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DOR TORÁCICA NA SALA DE EMERGÊNCIA: QUEM FICA E QUEM PODE SER LIBERADO Tabela 2. Manifestações clínicas das principais etiologias de dor torácica. Doença Duração Qualidade e localização Aspectos importantes Desencadeada por exercício físico, estresse 2 a 10 min.; em Queimação ou aperto em região retroes- emocional, exposição ao frio e após gran- Angina estável ternal ou precordial, podendo irradiar-se des refeições; "crescendo" para pescoço, ombros ou braços. Pode estar acompanhada de náuseas, mitos, diaforese e dispneia. Pode iniciar-se em repouso ou com peque- 30 em "cres- Semelhante à angina estável; porém, Geralmente pode estar acompanhada de cárdio cendo"; início súbito mais intensa. náuseas, vômitos, diaforese, dispneia e tontura; Pode haver sinais de insuficiência cardíaca e arritmias. Desencadeada pelo exercício físico; 2 a 10 min.; em Ausculta cardíaca mostra sopro sistólico Estenose aórtica "crescendo" Semelhante à angina estável. em foco aórtico com irradiação para as carótidas. Piora com inspiração profunda, tosse e de- Geralmente de ho- Dor aguda e pleurítica em região retroes- Pericardite cúbito dorsal; melhora na posição sentada ras a dias ternal ou precordial, podendo irradiar-se com inclinação para frente; para pescoço, ombro ou braço esquerdo. Atrito pericárdico no exame físico. Geralmente de ho- Semelhante à pericardite, mas, também Atrito pericárdico, insuficiência cardíaca e Miocardite ras a dias pode lembrar infarto agudo do mio- arritmias ventriculares podem estar pre- cárdio. sentes. A dor pode ser migratória; Geralmente horas; Dor de forte intensidade, dilacerante, Dissecção aguda da Pode estar associada a sopro de insufi- 397 início súbito geralmente na região anterior do tórax ciência aórtica, tamponamento cardíaco, aorta com irradiação para o dorso. acidente vascular encefálico e assimetria dos pulsos periféricos. Geralmente horas a Dor pleurítica na região ipsilateral do tó- Dispneia com ausculta pulmonar normal; Embolia pulmonar dias; início súbito rax, acompanhada de dispneia. Pode haver sinais de hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita. Geralmente de Aperto retroesternal desencadeado por Pode estar acompanhada de dispneia, fadi- Hipertensão pulmonar 2 a 10 min. esforços. ga e sinais de hipertensão pulmonar. Associada a febre e tosse com expectora- Geralmente de ho- Pneumonia Dor pleurítica na região ipsilateral do ção; ras a dias tórax. Ausculta pulmonar com estertores subcrep- tantes e sopro brônquico. Geralmente de ho- Pleurite Dor pleurítica na região ipsilateral do Pode estar associada à febre; ras a dias tórax. Ausculta pulmonar com atrito pleural. Ausculta pulmonar com murmúrio vesi- Geralmente horas; Pneumotórax Dor pleurítica na região ipsilateral do tó- cular diminuído no hemitórax acometido, início súbito rax, acompanhada de dispneia. associada à percussão timpânica. Doença por refluxo gas- Queimação retroesternal ascendente, 10 a 60 min. podendo estar acompanhada de regur- Piora após grandes refeições e com o decú- troesofágico bito dorsal; melhora com antiácidos. gitação. Frequentemente inicia-se em repouso; Aperto ou queimação retroesternal, po- pode ser desencadeado por deglutição, Espasmo esofágico 2 a 30 min. dendo irradiar-se para pescoço, costas exercício físico e estresse emocional; me- ou braços; lhora com nitratos; Pode ser semelhante à angina. Presença de disfagia deve levantar suspeita de etiologia esofágica. Piora com deglutição e inspiração profunda; Ruptura esofágica e me- Geralmente horas; Associada a sintomas e sinais de medias- Dor retroesternal intensa. diastinite início súbito tinite, como dispneia, febre, taquicardia e hipotensão. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2018;28(4):394-402