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1 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 FINCLASS B r en o P er r u ch o Primeiros Passos e- B /0 3 2 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 1 Introdução Começou a produzir conteúdo musical no canal do Youtube. Por influência do pai, teve desde cedo contato com instrumentos musicais. Acessava, do Youtube, conteúdos de músicos jovens que tocam vários instrumentos, no mesmo enquadramento. Decidiu que queria fazer isso também e passou a editar os próprios vídeos, fazendo edição de vídeo e tratamento de áudio. Com o falecimento do pai, recebeu um valor significativo de herança e não sabia o que fazer com o dinheiro. Até essa idade não tinha conseguido descobrir como gastar a herança que havia recebido. “Acredito que a melhor coisa que me aconteceu foi não ter encontrado a resposta; voltei a recorrer ao Youtube, o ‘melhor professor que tive na vida’ e coloquei lá: como começar a investir? Conheci pessoas, educadores financeiros, que depois moldaram e trilharam o meu caminho nesse mundo; e depois, li livros e artigos em blogs de corretoras de valores. E comecei a entender a importância do dinheiro na vida das pessoas”. DESDE OS PRIMÓRDIOS 12 ANOS 13 ANOS 18 ANOS 3 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 “Comecei a pensar, cara, será que consigo pegar esses conhecimentos que são tão relevantes para a vida de qualquer pessoa e falar de um jeito jovem? Subverter o paradigma de que educação financeira ou finanças preci- sa ser falado só por sujeito engravatado no horário nobre da Globo News”. Reuni todos os conhecimentos adquiridos e criei o canal Jo- vens de Negócios para falar de educação financeira e em- preendedorismo com uma linguagem jovem e simples. Não é preciso ser rico para come¢ar a investir, mas se algum dia você quiser enriquecer é absolutamente necessário saber investir. 4 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Na época, estava na faculdade cursando engenharia de produção e comecei a refletir sobre a didática empregada: aquela forma de ensinar, com uma pessoa falando para ou- tras 50, sem considerar gostos, paixões, talentos. O modelo era voltado para desenvolver um senso crítico, para identifi- car e sanar os problemas do Século 21? Ou era simplesmen- te um modelo criado pra resolver as necessidades de uma sociedade industrial de 150 anos atrás? Fiquei desmotivado com a parte acadêmica do ensino e per- cebi que era muito mais produtivo procurar os assuntos do meu interesse e fazer uma prospecção de conhecimento. Muito motivado com o alcance e feedback dos meus vídeos, resolvi interromper o curso na faculdade. Fui questionado por familiares: sem uma formação acadêmica, qual seria a minha credibilidade para difundir o conteúdo? Sem o res- paldo acadêmico, como vai ser visto como uma autoridade para falar sobre educação financeira? Preferi aceitar o questionamento como um desafio, em vez de aceitar que os sonhos eram fruto de uma ingenuidade infantil. PONTO DE INFLEXÃO 5 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O objetivo deste material é compartilhar um pouco dos aprendizados em educação financeira, que tive ao longo da trajetória de forma acessível: saber gerenciar melhor o próprio dinheiro, saber a diferença entre bons e maus inves- timentos, saber a diferença entre investimento e especula- ção. Afinal, Bolsa de Valores é, realmente, um cassino? Meu nome é Breno Perrucho e essa é minha Finclass. "E foi com isso, com a consistência ao longo do tempo, de acordar cedo e dar conta do trabalho, disciplinadamente, abrindo mão das tenta¢ões e gratifica¢ões instantâneas do curto prazo e, dia após dia, cada vez mais vídeos eram postados, as pessoas come¢aram a ver. E hoje, a Jovens de Negócios é uma plataforma que impacta mais de 3 milhões de pessoas em todas as redes, todos os meses". 6 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 7 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 2 O que ensinaram errado? O mundo dos investimentos é maravilhoso! É como se, ao começar a aprender sobre educação financeira, retirásse- mos um véu que permite ver o mundo de outra forma. Antes de aprender o que são investimentos é preciso rever alguns paradigmas: 1 - INVESTIR É ENRIQUECER RÁPIDO Culturalmente, entendemos que a Bolsa de Valores é algo que pode nos fazer enriquecer ou perder tudo muito rápido. Analisando friamente, se o risco fosse tão grande não ha- veria tantas pessoas interessadas em investir. De 2019 para 2021, a Bolsa de Valores aumentou imensamente o núme- ro de investidores, de menos de um milhão de investidores, chegou a mais de 3 milhões. Isso ainda é pouco, se compa- rado aos Estados Unidos, que tem o mercado de capitais mais desenvolvido do mundo, em que mais de 60% da po- pulação estadunidense investe em renda variável. Aqui no Brasil o mercado de capitais ainda tem um enorme poten- cial de crescimento. A ECONOMIA CAPITALISTA 8 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 [É preciso] se abster do pensamento de que investir na Bolsa de Valores é enriquecer rápido, de que investir é aquela coisa que a gente vai ou perder tudo ou ganhar muito dinheiro. Porque na verdade, investir é um trabalho de disciplina e consistência a longo prazo. 9 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A metodologia que vamos abordar é provada. Com con- sistência e disciplina, ao lon- go do tempo, vai possibilitar que alcance uma liberdade financeira, enquanto alguém motivado pela ganância e imediatismo, pode tomar ações precipitadas e acabar tendo prejuízo. As histórias dos maiores in- vestidores de todos os tem- pos como o Ray Dalio e War- ren Buffet têm similaridades, que não podem ser ignora- das: todos tiveram resulta- dos consistentes ao longo de décadas, que possibilita- ram acumular um patrimô- nio que os tornam alguns dos homens mais ricos do mundo. METODOLOGIA SEGURA 10 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 2 - INVESTIR É ARRISCADO Esse segundo paradigma é um desdobramento da ideia de enriquecimento rápido. Ouvimos histórias de pessoas que venderam um carro ou uma casa para investir na bolsa de valores e perderam tudo. O que há de comum nas histórias é a falta de conhecimento. Pra quem não tem conhecimento, tudo é arriscado. Um cassino é feito para o jogador perder, porque precisa se tornar um negócio sustentável. A probabilidade de perder dinheiro jogando em um cassino é muito maior do que a de ganhar. Mas com investimentos é diferente. O conhecimento é o maior minimizador de riscos que existe. 11 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Investimento não é igual a especulação. INVESTIMENTO X ESPECULAÇÃO Uma operação de investimento é uma que, após análise mi- nuciosa, promete a segurança do capital e uma remuneração apropriada. As operações que não cumprem esses requisitos são especulativas. - Benjamin Graham 12 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Uma “análise minuciosa” não é uma aposta. Permite de- monstrar maiores probabilidades de que o investimento vai trazer retornos tangíveis em longo prazo. Exemplificando: qual a probabilidade de uma empresa como a Ambev de ir à falência? Se você respondeu: “Nenhuma, pois ela tem mais de 70% do mercado”, talvez não seja exatamente uma análise precisa. É preciso aprofundar a análise, entender os fundamentos, os balanços, os números, as métricas do que existe dentro da empresa, se a marca é reconhecida pela população, para entendermos se o negócio é viável para investirmos o nosso dinheiro. Sem fazer estas análises, o que estamos fazendo é uma especulação. Bolsa de Valores é cassino? A resposta é não.Bolsa de Va- lores é um dos maiores instrumentos de multiplicação de capital, quando utilizada de forma inteligente e analítica. 13 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 3 - INVESTIR É ‘COISA DE GENTE RICA’ Ora, se acabamos de definir investimento de longo prazo como um dos maiores instrumentos de multiplicação de capital, praticamente partimos do pressuposto de que co- meçamos com pouco. No entanto, o conhecimento que dá a segurança do aporte consistente ao longo do tempo se sustenta em três pilares: i. A rentabilidade ano a ano, que vai depender dire- tamente do seu conhecimento para conseguir maiores ren- tabilidades: tudo vai depender da estratégia para alocar o patrimônio e diversificar a carteira. ii. Tempo de investimento. Não adianta ter uma ren- tabilidade muito alta em um ano se, nas outras décadas, não existir o trabalho dos juros compostos de incidirem sobre o patrimônio. iii. O tamanho do aporte realizado mês a mês. Ao as- sumir o compromisso de se planejar financeiramente e ga- nhar muito dinheiro ao longo do tempo, isso é um trabalho de consistência e disciplina. É preciso abrir mão de gratifi- cações instantâneas. Resistir à tentação de gastos no curto prazo vai fazer com que o dinheiro, ao longo do tempo, sob efeito dos juros compostos, se multiplique e gere a sua fon- te de renda passiva. 14 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Quando você tem uma fonte de renda passiva você não pre- cisa mais vender as suas horas de trabalho para obter o sus- tento: o dinheiro trabalha por você, gerando rendimentos, dividendos, juros sobre capital próprio. Renda passiva é a quantidade de dinheiro que você recebe com consistência e previsibilidade, ao longo do tempo, depois que você coloca o dinheiro para trabalhar por você. 15 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 4 - ESTOU MUITO VELHO PARA COMEÇAR A INVESTIR Se você passou muito tempo da vida sem investir e acha que vai entrar muito atrasado nesse mundo, mais um motivo para começar a investir o mais rápido possível. Quem quer ter rentabilidade precisa equilibrar as próprias desvantagens. E a seu favor, a pessoa mais velha tem a pro- babilidade de possuir uma renda maior do que alguém jo- vem, que está começando. 5 - POUPANÇA É O INVESTIMENTO MAIS SEGURO No Brasil, o investimento que combina maior segurança à maior rentabilidade é o Tesouro SELIC. Tesouro SELIC é uma modalidade de investimento do tesouro direto, que rende a taxa SELIC ano a ano com a garantia do Tesouro Nacional. O Tesouro Nacional vai garantir qualquer quantia de patrimô- nio que se dispuser a investir. Não tem o risco de quebrar, além do risco do próprio país. Se você achar que o Brasil (em que vivemos hoje) tem um risco de quebrar e não conseguir arcar com seus próprios compromissos, então o investimento mais seguro de to- dos vai ser somente a pontinha do iceberg de tudo que vai acontecer para a população. 16 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Quando a taxa SELIC fica abaixo de 8,5% ao ano, a taxa da poupança será 70% disso. De cara, 30% da SELIC, que você deixou de ter, simplesmente, por escolher colocar o seu di- nheiro no tipo de aplicação que é mais comum, e que as pessoas acham que não tem risco. Em todos os cenários, o Tesouro SELIC vai render mais do que a poupança. Se SELICpe ci a l e- B /0 3 VOCÊ SABIA? Em todo investimento precisamos olhar as 3 características antes de definir se é ou não um bom investimento. O melhor cenário seria um investimento com as 3 características ao mesmo tempo. - Alta rentabilidade; - Alta segurança ou baixo risco; - Alta liquidez. Seria o investimento perfeito, mas isso não existe. Se te ofe- recerem algo assim, existe uma grande chance de ser gol- pe. Tome cuidado. Se você quer um investimento com alta rentabilidade e bai- xo risco, precisará se afastar da ponta da liquidez. Portanto, será um investimento com baixa liquidez. Caso você queira um investimento de baixo risco com alta liquidez, por consequência terá uma baixa rentabilidade. Por esse motivo, quando for investir, é importante saber qual é o seu objetivo. Assim, você saberá quais são as características principais e escolherá um produto com o perfil desejado. 22 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 23 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 3 Ativos e passivos Existem alguns conceitos que a gente precisa entender antes de botar a mão na massa e começar a investir. Um conceito importante que precisamos aprender para gerir melhor as finanças e planejar melhor o futuro é: a diferença entre ativos e passivos. Você já deve ter ouvido falar sobre eles, mas talvez não com o embasamento necessário para saber o que significam. 24 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O que que são passivos? Exemplo: digamos que você tem um sonho de comprar um automóvel SUV e agora, final- mente, vai chegar na concessionária para levar o carro. No momento em que você tira da concessionária o carro já per- de 20% do valor. PASSIVOS Ele sofre uma depreciação anual de 10%. É, basicamente, como se você perdesse 10% do valor do carro a cada ano que o mantivesse. E, ainda, precisa arcar com os custos de manutenção, gasolina, reparos, com IPVA, todas as coisas que tiram dinheiro do seu bolso para manter o carro dos so- nhos. 25 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Um ativo é algo que tem o potencial de se valorizar ao longo do tempo, e de colocar dinheiro no seu bolso ao longo do processo. Quero dar um senso crítico para entender as escolhas que você decide fazer na vida, porque ao munir-se de conhe- cimento pode conseguir uma casa no seu nome antes do que o faria, caso tivesse simplesmente a vontade de ter um financiamento. Porque você soube investir. ATIVOS 26 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Resumindo, para ficar bem internalizada a diferença entre ativos e passivos. - Ativo é tudo aquilo que tem o potencial de se valo- rizar ao longo do tempo e de colocar dinheiro no seu bolso, ao longo do processo. - Passivo, ao contrário, é tudo aquilo que tem o po- tencial de se depreciar ao longo do tempo e tirar di- nheiro do bolso, ao longo do processo. SÍNTESE 27 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O que acontece quando a gente se dispõe a acumular ati- vos: a gente acaba sofrendo um fenômeno chamado de “renda passiva”. É justamente o nosso dinheiro trabalhando por nós, diferente de quando compramos passivos. Eles vão cumprir o propósito de tirar dinheiro do seu bolso. Acumular passivos te prendem a uma renda ativa porque você precisa, o tempo todo, trabalhar ativamente para ter dinheiro. Enquanto o acúmulo de ativos pode te isentar deste trabalho. As pessoas acham que alguém que é rico, é rico por gastar um milhão. Se você tivesse um milhão de reais para gastar e comprasse passivos, teria na verdade comprado um monte de coisas que iriam tirar dinheiro, você teria de arcar ao lon- go do tempo - o que inevitavelmente o faria liquidar, vender esses passivos para ter um mínimo de qualidade de vida de novo. ACUMULAÇÃO 28 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Investidores compram ativos e assim enriquecem ao longo do tempo. Pessoas com mentalidade de pobreza compram passivos, porque elas ficam acorrentadas, presas às circuns- tâncias, por querer a curto prazo a gratificação instantânea, realizar os sonhos sem planejamento. Simplesmente por sa- berem que podem pegar algum financiamento a qualquer momento para realizar os sonhos, que poderiam ser realiza- dos lá no futuro. Isso impede que no futuro você possa ter tudo aquilo que poderia ter se tivesse deixado acumular ativos antes. AÇÃO DO INVESTIDOR Investidores compram ativos e os ativos compram o luxo. 29 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O QUE SÃO ATIVOS? Ativos são basicamente bens que você sabe que podem se valorizar, podem colocar dinheiro no seu bolso. Alguns exemplos são: Ações, fundos imobiliários, ETF’s BDR’s, stocks, todas essas modalidades de investi- mento, que com o trabalho de acumulação ao longo do tempo vão garantir renda. Ações: ações são partes, pequenas partes de empre- sas que são simplesmente negociadas em um meio, chamado Bolsa de Valores. Investidores que querem se tornar sócios, acionistas das empresas vão até a Bolsa de Valores, por intermédio do home broker, do site da cor- retora de valores, para poder ganhar o direito de se bene- ficiar de todas as coisas que um sócio da empresa pode. Aí estão inclusos os proven- tos, que são dividendos e ju- ros sobre capital próprio. Ao comprar ativos que pa- gam proventos, como ações, ou então que pagam rendi- mentos, como fundos imobi- liários, você acaba formando um fluxo de renda consis- tente que pode, previsivel- mente, usar para custear a sua qualidade de vida. Digamos que o seu custo de vida mensal seja R$ 2.000, então para que não precise trabalhar para ganhar essa quantia, você precisa acu- mular um patrimônio cuja renda gerada com os ativos paguem os R$ 2.000 por mês. 30 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Existem duas formas principais: digamos que comprou uma ação por R$ 10,00 e em seis meses a ação se valoriza e pas- sa a valer na sua corretora R$ 15,00. Ela teve uma rentabili- dade de 50% e assim você ganhou dinheiro. COMO OS ATIVOS COLOCAM DINHEIRO NO NOSSO BOLSO? 31 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 b) Distribuição de lucros: a) Ganho de capital por valorização das ações: Além de ela ter se valorizado ao longo deste tempo, cada ação desta empresa distribuiu dividendos, ou seja, distribuiu os lucros para seus acionistas. Simplesmente porque você tomou a iniciativa de comprar ativos. 32 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 FUNDOS IMOBILIÁRIOS O mesmo pode acontecer para fundos imobiliários, com a diferença de que fundos imobiliários têm a característica de pagar como um reloginho: pagam todo mês. Fundos imobiliários nada mais são do que empreendimen- tos imobiliários com ‘inquilinos’, empresas que pagam alu- guel para o fundo para distribuir o dinheiro gerado para os cotistas, que foram à Bolsa de Valores e se tornaram parte do fundo. Então de 1 em 1, de 2 em 2, de 10 em 10, de 100 em 100, va- mos cada vez mais aumentando nosso patrimônio. 33 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Com estes rendimentos, proventos como dividendos e juros sobre capital próprio, você ainda pode reinvestir comprando mais ativos. Isso cria um efeito de bola de neve chamado de juros compostos: quando, cada vez mais, os rendimentos que recebe são utilizados para acumular ativos. Assim, você pode finalmente chegar a um momento em que todos os rendimentos dados pelos ativos vão custear a sua qualidade de vida, para que assim possa deixar de trabalhar, porque o seu dinheiro vai trabalhar por você. JUROS COMPOSTOS 34 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 335 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 4 Simulações Vimos que existem três pilares que garantem o ganho de mais dinheiro ao longo do tempo: i. A rentabilidade dos ativos que compramos; ii. O tempo de que dispomos para investir nosso dinheiro; iii. O tamanho dos aportes que fazemos. 36 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Agora vamos ver na prática, com números reais, o que acon- tece quando você deixa os seus ativos criarem o efeito dos juros compostos. Caso 01. R$500,00, 10 anos a 10% Digamos que você tem R$ 500,00 por mês para investir. Este é o dinheiro que você separa todo mês, e usa para comprar ativos, fazendo aportes regulares, que, a cada ano, dão uma rentabilidade de 10%. Se você simplesmente depositasse esse dinheiro na conta corrente, depois de 10 anos teria R$ 60.000,00. No entanto, com o efeito dos juros compostos, se você con- seguisse uma aplicação que gerasse 10% ao ano de ren- tabilidade, depois de 10 anos teria, aproximadamente, R$ 100.000,00. Isso é um ganho de mais de 66%, só por investir bem o seu dinheiro. São R$ 40.000,00 a mais! JUROS COMPOSTOS NA PRÁTICA 37 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Caso 02. R$500,00, 20 anos a 10% a.a. Mudando um pouco as variáveis, vamos considerar agora que vai investir, não durante 10 anos, mas, mantendo a disci- plina, durante 20 anos. De novo, se o dinheiro fosse simples- mente colocado todos os meses na conta corrente, teria ao final de 20 anos R$ 120.000,00. Nesta conta não estão inclusos os juros compostos. Os mesmos valores investidos, pelo mesmo período, com uma rentabilidade de 10% ao ano, resultariam em R$ 360.000,00 com os juros compostos. Três vezes mais dinheiro do que teria caso não se dispusesse a investir. 38 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Caso 03. R$500,00, 30 anos a 10% a.a. Uma outra simulação que irá te surpreender: digamos que você é uma pessoa jovem e paciente e pode se dar ao luxo de esperar 30 anos mantendo a consistência de investir R$ 500,00 por mês, com uma rentabilidade de 10% ao ano du- rante estes 30 anos. A totalidade do dinheiro que teria ao fi- nal do período seria de, aproximadamente, R$ 1.040.000,00. Seriam R$ 180.000,00 caso você tivesse simplesmente colocado o dinheiro na conta corrente, mas você terá R$ 1.040.000 porque soube investir. E isso se considerarmos a rentabilidade de 10% ao ano, o que é uma rentabilidade absolutamente alcançável. 39 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Caso 04. R$500,00, 10 anos a 15% a.a. Você pode ir além e conseguir mais: vamos considerar que tenha 15% ao ano de rentabilidade. Durante 10 anos, com aporte de R$ 500,00 mensais e rentabilidade de 15% ao ano resultaria em R$ 130.000,00. Comparados aos R$ 100.000,00 do exemplo anterior, não parece muita diferença. Caso 05. R$500,00, 20 anos a 15% a.a. Se nas mesmas condições continuarmos por mais 10 anos, em 20 anos, teria um patrimônio de R$ 660.000,00. Compa- rando com o exemplo anterior com a contabilidade de 10%, o resultado seria R$ 360.000,00, são R$ 300.000 a mais por conseguir um ganho anual de 5% a mais. Caso 06. R$500,00, 30 anos a 15% a.a. E caso você se disponha a manter a rotina com a disciplina de aporte de R$ 500,00 mensais durante 30 anos e com a rentabilidade de 15% ao ano, o patrimônio acumulado seria de R$ 2.800.000,00. Só por comparação: o motivo para desenvolvermos este ra- ciocínio é para que consiga entender o quanto de capital tem que acumular para conseguir custear a qualidade de vida que você gostaria de ter. 40 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Faça a conta: quanto você gasta todo mês? Qual é o total do seu custo de vida? O que gasta com água, luz, roupas, com os seus filhos, com academia… a somatória de tudo isso é o seu custo de vida por mês. Com R$ 2.800.000,00 se você comprou fundos imobiliários, por exemplo, que rendem 0,5% ao mês, teria de rendimento todo mês R$ 14.000,00 que se reajustam com a inflação ao longo do tempo, e com consistência, porque você decidiu investir agora. Caso 07. Aportes de R$1000,00. Por último, gostaria de fazer mais uma simulação. Talvez você ache que R$ 500,00 é pouco e talvez a média dos apor- tes que faça por mês, ao longo do tempo, seja maior do que isso. Suponhamos que você faça o aporte de R$ 1.000,00 mensais. Veja, na tabela a seguir, os valores corresponden- tes aos investimentos em 10, 20 e 30 anos com aporte men- sal de R$ 1000,00 e rentabilidade de 15% ao ano. NO SEU CUSTO DE VIDA 41 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Da próxima vez que sair na rua e tiver múltiplas tentações de consumo, pense no quanto o valor daquilo vai render em longo prazo. De quantas coisas poderia abrir mão e não iriam influenciar na sua qualidade de vida, na forma com que você lida com outras pessoas, na sua felicidade por causa da disciplina, que é a consciência do que você consegue acumular lá na frente? A gratificação em curto prazo é momentânea, fugaz. A quantidade do que conseguimos realizar ao longo do tempo, com disciplina e consistência, abrindo mão da gra- tificação instantânea, é infinitamente maior do que o foco no presente. Tabela comparativa 42 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 VOCÊ SABIA? Convertendo juros anuais em mensais. Quando falamos de investimentos sempre falamos de rentabilidades anuais. Mas, você faz aportes anuais ou mensais? Acredito que a grande maioria faça aportes mensais. Quando vamos fazer simulações precisamos converter as taxas de juros anuais para mensais. Você sabe fazer essa conta? Não, não é simplesmente dividir a taxa anual por 12. Por causa dos juros compostos essa conta não é tão sim- ples. Vamos a fórmula: E se você quiser converter de mensal para anual? É um pouco mais chato de calcular do que só dividir ou mul- tiplicar por 12. Mas, calculadora nos ajuda nessa hora! 43 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 44 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 5 Reserva de emergência Chegou a hora, depois de falar sobre a teoria, o embasa- mento, os fundamentos, para você começar a investir. Neste capítulo você vai dar o primeiro passo. O que isso significa? Vamos pegar a quantidade de gastos que você tem mês a mês. Escreva no papel o quanto você gasta de conta de luz, água, com seus filhos, com atividades recorrentes, supermercado: quanto custa a sua vida naque- le mês. Esse valor você vai multiplicar de 6 a 12 vezes, ou seja, 6 a 12 meses o valor do seu custo de vida. É exatamente esse dinheiro que é a sua ˜reserva de emergência˜, e você vai co- locar em um investimento que tenha baixo risco e que seja altamente “líquido”. A primeira coisa com que precisa se preocupar no mundo dos investimentos é construir a sua "reserva de emergência". 45 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Como definir capital necessário para sua reserva de emer- gência? Exemplo: quando falamos do investimento mais seguro do Brasil, falamos do Tesouro SELIC. Qual é a liquidez do Te- souro SELIC uma vez que você compra o título? O Tesouro SELIC tem liquidez D+0, o que significa que caso você venda o título, o dinheiro vai cair líquido na sua conta no mesmo dia que você fez esta venda. Bons investimentos para comporem a reserva de emer- gência devem ser investimentos de baixo risco e investi- mentos altamente líquidos. Liquidez é a facilidade que o investidor tem de se desfazer de um ativo, transformando-o em dinheiro sem perdas significativas em seu valor. 46 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Um outro exemplo de investimento que pode cumprir esse propósito: os CDBs (Certificados de DepósitosBancários) de liquidez diária. São títulos emitidos principalmente por instituições bancárias que emitem títulos de dívida, prome- tendo pagar ao investidor exatamente o valor daquele título no futuro, mais os juros. Apenas ressaltando algo importan- te, para reserva de emergência em CDB é importante que este seja um CDB de liquidez diária. É assim que o investidor ganha dinheiro com a modalidade de investimento chamada de renda fixa. Siglas, que vamos abordar mais à frente. 47 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 FUNÇÃO DA RESERVA Para que serve a reserva de emergência? Serve para quando “der ruim” na vida. Digamos que está em casa e, do nada, tem uma briga com a sua mulher e ela te expul- sa de casa; ou então passou por alguma dificuldade mé- dica e tem que arcar com a cirurgia; o seu filho sofreu alguma coisa, precisa do di- nheiro naquela hora e você não pode ter risco sobre o capital. Por quê? Imagine se estiver desesperado, precisando de dinheiro por algo pontual, se não tivesse dinheiro para usar quando mais precisa? É por isso que todo mun- do precisa de um fundo de emergência. “Ah, mas não tenho emer- gências, sou muito seguro com tudo que faço, não so- fro riscos”. O princípio básico de construirmos uma reser- va de emergência é que sa- bemos que em algum dia vai ter uma emergência. Não construímos uma reser- va de emergência porque teve alguma coisa que pre- cisamos naquele momento. Construímos na expectativa de que, em algum momento, vai acontecer algo imprevi- sível. Algum imprevisto que vai requerer que gastemos dinheiro. Imprevistos são previstos. Precisamos es- perar que aconteçam, e por isso o primeiro passo para todos deve ser, independen- temente das circunstâncias, construir uma reserva de emergência. 48 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Se olharmos para a realidade da pandemia, recentemente, em março 2020, quando tivemos uma desvalorização de quase 50% na nossa Bolsa de Valores. Imagine quando pes- soas sem conhecimento, por ganância, imediatismo, pela mentalidade de ganhar dinheiro rápido, colocaram dinheiro na Bolsa para poderem antecipar os seus sonhos, e assim, acabaram perdendo o dinheiro que elas não poderiam se dar ao luxo de perder. O dinheiro que você não pode se dar ao luxo de perder é o dinheiro da sua reserva de emergên- cia. SEGURANÇA 49 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 VOCÊ SABIA? Boas opções para Reserva de Emergência: Pensando na tríade de investimento (Rentabilidade, liquidez e Segurança/risco), as características mais importantes para reserva de emergência são: Segurança e Liquidez! Não estamos focados em rentabilidade nessa parte da car- teira, que serve para nos proteger. Algumas opções são: - Tesouro SELIC; - CDB com liquidez diária – rentabilidade 100% CDI; - Fundos de investimento Renda fixa DI, sem taxa de admi- nistração (Taxa adm: 0%) 50 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Você precisa se munir de investimentos que são seguros, Como Tesouro SELIC, um CDB de liquidez diária. Um tipo de aplicação que vá dar pouca rentabilidade, afinal tem baixo risco, mas que vai dar muita liquidez. Reserva de emergência não é para dar dinheiro, é para dar segurança, conforto, para dar tranquilidade; porque os outros investimentos vão dar a possibilidade de ganhar muito dinheiro. É óbvio, depois de já ter feito a reserva de emergência. Não adianta tentarmos ser os investidores de longo prazo se não conseguimos nem ter o nosso curto prazo garantido. 51 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 52 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 6 Renda fixa e variável Ao longo da jornada no mundo dos investimentos, você vai entrar em contato com conceitos que podem parecer um pouco “bicho de sete cabeças”. Vamos falar sobre a diferença entre investimentos de renda fixa e investimentos de renda variável. 53 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Existem duas modalidades: - Renda fixa pública; - Renda fixa privada. Renda fixa pública é quando você empresta o seu dinheiro para o governo. Tesouro SELIC, Tesouro IPCA, Tesouro Prefixado, são os tí- tulos que o nosso governo emite para captar dinheiro, e as- sim conseguir rodar as operações na sociedade, conseguir financiar novos projetos ou destinar os recursos da forma como ele achar melhor. RENDA FIXA O governo se endivida com você, investidor, e promete pagar de volta, no futuro, mais os juros. Essa é a premissa básica para qualquer investimento de renda fixa. 54 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A renda fixa privada segue os mesmos princípios, só que ao invés de você emprestar o seu dinheiro pro governo, você está emprestando para uma iniciativa privada, como por exemplo, quando você compra um CDB, um LC, um LCI, um LCA, um CRI, um CRA, uma debênture. O que está fazendo é, basicamente, comprando o título de investimento que foi emitido por uma empresa. No caso desses CDBs, LCs, LCIs, LCAs, são emitidos por bancos que querem captar o seu di- nheiro para usar os recursos para fazer empréstimos pesso- ais, financiar obras, financiar empreendimentos e assim ter lucros. De todos esses investimentos, tanto os de renda fixa pública quanto os de renda fixa privada, têm uma coisa em comum: você consegue saber antecipadamente as condições de rendimento até a data do vencimento. 55 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A renda fixa possui 3 modalidades principais: 56 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A renda fixa não vai fugir disso. 57 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Agora vamos entrar no mundo da renda variável. Para dei- xar você visualizar a diferença, vou colocar no primeiro grá- fico a rentabilidade do tesouro SELIC e a variação das ações da AMBEV, ao longo do tempo. Você consegue perceber que, no primeiro, tem uma linha reta. É esperado que você pode projetar para frente porque é previsível: ela sempre sobe. Enquanto a renda variável, por definição da palavra, varia, não existe previsibilidade. Tem altos e baixos, ela sobe e desce, e você nunca sabe de fato para onde vai. RENDA VARIÁVEL 58 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Por que me preocupar com renda variável se não tenho a menor segurança do que vai acontecer com o meu di- nheiro? Porque os investimentos que fazemos em renda variável, bem fundamentados, são aqueles que vão dar maior multiplicação ao longo do tempo. Porque eles fazem parte da economia real, isso é participação em empresas, empreendimentos imobiliá- rios, em ações estrangeiras, em fundos de investimento que compilam todos esses ativos diferentes e que são geridos por pessoas alta- mente qualificadas para fa- zer, única e exclusivamente, você ganhar dinheiro. 59 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 ANÁLISE FUNDAMENTALISTA “Não fui convencido ainda, prefiro a segurança da renda fixa, previsibilidade, eu te- nho aversão a risco”. Enten- da, pessoas que investem na renda variável não se sen- tem tão confortáveis quando o patrimônio diminui tam- bém. Pode acontecer, só que eles sabem que a probabili- dade de valorizar, ao longo do tempo, é muito maior do que o dinheiro cair, porque fizeram uma análise muito bem fundamentada, conhe- cida como análise funda- mentalista. Eles identificam todas as nuances intrínsecas ao negócio, assim como seu mercado de atuação, a cul- tura dentro da empresa, a satisfação das pessoas, to- das as nuances dentro de uma empresa para saber se ela tem a projeção de ser um negócio de sucessoainda no longo prazo. Pessoas que simplesmente compram uma ação sem dar o devido estudo, sem saber o que estão fazendo, simples- mente selecionando alguma coisa que aparece primeiro no home broker, compran- do só pra dizer que está em renda variável, vão perder di- nheiro. Como é que você sabe, com garantia, sem uma análise fundamentada, qual inves- timento que fez em renda variável vai vingar? Se inves- tir em renda fixa pública, já sabe qual é a garantia: a do Tesouro Nacional. Você não vai perder o seu dinheiro porque o caixa do governo, o Tesouro Nacional, por defini- ção, está lastreando o seu tí- tulo, garantindo que você vá receber o dinheiro de volta. 60 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 E para renda fixa privada? Existe também uma instituição chamada de Fundo Garantidor de Créditos, ou comumente conhecida como FGC. O FGC assegura até R$ 250.000,00 por instituição financeira, em que você tem dinheiro investido, em renda fixa privada, tudo que você investiu mais os juros. Isso no caso da instituição financeira quebrar. Então, caso tenha dinheiro em uma corretora de valores só poderá rece- ber até R$ 250.000,00 de todo o valor que investiu, mais os juros. Agora, se você tem dinheiro investido em quatro cor- retores diferentes, esse teto aumenta para R$ 1.000.000,00 FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS 61 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Uma regra de ouro é entender que o FGC somente vai cobrir investimentos, títulos, emitidos por instituições financeiras. Por mais que ainda fique um pouco confuso de dizer qual a proporção do patrimônio que vai alocar em renda fixa, qual a proporção que você vai ter em renda variável, o importante é entender que independentemente do seu perfil de inves- tidor, se é moderado, conservador ou arrojado, que o mer- cado de capitais possui opções de investimento para todos os investidores. 62 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 63 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 7 Guia prático para começar Tantos investimentos, tantos ativos, que podemos até per- der a direção do que fazer com o nosso dinheiro. Quero dar um direcionamento para você entender as possi- bilidades do que fazer com o dinheiro, a partir do momento em que ele entra na conta todo mês, seja com o seu salário, seja com qualquer outro tipo de renda que tenha. Um ‘disclaimer’ antes de começarmos: as percentagens que vou citar são meramente ilustrativas. Você deve olhar para as suas circunstâncias e tentar identificar como os ensinamen- tos aqui podem ser pertinentes para sua realidade. Pode ser que os percentuais, que uso, não façam sentido para você, e tudo bem. O conceito é atemporal. Os princípios nos quais vai se basear para distribuir o seu dinheiro não mudam. 64 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Vamos supor que você receba a renda no mês, um salário ‘x’. Considere estabelecer um limite para que, a cada mês, gaste 60% com as necessidades básicas. O que são neces- sidades? São custos de vida mês a mês, conta de luz, conta de água, o gasto que tem com os filhos, com academia, com supermercado, gastos recorrentes que você tem previsibi- lidade de ter todo mês. Estes são seus custos fixos, são os custos de necessidade. Nesse exemplo, a pessoa pode pegar 60% do dinheiro e co- locar numa conta corrente, em uma conta do banco, por- que sabe que aquele dinheiro vai embora todo mês. NECESSIDADES BÁSICAS 65 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Outra parte importante do orçamento é o lazer. Se quiser abrir mão de lazer, pelo pensamento frenético de enrique- cer o mais rápido possível, vai ficar bitolado, depreciando sua saúde mental. Se quiser jogar um jogo de videogame com o seu filho, se quiser ir ao bar com os amigos, isso tem que estar planejado nos gastos. Esses 10%, que vai separar todo mês para quando sua renda cair, vai ser destinado principalmente ao seu lazer. Onde é que fica esse dinheiro? Pode ficar também na sua conta cor- rente, porque ele vai durar no máximo 30 dias. É o dinheiro que você usa para curtir o processo. Afinal, de que adianta resistir a tantas tentações, abrir mão de tan- ta coisa em prol do planejamento financeiro, alcançando enriquecimento no longo prazo se não aproveitar todo o processo? LAZER 66 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Outros 10% que pode alocar de destino ao dinheiro que cai na conta todo mês são objetivos de curto e médio prazo. Digamos que você tem um sonho momentâneo, de curto prazo, de comprar um carro, de comprar uma casa, de fazer uma cerimônia de casamento, de viajar para o exterior com a família. Tudo isso tem que estar planejado. Você não vai fazer um financiamento para pagar juros sobre a dívida, que contraiu ao longo do tempo, só pra ter a grati- ficação instantânea de realizar um sonho. Não! Você vai se planejar. Porque com o dinheiro que recebe mensalmente, você consegue dar conta das coisas. OBJETIVOS DE CURTO E MÉDIO PRAZO 67 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Você pode pegar 10% todo mês e alocar em títulos de ren- da fixa. Títulos de renda fixa, porque imagine a seguinte si- tuação: para conseguir realizar o sonho, por ganância, o mais rápido possível, você coloca na bolsa de valores, em renda variável. E acontece uma crise como aconteceu em 2020 com a pandemia. Você pode perder 50% do seu patrimônio? Vai acabar retrocedendo em alguns anos o tempo que leva- ria para realizar o sonho. Para esses investimentos tão importantes para a realidade, investir em renda fixa é a melhor forma de assegurar que vai, a cada dia que passa, estar mais perto de conquistar esses sonhos. 68 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O próximo percentual do dinheiro de cai na conta, mês a mês, e que você deve dar alocação é de 5% para o que vai ser um curso. Da mesma forma que o dinheiro entra recorrentemente na nossa vida, precisamos de conhecimento adquirido, recor- rentemente, também. Munindo-se com livros, cursos, semi- nários, networking, dispondo-se a viver novas experiências que possam dar novos aprendizados, vai saber o que fazer a mais para conseguir aumentar sua renda, para aumentar a rentabilidade. EDUCAÇÃO O tipo de investimento mais rentável que jamais vai fazer na vida: educa¢ão. Quanto mais aprendemos, mais ganhamos. 69 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Então, aloca 5% do que você receber todos os meses para comprar e gastar todo mês, imprescindivelmente, nessas coisas. Onde é que você deixa esse dinheiro? Também você pode deixar na sua conta corrente do banco, porque você quer consumir durante todo o mês. Então, lembre-se: 5% para a educação porque o melhor ativo que vai poder com- prar na vida é você mesmo. 70 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A próxima percentagem de alocação sobre a renda mensal: 10% devem ir para, aí sim, a tão sonhada, a famigerada, in- dependência financeira. São os objetivos de longo prazo, acúmulo de capital, comprar ativos, investimentos que você vai comprar com foco em viver de renda. Como ações, fundos imobiliários, stocks, REITs, ETF’S, todos que vão ter o potencial de se valorizar ao longo do tempo e de colocar dinheiro no seu bolso ao longo do processo. É com aporte consistente e regular em cada um desses in- vestimentos que você vai conseguir viver de renda, vai ter uma quantidade consistente de fluxo de renda entrando no seu bolso, todos os meses, para que você consiga se ausentar do trabalho; porque o seu dinheiro vai estar lá trabalhando por você. INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA 71 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3Se você acompanhou essa conta junto comigo e foi percep- tivo, sabe que ainda faltam 5% da nossa conta sobre a tota- lidade de renda que recebe todos os meses. Esses 5%, por último, são para manter dinheiro em caixa. Perceba o seguinte: quando digo caixa, não quero dizer fundo de emergência. O seu fundo de emergência nem entra nessa conta, porque aqui eu estou partindo do prin- cípio de que você já criou o seu fundo de emergência. O caixa é completamente diferente. Por que que devemos ter caixa? Porque o caixa vai ser o nosso melhor instrumen- to para conseguir comprar bons ativos quando estão na baixa, em momentos de recessão econômica, de crises, em que vemos empresas negociadas na Bolsa de Valores muito abaixo do valor intrínseco. Essas são as melhores oportuni- dades para conseguirmos multiplicar o capital ao longo do tempo. CAIXA 72 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Como sabemos quando usar o nosso caixa? Se considerar que tem um percentual fixo da quantidade de dinheiro, que quer manter em caixa, da totalidade de seu patrimônio: Você tem um patrimônio de R$ 100.000,00 e quer que, des- se patrimônio, sempre 20% esteja em caixa. Então, sabe que, pontualmente, nesse momento, 20% equivalem a R$ 20.000,00. Vamos supor o seguinte cenário: se uma nova crise surge, e aquele percentual que tinha em renda variável, por motivos didáticos, nesse exemplo, são 80%, todo o resto. Aí a Bolsa se desvaloriza e você acaba perdendo R$ 40.000,00. Aque- les R$ 80.000,00, que equivaleriam a 80% passaram a ser simplesmente R$ 40.000,00. Ou seja, o seu patrimônio total, no caso passou a ser R$ 60.000,00, R$ 40.000,00 em renda variável e R$ 20.000,00 em caixa. Percebeu o que aconteceu? O caixa passou a assumir 33,3% do seu patrimônio. Representa 1/3 de tudo que você tem. Só que, com base no quanto você tinha estipulado para si mesmo, ele deveria ser 20% e não 33,33%. O que você pode fazer: você pegar esses 13,3 % excedentes que ultrapassa- ram os 20%, e comprar renda variável. 73 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Porque assim terá um método, um sistema, que com recor- rência e consistência, saberá que quando o que tem renda variável cair, você pode pegar o excedente percentual do caixa para comprar mais, aproveitando todas as oportuni- dades. Defina arbitrariamente o quanto de cada um desses destinos você vai dar para o seu dinheiro, que realisticamen- te consegue ter. Aqui eu quis trazer um panorama, um exemplo, do que você poderia fazer, mas cada um tem a sua realidade, as suas cir- cunstâncias. Caso, por exemplo, em necessidades, você não consiga manter somente em 60% os gastos mensais, então, que isso sirva de incentivo para que consiga ganhar mais dinheiro, manter a qualidade de vida e aí finalmente chegar aos 60%. Ou, quem sabe, diminuir 50, 40, 30% só alocados para necessidades. É um exercício constante de corte de gastos e de aumento de ganho de capital. 74 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 75 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 8 Como lidar com as crises Conhece aquela pessoa sempre tende a puxar para o lado negativo? Você chega com uma ideia, quer começar um projeto, só quer compartilhar e a pessoa meio que pega e te coloca para baixo. Acho que todo mundo conhece alguém que é o estraga-prazer. Em outra perspectiva: você já pensou ‘meu deus, não devia ter falado isso’, aí a pessoa olha para você e ri, como se esti- vesse gostando e compartilhando aquele momento. É a mesma informação que você passa para pessoas dife- rentes, mas elas podem levar de formas completamente di- ferentes. A percepção do indivíduo sobre o que acontece ao seu redor é uma percepção subjetiva, ela é fruto de um filtro para processar diferentes ‘inputs’ que existem na nossa vida. PERCEPÇÕES DISTINTAS 76 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Quando falamos de crise, tendemos a encarar isso com uma conotação negativa. O pensamento comum é que as pes- soas vão perder emprego, que as empresas vão falir, que no geral as pessoas não vão ter dinheiro e a economia vai ruir. Só que se tentarmos olhar com uma outra perspectiva, se fi- zermos um exercício de ver oportunidades nos problemas e não problemas nas oportunidades, conseguimos perce- ber que, na verdade, as crises são os melhores momentos sobre os quais podemos comprar excelentes negócios, fa- zer excelentes investimentos a bons preços. PERCEPÇÕES SOBRE CRISES 77 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Sabemos que existe um pessimismo, que existe um fator emocional humano envolvido na precificação de ativos no mercado, ou seja, quando todo mundo está achando que não existe probabilidade nenhuma da economia melho- rar, aí é que encontramos os melhores ativos aos melhores preços. 78 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Quer entender esse fenômeno de precificação emocional do mercado? Quanto estaria disposto a pagar por um guarda-chuva se es- tivesse caindo o mundo de chuva, se não conseguisse nem cruzar a rua sem ficar completamente encharcado? Prova- velmente muito dinheiro, se precisasse. Agora, digamos que o dia está ensolarado, que está abafa- do, que sabe que tudo de que precisava era de um belo de um ar-condicionado, quanto é que custaria o guarda-chuva, agora? Muito pouco! Você nem estaria procurando por aqui- lo. A lei da oferta e da procura, em mudanças circunstanciais, é regida com base na necessidade humana, nas perspecti- vas que veem no mercado, e é por isso que às vezes o pes- simismo acontece de forma exagerada, e vemos empresas que são negociadas a um preço muito abaixo do que elas de fato valem em condições normais, por conta da crise. Mas se está em crise eles não deveriam valer menos, mes- mo? Precisamos entender que a Bolsa de Valores é nego- ciada entre seres humanos, e seres humanos erram. PRECIFICAÇÃO EMOCIONAL DO MERCADO 79 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Com o pessimismo exacerbado de mercado, bons ativos acabam sendo negociados a pre¢os abaixo do que valem. Numa simples análise de todas as crises que permearam a humanidade, como a crise de 1929, a crise do petróleo, a crise subprime, do governo Dilma e da pandemia, a Bolsa sempre se recuperou. Vez e vez, as mesmas coisas acon- teceram e os mesmos resultados vieram à tona. Não só as Bolsas de Valores chegaram a se equilibrar no mesmo nível de antes das crises, mas também foram muito além do que elas jamais estiveram. É a diferença entre quem compra o guarda-chuva quando está chovendo versus a pessoa que compra no dia ensola- rado pagando pouco para esperar um dia de chuva. 80 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 81 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 9 Diversificação Quer entender esse fenômeno de precificação emocional do mercado? Quanto estaria disposto a pagar por um guarda-chuva se es- tivesse caindo o mundo de chuva, se não conseguisse nem cruzar a rua sem ficar completamente encharcado? Prova- velmente muito dinheiro, se precisasse. Agora, digamos que o dia está ensolarado, que está abafa- do, que sabe que tudo de que precisava era de um belo de um ar-condicionado, quanto é que custaria o guarda-chuva, agora? Muito pouco! Você nem estaria procurando por aqui- lo. A lei da oferta e da procura, em mudanças circunstanciais, é regida com base na necessidade humana, nas perspecti- vas que veem no mercado, e é por isso que às vezes o pes- simismo acontece de forma exagerada, e vemos empresas que são negociadas a um preço muito abaixo do que elas de fato valem em condições normais, por conta da crise. Mas se está em crise eles não deveriam valer menos, mes- mo? Precisamos entenderque a Bolsa de Valores é nego- ciada entre seres humanos, e seres humanos erram. PRECIFICAÇÃO EMOCIONAL DO MERCADO 82 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Existem melhores investimentos para diferentes propósitos. Acho que agora você já tem munição suficiente para enten- der que, quando alguém pergunta: qual é o melhor investi- mento? Saber que não existe uma resposta. Agora vamos falar especificamente sobre como diversificar a carteira, para garantir que consiga cumprir os propósitos com os menores riscos e ainda podendo ter os maiores ga- nhos. 83 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Existem três formas principais com que podemos diversifi- car o patrimônio: A PRIMEIRA DELAS é em tipo de ativo. Falamos, por exem- plo, sobre renda fixa e renda variável, mas na própria Bolsa de Valores existem diferentes tipos de ativos: as ações, os fundos imobiliários, os ETFs; e ao diversificar o patrimônio, estamos garantindo não colocar todos os ovos numa cesta só. 84 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 A SEGUNDA FORMA de diversificar o patrimônio é em dife- rentes setores da economia. Digamos um mundo, em que, ainda, não existia o WhatsApp, ou alternativa para as pesso- as se comunicarem. Vamos dizer que nesse mundo utópico, surja o WhatsApp. A receita da empresa vinha com o paga- mento de SMS, ou ligações. O que acontece com a recei- ta quando chega o WhatsApp? Ela basicamente vai a zero; uma fonte enorme de receita (das empresas que eram ne- gociadas na Bolsa) deixou de existir por causa de um agente externo e não se esperava que iria acontecer. Se você colo- cou todo seu dinheiro numa empresa de telefonia, por cau- sa da falta de diversificação, acabou sofrendo um risco não sistêmico. 85 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 VOCÊ SABIA? RISCO NÃO SISTÊMICO: É aquele risco reservado para ape- nas uma empresa, ou para um setor especifico da economia. Você corre esse risco quando tem total opção de investir em vários ativos que iriam mitigar esses riscos. Você preferiu só investir nas empresas de telefonia porque era muito fã delas. Agora, se diversificasse o patrimônio também em empresas de tecnologia, quem sabe compraria uma empresa como o Facebook, que hoje é detentora do WhatsApp, e por isso são ações que iriam se valorizar, em detrimento das empresas de telefonia. Você percebeu o que aconteceu? A diversificação de car- teira existe para o risco de alguma empresa inserida em de- terminado setor, ou o setor ficar obsoleto; as outras empre- sas, nos outros setores, acabam subindo e compensando as perdas daquele setor que se deu mal. Pode acontecer de a crise bater em todas as empresas na economia brasileira? É verdade, e este se chama risco sistêmico. RISCO SISTÊMICO: o risco de acontecer alguma crise, uma recessão econômica, algo sobre o qual não temos controle e vai ter um baque na Bolsa como um todo. 86 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 É por isso que existe mais de uma forma de diversificar a carteira para conseguir mitigar o risco sistêmico. Uma forma é a diversificação em moeda. Existe uma correlação inversamente proporcional entre a desvalorização da nossa Bolsa e a valorização do dólar. Pa- rece que quase toda vez que a Bolsa de Valores cai o dólar sobe e vice-versa. Para a gente conseguir diminuir essa os- cilação e mitigar os riscos, ter parte do patrimônio investido em dólar, é uma excelente forma de, não só ter um colchão de segurança sob o nosso patrimônio, mas também de in- vestir nas empresas do país, com a maior cultura de empre- endedorismo do mundo, e que tem as maiores facilidades de empreendedorismo. 87 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Como você investe em dólar? Existem duas formas: uma delas é investir diretamente lá fora com a aber- tura de conta em uma corretora de valores norte-a- mericana e comprando direto ações estrangeiras. a outra forma é com BDRs (Brazilian Depositry Re- ceits). São recibos emitidos pelas empresas estran- geiras para serem negociados no Brasil acompanhan- do toda a flutuação de preços que essas empresas têm lá fora, inclusive a flutuação cambial. O benefício dos BDRs é que eles são negociados na nossa pró- pria Bolsa de Valores. Quais são as limitações? É que existem menos BDRs do que existem possibilidades de investimento caso você vá diretamente investir no mercado de capitais norte-americano. 2 1 88 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 POR ÚLTIMO, mais uma forma de diversificar a nossa cartei- ra: com o número de ativos. Qual você acha que é a melhor forma de diversificarmos? Com uma carteira enxuta, com poucos ativos somente, mais diversificada em setores, em moeda, ou uma carteira repleta de ativos diferentes? Temos grandes referências no mercado de capitais brasilei- ro e estrangeiro que têm dezenas, senão centenas ou milha- res de ativos dentro de uma carteira. Só que não deveríamos nos dar ao luxo de expor o patrimônio à maior quantidade de ativos possível, simplesmente, por motivos de diversifi- cação. 89 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 O que você pode fazer, por outro lado, é ter um número de ativos, na carteira, que seja capaz de acompanhar com a consistência e recorrência, que vá ler os relatórios das empresas, que saiba o que está acontecendo. Porque as- sim, vai ter bala para movimentar a carteira, porque é enxu- ta, porque você sabe que existe um limite de tudo que pode acompanhar. Se uma carteira é gigantesca, com milhares de ativos, é pre- potência nossa, pensar que sejamos tão capacitados quanto um gestor de um fundo bilionário e, por isso, precisa ter mi- lhares e milhares de ativos. Acaba sendo meio incomparável a realidade de um investidor que tem uma equipe de, às ve- zes dezenas, ou centenas de pessoas com a de um investi- dor individual. O investidor individual tem recursos limitados de tempo e dinheiro para conseguir analisar os ativos que irão compor sua carteira, enquanto um gestor não só tem uma equipe gigantesca, como tem muito dinheiro para remunerar muito bem, para fazerem um bom trabalho na gestão da carteira. CARTEIRA ENXUTA 90 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 DIVERSIFICAÇÃO Um exemplo, na prática, de como diversificação é impor- tante. A primeira ação que comprei (e sobre a qual co- loquei muito dinheiro inves- tindo), foi uma que na época chamava-se Senior Solutions. Peguei o dinheiro que meu pai tinha deixado e coloquei logo uns R$10.000,00. A em- presa, depois de uma sema- na, subiu um pouquinho, eu fiquei feliz para caramba. Pensei que acertei. Só que passou outra semana e ela se desvalorizou mais de 10% do valor inicial. Comecei a pensar por ga- nância, por imediatismo, por achar que tinha feito um único aporte acertado, que iria ganhar mais dinheiro do que se tivesse diversificado. Me deixou com dor no peito, com angústia, com frustra- ção, de não ter simplesmen- te ouvido a voz da razão e di- versificado a minha carteira logo de cara. Eventualmente ela subiu de novo, mas assim que fiquei no zero a zero, vendi tudo e diversifiquei do jeito que achava que era necessário, para não precisar mais sentir a preocupação de que tinha feito algo por ingenuidade. 91 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 ATIVOS DESCORRELACIONADOS - são aqueles que não tem correlação nenhuma com quando um sobe, o outro cai, ou quando um sobe outro sobe também, enfim, eles simples- mente andam separados em diferentes vertentes. Se nos dispusermos a diversificar a carteira em tipos de ativos, em setores diferentes da economia, em moeda, em núme- ro, vamos mitigar os riscos sobre o patrimônio e aumentaras chances de rentabilidade no longo prazo. Não faz sentido, simplesmente, apreciarmos muito o setor industrial e só termos empresas que fabricam. Ou então, não faz sentido termos somente empresa de banco, porque sabemos que se acontecer alguma coisa na economia, que ataca o setor ou aquele tipo de ativo e empresa, vai tomar uma proporção grande do patrimônio e não vamos ter previ- sibilidade do quando vai retomar, e pode ser até que nunca retome. A importância de termos, dentro da nossa carteira, ativos descorrelacionados entre si é irrefutável. 92 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Existe um processo chamado de obsolescência. Os setores acabam ficando obsoletos e reciclados na economia, subs- tituídos por iniciativas que são mais pertinentes, dada à rea- lidade mutável e acelerada que vivemos. O dia mais louco foi o dia seguinte de quando eu comprei Tesla. Porque comecei a investir no exterior com a ideia de gravar um vídeo mostrando como fazer. Um dos ativos que mais admirava era a Tesla, empresa norte-americana de car- ros elétricos que, para mim, sempre foi um sonho de consu- mo. No dia seguinte ao do investimento, a Tesla se valorizou 17%. Havia sido liberado, pela primeira vez, um balanço tri- mestral da Tesla, que tinha dado um lucro. A empresa bom- bou e não parou mais. Desde aquele dia de outubro de 2019, a empresa já se valorizou mais de mil por cento e o dólar, que antes estava R$ 3,70, agora, no momento, está em R$ 5,20. Isso traz uma lição muito importante: as pessoas acreditam que precisam encontrar a próxima a próxima Tesla, ou a próxima Magazine Luiza, fazendo um paralelo com a rea- lidade brasileira. O princípio básico para conseguirmos é com diversificação. Porque Tesla não foi o único ativo, que comprei naquele dia. Comprei vários, mas, ainda assim, a diversificação, o princípio da diversificação foi justamente o que garantiu que pudesse me expor à possibilidade de que algum deles desse a pancada. OBSOLESCÊNCIA 93 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 94 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 CAPÍTULO 10 Considerações finais E aí? Valeu de alguma coisa os conhecimentos? Vai usar es- ses princípios e começar a investir? Espero que tenha sido engrandecedor. Queria deixar algumas palavras finais, para ter certeza de que vai sair daqui e colocar a mão na massa, de que vai in- vestir e vai colocar todas as desculpas que você sempre teve de lado e conseguir dar conta do trabalho. Vai ter o momento em que você vai ficar ansioso, vai ficar com medo, que vai achar que não sabe o que fazer. Mas com base nos princípios que vimos ao longo dos capítulos, você sempre pode voltar, reler, internalizar de novo os conceitos, porque eles são atemporais. Fica tranquilo: essa insegurança, esse medo, faz parte do processo. Você não precisa se deixar afobar por causa de sentimentos, porque é tudo questão de hábito. A única for- ma de garantir que você vai deixar de sentir a angústia, a frustração, a insegurança é começando. 95 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Depois, ao longo do tempo, vai ficando tão comum e cos- tumeiro para você, que investir não vai ser mais um dilema, mas um hábito que implementou na rotina e dá conta todos os dias. Se você internalizar os conhecimentos e todos os princípios que abordamos, vai estar mais do que preparado para co- meçar a investir o seu dinheiro. Seja em renda fixa, renda variável ou qualquer modalidade. Pode até ficar receoso de que não tem o conhecimento ne- cessário. Lembre-se: as pessoas que tiveram os maiores prejuízos na Bolsa de Valores não foram as que tinham me- nos conhecimento. Foram as pessoas que se deixaram levar pela ganância, pelo medo, pelo imediatismo. Peço para que você confie em mim agora e vá fazer um pas- so-a-passo de tudo que leu aqui e comece a investir. Tudo isso só vai se realizar, todos esses sonhos, metas que você colocou para sua vida, se você der o primeiro passo. 96 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 VOCÊ SABIA? AS 5 LEIS DO OURO 1) O ouro vem de bom grado e numa quantidade crescente para todo homem que separa não menos de um décimo de seus ganhos, para criar um fundo para seu futuro e o de sua própria família. 2) O ouro trabalha diligente e satisfatoriamente para o ho- mem prudente que, possuindo-o, encontra para ele um bom emprego lucrativo, multiplicando-o como os flocos de algodão no campo. 3) O ouro busca a proteção do proprietário cauteloso, que o investe de acordo com os conselhos de homens sábios em seu manuseio. 4) O ouro foge do homem que o emprega em negócios ou propósitos com os quais não está familiarizado ou que não contam com a aprovação daqueles que sabem poupá-lo. 5) O ouro escapa ao homem que o força a ganhos impossí- veis ou que dá ouvidos aos conselhos enganosos de trapa- ceiros e fraudadores ou que confia em sua própria inexperi- ência e desejos românticos na hora de investi-lo. Trecho extraído do livro: O homem mais rico da babilônia Autor: George Samuel Clason Data da primeira publicação: 1926 97 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Quero parabenizar você por estar aqui com a confiança no trabalho que eu venho despendendo para entregar os prin- cípios em que acredito. Saiba, sem a menor sombra de dúvi- da, que o bastão está na sua mão e você tem todo o conhe- cimento necessário para começar. Você tem uma riqueza tão grande de conteúdo que pode absorver, internalizar, nessa plataforma aqui, agora. Depen- de de você explorar todo esse mundo magnífico de educa- ção financeira e investimentos para conseguir implementá- -lo na sua própria vida. Eu incentivo a busca de outros professores, outras aulas, ou- tros livros, para absorver tudo que essa plataforma tem para dar. Lembre-se: os 5% de educação que você precisa alocar todos os meses podem, muito bem, estar aqui. A qualida- de do conteúdo que estamos dispondo para você aprender certamente está aqui. São 5% que, com certeza, vão dar ren- dimentos maiores do que qualquer outra aplicação finan- ceira. O maior ativo que você pode comprar é você mesmo. Conhecimento é o maior minimizador de riscos que existe. Agora que você já tem os primeiros passos, os próximos passos são para os que você dará. Sem mais, sei que o seu tempo é valioso e que tem muito estudo pela frente. Meu nome é Breno Perrucho e essa foi a minha Finclass. 98 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 99 B r en o P er r u ch o ed . es pe ci a l e- B /0 3 Todos os direitos deste livro são reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste guia poderá ser reproduzida ou transmitida sem autoriza¢ão prévia da marca Finclass. FINCLASS Copyright ©️ 2021 ©️ FINCLASS | Todos os direitos reservados