tração, trabalhando eminentemente aos esforços de compressão”. Os materiais cimentados são os materiais granulares após ser adicionado a eles cimento ou outro aditivo, o que causa maior rigidez e resistência a tração e compressão, como afirma Bernucci e col, 2008. “Há ainda misturas asfálticas e solo-asfalto que se destinam à camada de base e que poderiam ser classificadas como coesivas”, de acordo com Bernucci e col, 2008. http://cnasfaltos.com.br/ 26 Dessa maneira a integração dos agregados ou partículas, é feita pelo ligante asfáltico sendo a resistência à tração bastante superior aos solos argilosos, em decorrência disso são classificados em outra classe, diferente dos solos e dos materiais cimentados, como afirma Bernucci e col, 2008. De acordo com Bernucci e col, 2008 “os materiais mais empregados em pavimentação da classe dos granulares e solos são”: • brita graduada simples (BGS) e bica ou brita corrida, • macadame hidráulico, • macadame a seco, • misturas estabilizadas granulometricamente (estabilizadas por combinação de materiais para atender certos requisitos ou mecanicamente), • solo-agregado, • solo natural, • solo melhorado com cimento ou cal. Bernucci e col, 2008 afirma que “deve-se ressaltar ainda a existência de outros materiais de uso crescente em pavimentação, decorrentes de reutilização e reciclagem (da classe dos granulares e solos)”: • escória de alto-forno, • agregado reciclado de resíduo sólido de construção civil e demolições, • rejeitos de extração de rochas ornamentais, • mistura asfáltica fresada. Já “os materiais cimentados mais frequentes, como cita Bernucci e col, 2008, são: • brita graduada tratada com cimento (BGTC), • solo-cimento, • solo-cal; solo-cal-cimento, • concreto rolado (CCR – concreto compactado a rolo). E por fim Bernucci e col, 2008 lista as misturas asfálticas, sendo estas: • solo-asfalto, • solo-emulsão, 27 • macadame betuminoso e base asfáltica de módulo elevado. “Para os materiais de base, sub-base e reforço do subleito, empregam-se métodos de seleção e de caracterização de propriedades”, de acordo com Bernucci e col, 2008. Fonte: www.estaterpavimentacao.com.br “A seleção é uma etapa preliminar que consiste em averiguar os materiais disponíveis quanto às características de natureza para serem empregados na estrutura dos pavimentos”, afirma Bernucci e col, 2008. “As características de natureza interferem nas propriedades geotécnicas no estado compactado”, de acordo Bernucci e col, 2008. Segundo Bernucci e col, 2008 “de maneira geral, os materiais de pavimentação compactados devem apresentar-se resistentes, pouco deformáveis e com permeabilidade compatível com sua função na estrutura”. “Os materiais são basicamente constituídos por agregados, solos e, eventualmente, aditivos como cimento, cal, emulsão asfáltica, entre outros”, completa Bernucci e col, 2008. 4.1 Sub-base A conformação geométrica da sub-base deve ser mantida até a ocasião da execução do revestimento de concreto, segundo o DENIT, 2006. 28 De acordo com o DENIT, 2006, deve também estar novelada e regularizada, dentro de rigorosas especificações de execução e de controle topográfico, de modo que não interfira na operação da vibroacabadora e na qualidade final do pavimento”. “Na colocação de película isolante e impermeabilizante sobre a superfície da sub-base deve-se verificar se a película está adequadamente esticada e se as emendas são feitas com transpasse de, no mínimo, 20 cm”, segundo DENIT, 2006. “As linhas de sensores devem ser assentadas nas duas laterais do equipamento de fôrmas deslizantes, de acordo com alinhamentos e cotas de projeto”, segundo o DENIT, 2006. “Estes devem ser, de acordo com o DENIT, 2006, instalados sobre suportes metálicos apropriados, adequadamente esticadas, tensionadas e sem catenárias”. “É de fundamental importância verificar sistematicamente o correto alinhamento e nivelamento das linhas sensoras antes do início de cada jornada de trabalho’, segundo o DENIT, 2006. Isso, de acordo com o DENIT, 2006, “para evitar choques ou deslocamentos das linhas sensoras, para não provocar alterações no nivelamento e no alinhamento do pavimento acabado”. “Caso ocorram deslocamentos nessas linhas é necessário interromper a concretagem até que seja reposicionado garantindo o nivelamento e alinhamento do projeto”, segundo DENIT, 2006. É a camada complementar à base, quando, por circunstâncias técnicas e econômicas, não for aconselhável construir a base diretamente sobre a regularização ou reforço do subleito. Segundo a regra geral — com exceção dos pavimentos de estrutura invertida - o material constituinte da sub-base deverá ter características tecnológicas superiores às do material de reforço; por sua vez, o material da base deverá ser de melhor qualidade que o material da sub-base (ROSSI, 2017 Apud BALBO, 2007). 29 4.2 Base De acordo com Rossi, 2017 por se localizar abaixo do revestimento dio pavimento, ainda que rígido, semirrígido ou flexível, é a parte mais importante do pavimento. Conforme afirma Rossi, 2017 a base “será responsável pelo suporte estrutural do pavimento tendo que dissipar as cargas para as próximas camadas, reduzindo sua intensidade” É a camada destinada a resistir aos esforços verticais oriundos do tráfego e distribuí-los. Na verdade, o pavimento pode ser considerado composto de base e revestimento, sendo que a base poderá ou não ser complementada pela sub-base e pelo reforço do subleito (ROSSI, 2017 Apud SENÇO, 2007). Fonte: www.multiplaconstrutora.com.br 4.3 Subleito Para Gonçalves (1999), as propriedades mecânicas do solo de subleito são influenciadas pelo regime de tensões a ele imposto. Este regime deve ser 30 considerado em duas partes: o estado de tensões resultante das condições de equilíbrio estabelecidas após a construção, quando as condições de umidade se estabilizaram, e aquele imposto de forma transiente por uma carga de roda em movimento. A resposta de um elemento de solo às cargas aplicadas depende de sua história de tensões durante a consolidação e do estado atual de tensões efetivas. Como o topo do subleito tende a se encontrar acima do nível do lençol freático, tem-se que, imediatamente acima do lençol, onde o solo está saturado, a poro pressão negativa é proporcional à altura acima do lençol. A proporcionalidade termina à medida que o solo se torna parcialmente saturado nas alturas maiores, no que influi o tipo de solo. Para solos finos e lençóis pouco profundos, pode-se admitir saturação completa do subleito para efeito do projeto. Medidas feitas com tensiômetros na Inglaterra pelo TRL em subleitos de pavimentos rígidos mostram que a poro pressão em solos argilosos pode se encontrar tanto acima como abaixo da reta hidrostática, em pontos situados a mais de 1 m do nível do lençol freático. Mostraram também que ocorrem apenas pequenas variações sazonais, apoiando o conceito de um teor de equilíbrio sob superfícies impermeáveis. No caso de pavimentos flexíveis em concreto asfáltico, deve-se pesquisar a existência ou não de correlações entre o trincamento de superfície, expresso pela percentagem de área trincada, por exemplo, e um parâmetro relacionado ao mecanismo de trincamento por fadiga, comoa deflexão máxima ou a deformação máxima de tração sob o revestimento. A inexistência de relações bem definidas entre parâmetros estruturais e parâmetros que expressem a degradação do pavimento revela que a origem dos defeitos observados deve estar não em um processo normal de deterioração, que se acumula com a repetição das cargas do tráfego, mas em outros mecanismos como: 1. Envelhecimento natural do revestimento asfáltico, onde a oxidação do ligante torna a mistura gradativamente mais frágil, e propensa a sofrer trincamento apenas em virtude das tensões geradas pelas oscilações térmicas; 2. Condições adversas de drenagem subsuperficial ou subterrânea; 3. Deficiências construtivas, como má compactação, segregação, asfalto superaquecido na usina ou aplicado abaixo da temperatura adequada. 31 O subleito é o terreno de fundação em que é apoiado o pavimento. É a camada responsável por absorver definitivamente os esforços verticais causados pelo tráfego e é constituída de material natural consolidado e compactado. É o espaço delimitado superiormente pelo pavimento e deve ser estudado apenas até a profundidade onde as cargas impostas pelo tráfego são significativas, que deve variar entre 0,60 e 1,5 metro4. Segundo a DNIT 137/2010, a regularização do subleito deve ser feita com o próprio solo, apresentando expansão menor ou igual a 2%, e com índice de suporte Califórnia (CBR) e compactação determinados pelas normas do DNER 49/94 e DNER 129/94, respectivamente (LEVY, 2009). Fonte: www.aecweb.com.br Acima do subleito é encontrada a Regularização, ou seja, uma faixa de nivelamento do subleito, construída sobre ele com o objetivo de conformá-lo transversal e longitudinalmente. Não constitui uma camada do pavimento propriamente dito. Nos casos em que a pavimentação é executada logo após a terraplenagem, a regularização se resume a corrigir algumas falhas da superfície. Por outro lado, quando a pavimentação é executada sobre um leito natural antigo (de estrada de terra), essa superfície se apresentará mais irregular, demandando maiores cuidados (ANDRADE, 2019). Nesse caso, Levy (2009) relata que a regularização será feita por uma camada com espessura variável de até 20 centímetros. Essa operação também 32 pode ser chamada de preparo do subleito e deve ter as características geométricas (inclinação transversal) do pavimento já acabado, podendo ou não ser necessária. Embora não enseje uma descrição complexa, se não executada de acordo com todos os requisitos técnicos, a regularização pode comprometer todo o trabalho de pavimentação, pois, por ser o suporte sobre o qual irão trabalhar todas as camadas do pavimento e ser o receptáculo final das cargas transmitidas, um subleito mal executado traz danos a toda a estrutura. De acordo com Senço, 2007, citado por Rossi, 2017 “ a regularização deve dar à superfície as características geométricas — inclinação transversal — do pavimento acabado”. Segundo Senço, 2007 citado por Rossi, 2017 “nos trechos em tangente, duas rampas opostas de 2% de inclinação, 3 a 4%, em regiões de alta precipitação pluviométrica — e, nas curvas, uma rampa com inclinação da superelevação”. A regularização não constitui propriamente uma camada de pavimento, sendo, a rigor, uma operação que pode ser reduzida em corte do leito implantado ou em sobreposição a este, de camada com espessura variável (Manual de Pavimentação – (ROSSI, 2017 Apud DNIT, 2006). “Não é sempre necessário, de acordo com Rossi, 2017.e vai depender do solo do subleito e do esforço solicitado do pavimento”, É uma camada de espessura constante, construída, se necessário, acima da regularização, com características tecnológicas superiores às da regularização e inferiores às da camada imediatamente superior, ou seja, a sub-base. Devido ao nome de reforço do subleito, essa camada é, às vezes, associada à fundação. No entanto, essa associação é meramente formal, pois o reforço do subleito é parte constituinte especificamente do pavimento e tem funções de complemento da subbase que, por sua vez, tem funções de complemento da base. (ROSSI, 2017). Segundo Senço, 2007 citato por Rossi, 2017 “assim, o reforço do subleito também resiste e distribui esforços verticais, não tendo as características de absorver definitivamente esses esforços, o que é característica específica do subleito”. 33 Segundo Rossi, 2017 “o emprego de camada de reforço de subleito não é obrigatório, pois espessuras maiores de camadas superiores poderiam, em tese, aliviar as pressões sobre um subleito medíocre”. Este, mais usado por seu custo benefício, porque o subleito de baixa iria exigir de alguns pavimentos camadas mais espessas de base e sub-base, de acordo com Rossi, 2017. Logicamente, o reforço de subleito por sua vez resistirá a solicitações de maior ordem de grandeza, respondendo parcialmente pelas funções do subleito e exigindo menores espessuras de base e sub-base sobre si, sendo em geral menos custoso o emprego de solos de reforço, em vez de maiores espessuras de camadas granulares ou cimentadas quaisquer que sejam (ROSSI, 2017 Apud BALBO, 2007). “Os materiais utilizados na pavimentação podem variar conforme o tipo de pavimento ou tipo de camadas necessárias em cada obra”, segundo Rossi, 2017. De acordo com Rossi, 2017 “Os materiais utilizados para a base, sub- base e reforço do subleito são classificados segundo sua natureza e comportamento”. Fonte: www.mapadaobra.com.br Existem muitos tipos de materiais utilizados nesse tipo de obra, Rossi, 2017 lista os tipos de materiais utilizados nesse tipo de obra: • Brita Graduada Simples: é um material bem graduado com diâmetro nominal máximo de 38mm, porém é mais usual com 34 diâmetros nominais menores, mais possui poucos finos passantes na peneira #200. Geralmente apresenta índice de 17 suporte Califórnia (CBR) maior que 60% e expansão nula ou muito baixa. A distribuição do material deverá ser realizada preferencialmente com vibroacabadora e ser compactada logo após o espalhamento do material na pista (ODA, 2016). • Macadame Hidráulico: é composto por agregado graúdo, agregado miúdo e água. Foi um material muito utilizado antigamente, antes do aparecimento da BGS, ainda é utilizado em locais que não apresentam usinas de BGS. Primeiramente o agregado graúdo é distribuído na pista, devendo ser compactado. Após a realização dessa etapa, deverá ser adicionado o agregado miúdo que irá se localizar nos vazios existentes entre os agregados graúdos. Por fim, para preencher qualquer outro vazio são adicionados os agregados finos e a água que irão se alojar nos vazios e formar uma estrutura firme da camada (ODA, 2016). • Macadame Seco: é similar ao macadame hidráulico, porém a diferença é que nesse caso não há presença de água para realizar o preenchimento dos vazios na camada. (ODA, 2016). • Solo Agregado: composto por agregados, solo e água. Esses materiais podem ser misturados em usinas e são aplicados diretamente no solo e compactados posteriormente por rolo liso ou pé de carneiro (ODA, 2016). • Rachão: o rachão é um material mais bruto e utilizado em camadas onde há a necessidade de aumentar a resistência, basicamente são pedregulhos de grandes dimensões que são aplicados no solo sem que sejam compactados. Normalmente utilizado para reforço do subleito ou sub-base. Segundo Rossi, 2017 “Os materiais para a camada de revestimento variam de acordo com o tipo de pavimento: flexível, rígido ou semirrígido. E para isso pode-se utilizar os seguintes materiais”. 35 • Asfalto: bastante utilizado em pavimentação, pode ser apresentado em 3 tipos: cimentos asfálticos, asfaltos diluídos e emulsões asfálticas. − Cimento Asfáltico (CAP): segundo a definição de (PINTO E PINTO, 2015) o cimento asfáltico é o asfalto obtido especialmente para apresentarcaracterísticas adequadas para o uso na construção de pavimentos, podendo ser resultado de destilação de petróleo em refinarias ou do asfalto natural encontrado em jazidas. − Asfalto diluído (AD): segundo a definição de (PINTO E PINTO, 2015) o asfalto diluído ou cut-backs são diluições de cimentos asfálticos em solventes derivados do petróleo de volatilidade adequada, quando há necessidade de eliminar o aquecimento do CAP ou utilizar um aquecimento moderado. − Emulsões asfálticas (EAP): segundo a definição de (PINTO E PINTO, 2015) emulsão asfáltica de petróleo é uma dispersão coloidal de uma fase asfáltica em uma fase aquosa (direta) ou, então, de uma fase aquosa dispersa em uma fase asfáltica (inversa), com a ajuda de um agente emulsificante. É obtida pela combinação de água com asfalto aquecido, em um meio intensamente agitado e na presença dos emulsificantes, cujo objetivo é oferecer certa estabilidade ao conjunto, favorecer a dispersão e revestir os glóbulos de betume de uma película protetora, mantendo- os em suspensão. • Cimento: em pavimentos rígidos será utilizado o cimento Portland como base para a produção dos elementos da camada de revestimento. Segundo a NORMA DNIT 059/2004 – ES, o cimento Portland poderá ser de qualquer tipo, desde que satisfaça as exigências especificas da DNER-EM036, para o cimento a ser empregado. 36 5 EXECUÇÃO DOS PAVIMENTOS De acordo com o DENIT, 2006. “é necessário prover plataforma, resistente e o mais nivelado possível para a movimentação da vibroacabadora de fôrmas deslizantes, com largura suficiente para instalação das linhas guias”. 5.1 Plano de qualidade O Plano de Qualidade tem como objetivo um bom acompanhamento e fiscalização dos serviços, onde será organizado os procedimentos que devem ser respeitados por quem irá executar o projeto, referente a execução prévia de trecho experimental. O trecho experimental deve compor o projeto, e é necessário que os responsáveis acompanhem a execução, é necessário colocar os processos que se refere de construção do pavimento de concreto, para que cumpra todas as exigências da norma (DENIT) e no projeto, isso desde o início até o final da obra, partindo do transporte até a execução do produto. 37 REFERÊNCIAS ANDRADE. M. H. F. Pavimentação Asfáltica. Introdução a Pavimentação, 2019. BALBO.J.T. Engenharia Civil. Pavimentação asfáltica, 2007. BERNUCCI. e col. Pavimentação asfáltica, 2008. CAMPITELI.M. Pavimentação Asfáltica. Engenharia Civil para Petrobrás, 2014. GONÇALVES.F.P. Pavimentação Asfáltica. O Desempenho dos Pavimentos Flexíveis, 1999. CUNHA.C.M. Reciclagem de Pavimentos Rodoviários Flexíveis Diferentes Tipos de Reciclagem, 2010. FRANCISCO.A.P.S. Comportamento Estrutural de Pavimentos Rodoviários Flexíveis, 2012. GODOI.D.L. R. Pavimentação Asfáltica. PATOLOGIA: ESTRADAS E PAVIMENTAÇÃO, 2018. LEVY.J. Pavimentação Asfáltica. Subleito e sub-base - Suas especificações, 2009. MARQUES.G.L.O. PAVIMENTAÇÃO, 2006. OLIVEIRA, PATRÍCIA LIZI DE. Pavimentação Asfáltica. PROJETO ESTRUTURAL DE PAVIMENTOS RODOVIÁRIOS E DE PISOS INDUSTRIAIS DE CONCRETO, 2000. 38 PAIXÃO.M.P. e col. PAVIMENTOS SEMIRRÍGIDOS: PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA REFLEXÃO DE TRINCAS, 2017. RODRIGUES, JOSÉ LUÍS AZEVEDO. Pavimentação Asfáltica. CONCEÇÃO DE PAVIMENTOS RÍGIDOS, 2011. ROSSI.A.C. ETAPAS DE UMA OBRA DE PAVIMENTAÇÃO E DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO PARA UMA VIA NA ILHA DO FUNDÃO, 2017.